Faz muito bem rir dos problemas, sem se engasgar com eles

Faz muito bem rir dos problemas, sem se engasgar com eles

Essa cultura de uma busca obsessiva pela felicidade é assassina. Começo sem rodeios. Nos oferecem pílulas em forma de medicina ou de palavras fáceis, de métodos clínicos e rituais, de soluções frágeis, de morais falidas, de comerciais fantasiados de lição de vida.

Diante de todo esse arsenal de sorrisos com o qual nos atacam por todas as partes parece que não se sentir pleno o tempo todo, que não ter um grande sonho ou correr grandes riscos, que não ter conquistado isso ou aquilo, que sofrer com as perdas, os desenganos, com o querer que não se realiza ou mesmo não querer nada por enquanto, tudo isso parece um pecado mortal.

Tantos modelos de “perfeição” que nos metem goela abaixo fazem com que a sua vida simples, sem grandes acontecimentos, sem “nada de mais” pareça um grande fracasso – e a culpa é sua.

Nos roubam a angústia sem oferecer consolação. Nos afundam em um grande vazio. Nos incutem ambições que por vezes nunca foram nossas. Há muita diferença entre o que é inspirador e o que é impositivo. É perigoso demais tentar seguir essa lógica como se a felicidade tivesse uma fórmula, uma única forma de ser, como se fosse um estado constante de alegria.

Há quem se incomode com o choro alheio porque é incapaz de se sensibilizar com qualquer dor que não seja a sua. Há quem sempre encontre uma visão positiva para tudo e se esquece que o seu olhar não resume todas as perspectivas. Há quem não suporte o silêncio e a inércia do momento do outro. Mas somos humanos, somos cheio de falhas, de feridas, de interrogações, de altos e baixos. Somos feitos de carne, de sangue e de excreções. Temos brilho e escuridão para conviver todos os dias.

É realmente muito bom encarar com alegria os desafios que aparecem ou a inevitável rotina que existe mesmo no espaço entre as aventuras. É realmente muito bom rir dos próprios defeitos, dos problemas corriqueiros, das nossas expectativas desengonçadas tropeçando na realidade. Mas isso não é uma obrigação.

Não nascemos sorrindo. Aprendemos com o tempo. Aprendemos a conhecer o que sentimos, a verdadeira importância das coisas, a não fazer “tempestade em copo d’água”, a ter iniciativa para o desconhecido quando a vontade está tímida e desanimada, aprendemos tantas outras coisas que parecem vazias de tão banalizadas, apenas se experimentamos todas as nuances do próprio sentir. E como cada experiência é única, é bem pessoal o aprendizado sobre como lidar isso, sobre como lidar consigo mesmo. É um caminho longo, lento, cheio de tropeços e imprevistos.

Maturidade não é algo que se possa enfiar na cabeça de ninguém, mas que cresce com o corpo, que cresce com o todo das experiências e sensações, nasce silenciosa e atua aos poucos até nos darmos conta de que ela floresceu. Cada um no seu tempo. Cada um do seu jeito. Desconfio das fórmulas prontas, dessas perspectivas ansiosas de sucesso e superação.

É preciso dar um passo de cada vez sem se preocupar em ficar “para trás” – o seu passo não precisa ter a extensão do passo do outro. É preciso se permitir angustiar, para entender a própria angústia e o que ela quer dizer. Chorar e experimentar o gosto das próprias lágrimas para conhecer todos os materiais que compõem a alma.

Desabafar e se queixar quando desabafar e se queixar for o que o coração pede. Que te escutem os que forem capazes de lidar com as próprias dores e não temem acordá-las com os seus lamentos.

Não é que esse estado deva permanecer indefinidamente no tempo. Na verdade, se for assim, há algo de errado. É preciso se deixar ajudar, pedir ajuda se preciso. É preciso ajudar em vez de simplesmente repelir quem assim se porta, tentar pelo menos, entender que às vezes a dificuldade da pessoa em acreditar no que oferecemos vem dessa falácia da autossuficiência que faz qualquer impotência parecer uma doença terminal.

Mas ter falhas, sentir-se mal, não dar conta de tudo o tempo todo é sintoma primordial de ser humano. Tanta autossuficiência, como a colocam em parágrafos curtos, ainda nos levará à inanição. Nos nutrimos das nossas contradições, dessas pelejas que precisamos resolver para superar as etapas da vida, de cada momento. Nos nutrimos dos encontros, das afinidades, dos deleites com o outro, mas também dos conflitos, dos desentendimentos, das falhas na comunicação.

O que construímos é com barulho, com suor, com detritos – há muito antes dos acabamentos finais e da decoração. Há muito antes de se instalar. E mesmo depois, há reformas necessárias. Não acredite nos castelos de areia que te vendem como se fossem abrigo sólido.

Tanta insistência em parecer inatingível, impermeável, em ter solução para tudo e para todos não passa de megalomania, uma fuga desesperada da realidade de ser. Mais cedo ou mais tarde, todos nós precisamos encarar nossos fantasmas. É melhor que seja aos poucos. É melhor que seja exatamente no momento em que eles aparecem. É melhor não esperar mofar.

Sentimos constrangimento, sentimos frustração, sentimos medo, sentimos raiva, sentimos tristeza, somos canalhas e covardes. Podemos ser isso e muito mais, o que pesa é só ser sem reflexão.

Enquanto todo o “negativo” for encarado como aprendizado, como parte da vida, como impulso para buscar outros rumos, estamos perdoados – somos humanos. Quem, por isso, nos abandona no caminho, como se ele mesmo não tivesse defeitos, acredite: é melhor que assim seja, é porque nunca esteve ali de fato. Também de tudo isso podemos ser o oposto, sentir o oposto, e ser meio, sentir meio. Não precisamos ser intensos o tempo inteiro para demonstrar personalidade. Não precisamos de nada disso que nos impõem, talvez, inocentemente.

Ser feliz, ter sucesso, é dar conta de rir na hora de rir, chorar na hora de chorar. É saber ser ao extremo e ser meio termo. É ter apenas a si mesmo como critério de comparação. É ser inteiro e poder ajudar, é ser quebrado e pedir ajuda. É ser mais que uma prescrição. É o que só você pode definir que seja, e de forma indefinida, pois pode ser que descubra amanhã outra perspectiva, e ainda outras no decorrer da vida.

É ser no próprio tempo, aceitar suas próprias alturas, suas próprias formas, suas raízes profundas ou suas asas inquietas, seu gosto por bandos ou pela solidão. Recusar nossos percalços não os tira do caminho. Negar os problemas não os resolve. Ignorar nossas falhas não as elimina nem nos permite crescer com elas.

É muito bom quando aprendemos a rir dos problemas porque aprendemos também a lidar com eles, como acontece quando conhecemos uma pessoa nova, que em princípio nos causava antipatia, e depois somos capazes de rir com ela e da nossa resistência no início. É muito bom quando é espontâneo, quando é autêntico.

Mas quando se torna uma imposição, uma simulação cotidiana, mais cedo ou mais tarde nos engasgamos com tudo aquilo que tentamos esconder com esses sorrisos. Nos sufocamos. Não precisamos disso. Está tudo bem não ser perfeito. Isso faz de nós mais humanos, inclusive porque nos damos conta do fato de que o outro também não é. Isso nos aproxima. Não é falta de autoestima, não é falta de amor próprio, não é tantos outros rótulos que transformam em regra os exageros: é só natural.

Envolver-se com quem possui um relacionamento pendente pode ser uma roubada

Envolver-se com quem possui um relacionamento pendente pode ser uma roubada

A pessoa se envolve com alguém e se joga. Esse alguém acabou de sair de um relacionamento de anos. O ex desse alguém reaparece das cinzas. Eles voltam e a pessoa fica a ver navios. Quem não conhece alguém que se machucou dessa forma? A sabedoria popular já nos aconselha a não meter a colher entre marido e mulher, nem entre ex daqui e ex dali, acrescenta-se.

É verdade que muitas vezes – talvez quase sempre – o nosso coração se encaminha à revelia de nossa razão, levando-nos a encontros com quem não transmite segurança, com quem não nos merece, enfim, de quem deveríamos manter uma distância segura. E então a gente vai se envolvendo com a pessoa de uma maneira cada vez mais forte e intensa, de início sem ficar analisando muito suas bagagens.

De repente, quando percebemos, já estamos enredados na vida de uma pessoa, já estamos apaixonados. É claro que ninguém ficará agindo como detetive, investigando os antecedentes do novo parceiro, antes de acionar os sentidos amorosos, pois sentimentos não funcionam dessa forma. Porém, saber um pouco da história do parceiro poderá nos manter mais seguros quanto às nossas investidas, pois amores mal resolvidos podem vir a ser resolvidos conosco no meio deles. E daí a gente sobra.

Não poderemos evitar a todos que já se envolveram fortemente com alguém, uma vez que essas experiências são capazes de tornar as pessoas cada vez mais seguras do tipo de amor que necessitam partilhar. Quem rompe relacionamentos intensos geralmente sai mais forte e capaz de não voltar a repetir os vícios e comportamentos que minam a convivência afetiva. Há sempre quem aprende e melhora após falhar em algum setor de sua vida.

Na verdade, a gente percebe quando o parceiro – tenha ele algum ex ou não – está se dedicando com inteireza ou se ainda hesita e se poupa, ou seja, a gente se engana até certo ponto e, depois, deixa-se enganar, por comodismo, temor, insegurança, o que quer que seja. Não podemos fugir ao amor, ao arrebatamento que nos toma ao encontrar alguém que nos toca, porém, caso a reciprocidade penda muito somente para o seu lado, é hora de cair fora.

Resguardar o que temos de melhor aqui dentro, para compartilhar com quem traz retorno verdadeiro, sempre será a melhor forma de mantermos nossa meta de felicidade livre de machucados. Porque felicidade é amor que encontra correspondência. Correspondência.

5 tipos de empatas…será que você se enquadra em algum?

5 tipos de empatas…será que você se enquadra em algum?

O que é empatia?

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ela é perceptível através dos sentidos que captam mudanças energéticas das pessoas- ou mesmo do ambiente- e pode acontecer de forma consciente ou não.

Você já sentiu a necessidade de deixar um local porque ele causava mal-estar?

Cada um possui um lado de si mais que é mais apto para identificar a energia circundante. Enquanto alguns a percebem diretamente nas relações, outros podem vivenciar a energia de um ambiente.

Há também os que podem sentir o adoecimento de alguém e até adoecer junto com a pessoa.

Uma coisa, entretanto, é comum: ser empata é um dom que cobra um preço e pode ser algo muito desgastante e o conhecimento é um grande passo para lidar melhor com todas as situações.

A CONTI outra apresenta uma pequena lista de canais pelos quais a empatia pode se fazer presente e afetar as pessoas que carregam consigo esse poderoso dom. Será que você carrega consigo essa habilidade?

Conheça os 5 tipos mais comuns de empatas:

1. Empatas emocionais.

É a mais comum, embora não seja a menos importante.  Ela acontece quando a pessoa é capaz de sentir, identificar-se e envolver-se com as pessoas que estão próximas. Esse é um dom valiosíssimo, pois é um dos maiores ingredientes da evolução da humanidade. Ser um empata emocional amplia a percepção dos laços humanos, enriquece, alimenta, mas também pode drenar e deixar a pessoa exaurida.

É necessário que o empata emocional perceba seu dom e aprenda a conviver com ele para que saiba identificar quando sua percepção está mais aflorada, entenda os momentos de impor limites e afaste-se  para recarregar suas energias (entenda como fazê-lo).

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2. Empatas medicinais.

Feiticeiros, curandeiros, xamãs, massagistas,  praticantes do Reiki e acupunturistas são só alguns exemplos de pessoas que podem trazer em si a capacidade de captar e trabalhar a energia corporal.

Nem sempre os profissionais mencionados acima possuem a consciência do que fazem, entretanto, eles sentem fisicamente as mudanças de energia que afetam seus humores e podem consumir suas energias.

Um risco de quem possui esse dom é absorver e reproduzir os sintomas de outras pessoas.

É necessário que exista a consciência desse dom para que o profissional aprenda a fortalecer seu próprio campo energético, desligue-se e não desenvolva sequelas por conta de sua prática.

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3- Empatas que sentem o ambiente

Se você chega em locais diferentes e, imediatamente, se sente muito bem ou, pelo contrário, sente-se mal, você pode ser um empata que capta as energias do ambiente. Pessoas com esse dom mais desenvolvido chegam a sentir calafrios, ânsia de vômito ou mesmo uma necessidade incontrolável de deixar um local, mesmo sem saber o motivo.

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4- Empatas mentais

Se você possuir este dom, então você vai explorar os pensamentos e perspectivas daqueles que estão ao seu redor. Isso pode acontecer em qualquer relação e permite  a ampliação da consciência e a absorção de diferentes pontos de vista.

Empatas mentais podem ser excelentes profissionais de criação. No entanto, se o local estiver repleto de pessoas que carregam consigo pensamentos negativos, esse empata terá dificuldade em manter sua vibração em alta.

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5- Empatas ambientais

É um dos tipos mais raros de empatia. As pessoas que carregam esse dom sentem os chamados da Terra. Eles são invadidos por grande tristeza ao ver como o homem maltrata o planeta e sentem as transições do planeta

São também pessoas fortemente atraídas por animais, vida no campo e água. Prezam pela preservação do natural. Muitos são vegetarianos.

Podem ser pessoas ligadas à causas e grupos que visam o bem estar do ambiente. Acreditam na mudança e lutam por ela.

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Lembre-se que não existe como nos livrarmos de um dom. É necessário reconhecê-lo e respeitá-lo. As pessoas que o cultivam positivamente são mais felizes e desenvolvem seu caminho terreno em um processo de constante evolução espiritual.

Todas as imagens são de Josephine Wall

Leia também: 7 dicas para não absorver a “energia negativa” de outras pessoas

Editorial: Conti outra

15 desenhos sobre os perigos do amor

15 desenhos sobre os perigos do amor

Amor. Alguns dizem que não há nada melhor do que isso. Talvez não. Mas, como todas as coisas boas na vida, esta exige um preço.

Existe uma linha tênue entre romances felizes e trágicos. É justamente isso que a artista americana Gypsie Raleigh aborda em seus desenhos.

Gypsie nasceu em Portland, Estados Unidos. Acerca de sua série de desenhos, ela comenta: “Às vezes, a vida me deixa sem palavras. Quando eu não consigo encontrar as palavras, eu tento encontrar uma imagem que pode falar em meu silêncio. Meus desenhos foram inspirados por tudo, desde a morte de pessoas próximas a mim, ansiedade, ou meu próprio coração quebrado. Virei-me para a arte, porque meus pais me criaram em um ambiente onde não havia nada melhor para fazer. Na época, eu estava apenas triste pelo fato de não ter amigos. Agora, é um modo de vida”.

A artista traça um paralelo entre o amor e a morte. Essas tirinhas melancólicas informam sobre assuntos do coração e alertam para a necessidade de se precaver contra possíveis amarguras decorrentes de experiências afetivas malsucedidas.

Poucas coisas na vida são tão surpreendentes quanto o amor genuíno, e poucas coisas na vida são tão debilitantes quanto a frustração desse amor. Seja por inocência, descuido, expectativas irreais, esforços redundantes, falta de discernimento ou descompromisso com a realidade, o amor pode ser tanto produto de felicidade quanto motivo de infelicidade.

Tirinhas como essas não foram produzidas para entristecer as pessoas, mas para lembrar que histórias de amor nem sempre são contos de fadas.

Um dos desenhos, por exemplo, sugere que nenhum império construído com amor é indestrutível e, mesmo quando seus “guardiões” reforçam a defesa do local contra forças externas, podem se esquecer da existência de ameaças internas.

O grande objetivo é estimular a reflexão sobre relacionamentos complexos. Veja:

1. Algumas pessoas não se preocupam com o lugar onde seu coração está

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2. Visitas ao cemitério evocam boas memórias, mas também reavivam o luto

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3. Uma vida abandonada pode ter um destino melhor 

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4. Vale a pena sacrificar tudo por alguém que não se importa com seus sentimentos?

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5. Alguns ainda têm muito tempo de vida, mas quem sabe quanto?

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6. Há certas provações para aqueles que querem estar juntos

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7. Quem nunca foi emocionalmente manipulado?

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8. Tão perto e tão longe

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9. Existe razão nas coisas feitas pelo coração?

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10. Enquanto alguns querem se salvar, outros aceitam o próprio fim

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11. O amor tem um tempo determinado?

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12. Existem pessoas próximas a nós que nem sempre querem o nosso bem

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13. Esperanças trágicas

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14. O sentido da perda

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15. Um coração para iluminar

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O amor verdadeiro não acontece com hora marcada

O amor verdadeiro não acontece com hora marcada
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Não existe um tempo certo para amar. Quando acontece, você simplesmente sente. E todos os maiores pensadores e opinadores de plantão não podem negar, o encontro de dois corações faz a felicidade ser contínua, o respeito ser natural e, o carinho, a simplicidade do entrelaçar de dedos.

Desde que tomamos conhecimento do sabores desses amores errantes, insistimos em descrever o efêmero. Dura somente o necessário. Implica muito mais que escolha. Como num êxtase denso e sincero, dois corpos ocupando o mesmo laço. Falar de sacrifícios pelo outro é uma conversa irracional. Quem quer, soma. Entrega de afeto sem obrigação.

A vida segue nesse transe apoteótico dos relacionamentos líquidos, mas o que realmente queremos, no fundo, é abraçar os instantes ao lado de alguém sem que seja preciso rasurar os próprios sentimentos. O romantismo não é falso e, tampouco, frágil.

Que chegue o esperado dia da nossa inebriante passagem para os carinhos que ficam. Daqueles dos quais nos trazem sorrisos descontrolados, onde toda e qualquer demonstração da vivacidade contida aqui dentro, tenha não apenas um lugar de destino, mas também um caminho a ser construído.

Dos versos expostos, ausentes de julgamentos, a combinação perfeita – se é que existe perfeição. Mas, honestos quanto ao seu valor orgânico, alcançável e permissível, poderemos nos deparar com a síntese do equilíbrio amoroso.

O amor verdadeiro não acontece com hora marcada. Ele não é concebido previamente em linhas cicatrizadas no peito. Também são inexistes as explicações do processo em que se dá. Tanto faz. Amor é esse estado incandescente de expectativas criadas e nutridas por quem só quer viver em paz.

Seja hoje, amanhã ou depois, devagar ou urgentemente, é brincar com o tempo até o amor chegar.

O encanto nosso de cada dia- Padre Fábio de Melo

O encanto nosso de cada dia- Padre Fábio de Melo

Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira eterna?

A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência. Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia. Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou, ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto.

O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar.

Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida. O encanto alivia a existência…Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!

Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto… Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.
Amar talvez seja isso: Ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também.

Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto, à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.

Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens… Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos…

E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.

Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando… Uma redenção está sendo nutrida nessa hora…

Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui.

E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o passaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.

Fonte indicada: Refletir para Refletir

Na vida real, ser um superman destrói o homem.

Na vida real, ser um superman destrói o homem.

A gente é ensinado desde pequeno a ser “macho de verdade”. Um ser humano que não chora, não reclama, não tem essas frescuras de “mulherzinha.” O tempo passa e a cobrança só se afasta do bom senso. Olha, você precisa transar e logo e muito. Nada de falar dos sentimentos na rodinha de amigos, as crianças crescidas pra serem “machos de verdade” querem agora saber apenas de biologia. É só a parte menos psicológica.

E assim, grupos de homens vão fingindo que não sentem, defendendo suas masculinidades mais do que suas saúdes, e caindo no teatro mais imbecil; mostrar alguma humanidade apenas quando é para parecer fofo.

Um efeito de tanto esforço para ser um “superman” é triste; o número de homens que se suicidam chega a ser seis vezes maior do que o de mulheres. Embora em matéria de mortes, não há o que comemorar. Mesmo o número de mulheres que se matam sendo menor, todo suicídio é trágico ( Não entremos no jogo bobo de reduzir vida às estatísticas).

Qualquer pessoa, independente do gênero biológico ou social, que se recusa a cuidar de sua saúde mental está correndo riscos. Não seria diferente com homens.

Mas é isso que está no discurso do senso comum. O “homem da casa” não pode sofrer, ele é imbatível, um superman, herói, invencível, suas doenças todas são tratadas numa passadinha rápida na farmácia. Nada de choro, tristeza, ele vai carregar e comandar tudo e todos. Desgraçando a sua própria felicidade, adoecerá as pessoas que estiverem em sua volta.

Homem chora sim. E não estou falando do choro do galã pra ser bem visto pela mocinha. Falo de agonia, desespero diante das incertezas, de não poder mais sustentar uma cultura que rouba sua humanidade em prol de privilégios.

Sensibilidade não é uma habilidade de conquista em paqueras. Nem é coisa só de poesia. É intrínseco a nós, seres humanos, e ninguém precisa matá-la em prol de ser “macho de verdade”.   Aqueles que negam suas fragilidades, estão por aí, tentando provar com tomadas de poder, o que só funcionaria bem para todos com solidariedade.

Dizer o que você sente, admitir que sexo não é só biologia, perceber que a casa precisa mais de amor e cuidado do que de um “homem da casa”, não exigir aplausos por fazer o bem-óbvio, melhora sua vida mais do que sua força.

Deixe o superman para os filmes, é só na lente das câmeras que ele funciona. Na vida real, o superman só destrói o homem. Ao invés de voar mais alto que todo os outros, você pode ir caminhando ao lado; assim ouvirá o que eles têm a dizer.

Não precisa fingir que é uma capa de herói, a linda cortina que você quer levar pra decorar sua casa.

 

Referência útil: Por que homens se matam mais do que mulheres? 

Se você precisa de ajuda, o pessoal na CVV pode isso. Ligue 141 ou acesse CVV.ORG

 

Por trás de Divertida mente: uma análise psicológica elaborada da animação da Pixar.

Por trás de Divertida mente: uma análise psicológica elaborada da animação da Pixar.

Por Marcela Alice Bianco e Bruna Arakaki

Cine Sedes Jung e Corpo

O longa-metragem de animação Divertida mente (Inside out) da Pixar vêm encantando crianças e adultos pela forma criativa como expõe a jornada de uma garotinha chamada Riley, que aos 11 anos vive grandes mudanças em sua vida.

O filme, atuando em cenários ou dimensões particulares (dentro e fora da Riley), consegue demostrar o quanto mente e cérebro estão interligados, funcionando de maneira magistralmente orquestrada e sincrônica durante a vida. Somente algo totalmente lúdico e abstrato poderia nos lançar de maneira tão ilustrativa e criativa no universo das relações corpo – mente; cérebro e comportamento humano, traduzindo-se numa verdadeira lição de inteligência emocional para crianças e adultos.

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O foco principal dado pela animação é o papel do sistema límbico na regulação das experiências vivenciadas pelo indivíduo. O sistema límbico é parte do cérebro responsável pelas emoções e comportamento social da pessoa – regulação e inteligência emocional, auxiliar no desenvolvimento cognitivo e no armazenamento das memórias.

Começamos com a importância deste sistema e das primeiras interações do bebê com seus cuidadores e ambiente na formação do tom emocional básico que carregaremos durante a vida. No caso de Riley, logo que ela abre os olhos pela primeira vez e percebe a presença amorosa de seus pais, surge em seu cérebro a primeira emoção vivenciada: a “Alegria”, que passa a ser uma das personagens principais no gerenciamento emocional da nossa personagem. Forma-se então a primeira memória base, ligada ao afeto e ao cuidado.

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No filme, a sala de controle já possui um aparato inicial, um pequeno controlador, com apenas um botão, o qual podemos comparar ao Ego. Ou seja, nosso cérebro já apresenta uma certa prontidão para as primeiras interações que iremos fazer durante a vida e que serão marcantes para a formação das primeiras memórias. Esse aparato irá se desenvolvendo conforme as interações entre a pessoa e o ambiente externo e interno vai evoluindo e vamos progredindo nas fases do desenvolvimento humano.

O choro – utilizado como um sinal de alerta de que algo está errado, que há um desconforto ou um incomodo, uma necessidade a ser suprida – faz surgir uma nova emoção: a “Tristeza”, uma emoção gerada por uma sensação de desprazer, que no caso do bebê não é compreendida conscientemente.

A alegria tenta impedir a tristeza de controlar as emoções da Riley. Vivenciar o desconforto não é tarefa fácil, tanto que nossa sociedade contemporânea também tem prezado mais pela alegria do que pela tristeza.

A partir da experiência, outras sensações e emoções vão sendo vivenciadas, aumentando a gama de recursos da sala de controles de Riley. Cada emoção vai ganhando um papel criativo/protetivo ou agressivo/restritivo – que podem representar pares de opostos dentro da mesma emoção. O filme destaca cinco emoções principais:

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Neste sentido, a Alegria pode representar bem-estar, disposição, positividade, extroversão, capacidade para o relacionamento e autoestima. Mas também euforia, negação e onipotência. O Medo que auxilia na proteção, mantendo a Riley em situação de segurança, também pode acarretar ansiedade e constrangimento. A Nojinho, dependendo da forma como interpreta as situações em conjunto com as outras emoções, é responsável pela aceitação – de comida, experiências sociais – ou rejeição – evita que a Riley se envenene física e socialmente. O Raiva, um dos personagens mais cômicos da narrativa, denota a conquista de espaço, limite, força diante de possíveis injustiças ou invasões de limites físico e emocionais. Em seu polo oposto pode conter impulsividade, revolta, agressividade dirigida (contra o outro ou contra si) diante de situações frustrantes. Por fim, a tão incompreendida Tristeza, que quando acolhida e compreendida, auxilia na introspeção, na elaboração simbólica e integração das experiências, através da introversão. Porém, quando não elaborada, é caracterizada pelo negativismo, culpa, passividade e impotência.

Destaca-se, que as emoções não são categóricas: a tristeza não é o oposto da alegria, pois é necessário termos uma compreensão mais complexa e menos polarizada dos fenômenos. Na verdade, podemos olhar para as emoções em termos de complementariedade.

Entende-se que as emoções são funções estruturantes da nossa consciência e da nossa personalidade. Quando lidamos bem com elas podemos caminhar rumo a ampliação da nossa consciência. Mas, quando a reprimimos ou agimos de maneira rígida e unilateral, nosso desenvolvimento se represa e podemos desenvolver os mais variados sintomas. Por isso, precisamos cuidar muito bem das nossas emoções, compreendendo a importância de cada uma delas.

Inicialmente, o papel da tristeza não é compreendido, mas ela também não pode ser rejeitada ou colocada de lado (está no manual de controle da Riley). Isso quer dizer que ela tem um papel fundamental, mesmo que este ainda não possa ser compreendido e assimilado pelo indivíduo num dado momento.

As memórias, por sua vez, se mostram carregadas de carga afetiva. São armazenadas principalmente no hipocampo – memórias-base – formadas em momentos de muita importância. Essa carga afetiva mais intensa pode moldar a personalidade do indivíduo em diferentes momentos da vida.

Os conteúdos com intensa carga afetiva que se estruturam em torno de um tema e que possuem forte influência sobre o comportamento são representativos do conceito de Complexo na teoria junguiana. São ativados de maneira inconsciente a cada experiência que toca emocionalmente neste mesmo tema.

A formação das ilhas representa os complexos estruturais. Na infância da Riley temos a Ilha da bobeira, da amizade, da honestidade, da família. Como é narrado, “Fazem da Riley a Riley”.

Observamos que a infância de Riley é estruturante, à medida que não identificamos traumas consideráveis, os pais aparentemente são ajustados e tem comportamentos adequados: ela possui amizades sólidas e atividades de lazer. É confiante e sua autoestima é elevada.

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Contudo, aos 11 anos de idade, duas mudanças irão se processar na biografia de Riley, trazendo impacto considerável para sua existência: uma mudança externa – de casa, de cidade, de escola, de amigos, etc., e outra mudança interna – saída da infância e entrada na adolescência.

Durante a infância, a criança está mergulhada na dinâmica das vivências familiares, sendo que na metanoia da adolescência surge um momento determinante de diferenciação de identidade. Fazendo uma analogia com a jornada do herói, vemos o processo de Riley como um movimento de amadurecimento e de tomada de consciência.

Nesse sentido, a passagem da infância para a adolescência representa o primeiro luto da vida da Riley e nos traz para a reflexão. Qual o papel do luto para a sociedade atual e que espaços para simbolização através dos rituais de passagem ainda se mantém? Na realidade, percebe-se que na atualidade pouco se tem dado espaço para essa elaboração e vive-se muito na concretude.

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Com a chegada em sua nova casa (externa e interna) Riley sofre uma decepção com a realidade, causando um verdadeiro reboliço na sala de controle das emoções e ativando as emoções Nojinho, Medo e Raiva. Começam a surgir sentimentos negativos nela. A Alegria tenta dominar a situação novamente – o que interpretamos como negação, um poderoso mecanismo de defesa.

Porém, a força das emoções se impõe. O medo de que a Tristeza tocasse na mesa de controle – medo de deprimir – coloca a Alegria em hiperatividade.

Ao mesmo tempo em que podemos ver a negação como algo prejudicial, entendemos que ela faz parte de um processo de luto, ou seja, um recurso protetivo – uma vez que a situação traumática pode ser maior do que o Ego é capaz de dar conta naquele momento. O problema é quando tal defesa se estende como único recurso e se constitui como forte resistência que impede o contato emocional com a dor e que é essencial para que o trabalho de luto possa ser realizado.

Seguindo o curso da história do filme, a Ilha da família é a primeira a ser atingida – são as relações iniciais as primeiras a serem confrontadas, o que é natural no processo de saída da infância. Percebemos que a reação da Alegria é tentar reforçar os aspectos positivos das relações familiares.

Observamos que a entrada na adolescência é permeada justamente por esses conflitos, na forma como a pessoa enxerga os pais (heróis x humanos), sendo essencial que os filhos humanizem os pais para que esses possam assumir o papel de heróis da sua própria história.
Percebemos que a compreensão da Riley diante das circunstancias ainda é infantil – presa em suas ilhas estruturais todas ligadas à infância, como no momento em que Riley percebe o distanciamento do pai e a Tristeza fala: “Más notícias, o papai não nos ama mais.” – É um momento em que a criança sente que não é mais criança, mas também não se sente adolescente.

Outra observação relevante é que na sala de controle da mãe a emoção principal é a tristeza. Assim, a mãe tenta se apoiar na alegria da Riley. Mas, ao estimular esse lado, contribui para a repressão da expressividade emocional da filha que tenta corresponder à mãe, para não a desapontar. A força do complexo materno é intensa nesta transição e, por vezes, durante grande parte da nossa vida, podendo impedir o desenvolvimento quando não é transposta.

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O pai, por sua vez, tem sua sala de controles comandada pela Raiva. Mostra-se distante emocionalmente, preso em suas próprias preocupações, desligado, não consegue se conectar emocionalmente com a filha. Quando irritado pelo limite que ela coloca, age de maneira explosiva. Depois sente culpa e se baseia na Ilha da bobeira de Riley para tentar um contato, o que aos poucos vai deixando de fazer sentido para ela.

As reações dos pais neste momento não estão adequadas às necessidades da filha, eles também não conseguem perceber o processo de amadurecimento emergente, e por falta dessa compreensão, não conseguem fazer o espelhamento adequado e não agem empaticamente com a filha. Aqui, podemos ressaltar a importância do papel dos pais, não só na formação emocional da criança, mas também neste momento de transição da infância para a adolescência. É preciso que os pais também atualizem internamente a imagem de seus filhos e se adaptem às necessidades da nova relação que está se desenvolvendo, para que todos possam caminhar de forma saudável nesta jornada.

Em meio a todos esses acontecimentos, nossa personagem principal vive processos internos! Um deles é que a Tristeza passa a ter comportamentos de tocar nas memórias de Riley, o que altera a cor das mesmas. Tal fato demostra a força desta emoção que é capaz de modificar totalmente a carga afetiva de uma memória, podendo até mesmo distorcer a realidade.

No caso da Riley, a Tristeza tem uma função especial e imprescindível, pois é através desta que ela percebe que tudo está mudando. Isso a auxilia a mudar tanto suas perspectivas futuras, quanto à relação com o passado (suas memórias). É interessante ressaltar neste ponto a questão da temporalidade – as vivencias não são lineares e cronológicas. Nossa história está sempre mudando, seja em relação ao futuro quanto ao passado e, assim, vamos recontando nossa história dentro de nós, podendo dar novos significados a ela.

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Riley vai passando por uma sequência de acontecimentos e experiencia diferentes sentimentos com a adaptação na nova casa e escola: a frustração entre a casa imaginada e a real, a demora na chegada do caminhão da mudança, a ansiedade e medo do primeiro dia de aula, a vergonha depois de se sentir exposta, etc.

Inicialmente nossa personagem reage positivamente, usando a Alegria ao seu favor. Mas, aparentemente, a falta de referenciais para lidar com tudo isso acarreta um crash na sala de controle. As emoções não sabem como agir, apagam todas as memórias bases e em seguida, as Ilhas se apagam, e memórias bases são sugadas junto com a Alegria e a Tristeza – representando a entrada na fase depressiva do luto.

Ocorre um apagão do sistema límbico – caracterizado pela apatia – e Riley fica esquisita, embotada, passando da extroversão para a introversão.

Vemos as memórias base irem para junto das memórias de longo prazo – não farão mais parte do Complexo do Ego. Já as emoções que ficam na sala de controle tentam se comportar como a Alegria, mas não conseguem – já que cada uma tem seu papel específico.

Em seguida, é a raiva do pai que tira Riley da apatia e a coloca sob o controle do Raiva – a fase seguinte do luto. Essa fase se caracteriza pelas reações e tentativas de enfrentamento, revolta, ruminação, e rebeldia. Rompe-se a Ilha da bobeira através do amadurecimento pela agressividade.

Enquanto isso a Alegria e Tristeza tentam voltar para a sala de controle.

A Tristeza leu o manual – é ela que sabe e orienta o caminho, mas precisa da alegria para sair do lugar. Mostra-se a importância de que as duas emoções sejam parceiras e atuem juntas.

A Tristeza incita o sentimento de solidão – surge o amigo imaginário Bing-Bong que está na Terra da Imaginação. Ele é feito de partes de animais, ou seja, é indiferenciado e ao mesmo tempo, representa um dos objetos transacionais da infância e o recurso simbólico que virá da fantasia/imaginário para orientar o caminho da Alegria e da Tristeza.

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Nestas cenas o filme resgata a importância da linguagem simbólica para a elaboração dos conflitos, porém é uma área que devemos explorar com cuidado – sob risco de dissociação e desintegração – que ocorre quando elas resolvem pegar um atalho para chegar à sala de comando.

Tomada pela ansiedade, medo e frustrações, todas as ilhas de Riley ligadas a infância começam a cair – o que é um processo natural de amadurecimento – porém sentido por muitos como uma experiência bastante dolorosa.

Quando Bing-Bong percebe que a Riley se esqueceu dele, fica deprimido, e enquanto a Alegria tenta compensar, a Tristeza o consola – o acolhe e ele pode expressar seus sentimentos. Vemos que a tristeza também suscita a empatia. É por meio do espelhamento e da escuta que o amigo imaginário pôde ser confortado e se recuperar. A Alegria fica surpresa – é o primeiro momento em que a alegria se surpreende com a assertividade da Tristeza e começa a compreender seu papel.

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Enquanto isso, na sala de controles é a Raiva que monta um plano de fuga. Isso significa que está na fase da revolta e que vê na possibilidade de voltar para a cidade da infância – antiga realidade – a única forma de não viver a realidade atual.

Não podemos deixar de falar dos sonhos da Riley, que são vivências do inconsciente e que trazem conteúdos relacionados aos temas que ela está vivendo. Como quando ela está na sala de aula e as pessoas percebem que seus dentes estão caindo e ela fica sem roupa.

Os dentes estão ligados à nossa capacidade de digestão ou assimilação dos conteúdos físicos e psíquicos que recebemos do mundo externo. No caso da Riley, seus dentes estão caindo, mostrando a perda da força e à consciência do conflito que se estabeleceu pela nova realidade que ela ainda não consegue enfrentar. Isso desperta um estado frustração, de ansiedade, de perda da confiança em si mesma e um medo de não conseguir lidar com a situação e manter a defesa da negação. Faz-se uma relação com os dentes de leite que precisam cair para que surja uma arcada dentária mais forte e adaptada às novas fases da vida alimentar. Riley precisa “perder seus dentes de leite” para adquirir uma nova força para lidar com sua condição de adolescente em San Francisco.

Já as roupas simbolizam a ligação com a Persona e com a identidade, a forma como nos apresentamos para o mundo. Símbolo da nossa individualidade ou, num polo oposto de que somos manequins que servem às projeções sociais ou nos conduzem a massificação. Quando estamos sem roupa é somente o que somos que é visto pelo outro, sem disfarces. Quando Riley chora e demostra sua tristeza em sala de aula ela deixa de encarnar a menina doce e feliz que lida bem com tudo. Nesse momento não consegue esconder, nem dos outros e nem de si mesma a sua fragilidade. Perder as roupas também mostra que sua identidade está passando por uma profunda transformação.

Quando Bing-Bong vai preso, vemos a repressão atuando e tentando fixar o conteúdo na Sombra, local onde estão guardados os conteúdos que causam medo, angústia e conflito.

Nesse momento, acordar a Riley é a prioridade para que o trem do pensamento volte a funcionar, ou seja, precisam da consciência para o processo. Surge a Ideia de acordar o palhaço – seu pior medo, já que é justamente essa emoção que está na sala de controles naquela noite.

Quando o Medo acorda na sala de controle, o Raiva volta para o comando e o plano de fuga se reforça. Riley pega dinheiro escondido da bolsa da mãe, o que faz romper a Ilha da honestidade. A queda da Ilha da honestidade descarrilha o trem do pensamento – Riley entra numa fase totalmente irracional e impulsiva, presa à emoção da raiva. Está “atuando”.

Em meio a tudo isso, a memória de base sobre o campeonato de Hockey será fundamental, pois resolverá o enigma da elaboração entre a Tristeza e a Alegria. Ambas gostam da memória, mas por óticas diferentes.

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Ocorre que, quando tentam voltar através do recorda-tubo, a Alegria tenta deixar a Tristeza para trás, ou seja, ainda não compreendeu de fato sua importância. E assim, Alegria e Bing-Bong caem no esquecimento – só então Alegria volta a olhar a memória do Hockey e entende o papel da Tristeza. É na parte triste da memória de Riley que ela recebe o conforto dos pais e se reorganiza para voltar a viver a Alegria. Ela chora, e pode acessar dentro de si a Tristeza. Então, reúne suas forças, usa os recursos da imaginação – convoca o foguete imaginário – mas infelizmente se faz necessário que o Bing-Bong seja deixado para trás. Afinal, o objeto transacional da infância já cumpriu sua missão.

É interessante observar as mudanças começarem a ocorrer primeiro no inconsciente e no mundo interno da Riley, para depois chegarem à consciência e se concretizarem no mundo material.

Riley segue seu plano de fuga, tomada pela raiva e a Ilha da família está ruindo.

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Na trama inconsciente, a Tristeza foge, na tentativa de se afastar, mostrando o distanciamento emocional que Riley está vivendo.

Contudo, entra em cena seu namorado imaginário, o príncipe encantado-representante do animus e novo recurso transacional de Eros – é ele quem vai fazer a ligação para que a Alegria e a Tristeza voltem para a sala de controle.

Quando as emoções retornam a sala de controle, estão transformadas pela jornada heroica que vivenciam e uma nova Consciência pode se formar.

Então, Alegria e Tristeza juntas, através da síntese da integração dos opostos, introduzem a capacidade de interagir com as polaridades, na qual a consciência pode ter um funcionamento dialético e os polos têm igual direito de expressão. É o aparecimento do Arquétipo de Alteridade. Nesse momento, é a Tristeza que assume o controle, e é o contato Riley com esta emoção que rompe com a revolta e a fixação do plano de fuga. A menina chora e volta para a casa.

A tristeza toca em todas as emoções com a permissão da Alegria – como uma ressignificação das memórias bases e reajustamento emocional.

Riley pode chorar e através da sua expressão emocional, ser acolhida. Os pais também podem falar dos seus sentimentos, gerando proximidade e validação. Dessa forma, nossa menina sai da solidão e encontra novos recursos, como o conforto. A partir daí tem-se o retorno da ilha da família, a construção de novas ilhas ligadas à vivência adolescente, à ampliação do painel de controle – com botões que inclusive serão descobertos como o da puberdade – e o surgimento de novas memórias – agora coloridas com emoções misturadas, mostrando a complexificação das mesmas e a riqueza emocional, pois todas as emoções têm sua função e seu papel reconhecidos.

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Amadurecida, Riley vai conseguindo compreender a realidade de outro modo – a forma como vê o trabalho do pai, as prioridades do mundo adulto, etc. – a ponte Ego- Self fica restabelecida e funcional – até que novos acontecimentos internos e externos a chamem para novas jornadas heroicas que fazem parte do processo de desenvolvimento individual. Nesta dinâmica, destacamos o papel essencial e regulador do nosso Self, regente amoroso da nossa orquestra existencial e que auxilia neste caminho de individuação e ampliação da Consciência, pois afinal como diz a Alegria: “Nós amamos a nossa Riley”!

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Este texto foi produzido pela Comissão Organizadora do Cine Sedes Jung e Corpo com base nas reflexões realizadas durante o evento realizado em junho de 2016, com os comentários do Professor, Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiano Paulo Toledo Machado Filho, do Psicólogo e Neurocientista Dr. William Comfort e da Psicóloga e Psicoterapeuta Junguiana Marcela Alice Bianco.

O Cine Sedes Jung e Corpo é uma atividade extracurricular do curso Jung e Corpo: Especialização em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo.

É um evento gratuito e aberto ao público geral organizado pelos professores do curso em conjunto com ex-alunos e ocorre todas as últimas sextas-feiras dos meses letivos do curso.

Por que nos sentimos mal (ou bem) perto de algumas pessoas?

Por que nos sentimos mal (ou bem) perto de algumas pessoas?

Sempre que nos aproximamos de alguém, a nossa leitura intuitiva da realidade vai infinitamente além do que o nosso cérebro processa racionalmente. Captamos não só o que nos é dito, mas também processamos informações visuais, e até cheiros, tendo a partir desses estímulos sensoriais, as mais diversas reações emocionais. Somos influenciados pela nossa história pregressa em todos os níveis: do fisiológico ao racional (que é o último a compreender e interpretar a situação).

O contato com uma pessoa pode ativar reações de medo, como no caso de algo que já tenhamos vivenciado no passado possuir alguma característica que captamos involuntariamente no momento presente (um cheiro, um modo de olhar, um vacilo ao falar). Da mesma forma podemos sentir inveja, culpa ou repulsa sem admitirmos isso para nós mesmos, pois alguns sentimentos não são considerados nobres socialmente, ainda que todos nós sejamos suscetíveis a eles. Logo, sempre será mais fácil atribuir ao outro uma característica negativa, do que aceitá-la em nós mesmos. É comum que invejosos definam-se como invejados, que pessoas que costumam ser injustas definam-se como muito injustiçadas ou mesmo que pessoas que têm dificuldade em ver o bem no outro atenham-se a descrições maldosas acerca das características alheias. (já falei disso aqui).

É em decorrência de percepções de eventos anteriores, e que não conseguimos racionalizar, que temos a tendência à repetição de comportamentos. Quem já não ouviu aquela história de um conhecido que só namora pessoas que têm problemas com bebida, de um primo que já foi traído várias vezes – mesmo sem ninguém entender (nem ele) como consegue sempre escolher relacionamentos com as mesmas características negativas e que lhe são prejudiciais, e assim por diante. Reagimos e fazemos escolhas baseadas em algo familiar (não necessariamente bom) e que, muitas vezes, nem chegamos a entender.

Podemos nos sentir mal perto de alguém por razões óbvias, que vão desde um conflito de ideias e choque de valores a, até mesmo, a sensação de estarmos diante de um espelho, diante daquilo que nós mesmos somos ou tememos ser.

Uma pessoa que pensa diferente pode agredir verdades pessoais pré-estabelecidas e, assim,  causar uma ansiedade reativa através de comportamentos intolerantes.

Uma pessoa que é diferente da maioria pode causar em nós, medo pelo desconhecido representado por padrões culturais, como cor de pele, religião, orientação sexual ou até política. A rejeição a alguém costuma ser reflexo da inabilidade para lidar com o novo: agride-se o desconhecido.

Nos dois casos mencionados acima, a pessoa emocionalmente inábil tende a rechaçar, descartar e evitar o que teme ou aquilo que agride seus frágeis conceitos anteriores.

A atenção às suas próprias reações torna-se vital, pois é ela que permitirá que a consciência detecte os motivos das reações positivas (simpatia imediata, por exemplo) ou, como aborda o título, o mal estar e o desconforto na presença do outro.

Se conseguirmos identificar quando a nossa estranheza é legítima (e não um mero mecanismo de defesa para nos proteger de nossas próprias dificuldades), teremos a capacidade de agir de maneira sábia e evolutiva, nos afastando de situações que nos causem real perigo ou nos aproximando do que pode ser benéfico (muitos chamariam isso de intuição).

Logo, a intuição nada mais é do que aprender a ouvir nossa mente e corpo  de maneira limpa e filtrando os mecanismos reativos que, embora nos protejam de algumas de nossas dificuldades, nos privam da verdade das relações e situações.

Reflexões pessoais sem juízo moral, como as que acontecem nos processos psicoterápicos, ajudam as pessoas a perceber, aceitar e lidar com as diversas esferas de si, desde as mais óbvias e evidentes, até as mais sutis.

O autoconhecimento, de maneira geral, permite que saibamos escolher cada vez mais com maior propriedade, quando devemos nos afastar de alguém porque esse alguém realmente nos faz mal ou quando a a sensação de incômodo deve ser vista como oportunidade de mudança e reflexão pessoal.

Termino com uma frase que vi em uma tirinha sem autoria:

“Minha mãe sempre disse que não devo andar com pessoas ruins, mas, e se a pessoa ruim for eu?” 😉

Imagem de capa: Gregory Colbert

Quando rompemos, fiquei com o que era mais precioso: fiquei comigo

Quando rompemos, fiquei com o que era mais precioso: fiquei comigo

Não existe adeus tranquilo, não há serenidade na partida, tampouco alívio no rompimento. Toda e qualquer separação é dolorida e angustiante, pois com ela se despem os fracassos, avultam as mágoas, quebram-se expectativas, instala-se a impotência. Assistir aos sonhos de uma vida fazendo as malas e saindo pela porta, para nunca mais, é como perder um pedaço de si, ser arrebatado por uma vivência tardia de si mesmo.

Isso porque somos feitos para amar e somos levados, desde sempre, a acreditar na necessidade primeira de pautarmos nosso viver no aconchego de um amor que conforta e liberta, verdadeiro e eterno. Por essa razão, queremos sempre que o amor dê certo e lutamos por isso até se esgotarem as forças, muitas vezes às custas de nossa dignidade, da humanidade que nos deveria preencher.

Assim, tanto quem toma a iniciativa de romper quanto quem ainda acreditava ainda existirem chances sofrem, cada qual à sua maneira, por razões próprias. A coragem de agir e a dor da covardia são igualmente dolorosas e alquebram os sentimentos dos protagonistas das separações da vida, sem possibilidade de se medir ou comparar a dor de um e de outro. Quem vai e quem fica estarão fatalmente sozinhos naquele momento.

Chegada a hora de enfrentarmos a vida sem a presença do outro, longe daquilo por que tanto lutávamos e em que tanto acreditávamos, será preciso nos resgatarmos, continuamente, sem descanso. Não poderemos fugir da tristeza, tampouco tentar negá-la, mas teremos que encontrar maneiras de digerir aquilo tudo em favor de nosso despertar solitário, ainda que não felizes, ainda que entre lágrimas.

A tristeza é egoísta, quer tomar todos os espaços para si e instalar-se de vez, aniquilando qualquer lampejo de luz que possa vir a ofuscá-la. Há que se combater o vazio desolador e desesperador com atitudes e força de vontade imensuráveis, amparando-se também no amor daqueles que sempre estiveram conosco, com amizade sincera.

Sempre será bem vinda uma viagem demorada, uma aventura que nunca se teve coragem de enfrentar, uma nova forma de encarar a vida, mudanças de planos, de sonhos, de postura. A tristeza irá nos acompanhar aonde formos, mas com certeza se enfraquecerá aos poucos, pois a dor se alimenta da estagnação, da paralisia, da morte em vida e é combatida com movimentação, abalos nos sentidos, gargalhadas sinceras, beijos roubados e autoestima em expansão – quiçá por amores fresquinhos.

É preciso, pois, manter acesas, ainda que custe, a esperança e a certeza de que haverá sempre muito amor aguardando por nós, pois fomos feitos para durar, para recomeçar incansavelmente, enquanto vivermos, enquanto respirarmos os sonhos de uma felicidade plena e possível de ser vivenciada, desde o raiar até o anoitecer de cada novo dia.

*O título deste artigo é baseado em uma frase de Tati Bernardi.

Inadequada, eu?

Inadequada, eu?

Quantas vezes já me senti inadequada? Incontáveis vezes. Quantas vezes já sofri por isto? Todas elas.

De fato, relembrando aqui, já senti bastante inadequada. Pelo que falei, pelo que deixei de falar, pelo que pensei em falar, pelo que nem cogitei…

Por ter me vestido de menos, demais, combinando, relaxando, escandalizando…

Por ter telefonado na hora errada, ter forçado uma coincidência, deixado alguém na mão, elogiado a pessoa errada, ignorado quem não merecia…

Pelos julgamentos apressados, pelos preconceitos velados, pela falta de consistência em argumentos inúteis, por ter perdido a chance de calar.

Estar inadequado é estar fora do contexto, da direção que um tema segue, da evolução dos fatos. É nadar contra e se afogar em contradições.

Sentir-se inadequado é perceber-se fazendo ou sentindo algo que grita contra a sua natureza, mas sem reação forte o bastante para recuar.

Não notar-se inadequado é deixar-se cumprir aquele papel incômodo, ridículo, vulnerável, contestável, tantas vezes lamentável. É ser o tolo da vez.

Em todas as instâncias, o sentimento ponteagudo de inadequação mostra que, dentre os caminhos possíveis, acabamos escolhendo o que não nos comporta, não nos suporta, não nos dá passagem fácil. Saímos dele envergonhados e muitas vezes culpados.

Para compensar, não fui inadequada todas as vezes em que pensei antes de falar, julgar, discutir e discursar, ainda que a vontade fosse forte e a platéia, atraente.

Não fui inadequada quando me olhei verdadeiramente no espelho e me senti bem para mim e não para os outros, aceitei meu corpo, minhas formas, meu andar, meu olhar.

Nem quando tomei uma atitude certa do que estava fazendo e não só para impressionar, quando disse sim apenas quando quis dizer sim, e não quando era a única resposta que cabia.

Por fim, colocando tudo na balança, parece que é parte habitual da gente, esse sentimento estranho, esse sapato de número trocado, mal calçado, inadequado.

E se é inevitável que sejamos inadequados em certas ocasiões, que sejamos tanto mais leves e divertidos quanto poderá ser a nossa gafe.

Essa ainda me parece a forma mais adequada de lidar com uma atitude inadequada.

Sobre seu filme favorito…

Sobre seu filme favorito…

Qual é seu filme preferido? Quantas vezes você já assistiu? Do que você mais gosta na personagem principal? Tem alguma característica específica ou é o jeito com que ela se comporta durante todo o filme? É uma história real ou fictícia?

Independentemente das respostas que você deu acima, estou quase que totalmente certa de que o que mais te encanta e o que mais te prende no enredo dessa história, seja essa real ou não, é a determinação ou a resiliência contidas nas atitudes e nas escolhas dos principais envolvidos.

É a capacidade que eles têm de, diante da adversidade, persistir e encontrar a melhor resposta, a melhor saída. É a evolução e o amadurecimento deles no decorrer dos acontecimentos. O que te encanta é a fé, a coragem e, arrisco dizer, até alguma (ou muita) dor que eles sentem em determinados momentos.

Sim, porque é disso que é feita a vida! De dinâmicas pessoais. De personalidades se construindo. De crenças e valores fortes. Da busca pela felicidade. Da superação. E, arrisco de novo, quanto maior for a dor experimentada, maior será a alegria e a sensação de gratidão no momento da vitória.

O que quero dizer com isso? Bem, é que não consigo entender por que tantas pessoas ainda desejam viver uma vida sem desafios, sem dor, sem medos, sem motivos para se superar, já que é justamente tudo isso que confere à história de cada um a beleza, a emoção e as maiores oportunidades de crescimento?

Por que você ainda insiste em acreditar que seria possível e até interessante viver uma vida morna ou perfeita? Sem graça ou sem problemas. Isso definitivamente não existe. E se existisse, nos levaria ao tédio absoluto, à estagnação completa e a um caos dentro de nós mesmos.

Por isso, em vez de passar seus dias reclamando das relações que não deram certo, das tentativas fracassadas ou das investidas que ainda não tiveram o final feliz que você tanto deseja, imagine-se protagonista de um filme campeão de bilheterias. Imagine-se indicado ao Oscar de melhor amante, melhor vivente, o melhor exemplo de superação do ano!

Faça sua vida valer a pena ao invés de sentar no sofá e se lamentar. Não acredite que só é feliz quem nunca sofre. Não deseje, de um jeito infantil e covarde, uma vidinha perfeitinha e absolutamente incompatível com a natureza humana de um guerreiro de verdade. Não!

Se jogue em novas experiências. Acredite que você é capaz de lidar com tudo o que surgir no seu coração e diante dos seus olhos. Aposte que você é não só a personagem principal de sua história, mas também o diretor – aquele que transforma o enredo que vier numa sequência de escolhas e ações que tiram o fôlego de quem está te assistindo!

E para isso, tudo o que você precisa é se preparar. Abrir a mente, a alma e o coração. Buscar seus recursos internos. Treinar o melhor que existe em você. E, por fim, viver um dia de cada vez. Uma cena de cada vez. Para que o amor seja sentido não só no final, mas a cada ato consumado.

Você é a média das 5 pessoas com quem passa mais tempo

Você é a média das 5 pessoas com quem passa mais tempo

O ambiente em que vivemos afeta o que somos. O conjunto de características do grupo em que estamos inseridos influencia na maneira em que nos comportamos como seres humanos.

Jim Rohn foi um famoso empreendedor, autor e palestrante motivacional que certa vez cunhou uma das frases mais utilizadas no mercado de desenvolvimento pessoal:

“Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”.

Essa afirmação, embora não científica, é amplamente aceita e reconhecida como verdadeira.

Você já considerou que as pessoas em seu entorno podem afetar o caminho do seu futuro e da sua carreira? Todos nós precisamos de familiares, amigos e mentores em nossas vidas, no entanto, você já parou para pensar que talvez algumas dessas pessoas tenham um impacto negativo em sua vida, mesmo que inconscientemente?

O que isto significa?

Isto significa que o seu ambiente — especificamente as pessoas inseridas nele — tem um enorme impacto em quem você se torna. Nossa vida social tem grande relação com os resultados que alcançamos. Tem relação com a concretização ou não dos nossos objetivos e aspirações.

Em tese, cercar-se de pessoas saudáveis, inteligentes, desafiadoras e interessantes provavelmente o tornará como esses caras. E o oposto também é válido. Você deve se afastar de pessoas negativas e que não estejam alinhadas com o seu mindset. Menos “isso não vai dar certo” e mais “tem alguma maneira em que eu possa te ajudar a conseguir isso?“.

Por exemplo: se você está cercado de pessoas que não se preocupam com a saúde, certamente esta também não será uma preocupação sua.

Não estou dizendo que você deva abandonar familiares e amigos que se enquadrem nessas descrições. Talvez eles não estejam alinhados com seu grande objetivo de vida, mas vocês podem crescer juntos em alguma área específica de suas vidas. Ou talvez a relação de vocês esteja baseada apenas no lazer — e não tem problema algum nisso. Porém, busque novas formas externas de encorajamento e deixe os conselhos para quem está na mesma sintonia.

Por que é importante?

Você tem o poder de controlar quem você se torna. Não só a nível interno através do desenvolvimento pessoal, mas ao escolher com quem você passa mais tempo. Se seu círculo de amizades tiver pessoas mais espertas que você, mais ricas, mais saudáveis e mais bem sucedidas, há uma grande chance de se tornar como essas pessoas. Por outro lado, se seu círculo interno é formado por pessoas negativas, fofoqueiras e preguiçosas, provavelmente este será o conjunto de coisas que o futuro reservará pra você — e aí não adianta esperar que algum milagre aconteça.

O poder do nosso ambiente é tão grande que pode influenciar toda a sua vida. Se você quer ficar rico, ande com pessoas ricas. Agora, se quer ter uma vida minimalista e desapegada, fique longe desses caras. Tudo o que você quer para o seu futuro pode ser moldado através das relações humanas que você tem no seu dia a dia.

Como encontrar pessoas alinhadas com sua visão de mundo?

Nasci em Imbituba, uma cidade localizada no belo litoral catarinense com pouco mais de 40 mil habitantes onde morei até meus 24 anos. Em 2013 me mudei para Tubarão — 50km de distância de Imbituba — em busca de oportunidades que não encontrei em minha cidade natal.

Passei o último final de semana na capital Florianópolis e foi aí que tive o insight para este texto baseado na frase de Jim Rohn.

Tubarão é uma dessas cidades em que a economia gira em torno do comércio tradicional. E, veja bem, não há nada de errado com isso. Tem muita gente ganhando dinheiro e sendo feliz no varejo. Porém, geralmente, esse tipo de atividade lima o potencial criativo das pessoas. Você faz, diariamente, mais do mesmo e não há espaço para a inovação.

Florianópolis, por sua vez, tem se destacado como uma cidade criativa. Tem muita coisa rolando dentro do empreendedorismo e do marketing digital, minhas áreas de interesse. Talvez, no meu caso específico, seja o tipo de ambiente que preciso e que nunca terei numa cidade com as características de Tubarão — e, novamente, não há nada de errado com a cidade, nem com seus habitantes.

O ponto aqui é que você deve se questionar sobre onde seu mercado de interesse está e o que as pessoas tem feito por lá — quais palestras elas tem assistido, que cursos tem feito, que eventos tem participado. Se alguém que você admira estará em determinado evento, vá até lá. Ouça o que esses caras tem a dizer, interaja nos happy hours, expanda seu networking.

Portanto, esteja sempre aberto para mudanças. Sejam elas no seu círculo social ou mesmo geográficas. E reforço que isso não significa que você deva abandonar sua família ou amigos. O fato é que talvez eles não sejam os melhores conselheiros para o que você procura, por isso é importante estar rodeado de pessoas que estão em sintonia com seus objetivos.

Exercício

Pergunte a si mesmo o seguinte:

  • Com quem você está gastando seu tempo?
  • Sobre o que eles falam?
  • Estão de acordo com a forma como você deseja aparecer no mundo?
  • Eles estão te levantando ou tentando mantê-lo preso?
    ***

Se você está na mesma vibe que eu do empreendedorismo e do marketing digital, estarei nos dias 03 e 04 de novembro em Florianópolis para o RD Summit 2016. Bora lá trocar uma ideia durante o happy hour?

Só os loucos são capazes de mudar o mundo

Só os loucos são capazes de mudar o mundo

A gente não devia, mas vai se acostumando. Vai se acostumando a ficar parado, a não se incomodar, a achar que não há nada que possa ser feito, a aceitar que o mundo sempre foi assim e que não há saída. A gente não devia, mas vai se acostumando.

Vai se acostumando a aceitar os desmandos, a exploração como um processo inexorável, a corrupção como insuperável. A gente não devia, mas vai se acostumando. Vai se acostumando a calar, até que o silêncio ecoe pelos quatro cantos a nossa indiferença.

Ítalo Calvino disse que: “O inferno dos vivos não é algo que será: se existe um, é o que já está aqui, o inferno em que vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Há duas maneiras de não sofrê-lo. A primeira é fácil para muitos: aceitar o inferno e se tornar parte dele a ponto de não conseguir mais vê-lo. A segunda é arriscada e exige vigilância e preocupação constantes: procurar e saber reconhecer quem e o quê, no meio do inferno, não são inferno, e fazê-los durar, dar-lhes espaço”.

Diante do exposto, é sabido que conformar-se é sempre uma saída mais cômoda. Somos frágeis, precários, e na maior parte do tempo sequer damos conta de nós mesmos, de tal modo que imaginar ser possível mudar o mundo a partir das nossas ações parece loucura. Sendo assim, preferimos nos acostumar com a realidade, aceitando-a como um processo tal como é, sem qualquer possibilidade de modificação. E, então, como ninguém se incomoda, o inferno permanece sempre mais vivo, alimentando-se da nossa covardia e indiferença.

Entretanto, embora não acreditemos ser capazes de alterar o nosso meio, esperamos que essas modificações possam vir de outras pessoas, sobretudo, quando o inferno que alimentamos trata de nos causar queimaduras. Paradoxal? É sempre mais fácil acreditar na existência de heróis do que arregaçar as mangas e tentar fazer algo. É sempre mais fácil se manter na zona de conforto do padrão da conformidade do que assumir a condição louca da mudança, pois lembrando Kerouac – “[…] as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo”.

Assim sendo, ainda que a nossa condição seja de fato precária e não tenhamos controle sobre quase nada, há possibilidade de mudar o mundo a partir de nós mesmos. No entanto, como ressalta Calvino, essa escolha necessita de coragem e esforço para que fujamos das labaredas, para que sejamos a luz a que os poetas às vezes dão o nome de esperança, para que sejamos loucos, inadequados, inconformados, para que tenhamos a coragem de sempre fazer algo e mais coragem ainda para acreditar que esse algo que incomoda, essa revolução interior é a maior que pode existir e é a única que de fato pode dar espaço àquilo que não é inferno no meio dele, já que como lembra Joseph Brodsky:

“Eu não acredito em movimentos políticos. Acredito em movimentos pessoais, ao movimento da alma, quando um homem olha para si mesmo e está tão envergonhado que tenta fazer algum tipo de mudança – dentro de si mesmo, não do lado de fora”.

Ou seja, a mudança no mundo externo depende da nossa mudança interna. Depende da forma que nos enxergamos como parte do problema, como parte do inferno, ao passo que buscamos, por meio do nosso eu, ser a mudança que queremos no mundo, ser o que não é chama no meio do fogo. Antes de arrumar o quebra-cabeça maior é necessário arrumar o nosso quebra-cabeça, pois quando a gente arruma o homem, consequentemente, nós arrumamos o mundo ou como diz um pensador chamado Gabriel – “Quando a gente muda, o mundo muda com a gente”.

Podemos não ter o melhor dos mundos, mas um mundo melhor depende da forma que nós lutamos por ele. Para isso é preciso vigilância e preocupação constantes como diz Calvino, loucura como lembra Kerouac e vergonha como atenta Brodsky, porque por mais que as condições sejam adversas, sempre há o que pode ser feito. E mesmo que isso seja pouco, não importa, porque à luz de Thoreau, um “louco” no seu tempo: “Um homem não tem que fazer tudo, mas algo, e não é porque não pode fazer tudo que precisa fazer este algo de maneira errada. Pois não importa quão limitado possa parecer o começo: aquilo que é bem feito uma vez está feito para sempre”.

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