O que aprendemos com a decepção?

O que aprendemos com a decepção?

Por Lingia Menezes de Araújo

Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona.
~ Rabindranath Tagore

Viver por si só, já é uma imensa descoberta, pois a cada conquista nos descobrimos, a cada empenho, conversa, encontro e porque não dizer que podemos nos conhecer um pouco mais na decepção?

A vida é permeada de diversos sentimentos, sejam eles bons, ruins, construtivos ou ameaçadores. A todo o tempo, estamos pensando, sentindo e desejando mais. Na lista de predileções humanas, a decepção sentimento rejeitado, é colocado entre aqueles cujo sentido sempre amarga a experiência do vivenciar.

Assim, a decepção se faz presente por si mesma, pois ela faz parte da vida. Então, sem pedir licença, ou marcar horário, ela simplesmente se apresenta e muitas vezes, vem acompanhada por alguns sentimentos também resignados, como a tristeza, melancolia, mau humor, e alguns outros que aproveitam a viagem. Portanto, a decepção mal administrada prejudica a qualidade de vida, podendo gerar quadros de ansiedade e depressão.

Mas como vivenciá-la de forma diferente e desviar-se de uma posição enfraquecida diante à vida?

A decepção pode ser encarada como um impulso para ação, um despertar de uma motivação, um olhar diferente para o desejo e o desafio, ela pode vir a ser uma força construtiva. Ela, no final da historia , faz com que o homem entre em sua própria “caverna”, ou seja, reconheça a si mesmo e assim enxergue suas inseguranças, precariedades e incertezas.

O desapontamento pode ser encarado como oportunidade e porque não como crescimento? Pois, se vivêssemos em um estado constante de plenitude pouco saberíamos de nós mesmos, pouco melhoraríamos e teríamos a motivação para conquistar algo. É exatamente essa discrepância que nos permite alcançar algo novo.

Sem frustação não existe necessidade, não existe razão para mobilizar os próprios recursos, para descobrir a própria capacidade para se fazer alguma coisa que se tenha vontade.

Para lidarmos com nossas emoções de uma forma funcional e positiva precisamos aprender a lidar com nossas frustações, pois quando mais tivermos um conhecimento sobre nós mesmos, mais vamos conhecer sobre aquilo que nos provoca dor.

A mudança de postura diante de uma frustação acontece quando percebemos que precisamos mudar nossa forma de lidar com ela. Como dizia Jean-Jacques Rousseau, (1712-1778) filósofo, teórico político e escritor suíço… “Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins.”

Referências:
DANTAS, J.B. Angústia e Existência na Contemporaneidade. Rio de Janeiro. Editora Rubio, 2011.

Lingia Menezes de Araújo- Psicóloga Clínica
Tel.: (31) 3150 -9950 / 9576-9032 / 8671-1127
Rua Miguel de Souza Arruda-233-Alvorada
CEP 32041-470 -Contagem/MG

Último encontro

Último encontro

Sabe aquela fração de segundos que se leva para tomar uma decisão? Ir ou ficar? Dormir mais um pouco ou levantar? Passear ou descansar? Seja qual for a escolha, em algum momento da vida, você vai desejar voltar no tempo e fazer diferente. E o sabor amargo do arrependimento vem e se instala sem ser convidado.

Para mim, esse momento aconteceu. Estou pagando com uma dor imensa por todas as vezes que decidi não visitar meus avós. Passo, diariamente, na frente da casa deles. É meu caminho. Várias vezes tive vontade de parar o carro e entrar, mas havia sempre algo a fazer. Acabei não descendo do carro com a frequência que gostaria. Acabei deixando minha visita para outro dia…

Felizmente, no dia em que meus avós embarcaram para sua última excursão, decidi fazer uma forcinha e ir me despedir. Foi por pouco! Meu filho estava reclamando de sono e eu cansada, só pensando em chegar em casa. Pedi a meus pais (que também viajariam) para mandar um abraço ao vô e à vó e explicar a situação.

Na volta da viagem, certamente, eu conversaria melhor com eles. Mas, na hora de ir embora, algo estranho aconteceu. Aquela fração de segundos me fez desviar o caminho. Resolvi dar tchau. Mal sabia eu que aquela seria a última vez que meu avô e eu nos veríamos. Nos abraçamos pela última vez. Desejei que fizessem boa viagem pela última vez. Ele me deu umas frutas pela última vez. Meu filho beijou os lábios do bisavô pela última vez.

E foi assim, em uma visita rápida, que o homem que me ajudou a crescer olhou para mim pela última vez. Eu ainda olharia para ele, mas a imagem não me agradaria. Meu avô foi de ônibus com minha avó e o grupo, mas voltou sozinho no carro da funerária. Foi alegre e voltou morto. Não era para ter sido assim. Se eu soubesse, teria feito tudo diferente na nossa última vez…

Como eu queria voltar aos momentos de dúvida e poder decidir entrar na casa deles e jogar conversa fora ao invés de ir embora. Queria tanto gastar meu tempo ouvindo os causos de mil novecentos e antigamente que o vô Darci tinha para contar ao invés de me deixar levar para casa, guiada pela rotina. Adoraria jogar carta com eles, sem pressa, mesmo que o vô desistisse de chegar ao fim se estivesse perdendo. Queria tanto ter dedicado mais tempo a ele. Meu consolo é saber que fui uma boa neta.

Nossa relação era baseada em amor, respeito e admiração mútuos. Não estávamos juntos sempre, mas, quando estávamos, era sempre muito bom. Mesmo assim, confesso, se eu soubesse a data da nossa última vez, faria tudo de um jeito ainda melhor…

A última vez não se anuncia. É silenciosa e traiçoeira como uma serpente prestes a dar o bote. A última vez é misteriosa, é mascarada. Ela se disfarça de dia comum. O último adeus se disfarça de até logo. E a gente não percebe… Não há como prever a última conversa, o último toque, a última despedida.

Nada está explícito, nem subentendido (nem entendido). O último encontro com alguém deixa gosto de quero mais, embora seja pra nunca mais. A solução é tratar todos os encontros como se fossem o último, pois um deles realmente será.

Na dúvida, visite. Na dúvida, fique um pouco mais. Na dúvida, faça! Na dúvida, esteja presente. A morte ensina que a ausência dói. Não seja ausente em vida. Não escolha deixar para outro dia. Talvez não amanheça da mesma forma para uma das partes. Talvez o dia seguinte não aconteça para todos.

Apaixone-se por alguém que saiba reconhecer o amor

Apaixone-se por alguém que saiba reconhecer o amor

Não dá mais para amar alguém que não saiba como é o amor. Cansa perceber que, diante tantos carinhos, o sentimento é medido numa espécie de termômetro quando, na verdade, ele deveria ser recebido de braços abertos e corações corajosos. Porque o amor não foi feito para os calculistas. Isso de ficar em cima do muro se vale a pena mergulhar ou não no amor, é coisa de gente que já não sabe a diferença entre querer e fazer. E o amor nascido da indecisão, não presta.

Apaixone-se por alguém que não dispute o amor. Que entenda não se tratar de um jogo com respostas certas e erradas, mas de um caminhar para personagens igualmente protagonistas de afeto.

Apaixone-se por alguém que não demore. Porque o amor não pode ser marcado no relógio, com minutos e segundos certos para acontecer. A sua imprecisão e espontaneidade é que fazem dele honesto.

Apaixone-se por alguém que não desista de mudar. Nenhum amor sobrevive à passividade. Ficar estacionado e com os pés fincados sobre si é a prepotência da qual nenhum relacionamento precisa.

Apaixone-se por alguém que não te ofereça mentiras. Ainda há quem defenda que o amor honesto é roteiro de filme da Disney. Que não é possível estar ao lado de alguém sem desviar o coração um pouco mais pro lado na hora do dar de mãos.

Apaixone-se por alguém que…

Apaixone-se por alguém que você enxerga soma. Que quer estar junto para construir algo mais além de saídas aos domingos e fotos editadas.

Apaixone-se por alguém que você possa ouvir. Mas ouvir com um sorriso no rosto, admirando e respeitando vivências diferentes das suas. O amor não é para inimigos do conhecimento.

Apaixone-se por alguém que você acredite. Alguém distante das obviedades e cartas marcadas dos amores comuns. O amor é ímpar mesmo a dois.

Apaixone-se por alguém que você tenha certeza. Você escolhe como o amor será distribuído. Então se for para andar com o coração pra frente e depois dar trocentos passos para trás, procure-se.

Apaixone-se por alguém que saiba reconhecer o amor. O amor que começa de dentro pra fora, mas que não é questão de múltipla escolha. O amor com espaço e sentimentos disponíveis para acolhimento. O amor combinado no coração e não no papel. O amor de quem sabe que, antes de ser amor para o outro, deve ser amor consigo.

Apaixone-se por alguém que…

Esqueça. Não se apaixone. Ame. Desde o início. Porque a paixão é essa sucessão de conselhos e direções, enquanto o amor não precisa ao menos ser dito. É tiro certo de vontade, cumplicidade e carinho. E o corpo pede por viveres assim, onde arrepios possam acontecer sem premeditações.

Não deixe que os outros o arrastem para suas próprias tempestades

Não deixe que os outros o arrastem para suas próprias tempestades

Antes de qualquer coisa, devemos distinguir entre problemas próprios e alheios. Além disso, devemos aprender a identificar os pensamentos negativos e buscar soluções que nos satisfaçam e proporcionem um sentimento de tranquilidade.

Há quem seja capaz de criar suas próprias tempestades e chorar quando chove.

Estamos certos de que você conhece alguém com este tipo de personalidade, que cria seus próprios problemas e mais tarde se lamenta dos labirintos onde colocou a si mesmo.

O mais perigoso nestes casos é que, na maioria das vezes, estas pessoas conseguem arrastar os outros para as suas próprias obsessões e dilemas morais e pessoais. Eles chegam a nos responsabilizar, e por isso acabamos somando à nossa mente problemas que não são nossos.

É algo muito comum, em especial em pessoas um pouco imaturas e dependentes. No entanto, este fato de criar tempestades onde só existe calma é algo que todos nós já fizemos em algum momento especifico da vida, devido também a um instante de insegurança.

Vale a pena refletir a respeito disso.

Quando criamos tempestades em dias de calmaria

Há dias em que ficamos obcecados pelas coisas sem saber muito bem a razão. “E se isso der errado? O que eu vou fazer? Eu não terei outra saída!” “Estou condenado a ser infeliz, nada dá certo para mim”.

Estes pequenos exemplos são situações, pensamentos e ideias nas quais podemos cair em algum momento de nossas vidas. Não devemos vê-los como algo traumático ou perigoso.

As crises existenciais são instantes vitais que nos obrigam a tomar decisões igualmente importantes.

Todos nós podemos criar nossas próprias tempestades em algum momento, mas devem ser breves instantes de fraqueza, nos quais a nossa autoestima deve nos ajudar a nos reerguermos, a estabelecermos novos projetos.

Não se arrependa ou veja com maus olhos ter tido estes pensamentos. A autêntica valentia está em saber assumir que “não estamos bem” e que após a tempestade precisamos de calma e de luz. Precisamos reorganizar nossos pensamentos.

É necessário deixar de lado o que sentimos para nos lembrarmos do que realmente merecemos. Ninguém merece caminhar pela vida pensando que o mundo está contra si, e que o destino lhe fechou as portas para sempre.

contioutra.com - Não deixe que os outros o arrastem para suas próprias tempestades

Reestruturação cognitiva

A reestruturação cognitiva é uma estratégia psicológica muito útil para acabar com estas tempestades mentais que todos sofremos ou podemos sofrer em algum momento.

Em algumas ocasiões, o mal-estar e estes pensamentos automáticos dos quais não somos conscientes se combinam em nossa mente e tendem a piorar o nosso estado. Assim, vale a pena ter em mente as seguintes estratégias:

  • Toda emoção, todo pensamento automático, tem uma forma em nosso cérebro. Assim, quando você notar que não está bem, pegue um caderno e descreva o que passa pela sua cabeça.
  • Utilize palavras ou frases curtas. Descreva o que você sente, o que vê, o que nota.
  • Depois disso, chega o momento de debater e confrontar estas ideias. Pergunte-se: “O que posso fazer para me sentir melhor?”
  • Uma vez que você tenha identificado a emoção e o pensamento negativo, é preciso priorizar a solução e, sobretudo, integrar na sua mente um estado positivo de liberação, de que você vai conseguir superar o problema.

Proteja-se de tempestades que não são suas

Acabamos de assumir que nós também somos capazes de criar nossas próprias tempestades. Assim, sabemos que este é um processo interno e pessoal, e que nós somos os únicos responsáveis por enfrentar o problema.

No entanto, uma realidade muito comum em nosso dia a dia é a de que existem pessoas capazes de nos arrastar para os seus próprios problemas, suas próprias tempestades.

Embora seja verdade que todos nós podemos ter estes momentos de crise, há quem pareça viver em um estado de crise crônica.

São personalidades muito inseguras que precisam ser reconhecidas, confirmadas e atendidas, porque se veem como incapazes de enfrentar problemas que, muitas vezes, eles mesmos criam.

Podemos ter amigos, familiares e até parceiros com este tipo de personalidade.

Nestas situações, ficamos envoltos em uma atmosfera de emoções negativas onde, além de tudo, soma-se uma “obrigação” de ter que atender e resolver problemas que não são nossos.

contioutra.com - Não deixe que os outros o arrastem para suas próprias tempestades

A maneira mais adequada de agir nestes casos é mantendo o equilíbrio e estabelecendo limites. Iremos ajudá-los em tudo o que for possível, mas sempre deixando claro que as tempestades que cada um cria devem ser resolvidas na mente de quem as originou.

Apoie, anime, mas tente fazer com que sejam eles mesmos os que encontrem a solução de que realmente precisam. Se nós a facilitarmos, é muito possível que eles não fiquem completamente satisfeitos.

Mantenha uma distância emocional adequada. Você já tem os seus próprios problemas e responsabilidades para resolver. Não carregue pesos alheios nas suas costas, ou você limitará muito o seu crescimento pessoal.

Devemos tratar este assunto com muito cuidado.

Fonte: Melhor com Saude

Saudade do que não foi

Saudade do que não foi

Eram duas senhoras internadas em um hospital. Colegas de quarto. Ficaram amigas. Cantavam juntas para afugentar a dor. Uma sofria de infecção; a outra, câncer no cérebro. O filho de uma, conheceu a filha da outra e o amor teve início ali mesmo, num quarto hospitalar, no horário de visitas.

Está certo que o filho de uma pareceu um doutor aos olhos da filha da outra, mas, mesmo depois que a verdade apareceu, o amor continuou e cresceu. A doença de uma foi curada e ela voltou sã para casa; o câncer da outra, a devorou por completo depois de uns meses. A neta de uma é a neta de outra. Sou o primeiro fruto daquele amor nascido em meio à dor.

Para uma, sorte; para a outra, morte. Uma viu seus filhos crescerem; a outra deixou um pequeno e seis grandinhos. Uma foi à festa de casamento do filho; a outra, não teve tempo de ver a emoção da filha. Uma, conheço como a palma da minha mão; a outra habita meus pensamentos e me faz sentir saudades do que poderia ter sido, mas não foi.

Uma avó me viu nascer; a outra nem soube de mim. Ainda bem que eu sei dela. Não muito, mas o suficiente para carregá-la comigo. Uma foi avó em dobro porque a outra não teve a chance de ser. Uma avó ajudou a me criar; a outra foi criada por mim. Uma foi minha segunda mãe; a outra não pode ser. Uma, ofereceu-me colo, balas, sorrisos; a outra me ofereceu saudade e sua essência em minha mãe. Uma, amo porque conheço; a outra, amo porque deixei de conhecer.

Eram duas senhoras internadas em um hospital. Hoje são duas avós minhas. Minhas e de mais gente. Uma conhece todos os netos e bisnetos. A outra, não sei dizer…Talvez os conheça de onde está. Uma, posso tocar, abraçar, beijar; a outra, posso só imaginar e querer bem. Uma me conta histórias de sua juventude em meio a gargalhadas; a outra morreu jovem e precisa que me contem sobre ela. Uma está ao meu lado; a outra, dentro de mim. Uma eu vejo quando quiser; a outra verei quando chegar a hora. Uma me fez companhia a vida inteira; espero que a outra me acompanhe na eternidade, porque uma é minha… E a outra também!

Ciência confirma: pai é insubstituível na formação da criança.

Ciência confirma: pai é insubstituível na formação da criança.

“O pai é fundamental na formação da personalidade da criança, e como ela desenvolverá diversas características até a idade adulta. As crianças sentem a rejeição como se ela realmente fosse uma dor física. As partes do cérebro ativadas quando um pequenino se sente rejeitado são as mesmas que se tornam ativas quando ele se machuca, com uma diferença: a dor psicológica pode ser revivida por anos, levando à insegurança, hostilidade e tendência à agressividade. Um pai presente e carinhoso tem exatamente o efeito contrário na formação da personalidade do filho: o pequeno cresce feliz, seguro e capaz de estabelecer ligações afetivas muito mais facilmente na vida adulta.”

Que o amor materno é fundamental para a vida de qualquer criança, não temos qualquer dúvida. Aliás, em pleno século XXI, nossa cultura ainda coloca sob responsabilidade (quase que exclusiva) da mãe os cuidados com os filhos (é uma criança que faz birra? Que bate no amiguinho? Que vai mal na escola? “A culpa é da mãe”, não é assim que ouvimos comumente por aí?).

Mas como fica o papel do pai nessa história? Pois um estudo recente mostrou que ele é fundamental na formação da personalidade da criança, e como ela desenvolverá diversas características até a idade adulta. Pesquisadores da Universidade de Connecticut, nos EUA, demonstraram que crianças de todo o mundo tendem a responder da mesma forma quando são rejeitados por seus cuidadores, ou por pessoas a quem são apegadas emocionalmente. E quando essa rejeição é do pai, diferentemente do que muitas pessoas acreditam, ela causa marcas profundas.

contioutra.com - Ciência confirma: pai é insubstituível na formação da criança.

Segundo os estudiosos, que avaliaram 36 trabalhos envolvendo mais de 10.000 pessoas, entre crianças e adultos, a rejeição paterna tem essa influência tão marcante porque, em primeiro lugar, é mais comum do que a materna. E também porque a figura do homem é associada a prestígio e poder – ou seja, para a criança, é como se ela tivesse sido esquecida ou preterida por alguém que todos consideram importante.

Agora vem a parte mais triste: o estudo mostrou que as crianças sentem a rejeição como se ela realmente fosse uma dor física. As partes do cérebro ativadas quando um pequenino se sente rejeitado são as mesmas que se tornam ativas quando ele se machuca, com uma diferença: a dor psicológica pode ser revivida por anos, levando à insegurança, hostilidade e tendência à agressividade.

A boa notícia é que um pai presente e carinhoso tem exatamente o efeito contrário na formação da personalidade do filho: o pequeno cresce feliz, seguro e capaz de estabelecer ligações afetivas muito mais facilmente na vida adulta.

Fonte: comshalom.org

Nota da Página: Mais do que o pai, acreditamos que o termo correto a ser usado seria “figura paterna”, pois outras pessoas podem assumir a função do pai.

Vive melhor quem sabe a hora de se afastar

Vive melhor quem sabe a hora de se afastar

E então o tempo passa e tudo começa a ficar diferente do que era antes. As pessoas mudam, outras vão embora, os ambientes tomam outras formas, o mundo renova-se e, ali no meio disso tudo, ficamos nós, tentando nos equilibrar nesta corda bamba que é a vida. Talvez por conta desse exterior em constante mudança, sempre imprevisível, tentamos manter as coisas em ordem perto de nós, como se precisássemos de alguma constância em meio a essa vida que chacoalha sem parar.

Infelizmente, se nos prendermos a coisas e pessoas, depositando-lhes toda carga de responsabilidade sobre nosso equilíbrio, necessitando de que tudo fique como e onde está, sempre, apesar de tudo, haja o que houver, muito provavelmente estaremos condenados a nos decepcionar fortemente. Haverá momentos em que tudo o que parecia certo se desmorona e nada volta a ser como antes nem ninguém será como já foi um dia. Para então sobrevivermos, teremos que ir, teremos que deixar ir, sejam os momentos, sejam as coisas, as pessoas, os sentimentos.

Teremos que perceber quando não formos mais parte de certos lugares, quando não mais precisarem de nós ali, quando nossa presença não for requisitada, quando nosso amor não mais encontrar terreno afetivo ao lado de quem foge ao nosso olhar. Porque haverá ambientes que ficarão melhor sem nossa presença, haverá pessoas que desejarão nossa distância, haverá vidas correndo com tranquilidade longe de nós. Ainda que não seja fácil, será preciso nos afastar do que e de quem já caminha longe da gente.

Na verdade, mesmo que leve um tempo, acabaremos chegando à conclusão de que tudo o que não nos requer e todos que não nos chamam mais não nos farão falta alguma, pois o que não carrega reciprocidade não vinga, não floresce, nada oferta nem acrescenta. Ficaremos bem melhor longe do que não nos recebia com verdade. Muitas vezes, até, nosso afastamento será providencial para que nossa ausência traga clareza quanto à importância que temos, fazendo com que voltemos mais fortes junto ao que era incerto e já não é mais.

Como se vê, embora relutemos muito em nos desprender de algumas coisas e de certas pessoas que temos como imprescindíveis, tomarmos a atitude de nos afastar do que já transbordou para o lado errado, do que sufoca e apaga o nosso sorriso, de quem mal nos percebe e pouco se importa, acabará por nos poupar de machucados e dissabores, pois é assim que tomaremos de volta nosso amor-próprio, é assim que saberemos nos valorizar antes de tudo. Sofrer com as rupturas nos fortalece e passa; sofrer sem ter coragem de sair daquilo que causa dor nos diminui e não tem fim. A escolha é só nossa.

Gente folgada anda brotando feito “Gremlins”!

Gente folgada anda brotando feito “Gremlins”!

Você percebe que está sendo explorado em sua generosidade quando se toca que as pessoas vêm até você, se lembram de você, ou te procuram, apenas e tão somente quando você tem algo que seja do interesse delas ou quando elas precisam que você faça algo que qualquer outra pessoa se negaria a fazer.

Outro sintoma claro de que a sua tolerância anda beirando o infinito e revela falta de amor próprio, é a evidência de que todo mundo anda se sentindo demasiadamente confortável para colocar seus “adoráveis indicadores” na ponta de seu nariz, ora para colocar defeitos em tudo o que você faz, ora para transferir às suas costas pesos e responsabilidades que definitivamente não são seus.

As relações interpessoais são realmente um assunto delicado e cheio de nuances pouco objetivas para determinar limites e permissões. É na convivência que a gente vai estabelecendo códigos de acesso ou de delimitação de territórios. É na construção de uma relação baseada no respeito, na confiança e no afeto, que a gente pode relaxar diante do outro e o outro diante da gente, a ponto de não haver necessidade de tensões ou receios acerca de situações de abuso, seja por falta de compromisso, excesso de dependência ou o nascimento espontâneo de um “folgado de carteirinha”.

E, para falar a verdade, gente folgada anda brotando feito aqueles “Gremlins do Mal” saídos de um filme de Spielberg. Gente que acha que é melhor que os outros, gente que tem absoluta certeza de estar sempre certo, gente que cospe “verdades” na sua cara com tamanha desenvoltura, que você fica até meio desconfiado de que realmente a sua opinião, vontade ou necessidade não merece nenhum crédito ou oportunidade.

Infelizmente, parece que bom senso anda fazendo parte das coisas raras desse mundo. Infelizmente, a generosidade anda escassa e o individualismo parece ser a palavra de ordem do momento. Infelizmente, ninguém traz um aviso tatuado em neon na testa para nos prevenir de que por trás daquela aparência de suposta sabedoria, encontra-se um ser desprovido de sensatez, capacidade de enxergar ou ter empatia por outra pessoa.

Que a gente aprenda a compreender que quando nos anulamos em favor do outro, ninguém sai ganhando. Que a gente aproveite o tempo vivido para adquirir a sabedoria necessária, a fim de diferenciar convivências equilibradas baseadas em troca afetiva, das relações unilaterais que só nos esvaziam e enchem o outro de uma supremacia que serve de justificativa a recorrentes atitudes abusivas.

A linha que separa as relações de parceria, das relações de dependência ou prepotência são claras. No entanto, podem virar traços tênues, caso uma das partes esteja fragilizada física ou emocionalmente. É preciso exercitar habilidades de coexistência, por meio das quais se construa aprendizagens afetivas que nos permitam saber que às vezes cabe um “sim”, às vezes cabe um “talvez” e, às vezes é absolutamente necessário e saudável dizer “não”, livre de culpa ou remorso.

Aprender a dizer “não” é indispensável para a saúde emocional de qualquer relacionamento. Aprender a dizer “não” nos habilita a apenas dizer “sim”, quando nos for possível dizê-lo, quando esse “sim” não for fruto de nossa fraqueza, de nossa carência, nossa evidente incapacidade de estabelecer limites ou da manipulação de pessoas que fazem pouco da nossa boa vontade. Dizer “não” quando for preciso dizê-lo, é honesto, necessário e altamente libertador para ambas as partes.

Você não tem obrigação de agradar. Mas também não precisa agredir.

Você não tem obrigação de agradar. Mas também não precisa agredir.

É verdade. Ninguém tem a obrigação de fazer nada só para agradar o outro. A gente faz porque quer. Faz se quiser. Pelo menos devia ser assim. Se você agradar, muito bem. Se incomodar, paciência. Acontece. Há de ser sempre assim. Uns gostam de você, outros não. Fazer o quê?

Agora, a desobrigação de agradar quem quer que seja não dá a ninguém o direito de sair por aí agredindo de graça. Isso é feio, mesquinho, rasteiro. Próprio de quem confunde liberdade com libertinagem. Pura e simples falta do que fazer.

Falar com liberdade o que vai no pensamento é uma grande qualidade. Pessoas autênticas fazem isso muito bem. O problema é que muita gente se orgulha de possuir esse atributo quando na verdade só o tem pela metade: o sujeito possui uma disposição imensa para falar mas mantém uma preguiça enorme de pensar. Fala justamente o que não raciocina. Tagarela sem refletir. Discursa demais e pondera de menos. Repete insultos prontos. Fala sem pensar. E isso, cá entre nós, não é autenticidade. É burrice, ato proposital de estupidez, cretinice assumida.

Que as mulas não nos ouçam com suas orelhas enormes, pontudas, compridas, mas elas são ótimas em zurrar a todo canto que não são obrigadas a dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”, que não devem doçura a ninguém, que preferem ser vistas como mal educadas do que como “hipócritas”, que isso e aquilo. Tudo sempre em um tom muito afetado, acusatório e generalizador, como se todas as pessoas gentis do mundo fossem falsas, enganadoras, dissimuladas e canalhas.

Aqui comigo eu tenho a impressão de que toda pessoa inteligente deve, sim, fazer um esforço para mudar os péssimos hábitos grosseiros que se instalaram entre nós. Lembrar-se todo dia de exercitar a sensibilidade e a gentileza, cumprimentar os outros, pedir licença, agradecer. Assim, como lição diária, até tudo isso se tornar espontâneo, habitual, e nos darmos conta do quanto se pode melhorar a nossa convivência geral a partir dos pequenos gestos de cada um. Mas tudo bem. Eu entendo que ninguém é obrigado a nada, inclusive a trabalhar um pouquinho mais para deixar o mundo menos pior.

No entanto, o fato de não sermos obrigados a fazer gentilezas não quer dizer que somos livres para fazer grosserias. Já que não temos o compromisso de agradar, também não temos o direito de agredir ninguém. Começando pela agressão de falar sem pensar. Falemos, então, o que pensamos. Mas, por favor, pensemos de fato. Se não vamos agradar, também não precisamos agredir.

5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

Abaixo, separei 5 filmes que oferecem mais do que uma distração: eles nos fazem repensar a história, a sociedade e até mesmo nossas escolhas.

1- O Físico ( The Physician )

Inglaterra, século XI. Ainda criança, Rob vê sua mãe morrer em decorrência da “doença do lado”. O garoto cresce sob os cuidados de Bader (Stellan Sarsgard), o barbeiro local, que vende bebidas que prometem curar doenças. Ao crescer, Rob (Tom Payne) aprende tudo o que Bader sabe sobre cuidar de pessoas doentes, mas ele sonha em saber mais. Após Bader passar por uma operação nos olhos, Rob descobre que na Pérsia há um médico famoso, Ibn Sina (Ben Kingsley), que coordena um hospital, algo impensável na Inglaterra. Para aprender com ele, Rob aceita não apenas fazer uma longa viagem rumo à Ásia mas também esconde o fato de ser cristão, já que apenas judeus e árabes podem entrar na Pérsia.

contioutra.com - 5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

2- 12 anos de escravidão ( 12 Years a Slave)

1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus serviços.

contioutra.com - 5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

3- A chave de Sarah (Elle s’appelait Sarah)

1942, durante a ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo. Décadas depois, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas. Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah.

contioutra.com - 5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

4- O Aluno (The First Grader)

Maruge lutou pela liberdade de seu país, foi preso e torturado. Aos 83 anos, se fazendo valer de um discurso do Presidente do Quênia que garante educação para todos, Maruge decide se matricular numa escola primária. Como a escola possui mais crianças do que sua estrutura precária suporta, sua matrícula é negada e ele precisa insistir muito até ser aceito. Porém, ao começar a estudar, a atitude de Maruge gera revolta e indignação na comunidade, colocando sua segurança em risco.

contioutra.com - 5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

5- Palmeiras na Neve ( Palmeras en la nieve)

Em 1953, os irmãos Jacobo (Alain Hernández) e Kilian (Mario Casas) viajam até a ilha da Guiné Equatorial para trabalhar em uma plantação de café. No local, Kilian se apaixona por uma nativa, um amor proibido na época. Meio século depois, Clarence (Adriana Ugarte) descobre acidentalmente uma carta esquecida por anos que a faz viajar até a ilha onde seu pai, Jacobo, e seu tio moraram durante anos. Em um território exuberante, sedutor e periogoso, ela descobre os segredos da família, turbulências passadas que atingem o presente.

contioutra.com - 5 filmes envolventes que estão esperando para te abraçar e segurar a sua atenção!

Com sinopses de Adoro Cinema.

“Querida garota do maiô verde”: o texto que viralizou no verão europeu

“Querida garota do maiô verde”: o texto que viralizou no verão europeu

Por Beatriz García

O post de Facebook mais popular do verão europeu é uma carta a uma desconhecida. A espanhola Jessica Gómez se dirige a uma “garota do maiô verde” sentada a seu lado na praia para explicar a ela, de forma eloquente, como milhões de mulheres em todo mundo se envergonham de seu corpo, que no entanto é “belo simplesmente por estar vivo”.

O post, publicado no dia 5 de julho e que fala sobre a importância de gostar do si do jeito que se é, recebeu mais de 100.000 likes e 5.000 comentários em apenas dois dias e foi compartilhado 125.000 vezes. Abaixo, a versão traduzida da carta:

Querida garota do maiô verde:

Sou a mulher da toalha ao lado. A que veio com um menino e uma menina.

Antes de mais nada, quero te dizer que estou me divertindo muito perto de você e de seus amigos, neste pedacinho de tempo em que nossos espaços se tocam e suas risadas, sua conversa ‘transcendental’ e a música de sua turma me invadem o ar.

Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento de minha vida deixei de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças.

Mas não te escrevo por nada disso. Escrevo porque gostaria de te dizer que prestei atenção em você. Não pude evitar.

Vi que você foi a última a ficar só em traje de banho.

Vi você se sentar na toalha em uma postura cuidadosa, tapando o ventre com os braços.

Vi você colocar o cabelo atrás da orelha inclinando a cabeça para alcançá-la, talvez para não tirar os braços de sua estudadíssima posição casual.

Vi você se levantar para ir dar um mergulho e engolir em seco, nervosa por ter de esperar assim, de pé, exposta, por sua amiga, e usar uma vez mais seus braços para encobrir as estrias, a flacidez, a celulite.

Vi você agoniada por não conseguir tapar tudo ao mesmo tempo enquanto ia se afastando do grupo tão discretamente como tinha feito antes para tirar a camiseta.

Não sei se tinha algo a ver, em sua insatisfação consigo mesma, o fato de a amiga por quem você esperava soltar a longuíssimo cabeleira sobre umas costas em que só faltavam as asas da Victoria’s Secret. E enquanto isso você ali, olhando para o chão. Procurando um esconderijo em si mesma, de si mesma.

E eu gostaria de poder te dizer tantas coisas, querida garota do maiô verde… Talvez porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha.

Eu gostaria de poder te dizer que, na verdade, estive na sua toalha e na de sua amiga. Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas – assim, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida em vez de me preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a dela ou a sua, prefiro estar.

Queria poder te dizer que vi que carrega um livro na bolsa, e que qualquer ventre que agora tenha seus dezesseis anos provavelmente perderá a firmeza muito antes de você perder o juízo.

Eu gostaria de poder te dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena estar tão ocupada em se esconder que não te sobre tempo para sorrir mais vezes.

Eu gostaria de poder te dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é belo simplesmente por ser jovem. É belo só por estar vivo. Por ser invólucro e transporte de quem você realmente é e poder te acompanhar em tudo que você faz.

Eu adoraria te dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e tantos porque talvez então percebesse o muito que merece ser amada, inclusive por você mesma.

Eu gostaria de poder te dizer que a pessoa que um dia te amar de verdade não amará a pessoa que você é apesar de seu corpo e sim adorará seu corpo: cada curva, cada buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que se desenha em seu corpo e, se não o fizer, se não te amar desse jeito, então não merece seu amor.

Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime em sua imperfeição.

O que posso te dizer eu, que sou só a mulher do lado?

Mas – sabe de uma coisa? – estou aqui com minha filha. É aquela do maiô rosa, a que está brincando no rio e se sujando de areia. Sua única preocupação hoje foi se a água estava muito fria.

Não posso te dizer nada, querida garota do maiô verde…

Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.

E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.

Porque é assim que todos merecemos ser amados.

E é assim que todos deveríamos amar.

TEXTO ORIGINAL DE EL PAÍS

Prefiro uma solidão digna a uma falsa companhia

Prefiro uma solidão digna a uma falsa companhia

Alcançar um equilíbrio individual e ser feliz sozinho é a única maneira de poder ser feliz acompanhado. Não devemos buscar um parceiro que nos complete, e sim alguém que nos complemente.

Pode ser que você saiba o que é viver com uma falsa companhia. Há pessoas que priorizam a si mesmas, que buscam interesses próprios e que nem sempre praticam a sinceridade ou a autenticidade.

E isso, sem dúvida, dói e nos causa efeitos secundários.

Nossas relações sociais e afetivas nem sempre são como pensávamos no começo. No entanto, uma má experiência não deve fazer com que deixemos de confiar, nem com que deixemos de acreditar na nobreza e na autenticidade das pessoas.

Por outro lado, também sabemos que uma das sensações mais desoladoras que existe é sentir a solidão estando ao lado da pessoa que amamos. Assim, em algumas ocasiões, há quem enfatize ou defenda que “é preferível uma solidão digna do que uma falsa companhia”.

A dor de experimentar uma falsa companhia

Há um aspecto que deveríamos definir: as relações infelizes nem sempre se baseiam no fato de que um dos dois oferece uma falsa companhia ou demonstra ter atitudes egoístas ou limitantes.

  • Há quem “não saiba amar”, há quem não entenda o que é compartilhar, o que é atender às necessidades do parceiro, e o que é cuidar dos detalhes de um compromisso que deve ser incentivado a cada dia e nos pequenos momentos.
  • Existem personalidades com carências afetivas e falta de inteligência emocional que, mesmo amando o seu parceiro, só conseguem oferecer vazios, infelicidade e, com isso, solidão.

Tudo isso faz com que possamos sentir que a outra pessoa nos oferece uma falsa companhia quando, na realidade, o que existe é uma falta de maturidade afetiva que também causa uma alta sensação de infelicidade.

contioutra.com - Prefiro uma solidão digna a uma falsa companhia
Por outro lado, também é verdade que há perfis capazes de construir um falso compromisso que só busca interesses próprios, sejam eles quais forem:

  • Evitar sua própria solidão independentemente de com quem e de como seja o relacionamento.
  • Formalizar uma relação por interesse econômica ou por uma aspiração social.
  • Existem pessoas capazes de iniciar uma relação somente para se sentirem amadas, cuidadas e atendidas, sem a intenção de oferecer ao parceiro o mesmo que recebe.

Perceber que vivemos um dia a dia baseado em desigualdades contínuas, em que somente uma parte investe na relação, se preocupa e atende enquanto a outra somente espera “receber” leva o relacionamento a um inevitável fracasso.

O melhor nestes casos é saber reagir a tempo. Não é recomendável manter estas situações de sofrimento inútil.

Se tivermos claro que a situação não vai melhorar e que a outra pessoa não dá um passo rumo à mudança em que ambos possam se beneficiar, é necessário responder e nos afastar se for preciso.

É preferível uma solidão íntegra a uma companhia dolorosa

Não duvide: a solidão sempre será preferível à companhia de alguém que vulnera nossa pessoa, nossa autoestima e nosso equilíbrio.

Não tenha medo da solidão

Existem muitas pessoas que têm um medo terrível de estarem sozinhas. Isso se deve, em algumas ocasiões, à visão social negativa que se tem da solidão, como se fosse um sinal de fracasso ou um estigma.

  • Não ter um parceiro não é um fracasso. Não é necessário estar comprometido para ser feliz, nem é uma obrigação contar com um companheiro ou companheira para ser bem visto socialmente. É algo que devemos ter em mente.
  • Se nós mesmos não somos felizes primeiramente de forma individual, é muito difícil chegar a sê-lo como parte de um casal.

E além disso, a solidão é um estado pleno e cheio de equilíbrio que pode nos permitir crescer como pessoas, reorganizar nossa vida, amadurecer e alcançar também muitos sonhos e objetivos.

  • Não é preciso ter medo da solidão: o que devemos temer é viver uma vida junto a alguém que nos entristeça.

contioutra.com - Prefiro uma solidão digna a uma falsa companhia

A vida é muito curta para viver os planos de outra pessoa

Pense que o mais importante nesta vida é estar bem com nós mesmos e alcançar a felicidade de forma que mais nos favoreça, seja em solidão, em um casal, ou como desejarmos.

  • Não permita que ninguém diga como deve ser a sua vida, nem que ninguém recomende qual a melhor forma de ser feliz. Viver é escolher com liberdade, assumir erros e iniciar novos projetos.
  • Não coloque a sua felicidade nos bolsos de outra pessoa. Construir uma vida como um casal permite que a relação seja coisa dos dois, e não apenas de um. É fundamental construir um projeto em comum no qual ninguém perca ou saia ferido.
  • Se você perceber que a sua vida está baseada somente nas escolhas, decisões e ordens de outra pessoa, reaja. Cedo ou tarde chegará a frustração pessoal e a infelicidade.

A vida é muito curta para viver os planos de outras pessoas deixando perdidos nossos próprios sonhos.

Matéria original: Melhor com Saúde

A força que move o mundo

A força que move o mundo

Carrego comigo uma porção de dúvidas. São questões existenciais que me acompanham, me desacomodam, fazem parte de mim e para as quais nunca tenho uma única resposta certa.

Não sei, por exemplo, o que teria acontecido comigo se meus pais não tivessem se conhecido. Eu, de fato, teria deixado de existir ou teria experimentado a honra de ser convidada por outra família para vir ao mundo? E se acontecesse a segunda opção, seria minha alma em outro corpo? Com quem eu me pareceria? Será que eu nasceria mulher?

Não sei dizer… Às vezes acho que eu teria dado meu jeito de nascer em outro corpo. Outras vezes, penso que o mundo não teria tido o privilégio de me conhecer. Mas, a verdade é que essas respostas não existem.

Ainda dentro dessa mesma lógica, minha mente, curiosa, insiste em questionar: o que levou minhas duas avós ao mesmo quarto de hospital? O que levou meus pais a visitarem suas mães no mesmo dia e horário? O que fez os dois se apaixonarem em tão pouco tempo?

Felizmente, para essas questões, a vida já me deu resposta. Quando se trata de coisas do destino, há uma certeza que me aquieta e me basta: sei que existe uma força dando corda neste mundo. Sei que essa força é tremenda o bastante para superar qualquer um de nós. É ela que move a natureza e sua perfeição. E ela que dá, aos seres humanos, a direção.

Aliás, de tanto pensar, concluo que a natureza e os seres humanos são indivisíveis. Além de serem guiados pela mesma força, ainda se assemelham.

O que é o chão seco do deserto senão o homem na dureza da solidão? O que é um furacão senão o calor descompassado de nossa fúria devastando outras vidas? O que é a chuva mansa senão a paz de espírito? O que é um rio senão a vida rumo ao futuro? O que é um tsunami senão o copo de nossa paciência preenchido pela última gota d’água?

O que é o vento senão o deslocamento e a varredura de tudo aquilo de que queremos nos libertar? O que é um vulcão em plena erupção senão uma mulher em plena TPM? O que é a brisa senão um sopro agradável de esperança? O que é a neve senão a rigidez de algo vital? O que é o mar senão sonhos e planos em movimento?

O que são os grãos de areia senão a representação de cada um de nós no Universo? O que é uma rocha senão a dureza de nossos corações? O que é o céu estrelado senão o mais profundo mistério da nossa fé? O que é o Sol senão o calor do amor que nos arde no peito? O que são as tempestades senão os desafios e obstáculos da vida? O que é o arco-íris senão a beleza da vida na forma de recompensa?

Meus pais habitavam seus desertos; a neve caiu sobre suas mães; o rio conduziu seus destinos ao hospital; o sol brilhou na vida dos dois; a tempestade tirou uma avó de mim; o mar se encarregou de melhorar as coisas; o arco-íris, desde aqueles dias, vem nos surpreendendo.

Sei que há, em outras mentes por aí, explicação lógica para tudo isso. Respeito, profundamente, todas as formas de pensamento. Existem tantas possibilidades de tentar compreender a vida… Mas, escolho não saber. Às vezes, o intelecto puro atrapalha. Prefiro dar voz ao coração (que, a propósito, também é impulsionado por alguma força) e crer no invisível e confiar no incompreensível. A sensibilidade me oferece mais certezas do que os olhos.

E você, caro leitor, se concordar com a existência dessa força superior a que me refiro, tem a liberdade de chamá-la como quiser. Eu, simplesmente, sinto que seu nome é Deus.

Às vezes, a frieza é uma defesa de quem já foi bonzinho demais

Às vezes, a frieza é uma defesa de quem já foi bonzinho demais

Costumamos julgar as pessoas, muitas vezes de maneira cruel e injusta, atentando-nos somente para o que vemos, mesmo que não as conhecemos o suficiente. Tiramos conclusões precipitadas, antecipando-nos à convivência com o outro, esquecendo-nos de dar tempo ao tempo, para que a verdade de fato se faça presente.

Todos nós passamos por muita coisa antes de chegarmos onde estamos, ou seja, o que somos carrega uma carga emocional e física imensa, que nos moldou e nos tornou o que vivemos no momento presente. A gente vai se transformando ao longo de cada dia, todos os dias, aprendendo a conviver com as bagagens boas e ruins, adequando-nos ao que a vida nos apresenta – e nem sempre ela é gentil.

Por essa razão, não podemos criticar as pessoas pelo seu jeito de ser, pois todas elas estão tentando sobreviver, enfrentando batalhas, dentro de si, que nem imaginamos. E, quando se trata das pessoas próximas de nós, que conhecemos de perto, será preciso prestar atenção aos sinais que seu comportamento nos envia a todo momento. Caso contrário, não conseguiremos responder aos pedidos, não nos ajustaremos às mudanças e assim perderemos quem não deveria se afastar.

Precisamos, sobretudo, entender o silêncio demorado de quem caminha conosco, lendo as entrelinhas daquilo que não mais retorna, percebendo a tristeza no fundo dos olhos, as mudanças mínimas que nos indicam que algo não vai bem. Infelizmente, a maioria de nós só percebe a frieza cansada do parceiro quando o abismo emocional já se encontra praticamente irreversível. Então já nada mais importará. Então será tarde demais.

Conviver requer prestar atenção, cuidar, regar, importar-se, mais do que oferecer presentes e conforto material. Buscar as conquistas de vida sempre deverá incluir também o enriquecimento afetivo, o aumento de nosso potencial humano, nossa capacidade de amar e de ser amado. Se nos esquecermos das relações humanas nesse caminho, sempre sairemos perdendo, pois as pessoas simplesmente se cansam de ser boazinhas e compreensivas além da conta, além do que o coração é capaz de suportar. As pessoas se cansam e fim.

INDICADOS