Nada como ter um lar para voltar ao fim do dia

Nada como ter um lar para voltar ao fim do dia
Peaceful woman relaxing at home with cup of tea

Os dias muitas vezes se arrastam, as horas se demoram, o tempo para no tempo e os problemas se avolumam, as saídas não aparecem e a luz teima em escurecer, lá fora e aqui dentro de nós. Não é fácil viver um dia após o outro, não é fácil enfrentar a maldade de gente que não gosta de ninguém, não é fácil enfrentar a nós mesmos e tudo o que fizemos de nossas vidas, e tudo o que deixamos de fazer. Como é bom ter para onde retornar após toda dor, todo cansaço, toda vida de cada dia.

Nada como ter um lar para voltar após passar o dia todo em um serviço extenuante, que mina as nossas forças, que nos obriga a conviver com o pior do que o outro tem a oferecer. Não poderemos pedir demissão quando bem entendermos, precisamos sobreviver. Mas em nossa casa, junto de quem sorri ao nos ver, nosso recanto, nosso conforto, seremos capazes de reabastecer nossa luz e nossa força em continuar tentando. Todo dia.

Nada como ter um lar para voltar após enfrentar o dia que deu errado, as palavras que foram mal entendidas, as discussões que enfrentamos por nada, as decepções que tivemos com quem mais amávamos. O lar então será o nosso porto-seguro, a morada da calma, da clareza, do entendimento do que fica lá fora. O lar será o lugar onde poderemos refletir calmamente sobre nossa parcela de culpa em todas as dores que nos rodeiam. Sempre.

Nada como ter um lar onde encontraremos aqueles que nos amam, nos querem, nos olham, percebem, nos perguntam sobre o que sentimos, o que desejamos, o que sonhamos. Aqueles que nos entendem, que nos dão as mãos firmes, chacoalhando-nos e trazendo-nos de volta à realidade do bem que está em nós e caminha ao nosso lado. Aqueles que jamais desistirão de nós. Nunca.

Nada como ter um lar onde descansaremos, onde choraremos, onde aplacaremos as dores do corpo, da alma, deixando escorrer o gosto amargo da boca, da pele, do coração. Onde nossos medos não nos afundarão na escuridão da solidão, onde haverá para onde fugir, para onde correr, para onde voltar nossos olhos e nossas esperanças. Um lugar nosso, tão nosso que saberemos a preciosidade de quem permitiremos ali residir ao nosso lado, dormindo e acordando junto. Junto.

Teremos muito a enfrentar, teremos muita coisa à frente, muito do que nos orgulhar, do que nos envergonhar, muito a perder, a conquistar, a sorrir e a chorar. O amanhã é uma incógnita, incontrolável, imprevisível, surpreendente sempre. Sabermos, afinal, que teremos para onde voltar ao fim de cada dia, que haverá quem nos esperará com alegria, que haverá repouso e consolo no conforto do corpo e da alma, fará toda a diferença em nossas vidas, seja quando corremos para casa com a intenção de dividir felicidade, seja quando nos arrastamos para encontrar a guarida amorosa de nossos pesares.

Não é que eu não me importe, mas algumas pessoas são esquecíveis

Não é que eu não me importe, mas algumas pessoas são esquecíveis

E não foram embora necessariamente por terem trazido maus-tratos, mas é que, por vezes, algumas pessoas que passam pelas nossas vidas não agregam e tampouco diminuem. Elas são esquecíveis. Chegaram e partiram em um tempo diferente, em um coração diferente.

Quantos relacionamentos já aconteceram pela casualidade dos instantes? Em quantas oportunidades entregamos afetos e recebemos uma descarada indiferença? O caminho natural seria pensar por baixo. Colocar demérito na própria atitude ou culpabilizar quem nada fez para merecer atenção. Mas é besteira atentar-se para isso. É nutrir um sofrimento desnecessário quando, na verdade, tudo o que fizemos foi sermos a nossa melhor versão. Infelizmente, nem todos os carinhos são garantias de reciprocidade. Infelizmente, temos hoje uma horda de almas que diz viver de mais, mas coloca-se de menos.

Não se engane, essas palavras estão bem distantes de serem lamentos embutidos por mágoas. Muito menos tratam-se de uma crítica social por quem deu com a cara no chão ao carregar sentimentos desastrados. Longe disso. Aqui, o que reside é simplesmente a constatação das entrelinhas deixadas durante uns dias, noutras noites.

Estar perto, somar e compartilhar dos mais variados relacionamentos é uma escolha. Sejam encontros efêmeros ou intensos, sempre existirão múltiplas possibilidades de caminhos. O entristecedor é perceber que, para muitos, certas escolhas precisam ser tomadas pelos outros e não por si. É a tal transferência de responsabilidade, sabe? Covardia das mais empobrecedoras desde que um casal qualquer, num século qualquer, decidiram que para terem suas vontades atendidas precisariam jogar entre eles.

É muito fácil falar de solidão e não saber ser só. É muito cômodo viver por amor e não saber amar-se. É, dentre tantas amenidades, pedir empatia e não saber estender a mão. Ainda assim, acenamos, balançamos a cabeça e deferimos outros pequenos gestos imaturos em prol das necessidades mais preguiçosas. Por quê?

Precisamos reconhecer limites. Devemos, o quanto antes, estabelecer algo mais para nós quando se trata de permitir quem fica. Porque muitos pedirão, com jeitinho, para ficarem. Mas desculpe, não me leve a mal. Não é que eu não me importe, mas algumas pessoas são esquecíveis.

Só depois de muito amor eu vou embora

Só depois de muito amor eu vou embora

Quero o seu olhar através do meu querer e que os instantes durem sem medidas e planos. Nesse sentir confiante, o coração na mão. Porque só depois de muito amor eu vou embora. Não antes.

Quero pela existência de você. Por sua cumplicidade que não vacila e pelo afeto que não declina. Na simplicidade, muito mais do que acaso ou destino. Você sorrindo, você dizendo, você vivendo. Parece ser uma questão de sorte. E que sorte a minha.

Quero para uma vida inteira. Dividir escolhas, músicas, filmes e outros momentos contemplados a dois. E mesmo nas dívidas e ganhos, a menor das importâncias. Afinal, estar perto significa algo além das vontades efêmeras.

Quero descaminhos intensos. Fazer de cada depósito amoroso um depoimento sincero de afago. Para sermos, na nossa própria morada, pioneiros do mais amar.

Quero e não é pouco. Só depois de muito amor eu vou embora. Depois de vivermos tudo em diferentes sabores. Ainda assim, acenar o adeus só quando você desistir de transbordar amor.

“Me deixe sim
Mas só se for
Pra ir ali
E pra voltar

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar…

(…)

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem
Lara rara

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração…” (Carlinhos Brown / Marisa Monte)

Não deposite sua felicidade naquilo que você pode perder

Não deposite sua felicidade naquilo que você pode perder

Não raro, acabamos sentindo como se a felicidade fosse algo longínquo, uma utopia, inalcançável e distante, uma vez que costumamos dar atenção demasiada aos momentos desagradáveis que enfrentamos, enquanto tratamos de nos esquecer rapidamente dos prazeres que pontuam nossos dias. Simplesmente porque a maioria de nós se esquece de prestar atenção em si mesma, ocupando-se com comparações entre o que se tem e o que se deseja sem possuir.

Embora seja lugar comum aquela velha ideia que nos aconselha a tentarmos procurar ser feliz, encontrando dentro de nós o que existe de bom, para que cultivemos a gratidão pelo que somos, por tudo e por todos que já fazem parte de nossas vidas, acabamos por nos desviar de nossas conquistas, lamentando tudo aquilo que não está ao nosso alcance. E, assim, fugimos ao contentamento pessoal, em meio a queixas e angústias, sentindo-nos menos afortunados, menos vencedores, menos felizes.

Da mesma forma, muitas vezes depositamos a fonte de nossa alegria naquilo que se encontra fora de nós, como se nossa felicidade dependesse de tudo e de todos que estão bem longe, como se não fôssemos capazes nem merecedores de felicidade. Com isso, ser feliz passa a ser uma condição que independe de nós, mas sim do parceiro, das roupas, do carro, enfim, do que podemos comprar, de quem nos rodeia, do acaso, menos do que temos dentro de nós.

Infelizmente, quem só consegue ser feliz quando o outro lhe retorna afeto, quando consegue comprar a roupa da moda e o celular de última geração, quando tem sol com praia, dias sem problema algum ou amizade correspondida, tem pouquíssimas chances de sorrir com verdade. Porque a gente vai levar rasteira da vida, a gente vai se decepcionar com as pessoas, a gente vai ficar sem dinheiro, vai levar porrada, sim, não tem como fugir a isso.

Por essa razão, uma das piores coisas que faremos por nós mesmos será ficar esperando que o mundo à nossa volta nos retorne o que queremos para que possamos sorrir, como se fôssemos meros espectadores do que ocorre, como se nossa felicidade não estivesse em nossas próprias mãos. É preciso que sejamos responsáveis por nossas vidas, agindo para que possamos desfrutar dias de sol e de tempestade com coragem e equilíbrio, de mãos dadas com quem for capaz de nos roubar sorrisos sinceros, ou simplesmente acompanhados de nós mesmos, afinal, sempre seremos a nossa melhor companhia.

*O título deste artigo baseia-se em uma citação de C. S. Lewis

O mundo não é mesmo para os amadores. É para os amorosos.

O mundo não é mesmo para os amadores. É para os amorosos.

Já viu quanta gente repetindo por aí que isso ou aquilo “não é para amadores”? Em todo canto tem alguém tagarelando o chavão. Enchem o peito e decretam “o Brasil não é para amadores!”. Pois sim. Não é mesmo. O Brasil, o casamento, a política, o serviço público, o mercado, a paternidade. Nada disso é para os amadores. É para os amorosos! Para aqueles que fazem com amor.

Amadores são voluntários, desobrigados, dispersos, ingênuos. Não fazem isso por mal, mas são vagos, irrefletidos, preguiçosos. Logo, dispensados de responsabilidade “maior”.

Atletas amadores não precisam chegar na frente. Artistas amadores não carecem viver de sua arte. Cozinheiros amadores não têm de vender os seus pratos. Fazem o que querem por gosto, por vontade. Se não “der certo”, tudo bem.

Amorosos, por sua vez, são “profissionais”. Fazem com amor, aprimoram seus métodos, empenham a alma em seu ofício, apuram-se no exercício daquilo que praticam porque amam. Tornam-se peritos em seus fazeres e tudo o que fazem, de alguma sorte, “dá certo”.

Daí não existirem mães e pais amadores. Há mães e pais. Uns são bons, uns são ótimos, outros ruins e outros péssimos. Mas os bons e os ótimos são amorosos obrigatórios, profissionalmente adoráveis. Assim como tudo o que há de importante, a paternidade não é para amadores. É para quem tem amor. Para os amorosos profissionais.

Há mal nenhum em ser um amador. De quando em vez, em alguma instância, todos somos. Quem nunca? Quem nunca agiu feito principiante, trocou os pés pelas mãos, passou a carroça na frente do burro? Acontece com todo mundo. Todos temos o direito de ser amadores aqui e ali, de fazer tipo, de entrar na água só até a canela.

Mas aí uma hora a vida chama na chincha, a porca torce o rabo e não tem jeito: a gente pega o touro a unha e faz o que tem de fazer. Faz do jeito certo. Faz com amor, não como um amador.

Certas coisas não são para os amadores mesmo. São para os amorosos. Amadores não precisam se comprometer. Amorosos vão até o fundo e, de um jeito ou de outro, acertam porque fazem com amor. E com amor, você sabe, não tem erro nunca.

Se não for amor com gosto de quero mais, siga em frente

Se não for amor com gosto de quero mais, siga em frente

Que me perdoem os teóricos de relacionamentos, mas o amor é para chegar invadindo com as duas mãos. É para carinhos sem travas e beijos sem perdões. Porque se não for amor com gosto de quero mais, talvez o melhor seja seguir em frente.

O tempo é curto e o coração não é uma jaula. Não podemos permitir que um sentimento tão extenso seja contido por regras pequenas. Merecemos todo o torpor dos versos vermelhos. Deixemos os medos esparramados pelo chão. Vamos adentrar nesse querer intenso e cafajeste. Sim, pois do amor também surgem epopeias inesquecíveis de prazer. O gosto de quero mais precisa ficar não só na saudade da presença, mas também nas mordidas e outras sentenças distribuídas no corpo despido.

O querer de dois clama por calmaria e também fica de joelhos para conceber tempestades. Dos afagos ditos, dos gestos em ritos. Devagar e a toda velocidade. Juras não serão necessárias. É o agora destilando verdades. E ainda que ações não sejam contadas e os minutos programados, o que restará é a síntese das mais belas trocas. De pernas, conversas e tudo do pouco que faz parte do muito.

Nada de espera. Nada de solidão. Nada na contramão. Apenas sejamos. Do contrário, siga em frente. Aqui o gosto de quero mais é certeiro da mesma forma que um amor pela manhã.

A culpa não é de ninguém

A culpa não é de ninguém

De quem é a culpa pelos fatos desagradáveis que acontecem na sua vida? E pelas pessoas, talvez não tão legais, que surgem na sua jornada? Talvez você mesmo esteja “pedindo” algumas coisas contrárias ao seu interesse?

Há questionamentos que simplesmente não fazem sentido, e compreender isso pode trazer um grande alívio…

Você está frustrado porque o seu trabalho não é nada realizador.
Você está triste porque seus familiares não possuem muitas das qualidades que você aprecia, por mais que você se esforce.
Você está desanimado, ao mesmo tempo, por não conseguir brincar com seus filhos como gostaria, afinal, está sempre na correria.
Você está angustiado por não conseguir alimentar seu relacionamento como o fazia no passado, o cansaço lhe impede de dar (e receber) a atenção devida ao seu parceiro.

Você está aflito por não conseguir atingir muitas das metas de final de ano traçadas, e isso já vem se repetindo há alguns anos.
Você está frustrado por não fazer – por vários motivos – todos os cursos/estudos/atualizações que gostaria.
Você está chateado por fazer muito tempo que não encontra pessoalmente seus amigos de verdade, pra comer uma besteira, tomar um drink e jogar conversa fora.

E, muitas vezes, você para para pensar e se sente um miserável por essas estagnações todas.
E, então, fica ansioso. Deprimido. Confuso. Perdido.
Não sabe nem por onde começar a “ajeitar” as coisas.
E, vez ou outra, acaba culpando os outros pelas situações: os filhos por não serem perfeitos, o companheiro por não ser dedicado, os amigos por serem desinteressados, o chefe pelo trabalho ser maçante…

Mas daí percebe que, culpar os outros (silenciosa ou declaradamente), apenas piora as coisas, o clima começa a ficar pesado, você se arrepende por pensar assim, e nada, de fato, acaba mudando…

Então, passa a culpar a si mesmo: “oh pessoa sem vontade, que não tem jeito, acaba sempre cometendo os mesmos erros, não aprende com eles, não se esforça, está esperando acontecer o que para mudar?!”
Nesse ponto, as emoções, que já estavam fragilizadas, ficam caóticas! Você contra você mesmo, tem cabimento?!

A imunidade cai, o cansaço aumenta, o coração fica triste, a mente fica a mil e a ansiedade toma conta!
Aí se sofre, se sofre e se sofre, até se tentar sair do buraco…
Então se procura um médico, um curandeiro, ou qualquer coisa do gênero…
E a ajuda vinda pode até amenizar a dor por um tempo, mas, cedo ou tarde, ela volta!

E o círculo vicioso começa outra vez!
Por quê? Porque não se exterminou o problema na fonte. Ele continuou ali, latente. E ficará para sempre se você não tomar uma providência efetiva…
E como se faz?
É preciso organizar as emoções. É preciso se autoconhecer. Se investigar. Se estudar e se compreender. Enxergar as suas sombras, para poder afastá-las.

Entender que a culpa, definitivamente, não é de ninguém!
Os outros podem, sim, acionar gatilhos em você. Mas só vai ressoar em seu íntimo o que tiver que ser trabalhado. Se você precisar desenvolver a paciência, o amor incondicional, a serenidade ou a compreensão, as pessoas e as situações da vida lhe darão as oportunidades…

E é fundamental se dar conta de que, evidentemente, você não é perfeito e não vai conseguir ser, por mais que se esforce. Nem deve ser essa a pretensão!
A missão de cada um, ao fim e ao cabo, é evoluir, mas não virar um “deus”.

Então, você tem defeitos, vai falhar e vai, eventualmente, machucar os outros também, mas precisa se compreender, se acalentar e “se gostar”, apesar de tudo.
E não se culpar, se martirizar, se “auto-humilhar”.
Nem fazer isso com ninguém. Entender que os outros, tal como você, também estão envoltos nos seus conflitos e nas suas emoções e, muitas vezes, fazendo o melhor que conseguem no momento, com o entendimento que possuem.

Somos todos aprendizes. Uns auxiliando os outros, ainda que de forma inconsciente. Estamos todos andando na mesma direção, em busca do mesmo objetivo, uns mais à frente e uns mais atrás de um mesmo caminho.

Mas é preciso ter em mente que, a sua primeira missão, é consigo mesmo. Se centrar, se cuidar e procurar a sua luz.
Sem culpar a si, sem culpar as outras pessoas, a Deus, ao acaso, ao tempo, às circunstâncias ou seja lá o que for pelo que surgir em sua jornada.

Aceitar o que vier, enfrentar dando o melhor de si e procurar aprender a lição que cada fato e pessoa lhe oferecer.
A vida fica bem mais leve sem precisar se apontar o dedo a quem quer que seja (principalmente a si mesmo)…

Aproxime-se dos seus filhos, não se distancie

Aproxime-se dos seus filhos, não se distancie

Por Raquel Etérea

Com o estilo de vida que levamos, cada vez nos encontramos mais ocupados e sem tempo para nos dedicar a nós mesmos e às pessoas que mais amamos. Nesse contexto encontram-se nossos filhos, os principais afetados que veem como seus pais vão se distanciando cada vez mais deles.

Quando pensamos em ter filhos, analisar se vamos poder fornecer a eles uma estabilidade econômica e encontrar uma resposta afirmativa é importante na hora de dar esse grande passo. Mas nos esquecemos de que antes da estabilidade econômica temos que analisar se podemos e estamos dispostos a compartilhar tempo de qualidade com eles. Podemos dar um quarto impressionante com muitos e muitos brinquedos, cheios de livros com ilustrações fantásticas, mas se não há com quem brincar ou quem leia para eles, não fará diferença.

Um filho dá um monte de alegrias mas também nos traz muitos desafios. Perguntas e mais perguntas, para as quais por vezes não temos resposta, mas que de alguma maneira temos que responder. Para isso temos que ouvi-los, conhecê-los e transmitir para eles nosso carinho, fazê-los entender que podem contar conosco. Isso pode se dar já com seus avós, com seus irmãos, seus tios, sua babá se houver. Mas o mais importante é o reconhecimento dos pais.

Ter filhos não nos torna pais automaticamente, assim como ter um piano não nos torna pianistas.

 

Falta de tempo ou falta de interesse?

É normal que o tempo com os filhos diminua quando nos encontramos diante de um projeto importante ou com muita carga de trabalho. O problema é que quando temos um tempo livre para aproveitarmos, na realidade acabamos indo para longe do aproveitamento e o jogamos na lata do lixo.

Esse é um problema bastante comum. Acreditamos que nunca temos tempo, quando realmente deveríamos ver como podemos ser mais produtivos e aproveitar ao máximo as horas que temos para nós mesmos.

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Bom, é certo que, como pais, nosso trabalho também se encontra dentro de casa: arrumar as roupas, prepara a comida, dar banho e ajudar os filhos… Tudo isso nos ocupa tempo, mas nos sentimos sempre esgotados e o que queremos é descansar.

No entanto, nossos filhos merecem atenção e devemos fazer um esforço para dar a eles algum pedaço desse tempo que algumas vezes temos para gastar com o que quisermos. É complicado, pois acreditamos sempre que não temos tempo nenhum. Mas se pensarmos bem, às vezes é mais um ‘não querer’ do que um ‘não poder’.

Lembre-se sempre de que o melhor presente dos pais para seus filhos é algo chamado tempo.

A síndrome dos pais ausentes nos filhos

Talvez pensemos que tudo o que falamos até então não seja tão grave assim, ou é isso que queremos acreditar. A verdade é que podemos estar provocando em nossos filhos uma síndrome chamada síndrome do pai ausente, em que ainda que o pai esteja presente, encontra-se inacessível emocionalmente.

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Só nossa presença não basta para nossos filhos. Devemos estar ali para eles, falar, compreendê-los, compartilhar coisas, sonhar juntos. É muito importante ter isso em mente se não queremos que nossos filhos comecem a desenvolver condutas que não nos agradam, como essas a seguir:

  • Problemas para respeitar as regras ou a autoridade em todos os âmbitos.
  • Incapacidade para fazer um trabalho até o fim.
    Indisciplina e falta de iniciativa.
  • Condutas abusivas com os companheiros.
  • Falta de sinceridade.

Ainda que não acreditemos, todos esses problemas que tentamos resolver por meio de gritos ou castigo têm uma só origem: nós mesmos. Estamos fazendo as coisas de uma forma muito ruim, e não nos damos conta. Não devemos ser pais ausentes, devemos ser pais presentes.

Não se mate trabalhando para dar tudo do bom e do melhor para o seu filho. Quando eles crescerem não se lembrarão dos presentes e dos brinquedos, mas sim dos momentos que passaram com você.

O desenvolvimento cerebral pode ser afetado

Os problemas anteriormente descritos já são graves e difíceis de resolver, mas você sabia que o desenvolvimento cerebral de nossos filhos pode ser gravemente afetado por nosso comportamento distante? Isso não é uma afirmação aleatória, é o resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sichuan.

Nesse estudo chegou-se à conclusão de que as crianças que passam muito tempo sem seus pais, sem manter um contato verdadeiro e próximo com eles, sem estabelecer um vínculo emocional, sem passar tempo juntos de verdade, manifestam um atraso no desenvolvimento cerebral.

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O cérebro permanece imaturo. As áreas relacionadas com as emoções não se desenvolvem do jeito devido e, por isso, há uma resposta deficiente em relação a esses estímulos aos quais as crianças não foram expostas.

Mas podemos pensar que isso só tem a ver com as emoções, quando realmente tem a ver com muito mais. O estudo também descobriu que ter pais ausentes pode provocar graves problemas de aprendizagem, assim como um quociente intelectual muito menor.

“Dê a mão ao seu filho cada vez que tiver a oportunidade. Chegará ao momento em que nunca deixará de fazê-lo”
-H. Jackson Brown-

Em algumas ocasiões, não há nenhuma diferença entre um pai que passa tempo com seus filhos e aquele que quase nunca os vê. O importante é saber se aproximar deles, compartilhar coisas, falar e prestar atenção. O problema dos adultos é que consideramos que nossas preocupações são mais importantes quando, na realidade, não há nada mais importante que estar ali para nossos filhos.

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Não são só os problemas que, como vimos, podem surgir da distância, mas também o valioso tempo que estamos perdendo e a irresponsabilidade que é não estar lá para ensinar aos nossos filhos como dar seus primeiros passos nesse mundo. Pensemos um momento em quando éramos pequenos, não precisávamos de pais presentes?

Santa ironia. Os retiros espirituais tão cheios e os espíritos tão vazios.

Santa ironia. Os retiros espirituais tão cheios e os espíritos tão vazios.

Eu acho bonito, quando chega essa época do ano, ver tanta gente nos retiros espirituais. São pessoas de todo canto, de toda crença, de todo jeito, retirando o espírito para longe dessa loucura que, quase sempre, elas mesmas ajudaram a criar. Eu acho bonito.

Deus queira que essa gente toda não seja daquela espécie que passa o ano inteiro destilando veneno, magoando, pisando, gritando, batendo, e em dezembro fica uns dias no meio do mato ouvindo as cigarras, bebendo água da moringa, comendo fruta no pé, fazendo silêncio, dormindo, caminhando descalça, vivendo no céu mas depois, com o espírito renovado, volta a fazer da vida dos outros um inferno.

Você não me leve a mal, mas de que adianta encher os retiros espirituais nessa época e seguir vazio de espírito o ano inteiro? Sei não. Eu só acho que retiro espiritual não funciona se a gente não põe o espírito para trabalhar.

Retirar o time de campo nessas horas é fácil. Duro é voltar e contribuir. Trabalhar firme, colaborar, pôr em prática o que se aprende na teoria do isolamento. Afinal, por que raio alguém faz um retiro espiritual senão para aprender com o silêncio, ouvir a sua voz interior longe do burburinho e tentar dar jeito nas coisas?

Acontece que, do jeito como tudo anda, tem gente cuja voz interior não grita outra coisa além de “volte lá e acabe com todos eles”. É triste, mas verdadeiro.

Não há retiro espiritual que dê jeito em espírito de porco. Não sozinho. Esse buraco fica mais embaixo e bem mais longe que o retiro mais afastado.

Mas a gente não pode perder a esperança. Tomara que esse ano os retiros se encham de gente e os espíritos se completem de humanidade. Talvez seja esse o espírito da coisa.

O que tem que ser vem com muita força

O que tem que ser vem com muita força

Nunca poderemos aguardar que aquilo que queremos chegue até nós de mãos beijadas, como se existissem pessoas, empregos e oportunidades nos procurando, prontos para bater à nossa porta. Há, sim, muitas coisas e pessoas feitas na medida exata da gente e que caberão perfeitamente em nossas vidas. No entanto, elas aguardam por nós, por nossa procura, por nossas ações, por nossa busca.

Muito do que conseguimos já nos parece destinado, como se nascêssemos para aquilo tudo, como se, mesmo que nada fizéssemos, teríamos direito a certas coisas que nos acontecem e a determinados encontros com as pessoas certas. As oportunidades e as pessoas que são perfeitas para nós existem, sim, porém, se não fizermos a nossa parte, permaneceremos longe de tudo o que nos cabe, porque tudo requer disposição e vontade.

Ouvimos sempre que o que tiver de ser será, o que não significa que o será, mesmo que fiquemos olhando pela janela sossegadamente sentados em nossa poltrona, aguardando o que estiver por vir. Na verdade, muito do que há por aí parece ser já nosso, como o emprego em que nos sentimos bem, o amigo com o qual podemos ser transparentes, a pessoa que acelera nosso coração e aninha a nossa alma. E tudo o que se encaixa na gente tem muita força, sim, pois nos atrai e por nós se atrai.

Mesmo assim, é preciso que estejamos sempre em busca do que queremos, com o coração leve e isento de maldade, firmes no propósito de conseguirmos alcançar o que desejamos e de conquistar quem nos faz bem, mantendo nossos princípios éticos, sem pisar ninguém nesse percurso. Quando vivemos ativamente, de bem com a vida, desejando o bem, sendo íntegros e verdadeiros, iremos ao encontro de tudo o que é nosso e de todos que nos amam com certeza, com transparência. Iremos, mesmo que nos firam, mesmo que nos traiam, mesmo que tentem nos derrubar, nos roubar, nos destruir.

Enfim, tudo aquilo que é nosso e todas as pessoas que parecem aguardar o nosso acolhimento farão parte de nossas vidas, permanecerão em nossa jornada, caso nos guiemos por convicções éticas e pela pureza do amor verdadeiro. E não haverá torcida contrária capaz de mudar o curso do destino que nos foi preparado, caso nos comportemos como roteiristas e protagonistas de nossa jornada, sem esperar sentado.

Quem nunca teve medo não sabe o que é ter coragem

Quem nunca teve medo não sabe o que é ter coragem

É preciso muita coragem para admitir que se está com medo. É preciso muita bravura para reconhecer que estamos assustados e passar desse ponto, ao ponto de respirar fundo e voltar à tona, depois dos inúmeros caldos que vivemos a levar das ondas da vida.

Quem já se sentiu ameaçado sabe que, muitas vezes, acabamos por agir de formas absolutamente inesperadas. Reagimos. E reagir significa apresentar uma alteração física, psíquica ou comportamental diante de um estímulo.

Reagir é mais próximo dos nossos instintos animais do que da nossa capacidade de pensar. A mais equilibrada das pessoas pode revelar-se furiosa diante de uma afronta; assim como, a mais reativa das pessoas pode perder a voz e até os movimentos diante de uma agressão sofrida.

Depende. Tudo depende, da nossa disposição, situação ou disponibilidade de recursos naquele momento.

Não somos seres definidos, como as abelhas ou as formigas que, independente das intempéries ou dos infortúnios, seguem obstinadas no cumprimento de suas missões.

Acima das abelhas, há a colmeia; acima das formigas, há o formigueiro. Essas nossas companheiras de jornada no planeta são seres coletivos. Nós, não. O individualismo nos rege e delineia nossa personalidade.

Vez em quando, ousamos sair da casca e olhar em volta sem que haja nenhum interesse próprio envolvido. Mas isso é raro. Muito raro.

O que nos falta em generosidade, amor gratuito e empatia, nos sobra em facilidade para dar notas de zero a dez às formas como cada um encontra de lidar com suas mazelas.

A dor do outro, essa incompreendida, é um absoluto mistério para nós. Ficamos abismados com as aparentes coragens alheias, porque simplesmente nos falta entendimento, ou disposição para entender que o medo é um atributo tão universal, quanto democrático.

Num mundo rico em desigualdades, se há algo que nos assemelha é o nosso despreparo para lidar com as coisas que dão errado, com as negações, as frustrações, os não-perdões. No entanto, a inconteste verdade é que, diante do perigo somos todos humanos.

Carta para te lembrar que você não está só

Carta para te lembrar que você não está só

Ontem eu te vi e você era luz. Você me estendeu a mão e eu guardei seu riso na memória e é dele que me lembro quando penso em você.

Hoje eu te vi e você ainda é luz, mas teus olhos tristes me contaram que você se esqueceu disso.

Você começou a esconder seu sorriso bonito com as mãos e, encobrindo sua alegria, o riso virou choro. Então te falaram que as asas nas suas costas eram um peso e você acreditou.

Veja bem, eu estou aqui para te lembrar que esse peso que te legaram, não é um fardo, mas sim uma benção, em forma de asas bem pouco usadas. Que você é maior que tudo.

Não se esqueça daqueles dias risonhos cheios de planos e sonhos felizes. Eles não acabaram.

Lembra. Você não é o seu dia que deu errado. Você não é um problema. Você não é a má fase pela qual está passando. Você não é um relacionamento rompido, o resultado do vestibular, o status do teu cargo ou a empresa para qual trabalha. Você não é sua doença ou sua dificuldade.

Você é muito mais que isso e a vida tem uma maneira interessante de indicar novos caminhos ou lembrar que podemos simplesmente retornar. Acredite na sua força e não desanime, mesmo que seus pés estejam cansados e seus olhos embaçados pelo choro.

Deixa de lado tudo que te levou para longe de você e volta. Larga essa terra de Oz, e vem pra realidade. Lembra. O Mágico de Oz bem pouco podia, no fim das contas foi a própria Dorothy que venceu todas as dificuldades e voltou para a verdade. Volte para a sua verdade. Aquela que disseram que você devia colocar de lado.

Consola teu coração. Consola tua alma e ora baixinho. Os anjos te escutarão.

Não diga que está tudo bem quando as coisas não estiverem bem. Seja sincero consigo e com os outros. Afasta do seu caminho aqueles que te trouxeram tanta dor. Vai para perto de quem te ama. Inventa um novo jeito de ver as coisas. Encontra a felicidade que existe aí dentro. É só procurar.

Ouça o teu coração. O coração não mente.

Permita-se tocar pela poesia da vida. Observa como é bonito o vento que tira as flores para dançar. Escuta a sinfonia do universo que diz: você não está só.

Você não está só. Hoje quem te estende a mão sou eu.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Você vai se decepcionar e amar de novo, não desista

Você vai se decepcionar e amar de novo, não desista

Para os descaminhos do amor, a pior frase que podemos assumir é a clássica “não quero me machucar de novo”. Desculpe, mas você vai. Mas também irá amar quantas vezes forem necessárias. Porque não adianta acreditar em um único amar. Somos somas de todos os relacionamentos bons e terminais que tivemos.

Esperamos que tudo flua conforme os nossos planos, mas para recolher afeto é preciso autoconhecimento. Aceitar dores, decepções e outros finais infelizes é o que nos permite a coragem de vivenciar inícios felizes. Isso de não se machucar mais é uma fábula. Trata-se de quem desistiu de olhar pra si e quer colocar na conta do coração que partiu. Para mais amor, você também precisa de mais calma. Saborear e deixar a tristeza permanecer por um tempo. E depois, com versos e abraços, buscar a própria construção da serenidade partilhada por dois amores.

O argumento mais comum entre os doloridos é o do cansaço emocional. Eu sei, cansa determinar e estabelecer limites dentro de nós. Ainda mais quando, dispersos, atingimos a condição de vítimas amorosas. Mas elas não existem, assim como os vilões. Perceber cedo que desencontros acontecem ajuda e permite a configuração de novos voos.

O amor não foi feito para ficar escondido. Não é um sentimento para os petrificados de medos. Amar é disposição de lançar-se ao desconhecido sem saber de uma possível recompensa. Você vai se decepcionar e amar de novo, não desista. Encontros para os que acreditam em sorrir mais uma vez.

Este teste rápido vai determinar qual sua idade psicológica

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Você apenas começou a viver, mas já se sente uma pessoa experiente e difícil de se surpreender com alguma coisa. Ou já tem uma idade considerável, mas ainda sente toda a alegria da adolescência. Você gostaria de saber quantos anos tem de verdade? Este teste vai ajudar a encontrar a resposta.

Lembrem-se que este teste é uma brincadeira, então não o levem tão a sério.

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