A era da burrice

A era da burrice

Por Eduardo Szklarz e Bruno Garattoni  para Revista Superinteressante

Discussões inúteis, intermináveis, agressivas. Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso. Pessoas perseguindo e ameaçando as outras. Um tsunami infinito de informações falsas. Reuniões, projetos, esforços que dão em nada. Decisões erradas. Líderes políticos imbecis. De uns tempos para cá, parece que o mundo está mergulhando na burrice. Você já teve essa sensação? Talvez não seja só uma sensação. Estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, revelam algo inédito e assustador: aparentemente, a inteligência humana começou a cair.

Os primeiros sinais vieram da Dinamarca. Lá, todos os homens que se alistam no serviço militar são obrigados a se submeter a um teste de inteligência: o famoso, e ao mesmo tempo misterioso, teste de QI (mais sobre ele daqui a pouco). Os dados revelaram que, depois de crescer sem parar durante todo o século 20, o quociente de inteligência dos dinamarqueses virou o fio, e em 1998 iniciou uma queda contínua: está descendo 2,7 pontos a cada década. A mesma coisa acontece na Holanda (onde tem sido observada queda de 1,35 ponto por década), na Inglaterra (2,5 a 3,4 pontos de QI a menos por década, dependendo da faixa etária analisada), e na França (3,8 pontos perdidos por década). Noruega, Suécia e Finlândia – bem como Alemanha e Portugal, onde foram realizados estudos menores – detectaram efeito similar.

“Há um declínio contínuo na pontuação de QI ao longo do tempo. E é um fenômeno real, não um simples desvio”, diz o antropólogo inglês Edward Dutton, autor de uma revisão analítica(1) das principais pesquisas já feitas a respeito. A regressão pode parecer lenta; mas, sob perspectiva histórica, definitivamente não é. No atual ritmo de queda, alguns países poderiam regredir para QI médio de 80 pontos, patamar definido como “baixa inteligência”, já na próxima geração de adultos.

Não há dados a respeito no Brasil, mas nossos indicadores são terríveis. Um estudo realizado este ano pelo Ibope Inteligência com 2 mil pessoas revelou que 29% da população adulta é analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler sequer um cartaz ou um bilhete. E o número de analfabetos absolutos, que não conseguem ler nada, cresceu de 4% para 8% nos últimos três anos (no limite da margem de erro da pesquisa, 4%).   

Nos países desenvolvidos, o QI da população tem caído até 3,8 pontos por década.

No caso brasileiro, a piora pode ser atribuída à queda nos investimentos em educação, que já são baixos (o País gasta US$ 3.800 anuais com cada aluno do ensino básico, menos da metade da média das nações da OCDE) e têm caído nos últimos anos. Mas como explicar a aparente proliferação de burrice mesmo entre quem foi à escola? E a queda do QI nos países desenvolvidos? O primeiro passo é entender a base da questão: o que é, e como se mede, inteligência.

O primeiro teste de QI (quociente de inteligência) foi elaborado em 1905 pelos psicólogos franceses Alfred Binet e Théodore Simon, para identificar crianças com algum tipo de deficiência mental. Em 1916, o americano Lewis Terman, da Universidade Stanford, aperfeiçoou o exame, que acabou sendo adaptado e usado pelos EUA, na 1a Guerra Mundial, para avaliar os soldados.

Mas o questionário tinha vários problemas – a começar pelo fato de que ele havia sido desenvolvido para aferir deficiência mental em crianças, não medir a inteligência de adultos. Inconformado com isso, o psicólogo romeno-americano David Wechsler resolveu começar do zero. E, em 1955, publicou o WAIS: Wechsler Adult Intelligence Scale, exame que se tornou o teste de QI mais aceito entre psicólogos, psiquiatras e demais pesquisadores da cognição humana (só neste ano, foi utilizado ou citado em mais de 900 estudos sobre o tema).     

Ele leva em média 1h30, e deve ser aplicado por um psiquiatra ou psicólogo. Consiste numa bateria de perguntas e testes que avaliam 15 tipos de capacidade intelectual, divididos em quatro eixos: compreensão verbal, raciocínio, memória e velocidade de processamento. Isso inclui testes de linguagem (o psicólogo diz, por exemplo: “defina o termo abstrato”, e aí avalia a rapidez e a complexidade da sua resposta), conhecimentos gerais, aritmética, reconhecimento de padrões (você vê uma sequência de símbolos, tem de entender a relação entre eles e indicar o próximo), memorização avançada, visualização espacial – reproduzir formas 3D usando blocos de madeira – e outros exercícios.

O grau de dificuldade do exame é cuidadosamente calibrado para que a média das pessoas marque de 90 a 110 pontos. Esse é o nível que significa inteligência normal, média. Se você fizer mais de 130 pontos, é enquadrado na categoria mais alta, de inteligência “muito superior” (a pontuação máxima é 160).

Mas é preciso encarar esses números em sua devida perspectiva. O teste de QI não diz se uma pessoa vai ter sucesso na vida, nem determina seu valor como indivíduo. Não diz se você é sensato, arguto ou criativo, entre outras dezenas de habilidades intelectuais que um ser humano pode ter. O que ele faz é medir a cognição básica, ou seja, a sua capacidade de executar operações mentais elementares, que formam a base de todas as outras. É um mínimo denominador comum. E, por isso mesmo, pode ajudar a enxergar a evolução (ou involução) da inteligência.

Ao longo do século 20, o QI aumentou consistentemente no mundo todo – foram três pontos a mais por década, em média. É o chamado “efeito Flynn”, em alusão ao psicólogo americano James Flynn, que o identificou e documentou. Não é difícil entender essa evolução. Melhore a saúde, a nutrição e a educação das pessoas, e elas naturalmente se sairão melhor em qualquer teste de inteligência. O QI da população japonesa, por exemplo, chegou a crescer 7,7 pontos por década após a 2a Guerra Mundial; uma consequência direta da melhora nas condições de vida por lá. Os cientistas se referem ao efeito atual, de queda na inteligência, como “efeito Flynn reverso”. Como explicá-lo?

Involução natural 

A primeira hipótese é a mais simples, e a mais polêmica também. “A capacidade cognitiva é fortemente influenciada pela genética. E as pessoas com altos níveis dela vêm tendo menos filhos”, afirma o psicólogo Michael Woodley, da Universidade de Umeå, na Suécia. Há décadas a ciência sabe que boa parte da inteligência (a maioria dos estudos fala em 50%) é hereditária. E levantamentos realizados em mais de cem países, ao longo do século 20, constataram que há uma relação inversa entre QI e taxa de natalidade. Quanto mais inteligente uma pessoa é, menos filhos ela acaba tendo, em média.

Some uma coisa à outra e você concluirá que, com o tempo, isso tende a reduzir a proporção de pessoas altamente inteligentes na sociedade. Trata-se de uma teoria controversa, e com razão. No passado, ela levou à eugenia, uma pseudociência que buscava o aprimoramento da raça humana por meio de reprodução seletiva e esterilização de indivíduos julgados incapazes. Esses horrores ficaram para trás. Hoje ninguém proporia tentar “melhorar” a sociedade obrigando os mais inteligentes a ter mais filhos – ou impedindo as demais pessoas de ter.

Mas isso não significa que a matemática das gerações não possa estar levando a algum tipo de declínio na inteligência básica. Inclusive pela própria evolução da sociedade, que tornou a vida mais fácil. “Um caçador-coletor que não pensasse numa solução para conseguir comida e abrigo provavelmente morreria, assim como seus descendentes”, escreveu o biólogo Gerald Crabtree, da Universidade Stanford, em um artigo recente. “Já um executivo de Wall Street que cometesse um erro similar poderia até receber um bônus.”

Crabtree é um radical. Ele acha que a capacidade cognitiva pura, ou seja, o poder que temos de enfrentar um problema desconhecido e superá-lo, atingiu o ápice há milhares de anos e de lá para cá só caiu – isso teria sido mascarado pela evolução tecnológica, em que as inovações são realizadas por enormes grupos de pessoas, não gênios solitários. Outros pesquisadores, como Michael Woodley, endossam essa tese: dizem que o auge da inteligência individual ocorreu há cerca de cem anos.

Os fatos até parecem confirmar essa tese (Einstein escreveu a Relatividade sozinho; já o iPhone é projetado por milhares de pessoas, sendo 800 engenheiros trabalhando só na câmera), mas ela tem algo de falacioso. A humanidade cria e produz coisas cada vez mais complexas – e é por essa complexidade, não por uma suposta queda de inteligência individual, que as grandes invenções envolvem o trabalho de mais gente. Da mesma forma, as sociedades modernas permitem que cada pessoa abrace uma profissão e se especialize nela, deixando as demais tarefas para outros profissionais, ou a cargo de máquinas.

E não há nada de errado nisso. Mas há quem diga que o salto tecnológico dos últimos 20 anos, que transformou nosso cotidiano, possa ter começado a afetar a inteligência humana. Talvez aí esteja a explicação para o “efeito Flynn reverso” – que começou justamente nesse período, e se manifesta em países desenvolvidos onde o padrão de vida é mais igualitário e estável (sem diferenças ou oscilações que possam mascarar a redução de QI).

“Hoje, crianças de 7 ou 8 anos já crescem com o celular”, diz Mark Bauerlein, professor da Universidade Emory, nos EUA, e autor do livro The Dumbest Generation (“A Geração Mais Burra”, não lançado em português). “É nessa idade que as crianças deveriam consolidar o hábito da leitura, para adquirir vocabulário.” Pode parecer papo de ludita, mas há indícios de que o uso de smartphones e tablets na infância já esteja causando efeitos negativos. Na Inglaterra, por exemplo, 28% das crianças da pré-escola (4 e 5 anos) não sabem se comunicar utilizando frases completas, no nível que seria normal para essa idade. Segundo educadores, isso se deve ao tempo que elas ficam na frente de TVs, tablets e smartphones.

28% das crianças britânicas não sabem falar corretamente

O problema é considerado tão grave que o governo anunciou um plano para reduzir esse índice pela metade até 2028 – e o banimento de smartphones nas escolas é uma das medidas em discussão. O efeito também já é observado em adolescentes. Nos dois principais exames que os americanos fazem para entrar na faculdade, o SAT e o ACT, o desempenho médio vem caindo. Em 2016, a nota na prova de interpretação de texto do SAT foi a mais baixa em 40 anos.

As pessoas nunca leram e escreveram tanto; mas estão lendo e escrevendo coisas curtíssimas, em seus smartphones. Um levantamento feito pela Nokia constatou que os americanos checam o celular em média 150 vezes por dia. Dá uma vez a cada seis minutos, ou seja, é como se fosse um fumante emendando um cigarro no outro. E esse dado é de 2013; hoje, é provável que o uso seja ainda maior. A onda já preocupa até a Apple e o Google, que estão incluíndo medidores de uso nas novas versões do iOS e do Android – para que você possa saber quantas vezes pega o seu smartphone,
e quanto tempo gasta com ele, a cada dia.

A mera presença do celular, mesmo desligado, afeta  nossa capacidade de raciocinar. Adrian Ward, professor da Universidade do Texas, constatou isso ao avaliar o desempenho de 548 estudantes(3) em três situações: com o celular na mesa, virado para baixo; com o aparelho no bolso ou na bolsa; e com o celular em outra sala. Em todos os casos, o celular ficou desligado. Mas quanto mais perto ele estava da pessoa, pior o desempenho dela. “Você não está pensando no celular. Mas ele consome parte dos recursos cognitivos. É como um dreno cerebral”, conclui Ward.

Cada brasileiro gasta 3h39 min por dia nas redes sociais

Outra hipótese é que o uso intensivo das redes sociais, que são projetadas para consumo rápido (passamos poucos segundos lendo cada post) e consomem boa parte do tempo (cada brasileiro gasta 3h39 min por dia nelas, segundo pesquisa feita pela empresa GlobalWebIndex), esteja corroendo nossa capacidade de prestar atenção às coisas. Você já deve ter sentido isso: parece cada vez mais difícil ler um texto, ou até mesmo ver um vídeo do YouTube, até o final. E quando assistimos a algo mais longo, como um filme ou uma série do Netflix, geralmente nos esquecemos logo. São duas faces da mesma moeda. Levar no bolso a internet, com seu conteúdo infinito, baniu o tédio da vida humana. Mas, justamente por isso, também pode ter nos tornado mais impacientes, menos capazes de manter o foco.

Se prestamos menos atenção às coisas, elas obrigatoriamente têm de ser mais simples. E esse efeito se manifesta nos campos mais distintos, da música aos pronunciamentos políticos. Cientistas do Instituto de Pesquisa em Inteligência Artificial (IIIA), na Espanha, analisaram  em computador 460 mil faixas lançadas nos últimos 50 anos, e concluíram(4)  que a música está se tornando menos complexa e mais homogênea. Houve uma redução de 60% na quantidade de timbres (com menor variedade de instrumentos e técnicas de gravação), e de 50% na faixa dinâmica (variação de volume entre as partes mais baixas e mais altas de cada música). Tudo soa mais parecido – e mais simples.    

Essa simplificação também é visível no discurso político. Um estudo da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, constatou que os políticos americanos falam como crianças(5). A pesquisa analisou o vocabulário e a sintaxe de cinco candidatos à última eleição presidencial (Donald Trump, Hillary Clinton, Ted Cruz, Marco Rubio e Bernie Sanders), e constatou que seus pronunciamentos têm o nível verbal de uma criança de 11 a 13 anos. Os pesquisadores também analisaram os discursos de ex-presidentes americanos, e encontraram um declínio constante. Abraham Lincoln se expressava no mesmo nível de um adolescente de 16 anos. Ronald Reagan, 14. Obama e Clinton, 13. Trump, 11. (O lanterna é George W. Bush, com vocabulário de criança de 10 anos.)

Isso não significa que os músicos sejam incompetentes e os políticos sejam burros. Eles estão sendo pragmáticos, e adaptando suas mensagens ao que seu público consegue entender – e, principalmente, está disposto a ouvir. Inclusive porque esse é outro pilar da burrice moderna: viver dentro de uma bolha que confirma as próprias crenças, e nunca mudar de opinião. Trata-se de um comportamento irracional, claro. Mas, como veremos a seguir, talvez a própria razão não seja assim tão racional.

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Os limites da razão

Você certamente já discutiu com uma pessoa irracional, que manteve a própria opinião mesmo diante dos argumentos mais irrefutáveis. É um fenômeno normal, que os psicólogos chamam de “viés de confirmação”: a tendência que a mente humana tem de abraçar informações que apoiam suas crenças, e rejeitar dados que as contradizem.

Isso ficou claro num estudo famoso, e meio macabro, realizado em 1975 na Universidade Stanford. Cada participante recebeu 25 bilhetes suicidas (que as pessoas deixam antes de se matar), e tinha que descobrir quais deles eram verdadeiros e quais eram falsos. Alguns voluntários logo identificavam os bilhetes de mentirinha, forjados pelos cientistas. Outros quase sempre se deixavam enganar. Então os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: um só com as pessoas que haviam acertado muito, e outro só com os que tinham acertado pouco.

Só que era tudo uma pegadinha. Os cientistas haviam mentido sobre a pontuação de cada pessoa. Eles abriram o jogo sobre isso, e então pediram que cada voluntário avaliasse o próprio desempenho. Aí aconteceu o seguinte. Quem havia sido colocado no “grupo dos bons” continuou achando que tinha ido bem (mesmo nos casos em que, na verdade, havia ido mal); já os do outro grupo se deram notas baixas, fosse qual fosse sua nota real. Conclusão: a primeira opinião que formamos sobre uma coisa é muito difícil de derrubar – mesmo com dados concretos.

Esse instinto de “mula empacada” afeta até os cientistas, como observou o psicólogo Kevin Dunbar, também de Stanford. Ao acompanhar a rotina de um laboratório de microbiologia durante um ano, ele viu que os cientistas iniciam suas pesquisas com uma tese e depois fazem testes para comprová-la, desconsiderando outras hipóteses. “Pelo menos 50% dos dados encontrados em pesquisas são inconsistentes com a tese inicial. Quando isso acontece, os cientistas refazem o experimento mudando detalhes, como a temperatura, esperando que o dado estranho desapareça”, diz Dunbar. Só uma minoria investiga resultados inesperados (justamente o caminho que muitas vezes leva a grandes descobertas).

O cérebro luta para manter nossas opiniões – mesmo que isso signifique ignorar os fatos.

Quanto mais comprometido você está com uma teoria, mais tende a ignorar evidências contrárias. “Há informações demais à nossa volta, e os neurônios precisam filtrá-las”, afirma Dunbar. Há até uma região cerebral, o córtex pré-frontal dorsolateral, cuja função é suprimir informações que a mente considere “indesejadas”. Tem mais: nosso cérebro libera uma descarga de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer, quando recebemos informações que confirmam nossas crenças. Somos programados para não mudar de opinião. Mesmo que isso signifique acreditar em coisas que não são verdade.

Nosso cérebro é tão propenso à irracionalidade que há quem acredite que a própria razão como a conhecemos (o ato de pensar fria e objetivamente, para encontrar a verdade e resolver problemas) simplesmente não exista.  “A razão tem duas funções: produzir motivos para justificar a si mesmo e gerar argumentos para convencer os demais”, dizem os cientistas cognitivos Hugo Mercier e Dan Sperber, da Universidade Harvard, no livro The Enigma of Reason (“O Enigma da Razão”, não lançado em português). Eles dizem que a razão é relativa, altera-se conforme o contexto, e sua grande utilidade é construir acordos sociais – custe o que custar.

Na pré-história, isso fazia todo o sentido. Nossos ancestrais tinham de criar soluções para problemas básicos de sobrevivência, como predadores e falta de alimento, mas também precisavam lidar com os conflitos inerentes à vida em bando (se eles não se mantivessem juntos, seria difícil sobreviver). Só que o mundo de hoje, em que as pessoas opinam sobre todos os assuntos nas redes sociais, deu um nó nesse instrumento. “Os ambientes modernos distorcem a nossa habilidade de prever desacordos entre indivíduos. É um dos muitos casos em que o ambiente mudou rápido demais para que a seleção natural pudesse acompanhar”, dizem Mercier e Sperber.

Para piorar, a evolução nos pregou outra peça, ainda mais traiçoeira: quase toda pessoa se acha mais inteligente que as outras. Acha que toma as melhores decisões e sabe mais sobre rigorosamente todos os assuntos, de política a nutrição. É o chamado efeito Dunning-Kruger, em alusão aos psicólogos americanos David Dunning e Justin Kruger, autores dos estudos que o comprovaram. Num deles, 88% dos entrevistados disseram dirigir melhor que a média. Em outro, 32% dos engenheiros de uma empresa afirmaram estar no grupo dos 5% mais competentes.

Pesquisas posteriores revelaram que, quanto mais ignorante você é sobre um tema, mais tende a acreditar que o domina. No tempo das savanas, isso podia até ser bom. “A curto prazo, dá mais autoconfiança”, afirma Dunning. Agora aplique essa lógica ao mundo de hoje, e o resultado será o mar de conflitos que tomou conta do dia a dia. A era da cizânia – e da burrice.

Ela pode ser desesperadora. Mas nada indica que seja um caminho sem volta. Nos 300 mil anos da história do Homo sapiens, estamos apenas no mais recente – e brevíssimo – capítulo. Tudo pode mudar; e, como a história ensina, muda. Inclusive porque a inteligência humana ainda não desapareceu.
Ela continua viva e pronta, exatamente no mesmo lugar: dentro das nossas cabeças.

 

Fontes:

(1) The negative Flynn Effect: A systematic literature review. Edward Dutton e outros, Ulster Institute for Social Research, 2016.

(2) IQ and fertility: A cross-national study. Steven M. Shatz, Hofstra University, 2007.

(3) Brain Drain: The Mere Presence of One’s Own Smartphone Reduces Available Cognitive Capacity. Adrian F. Ward e outros, Universidade do Texas, 2017

(4) Measuring the Evolution of Contemporary Western Popular Music. Joan Serrà e outros, Spanish National Research Council, 2012

(5) A Readability Analysis of Campaign Speeches from the 2016 US Presidential Campaign. Elliot Schumacher e Maxine Eskenazi, Carnegie Mellon University, 2016.

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Diversão na Internet: dicas de jogos on-line de navegador

Diversão na Internet: dicas de jogos on-line de navegador

Em alguns momentos, precisamos usar o universo enorme da Internet simplesmente para nos divertir e relaxar, não é verdade? E nem sempre conseguimos fazer isso nas redes sociais, que muitas vezes acabam nos deixando ansiosos e afetando negativamente a nossa auto-estima.

Porém, a web felizmente é um local com muitas opções de entretenimento e pode ser que alguma delas seja exatamente o que você está buscando. Veja a seleção que fizemos de jogos online que podem ser jogados diretamente no navegador, ou seja, sem precisar de download. Uma lista que vai desde jogos de tabuleiro e de cassino até à famosa “cobrinha da Nokia”. Confira a seguir!

Jogos de tabuleiro

Sim, muitos jogos de tabuleiro podem ser encontrados online e grande parte deles pode ser jogada gratuitamente! O xadrez, o gamão, o jogo de damas, o dominó e outros clássicos estão presentes em vários sites de jogos online. Em alguns deles, há até mesmo competições com prêmios em dinheiro.

Alguns outros jogos famosos que estão disponíveis na Internet são o Banco Imobiliário, o Rummikub e o War, todos eles ótimas formas de entretenimento, que não apenas divertem, mas também são bons para exercitar o cérebro!

Jogos de cassino

A grande moda do momento são os jogos de cassino. Você provavelmente conhece os mais populares deles, como o pôquer, o vinte e um e a roleta, além dos famosos caça-níqueis.

Atualmente, há tanta concorrência entre os vários sites de cassino que uma grande parte deles começou a oferecer um bônus de boas-vindas para os usuários se registrarem, ou seja, uma porcentagem do valor depositado inicialmente pelo jogador. Existem até mesmo comparativos entre as ofertas de cada site, para que você possa escolher o cassino com bônus de registro mais vantajoso

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RGP

No “role-playing game”, ou RPG, as pessoas assumem papéis de personagens e, juntas, criam o jogo à medida que ele se desenrola. Embora exista há décadas, o RPG foi revolucionado pelo surgimento da Internet, que permitiu que milhares de pessoas jogassem juntas e com inúmeros recursos novos. Atualmente, algumas opções interessantes de jogos RPG que podem ser jogados no navegador são o RuneScape e o Drakensang Online.

Jogos leves

Às vezes, em vez de um jogo de estratégia ou que teste nossos conhecimentos, queremos apenas uma diversão leve, que não exija muito do nosso cérebro. Nesse caso, a Internet é o lugar certo. Existem inúmeros jogos muito divertidos e que são excelentes para desestressar.

Você ainda deve se lembrar do “jogo da cobrinha”, ou “Snake”, que era uma parte quase essencial dos antigos celulares da Nokia, nos anos 1990. Pois bem, agora há uma série de novas versões da cobrinha, inclusive no Facebook, para você matar as saudades. Outros jogos leves que têm feito muito sucesso são:

Com a imensidão da Internet, poderíamos apresentar ainda muitas alternativas de jogos online de navegador que vale a pena testar. Contudo, é melhor limitar as opções para evitar que você gaste mais tempo tentando se decidir entre tantos jogos maravilhosos do que de fato jogando, não é? Então, seja um jogo de cassino ou o “jogo da cobrinha”, faça logo a sua escolha e boa diversão!

Acho bonito quem pede desculpa, em vez de arrumar pretexto para ter razão

Acho bonito quem pede desculpa, em vez de arrumar pretexto para ter razão

Talvez a dificuldade em se desculpar com alguém seja uma das características mais comuns a várias pessoas. E, ultimamente, em meio a esse contexto de contendas virtuais, em que muita gente se sente dona da razão, reconhecer o próprio erro torna-se artigo de luxo.

Estamos nos afastando demais uns dos outros, cada vez com menos tempo para cultivar os relacionamentos humanos, assoberbados que estamos com tarefas mecânicas e com trabalhos acumulados. Para que possamos consumir pelo menos alguns itens da lista material que nos cerca, sobra-nos quase que nenhum segundo para conversar com o amigo, com o parceiro, para olhar as tarefas escolares dos filhos, para assistir ao seriado favorito.

Enquanto, lá fora, nós nos distanciamos do que é humano, também aqui dentro tudo vai ficando menos humano, menos sentido, menos gente. É preciso estar com gente para que sejamos mais essência do que aparência, mais sentimento do que ostentação. Porque o tanto de coisas que adquirimos parece que vai coisificando a gente, tornando nosso íntimo mais frio, assim como todas as quinquilharias que nos cercam.

Centrados paulatinamente em nós mesmos, achamos que nosso mundinho é a única verdade que existe. Queremos ter razão, queremos ser melhores, queremos prevalecer sobre os demais. Queremos que nossas vontades sejam satisfeitas, temos pressa em comprar, em ter, somos impacientes. No entanto, relacionar-se com alguém requer demora, desprendimento, concessão e troca. E isso necessariamente necessita de que nos coloquemos no lugar do outro.

Somente quando conseguimos nos enxergar com os olhos do outro é que seremos capazes de perceber os nossos erros. Somente saindo do nosso eu é que conseguiremos perceber o alcance do que fazemos e falamos, compreendendo que nem sempre estaremos cobertos de razão. Por isso é raro quem pede desculpas, enquanto há muitos arranjando pretextos para manter a falsa ideia que possuem de si mesmos. Bonito é gente que se enxerga. Bonito é gente que nos enxerga.

É! A gente não tem jeito de babaca… É! A gente quer viver todo respeito…

É! A gente não tem jeito de babaca… É! A gente quer viver todo respeito…

O termo babaca está relacionado ao comportamento idiota de um homem ou mulher, que gosta de dizer babaquices e de estragar as coisas ao seu redor. E tudo indica que estamos cercados por eles. No entanto, o que precisamos é saber lidar e entender a mente dos babacas, que surgem em nosso cotidiano.

Para a psicanálise os indivíduos babacas são percebidos como perversos, pois têm orgulho extremado de si mesmos e de suas atitudes. Geralmente são paranóicos, apresentam delírios de grandeza e mentiras patológicas. Eles não têm senso de ridículo e bom senso. Aliás, lhes falta empatia, e por isso “azedam” e “minam” as relações humanas.

No sentido literal, os babacas são imbecis e desalmados que expõem sua fraqueza moral. É como bem disse o escritor irlandês, Oscar Wilde: “Os loucos às vezes se curam, os imbecis nunca. ”

Os babacas mais populares sofrem de “egomania”, ou seja, uma preocupação obsessiva com si mesmos, e são irredutíveis aos comportamentos solidários e cooperativos. Adoram ser tratados com bajulação. Além disso, trazem uma visão distorcida dos seres humanos, uma vez acreditam que podem tudo, e que os demais que se “danem”.

O filósofo Platão arguiu que um tirano, por mais poderoso que seja, sofre no final por corromper sua própria alma. Hoje é possível utilizar esse parâmetro filosófico para perfilar os babacas, inclusive em proporções menores, já que transformam a vida das pessoas e das comunidades em um “inferno”.

Catalogamos dez tipos principais de babacas, que cometem imbecilidades em função da prática da desonestidade e da maldade: 1) babacas sádicos; 2) babacas violentos; 3) babacas psicopatas; 4) babacas sociopatas; 5) babacas narcisistas; 6) babacas bajuladores; 7) babacas preconceituosos; 8) babacas sexistas; 9) babacas elitistas; 10) babacas racistas. E tantos outros, que são escandalosamente visíveis, sobretudo, nas redes sociais.

Portanto, as palavras e ações dos babacas têm um efeito corrosivo sobre as pessoas, deixando-as exauridas e desenergizadas. O livro dos Provérbios bíblicos de Salomão já previa isso: “O caráter do perverso é maligno. Caminha de um lado para o outro murmurando atrocidades.”

Os babacas via de regra “se dão mal” por se acharem espertos. Porém, ao toparmos com babacas a melhor saída é ignorá-los, bloqueá-los nas redes sociais e se forem apresentadores de programas de televisão ou rádio é só trocar de canal, visto que os babacas necessitam de audiência ou público para dar os seus “shows” de manipulação e insultos.

As pessoas com autoestima, autocontrole emocional e conduta inteligente enchem a paciência dos babacas e por esses motivos eles acabam desistindo das artimanhas, que levam alguém ao engano, porque como diz os refrões da canção do nosso querido cantor e compositor Gonzaguinha:

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca (…)

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito (…)

Alguns têm um relacionamento, outros têm um amor

Alguns têm um relacionamento, outros têm um amor

Um relacionamento deveria coexistir junto com o amor, mas o amor nem sempre faz parte de uma relação. Isto acontece porque nos criaram com a ideia de que estar em uma relação por si só, traria felicidade.

É por este motivo que muitas pessoas casam, na busca da tal felicidade, e acabam se frustrando por perceber que a felicidade não estava no ato do casamento em si, pois essa felicidade deveria ter vindo há muito tempo.

Alguns têm um relacionamento, dão bom dia de manhã, almoçam juntos, dizem “te amo”, vão para o cinema, para jantar, vão nos aniversários dos amigos, alguns têm filhos e enfim, passam a vida nessa eterna companhia. Tudo protocolado.

O amor está além de um status no Facebook. O amor requer esforços maiores do que fazer parte dos dias, envolve o esforço emocional da outra pessoa para estar aí, inclusive quando não está – e isso faz toda a diferença. Isto significa conseguir criar um vínculo tão grande que a pessoa se sinta totalmente segura e próxima da outra pessoa, em qualquer circunstância da vida ou distância.

O amor envolve admiração, respeito e compreensão. É saber que o outro pode desabar em algum momento e estar pronto para segurá-la firme quando este momento chegar, ou seja, amor é cuidar de si para poder cuidar do outro também, é uma questão de amor próprio, principalmente.

O amor é ajudar o outro a crescer sempre. A admiração é uma parte essencial, pois apenas quando admiramos o outro, podemos enxergar aquilo de melhor que ela tem, inclusive no seu pior momento. E este tipo de apoio emocional é o que as pessoas buscam em uma relação. Todos entram em uma relação para fortalecer-se emocionalmente, porém, a maioria acaba se desgastando ainda mais e tornando-se mais vulnerável.

Ter um amor é fazer planos juntos, sempre respeitando a felicidade de cada um e se preocupando como cada ação pode atingir o outro. É deixar de falar coisas ou fazer coisas que podem machucar a outra pessoa. É colocar-se no lugar dela, mas não apenas isto, senão preocupar-se em entender exatamente como a outra pessoa entendeu alguma situação.

O amor não é apenas ver o por do sol juntos, compartilhar um chocolate, fazer maratona de filme nos finais de semana e viajar de vez em quando, isto é uma relação. Alguém para dormir nas noites frias, para postar fotos no Facebook, para brigar quando os ânimos se alteram, também é uma relação.

O amor é isto e mais um pouco. O amor é quando você encontra alguém que luta para que dê certo, que é o seu fã número um, que apoia, que busca entender, que prefere o carinho do que a briga. Alguém que o tempo todo te ensina a amar.

É alguém que te torna forte, que nunca te deixa cair, que nunca te abandona, que tenta te acalmar, que tenta te animar, que tenta te transcrever dentro dela mesma, que busca compreender a sua alma. É alguém que te dá tanto, mas tanto amor, que chega a ser impossível duvidar dele.

E a única coisa que te resta quando a encontra, é retribuir.

Ele quem mesmo? — Crônica de Martha Medeiros

Ele quem mesmo? — Crônica de Martha Medeiros

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: “olha, não dá mais”. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: “mas agora eu to comendo um lanche com amigos”. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele. Sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito!

Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora. Participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em Áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.

Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.

Até que algo sensacional aconteceu …

Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele.

Ele quem mesmo?

– Martha Medeiros.

Há bondade em todas as pequenas coisas do dia a dia

Há bondade em todas as pequenas coisas do dia a dia

Há um bom tempo venho pensando a respeito da bondade humana refletida nas pequenas atitudes do dia a dia, mas até o momento ainda não tinha vindo a devida inspiração para escrever sobre isso, que surgiu a partir de um pequeno texto muito bonito do escritor Gustavo Gitti.

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É só parar e relaxar um pouquinho que a bondade do mundo inteiro aparece.

Quando uma pessoa vem falar algo, quase sempre ela não está nos enganando. É incrível! Ela poderia nos enganar, o mundo poderia nos enganar o tempo todo, mas não. Ela está realmente ali, frágil, viva, aberta, olhando para você, correndo o risco de ser enganada. Não importa o conteúdo da fala, tem uma bondade infinita ali que leva a pessoa a fazer contato. Parece bobo, mas sinto que raramente a gente reconhece isso.

Se essa bondade não fosse nossa natureza, as ruas, os táxis, as cadeiras, os computadores, as hortas, as palavras, os emails, tudo seria feito para dificultar nossa vida. Mas tudo opera a nosso favor, tudo nos sustenta, ainda que com problemas. Mesmo quando opera contra, alguém fez aquilo achando que ia ser melhor, sem clareza do que seria mesmo melhor. Não dá nem para ficar com raiva, so dá para sorrir: “Como é que alguém como eu achou que essa papelada seria uma boa coisa? Onde estava a mente dessa pessoa quando ela teve essa ideia? E onde estavam as mentes das pessoas ao redor quando concordaram?”

Não tem como a confusão vir de uma pessoa inerentemente maldosa. Ela só pode vir de um coletivo não reconhecimento dessa condição natural — livre, relaxada, generosa, ampla, benéfica. O fechamento não é alguma coisa, é só espaço não reconhecido.

Reconhecer essa bondade nos protege de cair em autocentramento. E isso não precisa ser romantizado, como se o mundo relativo fosse bonzinho, como se não houvesse aflição, injustiça, mentira, absurdos no governo, algoritmos e contratos não humanos regendo vidas humanas, propaganda, ideologias… Reconhecer nossa bondade natural é justamente o que nos dá a confiança de se aproximar e trabalhar com a negatividade em nós, nos outros e nas organizações em geral.

Gustavo Gitti

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O que ele fala nessas poucas palavras é que se buscarmos nutrir nossa mente e atitudes com amor, tudo ao nosso redor refletirá isso. Essa é uma das leis universais, aquilo que eu dou, recebo de volta.

É porque nós somos tão distraídos que nem sequer percebemos e agradecemos o quanto estamos repletos de bençãos por todos os lados e que nunca passam pela nossa cabeça. Vou elencar algumas dessas pequenas coisas.

  • Você compra um pão na padaria confiando que o padeiro fez uma massa sem componentes que farão mal à sua saúde;
  • Você compra comidas e produtos nos supermercados confiando que estes foram produzidos com critérios e poderão ser ingeridos sem preocupação e não lhe causarão doenças;
  • Quando você pega um ônibus, confia que o motorista esteja sóbrio e que lhe levará ao seu local de destino em segurança;
  • Quando você faz uma amizade, não acredita que essa pessoa seja alguém que vai matar você em um momento que esteja distraído (Já pensou que loucura? Rsrsrsrs)
  • Ao comprar um remédio ou tomar um chá medicinal, você acredita que nele estão os componentes que vão favorecer a sua cura;
  • Quando você está no trânsito dirigindo, sabe que as pessoas ao redor estão obedecendo às mesmas leis de trânsito que você e que ninguém vai, de maneira proposital e intencional, jogar um carro por cima de você.

São tantos exemplos e tantas pequenas coisas! Você pode pensar que estou exagerando, mas não estou. Todos os exemplos que eu dei parecem absurdos, concorda? Mas por que parecem absurdos? Porque nós NÃO FAZEMOS ISSO de forma consciente e intencional.

O ser humano tem em sua interioridade a predisposição para o bem e para a harmonia. O mundo está desequilibrado porque as pessoas deixaram de se conectar à sua essência e os sentimentos mais grosseiros começaram a tomar de conta.

Porém, trata-se de uma percepção e perspectiva. Se você busca fazer o bem em todas as suas atividades. Se você busca, em consciência, amar e ser um cidadão ético. Tudo ao seu redor refletirá isso. Acredite! É assim comigo em meu dia a dia e seria hipocrisia minha escrever aqui algo que eu mesmo não experiencie.

Repito as lindas palavras do Gustavo Gitti: “É só parar e relaxar um pouquinho que a bondade do mundo inteiro aparece…”.

Veja a bondade que está em toda parte! Concentre todas as suas energias no bem e essa mudança de perspectiva vai levantar uma onda de amor tão grande que dentro de não muito tempo atingirá a todos em todas as esferas. Você acredita nisso? EU ACREDITO, e estou fazendo a minha parte nessa mudança, vamos juntos?

Nossa religião é aquilo que fazemos quando o sermão acaba

Nossa religião é aquilo que fazemos quando o sermão acaba

Já está mais do que batida a máxima de que exemplos e atitudes é que valem, pois discursos e palavras se perdem ao vento. Podemos dizer frases bonitas e argumentar com propriedade, porém, a forma como vivemos é que determinará o que somos, o que temos dentro de nossos corações.

O mundo anda carente de amor, de respeito, de empatia, de se enxergar o outro, de se perceber parte de um todo. A vida corre também fora da gente e se estende muito além de nossa zona de conforto. Temos, sim, que cuidar do que ocorre dentro de nós, de nossos sentimentos, porém, caso só nos preocupemos com o nosso eu, estaremos negligenciando o nosso papel social, nossa capacidade de nos relacionarmos e de fazermos diferença positiva nas vidas alheias.

Interessante notar que as pessoas procuram diferentes formas de se comunicar com Deus para se sentirem bem. O Brasil é um país bastante religioso, inclusive colocando a religião em setores que deveriam ser laicos. Mesmo assim, apesar de toda essa multidão que frequenta igrejas, cultos, terreiros, ainda assistimos a cenas de total falta de compaixão em relação ao próximo. Nem mesmo crianças e idosos estão sendo poupados de atitudes violentas ultimamente.

E, ao lado dessa violência explícita, ainda há a violência velada, implícita, indireta, mas também extremamente prejudicial. Um simples olhar, o desprezo, o silêncio diante do mal, há várias atitudes que implicam violência e maldade. Muitas pessoas, inclusive, conseguem ser muito melhores na rua do que em casa. Encenam uma figura boníssima na sociedade, porém, transformam os seus lares em verdadeiros infernos, sendo cruéis com seus familiares nas mais variadas formas.

Como se vê, muitas pessoas se contradizem diariamente, fingindo o que não são, tentando expiar suas culpas em locais religiosos, fazendo caridade como obrigação e tentativa de receber perdão, porque, na verdade, têm consciência do mal que espalham. Porém, de nada adianta orar e continuar praticando os mesmos erros. A religião está dentro de cada um e só existe na prática. Porque religião não se discute, pratica-se.

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Publicado originalmente em Prof Marcel Camargo

É impossível uma relação gratificante se você é cheio dos “contatinhos”.

É impossível uma relação gratificante se você é cheio dos “contatinhos”.

Vivemos tempos de amores descartáveis, desses que são substituídos num piscar de olhos. O tempo todo, podemos ver, estampados nas redes sociais, relacionamentos cinematográficos, dignos de filmes hollywdianos. Contudo, dois fatores chamam a atenção nesse contexto: a rapidez com que esses romances são desfeitos e a facilidade com que os ex parceiros são substituídos.

A situação é tão delicada que já não convém perguntar a um amigo como vai o fulano ou a fulana, na condição de parceiro amoroso. Isso pode gerar um grande constrangimento, dependendo do contexto, pois aquela paixão tórrida da semana passada poderá ter se transformado num contato bloqueado nas redes sociais dessa pessoa.

Paralelamente a esse contexto, temos, contribuindo com esse cenário, uma geração que se comporta como se o Universo girasse em torno do próprio ego. Vou explicar: hoje em dia, sem generalizar, as pessoas estão muito focadas no “eu quero e pronto” ou “eu me interessei e foda-se”. É assim: a pessoa entra nas redes sociais, vê uma pessoa que desperta o seu interesse e pronto, isso basta para que ela use de todas as armas para conquistá-la. Pouco importa se a pessoa é comprometida, esse detalhe é algo completamente irrelevante.

Tudo gira em torno do “eu quero”. Mensagens são enviadas, trocadas, nudes também. E daí se o envolvimento com essa pessoa possa gerar a destruição de uma família? Quem liga se esse vínculo venha se desdobrar em uma tragédia? Ah, isso não é problema, importa é que aquele objeto de desejo seja conquistado. Não precisa de sentimento, basta uma atração física para que alguém jogue um relacionamento de décadas no lixo.

Ter um relacionamento confiável em tempos de redes sociais tornou-se um dos maiores desafios para o ser humano. Você se relaciona contando com a possibilidade de haver uma chuva de “contatinhos” fazendo investidas em seu(a) parceiro(a) e precisa contar também com a ideia de ele(a) estar correspondendo. Sim, relacionamentos em tempos de redes sociais é como dar um tiro no escuro, é brincar de roleta russa, é um terreno de areia movediça no que se refere à confiança.

Afortunados mesmo são aqueles que possuem um parceiro fiel e leal. É que eu entendo que a traição não se resume a estar fisicamente envolvido com outro. Um parceiro de verdade evita situações que possam contribuir com a ruína do seu relacioanemto. Ele(a) sabe se colocar no lugar do parceiro ao ponto de perceber que determinados comportamentos o deixariam arrasado se ele(a) tomasse conhecimento. É aquele(a) parceiro que pensa “eu não gostaria que ele(a) fizesse isso comigo porque eu me sentiria traído(a).”

Por fim, uma constatação: nunca houve uma época em que tivessem tantas opções para um relacionamento, o mundo está abarrotado de pessoas carentes e desesperadas por uma suposta companhia, e essas pessoas estão dando sopa nas redes socias. Contudo, ao que parece, essas pessoas não conseguem lidar com tanta oferta. Muitas encontram uma parceria bacana mas, por não querer abrir mão dos “contatinhos”, acabam jogando fora a oportunidade de viver essa relação gratificante. Elas querem tudo ao mesmo tempo, querem alguém que as levem a sério e querem manter uma vida paralela de solteiro(a). E como acabam? Acabam sozinhas e frustradas, vivendo a ilusão de serem desejadas por muitos quando, na realidade, não tem ninguém que se importe de verdade com elas. É preciso ficar claro que toda escolha requer concessões nessa vida. Não é possível ter um relacionamento própero se você não está disposto a pagar um preço por isso.

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Imagem de capa: Banksy

Maria Tereza Maldonado, uma das psicólogas mais conceituadas do Brasil, lança curso sobre parentalidade e perinatalidade

Maria Tereza Maldonado, uma das psicólogas mais conceituadas do Brasil, lança curso sobre parentalidade e perinatalidade

Maria Tereza Maldonado, CRP 1296/05, uma das psicólogas e palestrantes mais conceituadas do Brasil, lança curso “A Tecelagem do Vínculo- da gestação aos dois anos”.

O nome Maria Tereza Maldonado já é a garantia de qualidade do material, uma vez que a profissional acumula algumas décadas de experiência e já possui mais de 40 livros publicados, dentre eles, o “Psicologia da Gravidez”, que já está na quarta atualização e 18a. edição.

No curso, você terá contato com o que estudos recentes mostram sobre a evolução do vínculo entre família, feto, bebê e crianças até dois anos.

Os estudantes e profissionais que se interessam ou atuam na área da perinatalidade e da parentalidade aprenderão ideias práticas para aplicar em seu trabalho. Afinal, é indispensável que as pessoas que estão nessa área estejam preparadas e atualizadas para lidar com as famílias diante dos principais marcos evolutivos nos primeiros mil dias de vida dos bebês, período em que serão consolidadas as bases sólida- ou frágeis-  que influenciarão a construção das etapas posteriores de aprendizagem, saúde e comportamento da criança.

Os primeiros mil dias, portanto, um trabalho de tecelagem de uma nova pessoa e você precisa estar preparado para lidar com isso.

Ouça a autora:

Quem precisa fazer esse curso?

Profissionais da perinatalidade e da parentalidade: psicólogas perinatais, médicos, assistentes sociais, coaches de mães e famílias, doulas, enfermeiras obstétricas.

Como funciona?

Quatro horas de duração: vídeo-aulas, textos online, referências de vídeos, livros e documentos recentes.

Como adquirir?

Os cursos podem ser comprados pelo link

Acesse o link e veja as possibilidades de compra.

Se não te faz bem, você tem todo o amor para dizer adeus

Se não te faz bem, você tem todo o amor para dizer adeus

Eu poderia, mas não me desculpei por todos os adeuses que dei. Isso porque alguns deles aconteceriam de uma forma ou de outra. Às vezes é da vida a gente se despedir de certas pessoas. E carregar culpas a cada partida seria não evoluir por dentro dos meus sentimentos, seria desconsiderar cada luta que atravessei com as minhas próprias pernas.

Fazer e estar presente para quem quer que seja, demanda amor. Demanda energia também, diga-se. Não há como concretizar tantas entregas sem antes cuidar da gente. Eu aprendi com o tempo que, a calma que tanto quero, precisa vir acompanhada de um senso de fidelidade pela minha própria pessoa. Ou seja, se não me faz bem, tenho todo o amor que preciso para dizer adeus. O único vínculo no qual tenho uma responsabilidade vitalícia é comigo. No início ou no fim dos meus encontros, o meu amor deve permanecer acima de qualquer pessoa.

O que quero dizer é: eu nunca vou colocar a minha saúde emocional abaixo de ninguém. Pode doer desistir de alguém, pode fazer uma falta absurda abrir mão de uma pessoa que até então, não só compartilhava importantes momentos da minha vida, como também somava nela. Mas, a partir do instante em que a reciprocidade ou qualquer outro sentimento benéfico e mútuo deixe de ser cultivado, dizer adeus será a minha primeira escolha.

Estou bem, estou em paz com tamanha clareza. Eu sei bem dos meus defeitos, das inseguranças que ainda não superei e também das muitas perguntas que ainda não obtive respostas. Mas se tem alguma coisa a meu respeito que não está em pedaços ou perdida, essa coisa é o meu amor. E nele, todos os planos e felicidades que imagino ser ideias, ocupam o mesmo canto no coração.

Então, pense bem nisso. Pense carinhosamente antes de escolher alguém, levando tudo de si e não cuidando das próprias emoções – ignorando o próprio equilíbrio. Se não te faz bem, você tem todo o amor para dizer adeus.

Todas as pessoas podem ser pontes

Todas as pessoas podem ser pontes

Quem já acompanha o blog “Para além do agora” a mais tempo já deve ter percebido que eu sou fã do Paramahansa Yogananda. Escrevi dezenas de textos inspirado nas suas sábias palavras. Porém, uma coisa precisa ser dita. Ele só se tornou o mestre que se tornou porque foi guiado por outro mestre, o grande Sri Yukteswar.

Nesse texto farei uma breve reflexão inspirado nas suas palavras. Leia com bastante atenção…

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 “Aquele que não consegue perdoar os outros acaba por destruir uma ponte pelo qual ele mesmo terá que passar.”
— George Herbert

Em um sentido prático e objetivo, quem nós somos é uma consequência do ambiente em que existimos, influenciados pelos eventos e experiências de relação com “o outro”. Mas somos muito mais do que isso, tudo que aconteceu no universo nos trouxe exatamente nesse momento, somos a consequência inevitável da disposição das leis da física.

Assim como o corpo e tudo que é percebido por ele, a consciência também é um aspecto fundamental dessa existência, já que ela é tudo que existe, só pode replicar a si mesma, portanto tudo é uma extensão da existência em si, e nossas experiências são uma maneira dela explorar a si mesma, dentro de si mesma, consigo mesma.

Essa percepção é a compaixão, é saber que você é o outro e ele é você, estamos todos interconectados, influenciando e reagindo a influencias.

“Quanto maior for a realização que você tiver sobre si mesmo mais você ira influenciar o universo com as suas vibrações sutis, e menos será afetado pelo fenômeno do fluxo.”
— Sri Yukteswar

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Eu fiquei encantado com tais palavras. Elas são relativamente simples de compreender intelectualmente, mas não são nem um pouco simples de serem colocadas na prática da vida diária.

Como nenhum de nós atingiu ainda essa iluminação, é comum no nosso meio existirem essas pessoas que “nos tiram do sério”, que agem de uma forma que consideramos terrível etc.

Todos os grandes mestres são unânimes em dizer que esses indivíduos são Budas disfarçados, que surgem para testar se estamos no caminho certo ou não.

Nas palavras do mestre Sri Yukteswar, todas as pessoas são PONTES, que nos conectam de um estado inferior de consciência para um estado um pouco mais elevado de consciência.

E o que faz essa ligação dessa ponte é o PERDÃO. Inclusive a raiz dessa palavra diz exatamente isso “perdoar” significa “para dar, para doar”. Não é interessante?

Eu só posso dar ou doar aquilo que tenho, aquilo que em mim existe em abundância. Jesus Cristo só doava amor para as pessoas porque ele era puro amor. É dele a conhecidíssima máxima: “Devemos perdoar o nosso irmão 70 vezes 7 vezes”. Ou seja, infinitamente.

Quando de fato buscamos vivenciar isso no dia a dia, acontece essa magia de expandir a consciência e tocar muitos corações. Até hoje, tanto o mestre Sri Yukteswar quanto o Yogananda continuam arrastando milhões e milhões de pessoas para Deus porque suas palavras são de uma verdade e de uma profundidade que é impossível continuar a ser o mesmo após entrar em contato com elas.

O último parágrafo é de enorme impacto. Leia novamente: “Quanto maior for a realização que você tiver sobre si mesmo mais você ira influenciar o universo com as suas vibrações sutis, e menos será afetado pelo fenômeno do fluxo.”
Esse fenômeno de fluxo que ele fala é sobre as pessoas que seguem a boiada, que só repetem o que todo mundo faz, sem inovação, sem transformação, sempre fazendo “mais do mesmo”.

Infelizmente, elas são a maioria, porém, quando pelo autoconhecimento vamos alcançando essa realização interior, todos ao nosso redor passam a sentir essa vibração sutil por nós emanada, até mesmo as pessoas que consideramos mais grosseiras.

Sei que estou longe da sabedoria desses dois, mas consigo perceber a veracidade disso em coisas pequenas no meu dia a dia. Como procuro tratar a todos com amorosidade, com carinho e com gentileza. Muitas pessoas que são conhecidas por serem rudes, grosseiras, estupidas etc. falam comigo de forma branda, de forma respeitosa. Isso tem acontecido muito constantemente na minha vida…

Já pensou essa mudança e transformação sendo levada para toda a humanidade? Nós viveríamos num paraíso.

Internalize essa sabedoria que não é somente do mestre Sri Yukteswar, mas de todos os grandes mestres. Todas as pessoas podem ser pontes. Isso não vai depender delas, vai depender único e exclusivamente de você e de como você age…

Ao sofrimento: Obrigada por ter me feito mais forte

Ao sofrimento: Obrigada por ter me feito mais forte

Assistindo a um vídeo do Dr Rubem Alves no YouTube, me deparei com sua explicação pessoal para a doce frase que intitula um de seus livros: “Ostra feliz não faz pérola”. Ele dizia que só a ostra que sofre é que faz pérola. Porque, para fazer a pérola, a ostra precisa ter alguma coisa que a irrite, um grãozinho de areia que a faça sofrer. Então, ao invés de eliminá-lo, ela envolve aquele ponto agudo cortante por uma substância lisa. E a ostra vai produzir a pérola para deixar de sofrer.

Não defendo a dor nem o sofrimento, mas acredito que, já que não podemos evita-los, devemos aprender com eles. E no fim agradecê-los por terem feito de nós pessoas mais fortes. Por permitirem que, de um jeito inesperado, nos tornássemos capazes de usar a sabedoria a nosso favor, tirando algum proveito da dor. Por nos mostrarem que, em algum lugar dentro de nós existe uma força que nos sustenta quando tudo o mais desmorona.

Uma das orações mais bonitas que existem é a Oração da Serenidade. Criada durante a Segunda Guerra Mundial, fala de aceitação, coragem e sabedoria. Não à toa é recitada em grupos de recuperação de vícios, pois sintetiza de forma muito bonita como podemos encontrar equilíbrio e harmonia naqueles momentos em que a vida nos tira o chão.

A parte mais conhecida da oração diz assim: “Concede-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”. Mas também gosto do trecho da oração completa que fala assim: “Aceitando esse mundo tal como ele é, e não como eu queria que fosse”.

O mundo tal como ele é nem sempre é como a gente desejaria, ou sonharia que fosse. Por isso, é preciso discernimento para entender onde nossa energia e boa intenção podem frutificar ou não. É preciso sabedoria para recuar, para aceitar o que não dá para mudar, para talvez, quem sabe, seguir por outro caminho. Porém, o que vejo por aí é muita gente dando murro em ponta de faca, se enfurecendo com a vida, com Deus, com as pessoas… quando deveria apenas confiar. Outras vezes, me deparo com o contrário: tanta coisa a ser feita, tantas mudanças positivas a nosso alcance, e falta ânimo e coragem para começar.

Aceitar é um gesto de humildade, de reconhecer nossa pequenez diante de Deus, e também um ato de fé, ao admitir que há um propósito maior para a dor, que eu não entendo nem consigo explicar, mas no qual acredito e confio.

Quando uma ostra produz uma pérola, ela entende – e aceita – que não há como expelir o grão de areia que tanto a machuca. Assim, busca dentro dela recursos para que possa vencer a dor dignamente. Buscando uma saída, produz uma pérola. Essa é uma belíssima analogia da sabedoria da natureza que poderia inspirar a sabedoria humana, tão rara nos dias atuais.

Não adianta vivermos ressentidos com o sofrimento que a vida nos impõe. Não somos vítimas de uma conspiração divina para nos punir. Certas coisas acontecem aleatoriamente, e se não aprendemos a entrar no ritmo da vida, sofremos mais. Temos que perdoar os infortúnios, e seguir sem nos sentirmos magoados com a existência.

É preciso aprender a ser forte sem perder a delicadeza. Aprender a tolerar as mudanças de planos, os desvios de rota e a quebra de contratos com paz no coração e absolvição das próprias culpas. É preciso acreditar que, ainda que a vida nos machuque repetidas vezes, temos a possibilidade de desgastar-nos ou afiarmo-nos, tudo depende do metal de que somos feitos…*

*Essa frase é referência á célebre frase de George Bernard Shaw: “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.”

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“Pensar é difícil, é por isso que a maioria das pessoas prefere julgar”

“Pensar é difícil, é por isso que a maioria das pessoas prefere julgar”

Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Devem ter esquecido de acrescentar que de juiz também tem. É tanta disposição pra julgar a vida dos outros que chega a surpreender.

Tantas preocupações podem nos rondar a vida, tantos afazeres para serem cumpridos e o que mais se vê por aí são pessoas que preferem se ater ao que acontece na vida dos outros. Chega a ser difícil de compreender.

A verdade é que saber os motivos que levaram essa ou aquela pessoa a tomar uma decisão, mudar de rumo ou de atitude, devem dizer respeito somente a ela mesma. Sendo próximos ou distantes no círculo de convívio, tendo intimidade ou não, a ninguém cabe o direito de dizer o que as pessoas devem fazer ou deixar de fazer da própria vida. Presumir, supor e julgar são ações que não devem ser aplicadas sobre as decisões e comportamentos das outras pessoas. Mas, contudo e todavia, nem todos se dão conta de que deve ser assim. Cuidar da própria vida nem sempre é o comportamento mais adotado.

É como se todos soubessem a receita, os remédios e os métodos para solucionarem os problemas que são das outras pessoas. É muita gente cheia de dicas de como conduzir a vida e que, ao invés de auto aplicá-las, prefere aplicá-las na vida alheia; que não se contenta em cuidar da própria existência e decide dedicar uns palpites à vida do outro, adotando comportamentos que vão desde inconvenientes a maldosos, passando pela certeza de serem desnecessários.

Afeito a analisar o comportamento humano, Carl Jung declarou que “pensar é difícil, é por isso que a maioria prefere julgar.” Tirar conclusões a partir do que se vê apenas, ainda que o que está à vista seja apenas a ponta do iceberg parece ser a “praia” do ser humano. E pior que concluir, é espalhar essa conclusão como certeza, quando não deveria chegar nem perto disso. Existem verdades que são muito pessoais e que precisam e devem ser respeitadas; motivações que pertencem ao íntimo de cada pessoa e que devem ser preservadas dos julgamentos, sobretudo dos superficiais.

Já o escritor Paulo Coelho afirmou: “não devemos julgar a vida dos outros, porque cada um de nós sabe de sua própria dor e renúncia. Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que seu caminho é o único.”

Deveria ser regra, mas é exceção. Sendo assim, e como é quase impossível escapar dos julgamentos e dos seus malefícios, a dica mais importante a ser oferecida é: não se atormente com o que dizem, sobretudo quando as pessoas não sabem sua versão dos fatos. Não dê ouvidos a quem não sabe nada sobre você. Viva em paz com suas verdades, porque o mais importante é como você se sente e lida com elas. Julgamentos são o que são, apenas julgamentos. Eles não devem ter, nunca, nenhum poder sobre você.

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