Tome cuidado com as maldades camufladas e com os abraços que apunhalam

Tome cuidado com as maldades camufladas e com os abraços que apunhalam

Existe muita gente boa no mundo, mas o que também há de pessoas ruins é incrível. Não se passa um dia sem que nos decepcionemos com alguém, sem que não nos surpreendamos com alguma atitude que não esperaríamos de determinada pessoa, sem que não nos deparemos com alguma manchete absurda nos jornais.

Apesar de sermos seres racionais, muitas vezes agimos irrefletidamente, apenas seguindo o impulso, esquecendo-nos de pensar sobre as consequências do que fazemos, do que dizemos, sem levar em conta os sentimentos alheios. Mesmo sofrendo, mesmo sabendo como dói viver, muitos de nós não nos importamos com a dor do outro, nem mesmo com a dor por nós causada.

Não dá para entender, por exemplo, o prazer que possa trazer a destruição da imagem do outro, mesmo que às custas de inverdades. Não é raro, nesse sentido, surgirem polêmicas envolvendo quem está se destacando em algum setor da vida, quando se espalham boatos que podem macular a imagem de quem brilha, principalmente na mídia e na política.

Isso se constata rapidamente ao prestarmos atenção nos participantes do programa BBB, que, mal surgem na telinha, já têm seu passado vasculhado e polemizado por internautas. O julgamento do outro parece ser um comportamento recorrente, como se ninguém houvesse errado, como se a perfeição fosse uma possibilidade. O que importa mesmo é acabar com a vida de quem se destaca, porque a muitos é insuportável assistir ao sucesso de quem fez por merecer.

Por essa razão é que devemos ter cuidado com as pessoas, no sentido de nos precavermos de gente ruim, que não sabe ser sincera, que não age sem querer algo em troca. Há muitas pessoas que são infelizes e não suportam que ninguém mais seja feliz. Invejam o outro e, em vez de tentar conquistar e chegar lá onde a pessoa está, apenas tentam destruir quem é feliz. É preciso, pois, cautela – como nos ensinam as escrituras, “orai e vigiai”.

Imagem de capa: frankie’s/shutterstock

Os 9 tipos de personalidade do Eneagrama. Qual será o seu?

Os 9 tipos de personalidade do Eneagrama. Qual será o seu?

Em 1970, o médico psiquiatra Claudio Naranjo correlacionou os tipos do eneagrama às características psiquiátricas que conhecia. Segundo ele, as pessoas possuem tipos dominantes de personalidade.

Abaixo, seguem os 9 tipo segundo o site SBie. Qual será o seu?

Tipo 1 – Perfeição

Organizado, disciplinado e responsável, este indivíduo tende a focar sua atenção no erro e nas coisas que precisam de correção. O perfeccionista reprime seus impulsos e desejos para manter uma postura correta na vida, está sempre monitorando o comportamento dos outros e suas próprias ações. Seu maior desafio é calar suas críticas internas e desenvolver a autoaceitação.

Tipo 2 – Doador

Generoso, colaborador e atencioso, o doador concentra sua atenção nas coisas que as outras pessoas desejam e precisam, negligenciando suas próprias necessidades. Este indivíduo faz de tudo para ser indispensável para quem é importante em sua vida, transformando-se naquilo que os outros esperam que ele seja. Seus principais desafios são receber e dar apoio apropriado, além de conseguir tomar decisões com liberdade.

Tipo 3 – Desempenhador

Autoconfiante, eficiente e cheio de energia, essa pessoa tende a focar excessivamente nas tarefas e metas, deixando de lado seus sentimentos. Ao fugir do fracasso e buscar a aprovação dos outros, o desempenhador acaba se tornando muito competitivo, ambicioso, impaciente e workaholic. O maior desafio enfrentado por este indivíduo é construir a confiança.

Tipo 4 – Romântico

Calmo, paciente e altamente emotivo, o romântico sente que algo importante está faltando em sua vida. Este indivíduo está frequentemente se comparando às outras pessoas e, consequentemente, acaba desapontado consigo mesmo e com os outros. Seu desafio é apreciar o que está presente e manter uma liderança firme, apesar da alternância de sentimentos.

Tipo 5 – Observador

Inteligente, observador e cheio de boas ideias, este indivíduo tende a se isolar das pessoas para ter privacidade e ser autossuficiente, reduzindo seus desejos e adotando uma vida simples. O observador substitui experiências reais por uma vida mental, armazenando conhecimento e observando o mundo à distância. Seu maior desafio é sustentar a conexão com as pessoas e manter-se envolvido com a vida.

Tipo 6 – Questionador

Cauteloso, fiel e cooperativo, o questionador está sempre imaginando o pior e evitando tudo o que pode dar errado ou ser perigoso. Este indivíduo evita correr riscos e torna-se vigilante e ansioso, apresentando dificuldade em confiar nas pessoas e nas situações. Em geral, esta é uma personalidade que tende a ser pessimista e não consegue reconhecer as coisas positivas que acontecem em sua vida. Seus desafios são construir a confiança e seguir adiante, apesar da dúvida e da incerteza.

Tipo 7 – Entusiasta

Inovador, disposto e divertido, o entusiasta tende a se dispersar e buscar opções mais prazerosas em tudo o que faz, muitas vezes perdendo o foco e o comprometimento. Esta é uma pessoa que foge compulsivamente da dor e do desprazer, mantendo várias opções em aberto e levando a vida em ritmo de aventura. Seus maiores desafios são manter compromissos e vínculos e reconhecer a dor e as limitações.

Tipo 8 – Patrão

Resoluto, determinado e autêntico, este indivíduo comete excessos e exagera no exercício do poder e da dominação. Esta é uma personalidade que foge da vulnerabilidade, tende a negar suas fraquezas e costuma defender aqueles que são mais fracos. Além disso, essa pessoa expressa sua raiva de maneira direta e confrontadora, podendo tornar-se intimidativo. Seus desafios são aplicar poder e controle de maneira proporcional às situações.

Tipo 9 – Pacificador

Calmo e paciente, o pacificador costuma se perder nos pedidos e demandas das outras pessoas, esquecendo-se do que é fundamental para si mesmo. Este indivíduo foge de conflitos e tem imensa dificuldade para falar não. Em geral, ele prefere situações familiares e que tragam conforto, contendo sua energia e sua raiva. Seus desafios são traçar prioridades e limites, além de expressar suas próprias visões.

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Você é solitário? O seu cérebro é especial

Você é solitário? O seu cérebro é especial

Uma pesquisa revela que as pessoas que preferem estar sozinhas veem as coisas de outra forma e têm o poder de decisão ou de análise diferente dos outros. Por outro lado, os solitários apresentam uma menor atividade na zona do cérebro relacionada ao sistema de recompensas. Ainda não se sabe o que acontece primeiro: se o isolamento ou a mudança na ativação.

Um indivíduo solitário pode ser assim por decisão própria ou por culpa dos outros. Isto é, alguém pode dizer que se sente melhor se passa a maioria do tempo longe da companhia dos outros, ou pode ser que apesar de não querer isto, não encontre com quem passar as suas horas. Seja de uma forma ou de outra, o cérebro das pessoas solitárias tem uma influência relevante.

As recompensas e o cérebro solitário

Segundo um artigo do Journal of Cognitive Neuroscience, a região do cérebro chamada de “corpo estriado” tem menos atividade nas pessoas que são solitárias. Esta área está associada a certas recompensas cotidianas, como por exemplo o dinheiro e a comida.

Para chegar a esta conclusão foram agrupadas 23 estudantes universitárias, às quais foi aplicada uma série de perguntas para descobrir em que grau se sentiam isoladas socialmente, em que nível eram pessoas solitárias e em que nível desfrutavam e procuravam o contato social.

Depois foram escaneados os seus cérebros enquanto olhavam fotografias de pessoas felizes. Dessa forma, descobriram que naquelas alunas que não tinham uma vida social intensa a área de “recompensa” ficou menos iluminada, sinal de menor ativação.

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Como a amostra deste estudo era pequena e muito restrita quanto à variedade de certos parâmetros, como a idade, dedicação e sexo, os autores pediram nas conclusões da própria pesquisa que estas fossem interpretadas com a prudência que o erro do estudo determinava.

Os cientistas encarregados da experiência trabalharam as seguintes hipóteses: em uma pessoa solitária, ao depender menos da sociedade, as recompensas relacionadas a este contexto não despertam nenhum entusiasmo.

Solidão, introversão e percepção

Ainda não foram realizadas pesquisas suficientes para ter as características cerebrais bem definidas daqueles que preferem a solidão. Contudo, apesar da literatura neste campo não ser extensa, já foram descobertos resultados curiosos.

Por exemplo, já se demonstrou que existe uma estreita relação entre a introversão, a criatividade e a originalidade. Por sua vez, surpreende o fato de que os solitários desfrutam uma maior satisfação ao obterem resultados dos seus “esforços mentais”.

Segundo a psicóloga do National Institute of Health de Maryland, Amanda Guyer, as pessoas socialmente retraídas tem maior sensibilidade às interações sensoriais e emocionais. Isto significa que o que acontece neste contexto de interação as afeta mais.

Para chegar a esta teoria a pesquisadora projetou um estudo com dois grupos de crianças: alguns reservados e outros não. Todos deviam participar de uma brincadeira onde ao pressionar um botão ganhavam dinheiro. Os retraídos tiveram até três vezes mais atividades cerebral – região estriada – que os membros do outro grupo.

O seu cérebro se ativa mais em situações de contato social

Uma das situações pelas quais os solitários precisam passar é se ver em meio a uma reunião, festa ou evento que implique estar perto de outras pessoas. Nestas situações, certas áreas do cérebro aumentam notavelmente o fluxo de sangue experimentando uma espécie de superexcitação. Esta poderia ser uma das razões pelas quais os tímidos não gostam de socializar.

Contudo, nem tudo são notícias ruins. As pesquisas sugerem que o cérebro de uma pessoa introvertida tem a capacidade de se adaptar a diversas experiências graças a sua sensibilidade adicional. Por causa disso, por exemplo, podem responder mais rápido em momentos em que surge uma elevada demanda social, como certas situações de emergência.

Por fim, vale a pena dizer que os tímidos são bons em perceber sutilezas ou detalhes que os outros ignoram. Por isso costumam ser bons escritores, pintores ou testemunhas, já que o seu cérebro está apto a isto. De fato, a genialidade, além de estar associada a um certo grau de loucura, está associada à solidão.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Imagens:  Meaning/shutterstock

Às vezes, o dom de alguém é cuidar de outra pessoa

Às vezes, o dom de alguém é cuidar de outra pessoa

Todo mundo conhece aquela pessoa que sempre está pronta para ajudar, para tomar decisões, para se doar. Com ela, sabemos que poderemos contar, e para ela poderemos ligar, a hora que for, que receberemos atenção. Essas pessoas nunca se cansam, não desistem dos outros e por isso são tão essenciais, tão amadas e especiais.

Quando estamos diante de algum problema, quando surgem imprevistos, quando não há mais a quem recorrer, sempre teremos alguém que nos ouvirá e tentará encontrar uma saída, aliviando-nos os passos, ajudando-nos, com disposição e sorriso sincero. Mesmo que estejam em meio a alguma turbulência de suas próprias vidas, existem pessoas que conseguirão estender as mãos em direção ao que está além do seu próprio mundinho.

Quem já teve ou tem alguém enfermo na família bem sabe o quanto é necessário que haja uma pessoa disposta, que toma a frente das decisões e se prontifica com empenho nos cuidados para com quem está precisando de ajuda, de médicos, de remédios, de atenção. Mesmo com as atribulações que a vida traz, existe quem possui o dom de encontrar tempo para se dedicar à vida de outra pessoa.

Em meio às tempestades que chegam repentinamente, muitos de nós ficamos desorientados e inertes, como que paralisados, sem saber o que fazer. No entanto, quem nasce com o dom de ajudar saberá exatamente quais atitudes deverão ser tomadas, quais palavras serão providenciais, acalmando-nos e deixando-nos mais seguros para encarar tudo aquilo que tanto nos assombra naquele momento inicial.

Sim, teremos que nos forçar à doação de nosso tempo, de nossa lucidez, de nossa vida a quem precisa de nós, porque ninguém há de viver somente fazendo o que quiser todo o tempo. Nem para todo mundo cuidar do outro é algo tranquilo e prazeroso, mas doar-se é necessário, porque poucos estarão prontos para abraçar a dor alheia quando ela se fizer presente. Por isso mesmo é que quem tem o dom de cuidar de alguém é tão especial, essencial e digno de admiração e gratidão. Sempre.

Imagem de capa: ESB Professional/shutterstock

Serendipity: Confie no poder de conspiração do Universo

Serendipity: Confie no poder de conspiração do Universo

Dia desses revi uma comédia romântica no Netflix e, mesmo que eu já conhecesse o enredo, por ter assistido ao filme no cinema com meu marido em 2001, me surpreendi com o significado de uma palavra que define o filme, e que é pouco conhecida aqui no nosso país. A palavra Serendipity, de origem inglesa, significa “feliz acaso” e poderia explicar a sorte de encontrar algo precioso que não estávamos procurando. No filme, intitulado “Escrito nas estrelas” em português, Sara Thomas (Kate Beckinsale) espera que o universo conspire a favor dela e confirme seus sentimentos por Jonathan Trager (John Cusak). Para isso, ela desafia as possibilidades reais de um reencontro com aquele que seria seu escolhido e espera que o acaso _ ou “Serendipity” _ os aproxime. Ela diz que se eles tiverem que ficar juntos, eles encontrarão o caminho de volta para a vida um do outro.

Há tempos carrego comigo uma curiosidade acerca das coincidências, sincronicidades ou acasos que permeiam nossas vidas, como se o Universo confirmasse ou desconfirmasse nossas ações e desejos. Já falei disso aqui quando contei que minha casa me achou, num dia em que me perdi voltando do shopping e me deparei com a casa à venda, aberta a visitas. Eu tinha acabado de dar à luz, e tinha ido ao shopping comprar um vestido para o casamento do meu irmão. Perdida, ansiosa para retornar ao meu apartamento, tive o impulso de descer e conhecer a casa. Porém, não tinha a intenção de me mudar! Anos depois, quando decidimos deixar o apartamento e ir para um lugar maior, me lembrei do fato e voltamos à casa. Estava desocupada, e compramos. Se isso não é um “feliz acaso” ou “Serendipity”, não sei o que é!

Dizem que a invenção do Post-it foi assim, do mesmo modo que a descoberta da Penicilina e o “encontro” da América por Colombo. O que nos leva a crer que na vida precisamos andar atentos e abertos à interferência do acaso, dando vazão à intuição e entendendo que às vezes o Universo conspira a nosso favor, modificando e alterando nosso curso nas entrelinhas da rotina, muitas vezes contrariando aquilo que realmente buscamos. Ele nos mostra possibilidades novas e muitas vezes lindas durante os desvios de rota ou pequenas tempestades que atravessamos.

Às vezes você está atravessando um período tenso de sua vida, e no meio do caos você não enxerga os “felizes acasos” que estão ocorrendo. É como quando você se perde no trânsito, e o desvio de rota lhe conduz a um mirante lindo, com vista para a praia. Você pode decidir que aquilo foi uma benção, descer do carro e apreciar a vista, ou pode se lamentar e perder a oportunidade que o Universo lhe dá. Do mesmo modo nos relacionamentos. De vez em quando focamos tanto em nossas vontades, em nossas intenções, que não percebemos aquilo que o Universo quer nos comunicar. Os imprevistos da vida podem ser grandes bênçãos se a gente deixar.

Conheci meu marido em 1997, no meu primeiro local de trabalho. Eu não tinha ideia do conceito de Serendipity, e desconhecia os sentimentos dele por mim. Mas algo me dizia que aquele olhar terno que me cumprimentava cordialmente pelos corredores do Centro de Saúde carregava um brilho diferente, até mesmo mágico. A minha intuição se confirmou três anos depois, quando ele me chamou para sair e confessou que há anos pensava em nós dois. Nos casamos um ano depois, e lá se vão dezessete anos. Tenho certeza que estava “escrito nas estrelas”, e por mais que tivéssemos tido relacionamentos anteriores, cujos términos nos trouxeram grandes sofrimentos, foi um “feliz acaso” termos ido trabalhar no mesmo local, e estarmos abertos aos sinais.

Sinais… É muito importante estarmos atentos aos sinais. E para isso é necessário olhos atentos, ouvidos perspicazes, coração puro e mente aberta. Os “felizes acasos” acontecem para quem sabe reconhecer oportunidades em qualquer casualidade, e para quem consegue atribuir sentido às pequenas coincidências do cotidiano. Não precisamos achar que o Universo só irá conspirar a nosso favor se encontrarmos o nome de nosso amado escrito numa nota de um dólar, mas podemos sim reconhecer pequenos sinais que nos aproximam ou desviam de nosso caminho, mostrando que nem tudo é regido pelas nossas vontades ou intenções, mas que, ao contrário, há coisas que ninguém explica. Elas simplesmente acontecem, aleatoriamente, livremente, e nos conduzem a um lugar novo, muitas vezes melhor.

Finalmente, temos que reconhecer o poder de nossos sentidos. O poder que uma canção, um pôr do sol, uma refeição… tem de nos mobilizar e nos aproximar daquilo que precisamos aprender. Quanto mais sensíveis somos, mais atentos ficamos à letra de uma música, à beleza de uma paisagem, ao sabor de um prato. E isso nos torna mais intuitivos, mais sincronizados com a eternidade, mais aptos a reconhecer os presentes de Deus em nossas vidas. Às vezes você liga o rádio do carro e, justamente naquele dia em que precisa de uma resposta, toca uma música significativa. Vai á padaria, e enquanto está na fila, sente um perfume conhecido. Abre um livro e encontra uma solução nas entrelinhas. Você pode chamar de um amontoado de coincidências ou de oportunidades que o Universo lhe dá. Cabe a você ignorar os sinais ou, atento às descobertas felizes que ocorrem quando você não está procurando, chamar de “feliz acaso” ou Serendipity…

Imagem de capa: Divulgação do filme “Serendipity”

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Tudo o que engolimos durante o dia se torna a insônia da madrugada

Tudo o que engolimos durante o dia se torna a insônia da madrugada

Estamos cansados de saber que silenciar sentimentos faz mal e adoece. No entanto, nem todo mundo consegue expor o que sente, falar o que incomoda a quem precisa ouvir, pois muitos fatores compõem a personalidade de cada pessoa. Além disso, existe uma diferença entre ser sincero e ser agressivo, o que intimida ainda mais alguns indivíduos, que temem magoar o outro.

Inúmeros artigos, livros e vídeos comportamentais nos alertam para a necessidade de falarmos o que pensamos, de nos colocarmos diante de quem agride, de chorarmos quando estivermos tristes, enfim, a regra é clara: em certas ocasiões, ou superamos o silêncio, ou o silêncio nos engole. Nem tudo cabe dentro de nós, nem todos os sentimentos irão se acomodar confortavelmente em nosso íntimo, por isso é que a atitude de expressar-se e deixar bem claro os próprios limites é tão providencial.

Tudo o que vai se acumulando dentro de nós acaba por pesar, por incomodar, pois ninguém consegue simplesmente enterrar o que incomoda, em segredo. Não se colocar, não falar o que pensa equivale a anular-se, a se tornar alguém invisível – e ninguém presta atenção em quem não parece existir. Dessa forma, seremos alvos daqueles que necessitam humilhar e agredir o próximo, para fugir ao enfrentamento de si mesmo.

Vale lembrar que tão importante quanto dizermos o que incomoda é a forma como o fazemos. Caso sejamos destemperados e agressivos, provavelmente nos arrependeremos mais tarde e de nada terá adiantado nos expressarmos, pois carregaremos um novo sentimento de culpa. Além disso, é preciso escolher a quem poderemos expor nossos sentimentos, para que não os usem contra nós mesmos, da pior forma possível.

Uma coisa é certa: todos os sentimentos amargos que engolimos durante o dia acabam não sendo digeridos e se tornarão problemas, que deverão ser encarados lá na frente. O melhor sempre será tentarmos resolver as pendências o quanto antes, sejam elas da vida, sejam emocionais, porque postergar as soluções equivale a postergar a felicidade. E a felicidade é urgente e necessária, todos os dias, todas as noites, para dormirmos profundamente e acordarmos renovados.

Imagem de capa: Stock-Asso/shutterstock

Saudade tem sono leve

Saudade tem sono leve

Saudade é um sentir que atinge principalmente os corações que cultivam apreço pelas coisas vividas. Mário Quintana disse que “a saudade é o que faz as coisas pararem no Tempo.” Mas só vale a pena se isso for feito de um jeito bom, é claro.

O fato é que ela tem um poder encantador de nos transportar para dentro de nós, de volta para o que já nos pertenceu um dia, mas que agora parece distante demais.

A saudade tem sono leve, levíssimo, e muitas coisas a fazem despertar dentro da gente: o barulho suave da chuva caindo lá fora, descanso no banco da varanda, um travesseiro macio no fim do dia, momentos de reflexão solitária.

Às vezes, ela desperta calma e silenciosa, quase sorridente. E, de repente, nos traz aquelas lembranças boas: o cheiro da comidinha da vó que não está mais entre nós; os natais e festas em famílias; os amigos que viraram pássaros e decidiram migrar para longe; as saudade do tempo em que éramos felizes e não sabíamos, ou pelo menos, quando achávamos que as coisas eram assim.

Por vezes gostaríamos que a saudade tivesse poder de máquina do tempo e nos levasse até aquele momento, ou àquele alguém que ficou para trás, mesmo que fosse para uma última vez.

Mas, se for mal acordada, ela pode ser um turbilhão capaz de nos deixar desatinados. Porque nem sempre a saudade nos remete a momentos felizes, ainda que gostássemos que essa fosse a regra. Algumas lembranças causam dor, pois armazenamos com elas todos os traumas, medos e decepções sofridos, embora saibamos que não devíamos deixá-los ir tão fundo, dentro de nós.

É uma pena dizer que nem todos sabem ser saudosos. Tem gente que se despedaça demais diante de uma lembrança. E acaba ficando difícil colar os cacos porque a pessoa vive se quebrando, cada vez que a saudade desperta dentro dela.

Essa saudade doída precisa ser curada e o tempo é um dos aliados nesse processo. Conforme avança ele tem o poder de recolorir as memórias. E torna-se desnecessário fugir a cada lembrança: aprendemos a conviver pacificamente com elas.

Em casos mais extremos, existe a possiblidade de assumir que passado é passado e que se ele causa dor, pode permanecer em sono profundo, sem necessidade de despertar.

Mas, se as lembranças são queridas, dos tempos idos de escola, daquele primeiro amor com ares de inocência, das escaladas em árvores e brincadeiras de roda, ou outras memórias que sejam gostosas de guardar, deixe que despertem de vez em quando. Elas sempre trazem um pouquinho de felicidade quando acordam.

Rubem Alves ensinou que “a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”. Que ela nos leve para nossas melhores lembranças e depois, que adormeça para desfrutarmos melhor o tempo presente.

Já sabemos que a saudade tem sono leve e logo, logo despertará novamente.

Imagem de capa: Ollyy/shutterstock

A mediocridade das pessoas

A mediocridade das pessoas

Eu estava refletindo sobre a mediocridade. Você sabe o que é ser medíocre? Muitos pensam que ser medíocre é não ter senso das coisas, ou não gostar de coisas boas e de qualidade, ou não ter sonhos e projetos de crescimento pessoal, etc. Tudo isso tem um pouco a ver sim, mas a definição de mediocridade na sua essência é: Estar no meio de alguma coisa, ou estar entre o bom e o mal. Infelizmente, a maior parte da população, não só no Brasil, mas no mundo todo, pode ser considerada medíocre. Por quê? A própria definição da palavra já diz isso. Eu adoro a forma como Aristóteles a coloca. Ele define o ser humano em três tipos: SÁBIOS, MEDIOCRES E CRETINOS. É uma definição um tanto quanto pesada, mas gosto dela. Leia esta frase dele! “Os sábios buscam a verdade, os medíocres gostam de fatos, os cretinos falam de si”. Reflita sobre essa frase…

O que caracteriza uma pessoa medíocre? Algumas características compõem os medíocres, são: imitação, rotina, viver em grupos de outros medíocres e ser submissos a chefes e patrões. Vou explicar um pouco cada uma dessas características.

São imitadores, fazem tudo que os outros dizem que é para fazer. Por quê? Muito simples. Eles pensam assim: “Os outros fazem, então deve ser uma coisa boa e eu não vou correr o risco de fracassar…”. Grande engano! Esse é um pensamento muito limitador, porque reflete medo de agir e fazer alguma coisa diferente ou arriscada. É bom de vez em quando fazer algo que seja arriscado ou fora dos padrões, porque o crescimento sempre vem com as experiências. Se você faz só o que todo mundo faz para não fracassar, que graça terá a vida? Uma das coisas que detesto são as pessoas metidas a “certinhas demais”, na realidade o que essas pessoas são é MEDROSAS, e escondem seus medos por trás de um comportamento “certinho”. Elas dificilmente vão sentir o verdadeiro sabor que a vida pode oferecer, porque são engessadas e não se abrem para novos horizontes. Detalhe! Não estou querendo dizer que fazer as coisas certas é ruim. Estou querendo dizer que ser certinho demais pode ser um problema, porque a pessoa não se abre a novas possibilidades. Um exemplo clássico são aquelas pessoas com excesso de organização em casa. Elas dizem: “Esse quadro tem que ficar a 1,60 m do chão, perto do sofá e contrastando com a pintura da parede. Nunca tire esse quadro daí, porque esse é o único lugar que ele pode ficar…”, ou “o pano da mesa da cozinha tem que ter tantos centímetros por tantos centímetros, porque se for maior fica feio e se for menor vai ficar mostrando pedaços da mesa, o que é feio também”, meu amigo, sabe o que é feio? Ficar perto de alguém tão chato como você! Ninguém merece um “pé no saco” desses por perto.

Os medíocres não têm a sua própria atitude. Se dizem, “Escuta aquela música ali que é boa!”, ela vai lá e escuta, sem nem prestar atenção na letra. Ou dizem: “Compre aquele livro que ele é bom!”, mais uma vez ela vai lá e compra. Ou dizem “Compra aquela roupa, porque ela tá na moda!”, ela vai lá e compra, fica ridícula nela, mas tem que comprar, porque tem que ser igual a todo mundo. Ou dizem: “vota naquele candidato tal que ele é bom!”, a pessoa vai e vota nele, só depois que passa as eleições ela percebe o ladrão sanguessuga que votou, quando já é tarde demais e não se pode mais voltar atrás.

contioutra.com - A mediocridade das pessoas

São submissos aos seus chefes e patrões. Isso é uma triste realidade da vida. Muitos chefes e patrões são verdadeiros empreendedores e acima de tudo, são muito espertos. Esses sabem quem são os medíocres e utilizam deles para o seu maior crescimento. Muitos dos medíocres não pensam em crescer na vida e se contentam com pouco, eles são alvo fáceis dos caras espertos, que colocam os medíocres para trabalhar com uma coisa que vai lhes render muito dinheiro, enquanto os empregados ficam com as migalhas. A característica de viver em grupos de outros medíocres entra aqui, os patrões tem a vida deles como que em um “universo paralelo”, no qual nenhum dos seus empregados tem acesso, ou seja, tem a divisão do grupo dos patrões e dos medíocres.

Enfim. Vamos refletir sobre a mediocridade! Será que você quer passar a vida inteira fazendo o que todo mundo faz? Você vai querer ser lembrado como alguém que fez diferença no mundo ou como “só mais um na multidão”? Eu quero e estou lutando para não ser só mais um na multidão e quero encorajá-lo a fazer o mesmo. Busque cada vez mais ATITUDE. Queira se aperfeiçoar, ler coisas diferentes, conhecer povos diferentes, culturas diferentes, comidas diferentes, paisagens diferentes, línguas diferentes, etc. Vamos procurar a EXCELÊNCIA, que é uma das palavras mais bonitas para contrapor a mediocridade…

Imagem de capa: Prazis Images/shutterstock

Não posso trair a menina corajosa que mora dentro de mim

Não posso trair a menina corajosa que mora dentro de mim

Na vida a gente se blinda como pode. Como consegue. Como é possível naquele momento que vivemos. Nem sempre nos protegemos da maneira correta, e muitas vezes preferimos nos refugiar em mentiras que nos abraçam e confortam do que encarar uma realidade nua, crua, gelada e dura.

Por algum motivo, de vez em quando a gente aceita ilusões que nos garantem algum bem-estar momentâneo, mesmo que isso nos afaste da verdade, da compreensão da vida e de suas imperfeições. Nos blindamos das decepções, mas não crescemos como deveríamos.

Na vida nos confundimos muitas vezes. Nos confundimos com os sentimentos que as pessoas dizem sentir por nós; nos confundimos com o valor que atribuímos a nós mesmos; nos confundimos ao não enxergar lobos sob a pele de cordeiros. Acreditamos nas histórias que contamos e que contam pra nós, num esforço sobre-humano de sentir que estamos seguros, que nada nos ameaça, que a vida é estática e linearmente perfeita.

Durante algum tempo, essa tática realmente funciona. Porém, quando nos refugiamos em ilusões, não adquirimos compreensão da vida. E compreender a vida, com tudo de bom e ruim que nela existe, aceitando e tolerando aquilo que nos desaponta, decepciona e até destrói um pouquinho, é o que nos faz crescer. É o motor que nos impulsiona pra frente, e nos faz entender que não podemos trair a pessoa corajosa que temos a vocação de ser.

Dentro de cada um de nós existe uma força que precisa ser explorada. Dentro de cada um há uma pessoa corajosa que precisa ser desvendada. Porém, muitas vezes traímos essa pessoa corajosa que carregamos dentro do peito. Traímos quando preferimos nos retrair e aceitar mentiras que nos protegem. Traímos quando preferimos recuar e não enfrentar a realidade dura, mas real, que existe do lado de fora. Traímos quando preferimos nos calar, fingir que não enxergamos, fingir que não ouvimos, fingir que não sentimos. Traímos quando camuflamos nossa insegurança, dúvida e medo de amar com orgulho e falsa indiferença.

Não posso trair a menina corajosa que mora dentro de mim. Não posso autorizar que o medo do sofrimento me afaste da verdade; da autenticidade em todas as relações; da capacidade de me entristecer, emocionar, alegrar ou emburrar diante daquilo que me atinge ou comove. Não posso trair a menina corajosa que escreve cartas, confronta silêncios e desafia mal-entendidos. A menina que aprendeu a crescer com os baques da vida, e por isso não os evita nem os enfeita, e sim os encara como forma de melhor compreender essa aventura linda e apavorante que é a existência.

“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdade, porque não desejam que as suas ilusões sejam destruídas”. Essa frase, do filósofo Nietzsche, serve para qualquer um de nós. Pois em um momento ou outro da vida, todos nós passamos por algum tipo de negação, e isso é perfeitamente normal. A negação é um dos estágios do luto, e faz parte do processo de cura. Porém, com o tempo, a negação tem que dar lugar a outros sentimentos, igualmente curativos, até que se encontre a aceitação da realidade tal qual ela é. Se ficamos estagnados na negação, enxergando apenas o que queremos ver, e não o que está bem à nossa frente, não evoluímos, não subimos degraus, não compreendemos, não agimos de acordo com a realidade, não seguimos em frente.

Quando você se refugia na negação, você se aprisiona. E não dá chance aos recomeços. Porém, quando você rompe com a negação, e decide enxergar as coisas exatamente como elas são, você se autoriza a virar o jogo; a transformar a realidade; a ter outro tipo de vida, de relacionamento, de situação. E só assim descobre que é capaz, que tem coragem, que pode suportar e reiniciar seus passos sem dor, sem desespero, e com muito mais amor…

Imagem de capa: Aleshyn_Andrei / Shutterstock

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Eu quero, eu posso, eu consigo!

Eu quero, eu posso, eu consigo!

No último domingo, fui à igreja com uma amiga. Enquanto assistíamos ao culto dos jovens, sua filha estava fazendo alguns desenhos. Em um de seus desenhos, a garotinha encontrou dificuldades, então a pequena disse à mãe: “Mamãe, não consigo desenhar tal coisa.” Por sua vez, minha amiga respondeu: “Filha, nunca diga que não sabe fazer algo. Você vai conseguir. Você sabe fazer.” A garotinha demonstrou insegurança, mas o que me chamou atenção foi o que minha amiga disse a ela.

Às vezes somos nosso próprio inimigo. Nos autossabotamos quando pensamos que não vamos conseguir fazer algo. Uma vez que fazemos isso, emanamos energias negativas para nos mesmos. E quando fazemos isso, encontramos mais dificuldade ainda.

Precisamos nos tratar com mais amor e ter mais paciência com nossos aprendizados. Achei incrível a forma como minha amiga chamou atenção de sua filha. Além de ensinar nossas crianças desde cedo que não existe a palavra “impossível”, como adultos, temos que aplicar em nossas vidas os mesmos ensinamentos que passamos aos nossos.

É inevitável que encontremos dificuldades no caminho,  entretanto, devemos acreditar em nós mesmos e repetir internamente “eu quero, eu posso e eu consigo.” Uma vez que fazemos isso depositamos nos recarregamos com confiança para enfrentar qualquer tipo de dificuldade. Isso nos fará audazes.

O importante é ter vontade de tentar.

Dificuldades fazem parte do processo de aprendizado, contudo, quando você aprende a fazer algo, jamais se esquece. É igual andar de bicicleta. Nas primeiras pedaladas você precisará de apoio para sair do lugar, mas quando tiver prática andará sozinho e jamais se esquecerá.

Lembre-se que, acreditando em si, você será seu melhor amigo e sua mente encontrará motivação para aprender coisas novas.

A força está dentro de você.

Imagem de capa: VAndreas/shutterstock

Quer ser feliz? Arrisquece-se a ser você mesma.

Quer ser feliz? Arrisquece-se a ser você mesma.

Pessoas felizes se aceitam, se arriscam, expõem seus defeitos e fraquezas sem medo de julgamentos, sem medo de não agradar a todos. São luz e reluzem sem serem perfeitas. Quem leva alegria, quem leva sorriso, quem acolhe, quem dá abrigo, quem abraça, quem vai na raça, quem se esforça, quem ajuda, quem arregaça as mangas e faz, sem a preocupação da perfeição é diferente, é gente.

Perfeição é coisa linda, mas fica chata, acaba ficando sem graça quando, para se ser assim, deixa de ser várias coisas simples. Podemos tentar ser os melhores, mas se não formos, isso não é motivo para sermos tristes, pois somos únicos. O caráter é muito melhor que a aparência. Um disfarce perde feio para essência. Autenticidade é a verdade que todos querem ver, ler e ouvir.

Aceite as críticas de forma positiva, receba os elogios e guarde tudo na sua caixinha da autoestima. Ela que é importante. Quem dá muita importância para os outros acaba tirando a importância de si mesmo. Já imaginaram se fôssemos obrigados a ser excelentes em tudo? Quantas coisas as pessoas deixariam de fazer por vergonha? Então cante, dance, pratique seu esporte, toque seu instrumento, escreva, desenhe, pinte, faça sua arte, cozinhe, incentive, viva sem rótulos e sem rotular! Como diz aquele ditado antigo: “Quem não arrisca, não petisca!”.

Viver na simplicidade e aceitar a si mesmo é algo raro, pois a sociedade parece sempre exigir o melhor, querer o perfeito, e quem cai nessa cilada se vê preso dentro de sua própria gaiola, sem ter o próprio direito de voar. Arrisque-se, se alegre, se felicite, viva sem medo dos outros! A melhor coisa da vida é sermos excelentes em sermos nos mesmos!

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Tem dias que a gente precisa se carregar no colo

Tem dias que a gente precisa se carregar no colo

Dias difíceis não são privilégio de uns ou de outros. Dias difíceis são altamente democráticos; atingem os fortes, os fracos, os crentes, os céticos, os empedernidos e até (pasmem!), os apaixonados. Há dias em que temos a clara sensação de termos passado por uma “máquina desorganizadora da vida”, enquanto dormíamos inocentemente. Nesses dias, acordar já é um desafio à coragem. A cama parece ter desenvolvido uma espécie de atração fatal sobre a nossa incauta pessoa. Ao abrir os olhos, ficamos tentados a fechá-los novamente por tempo indeterminado. Mas, o que nunca podemos perder de vista é que os dias difíceis (por mais insanos que sejam), assim como os dias maravilhosos e inesquecíveis, duram as mesmíssimas 24 horas. Uma hora ele vai acabar!

Fazemos parte de uma parcela histórica da humanidade que assiste ao mundo transformar-se a cada minuto. Caso sejamos um tantinho distraídos demais, corremos o risco de perdermos a capacidade de entender o processo. Tudo é muito rápido, muito abrangente, muito impactante e acontece ao mesmo tempo. Por outro lado, é tanta informação a nos fazer de alvo que, caso tomemos a perigosa decisão de nos mantermos “antenados” a tudo, corremos o sério risco de enlouquecer completamente, sem remédio.

A loucura do mundo atual é caracterizada por uma série de eventos, aos quais nos submetemos quais cobaias voluntárias. Aceitamos, com um sorriso anestesiado na boca, rotinas de trabalho que beiram a escravidão. Oferecemo-nos para bater metas, atingir objetivos brilhantes e quebrar recordes de eficiência, em troca de um estúpido e perecível reconhecimento que dura apenas alguns minutos. Passado o encantamento do sucesso, damos de cara com novas metas, objetivos e recordes a serem quebrados.

O sucesso é uma droga poderosa para nos envenenar aos poucos. Basta um olhar atento para observar o quanto o mundo anda abarrotado de gente especializada; gente que ostenta títulos de mestrados, doutorados e pós-doutorados com a mesma vaidade ingênua com que um garoto de 5 anos exibe um álbum de figurinhas completo. Os títulos, acabam servindo apenas como uma espécie de escudo para proteger o sujeito de ser indagado, questionado ou tratado com os mesmos pesos e medidas a que estão submetidos os pobres mortais.

Ora, de nada adianta empanturrar-se de certificados acadêmicos e passar a vida com a cabeça enterrada em algum buraco interno ou externo, qual uma réplica malfeita de avestruz. A dura verdade é que esse mundo aqui anda carente ao extremo de humanidade. E, infelizmente, essa é uma virtude e uma habilidade que não se adquire apenas em universidades, sejam elas prestigiadas ou de qualidade duvidosa. Aprendemos lições de humanidade por meio de atitudes que exigem intimidade, cuja força ultrapassa em quilômetros o cauteloso aperto de mãos.

Estamos desenvolvendo uma espécie de criminalização do contato. Parece que vivemos imersos em bolhas muito eficientes para nos proteger do contato. É uma tristeza isso, mas viemos trilhando um processo de especialização na habilidade de nos blindar contra a possibilidade de falhar, de querer investir em algo que não traga lucro financeiro, de empenharmos nosso tempo em ocupações que gerem oportunidades de inclusão. Queremos desesperadamente adquirir, a qualquer custo, uma idiota etiqueta de “exclusividade”! Que diabo é isso? Em sua crueza simplista, o dicionário explica – “exclusivo”: adjetivo masculino; que exclui, que elimina, que tem poder para excluir.

É isso que andamos perseguindo? E se é… Aonde essa pretensa aspiração há de nos levar? De repente, me ocorre que são escolhas infinitamente equivocadas essas que temos feito. De repente, me arrisco a tentar lembrar qual foi a última vez que dediquei a mim mesma alguma atenção afetiva. E, antes que alguém se levante com ares indignados para bradar que esse texto tem, afinal de contas, a premissa de aconselhar o egoísmo, esclareço. Dedicar atenção afetiva a si mesmo não quer dizer comprar mais um par de sapatos para a já gorda coleção em curso; nem tirar um dia inteiro para sessões de massagem ou coisa que o valha; tampouco tem a ver com presentear-se com uma viagem dos sonhos paga em doze vezes no cartão de crédito. Nada disso!

Dedicar atenção afetiva a si mesmo é assumir o risco de olhar-se, sem a casca de adequação social que lutamos tanto para adquirir. O afeto que podemos e precisamos nos ofertar é aquela capacidade perdida, de entender que joelhos ralados não duram para sempre; que ter medo é um direito humano, absolutamente necessário; que, caso venhamos a falhar, temos o dever de procurar aprender com a falha. Por tudo isso, digo “Tem dias que a gente precisa se carregar no colo”, para irmos curando aos poucos as dores de viver. E, assim, ao reaprendermos a nos amar, apesar de nossa imperfeição, nos tornamos aptos a abrir os braços ao outro que, na mesma medida cresceu acreditando que precisar de colo é sinônimo de incompetência. Incompetência é não ser capaz de oferecê-lo!

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A doçura da generosidade

A doçura da generosidade

O homem parece sentir enorme dificuldade em abdicar do seu eu para pensar no outro. A desimportância que o outro tem em nossas vidas é algo que nos afasta de toda proximidade conseguida através da tecnologia de que vivemos nos gabando. Essa falta de generosidade exacerbou na contemporaneidade, em que o egoísmo e o individualismo se tornaram valores quase morais, necessários à sobrevivência dos mais “fortes”.

Pascal dizia: “Como o coração do homem é oco e cheio de lixo. Porque quase sempre esta cheio de si mesmo”. Ao deixarmos de pensar no outro, deixamos de encará-lo como um ser humano, como alguém semelhante a nós e, assim, não apenas o desqualificamos como merecedor do nosso olhar, mas também a nós mesmos.

Não se trata de abdicar da sua individualidade ou de viver uma vida como a de Cristo, mas de perceber que existe algo além de nossos próprios prazeres, de nosso eu e que não há possibilidade de vida justa sem generosidade. Estender a mão para ajudar alguém que está em uma situação mais difícil do que a nossa demonstra a nossa capacidade de ir além da escravidão do ego para fazer uma coisa pelo ato em si.

É bom que se esclareça a diferença entre ser generoso e ser generoso social, isto é, aqueles que ajudam outras pessoas com o intuito de “ficarem bem na fita” são as pessoas que Kundera chama de “dançarinos”. Para ele, essas pessoas fazem pseudo-generosidades, a fim de receberem o glamour que esses atos produzem. Ser generoso, então, implica desprendimento de si próprio, ou seja, ajudar o outro pelo ato da generosidade e não porque será visto como benevolente.

No entanto, estamos quase sempre com o olhar em uma única direção, de modo que não conseguimos perceber, para lembrar Saramago, a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam. Vivendo nossas vidinhas burocratizadas e hedonistas, esquecemos que, na vida, todos nós, em certo momento, precisamos da generosidade.

Seja com coisas simples, como um sorriso, um elogio ou uma ajuda com uma informação, a generosidade pode ser exercida e todos nós precisamos. Alguns podem achar os exemplos supracitados muito pequenos, mas, se analisarmos cuidadosamente, perceberemos que grandes atos começam com pequenos atos, além do que, quantas vezes nós fazemos de bom grado e por vontade própria essas coisas?

Ao contrário do que pregam, ser egoísta não demonstra força, mas antes mesquinharia e avareza de quem, podendo dar, preocupa-se tão somente em acumular. Não sabem estes que a generosidade, assim como o amor, é um ato criativo, é uma potência que gera potência, como acentuam Spinoza e Erich Fromm. Dessa forma, quando sou generoso verdadeiramente, quando, prescindo do meu eu, dou-me ao outro, não posso deixar de regozijar-me na felicidade que a generosidade traz, uma vez que:

“Ser generoso é ser livre de si, de suas pequenas covardias, de suas pequenas posses, de suas pequenas cóleras, de seus pequenos ciúmes.”

A generosidade só possui significado para aqueles que conseguem ter uma existência que transcenda a si mesmo, para que possa dar as mãos e ajudar quem precisa, sobretudo nos momentos mais duros, bem como ter o coração aberto para um ombro generoso que acolha as lágrimas que permeiam a vida.

Sendo assim, ser generoso é deixar as pequenezas de lado e ser grande. Grande para entender que a caminhada torna-se mais fácil e bela quando temos alguém que nos ajude a levantar ao cairmos e dividir uma gargalhada para alegrar a alma. Grande para ter o dom das gratuidades. Grande para ser doce, pois o segredo da generosidade é que “[…] somada à doçura, ela se chama bondade”.

Imagem de capa: Tatevosian Yana/shutterstock

Repare quão extraordinários são os defeitos!

Repare quão extraordinários são os defeitos!

Repare quão interessantes são as cenas extras dos filmes, os bastidores, os momentos descontraídos e desastrados, as risadas, as conversas, os sustos e os brancos.
Quando os personagens voltam a ser humanos.

É tão bom o que resta da massa do bolo, o arroz do fundo da panela, as rebarbas da pizza, os pedaços que sobram por não serem tão bonitos e apresentáveis mas fazem a felicidade de quem os percebe.

Que bonita é a decoração da casa que é mais viva do que simétrica, que cada móvel tem uma história, cada almofada, porta retrato, bibelô fazem lembrar um amigo, um momento, em que cada canto mostra mais vida, dança, conversas do que neuroses, do que regras de comportamento.

Que bom o lar que tem cheiro de gente, de comida, de sabonete, que tem plantas diferentes em vasos coloridos, do que aquele que quase se ouvem as moscas voando e se perdendo na limpeza das paredes e as taças de vinho ficam sepultadas em algum armário antigo.

Que lindas as pessoas que assumem suas assimetrias, seus cabelos doidos, ralos, brancos… Seus estilos, seus sotaques, seus gostos musicais, suas personalidades, suas fraquezas, suas forças.
Suas diferenças!

Que lindeza é ver um ser humano seguro de si, vestindo a roupa que se sente bem, independente de ser como manda o figurino de um lugar, de uma situação.

É tão bom ver a alegria de quem não tem vergonha de sorrir, mesmo sem dentes na boca, não tem vergonha de dançar, nadar, falar, de focar o olhar muito além do que os outros vão pensar.

Acho triste as perfeições, a mania de retalhar, de busca se encaixar e quase sem querer se esquecer.

Pra que photoshopar, camuflar, cortar rebarbas, endireitar, se muitas vezes o que faz a beleza de uma pessoa é justamente o nariz adunco, o sorriso torto, a timidez, ou a gargalhada escancarada, a pinta na testa, o mistério das olheiras, o jeito de puxar o R, o jeito de andar e olhar pela janela, o jeito de pensar o mundo?

Muitas vezes o que torna um lugar, uma pessoa e uma situação especiais é justamente aquilo que é inusitado, que é livre, que é ‘errado’, descompassado, descomplicado. O mico, o impróprio, o imprevisto, o resíduo.

No fundo, no fundo, todo mundo gosta de ver esses acontecimentos, esses defeitos, não para que possamos nos sentir superiores, e dar risada alheia, mas porque o nosso coração se sente aliviado e cheio de empatia ao ver que afinal existem outros seres humanos imperfeitos e feliz vivendo por aí.

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