Almas hospedeiras se sustentam da essência alheia

Almas hospedeiras se sustentam da essência alheia

Ela era uma dessas árvores antigas, de galhos retorcidos, firmeza nas raízes, absorvendo essências subterrâneas desconhecidas e trazendo-as para o mundo em forma de seivas, folhas, força das cascas do tronco e na delicadeza dos galhinhos verdes recém-nascidos.

Era uma árvore autossustentada na poesia de si mesma e nas que pousam em seus galhos que sabem admirar e receber. Ela era circuito de amor, geradora de energia, mãe – dava de comer e beber a tantas outras vidas. Insetos, pássaros, orquídeas. Um pouquinho pra cada.

Mas tinha também uma outra existência entrelaçando-se com a sua.

Era uma espécie de trepadeira sinuosa que lhe abraçava e circulava do chão ao céu, uma planta hospedeira que foi crescendo e existindo nessa relação de dependência. Uma planta que não buscava por si mesma, sua raiz de essência. Ela sugava a substância que ia fluindo nas veias da grande árvore. A grande árvore, mãe, acolhedora, amparava-a e devagar e sempre ia doando mais do que podia. Vivia, mas sem energia para flores, permanecia grande, ereta, mas sem conhecer a plenitude de suas primaveras.

Até que um dia, dentro dessa apatia do mundo, um olhar de fora, observador, de um passante notou a beleza reprimida, a sabedoria bloqueada, a possibilidade de crescimento suprimida. E, num gesto empático, cortou a conexão da trepadeira e deu um respiro desconhecido à grande mãe. As marcas dessa ligação antiga ficaram ainda na derme ressentida da grande árvore.

No começo, ela sentida uma espécie de falta, uma espécie de desconhecimento de si mesma. Quem ela seriam, assim solta na vida? Quem poderia ser, até onde poderia crescer? Qual era o limite do céu?

Deixou-se apenas sentir…

E mal bem despontaram os primeiros raios de primavera, a grande mãe, quase que sem querer, cobriu-se de florzinhas amarelas brilhantes.

O floreio amarelo ouro nasceu por todos os cantos, cobriu as dores passadas, curou os medos inventados, trouxe o alívio da liberdade. Flores que choviam pelos ares, se esparramavam pelo chão, inundavam os olhares, despertavam atenção.

O grande e velho ipê amarelo, enfim, pôde sê-lo.

Quem te pede tempo, jamais devolverá

Quem te pede tempo, jamais devolverá

Imagem: Rawpixel.com/shutterstock

Quem precisa dispor, além do seu próprio tempo, do tempo alheio para pensar, decidir, ponderar, comparar, se encorajar, jamais devolverá ou compensará o tempo dedicado.

Quem te pede tempo, te rouba momentos. Quem te coloca na fila de espera, não te tirará de lá. Quem alega confusão e desorientação, rouba um tempo que não lhe pertence.

Quem pede ao seu tempo que se converta em paciência e compreensão, busca segurança que jamais oferecerá de volta.

O tempo controlado é o tempo escravizado, aguardando uma decisão, um veredito, um rompimento definitivo.

Não disponibilize seu tempo como moeda de troca, crendo nos pontos extras que poderá obter. Quem te pede tempo, pede na verdade um meio de deixar esfriar o que ainda está quente e é mais difícil de lidar.

Não aposte suas fichas no tempo que se arrasta enquanto a espera esmaga uma esperança após a outra. Tempo é separação homeopática. É uma tentativa infantil de despertar uma decisão sem maiores explicações.

Quem te pede tempo, pede mais do que isso. Pede espaço, pede distância, pede silêncio.

E, se quem te pediu tempo voltar, não trará consigo o tempo mastigado e mal digerido. Trará sim uma atmosfera de incertezas e insegurança. Talvez outro tempo seja necessário em breve. E o tempo vai passando…

Quem te pede o que não pode te devolver, te pede que faça concessões em vão, por egoísmo, vaidade ou covardia. Tempo para refletir. Tempo para decidir. Tempo para se encontrar. Tempo para esfriar.

Cuide do seu tempo com carinho. Não o ofereça a ninguém, não se coloque em posição passiva, não aceite condições de passatempo.

A tentativa de viver o tempo do outro é a mais triste forma de matar o tempo que se tem para viver em plenitude! Não dê tempo, dê um até qualquer dia! E a vida segue no ritmo do tempo que lhe pertence.

O tempo coloca cada rei no seu trono e cada palhaço no seu circo

O tempo coloca cada rei no seu trono e cada palhaço no seu circo

Por mais que a vida nos prove que não existe mal que dure para sempre, tampouco caráter que não se desmascare ao longo dos dias, teimamos em focar nossa atenção somente no hoje, no agora, querendo que as coisas se resolvam para ontem, que as pessoas sejam conhecidas o mais rápido possível, que tudo se ajeite rapidamente. E, enquanto ruminamos o que ainda não ocorreu, vamos perdendo chances preciosas de desfrutar tudo o que já é, já está, já acontece.

Em primeiro lugar, nem tudo aquilo em que acreditamos é real, é o correto, é o merecido. Nossas verdades não são absolutas, ou seja, poderemos estar criticando alguém através de suposições infundadas, bem como poderemos estar esperando acontecer alguma coisa que jamais terá condições de se concretizar. Nem sempre estaremos certos, nem sempre nossos julgamentos terão fundamento, nem sempre mereceremos obter o que pensamos ser nosso por sei lá qual direito.

Criamos expectativas muitas vezes inalcançáveis, à medida que não movemos uma palha para realizar nossos desejos, não saímos de nossa zona de conforto, nem oferecemos algo que possa vir a retornar algo em nosso favor. Nesses casos, muitos continuam agindo da mesma forma, esperando resultados novos; permanecem se sentindo injustiçados e inutilizados, sem nem ao menos tentar mostrar o potencial que pensam possuir.

Estamos tão presos ao que o outro tem, inebriados que somos pelos apelos midiáticos que atrelam o sucesso ao acúmulo de bens materiais, dissolvendo valores éticos em meio a valores de mercado, que mal olhamos para nós mesmos e ao que fazemos de nossas vidas. Esperar pelos ajustamentos que o tempo sempre traz não significa, portanto, que seremos agraciados caso não mereçamos, ou que o outro não receberá o que nós achamos que ele não mereça.

Caso estejamos seguros quanto ao que vimos fazendo, caso tenhamos pautado nossas ações pela retidão e pela ética, obviamente colheremos bons frutos futuramente, pois uma coisa que a vida possui é gratidão. Da mesma forma, todos aqueles que agirem de forma vil, semeando discórdia e vendavais, acabarão encontrando as consequências com as quais arcarão às duras penas.

O tempo, a vida, o universo, tudo concorre ao ajustamento das ações e das omissões de cada um. E assistir a isso sempre será um prazer inenarrável.

Imagem: Ollyy/shutterstock

Estamos sabendo agradecer por aquilo que temos?

Estamos sabendo agradecer por aquilo que temos?

Imagem:  Photographee.eu/shutterstock

Provavelmente, muitos de nós, em algum momento de nossas vidas, perguntamo-nos e buscamos dentro de nós entender qual é a nossa missão, para tentar entender a nossa jornada e o que estamos fazendo aqui.

Imagino que nos questionamos isso porque acreditamos que as nossas vidas têm um significado, que elas têm sentido, que têm algum propósito que seja maior que nós mesmos, que tudo é mais profundo do que a superfície que estamos vendo.

Desejamos tantas coisas, temos tantos planos e sonhos para o nosso futuro e sobre a vida que queremos construir para nós mesmos. Não nos fazemos de rogados e queremos ter logo o pacote completo. A nossa casa com a cerca branca, um casamento perfeito, aqueles filhos lindos, com cachorro e tudo. Teremos o nosso ‘felizes para sempre’, afinal, não é aí que o filme termina?

Acreditamos que podemos atingir um estágio, em nossas vidas, onde a felicidade é plena, onde ela é um destino, um lugar estático. Aprendemos, no nosso mundo materialista, que ter ambição é uma coisa boa, pois é assim que chegamos a algum lugar, afinal de contas. Então, queremos, além disso, bastante dinheiro, tipo ganhar na mega-sena da virada, sabe, mais do que poderemos gastar em uma vida. Queremos isso, só isso.

Será que a gente se escuta? Nutrimos tantas ideias, tantos sonhos, tantas projeções de uma vida que, infelizmente, é completamente irrealista, pois não tem nenhuma ligação com a realidade e com o que é possível alcançar em uma história, em uma trajetória de vida.

Sendo assim, por que ainda traçamos uma trama, um enredo, na nossa cabeça, fadado ao fracasso, a naufragar antes mesmo de sair do porto? Por que nos animamos dessa forma com uma decepção anunciada, eu realmente não sei. Mas construímos, sim, às vezes sem nos darmos conta disso, castelos na areia, que apenas uma onda abala e leva.

Há uma diferença colossal, há um abismo entre querer e realmente precisar. Sim, grande parte das pessoas, da humanidade, aliás, desejou, em algum momento, isso ou alguma dessas coisas. Somos humanos e podemos nos deixar levar com certa facilidade pela nossa mania de grandeza, nosso desejo de não sermos pessoas comuns, de sermos famosos, conhecidos, de não vivermos uma vida no anonimato ou vazia de significado.

Queremos tanto e tanta coisa, que não sabemos por onde começar, mas, vamos ser honestos? Por mais que a gente queira, nós não precisamos disso tudo para nos sentirmos plenos, felizes e realizados com a vida que criamos. Não mesmo.

A gente gasta tanta energia tentando ser algo que não somos, buscando uma perfeição que não existe, atrás de um ‘modelo’, de uma lista imaginária que (achamos) temos que fazer para alcançarmos a felicidade, a realização, para termos uma vida bem sucedida. Perdemos tanto tempo tentando ser absolutamente tudo, tudo menos aquilo que nós somos.

Acredito que, mais importante do que nos prendermos a algo que não existe, estarmos presos a uma miragem, a uma ideia fora da realidade, é começarmos a investir as nossas fichas, a focar em algo que podemos trabalhar dentro de nós, algo sobre o que podemos ter algum tipo de controle, pois depende única e exclusivamente de nós.

Temos que nos desviar das cascas de banana, do autoengano, da negação, e aprendermos a nos sentir plenos, a nos sentir contentes com a vida e as escolhas que fizemos para chegar até aqui. Só quando nos permitimos nos sentir gratos pelo que colhemos é que conseguimos trazer mais abundância para as nossas vidas.

Reconhecer e agradecer pelo que se tem, pelo que fomos agraciados, é um movimento, um ato fundamental de humildade e, sem ela, não chegamos muito longe.

Veja, sentir-se pleno é um exercício, é mudar o mecanismo sobre o qual estamos acostumados a pensar, em que medimos o nosso sucesso e o nosso fracasso de acordo com as coisas que temos, de acordo com o dinheiro que possuímos, com apenas realizações materiais.

É começar a ver as coisas de uma outra forma, é aguçar o seu olhar para compreender o que realmente tem algum valor e isso não necessariamente anda junto com dinheiro – na maioria das vezes, não anda.
Sentir-se pleno é aprender a se sentir grato, aprender a se sentir agradecido por tudo aquilo que você tem, por aquilo que você construiu até aqui, pelas pessoas que você tem ao seu redor, pelas oportunidades que a vida lhe deu e por aquelas que foram negadas também. Mas é aí que somos testados, que somos convidados a refletir, a aprendermos um pouquinho mais sobre o que é ser paciente, a vermos até onde vai a nossa fé, até onde estamos comprometidos com os nossos propósitos.

Gratidão de verdade, sem hashtags, sem legenda para o pôr do sol, é algo muito difícil de alcançar, é um processo. É agradecer diariamente pelas pequenas coisas que a vida nos dá, pelas pequenas conquistas.

É acordar pela manhã e agradecer por estarmos vivos, por termos saúde, por termos mais uma oportunidade, um dia novo, mais uma folha em branco para poder (re)começar.

É tomar banho e agradecer por termos um emprego para irmos todas as manhãs, onde podemos desempenhar um trabalho, onde temos a oportunidade de servir e ser útil.

É tomar café e agradecer pelo nosso alimento na manhã e continuarmos agradecendo mentalmente, ao longo do nosso dia, pelas graças que recebemos, por cada momento, todos os dias.

E, um dia, iremos nos dar conta de que não estamos apenas agradecendo, mas que a gratidão, em si, já faz parte da gente, já está não só incorporada ao nosso dia a dia, como na nossa rotina, mas que realmente a sentimos dentro da gente, agradecidos, gratos diariamente pela vida que temos, pelo mundo que criamos para a gente.

Gratidão pela vida que escolhemos, pelos caminhos que nos trouxeram até aqui, pelos amigos que temos ao nosso lado, pela família com que a vida nos presenteou e pela que criamos também.

É uma força que revoluciona as nossas vidas, que põe as coisas em perspectiva e na medida certa, pois ela traz aceitação daquilo que somos, de quem nos tornamos. Que faz com que nos sintamos, gradativamente, dia após dia, realizados, com a sensação de plenitude, por nos sentirmos satisfeitos com a vida que nos foi dada, confiada e com o que conseguimos fazer, com o que conseguimos realizar com essa oportunidade oferecida.

Pequena Miss Sunshine: O bom e velho FODA-SE para os padrões da sociedade

Pequena Miss Sunshine: O bom e velho FODA-SE para os padrões da sociedade

Deleuze falava que o verdadeiro charme das pessoas consiste nos seus traços de loucura. Ou seja, somente quando há uma ruptura com a estrutura é que o indivíduo consegue ser verdadeiramente atraente, de tal maneira que não há interação e sentimento, para ele, onde não há a percepção dos traços de loucura presente nas pessoas.

Corroborando com a visão do filósofo francês, Jonathan Dayton e ValerieFaris nos apresentam o filme “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine). O filme narra a história de uma família pra lá de excêntrica, marcada pelo dilema entre o sucesso e o fracasso. Nesse universo familiar somos apresentados a Olive (Abigail Breslin), uma garotinha que sonha em ganhar um concurso de beleza. Para tanto, ela treina com seu avô (Alan Arkin), um velho viciado em heroína. A fim de realizar o sonho da garota, a família se desloca em uma Kombi velha (mas, muito maneira) para chegar ao tal concurso, embarcando em um dos melhores Road Movies do cinema.

A excêntrica família passa por uma série de problemas, que vão do cômico ao dramático com perfeição, criando situações ao mesmo tempo nonsense e verossímeis. O grande problema dos personagens é que eles vivem esmagados pela pressão de serem vencedores, buscando cada um ao seu modo a fuga para os fracassos das suas vidas. Até que chegamos à cena final, em que Olive, a criança, promove a libertação dos personagens, mostrando-lhes que independente do que esperam dela no concurso de beleza, ela jamais vai conseguir ser bela sendo alguém que ela não é, isto é, escondendo os seus traços de loucura. A sua coragem promove a catarse que liberta todos dos padrões da sociedade e da ditadura da felicidade que nos obriga a vencer sempre.

A vida é cheia de nuances e complexidades, de coisas ocultas que jamais conseguiremos descobrir, tampouco, dominar. E nós, como protagonistas dessa vida, temos que vivenciá-la com dignidade, aprendendo a lidar com as nossas vicissitudes e, acima de tudo, sendo aquilo que nós somos essencialmente, sem estarmos preocupados o tempo inteiro em atender os padrões impostos por uma sociedade hipócrita, que foi erigida sob o pilar da liberdade, mas que desrespeita esta a todo tempo.

Deleuze é perfeito ao considerar os traços de loucura como a maior beleza que um ser humano possui, já que são esses traços que nos possibilitam a criatividade, a reinvenção, o renascimento. É ela que determina a nossa excentricidade, os nossos maneirismos e, por conseguinte, as nossas idiossincrasias, aquilo que somente nós possuímos e que não encontramos em mais ninguém. Aquilo que nos torna seres singulares e que é guardado na memória daqueles que nos amam.

São os traços de loucura de Olive que a tornam uma personagem tão cativante e apaixonante. É a sua apresentação maluca que deixa ao mesmo tempo sua família e nós vibrantes, que nos faz querer dançar e ser inadequados, sem medo do ridículo e sem medo dos olhares que retiram o brilho da felicidade sincera.

Olive nos ensina a sermos pássaros que voam livremente, fora das gaiolas que a vida adulta e a pressão da sociedade nos colocam, transformando-nos em indivíduos pragmáticos e chatos, sem qualquer tipo de charme, mergulhados no reino da mesmice. Como o avô maluco beleza ensina: “Perdedores são pessoas que têm tanto medo de não ganhar, que nem sequer tentam” e para tentar, antes é preciso ser honesto consigo mesmo, dando o melhor de si, mesmo que as pessoas esperem outras coisas. Ser vencedor é ter coragem para perder com dignidade sendo quem se é, sem máscaras e adequação, com loucura e beleza, dando o bom e velho “FODA-SE” para os padrões da sociedade.

Não somos iguais para estarmos todos em uma mesma forma, bem como, a vida não é uma competição que visa distribuir medalhas para quem chega em primeiro lugar. A verdadeira medalha se ganha quando cruzamos a linha de chegada e ao olhar para trás conseguimos nos enxergar em cada pegada que deixamos, sendo o que quisermos ser em cada situação, fazendo o que amamos independente do que os outros queiram ou achem.

Ninguém precisa ser admirado por todos, nem bem aceito, tampouco, deixar de fazer o que gosta para pertencer ao “grupo”. A verdadeira felicidade consiste em estar livre para voar em qualquer céu e fazer a corrida do jeito que melhor lhe apraz. Olive ensina isso para a sua família, que percebe que os fracassos que possuem também fazem parte da pessoa que são e daquilo que estão se tornando. Ensina, sobretudo, que isso não os torna perdedores, porque o que torna alguém perdedor é desistir de tentar e, principalmente, esquecer o que se é, os seus traços de loucura, para ser vencedor de uma plateia falsa e sem vida.

A vida passa muito depressa para ser um vencedor que voa apenas em uma gaiola. Felicidade, como Olive e Deleuze nos ensinam é voar livremente, enfrentando as dificuldades e as quedas que inevitavelmente sofremos, porque não adianta ser vitorioso de uma vida amarga e sem loucura, já que, lembrando Bauman: “Loucos são apenas os significados não compartilhados. A loucura não é loucura quando compartilhada”, e o compartilhamento só é possível para quem está livre, para que como Olive, consiga dançar na cara dos padrões mecânicos e falsos de uma sociedade chata e hipócrita.

E eu que nasci para o amor

E eu que nasci para o amor

Imagem de capa: Kseniya Ivanova, Shutterstock

E eu que não sei sentir em meias palavras.
O mais ou menos me incomoda.
O quando a gente se vê, também.
Gosto mesmo é de corações entregues.

Saber do hoje é o que interessa.
Tenho pressa para viver beijos inteiros.
Tenho fome de abraços apertados.
Gosto mesmo é de gentilezas sinceras.

Não acredito em promessas em cima da hora.
Quem quer, arruma um jeito de jurar de mãos dadas.
Porque felicidade é encontro com vontade.
Gosto mesmo das conversas na cama.

Mas uma dose sempre cai bem.
Daquelas que deixa o sorriso frouxo.
Daquelas que faz o corpo ficar em sintonia.
Gosto mesmo da garganta soltando versos.

Você é a minha favorita.
Não é difícil de entender.
Não é difícil de explicar.
Gosto mesmo do sentido que isso dá.

E eu que não sei como terminar.
A falta é a janela da saudade.
Quem sabe tropeço no amanhã.
E eu que nasci para o amor.

Pare de estender discussão inútil. Você não achou seu tempo no lixo.

Pare de estender discussão inútil. Você não achou seu tempo no lixo.

Imagem: Ollyy/shutterstock

Saia da frente do touro, do meio da rua, da alça de mira, da linha de tiro. Discutir com quem comprou a verdade é desperdício de tempo. E você não achou seu tempo no lixo.

Aqui entre nós, tem coisa que não tem jeito. Quanto mais a gente explica, mais difícil fica. Deixe estar.

Não dê ouvidos a gente cretina. Não responda, não retruque. Ignore. Faça como se estivesse no zoológico: não alimente os animais.

Tem gente demais por aí jogando sujo, mentindo, esperneando pra fazer valer sua vontade mesquinha. Quanto mais a gente discute com um palerma, mais engorda a idiotice do mundo. E o mundo não suporta mais tanto idiota.

Bater de frente para quê? Desvie! Respire fundo, siga em frente. Repita consigo: “eu tenho mais o que fazer”. Então vá e faça!

A alegria de todo canalha é a tristeza alheia. E jogar fora o seu tempo por nada é triste! Não faça isso. Proteja-se. Preserve-se. Ignore. Passe longe de uma discussão inútil. Cuidar de si mesmo ainda é um bom jeito de amar o próximo.

Não é o amor que sustenta o relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Não é o amor que sustenta o relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Imagem:  Pressmaster/shutterstock

Amar é tão simples. As pessoas é que complicam, as pessoas é que idealizam demais e se esquecem de viver a realidade que, por mais complicada que possa parecer, continua linda de viver.

As pessoas se esquecem de que o amor precisa ser alimentado, não com presentes e jantares caros. Não, o amor não precisa ser financiado para se manter.

O problema é que as pessoas se esquecem do chocolate favorito quando vão ao mercado, esquecem-se de que aquela camiseta do Star Wars vai fazer o coração do outro bater mais forte e de que o sorriso vai ser desenhado aos poucos em seu rosto, como quem diz obrigada.

As pessoas se esquecem da cor favorita, da sobremesa preferida, esquecem-se de que um filme de comédia romântica, em um final de tarde no domingo, faz bem. As pessoas se esquecem de elogiar aquele vestido novo, de dizer o quanto o outro está lindo naquele pijama velho que o deixa ainda mais bonito.

As pessoas se esquecem da importância de assistir a um jogo de futebol com o parceiro, de gritar com ele, quando o seu time faz um gol, e de vibrar com os “quase” gols. As pessoas se esquecem de tirar um tempo de qualidade para escutar o outro. As pessoas se esquecem de dar uma flor, dessas que a gente rouba do quintal dos outros (risos). De elogiar o perfume novo e de dizer, aos pés do ouvido, o quanto ama esse alguém.

Não precisa de buquê no trabalho, não precisa levar para jantar em restaurante caro, não precisa encher de jóias, comprar presentes caros. Não precisa disso para manter a chama do amor acesa. Não é isso que faz pegar fogo.

Um beijo na testa faz o coração de qualquer mulher se acalmar; um abraço, quando as coisas não estão bem, faz com que a gente se sinta protegido, e assistir àquele filme que o outro tanto quer, também significa agradar.

Beijos ao pé da orelha causam arrepios e o toque sincero faz o corpo balançar. O problema é que as pessoas são intensas demais no começo de um relacionamento e fazem de tudo para conquistar o outro, mas não sabem como lidar com todo o sentimento que, às vezes – na maioria das vezes –, parece não caber dentro da gente.

E, então, vêm os inúmeros presentes, os inúmeros agrados, os inúmeros elogios e, depois de um tempo, a insegurança vai embora e a gente se esquece de que é preciso conquistar todos os dias. Mas isso, ao contrário do que muita gente pensa, não é um fardo, obrigação, e está longe de ser um sacrifício.

É a simplicidade que emociona, é o beijo de bom dia, é o “sonhei com você”, é o elogio sincero e inesperado, é o cuidado, é fazer aquele mousse de maracujá, preparar uma janta em casa mesmo e dizer: “Só tinha ovos, fiz um omelete delicioso pra nós dois. Espero que goste”. Um recado deixado no meio dos livros é o suficiente para fazer o nosso coração sorrir.

Vai, manda um SMS no meio da tarde, dizendo que não consegue parar de pensar nele, compra o seu chocolate favorito e aparece de surpresa. Vai, compra uma rosa – não um buquê – e deixa um bilhete dizendo o quanto você a ama.

Não deixe cair na mesmice, continue fazendo aquele belo sorriso brotar, aqueles lindos olhos brilharem. Vai, continua fazendo aquele corpo balançar com o seu toque. Vai, mantém essa chama acesa e deixe incendiar.

O amor se alegra com a simplicidade e são as pequenas coisas que fazem o nosso coração sorrir sem medo, como quem tem alguém ao seu lado querendo fazer morada.

A vida fica mais leve quando a gente prefere florir, em vez de ferir

A vida fica mais leve quando a gente prefere florir, em vez de ferir

Viver é um exercício/ diário de calma, paciência e tolerância, uma vez que nossos dias são compostos por muitas dificuldades e nossos relacionamentos encontram vários entraves ao longo dos dias. Embora já estejamos cansados de saber, nunca será demais lembrarmos que é necessário que nos tranquilizemos, que apaziguemos as lutas travadas em nosso corpo e em nossa alma, caso desejemos sobreviver com mais serenidade e qualidade de vida.

Também não poderemos esquecer de que grande parte de nossa calma e de nosso equilíbrio deverá partir sempre de dentro de nós. O exterior, as pessoas de fora, os acontecimentos à nossa volta, tudo o que independe de nossas vontades, enfim, causarão muitos dissabores, trarão quebras de expectativas, tomarão de volta o que pensávamos ser nosso, ou seja, às vezes cairemos por rasteiras do que foge ao nosso controle. A gente ferra muito com a própria vida, mas tem muita gente que acaba nos ferrando também.

É muito comum dizerem que a felicidade depende somente de nós, que somos nós os causadores de nossas mazelas, no entanto, muita coisa que vem nos derrubar e contrariar parte de outras pessoas, ou mesmo vem num redemoinho de acontecimentos incontroláveis dessa vida improvável. Mesmo que tenhamos um propósito absurdo de sermos felizes, nosso caminho jamais estará isento de pessoas e de acontecimentos que teimam em nos empurrar para baixo. E isso esgota, cansa, escurece a nossa alma.

Por essa razão, o melhor que temos a fazer é manter uma postura positiva, um comportamento ético e solidário, sem cair na tentação de trilhar os caminhos mais fáceis da desonestidade, da corrupção, da degradação moral, da desconsideração pelo outro, do egoísmo que passa por cima de qualquer um. Porque ninguém consegue ser feliz tornando o outro infeliz; ninguém consegue sorrir causando lágrimas nas pessoas; ninguém há de ficar tranquilo ferrando com as pessoas à sua volta.

Já temos tantos aborrecimentos com os quais precisamos lidar diariamente, são tantos tombos acumulados ao longo de nosso caminhar, tantas decepções, lágrimas e dor. De que, então, servirá qualquer atitude maldosa de nossa parte? O que ganharíamos nos tornando amargurados, rancorosos e sementes de dores a serem espalhadas por aí?

Sejamos nós o equilíbrio em meio às tempestades, a luz que vence a escuridão, o amor que conforta e acolhe. O bem que disseminarmos, afinal, também se refletirá em nossas vidas e na vida de quem caminha conosco e é dessa forma que não nos demoraremos nas noites frias que virão.

Imagem: OBprod/shutterstock

Se você está com dúvidas se deve ou não continuar esse relacionamento. Já tem sua resposta.

Se você está com dúvidas se deve ou não continuar esse relacionamento. Já tem sua resposta.

Imagem: Kiselev Andrey Valerevich/shutterstock

A todo tempo estamos tomando decisões. Decidimos nosso almoço, nossos cursos, nosso carro, nossa roupa e, sim, nossos amores. O problema é que o coração não obedece à razão e o conflito sentimental começa a partir daí.

Somos acostumados a viver um amor verbalizado: preferimos ouvir um “eu te amo” do que alguém que demonstre isso. Preferimos um “sou fiel” do que alguém que que deixe o celular desbloqueado. E, para piorar a situação, a filosofia romântica diz para aceitarmos tudo por amor, esquecendo que somos humanos e temos nossos limites (que, diga-se de passagem, são bem curtos).

Quando um amor acaba dentro de nós, nem sempre conseguimos perceber, pois o comodismo o encobre. Procuramos justificativas que nos façam permanecer naquele relacionamento vazio, sem perceber que estamos emocionalmente exaustos e com a sensação de que não dá mais.

Como toda separação vem acompanhada de dor, as pessoas insistem de todas as formas tentar preservar a relação que já chegou ao fim. Insistem, viajam, fazem jantares maravilhosos, declarações, mas esquecem do mais importante: o amor já acabou.

Às vezes, o amor acabou sem motivo, sem culpa de ninguém. Talvez a relação tenha passado do estágio de euforia para o de amizade, outras a relação passou a ser conduzida por sentimentos excessivos: insegurança, ciúme, medo, ou talvez, acabou porque ambos projetaram no outro a responsabilidade em serem felizes. Não importa. O que importa é como será daqui em diante.

Enquanto na vida cotidiana tomar decisões parece simples, na sentimental parece que travamos e ficamos em estado de inércia. Talvez porque decisões implicam renúncias e nem todos têm maturidade para abrir mão do que vivem.

Marla de Queiroz dizia que “ não é a vida que dificulta as coisas, são as pessoas que têm muito medo de mudar para arriscar uma felicidade que não é garantida. Todo mundo tem um trauma, um medo, algo que paralise, mas transformar isso em espaço para crescer, pouca gente faz”.

O pior do fim de um relacionamento não é ausência do parceiro. É o fim do “para sempre” dito no calor da emoção que assusta. É desistir de sonhos e planos feitos com a outra pessoa. É o medo da obrigação de seguir em frente carregando as lembranças do passado.

Como dizia Rubem Alves: “Toda separação é triste. Ela guarda memória de tempos felizes (ou de tempos que poderiam ter sido felizes…) e nela mora a saudade”.

Francamente, é preciso focar na felicidade e caminhar. Nenhuma dor é permanente. Nem a sua! Então, permita-se desistir e, simplesmente, siga em frente. O que acabou foi esse relacionamento e não seu sonho em ser feliz.

Perfeitinha era sua bisavó!

Perfeitinha era sua bisavó!

Chega de engolir passivamente essa ditadura da perfeição feminina. Essa forma de nos fazer sentir sempre devendo alguma coisa, sempre aquém do modelo estético e nunca boas o suficiente para sermos desejadas, está nos adoecendo.

Tudo começa quando ainda somos meninas e, apesar de termos sido precedidas por inúmeras de nós que se insurgiram em oposição à  violência que se pratica contra as mulheres em todo o mundo – inclusive aí na sua vizinhança -, somos embaladas em roupinhas cor de rosa, muitos lacinhos e babados que só servem pra pinicar mesmo.

Aprendemos o que pode e o que não pode, conforme vamos tentando aqui e ali dar conta do que nos aguça a vontade ou nos protege de entrar em encrencas maiores do que podemos bancar.

E uma breve observação ao redor do mundo comum nos leva a uma simples, porém preocupante constatação: há ainda muito mais “zonas proibidas” às meninas do que aos meninos; as meninas são criadas com muito mais regras o que os meninos; há muito mais “não senhoras” do que “não senhores”.

Por incrível que pareça, ainda caem na conta das meninas expectativas muito mais rigorosas do que aquelas que caem na conta dos garotos. Ainda há famílias que criam seus meninos abastecidos de liberdade, cheios de possibilidades de se sujar, ralar e experimentar; e suas meninas andando sobre a ponta dos pés, contidas, regradas, elegantes e obedientes.

Em pleno curso do século XXI ainda há meninas que são criadas a partir de paradigmas morais muito mais rígidos e expectativas menos brilhantes sobre seus futuros. Meninas criadas para satisfazer um estereótipo enferrujado e tosco de perfeição.

A realidade das coisas é que nós, as meninas, acabamos por vestir uma falsa capa de super-heroína que nos verga os ombros e não nos dá nenhum poder, porque ainda acreditamos que é o máximo darmos conta de jornadas múltiplas de trabalho.

Vestimos essa fantasia surreal todas as vezes em que achamos normal ter uma jornada infinita de obrigações diárias: ser linda, ser magra, ser equilibrada, ser bem-sucedida, ser doce, ser apimentada; ter talento, uma paciência infinita e mil e uma utilidades.

Tudo isso numa mulher só não há de caber, nem mesmo se formos capazes de incorporar uma deusa da mitologia grega. Uma hora a gente acaba espanando. E o preço é muito, muito alto!

Há inúmeras de nós que amargam sozinhas a dor de uma depressão pós-parto, porque o bonitão que ajudou a fazer o bebê não está preparado para nos ver assim desorganizadas emocional e externamente.

Há uma porção de mulheres como nós que sofrem as agruras dos descontroles hormonais da meia idade, mortas de medo de serem abandonadas por seus parceiros pelo simples fato de estarem tentando aprender a lidar com ondas de calor, melancolias inexplicáveis e uma libido que resolveu funcionar de um outro jeito – ainda incompreensível para nós mesmas.

Por mais que nós já tenhamos dado inúmeros passos na direção de uma convivência menos desigual e mais humanizada, é preciso que não fechemos os olhos para o fato de que ainda temos muito pelo que lutar.

E o começo de uma vida mais possível, mais liberta e menos estigmatizada passa por nossas próprias mãos. A perfeição é um mito, e como tal deve ficar nas histórias fantásticas.

A perfeição não nos serve, é um espartilho medieval que aprisiona nossas almas num corpo espremido que não consegue respirar.

Ser mulher é delicioso, e deve ser delicioso sempre, mesmo quando a gente não está a fim de ser “a gostosa”, “a garota exemplar” ou a “Vênus encarnada”!

Brindemos então ao direito de sermos imperfeitas, livres e soltas! Brindemos à nossa estranha capacidade de sangrar todos os meses, ainda que ninguém nos tenha ferido. Brindemos a nós! Somos mulheres e não deusas!

Queremos o mundo, desejamos o imensurável! Nosso corpo de carne, osso, músculos, curvas e emoções não foi feito para ficar sorrindo num altar, foi feito para se lambuzar da vida, em todas as suas possibilidades! Perfeitinha era sua bisavó, você é rigorosamente o que lhe der na cabeça! Portanto, tome posse de si mesma, antes que alguém o faça!

Imagem de capa:  Cena do filme A Escolha Perfeita 2
 

“Não se mede caráter por aparência e nem felicidade por sorriso”

“Não se mede caráter por aparência e nem felicidade por sorriso”

Com o tempo a gente aprende que o valor de uma pessoa está muito além das camadas de roupas que ela usa ou dos quilos de maquiagem que ela abusa. Que não é possível medir sua generosidade, bondade e amizade apenas observando o clube que ela frequenta ou o sapato que ela ostenta. Que jamais poderemos calcular seu caráter observando apenas seu cabelo engomado ou seu closet lotado.

É preciso não buscar na aparência aquilo que só uma alma nobre pode oferecer. Não buscar no charme de um olhar aquilo que só um coração livre de rancor pode dar. Não procurar no número de likes do Facebook aquilo que só um bom caráter pode proporcionar.

Com o tempo a gente também aprende que algumas dores podem ser escancaradas numa boa, enquanto outras não; que nem toda tristeza tem permissão de ser exibida; e que nem todo sorriso encerra uma alma feliz.

Descobrimos então que a fachada de uma pessoa abriga muitas outras coisas além daquelas que poderíamos supor; que ao nos depararmos com um sorriso, nem sempre estamos diante de uma alegria verdadeira; e que a beleza não é requisito para julgarmos a nobreza ou o caráter de alguém.

A frase do título é da atriz e cantora Taylor Momsen. Me deparei com ela na internet e imediatamente me identifiquei. Porque a gente tem mania de julgar demais. Avaliamos o livro pela capa, o shampoo pelo frasco, o jeans pelo preço da etiqueta, o crush pela popularidade. E esquecemos que caráter e conteúdo não vêm com rótulos. Ao contrário, é preciso ultrapassar a barreira da aparência se quisermos conhecer a essência.

É claro que uma  embalagem bonita atrai olhares. Mas depois que o presente é aberto, e o papel amassado é deixado de lado, resta somente aquilo com que teremos de lidar de fato. E popularidade, moedas no cofrinho ou vestido novinho não significam nada quando se trata de caráter e bondade.

É preciso romper a barreira da aparência. Desvendar o que há por trás do sorriso constante ou da vestimenta arrogante. Descobrir que de uma aparência inadequada podem surgir grandes surpresas, e que um sorriso doce pode esconder algumas tristezas.

Ouse acreditar que há o que ser descoberto por trás das cortinas da aparência. Talvez seja hora de aceitar aquele convite para um chopp com o mocinho desengonçado do trabalho, ou parar de sonhar acordada com o viciado em selfies da faculdade. Nem tudo é o que parece ser, e a gente tem que aprender a olhar nos olhos e acreditar que, mesmo que faltem argumentos, o essencial mora no lado de dentro…

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “A Bela e a Fera

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A carência é o maior alucinógeno que existe

A carência é o maior alucinógeno que existe

Você pode estar aí cheio de amor próprio, com uma vida bonitinha, com momentos de prazer no trabalho, com encontros divertidos com os amigos e viagens nos feriados. Você pode estar aí de barriga cheia, cabelo bem cuidado, roupinha caindo bem num corpo não tão mal assim.

Você pode ter aprendido faz tempo como se dar bem consigo mesmo, como curtir muito ficar na sua, sozinho, vendo um filme, lendo artigos como este na internet. Você pode ter desenvolvido um conhecimento profundo sobre o seu íntimo, entendido o que te faz feliz, o que te deixa irritado. Já sacar quais qualidades em outra pessoa se encaixam bem com você, e saber o que você simplesmente não suporta.

Você pode ter a vida cheia de atividades e momentos de socialização. Você pode já ter se envolvido com muita gente e hoje em dia querer só que o que chega pra fazer bem, pra trazer boa energia, nem que seja só por uma noite.

Você pode ser tudo isso, mas meu amigo, quando bate aquela carência, você deve saber bem, aquela carência que mistura o hormonal – o sangue que borbulha naquele dia santo e diabólico do mês –, o emocional – aquela vontade quase infantil de abraçar algo que tenha pele e osso, menos pelo do que seu cachorro e mais vida do que seu travesseiro –, o sentimental – aquela vontade de que alguém chegue um pouco mais perto do seu coração, da sua vida e do seu corpo do que um grande amigo ou a sua mãe.

Aí então, parece que tudo é motivo para criar uma dessas ilusões de ótica que faz o nosso coração transformar uma abóbora numa carruagem.

Aí a gente vê declarações de amor num bom dia, sente a química maior do mundo num beijo no rosto, a gente vê o amor das nossas vidas naquela pessoa que a gente ainda não conhece bem. A gente encontra uma pessoa que quase só tem qualidades, que fecha com nossos sonhos, que salva a nossa rotina tediosa.

Ah, como é boa essa droga! Pode ser paixão, encantamento, pode ser que depois de um tempo, algumas noites e encontros bem sucedidos, pode ser que esse ser encantado vire um companheiro, um amor, um amigo. Mas é também muito provável que depois da primeira ou segunda transa, da terceira ou quarta conversa, da quinta ou sexta manhãs acordando juntos, que o efeito alucinógeno da droga acabe e você esfregue os olhos e se pergunte: ‘que que eu to fazendo aqui?’

Mas, carentes ou não, somos humanos, e vez ou outra precisamos mesmo de colo, de tato, de ouvido, ou de nada disso, mas de uma boa ilusão que abra nossos corações, desestruture nossas verdades e nos faça enxergar um pouco mais outros canais de sentido.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Casablanca“, 1942.

Não aceite migalhas. Alguém vai te amar da forma que você merece.

Não aceite migalhas. Alguém vai te amar da forma que você merece.

Imagem: Dmytro Zinkevych/shutterstock

Eu não sei você, que está lendo esse texto, mas eu adoro comer, sou aquela que muda de humor quando está com fome e que nunca consegue fazer dieta.

Então, talvez você, assim como eu, deva saber bem o que é estar com muita fome e alguém lhe oferecer uma salada, por exemplo. É quando você deseja devorar uma pizza com borda de chedar e, de brinde, uma pizza doce. Você sabe que uma fruta, uma barrinha de cereal, ou qualquer coisa do tipo, não irão satisfazê-la.

Da mesma forma, isso se aplica ao amor. Não aceite um amor pela metade, não aceite migalhas. Vejo muita gente se contentando com pouco, achando que aquilo é suficiente. Quanta gente infeliz, em um relacionamento, por medo de ficar sozinho.

O primeiro passo para o amor é reconhecer as suas necessidades e estar ciente de que você não merece pouco; o primeiro passo é se amar e entender o que você deseja para sua vida. Não merece alguém que não se importa quando você está doente.

Você não merece alguém que não te liga pra saber se está bem, mesmo depois de ter dito o quanto a sua semana está ruim e de como você tem se sentido mal ultimamente. Você não merece alguém que a esconda, que não a apresenta para os amigos e que não se importa quando você diz que as coisas não estão bem.

Não aceite pouco, você sabe que isso não vai fazê-la feliz, sabe o que quer e o que merece. Não aceite desculpas, por medo de ficar sozinha, ou por achar que alguém nunca irá amá-la da forma como merece. Você merece um abraço que seja abrigo, um amor que seja paz e alguém que se preocupe com os seus problemas.

Você pode, sim, querer alguém que a leve para casa depois de um encontro, que diz o quanto foi bom estar com você, e que, no dia seguinte, lembra-se de tudo e a procura só para dizer que sentiu saudade.

Você merece alguém que a assuma, que saiba o que quer e o quanto lhe quer. Merece alguém sem medo, sem receio de ser feliz e que embarque nessa viagem de amar junto com você. No fundo, você sabe que ligações, só para ganhar um beijo, e que dizer incessantemente ‘estou com medo de me apegar” ou “tenho medo de me apaixonar”, é pouco, muito pouco para essa sua ânsia de amar e de ser amada.

Você merece alguém que dance na chuva com você, que a aqueça no inverno, alguém que ame sem receio, alguém resolvido e disposto a enfrentar as batalhas dessa vida ao seu lado. Sim, alguém que decida estar com você, quando tudo estiver caminhando mal, e que não a abandone na primeira dificuldade.

Então, não espere que alguém enxergue o seu valor, comece essa tarefa por você, decida por se ver com olhos de amor e não de pena e entenda que você não merece qualquer coisa. Você não merece migalhas. Queira muito e queira por inteiro.

Você não precisa de alguém para completa-la, porque não há vazios, não há espaços para migalhas e incertezas. Você já é inteira. Queira alguém que a transborde.

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