É preciso saber a hora de sair

É preciso saber a hora de sair

Numa análise rasa, desde pequenos somos ensinados que persistência significa sucesso e desistir quer dizer que você fracassou. Avançar é progresso e parar é derrota. A verdade, porém, é um pouco mais sutil.

Quer se trate de um trabalho, empreendimento, relacionamento ou projeto, há razões perfeitamente válidas para que você queira os deixar. Se você tem um instinto que deve se retirar, muito provavelmente há uma boa razão por trás deste pensamento.

Claro, não existem regras rígidas e ríspidas sobre isso. Gosto sempre de frisar em meus textos que somos seres singulares e as situações que retrato variam de pessoa para pessoa. O que quero mostrar neste artigo é que se você está pensando em seguir em frente, principalmente no âmbito profissional, existem maneiras responsáveis de se fazer isso — e de saber a hora de sair.

Você simplesmente não se importa

Existe uma clara distinção entre tédio e apatia. O tédio é um estado de espírito que pode ser remediado por uma simples mudança de perspectiva — uma caminhada no horário de intervalo, uma sessão de brainstorming ou mesmo uma xícara de café. Apatia, por outro lado, é muito mais mortal. É um estado inconsolável e doloroso de desinteresse. Quando você sente que seu trabalho é totalmente vazio de significado, não há mais volta. É hora de pensar em suas possibilidades e avaliar o que você pode fazer para mudar de ares. Seja uma troca de emprego ou a criação do seu próprio negócio, só você pode decidir se está num barranco ou na ponta do precipício. O que não aconselho de maneira alguma — e vejo muitos gurus do empreendedorismo sugerindo isso — é que você simplesmente largue tudo. Demissão é um negócio sério e sem volta. É o tipo de coisa que deve ser feita de forma planejada e responsável. Não caia no conto de largar tudo e ir atrás do seu sonho. Você pode, sim, ir atrás dos seus objetivos — e sou totalmente a favor disso —, mas volto a frisar: de forma responsável.

Você se importa demais

O contrário é tão ou mais perigoso. Os tais dos workaholics são os viciados em trabalho. E sabemos que nenhum vício faz bem. Qualquer coisa em excesso é prejudicial. No caso do trabalho, muitas pessoas acabam sacrificando o tempo com a família e/ou com os amigos por causa de seus empregos. Tem os que viajam o tempo todo, tem aqueles que passam o final de semana resolvendo pepinos pelo celular e tem aqueles, nos casos mais graves, que deixam de acompanhar o crescimento dos filhos. Isso não significa, necessariamente — embora seja o mais indicado, que você deva abandonar seu emprego, mas sim estabelecer limites. Urgência e importância são coisas distintas.

O ambiente é tóxico

Você talvez já tenha ouvido ou lido que “somos a média das 5 pessoas com quem passamos mais tempo“. O famoso palestrante motivacional Jim Rohn é o autor da frase que me inspirou a escrever um texto a respeito disso. O assunto é polêmico e não tem base científica, mas vale a reflexão. É sensato avaliar se o ambiente em que você está inserido está, de alguma forma, lhe prejudicando. Se você trabalha em tempo integral é provável que essas cinco pessoas sejam seus colegas de trabalho. Afinal, durante a semana muitos de nós passam mais tempo no trabalho do que em casa. Se seu ambiente de trabalho é particularmente negativo, você provavelmente será afetado. Considere as pessoas ao seu redor e o que pode ser feito para melhorar a situação. Se a resposta for “nada”, talvez seja hora de sair.

Você se sente deslocado

No bordão popular, o famoso peixe fora d’água. É a sensação de olhar em torno do escritório ou indústria em que trabalha e se perguntar “o que eu tô fazendo aqui?“. Você percebe que é algo além do que o fato de simplesmente não gostar do seu trabalho. Você não se sente parte daquilo. É aquela frase clássica de fim de relacionamento que aparece nos filmes: “o problema é comigo, não com você“. Neste caso, o problema não é o chefe, a empresa, os colegas ou o departamento. O problema está em você se sentir deslocado. Quando você está descontente com o seu trabalho, há sempre aquela esperança de que trabalhando duro algo bom acontecerá. Mas, se você está no caminho errado, a persistência não fará muita diferença.

***

Existem muitas razões pelas quais você pode sentir desconforto no trabalho e sair não precisa necessariamente ser a resposta para todas elas. Mais uma vez, cabe a você realmente decifrar o que está acontecendo. O que vale para todas as situações é que você deve sempre se manter em movimento. Reclamar por reclamar não o levará a lugar algum.

Os redemoinhos do transtorno depressivo recorrente

Os redemoinhos do transtorno depressivo recorrente

As cores, de repente, mudam de tom, ficam esmaecidas. O que era vivo e empolgante, subitamente parece uma gravura em nuances de sépia. O ar parece mais denso, como aquele mormaço num dia que não se decide se chove ou faz calor. No peito uma melancolia que perturba e aquela antiga sensação de aperto na garganta, como se ali houvesse um choro há anos reprimido e que agora precisa desaguar.

O transtorno depressivo recorrente caracteriza-se pela repetição dos episódios de depressão, alternados por períodos de normalidade, durante os quais parece ter havido a remissão dos sintomas. A pessoa que convive com esse transtorno sofre com a visita inesperada da sensação de perda de prazer pelas atividades, mesmo as mais apreciadas; sente cansaço e desânimo; o que antes poderia ser avaliado como pequenos problemas, geram irritação e impaciência. A vida parece ter mudado ao redor, tudo ficou mais opaco e hostil.

Ainda que sejam episódios leves, aqueles que vivem na pele o processo depressivo recorrente, sentem-se impotentes diante de suas incontroláveis oscilações de humor. Muitas vezes, aguentam a dor calados e torcem para que ninguém os surpreenda em crises de choro que chegam sem avisar. Outras vezes, fazem a ariscada tentativa de confessar que estão deprimidos outra vez; sentem-se culpados e sem valor, como se tivessem de pedir desculpas pelo transtorno – literalmente pelo transtorno.

Não é raro acontecer a primeira manifestação de transtorno depressivo recorrente na infância. Neste caso, o diagnóstico é ainda mais delicado, posto que a criança não consegue expressar com clareza o que sente ou explicar a razão de seus comportamentos. Sendo assim, é preciso olhar atento e amoroso; se a criança de repente se comporta de modo incompatível à sua natureza, manifesta alterações no ritmo de sono, perde o apetite ou parece não se saciar, chora por qualquer motivo ou perde o interesse por atividades que a encantam, é necessário buscar a ajuda de um profissional da área de Psicologia ou Psiquiatria.

O que diferencia o transtorno depressivo recorrente dos episódios únicos de depressão é, justamente a ocorrência em ciclos que podem durar dias, semanas ou até meses. A adolescência também pode ser o período da primeira manifestação. Ocorre que muitas vezes recorremos a rótulos equivocados para categorizar o comportamento na adolescência. É claro que não se pode chamar qualquer simples rebeldia ou recolhimento natural dessa fase da vida de depressão. No entanto, o isolamento exagerado, explosões emotivas despropositais, irritação intermitente, alterações significativas no apetite e no sono, pode indicar que algo definitivamente está errado. E também neste caso, como na infância, a avaliação Psicológica ou Psiquiátrica é fundamental.

Entretanto, como passamos quase a maior parte da vida na fase adulta, ao menos cronologicamente, é ainda mais comum que o transtorno depressivo recorrente se manifeste nessa fase. Estima-se que há entre nós, os brasileiros, 17 milhões de pessoas sofrendo de depressão. E o mais sério de tudo isso é que, inúmeras vezes essas pessoas não são diagnosticadas, tratadas e acompanhadas adequadamente.

Aqueles que lutam para compreender, administrar e sobreviver aos episódios recorrentes de depressão lidam com dois inimigos invisíveis e muito traiçoeiros. Um é a própria doença, que diferente de uma ocasional tristeza, traz enormes prejuízos funcionais que afetam a vida afetiva, cognitiva e social daquela pessoa. O outro é o preconceito. Infelizmente, ainda há quem pense que depressão é frescura ou “coisa da cabeça”.

A verdade é que a depressão é muito mais democrática do que se pode supor, infelizmente. Ela pode se instalar em indivíduos extremamente bem-sucedidos e, também naqueles que ainda não se encontraram ou perderam tudo; pode ocorrer com pessoas cercadas de gente querida, inseridas em famílias estáveis e relacionamentos amorosos felizes; pode, inclusive, acontecer para aqueles que acham que isso é coisa de gente desocupada.

Não há vacina para prevenir a depressão. Mas há um “remédio” poderosíssimo, constituído por elementos essenciais como diagnóstico; terapia; medicação (se for o caso); e o mais simples deles, porém, o mais raro que é a compaixão humana.

Depressão: É preciso amar de fora para dentro

Depressão: É preciso amar de fora para dentro

Ela já não podia mais sorrir. Ele já não conseguia mais comer. Situações que reconhecemos, mas que ignoramos. Não por maldade, acredito. Mas por um desconhecimento dos reais problemas que o outro esteja passando. A mente funciona através de percepções. Como definir os significados recebidos por alguém que sofre depressão? A Ciência ajuda a explicar, sem dúvida. Remédios auxiliam nesse momento, também. Ainda assim, a depressão é um estado sem data de expiração. Lidar com isso, as pessoas ao redor de quem sofre, não é tarefa fácil. Talvez seja esse um dos obstáculos para enxergar além. Visualizar o cuidado, a paciência e o afeto com os olhos de uma tarefa, uma missão. Quem sabe, por ventura, a aproximação não devesse acontecer pelos moldes do amor simples. Do fazer por querer fazer. Do estar por querer estar. Porque a dificuldade em fazer a vida ser mais vida para alguém próximo acometido pela depressão, não é como lançar dados ou colocá-la de frente com frases inspiradoras sobre as belezas da vida. Amar de dentro pra fora é uma sentença quase que ausente para essas pessoas.

Na vida, sobrevivemos. Para acordar pela manhã, trabalhar, estudar, construir algo significativo e tantos outros desejos oriundos da cartilha social que nos é passada. Mas, cultivar a sensibilidade de fazer dos dias um algo mais, tateável e zeloso, não se aprende em páginas, bulas e anúncios. Viver inclui experiências. Um punhado das mais legítimas sensações. Não por acaso, tudo começa com um abraço. O amor por quem vê o céu cinza quando, na verdade, ele está azul. Atribuir culpa, deficiência e qualquer outro mal por discordar da maioria, simplesmente impede o coração daqueles que muito sentem e que não conseguem expressar. Angústias, medos e confusões expostas em lágrimas constantes. No desejo de não ter desejos. E de todas as formas possíveis de seguir em frente, amar de fora para dentro é fundamental. Nutrir, dia após dia, momentos simbólicos do sentir sem prerrogativa. Do carinho sem cobrar os 10% na saída. Mostrar para quem carrega a depressão nos ombros, o quanto você pode derramar de ajuda sobre ela. Pode ser um amor para poucos fazerem isso, gratuitamente, mas certamente é amar demais para elas.

Depressão é uma cura sem doença e uma doença sem cura. Todavia, a cada instante de amar, talvez ela sorria. Talvez ele volte a comer. De qualquer forma, todos somos capazes. Todos somos livres para vivermos. Amar de fora para dentro é indolor e não precisa de receita. Primeiro, você abraça. Depois, apenas exista. Amem-se.

“Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui…”

Empatia é a habilidade mais importante que você deve ter

Empatia é a habilidade mais importante que você deve ter

Dentre todas as habilidades “praticáveis“, a empatia com certeza é a mais importante. Ela vai te levar a um maior sucesso profissional e pessoal, além de torná-lo mais feliz enquanto a pratica.

E, não confunda empatia com simpatia. A primeira significa você fazer uma conexão emocional com alguém, enquanto a segunda está diretamente ligada a maneira como você trata uma pessoa com naturalidade.

A chave para ser empático é não julgar as outras pessoas. É colocar-se no lugar do outro ao invés de apontá-lo o dedo. No geral, pessoas empáticas são menos preconceituosas. Aceitam o outro como ele é.

Ok, por que praticar a empatia?

Só a definição acima provavelmente já faria o mundo um lugar um pouco melhor. Mas, vamos lá!

  1. Você entenderá melhor as necessidades das pessoas ao seu redor;
  2. Você entenderá melhor a percepção que cria nos outros através de suas palavras e ações;
  3. Você entenderá as partes tácitas de sua comunicação com os outros;
  4. Você entenderá melhor as necessidades de seus clientes;
  5. Você terá menos conflitos interpessoais para lidar no trabalho e em casa;
  6. Você será capaz de prever com maior precisão as ações e reações de quem interage com você;
  7. Você vai aprender como motivar as pessoas ao seu redor;
  8. Você convencerá de forma mais eficaz as pessoas a respeito de seu ponto de vista;
  9. Você lidará melhor com a negatividade dos outros e entenderá suas motivações e medos;
  10. Você será um líder melhor, um melhor seguidor e, mais importante, um amigo melhor.

Ok,  e como praticá-la?

Ouça atentamente o que as pessoas tem a dizer. Considere a motivação por trás do orador. Considere quais experiências de vida ou de trabalho o levaram àquela visão de mundo. A partir destas três ações será muito mais fácil colocar-se no lugar do outro. Isso parece tudo muito óbvio, mas a partir do momento que você começa a praticar a empatia, verá rapidamente os benefícios provocados por ela.

Então, abra sua mente. Melhore, mesmo que só um pouco, a vida de quem está ao seu redor.

Quando morre o apego, nasce a liberdade emocional

Quando morre o apego, nasce a liberdade emocional

Muitas vezes nos tornamos conscientes da escravidão emocional a que estamos sujeitos quando a nossa relação começa a desmoronar. Isso acontece quando uma pessoa nos fere, ou nos escraviza, ou ainda quando alguma coisa dentro de nós foi quebrada e temos que dizer adeus.

Nessas situações, nós sentimos que o mundo está desligado e uma onda de imensa dor, que está sobre nós, nos impede de respirar. Esta é uma sufocamento emocional e o seu ingrediente chave é a dependência emocional.

Mas, às vezes, é hora de se libertar do apego, do que nos obrigamos a sentir e, é hora de começar uma nova vida, rumo à liberdade emocional. E são estes os momentos nos quais não nos sentimos fortes o suficiente para não seguirmos de mãos dadas com essa pessoa, ou simplesmente com alguém que nos guie.

contioutra.com - Quando morre o apego, nasce a liberdade emocional

Desfrutar da solidão para ser feliz como casal

Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama ao máximo.
E quem ama ao máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma – encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Mas que bobagem é essa que estou dizendo? No amor, ninguém pode machucar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la.”

A melhor maneira de ser feliz com alguém está em aprender a ser feliz sozinho. Por quê? Porque desta forma a companhia se torna uma escolha e não uma necessidade.

Nós entendemos o amor erroneamente porque a chave não é o “eu preciso de você na minha vida”, mas o “eu prefiro você na minha vida.” Ignorar os sentimentos de posse e as necessidades de controle nos ajuda a viver em paz e liberdade com nós mesmos.

Parar de esperar, a chave da liberdade emocional

“Continuo mal e piorando um pouquinho, mas estou aprendendo a ficar só, e isso é uma vantagem e um pequeno triunfo”

Sua verdadeira liberdade vem quando você começa a entender quem você é e o que você é capaz de fazer. É a sua independência, o cobiçado troféu, que começa quando você se desapega, quando você se livra de suas amarras e olha para a frente, sem precisar de alguém para pegá-la pela mão.

Não ter e não possuir é a melhor experiência que podemos ter de liberdade. O apego a algo significa, de alguma forma, ter que conviver com a escravidão.

contioutra.com - Quando morre o apego, nasce a liberdade emocional

Nossa dependência e nosso apego nos tornam escravos, especialmente se a nossa autoestima depende de algo ou alguém. A necessidade de elogios, de carinho ou de atenção faz com que alguém se torne dono do nosso destino.

Não são os outros que nos prejudicam, mas sim nós mesmos quando validamos as opiniões e ações dos outros. Ninguém pode machucá-lo sem o seu consentimento interior, o lugar que deve ser o pilar que suporta a sua arquitetura emocional.

Assim, a autoconfiança e autoestima são sempre as melhores ferramentas para dizer adeus aos vícios desnecessários que prejudicam a nossa vitalidade e o nosso desejo de alcançar a realização pessoal.

Temos de ser os primeiros a nos respeitarmos, deixando de lado as expectativas aprendidas sobre o que nos disseram, que só somos amados se precisam de nós, e que o amor só é amor se vivermos por e para ele.

Fonte: A mente é maravilhosa

Brasileiros criam nanopartículas que podem inativar vírus HIV

Brasileiros criam nanopartículas que podem inativar vírus HIV

Para se reproduzir no organismo, um vírus passa por um processo de ligação das suas partículas às células infectadas, conectando-se a receptores da membrana celular. Com o objetivo de impedir essa ligação e, consequentemente, a infecção, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais desenvolveram uma estratégia que utiliza nanopartículas carregadas de grupos químicos capazes de atrair os vírus, ligando-se a eles e ocupando as vias de adsorção que seriam utilizadas nos receptores celulares.

Dessa forma, o vírus, já com sua superfície ocupada pelos grupos químicos carregados pelas nanopartículas, fica incapacitado de realizar ligações com as células do organismo.

Trata-se do primeiro estudo que demonstra inativação viral baseada em química de superfície de nanopartículas funcionalizadas.

Os pesquisadores sintetizaram nanopartículas de sílica, componente químico de diversos minerais, com propriedades superficiais distintas e avaliaram sua biocompatibilidade com dois tipos de vírus.

A eficácia antiviral foi avaliada em testes in vitro, com os vírus HIV e VSV-G –que causa estomatite vesicular– infectando células do tipo HEK 293, uma cultura celular originalmente composta de células de um rim pertencente a um embrião humano. As partículas virais foram preparadas para expressar uma proteína fluorescente que muda a coloração das células infectadas, permitindo que os pesquisadores “sigam” a infecção.

A inovação segue a mesma estratégia já adotada pelos pesquisadores na funcionalização de nanopartículas que levam medicamentos quimioterápicos em altas concentrações até as células cancerígenas, evitando que as saudáveis sejam atingidas e minimizando os efeitos adversos da quimioterapia.

Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico “Applied Materials & Interfaces”.

Com informações da Agência Fapesp

Fonte: Queminova

A garota certa

A garota certa

Você achou que eu era a garota certa. A garota que depois de uma ressaca chegaria calada com aspirinas e coca-cola, pronta para te servir.

Você achou que eu fosse a garota certa para assoprar suas feridas sem pedir nada em troca.

Você achou que eu fosse a garota certa para subjugar em seu jogo imaginário e junto a ti enlouquecer.

Não, honey, você estava enganado. Eu não estou — nem nunca estive — disposta a curar suas chagas. Nunca fiquei em beira de estrada esperando um estuprador de almas me assaltar e não seria agora que me colocaria nessa encruzilhada.

Não, baby! Eu não sou esse tipo de garota.

Sou do tipo que amarra o cabelo no alto da cabeça e ajeita alguns fios displicentemente para fingir naturalidade. Que usa óculos gigantes na face para esconder o brilho dos olhos com medo de que eles sejam roubados, e bolsas enormes para guardar todos os poemas que ainda não escrevi.

Sou o tipo que gosta de tomar sorvete de flocos depois do sexo. Sou o tipo que diz “eu te amo” quando tem vontade. Sou o tipo que usa sapato de salto mesmo com os pés machucados, que usa calcinha de algodão de menininha e sutiã de oncinha. Sou o tipo que se vira ao avesso com mais frequência do que gostaria.

Eu não sou quem você imagina, honey. Não sou a lótus que nasceu da lama do teu umbigo, não sou tua sombra, nem teu caminho. Não sou o que te falta.

Minhas insônias não são culpa tua, lamento em informar! Elas são minhas escolhas e, antes de qualquer coisa, parte do meu plano original: estar em estado de alerta para me defender de gente estranha como você; estar em estado de alerta para ouvir o barulho de uma estrela se abrindo no mar ou de um poema batendo as asas e levantando a poeira da minha escuridão.

Eu não sou, darling, definitivamente, a rosa que você teve medo de matar em sua infância quando espetou o dedo na roseira. Não sou a garota certa para você porque jamais descerei do meu salto para fazer você gozar — embora eu saiba que só o fato de você saber disso já te faça gozar.

Você não passa de uma criança mimada. Uma criança chata que acha que sabe de tudo, mas que no fundo morre de medo que descubram que ela nunca se sentiu amada.

Eu não tenho culpa, baby, se você foi o típico nerd que levou porrada, água na cara e bolinhas de papel na escada do colégio. Não tenho culpa se carregou nas costas a vida inteira o slogan “você é um bosta”. Não sou eu, não mesmo, quem vai arrancar esse post-it de suas lembranças.

Eu me dei alta de você. Faça o mesmo! Dê-se alta de você e procure alguém real para amar porque só o amor que sentimos por alguém dá sentido e organiza a nossa existência. Apenas não se esqueça que “o amor, para ser amor, precisa se consumar”, como bem disse certa vez um homem lindo que carrega o amor até no nome, Jorge Amado.

Não quero água nos olhos, quero água na boca !

Não quero água nos olhos, quero água na boca !

Eu quero. Eu quero seu sorriso mais largo, daqueles que preenchem toda a dimensão de sua felicidade. Quero ser parte de sua vida, de seus dias, de você aí dentro. Quero seu fogo, sua tempestade, sua doçura, a amargura, a dureza dos dias sem sol e a calmaria da imensidão de seus sonhos. O seu vir, o seu ir, a sua presença, mesmo ausente, seu dó maior. Quero.

Eu anseio. Eu anseio pelo seu beijo, pelo seu abraço, pelo correr de suas mãos, em mim, por mim, sobre mim. Anseio pela fome que você provoca, pelo prazer que você evoca, pelo ritmo que você me lança, enquanto se movimenta, lenta e docemente junto de mim. Pelos seus dias, pelas suas horas, na fama, na lama, na cama. Por tudo o que você trouxer, toda luz e toda escuridão que haveremos de consumir. Anseio.

Eu preciso. Eu preciso ouvir a sua voz, sentir o seu calor, receber o seu amor, com volta, em dobro, atravessando por entre em mim. Preciso de seu cheiro, de sua chegada, de suas partidas. Da sua impaciência, da sua insegurança, de você reclamando de mim. De sua insônia, do aconchego em seu corpo, da conchinha na hora de dormir, dos pés gelados sob as cobertas, perdidos numa noite sem fim. Preciso.

Eu adoro. Eu adoro esses cachos desalinhados, sua barriga descoberta, o pouso de seu olhar em mim. Adoro quando você chega sem avisar, fica e se demora mais e mais, sem tempo, sem regras, sem pudor. Adoro seu bife salgado, seus beijos molhados, esse corpo suado. Andar de mãos dadas, lutar contra o tédio, aceitar você em mim. Adoro.

Eu desejo. Eu desejo que você não se canse de mim, nem do que você é perto de mim. Eu desejo que tudo venha como for, que tudo teste a nossa dor, que a gente atravesse tempestades e ventanias avassaladoras, para que fiquemos mais fortes juntos, sempre, apesar e por causa do bem e do mal. Que a gente brigue e retorne, discuta e se acerte, que a gente se perca um no outro, a ponto de alcançar aquela felicidade que até dói. Desejo.

Não quero amor muito açucarado, sorriso forçado, presença sem vontade, tesão sem amizade. Não quero ninguém morrendo de amores por mim, quero alguém vivendo de amor em mim. Quero verdade, entrega, partilha, acolhimento, força, resgate, quero ir embora sem despedida, porque terei certeza da volta, do reencontro com você, comigo, em você, em mim. Quero saber de você, de sua vida, contar da minha, cicatrizar cada ferida, amargar cada tombo, cada falha, no sexo e na bossa nova. Quero.

Quero você, quero amar, aprender a amar, a ter sem prender. Quero você com laço, sem nó, quero você nua e crua, sem dó. Quero poder repousar tranquilamente minha alma na sua, assim, serenamente, com verdade, sempre e para sempre…

Te amo.

Aceitar a opinião do outro não obriga você a concordar com ela.

Aceitar a opinião do outro não obriga você a concordar com ela.

Dia desses, alguém tentou me enfiar goela abaixo uma verdade pronta mais ou menos assim: “o maior desafio da vida é aceitar opiniões diferentes das nossas”. Com todo o respeito, eu discordo. Eu discordo muito, discordo francamente.

Isso só seria verdade se todos soubéssemos a diferença entre “aceitar” e “concordar”. Não sabemos. Então, desafio grande mesmo é compreender que são coisas completamente diversas. Aceito a opinião do meu interlocutor, mas nem por isso eu sou obrigado a concordar com ela. Não mesmo.

É claro que a pessoa a quem me refiro queria mesmo é que eu dissesse “tá bom, você venceu, a sua opinião é muito melhor do que a minha e a partir de agora eu vou jogar no lixo tudo o que penso só para pensar igualzinho a você”. Como isso não aconteceu e a minha interlocutora não conseguiu o que queria, ela não fala mais comigo. Já vai tarde. Não tenho paciência para quem não aprendeu em casa que “aceitar” ideias alheias não significa adotá-las como se fossem nossas, concordar com elas e sair por aí repetindo o seu conteúdo feito um papagaio. É tão somente respeitar o fato de que todos podemos pensar como quisermos.

Para mim, a vida tem toneladas de outros desafios pequenos, médios e grandes, enormes desafios inacreditáveis, atravessados no meio do caminho à espera de alguém que se disponha a resolvê-los, enquanto uma multidão joga fora seu tempo discutindo se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha. Que importa? O que interessa se as minhas impressões divergem das suas? Quem disse que você precisa me convencer de algo ou “vencer” a peleja como um cavalo de corrida? Por que não concordamos em discordar quando quisermos e pronto?

Aceitar uma opinião diferente da sua não significa ser obrigado a concordar com ela, não. É só aceitar que ela existe. Concordar que discordamos. Deixar o outro pensar como quiser e não perder tempo tentando convencê-lo a pensar como nós. Isso é estupidez, prima-irmã da intolerância e de todo mal que se arrasta por aí. Se aquilo que o outro pensa é mesmo tão inadmissível, afaste-se e não se fala mais nisso.

Meu velho pai e eu discordamos em tudo. Assim é desde sempre. Nossas ideias divergem e se contrapõem. Mas hoje, com o tempo e a distância, ele e eu desistimos de convencer um ao outro sobre qualquer coisa. Ficou mais fácil. Até o início da minha vida adulta, quando vivíamos na mesma casa, era difícil. Nossas divergências nos faziam muito infelizes. Mas aí passou. Amo meu pai, ele decerto me ama e nós aprendemos a concordar um com o outro só quando queremos.

Rejeitar opiniões alheias é um direito nosso. Eu, você e todo mundo podemos fazê-lo sem que nos acusem de arrogância, falta de escuta e essas coisas. Agora, se decidirmos aceitá-las, nem por isso precisamos mudar o que pensamos. Aceitar que o outro pense diferente de mim é bem diferente de concordar com o que ele pensa.

10 livros imperdíveis para quem ama o mar

10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Sob o Signo do Sal

O mar encanta, fascina e amedronta os homens há muitas e muitas gerações. Ainda é o principal provedor de alimento para muitos povos; para outros, rota indispensável de tráfego. Para além dessas funções puramente práticas, também atrai os que buscam aventuras e uma parcela destes acaba, ano após ano, perecendo em suas vagas.

São diversas as interpretações, inesgotáveis aproximações conceituais com as quais vestimos as águas e as ondas. Somos animais simbólicos, já escreveu Ernst Cassirer (1874-1945), procuramos dar sentido a tudo que nos cerca. Assim como o céu, o mar nos faz sentir a pequenez da humanidade, a fragilidade da vida, a limitação de nosso conhecimento. Somos frágeis e perecíveis, é o que ele parece nos dizer sempre que avançamos por ele, seja na superfície ou nas profundezas.
Os relatos e divagações sobre sua grandeza e imponência são muitos. Eles nos encantam porque nos apresentam àquilo que poucos têm coragem de enfrentar. Pedras, chuva, tempestades, ribombares assombrosos e o sentimento de estar na presença da morte, do fim de tudo que um dia conhecemos.

Apresento a vocês uma lista com 10 livros onde o mar aparece como principal elemento. A lista inclui apenas livros de ficção; os de não ficção terão uma lista exclusiva em breve.

A Narrativa de Arthur Gordon Pym [Cosac Naify, 2010]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Único romance de Edgar Allan Poe (1809-1849), originalmente publicado em 1838. Assim como Moby Dick, a história se passa na cidade baleeira de Nantucket. Vale lembrar que o célebre livro de Herman Melville seria lançado apenas 20 anos mais tarde. Poe mais uma vez se mostra um verdadeiro mestre em abordar o psicológico do leitor. A diferença é que, destoando um pouco de seus outros trabalhos, não é o terror ou o grotesco que ele usa para isso, e sim o aspecto de aparente realidade que permeia o romance. Isso fez com que muitos o tomassem como um relato verídico e apontassem erros geográficos no livro.

Seja como for, é uma obra que merece mais atenção. Não só por ter saído da mente do “mestre do horror”, mas pela história envolvente e bem construída, digna de um dos maiores escritores modernos.

A edição da extinta Cosac Naify é luxuosa e conta com introdução de Fiódor Dostoiévski e apêndice com sugestões de leitura assinada por Baudelaire. Para quem não é tão exigente, a L&PM Editores colocou no mercado uma edição de bolso, com tradução de Arthur Nestrovski.

Os Trabalhadores do Mar [Martin Claret, 2014]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Um dos livros mais belos da literatura ocidental. Nele, toda a força poética do escritor francês Victor Hugo (1802-1885) se manifesta de maneira ímpar enquanto narra as desventuras de Gilliatt, personagem cativante que luta não só contra fatores sociais, mas com a natureza. Todo o enredo se passa em uma comunidade numa pequena ilha, na qual muitos de seus habitantes vivem do mar. A revolução industrial também é tema, junto a uma tortuosa e improvável história de amor com diversas reviravoltas. Tocante, profundamente tocante.

A primeira edição brasileira teve tradução de ninguém menos que Machado de Assis. Se bobear, dá para encontrar ainda em algum sebo essa tradução, em edição muito bem acabada da editora Abril.

 

Nós, os Afogados [Tordesilhas, 2015]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

O norueguês Carsten Jensen (64 anos) narra de maneira exuberante e grandiosa o surgimento da moderna Dinamarca através de várias gerações de navegadores da pequena cidade de Martsal, em viagens por várias partes do mundo. Os acontecimentos do livro cobrem o período que vai de 1848 a 1945, dividido em quatro partes. Uma curiosidade é que o livro é todo narrado por um “nós”, o que torna tudo mais interessante do ponto de vista interpretativo. Um livro sobre o tempo, legado, vida, morte e, claro, sobre o mar.

 

Juventude [L&PM, 2006]
contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Difícil escolher apenas um livro de Joseph Conrad (1857-1924) para essa lista, já que muitos de seus romances tinham o mar como tema ou pano de fundo. O próprio autor foi capitão da marinha mercante inglesa. Em Juventude, quatro homens em uma taberna prestam atenção no relato de Marlow sobre sua juventude passada no mar. A narrativa é direta e intensa, o bastante para nos fazer embarcar nos vertiginosos acontecimentos que cercaram um inexperiente marinheiro em direção ao Oriente.

 

O Velho e o Mar [Bertrand Brasil, 2005]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Ernest Hemingway (1899-1961) ainda hoje inspira jovens e experientes escritores ao redor do mundo. O vigor e a clareza da sua escrita e também o modo de vida viril continuam a ser amplamente admirados. Foi com O Velho e o Mar que Hemingway ganhou o Pulitzer em, 1953. De certo modo, os embates de Santiago, protagonista do livro, são os mesmos que todo o homem enfrenta no decorrer da vida. A espera, a perseverança, o orgulho e o respeito. Somos todos partes deste pescador cubano que destemidamente encarou os perigos do oceano. Suas tristezas e alegrias frente as dificuldade são também as nossas. Em se pequeno livro, o autor americano conseguiu pintar um dos quadro mais fortes da natureza humana.

 

O Mar é Meu Irmão [L&PM, 2014]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar
Em 2011, depois de mais de 68 anos, o primeiro romance do expoente beat Jack Kerouac (1922-1969) veio à luz.

“O Mar é Meu Irmão” traz alguns temas que tornariam Kerouac conhecido, como as viagens, as brigas e as bebedeiras. O livro curto, de fácil leitura e cheio de movimento. O mar aparece pouco, mas o suficiente para marcar o leitor.

 

O Lobo do Mar [ZAHAR, 2013]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

O romance de Jack London (1876-1916) foi originalmente publicado em 1904 e foi de cara um sucesso. O livro traz resquícios de acontecimentos que marcaram a vida de London, como o dia em que quase perdeu a vida ao cair na água após uma bebedeira. Outro momento que o influenciou foi quando se tornou tripulante de um navio para caçar focas no pacífico. Os personagens cativam pela profundidade com que são expostos, não de forma descritiva, mas sob a óptica de funcionalidade dentro da Ghost, a escuna que os transporta. Os diálogos são, sem dúvida, o ponto alto do livro. Bem construídos e cheios de referências e insights.

 

Moby Dick [Landmark, 2012]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

Essencial para todo aquele que se interessa pela vida no mar, o clássico de Herman Melville (1819-1891) traz descrições detalhadas sobre como costumava ser a rotina de um baleeiro. Repleto de referências náuticas, ensina medidas, processos e termos que guiavam a vida dos homens em alto mar. Melville também trabalhou como marinheiro em navios mercantes e baleeiros, o que o tornou um profundo conhecedor do cotidiano e da mentalidade de quem depende do mar para viver.

O Mar [Biblioteca Azul, 2014]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

No livro do irlandês John Banville (70 anos), o mar desempenha o papel não apenas de caminho que liga um destino a outro, mas também de metáfora. A narrativa chega a ser demasiada densa em alguns momentos, como nevoeiro a cobrir as vagas da memória que o protagonista, um historiador de arte que tenta lidar com a recente morte da esposa, detalha melancolicamente. O romance nos leva em uma busca pelo passado através de memórias constantemente costuradas. Passado e presente se fundem, formando um sofisticado quebra-cabeça que se resolve de maneira impressionante no final.

Mar Morto [Companhia das Letras, 2012]

contioutra.com - 10 livros imperdíveis para quem ama o mar

É difícil imaginar que Jorge Amado (1912-2001) tenha escrito esse livro aos 24 anos. A vida dos pescadores do cais de Salvador é contada com lirismo, uma vida calma e desatenta aos perigos e problemas exteriores. É preciso que dois forasteiros “ilustrados” tentem alertar o povo marinheiro do estado de opressão social em que vivem. Os orixás são homenageados, assim como a malandragem, o jogo de cintura, os amores e desamores do povo do mar.

O livro foi adaptado para a televisão por Aguinaldo Silva na novela “Porto dos Milagres”.

Imagem de capa: First For Home, de Thomas Hoyne.

Procura-se gente imperfeita

Procura-se gente imperfeita

Vanessa não conseguia se encantar por ninguém desde que saiu do seu último namoro. E lá se iam quase dois anos de uma solteirice tranquila e séries em dia. Ela até queria. Contou pra mim que queria mesmo se apaixonar. Não havia ali um esforço partidário para acordar todas as manhãs agarrada ao travesseiro. Faltava homem no mercado. E não homens de qualidades, mas caras com bons defeitos, caras reais.

Bastavam alguns drinks para o mocinho bonito começar a falar sem parar de si, sobre como ganhava bem, sobre todos os lugares que tinha conhecido, sobre como se alimentava direitinho. No drink seguinte ela já estava entediada. Primeiro porque não conseguia acreditar. Por trás daquelas palavras vinha também a sensação de estar diante de mais um moço geração Y tentando agradar. A si mesmo, por sinal. Segundo porque se fosse mesmo verdade, seria um saco tentar acompanhar tanta perfeição.

Com gente sonhando tão alto, sua labirintite andava atacada. Cadê os caras que batiam ponto das 8 às 18? Cadê os caras que tinham feito escolhas erradas? Ou ela era a única pessoa deslocada pairando sobre o mundo? Foi aí que conheceu Diogo. De chinelos na fila do supermercado. E achou adorável que ele lhe sugerisse um azeite bem mais barato e melhor do que o que ela estava levando – O que importa é o PH – explicou. Foram andando juntos.

Tempo suficiente para ele lhe contar que estava desempregado, sem desespero, mas estava. Tempo suficiente para lhe contar que adorava ficar em casa rindo de programas bobos de TV e brincando com sua cadela Suki. Tempo suficiente para que ele a deixasse falar e a ouvisse de verdade. No final das contas, ela estava encantada. O primeiro cara real em muito tempo.

Não era uma apologia aos ferrados, nem preconceito com quem se deu bem, mas mesmo as pessoas que têm tudo sentem falta de algo. Era isso que ela queria ver, a fragilidade doce por trás dele. Suas lutas, suas inseguranças, sem medo de se mostrar. Ela não queria se encantar pelas ilusões dos outros. A simplicidade seduz em tempos de tantas luzes. Encantou-se pelo verdadeiro e único Diogo.

Proibir de falar sobre a morte mata, empatia previne.

Proibir de falar sobre a morte mata, empatia previne.

Meu nome é Alan.

Tenho 24 anos. Amo minha família, minha mãe, tenho amizades maravilhosas, um gato chamado Joaquim, superei fortes desafios pessoais, desses de quem não vêm de um berço de ouro, tenho um emprego de que gosto e consegui, com muita batalha, estar na faculdade que queria.

Mas numa época eu esqueci disso tudo e pensei em me matar.

O suicídio é ainda alvo do moralismo de muita gente. Não é incomum encontrar pessoas horrorizadas por alguém falar em dar fim à própria vida. Também cercamos conversas sobre este assunto de análises bobas, como “quer só chamar atenção”, “quem quer se matar não avisa” e várias outras, que afastam a possibilidade de um diálogo.

E quando se trata de ideações suicidas, quanto mais silenciadas, mais perigosas são.

Não sei se fruto de uma sociedade que desnaturalizou a tristeza com comerciais que vendem tudo através de modelos sorridentes, criamos um desprezo  por gente que admite ter sua face obscura, mesmo sabendo que todos nós temos. Não acreditamos na dor dos outros como cremos na nossa. Gente que sofre e pensa em desistir, num mundo cheio de super-heróis por todo lugar, é desprezível para quem se esconde de como é complexo viver.

A maior parte dos suicídios poderia ser evitado, caso vivêssemos com mais empatia e informação. Poder falar, contar para alguém, chegar até às ajudas necessárias, é primordial. Por isso estou vivo. Tive amigos, família, consegui amparo profissional capacitado. Nos dias de maior dificuldade, achei lugar pra conversar sem o moralismo que afasta, deprime. Já passou a época de, por falta de conhecimento, termos o suicídio como um crime.

Ninguém falha, como erra num assalto, na tentativa de suicídio, sobrevive.

Mortes por suicídio são mais numerosas que todas as formas de violência interpessoais (guerras, homicídios). Estatisticamente, é mais fácil uma pessoa morrer pelas próprias mãos do que assassinada por outra. Mesmo assim, há muito silêncio sobre o tema.

Quem sabe, num dia não muito distante, será mais comum alguém sofrer, chegar a ter ideações suicidas, mas, no fim, conseguir ter vida pra contar isso numa crônica, ou em qualquer outro lugar, e alcançar outras pessoas com um pouco de “Tudo bem, eu também já quis me matar. Você não é um criminoso imoral por isso.”

É só um ser humano de verdade, capaz de tristeza e de alegria, como não apareceu nos intervalos comerciais. E deixar quem precisa dizer o que pensa da vida, quem precisa demais desabafar, dizê-lo, chorar.

Viver é tempestade e calmaria,

amor e desamor, fome e comida

e a gente aguentando firme essa história que nos coube ser.

Se você está passando por um momento como passei, pode procurar a CVV, no site ou ligar no 141. Eles te ajudarão! Para entender mais sobre suícidio recomendo o artigo Suicídio: Observações sobre a tragédia de não mais querer viver  publicado no Comportese.

A ilustração de capa é de Stênio Santos. Visite o Perfil dele para conhecer mais do seu trabalho.

Nunca diga que ama se não lhe interessa

Nunca diga que ama se não lhe interessa

Outro dia me deparei com um poeminha de Maria Silva que dizia mais ou menos isso: “Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração…”, e as palavras preencheram meu pensamento, me levaram para outras épocas, outros tempos em que eu mesma não tomava cuidado com as vidas que tocava.

Muito além das palavras de Saint-Exupéry, que dizia que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, acredito que é preciso ter cuidado com as vidas que tocamos.

Porque o amor é um terreno frágil, e não pode ser pisado com displicência. Ao contrário, por respeito, requer constante licença.

Há que se ter cuidado com o coração do outro. Não chegar para somar se o que a gente quer é sumir. Não chegar para corresponder se o que a gente deseja é se esconder. Não se aproximar para amar se no fundo a gente quer é abandonar.

O amor precisa de clareza. De gestos delicados que demonstrem a verdade do que sentimos e de certezas que evidenciem se é mesmo pra valer.

Ninguém está livre de se apaixonar e não ser correspondido. Porém, muitas vezes, algumas vidas são tocadas com a simples intenção de despertar sentimentos, e não de fazer valer a pena.

O mundo está cheio de gente confusa. Gente que diz que ama mas prefere ficar sozinho. Gente que num dia lhe manda flores e no outro não responde as mensagens no WhatsApp. Gente que tira a sua paz e não dá a mínima pra falta que faz.

Ninguém sabe ao certo o que vai dentro do coração do outro. Mas a gente sabe o que vai dentro do coração da gente. E por mais difícil que seja, é preciso dar clareza. Por mais duro que pareça, é preciso ser certeza.

Não adie seus planos e seja firme para evitar enganos.

Nem sempre é possível evitar que alguém se machuque ou se confunda com a gente. Nem sempre é possível pedir para alguém não se apaixonar porque não pretendemos fazer o mesmo. Porém, é possível não alimentar carências, desejos e esperanças com falsos juramentos. É possível não jogar com os sentimentos verdadeiros de alguém. É possível colocar os “pingos nos is” pra não prolongar o sofrimento. É possível ser presença para evitar reticência.

Não há nada que se compare com um coração em compasso de espera. Um coração que só enxerga pontos de interrogação e não encontra coerência nas peças soltas de sua história. Fica tudo parecendo um enorme quebra cabeça cujas peças não se encaixam, uma história confusa onde não há lógica entre o que foi dito e o que foi realizado. Fica faltando nexo, entende?

Que sejamos claros e cuidadosos. Claros no querer ou não querer, no amar ou não amar,  no ficar ou se afastar. Cuidadosos ao tocar uma vida, cuidadosos ao demonstrar o que sentimos, cuidadosos ao soprar esperança num coração.

E que não nos falte reciprocidade, pois o bom da vida é amar e ser amado, e não brincar de esconde esconde, pega pega ou cabo de guerra. O bom da vida é viver com transparência, e não ter dúvidas diante de um quebra cabeça sem coerência. O bom da vida é encontrar quem tenha certeza a nosso respeito, e não nos obrigue a viver cheios de suposições. O bom da vida é querer e ser querido, sem jogos de adivinhações…

Para adquirir o livro “A Soma de Todos os Afetos”, de Fabíola Simões, clique aqui: “Livro A Soma de todos os Afetos”

O amor, às vezes, chega cedo demais

O amor, às vezes, chega cedo demais

Não existe uma etapa específica da vida para a chegada do amor. Essa afirmação seria ideal, mas cada um tem o seu tempo interior. Alguns, se curam logo de uma desventura amorosa e embarcam em outra relação sem olhar para trás. Outros, exercitam o amor próprio com a potência de um mantra, para só depois abrirem o coração.

A verdade é que, somos tão cheios de planos e regras para que o amor aconteça, que acabamos armando verdadeiras arapucas para o coração. O amor não precisa de ajuda, e infelizmente, muitas vezes, usamos o relacionamento anterior como bússola.

Há sempre um recorte do ex-namorado (a) assombrando a relação atual. O passado não passa e temos a mania de achar que a decepção vai se repetir. Sentimos medo de ter medo, e para evitar que isso aconteça, começamos a fazer “joguinhos”, enquanto o outro não entende a brincadeira. Está com o coração aberto, e ainda não sabe que pode ser usado como instrumento de liberação da raiva.

O amor, às vezes, chega cedo demais para quem ainda não desocupou o coração.

Para quem ainda explica o presente olhando o retrovisor do passado.

Para quem ainda está ilhado numa redoma de vingança.

Para quem ainda desconfia que pode ser amado somente pelo que é.

As pessoas são diferentes, e o amor aparece sob várias nuances.

Não há como entrar numa relação com as tralhas afetivas da anterior. Não há como desembarcar em outra vida, se o coração ainda evoca a presença de outra.

Descontar o fracasso do relacionamento anterior no atual é pura covardia e desrespeito com o próprio coração. Violação do sentimento do outro, que está ali desempenhando um papel genuíno num teatro que é só seu.

INDICADOS