Carta aberta para minha mãe que é mais do que minha mãe.

Carta aberta para minha mãe que é mais do que minha mãe.

 

Oi, mãe.

Mais cedo a senhora ligou e eu disfarcei as preocupações da minha vida adulta, já estou bem parecido contigo. Lembra de quando você segurava a barra do mundo quieta, mantendo o otimismo e nos livrando de todas as preocupações que uma mãe solteira e pobre tem? De repente, me vejo sendo exatamente como você, sem tirar, nem por.

É isso que me dá esperança, mãe. Porque se a forma de encarar as minhas dores é igual a sua, logo minha resistência e coragem pra continuar será a mesma. O brilho dos teus olhos  ainda acende minha vida. É por você que eu enfrento cada hora complicada, sua presença se faz tão grande que minha solidão é sempre acompanhada pela tua graça.

E longe disso, eu não quero te desejar feliz dia das mães. Você é mais do que isso. Tenho em ti, nas tuas palavras, no teu “tudo bem”. Se você não fosse minha mãe, certamente seria minha amiga. Não é o nosso DNA que nos une, são os teus exemplos de vida e de humanidade.

Obrigado por ensinar  que é preciso lutar pelo que se deseja, e por não me abandonar quando eu merecia ou quando era fácil me abandonar.

Para você que é mais do que minha mãe, hoje e sempre, que eu seja mais do que teu filho. Que além dos registros e laços genéticos, eu possa sempre encontrar em você e você encontrar em mim, o que sempre encontrei; bons litros de amor potável pra beber e banhar a alma.

Olá, Dona Tristeza! Não sabia que viria hoje…

Olá, Dona Tristeza! Não sabia que viria hoje…

Olá, Dona Tristeza! Talvez seja mesmo da sua natureza, aparecer assim, sem avisar. Se eu soubesse que viria, teria colocado um vestido florido, um batom colorido, um perfume de flor. Mas, como chegou de repente, apenas posso lhe oferecer um aceno breve, um carinho leve como prova de amor. Fique à vontade. Sente-se na varanda para ver o pôr-do-sol. Escolha um livro da estante e aproveite a viagem da história. Encante-se com as minhas orquídeas, brinque um pouquinho com os gatos. Quem sabe não fique tocada pelo amor que vive nessa casa, esqueça de ser tão séria e deixe escapar um sorriso.

Mas, se depois de ter a chance de conhecer meus cantos e os encantos desse lar, ainda quiser ficar… Espero que me perdoe a falta de atenção. Acabo de colocar um bolo no forno, tenho gavetas a arrumar, fotos a visitar, histórias a escrever e uma vida para viver. Como pode ver, há tantas coisas a quem dar a minha doce atenção. Não posso me sentar com você na sala e dar ouvidos eternos às suas mágoas antigas.

Assim, se tiver que chorar, que seja um deságue bendito. Que jorre do seu peito, todos de uma vez: o medo, a dor e a raiva. Deixe que escorram por aí, soltos, aceitos e libertos. Hei de achar um vaso bonito para guardar suas lágrimas e transformá-las em algo fecundo, no alimento de alguma flor.

E, depois de chorar, descanse um pouquinho. Aproveite a moleza que brota por todas partes do corpo, depois que a gente deságua. Deite sua cabecinha prateada de sonhos esquecidos no travesseiro cheiroso de camomila. Esqueça um pouco de doer. Feche os olhos, de um jeito manso e entregue. Aproveite a quietude que vem depois da tempestade.

E, se quando acordar, ainda quiser conversar comigo… Venha desarmada. Diga, sem rodeios, o que quer. Não me prenda em suas rendas incertas, de uma melancolia preguiçosa, que nem germina, nem floresce. Abra seu coração comigo. Somos amigas de longa data.

Hei de entender seus motivos, sua falta de jeito, sua persistência. Hei de ouvir seus gemidos e fazer poesia de seus segredos. Por fim, faça a gentileza de partir de mansinho. Feche a porta devagarinho, não olhe para trás, nem pise nas flores do caminho. Uma parte pequenina de mim, parte com você. E espera, com todo fogo redentor daqueles que creem que sonhos nunca são impossíveis, que você se dissolva numa nuvem. E volte, apenas quando for capaz de transformar em chuva mansa, o que um dia foi tormenta.

Querer tudo só vai nos levar a nada. A gente precisa é se querer bem.

Querer tudo só vai nos levar a nada. A gente precisa é se querer bem.

Eu acredito em milagres. Não precisa ser coisa grande, monumental e imponente como a abertura do mar vermelho. Nem carece ser fantástico como a transformação da água em vinho, a mudança brusca do dia para noite, a proliferação dos peixes e essas coisas. Nada disso.

Basta ser simples e grandioso como a inesperada delicadeza de alguém que cede o seu assento no ônibus, que dá passagem no trânsito, que diz “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” e que responde quando alguém lhe dirige um cumprimento assim.

Milagre suficiente hoje em dia é alguém se lembrar de que agradecer é um gesto tão bonito e tão esquecido. Que dividir é muito melhor do que possuir. Que aceitar a opinião do outro não significa concordar com ela e que discordar de alguém nem sempre é motivo para odiá-lo.

Imagina que milagre seria nos darmos conta de que, neste mundo em que todos querem tudo, está faltando é nos querermos bem?

Desse milagre em diante, todo ataque e toda ofensa previsíveis seriam trocados por bondades urgentes e gentilezas gratuitas.

Todo ímpeto de falar mal do vizinho seria substituído por uma vontade franca de melhorar a nós mesmos.

Cada gesto mesquinho seria abatido por uma crise de consciência e seguido por uma atitude nobre.

Aqueles de nós com talento para ganhar rios de dinheiro doariam tudo quanto fosse necessário para que ninguém mais passasse necessidade.

E toda manhã, em todo canto, pularíamos da cama de alma renovada, contente e ativa, prontos para enfrentar o que vier com trabalho, empenho, honestidade e amor. Querendo bem a nós mesmos e ao outro sempre.

Sem nem percebermos, tudo na vida seria motivo para a prática dessa nossa imensa e inexplorada capacidade de operar milagres.

Não, nós não somos santos. Erramos todos, tantas vezes. Em todo canto, derrapamos francamente porque somos gente e gente erra. Mas tem aqueles de nós que depois do engano respiram fundo, repensam, voltam e procuram um jeito de consertar o que fizeram. Eu tenho a impressão de que isso só acontece quando a gente quer bem um ao outro. E este seria hoje o mais poderoso milagre capaz de transformar este mundo.

Eu acredito, sim. Acredito nos pequenos milagres porque deles há de vir algo maior, incrível e redentor como a multiplicação do pão, a redenção dos nossos pecados e a chance de fazermos deste mundo, cada um de seu jeito, um lugar melhor, mais justo, mais decente e mais amoroso para todos. Sim, eu acredito nesse milagre.

E atitude, cadê?

E atitude, cadê?

Sim, nem tudo são flores, eu sei. Sempre haverá, aqui e acolá, um ou outro paralelepípedo mal colocado que pode nos fazer tropeçar e até cair; mas a escolha de levantar, essa vai ser sempre sua. Eu mesmo , por muitas vezes, perdi no carteado da vida prendas valiosas, tipo um amor ou dois e até as calças de vez em quando. O importante mesmo é o que a gente faz com isso, é a lição que tiramos de cada tapa e de cada beijo que atinge a nossa face.

Hoje, por exemplo, tenho sempre cuidado redobrado ao escolher a cueca que vou usar fora de casa (vai que numa dessas eu acabo, assim, do nada, perdendo as calças de novo). O seguro morreu de velho, já dizia a minha avó.

Não foram poucas as vezes que achei que fugir era a melhor resposta pra tudo. Até do amor eu já fugi e, só pra não perder a rima, me fodi. É que ser covarde é sempre mais fácil, ninguém espera muito de um bundão.

É bom pensar que, pra começo de conversa, assim como nada se fez de um simples fiat lux (não, não é o carro), problemas não resolvem assim, como que por um passe de mágica. É você, isso mesmo, você quem deve chamar a responsa pra si. O que separa os homens dos moleques e as mulheres das moçoilas é uma coisa chamada atitude.

Não vou perder meu tempo falando aqui da raiz dessa palavra e tal e coisa e coisa e tal. Se você for um daqueles engomadinhos metidos a intelectual que às vezes pintam por aqui e quiser saber dessas coisas só pra se masturbar mentalmente, faz o seguinte: pega a porra de um dicionário etimológico e não me torra.

Em minha concepção nada correta e pouco sóbria, atitude pode muito bem ser aquilo que nos faz meter o pé na porta e um soco na cara de quem merece, como também pode ser o que nos faz dar flores, abraços, carinho e apoio sincero para alguém. No fundo, são as ações que contam, não as intenções – ouvi dizer que essas últimas são péssimas em matemática (é, eu sei que essa talvez tenha sido a piada mais infame que eu já tenha feito por aqui, mas Foda-se).

Algo que não se compra. Ou você tem ou você não tem, e nem dá pra pegar emprestado pra devolver depois. Atitude é a capacidade de tomar suas próprias decisões, de quebrar regras e arcar com as consequências disso.

Para aqueles que só reclamam e que vivem por aí enchendo os ouvidos dos amigos de ladainhas por conta de ex, de grana, de trabalho, de vida amorosa (ou da falta de uma) e afins, eu só tenho uma pergunta a fazer: e a atitude, cadê?

Por acaso ainda não falaram pra vocês que soluções não costumam cair do céu? Vocês não são Newton, caralho! Levanta essa bunda da porra do sofá e vai atrás do que te faz feliz.

Ter atitude é correr atrás de tudo aquilo que você acredita, mesmo quando o mundo inteiro estiver correndo atrás de você pra roubar suas calças.

Sexo frágil uma ova!

Sexo frágil uma ova!

Eu até entendo que muitos prefiram se controlar, passar uma boa imagem ao usarem palavras rebuscadas e teorias refinadas para atrair a atenção de alguém, mas de que adianta se vestir de crocodilo quando a alma é de lagartixa?

Pra mim importa mais o ato que o discurso; prefiro o cru ao cozido, o charuto ao cachimbo. Já aviso que nem adianta vir com essa conversinha mole de que o amor é como um conto de fadas quando a verdade é que ele está mais para um conto de fodas. Pesado demais pra você, meu amigo? Então, talvez seja uma boa hora para voltar para a sua roda de amigos e continuar a conversa sobre como esse colunista é superficial, entediante e narcisista.

Penso que está enganado aquele que acredita que pra ser amor tem que ser tudo certinho, correto e indefectível. Pra começar, é mais provável que sejamos feitos de mais vícios que virtudes – tudo bem se quiser negar, mas isso não fará de você menos “culpado”. Nossa natureza não é assim. Dá até pra lutar contra, mas pra onde vai a diversão assim?

Um casal de verdade se constrói através de pequenos atritos e falhas que reforçam os laços, das pequenas chantagens sexuais que só a mulher amada é capaz de fazer com impecável naturalidade, da quase infinita paciência para com os defeitos um do outro.

A mágica está em descobrir que no fundo os dois dividem as mesmas graças e misérias,que é tênue a linha que os separa um do outro e que o sentimento e o desejo são maiores que qualquer fronteira imposta pela moral alheia.

Existirão erros, falhas e tropeços, é claro. Nestes momentos é importante lembrar que comunicação é importante sim, mas ao mesmo tempo é preciso manter a distância de certos segredos. Somos complexos demais, labirínticos demais e nisso reside todo o gosto que tenho pelo toque, pelo silêncio da pele.

É por isso que não adianta ficar dando uma de Sinatra quando o que reside em você é um Roberto Carlos (não o do calhambeque, mas o do esse cara sou eu). Tenha em mente que a mulher fareja mentira a quilômetros de distância, melhor que um cão sabujo. Ela pode até fingir que acredita, mas só pra ver até onde você vai. É verdade, se eu fosse você, levaria um pouco mais a sério aquele ditado sobre ela dar corda só pra ver você se enforcar. É por essas e outras que sou fatalmente apaixonado pelo sexo feminino.

Apenas elas conseguem unir harmoniosamente ternura e perigo, veneno e antídoto, céu e inferno. Ying e yang, caos e ordem, luz e escuridão. A mulher é a perfeita representação do universo em expansão. Não há nada ali por acaso, ela é a máquina ontológica perfeita. Ela, quando quer, deixa Sherlock Holmes e Giovanni Morelli no chinelo, parceiro.

Se mesmo depois dos meus argumentos você insistir em continuar com joguinhos de aparências, fica o aviso: se quer brincar com fogo vá em frente, mas esteja preparado pra perder não apenas a mão, mas o braço inteiro.

A depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza

A depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza

Existe uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos NÃO está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros.

É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

Por isso, dado que a depressão e a ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razões para chorar”, “comece a amadurecer”, etc.

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São comuns, não é verdade? De fato, é provável que em algum momento tenhamos sido vítimas ou até proferido este tipo de discurso. Por isso é fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece.

contioutra.com - A depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza

Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional.

Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas.

Ou seja, devemos consultar um psicólogo que nos ajude e nos proporcionar estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão.

Seguindo com nosso exemplo, assim como deixamos de consumir a lactose quando descobrimos que somos intolerantes a ela, devemos “deixar de consumir”aqueles pensamentos e circunstâncias que infeccionam nossa ferida emocional.

Não valem curativos ou vendas: devemos limpá-las e curá-las verdadeiramente.

Por isso, neste artigo pretendemos normalizar aquelas sensações das pessoas que possuem problemas emocionais deste tipo. Vejamos mais sobre eles para podermos compreender e nos conscientizar…

A ansiedade, uma viagem nefasta em uma montanha russa

As sensações que nos invadem com a ansiedade são muito similares às que surgem em um passeio de montanha russa em que começamos a nos sentir mal.

Coloquemo-nos nesta situação. Fomos passar o dia em um parque de diversões no qual encontramos uma montanha russa incrível e decidimos andar nela. Para fazer isso, temos que esperar em uma longa fila até que chegue a nossa vez.

O dia é quente e o sol está batendo forte em nossa cabeça, o que nos causa uma grande dor e mal-estar físico. Sentimo-nos cansados e não temos vontade de subir no vagão, mas fazemos isso, porque afinal estamos ali para aproveitar.

Uma vez sentados, nosso coração começa a bater forte, tudo dá voltas ao nosso redor, os vagões giram 360 graus várias vezes, nos submergimos em túneis escuros e tudo parece nos atacar.

Nossa respiração se acelera e nosso coração não pode parar. Sentimos que de um momento ao outro vai acontecer alguma coisa conosco. Nossas sensações estão bagunçadas, algo nos aprisiona no peito, ficamos imóveis e sem capacidade de reação.

Não podemos evitar pensar em coisas negativas. Gritamos, choramos e nos queixamos, mas ninguém nos ouve, nem sequer nós mesmos. Pedimos desesperadamente que tudo aquilo pare, e sentimos que estamos morrendo na tentativa.

No entanto, não conseguimos fazer com que nosso vagão freie, pois ele só parará quando acabarem os minutos programados para a viagem.

Neste sentido, um ataque de ansiedade é igual a uma viagem que nos faz mal em uma montanha russa. Em um dado momento tudo vai acabar, mas não sabemos quando nem como, por isso manter o controle diante desta incerteza é algo tão difícil de fazer.

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A depressão, a escuridão da alma

Quem sofre de depressão sente que o mundo está envolto em névoa. Pouco a pouco vai perdendo a ilusão por tudo que o rodeia, não há nada que anime ou motive, é difícil estudar ou ir ao trabalho, e a pessoa se sente imensamente triste ou irritável.

A depressão é a gota que faz transbordar o copo, um copo que está cheio de situações e circunstâncias complicadas que nos fizeram mal e mexeram conosco negativamente.

Por isso é importante que, quando nos dermos conta de que algo vai mal, consultemos um profissional que nos ajude e dê coerência emocional ao que está acontecendo conosco.

Ter problemas emocionais não é uma escolha. Uma pessoa com depressão não diz ‘Quero me sentir mal e me coloco em um poço de tristeza para ver se me afogo com ela’. Isso não funciona assim. Na verdade, isso pode acontecer com qualquer um de nós.

Ninguém está livre das garras da depressão e da ansiedade

A depressão e a ansiedade não são sinais de fraqueza, mas sim de força. Estes problemas emocionais não aparecem da noite para o dia, mas surgem pouco a pouco por causa das dificuldades e do esgotamento emocional.

Elas também não são consequência de uma escolha pessoal. Não podemos dizer se queremos ou não queremos que nos acompanhem. Ambos os problemas emocionais são derivados da luta contra as dificuldades da vida que nos acompanham e, portanto, por termos tentados permanecer fortes por tempo demais.

Não podemos nos esquecer disso, pois ninguém está livre de se relacionar com a ansiedade e a depressão em algum momento da sua vida, seja de maneira direta ou indireta.

Prestemos atenção, compreendamos estes problemas e, sobretudo, não julguemos nem a nós nem aos outros…

Às vezes a gente se afasta para refletir; outras vezes, porque já refletiu bastante

Às vezes a gente se afasta para refletir; outras vezes, porque já refletiu bastante

Todos sabemos ser praticamente impossível refletirmos com a lucidez necessária, quando estamos protagonizando os momentos de tempestade que assolam as nossas vidas. Faz-se necessário, nesses momentos, o afastamento de tudo aquilo que nos machuca, ou nenhuma solução chegará até nós com a clareza de que então precisaremos.

E, quando as questões problemáticas envolvem diretamente aqueles que amamos, tudo parece mais denso, mais nebuloso, menos passível de ser resolvido. É muito difícil enfrentarmos as nossas próprias escuridões, bem como aquelas em que mergulham os nossos queridos, pois ambas nos deixam à mercê de inseguranças cujo enfrentamento também requer o nosso afastamento.

E esse afastar-se, no caso, não necessariamente implica o distanciamento físico, mas sim emocional. É necessário que tentemos enxergar as dificuldades de fora, como se aquilo tudo não fosse nosso, para que a carga afetiva se torne menos densa e então possamos vislumbrar possíveis saídas ao que parece insolúvel.

Assim também ocorre com os nossos relacionamentos. Quando chegamos a um ponto crítico, em que se acumularam mágoas e ressentimentos, em que nada mais parece ter sentido algum, quando as discussões se repetem exaustivamente, dia após dia, é chegada a hora de se afastar daquilo tudo. Dar um tempo a si mesmo é vital para a recarga de energias e para a reflexão sincera sobre a real necessidade do outro em nossas vidas.

Será necessária muita coragem, tanto para persistir, quanto para desistir de alguém, pois qualquer uma das decisões nos levará ao encontro do inesperado. Caso ainda haja sede de recomeçar, caso ainda reste amor verdadeiro e vontade de mudar, de ambas as partes, vale a pena reaproximar, retomar, perdoar-se e perdoar. Caso contrário, a única saída possível, que garantirá a própria sobrevivência, será não mais retornar.

Qualquer atitude que tomarmos, desde que pensada, repensada, refletida e amparada pelo coração, será a melhor para nós e para quem estiver – ou não mais – caminhando conosco. Não poderemos errar, caso tenhamos tido o tempo necessário para escutar com firmeza e resignação aos anseios de nossa alma, priorizando a nossa busca pela felicidade com que sonhamos, de maneira sincera e ética.

Porque respirar os ares translúcidos das verdades de nossos corações sempre será a melhor forma de levantarmos, de continuarmos, de perseverarmos, após cada tombo, cada dor, cada lágrima pelo caminho.

Jiddu Krishnamurti: desapegue-se

Jiddu Krishnamurti: desapegue-se

“Quando condenamos ou justificamos, não podemos ver com clareza, e também não podemos fazê-lo quando nossa mente está a tagarelar incessantemente; não observamos então o que é; só olhamos nossas próprias “projeções”. Temos, cada um de nós, uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos ser, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos a nós mesmos como realmente somos.”
– Krishnamurti –

Por que confundimos ser, amar e estar com possuir? Vivemos um estado de apego, sem conseguir olhar de fato para a delicadeza do que temos a volta.

Somos apegados ao que fomos, ao que aprendemos, ao que queríamos, ao que desejaram para nós. Somos possuidores de projeções.

O apego ao que possuímos é a ligação do prazer e do medo. O pensador indiano Jiddu Krishnamurti afirmou que somos aquilo que possuímos. É preciso atenção ao que possuímos.

O que possuímos realmente? Não possuímos nada além de nós mesmos. Não temos propriedade de coisa alguma, mas sim a possibilidade de experimentar por um tempo, ainda que infinito, um amor, um filho, um amante, uma música.

A experimentação de algo que dura pelo tempo de toda nossa vida não significa sua posse; significa estar de maneira nova a cada tempo desta infinitude.

Desapegar-se é estar atento ao que somos, é preparar-se para o novo, inclusive para o novo que há em nós. Aprender sobre nós mesmos é ter a chave que liberta nossas asas, porque é um aprender infinito e presente, em constante movimento; este aprender não pode estar envolvido em juízos e valores, porque é um experimentar com suavidade.

É preciso uma mente livre com a capacidade de ver e escutar. É difícil olhar com simplicidade. Olhar com simplicidade é olhar diretamente, sem medo. É também a capacidade de olhar para nós mesmos sem nenhum astigmatismo, é a capacidade de dizer que mentimos quando mentimos; de aceitar nossos erros, conhecer nossas ilusões e vaidades.

Olhar com simplicidade é desapegar-se. Desapegar-se é abrigar nossas despedidas como um novo encontro. Desapegar-se é receber asas.

Somos instantes infinitos

Somos instantes infinitos

“Somos instantes, palavras, poesia. Dois delirantes ficando reais”. (Dudu Falcão/Lenine)

Se somos instantes, quando deixamos de perpetuar a sinestesia dos corações itinerantes? Como elucidar tamanha inquietude à vista do outro? Sinta o contorno das mãos, enxergue, ao invés de apenas olhar aquilo diante do seu campo de visão. Abrace a chegada, de modo que a partida seja simplesmente uma formalidade, saboreie sorrisos como se fosse o alimento mais aguçante ao paladar. Edifique a si mesmo.

Já não comporto metades ou contento-me com fragmentos, durante o caminho dos dias. Mas recebo de braços abertos doses desmedidas de inteiros, porque é nos inteiros que residem os instantes. Quando se reconhece isso, o universo ganha ares expansivos. Poesias travestidas de palavras deixam de ser meros artigos literários para contemplação. Elas transcendem para realidades vividas e sentidas. É não querer perder as janelas das vistas mais belas, girando, adentrando em curvas subliminares, mas sensitivas àquilo que simplesmente podemos nomear de viver.

Quisera lançar figuras no ar e tatear com destreza símbolos e significados inebriantes, atemporais e, principalmente, transparentes para um todo. Mas somos instantes, não? E instantes, mesmo que presenciados por todos, ainda assim são particulares, vistos em pequenas frestas do coração, e somente do coração receptivo, destemido, sonhador.

Tenho pra mim que muito ainda me emociona, pois o beijo é poesia no silêncio (leve-me até a lua), escrever é um exercício com o ouvido de dentro e todo o sentimento está acima de quantificações porque tratam dos dispostos ao impossível de formas possíveis. Somos instantes infinitos.

Minha Mãe- Vinicius de Moraes

Minha Mãe- Vinicius de Moraes

Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

Vinicius de Moraes

O poema acima foi extraído do livro “Vinicius de Moraes – Poesia completa e prosa”, Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1998, pág. 186.

Conheça a vida e a obra do autor em “Biografias”.

Ninguém quer nada sério! Será mesmo?

Ninguém quer nada sério! Será mesmo?

Está tentando mudar seu status de relacionamento há algum tempo sem sucesso? Conhece pessoas novas, até rola alguns encontros, mas depois de algumas semanas, as coisas desandam e você se vê de novo com aquela sensação de frustração, desilusão e cansaço?

Tem a sensação (ou a certeza) de que ninguém quer nada sério e de que as pessoas realmente bacanas já estão comprometidas? Já se pegou pensando que os homens só querem sexo e as mulheres são todas interesseiras?

Se você se encaixa nesse perfil, seja com apenas um desses pensamentos ou com todos eles, deve ter apenas uma certeza real: a de que você está se enganando! Está mentindo para si, tentando justificar alguma questão pessoal dando desculpas que são, infelizmente, cada vez mais aceitas e até reforçadas pela sociedade!

Porque, pensa comigo: você, sendo mulher, considera-se interesseira ou que não quer nada sério? E, sendo homem, realmente só pensa em sexo e não quer nada sério? De verdade, pode até ser que uma pessoa ou outra admita que sim, que não quer ter um relacionamento bacana e que pretende ficar sozinho para o resto da vida.

Porém, tenho certeza (absoluta) de que 99% das pessoas que vão ler esse texto querem, sim, viver um amor que valha a pena. Encontrar alguém bacana com quem possa ter um relacionamento intenso, sincero e cheio de paixão. E, mais do que isso, poderia apostar que a grande maioria é muito gente boa e cheia das melhores intenções.

Então, qual é o problema? Por que tantos desencontros, tantos mal entendidos, tantas frustrações? Bem, certamente podemos começar admitindo que o amor não está a cada esquina. Encontrá-lo é um processo, um despertar, um olhar que começa sempre voltado para dentro de cada um, para depois se abrir para o mundo e conseguir reconhecer o que se busca.

Depois, convenhamos: enquanto homens e mulheres não pararem com essa bobagem de rotular uns aos outros, repetindo aos quatro cantos que ninguém quer nada sério, que homem é isso e que mulher é aquilo, não vai dar pra enxergar quem o outro é de verdade.

Pare com isso de uma vez por todas. Comece a olhar para cada pretendente como uma nova chance, uma nova oportunidade, uma nova pessoa, alguém desconhecido sobre quem você nada sabe, mas está disposto a ouvir, a conhecer, a olhar com olhos de quem busca o amor e não de quem busca mais um fracasso para se sentir, de novo, cheio de razão.

Sim, porque por mais que pareça loucura ou total incoerência, é exatamente isso que muitas pessoas parecem estar fazendo: vivendo para provar que estão certas. Relacionando-se para depois repetir, de novo e de novo, que seus relacionamentos não dão certo porque somente elas querem algo sério e mais ninguém!

Ei, mude o discurso. Mude o olhar. Mude suas crenças. Alimente sua fé no amor e nas pessoas. Tem muito homem e muita mulher desejando sinceramente viver um encontro de almas, com respeito e comprometimento. Mas enquanto você não acreditar nisso, enquanto não abrir os olhos para os tantos exemplos de alegria, entrega, romance e sucesso que existem, vai continuar mentindo para si mesmo e sendo infeliz e frustrado.

Comece a repetir algo como “tem muita gente querendo algo sério e é só uma questão de tempo para eu encontrar quem está em sintonia comigo e me procurando também”. Aquilo em que você realmente acredita tem uma força imensa, seja para te colocar no grupo dos que se lamentam porque ninguém quer nada sério, seja para te conduzir ao lugar certo, onde encontrará a pessoa certa, na hora certa!

Quando eu paro de buscar fora o que só posso encontrar dentro

Quando eu paro de buscar fora o que só posso encontrar dentro

Como entender a busca pelo autoconhecimento? O que ganhamos quando nos conhecemos melhor? Como sair daquela situação rotineira que sempre me envolvo? Ao me conhecer melhor, deixarei de sofrer?

autoconhecimento é aquela porta que abre para dentro. Ela nos leva a locais e situações que nem sempre são agradáveis à primeira vista, mas que com o decorrer do tempo passam a iluminar e fazer mais sentido. O tempo faz com que aquela situação ruim e o meu papel de vítima se tornam irreais, a situação fica mais branda e eu ganho uma maior responsabilidade sobre o que me acontece.

Na nossa vida, muitas vezes, caímos num buraco. Nós nos machucamos e ficamos perdidos com a falta de opção com relação aos problemas em que nos encontramos. Questionamos o motivo pelo qual tudo acontece e nos colocamos no nosso mais cômodo papel: o de vítima. Dizemos para nós mesmos: “Isso não é a minha culpa” e transferimos a responsabilidade pelo que aconteceu a um outro: Deus, esposa/marido, namorada(o), amigo(a), colega, chefe e por ai vai uma lista enorme…

Ficamos parados, nos apegamos àquela infelicidade e a dor. Nós nos agarramos aquela situação na espera de que algo ou alguém nos tire de lá. Isso, muitas vezes, dura um bom tempo… até que um dia  percebemos que para sair, basta ficarmos de pé.

O tempo passa, esquecemos um pouco aquela situação (até porque quem a gera é uma outra pessoa), mas acabamos caindo nela, ou em outra similar,  novamente. Nós não acreditamos, colocamos a culpa em dobro no outro e novamente ficamos esperando algo de fora nos levantar. Tudo se repete.

Chega um dia em que, de tanto cair nesses buracos, constatamos por pura lógica que existe um padrão ai, um hábito. E imagine quem está sempre presente nessas histórias: você!

Você começa a perceber que, de alguma forma, está sendo responsável pelo que acontece, de alguma forma VOCÊ tem feito determinados tipos de escolha, de alguma forma VOCÊ tem deixado algumas coisas acontecerem e que VOCÊ tem alimentado um hábito.

Esse é o momento em que a porta do autoconhecimento  é aberta— é a forma de acabar com toda essa rotina de problemas. Você começa a identificar que existem algumas características suas que contribuem para que tudo isso ocorra. Você começa a identificar o início de cada problema e isso permite que você consiga perceber quando está perante um novo buraco, mas nesse você não cai mais.

Chega um dia em que tudo começa a fazer mais sentido; que você se conhece tanto, que abraça suas qualidades e defeitos, que você se desapega do que não te traz mais alegria e que deixa de procurar a aprovação das outras pessoas;  um dia em que você passa a ser a sua própria bússola.

Quando chega esse dia, você não se enxerga mais como aquela pessoa que era — percebe que aquele caminho em que você antes passava não faz mais sentido passar. Então, você se liberta do que não é mais necessário na sua vida.

O ego é um conjunto de pensamentos rotineiros que estão enraizados na sua mente aqui no presente. É uma nuvem de hábitos criados por nós mesmos ao longo da nossa existência e que herdamos do coletivo. O autoconhecimento é o vento que afasta essa nuvem para que possamos ver o sol — a nossa essência- e, por consequência, o mundo.

Veja abaixo um texto maravilhoso que resume todo esse processo — O Livro Tibetano do Viver e do Morrer (Sogyal Rinpoche):

1.
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio…
Estou perdido… Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio… É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4.
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5.
Ando por outra rua.

Resumão:

Quando nos conhecermos melhor passamos a identificar partes nossas que contribuem com situações que nos fazem mal — aquelas que não queremos mais em nossas vidas. Nós passamos a assumir a responsabilidade pela nossa própria felicidade e pelo nosso amor. Nós paramos de culpar o outro por tudo o que acontece.

Nesse momento nos tornamos livres e mais compreensíveis tanto conosco quanto com o próximo. Percebemos que as coisas não são tão ruins quanto podem parecer e que sempre podemos melhorar o mundo exterior ao cuidar do mundo interior.

Namastê

Andando por outras ruas,

O fim de uma relação e sua ética

O fim de uma relação e sua ética

Quando uma relação afetiva termina, a saída mais curta e simplória para a resolução da instabilidade interna é o extravasar e culpar o outro pela ruptura. Na ansiedade de detratar o ex-parceiro (a), o que era segredo ou pertencia ao universo íntimo de um casal, acaba tornando-se tema comum de conversas de bar ou esquinas de um shopping. Entre uma bebida e outra, o ex-amante, que outrora fora objeto de amor e desejo, torna-se alvo de gracejos e piadas infames, simplesmente para aliviar uma dor ou culpa de quem enuncia o discurso.

Um caminho menos doloroso seria estabelecer uma ética pós- ruptura dos amantes. O que era o discurso da intimidade de um casal poderia ficar no passado. A fala proveniente da confiança e de um afeto que imperavam poderia ser respeitada. O oposto disso reside num ambiente de reminiscências melancólicas que encontra saída nas agressões disfarçadas em graça e anedotas permeadas de álcool em uma mesa de bar. Não há anormalidade em escolher alguém para compartilhar a frustração, mas a profundidade do que relatamos pode esbarrar em uma ética.

Os aspectos positivos do passado pertencem aos ex-amantes, e que isso possa ser uma lembrança agradável; já o que entendemos por experiência negativa, seria efetivamente aproveitado como correção para um novo relacionamento. A mágoa tem o poder de nos apontar o que queremos da vida e aprimorar nossas escolhas, mas não nos escravizar.

“A habilidade em aprender a superar o embróglio presente nas situações paradoxais é um fator muito significante na moldagem da plasticidade a ser adquirida pelo psiquismo. Somente assim pode-se vir a adquirir o jogo de cintura imprescindível para enfrentar as exigências, as dificuldades e as surpresas da vida. E do processo terapêutico.” (Marco Aurélio Baggio – “Erotika – Conjecturas Psicanalíticas”)

Paradoxo, humor e mudança

Paradoxo, humor e mudança

“Em caso de excesso de lucidez, loucure-se.”(Heduardo Kiesse)

Cansei de conter aquilo que não se pode domar. Quero jorrar palavras e poesia mundo afora sem a preocupação iminente dos juízes de plantão. Já passou da hora de permitir que as amarras comportamentais ditem o ritmo da minha loucura. Afinal, quem fincou os parâmetros da loucura? Quem, no excesso de lucidez, bloqueou vozes, estrofes e gestos, liberados apenas, diante da recepção estratégica do outro?

Não quero saber disso e custo a entender quem compactua com metades e regras há muito, repetidas. É um vício do qual necessito me livrar. Para poder tatear superfícies e formas diversas sem nenhuma preocupação limitadora. Chega da carência que almeja eliminar lacunas. Quero criar novos espaços, verbos e complementos.

Hoje, nasce um novo palavrão; loucure-se. Rabisco, grito e depois canto alto. Sacolejo estruturas, desfazendo métricas, golpeando os ares em busca de fôlego, inspiração. Transbordo sensações, mas sem deixar cair uma única gota, pois, entorpecido de mim, faço crescer a loucura que trará equilíbrio, amor e conhecimento.

Se algum dia desses cruzares comigo, reconheça que aqui, reside um poço de instantes e conflitos. Não ouse calar-me. Não seja usuário da vil ignorância de querer valer somente a sua voz. Não me prive, atormente, ou quem sabe, tente entrar sem pedir licença. Eu sou loucura e, para fazer morada, é bom que estenda uma boa dose de insanidade compartilhada.

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