Familiares tóxicos: como podemos nos defender?

Familiares tóxicos: como podemos nos defender?

Não podemos simplesmente cortar uma relação com um familiar. Ele é “sangue do seu sangue”, e a situação é complicada. Se você não quer ser manipulado, defenda-se e imponha limites. Informar sobre quem você é, como você é e o que você quer não é ser egoísta, é ser sincero.

Todos nós temos alguém na nossa família com estas características. Pessoas que só pensam em si mesmas e que nos manipulam, que brincam com nossas emoções. Situação complicada, pois normalmente mantemos laços estreitos com elas. Mas, o que podemos fazer, nesta situação?

Familiares tóxicos, quando a família nos sufoca

Ter familiares tóxicos em nosso círculo pessoal pode afetar severamente a nossa qualidade de vida. Por exemplo, se tivermos um amigo manipulador e com tendências egoístas e interesseiras, sempre poderemos terminar com essa amizade para estar melhor, ter o nosso equilibro e a integridade necessária. Mas, o que acontece quando a pessoa manipuladora é, por exemplo, a nossa mãe, nosso irmão ou inclusive nosso marido? Não é a mesma coisa, e todos nós entendemos isso.

Não é tão simples cortar a relação com um irmão, uma mãe ou uma sogra. É uma situação complexa e difícil onde estão envolvidas muitas emoções e sentimentos. Eles são parte da nossa rede de relações e é complicado separar um vinculo assim, mas há muitas pessoas que decidem terminar o relacionamento pela sua própria saúde. Há momentos em que as relações intensificam-se, e é quando esses familiares tóxicos chegam a atentar severamente contra o nosso próprio equilibro emocional.

Um exemplo disso são os pais que não permitem que escolhamos livremente nosso parceiro. Que recriminam as nossas amizades e as nossas relações. Todos nós temos o direito de errar, porém eles nunca podem nos proibir ou nos punir. Imagine, por exemplo, alguns irmãos, irmãs ou primas que sempre estão nos exigindo coisas ou esfregando em nossa cara aspectos que nos prejudicam e ferem. O que podemos fazer? Como devemos agir?

1. Estabeleça limites, você sabe o que quer e o que não pode permitir.

Vamos ver primeiro um exemplo: você vai visitar os pais do seu companheiro e lhe servem um prato apimentado demais. Você não gosta de comida apimentada e passa mal, entretanto, para não chamar a atenção e não ofender ninguém, prefere não dizer nada e comer. A partir daí, toda vez que você for visitar seus sogros, eles continuaram a servir o mesmo prato até que, de repente, você não tenha mais escolha e revele a todos “que a comida apimentada faz mal para você”. O mais provável é que lhe respondam: E por que não disse isso antes?

Bom, é apenas um simples exemplo. Uma forma de entender que sempre temos que dizer o que podemos e o que não podemos aceitar. Se você não puder fazer compras com a sua mãe ou a sua irmã todas as tardes, avise isso a ela. Se você não gostar que lhe digam como educar aos seus filhos, fale. Se você não quer ser manipulado, defenda-se e coloque limites. Levante a voz para informar sem punir. Para se defender sem atacar. Fale sempre com respeito e o máximo carinho para não destruir nenhum vínculo, simplesmente deixe claro quem você é e como é que você quer as coisas não é ser egoísta, é ser sincero.

2. Aprender a ser assertivo e evitar ser complacente

Às vezes não queremos ferir os sentimentos dos nossos familiares e guardamos muitas coisas que gostaríamos de dizer. Pais ou avós que reclamam por estarem sozinhos, quando na realidade os atendemos sempre que podemos. Irmãos que dizem que não os apoiamos como deveríamos. Temos que tentar ser assertivos e, com respeito e carinho, sempre dizer a verdade: “Venho sempre que possível e você sabe que, caso precisar de alguma coisa, pode me ligar”. “Você sabe que eu sempre apoiarei você em tudo, mas não posso ir além das minhas possibilidades”. “Neste momento também estou passando por uma situação difícil e você tem que entender”. Mostre sempre sinceridade e proximidade, mas diga em voz alta a verdade sobre o que você sente e precisa, fale do que você pode fazer e o que não pode. Destaque que você também tem necessidades que devem ser respeitadas.

3. Apoiar incondicionalmente a família, mas cuidando sempre de nossa integridade

A família em primeiro lugar, isso nós sabemos, mas da mesma forma que é o mais importante na nossa vida, se nos machucarem ou prejudicarem também a família também pode ser o mais destrutivo em nossa existência. Existem pessoas que sofreram abuso ou maltrato na infância. Manter uma relação familiar cordial com esses membros nunca será possível e isso está claro. O essencial é cuidar sempre da sua autoestima, ser uma pessoa madura, equilibrada e com a necessidade de ser feliz todos os dias. Se alguém da sua família o ferir, será melhor se distanciar e afastar para recuperar a integridade, o autoconceito e a tranquilidade.

Todos nós sabemos que as relações familiares nunca são fáceis, mas temos que tentar conviver em harmonia. Se existirem excessivas manipulações e muito egoísmo por parte desses membros, ao final, o tratamento deverá ser o justo. Sabemos que a família é uma parte essencial do nosso ser, da nossa identidade e raízes, mas se essas raízes tiverem muitos espinhos e somente causarem sofrimento, deveremos nos afastar um pouco. Defenda-se, cuide-se, diga o que você é capaz de aceitar e o que não admitirá. Ame a sua família, mas acima de tudo, ame a si mesmo.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Pra que complicar? Vamos logo ao “amai-vos uns aos outros”.

Pra que complicar? Vamos logo ao “amai-vos uns aos outros”.

Há pessoas que provocam amor nas outras. Já viu? Elas estão por aí, resistindo. Conspirando. Em meio a tanto espírito de porco arrumando briga, plantando cizânia, caçando enguiço, tem gente que desperta bons sentimentos nos outros. Gente que, em vez de criar encrenca, inventa um jeito de construir afeto, gerar ternura, produzir beleza, desarrumar a cara feia do mundo.

Essa gente tem o cuidado de se importar com os outros. No bom sentido. Acha que “se importar” não é seguir o manual de instruções alheio, amarrar-se às expectativas de quem está por perto. Tampouco é querer agradar a todos ou caminhar como piolhos pela cabeça dos outros. Esse é o mau sentido da expressão. Quem se importa no bom sentido é o sujeito que tenta, com toda ousadia que lhe cabe, dar um jeito nas coisas.

São aqueles que ainda dizem “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “com licença”, “por favor”, “obrigado”. Aqueles que pedem desculpas quando necessário, oferecem e agradecem mais do que solicitam. Pessoas que doam seu tempo para fazer o do outro melhor e, sem querer, transformam o seu próprio prazo de validade na vida em uma aventura bela, honesta e emocionante. Gente que não precisa ser alegre a todo instante, que conhece a tristeza e acredita que felicidade se constrói com trabalho e empenho em nosso dia depois do outro.

Provocam amor nas pessoas aqueles que sabem fazer silêncio em meio a tanto barulho. Que telefonam aos seus não só quando é aniversário, mas que também quase nunca esquecem as datas importantes. Gente que compartilha textos nas redes sociais depois de fazer um pequeno esforço para verificar e incluir o nome dos autores nas postagens, caso alguém queira saber mais sobre eles. Gente que, nas academias de ginástica, limpa os aparelhos depois de usá-los. Cidadãos que, nas praças de alimentação dos shoppings, recolhem suas próprias bandejas depois da refeição e as levam até o lixo, em vez de esperar as moças da limpeza fazerem esse trabalho por elas.

Essas almas provocam amor nas outras. Porque são tomadas de atitudes amorosas. Um ser humano nesse estado é voluntarioso, disposto ao trabalho, afeito a atitudes generosas. Que venham os problemas. Soltem as feras, tragam as cobras cuspindo veneno. Libertem os enxames de mamangavas! Quem tem amor encara tudo sem medo de nada.

A educação, a vontade de ajudar, os bons modos, a honestidade, a gentileza, o respeito e todos os outros nomes do amor resistem dentro delas, convivem em festa e vivem escorregando para fora. Espirram em nossa cara pálida de transeuntes que passam com pressa, andando para lá e para cá, correndo para cima e para baixo, alheios e tocados de pânico, ora buscando, ora fugindo.

Atônitos, passamos rápido como trens que não saem dos trilhos e não olham dos lados. Atropelamos o que vier ià frente. Então vêm as pessoas que provocam amor, nos jogam nos braços um sentimento poderoso, sob a forma de um gesto simples, e detêm nosso trote desesperado. Com força, firmeza e doçura, descem da superfície e nos chegam ao fundo dos olhos.

Vira e mexe, um raminho verde e frágil dá a cara tímida rumo ao céu e ao sol por entre as rachaduras do asfalto duro de nossos dias, aproveita o vacilo dos maldosos e escapa pelos flancos, como os sorrisos que fogem de uma cara carrancuda. Saem feito passarinhos de gaiolas enferrujadas, deixando para trás a dor, o claustro e o sofrimento. Graças àqueles que provocam amor na gente. De repente alguém sorri. E o faz porque outro alguém arrancou-lhe de seu lá dentro um riso leve, trancafiado e esquecido sabe Deus desde quando.

Procure. Em algum lugar ao seu redor, um ser tomado de ousadia está tramando um carinho. Desaforado que só, está fugindo à regra dos mal amados, fazendo uma gentileza a um desconhecido. Olhe ao redor. Tem alguém querendo provocar amor em você. Revide. Devolva. Responda com afeto. Dá trabalho. Mas é o que nos cabe. Odiar é fácil. Difícil é provocar amor na gente.

Sobre quando a vida afetiva é um fracasso

Sobre quando a vida afetiva é um fracasso

Todos conhecemos alguém que tem sérios problemas na esfera dos relacionamentos amorosos – na pior das hipóteses, você é essa pessoa.

Vira e mexe está “apaixonado”, extremamente obcecado por alguém (que muitas vezes nem sabe de sua existência). Dia a dia busca informar-se mais sobre os gostos e planos da pessoa, alimentando fantasias nas quais junto a ela desfruta todos estes prazeres – chegando a pensar em quantos filhos terão, onde morarão e coisas mais.

É estranho, mas planeja a “hora certa” para iniciar as tentativas reais de estabelecimento de vínculo. O momento mágico, que aumentará incrivelmente as possibilidades de êxito.

Quando é o momento perfeito para arriscar-se? Normalmente amanhã, semana que vem, mês que vem, ou de repente, daqui a alguns anos. Por qual razão tanto adiamento? Simples, enquanto o dia não chega as coisas permanecem no nível da possibilidade, da incerteza… da segurança.

Certo, agora podemos transitar para a segunda parte do texto. Por qual razão é que ele sofre tantos insucessos? Seria uma pessoa muito azarada?

Sem querer ser desagradável e cético, terei de dizer que não creio muito nessa possibilidade – até mesmo porque nela o indivíduo torna-se completamente isento de responsabilidades, certo?

Einstein dizia que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferente”. O que será essa pessoa anda repetindo tanto? Afinal, o resultado é sempre o fracasso.

Existem déficits nas habilidades sociais? Sim, claro! São o principal problema em questão? Não, o buraco é mais em baixo.

Todos temos algumas coisas que nos chamam a atenção, correto? Tais aspectos estéticos e comportamentais definirão as pessoas pelas quais nos interessaremos durante toda a vida.

E como isso pode ser o problema? De repente o maior requisito para apaixonar-se por alguém esteja sendo a plena convicção de que tal relacionamento seja impossível.

Isso tudo ocorreria em um nível não muito consciente, porém a finalidade é muito clara e específica. O indivíduo só apaixona-se por pessoas cujo relacionamento seria muito “improvável” para que após cada fracasso tenha confirmada sua crença do quão incapaz e não merecedor de carinho é.

Por qual razão agredir-se tanto? Qual culpa apresenta-se como raiz e mantenedora dessa cena que pode vir a durar a vida toda caso não seja levada às mãos de um bom psicólogo?

Daqui em diante o trajeto é individualizado, cabe a cada um mover-se em busca de suas melhoras.

“Por que cometer erros antigos se há tantos erros novos para escolher?” Bertrand Russel.

Diego Caroli Orcajo. Águas de Lindóia

Você tem um amigo que te faz pisar em ovos?

Você tem um amigo que te faz pisar em ovos?

Todo mundo tem um amigo louco, um amigo tímido, um amigo herói, problemático, romântico, cafona, hippie, safado, malandro… tem amigos que podem levar quase todas as denominações em um só! E por cada um deles, na maioria das vezes, são pessoas adoráveis, daquelas que sorrimos só de saber que iremos encontrá-los e ficamos realmente felizes com suas presenças.

Amigo é riqueza sem tamanho, a gente sabe disso. Ai de mim sem minhas amigas incríveis, sem meus amigos maravilhosos!

Eu afirmaria com muita certeza que, salvo os que decepcionei e também os que já ou ainda irão me decepcionar, amigo é casamento feliz, pra vida toda!

A coisa só fica esquisita no momento que seu amigo começa a te fazer pisar em ovos. – Opa, cadê aquela alegria que eu tinha quando estava indo te encontrar? Por que agora arrumo desculpas para não te telefonar, não responder suas mensagens? Por quais cargas d’água eu ando preferindo estudar a ir beber umas com você e dar risada até a barriga doer?

Um dia, sem maiores alardes, seu amigo começou a te cobrar presença, deu para soltar piadinha quando te vê com outro amigo, não se contendo então, partiu para as frases de efeito: – É, comigo você não vai para tal lugar; – Você nem gosta desse tipo de filme!; – Fica lá com seus amigos novos…

Esse amigo está enciumado, está chateado, está tentando te fazer sentir culpa.

Chato isso, mas pode ter explicação. A pessoa pode estar passando por uma fase insegura, pode estar se sentindo preterida, pode querer mais da sua atenção e não sabe como pedir.

Mas pode também ser uma pessoa controladora, esfomeada, manipuladora. E aí, ou você entrega o jogo e deixa ela te controlar, ou vira totalmente essa relação do avesso e começa tudo de novo.

Cartas na mesa, sinceridade na medida certa, e você explica, do fundo do coração, que essa amizade é importante, mas que em hipótese alguma você pode permitir se deixar controlar, nem pelo amigo, nem pelo amor, nem pelo cachorro, pelo terapeuta, pelo patrão, pelo pai, mãe, filhos, ninguém.

Explica que amor bonito é amor livre, que desconhece os medos de infidelidade, deslealdade, não lembra o tempo que passou, que acha bom o encontro e, naquele momento, a vida é mais feliz porque esse amigo está por perto!

E devolva os ovos para ele.

 

Conselhos de amor da Madre Teresa de Calcutá

Conselhos de amor da Madre Teresa de Calcutá

O amor chega a quem espera, ainda que o tenham decepcionado; a quem ainda acredita, mesmo que antes tenha sido traído; a quem ainda precisa amar, mesmo que tenha sido ferido; e a quem tem coragem e fé para construir a confiança novamente.

Não se deixe levar pelo exterior, porque ele pode enganar. Não se deixe levar pelas riquezas, porque ela pode ser perdida. Procure alguém que faça você sorrir, porque um sorriso é capaz de fazer um dia escuro brilhar.

Espero que você encontre aquela pessoa que lhe faça sorrir! Há momentos nos quais você sente tanta saudade da pessoa em seus sonhos, que tem vontade de tirá-la dos seus sonhos e abraçá-la com todas as suas forças.

Espero que você sonhe com esse alguém especial e que essa pessoa sonhe o que você quer sonhar. Veja por onde você quer caminhar e seja o que você quer ser, porque você só tem uma vida e uma oportunidade de fazer tudo o que você quer fazer.

Espero que você tenha felicidade suficiente para tornar-se doce; provas suficientes para tornar-se forte; dores suficientes para ser um humano autêntico; esperança suficiente para ser feliz, recordando que as pessoas mais felizes nem sempre são as que têm o melhor de tudo.

(Madre Teresa de Calcutá)

Fonte indicada: Aleteia

Homem macho e a sensibilidade masculina

Homem macho e a sensibilidade masculina

“Sabe, homem é tudo igual.” Acho que todos nós já ouvimos isso. Não é segredo algum que as mulheres sempre reclamaram da sensibilidade masculina, quero dizer, da falta de sensibilidade de nós, homens. Outrora, isso não era nem imaginável como discussão, pois “homem que é homem não tem essas frescuras”. Contudo, o mundo mudou, as mulheres ganharam espaço e não admitem esse tipo de pensamento. Sendo assim, vem a pergunta: como os homens têm lidado com a tal da sensibilidade?

Apesar de toda evolução que a sociedade apresenta em relação à emancipação da mulher, sabemos que o machismo ainda existe e muito. Para a visão machista, um homem não pode ser sensível, pelo contrário, deve manter aquela postura inabalável, independentemente do que acontecer. E, como disse, há resquícios dessa visão na sociedade contemporânea.

Dessa forma, ser um homem com sensibilidade torna-se algo extremamente difícil, pois o homem sensível vive sob o jugo de preconceitos, como o de ser “afeminado”, fraco (inclusive no ponto sexual), chorão etc. “Homem tem que ser macho” – dizem, como se qualquer demonstração de fraqueza ou sentimentos deixasse o homem menos “macho”.

Aliás, essa visão machista acaba fazendo mal aos próprios homens, que se veem sobrecarregados com essa pressão de ser um homem bem sucedido, que anda bem vestido, em um bom carro, rodeado de pessoas que o “admiram”, homem culto, com piadas na hora certa, bom de cama e que, em hipótese alguma, é sensível.

No entanto, essas características podem fazer sucesso no barzinho, mas não garantem uma boa relação, pois a falta de sensibilidade implica falta de percepção do que acontece. E, para uma mulher, é horrível falar e não ser entendida. Apesar de todo mistério que as circunda, com um pouco de sensibilidade é, sim, possível entendê-las, ou pelo menos tentar.

Para tanto, é preciso sair da zona de conforto criada pelo machismo que impede os homens de poderem ouvir, de se colocarem no lugar do outro, de terem curiosidade em saber o que agrada a mulher amada, coisas que, no final, tornam o homem mais sensível e, por conseguinte, um amante melhor e muito mais macho.

Não há nada de errado em ser um homem que não tem medo de demonstrar o que sente, de mandar flores, escrever poemas – ainda que sejam do Caio Fernando e você diga que são seus –, pois homem que é macho tem sentimentos e, porque é macho, coloca-os para fora sem medo de ficar prisioneiro deles.

Entretanto, como já dito, não é fácil ser esse homem com sensibilidade, uma vez que os machistas de plantão sempre estão à solta fazendo a sua caça às bruxas.

Além disso, há de se considerar que, apesar da evolução das mulheres, estas ainda sentem dificuldade em lidar com a sensibilidade masculina, posto que o machismo ainda seja muito forte e, indiretamente, influencia toda uma cultura, um estado psicoafetivo, em que a mulher não está acostumada a lidar com a sensibilidade do homem.

Todavia, é insustentável possuir uma relação com as mesmas formas de agir das gerações anteriores, as quais estavam acostumadas a subjugar a mulher. A mulher moderna não aceita isso. Quer um homem que esteja lado a lado, de mãos dadas, e não querendo afundá-la para que possa sobressair.

Sendo assim, faz-se necessário que as mulheres consigam romper as amarras da cultura machista, para que lidem melhor com a sensibilidade masculina. E os homens devem estar dispostos a abrir mão do trono, para que possam ouvir mais as mulheres e, assim, mergulhar no prazeroso mundo dos mistérios da alma feminina.

No fim das contas, ser macho mesmo é ser sensível, pois são apenas estes que têm a coragem para dizer eu te amos sinceros, chorar nos momentos difíceis e não negar o colo da mulher amada quando a estrada parecer sem fim. Pois, como disse um poeta por aí:

Um homem também chora, menina morena. Também deseja colo, palavras amenas. Precisa de carinho. Precisa de ternura. Precisa de um abraço da própria candura.

Nós que vivemos no fantástico mundo da lua

Nós que vivemos no fantástico mundo da lua
O mundo passa rápido por nós. Andamos distraídos, tropeçando em nós mesmos. Vários universos se entrelaçam dentro da gente. Não somos esnobes, nem prepotentes, só estamos distantes prestando atenção às vozes que habitam nossos corações.

Dentro de nós existe um milhão de possibilidades. Perguntas pedem respostas e elas podem vir em horas não tão apropriadas. Ideias surgem e nos saltam da boca, rasgando o tempo e denunciando que não estávamos onde achavam que deveríamos estar.

Muitas vezes simples palavras ditas ao acaso, por outros, se misturam em nós e viram enredo para um filme que se passa só em nossa cabeça. E quando o filme começa muitas vezes a gente esquece de ouvir o que os outros tem a dizer. Mas não é por muito tempo, sempre voltamos à realidade, mais cedo ou mais tarde.

Vivemos no mundo da lua. Diziam antigamente que quem vivia lá era lunático, ou melhor, louco. Então somos um pouco assim e quem nos ouve com a razão sempre se atrapalha.

Não nos enquadramos em todos os lugares, não falamos todas as línguas e muitas vezes preferimos nos deixar quietos a nos declarar.

Guardamos em nosso silêncio um mar de palavras que tornam a vida intensa e interessante dentro da nossa cabeça.

Comumente esquecemos de nos apresentar. Ignoramos lamentavelmente um “oi” para dizer das coisas bonitas que descobrimos em nossas andanças. Inúmeras vezes passamos divagando pelo mundo, deixando de olhar para os lados.

Não temos nada contra ninguém. Não fingimos ignorar. Não negamos acenos ou apertos de mão. Apenas estávamos em outro tempo, em outro espaço, vivendo outras histórias.

Colocamos uma música nos ouvidos e viajamos nela, desligamos o botão da atenção e dançamos descompassados pela vida. Esquecemos o arroz no fogo, a torneira ligada, a luz acesa.

Perdemos as chaves, nunca lembramos todos os nomes e muitas vezes apertamos duas vezes a mesma mão.

Sentimos um calafrio quando nos perguntam “Você se lembra de mim?”, pois quase sempre não nos lembramos.

Guardamos coisas e depois nos esquecemos delas para encontrá-las lá no futuro como se fossem presentes mágicos do tempo para nós.

Detestamos a imposição dos horários. A imposição diplomática das coisas que tem que ser ditas ou feitas.

Resumimos discursos enfadonhos em um desenho que tem significado apenas em nós. Nos esquecemos às vezes de comer, de ligar, de ir, mas corremos afoitos atrás do tempo quando a percepção nos assalta.

Temos bom coração. Gostamos das pessoas e as transformamos em personagens de contos de fadas. Elas são mocinhos, bruxas e fadas que infestam a realidade mágica que nos habita.

Aceitamos viver em um mundo cheio de razão, mas somos nele emoção pura, como se de sonhos tivéssemos sido feitos. Caminhamos pelo cinza enchendo de cor tudo a nossa volta e deixamos furiosos apenas os que teimam em apagar as cores dos nossos sonhos prendendo com força nossos pés ao chão.

(Imagem de capa meramente ilustrativa)

“Palavras são mágicas, são como encantamentos sublimes que nos levam para onde quisermos, seja esse onde um lugar ou uma pessoa”. Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Conversa à toa sobre o começo, o meio e o fim do amor

Conversa à toa sobre o começo, o meio e o fim do amor

É certo que o amor começa quase sempre pelo mesmo mecanismo perfeito, preciso, inexplicável que organiza o reencontro inesperado de dois velhos conhecidos numa cidade com seis milhões de habitantes. Do nada. Nasce com a impertinência de uma espinha no rosto da debutante, da noiva ansiosa, da madrinha solteira. No descabimento de um espirro durante o orgasmo, o amor também dá o ar de sua graça. Surge como visita inesperada, resfriado, bolada na praia, multa de trânsito, mamangava, maria-fedida, vagalume, conjuntivite, cabelo branco em adolescente, flor no asfalto, passarinho em escritório.

Sem aviso, o amor rompe a membrana tênue que separa as coisas elevadas, impossíveis, da vida corriqueira e seus acontecimentos rasteiros. Dá as caras à toa, sem mais, como alguém que vai ao mercado, o despertador que não toca, a moça que acorda com raiva, o pobre que acerta na loteria, o tombo da patinadora. Porque o amor pertence à insuspeitada categoria das coisas imprevisíveis. O amor vive no terreno do imponderável. É ali que ele respira, ali ele espera, invisível, seu tempo fortuito e incalculável de vir a ser.

Ah… o amor que adora despertar no desencontro absoluto e na coincidência escandalosa dos números inacreditáveis, na história improvável da moça que passa sete anos sozinha e, dois meses depois de engatar um namoro assim-assim, encontra um moço que viveu os mesmos sete anos casado e há dois meses — os mesmos e inacreditáveis dois meses — encerrou mais uma entre tantas tentativas de amar e ser amado. É, o amor também principia em desarranjo e escárnio divino.

Então, uma vez iniciado, o amor vive sua maior peleja: o meio. Porque difícil não é o começo e nem o fim do amor. É o meio, o que existe entre um e outro lado da história, entre a capa e a contracapa, a frente e o verso. O morno que um dia foi água pelando e no outro será gelo e indiferença. A segunda, terça, quarta e quinta feiras de todo amor.

Quando chega ao meio é que o amor se põe à prova. E só sobrevive a esse terreno esburacado e enganoso o amor dos amantes operários. O amor trabalhador. Porque é de subidas dolorosas, descidas traiçoeiras e retas sonolentas que se compõe esse meio-caminho.

Quem aprende a ficar e se manter de pé, a cair e levantar nesse território impreciso vive o amor em sua face mais primorosa. O amor parceiro de quem se sabe disposto a caminhar rumo ao inferno para estar ao lado do outro, ou na frente, ou atrás. Porque só quem sobrevive às trevas há de entrar no paraíso.

No meio do amor, é preciso perder o medo de se arrebentar inteiro no campo minado do dia a dia. Ali, os casais caminham com cuidado para não pisar em nenhuma mina, ora sabendo, ora não, que se um o fizer os dois serão atingidos na explosão, tão perto estão um do outro.

A quem supera essa fase é reservado um regalo sublime, bônus do exercício maravilhoso de amar: as lembranças. Vagas e adocicadas lembranças de longas conversas tarde da noite, ouvindo a cidade dormir lá fora. As memórias de viagens e festas, sábados de cinema, domingos de churrasco, segundas a sextas de trabalho, planos e sonhos. As reminiscências, tão sublimes quanto os instantes que as originaram. Afinal, seja qual for o tamanho do meio, um dia o amor chega ao fim.

Nesse dia, a decência dos amantes é medida pelo tamanho de seu desprendimento e de sua capacidade de engolir o pranto e dizer “adeus, seja feliz”. Porque só merece as dores e as delícias do amor aquele que um dia saiba deixar o outro ir em frente. E que aprenda a estar só novamente e a guardar a dor consigo até a dor passar, como as antigas personagens de desenho animado que engolem bananas de dinamite acesas.

No amor, que também ama a lógica, depois do começo e do meio vem o fim. Tempo em que ele se arrasta entre migalhas, restos e sobras. Como o guaraná que perde o gás, a cerveja que esquenta, a goiaba que passa do tempo e deixa a casa inteira com cheiro de quintal, é certo que o amor também acaba como começou. Do nada. Em nada, como uma estranha sombra pálida e triste, sinal agudo de que seu tempo já foi e de que é hora de seguir em frente para, tomara Deus seja logo, começar tudo de novo e de novo outra vez.

O “vendedor anônimo” só tinha oito canetas e uma filha faminta

O “vendedor anônimo” só tinha oito canetas e uma filha faminta

Os inocentes sempre sofrem as piores consequências das guerras, e quando não perdem a vida, se veem na obrigação de sair fugindo de seus países de origem para buscar refúgio em terras longínquas onde talvez possam encontrar um pouco de paz.

Atualmente o mundo vive um claro exemplo deste fato, com os conflitos que assolam a Síria, país onde o número de mortos estimados está em 220 mil pessoas.

Pelo temor de perder a vida e ser mais um número no total de vítimas fatais, muitas pessoas fugiram com a esperança de encontrar um lugar melhor para viver e criar suas famílias.

A comovente história que queremos compartilhar hoje é a de um dos sobreviventes desta guerra, que agora se encontra refugiado em Beirute, no Líbano, depois de fugir de seu lar em Yarmouk por medo do pior.

Trata-se de um pai solteiro conhecido como o “vendedor anônimo”, cujo verdadeiro nome é Adbul e cuja trajetória foi fotografada e contada em agosto de 2015, após demonstrar que o amor é a força que pode tudo.

A história…

O “vendedor anônimo” refugiado em Beirute só tinha oito canetas de tinta azul e o amor por sua querida filha de apenas 4 anos, que o acompanhou nesta luta para escapar dos conflitos de seu país.

Desde que chegou como refugiado até esta cidade, ele perambulou pelas ruas tratando sempre de proteger seu tesouro mais apreciado, a quem abrigava durante a noite para proteger do frio e de pessoas ruins que se aproximavam.

Quando a menina abria os olhos e a luz do dia surgia, Abdul continuava vendendo a única coisa que tinha para conseguir um pouco de dinheiro para comprar alimentos para a filha: suas canetas.

A expressão do rosto daquele homem angustiado chamou a atenção de um ativista de Oslo, Noruega, chamado Gissur Simonarson. Ele, sem imaginar o impacto que causaria, tirou uma foto da cena e a compartilhou nas redes sociais.

Em questão de minutos a fotografia se tornou viral e o mundo inteiro conheceu o homem que, em meio às dificuldades, tentava conseguir algo para sua filha.

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Gissur não imaginou que poderia mudar a vida daquele homem com a fotografia, mas reconhece que a imagem é muito comovente e, por isso, causou nele um impacto emocional.

Foi assim que uma imagem fez com que milhares de pessoas refletissem sobre o tema, considerando-a inclusive uma das mais representativas da história atual de conflitos.

A boa notícia é que nem tudo se limitou a simples mensagens e comentários nas redes sociais, já que de imediato começaram a chegar milhares de solicitações de pessoas que queriam ajudar aquele homem que demonstrou o que faz o amor de um pai.

Milhões de pessoas aproveitaram as redes sociais para se unir com o objetivo de encontrar o “vendedor anônimo”, já que naquele momento ninguém sabia qual era o seu paradeiro.

Depois de dois dias de buscas intensas, Gissur finalmente conseguiu encontrar Abdul para ajudá-lo com o apoio dos que se uniram à causa.

Através do Twitter, o ativista estabeleceu o objetivo de arrecadar 5 mil dólares para ajudar o homem e sua pequena filha, mas, para sua surpresa, a cifra foi alcançada em apenas 30 minutos, e no total a iniciativa conseguiu arrecadar 80 mil dólares.

Esta cifra significou um novo começo para Abdul, que explodiu em lágrimas quando ouviu a notícia.

contioutra.com - O “vendedor anônimo” só tinha oito canetas e uma filha faminta

Abdul é apenas um dos quatro milhões de refugiados que escaparam desta guerra brutal, e um sobrevivente que demonstra que as pessoas inocentes são as que mais estão sofrendo com as terríveis consequências.

Ele agora tem um teto digno para começar uma nova vida com sua filha, e a menina poderá ir à escola. Durante as entrevistas, ele manifestou que seu desejo é ajudar outros refugiados com o dinheiro que foi doado a ele.

“Agradeço a todos pela generosidade, mas principalmente por colocarem novamente um sorriso no rosto de minha filha…” expressou Abdul, um homem honrado de 35 anos que deixou tudo em seu país de origem para manter a salvo sua amada filha.

Graças à solidariedade de milhares de pessoas, Abdul conseguiu uma vida digna para si mesmo e sua filha. Após sair desta situação de miséria, ele quer ajudar outras pessoas que estejam precisando de auxílio.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

ANOITECER, por Carlos Drummond de Andrade

ANOITECER, por Carlos Drummond de Andrade

ANOITECER

A Dolores

É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.

É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.

É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz — morte — mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.

Hora de delicadeza,
agasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.

Carlos Drummond de Andrade
In: A Rosa do Povo, 1945
Imagem de capa: Van Gogh

Siga 6 rastros do Alzheimer antes que ele se revele

Siga 6 rastros do Alzheimer antes que ele se revele

O Alzheimer é uma doença silenciosa, que se revela aos poucos. Mas um estudo, publicado por pesquisadores do San Francisco VA Medical Center, nos Estados Unidos, conseguiu mapear os seis principais fatores de risco para a demência: sedentarismo, uso de álcool, depressão, tabagismo, diabetes, hipertensão na meia idade e obesidade.

Em comum, todas essas condições oferecem algum risco à saúde cérebro-vascular. “Fumo, obesidade, hipertensão e diabetes contribuem para o aumento de lesões no cérebro que levam à perda de cognição”, afirma o psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. As lesões, associadas às dificuldades de conexão entre os neurônios (efeito do aumento da proteína beta-amilóide), dão origem à maioria dos diagnósticos de Alzheimer atualmente. “A demência vascular, ou seja, os problemas que surgem devido ao mau funcionamento do coração já são elementos tão importantes quando o crescimento fora de controle da proteína na descoberta da doença”, afirma o neurologista e geneticista David Schlesinger, do Hospital Albert Einstein. A seguir, especialistas discorrem sobre a relação entre esses fatores e dão dicas para você cuidar melhor da saúde e se proteger contra o Alzheimer.

1- Síndrome metabólica

A geriatra Yolanda Boechat, coordenadora do Centro de Referência em Atenção ao Idoso da UFF-RJ, explica que a síndrome metabólica eleva a incidência de doença vascular cerebral, além de aumentar o estresse oxidativo. A síndrome é a associação de doenças como obesidade, hipertensão arterial, hiperglicemia (níveis elevados de açúcar no sangue), aumento dos níveis de triglicérides, diminuição dos níveis de colesterol “bom” HDL e aumento dos níveis de ácido úrico no sangue.

Em comum, todos esses males provocam um maior acúmulo de gordura no sangue, dificultando a circulação pelo corpo. Com isso, há um aumento de lesões microcardiopáticas, assim como a atrofia cerebral. O excesso de glicose no sangue, proveniente do diabetes, tem as mesmas consequências. Segundo a especialista, esses fatores, juntos, podem elevar a perda da memória em até 40%.

2- Hipertensão

Num quadro de hipertensão arterial, a intensidade com que o sangue circula acaba causando lesões nos vasos, inclusive nos do cérebro (mais sensíveis).” Danificados, eles acabam levando menos sangue, oxigenação e nutrientes para o cérebro”, afirma Cássio Bottino. O tecido cerebral é muito dependente da oxigenação do sangue e pode perder capacidade caso surjam falhas vasculares.

3- Tabagismo

Outro fator apontado na pesquisa é o tabagismo. “O cigarro acelera o processo de envelhecimento neurológico e a atrofia cerebral, o que agrava as chances de Alzheimer”, afirma Yolanda Boechat. Além disso, é possível que o risco aumente por causa de pequenos infartos cerebrovasculares que aumentam a morte de neurônios, provocados pelas toxinas presentes no cigarro.

4- Álcool

O consumo de mais de duas doses diárias de álcool, não importa a bebida, aumenta em quase 10% as chances de ter distúrbios neurológicos. Fora isso, o alcoolista crônico sofre com a perda de tecido cerebral, ou seja, o cérebro encolhe com o tempo e agravam-se problemas como esquecimento e perda da memória recente. Mas o consumo de uma dose diária de álcool (e isso varia de acordo com a bebida) pode retardar o aparecimento do Mal de Alzheimer, de acordo com estudo da Loyola University, em Chicago.

5- Sedentarismo

A atividade física, além de combater a obesidade e outros fatores de risco apontados pelo estudo, banha o cérebro com endorfina. Esse hormônio é um antioxidante capaz de fazer uma faxina no cérebro e eliminar radicais livres, combatendo o envelhecimento das células “A prática regular de atividade física também contribui com a irrigação sanguínea das células neuronais, melhorando as conexões e o raciocínio”, afirma a médica Yolanda. Segundo pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Rush, de Chicago (EUA), idosos devem praticar de 2,5 a 5 horas semanais de atividades físicas.

6- Depressão

Por fim, os pesquisadores indicaram a depressão como agravante do Alzheimer. A dificuldade de relacionamento causada pela depressão prejudica a memória e a capacidade de comunicação, inibindo o funcionamento de partes do cérebro. “Se não for tratada, a depressão pode levar à falência da área cerebral responsável pela memória (hipocampo), incluindo a de fatos recentes.

Fonte indicada: Minha Vida

A paixão pode semear o amor e o fim dela pode decretar a sua morte.

A paixão pode semear o amor e o fim dela pode decretar a sua morte.

Caso a nossa vida fosse um jogo de baralho, digamos, um “jogo de tranca”, as decisões caberiam muito bem numa analogia com o momento em que decidimos não pegar as cartas abertas na mesa e arriscar na carta do monte fechado. A carta fechada é cheia de possibilidades, desconhecida, misteriosa. Pode ser a nossa saída para virar o jogo. Ou, malograda sorte, pode ser uma carta repetida. Nada pode ser pior do que uma carta repetida, nem mesmo um “três preto” (a carta que tranca o jogo), que tem lá sua utilidade quando decidimos impedir o outro de se dar bem! Decisão tomada; abrimos mão das conhecidas, porém descartadas cartas na mesa e vamos para o monte, arrumadinho de cartas empilhadas, porém secretas. Impossível prever o que virá. E, mesmo que estejamos apenas jogando por diversão, sentiremos aquele friozinho na barriga; a emoção da expectativa: queremos uma carta boa! Queremos “pegar o morto” (outro montinho misterioso de cartas secretamente fechadas); queremos fazer canastra; e, mais que tudo, queremos ganhar!

Quando abrimos a possibilidade para um relacionamento amoroso, é a carta fechada que estamos virando. Não importa que resolvamos tomar a (desastrosa) decisão de transformar em nosso novo amor, o melhor amigo de infância. Assim que ambos forem “promovidos a casal”, passarão por uma assustadora metamorfose ao vivo e a cores, diante dos olhos estupefatos um do outro. O bom e velho confidente, precisará ser poupado de nossos desastres cotidianos. Ele nos olhará com outros olhos e nós o olharemos como a uma verdadeira Caixa de Pandora, cuja curiosa audácia pode nos custar tremendamente caro, caso tenhamos a coragem de destrancá-la.

O funcionamento de um par de seres humanos na dança da conquista é muito mais complicado de se entender do que o mais sofisticado e rebuscado tango argentino. Desde o primeiro olhar, somos arrebatados para dentro de uma sinfonia de sensações desconhecidas que nos fazem agir de maneira tanto estudada quanto irracional. Explosiva combinação, do ensaio com o insano. A paixão é insana; e deliciosa. Quem nunca se apaixonou, talvez não esteja apto a dizer que experimentou a vida. É a paixão que nos impele a experimentar, tocar, sentir, desejar o outro. A paixão é fogo que arde e que se vê! Vê-se nos olhos que brilham, no sorriso que ganha melodia, no corpo que se move pra conversar com o outro corpo, sem proferir uma palavra sequer. É a paixão que planta o amor e é o fim dela que pode decretar a sua morte.

Seria, então, a paixão uma armadilha irresistível; uma teia tecida à nossa volta, à nossa revelia; que nos envolve em suas malhas de prazer e desafio a ponto de nos roubar a capacidade de decisão? Por que nos apaixonamos, afinal? A Antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutger, Nova Jersey, lança uma luz sobre o assunto, utilizando uma explicação lógica para o fenômeno: somos arrebatados pelo impulso primário sexual da procriação, que direcionamos a uma pessoa capaz de nos despertar o desejo. E, todo o resto torna-se secundário, pano de fundo, perda de tempo.

Motivada pela assustadora simplicidade de sua própria teoria, Fisher uniu sua pesquisa aos estudos da Neurocientista Lucy Browm, do Albert Einstein College of Medicine, e ao projeto de pesquisa do Psicólogo Arthur Aron, da Universidade Estadual de Nova York. Os pesquisadores realizaram um trabalho, utilizando a tomografia por ressonância magnética funcional, para acompanhar a atividade cerebral de um grupo de voluntários. Durante os testes, enquanto estavam no interior do tomógrafo, os voluntários eram expostos a imagens da pessoa que amavam e imagens de pessoas conhecidas, mas com as quais houvesse uma relação afetiva neutra. De vez em quando, eram solicitados a contar imagens de frutas ou identificar cores, como forma de distraí-los e acalmar as sensações. “Nessas diferentes situações comparamos a atividade cerebral e percebemos que as duas regiões do cérebro que estavam especialmente envolvidas durante a observação do amado eram partes do núcleo caudado e da área tegmentar ventral (ATV) direita no mesencéfalo” relataram os pesquisadores.

O que há de revelador nessa descoberta é que nessas duas regiões cerebrais há células neurais que se comunicam através da substância mensageira, a dopamina, e reagem de forma sensível àquilo que causa bem-estar, como alimentos saborosos, por exemplo; ou mesmo à possibilidade de experimentá-los. O fato de a paixão estar relacionada a esse “sistema de recompensa” indica que o que estamos habituados a chamar de “sentimento” talvez seja, na verdade, um “estado de motivação” para a busca de algo, comparável à fome, que nos leva a buscar e consumir alimentos. Se pensarmos assim, o cenário fica menos romântico. “Afinal, talvez não nos apaixonemos (como muitas vezes gostamos de pensar) em razão de uma trama bem engendrada do destino ou dos belos olhos do outro, de seu charme e de sua sensualidade. Sob essa óptica o encantamento se vale, antes, de mecanismos neurológicos cuja função é aplacar uma necessidade biológica. E garantir a sobrevivência da melhor forma possível” pondera Fisher.

O fato, é que descobertas científicas dessa natureza têm pouquíssima relevância para os seres irracionais nos quais nos transformamos quando estamos apaixonados. Somos impelidos a construir em torno da recompensa emocional que a paixão nos proporciona, mecanismos para torná-la menos volátil, para fazê-la durar. Nossa natureza gregária é seduzida pela paixão, mas sonha mesmo é com o amor. Queremos a sorte de mergulhar na vida, acompanhados de alguém que já tenha conhecido outros mares, mas que se comprometa a navegar conosco, haja calmaria ou tempestade. O amor é o amante mais maduro da paixão. Ele arrebata, envolve e impulsiona, mas traz de volta outros focos. O amor, ao contrário da paixão, não torna todo o resto secundário. Ele é capaz de entrelaçar todos os elementos envolvidos nas trajetórias dos apaixonados e se renovar a cada transformação.

Quem dera fosse fácil! Não é fácil, nem simples, tampouco descomplicado. Amor exige de nós a nossa porção mais íntegra, leal e honesta. Exige entrega; leveza; alegria e comprometimento. Amar já foi para quem é forte; agora é para que é audacioso. E o fim do amor, é das experiências mais intensas, dolorosas e complexas pela qual podemos passar. Sair inteiro do fim de um amor é uma tarefa para qual nunca estaremos preparados. Nunca será bonito o fim do amor. Chegar ao fim é deparar-se com um lugar que deixou de ser um refúgio acolhedor desde um tempo que já se perdeu no tempo. As risadas gravadas nas camadas mais antigas de tinta da parede, não reverberam mais. Os perfumes e cheiros não se misturam, estão parados, suspensos numa atmosfera tensa, apartados por uma barreira invisível. Os desejos há muito esquecidos em bolhas de ar, flutuam… Querem vagar para além da janela. Não se pode estar junto quando o outro deixou de existir dentro de nós. Não se pode esperar que o que foi quebrado volte a ter a íntegra leveza de antes. É preciso ter coragem pra ser o primeiro a partir. É preciso ter certeza de que se chegou ao fim, para ser o último a sair e apagar a luz.

Ressentimento é uma planta venenosa

Ressentimento é uma planta venenosa

De todas as coisas que podem nos acontecer na vida, certo é que incontáveis serão boas, excelentes, extraordinárias, outras sequer perceberemos e outras tantas e muitas, serão dolorosas, decepcionantes,  frustrantes, traumatizantes.

E para essas, a maioria de nós sempre pedirá uma cabeça para cortar. É por demais injusto passarmos por uma tristeza e ainda sermos os responsáveis por ela. Para isso, sempre haverá de ter um culpado, seja ele um indivíduo, uma situação, uma falha, uma força da natureza ou simplesmente uma palavra dita de forma errada. Importante é que se encontre o culpado. E para ele, nenhuma trégua.

Em consequência, pelo tempo necessário –e não raro uma vida inteira – e na proporção do estrago causado, as sementes do ressentimento brotarão e crescerão de forma espantosa, a ponto de tomarem o jardim inteiro, matando o que de belo e puro ainda poderia resistir. E, sem surpresas nem sustos, tudo o que de bom e feliz acontecer depois disso, tenderá a passar desapercebido, como plantinhas rasteiras que sobrevivem um ou dois dias e morrem por falta de luz. A luz que a árvore do ressentimento rouba de todas as outras. A luz das ideias e do desapego às mágoas que nos aponta novos caminhos, novas escolhas, novas cores, novos afetos.

O passado faz parte do que somos hoje, isso é incontestável, mas dele trazemos uma bagagem bagunçada, revirada, leve se pegamos a mala feliz, impossível de carregar se tentamos a mesma coisa com o baú dos desapontamentos.

Mas, voltando ao presente, por vezes nos pegamos pensativos no jardim das emoções, e, para todo o lado que olhamos, cresce frondosa a árvore do ressentimento, com suas folhas espessas, com espinhos nas pontas, cores mortas e enorme mal cheiro. E, tolos que somos, acreditando também isso ser natureza, regamos e cuidamos, sem sequer desconfiar da quantidade de veneno que estamos nutrindo.

Ressentir é sentir novamente. Sentir a primeira vez, doer, sofrer, amargar. Sentir a segunda vez, e mais uma, e mais uma, e mais uma. Julgar e decretar culpas. Banir pessoas, lugares, músicas, perfumes, palavras… Tudo isso junto vira um labirinto de sofrimentos, donde não se sai e só se perde ainda mais. Acabamos por viver buscando a saída, perdidos por entre caminhos que as árvores que nós mesmos plantamos, nos mostram.

Somente no dia em que resolvermos matar de sede as árvores do ressentimento é que elas murcharão e conseguiremos ver os caminhos, as saídas, a vida além do labirinto. E que tenhamos sorte para não tocarmos nos espinhos antes deste dia!

Imagem de capa: Peerayot/shutterstock

Blogueiro britânico escreve sobre o Brasil e afirma que os brasileiros se diminuem perante os EUA

Blogueiro britânico escreve sobre o Brasil e afirma que os brasileiros se diminuem perante os EUA

Pouco depois de chegar a São Paulo, fui a uma loja na Vila Madalena comprar um violão. O atendente, notando meu sotaque, perguntou de onde eu era. Quando respondi “de Londres”, veio um grande sorriso de aprovação. Devolvi a pergunta e ele respondeu: ‘sou deste país sofrido aqui’.

“Fiquei surpreso. Eu – como vários gringos que conheço que ficaram um tempo no Brasil – adoro o país pela cultura e pelo povo, apesar dos problemas. E que país não tem problemas? O Brasil tem uma reputação invejável no exterior, mas os brasileiros, às vezes, parecem ser cegos para tudo exceto o lado negativo. Frustração e ódio da própria cultura foram coisas que senti bastante e me surpreenderam durante meus 6 meses no Brasil. Sei que há problemas, mas será que não há também exagero (no sentido apartidário da discussão)?

Tem uma expressão brasileira, frequentemente mencionada, que parece resumir essa questão: complexo de vira-lata. A frase tem origem na derrota desastrosa do Brasil nas mãos da seleção uruguaia no Maracanã, na final da Copa de 1950. Foi usada por Nelson Rodrigues para descrever “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.

E, por todo lado, percebi o que gradualmente comecei a enxergar como o aspecto mais ‘sofrido’ deste país: a combinação do abandono de tudo brasileiro, e veneração, principalmente, de tudo americano. É um processo que parece estrangular a identidade brasileira.

Sei que é complicado generalizar e que minha estada no Brasil não me torna um especialista, mas isso pode ser visto nos shoppings, clones dos ‘malls’ dos Estados Unidos, com aquele microclima de consumismo frígido e lojas com nomes em inglês e onde mesmo liquidação vira ‘sale’. Pode ser sentido na comida. Neste “país tropical” tão fértil e com tantos produtos maravilhosos, é mais fácil achar hot dog e hambúrguer do que tapioca nas ruas. Pode ser ouvido na música americana que toca nos carros, lojas e bares no berço do Samba e da Bossa Nova.

Pode ser visto também no estilo das pessoas na rua. Para mim, uma das coisas mais lindas do Brasil é a mistura das raças. Mas, em Sampa, vi brasileiras com cabelo loiro descolorido por toda a parte. Para mim (aliás, tenho orgulho de ser mulato e afro-britânico), dá pena ver o esforço das brasileiras em criar uma aparência caucasiana.

Acabei concluindo que, na metrópole financeira que é São Paulo, onde o status depende do tamanho da carteira e da versão de iPhone que se exibe, a importância do dinheiro é simplesmente mais uma, embora a mais perniciosa, importação americana. As duas irmãs chamadas Exclusividade e Desigualdade caminham de mãos dadas pelas ruas paulistanas. E o Brasil tem tantas outras formas de riqueza que parece não exaltar…

Um dos meus alunos de inglês, que trabalha em uma grande empresa brasileira, não parava de falar sobre a América do Norte. Idealizou os Estados Unidos e Canadá de tal forma que os olhos dele brilhavam cada vez que mencionava algo desses países. Sempre que eu falava de algo que curti no Brasil, ele retrucava depreciando o país e dando algum exemplo (subjetivo) de como a América do Norte era muito melhor.

O Brasil está passando por um período difícil e, para muitos brasileiros com quem falei sobre os problemas, a solução ideal seria ir embora, abandonar este país para viver um idealizado sonho americano. Acho esta solução deprimente. Não tenho remédio para os problemas do Brasil, obviamente, mas não consigo me desfazer da impressão de que, talvez, se os brasileiros tivessem um pouco mais orgulho da própria identidade, este país ficaria ainda mais incrível. Se há insatisfação, não faz mais sentido tentar melhorar o sistema?

Destaco aqui o que vejo como um uma segunda colonização do Brasil, a colonização cultural pelos Estados Unidos, ao lado do complexo de vira-latas porque, na minha opinião, além de andarem juntos, ao mesmo tempo em que existe um exagero na idealização dos americanos, existe um exagero na rejeição ao Brasil pelos próprios brasileiros. É preciso lutar contra o complexo de vira-latas. Uma divertida, porém inspiradora, lição veio de um vendedor em Ipanema. Quando pedi para ele botar um pouco mais de ‘pinga’ na caipirinha, ele respondeu: “Claro, (mermão) meu irmão. A miséria tá aqui não!” Viva a alma brasileira!”

Adam Smith – Do blog “Para inglês ver”

Fonte indicada: BHAZ

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