Por que as crianças japonesas obedecem e não fazem escândalos?

Por que as crianças japonesas obedecem e não fazem escândalos?

A personalidade dos japoneses é admirada em diferentes lugares do mundo. Vimos como enfrentaram tragédias enormes com grande estoicismo. Não perdem o controle e preservam o sentido coletivo diante de qualquer circunstância. Também se destacam pelo seu enorme respeito para com os outros e a sua grande capacidade para o trabalho.

Não só os adultos japoneses são assim. As crianças japonesas são muito diferentes do que costumamos ver no Ocidente. Desde bem pequenos são notáveis seus gestos suaves e a sua afabilidade. As crianças japonesas não são das que fazem pirraças e perdem o controle por qualquer coisa.

“Tentar controlar suas próprias reações sem conseguir é o roteiro que leva à escravidão do medo”. -Giorgio Nardone-

Como os japoneses conseguiram ter uma sociedade onde os valores do autocontrole, o respeito e a moderação são os que predominam? Será que são tão rígidos que conseguiram criar uma sociedade disciplinada? Ou talvez as suas estratégias de criação envolvam padrões eficazes? Vejamos o assunto com mais detalhe.

Os japoneses dão muito valor à família

Uma coisa que torna os japoneses muito especiais é o relacionamento que existe entre as diferentes gerações. Mais do que em outros lugares do mundo, o vínculo entre os mais velhos e os mais jovens é empático e afetuoso. Para eles, um idoso é alguém cheio de sabedoria, que merece a maior consideração.contioutra.com - Por que as crianças japonesas obedecem e não fazem escândalos?

Por sua vez, os idosos veem nas crianças e nos jovens pessoas em formação. Por isso são tão tolerantes e carinhosos com eles. Adotam um papel de orientador, não de juízes, nem de inquisidores nas suas vidas. Por isso, os vínculos entre jovens e idosos costumam ser muito harmoniosos.

Além disso, os japoneses dão grande valor à família ampliada. Mas ao mesmo tempo, possuem os limites muito bem definidos. Por exemplo, para eles é inconcebível que os avós de responsabilizem por uma criança porque os pais não tem tempo. Os vínculos não se baseiam em uma troca de favores, mas sim em uma visão ampla onde cada um tem o seu próprio lugar.

A criação está baseada na sensibilidade

A maioria das famílias japonesas entende a criação como uma prática afetiva. São muito mal vistos os gritos ou as fortes recriminações. O que os pais esperam de seus filhos é que aprendam a se relacionar com o mundo, respeitando a sensibilidade do outro.

Em geral, quando uma criança faz alguma coisa errada, seus pais o reprovam com um olhar ou um gesto de descontentamento. Assim, lhe fazem entender que a sua atitude não é aceitável. É comum que usem frases como “Você o machucou” ou “Você se machucou” para apontar que seu comportamento é negativo porque provoca algum mal, não “porque sim”.

Este tipo de fórmula se aplica inclusive aos objetos. Se, por exemplo, uma criança quebra um brinquedo, o mais provável é que seus pais lhe digam “Você o machucou”. Não dirão “Você o quebrou”. Os japoneses enfatizam o valor envolvido, e não o funcionamento das coisas. Por isso as crianças aprendem logo cedo a se sensibilizar diante de tudo, uma coisa que os torna mais respeitosos.

O grande segredo das crianças japonesas: tempo de qualidade

Todos os elementos anteriores são muito importantes, mas nenhum deles é tão importante quanto o fato dos japoneses terem uma atitude de dar tempo de qualidade a seus filhos. Não entendem a criação como uma coisa distante, mas justamente o contrário. Criar vínculos estreitos com seus filhos é muito importante para eles.

É incomum que uma mãe leve seus filho à escola antes dos três anos de idade. O comum é ver as mães carregando seus pequenos por todo lugar. Este contato físico, que também é muito comum nas comunidades ancestrais, também cria vínculos mais profundos. Esta proximidade de pele também é de alma. Para a mãe japonesa é muito importante falar com seus pequenos.

O mesmo acontece com os pais e os avós. É comum as famílias se reunirem para conversar. Comer em família e contar histórias é uma das atividades mais frequentes. As histórias de família são contadas o tempo todo. Com isso cria-se um sentido de identidade e de pertencimento nos pequenos. Também há uma profunda valorização da palavra e da companhia.

Por isso dificilmente as crianças japonesas fazem pirraças. Estão rodeadas de um entorno que não lhes provoca grandes sustos. Não se sentem abandonadas afetivamente. Percebem que o mundo tem uma ordem e que cada um tem um lugar. Isso lhes dá serenidade, os sensibiliza e os ajuda a entender que as explosões de humor são desnecessárias.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

Após recuperação, meninos da caverna ficam sabendo da morte do mergulhador e choram

Após recuperação, meninos da caverna ficam sabendo da morte do mergulhador e choram

Segundo informações publicadas na Revista Exame, apenas no último sábado, após recuperação inicial, os adolescentes ficaram sabendo da morte do triatetla e mergulhador voluntário de 38 anos, Saman Kunan.

“Todos choraram e expressaram seus pêsames escrevendo mensagens em um desenho do capitão de corveta Saman e observaram um minuto de silêncio por ele”, afirmou o secretário permanente do ministério da Saúde, Jedsada Chokdamrongsuk, em um comunicado.

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Os 12 membros do time de futebol da Thailândia e seu treinador posam ao lado de uma figura de Samarn Kunan, mergulhador voluntário que morreu durante o resgate, no hospital de Chiang Rai Prachanukroh (Chiang Rai Prachanukroh Hospital AND Ministry of Public Health/Reuters)

A metáfora da faca e da pedra

A metáfora da faca e da pedra

Estava ouvindo uma excelente palestra com a professora de Filosofia da Nova Acrópole chamada Lúcia Helena Galvão sobre a temática da VONTADE, e um trecho me chamou bastante a atenção.

Ela contou uma metáfora muito didática para explicar a diferença entre as pessoas com grande força de vontade e as que têm pouca motivação no que fazem.

Ela comparou as pessoas com uma faca que está prestes a ser amolada numa pedra. Essa mesma pedra pode amolar muito bem uma faca, deixando-a afiadíssima e pronta para cortar muitas coisas, ou ela pode desgastar outra faca, deixando-a totalmente inutilizada.

Onde está a diferença entre as facas? Está no material que as compõe. A faca que se torna bem amolada tem um material forte, resistente e de qualidade. A que se desgasta e fica inutilizada tem um material frágil, maleável e de péssima qualidade.

Ela contou essa metáfora para explicar que existem pessoas que passam por experiências muito semelhantes, mas elas reagem de forma absolutamente diferentes. Umas conseguem superar as adversidades com classe, e depois se tornam melhores, mais fortes, resistentes e afiadas para enfrentarem as situações difíceis.

Outras pessoas se deixam ser massacradas pelas adversidades, tornando-se mais frágeis ainda, com medos profundos e incapazes de lidar bem com as adversidades da vida, que todos nós passamos e jamais cessam.

E nessa mesma palestra, por diversas vezes, a Lúcia repete um provérbio famoso que diz: “Onde há uma vontade, há um caminho”.

Quem tem uma vontade forte dentro de si, consegue sempre trilhar um caminho de vitória e superação de limites. Esse caminho é como o corte feito por essa faca bem amolada, que mesmo tocando em algo resistente, consegue cortar com precisão. Não é interessante essa metáfora?

Quem desenvolve essa força de vontade, pode até mesmo contribuir para salvar muitas vidas ou fazer com que multidões se movimentem em direção a algo grande como a independência de um país por exemplo.

Nessa hora, o Mahatma Gandhi é uma das primeiras pessoas que me vem em mente. Ele foi um homem com uma vontade tão avassaladora, que praticamente sozinho, mobilizou os povos da Índia no processo da sua independência. Quase que diariamente eu lembro de uma das suas mais célebres frases: “O amor de um único homem neutraliza o ódio de milhões”.

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Esse é o poder da VONTADE, uma força que consegue cortar com sua lâmina afiadíssima até as superfícies mais ásperas e espessas.

Outro exemplo fascinante é a querida Madre Tesesa de Calcutá, que durante toda a sua vida se doou aos pobres na Índia e com uma determinação absolutamente fora do comum, ela conseguia fundos financeiros de diversos lugares para dar continuidade em suas obras de assistência aos mais necessitados.

Se eles fossem como essas facas de material frágil, jamais teriam conquistado tanto, seus nomes não estariam eternizados na história, e milhões de pessoas teriam morrido nas piores condições possíveis.

Quero concluir com outro exemplo extremamente recente. O grupo de jovens jogadores de futebol que ficou preso numa caverna na Tailândia de difícil acesso. O grupo só foi encontrado depois de 9 dias e os últimos jovens só foram resgatados após 17 dias. Foram 12 meninos e o seu treinador. Todos saíram com vida desta caverna!

Contei esse fato para destacar o treinador dos garotos, chamado Ekkapol Chantawong, de apenas 25 anos de idade. Ele é um ex-monge e ensinou a importância da meditação e respiração profunda aos garotos. Se não fosse por ele os acalmando e dando a esperança de saírem vivos da caverna, talvez todos tivessem sucumbido e morrido por inanição.

A respiração profunda e a meditação fez com que todos eles gastassem o mínimo de energia e poupassem o corpo de desgastes maiores.

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Veja só que interessante esta comparação! O treinador Ekkapol Chantawong transformou estes meninos de facas frágeis e quebradiças em facas de titânio. O seu exemplo de vida deve ser enaltecido e, se possível, colocado nos livros de história para inspirar as próximas gerações. Sua força de vontade, garra, determinação e esperança são impressionantes, faltam adjetivos para exprimir com precisão a grandeza de seu caráter. Para quem quiser ler um pouco mais sobre ele, compartilho esse brilhante texto cujo link está logo abaixo.

Existem milhares de outros exemplos de pessoas que são como essas facas resistentes, que após amoladas pelos sofrimentos, se tornaram ainda melhores e mais fortes do que já eram. Não explorarei aqui as suas vidas porque senão esse texto se transformaria num catálogo, mas posso citar algumas dessas pessoas: Martin Luther King, Rosa Parks, Walt Disney, Oprah Winfrey, Abraham Lincoln, Nelson Mandela, Irmã Dorothy Stang, Frei Tito etc etc.

Todos eles e muitos outros foram homens e mulheres que deixaram para sempre sua marca e trilharam um caminho a partir de uma vontade forte de contribuírem com o bem do máximo de pessoas…

Que esse breve texto tenha lhe inspirado a crescer nessa vontade genuína. Lembre-se sempre: “Onde há uma vontade, há um caminho”.

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P.S. Aos interessados, segue o vídeo da Lúcia Helena Galvão no qual ela fala sobre essa metáfora.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=NU7_2Wu1tDo

O lado positivo e negativo na mulher de cada SIGNO

O lado positivo e negativo na mulher de cada SIGNO

Camille é uma freelance e ilustradora. Em sua página do Facebook “O irremedável coração de Camille” a artista apresentou uma série de ilustrações que mostram as características positivas e negativas na mulher de cada signo.

O resultado ficou lindo!

Confira.

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Tem gente que se diz “autêntica”, mas é só grossa mesmo!

Tem gente que se diz “autêntica”, mas é só grossa mesmo!

Todo mundo conhece alguém que “tem gênio forte” ou que se auto intitula “autêntica”. Olhando com um pouquinho a mais de atenção para essa situação, já é possível identificar o abuso contido nesse posicionamento.

Quer dizer que os demais têm gênio fraco? Quer dizer que os outros são falsos? Réplicas? Muito cuidado!

Em geral, aqueles que se dizem “autênticos” são só marrentos mesmo!

Usam essa desculpa para “dizer tudo o que pensam” como se fossem donos da verdade e nos estivessem fazendo um enorme favor por compartilhar conosco sua “sabedoria”.

E, se você acatar esse casca grossa uma única vez que seja, corre o risco de virar vítima da sua tirania e arrogância. Ofereça ao grosseirão o seu melhor silêncio!

É comum que algumas pessoas criem a fama de serem difíceis, se acomodarem nesta posição e agir como se todo mundo fosse obrigado a aguentar sua cara azeda, suas manias, sua falta de educação.

Falta de educação disfarçada de braveza, ou de exigência ou de perfeccionismo é um perigo, porque a gente acaba assinando embaixo desses abusos, acaba se conformando com o fato de que aquela pessoa é “assim mesmo, não vai mudar”. E com isso comete um enorme erro, inclusive com o marrentinho que vai acreditar que está tudo bem e vai perder a chance de vir a ser uma pessoa melhor.

Ser amigo de verdade é também discordar. É também apontar ao outro seus abusos. Amigos não são só para passar a mão na cabeça e aplaudir o outro, mesmo quando o outro está sendo injusto.

Agora… Ser amigo também não é ser pai ou mãe da criatura, né? Dê um toque, dois… e é só! Não caia na tentação de consertar o outro, porque nem é essa a sua função.

E, se o outro insistir em ser “autêntico”, seja ainda mais…

Dê a ele um AUTÊNTICO CARTÃO VERMELHO! E vá cuidar da sua vida que você ganha mais.

Normose: a doença da normalidade

Normose: a doença da normalidade

O termo normose foi cunhado pelo psicólogo, teólogo e sacerdote francês Jean-Ives Leloup, um estudioso que dedica a sua vida na imersão do universo interior. Leloup é um defensor ardoroso da conexão entre ciência e espiritualidade, tema ressaltado em seus livros.

Esse conceito também foi investigado pelo psicólogo e antropólogo brasileiro Roberto Crema, uma vez que alguns autores mostraram a normose como a “patologia da pequenez”. O psicanalista Erich Fromm falava do medo da liberdade e Carl Jung afirmava que só os medíocres aspiram à normalidade.

A normose, portanto, se constitui em um conceito filosófico ou psicológico no que tange às normas, crenças e valores sociais que causam angústia e podem ser fatais, ou seja, que produzem comportamentos ditos como “normais”, mas que trazem sofrimento e morte na sociedade.

Assim, a normose é a doença da normalidade, que pelo consenso social ou pelo senso comum levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida, como algo habitual.

Isso ocorre quando o contexto social se caracteriza por um desequilíbrio dominante, como se verificou no passado e que acontece na sociedade moderna. Já foi normal pessoas se digladiarem até a morte para entreter a multidão, já foi normal queimar mulheres na fogueira por bruxaria, já foi normal escravizar índios e negros, já foi normal tantas outras patologias sociais.

O discurso “normótico” no Brasil segue, hoje, o mesmo padrão desse desequilíbrio dominante, como modo de legitimar as enfermidades da violência econômica e social. Utilizando-se de falácias jurídicas, políticas ou teológicas, como se a “desumanização” fizesse parte imutável do DNA do nosso caráter social. Podemos citar alguns exemplos:

Corrupção: o país perdeu R$ 123 bilhões com os recentes esquemas de desvios de dinheiro público;

Crimes ambientais: a Samarco Mineração na cidade de Mariana (MG) derramou mais de 60 milhões de metros cúbicos de lama, acarretando um desastre ambiental sem precedentes na história do Brasil;

Juros: os juros altos contribuíram no ano passado para gerar o endividamento de mais de 53 milhões de consumidores;

Desemprego: fechou no semestre deste ano com 13 milhões desempregados;

Feminicídio: onze mulheres, em média, são assassinadas todos os dias no país;

Homofobia: cerca de 70% dos casos dos assassinatos de pessoas LGBT ficam impunes;

Homicídios: a taxa de homicídios de jovens negros cresceu 23% nos últimos 10 anos.

Mas é possível enfrentar esse sentimento “normótico”? Sem dúvida nenhuma, porque a nossa principal tarefa como seres humanos – é dar luz a si mesmo – para poder se transformar naquilo que realmente somos, em alguém mais nobre, mais forte e mais livre, como percebeu Fromm.

Por fim, é expandir o nosso “numinoso”que permitirá anular a “normose” na sociedade. Segundo Carl Jung, isto é, a nossa experiência de confiar no poder transcendente, que aliado com a nossa consciência onírica e ativa, nos libertará da praga da “patologia da pequenez”.

Estejam atentos! Não vacinar os filhos pode causar perda da guarda das crianças

Estejam atentos! Não vacinar os filhos pode causar perda da guarda das crianças
Boy and vaccine syringe

Um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que em 2017 a taxa de imunização foi a pior dos últimos 12 anos.

Quem não vacina os filhos pode ser responsabilizado criminalmente, pois a diminuição das taxas vai conta a Legislação Brasileira.

Conteúdo via Portal R7

Sobre entusiasmo, continuidade, permanência e sustentação: lições de um coração maduro

Sobre entusiasmo, continuidade, permanência e sustentação: lições de um coração maduro

Eu já tinha ouvido dizer que isso às vezes acontece na vigília da manhã, entre o sono e o pleno despertar. Ele dribla a vigilância da mente, ainda sonolenta, e se insinua, puxa conversa, pede atenção, aconselha.

Foi assim que ele se manifestou naquele domingo. Queria saber sobre meus planos naquela manhã ensolarada. Respondi que uma pilha de louças me esperava na cozinha, provas para corrigir, um artigo a reler. E que aproveitaria, enfim, para colocar as coisas em seus devidos lugares.

Ele então me questionou sobre o que seria o “devido lugar das coisas”. E percebendo minha hesitação, precipitou-se na resposta:

– Há momentos em que o devido lugar das coisas é na escala última das suas prioridades.

Começou então um diálogo , que merece ser contado.

– Quem é você ?

– Seu coração.

– Você fala!

– Sempre falei. A diferença é que agora você me escuta . Parece que minha voz se propaga melhor na sua alma madura.

– E o que é maturidade para você, coração?

– A capacidade de dar atenção a mim é um bom medidor. Há maturidade, por incrível que pareça, em levar-se menos a sério, rir de si próprio, simplificar as coisas.

– Incrível, estou mesmo ouvindo sua voz.

– Primeiro sinal de maturidade.

– hahahahahahaha!

– Mais um! Agora, mostre que você captura o sentido de “simplificar”. Que sinônimos você indicaria para o verbo?

– deixa ver… desacumular, desmistificar, desapegar… Gostei da brincadeira.

– Então, escuta: você pretende mesmo passar o domingo nesses afazeres todos? Estou vendo que você se julga imortal, mas não haveria nada mais inspirador para ocupar essa eternidade?

– Gosto da arrumação. Preciso disso, aliás.

– Já reparou na desproporção entre o tempo de arrumar e o de desarrumar?

– Claro! Minha família é bagunceira, eu própria sou bagunceira. É esse o motivo.

– A ordem é efêmera. A vida é movimento, e o movimento conduz ao caos.

– Mas é importante organizar, e nisso você concorda comigo. A atmosfera fica leve e os bons fluidos circulam.

– Sim, mas veja bem, a organizaçao é ferramenta para não se perder, não virtude em si mesma. Não deve ser propósito de vida, mas meio de sobrevivência.

– É. O perfeccionismo é uma brincadeira de faz-de-conta. Ele nos distrai da nossa finitude e nos faz esquecer que estamos envelhecendo…

– Pois é. Mas envelhecer também tem seus prós.

– Ah, coração…Pode me dizer quais?

– O “pra sempre”, deixa de custar caro. Voce pode, enfim, usá-lo sem moderação.

– É porque ele se torna tangível, mensurável.

– O “pra sempre” se abrevia com o avanço da idade…Por exemplo, quantas vezes você quis dizer “eu te amo pra sempre” , ou “quero isso pra sempre” e se conteve, com medo de não honrar a promessa?
– Várias!
– Pois ficou mais fácil ceder a esse elã formidável. O risco de isso não ser verdade é bem menor que aos 20 anos. Aproveite.

Nesse momento, meu coração e eu nos entregamos juntos a uma morna e silenciosa gargalhada. Até que retomei a conversa:

– Mas o que exatamente isso tem a ver com meu domingo?

– Estou tentando convencer você a NÃO passar o dia como planejou. Pense bem: se você empregar menos tempo na ilusão de controle da existência, sobra mais tempo para a fruição dela. Sobra mais tempo pra viver.

– Na verdade eu só queria silêncio, hoje.

– Pronto: momento ideal pra ouvir o outro, pra meditar, pra me ouvir…

– Pra fazer planos…

– Ou não fazer nada…

– Quando não faço nada, faço planos.

– Eu sei que você gosta disso. É quase um hobby…

– Pena que que muitos não vão adiante. A empolgação cede aos obstáculos da realidade.

– Sua realidade não comporta seus sonhos?

– Ou meus sonhos é que não miram a realidade, não sei.

– Talvez seja só uma gestão imperfeita do entusiasmo principiante. Como é mesmo o nome da escritora belga que gostamos de ler?

– Amélie Nothomb.

– Aquela passagem que você anotou no seu caderninho, como é?

– “Me atinja no coração, é lá que mora o gênio” . Na verdade, essa é uma frase de Alfred de Musset, um expoente do romantismo literário francês do século XIX.

– O que quer dizer isso?

– Pelo que entendi, somos treinados a acreditar que os recursos estão no intelecto, e deixamos de procurá-los em outra esfera de cognição, mais emocional, mais intuitiva, talvez…

– Então te convido a me consultar antes de construir projetos. Depois, tente administrar com eficiência seu tempo, suas energias. Poupe, reabasteça.

– Como?

– O que a crise lhe ensinou sobre economia do combustível do carro?

– Evitar arranques frequentes, pisar no acelerador com delicadeza , manter estável a velocidade. E algo que soube outro dia, mesmo: pneus calibrados poupam gasolina.

– É preciso dar a partida, mas se for necessário impulsionar o veículo muitas vezes, haverá desperdício de combustível.

– Sim.

– Entende que ter que recomeçar a todo instante mina suas forças? O ímpeto é a faísca de desejo que quebra a inércia e promove a largada. Mas o querer firme, contínuo, sem grandes variações, aquilo que chamamos de força de vontade, é o que garante a realização do percurso.

– E os pneus, onde entram?

– Os pneus sustentam o movimento. Se não estão firmes, a máquina consome energias demais para rodar. É a importância de ajustar as bases, conquistar o apoio das pessoas que te cercam, de quem você depende, que dependem de você. Não deixe o sonho sem sustentação. Lutar contra as demandas alheias e do cotidiano dissipa a vontade.

– Os sonhos precisam se encaixar na nossa realidade…

– Sim. Caso contrário, algo precisa ser ajustado: o sonho ou a realidade.

– E como decidir no que mexer?

– Definindo prioridades. Pois é, nunca disse que seria fácil.

– Economia é emprego eficiente de recursos. E o reabastecimento?
Pra encher o tanque é preciso parar o veículo.

– A pausa!

– Mas e a continuidade?

– Pausa não significa descontinuação. As escolhas se debilitam, sim, nas interrupções, mas se fortalecem nas pausas. Letargia, abandono, desvio de rota, nada disso se parece
com a pausa, que aprovisiona, oxigena, inspira. Pense no que nutre sua alma. Essa é a pausa de que você precisa.

– O que alimenta meu ser é a meditação, a literatura, a família, a música, o cinema, a companhia dos amigos, as caminhadas na natureza, as conversas longas, os olhares demorados…

– Quando vier o cansaço, pare e repouse o espírito em tudo isso. Depois, retome o trajeto! A motivação talvez tenha arrefecido. É momento de amadurecer os anseios, de aceitar o passo a passo.

Lembra quando você decidiu correr? Na sua cabeça, você correria como uma atleta, linda, leve e lépida.

– Mas eu não era tão veloz como gostaria, e me cansava muito. As dores não estavam no script, nem os momentos em que precisava caminhar, o tédio…

– Desconstruir a idealização é o grande e necessário desafio. Acolher o que se tem de concreto. É o famoso “o que temos pra hoje”. Não adianta sonhar com o caminho, é preciso percorrê-lo, sentir a dureza do solo, a aridez do clima, os limites do corpo.

– Mas sabe que acabei me sentindo gratificada pelo esforço em si, pelos lentos e graduais progressos?

– Aceitar a realidade fez você ficar. Que bom, você conheceu a permanência.

– Eu queria falar de uma angústia. É o desconforto de uma ideia recorrente, o pesar pelas oportunidades que deixei passar, o receio de ser tarde demais para recomeços.

– Seria o medo da morte?

– Não. Nada a ver. Não tenho medo de morrer.

– Então por que a angústia com o tempo?

– Uma incômoda sensação de atraso me persegue. Vergonha do que deveria ter feito antes, receio de fazer errado a essa altura do campeonato.

– Vamos às simplificações?

– Sim.

– Você não fez. E a idade não vai impedir você de errar.

– Agradeço.

– Não quero ser duro, muito pelo contrário. Para seu próprio bem, calce as sandálias da humildade e…Faça! Os únicos limites reais são a morte e a demência. Qualquer outro entrave é imaginário.

– Mas o escrutínio do outro inibe, perturba.

– Não é o SEU próprio olhar sobre si? O que imagina ser julgamento alheio talvez venha de você. Não de mim, seu coração, nunca! É daquela que agora cochila: a mente, suposta senhora da razão. Saia já desse lugar, ele sorve absurdamente o melhor do seu ânimo vital.

– Ah, o tempo… Que relação contraditória e imperfeita temos com ele…Às vezes nos sentimos eternos, outras vezes, atrasados em nossas próprias vidas.

– É sempre tempo de pegar a estrada. O caminho…. Nada mais seu que sua trajetória! É isso que te constitui. Segue.

– “Não tenho medo de envelhecer. Tenho medo de ser velho” . Esqueci de quem é essa frase…

– É bem isso: ser velho é perder a capacidade de se surpreender. Repare na maioria das pessoas idosas, em como elas tendem a fazer tudo igual.
Envelhecemos criando antídotos contra a novidade, talvez para nos proteger de qualquer remorso. Mas é um reflexo errado, que só nos aproxima da decadência.

– Tudo que eu não quero é ser uma velhinha chata, repetitiva…

– Qualquer perplexidade, assombro ou fascínio, é anti-oxidante para o cérebro.
Falar menos, ouvir mais. Economizar palavras, distribuir ouvidos. Pemitir-se conhecer impressões e histórias diferentes .

– E a alegria de viver? Como cultivá-la, apesar do tempo que nos extrai pessoas queridas, ameaça o vigor, a saúde do corpo, a higidez do pensamento?

– É possível. De novo: não é fácil. Mas é o único jeito.

– Qual?

– Sonhar e acreditar. Na vida, no mundo, nas pessoas, nos sentimentos, no amanhã, em nós mesmos.

– E o que mais?

– Acreditar de novo. E sonhar outra vez. Perseverar na crença. Reincidir no sonho. Teimosa e reiteradamente. Até o último sopro de vida. Pra sempre.

Vamos?

Assim caminha a humanidade: com muita exposição e pouca privacidade.

Assim caminha a humanidade: com muita exposição e pouca privacidade.

Tempos atrás encontrei uma colega que não via há meses. No meio da conversa animada ela me falou que eu deveria postar mais coisas sobre mim, para que as pessoas ficassem sabendo o que acontece na minha vida.

Uau! Eu nem saberia explicar o que pensei. Fiquei olhando pra ela, sem dizer nada. Ela riu do meu embaraço e eu disse que iria pensar no caso. Fui pega desprevenida, não estava preparada para um pedido desses. Aliás, não achei que isso fosse pedido que se fizesse pra alguém. Todos os meus questionamentos giravam em torno da frase: A troco de quê eu faria isso?

Despedimo-nos e, desde então, tenho pensado sobre isso. Principalmente quando fico sabendo de todos os detalhes da vida de alguém, sem fazer nenhum esforço para isso. E quando digo todos os detalhes, quero dizer mais detalhes do que eu precisava saber. Vejo que muita gente ficou viciada em dar satisfação do que está fazendo. Se vai ao hospital, se pede um hambúrguer, se assiste a um filme… tudo precisa ser contado.

Às vezes tenho a impressão de que isso virou uma febre, uma regra de conduta, sobretudo para as vidas mais vazias.

Se a pessoa está se sentindo bem, posta logo uma foto. Se não está, foto seguida de frase de motivação. Se estiver sem assunto, foto dizendo que o sorriso é o segredo de tudo, ou foto de lado, ou em preto e branco ou de cabeça pra baixo. Importante é não passar em branco.

Às vezes, a vontade de dizer o que sente é tanta, que a pessoa não mede as palavras. O amor é um exagero, e a felicidade nem é tão rotineira como pretendem que seja. O amor acaba rápido ou muda de dono e ficamos embasbacados, porque não há compreensão que seja capaz de entender os motivos por trás desses desatinos todos.

E assim, caminha a humanidade, com muita exposição e pouca privacidade.

É claro que é legal ter alguma coisa pra contar, ou até pra desabafar. Ninguém vai dizer que isso é inconveniente ou indevido. Também não precisamos abominar as redes sociais, de forma alguma. Mas é preciso agir sem exagero, com limites e bom senso, senão não dá pra curtir.

Porque sim, todos querem acessar as redes sociais, mas não se pode querer saber tintim por tintim da vida de ninguém. É tanto mais do mesmo, que a gente tem vontade de colocar certas pessoas em soneca de 360 dias. Vale lembrar que nesses tempos atuais, as impressões que passamos através das redes sociais são, inevitavelmente, relevantes para nossa imagem pessoal.

Sem tantos assuntos, tem gente que força a barra. Cria polêmica, especula a vida de todo mundo, vive a vida dos outros. Esquece que a vida de verdade acontece sob o sol, do lado de fora da internet.

A vida é muito mais que o famoso ”o que você está pensando?”, e é muito mais intensa do que uma atualização de status poderia explicar. Tudo isso, é claro, desde que você esteja vivendo a sua vida, e fazendo isso do jeito certo.

Tá certo que as redes sociais tornaram-se uma espécie de opção de lazer para todos nós, mas ainda assim cabe um aviso: Viva bem sua vida, mas não a exponha demais.

Presidente da Croácia chama atenção ao ir ao jogo com torcedores e pagar as próprias despesas

Presidente da Croácia chama atenção ao ir ao jogo com torcedores e pagar as próprias despesas

Uma mulher vestida com a camisa da seleção da Croácia e calça vermelha, loira, bonita, se destacava nas imagens compartilhadas na internet, engrossando o coro que cantava um verso patriótico (‘chame, apenas chame/todos os falcões /eles darão a vida por você’, em tradução livre)

Após a Croácia eliminar nos pênaltis a anfitriã da Copa, a Rússia, no sábado, em uma partida muito dificil conquistou uma vaga para a semifinal desta quarta contra a Inglaterra.

Mas o que muitos não imaginariam, é que essa mulher é simplesmente a chefe de Estado do país, a presidente Kolinda Grabar-Kitarovic, de 50 anos.

A presidente Kolinda, vem chamando atenção nessa copa por seu jeito despojado e simples de ser. Ela é uma das autoridades presentes que mais atraem comentários nas redes sociais, e essa maneira de se portar como uma torcedora comum é que vem encantando a todos.

Tudo do próprio bolso

A presidente tirou os dias de folga, que serão devidamente descontados de seu salário – para acompanhar algumas partidas da Croácia no Mundial. E já que a viagem não foi a trabalho, ela viajou para Rússia como a maioria dos torcedores estrangeiros: em um voo comercial.

A própria Kolinda compartilhou a imagem em que aparece no avião ao lado de vários torcedores, com a legenda “vamos para a vitória”. Ela estava a caminho de Nizhny Novgorod para assistir à partida entre Croácia e Dinamarca, em 1º de julho.

Um dos torcedores que estava no mesmo voo comentou o fato à agência de notícias Tass, da Rússia: “Ela gosta do esporte, e o que ela está fazendo é algo normal para um presidente. Ela pegou um voo com pessoas comuns, cumprimentou a todos. Eu gosto disso. Somos um país pequeno, mas é como um time.”

Na partida contra a Rússia, em Sochi, pelas quartas de final, Kolinda estava nas arquibancadas junto com a torcida, foi identificada e levada para a tribuna de honra da Fifa. Ela havia pago o ingresso do próprio bolso!

Lá, assistiu o jogo ao lado do primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, e não deixou de comemorar quando a seleção croata passou à frente da Rússia por alguns minutos no placar durante a prorrogação. O vídeo de sua celebração viralizou. Ela também aparece comemorando um gol no estilo “toca aqui”, batendo mão com mão com o presidente da federação croata de futebol, o ex-jogador e artilheiro da Copa de 98, Davor Suker.

Informações: G1 e Bem mais mulher

Jericoacoara

Jericoacoara

Faz muitos anos que conheço Jeri. Vim a primeira vez quando os pacotes de viagem misturavam Jericoacoara com Morro Branco, Cumbuco e Fortaleza, tudo naquele combo de uma semana que você parcela em dez vezes sem juros e fica nas melhores pousadas da região. Eu gostava de praia, mas quando cheguei nessa vila de pescadores, me apaixonei. Eram quatro ruas de areia, sem postes de luz, cheias de restaurantes lindos e bem decorados que dividiam espaço com lojas de artesanato local. Andando pela praça principal, se ouvia todas as línguas e sotaques. Um pedacinho do mundo bem no nosso Brasil, que na época elegi como o lugar mais lindo do mundo.

Quase uma década depois, voltei. Eu não era mais a mesma (já tinha conhecido e elegido outros “lugares mais lindos do mundo”), mas ainda guardava a boa lembrança daquele pedacinho de céu na terra que tinha feito meu coração bater mais forte no passado. Eu já não era pousadas nutella, agora preferia albergues raiz com mais simplicidade no alojamento, porém com mais variedade de hóspedes e relações humanas. A nova Jeri me desapontou. O comércio tinha tomado conta de tudo, o litoral era todo de investimentos gringos e os hotéis luxuosos soterravam a magia daquele paraíso, transformando uma paisagem única em apenas mais uma praia do nosso Nordeste.

Não satisfeita, um ano depois dessa última experiência na moderna Jericoacoara, resolvi me mudar pra cá. Afinal, investimento nenhum cobre a maestria da nossa diversidade cultural brasileira, e eu sabia que a encontraria de novo por aqui. Quando cheguei, vi guarda-sol por todo lado, parecia Copacabana. Até a orla tinha sido tomada pela única coisa que importa nesse século: gerar receita.

De peito aberto, dei uma chance para a vila vítima do capitalismo. E foi a minha melhor decisão. Entre um beco e outro, você encontra o mineiro que abandonou tudo e faz o melhor pão de queijo com carne de panela da vida. Se olhar com a atenção, vai ver que a dona do Açaí por kilo é na verdade uma curitibana que estava cansada da violência da cidade grande, fez as malas e hoje trabalha sorrindo atrás do caixa. Ou a garçonete do restaurante árabe que fala um português perfeito mas enche o peito pra dizer que é de Mar del Plata, Argentina. O restaurante famoso de culinária internacional tem um chef de cozinha peruano, que aliás tem uma mão mágica para temperos. O dono do bar bonito da esquina é – adivinhem – um italiano stressado e sorridente. A tia da tapioca veio de Goiânia, dez anos atrás, e diz que daqui não sai. O recepcionista do hotel era um executivo farmacêutico da doida São Paulo que largou tudo pra trabalhar de bata branca e chinelo. Se você pergunta se ele se arrepende, ele sorri e diz: “Hoje tudo que eu tenho cabe numa mala de 20 kilos, e eu nunca fui tão feliz”.

Jeri é uma vila que ainda tem quatro ruas principais, mas que hoje se expandiu. As vielas conhecidas hospedam hotéis, pousadas, galerias e restaurantes, e a parte de trás ficou com os moradores. Os que nasceram aqui viram a prefeitura dar de graça os terrenos que hoje valem muito, então eles se adaptaram. Se você anda 500 metros além do burburinho, encontra uma miniatura do sertão do nosso país. Lugar de gente simples, sem luxo, dormindo na rede e fazendo churrasco na calçada com os vizinhos. Os quartos são pintados e mobiliados para os aluguéis da alta temporada que – pasmem! – dura oito meses aqui, de julho até o carnaval. O motivo de tantos meses atraindo turistas ainda é graças à natureza: ventos que atraem kite e windsurfistas de todo o mundo, e brasileiros que, desinformados, acham que Jeri é apenas o que se vê nas fotos: redes molhadas em lagoas naturais e um pôr do sol visto da duna na praia principal.

Essa vila encantada é muito mais do que se promove por causa do turismo. É um pedacinho de um parque nacional que, mesmo com tanto investimento, ainda se mantém preservado. Não é só uma praia, é uma pequena parte do mundo que se misturou e convive aqui, nas ruas de areia, dividindo espaço com iguanas, burrinhos, bois, gatos, cachorros, passarinhos coloridos, lagartos e outros bichos que ainda não aprendi o nome.
Aqui não tem caixa eletrônico, não tem onde comprar um secador, mas tem cuscuz com ovo e iogurte caseiro fresquinho toda manhã. Tem brasileiro de todo canto, tem estrangeiro de todo canto. Tem nativo que aprendeu espanhol de tanto fazer caipirinha pra argentino, tem francês que aprendeu português porque se apaixonou por uma brasileira, tem crocheteira que coloca amor em seu artesanato, tem dona de casa que vai pro fogão todo dia e de tarde monta uma barraquinha na praça pra vender aquela comida de mãe, tem forrozeiro que canta samba, sambista que enrola no rock, rockeiro que aproveita a guitarra e arranha no sertanejo.

Aqui tem de tudo e de todos.

Jeri não é apenas um paraíso natural.

Jericoacoara é pra quem gosta de gente.

Mulher, eu desejo que você saia desse cativeiro

Mulher, eu desejo que você saia desse cativeiro

Eu sei que você tem sofrido muito, sei que se sente aprisionada nesse relacionamento. Acredito que não é de hoje que você se percebe assim, com as emoções completamente encarceradas. É fato também que você passa por incontáveis julgamentos, o que você mais tem visto, há tempos, são dedos apontados em sua direção. Mulher, sei que você se sente destruída em sua dignidade. Há tempos que você vem andando em círculos em busca de si mesma, e, tudo indica que você nem faz ideia do lugar onde foi parar o seu amor próprio.

Quero oferecer a você, nesse texto, a minha empatia pois sei que de julgamentos você já está cheia. Querida, sobre as pessoas que a julgam como “sem vergonha” ou algo do gênero, não as leve em consideração. Nem todas as pessoas conseguem compreender a complexidade da dependência emocional e das relações abusivas. Contudo, acredite, em meio a essas pessoas que a machucam com palavras, existem, de fato, aquelas que querem salvá-la desse cativeiro. Você precisa considerar que o seu sofrimento e esse relacionamento que você vive afetam e machucam, também, as pessoas que lhe querem bem.

É fato, querida, que o seu discernimento está comprometido. A essas alturas, a sua identidade como pessoa e como mulher já está completamente distorcida…borrada. Sabe o porquê disso? É pelo fato de você conviver diuturnamente com alguém que só lhe aponta defeitos e falhas. Sejam eles reais ou não. Você, de tanto ouvir que não vale nada, que não serve para nada, que faz tudo errado, que é culpada por tudo de ruim no relacionamento, que é feia(mesmo sendo linda) etc, acabou assumindo essas malditas acusações como sentença irrevogável.

O estrago que um abusador emocional causa na identidade de uma mulher é imensurável, e, muitas vezes, irreversível. Você está assim, toda machucada por dentro, e talvez por fora, porque você só tem se alimentado desse alimento tão amargo que seu companheiro lhe oferece. Você não é nada disso que você sente, ah, quem me dera que você se perceber com a devida lucidez. Você perceberia como você você está desperdiçando a sua vida. Certamente, você se daria conta de que muitos homens bacanas adorariam ter a oportunidade de estar ao seu lado para tratá-la com a dignidade, o amor e o respeito que você merece.

Eu sei que você ouve conselhos sábios de pessoas que gostam de você, mas você não consegue acatá-los devido à sua anestesia emocional. No fundo, você acha que está tudo perdido e que tem que se conformar com esse relacionamento que roubou a sua alegria. Querida, você está confinada em si mesma tendo como referência esse repertório perverso que esse homem oferece a você. Era isso que ele queria e conseguiu:destruir a sua autoconfiança e o seu amor próprio. Ele é uma algoz, ele não é um parceiro. Ele só sabe colocar você pra baixo. O que ele mais teme é que você, qualquer hora dessas, descubra uma pontinha do iceberg da sua própria magnitude.

Eu adoraria poder ajudá-la. Torço para que esse texto surta algum desconforto em você, mas que seja um desconforto produtivo, no sentido de, ao menos, levá-la a buscar uma psicoterapia. Eu sei que não é fácil deixar um relacionamento, principalmente um abusivo como o seu. Contudo, eu tenho fé. Sei que esse texto vai percorrer a internet e vai alcançar muitas vidas e, se dentre milhares de mulheres, ele surtir efeito na sua vida, eu já me darei por satisfeita e profundamente grata. Eu só quero que saiba que você ainda pode mudar de vida, tá bom? Receba o meu abraço e a minha empatia.

Siga o teu caminho sabendo que às vezes dá certo e às vezes não.

Siga o teu caminho sabendo que às vezes dá certo e às vezes não.

Porque você foi feita para o amor.

Eu não acredito nessa. Eu não acredito que você não seja feita para o amor. Você pode até ter acordado hoje e tido um lapso de que o amor não combina contigo, entendo isso. Só não compro essa ideia. Não mesmo. E vou te explicar o porquê.

Para começar, todos já passamos por desilusões amorosas. Quem nunca levou um toco, voltou pra casa com o coração partido ou viu que só amar alguém não era o suficiente? Quase todo mundo. E quem nunca viveu um tombo assim, não se preocupe. O amor só vem com aprendizados.

Então, nada de manter essa conversa mole ou a cara de que o mundo acabou porque você perdeu o compasso do amor. Cupido algum dá jeito em nossas escolhas. Aliás, vamos parar de romantizar a existência de uma flecha que te alcança e faz do seu sentimento por alguém a única coisa que importa. O amor não é isso. Pega todas as declarações, decepções e caminhos errados e aprenda com tudo isso.

Anda, lava o rosto, escolha a sua roupa preferida e vá viver. Siga o teu caminho sabendo que às vezes dá certo e às vezes não. Tanto para o amor quanto para a vida, o que resta fazer é continuar. Porque você foi feita para o amor, sim. Você só precisa enxergar para qual amor é imprescindível corresponder no agora.

Não se esqueça, você ama o que emana.

O “mozão” de cada SIGNO

O “mozão” de cada SIGNO

O artista Pedro (@jhotromundo) , do canal e página “Jhotromundo” representou com suas ilustrações como é o “mozão” de cada signo. O resultado ficou cômico e um tanto real. Confira!

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