Quando eu estiver velhinha, vou morar um pouco com cada filho,
e dar a eles tantas alegrias… Do jeito que eles me deram.
Quero retribuir tudo o que desfrutei deles fazendo as mesmas coisas.
Oh, eles vão adorar!
Escreverei nas paredes com lápis de cores diversas,
pularei nos sofás de sapatos e tudo. Beberei das garrafas
e as deixarei vazias e fora da geladeira, entupirei de papel
os vasos sanitários; como eles ficarão bravos com isso!
(Quando eu estiver velhinha e for morar com meus filhos)…
Quando eles estiverem ao telefone e não puderem me alcançar,
vou aproveitar para brincar com o açúcar ou com a água sanitária.
Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás
de mim.Mas, eu estarei escondida debaixo da cama.
Quando me chamarem para o jantar que eles prepararam,
não vou comer as verduras, as saladas ou a carne,
vou engasgar com o quiabo e derramar leite na mesa,
e quando se zangarem, corro ― se for capaz!
Sentarei bem perto da TV e vou mudar de canal o tempo todo.
Tirarei as meias pela sala e perderei sempre um pé;
e vou brincar na lama até o final do dia.
E mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer a Deus por tudo,
fechar meus olhinhos para dormir, e meus filhos vão olhar para mim
com um meio sorriso e vão dizer:
Meu marido e eu levamos recentemente nossos dois filhos mais novos a um concerto. Eles sentaram-se entre nós, e eu estendi meu braço por trás da minha filha ao longo da cadeira. Segundos depois, meu marido estendeu sua mão para segurar a minha, e a distância era suficiente apenas para que os nossos dedos quase se tocassem. Eu me lembrei imediatamente de um momento 27 anos antes, quando meu marido estendeu sua mão para pegar a minha pela primeira vez.
A primeira vez que ele segurou minha mão foi em muitos aspectos mais sensual do que o nosso primeiro beijo. Tínhamos desenvolvido uma amizade platônica por vários meses antes que tivéssemos qualquer tipo de contato físico. A primeira vez que ele pegou minha mão, instantaneamente senti as “borboletas no estômago”, provavelmente intensificadas pelo longo tempo de espera.
Naquela noite, no show, notei que senti um pouco da mesma emoção da primeira vez que ele segurou minha mão quase três décadas antes. Assim que eu fiz a associação com a lembrança anterior, meu celular vibrou. Eu olhei para baixo e vi um texto do meu marido, sentado duas cadeiras de distância, onde li “Lembra da primeira vez que nós demos as mãos?” Ele sentiu a mesma coisa também.
O toque carinhoso, sensual e não sexual é muito poderoso nas relações íntimas do casal, no entanto, é muitas vezes uma das primeiras coisas que perdemos. Nossa cultura em diversos lugares dá tanta ênfase ao orgasmo como o auge da conexão física que as pessoas quase esquecem o quão poderoso pode ser a conexão em outras formas. À medida que os casais seguem em seus relacionamentos, o contato físico, muitas vezes torna-se um objetivo orientado, em que todos os caminhos levam para a relação sexual, removendo qualquer imprevisibilidade e brincadeiras que acompanhavam as interações físicas anteriores no relacionamento.
Casais em terapia frequentemente relatam que eles têm muito pouco contato físico carinhoso; alguns até relatam que o evitam propositalmente, porque não querem abrir-se a possibilidade de uma relação mais estreita de intimidade física que possa levar ao sexo.
Para algumas relações que tenham sido expostas a períodos de distanciamento, traições ou qualquer outra interação nociva, arriscar qualquer contato físico pode parecer impossível. Nas palavras de uma cliente, o simples pensamento de se envolver em qualquer tipo de relação sexual com o marido parecia “muito difícil… tanto quanto escalar o Monte Everest.” Não era sequer algo que ela poderia imaginar.
Se um casal estabeleceu uma base de segurança emocional no relacionamento, o que pode demorar mais tempo com pessoas que sofreram traumas ou abuso sexual, começar pelo toque sensual não sexual é muitas vezes uma porta de entrada para o desenvolvimento de uma intimidade mais profunda. O toque ajuda as pessoas a experimentarem o toque seguro, positivo, e que pode realmente ampliar e expandir as possibilidades de conexão sensual mais profunda. Também pode ajudar as pessoas a redescobrirem o poder da intencionalidade e suavidade nos encontros físicos.
Aqui estão cinco maneiras de redescobrir o toque em seu relacionamento:
1. Redescubram a arte das mãos dadas
Vá devagar. Falem sobre a primeira vez em que se deram as mãos. Façam essa sessão de dar as mãos o mais sensual possível. Ofereçam-se para dar um ao outro massagens manuais.
2. Redescubram o abraço
Em um mundo que é tão acelerado e tóxico, um caloroso abraço pode ser uma experiência muito reconfortante e até sensual. Observe o que acontece dentro do seu corpo quando você desacelera e abraça o seu parceiro. Veja se você pode sincronizar sua respiração com a de seu parceiro.
3. Redescubram o beijo
Livros inteiros já foram escritos sobre a arte do beijo, com muitas variações. Apenas por diversão, você pode tentar um novo tipo de beijo todos os dias, o que me leva ao meu próximo ponto.
4. Redescubram o contato visual
Quer seja do outro lado da sala ou com os narizes se tocando, contato visual pode ser incrivelmente conectivo. Muitas vezes eu posso medir os níveis de estresse dos casais que atendo, com base em sua falta de vontade de fazer contato visual com o outro… isso os torna muito vulneráveis. Se você quiser aprofundar a proximidade com um parceiro, desacelere e faça contato visual.
No geral, o objetivo deste tipo de toque é que ele NÃO tenha um objetivo direto, mas que possa gerar um ambiente ao longo do tempo que abrigue um relacionamento íntimo fisicamente saudável.
Novembro de 2014: foi o mês em que eu recebi o diagnóstico de Distimia, após dois meses frequentando a psicoterapia. Por recomendação da psicóloga, procurei também a ajuda de uma psiquiatra, que chegou à conclusão do mesmo diagnóstico.
Depois desse dia, foi como se os últimos anos de minha vida finalmente fizessem sentido para mim: o mau humor constante e a falta de disposição para realizar atividades banais do dia-a-dia se contrastavam muito com a minha imensa vontade de viver a vida.
Mas afinal, o que é Distimia? Segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), ela “é um tipo de depressão que faz parte do grupo dos transtornos mentais que interferem com o humor das pessoas”. Por isso, os psiquiatras a chamam de “Transtorno do Humor”. Ela se difere dos outros tipos de depressão porque seus sintomas são mais leves, porém, com longa duração, o que dificulta o diagnóstico (já que a convivência com os sintomas acaba se tornando “normal” ao longo dos anos).
De acordo com a ABRATA, somente no Brasil, 5 a 11 milhões de pessoas sofrem desse mal, representando 3 a 6 por cento da população mundial. Esses dados também são, muitas vezes, sinônimo de faltas no trabalho, obesidade e suicídio. Isso porque os distímicos muitas vezes não conseguem sentir prazer em atividades que antes se interessavam, têm dificuldades com o sono e o apetite, problemas de concentração, fadiga e, muitas vezes, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. Portanto, apesar dos sintomas de depressão menos acentuados, o transtorno acarreta um prejuízo muito grande para o indivíduo que sofre com a Distimia. No meu caso, ele favoreceu o meu desligamento de um estágio recentemente pois, em uma semana de crise, era impossível cumprir o horário do início do expediente.
Na época, eu estava tentando desenvolver o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), e o estresse trouxe todos os sintomas à tona – de uma só vez. Porém, é desde o colégio que eu me lembro de me sentir assim: dormia na sala de aula, procrastinava trabalhos e obrigações, me atrasava para TODOS os compromissos (inclusive aqueles que me davam prazer) e tinha uma dificuldade imensa para simplesmente me levantar da cama. Era como se o peso do meu corpo se multiplicasse por dez e não me deixasse sair do lugar. Tais sintomas me acompanharam – e se intensificaram – durante os quatro anos de faculdade. Muitas vezes eles eram vistos como um descompromisso ou uma irresponsabilidade, algo que até eu comecei a questionar.
Chegar atrasada em reuniões e aulas da faculdade foram, muitas vezes, motivo de chacota para os colegas e alvo de críticas pela família, fazendo com que eu me sentisse cada vez menos estimulada a enfrentar as atividades diárias. Por mais que eu tentasse mudar esse ciclo, era quase impossível. Toda noite eu ia dormir pensando “amanhã vai ser diferente”, mas não era. Então uma dose de baixa autoestima me tomava por completo, e a minha única reação era chorar, sentir decepção e raiva de mim mesma. Afinal, na minha cabeça, eu era a causadora de todo esse estresse. E mudar só dependia de um único fator: eu mesma.
Naturalmente exigente, eu, nos meus 21 anos, não estava satisfeita com a vida que levava e finalmente procurei ajuda. Tive vontade de “sumir”, morrer e me isolar diversas vezes. O choro era constante e angustiante. Hoje, quase um ano depois, a vida segue mais leve.
Alguns medicamentos – todos prescritos pela minha psiquiatra – têm ajudado. Mas, principalmente, a psicoterapia, que me fez imergir em uma viagem dentro de mim mesma para buscar a solução dos meus problemas e ver a vida de outra forma, com olhos de esperança e de alguém que pode sim viver sem o “véu da Distimia” – como diz minha terapeuta.
Prova disso é que levantar às 7h da manhã, o que antes era impossível, tem se tornado mais fácil. Tomar a iniciativa para fazer uma atividade física finalmente é uma realidade, e o aspecto facial ao acordar é mais leve e alegre. Não que tudo seja as mil maravilhas: ainda assim, alguns dias são de mau humor, levantar tarde e querer evaporar. Isso porque o processo de melhora tem os seus altos e baixos. E além disso, quem disse que lidar com o acaso é fácil?
Mas a pergunta que não quer calar é: por quê? Já ouvi da minha dentista que isso é “falta de Deus no coração”, e já ouvi de pessoas próximas que isso era uma desculpa para não encarar a vida de frente. Todo mundo tem uma opinião para dar. Mas a verdade é que pode ser um fator bioquímico, genético ou ambiental. Ou os três juntos – talvez eu nunca saiba. O que eu sei é que o autoconhecimento, promovido durante a psicoterapia, tem me ajudado a enfrentar as lutas diárias. É um longo processo, nem sempre muito agradável, mas que vale a pena tentar. Se você se identificou com esse texto, não hesite em procurar ajuda. Converse com a sua família, amigos ou alguém de confiança e fale o que está sentindo. Acredite: quanto mais o tempo passa, maior é a sensação de ver a vida passando diante dos seus olhos enquanto você apenas observa, imóvel. Não adie a sua felicidade. A vida é muito bela – e curta – para ser postergada.
Seguindo o mesmo modelo da famosa série fotográfica “Where Children Sleep” do queniano James Mollison, que retratou quartos de crianças de diferentes países, o fotógrafo britânico Julian Germain registrou diferentes salas de aula ao redor do mundo.
Durante oitos anos, Julian percorreu 19 países fotografando escolas e as condições de ensino em diferentes culturas. No projeto chamado “Classroom Portraits 2004-2012”, podemos perceber a diferença gritante de infraestrutura na educação entre países do primeiro e do terceiro mundo e até mesmo entre cidades de um mesmo país. Enquanto que numa escola em Tóquio todos os alunos possuem computador como parte do material, outras na Nigéria e na Etiópia não possuem nem luz elétrica. Enquanto em alguns colégios na Inglaterra as turmas são reduzidas, em Iêmen, no Oriente Médio, as turmas são superlotadas e compostas só de meninos.
Entretanto, o fotógrafo também encontrou semelhanças entre alguns países. Além dos elementos principais que compõem uma sala de aula, como quadro negro e carteiras, fazerem parte da maioria das escolas visitadas, outros detalhes como a presença de retratos de políticos marcantes na história de cada país também é comum entre eles. Nas escolas britânicas, por exemplo, ele encontrou a foto do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill exposta nas salas. Já em Bahrein, é o retrato do rei Hamad ibn Isa Al Khalifa que ilustra os locais das aulas. Ao todo são mais de 450 imagens produzidas, mas o fotógrafo escolheu apenas 87 para ilustrar o livro do projeto.
Segundo ele, as fotos nos fazem refletir sobre a infância, a adolescência e o crescimento. Mas com certeza o que mais chama atenção no trabalho são as diferenças sociais e culturais dos países.
Inglaterra, SeahamInglaterra, WashingtonInglaterra, WolsinghamArábia Saudita, DammamYêmen, ManakhaYêmen, SanaaCatarBahrain, SaarBrasil, CipóArgentina, Buenos AiresPeru, CuscoUSA, St. LouisNigéria, KanoJapão, TóquioTaiwan, Ruifang TownshipEtiópia, GambellaRússia, São PetersburgoCuba, Havana
Drummond dizia que “amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência, herdada, ouvida; amor começa tarde”. Penso que confundimos a vontade de desvendar o outro, a sede insaciável da presença e a admiração, com o amor. O amor, mesmo, é o que começa tarde.
O amor começa não na magia embriagante que é, munidos de uma curiosidade que reduz o mundo ao outro, tocar uma vida pela primeira vez; mas no encantamento que resiste – e aumenta – quando a convivência já houver recheado nossa memória com registros de todas as variações minúsculas de gestos e sorrisos que dela provêm; quando as marcas de loucura já tiverem sido captadas e tomadas como poesia e o sofrimento alheio escorrido de nossos olhos.
O amor começa não nos diálogos agradáveis e engraçados, não no bem estar e admiração mútuas que as palavras trocadas são capazes de fornecer: isso é o que nos convida a abrir a porta e ir deixando alguém entrar. O amor começa tarde. Começa quando nem todos os momentos compartilhados requerem palavras que externem aquilo que se sente, simplesmente por estarmos tão conectados a alguém a ponto de olhar nos olhos e apenas com uma troca de sorrisos carregar a tranquilidade que o nosso coração sente ao confirmar que o do outro está sentindo o mesmo, de que ele está ali, compartilhando daquele momento com a mesma intensidade e o enxergando através das mesmas lentes: aquelas moldadas pelos arquivos diários e silenciosos do amor.
O amor começa não só na euforia das noites de sexta-feira, mas nos tédios compartilhados de domingo; não só na sinfonia do encontro de timbres, mas no descobrimento da paz que mora dentro dos silêncios cotidianos. O amor começa depois. Depois que aquela vida que nos tira o ar tantas vezes, for também a mesma que, simplesmente por existir e respirar, nos dá coragem e vontade de continuar fazendo o mesmo.
Sob as asas indulgentes de pais pretensamente diligentes e amorosos, desenvolve-se uma espécie humana incapaz de conviver com a frustração; insaciável em suas necessidades de atenção; dependente de cuidados, básicos ou sofisticados; impossibilitada de enxergar outro ponto de vista que não o seu; voraz e corruptível. A superproteção familiar impede o indivíduo de criar suas próprias ferramentas de sobrevivência, interlocução, compaixão e convivência. Estamos criando uma geração de fracos tiranos ou de tiranos fracos, capazes de qualquer artifício para terem seus desejos atendidos.
Perigosa estratégia essa de trocar autoridade amorosa por permissividade vazia. Substituir a presença física e real por bens materiais contribui para a formação de indivíduos que não hesitariam em sacrificar pessoas para conseguir coisas. Será que somos tão distraídos emocionalmente a ponto de abrigarmos monstros egoístas sob nossas próprias asas e não nos darmos conta disso?
O inegável cenário de violência em que a maioria de nós vive, cria elementos mais do que concretos para que alimentemos um justificado temor pela segurança de nossas crianças. É fato que muitos de nós teve a oportunidade de fazer pequenas incursões pelos arredores de casa, experimentando a cada nova aventura, o sabor da conquista da maturidade. Há cerca de 40 anos atrás, mesmo em cidades grandes e movimentadas, era comum as crianças “maiorzinhas” (10 ou 12 anos), irem sozinhas à padaria, à banca de jornal, à casa de algum amigo mais próximo ou mesmo à escola. Ouvíamos de nossos pais alguns conselhos como “Não fale com estranhos!” ou “Não aceite ‘nada’ de estranhos, como balas ou chocolates!”. Nossos pais temiam pela nossa segurança e procuravam nos preparar para enfrentar alguns perigos previsíveis. É claro que, mesmo naquela época, ouvíamos notícias de crianças sequestradas; abusadas; até mesmo desaparecidas e mortas. Mas a verdade é que esses acontecimentos eram uma exceção. Hoje, não são mais. O perigo é real, isso é indiscutível. Há muito tempo as crianças deixaram de ter medo do “homem do saco” para ter medo do bandido armado.
Assim, nossas crianças muitas vezes são privadas de experiências de vida em detrimento de sua segurança e integridade física. Até aí, nada de errado. Cabe aos pais garantir que seus filhos recebam proteção, atenção e amor. Os problemas começam quando a dosagem desses atributos perde o valor original e extrapola os limites de uma educação descolada do mundo real, onde há o enfrentamento de situações adversas e imprevistas. É bastante frequente observarmos que os responsáveis sofrem com a dificuldade de estabelecer o que é cuidado, o que é exagero, o que é pseudo-cuidado e o que é negligência.
É importante termos em vista que a maneira como nos enxergamos na infância, baseia-se na forma como somos tratados pelos adultos responsáveis por nós. As experiências sociais da infância determinam a maneira como vamos interagir com o mundo na fase adulta. A consciência do nosso valor pessoal é construída na interação, primeiro com nossa família nuclear, independente de como ela seja formada; depois, na interação com os outros. Os adultos responsáveis pela nossa educação darão o tom às nossas percepções de respeito, ética, compaixão e liberdade.
Quando somos crianças, aceitamos como correto o modelo oferecido pelos adultos que são responsáveis por nós. Crianças tratadas com agressividade e intolerância acabam acreditando que merecem esse tratamento e o reproduzirão. Crianças negligenciadas crescem com a dolorosa sensação de que suas necessidades não são importantes. Adultos demasiado exigentes, críticos e autoritários fazem a criança sentir-se inadequada, incapaz e indigna de confiança; quando não são ouvidas, elas crescem inseguras e dependentes. O pseudo-cuidado, que caracteriza aquela presença física, porém ausente de atenção (adultos que não desgrudam do celular, por exemplo), provoca na criança uma confusa sensação a respeito de seu papel na relação e do espaço que ela ocupa; ela se percebe como desimportante e até incômoda. O cenário em si já é complicado; no entanto, há ainda a confusão estabelecida entre atenção afetiva e superproteção. Engana-se quem acredita que a superproteção garante um saudável desenvolvimento para a criança. As crianças superprotegidas acreditam que os adultos resolvem tudo por elas e atendem todas as suas vontades porque elas são incapazes. Adultos superprotetores formam crianças desconfiadas de suas próprias capacidades e habilidades, além de dependentes do cuidado e da aprovação do outro. Já adultas, elas acreditarão que o mundo será exatamente assim: sempre pronto a satisfazer seus desejos e compreender suas demandas.
A superproteção pode representar um bloqueio para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças. Adultos responsáveis excessivamente protetores fazem com que os pequenos sintam-se pouco estimulados a interagir com o mundo. A timidez, por exemplo, é uma consequência de posturas repressoras apresentadas na educação familiar. Outro ponto importante é o fato inegável de que as crianças superprotegidas terão dificuldades para adquirir autonomia; lidar com o medo; enfrentar situações imprevistas; tomar iniciativas ou decisões. Além da possibilidade de virem a se tornar adultos reclusos ou distantes da realidade, que julgam injusto terem de batalhar para alcançar o que desejam e não serem premiados por cumprir com suas responsabilidades e compromissos.
É de extrema importância que, no caso de termos decidido assumir a responsabilidade pela educação de uma criança, termos em mente que a nossa postura em relação à sua formação, contribuirá fortemente para o tipo de adulto que ela virá a ser. Precisamos entender que somos modelos em nossas atitudes, muito mais do que em nossos discursos. Criança precisa de escuta ativa; afeto; limites claros e justos; honestidade nas relações; aceitação de suas limitações; incentivo diante das dificuldades; valorização das habilidades; satisfação de suas necessidades de alimento, sono, descanso e brincadeira; liberdade assistida e orientada. Parece muito?! Mas, não é. No fundo, elas não precisam ser colocadas sob nossas asas. Elas precisam que sejamos inteiros o suficiente para ensiná-las a voar com suas próprias, respeitando o espaço aéreo das demais.
O labirinto da mente humana pode revelar histórias muito mais curiosas, assustadoras ou surpreendentes do que imaginamos. Entre desvios de personalidade, manias, doenças degenerativas ou problemas de memória, confira 15 filmes que exploram os limites da psicologia:
Confira os melhores filmes que exploram transtornos psicológicos de formas surpreendentes
1- Psicose
Para quem gosta de psicologia, Norman Bates é um dos personagens mais interessantes para serem analisados em todo o cinema de Hitchcock. Bates é o gerente de um hotel na estrada, ao lado de sua mãe, que parece dominá-lo completamente. Quando uma criminosa aluga um quarto durante uma fuga, um assassinato abala o hotel e atrai a atenção da polícia.
Psicose (Psycho, Alfred Hitchcock, EUA, 1960, 109 min) Divulgação
2- Um Estranho no Ninho
Jack Nicholson é um criminoso que, para escapar da sentença, alega desequilíbrio mental e é internado numa instituição. Lá, ele percebe a situação degradante em que estão largados os pacientes, reféns da atitude abusiva de uma enfermeira-chefe, e decide tomar uma atitude para mudar a situação.
Um Estranho no Ninho (One Flew Over The Cuckoo’s Nest, Milos Forman, EUA, 1975, 133 min) Divulgação
3- O Silêncio dos Inocentes
Qual a melhor forma de compreender os passos de um serial killer, senão consultando outro serial killer? Essa é a missão de Clarice (Jodie Foster), uma agente do FBI que negocia com o prisioneiro Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) para que ele a ajude a prender outro assassino, que ainda está à solta. Lecter é um vilão culto e sofisticado que usa a psicologia para manipular os agentes ao seu redor, inclusive Clarice, e conseguir sua liberdade.
O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, Jonathan Demme, EUA, 1991, 118 min) Divulgação
4- Melhor é Impossível
Jack Nicholson vive um de seus papéis mais divertidos como o obsessivo-compulsivo Melvin, um homem sem amigos e cheio de manias que desenvolve uma amizade incomum com uma garçonete (Helen Hunt), que considera-o desprezível. Quando ela precisa largar o emprego para cuidar do filho, sua tranquilidade é abalada e ele precisa tomar uma atitude.
Melhor é Impossível (As Good As It Gets, James L. Brooks, EUA, 1997, 139 min) Divulgação
5- Gênio Indomável
Will (Matt Damon) é um jovem gênio, capaz de resolver problemas matemáticos complexos em minutos, mas que trabalha como zelador no instituto de matemática MIT. Arrogante e desconfiado, ele acaba encontrando alguém com quem pode se abrir no psicólogo Sean (Robin Williams). Durante suas sessões, ele começa a trabalhar em sua inteligência emocional, ao mesmo tempo em que ajuda o doutor a superar seus próprios problemas.
Gênio Indomável (Good Will Hunting, Gus Van Sant, EUA, 1997, 126 min) Divulgação
6- Clube da Luta
Edward Norton e Brad Pitt vivem dois opostos no clássico de David Fincher: um é acomodado, entediado e sem atitude, enquanto o outro é abusado, agressivo e criativo. Quando eles se encontram, decidem montar um clube de lutas underground para aliviarem o estresse com violência. Aos poucos, a história vai revelando uma complexidade psicológica muito maior.
Clube da Luta (Fight Club, David Fincher, EUA/Alemanha, 1999, 139 min) Divulgação
7- Amnesia
Depois de um evento traumático, Leonard (Guy Pearce) se tornou incapaz de formar memórias recentes. Já que sua última memória é a de sua esposa, que foi assassinada, ele decide desenvolver um sistema para tentar reunir as peças do seu passado e descobrir quem é o assassino.
Amnesia (Memento, Christopher Nolan, EUA, 2000, 113 min) Divulgação
8- Uma Mente Brilhante
Personagens esquizofrênicos já renderam grandes histórias no cinema, e uma das mais famosas é a do matemático John Nash, interpretado por Russell Crowe. Nash era um homem brilhante e arrogante, até receber uma missão do governo envolvendo criptografia. A partir daí, sua doença evolui e ele começa a confundir imaginação e realidade, alcançando níveis insuportáveis para sua família e amigos.
Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, Ron Howard, EUA, 2001, 135 min) Divulgação
9- Cisne Negro
Neste drama psicológico com uma pegada de thriller, Natalie Portman interpreta uma bailarina que conquista o papel principal na peça “O Lago dos Cisnes”. O desafio é maior, porém, porque ela precisa viver os dois cisnes – o branco e o negro. Para compreender a dualidade, ela começa a entrar em contato com seu próprio lado obscuro, enfrentando o professor abusivo, a mãe superprotetora e a rival sedutora.
Uma idosa, que cuida sozinha do neto e vem enfrentando os primeiros sintomas de Alzheimer, decide fazer um curso de poesia. Enquanto procura inspiração para seu primeiro poema, ela descobre que o garoto cometeu um crime e provocou o suicídio de uma colega. Tentando se manter forte e tomar as decisões certas, ela analisa as pessoas e o mundo ao seu redor, até finalmente encontrar sua resposta e seu poema.
Num dos filmes mais poderosos de Almodóvar, Antonio Banderas vive um cirurgião plástico obcecado por um projeto misterioso envolvendo a criação de uma pele sintética e uma cobaia humana, que ele mantém aprisionada dentro de casa. Aos poucos, descobrimos o passado desse médico e vamos compreendendo seus objetivos e motivações, que se revelam cada vez mais doentios.
A Pele que Habito (La Piel Que Habito, Pedro Almodóvar, Espanha, 2011, 120 min) Divulgação
12- O Lado Bom da Vida
Num plano geral, “O Lado Bom da Vida” pode ser descrito como um filme sobre pessoas julgadas como loucas, mas que na verdade sofreram traumas muito grandes e encontraram suas próprias formas de lidarem com eles. Bradley Cooper é Pat, um homem internado numa instituição psiquiátrica por tentar matar o amante da esposa. Quando ele é liberado e volta para a casa dos pais, conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher que também tem seus problemas e que o ajuda a reencontrar seu equilíbrio.
O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, David O’Russell, EUA, 2012, 122 min) Divulgação
13- Dentro da Casa
Um professor de francês (Fabrice Luchini), desmotivado pelas redações fracas de seus alunos, se encanta pelos textos de um garoto em particular, chamado Claude (Ernst Umhauer). Claude explora suas visitas à casa de um dos colegas para escrever narrativas extremamente detalhadas e emocionantes. O problema é que, apesar de muito bons, esses textos revelam um voyeurismo preocupante, que evolui diante dos olhos do professor.
Dentro da Casa (Dans La Maison, François Ozon, França, 2012, 105 min) Divulgação
14- Mommy
Um garoto-problema, uma mãe imatura e uma vizinha que parece querer compensar algum erro terrível do passado. É esse trio de personagens perturbados que Dolan comanda em “Mommy”, um filme sobre maternidade, boas intenções e suas consequências desastrosas. Quando o jovem Steve sai do internato, sua mãe Diane se esforça para sustentá-lo, mas a carência do menino torna sua vida muito mais difícil. As coisas parecem encontrar um equilíbrio quando a vizinha assume parte dos cuidados do garoto, mas, uma hora, a responsabilidade terá que voltar a cair nos ombros de Diane.
Julianne Moore vive uma professora de linguística de 50 anos com uma carreira respeitável, marido e três filhos. Um dia, ela começa a esquecer pequenas coisas, como palavras e lugares. Diagnosticada com Alzheimer precoce, ela mergulha numa angústia profunda, já que sabe que a doença não tem cura e evoluirá rapidamente, arrancando dela todo o orgulho e dignidade, junto com a consciência.
Para Sempre Alice (Still Alice, Richard Glatzer, Wash Westmoreland, EUA/França, 2014, 101 min) Divulgação
Estamos a meses do Natal, contudo já é possível passar os olhos pelas gôndolas dos supermercados e vitrines de lojas e encontrar neles artigos natalinos. Na internet há quem compartilhe fotos com placas contando os dias para a chegada do papai Noel. Faltam mais de sessenta dias para a data, no entanto parece que ela será em apenas dois. Por quê afinal estamos a tocar no tempo a ponto de antecipá-lo dessa forma?
Falar sobre o tempo é algo muito complexo, contudo procurarei dedilhar a questão aqui para que possamos juntos entender esse fenômeno de antecipação, tocando também em questões relativas à percepção do tempo de indivíduo para indivíduo.
Antes de qualquer ponderação filosófica sobre o tempo é inegável dizer que a antecipação de datas comemorativas existe, dentre outras coisas, para ampliar a margem de vendas e consequente lucro do mercado. Dessa forma durante mais de sessenta dias as pessoas se sentem tentadas e podem consumir sem restrições serviços e produtos destinados ao Natal.
Outra questão interessante é que essa antecipação também vem de encontro à necessidade urgente que grande maioria das pessoas têm de escapulir do presente. Ou seja, quando eu penso no Natal sou impulsionado ao futuro, vislumbrando o Natal que será, ao mesmo tempo em que sou remetido ao passado, ao relembrar os Natais já vividos.
E por que tantos tentam escapulir do presente? Essa é uma outra questão de larga abrangência filosófica (voltaremos a ela mais adiante), contudo agora ouso dizer que é por achá-lo enfadonho, desconcertante em vários aspectos e recheado de obrigações cotidianas que exigem uma atenção iminente.
Mas voltando ao tempo, vocês já perceberam a concepção que temos dele é variável de pessoa para pessoa? Também já notaram que a nossa percepção de tempo pode variar drasticamente de um momento para outro?
A ideia de tempo para nós humanos tem muito a ver com o conceito de “dispersão” e “concentração”. Dessa maneira, assim como a luz, que em meio líquido se desacelera, o tempo quando estamos concentrados no presente também parece passar mais devagar por nós.
Essa nossa concentração no presente não tem a ver com a ideia de executar atividades no presente, pois essas atividades podem remeter nossa percepção ao futuro e ao passado, tirando-nos do aqui e agora e fazendo com que as horas pareçam passar rápido. Dessa forma, diferente do que afirma Simon Grondin, psicólogo da Universidade Laval, no Canadá ao apontar que “o tempo voa quando você não está prestando atenção nele”, o mais universal, ao meu ver, seria dizer que “o tempo voa quando você não está concentrado no presente”.
Então no trabalho o tempo pode voar? Sim, quando fazemos tarefas que nos dispersem do presente, sejam elas quais forem. E na praia o tempo pode demorar a passar? Pode também, se nos focarmos no que acontece naquele instante.
Exemplificando de forma mais pontual: se duas pessoas estão caminhando na rua e uma delas encontra um “chato” e a outra um velho amigo e ambas iniciam um diálogo, por vontade ou não, a primeira pessoa terá a impressão de que o tempo passa mais devagar, enquanto que a segunda terá a sensação de que o tempo corre depressa demais. Isso acontece porque no primeiro caso a pessoa está presa ao presente, pensando no impasse o qual vivencia com plenitude naquele momento e no segundo caso a pessoa está a acessar mentalmente sua bagagem passada para tirar dela informações e experiências ao mesmo tempo em que acessa e compartilha boas possibilidades futuras. Ou seja, no segundo caso ela não está concentrada unicamente no presente.
É interessante mencionar que existem aqueles que afirmam que para crianças o tempo parece passar mais devagar enquanto que para pessoas idosas o tempo parece voar. Existe uma ideia difundida de que o tempo funciona dessa forma pela diferença no percentual que cada minuto representa para cada um deles, tendo como parâmetro o tempo de vida de uma criança e de um idoso. Contudo, eu acredito que a ideia de “concentração” e “dispersão” explica de uma forma mais ampla esse conceito.
Exemplificando. Para um idoso suas percepções estão em menor parte ligadas ao presente e em maior parte em suas memórias passadas. O futuro abre assim espaço para o passado. No caso de uma criança pequena é o inverso. Há nela pouco passado, um largo presente e uma pincelada de percepção de futuro. Idosos estão quase sempre imersos em boas lembranças do mundo e pessoas que o acolheram no passado, enquanto que crianças quase sempre estão integralmente atentas ao presente e em como tudo nele funciona. Dessa forma cinco minutos para uma criança realmente podem parecer uma eternidade, enquanto que para alguém que não está efetivamente no presente podem parecer um lapso.
Outra questão interessante com relação ao tempo é que nós adoramos dividir o tempo em marcos (anos, meses, dias, etc). Esses marcos, metaforicamente, fazem suportável uma experiência ruim. Então se meu presente não me agrada, busco nos marcos temporais expectativas para o futuro ou razões para rememorar o passado. Então quando olho e vejo placas anunciando o Natal, ao me manter fixo na ideia dessa data futura, tirarei a concentração de meu presente e logo mais o Natal estará a bater em minha porta.
Entender essa nossa ânsia pela antecipação das coisas torna clara a ideia de que o presente nos assusta. Afinal, é no presente que lastimavelmente nos tornamos conscientes de nossa natureza servil dentro de um sistema monetário e é nele também que ficamos cara a cara com a nossa mortalidade, contudo é importante não esquecer que é no presente que nossas experiências são tecidas, dessa forma é válido que fiquemos nele o tanto quanto pudermos.
O filósofo Blaise Pascal foi um dos que se aprofundou no estudo dessa nossa conturbada relação com o presente e é com as palavras dele, que finalizo esse texto.
“E quando, depois de haver encontrado a causa de todas as nossas infelicidades, quis descobrir-lhes a razão, achei que há uma muito efetiva, que consiste na infelicidade natural de nossa condição fraca e mortal, e tão miserável, que nada nos pode consolar, quando nela pensamos de perto (…) Daí amarem tanto os homens o ruído e a agitação”.
(Agradeço a Rodrigo Pavanello pela orientação filosófica)
Fiquei com receio de escrever a respeito, quando soube da escola de princesas que chegou em Belo Horizonte. Já chegou causando polêmica ao responder via Facebook que meninos não podem participar, nem se eles quiserem muito. Ué.
“Ah, mas qual o seu problema com a escola de princesas? Sua filha não ama princesas?”. Bom, minha filha ama princesas, não vou negar. Mas aqui a gente assiste Coragem, o cão covarde. Amamos os personagens de Guardiões da Galáxia. Gumball. A hora da Aventura (que tem a princesa Jujuba que é incrível). Piramos na princesa Merida, que é fora do padrão de princesas Disney e luta pela sua individualidade, sem aceitar se casar por obrigação. Outra princesa que é muito citada por aqui é a Mulan. Nem preciso dizer que ela vai pra guerra defender o pai idoso e luta bravamente pelo seu país. A Fiona sabe lutar, se casa com quem ela escolhe e é uma ogra. Opção não falta para deixar de lado o estereótipo Princesa/sofredora/a espera de um príncipe/querendo salvação.
A escola de princesas já passa a ideia de formar meninas delicadas, do jeitinho que o patriarcado adora. A insistência em dizer que as meninas são princesas só reforça a ideia do sexo frágil, de que existem coisas e atitudes específicas para cada gênero, e isso não é verdade. Uma pena é que as famílias e a sociedade condicionam as coisas como “de menino” e “de menina”. Um exemplo: a menina usa rosa não só por gostar da cor, mas, por que a cor “dos meninos” é azul.
O engraçado é que hoje em dia vemos mulheres ocupando diversos cargos que já foram exclusivamente masculinos. O que devemos nos questionar é: fixar essas características de gênero é uma atitude justa e sensata? Obrigar as meninas a seguirem um currículo definido como feminino é justo? E se a princesa quiser jogar futebol? Será que ela e as amiguinhas vão encarar isso como natural? Ela terá de se privar desses prazeres por ser menina? Futuramente isso irá prejudicar em sua formação. Ela poderá se transformar em uma mulher objeto, abjeta de opiniões e, até mesmo, frígida. Complicado.
“Feche as pernas, menina! Não senta assim. Menina não fala palavrão, menina não beija, assim você não arruma namorado! Quem quer uma mulher que curte futebol? Isso é pra chamar a atenção. Mulher que é Mulher sabe cozinhar e cuidar da casa.” Bobagem. Mas, é tudo isso que ensinam para as meninas. E ser diferente, significa que você não é uma princesa.
Adultos têm a preocupação de que as meninas sejam meninas e meninos sejam meninos. A verdade é que criança é criança e criança precisa brincar. Quem a preocupa com isso são os adultos que não querem crianças, querem miniadultos. Por que, né, em pleno 2015, inauguram uma escola que ensina a “se portar”, estética, matrimônio e afazeres domésticos. Isso não te soa sexista?
Independente do que os pais quiserem, a criança tem que se descobrir. Precisa ver o mundo fora da bolha cor de rosa com barbies ou bolha azul com carrinhos. Meninos e meninas podem e devem brincar com o que quiserem.
E essa ideia de divisão de gêneros, tarefas e gostos influencia os meninos também. O menino cresce solto, pode fazer o que quiser. E fazer o que quiser implica em dominar uma menina/mulher numa relação injusta de poder em que ela, tadinha, é Princesa… E princesa pode sair dos moldes de princesa? Ela pode lutar pelos seus direitos? Ela pode se impôr? A gente aprendeu que ser princesa é ser delicada e super certinha… queremos realmente reforçar isso?
Acredito que exista a intenção de afirmar o papel da mulher na sociedade. Como mãe, dona de casa, como dama. E quem foi que delimitou que somos apenas isso? Que ser mulher é ser x coisa?
Isso é horrível, é colocar na cabeça das nossas meninas que elas não podem ser nada além disso, que o papel delas não passa dali. É delimitar os seus sentimentos e vontades, é podar a imaginação. É padronizar. Tornar uma menina princesa soa cruel. Não que seja errado, caso ela queira ser princesa, sabe? Mas acho que essa escola ensina que elas só podem ser isso. E meninas podem ser princesas, astronautas, mecânicas… podem ser o que bem entenderem.
Nós podemos ser tudo e muito mais, pelo simples fato de sermos mulheres e podermos fazer o que quisermos. E acho que é isso que devemos ensinar para nossas meninas, não essa coisa boçal de ser princesa, com etiqueta, bons modos e falar até sobre matrimônio com… crianças!
Conheci uma menina que andava vestida que nem “menino” durante um bom tempo da infância até o inicio da pré-adolescência além de gostar de andar de skate e viver toda ralada (sdds época da Avril Lavigne). Mas, ao mesmo tempo, ela sempre gostou de cozinhar e fazer roupas pras as bonecas. Hoje ela é uma mulher que não anda sem maquiagem, mas que adora esportes radicais, porque não precisa se encaixar em padrão nenhum. Esse é um bom exemplo de que não existe preto no branco, personalidades são cinzas e formadas de experiências únicas.
Meninas podem ser o que quiserem. Meninos também. Deixem as meninas serem crianças! Mas se for a princesa Lea, podemos considerar essa possibilidade. 🙂
O documentário “TARJA BRANCA: A REVOLUÇÃO QUE FALTAVA”, dirigido por Cacau Rhoden (Brasil, 2013) nos insere de maneira inspiradora e criativa na pluralidade do ato de brincar e nos convida, a partir dos depoimentos de adultos de diferentes gerações, profissões e origens, a resgatar esse universo lúdico e vivencial presente na brincadeira.
O documentário começa apresentando diversas brincadeiras e depoimentos sobre o brincar. Nos mostra um pouco da cultura popular brasileira e da espiritualidade como manifestações da alegria em que se fala, por exemplo, em brincar carnaval, brincar maracatu, etc.
O ser brincante significa uma unidade que vivencia a conexão com seu eixo, sua essência. Aprofundar essa característica do brincar é aprofundar o humano de cada um. Nossa ancestralidade nos conecta com uma cultura indígena onde as crianças crescem com muita liberdade de experimentar através do corpo, da dança, da alegria e da Natureza uma educação diferenciada. A Alegria está contida em nosso povo e é reconhecida como característica do Povo Brasileiro. Olhar para nossa pátria assim é uma possibilidade de esperança!
Uma grande reflexão do filme é sobre o brincar como não apenas uma diversão. É algo tão sério que pode ser considerado uma revolução – principalmente para os adultos. O brincar, algo tão ancestral nosso, tão importante, tão intrínseco, tem sido subvertido ao longo dos séculos negativamente. Ganhou uma conotação de algo não sério, não tão importante, e considerado, às vezes, até de perda de tempo.
Mas afinal, o que é o brincar?
Essa palavra tem origem latina. Vem de vinculum que quer dizer laço e é derivada do verbo vincire, que significa prender, encantar. Vinculum virou brinco e originou o verbo brincar, sinônimo de divertir-se.
Brincar é natural para a criança. Atividade que a leva às descobertas da vida e onde se inicia a linguagem humana.
Quando uma criança brinca ela está conectada com seu interior, com seu corpo, ela é uma unidade brincante. Nesse momento ela está entregue a um estado de consciência que a liga a seu campo energético, ao seu eixo. O puramente mental coloca-se de lado e dá-se espaço para a linguagem da alma.A linguagem da alma é O BRINCAR!
O contato direto que a criança faz com essa pulsação da vida se manifesta na forma de alegria, nos olhos que brilham de prazer frente à vida que se revela, nos sorrisos e gargalhadas carregados de inocência e vitalidade.
O brincar possibilita a criança dar forma às suas ideias, fantasias e a compreensão do cotidiano de forma lúdica. Isso é estruturante para a construção da identidade desse Ser que, ao brincar, experimenta a vida que o cerca. Vivencialmente o brincante explora a Natureza, as sensações, constrói laços de amizade e cumplicidade com o entorno. Ou seja, brincando a criança dá sentido ao viver.
Como reforça Maria Irene Crespo Gonçalves, “o ato de brincar constrói, dá consciência, dá responsabilidade”.
A criança vem com um impulso curioso, um desejo de conhecer e explorar o meio que a cerca. É assim que começa a compreender o mundo interno e externo. Conforme brinca e explora, pode experienciar e nomear seus sentimentos. Conectar-se com o que há fora e dentro dela, aprender seus limites e suas potencialidades. Brincar possibilita então o vínculo e promove o autoconhecimento!
O brincar tem seu tempo e espaço próprio. Como dito acima, o brincar nada tem a ver com a racionalidade, ele pertence à esfera corporal e à Natureza. Portanto, a criança PRECISA interagir com as estações do ano, com as variações do clima, com a terra, com a água, com o ar. Privar uma criança disso é de certo modo uma violência, uma privação a livre experiência, ao aprendizado de um modo puro, pois inibe-se a linguagem natural, a manifestação do humano e, às vezes, a criatividade.
Brincar é o recurso que abre o portal da imaginação. E isso não vale somente para as crianças, mas para os jovens e adultos também.
Aqui temos uma questão bastante séria e importante: o TEMPO!
Numa sociedade agitada e materialista, o tempo e mais precisamente a falta dele, nos impõe uma vida e uma rotina muito acelerada. Nestas condições, muitos adultos ficam conectados apenas à instância mental ou racional, distanciando-se de suas próprias emoções, sensações e da Natureza. Somos treinados a realizar muitas tarefas, a ter bom desempenho no trabalho, a TER muitas coisas. Mas e nossa capacidade criativa, a alegria, o brincar, o SER, como ficam?
Muitas vezes, ficam espremidos, reprimidos e alguns adultos (e crianças!), buscam resgatar essa conexão interior através de recursos como: meditação, yoga, terapia. Segundo Maria Amélia Pereira, terapia e escola têm função nesta vida moderna de resgatar a vida humana aprisionada. São crianças aprisionadas em carteiras, entupidas de conteúdo, privadas da imprevisibilidade da vida que o brincar contém!
Como diz Maria Amélia Pereira, “nós somos uma resposta ao universo”. Ao nascer temos um potencial integral para a revelação de quem nós somos. Porém, a socialização e a educação reprimem partes desse potencial em prol daquilo que uma determinada cultura e sociedade acredita que seja o caminho a seguir.
Assim, ganha-se a internalização das regras para um bom convívio social, mas corre-se o risco de perder a conexão com a criatividade, com esse impulso de vida natural, com a alegria e até com o ato de brincar! São crianças e adultos duros, agitados, com pouco senso de humor, entristecidos ou ansiosos.
Temos uma ideia que o brincar não combina com a aprendizagem. Tememos que, se a criança somente brincar, ter liberdade para fazer aquilo que a realiza ela não vai ser nada na vida. E assim, muitos pais e educadores, mesmos que bem intencionados, bombardeiam os pequenos com mil atividades extracurriculares, destinadas a cumprir um curriculum que inclui esportes, línguas, kumon, etc. Projeta-se a vida para o futuro, para o vestibular, para a profissão.
Nesta direção, o brincar livre e a possibilidade de viver a experiência estão ameaçadas pela falta de tempo atual, pela necessidade dos pais de tentar proteger suas crias da frustração e do contado com seus sentimentos. Se a criança vive a liberdade de experimentar suas possibilidades, ela descobre seus limites por si mesma. Cabe ao adulto estar ao lado e falar a língua da criança, ou seja, ter uma postura que possibilite a experiência. E isso significa dar a ela o seu TEMPO. Respeitar a singularidade do desenvolvimento de cada indivíduo. Dar a elas tempo para brincar com seus brinquedos ou simplesmente para não fazer “nada”.
Segundo o sociólogo e filósofo italiano Domenico De Masi, devemos nos atentar que não fazer nada e ócio criativo são diferentes. “Espero que o ócio criativo não seja confundido com não fazer nada. Hoje, ócio criativo significa trabalhar, se divertir e aprender”, diz ele.
O nosso lado lúdico pode nos transformar! Pois brincar é em si mesmo. E “a criança que brinca é uma criança animada. A alma está ali presente!” (Maria Amélia Pereira).
Mas, como podemos usar o instinto lúdico na nossa vida? Indo atrás da felicidade, do seu próprio desejo, isso é o brincar. Quando pensamos assim, vamos além do contato interior com nossa criança. Podemos pensar sobre como gastamos nosso tempo e se estamos verdadeiramente conectados conosco. Porque ao estarmos ligados nesse eixo temos tempo para nos ouvir, para criar, viver o presente sem tantos medos e ansiedades. Ter um pouco mais de HUMOR, rir de si, usufruir da dança, da cultura popular de nosso país e de nossa alegria!
Essa criança interna que habita em você pode estar adormecida, esquecida, mas pode e deve ser resgatada para uma vida mais feliz, com mais humor e com menos remédios.
Convivemos com a medicalização para não entrar em contato com sentimentos, com a ansiedade, a tristeza e a mágoa, etc. A capacidade de nos frustrar está muito reduzida. Mas, evitar tais sentimentos é nos privar de um pedaço de nós. O documentário ganhou o nome “Tarja Branca” justamente inspirado nesta questão.
Mas, é nesse momento de repressão do brincar puro que podemos ter justamente a oportunidade de enxergar sua importância! Podemos pensar que uma mudança de paradigmas já começou. Nela a escola seria um grande laboratório de experiências, reflexões e vínculos. Uma alfabetização social, onde a informação não é conhecimento, e sim, a experiência, onde o tempo de cada um é valorizado.
Seria entender que todo adulto contém dentro de si uma criança e que ele pode sim, mantê-la viva conectando-se com seu eixo, com o brincar nesse sentido de vínculo e de alegria. Brincar é o combinar das potencialidades humanas, da ancestralidade, do COLETIVO mas, o resultado dessa mistura é puramente PESSOAL!
Assim, como diz a pedagoga Maria Amélia Pereira:
“Brincar é usar o fio inteiro de cada ser. Quando você está usando o seu fio inteiro da vida, você está brincando. Só quando você vai inteiro para fazer algo, o resultado é verdadeiro. Assumir a experimentação e a brincadeira como práticas constantes na nossa vida e o papel de protagonistas do reencantamento do mundo é de uma coragem que requer muita simplicidade e coração de criança. A alegria e as percepções afetivas da vida só são possíveis quando a gente brinca. Brincar é mostrar ao mundo que você está por inteiro”.
Que as sementes que a reflexão que esse documentário nos traz, floresçam em cada um de nós e possibilite um encontro com a própria criança interior, com nosso fio de vida inteiro e com a alegria de viver. Afinal, brincar é coisa séria!
Se você quer saber mais sobre como foi nossa discussão, assista o vídeo com os comentários na íntegra:
Este texto foi produzido pela Comissão Organizadora do Cine Sedes Jung e Corpo com base nas reflexões realizadas durante o evento realizado em Agosto de 2015, com os comentários da Professora e Psicóloga Junguiana Maria Irene Crespo Gonçalves e da Pedagoga Maria Amélia Pereira (Péo).
A reprodução no site Conti outra é autorizada.
O Cine Sedes Jung e Corpo é uma atividade extracurricular do curso Jung e Corpo: Especialização em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo.
É um evento gratuito e aberto ao público geral organizado pelos professores do curso em conjunto com ex-alunos e ocorre todas as últimas sextas-feiras dos meses letivos do curso.
Aos 7 anos, T. convenceu seus pais, profissionais liberais de Belo Horizonte, a demitir duas empregadas domésticas. O motivo alegado: elas batiam nele. As duas negaram as agressões, mas o menino chegou a apresentar uma marca roxa no braço. Um ano depois, nova queixa sobre outra empregada. Revoltado, o casal decidiu colocar câmeras escondidas. O que viram foi uma surpresa: T. era o agressor, com pontapés e atirando brinquedos. No fim de uma semana, perguntaram se a empregada havia batido nele novamente. Choroso, T. respondeu que havia sido surrado na cozinha – onde as imagens não mostravam nada. Diante das sucessivas mentiras, foi castigado.
Três anos depois, reincidiu. Com os pais já separados, adquiriu o costume de tirar dinheiro da carteira dos dois, dizendo ao pai que era a mesada da mãe, e vice-versa. Os pais só descobriram a farsa durante uma discussão sobre dinheiro. Pouco antes, uma empregada fora mandada embora da casa da mãe depois do sumiço de R$ 50. T. disse que a vira pegar a nota. Diante disso, os pais concluíram que o menino precisava de tratamento. Poucas sessões depois, o diagnóstico foi duro: ele apresentava o chamado transtorno de conduta, nome formal para a velha “índole ruim”.
“Não é fácil a sociedade aceitar a maldade infantil, mas ela existe”, diz Fábio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa, no Rio de Janeiro. Ele explica que a criança ou adolescente que tem essa patologia pode se transformar, na vida adulta, em alguém com a personalidade antissocial – o termo usado hoje em dia para o que era chamado de psicopatia. “Essas crianças não têm empatia, isto é, não se importam com os sentimentos dos outros e não apresentam sofrimento psíquico pelo que fazem. Manipulam, mentem e podem até matar sem culpa”, diz Barbirato. Por volta da década de 70 do século passado, teorias sociais e psicanalíticas tentaram vincular esse comportamento perverso à educação e à sociedade. Nos últimos anos, porém, os avanços da neurologia sugerem a existência de um fenômeno físico: imagens mostram que, nas pessoas com personalidade antissocial, o sistema límbico, parte do cérebro responsável pela empatia e pela solidariedade, está desconectado do resto.
Um obstáculo para o tratamento de crianças com sinais de transtorno de conduta é o próprio tabu da maldade infantil. O senso comum afirma que as crianças são inocentes – uma crença que resulta da evolução histórica da família. Até o século XVII as crianças eram consideradas pequenos adultos e muitas nem sequer eram criadas pelos pais. No século XVIII, isso mudou. A família burguesa fechou-se em si mesma, dentro de casa. O lar virou um santuário e a criança o centro dos cuidados e das atenções. Foi o nascimento do sentimento de infância, dentro de um grupo que agora tinha como laços o afeto e o prazer da convivência. Se a criança é o eixo do sentimento moderno de família, ela não pode ser má. Eis o tabu. Criança, aparentemente, não pode ser vilã.
As escolas, porém, desmentem isso: elas costumam ser o palco diário das maldades das crianças com transtorno de conduta. A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do best-seller Mentes perigosas, diz que crianças e adolescentes com esse distúrbio costumam estar por trás dos casos mais graves de bullying. Em maio, ela lançará Bullying – Mentes perigosas nas escolas, com foco na maldade infantil. “É típico do jovem com transtorno de conduta saber mentir e manipular para que os outros levem a culpa”, afirma. Barbirato faz uma ressalva. “Pequenas maldades e mentiras são absolutamente comuns na infância. De cada 100, cerca de 97 têm comportamento normal e, ao amadurecer, saberão diferenciar o certo do errado e desenvolverão a empatia”, diz.
Mas, e os 3% que faltam? Serão obrigatoriamente personalidades antissociais na vida adulta, seres sem empatia? Os especialistas são taxativos ao afirmar que não se cura transtorno de conduta. Ele será, no máximo, amenizado se tratado a tempo e houver sempre algum tipo de vigilância. Na maior parte dos casos, porém, isso não acontece. E o resultado de ninguém ter notado esses sinais durante a infância aparece de forma trágica. “Essa criança poderá ser um político corrupto, um fraudador, até um torturador físico ou emocional, chegando a um assassino em série”, diz Ana Beatriz.
Os especialistas afirmam que não se cura
transtorno de conduta, mas ele pode ser amenizado
Há um tempo foi noticiado um caso extremo ocorrido na Pensilvânia, Estados Unidos. Jordan Brown, de apenas 11 anos, deu um tiro na nuca da namorada do pai, grávida de oito meses. O menino chegou a conseguir enganar a polícia dizendo que uma caminhonete preta havia entrado na propriedade da família. Mas a arma foi encontrada em seu quarto. A polícia não entendeu a motivação do crime. “Há casos em que a explicação é simplesmente uma curiosidade mórbida”, afirma Ana Beatriz. “Todos nós, quando pequenos, temos essa curiosidade. Mas, por volta de 4 ou 5 anos, começamos a ter a percepção do outro. O que não acontece com quem tem o transtorno de conduta.” A falta de tratamento dessas crianças é, muitas vezes, consequência da ignorância ou da falta de recursos. Mas não só. A estrutura familiar de hoje, com pais trabalhando fora o dia todo e com tendência a dar poucos limites aos filhos, favorece o desenvolvimento do transtorno de conduta. Qualquer criança que não é repreendida pelo pais sobre seus erros tende a crescer pouco civilizada. Se ela tem uma tendência antissocial, não haverá amarras para esse comportamento.
O relato de um psiquiatra do Rio Grande do Sul mostra quanto é difícil pais assumirem a necessidade de tratamento dos filhos. Em 2008, ele teve como paciente R., de 11 anos. A menina colocara fogo na mochila de uma colega de turma. Repreendida por professores e pais, teve como reação apenas rir. No ano anterior, fizera o mesmo com o rabo do cachorro de uma prima. Questionada, disse apenas que a prima não merecia ter um cachorro. Durante o tratamento, R. afirmou ao psiquiatra que não nutria nenhum sentimento especial em relação aos pais.”Ela tinha um olhar frio e uma ironia extremamente precoce para sua idade. Não sentia culpa. R. me tratava como um empregado”, diz o psiquiatra. Depois de um ano de tratamento, os pais acharam que ela estava melhor e poderia interromper as sessões. “Ela os manipulou – e disse a mim, explicitamente, que fingiria estar melhor e conteria seus atos. Contei a eles, mas não acreditaram em mim”, afirma. R. jamais voltou a seu consultório.
Matéria publicada pela Revista Época e adptada pela Conti outra.
Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho — e isso quem diz é um estudo da Universidade de Auckland, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.
Até agora, estudos sobre relacionamentos costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.
Segundo a psicóloga, existem duas maneiras de construir relacionamentos: buscando intimidade ou evitando conflitos. Enquanto pessoas do primeiro grupo buscam oportunidades de tornar os vínculos mais intensos e se sentem mais satisfeitas quando estão comprometidas, aquelas que preferem evitar desentendimentos ou brigas costumam ser mais felizes solteiras.
Em contrapartida, explica a autora, estar solteiro aumenta a possibilidade de melhorar a relação com parentes e amigos e de dedicar-se a hobbies, à carreira e a outras atividades que podem proporcionar bem-estar. “Embora ainda exista pressão para você namorar ou casar, a solteirice está se tornando cada vez mais comum e nem sempre é sinônimo de insatisfação ou tristeza”, diz Girme.
2015 será lembrado como o primeiro ano da série histórica no qual a riqueza de 1% da população mundial alcançou a metade do valor total de ativos. Em outras palavras: 1% da população mundial, aqueles que têm um patrimônio avaliado em 760.000 dólares (2,96 milhões de reais), possuem tanto dinheiro líquido e investido quanto o 99% restante da população mundial. Essa enorme disparidade entre privilegiados e o resto da Humanidade, longe de diminuir, continua aumentando desde o início da Grande Recessão, em 2008. A estatística do Credit Suisse, uma das mais confiáveis, deixa somente uma leitura possível: os ricos sairão da crise sendo mais ricos, tanto em termos absolutos como relativos, e os pobres, relativamente mais pobres.
No Brasil, a renda média doméstica triplicou entre 2000 e 2014, aumentando de 8.000 dólares por adulto para 23.400, segundo o relatório. A desigualdade, no entanto, ainda persiste no país, que possui um padrão educativo desproporcional, e ainda a presença de um setor formal e outro informal da economia, aponta o relatório.
Em O Preço da Desigualdade, um dos últimos livros de Joseph E. Stiglitz, o Nobel de Economia utilizou uma poderosa imagem da Oxfam para ilustrar a dimensão do problema da desigualdade no mundo: um ônibus que por ventura transporta 85 dos maiores multimilionários mundiais contém tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial.
Hoje, essa impactante imagem, plenamente em voga, ganha a companhia de outras que deixam latente a crescente desigualdade entre os privilegiados e o resto do mundo: um de cada 100 habitantes do mundo tem tanto quanto os 99 restantes; 0,7% da população mundial monopoliza 45,2% da riqueza total e os 10% mais ricos têm 88% dos ativos totais, segundo a nova edição do estudo anual de riqueza publicado na segunda-feira pelo banco suíço Credit Suisse, feito com dados do patrimônio de 4,8 bilhões de adultos de mais de 200 países.
O que causou esse novo aumento da disparidade? A entidade financeira aponta a melhora dos mercados financeiros: a riqueza dos mais ricos é mais sensível às subidas de preço de ações de empresas e outros ativos financeiros que a do restante da população. No último ano, os índices de referência dos mercados das principais bolsas europeias e norte-americanas, o Eurotoxx 50 e o S&P 500, subiram mais de 10%.
Outro dado dá base à tese do aumento da desigualdade: ainda que o número dos muito ricos (aqueles que têm um patrimônio igual ou superior aos 50 milhões de dólares [195 milhões de reais]) tenha perdido aproximadamente 800 pessoas desde 2014 por conta da força da moeda norte-americana frente ao resto das grandes divisas, o número de ultrarricos (aqueles que têm 500 milhões de dólares [1,95 bilhão de reais]) ou mais aumentou “ligeiramente”, segundo o Credit Suisse, para quase 124.000 pessoas. Nem sequer o ajuste pela taxa de câmbio é capaz de neutralizar o aumento. Por país, quase a metade dos muitos ricos vive nos EUA (59.000 pessoas), 10.000 deles vivem na China e 5.400 vivem no Reino Unido.
Com esses dados, não é de se estranhar a satisfação mostrada na segunda-feira pelo responsável pela Gestão de Patrimônios do Credit Suisse para a Europa, o Oriente Médio e a África, Michael O’Sullivan: seu negócio não deixou de crescer desde o estouro da maior crise desde a Segunda Guerra Mundial. “Nossa indústria está em pleno crescimento, a riqueza seguirá com sua trajetória de subida”. Suas previsões não podem ser mais eloquentes. O número de pessoas com um patrimônio superior a um milhão de dólares (3,9 milhões de reais) crescerá 46% nos próximos cinco anos, até chegar aos 49 milhões de indivíduos.
Toda a riqueza mundial em seu conjunto, por outro lado, crescerá até 2020 um robusto, mas inferior, índice de 39%. Na Espanha, o número de pessoas com patrimônio superior a um milhão de dólares (3,90 milhões de reais) chegou em 2015 a 360.000 pessoas, 21% a menos do que no mesmo período em 2014. A Espanha é o nono país que mais perdeu milionários no último exercício. Da mesma forma que o restante da zona do euro, a evolução é distorcida pela fragilidade do euro frente à moeda norte-americana.
A classe média chinesa já é a mais numerosa do mundo
A China, o melhor expoente dos anos dourados dos emergentes que começam a chegar ao seu fim, já é o país do mundo com mais pessoas na classe média. Segundo o relatório anual de riqueza mundial do Credit Suisse, 109 milhões de moradores do gigante asiático têm ativos avaliados entre 50.000 e 500.000 dólares –195.000 a 1,95 milhão de reais–, a categoria estabelecida pelo banco suíço. Essa quantidade equivale à renda média de quase dois anos e oferece uma proteção “substancial” contra a perda de emprego, uma queda brusca na entrada de rendimentos ou um gasto de emergência.
Ainda que a distribuição de renda na China esteja muito distante de ser igualitária, a expansão da classe média seguiu um caminho paralelo à evolução de sua economia: com um crescimento maior – o gigante asiático cresceu dois dígitos em oito dos últimos 20 anos e se transformou na imagem do milagre emergente – mais pessoas entram na classe média. Em 2015, o Estado asiático superou os EUA (92 milhões) como o primeiro país em número de pessoas na classe média. O Japão (62 milhões de habitantes na classe média), a Itália (29 milhões), a Alemanha (28 milhões), o Reino Unido (28 milhões) e a França (24 milhões).
Diferenças regionais
Por região, 46% da classe média mundial vive na Ásia-Pacífico; 29% moram na Europa, berço do Estado de bem-estar social, e 16% na América. Em termos relativos, por outro lado, a América do Norte – com os Estados Unidos e o Canadá na liderança – aparece como o maior expoente da classe média, com 39% dos adultos dentro dessa faixa, seguida pela Europa, onde um em cada três maiores de idade são classe média. A proporção desaba na América Latina (11%) e na Ásia-Pacífico, a região mais povoada do globo e na qual somente um em cada 10 habitantes está dentro da categoria estabelecida pelo Credit Suisse.
Segundo os números da entidade financeira, 664 milhões de pessoas em todo o mundo podem ser consideradas de classe média, somente 14% da população adulta global. Dessa cifra, 96 milhões de pessoas (2% do total), têm uma riqueza avaliada em mais de meio milhão de dólares (1,95 milhão de reais).
Na imagem de capa: Vista aérea da Villa Certosa, a mansão de Silvio Berlusconi na Sardenha. / GTRES
Amanda acaba de chegar do trabalho e com pressa, corre de um quarto ao outro procurando seu vestido e seus sapatos para o coquetel anual de fim de ano na empresa em que trabalha. Com a ilusão de que este ano Francisco irá acompanhá-la, ela termina de se arrumar, mas os minutos passam, já é hora de ir e Francisco ainda não chegou. Ela decide sair, pois não quer chegar atrasada. Já na reunião, ela recebe uma mensagem de Francisco: “Acabei de chegar em casa e estou exausto, aproveite a sua noite.”
Esta é uma história que entre eles já se repetiu uma ou outra vez. Praticamente nunca saem juntos. Tudo começou anos atrás, quando Amanda começou a sair sozinha porque Francisco não gostava muito de encontros sociais. No entanto, nas reuniões de família também é óbvia a distância e afastamento entre os dois. Em um dia normal Amanda geralmente chega primeiro em casa, ela nunca espera Francisco para jantar e quase nunca espera acordada.
Na noite do coquetel, enquanto todos os colegas de trabalho de Amanda chegavam à festa acompanhados por seus cônjuges, uma sensação de melancolia e solidão a invadiu. Ela pensou no quanto amava Francisco e desejava de todo coração que ele estivesse lá com ela naquele momento. Na reflexão profunda daquela noite ela compreendeu que os dois eram responsáveis pela frieza e indiferença entre eles. Decidida a não deixar o amor entre eles morrer, ela voltou para casa nessa noite quase imediatamente. Ao chegar, Francisco ainda estava acordado assistindo televisão. Ele ficou surpreso ao vê-la e perguntou a ela o que aconteceu e por que ela havia voltado tão cedo. Amanda ficou em silêncio enquanto trocava de roupa e silenciosamente repassava a melhor forma de abordar a questão. Inesperadamente algo facilitou as coisas para ela. Francisco falou da sala: “De qualquer forma, estou feliz por você estar aqui.”
Por que o amor morre?
Quase sempre o amor acaba por pequenos detalhes que acabam por se tornar fortalezas intransponíveis, difíceis de destruir. Leia abaixo quais são esses comportamentos e o que você pode fazer.
1. Não solucionar as diferenças a tempo
A oportunidade para resolver pequenos dilemas do cotidiano é fundamental para evitar grandes conflitos que geram ressentimento.
Nunca deixe que o dia termine sem resolver diferenças, problemas, pequenas situações cotidianas. O que normalmente acontece é que às vezes o casal decide não se desgastar ou foge para evitar uma discussão. No entanto, quando um grande problema surge, vêm à tona todos os desacordos não resolvidos e é aí que as discussões desencadeiam conflitos de grandes proporções que, eventualmente, vão matando o amor.
2. Aceitar comportamentos que são prejudiciais para a relação
Quando uma das duas partes do casal assume comportamentos que vão contra o relacionamento, e o outro aceita passivamente, a mágoa é imediata. No caso de Amanda, que decidiu ir às reuniões sociais sozinha porque Francisco não gostava delas. Minha sugestão é que cheguem a acordos, mas evitem a distância a todo custo. Na história encontramos outro claro exemplo desses comportamentos: Amanda sempre jantava sozinha e não esperava seu marido acordada. Provavelmente Francisco chegava tarde, o que favorece o comportamento de Amanda; no entanto, o casal deve combater tais situações, seja à procura de outros espaços para compartilhar ou chegar a acordos sobre o que é saudável para a estabilidade do casamento e, especialmente, para manter o amor intacto.
3. Deixar de expressar o amor fisicamente
A distância emocional nasce no plano físico, se o casal começa a se afastar fisicamente, a afeição já não é expressa através de abraços e beijos, o amor também começa a morrer. Na maioria dos casos, quando isso ocorre por longos períodos de tempo, é muito difícil de quebrar o gelo para iniciar o contato novamente, então não permita que isso aconteça. Outra coisa importante são as palavras carinhosas, nunca deixe de expressar ao seu cônjuge, com palavras especiais, o quão importante ele é para você.
4. Esquecer as datas especiais
E não apenas datas especiais, mas minimizar tudo o que é importante para sua pessoa amada. Enquanto a pessoa dentro do casamento deve tender a cuidar de sua própria identidade, há um espaço no qual é criada a identidade do casal. E essa identidade dever ser construída a partir de coisas que os unem e identificam como casal. Leia neste artigo algumas ideias românticas para ajudá-lo na sua tarefa de manter o amor em seu casamento.
5. Cair na monotonia
Um compromisso da vida de casado é reinventar-se como individuos e como casal. Monotonia é letal para o amor e, enquanto estes períodos de tédio e apatia vêm, é necessário não permitir que eles se acomodem entre os dois.