A vida é muito curta para reprimirmos nossas risadas.

Eu me amarro em gente espontânea. É minha fraqueza, assumo. Eu amo aquelas pessoas que chegam na casa da gente e, ao tomarem o primeiro gole de café, dizem em alto e bom tom: “que café maravilhoso!” Eu não sei explicar a origem dessa afinidade com esse tipo de gente. Sei lá, me sinto à vontade, me sinto em casa, me sinto representada. Essas pessoas parecem abraçar a gente de todas as formas. Abraçam com a  forma de sorrir, com a generosidade que transmitem sem nenhum esforço e com olhos vibrantes.  São pessoas que conseguem  quebrar  o gelo em qualquer situação, até mesmo nos velórios.

Seres desprovidos de frescura, que  estão se lixando para essa preocupação doentia com o politicamente correto. São pessoas que não negam a própria essência. Criaturas gostosas,  que transbordam autenticidade. Sorriem daqueles protocolos chatos e que só servem para “engessar” a  gente. São verdadeiros mestres em falar ou agir da forma como a maioria gostaria, mas não tem coragem.  Abrem portas,  marcam,  encantam e,  de quebra,  acabam levando as demais pessoas  a repensarem o modo como encaram a vida. Elas entendem que a vida é curta demais para modular a altura da risada ou para reprimir aquela vontade de falar: “que delícia!”

Há alguns anos, eu estava numa festa e presenciei uma cena marcante. Uma mulher muito bonita e bem vestida, dançando lindamente com seu par. Num dado momento, o sapato dela começou a incomodar. Então, ela parou no meio da dança, arrancou os sapatos dos pés e continuou dançando descalça mesmo. Daí a pouco, muitas outras mulheres fizeram o mesmo. Aquela mulher me inspirou respeito e admiração. Na verdade, ela despertou um encantamento na maioria dos convidados. Fiquei, simplesmente, encantada. Obviamente, criei coragem e retirei os meus saltos e me soltei também…aprendi rapidinho, sou boba não.

Eu  amo gente que usa e abusa das exclamações. Gente que tem, sempre, na ponta da língua, expressões do tipo: “ai que comida maravilhosa!”…”Que lindo(a)!”. Gosto de gente que expressa o que está sentindo. Seja na cama, na mesa, numa loja de calçados, no meio da rua, por onde passar. Gente, já pensou a tragédia que deve ser namorar uma pessoa apática? A criatura não demonstra nada, fica ali controlando até a respiração. Ah, tenha a santa paciência, né? Me poupe! Coisa mais broxante! Você precisa ter um retorno do que você está proporcionando para se motivar ou mudar a estratégia, se é que me entendem…rsrs.

Falando em namoro, penso que, se for para abraçar, que abrace com vontade. Se vai beijar, beije com entrega. Ah, faça o favor de não economizar carinhos e carícias, eles não custam dinheiro. Por fim, a criatividade existe para ser explorada. É desanimadora aquela previsibilidade chata. Ou seja, a pessoa já sabe de cabo a rabo do que vai acontecer quando vai namorar. Ninguém  merece, né?

Imagem de capa: Dubova/shutterstock

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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