Enlouquecer de vez em quando pode salvar uma alma

Enlouquecer de vez em quando pode salvar uma alma

Desde muito cedo na vida vamos aprendendo a nos conter.
A engolir o choro, a interromper a risada, a ponderar a língua, a ajustar os movimentos do corpo, a maneirar nos gestos.

Vamos crescendo e ficando mais regrados, mais comedidos, e isso é importante para a vida social, para respeitar o espaço alheio e o ambiente comum e ter noção dos próprios limites. Mas também acho que a disciplina excessiva das emoções pode desestabilizar uma alma.

Parece que uma pessoa adulta equilibrada é aquela que tem convicções, postura, autocontrole exacerbado, não fala na hora indevida, não titubeia nas decisões, sabe o que quer, sabe por onde vai, com quem vai e como vai.

Mas eu acho que equilíbrio mesmo é abrir-se e permitir-se expressar. Equilíbrio é um dia aceitar a chuva de lágrimas, a desesperança, a tristeza e no outro, navegar na maré calma e morna da alegria.

Equilíbrio é gritar para extravasar, é calar quando não tiver nada para dizer. É falar pelos cotovelos quando a mente sentir vontade de celebrar e narrar histórias.

Confio mais nas pessoas que são mais cheias de dúvidas do que de certezas, que têm mudanças de humor, que em alguns dias têm os olhos marejados e em outro, um sorriso largo.

Acredito na importância de se permitir transbordar, deixar energias de dentro virem à tona quando elas aparecem.

Porque um choro pode ser apenas uma limpeza de algo que machucou. Mas muitos choros contidos podem afogar uma alma.

Porque uma gargalhada descomedida pode ser uma explosão de alegria momentânea, mas pequenas felicidades reprimidas podem desencadear uma apatia no olhar para o mundo.

Porque um ato de loucura, um grito, um berro, um travesseiro arremessado na parede pode ser apenas uma euforia ou uma raiva que invadiu nossas células, mas muita raiva refreada pode causar manchas irreparáveis por dentro.

Por isso tudo, acho que bonito e equilibrado é o ser que não se envergonha de chorar, amar, sorrir, titubear, enlouquecer de vez em quando. Equilíbrio é saber que somos seres sociais e químicos, culturais e bichos, crianças e adultos, inseguros e confiantes. Tudo junto e misturado.

Harmonia é deixar-se ser, explorar-se de um polo a outro nessa mesma pele.

O mundo precisa de exemplos, não de opiniões

O mundo precisa de exemplos, não de opiniões

Existem momentos em que dói viver neste mundo, em que os interesses pessoais, os benefícios financeiros, a maldade e o egoísmo parecem ganhar sempre a batalha. Nestas situações, precisamos de bons exemplos.

Geralmente a decepção e o desconsolo que isso nos gera nos fazem acreditar que as pessoas boas sumiram e que as poucas que existem não conseguirão fazer nada que seja realmente significativo.

No entanto, as pessoas boas são as que mantêm o mundo em equilíbrio, completando o quebra-cabeças com sua sinceridade, sua honestidade, seus bons exemplos e boas ações. Todas aquelas pessoas merecedoras por alguma razão do adjetivo “boas” representam aquilo que gostamos de ter como exemplo. As demais, simplesmente, nos parecem insuportáveis.

O mundo que nos faz sofrer, nosso mundo

Há imagens que doem, que nos fazem mal e que inquietam nossa alma. Ainda que sejamos capazes de fechar os olhos, a dor alheia sempre nos atormentará. Há casos em que a injustiça nos esbofeteia como uma explosão de vergonha.

Infelizmente, muitas coisas que hoje nos fazem sofrer, amanhã vamos esquecer. Que sirva como exemplo perfeito a foto que ilustra essas palavras, a foto da desgraça, da vergonha e do sofrimento.

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“Quem sou eu para lhe dizer que não venha.
Eu também arriscaria tudo.
Cruzaria mares, fronteiras e países.
E o que fosse preciso.

Já sei que não vou dissuadi-lo.
E tampouco pretendo fazer isso.
Mas que você saiba que, deste lado, o futuro é um bem de consumo.
E os custos são cobrados em vidas humanas.

Aqui, fazemos ver que você importa para nós apenas quando nos incomoda.
Quando você cobre a praia e o sol.
Quando sua imagem nos golpeia e fica gravada em nossa alma para sempre

Sim, já sei que é vergonhoso.
E peço-lhe perdão.
É o que estou fazendo, mas é tudo o que faço.

Mas quem sou eu para lhe dizer que não venha.
Se a única coisa que temos feito por você é fazê-lo ver que não existe.
Se a única coisa que sabemos de você é um número, quando você já não existe mais”.
-Risto Mejide-

Não somos bons em lembrar coisas importantes

Graças à internet, abrimos os olhos e sabemos que os fios que nos movem são muito mais cruéis do que podemos tolerar. Provavelmente, essas mesmas palavras e imagens doem e incomodam, mas a desgraça na internet se torna viral tão rápido quanto é esquecida.

Quando algo nos toca e nos atinge, todos opinamos: no entanto, depois, se colocarmos na balança nossas ações e nossas intenções, as últimas saem ganhando. Temos medo dessas ideias que estão ceifando vidas e temos verdadeiro pavor que os interesses que movem o mundo sejam maiores que nossa união.

Nossas emoções buscam ter um impacto num mundo que nos dá medo. Ainda assim, mesmo que as palavras sejam levadas pelo vento, não há furacão que leve os sentimentos. Podem se atenuar, mas sempre permanecerão conosco, impedindo nossa indiferença.

É preciso agir e mostrar exemplos, não opiniões

A angústia pela maldade ainda é grande em nós e, como consequência, temos conseguido tolerar a impotência. Mas não estamos programados para ficar sentados em nosso sofá dia após dia.

Talvez tenhamos ficado presos numa espiral que nos faz criar sentimentos vazios. No entanto, eu ainda creio no ser humano, ainda confio que somos capazes de acreditar, de sentir e de agir de acordo.

Temos uma grande habilidade para nos justificar através das palavras. Para dar nossa opinião, costumamos encher de sentido uma frase, mas logo em seguida, o medo ganha a batalha sobre a ação.

Diante das injustiças, não podemos nos proteger em quatro frases que mascarem nossa frustração. Temos que completar nossas opiniões e não fechar os olhos, temos que nos perdoar e começar a agir.

contioutra.com - O mundo precisa de exemplos, não de opiniões

Com nossa falta de ação, estamos tendo nossa consciência manchada de sangue, a injustiça brilha tanto que consegue nos cegar.

Não permitamos que isso seja apenas passageiro; podemos combater quem cria a desgraça. Se atuamos, podemos exibir exemplos ao invés de opiniões.

O mundo é uma casa para todos os que a habitam.

O fato de que ele já estava aqui quando nascemos e de que o sol continuará nascendo quando morrermos não quer dizer que não sejamos responsáveis pelo que acontece.

Crianças morrendo de fome. Famílias de refugiados destroçadas. Mulheres violadas. Soldados assassinados. Pessoas com seus mesmos cromossomos escravizadas, costurando sua roupa. Animais torturados. Natureza devastada. Governos, ricos e máfias brincando com você, criando necessidades, encobrindo interesses e saindo impunes.

Tudo isso é muito mais que uma opinião. Por tudo isso,
o mundo precisa dos seus exemplos,
da sua ação, da sua luta. O mundo precisa de pessoas como você e eu
para inspirar profundamente, mudar de direção e, enfim, respirar.

Fonte: A menté é Maravilhosa

Descubra por que você não é uma pessoa simples

Descubra por que você não é uma pessoa simples

E você, aí, que pensa que é simples somente porque gosta de colher fruta no pé.

Que se vê como uma pessoa extremamente simples simplesmente porque gosta de andar descalço, comer com a mão, tomar banho de chuva, andar descabelado.

Porque não liga para bens materiais, usa roupas de loja de departamento e vez ou outra gosta de se enfiar no mato para tomar um banho de cachoeira.

Não, você não é simples por esses motivos. Você apenas preza pelo despojamento. Todavia, despojamento é algo diferente de simplicidade.

No dicionário:

Simples adj. 2n. 1. Que não é duplo ou desdobrado em pares. 2. Não constituído de partes ou substâncias diferentes. 3. Sem ornatos. 4. Sem complexidade ou dificuldade. 5. Sem luxo ou aparato. 6. Que se deixa facilmente enganar. 7. Puro, mero. 8. Só, único. S2g. e 2n. 9. Pessoa simples, humilde. SS simplicidade sf.

A palavra “simplicidade” não consta no dicionário; aparece, apenas, como característica do “simples”.

Para mim, simplicidade é a arte de não complicar, de aceitar as pessoas como elas são –  e aceitar a si mesmo –  de fazer do limão uma limonada e de se entregar ao momento presente.

É curar-se de si mesmo e não precisar forjar uma vida e uma identidade que não existe somente para agradar aos outros ou por necessidade de despertar inveja.

É amar a própria companhia, acolher a própria solidão e aprender a se divertir com ela.

É se dedicar com afinco a tudo o que se propõe a fazer, seja realizar um grande projeto ou lavar uma louça.

É conhecer os próprios limites e respeitá-los. É respeitar o espaço do outro. É valorizar e aplaudir não apenas o pôr do sol, mas o gesto de carinho recebido.

Simplicidade é a capacidade de gostar da própria vida sem precisar provar nada para ninguém.

É a competência de aceitar a idade que se tem e saber que cada idade possui belezas e possibilidades particulares; olhar sempre para os ganhos, nunca para as perdas.

Simplicidade é o ato de fazer escolhas levando em conta o que realmente tem valor para você, não o que se estabeleceu socialmente como valor.

É ter coragem de não mentir para si mesmo, não invejar a vida de ninguém, não cobiçar o que outro tem.

Simplicidade é qualidade de quem não julga, não condena, não pune – ou ao menos tenta.

Simplicidade é qualidade de quem não se julga, não se condena, não se pune – ou ao menos tenta.

É aprender a ouvir “não” sem se sentir rejeitado e continuar acreditando no próprio sonho e batalhando por ele.

É não querer controlar a vida de ninguém e enxergar as diferenças como possibilidade de soma e não de subtração.

contioutra.com - Descubra por que você não é uma pessoa simplesÉ ter humildade para aceitar (e consertar) os próprios erros e aprender com os mais adiantados – ou seja: não se aborrecer porque acabou de entrar no ônibus, mas não pegou um lugar na janelinha.

É se curar da vaidade. Por vaidade, entenda: necessidade de mostrar que você é mais do que no fundo você é ou acredita ser.

E você, aí, achando que só porque gosta de boteco pé sujo com cerveja gelada e amendoim torrado é uma pessoa simples.

E você, aí, achando que só porque gosta de baixa gastronomia e espaços undergrounds é uma pessoa simples.

Achando que só porque bebe café em copo americano –  e não em uma  xícara – e uma pinguinha vez ou outra é uma pessoa simples.

Que só porque não tem “frescuras” é uma pessoa simples.

Creia: existem pessoas “frescurentas” que são imensamente mais simples que você. Em geral são pessoas que fizeram as pazes com elas mesmas, conhecem seus valores e não se afastam deles; pessoas que não criam expectativas, não esperam mais do que os outros podem dar, evitam julgamentos e não querem provar nada para ninguém.

Bora exercitar a simplicidade e não apenas o gosto pelo simples?

FALANDO NISSO

A foto que ilustra esta postagem (autor desconhecido) e está circulando pelo Facebook é da top model Gisele Bundchen e foi feita no camarim da abertura dos jogos olímpicos. Gisele, que faz parte do rol das estrelas mais belas e bem pagas do mundo, nos ensina com suas atitudes e entrevistas a beleza de ter alcançado a simplicidade. Eis aqui uma entrevista em que ela fala sobre o seu sucesso.

5 maneiras de conter relações tóxicas na família

5 maneiras de conter relações tóxicas na família

Devemos aprender a nos por no lugar do outro e estar dispostos a entender mais além das palavras e dos atos.

“Ninguém merece viver em um ambiente emocionalmente tóxico. Sair dele não é somente necessário como também é absolutamente vital.”

Há familiares tóxicos que podem nos fazer muito dano. Cada integrante do núcleo familiar pode nos complicar a vida seja através de seus comportamentos ou de suas palavras.

Desta forma, a família é um dos ambientes mais comuns entre os que se desenvolve o drama das relações tóxicas. Além disso, soma-se uma dificuldade mais: não podemos nos afastar dessas pessoas, já que sempre haverá algo que nos uni.

Podemos ter ex-parceiros, mas não ex-mães, ex-pais, ex-irmãos, ex-avós, etc. Isto é, podemos por um ponto final em um relacionamento de casal, mas não podemos fazer isso com nossos familiares.

Não podemos escolher nossa família e isso requer que, ainda que não gostemos dela, tenhamos que nos adaptar. Geralmente nos vemos submetidos a certas normas dentro do nosso núcleo familiar, e isso nos afoga.contioutra.com - 5 maneiras de conter relações tóxicas na famíliaIsso faz com que nos sintamos escravos, presos e sem saída. Além disso, ocorre que, quanto mais relevante seja o lugar ou a posição que ocupa o familiar tóxico, mais difícil será a saída, ou exercer nossos direitos.

Dizem que existem dois tipos de famílias: as rígidas e as flexíveis. Nas primeiras domina a toxidade, pois seu funcionamento é fruto do uso intenso e irracional do poder.

O fato de isso acontecer implica grande dificuldade na hora de nos relacionarmos, pois eles nos impedem de expressar com liberdade nossos sentimentos e nossas opiniões, conversas ou nos mostrarmos como somos.

Esses familiares são, sem dúvida, vampiros emocionais. São essas pessoas que impõem as coisas, tem inveja e descaso por alguém que deveriam cuidar.

Como comentamos, o mais lógico e provável é que não consigamos romper essa relação com facilidade, pois um vínculo familiar não se desfaz com tanta rapidez.

Entretanto, existem vezes em que as relações se intensificam e não resta outra solução se não fugir do ambiente tóxico.

Como podemos agir?

Segundo Laura Rojas Marcos, a maioria dos conflitos vêm originados pelas lutas de poder, o sentimento de direito e a falta de limites.

Quais são as chaves para nos libertarmos de um familiar que queira nos prejudicar com suas palavras ou seus atos?

1. Ficar no lugar dos outros: a empatia

Isso não significa que devemos nos submeter aos desejos ou às necessidades dos demais, mas sim que tenhamos a disposição de compreender o que acontece além das palavras e dos atos.

Ou seja, “praticar a empatia” significa escutar e considerar o que os demais dizem. Isso nos ajudará a aceitar a possibilidade de não chegar a um acordo sobre o que nos peçam, pois cada um têm suas necessidades diferentes.

Nestes casos, deve existir um pacto de respeito ao desacordo, algo que facilitará a convivência. Isso é: você quer algo que não é compatível com o que eu quero, aceitemos e sigamos em frente.

2. Respeitar a intimidade e o espaço de cada um

Respeitar o outro significa aceitar que o “não” seja uma resposta, tolerando assim a frustração, ainda que pareça injusto. Não podemos nos intrometer nas coisas dos outros, já que pode desenvolver grandes conflitos familiares.

Tal e como conta Rojas Marcos:

“nas relações familiares, são feitas coisas que não agradam todos. Se entrarmos sem avisar na casa de um filho ou se fizermos uma ligação em horário inapropriado, precisamos estar preparados para receber uma resposta que pode não nos agradar e que marque os limites da relação”.contioutra.com - 5 maneiras de conter relações tóxicas na família

3. Ser respeitoso e se manter firme

Geralmente é habitual que, em conversas familiares, se diga a primeira coisa que vem à cabeça. Isso acontece porque não passamos o filtro da educação e do respeito nas nossas palavras e nossas ações.

É provável que uma grande parte de nós tenha um familiar perto que pensa que pode dizer tudo o que pensa e que suas percepções e opiniões estão acima de qualquer outra.

Isso criará grandes conflitos, por isso é importante que fiquemos distantes nessas situações e que ponhamos limites de forma calma, explicando para essa pessoa que o que ele disse está causando dor emocional.

4. Ser assertivos e utilizar as palavras mágicas

Há relações familiares que se baseiam em jogos de poder. É provável que não queiram poder, que só queiram liberdade para agirem e se expressarem, e pode ser que existam pessoas que dificultam essa transição.

Nessas situações, devemos nos manifestar dizendo “não posso”, “não quero” ou “não estou de acordo”, sem medo. É importante nos sentirmos seguros com nós mesmos, agir com determinação e fazer valer nossa capacidade de escolha.

Além disso, ainda que estejamos em família, devemos sempre pronunciar as palavras “obrigada” e “por favor”, já que com elas expressamos consideração e amabilidade, mostrando respeito.

5. Ser paciente

Ficarmos impacientes faz com que sejamos impulsivos e que não reflitamos na hora de avaliar as circunstâncias e as tomadas de decisões. Por essa razão, é indispensável que desenvolvamos nossa capacidade de espera e de reflexão antes de atuar.

Pode ser que não consigamos resolver as dificuldades que acompanham o esgotamento gerada em uma relação familiar tóxica. Portanto, às vezes, é inevitável a decisão de romper com a unidade da família e, por exemplo, ficar longe dessas pessoas.

Não podemos nos esquecer de que os vampiros e que os destruidores emocionais estão presentes em todos os contextos de nossa vida, o que requer que sejamos hábeis em identificá-los e em nos proteger deles.

Assim, é importante que aprendamos a controlar a intensidade das emoções como a raiva, pois podem gerar dramas.

Devemos manter o bom senso e avaliar muito as consequências de nossos atos, levando em consideração os limites emocionais e físicos, que nunca deveríamos ultrapassar.

Fonte: “Família: das relações tóxicas as sanas”. Laura Rojas Marcos; Melhor com Saúde

Se você achar que encontrou um príncipe encantado, pare e olhe de novo

Se você achar que encontrou um príncipe encantado, pare e olhe de novo

ATENÇÃO PRINCESAS IMAGINÁRIAS: Príncipes Encantados não existem em nenhum lugar além de nosso imaginário. O encantamento só é possível quando relacionado a deturpação da realidade.

LOGO, quando algo é perfeito demais só temos duas opções:

A primeira diz respeito a possível projeção de nossas fantasias. Isso acontece quando, ao longo da vida, idealizamos uma situação como se ela fosse ideal e pudesse nos fazer felizes. Normalmente essa situação está relacionada a encontrar em alguém (não em nós mesmos) a figura da pessoa que nos “salvará de nos mesmos” através do suprimento de carências afetivas ou até mesmo de necessidades financeiras. Nesse caso, o indivíduo fantasioso “sonha” que, quando a “pessoa certa” aparecer, seus problemas deixarão de existir e ela viverá, como nos contos de fadas, “feliz para sempre”. Veja que o problema não está na fantasia e sim no fato de que se acreditar que é possível encontrar um alguém e “se realizar” sem perceber que o outro com quem estamos nos relacionando também é um ser com história de vida anterior, fantasias e vontades. Logo, o encaixe perfeito é, desde o início, algo impossível de acontecer. Relações verdadeiras só existem através da construção e, normalmente, só tem início depois que o encantamento começa a dar espaço para a verdadeira percepção da realidade. O melhor disso tudo, entretanto, é que nossa fantasia só compreende coisas que nós conhecemos em nossa visão de sonho e realidade mas, quando o outro chega, com sorte, ele pode vir para somar. Então, se você ainda vê um príncipe- ou princesa em sua relação atual, talvez seja melhor esperar um pouco mais para descobrir com quem você está se relacionando.

A segunda é ainda um pouco mais complicada, pois implica que nossa ingenuidade sonhadora seja utilizada por pessoas perspicazes que identificam “presas fáceis” e as manipulam interpretando o papel de parceiros ou parceiras perfeitos para que seus objetivos sejam alcançados. É isso o que acontece e serve de sustentação para grandes frustrações e relações abusivas onde, no começo, o parceiro parecia saído de um filme da “Sessão da Tarde”.

Ou seja, lembre-se que o parceiro- ou parceira- perfeito é um sintoma de alucinação amorosa. O verdadeiro amor só acontece quando permitimos que o tempo da relação aconteça sem atropelos e seja baseado no conhecimento mútuo. E, vale lembrar, isso não acontece em um e nem em três meses de namoro.

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Imagem de Jo-B por Pixabay

Nem todo perfume me inebria, nem todo sorriso me convence

Nem todo perfume me inebria, nem todo sorriso me convence

Gosto é uma coisa. Aquela coisa que não se discute, particular, individual, personalizada.

É historia pessoal, a provocação que mais ninguém conhece, aquilo que não se desvenda por adivinhação, nem se interpreta por dedução.

Eu gosto de pêssego, você de abacaxi. E eu gosto de experimentar do que você gosta. Quem sabe eu gosto também. Ruim é colocar a recusa na frente, como um escudo para não alcançar a coleção de gostos tão carinhosamente cuidada.

É o perigo de eu achar que meu gosto vale mais do que o seu. E isso é de extremo mau gosto.

Ter gostos mais ou menos definidos é positivo porque definem um norte para o que se quer e o que se encaixa para a vida. E descobrir novos gostos é sempre um vitória a ser incorporada e comemorada. Nada mais prazeroso do que se descobrir inebriado ou encantado por algo novo e agradável aos sentidos, sejam eles quais forem.

Conhecer os próprios gostos ajuda a descobrir o que não é de gosto. Ajuda a evitar o que causa desgosto, na maioria das vezes.

Aprender que o gosto alheio é tão importante quanto o seu próprio, ainda que aos seus olhos, estranho, extravagante, curioso, simplório, ou sem definição suficiente.

Com o tempo a gente aprende que as diferenças são peças essenciais no quebra cabeças do crescimento.

E, se por gosto ou somente por ignorância, eu vier a desprezar o seu gosto, por favor, me perdoe o mau gosto. Definir os limites de defesa do meu gosto sem esbarrar nem atropelar o seu, é uma luta diária e árdua que ainda enfrento pela vida afora.

Nem todo perfume me inebria e nem todo sorriso me convence, mas ainda estou longe de ter um vasto leque de gostos. Estou, assim como você, em contínuo crescimento.

Três sinais de que ele não está a fim de você de verdade!

Três sinais de que ele não está a fim de você de verdade!

Você conhece alguém que parece bacana. Vocês começam a conversar, trocar mensagens e a sintonia é cada vez maior. Você se empolga e tem a sensação de que, finalmente, encontrou a pessoa que tanto procurava.

Os dias passam e a intimidade aumenta. Parece que vocês se conhecem há anos. A vontade de falar, de saber um sobre o outro faz com que seus pensamentos se voltem para a expectativa de que esse desejo se torne realidade o quanto antes.

Esse é o típico cenário montado na mente e no coração de uma pessoa apaixonada. Ela só enxerga possibilidades e felicidade. Não tem como dar errado. Tudo aponta para o tão sonhado grande amor. E esse conjunto de sensações, sentimentos e emoções é realmente tudo de bom!

Se o outro corresponder a esse cenário, vai agir de modo coerente com o que declara sentir e querer. E o relacionamento vai mesmo ganhar forma e consistência. A paixão amadurecerá e dará lugar ao amor.

Porém, é preciso cuidar para não enxergar o que não existe. Pessoas apaixonadas tendem a ver apenas o que querem e a ignorar sinais que indicam a grande cilada na qual estão prestes a cair. Para que você não se iluda é importante saber identificar alguns comportamentos que são típicos de quem não está realmente a fim de você. Fique de olho:

  • Não cumpre o que promete. Diz que vai ligar e não liga. Some por um tempo, sem dar satisfações e age como se isso não fosse motivo para preocupar ou entristecer o outro. Assume compromissos, mas desmarca em cima da hora. Adia os acontecimentos sem razões claras.
  • Culpa o outro pelo que não dá certo. Justifica sua ausência por causa das cobranças, mas depois reaparece e continua a sua dinâmica: oscila entre ser encantador e distante ao mesmo tempo. 
  • Deixa no ar uma estranha sensação de vazio. Suas palavras parecem suspensas e desconectadas de seus sentimentos. Parece que está ali e em outros lugares ao mesmo tempo, como se não estivesse inteiro, presente e realmente a fim de estar com você.

Note que esses sinais vão apontando para o que realmente está acontecendo e não para o que a pessoa apaixonada gostaria de viver. Então, se você está prestes a cair numa armadilha como essa, questione-se sobre o que você realmente quer e que tipo de pessoa você quer ao seu lado!

Não se deixe enganar por sua carência ou por sua ansiedade porque isso só vai fazer você perder mais tempo com quem não está em sintonia com você. Seja inteligente e racional. E, em último caso, pergunte! Isso mesmo!

Num tom de voz seguro e de quem sabe o que quer, deixe claro o tipo de relacionamento que você está buscando e pergunte o que o outro quer. Assim, ao menos você, estará sendo coerente. De nada vai adiantar falar que não quer ser tratada com indiferença ou incoerência, mas continuar ali caso o comportamento do outro não mude.

Veja também:

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Em situações como essa nada faz mais sentido do que acreditar que “a fila anda”. Porque se você realmente acredita que merece viver um grande amor, saiba que existe alguém que se encaixa perfeitamente com esse seu desejo.

E se não é essa pessoa, que venha a próxima. Cada uma que for embora deixará em sua vida uma grata e deliciosa certeza: a de que a pessoa que se encaixa com seus sonhos está bem mais perto do que antes.

* Rosana Braga é consultora de relacionamento do ParPerfeito, o maior site de relacionamento sério do Brasil.

O que há de gente em nós

O que há de gente em nós

A vida contemporânea parece estar imbricada com um certo estado de desumanização, no qual perdemos a capacidade de observar aquilo que acontece ao nosso redor. É como se tivéssemos perdido a sensibilidade e, assim, tornamo-nos ocos e frios.

Transformados em homens de olhos secos que não possuem rios de lágrimas, deixamos a triste condição Severina se instalar e criar morada. Deixamo-la tornar-se habitat natural dessa desumanização. Diante disso, uma pergunta tem me incomodado: o que há de gente em nós?

Somos seres precários e finitos, de tal maneira que a vida nunca se apresentará em condições normais de temperatura e pressão. No entanto, dada as condições, através do modo como nos comportamos, conseguimos piorar a situação exposta, inclusive, levando a ideia de Aldous Huxley de que este mundo seja o inferno de outro planeta.

Em larga medida o inferno que habitamos está alicerçado no nosso egoísmo e individualidade, os quais nos tornam personagens de Saramago, indivíduos com a cegueira branca, isto é, cegos que nunca cegaram, mas cegos que podendo ver, não enxergam, já que estão envoltos por uma segunda pele bem mais forte que a outra, que por qualquer coisa sangra, chamada egoísmo.

Uma segunda pele que nos aliena das labaredas em cada esquina e dos espinhos que ferem a cabeça de outro ser que poderia ser chamado de humano. Uma segunda pele que banaliza o mal e nos torna apáticos diante do horror que fingimos não ver todos os dias.

Em que ponto nos perdemos? Como podemos achar o mundo exterior tão desinteressante, tão insosso, a ponto de não nos indignarmos quando uma pessoa morre em uma fila de hospital por falta de atendimento? Ou pior, quando centenas de pessoas morrem porque existe um hospital pronto, mas o aparelho burocrático não o deixa funcionar? Será que as regras são mais importantes que os jogadores? Qual o valor de um ser humano? O que há de gente em nós?

Parece que estamos tão saturados com o mal, que sequer percebemos ao andar na rua que existem crianças pedindo dinheiro no sinal, enquanto outras passeiam na Disney; que, enquanto milhares de pessoas morrem de fome, outras tantas fazem dieta. Como aceitamos tamanha paradoxalidade, tamanho absurdo?

Mundo do absurdo, da intolerância, da falta de empatia, do egoísmo, em que nada nos incomoda, nada nos comunica, nada nos incita, no qual o horror se tornar show e é espetacularizado diariamente, como no mundo distópico de Laranja Mecânica de Anthony Burgess. Mundo em que pessoas morrem tentando sair de um país a procura de um novo lugar para chamar de lar, enquanto outras escolhem onde querem morar. E nós passando por esse mundo, como se estivéssemos em uma Timeline, apenas “curtindo” ou não situações, sem de fato refletir, se indignar e, sobretudo, se incomodar.

Incomodar, verbo repetido intencionalmente até aqui, para que percebamos o quanto ele está em extinção, já que não queremos nos incomodar. Queremos sentir prazer, sorrir o tempo inteiro, sem qualquer tipo de dor ou “incômodo”, acima de tudo, se ele vir de outra pessoa que queira romper a nossa segunda pele, que nos “protege” e nos faz mais “fortes”.

Tudo o que queremos, como diz Clarisse em “O Mineirinho”, é manter as nossas casas presas ao terreno, a fim de que elas não estremeçam. É continuar fabricando deuses à imagem do que precisarmos para continuar dormindo tranquilamente, os quais sempre tratam de nos acalmar com o sentimento de que não há nada a fazer.

Tudo o que queremos é continuar sendo os sonsos essenciais, os baluartes de alguma coisa e os cegos que podendo ver não enxergam, para que não corramos o risco de nos entendermos. “Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo — uma coisa que entende”.

E essa coisa que desorganiza tudo é aquilo que há de gente em nós, é aquilo que rasga a segunda pele chamada de egoísmo e faz com que a nossa primeira pele se incomode, é aquilo que faz com que os leitos dos olhos voltem a ter lágrimas, para que possamos dar de beber a quem sofre, porque mesmo quando a água é pouca, continuamos sabendo o que é sede e mesmo quando não nos perdemos, também experimentamos a perdição.

Talvez Huxley esteja certo e este mundo seja mesmo o inferno de outro. Acho que ele não tinha certeza, mas estava incomodado com a ordem posta e procurava, como Clarice, a coisa que desorganiza tudo, a coisa que entende, o que há de gente em nós. Ele deve ter encontrado a humanidade no Selvagem do seu Admirável Mundo Novo; Ela encontrou no Mineirinho, mas foram necessários treze tiros até que ela se tornasse o outro, para que ela quisesse ser o outro, para que fosse o próprio Mineirinho. Resta saber, quantos tiros são necessários para que sejamos o outro e, então, saibamos, o que há de gente em nós.

Até onde podemos chegar

Até onde podemos chegar

Não estamos acostumados a estar sozinhos de forma alguma. Não lidamos bem com a solitude, estamos sempre a procura de alguém ou de algo que nos faça esquecer de nós mesmos e que preencha a nossa solidão. Afinal, não é tarefa fácil olhar pra dentro de si como se fosse um espelho e se sentir à vontade na própria pele a ponto de apreciar a sua companhia.

Parece algo simples, estar consigo mesmo, mas não é. A maioria das pessoas foge da própria solidão ou ocupam com outras coisas, programas, atividades e pessoas esse espaço. Tem muita gente que não gosta de fazer nada sozinho e sempre precisa de alguém a tiracolo pra tudo de uma ida ao dentista a uma entrevista de emprego.

Temos uma dificuldade inerente em navegar esse mundo sozinho, em aprender a lidar e administrar as situações contando apenas com nós mesmos. Somos muito dependentes do olhar externo, da opinião do outro sobre a nossa vida. Claro, que ter com quem contar, ter alguém que nos ouça e torça pela gente é algo extremamente positivo.

O problema nessa premissa é procrastinar decisões que envolvam a nossa vida e o nosso bem estar, por precisar da validação de alguém para poder seguir em frente e decidir. Independência, autonomia e confiança são ingredientes fundamentais em cada um de nós. E ser autossuficiente é sim uma característica muito positiva de se ter em uma sociedade cada vez mais dependente e carente de atenção o tempo todo.

Parece estranho, mas muitas pessoas gostam de chamar atenção se vitimizando, mostrando o quanto são frágeis e inábeis em tomar uma decisão. E seguem assim pela vida sendo tratadas como café com leite ou incapazes de administrar as situações. Gostam de se sentir assim como coitadinhas, gostam de serem cuidadas, adoram o excesso de atenção.

E o mundo vive recompensando essas pessoas com o cuidado que elas tanto querem ter em suas vidas, são sempre poupadas das coisas. Isso sinceramente é um desserviço a elas mesmas, sem se darem conta estão se limitando, se colocando em uma prisão e delimitando com uma linha imaginária até onde elas podem ir, até onde podem lidar na vida, sem ao menos tentar transpor o desafio.

Acredito que buscar o próprio crescimento enquanto indivíduo, buscar se libertar daquilo que te atrapalha e te impede de seguir em frente, é fundamental. Ser independente, ser maduro para saber lidar com as cartas que a vida te dá, é importantíssimo na vida. De forma geral, a vida é muito difícil, tem momentos que tem tanta coisa para administrar que achamos que não vamos dar conta. E tudo bem também se não dermos.

Não tem problema nenhum em estender a mão e pedir ajuda. Todo mundo precisa de ajuda em alguma coisa, por isso que enquanto seres humanos, nós nos complementamos e podemos ajudar o outro em algum aspecto e no outro precisamos daquela ajuda para avançarmos. As coisas são assim mesmo e feliz é aquele que tem amigos ou familiares a quem possa recorrer quando as coisas ficam difíceis.

Ser autossuficiente não quer dizer orgulhoso. É importante sim poder lidar com as suas coisas sozinho, mas também fundamental saber pedir ajuda quando precisamos. São coisas diferentes e não podem ser tratadas como iguais. Na vida, como em tudo, o importante é ter equilíbrio e saber dosar as coisas, ter sabedoria de diferenciar o que podemos e devemos fazer sozinhos e aquilo que precisamos de um pouquinho de ajuda para prosseguirmos.

É aprender a dosar o orgulho e o ego para aprender a ser independente e autossuficiente quando a situação se apresenta. É se conhecer, é entender quem se é e até onde podemos ir sem nos atropelarmos no processo. E com isso também aprendemos os nossos limites e nos respeitamos para não cruzarmos essa linha e não nos machucarmos no caminho.

Antes de sucumbir ao ódio, mergulhe no carinho

Antes de sucumbir ao ódio, mergulhe no carinho

Ódio; substantivo masculino

1. Aversão intensa ger. Motivada por medo, raiva ou injúria sofrida; odiosidade.

Nunca vivemos em tempos tão obscuros. Fala-se constantemente do mais amor e do respeito ao próximo, mas o que se vê nas ruas e na Internet, é uma intensa batalha de egos. Necessidades movidas por disputas, muitas vezes, vazias.

Uma sociedade cada vez mais preocupada em falar ao invés de escutar. Discordâncias políticas, culturais e religiosas transformando a palavra ódio em algo maior que a própria palavra. É o puro sentimento do malquerer.

Se o assunto é o governo, ódio. Se o assunto são as Olimpíadas, ódio. Se o assunto é o trânsito caótico, ódio. Não importa o tema, mensuramos os nossos desamores em gestos duros. E isso já ultrapassou o descontentamento.

Até mesmo os desavisados, perdidos na clareza dos pensamentos, enxergam oportunidades de despejar o menos querer. E como se já não bastassem tantas preocupações, os meios ainda contribuem para essa perpetuação amarga.

É muito fácil falar de amor e pouco vivê-lo. É muito fácil falar de fé e pouco praticá-la. É muito fácil falar de respeito e pouco entendê-lo. Porque há sim, uma linha tênue entre pensar o bem e de fato, alcançá-lo.

Em todos os instantes dos quais rogamos, maltrapilhos, o cair do outro, nada conseguimos. Essa pequenice da alma é desejo dos tolos.

Antes de sucumbir ao ódio, mergulhe no carinho. Leia, ouça e sinta o peito mais próximo da afetividade e não da maldade. Verdade seja dita, quem não reconhece empatia – por mais doloroso que seja, perde cedo a beleza dos acasos.

“Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem

(…)

A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa”

Se eu não tivesse optado por calar, teria dito coisas horríveis

Se eu não tivesse optado por calar, teria dito coisas horríveis

… e teria me arrependido depois, não por você obviamente, mas por mim, que não mereço carregar palavras duras, pesadas, odiosas como minhas.

Fiz o certo, fiquei de boca fechada e não entrou mosca. Também não saiu nenhuma ofensa, nenhum xingamento, nem uma única insinuação. E, acredite, eu tinha uma trança de coisas para dizer, mas nenhuma delas faria a menor diferença no desfecho da história, porque era um enredo fraco, com personagens sem sintonia e faltou talento para esquentar a cena.

Dizer o que me desapontou não te fará mudar um milímetro do que é e tem certeza de ser. E o que me desapontou é problema meu.
Justificar porque desapontei é desnecessário, já que isso é problema seu e você preferiu não tocar nesse terreno.

Como é difícil calar quando tudo o que se quer é falar, esbravejar, discutir e desarrumar o tabuleiro. Como é difícil não chamar a atenção para si, para sua decepção, para que assimilem suas razões, sintam compaixão de suas decepções, tomem partido, levantem bandeiras, não deixem a briga esfriar.

Porém, passada a fase aguda, que alívio, que enorme prazer! Que gostosa a certeza de que eu conheço as minhas certezas e não é preciso gritar na janela, jogar no ventilador, escrever uma longa e dolorosa mensagem, desabafar, se esparramar em argumentos.

Se eu não tivesse optado por calar, teria dito coisas horríveis e estaria agora arrastando as correntes da vergonha, do arrependimento, do ridículo que teria passado e feito passar.
Creio que nada que não fosse merecido ouvir, mas não por mim. Recuso esta tarefa.

De todas as conclusões, e também depois de comemorar a sábia decisão, fico com a serena conclusão de que não falei o que sentia por opção. Você, que seria o alvo da missão abortada, muito antes preferiu calar, por não ter realmente nada a me dizer.

A artista que transforma comida em arte.

A artista que transforma comida em arte.

Tisha Cherry cresceu ajudando seu pai no restaurante da família. Mas além do gosto pela culinária, Tisha também é apaixonada por artes, moda e cultura pop. Resolveu transformar a comida em formas e cores e criou uma marca própria, a “Arts in the Eats”, através da qual cria pratos que prestam homenagem à arte.

Com suas fotos no Instagram, a artista mostra que biscoitos podem virar quadros, frutas podem virar jóias e balas podem virar animais. Confira:

✨CHERRY’S CHEWLERY SUMMER ’16 Collection: DELICIOUS BLACK(BERRY) DIAMONDS ??✨ #ArtintheEats #EatWear

Um vídeo publicado por tisha cherry ??? (@tishacherry) em

Confira mais no Instagram da artista: Tisha Cherry

Fonte: CuteDrop

Nada nem ninguém vai tampar esse vazio – terá que mergulhar nessa escuridão

Nada nem ninguém vai tampar esse vazio – terá que mergulhar nessa escuridão

Algum lugar do mundo, 04 de agosto de 2016

Esse vazio que você sente, nada nem ninguém poderá preencher. Nem cigarro, parente ou mesmo os mais belos presentes serão capazes de completar. Nem novela, balada, bebida, nem mesmo a vida que sonha em ter. Nem amigos, estilo, nem os títulos mais pomposos serão suficientes. Nem sexo, reconhecimento, o calor do momento ou carros bonitos o farão passar. Viagens para Disney e fotos com milhares de curtidas não te acalmarão. Nem dinheiro, uns quilos a menos ou todas as comidas que para dentro enfia.

Talvez isso tudo o distraia por alguns momentos, assim como funciona um remédio para dor. No momento em que o efeito vai embora, entretanto, o sintoma se agrava por você ter forçado a parte machucada enquanto ignorava a verdadeira causa da dor.

E assim, por evitarmos nossas feridas, elas vão se acumulando, criando uma densidade tão grande dentro de nós, que de tanto e há tanto clamarem por atenção, acabam por tornarem-se buracos negros carregados de dor e incompreensão. E sugam a tudo e a todos e nem mesmo a luz resiste à tamanha gravidade. Tornam-se vórtices negros e acabam por sugarem a nós mesmos enquanto procuramos fora, desesperadamente, algo que possa nos preencher. Mas tudo é sugado novamente para esse depósito escuro para onde não queremos ir, onde jamais gostaríamos de mexer. E esse buraco, sentido como falta de algo ou solidão, nada mais é do que a falta de si mesmo.

Grande é o medo de nos afogarmos nessa sujeira, de cairmos lá dentro com tudo. Tememos e, no fundo, sabemos que esse buraco é muito fundo. E se dele não formos capazes de sair? E se não houver nada melhor para ser encontrado? E se eu me perder ainda mais ao tentar me conhecer?

Na verdade o que tememos não é a perda de nós mesmos, mas das ilusões que nos mantem “vivos”. Das máscaras que nos agarramos para evitar a dor, para vivermos em um mundo que nem sempre é fácil e cheio de amor. Temos medo de perder essas escoras, essa gambiarra emocional e mental que fazemos todos os dias para suportar o fato de não sermos íntegros o suficiente para viver nossas verdades. Verdades que muitas vezes desconhecemos.

Ironicamente, ser verdadeiro é o único caminho para felicidade. E para isso, terá realmente que queimar todas as máscaras que já vestiu. Deverá derrubar todos os muros construídos com tijolos de medo. Precisará cortar essa fita crepe e os barbantes que usa para enquadrar-se nas expectativas dos outros. E terá que curar cada ferida que criou ao negar-se. Ao diminuir-se. Esconder-se. Não tem jeito. Terá que enfrentar seus monstros.

Felizmente, a cada ferida curada, seu salto, inicialmente em plena escuridão, tornar-se-á cada vez mais claro. Iluminado pela luz mais forte que já encontrou, tão forte, que o sustentará fazendo com que sua queda vire voo. E quando todo o entulho for removido, terá um novo terreno onde poderá fincar bases fortes. Nada de galpões remendados. Agora, poderá construir castelos com belos pátios floridos. Quartos acolhedores e salas aconchegantes com quadros coloridos.

Nessa nova morada só entrarão aqueles que realmente dela gostarem. Irão de livre e espontânea vontade. Devo alertá-lo, serão poucos perto dos que frequentavam seus velhos galpões. Porém, agora sua casa não mais precisará estar tão cheia de coisas e pessoas. Estará cheia de sua própria luz e nela sentirá prazer em viver. A falta que antes sentia agora virou alegria – de SER.

O universo conspira, é só aprender a escutar

O universo conspira, é só aprender a escutar

Tem coisas que não entendo, não explico, apenas sinto. Você já viveu isso?

Já percebeu que as melhores escolhas que você faz na vida são aquelas que você deixa um pouco os pensamentos, a razão de lado, e apenas observa onde seu corpo e sua alma melhor se encaixam?

Quando você não sabe o que fazer, mas aprende a silenciar a mente, a se dar um tempo e a ver onde naturalmente seu ser se sente mais à vontade.

Acho que o melhor lugar no mundo é onde a gente cabe inteiro.

O pensamento pode não entender, pode até querer contradizer, o ego vem dar opiniões incisivas, mas se a gente deixa a vida ir tomando forma sozinha, se transformando, se ajeitando, nos conduzindo, a gente entra no nosso fluxo natural, de onde nunca deveríamos ter saído.

Eu gosto de exercitar minha intuição em tudo, em todas as decisões, desde a roupa que vou vestir hoje, até numa escolha profissional ou de relacionamento pessoal.
Acredite ou não, existe uma força maior do que a razão que move a gente.

E quando você aprende a deixar isso crescer, por mais louca que possa parecer a escolha, o passo, a vida vai fazer mais sentido e ficar mais coerente.

Como acessar essa força?

Apenas sinta na pele. Que roupa cai melhor de olhos fechados, sem pensar na opinião dos outros? Que pessoa, amigo, amante, encaixa do seu lado sem dor, sem luta? Que comida entra melhor no seu corpo? Que profissão, situação você flui naturalmente, sem interpretação, sem persuasão, sem máscaras?

No final do dia escolha ficar perto de alguém que te dissolve, nem que seja você mesmo a sua melhor companhia. Escolha o conforto de vestir a própria pele.

Escolha pelo cheiro, pelo tato, pelo sorriso fácil, pela vontade involuntária.

Escolha o contato que se ajusta, a conversa que relaxa, o caminho de vida que foi feito pra você e estava só esperando a sua ficha cair.

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