A inveja, segundo Rubem Alves

A inveja, segundo Rubem Alves

Gosto de tomates. Resolvi plantar uns tomateiros lá em Pocinhas do Rio Verde (MG). Amadureceu o primeiro tomate, todo vermelho, com exceção de um pontinho preto na casca. Nem liguei para o ponto preto. Colhi o tomate e me preparei para comê-lo. Dei a primeira dentada e cuspi. O que havia dentro dele era um verme branco, grande, enrugado, gordo por haver comido toda a polpa do tomate.

Foi essa a imagem que me veio à memória quando me preparava para falar sobre o mais terrível de todos os demônios. Ninguém suspeita. Ele vai comendo por dentro as coisas boas que crescem no nosso quintal. Eu sempre digo: demônios fazem ninhos no corpo. Cada um tem sua preferência. Neste caso a que me refiro, o demônio faz seu ninho nos olhos. E ele não gosta de coisas ruins e feias. Como o verme, ele prefere os tomates. Gosta de coisas bonitas. E o resultado é que, quando uma coisa bonita que cresce no nosso quintal (note bem: o demônio só faz sua obra no nosso quintal) é tocada pelo olho onde mora o verme ela imediatamente murcha, apodrece, cai. E aí vêm as moscas.

O demônio que se aloja nos olhos se chama inveja. Inveja vem do latim invidere que, segundo o dicionário Webster, quer dizer “olhar pelos cantos dos olhos”. Inveja não olha de frente. Quem olha de frente tem prazer no que vê. Quem olha de lado olha com olho mau.
Olho mau, olho gordo: muita gente tem medo desse olhar. Não precisa. O verme da inveja nunca faz nada com os tomates da horta alheia. Ele só come os tomates da horta da gente.

Explico. Fernando Pessoa diz que a inveja “dá movimento aos olhos”. Olho de inveja não olha numa direção só. Lembre-se do que eu disse: que o olho onde se aninha o verme da inveja só gosta de ver coisas bonitas. Então é assim que acontece. Eu tenho um belo tomate crescendo no meu quintal. É certo que não há vermes dentro dele. Vai dar uma deliciosa salada. Mas antes, vou mostrar o meu tomate para meu vizinho… Um pouco de exibicionismo faz bem para o ego. Mas aí eu olho para o quintal do vizinho. Ele também cultiva tomates. Vejo o tomate que cresce no tomateiro dele. Lindo! Vermelhíssimo, mais bonito que o meu. É nesta hora que o verme entra no meu olho. Meus olhos se movimentam. Voltam-se para o meu tomate que era minha alegria e orgulho. Já não é mais. Vejo-o agora mirrado, pequeno murcho. E ele corresponde: apodrece repentinamente e cai… Perdi o prazer da minha salada.

Esse movimento dos olhos é a maldição da comparação. Quando eu comparo o meu ‘bom-bom-mesmo-mais-que-suficiente-para-me-fazer-feliz” com o “bom” maior do outro, fico infeliz. E o que antes me dava felicidade passa a me dar infelicidade. Com a comparação tem início a infelicidade humana. Isso acontece com tudo. Comparo minha casa, meu carro, minhas roupas, meu corpo, minha inteligência e até mesmo meu filho.
Frequentemente os filhos são vítimas no jogo de inveja dos seus pais. Aquele meu filho, que é a minha alegria, delícia de criança, com um jeitinho só dele e que me encanta… Mas o filho do vizinho tira notas mais altas que o meu, é campeão de natação, é mais forte, mais alto e não é gordinho… Então, meu olho se movimenta e o verme se aninha. E se dá o mesmo com meu tomate: apodrece.

Texto extraído da Revista Psique, maio de 2009.

Manual de desorientação ao candidato de graduação

Manual de desorientação ao candidato de graduação

O que ninguém te diz antes que você ingresse na faculdade é que esse difícil primeiro passo, é apenas um primeiro passo. Talvez, o mais fácil dos primeiros passos em direção a uma carreira profissional. É abismal perceber o quanto a fantasia acerca da realização de uma graduação encontra-se, na maior parte das vezes, distante da realidade da vida. Um jovem que mal sabe o que quer comer precisa tomar uma decisão de longo prazo…

A orientação profissional existe e não é adotada pelas escolas, não é conhecida a não ser por parcos testes de revista, não é valorizada, mesmo que ofereça um resultado minimamente melhor que seguir a profissão do pai ou o sonho de criança, que lá pela metade do curso, a pessoa descobre que era, de fato, apenas um sonho de criança, e não um sonho atual. Seguir a lógica de escolher o que “dá mais dinheiro” também não costuma funcionar, logo se descobre que dinheiro e graduação não necessariamente caminham juntos.

O que as pessoas ignoram é que mudar, nesse contexto, não é fácil. Uma vez feita uma escolha, finalizada uma formação, consolidada uma experiência acadêmica e no mercado de trabalho, outras oportunidades começam a fechar as portas, e uma má escolha pode torna-lo escravo de sua primeira opção. É a velha lógica da experiência anterior sempre exigida, sem que existam oportunidades para adquirir a tal experiência anterior. O desespero que leva às pessoas a aceitarem a primeira coisa que aparecer “na reta” é o que irá estabelecer os primeiros contornos do seu futuro. Quantos têm consciência disso?

Ninguém te avisará também, que os árduos anos dedicando tempo, dinheiro, juventude e sonhos em sacrifício pela sonhada formação, não vão te garantir um bom salário e nem estabilidade imediatos. A maioria dos recém formados saem da faculdade desempregados e assim permanecem por longa data. Outros não conseguirão emprego na área em que gostariam de atuar e ainda assistirão pessoas sem formação superior receberem salários maiores ou iguais aos deles. Isso não é porque o esforço não valha a pena, se o objetivo for outro, isso é porque a sociedade não valoriza mais a formação superior a não ser como uma exigência, não mais como um diferencial.

Dificilmente se contará com outro auxílio além do instinto para que você, o novo universitário, perceba que se encontra em um universo único, com uma potente oportunidade de amadurecimento e conhecimento que transcende à grade curricular, as notas, as competições e todos os aspectos burocráticos e acadêmicos que envolvem uma faculdade. De que ali você encontrará pessoas e situações das mais diversas, coisa que não se repetirá em outros momentos da vida, e mesmo que posteriormente retorne a este espaço singular, já não será o mesmo, já não será a mesma experiência.

Ninguém o incentivará a permanecer o máximo de tempo possível ali, viajando para os eventos desejados, conhecendo pessoas, aproximando-se de professores com os quais possui afinidade, participando de grupos, coletivos, movimentos, atividades extracurriculares, explorando as bibliotecas, conhecendo tudo o que a universidade oferece, mesmo que isso signifique um rendimento menor nos números e um período mais extenso para formação. A predominância do quantitativo engole o supra sumo da experiência.

Não haverá quem o alerte sobre não perder os seus sonhos de vista, mesmo que, para não cair de cara na realidade, seja necessário também manter os pés no chão. Há ainda alguém capaz de oferecer uma orientação que não parta para o 8 da racionalidade mórbida ou o 80 da destrutiva ilusão, já tão naturais da juventude nos seus primórdios?

Principalmente, raramente alguém o incentivará a errar, a falar, a questionar, a ir além do que ali se apresenta, para encontrar seu próprio caminho dentro daquele trilho, que nada mais é que um molde para evolução autônoma. É preciso aprender sozinho e, às vezes, meio tarde para que as coisas se realizem com a mesma facilidade com que teriam acontecido antes de então.

Quem arriscará te dizer que priorize apenas o “com” da competição enquanto ainda há tempo? De que nesse momento, somar e multiplicar é melhor que dividir e subtrair, pois depois disso, é basicamente a competição o que restará para o resto da sua vida. Que insano o alertaria a permanecer ao máximo no presente e só de vislumbre não perder o futuro de vista, pois, certamente, os caminhos se modificam e o futuro raramente sai como o que era supostamente previsto? Nenhum jovem universitário encontrará nada disso em um manual, em um relato ou em um site próprio para pré-vestibulandos.

Vivemos em uma lógica na qual a universidade se tornou uma espécie de ensino técnico, e mais se diferencia dele pela quantidade de anos dedicados e possibilidades veladas – que só os mais curiosos acabam descobrindo – do que pela natureza de sua estrutura de aprendizado. Muitos tecem críticas à queda da qualidade do ensino universitário atribuindo a sua má qualidade crescente às políticas de quota ou novos métodos de seleção. Mas há muito tempo se sabe que a “múltipla-escolha” é a pior escolha para uma seleção que se pretende qualificada. Mais ainda se sabe, que sem o devido suporte financeiro, dificilmente alguém consegue ter um rendimento adequado dentro de um universo que exige dedicação para ser bem aproveitado. Temos ainda a locomoção, a desmotivação de professores que queriam ser apenas pesquisadores, de espaços negligenciados, de recursos escassos, de “iniciados” que não fazem a menor ideia de onde ou porque ou o que querem com a sua iniciação.

O mito da graduação enquanto obrigação acaba por transformá-la em pouco mais do que uma extensão do ensino médio e uma pílula árdua de engolir para ter como efeito o despertar na desilusão. De um espaço de conhecimento tornou-se um espaço de profissionalização mecânica. Não surpreende que tão pouco se desenvolva para além das novas tecnologias, pois agora, é o tecnológico o mais valorizado. Só não temo pelo dia em que não haverá mais seres humanos capazes de viver sem utilizá-lo, e tão logo, o dia em que não haverá mais seres humanos capazes de cria-lo, pelo fato de que, simplesmente, até lá não estarei mais viva. Não surpreende também que cada vez menos pessoas alimentem ou sustentem o desejo pela profissão de ensinar, e imagino que quanto a isso, posso poupar argumentação, tão explícita se faz a razão.

O que será dessas instituições no dia em que não houverem mais profissionais para fazê-las funcionar? O que já é visível, é que cada vez mais há profissionais com formação sucateada fazendo-as funcionarem mal. Por outro lado, temos a predominância da pedagogia do carinho ou da indiferença que, me perdoem, mas não forma bons profissionais nem desatina talentos. Em um contexto desses, como poderia haver quem instruísse os novos pupilos das universidades a conhecerem melhor o chão onde vão pisar? A ver se é isso mesmo ou se haveria uma solução mais adequada para os seus desígnios?

Para quem quer que se atente é visível que a universidade está morrendo, já não possui a mesma potência ou atuação social que já teve, já não confere valorização aos graus mais baixos de formação, e aos mais altos, reservam-se as vagas em eu próprio interior. A universidade está morrendo porque fechou-se em si mesma.

E se, de fato, eles existirem?

E se, de fato, eles existirem?

Não importa a sua religião, se se é católico, evangélico, espírita… tanto faz… a pergunta que fica é: e se, realmente, existirem os espíritos? O que mudaria em sua vida?

Você deixaria de ser mal-humorado, triste, feliz, amargo, bom, ruim? Mudaria algo em você? Deixaria de sentir aquele rancor que lhe atormenta a alma? Deixaria de sentir aquele vazio existencial que insiste em lhe procurar e perguntar “o que haverá”, “haverá alguma coisa”?

Calaria em seu peito aquela saudade de não se sabe quem ou onde? Calaria em sua alma aquela saudade de alguém que se sabe quem e onde?

Explicaria para você a origem de um amor infinito, intraduzível, que faz com que as pessoas surpreendam a si próprias, respeitando outro ser humano e realizando a caridade? Explicaria para você que a maldade também terá duração finita, eclodindo com o despertar do ser para as verdades eternas?

Sim, estamos falando de uma certeza matemática. Caso fosse possível provar a existência dos espíritos pelo mundo científico… assim como se prova a existência das ondas eletromagnéticas que levam o som para o rádio. Se existisse prova científica, o que mudaria em nossas vidas e na vida das pessoas? Haveria mudanças nas relações sociais? Existiria mais respeito entre todos? Haveria mudança na forma de se enxergar a medicina e as doenças em geral? Terminariam as guerras?

Faria calar em seu coração aquele pensamento persistente que, às vezes, abafa a voz de sua razão, questionando: quem somos? Haverá destino? Podemos mudar alguma coisa? Para onde vamos? Existe, afinal, um lugar após a morte?

Ah, se houvesse a prova científica… a resposta seria: “sim”, “não”, “talvez”. Tudo dependeria da pergunta e daquele a quem a pergunta se coloca. Somos muitos, somos vários e cada um tem a sua história.

Ma,s há uma certeza nessa reflexão. Muita coisa mudaria para muitos. Impossível que fosse diferente. Como não mudar em mim um sentimento de saudade que me arrebata quando tenho a certeza científica de que tudo continua? Como não mudar em mim a vontade de ser bom, melhor, quando tenho a certeza científica de que disso depende o meu destino? Como não mudar a forma de se enxergar a medicina, quando tenho a certeza científica que a atuação espiritual (num sentido ou em outro) pode mudar o ciclo de uma doença? Esses são apenas poucos exemplos, perto da multiplicidade de coisas, que passariam a influenciar a vida de homens e mulheres.

Mas, se é assim, por que tão pouco se pesquisa a respeito? Desde os primórdios da humanidade existe a crença na vida espiritual. Mas, quase nunca o meio científico e acadêmico se aproxima dessa pesquisa, embora comecem a surgir escassos estudos a esse respeito. Como explicar as curas espirituais? Curandeirismo ineficaz ou ação construtiva espiritual por meio da qual se obtém um verdadeiro resultado prático? E as comunicações? Todas elas frutos do imaginário humano ou se peneiram verdadeiras obras provenientes de seres inteligentes desencarnados?

A revolução que essas respostas poderiam ocasionar na vida das pessoas (caso se provasse efetivamente a vida espiritual) justificaria uma imensidão de pesquisas sérias e bem conduzidas a esse tema. Afinal, ou é ou não é.

Mas, por que tão poucos se arriscam nessa tarefa? Medo do invisível? Medo do escárnio social e do ridículo? Falta de verbas? Crença indubitável e exclusiva na realidade material? Crença na impossibilidade dessa importante prova?

É… realmente temos muito o que evoluir…

contioutra.com - E se, de fato, eles existirem?Regiane Reis

“Com formação na área jurídica e buscando o autoconhecimento, entendi que precisava escrever sobre temas universais como a vida, o amor e a fé.”
Acompanhe a autora no blog Pausa Virtual ou no Facebook.

10 problemas que você tem, mas não precisa ter

10 problemas que você tem, mas não precisa ter

Por Mateusz Grzesiak

Um homem vai ao médico, pega um assento e começa a bater no joelho com seus dedos. Depois de um tempo, o paciente diz: “Doutor, dói quando eu bato no meu joelho com meus dedos desse jeito, olha!”. O médico pergunta: “Não passou pela sua cabeça que se você parar de fazer isso, talvez pare de doer?” “Bem…”, o paciente pensou por um tempo e disse: “Mas qual o propósito de eu vir nessa consulta, então?”

Pessoas tentam resolver problemas que não existem, dizendo histórias que nunca aconteceram e procurando soluções que elas não precisam. Abaixo temos 10 problemas que, na verdade, não existem, mas a maioria das pessoas tem. Entretanto, elas não precisam tê-los.

1. O que os outros vão pensar de mim?

Você não sabe e não quer saber em 99% dos casos, já que você não tem poder telepático nem influência no que outras pessoas pensam. Lidar com problemas que estão fora do seu controle lhe tornam frustrado pela simples razão de que você não pode controlá-los e não por causa do sofrimento real causado por tal questão.

Por exemplo, você imagina o que seu colega pensa de você, mas você o encontra uma vez por semana no máximo, não existe relacionamento profundo entre vocês e, na verdade, você nem se importa com ele. Parafraseando o princípio de Pareto, 20% das pessoas na sua vida causam 80% da sua boa recompensa, ao passo que 1% dessas pessoas da sua vida é responsável por 99% das suas emoções negativas. E tem mais, um mecanismo de projeção está envolvido: você imagina o que os outros pensam de você, sem perceber que isto é o que você pensa de si mesmo! É provado que se você está com medo, acha os outros mais perigosos do que eles realmente são, e se você é submisso, vai enxergar os outros mais dominadores do que eles realmente são. Isto quer dizer que o que você está fazendo, na verdade, é culpar os outros do que acha de si mesmo.

O que os outros pensam de você não é problema seu, e você pode controlar isso somente até certo ponto. Entretanto, na tentativa de fazer os outros pensarem bem de você, pode estar se enganando e perder uma coisa muito mais valiosa chamada ‘a imagem que você tem de si mesmo’. E isso sim é uma coisa que você pode controlar.

2. Os outros vão me aceitar?

Provavelmente não, principalmente se você agir de uma forma longe de ser considerada normal. Tentar ser aceito pelos outros, encontrar aceitação, amor ou conquistar alguém não vão te levar a lugar algum a não ser à perda de concentração e traição de seus ideais.

O mundo está cheio de pessoas diferentes. Algumas delas são particularmente resistentes a mudanças. Portanto, esperar aceitação de uma pessoa que é focada somente em suas crenças é perda de tempo e energia. Existirão, também, pessoas que digam que você não é o que elas esperavam e que vão tentar lhe mudar até que você se encaixe no que elas consideram ideal.

Maridos tentando mudar esposas ou esposas tentando mudar seus maridos – isso, geralmente, leva ao conformismo e lhe leva a viver uma vida que vai contra o seu jeito de ver as coisas. Na vontade de que outras pessoas gostem de você, inconscientemente você se torna uma pessoa comum, ordinária. O problema é que uma pessoa ordinária, sem uma personalidade distinta, não será lembrada. Se você foca nas coisas que tem que fazer na sua vida, para de viver para os outros e começa a viver sua própria vida, baseada na sua própria intuição. Além do mais, se suas ações entram em conflito com a cultura do meio em que você está, deve estar preparado para receber críticas gerais, uma coisa que você não pode controlar.

3. Meu parceiro não é a pessoa que eu achei que fosse

Bem, ele ou ela nunca serão. Afinal, esta provavelmente não é a razão de você ter decidido estar com ele ou ela. São as diferenças entre você e seu parceiro que encorajam a evolução da relação e, sem elas, você ficaria entediado no mundo do relacionamento estável.

Tentar mudar seu parceiro até que ele corresponda à imagem que quer que ele tenha, na maioria dos casos, leva a uma ou duas situações. A primeira é, infelizmente, quando você atinge seu objetivo. Neste caso, seu parceiro (ou parceira) muda mesmo sob pressão das suas expectativas e, na maioria das vezes, contra a vontade, então, ele ou ela não respeitam mais eles mesmos e deixam de ser atrativos pra você. A segunda situação é o conflito, porque o ego do seu parceiro ou parceira, mudado ao seu gosto, se rejeita e se ataca, ativando o mecanismo de defesa.

Mudanças como esta são, a um certo nível, um ato de violência contra o que seu parceiro ou parceira entende por o que é ser aceitável ou não pra você, fazendo com que ele ou ela pense que agora sim é o parceiro perfeito pra você. Seu conceito é, no entanto, geralmente idealizado e inspirado em histórias de romance e contos de fadas contados por avós desapontadas com seus próprios maridos, ou inspirado na expectativa que seu parceiro lhe ame, assim como seu pai ama você. Entretanto, se você olhar através do olhar do seu pai, nenhum homem vai amar sua mulher da mesma forma que o pai dela a ama. Igualmente, nenhuma esposa vai conquistar sua sogra se sua imagem sobre seu filho for distorcida. É mais maduro entender que as pessoas mudam quando elas nos veem como um exemplo de mudança sobre o que elas pensam e agem para, assim, agir e pensar diferente.

4. Eu não consigo entender por que essa pessoa fez isso

Você não consegue entender porque você não sabe quais motivos o levaram a ter essa atitude, sua vida pessoal, sua crença, seu jeito de ser e pensar. Se você não o faria, nunca saberá por que tal pessoa fez aquilo, especialmente se fazer aquilo vai contra sua visão sobre a vida. Serial Killers, como Henry Lee Lucas, culpam seus assassinatos pela condição de vida que tiveram. Outros (como Jeffrey Dahmer) culpam seus atos por uma carência que existe dentro deles mesmos ou pelo tempo passado na cadeia (Carls Panzram).

Racionalizar posteriormente, ou seja, pensar no que você acabou de fazer, permite sua mente inventar qualquer história convincente que sirva como explicação para sua ação (por exemplo, tentar explicar a você mesmo o porquê de estar comprando uma coisa que não precisa), embora você não esteja consciente desse processo. E, mais que isso, outras pessoas podem, talvez, não entender sua explicação. Isso é a mesma coisa que contar mentiras.

Todo mentiroso tem sempre uma explicação convincente da sua mentira e, mesmo eles sabendo disso, ainda acham que mentir é mais benéfico do que dizer a verdade. Qual é a conclusão? Você não entende sempre por que uma pessoa fez alguma coisa. Bem, você não precisa! É suficiente se você entrar em acordo com os fatos e responder a essas pessoas sem julgá-las.

5. Eu sou o tipo de pessoa que deveria ser?

Você provavelmente nunca será este tipo de pessoa, mas isso é realmente um problema? O processo de evolução humana não terminou ainda, e quanto mais ambicioso você é, maior a discrepância entre o tipo de pessoa que você acha que pode ser e o tipo de pessoa que é. Sucesso é acompanhado de grandes problemas e, também, grandes ‘demônios’ para derrotar. Quanto mais inteligente você é, mais sente que estupidez machuca (nunca machuca se você é estupido, porque você só consegue perceber isso se for inteligente). Quanto mais você conhece seu potencial, menos tolera a indolência e mais quer alcançar seus objetivos. Perfeccionismo só confirma que “o máximo não é o ótimo” – o fato de você poder ir a 250km/h não significa que você deve dirigir sempre a essa velocidade. O tempo, por exemplo, pode lhe fazer baixar para 40km/h e, se essa for a velocidade ótima, será o melhor a se fazer.

Especialmente hoje em dia, quando o valor de uma pessoa é baseado em suas conquistas (diplomas, dinheiro e habilidades), é fácil cair na armadilha de se menosprezar e pensar “eu ainda não cheguei aonde quero chegar”. Sucesso assim é tóxico. Você vai achar saudável quando entender que ‘Eu sou bom e posso ser melhor’.

6. O mundo é ruim

Isto lhe fará se sentir frustrado, pois esse pensamento é baseado em dissonância cognitiva, ou seja, a diferença entre como você espera que as coisas sejam e como as coisas realmente são. O mundo é o que é. O ser humano está sempre num certo estágio de desenvolvimento de sua consciência e – dependendo do ponto de referência, pode ser tanto primitivo, quanto evoluído. Olhando sob a perspectiva do mundo atual, o costume de afogar as mulheres que eram suspeitas de bruxaria na Idade Média é primitivo.

Similarmente, as futuras gerações não serão capazes de acreditar que uma vez o homem determinou seu valor baseando-se no seu número de bens materiais. A decomposição moral do mundo, na maior parte das vezes motivada pela cultura ou religião, pelo ‘bem’ ou pelo ‘mal’, leva a visões extremistas e falta de aceitação de uma certa ordem ou curso das coisas, o que deveria ser natural na evolução de cada espécie em cada estágio de desenvolvimento. O que era bom no passado não precisa ser bom agora, e o que é bom pra mim pode não ser bom pra você. A quantidade do que é bom é sempre proporcional à quantidade do que é ruim, e a vida é muito mais fácil se você basear menos sua vida em visões extremistas e mais em fatos, e se suas ações forem adequadas.

7. Eu consigo evitar problemas

Você não pode porque problemas são mais causados pelo seu cérebro do que pelo mundo exterior. Afinal, você não pode escapar de si mesmo. Não há tal estímulo no mundo que possa matar, mas uma pessoa motivada por suas ideias e conceitos é até capaz de tirar a própria vida. Por exemplo, apesar de o risco de morrer num acidente de avião ser de 1 em 11 milhões, o risco de ser morto por um tubarão ser de 1 em 3.7 milhões e o risco de morrer num acidente de carro ser de 1 em 5000, as pessoas tem mais medo de viajar de avião do que de carro.

Os problemas são maiores na nossa imaginação do que na realidade e evitá-los lhe trará mais problemas do que encará-los. A estratégia de perder benefícios para eliminar problemas (por exemplo: “eu não vou viajar de avião para não morrer) não funciona e a quantidade de problemas na sua vida será sempre a mesma.

Os pobres reclamam que não tem nenhum dinheiro, e os ricos tem medo de perder o deles. Uma modelo brasileira tem mais complexos do que um desdentado que mora embaixo da ponte, apesar de a qualidade de vida da modelo ser incomparavelmente melhor que a do pobre homem. Não importa quão rico ou pobre você é, o número de problemas na sua vida será sempre proporcional ao número de benefícios. É muito mais importante o modo como você conduz sua vida.

8. Os outros me irritam

Não são os outros, mas seu pensamento de que eles deveriam ser isto ou aquilo e o tipo de pessoa que você queria que eles fossem. É por isso que você está irritado. Manias como “se a pessoa X pudesse mudar…” não vão levá-lo a lugar nenhum, porque X não vai mudar ou vai ser substituído por um Y que, no final, vai ser a mesma coisa. Mesmo se olharmos para as coisas estatisticamente, é mais fácil mudar o mundo do que mudar você mesmo. Não são os outros os responsáveis por suas reações emocionais, porque é seu julgamento sobre as ações delas que vai gerar certas experiências emocionais.

Uma pessoa pode ficar comovida com o choro de uma criança e outra não (por achar que criança chorando é absolutamente natural nesta idade). Outra pessoa poderia até se sentir orgulhosa por seu filho saber já expressar suas próprias emoções. Ao invés de dizer: “X me irrita”, diga “a impressão que eu tenho daquela pessoa me irrita”, e assim você será capaz de controlar as coisas de novo. Os judeus já diziam: “Não seja o objeto das atividades do mundo, seja a causa delas”. Isto vai lhe ajudar a recuperar o controle que trará novamente para você o senso de responsabilidade.

9. Minha vida não corresponde às minhas expectativas

E nunca corresponderá, a menos que você cuide dela. Reclamando, resmungando, culpando os outros pelas suas falhas, culpando os políticos por regerem mal o seu país, xingando seu chefe porque ele paga pouco, ficar contra Deus porque está em uma maré de azar na vida ou se revoltar com seus pais pela educação que lhe deram – tudo isso lhe faz fugir da responsabilidade da vida. Se você não gosta dos políticos do seu país, entre para um partido político que o agrade. Se seu salário é muito baixo, arrume um novo emprego.

Se você não gosta do seu país, deixe-o, etc. Você é a única pessoa responsável pela sua vida e, se ainda não se deu conta disto, existem pouquíssimas pessoas no mundo que realmente se importam com você. Seus parentes diretos até podem, mas todos os outros seres vivos do planeta o veem como um corpo qualquer (um homem, uma mulher, um velho). Se você não retomar as rédeas da sua vida, outra pessoa o fará. Nunca se arrependa de fazer alguma coisa, mas sim de não fazer.

10. Por que isso acontece comigo?

Por que justo comigo? Por que minha esposa me deixou? Por que eu fui escolhido pelo câncer? Bem, de que maneira você gostaria que o mundo respondesse isso pra você? Se é da maneira Budista, tudo é determinado pelo tipo de pessoa que você foi em vidas passadas e isto é o Karma. Se é da maneira católica? Bem, é o que Deus reservou a você. De maneira intelectual? Porque isso é o efeito de uma certa causa. Lide com as coisas que você pode controlar e deixe o resto para o Buda/Deus/Karma/destino.

A verdade é que certas coisas estão além do seu controle e você não tem ideia de como nem porque algumas coisas acontecem (por exemplo, a queda do avião da Malaysia Airlines). Talvez um dia você consiga a resposta. Mas até lá, você não pode controlar certas coisas. Se você desistir do seu senso de oposição e deixar que as coisas aconteçam, será capaz de se adaptar às novas situações mais rapidamente e agir de modo correto no futuro.

Fonte indicada: Administradores

Freud martelando Shakespeare

Freud martelando Shakespeare

Quando uma criança pequena brinca com aqueles jogos de encaixar, ela pode tentar colocar uma forma quadrada em um espaço redondo. E é normal, faz parte da experiência. Se ela for teimosa, ela pode continuar tentando. Com a ajuda de um martelo, de repente. E se ela for extremamente teimosa e insistir muito, ela pode tentar quebrar as pontas do quadrado pra encaixar no círculo.

Essa é a impressão que dá quando muita gente tenta usar alguma outra coisa para provar uma ideia própria. E isso pode acontecer com qualquer um, desse destino não escapa nem o pai da psicanálise, já que é a sensação que dá quando Freud analisa Shakespeare. Parece que o Sigmund se esforça para encaixar uma teoria-triangular em uma história-oval.

Hamlet sempre levanta a questão da hesitação. Muita gente que lê se pergunta: depois que ele descobre que seu tio matou seu pai, cujo fantasma pede vingança, porque ele não mata logo o tio? Tem até uma piada que diz que se o caso fosse com Macbeth, a peça já terminava no primeiro ato, sem lugar pra hesitação.

Mas Hamlet hesita. Ou talvez não hesite, talvez seja só a forma dele lidar com a situação, afinal, cada pessoa tem um tempo. E cada pessoa pode ler Hamlet de uma forma diferente, criando suas próprias teorias, o que vale pra Hamlet ou pra qualquer outro texto. Quanto mais rica a obra, maior a variedade de interpretações. E ninguém nunca vai estar certo ou errado, às vezes, nem o próprio autor.

Para Freud, a razão da hesitação de Hamlet em meter o pé na jaca da vingança é simples: Claudio, seu tio, fez o que o próprio Hamlet gostaria de ter feito em sua infância: matar seu pai e casar com a mãe. Complexo de Édipo clássico, né? Aliás, Hamlet foi mais fundamental para Freud do que Édipo Rei. Freud diz que o ódio sentido pelo tio-padrasto é “substituído por auto-recriminações, por escrúpulos de consciência, que o fazem lembrar que ele próprio, literalmente, não é melhor que o pecador que deve punir.”.

É uma teoria. Tão boa quanto qualquer outra.  Mas o Sigmund levou a sério e achou que tinha decifrado o enigma, acabando com uma angústia que já durava três séculos através da teoria psicanalítica, que dava uma explicação plausível para o mistério da hesitação. Ele afirma:

 “Só a partir do momento em que a origem do material da peça foi remontada pela psicanálise ao tema edipiano, o mistério de seu efeito foi por fim explicado“.

Como eu disse, é uma teoria. Se é a correta, provavelmente nem Shakespeare poderia dizer.

Mas se dissesse, Freud não acreditaria, já que ele não acreditava que o ator nascido em Stratford-upon-Avon era o autor das peças atribuídas a ele. Freud abraçou a teoria de um professor inglês chamado J. Thomas Looney. Looney, em inglês, pode ser traduzido como louco, mas Freud deixou passar a dica e acreditou em tudo o que Looney escreveu em Shakespeare Identified, se entusiasmando tanto com o livro que costumava presentear amigos com ele.

O livro defendia que Shakespeare não podia ter escrito as peças, por não ter a formação que Looney achava adequada. O verdadeiro autor seria Edward de Vere, 17º Conde de Oxford, que teria um pedigree mais de acordo com as obras. O fato de que o Edward morreu em 1604, anos antes da estreia de peças como Macbeth, Rei Lear e A Tempestade não abalou as suas convicções do autor.

Nem as de Freud. O engraçado é que antes do livro, ele chegou a tentar martelar sua teoria sobre a biografia de Shakespeare, já que o pai, John Shakespeare, morreu em 1601, ano em se acredita que Hamlet tenha sido escrito. O texto seria uma forma de lidar com as questões que voltaram à tona na vida do William a partir da perda recente. E também para lidar com a sua própria perda como pai, já que poucos anos antes, ele havia perdido um filho, com 11 anos. E qual era o nome do filho? Hamnet. Coincidência? Para Freud, não.

Harold Bloom, um dos maiores especialistas em Shakespeare, diz que Hamlet não tinha Complexo de Édipo, que talvez fosse Freud quem tivesse Complexo de Hamlet.

Complexos e teorias a parte, é bom acreditar nas ideias que temos, mas é melhor ainda quando existe espaço pra dúvida. O problema é que como vivemos em um momento de certezas absolutas, hoje em dia, o que mais tem é gente tentando colocar o círculo no quadrado. E não são crianças…

A máquina que nos conecta com nossa criança interior

A máquina que nos conecta com nossa criança interior

Somos sempre os mesmos e, apensar dos anos se acumularem, dentro de nós ainda reside uma criança que olha para vida com olhos mais brilhantes e interpretações mais doces.

Para reconhecê-la, esse experimento social convidou algumas pessoas para passar por uma experiência que nem sempre é possível durante nossa vida: o reencontro com a criança interior de cada um.

Vejam.

A indicação é de nossa página parceria Psique em Equilíbrio.

Carta em que Graciliano Ramos aconselha a irmã sobre como escrever

Carta em que Graciliano Ramos aconselha a irmã sobre como escrever

Carta de Graciliano Ramos para a irmã Marili: duro e valioso conselho a quem escrever.

Rio, 23 de novembro de 1949.

Marili: mando-lhe alguns números do jornal que publicou o seu conto. Retardei a publicação: andei muito ocupado estive alguns dias de cama, a cabeça rebentada, sem poder ler. Quando me levantei, pedi a Ricardo que datilografasse a Mariana e dei-a ao Álvaro Lins. Não quis metê-la numa revista: essas revistinhas vagabundas inutilizam um principiante. Mariana saiu num suplemento que a recomenda. Veja a companhia. Há uns cretinos, mas há sujeitos importantes. Adiante. Aqui em casa gostaram muito do conto, foram excessivos. Não vou tão longe. Achei-o apresentável, mas, em vez de elogiá-lo, acho melhor exibir os defeitos dele. Julgo que você entrou num mau caminho. Expôs uma criatura simples, que lava roupa e faz renda, com as complicações interiores de menina habituada aos romances e ao colégio. As caboclas da nossa terra são meio selvagens, quase inteiramente selvagens. Como pode você adivinhar o que se passa na alma delas? Você não bate bilros nem lava roupas. Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos. E você não é Mariana, não é da classe dela. Fique na sua classe, apresente-se como é, nua, sem ocultar nada. Arte é isso. A técnica é necessária, é claro. Mas se lhe faltar técnica, seja ao menos sincera. Diga o que é, mostre o que é. Você tem experiência e está na idade de começar. A literatura é uma horrível profissão, em que só podemos principiar tarde; indispensável muita observação. Precocidade em literatura é impossível: isto não é música, não temos gênios de dez anos. Você teve um colégio, trabalhou, observou, deve ter se amolado em excesso. Por que não se fixa aí, não tenta um livro sério, onde ponha as suas ilusões e os seus desenganos? Em Mariana você mostrou umas coisinhas suas. Mas – repito – você não é Mariana. E – com o perdão da palavra – essas mijadas curtas não adiantam. Revele-se toda. A sua personagem deve ser você mesma. Adeus, querida Marili. Muitos abraços para você.

Graciliano.

Você com certeza acha difícil ler isso. Estou escrevendo sentado num banco, no fundo da livraria, muita gente em redor me chateando.

Carta extraída da Revista Graduando, núm. 1 jul/dez 2010

Fonte indicada: Fluxo Editora

Não há inteligência profunda sem bondade

Não há inteligência profunda sem bondade

Por  SÍLVIA MARQUES

O tema da inteligência me fascina. Sempre que posso, leio a respeito. Não só a inteligência me interessa. Gosto de tudo relacionado ao comportamento humano; como o nosso cérebro reage às mais variadas situações desafiadoras do dia a dia e como cada pessoa lê a realidade.

O que para uns é erótico, para outros é pornográfico. O que para uns é espontâneo, para outros é espalhafatoso. Os limites entre a ponderação e a chatice; a determinação e a teimosia; a sensualidade e a vulgaridade também são tênues. Depende do nosso ponto de vista. Depende dos nossos referenciais familiares. Do nosso nível de instrução. Das nossas habilidades e limitações. Depende dos livros que lemos, dos filmes que assistimos, dos professores que tivemos, da escola que frequentamos, da fé e valores que nos foram ensinados e de que forma foram ensinados. Depende da nossa própria natureza; daquela nossa porção que não dependeu de nada nem de ninguém.

O que define a inteligência? O que caracteriza alguém realmente inteligente? Em meu tempo de menina, a inteligência estava muito associada à lógica, ao bom raciocínio matemático. Inteligente era quem se dava bem com os números. Este pensamento está equivocado? Não e sim. Lidar bem com os números é realmente um indício de inteligência, mas muitas outras habilidades denotam inteligência, como por exemplo ter bom ouvido musical, se expressar bem e ter noção de espaço.

Hoje sabemos que existem vários tipos de inteligência, entre eles: Linguística e Lógica ( as mais comuns), Motora, Espacial, Musical, Interpessoal e Intrapessoal.

Linguística: apresenta este tipo de inteligência as pessoas que lidam bem com as palavras. São pessoas que escrevem e falam bem e que têm maior facilidade para entender pontos de vista diferentes.

Lógica: apresenta este tipo de inteligência pessoas com facilidade em Matemática e Lógica. Normalmente têm boa memória e bom nível de disciplina e organização.

Motora: apresenta este tipo de inteligência as pessoas com ótima coordenação motora, alto controle sobre o corpo e facilidade para a expressão corporal.

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A inteligência motora é muito associada a esportistas e dançarinos. Mas muitas outras profissões dependem da boa coordenação motora e/ou de uma eficaz expressão corporal como cirurgiões, costureiros, cozinheiros e atores. A simples facilidade de ler expressões faciais e gestos denota uma habilidade motora.

Espacial: Pessoas com este tipo de inteligência possuem muita facilidade para criar e desenhar imagens 2 e 3D. São criativas. Possuem bom senso de direção e apresentam facilidade para ler mapas e gráficos.

Musical: Tipo raro de inteligência e muito criativo como a espacial. As pessoas que apresentam este tipo de inteligência têm facilidade para ouvir sons de forma diferenciada, deduzindo novos padrões musicais e muitas vezes aprendem a tocar algum instrumento sozinhas.

Interpessoal: raríssimo tipo de inteligência que está associada à capacidade de liderança e persuasão. Pessoas com este tipo de inteligência, normalmente, sabem extrair o que há de melhor em cada um, levando-as a ação.

Intrapessoal: tipo mais raro de inteligência. Está associada à capacidade de liderança também, porém, de forma mais indireta, influenciando as pessoas por meio de ideias. Apresentam profundo autoconhecimento. Normalmente, quem apresenta este tipo de inteligência é carismático.

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Bons professores, normalmente, apresentam inteligência intrapessoal. Podemos encontrá-la também em missionários, líderes religiosos, pensadores de um modo geral. A interpessoal já está mais presente em bons líderes corporativos, publicitários , diretores de teatro/cinema/TV. Porém, vale ressaltar que, uma mesma profissão pode exigir mais de um tipo. Um escritor de auto ajuda, por exemplo. Ele combina a Linguística e a Intrapessoal.

Enfim, o resumo acima é bem rudimentar, mas nos proporciona uma ideia geral do quanto o tema é vasto e complexo. Repito a pergunta: O que define se uma pessoa é inteligente ou não? Existe algum tipo de inteligência mais importante do que as outras? É mais inteligente aquele que apresenta um número maior de tipos de inteligência? Não sei a resposta, embora a procure de forma persistente.

Para mim, em minha opinião parcial e pouco fundamentada de leiga, encaro como mais inteligente não aquele que sabe fazer mais coisas, mas sim aquele que pode se conhecer melhor e viver de forma mais harmônica com ele mesmo e as outras pessoas.

Aquele que conhece melhor seus pontos fortes e limitações. Aquele que aprende mais com as experiências negativas, extraindo lições importantes. Aquele que sabe usufruir melhor do conhecimento alheio, aprendendo com todas as pessoas.

Aquele que consegue se reconciliar mais facilmente com o seu passado. Aquele que consegue detectar os falsos amigos e partir para outra sem remoer o assunto por meses. Aquele que aceita as diferenças e respeita o espaço alheio.

Aquele que sabe viver em comunidade. Aquele que conhece onde termina a sua liberdade e começa a do outro. Aquele que sabe perdoar e compartilhar. Aquele que entende a própria limitação humana e não se sente superior em relação àqueles que apresentam menos habilidades, menos atratividade, menos poder aquisitivo etc.

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Aquele que sabe extrair prazer das pequenas conquistas diárias. Aquele que sabe admitir e se desculpar quando erra. Aquele que ama o que tem. Aquele que sabe lutar e perder. Aquele capaz de reconhecer com humor que às vezes é muito bobo.

Em minha opinião, não existe inteligência verdadeira e profunda sem bondade. Todo aquele que usa as habilidades e a facilidade de aprendizado para oprimir, humilhar, tirar proveito das pessoas, planejar vinganças, se sentir superior, se destacar socialmente usando a cabeça dos outros como degrau é no máximo um ser habilidoso e esperto, com raciocínio rápido e coerente.

Para mim, a inteligência superior vai além. Ela engloba caracteres de sociabilidade, ternura , empatia e compaixão. Somos seres cooperativos. E para mim, quem entende melhor esta rede de interinfluências e exercita mais a cooperação, se adapta melhor às leis essenciais da vida.

Fonte indicada: Obvious

Documentário francês retrata a trajetória de Simone de Beauvoir

Documentário francês retrata a trajetória de Simone de Beauvoir

Uma das pensadoras mais importantes do século XX, Simone de Beauvoir (1908-1986) é retratada em um documentário francês para TV lançado em 2008. Com pouco mais de 50 minutos, a produção está disponível em um canal no YouTube (assista no player abaixo).

Intitulado “Simone de Beauvoir – “Uma Mulher Atual”, o filme revela sua trajetória intensa, focando o período de sua vida no pós-guerra, durante a guerra na Argélia, sua ida aos EUA – além da publicação do seu livro mais conhecido, “O Segundo Sexo”, e da autobiografia escrita em vários volumes. O filme é dirigido pela documentarista Dominique Gros.

Nascida em Paris, em 1908, Simone de Beauvoir foi uma famosa feminista, escritora e filósofa existencialista.  Foi também companheira de outro grande nome do pensamento contemporâneo: Jean-Paul Sartre. Publicou 21 livros ao longo de sua vida, entre romances, ensaios e biografias.

Fonte indicada: Cultura em Casa

Como adultos reagem frente ao bullying

Como adultos reagem frente ao bullying

Por Marcela Alice Bianco

Um vídeo tocante que nos mostra como adultos reagem frente ao comportamento de bullying que duas meninas fazem à uma garota mais nova num ponto de ônibus.  Esse foi o experimento social realizado pela UP TV e que nos refletir mais uma vez sobre esse tema.

O comportamento de bullying nos chama para a dinâmica inconsciente do bode expiatório. Quem executa a ação destrutiva contra o outro, projeta nele suas próprias imperfeições, defeitos e inseguranças pessoais, como forma de afastar o olhar negativo sobre si e deixando os holofotes mirados para àqueles que considera mais frágeis, inferiores ou indefesos.

A questão relaciona-se diretamente com a autoestima, seja de quem promove ou de quem sofre o bullying, bem como a construção da ética e da capacidade empática do ser humano.

Veja:

A situação colocada no vídeo é a seguinte: duas meninas, por serem mais velhas e por estarem em maior número, sentem-se à vontade para constranger e zombar da menina que, por sua vez, não encontra apoio social em seus pares naquele dado momento e não consegue reagir às críticas e ofensivas dirigidas a ela, reagindo passivamente.

A intenção é avaliar como os adultos reagem a isso, seja com relação as praticantes das ofensas, ou em relação a jovem vítima. Estes, logo que percebem o que está acontecendo, usam os recursos adquiridos com a maturidade para manejarem a situação.

No caso, percebe-se dois mecanismos atuantes: a tentativa de conscientização das garotas que estão praticando o ato ofensivo; e a ação protetiva dirigida à vítima. Na primeira atitude, os adultos tentam impedir a continuidade da ação e argumentam com a dupla mostrando-lhes a inadequação de seus comportamentos, pautando-se na ótica da empatia e da ética. Na segunda, as pessoas buscam por um comportamento de proteção, chamando a menina para sentar junto, elogiando a sua mochila, procurando valoriza-la, consola-la e diverti-la.

Nas duas reações o que vemos é uma conduta amorosa, respeitosa e firme no manejo do comportamento de bullying e que efetivamente interrompe a ação destrutiva das meninas, desarmando-as. Uma bela demonstração de como podemos reagir quando presenciarmos uma situação semelhante!

21 problemas de ser uma ‘alma antiga’ presa num corpo jovem

21 problemas de ser uma ‘alma antiga’ presa num corpo jovem

De Alena Hall

Imagem de capa: : Kl Petro, Shutterstock

“Almas antigas” desse mundo, vocês sabem quem são. E é provável que você saiba desde que era bem jovem, quando seus pais lhe diziam que sua perspectiva de vida era única em comparação com a dos seus pares. Você sabe o que é ser considerado estranho e meio quieto demais – e ser rejeitado por causa dessas diferenças.

Mas tudo bem, porque a sabedoria além da idade traz muitas vantagens: uma maturidade que vai te servir a vida inteira, uma consciência afiada do que você gosta (e não gosta), um belo senso de como abordar o mundo com a cabeça aberta e uma força de vontade poderosa que te mantém com os pés plantados em suas próprias convicções.

Como todo outro traço dominante que nos distingue dos outros, há (frequentes) ocasiões em que esse tipo de existência parece uma verdadeira luta. Pedimos que a comunidade do HuffPost Lifestyle no Facebook encontrasse as partes mais difíceis de ser uma “alma antiga” num corpo jovem. Eis 21 coisas que foram compartilhadas:

1. “As pessoas da minha idade me acham chata.”Karla Retana, usuária do Facebook

2. “Acho que a parte mais difícil é encontrar pessoas que consigam te entender. É uma espécie de solidão.”Rox Aimee, usuária do Facebook

3. “Eu não me encaixo com pessoas da minha idade. Eles acham que eu sou chata. Mas as pessoas mais velhas SÓ enxergam minha idade e me colocam no mesmo saco das pessoas imaturas ou inexperientes. Eu tendo a namorar homens (de 10 a 15 anos) mais velhos, o que, na minha experiência, ainda não deu muito certo… Sempre considero essa coisa de “alma antiga” um elogio, mas não tenho certeza de que as pessoas realmente querem dizer isso.” Jessica Lee, usuária do Facebook

4. “Desde sempre, você sente que é um pássaro diferente do resto do bando. O que deixa os outros felizes ou tristes não tem o mesmo efeito em você. Mas, por outro lado, eu não gostaria de ser de outro jeito.”Rima Harb Bou Ayash, usuária do Facebook

5. “Encontrar um parceiro que te entenda e que tenha uma idade apropriada/seja jovem.”Zara Zara, usuária do Facebook

6. “A parte mais difícil é não ser levada a sério quando se é jovem.”Sarah Jane Wells, usuária do Facebook

7. “Deixar isso claro para alguém que não é ‘alma antiga’, e às vezes a frustração de querer ser parte de círculos mais populares, mas ao chegar lá descobrir que você sempre estará do lado de fora… e de alguma maneira não se importar com isso, mesmo que esteja sozinha.”Jo Pollard Hamilton Britt, usuária do Facebook

8. “Tenho dificuldade em abrir mão e ser tola porque aquela voz velha na minha cabeça me faz me sentir estúpida quando isso acontece. Além disso, intuitivamente, percebo quando algo é uma má idéia, o que pode ser incrível, mas também me faz uma estraga-prazeres entre meus pares.”Amy Schulte, usuária do Facebook

9. “Para mim, a parte mais difícil é não deixar minha mentalidade ser afetada pelas palavras dos outros. Parece irônico, porque uma alma antiga deveria ser capaz de diferenciar entre palavras e verdade, mas às vezes pode ser desgastante ouvir a palavra ‘antiga’ tantas vezes.” Kristi Kurtz, usuária do Facebook

10. “A parte mais difícil é como é frustrante ver almas jovens lutarem tanto com coisas que são patentemente, obviamente verdadeiras e claras. Elas não aprenderam a fluir, o segredo da vida. Eles estão sempre nadando contra a corrente, lutando, lutando.” Tracy Finklang, usuária do Facebook

11. “A sensação de que você realmente não pertence a lugar nenhum, e não entender como algumas pessoas podem ser tão insípidas, superficiais e fracas.”Dawn Johnson-Deal, usuária do Facebook

12. “As pessoas não entendem que não preciso me divertir o tempo todo. Eu estou bem sozinha em casa.”Amy Rauton DeLoach, usuária do Facebook

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Foto: Difusión

13. “Para mim, é difícil compreender as motivações das pessoas da minha idade, tais como seus objetivos e as prioridades que afetam suas decisões. Fico muito presa na minha cabeça, porque, enquanto meus amigos estão OK com a ideia de viver sem preocupações, sempre me seguro e olho para o plano potencial de longo prazo e para minhas alternativas se as coisas não derem certo na primeira vez.” — Rachel Lucht, usuária do Facebook

14. “Me sinto mentalmente superior. É um elogio.” — Alison Faye, usuária do Facebook

15. “Ninguém acredita em mim quando digo: ‘Eu sei’.” — Sarah Gentry

16. “Ser uma alma antiga me fez extremamente sensível, o que causa ansiedade. Não posso compartilhar meus pensamentos mais profundos com a maioria das pessoas, porque eles não ‘entendem’, e isso pode ser difícil.” – Allison Chrun, usuária do Facebook

17. “Me sinto meio responsável. E isso me faz sentir a necessidade de ser mais madura. Realmente gostaria que as pessoas achassem que eu sou adulta, mas é um ato de responsabilidade.” — Meenu Aswad, usuária do Facebook

18. “Encontrar pessoas parecidas, ser considerada amarga, porque você pode enxerga a imagem inteira e as coisas nem sempre são o conto de fada em que as pessoas querem acreditar, decepcionar-se regularmente com seus pares, porque eles ainda são muito infantis.” — Meg Ash, usuária do Facebook

19. “Muito do que a sociedade dominante se esforça para conseguir parece bobo.” — Carolyn Dougharty, usuária do Facebook

20. “Estar cercada de gente (tanto pessoas queridas e aquelas de quem não gosto muito) que simplesmente não enxerga o outro lado de qualquer situação, ou se recusa a fazê-lo. Sinto que estou falando uma língua estrangeira… Ser lógico e compreensivo poder ser solitário.” — Felice Ford, usuária do Facebook

21. “As pessoas me procuram para conselhos sábios e aí decidem não colocá-lo em prática… Não ser levada a sério é desanimador.” — Cassie Stef, usuária do Facebook

Fonte indicada: Brasil Post

Os nós, os laços e as nossas escolhas

Os nós, os laços e as nossas escolhas

Basta fechar os olhos e evocar uma lembrança afetiva. Uma manhã morna num parque cercado de eucaliptos úmidos, cujas folhas agulhadas ainda retêm gotículas da chuva da noite. O toque da água fria do mar na pele aquecida pelo sol; os pés pisando o chão de areia granulada, a onda quebrando contra o corpo, o mergulho. A sensação de calor e deleite de estar envolvido pelos braços de alguém a quem amamos; o calor do encontro entre os corpos, o perfume reconhecido, o ritmo dos batimentos dentro do peito. Somos seres sensoriais, uma mistura de cheiros, sons, imagens e texturas. E uma pergunta nos inquieta: tudo o que vemos, ouvimos e sentimos existe de verdade? Ou é a nossa interpretação do mundo que cria a realidade?

Segundo Lacan, o real, o simbólico e o imaginário, estão de tal forma entrelaçados em nossa estrutura psíquica que se um deles deixa de exercer força sobre os outros dois, há um nó que se desmancha, os elos ficam soltos e caem apartados, deixando-nos desestruturados, porém libertos. O real é o que já existia antes de nós o interpretarmos; ele não depende de ninguém para se manifestar. O campo do real é o campo da “coisa”; daquilo que é nomeável e escapa à simbolização. Isto é, pode ser descrito por palavras. “Aconteça o que acontecer, amanhece”. O real existe por si mesmo, escapa ao nosso desejo e ao nosso poder. Queira ou não, o sol se põe e nasce. O instinto de sobrevivência pertence ao real. Diante do perigo iminente reagimos, ficamos em alerta, prontos para enfrentar ou fugir. O real, do ponto de vista da Psicanálise, é um conceito que produz uma significação diferente do que denominamos realidade. Real não é a mesma coisa que realidade. A realidade precisa dos três campos ou dimensões para existir. O real não precisa dos outros campos, pois ele basta a si mesmo.

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O imaginário é o real subvertido à nossa ordem, ambição ou desejo. Por volta dos seis meses de idade, a criança consegue olhar sua imagem num espelho e reconhecer-se como aquele que a contempla do outro lado. Essa visão infantil de si mesmo é o nosso imaginário desenhando à nossa frente uma reprodução de nós mesmos. Uma ideia perturbadora é a de considerar que a imagem que vemos no espelho pode ser absolutamente diversa da imagem que o outro vê quando olha pra nós. Nunca saberemos como somos fisicamente, de fato, aos olhos do outro. A coisa fica ainda mais complicada quando descobrimos que cada um também nos vê de acordo com a sua simbologia ou perspectiva. Louco, né? Ainda bem que é! Afinal, aquelas sardas que nos incomodam tanto podem ser o nosso ponto de atração para o outro. A boca que achamos grande demais para o nosso rosto pode ser vista como atraente, voluptuosa, sensual… Vai saber! Por isso é tão comum implicarmos com a nossa imagem estampada numa foto. Quando você se olha no espelho, e você faz isso com frequência, aquele ser ali do outro lado já é meio familiar para você. Você já se acostumou com suas imperfeições e assimetrias. Só que, no espelho, você vê a sua imagem invertida; e, na foto, você vê o que os outros veem. Sim, está ficando cada vez mais difícil! Mas, não se desespere… É assim para todo mundo; até para a Giselle Bündchen que, inclusive, decidiu se aposentar!

Não menos desconcertante é a percepção da sua voz! A voz é real certo? Mais ou menos. Quem nunca ficou impressionado ao ouvir sua própria voz numa gravação? Aquela sensação de “Credo! Não acredito que minha voz é assim!”. Então, acontece que é! A voz que ouvimos quando falamos, não é a mesma voz que aquele (coitado ou abençoado!), que conversa conosco, ouve! O som pode chegar aos nossos ouvidos de duas maneiras diferentes: conduzido pelo ar ou pelos ossos. Na condução pelos ossos, a transmissão do som vai das nossas cordas vocais para a cóclea, estrutura em forma de caracol, localizada nas profundezas de nosso ouvido e responsável pela captação do som. A frequência desses sons enviados por nossas cordas vocais é diminuída ao longo do caminho e é por isso que nossa voz, quando gravada, nos parece mais aguda, porque a ouvimos com a frequência de sons normais, pois são enviados pelo ar. E é por isso que, de acordo com o professor de psicologia da Universidade de Glasgow, pesquisador de percepções vocais, Pascal Belin, “nós nunca ouvimos nossas vozes como as outras pessoas ouvem, por isso nossa surpresa ao ouvir uma gravação”. A otorrinolaringologista Chris Chang, de Virgínia, EUA, endossa a teoria do professor Belin e explica que quando ouvimos nossa voz gravada o processo de recepção do som não tem mais a ver com a cóclea, mas com o ar. A voz que ouvimos gravada é a voz que todas as outras pessoas ouvem. Portanto, se você se diverte muito cantando no chuveiro é melhor não gravar a cantoria e conservar a diversão.

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Ainda na esfera do imaginário, nascem nossas demandas e, como consequência, nossas frustrações. O anseio por carinho, afeto, reconhecimento e aceitação são demandas essenciais que constituem a nossa natureza humana. Quando nossas demandas são contempladas, somos felizes. A privação da demanda nos faz sentir tristeza, dor e abandono. Esse caldo de satisfações e frustrações vai constituindo a nossa maneira de ler, interpretar e interagir com o mundo e com as pessoas nele inseridas. É por meio do simbólico que construímos nossas relações. O simbólico é o campo da linguagem, das palavras, dos sons, conceitos e ruídos que vão se transformando em símbolos à medida que os interpretamos. O ser humano socializado aprende a adiar o desejo ou impedir a sua realização. O processo de socialização baseia-se na castração do desejo para a realização da convivência. No terreno do simbólico os desejos humanos incluem a realização como pessoa e como profissional; além do desejo de descobrir, inventar, criar, tomar iniciativa, participar, amar, compartilhar. A realização dos desejos exige trabalho, persistência, perseverança, esperança, motivação; é um processo, não acontece por magia ou milagre. Sua realização dependerá da atuação em equipe das nossas potencialidades reais, mais a ousadia do imaginário, a criatividade do simbólico e a plasticidade da perspectiva.

Cada um de nós hierarquiza as três dimensões (real, imaginário e simbólico) de forma diversa. Aquele que apresenta predominância do campo real será mais bem sucedido em atividades que envolvam curar, construir, reparar. Essas pessoas têm um mecanismo de funcionamento mais técnico, racional e objetivo. Se, entretanto, a pessoa tiver predomínio de registros do campo imaginário, sua atuação será extremamente eficiente em atividades voltadas para harmonização e equilíbrio, quer seja do indivíduo ou do ambiente. Essas pessoas são mais afetuosas e disponíveis emocionalmente. Se por outro lado, o campo do simbólico predominar na estrutura psíquica do indivíduo, ele se voltará para atender a sociedade no sentido de promover crescimento, realizações e terá ampliada a capacidade para criar.

O real, o imaginário, o simbólico. Faces de nós mesmos que se alternam a depender do quanto estamos aptos para atender e entender nossas próprias demandas em conexão com as demandas do outro. Voltando a Lacan, temos um nó formado por três elos que se apoiam e se conectam para que sejamos capazes de mixar nossos registros e fazer uma interface, na constituição de uma teia complexa de relação com o mundo. Somos algo semelhante àqueles globinhos recobertos por retalhinhos de espelho. A cada sombra ou luz projetada, exibiremos uma nova versão de nós mesmos que pode nos parecer estranha, mas profundamente familiar ao outro e vice-versa. O fato é que nunca saberemos o que somos na realidade aos olhos de quem convive conosco. A saída é olhar com generosa atenção para o tipo de reação que provocamos. Talvez aí esteja a chave. Não para resolver esse dilema. Mas para nos tornarmos menos distorcidos e sedimentados. Afinal, generosidade é dar mais do que se espera de nós; é ir além da expectativa do outro; é nos comprometermos por transformar esse nó em laço. Afinal, independentemente da perspectiva, os laços são muito mais interessantes e transformadores do que os nós.

Unicórnio de Porcelana: curta-metragem de 3 minutos que te emocionará.

Unicórnio de Porcelana: curta-metragem de 3 minutos que te emocionará.

“Menino alemão encontra criança judia escondida em um armário. Suas histórias são traçadas pela presença de um unicórnio de porcelana.”

Filme vencedor em 2010 do prêmio Phillips tell it your way competition, de melhor curta-metragem

Tem a duração máxima de três minutos e um mínimo de diálogos. Entretanto, a força da mensagem é sem tamanho.

5 frases típicas de um chefe fraco e inseguro

5 frases típicas de um chefe fraco e inseguro

1 – “Aqui, quem manda sou eu”

Essa é clássica e muito presente na vida de uma equipe aos cuidados de um chefe fraco e inseguro. É uma das mais rudimentares formas de autoafirmação, bradadas por chefes sem moral em busca de intimidar suas equipes a fim de conquistar uma migalha de atenção. Se você tem um chefe desses, só lamento. Tomara que você também não seja tão fraco como ele e escolha viver se sujeitando a levar essa na cara todos os dias. Sugestão: chefes fracos, quando percebem que você não se intimida (mas, ao contrário, respeitosamente, olha em seus olhos durante uma conversa franca), logo desiste de esbravejar e lhe escuta. Em alguns casos, ficará muito clara a fraqueza dele, pois diante do confronto respeitoso não sabe o que dizer, sua olheira escurece, gagueja, treme e quase baba na gravata.

2 – “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”

Essa é uma das principais diferenças entre um chefe e um líder. O líder lidera pelo exemplo, enquanto o chefe acha que só será respeitado e honrado pelo poder hierárquico. Geralmente, chefes assim estão acomodados e odeiam seu trabalho, não são nem um pouco comprometidos com a empresa e logo deverão ser substituídos. Caso contrário, representam uma excelente oportunidade para você mostrar seu trabalho e sua competência. Destacar-se com chefes acomodados é bem simples, pois seus resultados logo serão percebidos e esse chefe acomodado sairá de seu caminho.

3 – “Não está satisfeito, a porta de saída fica bem ali”

De novo, é um perfil que aposta que na intimidação conseguirá chicotear a sua equipe para atingir suas metas. No fundo, morre de medo de sua equipe ir embora, pois, se isso acontecer, ficará em maus lençóis com seus superiores. No fundo, é fraco, preguiçoso e usa essa estratégia medíocre por considerar ser o caminho mais fácil para que ele alcance seus objetivos. Minha sugestão é, mais uma vez, de forma sempre respeitosa, olhar no olho, sem se intimidar, e ter uma conversa franca. É impressionante como chefes fracos podem ser facilmente liderados por seus subordinados.

4 – “Você não é pago para pensar. Você é pago para fazer o que eu mando”

Esse perfil é geralmente centralizador. Não gosta de novas ideias porque é inseguro, tem medo de perder seu espaço e preguiça para sair de sua zona de conforto, onde domina todos os processos. Talvez esse seja um dos perfis mais danosos para um jovem promissor, pois corta na raiz sua chance de ser mais criativo e o coloca dentro de uma caixa hermeticamente fechada. Minha sugestão é que você procure outra empresa para trabalhar ou então assuma o risco de desenvolver processos diferentes que alcancem maiores resultados e assim ganhe a confiança dele. Mas, de novo, é um risco, pois isso não significa que isso vai agradá-lo e você ainda fica exposto a uma demissão por insubordinação.

5 – “Estou aqui há mais de 10 anos fazendo isso e você vem com novas ideias pra reinventar a roda?”

Esse é o chefe limitado. Ele sequer tem vergonha de dizer que está há 10 anos fazendo a mesma coisa. Essa frase, no entanto, não expressa intimidação. Por isso, ele pode ser mais flexível a ser convencido a implantar seu projeto. Chefes limitados geralmente são muito gente boa. Investir num contato mais próximo a fim de conquistar a sua confiança pode ser a melhor estratégia para introduzir novas práticas sugeridas por você. E ele fará questão de divulgar que a ideia foi sua.

Feliz é aquele que encontra em seu caminho um líder. Alguém que estimula sua criatividade, que antes de tudo dá exemplo e através dele extrai o melhor de sua equipe. O líder entende que sua missão é prover sua equipe de inspiração, visão macro da organização e sabe que não adianta usar de subterfúgios mentirosos para motivar os integrantes de seu time. O líder aplaude a equipe pelas vitórias e assume a responsabilidade pela derrota. Ele tem prazer na vitória de seus alunos e, com isso, alcança maiores resultados para a companhia.

Nunca encontrou um líder em seu caminho? Então seja você esse líder!

Artigo publicado originalmente no Geração de Valor e cedido gentilmente ao Administradores.com.

Fonte indicada: Administradores.

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