Autocrítica: Por que somos tão duros com nós mesmos?

Autocrítica: Por que somos tão duros com nós mesmos?

Em geral, nosso pior inimigo é a gente mesmo. Somos incrivelmente duros e críticos conosco e ficamos o tempo todo nos cobrando por melhores resultados.

Por Karen Vogel

Estávamos trabalhando havia dois meses, Daniel (nome fictício) e eu. Suas emoções o desafiavam a ponto de pedir ajuda. Começamos a nos ver em sessões semanais de psicoterapia. E foi assim, em uma das conversas, que disse:

“Sempre penso que nunca está suficientemente bom o que faço, estou sempre me criticando por meu desempenho mediano. Até com você, me esforço para fazer boas análises, mas sempre saio sentindo que não está bom. O que eu faço não está bom”.

Ser duro consigo mesmo é algo familiar para muitos de nós. Temos uma tendência a nos distanciar de emoções como a raiva, o medo e a vulnerabilidade cobrindo-as com autojulgamento. E é assim que alimentamos um pequeno (ou grande) tirano que vive dentro de nós. Ele aparece exatamente quando estamos em sofrimento. Naquele exato momento em que mais merecemos acolhimento, e não crítica. E foi em um desses nossos encontros que sentamos, Daniel e eu, para conhecer mais sobre seu pequeno tirano interno. Visitamos momentos em que ele é realmente duro e frio. Percorremos exemplos de sua vida dos quais, ainda criança, lembrou de ter sido muito duro consigo mesmo, principalmente com as notas da escola. E foi em um desses dias que ele, carinhosamente, apelidou seu pequeno tirano de “Zé”. E se despediu de nosso encontro dizendo: “Vou levar o Zé para dar uma volta”. Nesse dia, Daniel começou a aceitar a existência de uma parte de si. E viu que poderia fazer, a partir dali, uma escolha: amá-lo ou odiá-lo. Daniel passou a ter consciência de quando está julgando a si mesmo e aos outros: “Olha o Zé aí de novo!”.

Um novo relacionamento

É assim que podemos começar um novo relacionamento com nós mesmos. Levar aceitação e compaixão para nosso tirano interno pode ser o caminho de início para uma nova relação conosco. Conhecendo aquela parte de que não gostamos, de que nos sentimos envergonhados ou raivosos em nós. Certamente nossos “Zés” aparecerão. E aí passaremos a conhecê-los, aprenderemos sobre seus hábitos e costumes. Reconheceremos neles, além da crítica e do julgamento, um instinto protetor. De alguém dentro de nós que não quer que a gente se sinta triste por nossas falhas, que se preocupa em ser melhor, em se desenvolver. Esse tirano salvou nossa pele em muitos momentos. Nos fez estudar para as provas, pois senão perderíamos o ano. Nos livrou de algumas broncas e castigos. Nosso desejo por amor, atenção, aprovação e aceitação está na base do que gostaríamos de vivenciar. Muitas vezes conseguimos isso através dos outros: um pai, uma mãe, um irmão, um grande amigo ou um cuidador. Mas muitos de nós temos feridas desse desejo não correspondido. Sedentos desse amor não recebido, sentimos mágoa, tristeza e raiva, pois não fomos compreendidos, amados e aceitos como somos. É assim que, através do auto- amor, reavaliamos nossas cobranças para que os outros nos amem, compreendam e aceitem. E esse “outro”, na maioria das vezes, está confuso e atarefado tentando resolver suas questões sobre a falta de amor e de aceitação que também não recebeu.

Amar a nós mesmos envolve completo perdão, aceitação e respeito por quem somos, sobre as partes bonitas que nos habitam e também as sombrias. Quando há autoamor, cuidamos de nós mesmos, honramos nossas limitações, estamos atentos às nossas necessidades. Desenvolvemos o mesmo carinho e cuidado que temos com um amigo querido. Como exemplo desse autoamor, podemos suavizar a nossa autocrítica quando erramos, cuidar da nossa alimentação, evitar ações que nos fazem mal ou prejudicam nossa saúde, ir àquela consulta médica que temos postergado, nos afastar de relacionamentos tóxicos ou evitar nos sabotar com ações inconsistentes com nossos valores. Substituiremos o velho e conhecido “eu não sou bom o suficiente”, “tenho que ser mais magro ou mais forte”, “preciso ser mais assim como ele”. As frases geralmente começam com: “tenho que”, “devo”, “é melhor que”. No entanto, a partir de agora, uma voz mais terna e amorosa toma lugar da antiga autocrítica. E é nessa hora que a compreensão de nossas limitações começa a emergir. Um entendimento sobre o quanto somos falhos e o quanto merecemos amor mesmo assim. A descoberta desse amor por si pode vir das maneiras mais improváveis: de uma busca incessante por um relacionamento, a partir do medo da rejeição, pelo medo de ser (novamente) abandonado. Ou de ser bonzinho para que o outro nos aceite. Percebemos essa busca desenfreada pelo outro e não percebemos que nos tornamos mendigos de amor, aceitação e compreensão.

Despertar do amor

Através do autoamor nos tornamos responsáveis por dar, a nós mesmos, todo amor, cuidado e apoio que buscamos no outro sem sucesso. Oferecemos aquele colo e aconchego que almejamos. Desenvolvemos cuidado e atenção por nós. E esse amor sempre esteve dentro de nós, esperando para despertar. Pesquisadores americanos estão em campanha para que as escolas substituam os programas de desenvolvimento de autoestima por programas de autocompaixão. Quando trabalham com a autoestima, eles observam um aumento da autocrítica e da competição. No programa de autocompaixão, o objetivo é suavizar a autocrítica e trabalhar com a cooperação do grupo. Quando estamos aprendendo sobre o autoamor, geralmente confundimos com autopiedade ou pena. É comum ouvirmos: “Mas se eu for doce e gentil comigo mesmo eu vou me acomodar”. Essa é uma dúvida comum. Apesar do autoamor, não deixamos de buscar melhorar e nos desenvolver. O que vai mudar é a forma de agir e de se autodesenvolver. As ações serão as mesmas, mas a voz interna é de encorajamento, de persistência carinhosa diante dos desafios. E foi parte desse processo de despertar que Daniel dividiu comigo em uma carta escrita para si mesmo. Ela dizia: “Você é a pessoa que acorda todos os dias comigo. Aquele que respira, anda e também com quem converso ou canto. Aquele que está comigo todo santo dia. É com você que adoeço, choro e divido as situações de raiva e as de alegria. Você é aquele que vai morrer comigo, aquele que me acolhe quando algo não sai como eu gostaria. Você é meu companheiro constante, minha casa e minha razão. Eu escrevo isso para você pois agora temos um ao outro. Você nunca mais estará só”

A The School of Life explora questões fundamentais da vida em torno de temas como trabalho, amor, sociedade, família, cultura e autoconhecimento. Foi fundada em Londres, em 2008, e chegou por aqui em 2013. Atualmente, há aulas regulares em São Paulo e no Rio. Para saber.

Karen Vogel é psicóloga e especialista em terapia comportamental. Atua como psicoterapeuta de adultos, adolescentes e casais com atuação em compaixão, aceitação e mindfulness. É professora da The School of Life e dá aulas regulares sobre Como Lidar com a Imperfeição; Amar a si Mesmo; entre outras.

Fonte: Vida simples

Imagem de capa: Nomad_Soul/shutterstock

A era da indiferença

A era da indiferença

Quão valiosos somos para as outras pessoas? Não digo qualquer pessoa, mas para aquelas que dizem se importar conosco. Quão importantes de fato somos para elas? Tenho me pegado pensando constantemente nisso e por mais que você tenha uma visão esperançosa em relação ao homem, parece-me que realmente vivemos na era da indiferença.

A vida contemporânea exige muito de nós, isso é algo sabido por todos. No entanto, isso não justifica o modo como agimos uns com os outros. As relações são meramente questões de conveniência, é uma troca de fardos no mercado da personalidade, de tal maneira que apenas me aproximo de determinada pessoa e mantenho uma relação com ela se houver algo dela que possa usar. Ou seja, as relações humanas seguem lógicas comerciais e, assim, todos nos tornamos mercadorias.

Obviamente, não estou querendo dizer que devemos nos submeter a relações degradantes, que apenas usurpam nossas forças ou que não devemos esperar reciprocidade ao se envolver com alguém. Mas, ao implementarmos uma lógica comercial às relações humanas, deixamos de considerar totalmente as nuances e complexidades que formam o ser humano.

Isto é, ninguém está bem o tempo inteiro, tampouco, possui uma constante na vida. Todos nós temos nossos dias ruins, passamos por problemas e atravessamos os nossos períodos de crise, de modo que, ao doutrinar as relações humanas à cartilha comercial, os pontos baixos da vida de um indivíduo são desconsiderados, o que implica automaticamente a descartabilidade daqueles que sucumbem às suas fraquezas.

Sendo assim, somos tão somente importantes e amados na medida em que temos um sorriso no rosto, uma história engraçada para contar e somos úteis de algum modo. Em outras palavras, somos queridos apenas nos nossos bons momentos, quando estamos no auge e tudo parece dar certo. Entretanto, como disse, a vida não é uma constante, de maneira que inevitavelmente passaremos por momentos ruins, em que tudo dá errado e nós perdemos a esperança.

Nesses instantes, percebemos a fragilidades dos laços humanos e a nossa indiferença, a nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro e buscar entender o porquê do sofrimento, da angústia, da insônia, do medo e da lágrima oculta no olhar, porque quando uma relação é construída com laços fortes, lutamos contra o egoísmo para poder sentir a dor que aflige e esmaga o peito de quem sofre.

Quando uma relação é mais do que uma ação na bolsa de valores do amor líquido, temos empatia e esta não é ver uma pessoa triste e fazer coisas para que ela fingir estar feliz. É ver uma pessoa triste e ser capaz de ajudá-la a chorar.

Acho que os nossos tempos estão carentes de pessoas corajosas o bastante para abraçar alguém e dizer que a ama enquanto as lágrimas se precipitam e anunciam uma torrente de dor em forma de choro intercalada com soluços. Por outro lado, o mundo está repleto de pessoas que abraçam e riem junto com você, mas, tão somente enquanto você também estiver com um sorriso no rosto. Pessoas que descartam as outras com imensa facilidade quando outras ações, digo, pessoas, acenam com possibilidades melhores e sorrisos mais audaciosos.

Tudo isso é uma pena, porque, no fim das contas, todos nós precisamos de alguém que nos ajude a chorar, já que só lágrimas de compaixão podem limpar a alma da indiferença. E como as lágrimas não caem, porque estamos ocupados demais com nossas trivialidades mesquinhas, o mundo continua sujo, ecoando pelos esgotos a nossa era da indiferença.

Imagem de capa:Syda Productions/shutterstock

As crianças não são definidas por notas escolares

As crianças não são definidas por notas escolares

Por Raquel Brito

As crianças não são definidas por suas notas escolares

A sociedade alimentou a hiper-paternidade ou, o que é a mesma coisa, a obsessão dos pais para que os filhos alcancem habilidades acadêmicas específicas que garantam uma boa profissão no futuro. E por vezes esquecemos, como sociedade e como educadores, que as notas escolares não definem o valor de uma criança.

Como consequência, acabamos descuidando das habilidades da vida ao não aliviar o nosso empenho para priorizar os resultados acadêmicos. Nossos filhos são pequenas pessoas que não são definidas pelo seus êxitos ou fracassos, mas sim por serem eles mesmos, únicos por natureza.

É mais fácil criar crianças fortes do que consertar adultos quebrados

Para garantir o bem-estar infantil e adolescente, é preciso fortalecer psicologicamente as crianças e prepará-las para encarar as dificuldades emocionais e interpessoais que acompanham de maneira intrínseca a vida cotidiana.

Porque, ao final, a vida não é apenas o que se lê nos contos de fadas, e isso é algo que devemos ter muito presente nas nossas crianças. Apenas dessa maneira daremos às nossas crianças habilidades para minimizar o mal-estar e prevenir os problemas psicológicos que surgem das próprias dificuldades vitais.

Isso as ajudará a crescer saudáveis e a desenvolver uma personalidade saudável que foque no bem-estar e na qualidade de vida. Assim, as bases desse mesmo fortalecimento  são estabelecidas por 3 pilares:

  • O equilíbrio emocional.
  • As relações interpessoais satisfatórias.
  • O desenvolvimento pessoal e profissional.

contioutra.com - As crianças não são definidas por notas escolares

A infância é uma etapa crucial para adquirir e desenvolver competências psicológicas que permitem uma evolução favorável desses três pilares do nosso bem-estar. No entanto, como comentamos anteriormente, como sociedade priorizamos em nossos filhos o desenvolvimento de competências acadêmicas, esquecendo de ajudar-lhes a pensar, sentir e atuar de forma mais proveitosa.

Notas escolares: a matéria mais importante da sua vida não é a matemática

A matéria mais importante na vida de nossas crianças não é a matemática nem as ciências ou os idiomas estrangeiros, mas sim sua capacidade para se adaptar ao seu redor, administrar suas relações, suas emoções e seus pensamentos. Para isso é fundamental que a educação comece por nós.

Ou seja, se queremos ajudar nossas crianças a gerir bem sua raiva, não podemos conseguir isso se explodimos toda vez que não gostamos de algo. Da mesma maneira, se não estamos bem, não educaremos da forma correta. Por exemplo, não conseguiremos calma e motivação em nossos filhos se temos altos níveis de estresse e frustração.

Não medir o afeto é essencial para transmitir amor aos nossos filhos: o excesso de afeto não é desejável, aquele que surge depois de episódios negativos de má conduta. Não é adequado reforçar a desmotivação diante das tarefas escolares. Além disso, é importante destacar que:

  • É adequado dar afeto físico: ou seja, abraços, beijos, carinhos, olhadas…
  • Devemos elogiar os êxitos das crianças de maneira correta.
  • Devemos estar dispostos a ver e responder às necessidades emocionais das crianças.
  • Devemos proporcionar um refúgio seguro onde a criança sinta o nosso apoio.

É essencial nos interessarmos pelas suas motivações, interesses e preferências. Mesmo assim, é importante se envolver na escola e evitar se intrometer na vida das crianças de maneira crítica e desafiadora.

Mas, sobre todas as coisas, não podemos defini-los com base nas notas escolares. Eles não são preparados ou desorientados, ou bons, nem maus, são ELES mesmos na essência e com liberdade.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

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Onde não existir parceria, não se demore

Onde não existir parceria, não se demore

Pode até ser bom aquele papo de amor pra dois, mas não é o suficiente. Além da reciprocidade que você merece e dos inteiros que ninguém deveria negar, fundamental é mesmo quando existe parceria. Não se demore em abraços que não sabem o que isso quer dizer.

Vivemos em tempos de muitos amores declarados, mas pouco verdadeiros. Porque temos a mania de medir o amor pelo tanto que dizemos querer alguém mas, fica a pergunta, entendemos o que isso significa? Não basta confessar o amor, também é nosso dever contribuir para que ele seja diferente dos desencontros passados. E a parceria é o caminho. O único caminho, sinto muito.

Parceria não é só topar os mesmos programas, mas entender que nem sempre eles vão bater e tá tudo bem. Ninguém fica mal, desconfia ou briga por isso. Parceria é sobre respeitar o diferente na outra pessoa e, em vez de perder paciência, oferecer ouvido e coração. Parceria é ajuda e empatia. É quando você está 100% e a outra pessoa 50%, mas ainda assim você não perde a paz por mudar os planos para ficar com ela. Parceria também tem a ver com o olhar no qual você enxerga o amor. Do jeito que você o reconhece e se esforça para renová-lo. É fazer por gentileza, por sentir felicidade no sorriso de quem é importante para você.

Parceria nunca é sobre jogar na cara os sentimentos entregues. Porque quem já passou por essa situação, lembra bem de como o amor doía agudo. Logo, parceria é tranquilidade, leveza e doação. Você faz e ponto. Não tem recibo, não tem como pedir de volta. É completo, bonito e só acontece se você também tiver isso aí dentro. Não tenha medo de aprender o que você gostaria receber da pessoa que está do seu lado, participando e demonstrando importância.

Eu sei que a reciprocidade anda na moda, mas não se iluda. Reciprocidade é o mínimo para o amor surgir. Mas, se você quiser que ele seja sólido e que não viva catando migalhas, parceria. Onde não existir parceria, não se demore. O essencial é visível aos inteiros.

Imagem de capa: LilacHome, Shutterstock

Alguns laços humanos não dão samba

Alguns laços humanos não dão samba

Não são os laços de sangue, os acordos matrimoniais ou quaisquer outras convenções sociais e relacionais que aproximam as pessoas, mas os laços de afinidade. Uma verdade dura? Talvez, mas sinto que é assim na prática. Quando criança, ressentia do fato de parte da família residir longe e quase nunca manter contato, mas hoje entendo que é assim mesmo. Compreendo inclusive a reciprocidade da ausência, pois eles e eu não nos procurávamos. As pessoas mantêm contato com os familiares que querem, de que mais gostam, e não com todos da família.

Quem tenta forçar relacionamentos entre pessoas simplesmente por serem familiares ou consortes de um mesmo grupo social o faz porque não sacou que está forçando a barra. Nas escolas, nos clubes, nas igrejas ou onde quer que seja é do mesmo jeito, há sempre os grupos formados. Há quem diga que existe até a possibilidade de gostar mais de um filho do que de outro, a depender da forma como esse filho comporta-se na vida ou da maneira com que cuida dos pais. Imagina então o que não acontece entre estranhos.

Essas aproximações e esses distanciamentos muitas vezes são involuntários. Por que permanecemos amigos daquela pessoa cinco anos depois dos demais do grupo terem se distanciado? Por que temos a impressão de que gostamos mais de certos amigos do que de nosso irmão? Por que temos aversão aquele parente que é tão próximo, como um tio ou um primo, por exemplo? Por que amamos aquele que racionalmente não queríamos amar?

Os sentimentos são naturais, humanos. Emoções brotam do coração, vêm do íntimo. A amizade é algo que existe quase organicamente, pois – tal qual o amor – acontece quando duas pessoas encontram-se e decidem partilhar da mesma estrada, cuidando para o fortalecimento mútuo. O amor, então, nem se fala. Figurinha mítica que no início é poesia e tormenta. Haja ciência comportamental para explicar a afinidade e o apego atroz que sentimos por alguém, mesmo sem nenhum motivo aparente. Sentimentos não se explicam totalmente e nem sempre comunicam-se . Posso morrer de dar atenção a alguém e receber desprezo em troca. Reciprocidade nem sempre é algo motivado.

Compreender essa realidade tão simples leva-nos a sofrer algumas escalas a menos. Diminuímos os julgamentos e não achamos mais que muitos ao nosso redor são frios. Deixamos de achar que algumas pessoas deveriam naturalmente ser mais próximas, quando na verdade não é uma regra absoluta (aliás, nada é). Pessoas não são encaixáveis. Seus sentimentos, muito menos. Cada um apega-se com o que quer. Isso é próprio da complexidade humana. Somos diferentes. Alguns são de Marte, outros de Vênus. Alguns são apegados a padrões, outros são anárquicos. Alguns são metódicos até nos pensamentos, outros vão com a brisa. Alguns perdem a paz por dez reais, outros sentem muito prazer em poder partilhar o pouco que possuem. Não dá para pensar que é possível conjugar todos esses tipos humanos e suas peculiaridades por consanguinidade ou qualquer outro “dever ser”. Esses laços humanos não dançam. Não dão samba.

Imagem de capa: altanaka/shutterstock

Rascunho da despedida

Rascunho da despedida

Tchau.
Fica bem.
Casa com ela.
Me manda uma foto um dia dos seus dois filhos? O menino e a menina, que vai ser linda e vai te dar o maior trabalho.
Ensina ela a jogar Catán. E Rummikub. Vê se ela também tem paciência pra todos aqueles quebra-cabeças de 5.000 peças que você gosta tanto.
Arruma seu corpo, você vai ficar bom logo.
Pára de correr na estrada, você pode acabar ferido. Já te falei várias vezes.
Não esquece que me prometeu que seria feliz.
Deixa pra lá aquelas bobagens todas que te deixaram triste.
Espera mais um pouco no seu trabalho. Todos os seus anos de dedicação estão sendo vistos. Já já te promovem.
Vi que deixou nosso álbum de casamento com a minha mãe. Vou guardar com carinho.
Você tava lindo aquele dia, parecia tão feliz.
Que pena que não deu certo, né?
Mas tá tudo bem. Já superei o que foi ruim e guardei numa caixinha o que foi muito bom. A caixinha, ainda bem, é bem grande.
Segue em frente também. Já passou.
Não esquece nunca de que foi divertido à beça.
Nunca, nunca, que a gente deu vida um pro outro.
Não pára nunca nunca nunca de sorrir. E nem de ouvir Nickelback.
Lembra, lá na frente, que foi bom demais ser jovem com você.
Seja imensamente feliz,
e até logo.

Imagem de capa: Svitlana Sokolova/shutterstock

3 crimes que seu “amigo” fofoqueiro pode facilmente cometer

3 crimes que seu “amigo” fofoqueiro pode facilmente cometer

Nossas palavras podem ser inocentes, mas também podem ser mais perigosas do que armas no que se refere a fazer mal aos outros.

Hoje, logo pela manhã, recebi uma mensagem no what´s app falando de uma suposta traição seguida de crime aqui na minha cidade. Eu não conheço as pessoas envolvidas e não sei se a notícia é verdadeira, mas se eu passasse a notícia adiante já estaria cometendo um crime previsto judicialmente pelo Direito Brasileiro, no Código Penal . Vocês sabiam que criar ou mesmo repassar informações sobre terceiros pode ocasionar dados contra a honra pessoal da pessoa mencionada e podem gerar penas como sansões, multas e até reclusão?

Por exemplo, se alguém diz que alguém molestou sexualmente uma criança, roubou, matou, deve, entre outras coisas. Mesmo que a pessoa não tenha nenhuma culpa, sua reputação ficará abalada, pois algumas falas sempre deixarão uma mácula e uma dúvida sobre a integridade da pessoa. Sejamos sinceros, você deixaria seu filho brincar na casa de uma pessoa que já foi acusada de abuso sexual? Tenho certeza que, mesmo que sem nenhuma maldade você teria medo de confiar e estar errado/a e acontecer algo à criança. Ou seja, quando alguém coloca em dúvida a  honra de alguém, nunca mais temos a certeza absoluta sobre sua índole. Nunca mais conseguimos olhar para pessoa sem nenhuma contaminação e, por isso, atos contra a honra são criminosos.

Esse texto visa diferenciar os comportamentos de injúria, calúnia e difamação e aumentar a consciência das pessoas quanto a importância da responsabilidade com relação as informações que usamos em nosso dia a dia, assim como de sua disseminação. Em tempos de Fake News e Pós-Verdades, onde os próprios veículos informativos são grandes propagadores de mentiras, a nossa responsabilidade pessoal se torna ainda mais necessária.

Injúria

Todo tipo de humilhação, seja pública ou particular, e que atinja a dignidade e desmereça a pessoa. Alguns dos exemplos mais comuns são os comentários racistas e sexistas. Esse crime consta no artigo 140 do Código Penal, tem de 1 a 6 meses de prisão, mais multa. A veracidade da acusação não afeta o processo. Ou seja, mesmo que a informação seja verdadeira, a pessoa injuriada pode processar quem a injuriou.

Difamação

A difamação é espalhar boatos falsos de uma pessoa para outras. Então, através dos boatos, a pessoa tem sua reputação abalada. Por exemplo, caso um ex namorado espalhe que “você traiu o seu marido”. Quem espalha o boato, embora não tenha inventado, também comete o crime de difamação. A difamação, que conta no artigo 139, tem pena de 3 meses a 1 ano de prisão, com multa. A veracidade da acusação não afeta o processo.

Calúnia

A calúnia é acusar alguém publicamente de um crime. Por exemplo: chamar você em público ou em particular de “tarado”, “ladrão”, “traficante”, etc. O crime consta no artigo 138 do Código Penal, e prevê reclusão de 6 meses a 2 anos, além da multa. Se o crime for comprovado, não existe condenação.

Os exemplos acima mostram como é mais fácil cometer um crime do que parece. Mais fácil ainda é destruir a vida de um inocente próximo como uma mãe, pai ou filho. As palavras têm muito poder e devem ser usadas com sabedoria.

Estejam atentos e lembrem-se de que temos dois ouvidos e uma boca porque devemos ouvir mais do que falar.

Imagem de capa: FGC/shutterstock

Minha vida sem você

Minha vida sem você

Minha vida sem você algumas vezes é solitária. Sinto falta dos carinhos não dados, dos sonhos roubados, dos risos a serem compartilhados e de você perguntar como foi o meu dia.

Minha vida sem você é alegre, pois me pego descobrindo coisas novas, encontro um “eu” desconhecido, faço amizades aleatórias e frequento lugares que nunca havia pensado em ir.

Minha vida sem você é cair no mar de novas experiências, é bater nas rochas das coisas que não são para ser, é aprender que nem tudo merece ser experimentado, é saber que nem todas as pessoas são para ficar, é aprender a ficar bem quando a gente acha que uma parte nos falta.

Minha vida sem você é a sabedoria de não me amargurar, de não ter medo e de acreditar num futuro, e principalmente no presente. É não projetar no outro a vontade que eu tenho de estar com você. O outro não tem nada a ver com isso e muitas vezes estará ali como num museu, apenas a olhar e não tocar.

Minha vida sem você é trabalhar a restrição emocional, é fazer sem antes ser, é jogar a caixa registradora fora e entregar sem cobrar, é estar disponível e também saber estar indisponível, é saber amar me amando primeiro.

Minha vida sem você é loucura, é planejar uma viagem sem destino, é não saber o amanhã, é tentar encontrar o ideal mesmo sabendo que o ideal não existe.

Minha vida sem você é parar de exigir que me completem, é parar de me apaixonar a cada esquina por uma pessoa que nunca vai querer me conhecer, é deixar de me levar apenas pela beleza e um sorriso bonito, é ganhar maturidade em espírito, é falar “tudo bem” aos problemas que criei.

Minha vida sem você é dizer não às perguntas dos meus familiares, é aparecer em mais uma festa de mãos vazias, é ver fugir de filmes românticos, é não tocar aquela playlist carente.

Minha vida sem você é saber que terei momentos de carências, é saber que em alguns momentos vou querer beber para esquecer, é não ligar para aqueles sentimentos de falta, é saber que eu posso esperar e você não chegar.

Minha vida sem você é escrever um livro, é plantar uma arvore, é fazer um retiro, é descobrir o que tenho feito para te afastar de mim e não culpar ninguém por isso, é meditar e relaxar nas minhas imperfeições.

Minha vida sem você é igual a qualquer vida, momentos bons e outros não tão bons, momentos de segurança e outros que duvido até de minha sombra, momentos de sonhos, momentos de ansiedade pelo que ainda não chegou, momentos de solidão pelo que já partiu, momentos de sabedoria e autoconhecimento abundantes.

Engana-se quem acha tudo triste, triste é viver sem ao menos sentir.

“Minha vida sem você” é uma vida que a qualquer momento poderia ser “minha vida com você”, pois é uma vida de amor.

Parafraseando Mario Quintana: amar é dar corda ao relógio do mundo.

Imagem de capa: LeventeGyori/shutterstock

A única coisa que cai do céu é chuva. O resto é luta.

A única coisa que cai do céu é chuva. O resto é luta.

A gente tem tantos planos, né? Fazer dieta, arrumar o guarda-roupa, procurar um novo emprego, encontrar um apartamento com um preço melhor de aluguel, começar aquele curso online, aprender uma nova língua, etc etc etc. O céu é o limite dos nossos sonhos.

Tem aquela listinha de metas pro ano novo que fizemos alguns meses atrás, lembra?. Se não me engano, está na segunda gaveta da cômoda. Ah, não! Já sei! Está no aplicativo que baixamos, certos de que em 2018 iríamos executar todos aqueles itens.

Só que já é março, e até agora não tem nenhuma meta concluída.

“Nossa, é verdade. Mas agora já são 17h, vou terminar de assistir televisão e amanhã eu começo.”

Agora já são 17h… O dia ainda tem 7h, e quem decide se elas serão produtivas ou não, é você.

Você não precisa esperar até segunda pra começar o seu curso online. Aproveita que você está na internet lendo isso, abre o Google e pesquisa preços, datas de início, o conteúdo das aulas. Faz uma listinha. Vê qual te interessa mais. Se matricula hoje!

Não espere amanhã pra começar a se exercitar. Olha que dia bonito lá fora. Toma um banho, coloca um tênis confortável, vai dar uma volta e ver o pôr do sol. Agradece pela sua saúde, que te deixa escolher quando quer e quando não quer se movimentar.

E aquele seu chefe totalmente sem pudores, que faz reuniões sem sentido humilhando todos os funcionários? Você precisa trabalhar pra ele mesmo?! Usa suas horas produtivas para alguém que as mereça. Procura outro emprego. Aproveita esse tempo ai no sofá e se cadastra nos sites de vagas, nas redes sociais profissionais. Vai atrás.

Lembra que você pensou em ter uma renda extra esse ano e até agora não encontrou uma saída? Você procurou mesmo? Estamos perto da páscoa, você pode fazer chocolates por encomenda. O dinheiro é bom. Seu marido quer ajudar? Ele pode entregar pra você. “Ah, mas eu não tenho espaço em casa”. Tudo bem. Procura outra coisa. Trabalha com eventos nos finais de semana. Vê as empresas que atendem a sua região. Anota o telefone. Liga pra todas. Manda email com seu currículo. Fala que você é capaz e está disposta a abraçar a oportunidade.

A segunda-feira é sempre um marco, porque é o começo da semana de trabalho e de aulas. Só que é um dia muito lotado de responsabilidades e compromissos, e a correria acaba consumindo a gente. E a gente acaba deixando os planos pra lá.

Não existem regras pra ser feliz, mas se você quer chegar onde nunca chegou, deve fazer algo que nunca fez. Nossa determinação e nosso foco ditam a nossa plantação. E quem planta, colhe, isso é fato consumado. Vai atrás de uma vida melhor. Hoje. A única coisa que cai do céu é chuva. O resto é luta. Você tem duas escolhas: criar uma oportunidade ou arranjar uma desculpa. O que você prefere?

Imagem de capa: Kichigin/shutterstock

Temos medo de que nas cidades?

Temos medo de que nas cidades?

O livro Confiança e Medo na cidade de Zygmunt Bauman propõe uma reflexão da nossa vida nas cidades, onde a arquitetura de aglomerados contribuem com o isolamento urbano, deixando as pessoas presas em si mesmas pelo medo dos outros. E leva a cada um de nós a questionar: Temos medo de que nas cidades?

Muitas cidades tornaram-se segregacionistas, que isola os espaços urbanos de acordo com a hierarquia social, ou seja, entre as classes ricas, a classe média e as classes mais baixas. Viver nessas cidades cria uma sensação de pânico e solidão, mesmo que o perigo possa ser fantasiado. Mas isso não diminui a ansiedade, o que a agrava ainda mais a expectativa de ameaça.

Estamos vivendo em cidades em que o sentimento de desemparo é recorrente. Além disso, somos espremidos pelos padrões de vida e beleza, pelas condutas violentas, pelas coerções religiosas e morais, pela crise política e econômica. Esses padrões são raramente, impossíveis de serem atingidos, pois negam o que temos de mais transcendente: a nossa singularidade.

Esse modelo de urbanização é um dos principais fatores para produzir um estilo de vida neurótico, que amplia a dinâmica do consumismo, da reprodução de centros residenciais e comerciais, com o objetivo de atender os interesses do sistema financeiro: “de uma vida boa para minoria e de uma vida ruim para maioria”.

Por isso, que têm pessoas que ao sair de casa necessitam tomar ansiolíticos e outras convertem suas casas ou condomínios em fortalezas e veículos em blindados, tornando os custos da qualidade de vida nas cidades altíssimos, visto que a vida privada se apropria da vida coletiva.

É evidente que a violência urbana tem aumentado o “medo neurótico”, que dispara o coração, acelera a respiração, esfriam as mãos, além de alterar o nosso estado emocional. Esse medo de coexistir nas cidades marcará a nossa memória, mesmo em uma situação de perigo real ou fantasioso.

Hoje é um ato de coragem viver nas médias e grandes cidades brasileiras, uma vez que o acesso ao trabalho, estudo, lazer, etc, está permeado pelo medo da violência urbana. Homens, mulheres, crianças e adolescentes da classe trabalhadora e média têm suas vidas ceifadas pela violência urbana, porque o Estado é incapaz de garantir a segurança da população, sobretudo dos pobres.

Enquanto isso, a corrupção na política colabora para arruinar o país, como é o caso do Rio de Janeiro. Nesse cenário, o poder econômico fala mais alto do que os interesses dos cidadãos, retirando o direito à cidade, que acabou tornando-se um dos direitos mais negligenciados no Brasil, permitindo que o crime organizado controle as comunidades e avancem sobre os demais espaços urbanos.

Enfim, precisamos reverter essa lógica de urbanização, que gera adoecimento dos seus cidadãos, notadamente dos mais vulneráveis, garantido que as cidades sejam inclusivas e confiáveis, afirmando o direito da população de gerir o processo urbano, em oposição aos interesses de empresários inescrupulosos e governos corruptos.

Imagem de capa: WeAre/shutterstock

O amor tem um fraco por pessoas fortes.

O amor tem um fraco por pessoas fortes.

Sim, o amor vem pra cada um. Mas ele adora gente que não senta e aguarda. Acredite. O amor está no caminho, no passo a passo, no movimento de que também se faz a espera.

Eu tenho a impressão de que o amor acha bonito quem vai em frente, quem se empenha, se orienta e se apruma, quem melhora como pode e evolui de seu jeito, cai, levanta, aprende. O amor se encanta por gente que vai pra vida, porque o amor está na vida!

É isso, sim. O amor é uma força viva e tem um fraco por pessoas fortes, por gente ativa, operária, realizadora, honesta. O amor adora gente cheia de vida!

Pode ver. Nenhum amor suporta pasmaceira, paralisia, estagnação. O amor exige movimento, trabalho, renovação, não suporta poeira, não aceita esperar num canto esquecido, pendurado feito medalha de honra ao mérito apanhando pó. Precisa mexer o esqueleto ou atrofia, enferruja, paralisa e morre.

Amar é um ofício das pessoas vivas! Infeliz de quem espera o amor chegar feito correspondência, encomenda, pacote que cai por acaso da bolsa do carteiro em frente ao seu portão. O amor é encontro. Implica pessoas que circulam e sem mais se cruzam. Tropeçam umas nas outras, param um instante e, se tiver de ser, seguem caminhando juntas.

O amor pode chegar de repente, sim. Mas só para quem vai buscá-lo. Só a quem faz por merecê-lo. Quem senta e espera o amor chegar se contenta com o que vem. E o que vem assim, de graça, quase sempre não é bom. Gente que vive de espera prefere pegar o que tem, deixar como está e viver reclamando, à espera de que um amor melhor chegue do nada, o mesmo amor que ela é incapaz de fazer por merecer, incapaz de sair em busca. Prefere esperar sentada para sempre.

Eu, hein! Eu não. Eu prefiro perambular por aí. Uma hora nos encontramos numa esquina e seguimos adiante, juntos, se tiver de ser. É o que nos cabe, o que nos mantém na vida. Seguir em frente com leveza e com força. Porque o amor, ahhh… o amor tem um fraco por gente forte.

Imagem de capa: LilacHome/shutterstock

11 regras de ouro para dialogar com pessoas complicadas

11 regras de ouro para dialogar com pessoas complicadas

Por Svetlana Roiz

É sempre possível chegar a um acordo. Até mesmo quando você acredita que os pontos de vista das pessoas são totalmente diferentes, seus interesses são incompatíveis e que encontrar um consenso não passa de um sonho.

Trazemos um artigo da terapeuta familiar Svetlana Roiz sobre as 11 regras que vão facilitar a compreensão mútua nas relações dentro da família e no ambiente profissional.

1- Antes de qualquer tipo de contato é preciso se concentrar, da mesma forma que se afinam instrumentos musicais antes de um show. Fique uma posição estável: sente-se ou fique de pé, de forma que sinta suporte e equilíbrio. Comporte-se como um adulto: fale apenas aquilo que é importante para você, que ocupa sua mente e do que você tem certeza. Não esqueça da razão pela qual está estabelecendo um diálogo com a pessoa. Há uma chance de que você seja provocado ou de que tentem ter envolver numa polêmica, então procure um ponto fixo diante de seus olhos, ou um detalhe da roupa (ou pense em algo especial). Isso ajudará você a manter um equilíbrio mental e a sensação de segurança.

2- Antes de começar uma conversa difícil com uma pessoa próxima a você, repita estas palavras: “Estou começando este diálogo para manter contato, para estar junto, e não para discutir“. Lembre-se que o diálogo não é uma batalha verbal, mas uma ferramenta para sintonizar diferentes pontos de vista. Quando você falar com uma criança, mantenha seu olhar no nível dos olhos do pequeno. E depois de uma conversa difícil, diga-a: ”Estou com você”.

3- As pessoas têm o direito de não acreditar em nós, de não nos amar, de não nos compreender e de discordar de nós. Temos de aguentar isso. As verdades são subjetivas. Busque no diálogo uma verdade absoluta, algo que una os dois pontos de vista, algo que esteja por trás das palavras. Isso só é possível conseguir mantendo a calma.

4-Cada qual tem direito à imperfeição, aos erros e às confusões, o que em nenhuma hipótese deve anular o respeito básico com o interlocutor. Lembre-se de que você também pode estar errado, deixe-se guiar. Se respeita a si mesmo, seus rivais e oponentes também irão te respeitar.

5- Cada um tem sua própria linguagem e sua velocidade de reação. Nós entendemos tudo o que escutamos de acordo com nossas experiências subjetivas, pelas quais sempre ’traduzimos’ as frases dos outros para nossa linguagem própria. Não tenha medo de voltar a perguntas. Dê tempo a si mesmo e a seu interlocutor para assimilar e ’digerir’ a informação. Concentre-se em você, expresse seus sentimentos e pensamentos em vez de supor o que pensa seu oponente.

6- Projetamos em nossos interlocutores os nossos pensamentos, sentimentos, desejos reprimidos; e eles também projetam em nós suas ideias. Aprenda a distinguir essas projeções e não permita que afetem sua autoestima.

7- Entendemos de imediato aqueles que estão ’na mesma frequência’ que nós. Use uma linguagem compreensível, mas não baixe a sua ’frequência’. Procure estar sempre na mesma altura dos seus interlocutores com uma ’frequência’ mais alta, mas não se rebaixe ao nível daqueles que querem provocar você.

8- Com pessoas agressivas, você precisa saber se retirar da discussão a tempo, e não levar suas palavras para o lado pessoal. Essas pessoas preferem falar com frases generalizadas, usando o pronome ’nós’ (evitando personificar o discurso), e sabem procurar os pontos mais vulneráveis. Ao entrar em contato com gente passivo-agressiva, que preferem falar nas suas costas e lançar palavras ameaçadoras quando você quer se retirar, procure não se deixar levar pelo sentimento de culpa e responsabilidade que esses tipos provocam. Depois deste tipo de contato, você precisa descansar e recarregar as baterias.

9- Não se rebaixe questionando suas qualidades pessoais, fale apenas sobre dados e acontecimentos. Na tentativa de avaliar o comportamento de alguém, surge a impotência como um último argumento. Se o diálogo se transforma numa disputa e você sente que já não está na mesma ’onda’ que seu alterado interlocutor, use seu senso de humor e inteligência. Lembre de alguma frase célebre. Por exemplo, como dizia Albert Einstein, “Existem apenas duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E eu nem tenho tanta certeza sobre o primeiro“.

10- Talvez o mais importante ao falar com uma pessoa seja apelar para sua maturidade e para o senso comum. Isto ajudará a evitar avaliações, provocações e reações desnecessárias. Diga mentalmente ao seu interlocutor ”Eu vejo você“, “Seus pensamentos e sua presença me importam, até mesmo se eu não estiver de acordo com você”.

11- É importante saber concluir um diálogo: ’obrigado’, ’até mais’, quaisquer tipos de palavras que soem sinceras no momento são adequadas. Analise suas conversas já acontecidas e tire delas algumas lições. Uma pessoa segura de si mesma fala abertamente de seus sentimentos, expectativas, agradece a conversa e sabe aceitar e fazer elogios.

Fonte: Incrível

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A medicação excessiva de nossos jovens e crianças

A medicação excessiva de nossos jovens e crianças

A aparente calma produzida por drogas como Ritalina e Concerta, não passam de efeito tóxico!

Precisamos parar de fechar os olhos para uma situação séria e de consequências imprevisíveis: nossas crianças estão sendo medicadas precocemente, sob o pretexto de adequá-las às demandas escolares. Inúmeros são os diagnósticos equivocados acerca de distúrbios de comportamento e dificuldades de aprendizagem. Não raras vezes, a falta de capacidade de acolher e lidar com comportamentos atípicos, leva as escolas e as famílias a interpretarem a criança como alguém que precisa ser formatado, enquadrado e encaixado.

O desrespeito às particularidades cognitivas, emocionais, sociais e familiares dos pequenos, cria uma espécie de consentimento tácito entre todos os adultos envolvidos que, mesmo sem compreender o comportamento da criança, utilizam fórmulas desgastadas, nada educativas e danosas na tentativa impor um padrão de comportamento à revelia dos processos de desenvolvimento e maturação dos recursos intelectuais e afetivos, tão necessários ao estabelecimento de relação entre a criança e as inúmeras habilidades que cabem à escola despender esforços para ajudar a desenvolver.

Com base em diagnósticos de distúrbios neurobiológicos, muitas vezes realizados sem respeitar o protocolo de avalição multidisciplinar, nossas crianças são submetidas à tratamentos por meio de drogas que agem diretamente no Sistema Nervoso Central. Medicamentos que ganharam no meio médico e educacional o sugestivo apelido de “droga da obediência”. Os mais receitados, nem sempre de forma criteriosa, são a Ritalina e o Concerta, para “tratar” crianças e adolescentes dispersos, agitados e com dificuldades de focar a atenção durante as atividades escolares.

O uso desses medicamentos no Brasil é tão banalizado que figuramos em segundo lugar na lista de consumidores da droga, perdendo apenas para os Estados Unidos. Entretanto, vem sendo cada vez mais frequente a manifestação de profissionais da área médica, psicológica e pedagógica no sentido de alertar para que se discuta com mais profundidade a real necessidade da medicação psicotrópica de crianças e jovens.

Precisamos acordar para o fato de que não se trata de uma “balinha de vitamina C”, são drogas cujas reações adversas vão de uma dor de cabeça a arritmias cardíacas e alucinações; sem falar no efeito principal chamado de “Zumbi Like”, em outras palavras, a criança fica apática, contida, agindo como zumbi. Essas reações, assim como outras, tais como hipertensão e insônia são sinais de efeito tóxico e indicam que a medicação deve ser interrompida imediatamente.

A falta de conhecimento aprofundado acerca das inúmeras variáveis que envolvem padrões de comportamento em crianças e adolescentes cria uma falsa e perigosa crença de que os mais irrequietos, agitados e com necessidades especiais para aprender, são doentes. Daí a justificativa para o uso da medicação.

É no mínimo um contrassenso categorizar como doença um comportamento agitado, num mundo em que vivemos imersos na cultura da multitarefa, dos prazeres imediatos e conquistas descartáveis. Enquanto continuarmos a medicar nossas crianças e jovens, de forma tão irresponsável, estaremos jogando no lixo inúmeras pessoas que poderiam ter suas habilidades descobertas e estimuladas. É muito comum, entre as crianças “fora de padrão” encontrarmos verdadeiros talentos para música, artes, ciências, literatura e atividades que envolvam construção e utilização de raciocínio lógico e espacial.

Os processos de aprendizagem são complexos, ricos e subjetivos. É um absurdo compactuarmos com a prática de tantas escolas que reduzem as crianças e adolescentes a meros reprodutores de conteúdos sem significado, repetitivos e descolados da realidade que nos cerca, das inúmeras questões ambientais, sociais e políticas do nosso entorno. Inverter o jogo e a responsabilidade é, para dizer o mínimo, cruel. Em vez de “drogas de obediência” tenhamos a dignidade de oferecer às crianças e jovens a nossa valiosa atenção, busquemos sair das tocas acadêmicas medievais que ainda servem às práticas educativas atuais e criemos situações de aprendizagem que favoreçam o desenvolvimento cognitivo por meio do afeto, do envolvimento e do vínculo de confiança.

Imagem de capa: stockfour/shutterstock

Seja inadequado, porque não se adequar a uma sociedade doente é uma virtude

Seja inadequado, porque não se adequar a uma sociedade doente é uma virtude

A vida contemporânea cheia de regras e adestramento fez com que houvesse uma padronização completa das pessoas, de tal maneira que todos se comportam do mesmo modo, falam das mesmas coisas, se vestem mais ou menos do mesmo jeito, possuem as mesmas ambições, compartilham dos mesmos sonhos, etc.

Ou seja, as particularidades, as idiossincrasias, aquilo que os indivíduos possuem de único, inexistem diante de um mundo tão pragmático e controlado.

Vivemos engaiolados, tendo sempre que seguir o padrão, que se encaixar em normas pré-determinadas, como se fôssemos todos iguais. Sendo assim, a vida acaba se transformando em uma grande linha de produção, em que todos têm que fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo e no mesmo ritmo, de modo a tornar todos iguais, sem qualquer peculiaridade que possa definir um indivíduo de outro e, por conseguinte, torná-lo especial em relação aos demais.

Somos enjaulados em vidas superficiais e nos tornamos seres superficiais, totalmente desinteressantes, inclusive, para nós mesmos. Sempre conversamos sobre as mesmas coisas com quer que seja, ouvindo respostas programadas pelo padrão, o qual nos torna seres adequados à vida em sociedade.

Entretanto, para que serve uma adequação que transforma todos em um exército de pessoas completamente iguais e chatas, que procuram sucesso econômico, enquanto suas vidas mergulham em depressões?

Qual o sentido de adequar-se a uma sociedade que mata sonhos, porque eles simplesmente não se encaixam no padrão? Uma sociedade que prefere teatralizar a felicidade a permitir que cada um encontre as suas próprias felicidades. Uma sociedade que possui a obrigação de sorrir o tempo inteiro, porque não se pode jamais demonstrar fraqueza. Uma sociedade que retira a inteligência das perguntas, para que nos contentemos com respostas rasas. Então, por que se adequar?

Os nossos cobertores já estão ensopados com os nossos choros durante a madrugada. O choro silencioso para que ninguém saiba o quanto estamos sofrendo. Para manter a farsa de que estamos felizes. Para fazer com que mentiras soem como verdade, enquanto, na verdade, não temos sequer vontade de levantar das nossas camas.

O pior de tudo isso é que preferimos vidas de silencioso desespero a romper com as amarras que nos aprisionam e nos distanciam daquilo que grita dentro de nós, esperando aflitamente que o escutemos, a fim de que sejamos nós mesmos pelo menos uma vez na vida sem a preocupação de agradar aos outros.

Somos uma geração com medo de assumir as rédeas das próprias vidas. E, assim, temos permitido que outros sejam protagonistas destas. É preciso coragem para retomá-las e viver segundo aquilo que arde dentro de nós, mesmo que sejamos vistos como loucos, pois só assim conseguiremos sair das depressões que nos encontramos.

É preciso sacudir as gaiolas, já que, como diz Alain de Botton: “As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas”. E, sobretudo, é preciso ser inadequado, porque não se adequar a uma sociedade doente é uma virtude.

Imagem de capa: Orla/shutterstock

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