Pode ser que seu passado não te condene, talvez apenas mostre que você evoluiu.

Pode ser que seu passado não te condene, talvez apenas mostre que você evoluiu.

Às vezes, nos submetemos a um autoflagelo por causa do nosso passado…

Existem muitas razões pelas quais as pessoas não permitem que o seu passado seja anulado. Uma delas é a acusação, vinda principalmente daqueles que deveriam nos dar carinho e apoio. Sim… Porque quem mais nos afronta quanto ao nosso passado são aqueles que estão ao nosso redor. Então, não deixe que seu passado seja um obstáculo para que pessoas negativas tirem aquilo que pode ser para você um futuro promissor. Não permita que seus acusadores sejam um referencial negativo na sua vida. O seu futuro não depende do seu passado, e sim do seu presente, que poderá ser uma linda história de superação, e obviamente com uma vida brilhante. Não atente para o que eles dizem ou pensam a seu respeito.

Devemos entender que os erros que comentemos no passado, só deveriam servir como aprendizado para que nos tornássemos pessoas melhores, não como pedra de tropeço que nos impeça de seguir em frente. Porque é importante que as pessoas saibam que houve arrependimento e que o que queremos agora, é simplesmente seguir em frente. Então acredite, os seus erros são meramente ilustração de um passado que não pode influenciar nessa pessoa maravilhosa e cheia de vida que você é hoje. Alguém que tem uma expectativa diferenciada desse mundo onde impera o egoísmo.

Muitas pessoas podem viver o tempo todo “jogando na sua cara” aquilo que faz relação à pessoa que um dia foi e a quem você é agora. E daí que teve um passado que tenha te envergonhado que não tenha sido um “mar de rosas”? O importante é que você perceba que esse passado, hoje te serviu para um crescimento, uma evolução. É claro que não gostaria de vivê-lo novamente, apenas se lembre de que tudo na vida tem um preço. E que no atual contexto, o pagamento já foi efetuado. Você já teve o prejuízo que os seus erros te proporcionaram, agora é tempo de viver em novidade de vida. Então não há motivos para que te condenem por aquilo que um dia fez, ou pela pessoa que era.

Enfim, seu passado não te condena, aprenda e aceite que ele apenas serve para te mostrar que você é uma nova pessoa. Então tudo será mudado a partir do momento que der o próximo passo, um passo para um futuro extenso. E saiba que não será fácil, porque sempre haverá alguém disposto a apontar-lhe do dedo, mesmo que seja sem palavras, apenas com olhares.

Reserve o seu direito de modificar o seu presente e se adaptar a uma nova vida, assim poderá anunciar, numa nova página do livro da sua vida, uma nova história, colocando em prática aquilo que existe dentro de você – o amor – como um poder que muda o mundo.
Viva então, de modo que venha a mostrar uma nova condição para vencer as adversidades, dificuldades e desafios. Simplesmente porque o que passou ficou para trás. Houve uma mudança de atitude, não pode mais haver por essa razão, tristeza e abatimento na sua alma, porque o seu passado não mais te condena e você escolheu viver em novidade de vida.

Imagem de capa: Romanets/shutterstock

“A chegada”- entenda o filme

“A chegada”- entenda o filme

O filme A Chegada (2016), trata da invasão de alienígenas na Terra e da tentativa de descoberta de uma forma de comunicação com eles.

Irei tratar nesse texto a simbologia presente na comunicação e no simbolismo do inconsciente representado pelas naves alienígenas.

O filme inicia com a chegada de 12 naves extraterrestres em 12 pontos do planeta. Não sei dizer se foi a intenção do roteiro, mas faço uma alusão à mandala astrológica, com os 12 signos e as 12 casas.

A mandala astrológica é um símbolo da totalidade que une os 4 elementos que constituem a formação do planeta e do ser humano, com 3 modalidades, ou seja, com 3 formas da energia psíquica (ou libido) se orientar.

Sobre as naves alienígenas, Carl Jung (1991), aponta que é um assunto tão problemático que não pôde ser definido em sentido algum com a desejável clareza, embora nesse ínterim se tenha acumulado um vasto arsenal de experiência. Por isso levantou que se trata, devido a sua complexidade, de um acontecimento psíquico também.

Para Jung (1991), o formato circular das naves alienígenas representam a totalidade. Uma vez que a imagem circular é um símbolo da alma e imagem de Deus:

“Eles são manifestações de impressionante totalidade, cuja simples “circularidade” representa propriamente aquele arquétipo que, conforme a experiência, desempenha o papel principal na Unificação de opostos, aparentemente incompatíveis, e que por esse mesmo motivo corresponde, da melhor forma, a uma compensação da dissociação mental da nossa época.”

Ele ordena também, situações caóticas e coloca o indivíduo novamente na trilha do seu processo de individuação, proporcionando a personalidade uma totalidade e unidade maiores.

Se analisarmos o filme no sentido coletivo, a simbólica doa invasão alienígena representa uma mudança e um despertar para questões da alma e do inconsciente.

No nível pessoal, a personagem da linguista, a Dra. Louise Banks, passa por uma transformação profunda e o contato com os extraterrestres a faz compreender o significado do inconsciente.

Ela não somente desvenda os sinais enviados pelos extraterrestres, ela compreende o significado mais profundo de sua vida e o fenômeno da precognição.

O inconsciente coletivo para Jung, é uma camada inata e herdada pela humanidade, portanto é universal. Lá estão os modos de comportamento que são iguais em toda parte e para qualquer indivíduo. É a natureza suprapessoal que existe em todo indivíduo.

Jung (2008) aponta a natureza peculiar do inconsciente coletivo, pois há nele uma qualidade não-espacial e atemporal:

“A prova empírica deste fato encontra-se nos chamados fenômenos telepáticos que, no entanto, ainda são negados por um ceticismo exagerado, mas que na realidade ocorrem com muito mais frequência do que em geral se acredita.”

A linguagem simbólica dos extraterrestres também representa a natureza do inconsciente, que se comunica conosco por meio de símbolos. Basta observar os produtos do inconsciente como os sonhos, os mitos, os contos de fadas, a alquimia. Todos eles possuem uma linguagem que não é cartesiana, dirigida e ordenada, mas simbólica e com uma força numinosa tremenda.

O ato e a dificuldade em tentar decifrar a linguagem dos extraterrestres, mostra a dificuldade que o homem moderno, acostumado com a linguagem dirigida da consciência, tem em relação ao que é tido como irracional.

A linguagem simbólica é a base alicerce de nossa civilização e o berço de nova vida. É do símbolo e do ritualístico que surge a nova ciência. A química clássica se originou da alquimia, bem como a astronomia se originou da astrologia.

A personagem principal compreende a mensagem, que transmite o sentido do irracional. Aquilo que Jung denomina Sincronicidade, ou seja, a simultaneidade de dois eventos ocorrendo, tanto no inconsciente quanto na realidade é possível de ser compreendido e aceito, e ocorre no filme.

A mensagem representa a essência do inconsciente. Estamos todos conectados pelo inconsciente coletivo e esse não tem tempo e espaço. Os fenômenos sincronísticos, os sonhos premonitórios, a intuição, também fazem parte da dinâmica psíquica humana.

A representação simbólica do Self e da totalidade pelos OVNIS, trazem para a humanidade a união dos opostos, a coniunctio superior (Edinger, 2006). Que é a meta do processo de individuação, a união aquilo que a principio parece impossível de ser integrado.

Vemos no filme, não somente a união do feminino e masculino, mas também do consciente e do inconsciente, da razão e do irracional.

A heroína compreende isso e passa a mensagem a humanidade. Porém, há mais um ponto que quero salientar.

Ela, por meio da interpretação da mensagem simbólica dos extraterrestres – uma analogia ao processo da análise junguiana, que busca a interpretação das mensagens do inconsciente – conhece o seu destino, e sabe que, mesmo com o sofrimento inerente ao processo, deve aceita-lo e o aceita.

Conhecer nosso destino e aceita-lo, vive-lo da forma mais plena possível, mesmo sabendo que o sofrimento estará lá nos esperando, não tira a beleza do que a vida pode nos proporcionar. Aceitar a alegria, o amor e a tristeza é o maior ato de heroísmo que podemos ter.

A união dos opostos consiste em aceitarmos luz e sombra, alegria e dor. Isso é dizer sim a vida!

 

Referências Bibliográficas:

EDINGER, E.F. Anatomia da psique: O simbolismo alquímico na psicoterapia. São Paulo, Cultrix: 2006.

JUNG, C.G. A Natureza da Psique. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

JUNG, C.G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

JUNG, C.G. Um mito moderno sobre as coisas vistas no céu. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.

Imagem de capa: Reprodução

O mundo é redondo, mas há idiotas por todos os cantos

O mundo é redondo, mas há idiotas por todos os cantos

Ultimamente, existem variadas formas de interações entre as pessoas, haja vista as redes sociais virtuais, pelas quais são expressas opiniões sobre os mais variados assuntos de forma explícita. Além dos amigos, colegas e conhecidos da vida, agregamos ao nosso círculo de relacionamentos os amigos virtuais, sendo que muitos deles, inclusive, nem conhecemos pessoalmente. E, assim, além de pessoas desagradáveis no dia-a-dia, também as encontramos pela internet.

É incrível, mas certos indivíduos conseguem aborrecer os outros onde e de onde quer que estejam, como se o prazer deles fosse contrariar, discordar, incomodar. Muitas vezes, opinam sem ser convidados, seja na roda de amigos, seja nas postagens virtuais. Possuem um dom interminável para falar asneiras, para tirar sarro de uma forma deseducada, para dar o contra e tomar posições polêmicas.

São os “problematizadores chiques”, que veem em tudo algo com o que gerar algum tipo de polêmica, enxergando conspirações e maquinações em situações das mais banais e triviais possíveis. Muitos deles perdem a compostura, esquecendo-se de mínimas regras de convivência, falando o que não deveriam para quem não merece, desmerecendo grupos sociais, conquistas de direitos, lutas políticas. Parece que não refletem sobre o que dizem, de tão absurdas que são muitas de suas colocações.

Pessoas desagradáveis, que incomodam e ferem com palavras e atitudes, estão por aí, aos montes, azucrinando até aqueles que nem conhecem direito. Porque tem gente que deve se sentir tão mal, tão pequena e desprezível, que passa a tentar diminuir os outros, na tentativa de se sentir menos pior. Gente amarga, infeliz, que não sabe admirar, só sabe invejar. Por isso é que não saem do lugar e, pior, não aceitam que ninguém saia também.

Por mais que pareça impossível, o que nos resguardará de gastarmos energia com quem não merece sempre será ignorar, fazer-se de desentendido, de surdo mesmo, quando nos depararmos com essas pessoas. Exercitar a nossa capacidade de abstrair e fingir demência nos distanciará de embates infrutíferos com quem nunca será capaz de ouvir ninguém. Ou isso, ou esgotamos todas as nossas forças, que devem ser usadas junto a quem nos ama, gente sincera, verdadeira e agradável. É assim que a gente sobrevive e vive melhor.

Imagem de capa: ArtFamily/shutterstock

Sua alma deve estar rouca de tanto gritar por algo que a faça sorrir.

Sua alma deve estar rouca de tanto gritar por algo que  a faça sorrir.

Bem que você poderia conceder habeas corpus a esse sentimento que está aí dentro de você. Preso, trancafiado injustamente. Já se deu conta do quão covarde você está sendo? Aliás, isso não é covardia, é crueldade. Aí, nessa alma, existe uma vontade louca de ser feliz e de tentar um novo caminho. Mas você a ignora. Essa voz grita todos os dias, ela precisa ser ouvida. Ela não sossega.

E você, o que tem feito? Tem ouvido outras vozes, justamente aquelas que deveriam ser ignoradas. Você optou por ouvir tudo aquilo que não te acrescenta. Tem dialogado, com frequência, com esse sentimento impostor que você resolveu dar abrigo, indevidamente. Sentimento que não para de falar que é tarde demais para você ser feliz. Sentimento destrutivo e sem compaixão que não quer permitir o seu recomeço.

Bem que você poderia silenciar toda essa barulheira que nada te acrescenta e que só te fragmenta. Somente ignorando esses impostores, você conseguirá ouvir as vozes que farão a diferença na sua vida. Por que tanto medo de tentar algo novo? Por que tanta resistência em acreditar que você tem muito chão pela frente para viver com plenitude?

Será que você está usando a desculpa da idade? Essa voz, dentro de você, está tentando te convencer que a sua idade cronológica não interfere em nada, pelo contrário, ela só agrega. Você tem uma bagagem riquíssima que construiu ao longo desses anos. Ainda que tenha tido vivências dolorosas, elas podem ser ressignificadas.

Quem sabe, voltar a estudar ou desenvolver esse dom que está no seu DNA? Que tal investir num hobby que inunde o seu organismo de endorfina? Escrever, desenhar, dançar, costurar, cozinhar…pintar e bordar! Viajar sozinho(a), com um(a) amigo(a) ou com um grupo desconhecido, vale tudo! Só não vale viver escondido(a) dentro de si mesmo(a). Há tanta vida lá fora, como diz o Lulu Santos. Vá, dê o primeiro passo.

Do que você tem medo? Das possíveis surpresas pelo caminho? De fato, você correria sérios riscos, caso resolvesse ouvir essa voz que te implora para sair dessa caverna existencial: Risco de fazer novos amigos. Risco de entrar em contato com o potencial que tem e que estava adormecido. Risco de rir á toa. Risco de flutuar de gratidão ao se deparar com a consciência de que pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas praticando uma habilidade que você tem. Risco de despertar paixões. Risco de se entregar à uma paixão. Risco de viver de verdade. Risco de renascer.

Imagem de capa: Kichigin/shutterstock

Existe o amor, a insistência e o cansaço

Existe o amor, a insistência e o cansaço

De repente, o encanto acabou, a paixão apagou e as juras de amor eterno deram lugar ao silêncio. Está claro que não há como continuar a relação, mas você fecha os olhos para o óbvio e insiste em um relacionamento predestinado ao fim.

Em um relacionamento sadio, tudo é feito em função do sentimento. Duas pessoas se tornam uma : os problemas são dos dois, as alegrias compartilhadas e as dificuldades superadas. Acontece, que nem todo amor é para sempre, nem todo relacionamento dura anos e nem todo sentimento traz paz. E, por mais que você insista na relação, o amor já foi embora há tempos.

É triste, mas é verdade: o amor às vezes acaba e, nem sempre, tem motivos claros. Da noite para o dia, e pelos mais diversos motivos, o amor desaparece. Rotina, mesmice, traição, ofensas… o motivo pouco importa! O problema está em superar um amor desgastado e acreditar ser merecedor de outro.

Amor nunca foi garantia de final feliz. Empatia, confiança, compreensão, respeito, diálogo, e inúmeras outras mantenedoras da convivência, são pilares tão importantes quanto o amor. Essa história de “amar até embaixo da ponte” é conversa de botequim.

Khalil Gibran, célebre ensaísta, poeta, conferencista e pintor libanês afirmava que “É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações”.

Às vezes, há amor, mas não há coragem para assumir uma relação. Há saudade, mas não há disposição para tomar atitudes. Há planos, mas não há formas de realizá-los. E, nessas omissões dos próprios sentimentos, o amor vai deixando de ser amor.

Insistir em relacionamentos fracassados, cansa. Cansa ter explicação para tudo, perdoar toda traição, arrumar desculpas para as ofensas. Cansa fingir ser feliz e viver de aparências.

Pouco importa amar muito e não aceitar as diferenças rotineiras. Querer a presença, mas não aceitar a convivência a dois. Desejar formar uma família e não ter coragem para isso.

Desculpe a sinceridade: mas amor precisa de muito mais que sentimento para acontecer.

Deixe ir, aceite o fim e faça as pazes com o amor próprio. Às vezes, o “felizes para sempre” significa separados.

Imagem de capa: Natalia Lebedinskaia/shutterstock

“Só existe um tipo de gente: gente.”

“Só existe um tipo de gente: gente.”

O trecho foi retirado de um dos livros mais famosos da Literatura Mundial: “O sol é para todos”. Com uma narração peculiar, o Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria da história à obra, elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou “O sol é para todos” no primeiro lugar da lista de livros mais importantes e o motivo é um só: o livro trata de assuntos polêmicos e escancara as verdades que a sociedade tenta esconder.

Depois de “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, “O sol é para todos” foi um dos livros mais impactantes que li. Isso porque, além de se tratar de um clássico contemporâneo, o livro possui profundidade e sutileza peculiares.

De forma bem resumida o livro trata de temas fortes como racismo, violência e injustiça. É a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista.

A história é narrada em primeira pessoa, a partir dos olhos inocentes da personagem Scout (também chamada por Jean Louise), uma menina que viveu em Maycomb, no Alabama, em uma época em que o preconceito reinava entre as pessoas.

Tendo sido criada por seu pai, a menina aprende a ser honesta e forte, mesmo diante de uma sociedade racista e violenta. Sem entender a diferença, da época, entre negros e brancos e a as conseqüências do racismo, Scout tenta levar os ensinamentos pregados pelo pai para sua vida: “a única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa”.

Dividido em duas partes, a obra relata minuciosamente algumas situações de preconceito, violência e injustiça. Na primeira parte, temos a visão da sociedade pelos olhos doces de Scout que, detalhista, descreve as personagens da sua vizinhança com riquezas de detalhes (essa parte do livro é de suma importância para o desenvolvimento da história).

Já na segunda parte do livro, os preconceitos, a violência e as injustiças enfrentados pelas pessoas ficam evidentes.

A obra toda é marcada por ensinamentos. Na verdade, são tapas na cara de uma sociedade egoísta e hipócrita, que enxerga apenas o que lhe interessa: “Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?”

Com temas envolventes e pesados, o livro inspira o leitor a ser corajoso diante das situações corriqueiras de violência e preconceito: “[…] Coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes de começar – prosseguiu Atticus. – E mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo” (pág. 143).

Definitivamente, “O sol é para todos” não é uma obra simples de ler, embora a linguagem seja simples e acessível. O que dificulta são as emoções, misturadas à revolta, que tomam conta do emocional do leitor enquanto percorre a leitura.

Um conselho: leia! O divisor de águas de sua percepção acontecerá depois disso.

Imagem de capa: cena do filme de 1962: “O sol é para todos”.

Insônia: quando uma noite de sono vira artigo de luxo!

Insônia: quando uma noite de sono vira artigo de luxo!

Certa vez, em um ambiente de trabalho, ouvi de uma pessoa a quem havia sido entregue um cargo de autoridade, a seguinte pérola: “Você precisa aprender a se blindar! Não pode se importar tanto com o que acontece à sua volta”! Ouvir semelhante asneira, sendo proferida pela boca de alguém por quem eu já nutria tão pouca simpatia, ou respeito, só me fez entender que ali, bem na minha frente estava um “ser humano blindado”. E se ficar remotamente semelhante a ela fosse a minha saída para pensar menos, sentir menos e dormir mais… Bem, eu decidi naquela hora que preferia um milhão de vezes ter cara de zumbi, mas conservar a minha alma humana, a ter aquela cara anestesiada e “serena” num corpo cuja alma já havia virado pó há muito, muito tempo.

A insônia é uma espécie de efeito colateral. É a consequência de ter escolhido viver uma vida inteira sem capa ou escudo. Os insones têm em comum carregar sobre os ombros alguns pesos que não são seus. A insônia é o preço que se paga por insistir em tentar compreender o que não se explica, em brigar internamente com a parcela sombria de si mesmo, é não permitir a si mesmo o direito a sentimentos de natureza humana de segunda linha, como raiva, inveja, intolerância, desprezo e aversão.

Só os insones são capazes de entender o quanto o escuro da noite pode ser assustador e agressivo. É naquele momento em que se constata que todos ao seu redor estão “desligados”, todos parecem tão à vontade com suas camas e travesseiros, todos… menos os que não conseguem aprender a mágica de tirar-se da tomada para poder esvaziar a mente e dissolver o corpo cansado, durante algumas benditas horas de descanso reparador.

Ninguém fica rolando na cama porque quer. Ninguém fica analisando o teto do quarto por horas à fio por opção. Ninguém escolhe ser a sentinela eterna de seus próprios medos, pensamentos em conflito e atividade mental, enquanto todo o resto do mundo parece ter recebido de presente um botão de “liga e desliga”, que funciona!

E pior do que não conseguir dormir, apesar de já ter feito e refeito todo tipo de investigação sobre as causas dessa maldição, é ter de aturar os conselhos infalíveis daqueles que são capazes de dormir até em pé, encostado na parede. “Você já experimentou meditar?”; “Evite tomar café, refrigerante ou bebidas alcoólicas à noite!”; “Tem que fazer atividade física, viu?!”; “Olha… Tem um chá que é tiro e queda!”; “Nada de televisão, computador, tablet ou celular na cama, hein?!”; “Minha tia foi numa mulher que entra na sua energia e faz uns florais que são maravilhosos!!!”.

Aí, você – que já anda meio de saco cheio com as noites viradas em claro, faz um último esforço sobre-humano, veste sua melhor cara de paisagem e responde, assim meio sem jeito um: “Puxa, muito obrigada pela dica! Como é que eu nunca pensei nisso antes?!”. O que a pessoa não sabe, nem sequer desconfia, é que por trás da sua cara de paisagem tem um monstro prestes a ganhar vida, um monstro exausto e inconformado com a sua sina de viver tal e qual um vampiro da Transilvânia.

A sofrida verdade é que não há receita – a não ser aquelas controladas e aviadas por Psiquiatras Especialistas em Distúrbios do Sono – que possam nos salvar. E, não, este texto não faz nenhuma apologia ao uso de tarjas pretas, vermelhas ou, seja lá de cor sejam. Este texto é uma declaração aberta e empática àqueles que como eu, sofrem com a penúria de noites passadas no zero a zero, no que diz respeito ao direito de sair desse mundo espontaneamente por algumas horas.

Esses companheiros de olhos arregalados na calada da noite hão de me compreender! Eu adoraria não ter que admitir que já tentei de tudo, desde banhos no escuro ouvindo mantras, até comer incontáveis pés de alface no jantar (porque alface é tiro e queda!).

Tem gente que tem enxaqueca, tem gente que sofre de gastrite, tem gente que distribui desaforos aos familiares, tem gente que rói as unhas, tem gente que acredita em duendes e gnomos… Eu tenho insônia! E se é esse o meu castigo para pagar todos os meus pecados – conhecidos e desconhecidos, posso afirmar com todas as letras – e incontáveis carneirinhos: EU QUERO TROCAR DE CASTIGO!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do seriado Friends

Regra de segurança número um: mantenha distância de quem vive perto de explodir.

Regra de segurança número um: mantenha distância de quem vive perto de explodir.

Com todo o respeito, gente que estoura fácil me dá vontade de sair correndo. Não gosto, não. Todo sujeito orgulhoso de ter o pavio curto me parece uma besta, um asno, um animal incapaz de controlar os próprios ímpetos. Alguém que me causa pânico e me faz querer distância de sua presença.

Lamento lá no fundo que ainda se confunda uma postura tão somente estúpida com “personalidade forte”. Ao contrário, gente que não controla a própria raiva ou não domina uma paixão momentânea sofre de uma fraqueza essencial e ponto. Quem diz que “fulano é genioso” para se referir a alguém destemperado e briguento não sabe o tamanho da besteira que fala.

Aliás, eu não sei quem é pior: o gênio que não consegue refrear seu impulso raivoso ou o picareta que sai por aí anunciando ser incapaz de sentir raiva. Um é verdadeiro demais e o outro é falso, descaradamente mentiroso e dissimulado.

Ninguém que esteja em dia com as suas faculdades mentais é capaz de não sentir raiva. Nem o Papa, o Dalai Lama e a mais santa de todas as criaturas boas deste mundo escapam de um sentimento ruim vez em quando. Acontece que essas almas evoluídas se tornaram capazes de reconhecer suas emoções negativas e transformá-las em outra coisa. Ou você acha mesmo que um monge budista tropica numa pedra imensa,
estoura o dedinho e seu primeiro sentimento é de alegria? Eu aposto que não. Ainda que ele não demonstre, seu impulso imediato é xingar a mãe da pedra. Depois passa, ele controla a raiva e fica tudo certo.

Todo mundo sente raiva de alguém ou alguma coisa uma hora e outra. Está na natureza do ser humano. É que a gente lida com a ira de modos diversos. Cada um do seu jeito.

Aqui do meu canto, no exercício da minha liberdade de pensamento, eu não gosto de quem tem o pavio curto nem de quem se faz de besta e esconde o próprio pavio. Gente dada a disfarces. Para mim, um e outro não sabem lidar com a própria raiva. Um tem orgulho de exibi-la, outro não tem vergonha de disfarçá-la. Os dois são bombas ambulantes sempre perto de explodir. De um e de outro, por simples questão de segurança, eu prefiro ficar bem longe.

Imagem de capa: WAYHOME studio/shutterstock

“Extraordinário”: abençoados os que enxergam com o coração

“Extraordinário”: abençoados os que enxergam com o coração

O filme “Extraordinário”, baseado em best-seller de R. J. Palacio sobre o bullying sofrido por um garoto, Auggie, nascido com uma síndrome genética rara, que lhe deforma a feição, é daquelas películas agradáveis e aparentemente leves, mas que nos levam a refletir sobre várias questões que envolvem a convivência, a aceitação, a autoestima, a paternidade/maternidade, entre muitas outras. Tudo, ali, é o que parece, e muito mais.

Já é ponto pacífico o fato de que, hoje, mais do que nunca, as aparências acabam balizando fortemente os valores que permeiam os relacionamentos entre as pessoas, em vários níveis. Supervalorizada, a beleza física estampa toda e qualquer instância midiática, sendo como que obrigatória às pessoas, não importando a competência que se tenha: cantores, artistas, apresentadores, qualquer figura que se destaca midiaticamente, por exemplo, embeleza-se, emagrece, clareia os dentes, e por aí vai.

Não basta ser um bom ator, é preciso ser belo. Não basta ter uma voz maravilhosa, é preciso ser belo. Esvaziam-se, assim, os valores que não são vistos, enquanto que a estética se sobrepõe à essência, ao que se é realmente. Da mesma forma, cresce a importância exagerada conferida ao poder de compra de cada um, sendo que até há quem sobreviva apenas sendo alguém rico e bem relacionado, com milhares de seguidores pelas redes sociais.

Daí o sofrimento por que passa a personagem Auggie, cuja aparência é desagradável, por fugir a qualquer padrão, uma vez que poucos se lançam além do que conseguem enxergar superficialmente, poucos se demoram junto ao outro, para que consigam estabelecer vínculos com aquilo que temos de melhor e que se encontra exatamente aqui dentro, onde os olhos não alcançam. Os espectadores do filme já de início veem a beleza que possui o garoto, por isso sofrem junto com ele, por tudo o que enfrenta na escola.

Assistindo ao filme, sofremos porque também refletimos sobre o quanto nos comportamos como os colegas de Auggie e sobre nossas próprias lutas para sermos aceitos, desde sempre. Quantas e quantas vezes não tentamos agradar aos outros, inventando um exterior que tromba com nossa essência? Quantos de nós não relutamos em nos aceitar exatamente como somos, por conta de estereótipos midiáticos a que poucos conseguem corresponder naturalmente? Por isso é que torcemos e vibramos por cada conquista do garoto, por cada um que o enxerga, não com os olhos, mas com o coração. Porque é assim que queremos também ser vistos.

“Abençoar” é uma palavra que vem do latim benedictio, ato de abençoar, que contém bene, bem, e dictio, de dizer. Ou seja, quem “diz o bem”, ao mesmo tempo abençoa e é abençoado, porque enxerga o lado bom de cada coisa, de cada pessoa, dessa forma agregando amor, ajudando, tornando o mundo melhor. Portanto, abençoados os que enxergam com o coração, além das aparências, pois são essas pessoas que ajudam a vida a se tornar menos densa, menos triste, menos má. São essas pessoas que ajudam a se abrirem os caminhos de luz a que todos temos o direito de atravessar, não importando se somos belos ou ricos ou qualquer outra coisa.

Mutismo seletivo: não basta diagnosticar, é preciso saber acompanhar

Mutismo seletivo: não basta diagnosticar, é preciso saber acompanhar

Talvez alguns de vocês, em alguma altura de sua vida profissional ou mesmo pessoal, tenham se deparado com uma criança que não falava. Mas, ao contrário do que poderia parecer em um primeiro momento, esse silêncio não era decorrente da não capacidade ou mesmo da vontade de falar, e sim de uma incapacidade que a criança desenvolveu de se comunicar em ambientes onde não se sentia totalmente segura. E é aí que ouvimos que a criança “só não fala na escola”, mas fala em casa com os pais, por exemplo.

O primeiro impacto de qualquer pessoa que se vê frente a frente com um caso assim é de estranheza e tentativa de ajudar a criança a chamando, estimulando e fazendo inúmeras perguntas. A intenção certamente é boa, mas os resultados são ruins e é disso que vamos falar.

contioutra.com - Mutismo seletivo: não basta diagnosticar, é preciso saber acompanhar
Maria Virginia e Alan

Para nos orientar sobre isso, conversando com a uruguaia Maria Virginia Almanza Salim, residente em Curitiba , mãe e voluntária reconhecida tanto na causa do mutismo seletivo quanto na propagação de informações sobre esse tipo de distúrbio.

Maria Virginia é mãe de Alan, hoje um adolescente de 13 anos mas que, desde os 5 anos, após mudança de país, convive com essa questão que tem bases ansiosas e pode piorar se a criança se sentir pressionada ou mesmo se for colocada como centro das atenções.

Abaixo, solicitamos que Virgínia nos ajudasse  numa lista com dicas para pais e profissionais que convivem com esse problema e precisam de ajuda:

1- É preciso compreender que o silêncio não é causado por birra, malandragem, falta de inteligência ou mesmo falta de educação. Essa compreensão é necessária para não atribuirmos uma culpa que não pertence a pessoa acometida e, com isso, causemos um sofrimento ainda maior.

2- É preciso compreender que o mutismo é causado por uma grande ansiedade e não é o mesmo que timidez. Para facilitar a relação é importante que não sejam ditas frases que deixem a pessoa com um sentimento de inadequação e ainda mais ansiosa , tais como:

  • Você não vai falar nada!
  • O gato comeu sua língua?
  • Você é sempre assim?
  • Qual é o seu problema?

3- O compromisso da Escola não é somente com o ensino, mas principalmente com a aprendizagem. Os professores devem se informar sobre o que é o mutismo seletivo para poder entender melhor a criança e ajudá-la na sua aprendizagem, assim como elaborar e executar sua proposta pedagógica de maneira mais adaptada: trabalho em equipe entre escola, pais e psicólogo. Escola, professores, diretor e núcleo devem estar juntos para aprovar métodos alternativos e inclusivos de ensino, discutir a avaliação do aluno, e o progresso dele.

3- Fazer atividades de sala de aula que permitam que a criança participe de forma não verbal: a criança pode escrever para a professora pedindo para ir no banheiro ou escrever que não entendeu a lição.

4- Nenhuma motivação ou estimulação deve implicar em pressão, chantagem, exigência, discriminação ou algum outro modo não respeitoso ou insensível de fazer a pessoa falar.
Muitas vezes a criança escolhe um amigo para que seja porta voz dele na escola.

5- É necessário entender que as crianças e adultos com Mutismo Seletivo não escolhem ficar calados. Eles realmente não conseguem falar porque a tentativa de fala desperta muita ansiedade (e ansiedade gera sofrimento). O calar não é uma opção da pessoa, e sim um silêncio imposto pela ansiedade involuntária que experimenta.

6- O Mutismo seletivo costuma ser tratado com terapia cognitiva comportamental e,  algumas vezes, a criança (ou mesmo adulto) precisa ser medicada com algum ansiolítico. Logo, é necessário aceitar ajuda de profissionais especializados que possam fazer um diagnóstico preciso e orientar sobre o melhor tratamento;

7- Se sabemos que essa criança fala em outros ambientes, é dando todas condições para que ela se sinta segura e aceita, mesmo que não fale, que ela poderá, aos poucos, ter a ansiedade diminuída. Muitas vezes, as crianças mutistas começam lentamente a sussurrar. Às vezes com uma voz quase audível à medida que se tornam mais confortáveis e menos ansiosas.

8- Quando ela finalmente falar, por favor não faça exclamação nem elogios. Permaneça o mais neutro possível para que ela não tenha a atenção direcionada demais para ela e volte a ficar ansiosa.

9- É preciso entender que o mutismo gera sofrimento e, antes de qualquer atitude, o conhecimento sobre o tema e a empatia com a situação da criança devem ser o norte para qualquer medida.

Para saber mais trouxemos o vídeo animado do educador e psicólogo, também referenciado quando falamos sobre o assunto, Marcos Meier.

Para estar sempre por dentro desse tema, curta e siga a página do Facebook Mutismo Seletivo.

Para saber mais sobre a história do Alan e da Maria Virgínia assista a reportagem sobre o tema.

Imagem de capa meramente ilustrativa: Maria Sbytova/ shutterstock

Eu desejo que você se encontre antes de resolver ficar com alguém

Eu desejo que você se encontre antes de resolver ficar com alguém

Porque não há nada mais afrodisíaco do que cruzar o caminho de quem se conhece. De poder contar com alguém que já passou da fase das indecisões e dos jogos sentimentais. É bem mais leve quando o amor nasce ao lado de uma pessoa que não precisa mentir para conquistar. Quem já se encontrou sabe o que é parceria, entrega e respeito mútuo.

Eu desejo que você faça questão de valorizar os momentos em que não estiver dividindo instantes com alguém. Que você tenha tranquilidade e zelo nos dias de solidão. É importante não deixar o silêncio dos próprios pensamentos se transformarem em uma prisão. Não atropele etapas. Se não tiver companhia, tudo bem. Aprenda a curtir mais de você. Quanto mais você praticar essa independência física e emocional, mais entenderá o significado de permitir a chegada de alguém.

Eu desejo que você não repita os mesmos erros. O passado não dá para mudar, mas o presente ainda pode ser construído. Seja paciente com a vida, agregue muitos amores e nunca finja um sentimento que não te pertence. Todas essas experiências não são para você jogar na cara de alguém. Tudo isso é para que você não deixe o amor passar batido quando ele pedir abraços.

Eu desejo que você se encontre. Que você experimente viver, dia após dia, de jeitos e passos diferentes. Porque só assim você abrirá caminho para novas certezas e, dentre elas, aquela de não ficar com alguém por medo ou carência. É muito mais amor se for sentido por quem tem autoconhecimento do coração.

Imagem de capa: content diller, Shutterstock

O lugar comum

O lugar comum

“Mariana é viciada em repetições. Precisa viver e reviver sempre as mesmas frustrações porque, assim, sente-se segura. Dessa maneira, ela acha, outras frustrações não viverá. As mesmas, ela já tira de letra, acostumada.”
Fernanda Young em Aritmética

A Gestalt-terapia, também conhecida como terapia do aqui e agora, propõe um desafio grande em cada sessão: o bom gestalt-terapeuta é aquele que frustra o cliente sem ser invasivo, para que o vínculo de confiança não seja quebrado. Na prática esse é um desafio maior do que parece. É natural que tenhamos um comportamento defensivo ao ouvirmos verdades que não combinam com as histórias (fantasiosas) que nos contamos. Saber quando o cliente está preparado para ouvir algo sem que se sinta invadido é um talento que precisa ser refinado e constantemente aprimorado, mas é extremamente necessário. Dentro da clínica gestáltica, não há evolução sem frustração.

Muitas vezes deixo as sessões com uma sensação de desconforto na boca do estômago e um nó na garganta. É difícil e vergonhoso verbalizar minhas incapacidades de mudança. Quando me dou conta que (mais uma vez) me tornei comum, repetindo os mesmos papéis, que já não me caem tão confortavelmente, que andei tanto e fui parar novamente no lugar conhecido, meu coração se angustia.

“- E aí você se torna comum!”. Essas palavras da minha terapeuta ainda me descem atravessadas e de difícil digestão. Sim, a verdade liberta, mas tem gosto amargo.

E então entendo que voltar ao lugar comum é um comportamento quase que automático, instintivo. As repetições nos mantém presos à uma zona de conforto onde as frustrações são familiares. São frustrações que damos conta de viver. Ficar é muito tentador. Sair do lugar comum requer prontidão e exige de mim que eu seja melhor, maior, a cada escolha, em cada momento. Às vezes, sair do lugar comum também me parece exaustivo e impossível.

É natural reagirmos assim às mudanças, desviamos os passos do desconhecido, pois ele nos amedronta. E evitamos. Evitamos entrar em contato com o que não sabemos de nós mesmos, com o que não sabemos do outro. Engessamos comportamentos repetidos, previsíveis, nossos papéis mais comuns e (quem sabe) mais aceitáveis. E repetimos frustrações, porque ser fiel ao que almejamos ser, nos distancia de quem já somos. E como é desconfortável!

Mas, também é desconfortável e angustiante andar em círculos, reviver as mesmas histórias, com os mesmos desfechos, e é mais angustiante ainda entrar em contato com nossas incapacidades, essa nossa parte tão exposta, tão vulnerável, tão errante, tão… comum.

Imagem de capa: Dmytro Zinkevych/shutterstock

Sociedade, por gentileza, permita-me ser espontânea.

Sociedade, por gentileza,  permita-me ser espontânea.

De vez em quando, precisamos quebrar protocolos e dar voz ao que pulsa dentro dos nossos corações. Não é possível dar vazão à criatividade se vivermos em função desse “encaixotamento” em que a sociedade nos coloca. São tantas regras, tantos “não convém isso”, “não convém aquilo”…são tantos “copiar e colar”. Tudo indica que a espontaneidade está prestes a entrar em extinção nesse planeta.

Afinal de contas, o que nos é permitido nessa vida? Não temos liberdade nem mesmo para escolher o que vestimos. Não…eu não estou dizendo nenhum absurdo. Calma aí, você se esquece de que em algum lugar alguém decidiu o que seria moda na estação atual? As cores, os cortes, as tendências e sei lá mais o quê. Livres mesmo, são aquelas senhorinhas do interior que você encontra na fila do banco para receber a aposentadoria. Elas estão lá com seus lencinhos coloridos na cabeça, uma saia floral com uma blusa colorida com outra estampa, uma composição que, se fosse usada por uma mulher moderna, faria qualquer “guru” da moda surtar.

Parece absurdo, e é absurdo mesmo. Todos nós, principalmente as mulheres, usamos uniformes. Ah, para ilustrar o que digo aqui: não sei aí na sua cidade, mas aqui em Brasília, o uniforme do momento são peças que mostrem os ombros, virou febre, todas nós com as mesmas roupas. Nos vestimos iguais para nos sentirmos “antenadas” com a moda. Sabe como é, né?

Um dia desses, um rapaz fez uma observação, em tom de crítica, a meu respeito que, embora eu compreenda que ele estivesse bem intencionado, me fez repensar de novo sobre esse aniquilamento da espontaneidade. Ele me disse que não era “normal” eu postar sete textos por dia no meu blog. Fiquei pensando naquela fala dele e me perguntei: mas afinal, o que seria normal mesmo nesse quesito? Onde está escrito o que deve ser considerado normal ou anormal em termos de quantidade de textos para um blog? Talvez não seja comum o meu número de postagens de textos, mas é normal, sim. Por favor, não diagnostique como patológica a minha paixão com o meu projeto. Eu sou apaixonada pelo o que faço e não quero copiar ninguém, quero seguir aquilo que acredito e se eu tiver que moderar algo, isso será uma percepção que terei naturalmente.

Vivemos numa sociedade tão engessada, que, quando aparece alguém eufórico e motivado com algo, ele é tachado de esquisito, inadequado ou mesmo portador de algum transtorno psiquiátrico. Parece que o normal é empurrar tudo com a barriga e sair copiando tudo. Ser normal, para a nossa sociedade, é não esboçar encantamento com nada. É viver de forma mecânica. Eu tenho relutado em não viver dessa forma tão apática. Eu não sou um robô. Luto pelo direito de me emocionar, de gargalhar, de me entusiasmar, de pagar mico e de ser eu mesma. Eu só tenho essa vida para externar a minha essência.
Imagina quantas oportunidades as pessoas perdem de construir grandes projetos e revolucionar, simplesmente, porque não escutam aquilo que pulsa na alma delas. É tanta preocupação com o politicamente correto, é tanta necessidade de aprovação e de ser visto como normal que acabam seguindo um bando, como gados dentro de um rebanho sendo conduzidos pelo som de um berrante.

Por fim, faço aqui um apelo: evite desapontar alguém que esteja encantado com algo. Aquilo pode significar a cura dele. Aquilo pode simbolizar um recomeço de vida. Aquilo, talvez, seja o substituto de um monte de medicamentos tarja preta que ele esteja ou estivesse usando por falta de endorfina no organismo. Gratidão e entusiasmo são a senha para uma vida de verdade.

Imagem de capa: sun ok/shutterstock

Sua majestade: o amor próprio!

Sua majestade: o amor próprio!

Existe em nossas vidas, algo que tem mais valor que o ouro puro refinado – o amor por nós mesmos – que faz com que as pessoas evoluam numa experiência proveitosa a partir de de eventos cotidianos. Um tesouro excepcional.

Algumas pessoas não se preocupam em guardar esse tesouro que faz parte da sua vida, e que com certeza, tem um valor incalculável – o amor próprio – e que sempre é alvo de ataques por aqueles que insistem em querer nos desvalorizar, nos depreciar e nos colocar sempre “para baixo”. Para isso, elas se valem de vários artifícios e palavras, porque tem o objetivo de destruir nossa autoestima.

O nosso amor próprio nos direciona a uma vida de possibilidades. Podemos dizer que esse sentimento impõe limites que precedem ao orgulho e ao egoísmo, contudo nos domina a ponto de amarmos a nós mesmos pro toda a nossa vida, antes de amarmos qualquer outra pessoa. Sim, porque é fundamental que haja uma valorização que gere um estado permanente de alegria por tudo que nos envolva e que nos deixe confortável com nós mesmos, para então amarmos aos outros. Então passamos a fazer as coisas de modo que, aquilo que as outras pessoas pensam ou dizem ao nosso respeito, não fará a menor diferença, nem mesmo nos causará prejuízos emocionais ou incertezas quanto ao que vemos defronte ao espelho – A PESSOA MAIS LINDA E MARAVILHOSA DO MUNDO .

É evidente que todos nós gostamos de ser amados. E o bom de tudo isso, é que isso nos traz prazer, nos faz sentir fortes para que vivamos de forma prazerosa por dentro e por fora de nós mesmos. Em outras palavras, deixa-nos sempre “de bem com a vida.” Entretanto existem pessoas que não têm esse privilégio de amarem tanto a si mesmas. O que traz desconforto para a sua vida pessoal e profissional. Dentre as consequências de quem não tem amor próprio ou autoestima, está um sentimento que debilita as pessoas, chamado inveja. Pessoas que nunca estão felizes com o que são, quem são ou com o que tem. E que muitas vezes querem ser outras pessoas as quais admiram, chegando ao disparate de submeterem a cirurgias plásticas para ficarem parecidas com os seus ídolos, porque não têm referência própria. São pessoas que se sentem inseguras na sua vida habitual, que acabam perdendo sua identidade, sua personalidade, como também seu amor próprio. Elas se tornam hostis muitas vezes, porque não agem positivamente, e estão sempre indispostas a recomeçar. Isso é lastimável, pois nesse caso, vemos claramente que seu reinado interior sucumbiu, vindo a pertencer a outro senhorio, para que tenha domínio sobre a sua vida interior, trazendo medo, insegurança, depressão e dificuldade em se relacionar com outras pessoas.

É o amor próprio que nos embeleza e faz restituição daquilo que perdemos. Buscamos a cada dia, aquilo que mais desejamos. E nos permitimos ser vencedores em todas as batalhas, porque acreditamos no nosso potencial. E partilhamos ideiais e dividimos conquistas, porque amamos aos outros, apenas quando amamos a nós mesmos. E esse amor impera em nós, com soberania inquestionável. Com toda a sua majestade. Porque o amor é tudo em todas as coisas.

” O melhor modo de viver em paz é nutrir o amor próprio dos outros com pedaços do nosso. “(Machado de Assis)

Imagem de capa: Daxiao Productions/shutterstock

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