Vou mostrando como sou e vou sendo como posso*

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso*

Por Josie Conti

“Vou mostrando como sou e vou sendo como posso”*

A fresta da janela iluminada indica que o dia invadiu a noite e, mesmo com o quarto escuro, já não é possível negar a existência da luz que vem me dar bom dia.

O mesmo acontece quando nosso mundo mais íntimo e profundo recebe a visita da realidade; e a liberdade dos coloridos de nossas fantasias e máscaras interiores veste-se apressadamente com roupas normais, em busca de alguma adequação em um papel que, mediado entre o que achamos que devemos ser e o que conseguimos alcançar,  vai se mostrando e dando forma ao que apresentamos ao mundo.

“Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto”

E, então,  damos nossos passos e criamos nossos caminhos. Estabelecemos nossos laços e abraços. Nos enamoramos. Encantamo-nos com a vida; família; trabalho; amados e amigos.

Ah, mas as flores que nascem também têm espinhos e são nesses momentos que a ilusão da maturidade valsa num salão onde pensávamos tê-la como eixo inabalável.

Impaciência; intolerância; inseguranças e falta de empatia falam conosco em volume alto. E, num olhar mais atento, vemos que são com esses parceiros que dançamos de fato. A pessoa que se achava segura de si, então, sente ciúmes; o teórico e letrado se mostra analfabeto ao não conseguir articular um raciocínio que não vá de encontro ao seu; o grande escritor sente inveja de um colega cuja obra é também reconhecida e acaba por depreciá-lo sem necessidade; passamos pelas pessoas que sofrem e não lhes dirigimos o olhar.

“E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu”

Não existe domínio completo e a ideia do domínio é o que mais nos engana, mas também é o que vem nos salvar. Salva-nos de nós mesmos ao nos dar uma ilusão de controle; e, no entanto, nos abandona em uma selva de mistérios onde não conhecer o poder da dúvida pode ser fatal.

A aceitação de nossa instabilidade e constante evolução e involução é a chave mestra que permeia o crescer. Nunca sabemos quando nossas carências e feridas internas serão tocadas. E, nessa jornada, nos tornamos vilões e heróis de nós mesmos. Damos e recebemos. Acertamos e erramos num sem fim de ações mais ou menos reflexivas.

“Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola”

Somos, no fim, o que podemos. Crianças que se tornaram adultos. Adultos que, por vezes, agem como crianças. Seres absolutamente imperfeitos em jornada. E, por que não dizer… Malandros que enganam, mas que também são enganados, pois oscilam entre a malícia e a ingenuidade. Por isso não há lugar para vaidades. Basta reconhecer.

Na versão abaixo Marisa Monte cantando com os Novos Baianos

*O título do texto é um verso da música Mistério do Planeta, composição de Luis Galvão e Moraes Moreira. O texto segue inspirado e agraciado com versos intercalados da canção. No final, uma versão da música gravada por Novos Baianos com participação de Marisa Monte.

Imagem de capa: Zolotarevs/shutterstock

Quando os parentes invadem nossa intimidade

Quando os parentes invadem nossa intimidade

– “Família é pra essas coisas” é um tema perigoso, pois permite que nossa privacidade seja devassada, criando situações embaraçosas e impedindo uma relação mais sadia e madura.

Somos educados para distinguir muito claramente os parentes dos amigos e das pessoas em geral. Desde crianças, aprendemos que a família é composta por criaturas sui generis que terão conosco um nível de relacionamento especial, governado por um código próprio, diferente daquele que empregamos no trato com estranhos. Com esses últimos, temos um relacionamento cordial e mais formal, respeitoso e que pressupõe reciprocidade nas atitudes. Por isso, nos ofendemos rapidamente quando somos invadidos em nossa privacidade.

Detestamos nos sentir explorados e reagimos com veemência frente a intromissões indevidas. A tolerância com desconhecidos é relativa e tendemos a evitar novos contatos com aqueles que não agem adequadamente. Às vezes, chegamos a brigar feio: outras vezes, apenas nos afastamos. Tudo depende do temperamento, da situação e também do tipo de pessoa com a qual nos indispomos. Fomos educados a “não levar desaforo para casa”.

A coisa é completamente diferente quando a gente se relaciona com parentes, especialmente os mais próximos. Pais, avós, irmãos, filhos, primos e tios diretos, todos se sentem à vontade para falar o que pensam a nosso respeito. Fazem isso sem inibições e, pior, sem ser consultados.

A invasão seria absolutamente intolerável se viesse de estranhos ou mesmo de amigos. No entanto, essa devassa à nossa privacidade passa a ser considerada uma “obrigação” do grupo familiar. Ai de nós, se ficarmos ofendidos! Não faltarão recriminações do gênero: “se estou te dizendo essas coisas, é para o seu bem. Sou sua mãe e me sinto com o direito de falar tudo o que eu penso, porque é óbvio que te amo”. Há variantes com igual intenção e significado, mudando apenas o grau de parentesco.

Em primeiro lugar, não é tão óbvio que a emoção predominante entre parentes seja o amor. Penso que, em muitos casos, a rivalidade e a inveja predominam entre irmãos, por exemplo, sentimentos positivos são abafados por uma relação tumultuada e por disputas de todo o tipo.

Até no “começo dos tempos” tivemos problemas: os dois primeiros irmãos foram Caim e Abel e um matou o outro. Rivalidade e inveja também imperam nas ligações entre pais e filhos, entre mães e filhas. Na maioria das vezes, o amor existe, mas não é a única emoção. Portanto, é arbitrário dizer que os laços que unem os parentes sejam sempre positivos e construtivos. Não ousaria afirmar isso nem mesmo em relação à minha mãe ou ao meu filho. Aliás, as mais importantes descobertas de Freud, tem a ver com a descaracterização do mito segundo o qual a família é um santuário das melhores e mais belas emoções.

Mas um aspecto comum entre parentes diz respeito à facilidade com que uns exigem coisas dos outros. Se nos falta dinheiro e temos que pedir emprestada uma certa quantia para um “estranho”, a dificuldade que sentimos é enorme. Agora, se for parente, não experimentamos o mínimo escrúpulo. E se tiver mais dinheiro do que a gente, chegamos a pensar que será “obrigação sua” nos tirar da condição precária na qual nos encontramos. Sim, porque “parente é pra essas coisas”.

É “óbvio” que pais mais ricos deverão ajudar o filho. Quando a situação se inverte, este manterá pais, avós, além de alguma tia solteirona… Não me parece nada tão claro nem tão óbvio. Acredito mesmo que tais regras – diferente das que orientam as relações em geral – foram criadas por pessoas oportunistas e, portanto, fracas e egoístas. Sua finalidade é comover os parentes mais generosos e transformá-los em provedores de tudo o que lhes falta. É mais fácil e, à primeira vista, mais esperto tirar dos outros o que não se conseguiu por esforço próprio.

“Com os parentes não é preciso ter cerimônia.” Também não concordo com essa afirmação. Ofender, brigar e depois fazer as pazes afeta qualquer relação. Deveríamos tratar com cuidados redobrados justamente as criaturas que nos são mais próximas.

Fonte indicada: Flávio Gikovate- página oficial

Imagem de capa: Refat/shutterstock

Efeito Borboleta

Efeito Borboleta

Tem vida que a gente escolhe, e tem vida que escolhe a gente.

Qualquer um já deve ter reparado nisso. De vez em quando pequenas mudanças no curso de um dia, ou minúsculas alterações no trajeto da rotina podem desencadear uma sequência de eventos que modificam tudo, como se a vida tivesse seu próprio roteiro, e você estivesse sendo empurrado por ventos fortes numa direção, escolhido para viver alguma situação.

Ainda não terminei a leitura do livro “O andar do bêbado”, de Leonard Mlodinow, mas corri as páginas, ansiosa por entender como o acaso determina nossas vidas. E me deparei com o chamado “Efeito Borboleta”, assim denominado pela física, que determina o impacto dos eventos aleatórios em nossas vidas. Eventos aparentemente inconsequentes que levam a grandes mudanças. O que se descobriu foi que “ínfimas alterações atmosféricas, como as causadas pelo bater das asas de uma borboleta, poderiam ter um grande efeito nos subsequentes padrões atmosféricos globais. Essa noção pode parecer absurda _ é equivalente à idéia de que a xícara de café que você tomou de manhã poderia levar a alterações profundas em sua vida. No entanto, isso é efetivamente o que acontece _ por exemplo, se o tempo gasto tomando a bebida fizer com que você cruze o caminho de sua futura mulher na estação de metrô, ou evitar que você seja atropelado por um carro que atravessou um sinal vermelho.” (extraído do livro “O andar do bêbado).

Assim, tem coisas que a gente não procura, elas nos acham. E nos surpreendem distraídos, em momentos de pouca expectativa e muita abertura ao acaso.

Foi por acaso que minha casa me achou. Por acaso que me perdi numa rua, três anos antes de morar na dita cuja, voltando do shopping num trajeto conhecido. Por que me perdi? Não sei, assim como não sei explicar que impulso me fez pedir transferência do emprego e esbarrar com meu futuro marido nos corredores do posto de saúde pra onde fui transferida.

O fato é que me perder numa rua num dia comum me levou a ler a placa “vende-se” num condomínio cujos cômodos estavam distantes de um dia fazerem parte da minha vida; mas três anos depois, desejando me mudar pra uma casa, lembrei-me do fato: eu perdida, indo pedir informações, aproveitando a pausa para conhecer a casa à venda, sem imaginar que aquelas paredes estavam me escolhendo muito mais do que eu a elas.

Hoje, morando nessa casa, quando penso na história, vem a ideia de que se não saísse aquele dia para comprar um vestido para o casamento do meu irmão, se não me perdesse na volta, se não decidisse estacionar o carro e entrar no condomínio, talvez estivesse morando em outro lugar neste momento. Em qualquer outro lugar que não seria tão perfeito em mim quanto a casa que me escolheu. A casa cujas escadas subi, sem me dar conta que repetiria aquela ação muitas e muitas outras vezes, com tanta gratidão.

São movimentos mínimos, como o bater das asas de uma borboleta, que determinam os desfechos de nossas vidas. E na maioria das vezes, não percebemos.
Desintegrados da matéria invisível que é feita nossa existência, pensamos calcular nossas ações esperando resultados coerentes, o que nem sempre ocorre. E não ocorre porque muitos outros eventos _ mínimos _ estão se somando ao nosso redor o tempo todo, e são esses eventos mínimos, como o tempo transcorrido entre uma xícara de café e outra, que determinarão grandes rumos. O que quero dizer é que esbarrar no grande amor tem muito mais chances de ocorrer quando você pega um engarrafamento na volta do trabalho, desvia o caminho por uma rua totalmente nova e decide tomar um café numa padaria no meio do trajeto pra aliviar o stress; do que quando contabiliza momentos, chega em casa na hora certa e se arruma toda (com cílios postiços e lingerie nova), esperando e torcendo para que o barzinho da moda lhe traga o grande amor.

Querer engravidar do marido, numa lua de mel programada de acordo com o período fértil e novena pra Santa Rita segue a mesma cartilha, quem nunca ouviu falar?
O fulano que sumiu da sua vida, as frases que você espera dizer quando ele se arrepender, a decisão de bater a porta na cara do bendito… sabe quando ele se arrependerá? Tem ideia?

A casa dos sonhos, o terreno pra construção, o ponto para o negócio… podem estar numa rua desconhecida, distante e aparentemente inatingível, mas se tiver que ser seu, o acaso lhe levará até lá.

De vez em quando é necessário deixar nossos rumos ao sabor do vento. Estar preparados sim, reconhecer as dádivas, também. Mas como os “lírios do campo”, entender que na maioria das vezes, a vida não dança ao sabor único de nossas intenções, e desejar não é o bastante para que a vida que escolhemos escolha a gente também.

Sendo assim, é impossível conhecermos ou controlarmos precisamente as circunstâncias de nossas vidas. Assim como o bater das asas da borboleta, pequenas diferenças levam a alterações imensas no resultado. E no que diz respeito a nossas conquistas particulares _ empregos, amigos, amores ou finanças_ todos devemos muito mais ao acaso do que somos capazes de perceber.

No fundo, a vida é incerta. E essa incerteza é o que dá sentido também, pois se fôssemos capazes de prever e controlar tudo, que graça haveria? Que possamos dar asas à intuição, pois essa sim, ainda que imprecisa, pode nos dar rumos muito além daqueles que supomos determinar ou controlar.

Imagem de capa: Tracy Siermachesky/shutterstock

Quando o ciúme prejudica as relações

Quando o ciúme prejudica as relações

O ciúme é um sentimento natural e está presente na vida de todos. Pode estar direcionado a um cônjuge, irmão, amigo, profissional no ambiente de trabalho. Ou seja, está presente em qualquer tipo de relacionamento. Por agora falaremos do ciúme presente na relação amorosa.

A vida a dois é muito desafiadora. Requer constante investimento, com carinho, confiança, atenção e afeto de ambas as partes. São duas pessoas diferentes, com histórias e experiências diferentes, mas que, por amor, desejo e, tantos outros sentimentos envolvidos, decidem compartilhar uma vida juntos.

Esse processo é delicado e, ao longo da convivência, são inúmeros os obstáculos que surgem e precisam ser superados. Certamente o ciúme é um deles! Trata-se de um sentimento forte que, dependendo da intensidade, pode se tornar destruidor de afetos e de relacionamentos.

É muito comum que o ciúme exagerado seja associado a um excesso de amor, ou até mesmo, como uma prova de amor. Expressões como: “Sinto muito ciúme de você porque eu te amo” são corriqueiras no nosso dia a dia. Mas, será que o ciúme realmente está relacionado com a quantidade de amor que se tem pelo outro? Então, a ausência dele significa falta de amor?

Por que sentimos ciúme exagerado?

O ciúme excessivo é uma emoção que está fortemente associada com a necessidade que uma pessoa tem de sentir-se incluída, ou seja, de pertencer a um relacionamento. Com isso, o medo de ser abandonado e a insegurança em relação ao afeto do outro se tornam reais e devastadores para o ciumento. E, movido por tais sentimentos, passa a controlar os passos do cônjuge com a certeza de que será traído ou desprezado a qualquer momento.

Essa insegurança tão intensa, comumente observada em casos de ciúme muito exagerado, pode ser decorrente de uma baixa autoestima. A pessoa se vê de forma distorcida da realidade. Ou seja, inferior, não merecedora do amor do outro, mais feia ou gorda, ou qualquer outra característica que seja importante para ela. Assim, mesmo que uma pessoa insegura tenha um relacionamento saudável com alguém que ela realmente goste, ela apresentará sérias dificuldades de acreditar que o seu cônjuge a ama de verdade. Com isso, passa a duvidar de tudo o que é dito e de qualquer pessoa que se aproxime dele.

É importante perceber que a possibilidade do abandono ou da exclusão, na maioria das vezes, é mais um fantasma imaginário que estimula a nossa insegurança do que algo real que tem motivos para ocorrer.

Em uma análise superficial da situação podemos pensar que o ciúme está sempre relacionado ao cônjuge, mas se pararmos para refletir mais cuidadosamente perceberemos que na realidade é algo associado quase que exclusivamente ao próprio ciumento, independentemente de quem for o seu cônjuge. O ciumento tende a repetir esse padrão de funcionamento psíquico em todos os seus relacionamentos. O que significa que o ciúme exagerado não está direcionado a uma pessoa em específico, mas sim à forma com que o ciumento tem de lidar com as suas relações afetivas.

A busca por um relacionamento mais saudável

Um pouco de insegurança pode ser considerada normal quando pensamos em um relacionamento conjugal. Afinal, o outro é alguém livre e diferente, capaz de tomar decisões a qualquer momento. Mas, perder o controle desse sentimento e tornar a vida a dois algo difícil e doloroso é gerar um sofrimento enorme e desnecessário na pessoa que você ama, mas principalmente em você mesmo!

Pare e reflita sobre os seus sentimentos e atitudes. Tente avaliar os reais motivos que o levam a exagerar quando se sente ameaçado em relação ao afeto do outro. Se você sentir necessidade de um autoconhecimento maior e mais profundo que o ajude a lidar com essas questões, procure a ajuda profissional de um psicólogo.

Buscar o equilíbrio entre nossas emoções é sempre a chave para que os nossos medos e inseguranças não nos dominem e destruam bonitas relações que poderíamos construir ao longo da vida. Confie em si mesmo e na sua capacidade de viver relacionamentos mais leves e plenos!

Imagem de capa: Daniel M Ernst/shutterstock

O inverso do amor, mais que o ódio, é a indiferença

O inverso do amor, mais que o ódio, é a indiferença

Muito se alerta, hoje, para a necessidade de se combater o ódio, no sentido de que o mundo carece de mais amor, de solidariedade, de olhares compreensivos em relação aos excluídos, aos miseráveis, às minorias. Atos terroristas e, numa proporção menor, atitudes preconceituosas e excludentes no cotidiano das sociedades acabam culminando em violência e tristeza.

No entanto, há que se atentar, da mesma forma, para os danos que a indiferença também traz, tanto no aspecto das relações humanas, quanto no âmbito da convivência como um todo. Embora silenciosamente, o “tanto faz” acaba por se tronar conivente com a ruína das relações interpessoais, com a propagação do ódio e das injustiças que permeiam o tecido social em todos os níveis.

O ódio enfrenta muitas frentes de combate, seja através de preceitos religiosos, de artigos, de campanhas solidárias, seja na escola, em casa, na rua. Frequentemente nos deparamos com filmes, reportagens e músicas, por exemplo, que pregam a necessidade de se prevalecer o amor sobre o ódio. A maioria de nós, inclusive, já extinguiu a expressão “eu odeio” de nosso vocabulário.

Por outro lado, a indiferença raramente é lembrada, mesmo que seja uma das piores atitudes que poderemos ter em relação ao que de ruim nos circunda. Obviamente, sermos indiferentes a quem nos queira atazanar, a quem fofoca, a quem tenta nos maldizer é extremamente benéfico à nossa saúde física e mental. Porém, sermos indiferentes às mazelas que assolam o meio em que vivemos é tão nocivo quanto o ódio.

Da mesma forma, tornarmos invisíveis as pessoas que caminham ao nosso lado, que sempre acreditaram em nós, com devoção sincera e amor de verdade, é por demais cruel, pois a ingratidão afasta de nós exatamente quem deveria caminhar junto, sempre, todos os dias de nossas vidas. Assim, o “tanto faz” nos esvaziará de amor, tanto daquele que brota aqui dentro, quanto daquele que colhemos junto a quem nos quer bem.

O perigo da indiferença, portanto, é fazer com que aquilo que deveria causar revolta, indignação e atitude combativa se torne banal, normal. Além disso, deixar de retornar afetividade a quem nos ama fará com que expulsemos de nossa convivência aqueles capazes de tornar nossa vida melhor e mais digna. A indiferença nos torna imunes à indignação frente ao que deve ser mudado e às trocas de afetividade, à partilha amorosa que tranquiliza a nossa alma.

O ódio pode até ser combatido, alcançado e neutralizado pelo amor, mas a indiferença é por demais vazia, inócua e sem peso, ou seja, nunca chegará a ser tocada pela magnitude curativa de qualquer sentimento amoroso. O amor não chegará perto desse vazio. E isso é o mais perigoso, porque o “tanto faz” é silencioso e silencia as nossas maiores qualidades, dentre elas, a nossa capacidade de compartilhar amor verdadeiro.

Imagem de capa: Andrey Arkusha/shutterstock

Hoje é um belo dia para começar a me fazer feliz

Hoje é um belo dia para começar a me fazer feliz

Cansei de esperar o dia em que a vida vai sorrir na minha direção. Nada acontece se eu não vestir disposição e otimismo. Amores não permanecem, instantes não são aproveitados e, o mais importante, não faço o meu próprio destino. Hoje é um belo dia para começar a me fazer feliz. Vou com tudo no agora. Depois vejo no que dá.

Calma, não perdi a cabeça. Também não acordei enxergando tudo um mar de rosas e pensando que somente coisas boas vão acontecer porque quero. Mas vejo que o meu caminho só mudará se eu mudar. E pra isso é preciso força, autoconhecimento e fé. Força no sentido de continuar perseguindo os meus sonhos. Autoconhecimento para saber lidar com quedas, decepções e partidas. Já a fé, bom, essa é para acreditar no universo de sentimentos que sou capaz de transbordar e transformar, todos os dias, para ser a minha melhor versão. A mais amiga, parceira e cúmplice que tenho vocação para ser.

Estou saindo fora de relacionamentos que não estão em dia com a reciprocidade. Quero pessoas bem-vindas do meu lado. Sim, é pura seletividade. Agora, seleciono e conto no coração os que realmente somam comigo. Os que sinceramente se esforçam para retribuir o carinho e o respeito que entrego. É de gente assim que prefiro estar perto, não adianta. Qualquer um ausente dessas atitudes, desculpe, passo.

Aprendi que o jeito mais simples da minha paz ser alcançada é colocando os pingos nos is dos meus inteiros. A minha plenitude não é negociável. E não adianta marcar datas no calendário, lançar invejas por cima dos ombros e nem fingir momentos quando se aproximar. Comecei o ano com a alma calibrada e pronta para seguir viagem. Hoje foi um belo para começar a me fazer feliz.

Imagem de capa: Pixabay

A vida é muito curta para reprimirmos nossas risadas.

A vida é muito curta para reprimirmos nossas risadas.

Eu me amarro em gente espontânea. É minha fraqueza, assumo. Eu amo aquelas pessoas que chegam na casa da gente e, ao tomarem o primeiro gole de café, dizem em alto e bom tom: “que café maravilhoso!” Eu não sei explicar a origem dessa afinidade com esse tipo de gente. Sei lá, me sinto à vontade, me sinto em casa, me sinto representada. Essas pessoas parecem abraçar a gente de todas as formas. Abraçam com a  forma de sorrir, com a generosidade que transmitem sem nenhum esforço e com olhos vibrantes.  São pessoas que conseguem  quebrar  o gelo em qualquer situação, até mesmo nos velórios.

Seres desprovidos de frescura, que  estão se lixando para essa preocupação doentia com o politicamente correto. São pessoas que não negam a própria essência. Criaturas gostosas,  que transbordam autenticidade. Sorriem daqueles protocolos chatos e que só servem para “engessar” a  gente. São verdadeiros mestres em falar ou agir da forma como a maioria gostaria, mas não tem coragem.  Abrem portas,  marcam,  encantam e,  de quebra,  acabam levando as demais pessoas  a repensarem o modo como encaram a vida. Elas entendem que a vida é curta demais para modular a altura da risada ou para reprimir aquela vontade de falar: “que delícia!”

Há alguns anos, eu estava numa festa e presenciei uma cena marcante. Uma mulher muito bonita e bem vestida, dançando lindamente com seu par. Num dado momento, o sapato dela começou a incomodar. Então, ela parou no meio da dança, arrancou os sapatos dos pés e continuou dançando descalça mesmo. Daí a pouco, muitas outras mulheres fizeram o mesmo. Aquela mulher me inspirou respeito e admiração. Na verdade, ela despertou um encantamento na maioria dos convidados. Fiquei, simplesmente, encantada. Obviamente, criei coragem e retirei os meus saltos e me soltei também…aprendi rapidinho, sou boba não.

Eu  amo gente que usa e abusa das exclamações. Gente que tem, sempre, na ponta da língua, expressões do tipo: “ai que comida maravilhosa!”…”Que lindo(a)!”. Gosto de gente que expressa o que está sentindo. Seja na cama, na mesa, numa loja de calçados, no meio da rua, por onde passar. Gente, já pensou a tragédia que deve ser namorar uma pessoa apática? A criatura não demonstra nada, fica ali controlando até a respiração. Ah, tenha a santa paciência, né? Me poupe! Coisa mais broxante! Você precisa ter um retorno do que você está proporcionando para se motivar ou mudar a estratégia, se é que me entendem…rsrs.

Falando em namoro, penso que, se for para abraçar, que abrace com vontade. Se vai beijar, beije com entrega. Ah, faça o favor de não economizar carinhos e carícias, eles não custam dinheiro. Por fim, a criatividade existe para ser explorada. É desanimadora aquela previsibilidade chata. Ou seja, a pessoa já sabe de cabo a rabo do que vai acontecer quando vai namorar. Ninguém  merece, né?

Imagem de capa: Dubova/shutterstock

Valorize quem te enxerga quando você se sente invisível.

Valorize quem te enxerga quando você se sente invisível.

Um dos melhores conselhos que podemos levar conosco diz respeito à necessidade de cultivarmos as nossas amizades mais especiais, de amarmos de volta quem nos ama verdadeiramente, porque com eles poderemos sempre contar, sem sobra de dúvida. Mesmo assim, muitas vezes acabamos mantendo perto de nós quem não faz a mínima questão de estar ali, quem não soma nada, de quem, na verdade, deveríamos nos afastar.

A vida hoje se constitui, em grande parte, de valores ilusórios, em que as aparências são supervalorizadas, em detrimento da essência, dos sentimentos, prevalecendo o material sobre o espiritual. Com isso, somos atraídos pelo que as pessoas possam oferecer em termos de status, popularidade, conforto material, relegando a segundo plano o que nos é mais caro: a afetividade, o sentimento, a verdade de cada um.

E, assim, muitas vezes nos esquecemos das amizades sinceras, partindo em busca das mais interessantes; não enxergamos quem nos ama com verdade, pois procuramos alguém cuja imagem seja mais condizente com a estética ideal; perdemos grandes oportunidades de nos realizarmos profissionalmente, enquanto ansiamos por empregos rentáveis. Quanto mais nos apegarmos ao externo, mais nos perderemos daquilo que somos de fato, dentro de nós.

Da mesma forma, vamos nos afastando de quem nos faz bem, de quem nos abre sorrisos sinceros, de quem completaria nossa vida em todos os sentidos, na dor, no contentamento, no amor. Já disse Exupéry ser o essencial invisível aos olhos, posto que tudo de que nossa alma precisa não se compra, pois não tem preço. E, sem que alimentemos a nossa essência, permaneceremos vazios e incompletos, ainda que estejamos rodeados de luxo.

Por isso é tão difícil amar. O amor não permanece no que não é verdadeiro, não se sustenta no que é apenas aparente. O amor precisa de essência, daquilo que não se compra, não se comercializa, não se corrompe. O amor não se veste com grifes, tampouco acompanha relacionamentos interesseiros, ou se impressiona com corpos perfeitos. Amor é entrega e reciprocidade, amor vem de dentro e ali se instala, na sinceridade de corações transparentes.

É preciso que consigamos manter junto de nossas vidas gente que faz a diferença, que acredita em nós, dando-nos as mãos para comemorar, para consolar e para nos guiar em direção à luz, ao amanhecer de nossa alma. É preciso que nos acomodemos nos ambientes em que, mais do que conforto, haja sorrisos sinceros e admiração mútua, onde podemos ser e aparentar tudo o que temos dentro de nós e mesmo assim obter aceitação sincera.

Nada nos fará mais falta na vida do que tudo aquilo que pudemos ter sem precisar comprar, porque é isso que nos acalentará durante as duras despedidas que a vida nos obriga a vivenciar. Porque então o amor vencerá tudo, até mesmo a dor da morte.

Imagem de capa: Reprodução

Fale com moderação. A ressaca moral costuma ser implacável.

Fale com moderação. A ressaca moral costuma ser implacável.

Bom senso, educação, cortesia, camaradagem, empatia.

Falar com alguém, sobre alguém, para alguém, tudo isso requer minimamente um código de comunicação bem conhecido de todos, onde há limites que vão se definindo conforme o assunto e os personagens envolvidos.

Não há tema que seja tão livre e tão independente que possa abrir mão dos preceitos básicos de um bom diálogo.

Falar apaixonadamente sobre determinado assunto é empolgante, contudo, há o momento de pausar e conceder a voz à outra parte.

Defender um ponto de vista é dos melhores usos da palavra, mas se a defesa vem acompanhada da tirania, os argumentos empobrecem e perdem o valor.

Contar algo de alguém para outro alguém requer responsabilidade e uma forte resistência aos floreios. Se afrouxar,transforma-se em fofoca.

Falar somente para agradar, puxar saco, tentar vantagens, é fazer uso inconsequente da oportunidade de se posicionar.

Ofender, humilhar, maltratar, caluniar, é a palavra em sua expressão mais vil, quando deixa de ser um elemento de ligação e se transforma em dardo, até mesmo em bala de canhão.

Quem fala nem sempre se dá conta. A necessidade de falar é maior do que o dever de calar, ou mudar o discurso.

Tem gente que ganha no gogó. As palavras assertivas e fortes invadem chutando a porta, sem defesa para os argumentos sensatos.

Tem gente que perde a vez de falar. Não consegue organizar as ideias, passa a vez e permite que outra voz represente seus interesses.

Para todos os usos e abusos da palavra, estão de prontidão as devidas consequências.

Uma noite inebriante de palavras de sentidos e intenções tortos, é seguida de enorme ressaca moral.

Ressaca moral é aquela coisa horrível que eu falei e em seguida me arrependi.

É aquela verdade que eu revelei injustamente, aquele fora que disparei, a saraivada de ofensas que não economizei.

Ressaca moral é o enjôo causado pela insuportável embriaguez de achar que eu posso falar tudo o que bem entender, sobre quem quiser, a quem eu quiser, do jeito que eu quiser.

Ressaca moral é o veneno saindo pelos poros, a vergonha rosnando no espelho, a vontade de ter calado a vontade de falar sem pensar.

Mas, a palavra não volta!

Imagem de capa: Luis Molinero/shutterstock

Nada em demasia faz bem à alma… Nem juízo!

Nada em demasia faz bem à alma… Nem juízo!

Tem aqueles dias que você abre os olhos pela manhã e parece que o vento trouxe boas novas. Você senta na sua cama e uma alegria insuspeita e solta brota em algum lugar lá dentro, fazendo você acreditar que esse será O DIA!

E essas levezas súbitas no peito acontecem assim mesmo, desse jeitinho, sem que as tenhamos planejado, sem que as tenhamos desejado na noite anterior, antes de dormir, sem que seja possível controlá-las.

E quer saber? A gente precisa é perder esse hábito azedo de ficar questionando as coisas boas que tão raramente aparecem assim, de graça, de repente, de surpresa. A gente precisa arranjar algum jeito de passar pelos dias, semanas ou períodos difíceis e escuros, sem fazer deles uma espécie de tatuagem que gruda por dentro, incapacitando a gente de se livrar da dor.

Ahhhh, sim! Tem dias que a gente acorda do avesso mesmo. Ou é o mundo que parece invertido. Todo mundo andando de cabeça para baixo e a gente tentando ver algum sentido na nossa história. E esses dias são igualmente inevitáveis e imprevisíveis. E a gente acaba se apegando a eles, porque é da nossa natureza conceder uma carga maior de memória e laço às dores, tristezas e dificuldades.

Acontece que os dias lindos e os dias tenebrosos têm uma coisa em comum: eles passam! Eles acabam! Eles não duram para sempre! E o que vai determinar o impacto deles na nossa alma, é o espaço que decidirmos conceder às suas incursões. Ambos podem ser admitidos como uma visita breve ou um hóspede permanente. A decisão é nossa!

E sabe, não é privilégio seu, ou meu, errar na dose das coisas. Muitos de nós têm mesmo essa queda para o exagero, os desejos desmedidos, o além da conta. Há quem exagere na arrumação, há quem acumule coisas, há quem gaste mais do que ganha, há quem acredite que pessoas possam ser possuídas como objetos, há quem exagere no chocolate, na bebida, na atividade física (sim, isso existe!).

Cada um de nós é que sabe onde é que dói e onde é que é bom ser tocado. E a todo momento somos bombardeados com padrões de comportamento, aparência física ou pretensa normalidade.

E, de verdade, nada em demasia faz bem à alma… Nem juízo! Porque o juízo além do básico, deixa a gente seco e endurecido. Juízo exagerado tira da gente a capacidade de se encantar com a vida, de aceitar as imperfeições, nossas e do outro. Gente cheia de juízo, é também cheia de razão, de ideias encaixotadas e apegos tolos. Juízo é bom, mas perdê-lo de vez em quando é fundamental!

Imagem de capa: solominviktor/shutterstock

13 lições importantes que só amigos de verdade podem ensinar

13 lições importantes que só amigos de verdade podem ensinar

O site Entre Cabelos e Barba fez uma pesquisa entre leitores e amigos, a pergunta era sobre quais foram as lições que eles aprenderam com seus verdadeiros amigos. E o resultado é essa lista linda com 13 lições importantes que só amigos de verdade podem ensinar. Confira:

1 – Dar valor aquilo que as pessoas são, e não ao que elas tem;

Diferente daquele que só “encosta” em você para poder beber umas cervejas de graça ou pela carona que você pode dar, o amigo de verdade te ensina que amizade é para os dias de luta (onde ambos juntam as moedas pra comprar qualquer coisa) e para os dias de glória (quando só um dos dois tem dinheiro e paga tudo para o outro).

2 – Conhecer os piores defeitos de alguém e amar mesmo assim;

Amigos de verdade te ensinam a valorizar até mesmo os defeitos. Conhecem seus momentos de fome infinita, o peito fedorento, e suas habilidades para elaborar mensagens para um novo ou uma nova crush.

3 – Suportar a felicidade alheia;

Em um momento difícil, muitas pessoas podem se aproximar de você para ajudar. Mas só as pessoas que te amam muito podem suportam tua felicidade, seu inimigo jamais suportaria assistir tuas vitórias, quanto mais torcer por você.

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4 – Entender diferentes olhares e opiniões sobre as coisas;

“O principal pra mim, é que um amigo vai ser quem te fala a verdade, e não quem te massageia o ego.” – Bruna Barcelos
“Quando a amizade é verdadeira vivemos aprendendo coisas novas.” – Rafa Colombo

5 – Amizade não são só flores;

“Aprendi com meus amigos que amizade não são somente palavras de carinho e risadas. Que ser amigo é também dar aquele puxão de orelha merecido, além de ter um ombro amigo pra chorar e um companheiro pra contar até nas piores horas.” – Cley Eliseu

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6 – Acreditar nos próprios sonhos;

A família não te apoia, a sociedade não colabora, todo mundo diz que é impossível, mas um grande amigo nos ensina que precisamos acreditar nos nossos sonhos, e que temos força para realiza-los.

7 – Ser “louco” é super tendência;

Com amigos de verdade você aprende que a zoeira não tem limites, e é bem possível que olhando de longe as pessoas achem que vocês são loucos, quando na verdade estão sendo apenas FELIZES!

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8 – Como realmente ser uma pessoa melhor;

“A lição mais importante que aprendi é que um amigo de verdade nem sempre concorda conosco, suas opiniões as vezes podem parecer ofensivas, mas após uma boa reflexão e ainda com ajuda do tempo, percebemos que ele sinceramente quer o nosso bem!!” – Luciana da Silva

9 – Temos SEMPRE com quem contar;

“Aprendi que os verdadeiros amigos são aqueles que sabemos que podemos contar pra tudo, a qualquer hora e em qualquer momento ele estará disponível, sem desculpas.” -Bruna Barcelos

10- Onde encontrar os melhores conselhos;

“Não se apoiar numa cerca duvidosa; Sempre checar a gasolina depois de sair de uma festa; Não esquecer seu amigo no estacionamento; E aprender que apesar de todas as empreitadas da vida, tudo vira piada quando se tem amigos! Ps: aprendi isso tudo da pior maneira possível.”– Yuri Cidade

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“Não suba… Vai lhe fazer chorar”

11 – Cada momento é único;

“Aprendi com os meus amigos, que há coisas na vida que somente o tempo, a maturidade e as circunstâncias, resultam na compreensão do que experimentamos juntos, e que jamais vai ser vivenciado com outras pessoas, mesmo com aquelas que também amamos.” – Thais Waschholz

12 – Amizade verdadeira resiste ao tempo e a distância;

“Aprendi com meus amigos de verdade que não precisamos estar sempre por perto, amizade tem a ver com ser amigo e não estar amigo…” – Mirela Martinello
“Se o sentimento por um amigo for verdadeiro e recíproco, essa amizade retornará de diversas formas por toda eternidade, pois nem o tempo e nem a distancia podem separar duas almas em sintonia.” – Cley Eliseu
“Os bons amigos são para sempre!” – Morgana Modolon

13 – São a família que a vida nos permite escolher

“Com meus amigos descobri o real significado de Família.” – Paulo de Tarso Ferreira Corrêa

Matéria original: ECB

                                                                 Imagem de capa: Dean Drobot/shutterstock

7 coisas que você nunca deve aceitar em um relacionamento

7 coisas que você nunca deve aceitar em um relacionamento

Você pode se contentar com muitas coisas na vida: sobre onde jantar para comemorar o aniversário de sua mãe, por exemplo, ou ter de reservar um resort mais barato, mas bacana para suas próximas férias.

Uma coisa com a qual você nunca deve se contentar? Com relacionamento ruins. Abaixo, especialistas em terapia de casal compartilham sete coisas que você nunca deve aceitar numa relação.

1. Um (a) parceiro (a) que não dá 100% para o relacionamento.

Apaixone-se por alguém que realmente esteja interessado em manter o relacionamento feliz, saudável e estimulante, e não por alguém que tende a se desconectar e deixar você com toda a carga, disse Carin Goldstein, terapeuta de casal e família em Sherman Oaks, na Califórnia.

“A pior coisa é estar em um relacionamento onde seu parceiro seja incapaz de refletir”, explicou. “Precisam reconhecer como suas ações afetam o relacionamento.”

2. Um (a) parceiro (a) que não consegue dizer: “Eu estava errado (a)”.

É vital que você esteja com alguém que possa admitir seus erros, disse Gal Szekely, fundador do Couples Center para terapia no norte da Califórnia.

“Você não vai querer estar com um (a) parceiro (a) que fica na defensiva e tende a transferir a culpa”, disse o especialista.

“Quando não estamos abertos a assumir a responsabilidade, não estamos abertos para aprender e mudar. E, se não pudermos mudar e crescer, não seremos capazes de nos adaptarmos às mutantes circunstâncias de nossas vidas e à evolução das necessidades de nossos parceiros.”

3. Um (a) parceiro (a) que não compartilha seu senso de humor.

A vida tende a reservar algumas rasteiras inesperadas. Para amenizar a queda, é importante que você e seu parceiro tenham um senso de humor semelhante, disse Amy Begel, terapeuta de casal e família em Nova York.

“Você precisará disso para enfrentar os altos e baixos da vida e dos relacionamentos”, contou.

“Às vezes, vejo casais em meu consultório onde um parceiro leva as coisas muito a sério. Se vocês não conseguem brincar um com o outro durante os momentos turbulentos na vida, isso não é bom para o relacionamento.”

4. Um (a) parceiro (a) que não cresce com você.

Escolha alguém que queira crescer e aprender com você ao longo da vida. Não perca seu tempo com alguém que não queira melhorar, especialmente se as atitudes da pessoa realmente estão precisando de melhora”, disse Winifred Reilly, terapeuta de casal e família de Berkeley, na Califórnia.

“Quando se trata de casamento, todos nós temos muito o que aprender. Nenhum de nós começa com todas as habilidades que precisamos, ou podemos saber, com antecedência, como enfrentar os desafios inevitáveis à frente”, disse.

“Os parceiros mais bem-sucedidos são aqueles dispostos a treinar um olhar clínico sobre si mesmos e abrir mão de crenças que não são tão úteis, a fim de poder adotar novas ideias e comportamentos.”

5. Um (a) parceiro (a) que não é compassivo (a).

Se, depois de reclamar sobre seu longo dia no trabalho, seu (sua) parceiro (a) solta: “Hã, o que você disse?”, com o smartphone no ouvido, pode ser que você esteja com a pessoa errada”, disse Goldstein.

“Ter compaixão em relação ao outro é a base de qualquer relacionamento. Entrar em um relacionamento onde a outra pessoa é incapaz ou não quer se colocar em seu lugar é como tentar tirar leite de pedra. Você essencialmente estará em um relacionamento onde se sente sozinho (a).”

6. Um (a) parceiro (a) que não é seu (sua) maior fã.

Em um bom relacionamento, seu parceiro está totalmente no seu time. Ela ou ele não menospreza suas qualidades ou desencoraja seus objetivos, e, em geral, acrescenta à sua vida em vez de subtrair, disse Szekely.

“Um bom parceiro [ou parceira] apoia, torce por você, lhe ajuda a enfrentar seus medos e aumenta sua confiança”, explicou.

“Normalmente, possui algumas qualidades que você não tem e, por isso, pode complementar você de alguma forma. Quando ambos fazem isso um pelo outro, cada um se torna melhor — vocês são as melhores versões de si mesmos. Conclusão: vocês se sentem melhor na vida e são capazes de crescer juntos.”

7. Um (a) parceiro (a) que é muito dependente.

Sendo um casal, você e seu parceiro complementam a vida um do outro, mas, no final do dia, são pessoas separadas que, se necessário, podem estar bem e se sentir realizadas sozinhas, disse Begel.

“É preciso haver uma capacidade mútua para a autossuficiência. É uma qualidade extremamente importante e muito subestimada em uma parceria. Isso se encaixa na categoria de amor próprio; uma dose saudável dessa qualidade em ambos os parceiros tende a promover o respeito mútuo no longo prazo.”

TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

Amar alguém- Fábio de Melo

Amar alguém- Fábio de Melo

Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você.

Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro.

Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que “eu não sei viver sem você”, “apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim”.

A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou.

Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim “ele é bom demais pra mim”.

E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião.

Eu creio que não há descanso maior para o nosso coração do que encontrar alguém que nos ama assim, e eu gostaria que você levasse pra sua vida somente as pessoas que te amam assim, com essa capacidade de olhar nos teus olhos quando você não consegue fazer nada de certo, e mesmo assim continua sendo teu amigo e continua acreditando em você. Deixe entrar na sua vida, somente as pessoas que querem te fazer melhor, porque gente que nos diminui nós já estamos cheios.

Amigos de verdade são aqueles que nos desafiam, são aqueles que nos momentos que estamos na lama, nos olham nos olham e dizem ‘você não foi feito pra isso’. Amigo de verdade é aquele que olha nos olhos e nos coloca para sermos mais. Namorado de verdade é aquele que olha nos teus olhos e te respeita como mulher, que te acha linda, mas que te respeita como mulher porque sabe que tu és um coração que muito mais do que necessitado de ser abraçado e de ser tocado, é um coração que merece ser amado, e o amor vem antes do toque.

Quem foi que disse que beijar na boca é declaração de amor? Pode até ser uma das demonstrações, mas eu tenho certeza que seu coração se sente muito mais amado no momento que você é olhado de um jeito certo, do que beijado de qualquer jeito! Antes de você entrar na vida de uma menina, olhe bem nos olhos dela e tente fazer com que ela descubra que você ama só olhando pra ela, olhe de um jeito que ela se sinta amada, e se você olhar do jeito certo, você não precisa ter ciúme, porque a mulher que for olhada de um jeito certo, nunca mais vai querer encontrar outro olhar.O homem que for olhado de um jeito certo, nunca mais vai querer outro olhar.

Você ainda pode mudar o seu jeito de amar, você ainda pode mudar o seu jeito de viver, você ainda pode mudar o seu jeito de sorrir, você ainda pode perdoar aquele que você não quer perdoar, você ainda pode tratar bem aquele que você desprezou tanto, porque a vida ainda te dar a oportunidade de você se tornar muito melhor do que você é.

Fábio de Melo

Imagem de capa: Reprodução

Quem está satisfeito com as próprias escolhas não se mete nas escolhas alheias.

Quem está satisfeito com as próprias escolhas não se mete nas escolhas alheias.

Seria pedir demais que cada pessoa vivesse a sua realidade e suas escolhas e respeitasse as escolhas das demais? Sinceramente, quando a gente pensa que a humanidade está evoluindo, percebemos um grande retrocesso, nunca a temática diversidade foi tão defendida e debatida, entretanto, na prática, a realidade é outra. Em pleno 2017, ainda existem pessoas que atribuem o caráter de uma pessoa ao estado civil dela, dessa forma, uma pessoa divorciada é vista como alguém irresponsável, egoísta e sem valores morais.

Ninguém quer saber, ao certo, o motivo que está por trás da ruptura de um matrimônio, mas muitos estarão ávidos por julgar e discriminar os envolvidos nela. E o que dizer das pessoas que são discriminadas por serem solteiras? Será que a hipocrisia chegou ao nível master de querer nos empurrar goela abaixo que todos os casados são felizes? E o casal que optou por não tem filhos? Ah, esse é visto como anormal e, no melhor, das hipóteses, muito egoísta.

Daí vem uma pergunta: será que todos os casais que colocaram filhos no mundo estão fazendo o seu melhor por eles? Será que tiveram filhos por um desejo real ou por receio de serem pressionados pela sociedade? É justo colocar uma vida no mundo sem a devida motivação de dedicar-se a ela? Hipocrisia à parte, penso que seria melhor evitar a maternidade/paternidade a colocar uma criança no mundo para sofrer, dentre outros abandonos, o abandono afetivo. Vivemos numa sociedade onde, no geral, as pessoas estão muito focadas na vida alheia, muitos, presunçosamente, querendo impor o seu modo de viver como a referência do que seja o ideal.

Eu não sei de onde surgiu a crença de que uma pessoa solteira é infeliz, bem como não sei a origem da premissa de que, uma vez casada, tomará posse da felicidade, automaticamente. Existem tantos casamentos de fachada, no qual os envolvidos enxergam um ao outro alguém para descarregar o que tem de pior dentro de si. Mas, são essas pessoas, as primeiras a se incomodarem com alguém que tem a coragem de sair de um casamento infeliz e falido.

Seria uma frustração ao notar que alguém ainda é capaz de tomar uma atitude em prol da própria felicidade enquanto elas ficam lá acovardadas vivendo uma casamento miserável? Por que será que é tão difícil para algumas pessoas respeitarem as opções dos outros? Seria tão bacana um mundo onde os solteiros vivessem em paz, sem aquelas perguntas e insinuações tão inconvenientes do tipo: ” o tempo está passando”, “daqui a pouco não vai poder ter filho”…e daí? Especialmente sobre a cobrança às solteiras: quem disse que o sonho de consumo de toda mulher é casar e ter filhos? Outra coisa: pode ser que exista, sim, a solteira que queira se casar e ser mãe, mas ainda não deu certo de ela encontrar a pessoa e a coisa acontecer, nesse caso, é bom ter o bom senso de respeitar também, certamente essa pessoa já está lidando com as próprias cobranças e angústias, então seria sensato poupá-la das cobranças externas, não é mesmo? Uma coisa é fato: uma pessoa que esteja, de fato, feliz com a vida que leva não teria razões para se incomodar com a vida do outro. Basta pensar: que prejuízo terei pelo fato de alguém ser solteiro, divorciado, casado ou amigado? Então, não há razões para ninguém se incomodar, não é mesmo?

Relatei as interferências e preconceitos referentes ao estado civil, mas isso é perfeitamente aplicável às demais escolhas das pessoas: religião, opção sexual, modo de criar os filhos, etc. Que cada um de nós possa contribuir para uma sociedade onde prevaleça o respeito às diferenças, acho que isso não é querer demais e é plenamente possível.

Imagem de capa: Eugenio Marongiu/shutterstock

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