Nunca se culpe por ter sido traído

Nunca se culpe por ter sido traído

Imagem capa: Copyright Legenda, Shutterstock

Temos todo o tempo do mundo para terminar o namoro ou o casamento, antes de embarcar em aventuras, antes de nos entregarmos a um novo alguém. Covardia mentir, brincar com sentimentos, deixar alguém à espera do que você já está oferecendo a outra pessoa.

Ano passado, a explosão na mídia acerca da suposta traição sofrida pela modelo Gisele Bündchen causou mais espanto do que revolta ou indignação. A maioria dos comentários girou em torno da surpresa causada não pelo ato em si, mas por quem o sofreu.

Espantar-se com o fato de parecer não haver justificativa para que a modelo mais famosa do mundo fosse traída pelo marido equivale a dizer que a traição é justificável, ou seja, que quem é traído também tem sua parcela de culpa no sofrimento causado pelo outro. Mas qual parcela caberia a uma das mulheres mais lindas e desejadas do planeta? Daí o espanto, decorrente não mais do que de uma visão distorcida da infidelidade.

É muito comum as pessoas dizerem que fulano pediu para ser traído, que cicrano deve ser um chato para ter sido enganado, ou que beltrano traiu a esposa que era fria e distante. De uma forma inversa, portanto, tentam culpabilizar a vítima pelo que lhe fizeram, como se sua humilhação já não fosse o bastante, como se a sua dor tivesse alguma razão de ser.

Ainda que a pessoa seja chata, feia, quieta, explosiva, intriguenta, fofoqueira, como costumam ser qualificados os traídos da vida, nem ela nem ninguém merece ser enganado, pois entregar o seu melhor em troca de decepção e dor é por demais aviltante – a traição avassala os sentidos e deixa feridas cuja cicatrização é dolorosamente demorada e, muitas vezes, irrecuperável.

Ao trair uma pessoa, estamos lhe retirando qualquer traço de dignidade, isentando-a de qualquer resquício de humanidade, desconsiderando-a como alguém por quem valha a pena ter um mínimo de consideração, um ser desprezível. Trair quem nos ama é egoísmo, é ausência de caráter, é ingratidão para com a entrega alheia.

Ser traído é humilhação, decepção, é impotência. A lógica distorcida que permeia a infidelidade é tão desumana, que retira da pessoa traída sua lucidez e senso de percepção dos fatos, uma vez que ela é levada a procurar em si mesma os motivos causadores de sua dor, chegando ao absurdo de se perguntar onde errou, o que poderia ter feito para evitar ser traída, o que fez para que o companheiro procurasse outra pessoa.

Esquece-se, nesse redemoinho de indagações, de que nada é cabível, tampouco justificável, em se tratando de traição, pois a infidelidade é pessoal e intransferível; trata-se de uma atitude que depende apenas de cada um – ninguém pede para ser traído nem age deliberadamente para tal, como muitos costumam apregoar.

Temos todo o tempo do mundo para terminar o namoro ou o casamento, antes de embarcar em aventuras, antes de beijarmos outras bocas, antes de nos entregarmos a um novo alguém. Covardia desmedida mentir, brincar com sentimentos, deixar alguém à espera do que você já está oferecendo a outra pessoa, tolher do outro a busca por alguém que o ame, iludindo-o e encenando hipocritamente uma vida de fantasia.

Ainda que a infidelidade masculina seja incoerentemente julgada com mais condescendência do que a feminina em nossa sociedade e, por essa razão, talvez o homem, quando traído, atribua integralmente à mulher a culpa com mais facilidade, tanto um quanto o outro sofrem e amargam o desmoronar abrupto de expectativas, sonhos e esperanças que a infidelidade provoca.

Ademais, temos um dever moral com a pessoa com quem já construímos uma vida, o dever da verdade, de dizer que o amor acabou, que o desejo se foi, que a paciência esgotou, por mais doloroso que isso seja, pois nada pode doer mais do que ser enganado.

A vida a dois não é nem nunca foi fácil, pois requer paciência, troca, renúncia e persistência. Infelizmente, esse dia-a-dia atribulado e célere a que nos entregamos tende a nos esgotar as forças, impedindo-nos de investir na renovação de nossa cumplicidade com o companheiro, ao fim do dia – e o amor, não encontrando mais conforto onde repousar, deixa então de sê-lo.

É fato que o para sempre pode, sim, acabar, que nossa felicidade talvez não se encontre junto às primeiras paixões, que as expectativas que criamos nem sempre se realizam e que temos o direito de correr atrás de nossos sonhos com ética e distantes de quem nos dificulta esse viver.

Porém, é necessário sair de uma vida com dignidade, transparência e sinceridade, antes de entrar em outra, porque não estamos sozinhos, nem solteiros, até que o outro saiba disso. Uma coisa é certa: jamais seremos felizes enquanto não houver verdade, seja ao lado da Maria, seja ao lado da Gisele.

Dezembro, o mês das catarses

Dezembro, o mês das catarses

Imagem: Dancing In the Rain by Nicki Varkevisser – Flickr Creative Commons

Dezembro é o mês que enche de compaixão os nossos corações, esvazia nossas carteiras e nos faz refletir novamente sobre o sentido da vida. Temos certa dificuldade com fechamentos, finalizações, conclusões.

Quando falamos de algo que gostamos, não sabemos como parar.
Quando comemos, não queremos que acabe.
Quando amamos, não gostamos de nos despedir.

E assim seguimos, com aquele medo velado dos finais, dos términos e rompimentos, da morte. O ciclo natural vai ficando tanto mais assustador quanto mais próximo do final. Somos assim, seres que brigam e magoam com os pontos finais.

E os dezembros são sempre prenúncios de pontos finais. O ano acaba, as reflexões e conclusões transbordam, para uns, que se vá logo! Para outros, como passou rápido…

Dezembro traz em si a imposição da compaixão, as emoções mais delicadas, o sentido de família, o olhar solidário a todos os povos da terra. Dezembro tem esse apelo.

Dezembro é mês de promessas, de votos, de planos, aquisições, ligações e contatos com gente que há muito não frequenta nossos corações. É mês de confraternizações e reencontros. Também de arrependimentos e perdões.

Em dezembro passam os caminhões da Coca-Cola, iluminados e musicais, e ainda que seja um merchandising batido, os corações estão tão amolecidos em dezembro, que a maioria de nós corre para a janela e realmente tentar captar a tal magia prometida.

Dezembro entorpece, hipnotiza. Faz a gente procurar desafetos, desculpar mal feitos, declarar-se exageradamente ao amigo secreto. Dezembro coloca para fora muito sentimentos retidos, faz a gente chorar fácil, rir escandalosamente, olhar os muros e ver poesia em tudo…

…e escassez! Em dezembro é preciso comprar tudo. Para ter, para dar, para guardar, para esperar, para trocar, para o fim do mundo chegar. O desespero de dezembro é impressionante, mas é a expressão de como lidamos com os finais. Finais que são uma fração de segundo e logo tudo já é novo.

E que dezembro seja paciente com toda a catarse que precisamos fazer para sobreviver aos finais. Logo janeiro fará tudo voltar ao normal!

8 filmes sobre momentos da vida em que precisamos renascer

8 filmes sobre momentos da vida em que precisamos renascer

Buscar sentidos na dor é um jeito de seguir e lidar com as diversas vezes em que morremos e renascemos nessa travessia que chamamos vida, modos que arrumamos para a existência de outras esperas, outros sonhos e outras estações. Amanhecer na alma ainda é o melhor caminho para a continuidade…

1 O JARDIM SECRETO

A órfã Mary Lennox vai morar com seu tio, Lorde Craven, na Inglaterra; A mansão é administrada pela Sra. Medlock, uma rigorosa e fria governanta. Lorde Craven perdeu a mulher há dez anos e nunca mais conseguiu superar a tragédia. Para piorar Colin Craven, seu filho, também sofre de extrema apatia, sempre recolhido no seu quarto. Mais uma vez negligenciada, Mary passa a explorar a propriedade e descobre um jardim abandonado. Entusiasmada com a descoberta, Mary decide restaurar o lugar com a ajuda do filho de um dos serviçais da casa, conquistando assim a atenção do primo doente. Juntos eles desafiam as regras da casa e o velho jardim se transforma em um lugar mágico, cheio de flores, surpresas e alegria. O jardim secreto é um lugar fantástico onde não existe tristeza e arrependimento, um lugar onde a força da amizade pode trazer de volta a beleza da vida.

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2 GLORIA

Gloria é uma divorciada de 58 anos. Seus filhos saí¬ram de casa, mas ela não tem vontade de passar seus dias e noites sozinha. Determinada a desafiar a velhice e a solidão, ela entra de cabeça em um turbilhão de festas para solteiros em busca de gratificação instantânea – que só leva repetidamente para decepções e vazio. Mas então ela conhece Rodolfo, um ex-oficial naval sete anos mais velho que ela, a quem se sente romanticamente inclinada. Glora até começa a imaginar uma relação permanente entre os dois. No entanto, o encontro apresenta desafios inesperados e Gloria gradualmente se encontra sendo forçada a confrontar seus próprios segredos obscuros.

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3 SETE VIDAS

Ben Thomas (Will Smith) é um agente do imposto de renda que possui um segredo trágico. Devido a ele Ben tem um grande sentimento de culpa, o que faz com que salve as vidas de completos desconhecidos. Porém quando conhece Emily Posa (Rosario Dawnson) é Ben quem tem a chance de ser salvo.

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4 O DOADOR DE MEMÓRIAS

Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.

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5 O ÚLTIMO ELVIS

Carlos Gutierrez é um cantor que sempre viveu como se fosse a reencarnação de Elvis Presley. Mas ele está prestes a alcançar a idade que o ídolo tinha quando morreu e seu futuro parece vazio. Porém, uma situação inesperada vai forçá-lo a tomar conta de sua filha, fazendo com que ele se descubra como um pai. Agora, o destino o confrontará com uma decisão difícil – Em uma jornada de música e loucura, ele terá que escolher entre o sonho de ser Elvis e a sua família.

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6 SR. NINGUÉM

Em um futuro não muito distante, Nemo Nobody tem 118 anos de idade e é o último mortal a conviver com as pessoas imortais. Durante esse período, ele relembra os seus anos reais e imaginários de casamento.

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7 COLCHA DE RETALHOS

Enquanto elabora sua tese e se prepara para se casar Finn Dodd (Winona Ryder), uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó (Ellen Burstyn). Lá estão várias amigas da família, que preparam uma elaborada colcha de retalhos como presente de casamento. Enquanto o trabalho é feito ela ouve o relato de paixões e envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis mas repletos de sentimentos, que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo ela se sente atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas.

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8 TRUMAN

Dois amigos de infância, separados por um oceano, se encontram depois de muitos anos. Eles passam uns dias juntos, lembrando os velhos tempos e grande amizade que se manteve com os anos, tornando-os inesquecíveis, devido o seu reencontro ser também o último adeus.

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Ninguém pode sofrer por nós. Mas pode segurar a nossa mão enquanto sofremos.

Ninguém pode sofrer por nós. Mas pode segurar a nossa mão enquanto sofremos.

Fotografia de Rock and Wasp, Shutterstock

A dor nos iguala. A dor remove, aos poucos ou abruptamente, as nossas camadas de proteção. Às vezes, ela é passageira. Às vezes é cíclica. E, às vezes – e isso é o pior que pode acontecer -, a dor é crônica.

Sofrer é inevitável. Tão inevitável quanto ser feliz. Tem épocas que tudo parece funcionar: o relacionamento vai bem; ninguém anda querendo puxar o nosso tapete no trabalho; conseguimos chegar ao fim do mês com algum dinheiro; não estamos doentes; amigos novos acabaram de aportar em nossa vida; até o cabelo anda colaborando. Tudo certo!

Mas tem épocas que viram a vida da gente pelo avesso. Tem épocas que os desafios exigem da gente uma combinação insana de persistência, serenidade e paciência. Ahhhh… a paciência! Como ter paciência quando se descobriu que foi traído; quando o liquidificador, a máquina de lavar roupas e a caixa de câmbio do carro resolvem “dar pau” todos de uma vez? Como ter paciência naqueles momentos em que a nossa paciência já foi esgotada, surrada e derrubada ao chão?

Curiosamente, esses ciclos de “bruxa solta” parecem coincidir com uma fase de sumiço dos amigos, dos familiares e até dos admiradores! Parece que infortúnios são contagiosos. Desaparece todo mundo.

A gente descobre quem é amigo mesmo não é nem quando estamos no auge do sucesso, nem quando somos atingidos por uma grande e meteórica fatalidade. Tem gente que é ótima companhia para festejar conosco, ou servir de testemunhas para nossas catástrofes.

O duro é encontrar parceiros quando a gente está numa situação que persiste em dar errado. Se você sofre um acidente e vai parar no hospital, nos primeiros dias falta até crachá na recepção, de tanta visita que aparece. Agora, experimente ficar internado por dois meses… ou pior, experimente ter algum tipo de problema de saúde que vai e vem. Até o seu celular vai ficar silencioso.

Ninguém gosta de sofrer. Pelo menos, não de forma consciente. Tirando aqueles que sofrem algum tipo de patologia correlata ao prazer no sofrimento, todos nós vivemos atrás de jeitos de não doer, não entrar pelo cano, ter um mínimo de garantia de não estar embarcando numa canoa furada.

Acontece que, muitas vezes, o furo na canoa é imperceptível. E esse mínimo buraquinho – que a gente não viu porque não dava para ver mesmo -, permite que o casco do nosso sonho seja violado.

A coisa começa a dar errado quando sentimos sob os pés a invasão da água de fora querendo vir para dentro. A água, cujo papel era de nos conduzir, vira uma ameaça real. O pior é que, seja por distração, excesso de confiança ou leviandade, não costumamos colocar os perigos na conta do planejamento.

Perigos, assim como a dor e a felicidade, estão ao alcance das mãos para todo mundo. E é bem verdade que ninguém pode sofrer por nós. Mas pode segurar a nossa mão enquanto sofremos. Em incontáveis situações isso é tudo do que mais precisamos: uma mão para segurar e que seja capaz de segurar a nossa.

Às vezes o fim de uma história é apenas o começo de algo melhor

Às vezes o fim de uma história é apenas o começo de algo melhor

Imagem de capa: @bigstock

Depois do fim, é difícil recomeçar. Alguns adeuses nos deixam sem chão. Eu não esperava que você fosse embora, achei mesmo que terminaria o dia ao seu lado, fazendo massagem nos seus pés, enquanto ouvia você me falar de como foi o seu dia.

Quando você se foi, eu senti uma dor imensa na alma, a angústia insistia em apertar o peito, parecia me sufocar. Confesso que, por vezes, eu me desesperei; quantas vezes eu peguei o telefone como quem queria escutar a sua voz e saber se você estava bem, quantas vezes digitei uma mensagem com falas de saudade e as apaguei.

Ah, como eu queria saber onde você estava, se estava feliz ou se havia encontrado um outro alguém. O meu coração inquieto precisava de respostas e eu, de alguma forma, não estava conformada com o fim.

Tanta coisa dominou os meus pensamentos. No começo, eu queria mendigar o seu amor, mesmo que ele fosse pouco. Eu queria tê-lo de volta, mesmo que fosse metade. Até me arrisquei em me aventurar em outros risos, mas logo pensava no seu. Eu até tentei esquecê-lo, apagar da memória os nossos momentos, mas tudo me lembrava você, desde o cheiro de café pela manhã até o suco de laranja no jantar.

Como era difícil encontrar algum amigo seu na rua e, por mais que eu desviasse e fingisse não ver, não conseguia desviar as lembranças. Como foi difícil, por um tempo, ver alguma foto sua e quantas vezes eu chorei quando vi você seguindo a sua vida sem segurar a minha mão.

Quantas noites em claro buscando entender onde falhei. Não me esqueço do travesseiro encharcado de lágrimas na madrugada, enquanto escutava aquela música de que você tanto gostava e de quebrar a cabeça tentando encontrar respostas. Quantas e quantas vezes eu não me achei problema.

Como foram dolorosos os finais de semana sem as nossas séries, sem os seus comentários, sem as suas manias, sem você me explicando a história. Como doeu não o ver no final da semana e não receber o seu abraço. É difícil olhar para trás e pensar que tudo ficou apenas na história e que não iremos mais tecer planos. A saudade veio me visitar todos os dias, de um jeito avassalador. Às vezes, eu a driblava, em outras, ela me controlava. Foi difícil, confesso.

Dói recomeçar, porque alguns adeuses nós nunca esperamos chegar. Tecemos planos que fizeram com que eu acreditasse que a nossa história não teria um fim. Mas, hoje, depois de tantos tombos, de tantas noites em claro, de achar que eu não suportaria a dor da saudade de quem decidiu pousar em outro lugar, estou mais forte.
Decidi recomeçar. É preciso se reinventar, entender que um fim de relacionamento não significa o fim dos nossos anseios, dos nossos sonhos, da nossa vida. Às vezes, o fim de algo é apenas o começo de algo melhor em nossas vidas.

Eu, sinceramente, achei que você se importaria e que fizesse de tudo para ficar, mas as tuas despedidas foram claras e logo fizeram com que eu pensasse que talvez eu não fosse quem você gostaria de ter. Depois de tanto tempo convivendo com um amor morno, com a sua indiferença diária, entendi que a sua partida era necessária, antes que você partisse ainda mais o meu coração.

Olhando para trás, guardo apenas o que há de bom e hoje sigo em frente como quem deseja escrever uma nova história, fazer outros planos, mudar os rumos, sair da mesmice e não aceitar migalhas. A sua despedida me deixou em pedaços, mas, quando esse coração teimoso encontrou o tal do amor próprio, foi logo se recompondo.

Eu quero ser feliz e ter depositado a minha felicidade nas mãos de alguém certamente foi erro, mas me recompus e cá estou, trilhando outros caminhos, vivendo outros sonhos e entendendo que o verdadeiro amor começa por si mesmo.

Não sou palhaço porque amei, palhaço é quem não se entrega

Não sou palhaço porque amei, palhaço é quem não se entrega

Você morre ou renasce quando descobre que não passa de um palhaço?

Palhaços, como os anjos, não tem sex0. São essência. Podem ser essencialmente sábios ou essencialmente tolos.

As crianças têm medo dos palhaços porque sabem que no fundo eles não são seres desse mundo. Ou é coisa desse mundo ofertar sorriso para quem não está disposto a sorrir?

Que nossa existência é um circo, estamos carecas de saber, mais carecas que o palhaço Carequinha, mas só por isso devemos entrar em jaulas de leões? Devemos nos atirar de canhões como o homem-bala, rumo ao nada? Devemos nos expor ao incrível atirador de facas chamado “ilusão”?

É da condição humana, dizem, se expor ao perigo, mas é da condição humana se expor ao ridículo mais do que um palhaço que mostra a bunda numa arena? Ou isso é privilégio dos poetas, que, como os palhaços, fingem a dor que deveras sentem?

Você é um palhaço quando se despede de alguém que nunca esteve ali. Você é um palhaço quando acredita em algo além das possibilidades. É um palhaço quando vê o cabo de aço prestes a estourar e mesmo assim se joga. É um palhaço quando não vê a porta fechada e mete a testa na madeira. É um palhaço quando não sabe o seu devido lugar no picadeiro de certas histórias.

Você é um palhaço quando subestima alguém. Quando ignora seus próprios limites. Você é um palhaço quando não percebe que é uma questão de tempo até que a noite se instale. Você é um palhaço quando, como um curinga, não demonstra nenhuma reação; quando não sabe se vai ou se fica, se se despedaça ou edifica.

Você é um palhaço quando lê sua poesia para quem não tem ouvido de poeta. É um palhaço quando não consegue ler o neon piscando na avenida do sonho: “não”

Você é um palhaço quando dá mais do que tem. Quando gosta de alguém que não gosta de você só por acreditar que nada se perde quando o que se ganhou foi a possibilidade de gostar de alguém.

Você é um palhaço quando, em tempos modernos, mistura sexo com emoção — homens modernos não estão aqui para isso.

Você é um palhaço quando tenta se tornar aquilo que é e quando vê beleza até mesmo em paisagens mortas como a indiferença dos que fingem estar vivos em suas rotinas gordas.

Quando escreve cartas de amor. Quando escreve cartas de despedida. Quando fecha os olhos e se toca pensando em quem não devia. Quando quer mais do que pode ter.

Você morre ou renasce quando descobre que não passa de um palhaço?

Não sei, mas desconfio seriamente que os verdadeiros palhaços talvez sejam aqueles que não se entregam.

10 Filmes indispensáveis para entender o mundo contemporâneo

10 Filmes indispensáveis para entender o mundo contemporâneo

O cinema, como qualquer arte, é capaz de nos fazer imergir em questões que passam despercebidas na vida cotidiana. Dessa forma, muitos filmes trazem à tona problemáticas sociais, as quais, embora imprescindíveis de discussão, acabam sendo deixadas de lado por ignorância e/ou preguiça. Esta lista conta com filmes que nos remetem a problemas da nossa sociedade e, portanto, indispensáveis para quem quer entender a confusão do mundo contemporâneo.

TAXI DRIVER (1976)

Taxi Driver, talvez a maior obra-prima do gênio Martin Scorsese, nos apresenta TravisBickle (em uma atuação espetacular de Robert De Niro) um jovem que aparentemente serviu no Vietnã e não consegue se enquadrar na sociedade. Sofrendo de insônia, ele decide arrumar um emprego de motorista de táxi, a fim de que possa, ao menos, lidar de maneira menos desgastante com o seu problema. O filme proporciona uma abordagem pós-moderna acerca da solidão e da degradação da vida na sociedade contemporânea, apresentando problemas como a depressão, a paranoia, a insônia, a exclusão social, o preconceito e a fragilidade existencial. Fazendo um mergulho profundo na degradação da mente de um homem perturbado com o mundo, o que é acentuado pela trilha sonora de Bernard Herrmann, Taxi Driver é um filme imprescindível para se analisar a vida urbana pós-moderna, o que pode ser complementado por uma boa leitura de Bauman.

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TRAINSPOTTING (1996)

Baseado na obra homônima do escritor escocês Irvine Welsh, o filme aborda de maneira inteligente e bem-humorada uma das questões mais importantes da filosofia e da sociedade contemporânea, qual seja, o vazio existencial e o mal-estar que este provoca. Essa discussão é transmitida por meio da vida de jovens que vivem no subúrbio de Edimburgo, na Escócia. Esses jovens vivem vidas banais em que a única preocupação que possuem é se drogar, sobretudo, com heroína. Desse modo, eles procuram se anestesiar diante da angústia que viver traz. Buscam através do gozo permitido pelo uso perene das drogas dar sentido às suas existências, ainda que não haja uma resposta propriamente dita. Com um roteiro muito inteligente e uma direção inventiva que vai do trágico ao cômico, passando muito bem as emoções das situações e dos personagens, o longa de Danny Boyle traz reflexões importantes à luz da sociologia, fazendo críticas ao consumismo, à ditadura da felicidade e à alienação medicamentosa.

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O SHOW DE TRUMAN (1998)

Dialogando com os pensamentos filosóficos de Michel de Certeau, Guy Debord e Jean Baudrillard, o filme de Peter Weir apresenta e crítica a sociedade do espetáculo que nos configura atualmente. Por meio da trama Weir demonstra a forma como a mídia tenta nos controlar e padronizar, a fim de que sejamos apenas reprodutores da realidade construída por eles. A obra cinematográfica expõe com brilhantismo o conceito de hiper-realidade de Baudrillard (tendo, inclusive, agradado mais ao filósofo do que Matrix) e a sociedade do espetáculo de Debord, em que as pessoas não passam de meras representações, em geral, seguindo os ditames da mídia. É um filme imprescindível para entender a sociedade vigiada que vivemos, além de contar com uma ótima atuação de Jim Carrey.

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A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (1998)

A cegueira através do ódio é transmitida na obra do diretor Tony Kaye. A trama gira em torno da vida dos irmãos Derek (Edward Norton) e Danny (Edward Furlong) que influenciados pelas ideias racistas do pai se envolvem com uma gangue de skinheads após a morte deste. Construído por meio de flashbacks não lineares, o filme nos mostra como ideias podem ganhar vida e a consequência de dar vazão a ideias destrutivas marcadas pelo ódio. Com ótimas atuações, sobretudo de Norton, é um filme imprescindível para avaliarmos a sociedade contemporânea e as formas de preconceito velado que se escondem nela, as quais vêm à tona, sobretudo, em momentos de crise.

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MATRIX (1999)

Criado pelas irmãs Wachowski, o filme cheio de efeitos especiais, revolucionou o cinema na virada dos anos 2000. A trama gira em torno de Thomas Anderson (Keanu Reeves), um programador de computadores solitário que vive atormentado por constantes pesadelos, nos quais se encontra conectado por cabos a uma imensa rede de computadores contra a sua vontade. Com a ciclicidade dos seus pesadelos, Anderson começa a duvidar da sua realidade, até que encontra Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), tomando conhecimento de que vive na Matrix, uma realidade construída pelo sistema de computadores que domina o mundo e de que é Neo, o messias capaz de salvá-los do domínio da Matrix. Bebendo de fontes filosóficas como Platão e Jean Baudrillard, o filme das Wachowski questiona o estado de dominação em que vivemos e como estamos submetidos a realidades construídas pela perspectiva do status quo, sobretudo, em relação aos valores que atribuímos por meio da publicidade e do consumo. É uma obra que requer atenção e vai muito além das cenas de ação, proporcionando reflexões pontuais sob o estado de dominação e condicionamento que nos encontramos.

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BELEZA AMERICANA (1999)

O filme de Sam Mendes derruba todas as cortinas e escancara a realidade da classe média americana, demonstrando a vida de aparências que levam. Através da vida de Lester Burnham (Kevin Spacey), um homem de meia idade frustrado e infeliz, conhecemos a realidade de uma sociedade que esconde a infelicidade de vidas vazias atrás de máscaras de felicidade e sucesso. A obra demonstra a decadência de uma sociedade (não apenas a americana) que não valoriza o real e busca se organizar a partir do status, agarrando-se aos padrões sem qualquer senso crítico. É um filme denso e profundo, com ótimas atuações, sobretudo, de Spacey e Annette Bening que vive a esposa de Lester, Carolyn Burnham, o qual traz à tona a prisão de aparências que vivemos.

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CLUBE DA LUTA (1999)

Crítica ácida ao hedonismo da sociedade de consumo, o filme do talentoso e surpreendente David Fincher, através de uma trama bem construída demonstra a vida mesquinha, fútil e vazia determinada pela sociedade de consumo, a maneira como nós voluntariamente a aceitamos e as consequências que essa prisão produz na vida de um indivíduo (Edward Norton), que de tão despersonalizado e robotizado, sequer tem um nome. Além desses fatores, que por si só seriam suficientes para um grande filme, a obra traz grandes atuações (talvez a melhor de Pitt) e um dos finais mais surpreendentes do cinema.

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FILHOS DAS ESPERANÇA (2006)

O futuro distópico criado pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón é apontado por muitos como a melhor ficção científica do século XXI. A obra é adaptada do livro da escritora britânica P.D. James e se passa no ano 2027 em um mundo marcado por poluição, super urbanização, terrorismo, guerras civis, isto é, extremo caos. Além disso, há 18 anos as mulheres inexplicavelmente se tornaram inférteis, aumentando o medo e a falta de perspectiva. Diante do caos instalado, o único governo que se mantém de pé é o britânico, que governa de forma autoritária, sobretudo, em relação aos estrangeiros que fogem dos seus locais de origem e tentam entrar no país. Com esse contexto, o filme aproxima-se muito da realidade, principalmente, no que tange à crise dos refugiados que atravessamos, mostrando de forma crua e dura essa realidade. No meio desse turbilhão, encontramos Theo, um burocrata sem qualquer fé na humanidade que, após ser contactado por Julian (Julianne Moore), líder de um movimento contrário ao governo, tem a missão de proteger uma mulher “fúgi” (refugiada) grávida, levando-a para um local seguro onde possa ter seu bebê sem a interferência de entidades que possam se aproveitar da situação. Com ótimas atuações, um roteiro muito bem construído e uma fotografia (EmannuelLubezki) que reforça o estado caótico daquela sociedade, Filhos da Esperança é um filme triste, mas ao mesmo tempo assustadoramente profético e, portanto, imperdível.

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EXPRESSO DO AMANHÃ (2013)

Baseado em uma HQ francesa, o filme do diretor sul-coreano BongJoon-Ho, se passa em um futuro não tão distante em que, após uma tentativa malsucedida de impedir o aquecimento global, o mundo é tomado por uma nova era do gelo. Os únicos sobreviventes desse novo ambiente estão a bordo de um grande trem em movimento. Essa nova sociedade é marcada por uma forte estratificação social, em que os pobres ficam na parte de trás vivendo em condições sub-humanas, e os mais ricos se localizam no resto do trem vivendo de modo confortável. Cansado dessa situação, Curtis (Chris Evans) decide liderar uma revolução que pretende derrubar a ordem estabelecida, no entanto, terão que enfrentar todo o poder de fogo de que dispõe a elite do trem. Trabalhando temáticas como a luta de classes (o motor da história), desigualdade social, exploração das classes dominantes, autoritarismo e discussões sobre a aplicação do positivismo na manutenção do status quo, Expresso do Amanhã é um filme que demonstra a crueldade e o egoísmo do ser humano. O roteiro bem elaborado garante uma trama bem desenvolvida e reflexões sociais que não devem passar despercebidas.

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ELA (2013)

O filme se passa em um futuro próximo na cidade de Los Angeles e acompanha a vida de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um indivíduo meio tímido e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais para outras pessoas. Se sentido solitário após o seu divórcio, Theodore passa a desenvolver uma relação com Samantha (Scarlett Johansson), um sistema operacional. O longa do talentoso Spike Jonze trabalha de forma profunda as relações humanas contemporâneas em um prisma que se aproxima muito da ideia de “Amor Líquido” de Bauman, em que se busca apenas o prazer por meio de relações superficiais, sem os problemas que qualquer relacionamento com mais profundidade produz. Com uma bela fotografia e uma grande atuação de Phoenix, Ela é um filme imprescindível para analisar as relações líquidas e as ilhas afetivas que nos formam contemporaneamente.

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Sejamos francos. Se ninguém se interessa por você é porque você não é interessante mesmo.

Sejamos francos. Se ninguém se interessa por você é porque você não é interessante mesmo.

Tem coisas que a gente precisa ouvir sem filtro, na lata. Com todo o jeito, claro, porque grosseria é atributo dos idiotas e ninguém precisa ser idiota para dizer o que pensa. Mas com a maior franqueza a gente devia ouvir de vez em quando: “olhe aqui, criatura, se o mundo não se interessa por você, a culpa quase sempre não é do mundo. É sua mesmo. Assuma: você não é alguém interessante!”.

Tudo seria muito mais simples. Porque acontece, ué! Acontece de toda pessoa em algum momento se tornar desinteressante para as outras. Do mesmo jeito que você pode estar nem aí com o mundo, o mundo também pode ver em você nada além de um inútil zero à esquerda. E tudo bem!

É assim que é. Eu, você e todo mundo seremos desinteressantes, enfadonhos e insuportáveis para alguém em algum momento. Estejamos atentos, vigilantes, autocríticos e sejamos honestos. Quando acontecer, o jeito é assumir e tirar o time de campo. Sumir, desaparecer, escafeder-se. E ter tempo para pensar no assunto. Mentir, suavizar, dourar a pílula, nada disso adianta. É preciso encarar um fato muito simples: nós deixamos de ser interessantes.

Nessa hora acontece de tudo. Tem gente que senta e chora, gente que se revolta e fica ainda mais chata, gente que adoece. E tem gente que pensa no assunto como gente grande: afinal, a quem eu desejo interessar e por que não consigo?

Pode ser que a resposta seja mais simples ainda: aquele por quem você se interessa tem outros interesses e você não está entre eles. Aí você segue em frente e esquece essa coisa toda. Pronto!

Agora, pior do que ser desinteressante para o outro é não ter interesse por si mesmo. Aí é o fim. Qual foi a última vez que você se interessou por alguma coisa de sua própria responsabilidade? Qualquer coisa. No corpo, na alma, na vida profissional. Quando foi que decidiu: “eu preciso melhorar isso aqui e vai ser agora”? Foi hoje, ontem, anteontem ou já nem sem lembra?

Se faz tempo ou você já nem se lembra, talvez esteja aí uma pista importante. Quase sempre nos tornamos desinteressantes para o outro quando deixamos de interessar a nós mesmos.

Dia desses alguém me disse choramingando: “ninguém se interessa por mim. Acho que o problema sou eu”.

E eu respondi: “também acho”.

Resumindo, a pessoa não fala mais comigo. Sumiu sem me dar tempo de justificar o meu sincericídio: o afeto que a gente tem por uma pessoa devia ser proporcional à nossa liberdade de dizer a ela o que pensa. Se ninguém se interessa por você é porque você se interessa muito menos por si mesmo.

Acho que perdi o amigo. Para ele, não foi interessante ouvir o que eu tinha a dizer. Não quis saber do resto, que o interesse é uma coisa que vai e volta, aumenta e diminui de acordo com outras instâncias, incluindo o nosso empenho pessoal, que um sujeito desinteressante hoje pode ser interessantíssimo amanhã, que alguém irrelevante para mim pode ser incrível para o outro e essas coisas. Ele nem quis saber. Mas tudo bem. Isso também já não me interessa.

Ano novo. Vida nova! 3 passos para um novo amor!

Ano novo. Vida nova! 3 passos para um novo amor!

Ainda que o primeiro dia de um novo ano seja, na prática, apenas mais um dia como qualquer outro de qualquer ano, ele carrega uma magia. É a magia do recomeço. Um novo ciclo. Uma nova chance.

É quase como se pudéssemos abrir mão de tudo o que já não queremos para ganhar espaço, fôlego e disponibilidade para tudo aquilo que queremos muito! Uma nova energia, desejo renovado, esperança redobrada.

E quando se trata de amor, um novo ano sugere novos comportamentos, novas escolhas. Uma postura mais segura, encontros mais criativos e relacionamentos que, enfim, façam sentido e sejam coerentes com o que você realmente deseja viver e com quem você realmente é!

Mas como? Do nada? Não! Isso tem que partir de algumas medidas simples, mas altamente eficientes que você pode tomar para fazer do seu novo ano uma porta que se abre. E ao se permitir passar por esta porta, você visualizará um mapa. O mapa do seu destino. Siga os 3 passos para compreender seu mapa:

1- Escreva já os seus planos, detalhadamente. Conte como é o relacionamento que você deseja viver, seja com uma nova pessoa, seja com essa pessoa com quem você já está. Seja generoso consigo mesmo. Fale de como você se comporta positivamente e de como o outro responde, criando uma conexão criativa com você. Use as palavras que fazem sentido para você. Ouse, permita-se, vá além de tudo o que já viveu. Busque para si, apenas o melhor.

2- Faça a sua promessa! Em geral, quando você quer muito que algo aconteça, você se predispõe a mudar, fazer diferente. Você sabe o que precisa melhorar em si mesmo. Sabe onde está deixando a desejar. O que é? Mais paciência? Mais presença? Mais entrega, menos cobranças? Investir na sua segurança e autoestima? Investir no seu próprio bem-estar? Focar em outras áreas para que a o amor seja uma agradável consequência e não esse desespero que tem sido?

3- Crie uma aliança com o Universo. Chame de Deus, Anjo da Guarda, Mestre Interior, Natureza, Destino, Coincidência ou qualquer outro nome. Mas entre em sintonia com uma força maior que você. Com uma dimensão onde aquilo que você não consegue ver, nem medir ou entender está o tempo todo acontecendo. E faça o seu pedido. Deixe claro o que você quer. Conte que está disposto a fazer a sua parte, conforme o que escreveu e prometeu nos passos anteriores. E declare que confia na congruência entre o que você fará e o que Universo fará. Confie e faça a sua parte!

E assim, lançando mão de suas crenças mais edificantes e dos seus recursos mais nobres, desenhe a sua profecia. Porque é muito provável que você venha dando mais atenção e crédito ao que ouve de outras pessoas do que aos seus mais genuínos e intensos desejos. E não há nada mais poderoso do que uma nova chance para se reinventar e ficar pronto para um novo amor.

Os opostos só se atraem na física. Na vida real a história é bem diferente…

Os opostos só se atraem na física.  Na vida real a história é bem diferente…

Imagem: Google, Creative Commons

Não se iluda, a terceira Lei de Newton não tem validade sobre os relacionamentos. Se na física os opostos se atraem, na vida real as coisas são bem diferentes: calmaria não combina com tempestade; campo não combina com cidade; silêncio não combina com barulho e fanatismo não combina com ninguém.

Imagino que, ao ler esse texto, há quem esteja esbravejando e dizendo “o amor supera tudo” e que meus argumentos são fracos. Mas, primeiro, tente conviver com alguém diferente de você por um ano, depois conversaremos.

A vida não é a música “Eduardo e Mônica” do Renato Russo (desculpem a sinceridade). O diferente atrai, encanta, seduz, mas não aguenta o tranco da rotina. Ter uma pessoa diferente ao nosso lado ensina um monte de coisas bacanas e até ajuda na relação, mas isso a curto prazo. O encanto pelo diferente acaba na primeira discussão de divergências.

Vamos aos fatos: você gosta de ler, ele odeia. Você gosta de conversar sobre tudo, ele gosta do silêncio. Você ama balada e ele, se pudesse, hibernaria. Sinceramente, qual a probabilidade desse relacionamento dar certo?

Todos nós temos o desejo de viver um grande amor. Temos curiosidade de explorar o desconhecido e viver uma história nada convencional, mas isso é uma aventura amorosa, não uma meta de relacionamento.

Ter pequenas divergências é comum, até porque, ninguém é igual a ninguém: ela torce para o Corinthians, você para o Palmeiras. Ela curte rock, você pagode. Ela ama desenhos, você seriados. Até aí, pequenos ajustes na rotina são aceitáveis. O problema está em conviver com uma pessoa totalmente diferente de você. Acredite, é possível conviver com as diferenças, mas é impossível aceitar as incompatibilidades. Como diz Fernando Anitelli: “Os opostos se distraem…Os dispostos se atraem…”.

Relacionamento não é uma luta de UFC, onde vence quem tem mais força. Relacionamento quando não é leve, quando não trouxer paz e não acrescentar sentimento não vale a pena. Lidar com grandes diferenças torna o dia a dia uma batalha constante e o parceiro deixa de ser um porto seguro para se tornar o principal inimigo.

Carpinejar tem uma frase que define bem o comportamento de quem se aventura no “relacionamento da oposição”: “Os opostos se atraem, mas não conseguem permanecer juntos (os parecidos se repelem e ficam juntos). O que se mostrava maravilhoso e definitivo, a sedução da diferença, a atração de um continente desconhecido são substituídos pela tentativa de moldar o outro aos seus gostos.

Contos de fadas, ficção científica e diferenças nos relacionamentos só servem para roteiros de filmes. Na vida real, meu caro, a história é bem diferente.

Por um mundo com menos “estou com saudades” e mais “estou indo te buscar”

Por um mundo com menos “estou com saudades” e mais “estou indo te buscar”

Imagem de capa: Google, copyright-free, Creative Commons License

Atitude é tudo. Decore isso. Anote na geladeira, na parede, na testa, mas não esqueça! É possível esquecer as palavras, mas você jamais esquecerá a forma como as pessoas te fizeram sentir.

Sou suspeita dizer, porque amo palavras. Fiz Letras, escrevo todos os dias e leio como quem toma café, mas confesso que entre dizer que sente falta e ir se fazer presente, há uma grande diferença.

As palavras quando bem escolhidas encantam, envolvem, mas não trazem compromisso. Palavras, como diz o poeta, o vento leva. Atitudes não. Atitudes provam, consertam, destroem, unem e separam as pessoas. São, ao mesmo tempo, dor e cura e nada, nem o tempo, pode apagá-las.

Não adianta dizer que ama e não apresentar para família. Não adianta sentir saudades e não mover um passo em direção da pessoa. Não adianta querer casar e não se programar para isso. Atitudes mudam histórias, palavras não.

Sabe aquela história de “quem quer dar um jeito e faz acontecer”? Então , quando o assunto é relacionamento, é verdade. Para quem, realmente, se importa a distância é um pequeno detalhe, o Everest é apenas um morrinho e os alagamentos da cidade servem para colocar a natação em dia.

Quem quer não adia encontro. Aparece sem avisar, coloca o nome na prioridade da agenda. Quem quer não deixa ir, não dá valor depois que perde e valoriza os momentos. Quem ama não diz “não estou pronto”, “marcamos qualquer dia” ou “se for para ser, será”.

Quem ama faz o dia virar noite, o acaso virar objetivo e os dias da semana virarem sábados. Quem quer não se importa com passado, com traumas e medos. Recomeça do zero e tenta tudo de novo.

Vivemos uma época em que a exposição dos relacionamentos conta mais do que o sentimento. Nunca se sentiu tanta necessidade de expor o amor vivido. Fotos, hashtags e declarações criativas criam a ilusão do amor perfeito, mas não comprovam isso com atitudes.

A verdade é que pouco importa se você viajou, se tem tirado mais fotos que uma modelo de capa da VOGUE ou tem um relacionamento digno de Shakespeare. O que importa é quantas vezes você demonstrou isso ao seu parceiro. Quantas planos já fizeram e quantos finais de semana vocês passaram juntos.

O resto são superficialidades que a sociedade prega para justificar a futilidade em que vivem.

Amar não precisa de flahs, de textões e de exposições. Amor precisa de atitudes de gente disposta a fazer dar certo e só. Pouco importam as palavras se as atitudes não as acompanham.

Às vezes, é preciso coragem para falar; outras vezes, é preciso coragem para não dizer nada

Às vezes, é preciso coragem para falar; outras vezes, é preciso coragem para não dizer nada

Tanto as palavras bem colocadas quanto o silêncio na hora certa são igualmente essenciais em nossa jornada. Cabe a nós fazer o uso inteligente de um e de outro.

Talvez uma das melhores formas de nos protegermos seja o silêncio. Se bem que, em determinadas ocasiões, precisamos nos expressar para que sobrevivamos, para que não nos engulam. Ou seja, tanto as palavras bem colocadas quanto o silêncio na hora certa são igualmente essenciais em nossa jornada. Cabe a nós fazer o uso inteligente de um e de outro.

É preciso silenciar quando nos encontramos diante de alguém que não ouve, não recebe, não quer aprender; alguém que apenas expõe o que pensa de forma agressiva e com a empáfia característica daqueles que se acham donos da verdade. Pessoas que se expressam como se fossem a única fonte de saberes e de verdades desse mundo jamais conseguirão se abrir ao que o outro tem a oferecer.

É necessário falar quando nos sentimos ofendidos, quando não podemos mais conter o que desagrada, quando o outro ultrapassou os limites viáveis de uma convivência minimamente respeitosa, passando por cima de nossa dignidade. Caso não nos coloquemos no momento certo, algumas pessoas nos atropelarão com sua arrogância, seu egoísmo, suas vaidades. Além disso, engolir tudo aqui dentro nos adoece o corpo e a alma.

O silêncio nos protege de pessoas maldosas, de situações embaraçosas, de nós mesmos. Muitas vezes, aquilo que falarmos não acrescentará nada, não chegará até ninguém, não trará nada de bom, tampouco solucionará qualquer problema que esteja ocorrendo. Da mesma forma, nosso silêncio pode confortar quem esteja precisando apenas de nossa presença ali bem junto, pois calar-se junto a quem sofre traz consolo e acolhimento, entendimento do sofrimento alheio.

Por sua vez, as palavras bem ditas são realmente benditas, pois, proferidas na hora certa, protegerão nossa integridade, resguardarão nossa essência, farão bem à nossa saúde. Teremos que falar o que queremos ou não, o que aceitamos ou não, o quanto estamos tristes ou felizes, a quem precisar de nossos limites, de nossa ajuda, de nossa gratidão. Carregar contenção exagerada nos deixa solitários e tristes. Falar com quem nos entende cura e ilumina.

Tudo, na vida, requer equilíbrio, sobriedade e lucidez, pois os excessos acabam transbordando para o lado errado e não ajudando em nada. Falar nos momentos apropriados, junto a quem sabe e merece ouvir, e calar quando de nada servirá qualquer palavra que dissermos, será um dos maiores bens que poderemos fazer a nós mesmos e a quem caminha conosco. Porque poucos merecem o que temos a dizer, enquanto muitos merecem o nosso silêncio. É isso.

Um carro não precisa ser apenas um carro

Um carro não precisa ser apenas um carro

O Brasil é o quarto país no mundo em número de estradas e rodovias e o quinto maior mercado da indústria de automóvel mundial. Com números assim não fica difícil entender a relação mais próxima que o nosso público possui com seus carros.

Se no início da indústria automobilística Henry Ford, pioneiro do segmento,  brincava dizendo que as pessoas poderiam escolher seus carros desde que fossem pretos, hoje existe uma infinidade de cores, tamanhos e modelos. Os preços variam de acordo com o que o proprietário pode e quer pagar. Há acessórios de série e complementares. Suas peças, muitas vezes, são estilizadas, arrojadas e transmitem diferenciais em qualidade.

Longe de ser apenas um utilitário, um automóvel pode se tornar a extensão do corpo de seu usuário que, ao dirigi-lo, sente-se mais poderoso e potente. Da mesma forma, frente a um acidente, o motorista pode se sentir tão invadido, machucado e agredido como se um amassado na lataria fosse um corte em seu próprio corpo. Não raras vezes também presenciamos características de personalidade do motorista que são exacerbadas no volante: ousadia, agressividade, a velocidade como forma de liberdade.

Dizem os especialistas que os homens são os que mais se identificam com os automóveis: eles conhecem sua história, querem aprendem sobre seu funcionamento, buscam versões esportivas, gostam de ouvir o motor, dão nomes com mais frequência e são mais atentos à manutenção.  Já mulheres são mais ligadas a funcionalidade do carro, preferem carros mais silenciosos, econômicos e fáceis de estacionar como os novos smart fortwo e forfour.

contioutra.com - Um carro não precisa ser apenas um carro
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Todas as informações no site www.Topautopecas.pt

No fim das contas, seja com um carro grande e viril ou abusando da praticidade  de um acessível Smart Fortwo, o que importa é que a pessoa encontre em seu veículo o que procura para tornar sua vida mais completa. Afinal, são muitas horas de nossas vidas que passamos dentro de um carro.

Sou assim, uma mistura exótica de medos infantis e coragens extraordinárias.

Sou assim, uma mistura exótica de medos infantis e coragens extraordinárias.

Tenho medo de tanta coisa boba, tenho fobias em situações que muitas pessoas dão risada e tiram de letra.

Por exemplo, tenho pavor de tirar sangue. Mesmo tentando controlar a ansiedade, quando sento naquela cadeira, cai a pressão, suo frio, viro só fragilidade.

Às vezes, pareço boneca de porcelana prestes a espatifar.

Mas, tantas outras vezes, sou pura coragem e ousadia.

Tenho coragem, por exemplo, de ouvir meu coração e transformar a minha vida por inteiro só para seguir uma paixão.

Tenho coragem de desapegar do que já não me faz bem, mesmo de um grande amor, mesmo de uma vida construída, eu abro as janelas da minha alma e deixo os novos ares me renovarem.

Tenho medo de viagens de avião, de turbulências, dos pousos naquelas pistas tão pequenas dos aeroportos das grandes capitais. Nessas horas, lembro das rezas que aprendi na infância, peço proteção aos deuses, deusas e orixás. Volto a acreditar em tudo que andei duvidando.

Mas, apesar disso, eu tenho coragem de despir minha alma, de tirar minhas máscaras e mostrar por aí as minhas fraquezas, as minhas dúvidas, os meus medos, de segurar na mão do desconhecido da poltrona do lado.

Tenho coragem de falar o que penso, de ser ridícula, ingênua, louca… Tenho coragem de expor minha vulnerabilidade feminina num mundo que presa e prega a lei da força, da luta e da estabilidade emocional masculina.

Eu tenho coragem de não acreditar nas verdades que o inconsciente coletivo coloca dentro da gente. Tenho coragem de ser mais emoção do que razão e de consultar minha intuição sempre para que essa força não se perca dentro de mim.

Tenho coragem de ouvir meu ritmo interno e de acreditar na poesia e não ser submissa de um trabalho, do dinheiro, de uma convenção social.

Isso porque, acima de tudo, eu tenho muito medo de perder a vida, de deixar ela passar por mim como uma segunda-feira cheia de burocracias e tarefas banais.

Eu ainda tenho que dizer, que tenho sim muito medo de altura, daquelas subidas longas, daquelas escadas loucas, se eu olho pra baixo, sinto tontura, parece que meu corpo flerta com a vontade de me jogar. Ai eu tremo.

Deve ser porque minha alma aérea tem as asas longas e abertas e nunca teve medo de se jogar nos precipícios do amor. Nunca teve medo de se arriscar em novas paisagens quando um sentimento forte a invade.
Enquanto meu corpo treme, minha alma se expande e ri da cara do proibido.

Tenho medo do mar, das ondas que me pegam desprevenida, das matas fechadas e desconhecidas. Mas não tenho medo de mergulhar de cabeça num sonho, de amar sempre e mais, de fazer morada em corações baldios e explorar almas fechadas e de natureza selvagem.

Tenho medo sim e não me arrisco a praticar esportes radicais. O meu corpo desastrado tende a cair, quebrar, desequilibrar.

Mas enquanto isso, sou toda coragem para viver sentimentos avassaladores, explorar minhas trilhas de dentro. Minha alma dança, faz acrobacias, nua e leve, samba nos sentimentos negativos, pinta careta nas invejas, quebra as pernas das competições.

Por tudo isso (e muito mais), sou assim, essas mistura exótica de medos infantis e coragens extraordinárias.

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Imagem de capa: Underwater photography by Trish Woodford

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