Uma paulista morando no Nordeste

Uma paulista morando no Nordeste

Eu morava na Zona Leste, lá no final da linha vermelha. Como todo mortal nascido e criado depois da estação Tatuapé (o único bairro da Leste que as pessoas conhecem e julgam agradável), acordava cedo e me preparava para a guerra de todos os dias: conseguir entrar no transporte público e chegar no trabalho na Zona Sul a tempo. Não sou a única, nunca fui. Somos milhões todos os dias naquela lata de sardinha que tem um ar condicionado descontrolado e gente de todo o tipo. E a mesma batalha que a gente enfrenta na Leste, enfrentam todos os outros que, onde quer que morem, tem que sair na selva de pedra e vencer.

No trabalho, passamos pela mesma coisa: ser eficiente, sorrir, obedecer, se desdobrar para agradar seu superior e entregar tudo que foi pedido a tempo – mesmo que esse tempo seja humanamente impossível. Um sorriso torto, um erro que gere débitos, uma falta não justificada vira uma palavra que a gente teme: RUA! Somos muitos, milhares, milhões. E São Paulo (e todas as outras grandes metrópoles do mundo) nos lembra diariamente o quão descartáveis podemos ser. Profissionalmente, emocionalmente, ocaceteaquatromente.

Tudo é volátil, prático, dispensável. A cidade que nunca dorme é tão corrida, tão produtiva, que me faltava amor. Olho no olho, um caminhar descalço sem medo de ser estuprada na praça do bairro, uma conversa informal no portão sem ser surpreendida por motoqueiros armados. São Paulo. Não pode ficar dentro do carro porque você fica vulnerável. Não pode usar roupa curta porque chama a atenção. Não pode expor sua opinião no happy hour porque você tem conta no final do mês e precisa desse dinheiro e desse emprego.

Um dia, muito jovem ainda, cansei. Por anos procurei outra morada e, de viagem em viagem ao Nordeste, me apaixonei pela comida regional e pela simplicidade desse povo que, diferente da gente lá no Sul, parece não ter pressa. Até que, depois de voltas e voltas, me mudei pro Ceará.

Só vivendo pra saber e entender. Somos o mesmo país, somos a mesma cultura, falamos a mesma língua mas, meu Deus, como somos diferentes. Como os anos de cidade grande me deixaram cascuda, brava e produtiva de um jeito diferente do casco deles. Sabe, o casco deles você vê no calo das mãos, no olhar descrente com promessas, na falta de ambição sobre o seu futuro. São diferentes, foram criados como humanos aqui enquanto nós lá embaixo fomos criados para ser máquinas de produção. Eu de frente com eles sou choque, faísca, trovoada. Peço algo que eu sei que pode ser feito em quinze minutos, mas aqui eu sou a estranha, eu tenho que aceitar que essa banda demora dias para me entregar o que eu combinei. São dias, não são minutos. Aqui não tem demanda de desemprego que nem tem nas nossas metrópoles. Aqui se viram como dá, informalmente mesmo. Ninguém sabe, ninguém checa, ninguém fiscaliza, ninguém se importa.

Agora vejo a eleição se aproximando em meses e minha mãe mandando áudios enormes com os absurdos que vê na tv. “Mãe, nem tv eu tenho.” Aqui a política não grita muito alto. É um Parque Nacional, protegido por todos, inclusive por políticos e por Deus. Aqui ninguém toca em nada. Aqui o dinheiro que o estrangeiro deixa é sagrado, movimenta tudo, mudou tudo.

Aos poucos o choque cultural me incomoda menos. Somos mesmo diferentes, temos mesmo outro ritmo. Nosso país continental permite essas mudanças comportamentais tão importantes, e tão regionais. Não tenho mais carro, e aqui nem transporte público tem. O conforto de uma cama de molas deu lugar à uma cama, apenas, sabe-se lá a procedência. O teto não tem forro, passa aranha, passa vento, passa folha de coqueiro. Durmo coberta com o lençol e acordo coberta de areia. O chuveiro é natural, nada de água quente. Cooktop? Aqui estamos bem de botijão. De noite vejo gringos passeando, mas também vejo burrinhos, bois, camundongos silvestres, iguanas, cassacos (o gambazinho do Nordeste), rãs, corujas e morcegos.

Meu sertanejo e meu funk de tantas noites aqui viraram samba de roda e forró pé de serra. A balada que antes virava o dia, aqui acaba às duas. A cachaça (já que eu nunca bebi vodka) ficou mais barata, a maçã mais cara, a tapioca entrou pro café da manhã junto com seu irmão, o cuscuz.

Quando sento na mesa do refeitório para almoçar, vejo rostos que já chamo de família, mas que ainda não entendo o que dizem. Entre gringos e brasileiros conversando, minha dificuldade é entender o tal do cearês. Falam rápido, juntam todo o português e jogam um sotaque bairrista de quem nasceu nessa terra e merece o respeito de nós, forasteiros.
Brasil, meu querido Brasil, como você é grande e surpreendente!

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Imagem meramente ilustrativa:  Artem Bali on Unsplash

Evento gratuito no Sesc Santo André trará Monja Cohen no próximo dia 26

Evento gratuito no Sesc Santo André trará Monja Cohen no próximo dia 26

O Sempre Um Papo e o Sesc Santo André recebem Monja Coen para o debate e  lançamento do livro “O Inferno Somos Nós: Do Ódio à Cultura de Paz” (Papirus), escrito em parceria com o historiador Leandro Karnal. Na obra, os autores lembram que o medo pode estar na origem da violência e apontam como o conhecimento, de si e do outro, é capaz de produzir uma nova atitude na sociedade, menos agressiva e mais acolhedora.

Em tempos adversos, de crise, preconceito e intolerância, como transformar o ódio em compreensão do outro em suas diferenças? Como sair de um cenário de violência e construir uma cultura de paz? Essas e outras questões serão abordadas por Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen-budista do Brasil e missionária oficial da tradição Soto Shu.

Monja Coen estará no Sesc Santo André dia 26 de setembro, quarta-feira, às 20h. O bate-papo é gratuito e tem mediação do jornalista Afonso Borges. Retirada de ingressos com uma hora de antecedência. Não recomendado para menores de 12 anos.

Nascida em 1947, em São Paulo,  Monja Coen foi jornalista profissional e após uma transferência a trabalho para Los Angeles, Califórnia, iniciou suas práticas regulares na tradição budista, no Zen Center of Los Angeles, onde fez seus votos monásticos, em 1983. Fundadora da Comunidade Zen Budista e autora de seis livros, Monja Coen é a primeira mulher e primeira monja de ascendência não-japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil. Ela  se tornou conhecida por compartilhar todo seu conhecimento de forma serena e acessível.

SESC SANTO ANDRÉ

Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André

Telefone – (11) 4469-1311

Estacionamento (vagas limitadas): Credencial Plena – R$ 5 (R$ 1,50 por hora adicional) |

Outros – R$ 10 (R$ 2,50 por hora adicional).

Imagem de capa: Fernando Rabelo

O conselho dos neurocientistas para as mulheres de 30 e poucos anos

O conselho dos neurocientistas para as mulheres de 30 e poucos anos
Like Father

Você passa os dias exausta e estressada por causa da pressão do trabalho? Corre de um lugar para outro para atender os mil compromissos do dia? Descansa o mínimo que pode? Dorme mal e percebe que sua saúde anda mais frágil!? Esse texto é para você.

A descrição acima não é um retrato do que acontece aos cinquenta anos quando a pessoa vive a crise da meia idade, mas de mulheres jovens, com cerca de trinta anos de idade, submetidas a uma tensão que disparou todos os alarmes e abriu a Caixa de Pandora.

Psicólogos suecos da Universidade de Umea,  advertem que mulheres de 30 e poucos anos hoje não só são mais estressadas ​​do que aqueles dos anos 1990, mas, desde então, a proporção de mulheres que sofrem de ansiedade e outras doenças desencadeada por estresse dobrou.

O bem-estar feminino segue em queda livre

Os pesquisadores analisaram 1.811 homens e mulheres entre as idades de 25 e 34 anos de diferentes gerações: 1990, 1994, 1999, 2004, 2009 e 2014 . A principal pergunta do estudo era: Como você se sente?

Eles descobriram que nas últimas décadas, o grau de bem-estar percebido pelos homens tem sido maior do que o das mulheres e vem melhorando sistematicamente. No entanto, do lado feminino, ocorre o contrário: na década de 1990, apenas 8,5% das mulheres na casa dos trinta anos disseram se sentir mal, hoje esse número sobe para 20%. O que estaria acontecendo?

Mulheres jovens cada vez mais exaustas e estressadas

Os pesquisadores aprofundaram seu estudo para descobrir o que está comprometendo o bem-estar feminino. Os dados indicaram que as mulheres de hoje estão mais ansiosas e insatisfeitas com sua condição econômica do que no passado, uma vez que sofrem maior pressão no trabalho e sentem-se esmagadas pelas expectativas sociais de sucesso, pró-atividade e aparência física.

De fato, as dificuldades de conciliar trabalho e vida privada continuam a ser uma das principais causas do sofrimento feminino: as mulheres têm maior carga de compromisso, são mais sensíveis aos conflitos pessoais no trabalho e, se esforçam para se adaptarem, correndo o risco de se tornarem ainda mais exaustas.

Não devemos esquecer que, por razões biológicas, as mulheres são mais sensíveis ao estresse do que os homens. Por razões hormonais, áreas do cérebro relacionadas ao processamento emocional, como a amígdala e o giro cingulado anterior, são mais “sensíveis” a estímulos que geram ansiedade. Se um ambiente de trabalho estressante, social e familiar é adicionado a isso, é muito provável que a mulher acabe desenvolvendo distúrbios de humor, como depressão ou ansiedade.

De fato, estima-se que aproximadamente um terço das mulheres sofrem um nível clinicamente significativo de ansiedade e depressão que afetam seu bem-estar. Os pesquisadores alertam que esse tipo de esgotamento psicológico a partir dos 30 anos não só aumenta o risco de elas sofram problemas psicológicos, mas também outras dificuldades de saúde, como as doenças cardiovasculares, já que as mulheres são particularmente propensas a somatizar problemas emocionais.

Equilibre-se melhor e ame mais

Os homens têm, em média, 70 minutos livres por dia de compromissos mais do que as mulheres. Isso significa que as mulheres devem aprender a equilibrar melhor a vida profissional e social com os momentos necessários de desconexão. É necessário aprender a dizer não para o excesso de compromissos, porque esse tempo de descanso é simplesmente vital.

Devemos lembrar que, aos 30 anos, é possível correr e levar uma vida estressante porque o corpo permite, mas a fadiga acontecerá rapidamente. Portanto, as pessoas devem estar cientes de que não possuem super poderes . É preciso descansar.

Não se trata apenas de aprender técnicas para administrar melhor o estresse, ir ao Yoga ou praticar a meditação, é preciso uma mudança muito mais profunda. Essa mudança começa não exigindo muito der si mesmo e entendendo que não temos nada para provar a ninguém além de a nós mesmos.

Fonte:

Lidstrom, M. et. Al. (2017) Tendências temporais da autoavaliação comparativa da saúde em adultos entre os 25 e os 34 anos no estudo MONICA do Norte da Suécia, 1990-2014. PLoS ONE ; 12 (11): e0187896.

Tradução adaptada do original: El consejo de los neurocientíficos a las treinteañeras: Tomarse un respiro y quererse más, da psicóloga Jennifer Delgado Suárez

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme Tal pai, tal filha.

Artista anônimo resume o divórcio de seus pais em 7 imagens

Artista anônimo resume o divórcio de seus pais em 7 imagens

O divórcio é uma das experiências mais difíceis que uma família pode passar e, a menos que alguém o tenha experimentado em primeira mão, é difícil visualizar exatamente quanto dano ele pode causa.

Um artista conhecido apenas pelo apelido ‘Mac’ ilustrou como o divórcio afetou sua família em 7 simples quadros, mas isso mostra perfeitamente o que geralmente acontece com a família durante essa separação.

Para representar graficamente a situação, o artista desenhou seu irmão e seus pais, bem como as novas famílias que eles formaram mais tarde. Todos eles estavam sobre duas pedras enquanto, debaixo deles, havia um penhasco. Sem união, os alicerces despencavam.

Embora seja verdade que cada família enfrenta o divórcio de forma diferente, e algumas famílias até fiquem melhores e mais fortes, um número esmagador de usuários da Internet identificou-se fortemente com a história do Mac.

E vocês, o que pensam disso?

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Carta ao meu futuro amor

Carta ao meu futuro amor

Eu sei que não nos conhecemos muito bem e não quero te assustar. Antes de qualquer coisa, precisamos entender que antes de nos virmos e nos apaixonarmos, eu e você tivemos uma história, uma vida. E pra falar a verdade, chegar ao ponto de estar aqui, me abrindo com você, não foi fácil. Mas eu estou aqui.

Carrego marcas muito profundas de amores que vivi. E cada uma dessas marcas tem uma história muito forte. Para se envolver comigo, você precisa saber. Precisa entender que se eu recuo, não é por sua causa, mas é o meu jeito de me proteger. Precisa entender que não tenho medo do amor, mas muito receio do que do que as pessoas podem fazer com ele.

Precisa saber que as minhas inseguranças são provenientes de anos e anos de dúvidas, mentiras, traições… E que, se estou dividindo com você, nesse momento, as fraquezas que me tornaram a mulher que sou hoje, é na esperança de que você entenda que o problema não é você, mas que tenha respeito e atenção comigo e os meus sentimentos.

Precisa entender que às vezes eu vou ficar emocionada com alguma coisa que você disser ou não disser, ou com um filme bobo que passar na TV. No mundo de hoje, não é muito comum alguém se emocionar com um abraço, ou um beijo roubado logo pela manhã… Mas só depois de passar pelo que eu passei é possível entender como essas pequenas coisas são importantes. Então sim, eu me emociono muitas vezes…

Você precisa entender que passei muitas noites acordada, tentando entender as razões e os porquês de certos acontecimentos. E que em muitas situações eu me culpei. Levei muito tempo para entender que precisava passar por tudo aquilo para me tornar a mulher forte, perseverante, feliz e grata que está aqui na sua frente hoje.

Meu coração é um terreno muito fértil. Porém, foi muito maltratado pelo tempo e por quem passou por ele, então se tornou uma terra com muito potencial, mas coberta por uma camada de proteção. E para fazer com que ela volte a germinar, florescer e dar frutos para outra pessoa, é preciso que você entenda que por aqui deve caminhar com muito, muito cuidado. Regar com carinho diariamente, adubar com amor, proteger… E então você vai conhecer o melhor lado de mim e vamos compartilhar momentos incríveis. Talvez toda uma vida.

Entendo se você quiser parar por aqui. Não gostaria, mas entendo e não vou te impedir. Porém, se você me der à mão e resolver seguir em frente comigo, quero que saiba que apesar de tudo isso, sou uma mulher muito feliz. E tenha certeza de que, se estou aqui na sua frente hoje, é porque decidi e quero compartilhar esta felicidade com você. Uma felicidade diária e genuína, construída com bases muito sólidas, conquistada dia após dia.

Só peço que tenha os mesmos cuidados com as minhas feridas que eu vou ter com as suas e não vou mais olhar para trás. E é este o trabalho que faço diariamente. Eu vou dividir o melhor de mim com você. Só peço que toque meu coração com cuidado…

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Photo by Ryan Jacobson on Unsplash

7 sinais de que sua preguiça pode ser depressão

7 sinais de que sua preguiça pode ser depressão

O total desconhecimento de algumas pessoas sobre sintomas da depressão, faz com que se julgue incorretamente alguns acometidos do problema. O que muitos chamam de preguiça, na verdade, podem ser sintomas de um problema psicológico sério: a depressão. Isso porque a falta de energia é um dos principais sintomas dessa doença. O que pode trazer inúmeras consequências para quem sofre com o problema.

Então para não correr mais o risco de julgar alguém de forma errada e até mesmo para se atentar e ir em busca de um profissional caso seja seu caso, confira agora alguns sinais da depressão. E aprenda de uma vez que nem sempre é preguiça!

1- Desânimo

 

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Você não sente vontade de fazer nada? Isso é um sintoma da depressão, que é uma resposta do corpo a falta de dopamina. Simplesmente um dos principais neurotransmissores responsável pela sensação de prazer.

2- Apatia

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Às vezes pode parecer egoísmo, ou falta de interesse, mas a apatia nem sempre significa arrogância. Esse é também um dos sintomas da depressão. A sensação de não sentir nada, sim, é preocupante. Se sente algo parecido, busque um profissional.

3- Ficar o dia todo no quarto

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Ficar deitado o dia todo, sem nenhuma vontade de ver ninguém é também um sinal da depressão. Todas as coisas parecem sem graça e muito cansativas para o depressivo.

4- Falta de alegria

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Os pensamentos ruins, a vontade de dormir e não acordar mais e todo o desânimo que te preenchem, são na verdade sintomas da depressão. Algumas pessoas também têm o mau hábito de falar que isso é falta do que fazer ou pior, que pode ser “falta de Deus”, mas na verdade é um problema sério.

5- Tudo parece muito longe ou muito difícil

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A falta de energia, devido a queda da dopamina, faz com que tudo pareça difícil demais. Uma atividade simples, que antes parecia muito rápida e fácil de executar, se torna cansativa e demorada.

6- Cansaço frequente

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Você não fez quase nada, mas já está se sentindo cansado? Isso é um sinal da depressão e da queda na dopamina. Então se você conhece alguém que está sempre reclamando de cansaço preste mais atenção nessa pessoa, talvez ela precise de ajuda.

7- Dormir, dormir, dormir

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DORMIR!!! Essa é a palavra chave! Você só pensa em dormir e nada mais. O pior é que mesmo depois de dormir 10 horas, a sensação de sono e cansaço persiste. E não, isso não é pura e simplesmente preguiça. Pesquisas realizadas pela USP concluíram que cerca de 10 a 20% dos pacientes com depressão reclamam da sonolência excessiva.

Do original: IF YOU’RE READING THIS IT’S NOT TOO LATE – A WORD ON DEPRESSION

Via: Fatos Desconhecidos

A didática do afeto: o amor como forma de ensinar

A didática do afeto: o amor como forma de ensinar

Esse tema é diferenciado e pode ser introduzido no currículo escolar das nossas escolas públicas e privadas. E para refletir sobre isso – utilizo as ideias – de quatro teóricos da educação, que nos fornecem o conhecimento para aprender a didática do afeto, ou seja, o amor como jeito de ensinar.

O psiquiatra chileno, Cláudio Naranjo, destaca que quando há amor na forma de ensinar, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Segundo Naranjo investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos, sobretudo, de crianças e adolescentes, formando seres autônomos e saudáveis.

Nessa perspectiva, o papel do educador é levar o aluno a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o conhecimento de si mesmo, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela.

No ponto de vista didático, os nossos educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores, como um modo mais eficaz de ajudar – todos os alunos – não só os melhores a realmente aprender e assim mudar o mundo.

Nesse contexto, lembra Naranjo, precisamos de uma mudança da consciência e o melhor caminho é a transformação da educação, por meio de uma nova formação de educadores orientada não só para a transmissão de informações, mas para o desenvolvimento de competências existenciais.

O psicanalista, americano, Erich Fromm, afirma que a resposta madura para o problema da existência é o amor. Sendo assim, o amor pode ser ensinado nas escolas, de maneira maturada e consciente, pois o amor é acima de tudo a preocupação ativa pela vida. É o cuidado de promover o crescimento daqueles que amamos.

Na visão de Fromm, a escola pode ser transformada em um local adequado para ensinar o amor, na mesma medida que se estuda música, pintura, carpintaria, escrita ou arquitetura. Aprender amar requer prática, maestria e uma ação contínua, pelo qual o esforço e o bom trabalho não deixam nada ao acaso ou à sua sorte.

O neurocientista, português, António Damásio, alerta que é necessário educar massivamente as pessoas para que aceitem os outros, porque se não houver educação massiva, os seres humanos vão matar-se uns aos outros. Damásio avalia que a vida emocional e sentimental são provocadora da nossa cultura, de conflito ou de cooperação, que é a base fundamental e estrutural de vida.

Na mesma linha de pensamento o filósofo, francês, Edgar Morin, constata que a verdadeira crise é uma crise de relações humanas, uma incapacidade de constituir verdadeiras relações afetivas, um mal antigo, que se tornou uma crise insustentável.

Portanto, com base nesse conhecimento, podemos concluir que a escola é o melhor ambiente para desconstruir a cultura do “desamor”, onde a didática do afeto pode ensinar amar, como método de conhecermos a nós mesmos e para conhecermos os outros.

Acredite: Um psiquiatra russo deu 9 conselhos para a felicidade eterna

Acredite: Um psiquiatra russo deu 9 conselhos para a felicidade eterna

Estamos constantemente nos envolvendo com esse, que é um dos grandes temas do pensamento humano, a felicidade.

E dessa vez trouxemos algo bastante inusitado: conselhos do psiquiatra russo Mikhail Efimovich Litvak, que em junho completou 80 anos e tem bagagem de sobra para saber ao que vale a pena darmos valor e o que devemos defenestrar de nossas vidas.

1. A felicidade é um efeito natural de uma vida organizada

Tente colocar tudo em ordem para poder viver uma vida mais plena.

A felicidade, a alegria e o sucesso são apenas o efeito secundário de quem investe em uma vida bem organizada em todos os sentidos.

2. Lembre-se que todo mundo tem uma opinião sobre si mesmo

Você deve sempre se lembrar que todo mundo tem uma autoestima que merece ser valorizada. Por isso, nunca ultrapasse esse limite na hora de dar os seus conselhos.

Ao cruzar com pessoas na sua vida, é natural que você pense que pode dar dicas para ela ser melhor e mais feliz – afinal, julgar a vida alheia é muito mais fácil do que a própria.

3. Se você não fizer nada por você mesmo, como você pode querer ajuda?

Ao colocar metas na sua vida, comece a executá-las! Não adianta nada dizer para todo mundo que está infeliz com o corpo e que vai começar a fazer exercícios se de fato você não cumprir essa tarefa. Os outros não podem resolver os seus problemas. Eles podem, no máximo, apoiar e dar conselhos, mas a atitude tem que partir de você!

4. O sucesso tem o poder de apagar o fracasso

Aqui vale a máxima do ser sempre positivo. Seus fracassos ocorrem por conta das insatisfações que você alimenta durante a vida. Porém, se você turbinar seu dia a dia com elogios a si mesmo e a perseverança de que o ápice está chegando, logo tudo será um mar de rosas – ou, ao menos, as tempestades serão encaradas com mais tranquilidade

5. Não conhece seu pior inimigo? Então olhe em um espelho

Acredite em si que os problemas vão acabar tendo mais medo de você do que o contrário.

Pare de procurar inimigos no mundo exterior e culpar os outros por suas insatisfações. Seu maior inimigo é você mesmo! É impossível desviarmos das barreiras do mundo para a nossa felicidade se não tirarmos a primeira delas: a que está dentro de nós!

6. O caminho correto nem sempre é o mais curto

Se você está no 30º andar e quer ir para a rua, o caminho mais curto é se jogar da janela. Só que você vai morrer ao chegar ao chão. Então, não tenha preguiça de procurar os caminhos certos para conduzir sua vida, mesmo que às vezes eles sejam cheios de curvas, subidas e descidas.

7. A falta de objetivos nos deixa cegos

Quando você precisa se mudar de casa, seu objetivo de vida, no momento, é conseguir caixas para guardar as coisas. Nesse momento, você começa a reparar e ver caixas em todos os lugares do mundo. O mesmo vale para tudo na vida; por isso, tenha sempre uma meta a ser alcançada e preste atenção nos sinais que o mundo te dá.

8. Tolerar (e até amar) momentos de solidão é um sinal de maturidade

A solidão costuma ser encarada como algo extremamente negativo, mas a gente tem muito a aprender com ela. As pessoas emocionalmente maduras são aquelas que aproveitam fases e momentos de solidão para um autodesenvolvimento. Pense nisso!

9. Equilibre o “Eu quero”, o “Eu posso” e o “Eu devo”

Muita gente vem com a ladainha de “Eu devo, mas não quero” ou com a de “Eu posso, mas não devo”. Pare de ficar criando empecilhos para essas três regrinhas que ordenam a nossa vida. Se você quer, queira pra valer. Se você deve, faça. Se você pode, o que o impede? O que você “deve” tem que ser regulado pelo que você “precisa”. E o que você “pode” é o motor que deixa tudo isso girando corretamente.

Por Vida em Equíbrio, via A Grande Arte de ser Feliz

10 lições para as relações no século XXI

10 lições para as relações no século XXI

A contemporaneidade é cheia de armadilhas. Estar em um relacionamento com alguém é, antes de tudo, aprender a se desvencilhar delas. Em uma relação, assim como numa estrada, são muitos os desvios e as curvas perigosas onde acidentes podem ser evitados pelo uso da atenção e do cuidado. Quando estes dois elementos faltam, aquilo que deveria ser uma proveitosa viagem acaba se tornando um pesadelo do qual é difícil de acordar.

Seja para os mais experientes ou para os principiantes, espero que estas 10 lições possam ajudar a encarar ou solucionar alguns problemas que possam rondar a vida a dois.

1 – Aprender a amar e respeitar o silêncio. A gente não sabe amar o silêncio, principalmente o do outro. Queremos sempre barulho e fogos de artifício, mas esquecemos que a vida não é feita apenas de luzes e gritaria. A conversa é fundamental para o bom relacionamento, mas de vez em quando é preciso distinguir o momento daquela pausa produtiva. Ouvir é essencial, mesmo quando o outro se cala.

2 – Não deixe que coisas pequenas se transformem em gigantes devoradores de gente. Com o tempo, alimentar os problemas miúdos pode acabar transformando-os em monstros implacáveis. Quando deixamos pra lá aquele pequeno incômodo, damos oportunidade para que ele cresça mais do que podemos dar conta. Converse, aborde. Se inteire sobre o que anda afligindo os pensamentos dele ou dela. Cuide para que uma gota de orvalho não vire tempestade a ser colhida na próxima estação.

3 – Partilhe. Seja alegria ou tristeza, partilhe. Não caía no velho golpe de que só se deve ou que só vale a pena compartilhar o que for bom. Comunicação é importante nas duas vias. Só assim é possível saber os motivos de uma cara emburrada ou de um muxoxo. Não dá para exigir que seu parceiro ou parceira adivinhe o que se passa na sua cabeça. Deixe essa coisa de telepatia para os heróis da televisão, ok?

4 – Os detalhes importam. Até os menores deles. Um detalhe ínfimo pode fazer toda a diferença na compreensão de algo maior. Embora a passagem do tempo venha a influenciar pequenas, médias ou grandes mudanças, atentar para estas mudanças ajuda a compreender o momento particular de cada um. Sente falta de um toque específico, de uma palavra anteriormente recorrente, de um jeito de contar algo? Pergunte. Peça. Da mesma maneira, observe se deixou de fazer alguma dessas coisas e converse com seu parceiro ou parceira para que não existam mal-entendidos. Relação não é apenas conquista, é também manutenção.

5 – Seja paciente, o mundo não foi feito em um dia. Na bíblia, Deus fez o mundo em seis dias. Para a ciência, o processo durou um pouco mais (cerca de 100 milhões de anos, segundo as pesquisas mais recentes). Tanto faz se você é religioso ou ateu, o fato é que nem tudo é pra já. Às vezes temos tempos diferentes. Não querer e obrigar o outro a correr quando ele prefere andar, da mesma forma que o mesmo não deve ser feito com você. Entender e aceitar essa diferença de ritmo é fundamental. Falamos muito sobre respeitar espaço, mas pouco sobre como isso também deveria valer para o tempo.

6 – Aproveite mais, projete menos. Freud dizia que no começo da relação, nos apaixonamos pela projeção que fazemos da outra pessoa. Com o passar do tempo, vamos descobrindo que as coisas não são bem assim. No fim, avaliamos se o que sobrou daquela projeção inicial é o suficiente para nós. Não projetar é algo extremamente complicado. Desde sempre foi. Chegamos ao relacionamento cheios de anseios, de expectativas e vontades, jogando nos ombros de outra pessoa a responsabilidade de ser aquilo que queremos e esperamos que ela seja. Estamos errados, redondamente errados. O esforço para quebrar esse círculo vicioso é grande, talvez seja mesmo uma missão impossível, mas o esforço pode valer a pena. Isso nos leva diretamente para a próxima lição.

7 – Muito provavelmente você já escutou ou já ouviu falar da famosa canção People Are Strange (pessoas são estranhas), da banda norte-americana The Doors. E isso aí mesmo. Todos nós somos estranhos. Se não para nós mesmos, para outra pessoa. Isso também se chama diferença e é ótimo que ela exista. Não dá para exigir que as pessoas sejam iguais a nós, que pensem iguais a nós em exatamente tudo. Aceitar o outro como ele é se configura um verdadeiro teste para nosso ego. Por isso, não se frustre tentando mudar seu companheiro ou companheira. No lugar disso, trabalhem em conjunto. Talvez assim vocês descubram como lidar melhor com as próprias lacunas.

8 – Cuidado com as pequenas mentiras. Às vezes, a linha entre uma mentira grande ou pequena é muito tênue. Geralmente, onde você vê um gnomo, o outro pode enxergar um ciclope ameaçador. É melhor prevenir essas estranhas metamorfoses, pois nunca se sabe a dimensão que uma pequena mentira terá para a outra pessoa. Abra o jogo, franqueza não é sinônimo de fraqueza.

9 – Esteja aberto para o novo. Não force, mas se esforce – pelo menos um pouco. Pode não parecer, mas são coisas completamente diferentes. Experimente coisas novas, permita-se novas experiências. Elas criam laços e reforçam aqueles já existentes. Não precisa ser nada descomunal. Um passo por vez, uma pequena coisa por vez. Viver é movimento.

10 – Por último e não menos importante: sexo é essencial, sim. Se nenhum dos dois estiver passando por problemas e estiver faltando intimidade na relação, algo não está certo. Claro que devemos levar em conta as condições de cada um. Tem gente que não gosta muito de sexo e outras que gostam menos ainda. Mas, se antes costumava haver desejo e vontade e depois a coisa começou a decair sem explicação plausível, temos aí um problema. É comum que queiramos nos sentirmos desejados por nossos companheiros e precisamos entender que muito provavelmente eles também se sentem dessa forma. Se o ritmo sexual mudou, melhor sondar e ver se tudo está mesmo nos conformes. Sexo não é a cereja do bolo, ele é boa parte do recheio.

Um dia vai dar certo.

Um dia vai dar certo.

Eu sei que parece a coisa mais injusta do mundo saber disso, mas não é. Não é porque, para dar certo, muitos sentimentos precisam estar alinhados. E antes de você entendê-los inteiramente, você vai levar alguns tombos, você vai se enganar, você vai achar que tinha o melhor em suas mãos. Você vai ter expectativas quebradas com quem nunca pensou que teria, você vai mergulhar num mar de confusão e, às vezes, até de lágrimas por quem não merecia sequer uma saudade da sua reciprocidade.

Mas um dia vai dar certo. Vai mesmo. Mas é necessário que até esse dia chegar, você esteja em sintonia com os seus desencontros. Pois aceitá-los é compreender que eles foram importantes para que mudasse de perspectiva, para que visse o compromisso que significa morar no coração de alguém sem exigir nada em troca. Você vai finalmente entender que o amor não é aquilo que pintam nos romances, nas novelas, nos filmes. Quando você ouvir de alguém por quem se apaixonou dizer adeus, deixando nada além de perguntas, você vai perceber o quanto é ilusória toda essa estória de felizes para sempre.

Ainda assim, um dia vai dar certo. O seu dedo não é podre e nem o seu cupido precisa de óculos. E o seu coração, o seu coração não tem nada de errado. Você vai seguir em frente, não se preocupe. Você vai aprender a valorizar a própria companhia e vai experimentar o abrigo mais honesto que alguém poderia te oferecer: a solidão. E essa solidão vai te ensinar muitas coisas. Coisas que você nunca tinha parado para pensar, sentir e viver.

Até que, um dia, em um lugar aleatório, você vai conhecer alguém. Alguém que passou pelas mesmas decepções, mas com cicatrizes diferentes das suas. Alguém que vai ouvir sobre as dores que você já teve e vai respeitá-las. Alguém que vai rir com você dos porquês de ter demorado tanto tempo para dar certo. Daí, no meio do encontro mais improvável do mundo, você vai agradecer pelos desamores que teve de passar. Afinal, eles ajudaram o hoje a deixar de ser um dia.

Toda pessoa é competente se faz aquilo que ama

Toda pessoa é competente se faz aquilo que ama

Definitivamente, rotular as pessoas é uma grande injustiça, especialmente no que se refere as suas habilidades profissionais. Avaliar uma pessoa como incompetente, nada mais é do que reduzir todo o potencial dela àquilo que ela está exercendo. Poucas pessoas param para pensar sobre o que pode estar por trás do baixo desempenho daquele profissional.

Acredito que cada um de nós temos, no mínimo, uma aptidão. É aquilo que nasce conosco, aquela afinidade com alguma atividade. Acredito que nascemos com uma espécie de carimbo na alma, uma bússola que nos sinaliza sobre o que realmente nos fará feliz e realizado no campo das habilidades.

Seja dançar, escrever, cantar, cozinhar, falar, pintar…etc. Entretanto, nem todos têm a sorte grande de estar exercendo aquilo que, de fato, tem aptidão. As razões para esse desencontro são várias, cito duas delas aqui: muitas pessoas ainda não descobriram a sua verdadeira vocação, outras até sabem, mas por algum motivo não estão exercendo aquilo que gostam.

Em geral, as pessoas associam a prosperidade às aquisições financeiras e materiais, ao passo que, a prosperidade verdadeira é aquela que faz a alma sorrir, é assim que defino.

Meu conceito de pessoa próspera é uma pessoa que se conectou com a sua verdade interior.

Não estou fazendo apologia à pobreza, tampouco, negando a importância do dinheiro, não é isso. Inclusive, houve uma fase na minha vida em que eu achava impossível um rico ser infeliz, daí acabei desfazendo essa crença e reformulando minhas percepções. Me dei conta de que minhas melhores vivências e lembranças não tem nenhuma relação com o dinheiro ou conforto.

Bem, voltando à questão do rótulo de incompetente, creio que a grande verdade seja esta: no mundo não existiria nenhum incompetente se todos estivessem exercendo aquilo que realmente gostam. Gente, não é possível enganar a nossa alma. Como uma pessoa cuja aptidão é dançar, será feliz e competente trabalhando em um escritório, em serviço burocrático? Ela pode até se sair bem, mas ela não estará dando o seu melhor. Ela sempre terá uma criança interior chorando dentro de si mesma, fazendo birra e dizendo: “não é isso que eu quero fazer”…”me tira daqui”…”já é segunda-feira de novo”? Entendem?

Detalhe: ela poderá trabalhar a vida inteira naquilo, ter um bom salário, mas nunca será realizada. Ela sempre irá se arrepiar ao ver um espetáculo de dança, enquanto sua criança interior estará sapateando dentro dela dizendo: “é disso que eu gosto!”…”eu quero fazer isso”!

Imagine que maravilha, se, no planeta inteiro, cada pessoa estivesse empenhada naquilo que faz a alma saltitar de alegria. Imagine a produtividade dessas pessoas!

Elas não teriam pressa para chegar à sexta-feira e chegariam em casa, bem humoradas, sempre. Agora que leu esse texto, responda para si mesmo: você é feliz no que faz? Se não, o que gostaria de fazer? Eu estou aqui escrevendo após um dia exaustivo simplesmente por paixão, não estou ganhando nenhum centavo por isso, em contrapartida, me sinto a mais próspera e feliz das criaturas.

Foto de Ellyot no Unsplash

Aqueles que choram vendo filmes são psicologicamente mais fortes

Aqueles que choram vendo filmes são psicologicamente mais fortes

Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga

Há pessoas que choram facilmente com filmes, outras tem vergonha de mostrar as emoções, especialmente os homens, porque eles pensam que as lágrimas os enfraquecem, uma bobagem machista sem nenhum fundamento. No entanto, a verdade é que chorar vendo um filme não é um sinal de fraqueza, muito pelo contrário, indica que a pessoa é psicologicamente mais forte.

Chorar não é motivo de vergonha. É sinal de humanidade que indica uma emoção, pode ser tristeza, felicidade, raiva, nostalgia, acima de tudo, sintoma de empatia. E pessoas assim tendem a ser socialmente mais bem-sucedidas.

Choramos com filmes porque somos empáticos

Quando os personagens de um filme são bem representados, somos levados a nos colocar em sua pele, ver a realidade através de seus olhos. Todos, em variados níveis, buscamos a identificação no cinema. Estudos feitos utilizando neuroimagem funcional revelaram que o nosso cérebro quase se conecta com o personagem com quem nos identificamos, na medida em que ativamos as mesmas áreas do cérebro, relacionados ao que o personagem está fazendo, as mesmas áreas que ele está utilizando para executar as tarefas, como caminhar, saltar ou bater palmas, por exemplo.

Esse recurso também permite compreender sua situação e seu ponto de vista, bem como experimentar os mesmos estados emocionais. Obviamente, a empatia está intimamente ligada à maneira como nosso cérebro está estruturado, especialmente com os neurônios-espelho, que são os principais responsáveis ​​no ato de nos colocar no lugar dos outros.

Por outro lado, quando vemos filmes com um alto conteúdo emocional, nosso cérebro também libera ocitocina, um neurotransmissor poderoso que nos ajuda a conectar com os outros e nos permite ser mais compreensivos, amáveis, confiáveis e desinteressados. Um estudo realizado na Claremont Graduate School deixou isso bem claro.

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Neste experimento, os psicólogos pediram aos participantes que assistissem um vídeo do Hospital Infantil St. Jude. Metade das pessoas viu um segmento do vídeo que mostrava um pai falando sobre o câncer terminal de seu filho. A outra metade viu um segmento em que a criança e o pai visitavam o zoológico e nenhuma menção da doença foi feita.

Como esperado, o segmento em que apareceu o pai falando sobre o câncer do filho gerou uma resposta emocional mais intensa: os participantes mostraram um aumento de 47% dos seus níveis de oxitocina no sangue.

Em seguida, cada participante teve que tomar uma série de decisões relacionadas com dinheiro e outras pessoas. Os resultados mostraram que aqueles que assistiram o vídeo de conteúdo mais emocional foram mais generosos com estranhos e mais propensos a doar dinheiro para caridade. Aqueles que doaram dinheiro também relataram estarem se sentindo mais felizes.

Isto mostra que a empatia, e as atitudes despertadas por ela, como chorar quando nos identificamos com algum personagem de um filme, na verdade, não é uma fraqueza, pelo contrário, é uma habilidade que nos permite conectar com outras pessoas e que, em última análise, nos torna pessoas mais fortes e mais felizes.

A empatia é um dos caminhos que nos conduzem à resiliência. Quando somos capazes de compreender os outros, o nosso universo emocional se expande. De certa forma, viver essas experiências através de outrem nos ajuda a ficar mais forte emocionalmente e nos prepara para quando temos que passar por momentos semelhantes.

A incapacidade de tomar o lugar de outrem é uma desvantagem social, enquanto a sensibilidade emocional, a capacidade de compreender os outros e experimentar as suas emoções, o que nos permite expandir o nosso horizonte emocional, revela que somos pessoas mais fortes.

Chorar também melhora o estado de espírito

Se você precisar de mais razões para não reprimir o choro durante um filme, aqui vai outro estudo, desta vez desenvolvido por psicólogos da Universidade de Tilburg, onde observou-se que filmes tristes podem realmente melhorar o nosso humor, mas somente se você for levado às lágrimas.

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Texto originalmente publicado na Rincón de la Psicología, traduzido e livremente adaptado pela Revista Bem Mais Mulher.

Imagens: cenas do filem “Cine Paradiso”

Seu coração está sangrando? Não use ninguém como curativo, por favor.

Seu coração está sangrando? Não use ninguém como curativo, por favor.

Eu já achei essa afirmação bem poética, nos tempos em que eu não tinha o devido senso crítico. Entretanto, hoje, com o meu repertório de vivências, tanto minhas, quanto de pessoas próximas a mim, comecei a perceber essa declaração numa perspectiva diferente. Obviamente que não vou generalizar, contudo, há casos em que essa a tentativa de substituir alguém no coração, a qualquer custo, é algo que que pode ser classificado como uma grande irresponsabilidade.

É natural que uma pessoa que esteja com as emoções destroçadas por conta de uma ruptura de um relacionamento queira se livrar, o quanto antes, desse aprisionamento emocional. Esse sofrimento é real e perturbador na vida de quem gosta de alguém e que, por alguma razão, teve que dizer adeus. A dor de dizer adeus querendo ficar, eu já vivenciei, e, em muitos momentos, tive a sensação de ter duas mãos apertando a minha garganta. A dor saía da esfera emocional e migrava para o meu corpo físico.

A sensação que temos nesses momentos é a de que nunca vamos superar aquele luto. Não importa o quanto ouvimos que aquilo vai passar, que é uma questão de tempo. Podemos ler a respeito, ouvir depoimentos, nada disso serve de acalento. É como se aquela pessoa fosse a única no mundo, e, portanto, insubstituível.

Ocorre que cada pessoa possui os próprios mecanismos para lidar com os desconfortos de uma ruptura amorosa. Há aquelas que optam por viver o luto, respeitando o tempo necessário para ficarem inteiras novamente. Elas possuem lucidez e maturidade emocionais suficientes para compreenderem que não é sensato iniciar uma nova relação, por mais que apareçam pessoas interessantes com essa proposta. Elas se conhecem o suficiente, ao ponto de compreender que não têm condições de oferecer nada a alguém, pois elas estão machucadas demais para isso. Elas têm consciência de que não estão inteiras, elas entendem que não é justo usar alguém como muleta na tentativa de sepultar um passado.

Em contrapartida, há também um perfil de pessoas que não sabem lidar com esse luto. Elas querem, de qualquer jeito, preencher a lacuna que alguém deixou. São pessoas que não percebem graça na vida se não tiver alguém ao lado. É como se as suas existências precisassem, sempre, de um relacionamento para serem validadas. Então, mesmo num luto intenso e com o coração conectado a outra pessoa, elas vão em busca de alguém, na tentativa de anestesiar essa dor.

No geral, se machucam mais ainda, pois, dependendo da situação, se esforçam para sustentar um relacionamento no qual não se sentem felizes e motivados. Isso, por si só, já configura uma tortura. Sem contar que o novo parceiro estará se alimentando de migalhas, visto que alguém que acaba de romper um relacionamento contra a vontade não tem nenhuma condição de somar na vida do outro.

Eu conheço casos assim, a pessoa perdidamente é apaixonada por alguém do passado, mas, se relaciona com outra sem a menor empolgação, como se essa fosse uma espécie de quebra-galho. A pessoa se doa por completo, porém, o que recebe está bem aquém do que merece. É uma balança muito injusta, entende? No fundo, essa pessoa percebe que algo está errado, mas, vai tentando administrar essa equação que não fecha, por falta de uma variável fundamental: a reciprocidade.

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Photo by Anthony Tran on Unsplash

A gente tem que deixar ir quem nunca soube ficar

A gente tem que deixar ir quem nunca soube ficar

Não, ele não quis saber da mensagem que você mandou pra ele há dois dias. Lembra? Aquela em que você falava da sobremesa que tinha preparado. O bendito doce está intacto na geladeira até agora. A mensagem, o doce, você e sua atenção carinhosa, tudo isso foi propositalmente ignorado por ele. Se ele não for um E.T, e tiver dado um pulinho em Marte, certamente está fazendo pouco caso de você.

Não, ele não está tão ocupado. Os áudios que tem mandado enquanto dirige dizendo que está pra cá e pra lá atrás de emprego não justificam as distâncias que só tem aumentado entre vocês. Ele propositalmente está dirigindo para longe de você.

Não, ele não pretende arrumar a vida para te colocar nela. Ela quer arrumar a vida para fazer caber o maior número de mulheres por lá e você vai ser só mais uma no final da lista de prioridades dele. É por isso que ele esquece de te convidar para as festas de família, para o encontro com os amigos, para os lugares que diz serem especiais para ele. É que você sempre está pronta para o amor. É que você sempre está vestida, trocada, depilada e perfumada para qualquer tantinho de amor que venha dele.

Você não reparou? Ele gosta de balançar a cabeça para parecer gentil, mas ele não se aprofunda em nada e você mergulhou nele de cabeça. Agora a dor que você está sentindo aí é dilacerante.

Sabe aquele filme “Grandes Olhos”? Pois é, assim como a mocinha que se apaixonou por um cara que pintava vazios, esse tipo de homem gosta de encher a nossa vida de vazios. De expectativas. De silêncios. De perguntas sem respostas. Esse tipo de homem finge ser homem, mas é moleque em matéria de amar.

Pare de procurar respostas. Esquece isso de se culpar. Desde o começo ele não tinha intenção de ficar. Se você pudesse esticar o pescoço veria atrás dele uma fila de mulheres decepcionadas. No fundo ele é um equívoco que beija gostoso. E só.

Você quer mesmo gastar com esse cara uma parcela preciosa do seu tempo? Pense bem. Ele é o caminho errado. Aquele que nos aparece em alguma encruzilhada cheia de neblina. Ele é o vampiro que quer te sugar todo sangue em troca de um pouco de lascívia. Ele é como aquelas porcarias que matam nossa fome, mas que depois nos causam vertigens e mal-estar.

Pare. Respire. Acorde, mulher. Saia dessa. Tem que ser muito forte para amar de verdade e essa força você tem de sobra aí. Você tem feito muito esforço pelo homem errado. Só isso. Deixe o celular de canto. Deixe os lugares onde ele sabe que vai te encontrar e vá pra piscina, pra livraria, pra ciclovia. Vá pra vida assim de cara lavada. Enfrente esse medo estarrecedor de ser só você. Vá conhecer o mundo de fora e de dentro. Pendure uma placa de “fechada pra balanço” na porta do quarto e da vida. Vá se apaixonar por outras coisas, por outras pessoas, por outras formas de fazer e viver o mundo.

Tome banho de chuva, banho de cachoeira, banho de amor próprio. Chega de ficar em banho-maria. Durma pelada. Veja filme antigo na TV. Ame essa mulher aí que é linda e corajosa.

Eu sei, na ânsia de amar e admirar a gente acaba amando sapo e admirando porcaria. A gente ouve qualquer coisa tocada por aí e sai falando que encontrou uma oitava sinfonia. Nada disso. Nada de se iludir à toa. Nada de ignorar os sinais. Nada de achar que encontrou o cara da sua vida e dar de cara com a parede.

O segredo de quem ama e se ama é que lá no começo essa gente fecha algumas portas. É que lá no começo essa gente quebra o dedo de quem quer botar o pé e a mão na porta pra não sair. É que essa gente não fica de papinho com quem aparece só quando convém. O segredo do amor que dá certo está na escolha. Se a escolha for certa, então vai ser gostoso demais. Se não for, é hora de deixar ir, sem pesares, quem nunca soube ficar.

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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain

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