Você pode substituir um amor superficial por coragem, por exemplo.

Você pode substituir um amor superficial por coragem, por exemplo.

Estou na era da “pegação”. Não vou pagar de moralista. Dizer que tudo está errado e que essas pessoas são todas rasas, esta seria uma análise, ironicamente, rasa. Abriu-se a possibilidade de nos conhecermos uns aos outros e isto é formidável. Posso me deparar com diversas formas de pensamento, várias maneiras de enxergar a vida, num curto espaço de tempo e em diversos ambientes. Baladas, livrarias, aplicativos… Há vastas opções, com uma boa organização, certeza, todo mundo ama.

O problema, eu cogito, é que variedade e organização são dois objetos difíceis de combinar nesta época. Temos muito, demais, tanto que sabemos por onde começar, mas tão complicado acertar aonde parar. Você se abre e conhece uma infinidade de novas companhias, porém quais delas durarão?

Não há resposta. Gente que era certo que iria nos abraçar pra sempre, de repente some. Outras, nem imaginávamos que pudessem ficar, permanecem e se alicerçam. Entre esses dois tipos de pessoas, é fácil nos confundirmos e gastarmos mais tempo com quem não valorizará nossas horas.

Podemos tranquilamente, cair nas garras do amor superficial. Porque ele é bom. Faz bem. Está disponível no momento exato. Nada quente, nem frio você fica, ali, acomoda-se. A relação superficial é sempre mais confortável e menos saciável. É nítida a sensação de que mais tarde será o fim, vamos adiando pra depois do aniversário, depois do natal, depois do ano novo… E assim vai, é o famoso “final mais ou menos feliz.”

Como estamos numa época da “pegação”, é bem possível ter vários amores superficiais. Começa, começa outro sem acabar com o primeiro, inicia o terceiro sem concluir tudo com o segundo e assim vai… A lista das pessoas “ficantes” se alonga, mas das conhecidas se encurta.

Bom ter ousadia pra iniciar aquela paquera, chamar pra sair, testar os flertes no momento oportuno. Mas que não nos falte coragem de falarmos sobre a necessidade de nossos lábios. Eles às vezes pedem por beijo, e tantas outras vezes pedem por conversa leve e coração aberto. Felicidade é o que, no fim, realmente interessa.

Egos obesos e mentes anoréxicas

Egos obesos e mentes anoréxicas

As esquinas de qualquer lugar desse mundo estão repletas de uma curiosa e abjeta espécie em ascensão: especialistas em quase tudo, que sabem um pouco de alguma coisa, acreditam que são gênios da atualidade e não tem noção de quase nada. Se você acha que não conhece alguém assim, não caia na tentação de “cantar vitória” antes do tempo; essa espécie além de ser bastante popular, sobrevive em qualquer ambiente e se alimenta de qualquer coisa, desde que engorde seu ego obeso sem danificar sua consciência anoréxica.

O conhecimento é o bem mais valioso no mercado. Sempre foi. Mas, em uma sociedade que tem à sua disposição inúmeras ferramentas de acesso à informação, o conhecimento é o que define nossa capacidade de interpretar o mundo, por meio da análise, avaliação, validação ou rejeição da informação apresentada. É o conhecimento que oferece o único caminho de cura para a prática de comportamentos arraigados de preconceito e reprodução de modelos já ultrapassados e, muitas vezes, até fossilizados.

A ignorância é, assim, a irmã antagônica do conhecimento. Essa donzela tirânica mantém intactas crenças superficiais e pouco reflexivas que se perpetuam por exigir de seus adeptos pouca ou nenhuma postura crítica. A ignorância alimenta a falsa convicção de que ter acesso à formação acadêmica confere aos poucos que têm a chance ou a raça para chegar aos mestrados, doutadorados e pós-doutorados, a hegemonia sobre o destino do saber.

Contamos com uma legião de indivíduos que escolhem enxergar-se através de lentes capazes de superfaturar suas opiniões, posicionamentos e julgamentos acerca do que quer que seja. Tudo é passível de análise na tosca avaliação desses “intelectualóides de plantão”. Protegidos por muros muito bem construídos de arrogância, eles se isolam em saltos altos de saberes maniqueístas, incapazes de fazer contato com outros pontos de vista, resumindo o conhecimento a rótulos pré-fabricados de verdades absolutas.

O conhecimento mantém sua natureza primária ligada à importante tarefa de libertar. Enquanto aqueles que tiverem acesso a ele, continuarem usando-o como propriedade particular, não há esperança para a constituição de uma sociedade mais lúcida, equilibrada e menos egoísta.

Com enorme pesar, deparamo-nos cada vez com maior frequência com indivíduos cujas personalidades sofreram deformações advindas de seus infinitos sonhos de poder e popularidade. Afogados em seus próprios umbigos, sucumbem à própria vaidade, transformando-se em estrelas artificiais cuja luz não se sustenta, posto que se alimenta da volátil energia falsa que reside numa ilusória imagem de sabedoria.

Tal disposição para isolar-se em ilhas povoadas de seres cognitivamente superiores, pode revelar um curioso distúrbio de personalidade: o transtorno de personalidade histriônica. Esses indivíduos fazem uso de discursos impressionistas, têm necessidade de desempenhar papéis nos quais sintam que possuem algum poder sobre situações ou pessoas. Apresentam alterações de afeto, como alta reatividade emocional, sobretudo quando são questionados em suas condutas. Incapazes de receber críticas ou opiniões; sofrem de ansiedade oriunda da falta de habilidade para reconhecer o outro como capaz de ver além de sua avaliação do mundo.

Segundo Beck, Freeman & Davis (2005), o TPH compreende o único transtorno da personalidade relacionado com a aparência física. Pesquisas indicam que mulheres com TPH apresentam o juízo crítico prejudicado e imagens deturpadas de si mesmas, quando comparadas aos homens com a mesma psicopatologia. Trata-se de uma categoria de pessoas inseguras e que necessitam de constante atenção e aprovação externa. Por isso, a partir do momento em que a utilização de tentativas mais sutis de chamar a atenção não surtirem efeito, estes indivíduos poderão recorrer a medidas extremas, como ataques de raiva e comportamentos que visem humilhar e constranger aqueles que os contrariem.

Nesse exato momento da leitura, tenho uma notícia para dar a você: essa pessoa cuja fisionomia se desenhou em sua mente enquanto você lia, certamente faz parte daquela espécie lá do início do texto. Mas, tenha calma. Não há necessidade de falsos alarmes. É possível ficar à salvo do efeito sanguessuga dessa gente. Respire umas três vezes, antes de reagir às inevitáveis investidas e provocações. Mantenha distância afetiva. Não entre na mesma frequência de disputa pela razão, seria uma luta sem fim. E, o mais importante de todos os cuidados: deixe-a mergulhar sozinha em sua insana certeza de ter sempre razão. Afinal, um umbigo é um lugar demasiadamente apertado para um só, imagine para dois.

A alma só sossega com a verdade

A alma só sossega com a verdade

Baseado em fatos reais, o filme “A dama dourada” narra a luta de Maria Altmann (Helen Mirren) uma judia sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que decide processar o governo austríaco para recuperar o quadro “Woman in Gold” de Gustav Klimt. O retrato foi encomendado ao pintor pelo tio de Maria e é uma imagem da esposa dele Adele Bloch-Bauer, a tia de Maria. A pintura foi roubada pelos nazistas durante a ocupação da Austria, juntamente com muitas outras obras de arte que pertenciam às famílias judias na época.

A obra é um dos mais belos e conhecidos trabalhos do pintor simbolista austríaco e hoje, vencida a batalha histórica, está exposta na Neue Gallery em Nova Iorque. Em sua luta, Maria ainda conta com a ajuda de um jovem advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds).

Mas, o que chama atenção no filme não é apenas a história do famoso quadro e sim a busca de duas pessoas para fazer as pazes com seus passados. “A alma só sossega com a verdade” é um pensamento da Gestalt-terapia, uma linha da psicologia que foi criada por um também judeu, porém alemão chamado Friederich Perls, conhecido como Fritz Perls. Fritz, assim como a protagonista do filme, buscou refúgio nos Estados Unidos e maneiras de tentar fazer as pazes com seu passado. Além disso, ele e sua esposa Laura dedicaram uma vida toda estudando o comportamento e a mente do ser humano.

Com duras criticas à psicanálise de Freud, Fritz e Laura procuraram formas mais simples e práticas de acalmar as agruras e sofrimentos que acometem a alma humana. A Gestalt-terapia de Fritz traz influências do Zen Budismo e de outras linhas da filosofia e psicologia como o existencialismo e a fenomenologia.

O filme é repleto de momentos de sentimentalismo e nostalgia que dão suporte à teoria de Fritz, que nossa alma só sossega quando encontra a verdade. Um ser humano que não fecha Gestalts, ou seja, que deixa processos importantes interrompidos e portanto não consegue fazer as pazes com sua história e seu passado é fadado a vagar pela vida repetindo padrões (destrutivos) de comportamento, sentindo-se vazio, incompleto e tentando em vão preencher esse vazio com as meias verdades e mentiras que nos contamos todos os dias na tentativa de evitar olhar e sentir a profundidade da dor e de nossas próprias feridas.

“Gestalt” é uma palavra alemã que não tem tradução exata no português, mas pode ser traduzida como “forma” ou “configuração”, no conceito de Fritz é fundamental o processo de fechar ciclos, de dar resoluções aos conflitos e traumas que vivemos e segundo ele, cada vez que deixamos “aberta” uma Gestalt, introduzimos mais caos em nossa vida, dando assim um passo contrário ao nosso desenvolvimento espiritual, contrário à possibilidade de nos tornarmos uma melhor versão de nós mesmos. No final do filme, ganhada a causa, Maria dá-se conta de que ganhar a causa não anula o fato de que ela teve que fugir de sua terra natal e deixar para trás seus pais, da falta que sente de todos que ama e se foram, da ferida que foi aberta nela quando os nazistas invadiram e saquearam a Áustria e mataram milhares de judeus, das feridas que nunca cicatrizaram, de suas dores do passado.

Quando ela se da conta de tudo isso o que resta são lágrimas e muita tristeza. O fechamento de uma Gestalt, o encontro com a verdade, na maioria das vezes não é um encontro feliz, por isso que fazemos de tudo para evitá-lo. Para Fritz, o momento do fechamento de uma Gestalt, do “dar-se conta”, que no inglês é chamado de “awareness”, é a chave da transformação do ser humano.

É nesse momento que entendemos que, por mais dolorosa que seja uma ferida, muitas vezes não podemos fechá-la, tampouco podemos evitar o desconforto e a frustração trazidos quando encaramos a verdade dos fatos como eles são. Portanto, o fechamento de uma Gestalt pode ser acompanhado de muita dor, raiva e sentimento de impotência, é quando entendemos que não é possível reparar os traumas do passado, resta então aprender a conviver com a inconveniência da verdade.

A boa notícia é que quando aceitamos o fato de que nossas histórias nem sempre possuem fechamentos felizes ou desejados, quando encontramos a verdade e com ela gritamos nossa raiva e choramos nossa dor, podemos enfim ficar em paz. E assim entendemos também que apesar de não ser possível mudar o nosso passado, é possível sim nos tornarmos seres humanos (um pouco) melhores para construir futuros melhores.

Filme conta a história do primeiro dia de aula de uma menina com paralisia cerebral

Filme conta a história do primeiro dia de aula de uma menina com paralisia cerebral

Em “Por que Heloísa?”, a autora Cristiana Soares se baseou numa história real para levar o espectador a repensar o conceito de deficiência.

O curta-metragem dá continuidade à trajetória de Heloísa, uma menina com paralisia cerebral, a partir do seu primeiro dia de aula em uma escola comum. Mostra também outros aspectos da primeira infância como suas relações  familiares.

O vídeo apresenta recursos acessíveis para pessoas com deficiências auditiva e visual.

Fonte indicada: Catraquinha

Só leia se estiver procurando um amor

Só leia se estiver procurando um amor

As duas amigas conversavam enquanto engoliam o sorvete; blasfemando sobre o pecado calórico que estavam cometendo. Elas eram bonitas e caberiam perfeitamente em qualquer calça jeans número trinta e oito. Tinham uns trinta e poucos anos.

— Eu não sei o que acontece com ela! A vida dela é toda perfeita! Ela nunca passou por nada de ruim na vida. Sempre foi a boazinha. Agora se casou, teve uma filhinha. Nunca sofreu, sempre namorou esse cara e agora vivem super felizes.

—Ai, eu queria um amor assim, que ódio! Ontem nem fui à academia para não ter que olhar para a cara daquele imundo. À noite, tomei duas doses de vodca para dormir.

— Ódio eu estou da minha chefe, gorda, desgraçada. Acha que eu sou estagiária. E meu pai ainda vem me dar lição de moral quando eu reclamo do trabalho. Só porque está me ajudando a pagar a pós. Preciso arrumar um homem urgente, amiga, para me tirar dessa vida…

— Eu também, tô muito carente, acho que hoje à noite vou chamar o…

— Não faça a burrada de sair com aquele Buda! Tá louca? Barrigudo, mala, metido a artista. Olha para você, toda linda! Um cara que sai de chinelo para a rua”, para mim não serve.

Se fossem ali questionadas, elas certamente diriam que procuram e querem um amor. Querem amar, querem ser amadas. E sabem qual a única razão pela qual não estão “superfelizes” como a “amiga” a que se referem? Por uma questão de espaço.

Dois corpos não ocupam o mesmo lugar, regra básica da física, que serve também para o amor. Não há amor, nem felicidade, nem paz onde se cultiva e se prolifera o ódio, a inveja e o preconceito. Sem demagogia, o discurso delas é comum e poderia ter sido de qualquer um de nós; todavia, o discurso vem do pensamento e o pensamento é que rege as nossas ações. E então vem a pergunta: como o amor pode chegar a elas?

Não há como amar, tampouco ser amado, quando as suas ações são regidas por sentimentos que o afastam o tempo todo. Um olhar de ódio para tudo e para todos leva a um vício: o de reclamar. Se nada for bonito, encantador, terno e apaixonante, a vida será sem graça, é óbvio. O amor precisa de espaço para entrar, para chegar. Precisa de portas abertas, de olhar calmo, de leveza, de paixão, de sorrisos e, se houver arte, se houver música, vai ser mais fácil.

Em meio à correria dos sorvetes engolidos sem “tesão” algum, num mundo onde as academias são os únicos lugares para que seres da espécie humana se entreolhem e se escolham, há pouco espaço para o amor. O ódio, a inveja e o narcisismo adoeceram a raça humana, que parece ter se esquecido dessa necessidade tão básica que temos do afeto.

Antes dos 18 anos, meninas riem das amigas “ainda” apaixonadas; elas buscam por curtidas, por comentários, xavecos virtuais e por serem desejadas, para que, aos 30, estejam como as protagonistas do início desse texto — cheias de ódio, de desesperança, impregnadas por uma incapacidade de deixar que algo bom saia de suas bocas. Reclamam o tempo todo, odeiam, invejam, xingam e acreditam piamente que, um dia, vão encantar alguém.

As pessoas estão perdendo o encanto e o tesão: pela vida, por nós mesmos e, claro, pelo outro. Sem amor, adoecemos — Buda, Cristo, a mitologia grega e a psiquiatria já provaram isso. Odiar é um vício que se alastra, é feito uma bactéria que se procria em todo o ser da espécie humana.

Talvez o amor seja a única salvação, talvez seja a única coisa que realmente valha a pena na vida, mas ele se tornou um estranho para muita gente. Uma grande parte das pessoas não o conhece, nunca o viu — tornou-se solo infértil para ele, parece criar um campo magnético de repulsa ao afeto, exatamente por estar impregnada pelo seu oposto — o ódio.

Da citação de coríntios ao dizer que “sem amor eu nada seria” até os Estúdios Disney terem finalmente mostrado que o beijo de amor pode ser até entre duas irmãs, a humanidade tem sido — o tempo todo — “avisada” sobre como proceder para ser feliz. O trânsito, a política, os seus pais e a sua chefe não seriam problema se houvesse mais amor e o tão sonhado amor para toda a vida seria uma realidade se simplesmente nos dispuséssemos a cultivá-lo. Há apenas um único obstáculo, o ódio, e ele pode estar atrapalhando. Vire a chave, experimente amar mais; se funcionar, escreva-me contando — eu adoro histórias de amor.

O que as outras pessoas pensam de você é a realidade delas e não a sua

O que as outras pessoas pensam de você é a realidade delas e não a sua

O que outras pessoas pensam de você é a realidade delas, e não a sua. Elas sabem o seu nome, mas não a sua história; elas não viveram em sua pele ou calçaram os seus sapatos. Tudo o que os outros sabem sobre você é o que você disse ou o que eles puderam adivinhar, mas eles não conhecem os seus anjos, nem os seus demônios.

Muitas vezes achamos difícil entender a nós mesmos, mas nos aventuramos a decifrar o código dos sentimentos alheios. Você não pode ter certeza do que os outros sentem. Da mesma forma, não pode saber o que viveram e o que aprenderam ou não.

Portanto, não devemos dar importância ao que os outros dizem sobre nós, pois suas palavras são derivadas de uma realidade ilusória que suas mentes criaram com o desejo de saber tudo.

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As pessoas que criticam

Há pessoas que dão opiniões sobre você, sobre sua vida e sobre suas decisões, mesmo que você não tenha pedido. Normalmente são opiniões maliciosas ou desprovidas de critério, cuja única finalidade é a de machucar, humilhar e desfrutar do pesar alheio.

Geralmente essas pessoas têm baixa autoestima, não se aceitam e, por isso, dificilmente poderão aceitar os outros. Essas pessoas colocam rótulos que refletem a realidade de como elas se sentem, projetando assim suas dificuldades emocionais.

Nós somos os únicos que podem mudar nosso caminho

“Viva a sua vida da maneira que quiser, não da maneira que os outros querem que você a viva”

É provável que, se nós pudéssemos entrar no corpo e na mente dos outros, não os julgássemos. Seria um teste real.

Fantasias à parte, temos que assumir como nossa única responsabilidade a ideia de nos valorizarmos e pararmos de nos condenar. O que os outros pensam de nós nos coloca um preço. Ou seja, assim como não deixamos que nos digam o que devemos vestir, não devemos permitir que outros escolham o nosso armário emocional.

Se vivermos de acordo com o que os outros pensam de nós, perderemos nosso estilo e nossa personalidade. Seremos obrigados a usar uma máscara e nossa imagem no espelho refletirá apenas a nossa insegurança e a nossa falta de autoestima.

Curar nossas partes magoadas pelas críticas

“As pessoas mais infelizes deste mundo são aquelas que se importam muito com o que os outros pensam”

Para curar as feridas emocionais causadas pelas críticas, temos que ter claro, em primeiro lugar, que somos pessoas únicas e excepcionais. Com essa mentalidade, perdemos o medo de sentir e de pensar por nós mesmos.

São os outros que estão julgando e criticando, não você. A crítica não construtiva deixa uma grande pobreza emocional no mundo interior de quem a pratica. Portanto, se a pessoa não parar, nestes momentos você deve ser emocionalmente egoísta e pensar em si próprio.

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Afaste-se da negatividade e pense que a sua vida é sempre muito mais fácil quando você não se mete na vida dos outros. A seguir, nós lhe daremos algumas dicas para que você possa fazer isto facilmente:

1. Como mencionado, a consequência direta de acreditar no que os outros pensam e dizem é nos tornarmos alguém que não somos. E, é claro, querer agradar aos outros as custas da nossa identidade não é nada saudável.

2. Você é uma boa mãe? Você é uma pessoa bem-sucedida? Você é inteligente? Você faz o seu trabalho bem? Você gosta dos outros? Perceba quanta energia você perde se preocupando com estas questões.

3. No entanto, os outros pensam sobre nós muito menos do que nós acreditamos. Isto é, muitas vezes nos sentimos o centro das atenções de outras pessoas, quando na verdade, o que fazemos pode não ser tão relevante para muitos dos que nos rodeiam.Esse medo é em grande parte um produto da sua imaginação.

4. Não importa o que você faz e como faz, sempre haverá alguém que interpretará seus atos de forma errada. Então tente viver e agir naturalmente. O que você faz, se estiver se acordo com os seus valores, sempre estará certo. Não tente se justificar, pois se sentirá falso se não sintonizado consigo mesmo.

“Não espere que os outros entendam sua jornada, principalmente se eles nunca andaram no mesmo caminho que você”

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

Crianças pequenas e birras.

Crianças pequenas e birras.

Todos nós temos ouvido falar dos “terríveis dois anos”. Muitos pais com bebês pequenos se perguntam como irão agir quando seu bebê chegar ao segundo aniversário, e principalmente depois, quando chegar ao, infelizmente difamado, “terríveis dois”. Mas a boa notícia é que os pequenos dessa faixa etária estão trabalhando para alcançar alguns marcos importantes no seu desenvolvimento. Se pudermos compreendê-los e facilitar para eles, poderemos ajudar a estabelecer as bases para uma infância feliz e para adultos autoconfiantes.

O QUE SEU FILHO ESTÁ DESENVOLVENDO

Acredite ou não, uma das habilidades mais importantes em que uma criança de dois anos está trabalhando é a capacidade de dizer “não”! Até este momento, ela tinha sido quase totalmente dependente de sua mãe, ou de outros adultos que cuidavam dela. Então, de repente, ela descobriu que é separada da mãe. Ela percebe que pode realmente afirmar-se e ter uma vontade própria, e seu cronograma de desenvolvimento a empurra incansavelmente nessa direção.

Por isso, é muito importante para a criança que está dominando esta lição ter permissão para dizer “não”. Saber que ela pode dizer “não” se um estranho quiser fazer algo para ela que não a faz se sentir bem, é capacitar e protegê-la de um possível abuso sexual. Isso também irá ajudá-la a se tornar uma pessoa assertiva positivamente quando adulta.

Porém, muitas vezes a criança tem um monte de sentimentos confusos sobre sua nova capacidade de se afirmar. Parte dela quer se tornar independente e tomar suas próprias decisões, enquanto outra parte ainda quer ser dependente da mamãe e não quer desagradá-la de maneira nenhuma.

Se entendermos que as crianças pequenas são basicamente pequenos seres sociais que querem agradar seus pais, adquirimos uma boa base a partir da qual começar. Os problemas surgem quando há um choque entre o que agrada aos pais, e as tarefas de desenvolvimento nas quais a criança está trabalhando. Então ajuda muito entender como o cérebro da criança está funcionando neste momento, pois assim podemos ter uma ideia do quanto ela pode entender do que dizemos ou fazemos.

COMO O CÉREBRO DO SEU FILHO FUNCIONA

Com os bebês, o mais importante é atender suas necessidades básicas – como ser carregado, embalado, alimentado e amado, e o brincar de uma forma física. Isso ocorre porque as partes do cérebro do “sentimento” e do “pensar” ainda não estão totalmente desenvolvidas. No momento em que a criança tem dois anos de idade, a parte do cérebro do sentimento (o cérebro médio) já está mais desenvolvida, e a criança é literalmente inundada de sentimentos e emoções – de fato, durante este período, ela “é” seus sentimentos.

Crianças pequenas são diferentes de crianças mais velhas e de adultos. Nos adultos, a parte superior do nosso cérebro está totalmente desenvolvida, de modo que podemos “pensar” sobre nossos sentimentos e, se necessário, colocá-los de lado e expressá-los mais tarde. Aos dois anos de idade, a criança não pode fazer isso ainda – tudo o que elas podem fazer é expressar os sentimentos como eles ocorrem. Quando estão felizes, elas vão rir espontaneamente, quando estão tristes elas vão chorar, e quando elas estão frustradas ou chateadas, irão ter ataques de fúria. Estes comportamentos são todos saudáveis para crianças, incluindo, acredite ou não, as birras. O que precisamos fazer é criar um espaço seguro em que

A primeira indicação que os pais podem obter de que a criança chegou a esta fase, é quando ela diz “não” a quase tudo, e fica chateada se você diz “não” a qualquer coisa! Se seus ‘nãos’ não são permitidos, ou se ela recebe um monte de ‘nãos’ de você, ela pode começar a chorar. Essa situação pode facilmente transformar-se em uma batalha entre pai e filho, e pode acabar em um acesso de raiva explosivo. Isso pode levar os pais ao limite se eles não compreenderem o que está acontecendo. Eles podem não querer ser excessivamente rigorosos, mas temem estar sendo permissivos e acabarem criando uma criança irresponsável.

O que temos de ser capazes de fazer é limitar o “comportamento” quando necessário, mas sempre permitir e aceitar os “sentimentos”.

ENTENDENDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO

Porque seu filho necessita dessa permissão para dizer “não” e de ter seus sentimentos aceitos, é importante deixar que isso ocorra tão frequentemente quanto possível – em outras palavras, escolha suas batalhas, e guarde os “nãos” apenas para questões muito importantes. Além disso, existem muitas áreas da vida em que somos mais experientes e mais sábios, e temos que dizer não por razões práticas ou de segurança. Nesses momentos, ajuda a entender o que acontecerá em seguida: provavelmente ele vai ficar aborrecido e começar a chorar. Isso é um comportamento normal para uma criança diante de uma grande decepção. Ele não cresceu o suficiente para entender porque ele não pode correr para a estrada, ou comer o pacote de doces no supermercado, ou brincar com objetos perigosos. Ele só sente como é receber um “não” por algo que realmente quer fazer.

Como o cérebro “pensante” do seu filho ainda não está desenvolvido, não adianta dialogar com ele neste momento. Na verdade, ele provavelmente irá ficar frenético se você tentar, porque ele não vai se sentir ouvido ou compreendido. Quando temos que dizer “não”, e cumpri-lo, o que a criança mais precisa é que nós possamos ajudá-la a processar seus sentimentos de decepção e frustração, que inevitavelmente resultarão. Isso pode se transformar em uma experiência de crescimento para o pai e para a criança.

A primeira coisa que precisamos nessa situação é ter empatia. Se pudermos pensar em como nos sentiríamos se quiséssemos muito fazer algo mas alguém nos disse ‘não’, então estamos no nível dela e podemos ajudá-la com seus sentimentos. Se a criança chora ou faz uma birra, nos ajuda entender que esta é a válvula de segurança que seu corpo possui para descarregar seus sentimentos de frustração, e que é importante deixá-la fazer isso. Mais tarde, quando seu cérebro estiver mais desenvolvido, ela será capaz de controlar seus sentimentos e escolher quando e como expressá-los. Mas ela não pode fazer isso ainda. Sendo assim, a criança pode acabar dividida entre a necessidade de seu corpo descarregar os sentimentos frustrados e seu medo de fazer a mamãe ficar com raiva se ela expressá-los. Ela também pode sentir-se sobrecarregada pela força de seus próprios sentimentos, e precisar de alguma contenção para ajudá-la a se sentir segura.

O QUE FAZER DURANTE UM ATAQUE DE BIRRA

Existem algumas regras básicas que podemos utilizar para ajudar e apoiar uma criança chorando ou fazendo birra. Precisamos permitir que a criança expresse dor, raivas e outros sentimentos, e não temos que reprimi-los (o que pode levar a tensão do corpo e doenças relacionadas ao estresse mais tarde). Mas ela também precisa aprender que não pode machucar outras pessoas no processo. Não devemos permitir que uma criança, num ataque de birra, puxe nosso cabelo, nos morda, bata ou chute. Às vezes, a criança precisa ser fisicamente contida, mas ao mesmo tempo ela precisa ter liberdade de movimento. Portanto, se precisamos segurar a criança, é melhor segurá-la com firmeza ao redor do tronco, com as costas contra o nosso corpo, para que ela possa se agitar e chorar, mas não nos ferir. Se a criança estiver no chão, tudo o que precisamos fazer é ter certeza de que não existem superfícies duras ou outros objetos que possam feri-la nas proximidades.

Quando estabelecemos limites de maneira firme e saudável, as crianças aprendem que estão seguras. Quando nós respeitamos seus limites e somos compassivos para com os seus sentimentos, elas crescem aprendendo a ter respeito e compaixão pelos outros.

Porque ela está totalmente dominada por seu conflito interior, a primeira coisa que uma criança frustrada precisa, é a liberdade de chorar ou expressar quaisquer emoções que ela esteja sentindo. Até que isso aconteça, ela não será capaz de ouvir qualquer coisa que possamos querer comunicar a ela. Nós podemos ajudar, ficando nas proximidades ou, ocasionalmente, dizendo suavemente palavras simples como “está tudo bem, está tudo bem”, “já vai passar” para tranquiliza-la. Tudo o que ela precisa de nós é a presença amorosa.

Quando o choro começar a diminuir, ela provavelmente terá alcançado algum nível de resolução. Então, podemos validar seus sentimentos para que ela saiba que nós entendemos como ela se sente, que na verdade é o que ela está desesperadamente tentando fazer. Podemos dizer algo como: “Sei que você está se sentindo chateada. Você queria o pacote de doces, e mamãe disse ‘não’ “. É melhor não tentar dar uma explicação sobre “porquês” neste momento, uma vez que só confunde a criança. Seu cérebro não está preparado para raciocinar ainda. Isso virá mais tarde. É suficiente simplesmente afirmar (às vezes mais de uma vez) o que aconteceu. O importante é o fato de que nós a entendemos de uma forma simpática e a sensação que isto traz à criança.

Muitas vezes, a criança ficará muito aliviada que você compreende o que ela está sentindo. Depois que ela deu um grito alto e colocou todos os “maus” sentimentos para fora, ela pode querer vir te abraçar ou pedir colo pra se sentir segura. Ela vai chorar apenas o quanto seu corpo precisa e, em seguida, ela vai parar. Às vezes o tamanho da birra também parece estar totalmente fora de proporção com o que acaba de acontecer. Isso pode ser porque ela teve um dia frustrante, foi agredida por outra criança, está cansada, ou um número de fatores que podem causar acúmulo de tensão. Nem sempre é necessário que você entenda o que estes motivos são para que possa ajudá-la a resolvê-los. É suficiente dar a ela um espaço seguro para demonstrar seus sentimentos, e para que ela saiba que você reconhece como está se sentindo, e que está do seu lado.

COMO AS CRIANÇAS APRENDEM

Nessa idade, as crianças estão aprendendo com cada experiência que passam. Precisamos ter certeza de que o que eles estão aprendendo é o que queremos ensiná-los! Isto é onde a questão da consistência VS negociação aparece. Às vezes, uma criança vai continuar pedindo e implorando por algo, mesmo quando a mãe disse que “não” de maneira firme e suave várias vezes. Finalmente, a criança poderá começar a gritar e ter um acesso de birra. Se a mãe estiver cansada ou ocupada, para instaurar a paz, ela pode acabar cedendo por desespero no último momento. Mas como consequência ela poderá se sentir ressentida e manipulada, e a criança ficará confusa.

O que nós queremos que ela aprenda é que “Na vida temos algumas decepções, e que eu não posso ter sempre tudo o que eu quero. Mas quando eu estou chateada, minha mãe sabe como eu me sinto e me ajuda a lidar com a minha frustração. Mamãe me ama mesmo quando eu estou com raiva ou triste, e ela está do meu lado.” Saber que somos amados e aceitos em todos os momentos nos faz sentir seguros e protegidos no mundo.

RESUMINDO

Podemos ajudar as crianças a aprenderem que podem dizer “não”. Esta é uma boa maneira de prepará-los para serem assertivos como adultos, e serem vencedores na vida.

Podemos ajudar as crianças a aprenderem que a vida às vezes pode ser frustrante e nem sempre podemos ter o que queremos, mas podemos ter a expectativa de que nossos sentimentos serão ouvidos e respeitados. Isso estabelece a base para um bom relacionamento com outras pessoas.

Nós podemos ajudar as crianças a aprender que é certo expressar seus sentimentos (mesmo os chamados negativos) em vez de reprimi-los como tensão. Podemos ensinar-lhes isto, permitindo-lhes expressar a sua mágoa e sentimentos de raiva em um lugar seguro, enquanto recebe nosso amor e apoio.

Escrito por Pat Törngren © 2012. Fonte indicada: Pedagogia Waldorf

Apresentadora é chamada de gorda e dá resposta que todos devem ouvir

Apresentadora é chamada de gorda e dá resposta que todos devem ouvir

A agressividade e o preconceito com relação às pessoas obesas são evidentes no e-mail que essa aparesentadora americana recebeu de um telespectador.

Publicamos esse vídeo pela primeira vez em 2014, mas retomamos o alerta para a conscientização da temática que é atemporal.

Apenas vejam.

Hoje eu vou me amar

Hoje eu vou me amar

Hoje vou levantar mais cedo para ver o céu alaranjado da manhã. Vou subir no telhado feito gato, e enquanto o dia nasce, vou tocar o céu com os dedos e soprar sobre mim uma brisa de felicidade.

Vou colocar aquela roupa bonita que deixei guardada para ocasiões especiais e vou usá-la sem preconceitos bobos. Vou sair voando e de propósito esquecer o café da manhã só pra me empanturrar com bons dias recheados de atenção.

Vou desligar o celular e ouvir apenas o toque dos meus pensamentos. Farei juras de amor para meu coração e prometerei ouvi-lo atento todas as noites antes do sono chegar.

Abrirei um mapa de possibilidades e vou circular tudo que gostaria de conhecer e fazer, mas que deixei irremediavelmente para depois. Aquele depois que parece um saco sem fundo no qual atiramos nossas vontades mais delirantes.

Vou comprar sapatos como os da Dorothy de Oz e vou batê-los buscando voltar para mim. Abandonarei as obrigações urgentes e me darei a alegria de fazer o que bem entender.

Hoje vou escolher só a felicidade, ela combina bem com tudo e torna meu sorriso absurdamente charmoso. Vou guardar as olheiras do desânimo e vou soltar em algum mato os grilos da minha cabeça.

Vou pentear meus cabelos de um jeito diferente. Esticá-los e depois enrolá-los de um jeito que nunca fiz antes.

Vou me sentar em um banco dentro de um parque lindo e esperar, sem ansiedades ou dúvidas bobas, eu mesma chegar.

Vou abraçar-me demorado e me perguntar dos gostos meus, se eles ainda são aqueles de antes das imposições do que precisa ser feito.

Vou me convidar para soltar bolinhas de sabão ao vento e não vou ligar se meu vestido levantar quando pular alto para alcançar as nuvens.

Vou subverter o tempo e saltar sobre ele, voltando para dias de escolhas que mudaram minha vida. Vou me olhar carinhosa e me puxar para um canto e, em cochichos, contarei a mim todas as verdades que descobri.

Vou usar o lenço das lágrimas que chorei pelos amores errados para limpar os vidros das janelas do meu eu, e com a visão clara de minhas aspirações, não aceitarei migalhas para matar a fome gigante que me habita.

Vou colocar as minhas músicas preferidas no último volume e vou dançar feito louca, varrendo para longe minhas expectativas bobas acerca dos outros.

Vou enlaçar o lobo do amor próprio que vive nas pradarias do me eu e serei dele a dona cativa, estufando o peito ao gritar “não” para tudo que for contrário aos meus valores.

Vou fazer uma poção encantada para enfeitiçar o medo e o farei dormir por tempo indeterminado em uma torre bem distante das minhas conquistas.

Vou fazer dieta de sofrimento, de autopiedade, de culpa, de contentamento e vou salgar minha comida com um monte de coragem ousada.

Vou jantar a luz de velas, mesmo quando existirem luzes ao alcance da mão e vou caprichar na sobremesa para dividi-la com o meu eu mais animado.

Vou me apaixonar por mim, por todas minhas mazelas e por todas minhas tentativas. Rirei dos meus erros bobos, mas guardarei todos nos bolsos para não repeti-los amanhã.

Vou tomar banho de espuma. Vou beber champanhe barato de ano novo, brindando a minha vida e todos os acasos e não acasos que me levaram até onde estou.

Vou abraçar meu coração e adormecer. E de manhã, quando o sol gritar “recomeço” vou sair pela porta de mãos dadas com tudo que sou, carregando comigo a certeza de que minhas escolhas serão acertadas por levarem em conta especialmente o que é também bom para mim. 

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Adeus às ilusões

Adeus às ilusões

Temos muita dificuldade em colocar um ponto final e de “partir para outra”, nos vários setores de nossa vida, como se fugíssemos à responsabilidade de ter de arcar com a dor advinda com esse despedir-se, como se aquilo que está feito, feito está, o que é uma inverdade, pois, muitas vezes, a permanência traz uma segurança ilusória. E assim vamos pagando um preço alto por nossa covardia e fingimento para com ninguém mais do que nós mesmos.

Os caminhos que temos à nossa frente são entremeados por bifurcações e armadilhas e, sem que percebamos, somos muitas vezes levados a optar por alternativas às quais é mais fácil nos acomodarmos. Acomodar-se, porém, pode também significar passividade e conformismo, sendo que sentimentos estanques não nos impelem às mudanças necessárias ao nosso desenvolvimento como pessoas. Conformar-se demais pode nos custar a distância de uma outra verdade – com a qual nos identificaríamos melhor -, a desonestidade com nossas vontades e um crescente arrependimento, nocivo tanto ao nosso bem estar quanto à harmonia com quem está ao nosso lado.

É preciso dizer adeus ao amor que já deixou de acelerar nossos corações, que já não sorri quando nos vê, que não nos dá as mãos, pois não caminha ao nosso lado, que não nos pergunta se dormimos bem, se almoçamos, ou o porquê das lágrimas suspensas em nossos olhares distantes. É necessário despedir-se do amor que trai e fere, que já nem é amor, nem amizade, nem troca ou cumplicidade, tampouco conforto e necessidade.

Diga adeus à amizade que já deixou de fazer falta, que não tem tempo de ouvir e animar, que já não aparece em busca de conselhos, nem quer saber de sua vida. É preciso despedir-se de amizades que não acrescentam, que nos diminuem, que nos trocam facilmente, que usam nossos segredos contra nós, puxam nossos tapetes, esgotam nossas energias.

É preciso dizer adeus ao serviço que nos empobrece, que alimenta nossa miséria emocional, que nos impede de sorrir, que não nos oferece oportunidades, que nos assedia moralmente, não nos ouve. É necessário despedir-se dos chefes desumanos, dos colegas de trabalho hipócritas, das jornadas extenuantes, da mesquinharia com o cafezinho, dos gritos e erros destacados, da humilhação velada, da estagnação que anula nossas capacidades, da cordialidade venenosa na mesa ao lado.

Digamos adeus ao lar que já não nos comporta em tudo o que somos e queremos, que extrapola os nossos limites, que cobra por nos amar, tolhe nosso caminhar e não mais entende o que falamos. É preciso despedir-se do quarto sem privacidade, da TV sempre ligada, da roupa emprestada da irmã, da cópia das chaves da porta, da consulta ininterrupta ao relógio nas noites de diversão.

É preciso dizer adeus à esperança de que o outro vá mudar, à espera vã do telefonema, da resposta que nunca chega, do convite que nunca é ouvido, do “eu te amo” nunca dito, do abraço não correspondido, do olhar que não penetra fundo, do reconhecimento nunca recebido. É necessário despedir-se de quem nos fere, no corpo e na alma, de quem nos incomoda, dos xingamentos, das noites insones, da violência alheia, da ânsia pelo fim do expediente, pelo fim do dia.

Diga adeus ao não existir, ao sufocamento dos desejos, à raiva contida, às ofensas engolidas, aos desvios de caminhos, aos projetos não realizados, aos sonhos que não acordam, à morte em vida. É preciso despedir-se das roupas que já não nos servem, dos CDs que não ouvimos, das cartas que já nem lemos, das lembranças que nos ferem, das fotos envelhecidas no tempo, da sombra da infidelidade, das obrigações que criamos e não nos levam a nada.

Não nos demoremos em lugares onde não nos sintamos vivos, amados, onde não respiremos direito, onde não possamos ser verdadeiros. O desapego é difícil, pois requer o enfrentamento corajoso do que fizemos de nossas vidas, do que somos e sentimos, e encarar as escolhas erradas traz dor e culpa. Além disso, quando rompemos com o que parece estabelecido em nossa jornada, mexemos também com as vidas que caminham conosco e teremos que trilhar uma árdua batalha, até que sejamos compreendidos, ou não. O importante é que estaremos agindo em busca de nossa felicidade, partindo ao encontro de nosso lugar no mundo e na vida de alguém. Ninguém pode ser condenado por tentar ser feliz, quando o fizer de forma ética e sincera, sem desrespeitar a si mesmo nem a ninguém mais. Quem nos ama de verdade acabará entendendo a necessidade de nossa atitude, torcendo pelo nosso sucesso, onde e com quem estivermos.

Nossa sobrevivência depende do adeus às ilusões, da coragem para iniciarmos as despedidas necessárias, tendo a consciência de que as infinitas possibilidades que se descortinarão a partir de então compensarão as perdas pelo caminho. Ninguém é obrigado a aceitar com resignação e conformismo aquilo que pode – e deve – mudar. Todos, afinal, temos o direito de viver e de respirar com alívio, com a certeza de que o que deixamos para trás ficou exatamente onde deveria: lá atrás, bem distante, não tendo mais poder algum sobre nossas vidas e nossa busca pela felicidade.

A Inveja nas relações íntimas- Flávio Gikovate

A Inveja nas relações íntimas- Flávio Gikovate

Por Flávio Gikovate

Ninguém gosta muito de pensar que possa sentir inveja, muito menos de alguém que lhe seja bem próximo. Porém, a realidade nos ensina exatamente o inverso: o sentimento ocorre mais frequentemente entre os que têm convívio íntimo.

A inveja deriva da nossa tendência a nos compararmos: nos sentimos diminuídos, humilhados, quando alguém tem algo a mais que nós. Ela costuma ser mais intensa quando consideramos que o outro não deveria ter mais, pois é da mesma faixa etária, da mesma origem social…

A manifestação mais frequente da inveja acontece entre irmãos. Cada um tem suas propriedades e, é claro, sempre um se destaca mais pela beleza, inteligência, habilidade no trato social ou na área profissional e financeira. Nesse caso, como em tantos outros, a inveja se acopla ao ciúme: irmãos disputam o amor dos mesmos pais e o anseio de serem “o queridinho” deles gera uma inevitável rivalidade. A tensão cresce e a hostilidade invejosa se manifesta de modo claro justamente quando um deles consegue obter melhores resultados ao longo dos anos da vida.

Aquele que se sente por baixo, perdedor nessa disputa, experimenta uma mistura de sentimentos: antes de mais nada, sente-se humilhado, ou seja, ferido na vaidade (esse anseio que todos temos de nos destacar); ao se reconhecer por baixo, sente raiva, o que determina o surgimento de reações agressivas sutis ou frontais. Quase toda hostilidade gratuita deriva da inveja!

Ao longo da vida adulta, quase todos nós continuamos a nos comparar com aqueles com quem cruzamos, especialmente com os que consideramos nossos concorrentes. Sempre que nos sentimos perdedores nessa comparação – e isso depende, é claro, do julgamento que fazemos de nós mesmos e do outro – experimentamos a desagradável sensação de humilhação que pode gerar hostilidade ou, naqueles mais responsáveis, um afastamento que pretende exatamente evitar a manifestação agressiva. Ainda que haja o afastamento, o desconforto íntimo de ter se sentido por baixo, perdedor, continua a atormentar a mente do que sentiu inveja ao longo de algum tempo.

É sempre conveniente registrar que a inveja pode nos alcançar, a todos, em algum momento da vida. Aqueles que dizem nunca ter sentido inveja ou são mentirosos ou ainda não se viram numa posição de inferioridade suficientemente desagradável para que viessem a experimentar o desconforto.

A inveja só pode deixar de se manifestar naqueles que se consideram tão diferentes, tão menos dotados que nem caberia a comparação. Por exemplo, nos tempos em que os regimes monárquicos eram efetivos e poderosos, talvez os plebeus nem ousassem se comparar com os nobres!

Não deixa de ser curioso observar que a inveja permeia muitas das relações amorosas. Isso acontece por inúmeras razões e não conseguirei registrar todas aqui.

A inveja deriva da admiração: me comparo e considero o outro mais bem dotado do que eu e, por isso mesmo, admirável. O problema é que o amor também deriva da admiração! Se as pessoas envolvidas sentimentalmente não se acautelarem conviverão com os dois sentimentos ao mesmo tempo, o que não é mistura muito conveniente.

Uma pessoa introvertida e que não gosta muito do seu jeito de ser tenderá a achar graça e se encantar por quem seja extrovertido. A diferença encanta, por vezes irrita e em outras ocasiões provoca inveja.

É claro que se o introvertido se encanta pelo mais falante é porque acha a forma de ser do parceiro melhor que a sua. A única saída possível seria o avanço pessoal: através do convívio, as pessoas poderiam aprender umas com as outras o que não sabem e admiram. Pena que não seja essa a tendência usual, uma vez que ambos pressentem que são admirados e amados exatamente por serem diferentes.

Uma boa parte dos homens e das mulheres sentem inveja das propriedades do sexo oposto: muitos homens invejam o poder sensual feminino e uma boa metade das meninas, ao longo da infância, refletiram sobre sua condição e concluíram que a dos meninos era melhor.

Isso está em mudança graças aos avanços para um mundo mais unissex; porém, muitos são os resíduos desse tipo de desconforto diante das diferenças entre os sexos: os homens mais machistas são exatamente os mais invejosos; não perdem uma oportunidade de falar das limitações, fraquezas e supostas tolices femininas; e isso é óbvia manifestação invejosa!

As mulheres que não gostam de sua condição por considerá-la inferior hostilizam seus parceiros, não vibram com o sucesso deles e não raramente se recusam à intimidade erótica (apesar de serem provocantes e sensuais) sempre com o intuito de depreciar e agredir aquele que é, ao mesmo tempo, objeto do amor e da inveja.

As afinidades e a boa aceitação da própria condição são requisitos para atenuar as chances de inveja nos casais.

Fonte indicada: Flávio Gikovate

10 e-books gratuitos para quem trabalha com educação

10 e-books gratuitos para quem trabalha com educação

Eles não têm o velho charme nem aquele familiar cheiro de papel, mas para quem busca praticidade, os livros online podem ser bons aliados na hora de investir na atualização profissional. Na área da educação, há diversos e-books disponíveis gratuitamente que contribuem tanto para a atuação quanto para a formação docente. Assim, selecionamos dez títulos que abordam temas como educação infantil, uso de tecnologia na sala de aula, políticas públicas e pesquisas científicas. Os livros podem ser baixados na web no formato PDF ou em smartphones, via PlayStore.

1. Aprendizagem e comportamento humano

Tendo como cenário a inclusão social e escolar, o livro trata dos processos de aprendizagem e comportamento na vertente pedagógica e clínica.

Autores: Tânia Gracy Martins do Valle; Ana Cláudia Bortolozzi Maia
Páginas: 225
Editora: Unesp

2. Tecnologias digitais na educação

O livro é uma compilação de artigos que resultaram das monografias da primeira turma do curso de Especialização em Novas Tecnologias na Educação. Entre os temas tratados estão vídeos e jogos digitais, a tecnologia a serviço da inclusão e tutoria na educação a distância.

Autores: Robson Pequeno de Souza; Filomena M. C. da S. C. Moita; Ana Beatriz Gomes Carvalho
Páginas: 276
Editora: Eduepb

3. Educação universitária: práxis coletiva em busca de veraz qualidade e de precisa cientificidade

Composto por seis capítulos, o e-book aborda a prática sócio-seletivista da universidade, problematiza a qualidade e a cientificidade da educação universitária e apresenta um estudo de caso da educação universitária em Barreiras e no extremo-oeste da Bahia.

Autor: Pedro Bergamo
Páginas: 296
Editora: Eduepb

4. Educação e contemporaneidade: pesquisas científicas e tecnológicas

Os desafios que a contemporaneidade apresenta para a formação dos profissionais da educação é o tema central do livro, que trata também da atualidade do pensamento de Freinet, Vigotsky e Paulo Freire.

Autores: Antônio Dias Nascimento; Tânia Maria Hetkowski
Páginas: 400
Editora: Edufba

5. Ciência, universidade e ideologia: a política do conhecimento

Estão presentes no livro assuntos como ciência, tecnologia, tecnocracia e democracia; política científica; universidade, ciência e subdesenvolvimento; e espaço acadêmico.

Autor: Simon Schwartzman
Páginas: 142
Editora: Centro Edelstein

6. Políticas públicas para a educação infantil no Brasil (1990-2001)

Marcado por intensas reformas educacionais, o período de 1990 a 2001 é investigado no livro pela perspectiva do discurso veiculado na imprensa e na forma como os professores-leitores aprenderam esse discurso.

Autores: Jani Alves da Silva Moreira; Angela Mara de Barros Lara
Páginas: 246
Editora: Eduem

7. Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais

Focado na educação infantil como um dos direitos da criança, o e-book trata de políticas públicas para a infância, analisando as concepções de criança, seus direitos e educação infantil.

Autor: Lucimary Bernabé Pedrosa de Andrade
Páginas: 193
Editora: Unesp

8. Necessidades formativas de professores de redes municipais: contribuição para a formação de professores crítico-reflexivos

Considerando fundamental o protagonismo dos professores na inserção de mudanças nas práticas e nos currículos escolares, os autores trabalharam com uma amostra de 533 docentes, indicando propostas para efetivação de políticas de formação contínua.

Autores: Cristiano Amaral Garbaggi Di Giorgi; Monica Fürkotter; Yoshie Ussami Ferrari Leite; Vanda Moreira Machado Lima; Naiara Costa Gomes de Mendonça; Maria Raquel Miotto Morelatti
Páginas: 139
Editora: Unesp

9. Complexidade da formação de professores: saberes teóricos e práticos

Com base em pesquisas desenvolvidas a partir dos anos 1990, o livro preocupa-se com a formação e a atuação docente, partindo da racionalidade da constituição do trabalho docente em sala de aula.

Autor: Marilda da Silva
Páginas: 114
Editora: Unesp

10. Pesquisa em educação escolar: percursos e perspectivas

Os grandes temas do livro são a responsabilidade e o compromisso da escola com o mundo em que vivemos. A partir disso, os autores tratam de políticas públicas, formação de professores, valores e educação, e práticas educativas.

Autores: José Milton de Lima; Divino José da Silva; Paulo Cesar de Almeida Raboni
Páginas: 357
Editora: Unesp

Fonte indicada: Revista Educação

Clarice Lispector

Clarice Lispector

Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista. Nasceu no dia 10 de Dezembro de 1920, em Tchetchenilk, na Ucrânia. O seu nascimento ocorre durante a viagem de emigração da família judia em direção à América, desanimados com sucessivas guerras internas e constante perseguição antissemita, gerando fome e miséria. Poucos meses depois a sua família chega ao Brasil, e fixam-se em Recife, cidade onde a futura escritora passou a infância. Clarice perdeu a mãe tinha 9 anos e mudou-se com a restante família – o pai e a irmã – para o Rio de Janeiro, em 1934, decisão de Pedro, pai de Clarice, com o intuito de construírem uma nova vida. Os três membros da família ficam a morar numa casa alugada perto do Campo de São Cristóvão. Em 1935, mudam-se para uma casa na Tijuca. Clarice começa a ler livros de autores nacionais e estrangeiros mais conhecidos. Decorre o ano de 1939 quando inicia os seus estudos na Faculdade Nacional de Direito. A par dos estudos Clarice faz traduções de textos científicos para revistas e trabalha como secretária. Depois de terminar o curso a escritora casa-se com um colega de faculdade. Em 1942 publica a sua primeira obra: “Perto do coração selvagem”.

Em 1944, acompanhou o marido, Maury Gurgel Valente, diplomata de carreira, para Nápoles, Itália, em plena Segunda Guerra Mundial. Clarice mostrou-se dividida entre a obrigação de acompanhar o marido e ter de deixar a família e os amigos. Em 1948 Clarice fica grávida do seu primeiro filho, Pedro, que vem ao mundo a 10 de Agosto, em Berna, Suíça. Para ela, a vida na Europa é de “miséria existencial”. No ano seguinte a escritora volta para o Rio de Janeiro. Em 1952 Clarice engravida e volta a trabalhar em jornais brasileiros. Todavia, em Setembro desse ano, embarca para a capital americana onde permanecerá por oito anos. Aí instalada, Clarice inicia o esboço do romanceA Maçã no Escuro’. O seu segundo filho, Paulo, nasce em 1953. Depois de Itália e Suíça, Clarice acompanha o marido até Inglaterra, mas só nos Estados Unidos, ela conhecerá o renomado escritor Erico Veríssimo, com quem trava uma longa amizade.

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De 1957 a 1959 o seu casamento vive momentos de tensão, dando sinais de um fim iminente. A separação dá-se no início da década de 60, com Clarice regressando com os filhos para o Brasil. Nesse ano turbulento é dado à estampa ‘Laços de Família’, o seu primeiro livro de contos. Em 1961 recebe o Prémio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por ‘Laços de Família’. Lispector dedica-se, quase exclusivamente, a escrever e a traduzir para diversos idiomas várias obras estrangeiras. Em 1965 a situação financeira de Clarice é muito difícil. No ano seguinte, um incêndio na sua casa provoca-lhe inúmeras queimaduras pelo corpo, tendo Clarice ficado dois meses hospitalizada. Este acidente mudaria em definitivo a vida de Clarice. As profundas cicatrizes fazem com que a escritora entre no árduo labirinto da depressão. Instala-se, assim, um desequilíbrio interior que mudará a sua vida para sempre.

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Em 1974, o seu cão lhe morde o rosto, fazendo com que Clarice Lispector se submeta a cirurgia plástica reparadora. É agraciada, em 1976, com o Prémio concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra. Em 1977 é-lhe diagnosticado um cancro. Um mês depois, na véspera de seu aniversário, Clarice Lispector morre em plena actividade literária (escrita e tradução) e gozando do prestígio de ser uma das mais importantes vozes da literatura brasileira.

“Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa.”

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.”

Almas velhas, almas sensíveis

Almas velhas, almas sensíveis

Já lhe disseram que você parece mais maduro do que as outras pessoas da sua idade? Ou o contrário? Você já deve ter ouvido falar de “almas velhas” e “almas novas,” de acordo com o nível de inteligência, sensibilidade, intuição ou relação com a época em que vivem.

Desses dois conceitos, o que chama mais a atenção é talvez o de “almas velhas”. A origem desta expressão se deu na religião taoísta (com mais de cinco mil anos de idade e originária da China). De acordo com suas crenças, a alma deixa o Tao, a unidade global e natural e adquire experiências diferentes.

Como os taoístas acreditam que tudo deve voltar à sua origem, o objetivo final da alma é uma viagem de volta ao Tao, com todo o conhecimento e experiências adquiridas nesta vida. Para alcançar a perfeição, a alma passa por cinco idades.

Neste caso, a pessoa possui níveis mais elevados de percepção, é diferente dos demais, porque é mais espiritualizada, está preocupada em encontrar o seu “lugar no mundo”, acredita ser parte de algo muito maior e seu principal objetivo é alcançar a satisfação interior.

Os taoístas acreditam que muitos filósofos, cientistas e artistas são almas velhas que escolhem essas profissões como uma forma de se sentirem mais à vontade. Vale a pena ressaltar que essas almas gostam de aprender e muitas vezes desafiam “a ordem estabelecida” baseada em suas próprias experiências.

Cinco aspectos das “almas velhas”

– Eles têm um elevado grau de maturidade. Desde pequenos se diferenciam porque não se encaixam no mundo das crianças. Ficam entediados com os jogos estabelecidos para sua idade, querem livros mais complexos, pois as histórias são muito básicas. Têm atitudes de uma pessoa mais velha, chegam a conclusões que seus pais não conseguem. Tudo isso devido a um grau de raciocínio muito maior do que o considerado “normal”.

– Gostam de ficar sozinhos e de qualquer exercício relacionado à introspecção. As “almas velhas” não precisam de companhia, seu universo interior lhe basta. Aproveitam seu tempo livre para meditar, reconhecer os seus sentimentos e ler sobre temas “profundos”. São muito tranquilos e introvertidos. Alguns podem até considerá-los tímido, mas na realidade estão completamente absorvidos pelo seu interior.

– Apreciam as coisas simples. Uma alma velha tem uma espiritualidade forte e só faz aquilo que gosta. Trabalham com algo que os faça felizes e realizados. Esforçam-se para dominar um assunto e estão sempre mudando de atividade. Por quê? Porque encontram mais prazer no caminho do que no objetivo final.

– Têm a intuição muito desenvolvida e se deixam guiar por ela. Observam tudo nos mínimos detalhes e têm a capacidade de formar imagens completas em suas mentes. Enquanto a maioria das pessoas veem um bosque com muitas árvores, a alma velha vê todas as espécies vegetais e animais, o solo, o céu, o vento e muito mais. Nada passa despercebido; ela pode analisar uma pessoa ou uma situação com todos os detalhes sem errar.

– São muito sensíveis. Têm um elevado nível de empatia e conseguem se colocar no lugar dos outros, compreendê-los e ajudá-los. Têm a capacidade de perdoar, deixar ir o que é ruim e dar conselhos sem julgar.

Finalmente, seria bom destacar também as desvantagens de ter nascido com uma alma velha:

– Não tem afinidade com pessoas da sua idade, gosta de se relacionar com pessoas mais velhas.

– Acredita que está desconectado do mundo. Não partilha dos mesmos pontos de vista de seus entes queridos.

– Pode ficar deprimido e ter problemas de autoestima. É perfeccionista e se julga com muito rigor.

Você conhece alguma “alma velha” ou acredita que você mesmo possa ser uma delas?

Texto original em espanhol de Yamila Papa

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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