Assuma o que você diz, mas não se sinta responsável pelo que o outro entende

Assuma o que você diz, mas não se sinta responsável pelo que o outro entende

Imagem: pio3/shutterstock

Existem indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todos agissem pensando neles, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles.

Sempre que expressarmos nossa opinião sobre algo, haverá quem se sentirá ofendido, quem discordará agressivamente, quem permanecerá em silêncio, quem distorcerá cada palavra, assim como quem concordará. Cada pessoa tomará o que dissermos à sua maneira, de acordo com o que possui dentro de si, e usará nossos dizeres tanto com boas quanto com más intenções. Isso serve para nos levar a tomar cuidado com o que e para quem dizemos o que sentimos.

Jamais poderemos conhecer com profundidade todos que estarão à nossa volta e, mesmo aqueles que pensamos conhecer de fato, em algum momento poderão fazer mau uso de nossas palavras, usando-as contra nós, para que possam continuar mentindo em meio ao jogo de interesses egocêntricos que pautam as suas vidas. Geralmente, quem se sente ameaçado por nós, sabe-se lá por conta de que loucura que se passa pela sua mente doentia, tentará nos difamar e sujar a nossa imagem. É só isso que querem: ver os outros se ferrando.

Da mesma forma, existirão indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todo mundo agisse pensando neles, no que eles sentirão, pensarão, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles. Sentem-se perseguidos pelo universo, enxergando conspirações em qualquer roda de conversa, lamentando supostas tramoias que usam para atingi-los. A estes, portanto, tudo o que dissermos soará a perseguição.

Infelizmente, muitos de nós nos sentimos mal ao saber que magoamos os sentimentos de alguém sem ter essa intenção. Por mais que saibamos que não era aquele o nosso propósito, mesmo que tenhamos a certeza de que não dissemos nada de mais, ficaremos chateados por ferir o outro. Cabe-nos, nesses casos, conversarmos com a pessoa, para que o entendimento entre as partes supere rusgas inúteis, principalmente quando existe carinho nessa relação.

Como se vê, conviver é um exercício diário, uma vez que lidaremos com pessoas que vieram de lugares diversos, cujos sentimentos passaram por experiências únicas, tornando-as, na maioria das vezes, inesperadas em suas ações e reações. Vale mantermos nossas verdades firmes e seguras, para que não nos tornemos vulneráveis às afetações e à maldade de gente que mal sabe o tanto de história que carregamos aqui dentro.

No mais, quem nos ama pelo que somos jamais acreditará em qualquer um que tente nos denegrir, ficando junto, oferecendo o seu melhor. E essa gente com quem podemos contar é que valem – e assim sempre será – cada suor e cada lágrima de nossos dias.

Despertar

Despertar

Imagem: Nick Starichenko/shutterstock

Em tempos de crises econômicas, de desastres naturais e de criminalidade exacerbada, entre tantas outras tristezas pelo mundo afora, muitas vezes desatentarmos para o milagre que é viver, para quantas coisas maravilhosas temos a oportunidade de sentir e realizar, bem como que, apesar e acima de tudo, precisamos andar para frente, evoluir. É preciso despertar.

É urgente que despertemos, todos
Despertemos para a vida, de verdade, não de leve, de faz de conta…
Que paremos de nos entorpecer com problemas que na maioria das vezes só existem nas nossas cabeças
Que cessemos a focalização na parte negativa das coisas, dos fatos, das pessoas
Que deixemos o que não nos faz bem de lado
Que assopremos para longe qualquer sentimento que nos leve para baixo.

Precisamos sair do círculo vicioso que sempre leva a crer que não vale a pena mudar, que demanda muita energia ser alegre e estar em paz.
Temos é que parar e olhar quão bela, de fato, a vida é
Quantas maravilhosas possibilidades ela nos apresenta diariamente
Como a natureza é perfeita
O quanto são maravilhosas as coisas julgadas “normais”, como ter saúde, ter alimento, ter família, ter trabalho, ter amor.

E não é “ser feliz por nada”
Bem pelo contrário: é “ser feliz por TUDO”
Tudo o que somos, o que vemos, o que vivemos e o que podemos
Basta que liguemos o botão da percepção que anda meio desligado nos últimos temos…

Urgentemente também necessitamos buscar “ser”
Deixar o “ter” um pouco de lado, ele quase nada nos acrescenta
O consumismo desenfreado nos faz perder um pouco a noção das coisas
Nos faz ansiosos, insaciáveis e frustrados cada vez mais.
Emergencialmente carecemos buscar meios de nos aperfeiçoar “por dentro”
Ser lindos, fortes e poderosos interiormente
Encontrar nosso equilíbrio

Viver a verdade de que não estamos aqui por nada, mas para evoluir
E, para tanto, precisamos adotar uma postura ativa
Efetivamente ir atrás de tal aprimoramento.
E um bom começo é realmente sentir como é sensacional estar vivo.
Ter a chance de estar aqui, vendo tanta coisa, sentindo tudo isso
Inquestionavelmente, possuímos, todos, a oportunidade de experimentar, cair, levantar, usufruir e se deleitar com tantas coisas…
Só precisamos nos dar conta. E com urgência.

Juno Moneta – a deusa do dinheiro

Juno Moneta – a deusa do dinheiro

Juno era a deusa romana do casamento, a esposa de Júpiter e rainha dos deuses. Corresponde à deusa Hera na Mitologia Grega. Era a protetora do Estado e tinha diversos epítetos e funções.

Juno, como padroeira do casamento, era invocada nos casamentos para garantir a felicidade duradoura, além de ser protetora das funções e atributos femininos.

Um desses epítetos era Juno Moneta (a Avisadora), que a tornava protetora dos recursos do Tesouro e deusa da moeda e da prosperidade. Moneta era venerada no cimo norte do Capitólio, em Roma. E em seu templo era cunhado a moeda do Estado. Moeda, em sua etimologia, vem do grego moneres, que significa “única”.

Contava-se que, durante a guerra contra Pirro, temendo que o dinheiro lhes viesse a faltar, os Romanos pediram conselho a Juno. A deusa respondeu-lhes que jamais teriam falta de dinheiro se orientassem as suas guerras com justiça. Como agradecimento por esse conselho, decidiu-se que a cunhagem da moeda se faria sob os auspícios da deusa. Seu rosto hoje aparece nas notas de reais e em moedas.

As festas entre os dias 21 a 24 de Junho (nome do mês em sua homenagem), eram consagradas a Juno, e nelas se acendiam fogueiras para espantar maus espíritos e assim obter uma colheita próspera no ano seguinte. Essas festas foram mascaradas pelo cristianismo e permanecem como as famosas festas juninas.

Juno, assim como Hera, era a Grande Mãe celeste, capaz de criar tempestades e assim trazer chuvas para a terra, propiciando o plantio e a colheita. Com isso, observa-se que os romanos entendiam que o dinheiro era um princípio feminino em sua origem. Uma energia de troca, que gera prosperidade.

Além disso, aliar a deusa do casamento ao dinheiro, simboliza que uma união feliz e harmoniosa é fonte de prosperidade.

Com o advento do Patriarcado, o dinheiro passou a ter uma função masculina, remetendo a poder e não mais a uma troca onde ambas as partes se beneficiam. Deixando de ser um doar e receber, passou a ser fonte de exploração e disputas.

Contudo, é importante ressaltar que Juno presidia a castidade feminina para o casamento. Com isso ela não se harmonizava com a deusa do amor e sexualidade feminina, a exuberante Vênus. A sociedade romana (assim como a grega) estava em um estágio pré-patriarcal e os indícios do patriarcado já se faziam notar em sua Mitologia.

Isso fica claro na separação entre matrimônio, sexualidade e prazer femininos. Denotando que a sexualidade feminina era ameaçadora para o Estado e um patriarcado em início de vigência. Juno, assim como Hera, era uma divindade pré – helência, uma Grande Mãe que foi rebaixada ao papel de esposa ciumenta, vingativa e separada de seu próprio prazer. Seus ataques de ira ciumenta culminavam em tempestades.

Divindades mais antigas associadas a tempestade, como a yorubá Iansã, tinham uma sexualidade exuberante e não se submetiam a homem nenhum. Eram donas de seus destinos e escolhiam com quem iam se relacionar.
As tempestades eram causadas pela sua personalidade arrebatadora e passional e não por crises de ciúmes.

Com o advento do patriarcado o casamento passou a ser moeda de troca e as associações e relações sexuais não visavam mais o prazer, mas títulos, status e acumulação de bens. A sexualidade feminina com o subsequente prazer precisou ser refreada, pois é através do prazer feminino, do Eros, que a relação amorosa se estabelece.

Além disso, em sociedades matriarcais, a legitimidade dos filhos vinha através da mãe. Ao passar para o nome do pai, o controle para assegurar a paternidade começou a afetar diretamente o poder do homem e a capacidade de passar seus bens materiais para seus herdeiros legítimos. Por essa razão foi necessário refrear os desejos femininos.

Juno, assim como a grega Hera, foi rebaixada e ferida. Destituída da sexualidade, do prazer na relação, ela foi condenada a um casamento abusivo com Júpiter que a traía constantemente e ela permanecia fiel ao seu lado. Todas essas informações apresentadas afetam diretamente a forma como lidamos com o dinheiro.

Com esse texto quero propor uma reflexão: De que forma você enxerga o dinheiro? Como um fim ou como uma consequência de um trabalho de alma?

Não importa se você é homem ou mulher, como anda a sua relação com o feminino? O dinheiro para você é uma forma de obter poder sobre os outros, ou é uma forma de troca e de obter prosperidade tanto material quanto espiritual?

Um meio para que você possa realizar coisas que vão aumentar seus valores espirituais e como indivíduo, ou apenas para acúmulo de bens que muitas vezes não são usados?

Como você lida com a sua sexualidade? É reprimida? É uma forma de aprofundar a relação e obter prazer para ambos? Ou é uma forma de controle e auto afirmação? Como você lida com o prazer? Você tem prazer na vida ou apenas vive para ganhar dinheiro e ser produtivo?

A forma como você enxerga o dinheiro e a sexualidade pauta a sua crença sobre abundância e prosperidade. Mais do que nunca precisamos rever esses conceitos, para que a verdadeira prosperidade nos alcance. Para que entendamos que não estamos isolados um do outro e que também somos parte da natureza, e que a riqueza de recursos naturais é a nossa maior dádiva.

Discutir a relação não é coisa de mulher, é coisa de casal

Discutir a relação não é coisa de mulher, é coisa de casal

O senso comum costuma atribuir às mulheres uma maior necessidade de atenção, por conta de sua tendência a serem mais sensíveis e românticas, entre outros. É como se os homens fossem naturalmente mais fortes e emocionalmente mais frios. Na verdade, isso tudo é decorrente de aspectos culturais, que atribuem esta ou aquela característica a gêneros, com base se sabe lá onde, e, assim, tais atitudes são cobradas socialmente.

Por conta desses rótulos limitantes, muitas vezes se disseminam ideias que atribuem determinadas características e comportamentos aos homens e às mulheres separadamente, delimitando o campo de ação de cada um e, consequentemente, limitando-lhes a possibilidade de viver com mais intensidade. Isso porque, se já nos dão uma lista do que é permitido, muitas coisas que queríamos provavelmente ficarão de fora desse rol estanque.

Nesse contexto, é comum haver homens fugindo à famosa D.R., não se vendo na obrigação de parar para conversar sobre o relacionamento com as parceiras, simplesmente porque “esse blá blá blá é coisa de mulher”. Na verdade, tudo o que envolve conversa demorada sobre sentimentos parece provocar repulsa nos parceiros, uma vez que, segundo se diz, homens são mais racionais, objetivos, práticos, sem tempo para nem paciência analisarem a forma como as pessoas sentem as coisas dentro de si.

Na verdade, o amor não fecha portas, mas sim as abre. O amor não carrega pendências, ele as alivia. O amor não diminui, posto que amplia horizontes, alarga os sentimentos, consola, compadece, resolve o que atrapalha, supera, amansa e acalma o que desanda. Fugir ao enfrentamento das verdades que precisam ser estabelecidas e dos incômodos que necessitam de ajustes implica desvalorizar o poder conciliador do amor sincero.

Discutir a relação com ponderação e sem elevação de ânimos sempre será saudável e importante ao amadurecimento dos sentimentos, para que a dinâmica dos relacionamentos se fortaleça e não caia na mesmice que o cotidiano teima em imprimir à vida a dois.

Não se trata de coisa de mulher e sim de uma prática que deve ser exercitada, para que possamos nos demorar em tudo aquilo que o outro possui e nos encanta, e nos chama, e nos transforma em pessoas melhores, exatamente por conta da certeza de termos encontrado o amor de nossas vidas.

Imagem: Tatevosian Yana/shutterstock

O afeto é revolucionário

O afeto é revolucionário

Imagem: Tatevosian Yana/shutterstock

O mundo nunca foi uma maravilha. Sempre houve miséria, desigualdade, egoísmo, exploração de homens e da natureza, preconceitos de diversos modos, enfim, uma série de atrocidades que apenas nos desumaniza e nos desintegra enquanto humanidade.

Lutar contra essas arbitrariedades, buscando de algum modo modificações, sempre foi algo extremamente difícil, uma vez que existe todo um sistema que corrobora para que isso ocorra e o ser que se rebela contra tudo isso é tão somente um grão que compõe o mesmo sistema.

As mudanças tornam-se ainda mais difíceis na medida em que a razão é utilizada para justificar tais atos e isso, infelizmente, é recorrente na história. Diante disso, o desânimo e a desistência na luta por modificações se tornam quase que inevitáveis.

Entretanto, desistir é apenas sucumbir à força racional que justifica tanta miséria. É preciso ir além da racionalidade e atingir a afetividade, já que o afeto, em tempos de egoísmo sombrio, é o maior ato revolucionário que podemos ter.

Antes de prosseguir, é necessário esclarecer que esta não é uma ode à irracionalidade. A razão é extremamente importante, mas ela possui limitações, as quais o afeto desconhece. Além disso, como dito, ela pode (e recorrentemente é) ser utilizada como um forte instrumento de manutenção de poder.

Basta observar que vivemos em um período extremamente racional, porém, a miséria social só faz aumentar, estamos cada vez mais tristes e sozinhos, conectados com o mundo e distantes da vida, cercados de muros de concreto e isolados pelo medo. Então, nem sempre a razão é a melhor saída e, parece-me, que nesta quadra da história tem nos faltado afeto, pois é ele que permite que a sensibilidade – tão rara, mas essencial – exista.

Ao sair do campo racional, o qual tende a nos prender em nós mesmos, tornamo-nos mais sensíveis para com o mundo. O que o outro faz e sofre torna-se alvo também dos meus pensamentos e, consequentemente, das minhas ações.

É o afeto, a sensibilidade, que permite que enxerguemos para além do que simplesmente está exposto visivelmente aos olhos. Isso ocorre porque a racionalidade está preocupada em explicar, já a sensibilidade está preocupada em entender.

Sabemos bem disso, afinal, quando não estamos nos sentindo bem, o que mais queremos é alguém disposto a apenas nos entender, e, “curiosamente”, o que mais recebemos são explicações racionais sobre o que estamos sentindo.

Essa visão instrumentalmente racional das coisas, seja no campo social, seja no campo individual, não permite que as situações sejam modificadas, justamente, por estar destituída da capacidade de sentir aquilo que os olhos da razão sempre tendem a normalizar e padronizar. No entanto, toda vez que se faz isso, desconsidera-se as particularidades presentes naquela problemática (social ou individual).

Exemplificando isso, se nós olharmos para alguém que vive em condição sub-humana, de miséria, apenas com olhos racionais instrumentais, provavelmente, nós iremos explicar aquela condição pelo sujeito estar fora do mercado de trabalho ou algo do tipo; do mesmo modo, caso alguém do nosso convívio social esteja passando por um momento difícil, sentindo-se deprimido e completamente para baixo, o mais trivial de se ocorrer é essa pessoa ser chamada de “fresca”, de “mole”, de “fraca”, por ficar choramingando por “idiotices”.

Todavia, são essas “idiotices” que, em geral, a razão não alcança, pois são nelas que se encontram os sentimentos das pessoas – os seus sonhos, seus desejos, seus sofrimentos, suas frustrações, seus problemas, suas decepções, suas alegrias, suas dificuldades, suas lutas – e estes dependem de um olhar afetuoso, sensível e poético para ser compreendido.

Ao olharmos com afeto, podemos enxergar que por trás de alguém vivendo na sarjeta da rua ou na sarjeta da mente, há um ser humano que necessita desesperadamente de alguém que tente compreendê-lo nas suas entrelinhas.

Como disse, em tempos de egoísmo sombrio e quase absoluto, de valores degradantes para o ser humano e mecanização da vida, o afeto é revolucionário, porque ele é capaz de quebrar a barreira racional que divide os seres humanos em compartimentos individuais e dar conexão a nossa existência.

Apesar das dificuldades, ele consegue sim mudar realidades – porque quando a partir de um olhar afetuoso se modifica uma vida, uma situação, o mundo já está mudando – já que é consertando o homem que a gente conserta o mundo. Albert Camus disse: “Eu me revolto, logo existimos”.

Estou convencido de que essa revolta está no afeto, porque, quando isso ocorre, mais do que singularmente, nós existimos de forma plural e humana. E essa sempre será a maior das revoluções.

Imagem de capa: Adolescente americana Jan Rose Kasmir oferece flor aos soldados americanos da Guarda Nacional durante o protesto anti-Vietnã, 1967.

Fotografia: Marc Riboud.

Não deixe no passado o futuro que você pode ser hoje

Não deixe no passado o futuro que você pode ser hoje

Quantas sobras e metades você foi até aqui? E quantas despedidas e amores aconteceram desde então? É fácil pensar que o tempo é ilimitado. Que quando tiver vontade, tudo será possível. Não é bem assim. O presente tem valor quando você cuida, ama e aproveita.

Permita o agora. Dê importância para simples gestos e para oportunidades de conhecer algo ou alguém além do próprio universo. Manter o coração fechado só afasta você de você. É a partir da excitação de se conhecer melhor que belezas podem ser apreciadas. Um dia, um gole e um sabor. Pequenos momentos geram grandes instantes.

Faça as pazes com a solidão, ela não é uma inimiga. Escolher muito de si é o tipo de coragem que não está à venda. Porque mesmo compartilhando afetos – todos necessários, é reservando alguns silêncios para um que torna estar a dois fogos de artifício, no melhor sentido amor.

Encontre paz sem mais atrasos. Desculpas por ausências não fazem do depois mais legítimo. Talvez seja confortável segurar com as duas mãos essa história de não ter plenitude, conforto e privacidade, mas é preciso romper velhos costumes. Tranquilidade, quase sempre, tem a ver com sinceridade. Principalmente aquela onde você olha para dentro e aceita e entende.

Não se preocupe, a verdade chega sorrindo todos os dias pela manhã. Logo, aperte o passo. Erga os sentimentos que você carrega e desfrute dos caminhos propostos. Tenha calma, mas presença. Tenha respeito e gentileza. Em outras palavras, não deixe no passado o futuro que você pode ser hoje.

Imagem de capa: A Igualdade é Branca (1994) – Dir. Krzysztof Kieślowski

Por amor a gente fica, por amor a gente vai

Por amor a gente fica, por amor a gente vai

Por amor a gente fica quando o abraço nos acolhe, quando o outro se importa com a nossa presença e faz questão de estar sempre por perto. Por amor a gente fica quando, mesmo com tantos tombos, mesmo com tantos erros, o outro não quer partir. Mesmo com todo o lema do desapego o outro quer se apegar e acha graça nisso.

Por amor a gente fica quando o telefone toca só pra saber se você está bem. Quando você abre o seu livro e lá está um bilhete com poucas palavras te desejando uma boa semana, quando você vê as mensagens no celular e lá está um bom dia.

Por amor a gente fica quando a tempestade vem e o outro quer se abrigar em nós, quando o vendaval passa e o sentimento permanece forte. A gente fica quando as coisas não vão bem e o outro se importa com isso, conta uma piada sem graça como quem quer tirar um riso teu. Por amor a gente fica quando tentamos remar contra a maré, que é o nosso medo, e desistimos no primeiro beijo, na primeira vez que o perfume fica na roupa depois daquele abraço. Por amor a gente fica quando o domingo torna-se saudade e a sexta-feira reencontro. A gente fica quando sente ser verdadeiro, quando sente paz. Quando sabe que o outro está disposto a ser morada e fazer morada em nós. Sem desculpas, sem justificativas, sem mentiras.

Mas, por amor a gente vai, por amor a nós decidimos partir. Por amor a nós deixamos de insistir no que insiste em não ser, em quem não quer ficar. Por amor, a gente vai depois do choro, depois das palavras que machucaram e das desculpas que nos cansaram.

A gente vai quando o outro não vê a nossa alma bonita, quando persiste em reparar em coisas fúteis e criticar por qualquer motivo. Quando o outro quer um amor passageiro, enquanto você quer de janeiro a janeiro. Por amor a gente vai quando o outro quer fazer joguinhos achando ser charme enquanto você já sabe o que quer. Quando o outro gosta de voltas e você só quer olhar para frente. Quando o outro quer pausas e retrocessos e você quer avanço.

Por amor a gente vai quando começa a se culpar e se achar problema, quando achamos ter algo de errado com nós. Por amor, a gente vai quando o outro não soma em nossas vidas, mas nos diminui com a sua indiferença persistente. Quando não nos olha, não repara, não se importa. Quando somos opção e não prioridade. Quando a desculpa do tempo, do cansaço, dos inúmeros compromissos tornam-se diários. Quando você não tem espaço algum na vida do outro. E então, por amor a nós, decidimos partir, não como quem desiste do amor, mas como quem sabe que isso não é amor.

E então, justamente por amor a nós mesmos, decidimos partir depois de tanto insistir, depois de querer tanto fazer dar certo. Mesmo depois dos raros bons momentos e das esperanças que brotaram em nosso coração. Decidimos ir como quem não pretende voltar, mas ao mesmo tempo surge o terrível medo de olhar para trás. No fundo a gente sabe que não vale a pena permanecer, que o outro não é morada. No fundo a gente sabe que apego não é amor e que insistir no que nos faz mal é falta de amor próprio. Então, por amor decidimos ir, pela saudade do nosso riso sincero escondido, pela saudade de sorrir com a alma e não apenas com os lábios, de sentir o nosso coração feliz. Por amor deixamos partir o que nunca fez questão de ficar.

Me perdoar foi a melhor coisa que já fiz e nada supera isso

Me perdoar foi a melhor coisa que já fiz e nada supera isso

Imagem de capa: Vadven, Shutterstock

Nada supera a tranquilidade de repousar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Uma paz que veio depois de muito tempo e de muitas quedas. Porque, às vezes, podemos passar a vida inteira procurando pessoas para perdoarmos, mas nenhuma delas importa tanto quanto o nosso próprio perdão.

Não há o porquê de tirarmos méritos do perdão ao próximo. Sempre será importante colocar-se no lugar do outro. Tentar entender e reconhecer atitudes e falas que fizeram determinada pessoa cometer um erro que nos abalou a confiança e coração. Ainda assim, muitas vezes já vínhamos carregando erros dos quais nos arrependemos. Gestos passados que, vez ou outra, assombram-nos durante o sono. Não perder de vista o autoconhecimento é fundamental para encontrar calmaria. Saber reservar para si momentos de contemplação e silêncio. Tudo isso diminui o peso dos ombros e traz fôlego ao corpo cansado.

O perdão não tem nada a ver com passar uma borracha por cima de alguma história. Também, nem sempre é sobre seguir em frente e fingir que nunca aconteceu. Perdão é enxergar dentro de você no meio da tempestade, onde ninguém pode mostrar o caminho para mares mais pacíficos. Não existe solidão sem perdoar. Não existe estar com alguém sem perdoar. Perdões significam movimentos contínuos para quem está interessado em evoluir como ser humano.

Outro dia desses, finalmente percebi que não precisava mais medir sentimentos perto dos outros. Finalmente entendi que, para ter um mínimo de felicidade e vontade de viver, deveria parar de me preocupar em quantas desculpas posso ouvir e dizer. Felizmente enxerguei que, antes de nutrir qualquer relação, o foco ainda sou eu. Para isso, me perdoar foi a melhor coisa que já fiz e nada supera isso.

É a única cura que sempre importou.

Nosso primeiro direito é uma segunda chance.

Nosso primeiro direito é uma segunda chance.

Imagem: Kar Tr/shutterstock

Ahh… moça. Eu que tanto te vi e não enxerguei, que te ouvi sem escutar, que fui tão longe quando estavas perto, eu que tanto passei e te deixei passar, eu acredito no amor à segunda vista.

Vieste fazendo festa, revirando a casa, ganhando o dia, bagunçando a noite. Foste aragem na tempestade, foste um remanso, uma brisa, um sonho leve. Mas eu dormi pesado, acordei e tu já eras lembrança.

Neste mundo corrido, amamos nosso amor à primeira vista como dois trens-bala japoneses, passando um pelo outro em sentidos contrários. Breves, rápidos, opostos. E sumimos um em cada canto, distantes, estranhos, desconhecidos.

Mas eu queria, moça, ahh… eu queria uma segunda vez. Queria tropeçar na lâmpada de um gênio desavisado, generoso, e libertá-lo em troca de três desejos realizados: ia pedir para te conhecer três vezes. Juro! Teria três chances de esperar teu amor na porta, abraçá-lo como a um velho amigo, convidá-lo a entrar e ficar para sempre.

À primeira vista o amor engana. A gente não vê o que faz, não entende o que põe a perder e não sabe o que perde. É preciso olhar de novo, amar de novo, fazer melhor que antes.

O tempo é breve, eu caminho na lua e tu sabes: quem olha muito o céu vez ou outra perde o que passa aqui embaixo. E eu me atrasei em tua festa. Eu que tanto te vi chegar e te deixei partir. Eu que te amei sem te saber. Eu que te achei não lembro onde. Eu que te perdi e não esqueço. Eu que sonho em te ver de novo. Eu que acredito, ahh… eu acredito no amor à segunda vista.

Mudar o foco. Olhar além… Porque jeito, sempre tem!

Mudar o foco. Olhar além… Porque jeito, sempre tem!

Puxa vida! Tem épocas na vida da gente que parecem verdadeiros testes de resistência, de paciência e de virtude também. Quem já esteve naquele lugarzinho que fica pra baixo do fundo, onde ninguém é capaz de nos enxergar, sabe sobre o que estou falando.

O mais curioso e triste é que nessas horas aparecem milhares de pessoas anônimas prontas para comentar, criticar e apontar o dedo. E é claro que tudo isso é feito à nossa revelia, por trás, pelas costas.

Quem sabe se os “comentaristas de plantão” tivessem coragem de tecer suas opiniões bem na nossa cara, essa afronta ao menos não nos servisse de estímulo, posto que desaforos sinceros e honestos têm lá sua utilidade; tiram a gente do poder incapacitante da dor.

Ahhhhh, mas isso é uma raridade. Enquanto a gente luta para reverter uma situação de perda, ou erro, ou deslize, a plateia se avoluma na mesma proporção em que desaparecem os verdadeiros amigos.

O fim de um relacionamento, o afastamento de um amigo, uma desavença familiar, a perda de um emprego, a falência de um projeto, há inúmeras situações de quebra que podem nos atingir. E, é bom que se diga, nenhum de nós nasceu vacinado contra catástrofes, sejam elas pequenas ou devastadoras.

É fato que uns pelejam mais que outros. Mas a peleja é parte da vida. É ao sobrevivermos às provações que vamos descobrindo dentro de nós novos recursos para dar outros sentidos à nossa existência, outros talentos, outros jeitos de sorrir. A humildade é matéria-prima indispensável para dar a volta por cima, por baixo, pelos lados, por onde for.

Absorver o tombo, verificar os danos e as perdas, cuidar das feridas, dar tempo aos hematomas para que se dissolvam e virem apenas uma lembrança. E se houver cicatrizes, que elas sirvam para nos lembrar que apesar do desastre, nós ainda estamos aqui. Mudar o foco. Olhar além… Porque jeito, sempre tem!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “O quarto de Jack”.

Lições que aprendi com Rafaela, 3 anos de idade

Lições que aprendi com Rafaela, 3 anos de idade

Imagem: Yuliya Evstratenko/shutterstock

Eu não sei se você tem filhos pequenos. Eu tenho netos pequenos. E tenho a Rafaela, com 3 anos de idade.

De vez em quando sou surpreendida pelas lições de vida que as crianças me dão, assim de graça, aproveitando o fator surpresa do cotidiano.

Já se sabe que a criança é egoísta por natureza, e que nós, adultos, somos professores de generosidade das crianças, mas existe aquela hora inesperada em que os papeis se invertem, e o adulto recebe a aprendizagem da lógica infantil que ainda não conhece o mecanismo dos pensamentos estruturados.

Evidentemente, não espere teorias complexas ou didáticas planejadas. Não espere uma aula com pormenores completos e acabados. Aguarde por pinceladas de um olhar inaugural que renovarão a sua mente da mesmice dos pensamentos e dos olhares acostumados.

A aprendizagem acontece no susto. Ou na sutileza de uma revelação. Nada muito elaborado com princípio, meio, e fim. Mas se você acreditar no poder da sabedoria inata da criança poderá ser surpreendido por uma conclusão poética, chocante, original, magnânima, e um tanto quanto surreal.

Estávamos no parque. Enquanto ela balançava, docemente, e eu assistia, um pouco ausente, vieram à minha mente desejos de consumo, incompatíveis com a cidade onde moro. Uma danada de uma tristezinha crônica. Uma vontade de variar a rotina, com coisas que eu não podia.

Era sábado de manhã, e eu pensei que gostaria de fazer um programa cultural, no fim da tarde, mas infelizmente, a minha cidade de 20 mil habitantes não permite. Nem um cinema, nem um shopping com uma boa livraria, nem um único centro gastronômico para comer uma comida diferente. Nem praia, nem montanha, nem vales, nem rios, nem nada. Nadica de nada. Quase sempre não há nada para fazer aqui.

Eu queria muito saber o que qualquer pessoa me diria sobre uma vida sem lazer. Sobre anos sem lazer. Não havia ninguém comigo, mas havia a Rafaela. Perguntei:

– Rafaela, você gosta de morar aqui?
– Eu não moro aqui, eu moro na minha casa. – ela pensava que eu me referia ao parque.
– Eu quero saber se você gosta de morar nessa cidade.
– Eu não moro na cidade, eu moro na minha casa. Sabe aquela rua ali, – apontou com o dedo- você vai por ali, e tem aquela subida ali, e quando chegar ali em cima, tem a minha casa, é ali que eu moro.
-E você gosta de morar na sua casa?
-Eu gosto. Tem o papai, tem a mamãe, tem o Niko, tem a Nina, tem os meus brinquedos, tem o vovô, tem a vovó, tem tudo lá! Nessa lógica cartesiana tão real, fez-se a epifania.

Primeira lição: nós não moramos na cidade, moramos na casa.

A cidade não é mais importante do que a casa. A casa é o lugar que nos acolhe. Não é o teatro, não é o shopping, não é o parque, não é o restaurante, não é o cinema. O ponto estratégico do mapa que mais importa, o lugar para o qual voltamos, vezes seguidas, é a casa.

A casa é o lugar de voltar. Quem tem uma casa para voltar, tem um refúgio para se esconder, um local preparado para se abrigar do calor, do frio, do vento, da tempestade, dos perigos de um mundo hostil. Um lugar para descansar e estar em paz.

Ninguém mora na cidade, de maneira estrita. Moramos na casa, e, por isso, para o nosso bem estar, a cidade não pode ter importância maior do que a casa.

E quando digo “casa” agora penso no lar e nos afetos que ela abriga: a nossa família, os nossos gatos, os nossos cachorros, as nossas plantas, os nossos livros, os nossos temperos, as nossas benquerenças, e tudo o que é importante na rotina dos nossos dias.

De que me adiantaria morar em São Paulo, embaixo do Viaduto do Chá?
Ou em Nova York, sob uma marquize, na 5thAvenue?
Ou em Paris, na Champs Elysée, sob o Arco do Triunfo?
Ou em Madri, na Gran Via, na bifurcação mais famosa, entre as duas calçadas, ao relento?

Aprendi. Não posso esquecer o que aprendi. E se esquecer, preciso me lembrar de que não posso esquecer de me lembrar.

Em outra ocasião, Rafaela estava na escola, e o coleguinha mordeu-lhe o braço. Mordeu com tanta força que deixou uma marca roxa e a arcada dentária tatuada por vários dias. Parece que houve uma disputa por um brinquedo, e o imbróglio resultou nessa agressão.

Conheço a Rafaela. É portadora de uma agilidade de gato quando disputa algo do seu interesse. É irritante disputar com ela: eu perco todas! Só ganho na força, mas na agilidade, ela sempre ganha, e depois disso tenho que travar uma luta corporal para conseguir reaver o objeto proibido.

Com certeza, foi o que houve: irritou o menino até à sua capacidade máxima, e para não perder a disputa, o garotinho partiu para cima com a única arma que tinha: os dentes.

Mas, confesso: não gostei de vê-la com a marca no braço. Ficou uma dor funda. Cada vez que o meu olhar batia ali, eu sentia que, em algum momento da vida, ela precisou da minha proteção, e não encontrou. Para uma avó essa é uma falta imperdoável.

Perguntei o nome do agressor. Guardei. Odiei não o menino, mas a agressão. Fiquei ligeiramente indignada. Pensei: se depender de mim, quando for adulto, ele nunca se casará com ela, e se casar, o enquadro na Lei Maria da Penha, nem que seja daqui a 20 anos.

Alguns dias depois, marcas apagadas, Rafaela quis fazer a lista de convidados para a festa de terceiro aniversário. Peguei papel,
caneta, e disse: – pode falar.

Ela estava empolgadíssima por me ver anotando nome a nome. Quem foi o terceiro ou o quarto nome da lista da Rafaela? O agressor, o Mister Dentadura, aquele que eu gostaria de enquadrar na lei Maria da Penha.

Gritei horrorizada:
– Esse não!
– Esse sim, vovó, ele é meu amigo!
– Rafaela não foi esse que mordeu o seu braço?
– Foi, mas já sarou.
– Não interessa que já sarou, esse menino pode te morder de novo, fique longe dele, é melhor não convidar.
– Convido sim, vovó, ele não vai morder mais, ele é bonzinho, foi só aquela vez.

Segunda lição: Foi só aquela vez!

Guardadas as devidas proporções, errar é humano, mas perdoar é para sempre e eternamente, divino. Não apenas aos 3 anos, mas também aos 30, 40, 60, e 90. Um momento de cabeça quente, não pode ter força para apagar todos os bons momentos das vinte e quatro horas de um dia comum, de um mês comum, de um ano comum, de uma vida comum.

Se você “morder ou for mordida”, uma única vez, pratique o perdão, dê o perdão, receba o perdão.

Então, é isso: uma criança pode ser um anjo que Deus envia para nos ensinar a ser mais gente. Mas para aprender com uma criança, você precisa ter alguma experiência com o Deus das crianças.

É imprescindível ter canais abertos para captar a linguagem celestial que é fugaz como um relâmpago que brilha no limiar da consciência, e vai embora.

Pegou, pegou. Não pegou? Não pega mais. Não, naquele momento. Talvez, em outro, quando você estiver mais atenta e preparada para captar os instantâneos do céu.

“Deixa partir o que não te pertence mais”

“Deixa partir o que não te pertence mais”

Imagem: Janpen Boonbao/shutterstock

Há uma semana, chegando ao fim do ano, uma amiga querida conversava comigo. Superando o fim de um casamento, disse que seu maior pedido para o ano novo era não pensar mais na pessoa que se foi.

Em silêncio orava a Deus pedindo para esquecer e seguir seus dias sem a presença do ex marido em seus pensamentos. Concordei com minha amiga e, à distância, tenho orado por ela também. Para que consiga esquecer. Para que a lembrança dos dias felizes seja só uma recordação, não um aviso luminoso reafirmando sua dor. Para que enfim ela deixe partir o que não lhe pertence mais.

Assim como minha amiga, muita gente precisa sepultar os castelos que já foram derrubados, as sementes que não germinaram, as despedidas que se concretizaram.

Com ou sem o nosso consentimento, muita coisa morre em nossa vida. E é preciso força e lucidez para se despedir. Para aceitar o fim de uma estação e o começo de outra. Para desligar-se do que não existe mais e ter olhos atentos e coração aberto para o que quer nascer e florescer em nossa vida.

É preciso aprender a se despedir. Aprender a libertar certas pessoas ou situações de nossos laços, mesmo doendo, mesmo partindo. É preciso se transformar por dentro. Fazer de todos os dias a oportunidade de seguir em frente comungando do amor próprio e da alegria de saber-se inteiro, cheio de bênçãos, cheio de novas possibilidades.

Neste ano que se inicia, peça a Deus um coração tranquilo. Um coração que aceita o que lhe foi reservado e comemora com ternura o que já conquistou.

Porque nem todos os caminhos sonhados se concretizam, e é preciso suportar as ausências, falhas e faltas que fazem parte da vida de qualquer um. Ter sabedoria para lidar com o que se despediu sem que a gente quisesse é a chave para amar a vida que se tem.

Já vi muito coração partido doer mais que joelho esfolado, e isso me dá a certeza de que deixar morrer um amor de dentro de nós leva tempo e alguma insistência; requer força de vontade e muita paciência.

Não é de uma hora pra outra que para de doer. Não é instantaneamente que a gente deixa de pensar. Mas é preciso deixar o tempo fazer seu papel e a vida lapidar as desistências.

Algumas coisas morrem sem o nosso consentimento, mas ainda assim a gente sobrevive. Ainda assim a gente continua e aprende a ser feliz de um jeito novo, de uma maneira que nos surpreende pela claridade e possibilidade.

Permita-se ser feliz e autorize que sua dor seja curada. Porque a gente se apega às dores também, e se acostuma silenciosamente ao sofrimento pela falta de alguém.

Espero que minha amiga consiga realizar seu desejo. Que afugente a dor e seque o pranto. Que deixe partir o silêncio, o desalento e toda mágoa. Que se desapegue das intenções não correspondidas, das reticências indecisas, dos sonhos que desistiram de cumprir seu destino. E que, principalmente, deixe morrer o medo de descobrir o que há por trás das novas janelas que começam a se abrir. Feliz tempo novo!

Narcisistas são uma fraude ambulante.

Narcisistas são uma fraude ambulante.

Imagem: Cressida studio/shutterstock

É muito comum, após o término de uma relação com perversos narcisistas e antissociais, descobrir que levam uma vida dupla ou múltipla. Descobre-se que são viciados em prostituição, que suprimem a própria homossexualidade se comportando como homofóbicos, que são promíscuos, que não têm a formação que afirmavam ter, que eram casados, que não trabalham onde diziam trabalhar, que são golpistas vindos de outras situações abusivas, etc.

É preciso estar muito atento aos sinais iniciais para não cair nessa cilada. Um sinal é, com certeza, o fato que, não raro, dentro dessas relações, somos procurados por ex, pessoas desesperadas tentando alertar você, o novo alvo, sobre o que está por vir. É claro que, quase sempre, essas pessoas serão vistas como loucas ciumentas querendo estragar a relação linda que você está vivendo.

A propósito delas, tenho o hábito de dizer que, quando você começa a detectar comportamentos estranhos, saber a versão de alguém do passado quase sempre lhe dá um panorama completo de quem você realmente tem diante dos olhos. Contudo, enquanto procurar alguém do passado pode ser útil, não sugiro que ninguém vá procurar o novo alvo, pois isso será recebido com desconfiança e você será alvo de chacota do “casal” e de todos a quem farão questão de contar que “você veio atrás”. Você não precisa dessa exposição e humilhação. Deixe que a pessoa, quando a começar cair na real, busque contato. Acredite, quase sempre isso vai acontecer.

Voltando a questão inicial, quando se é surpreendido com a realidade sobre esses tipos, a sensação de desespero, engano e injustiça pode ser incapacitante. Eu sei bem como é, mas por mais tentada que esteja a ir tirar satisfação, posso lhe dar apenas uma orientação: ao deparar-se com a realidade dos fatos NÃO adianta tentar desmascará-los. Essas pessoas são capazes de distorcer a verdade a tal ponto que você sairá da conversa se achando uma pessoa maluca, exagerada ou culpada, pronta a entender e perdoar.

Ele negará e inverterá, mas se não tiver como negar, se fará de vitima e dará uma desculpa comovente para as mentiras reiteradas, dizendo que, ou queria “preservar” você de algo ou a culpa foi sua por ele ter escondido aquilo. Se isso não colar, terá ataques de fúria porque você ousou bisbilhotar em sua vida.

Não há coisa mais temida por um perverso narcisista do que ser desmascarado; ser exposto diante de você ou dos outros; ter sua máscara imaculada, moralista e dona da verdade, arrancada. Ele não vai tolerar seu atrevimento e, mesmo que finja que errou e peça uma nova chance, num piscar de olhos se vingará de você por ter ousado a vê-lo como verdadeiramente é. Dar essa nova chance é expor-se para mais abuso, não faça isso.

Não há outra saída: está diante de uma realidade muito feia? ACEITE os fatos. Você se envolveu com alguém maligno, sem escrúpulos. Você se envolveu numa FRAUDE AMOROSA. É isso. As promessas, os planos, tudo faz parte do mundo de faz de conta perverso e grandioso em que esses tipos vivem.

É difícil, dolorido? Eu sei muito bem que é, mas aceitar esse fato sem tentar ir atrás de conserto é o único caminho para cessar o abuso imediatamente. Todas as suas tentativas para consertar um mundo de mentiras vai resultar em mais mentiras, engano, abuso e dor.

E como se faz isso? Da mesma forma que esses tipos fazem: de repente, sem nenhuma explicação, de forma fria, abrupta mas, diferente deles, sem JAMAIS olhar para trás. CORTE tudo o que ligar você a essa fraude. Se tiver filhos, tome todas as decisões em juízo, jamais verbalmente, e minimize ao INDISPENSÁVEL o contato.

Concentre-se apenas em reconstruir sua vida de toda a devastação deixada e ir em busca da felicidade e identidade da qual precisou abrir mão enquanto naquela relação. Somente sua rejeição, indiferença e felicidade são capazes de castigar uma pessoa com esse perfil.

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Somos aventuras, juras e promessas

Somos aventuras, juras e promessas

Essas palavras são do coração, moça. Somos além das incertezas, encantos. Somos maravilhas daquelas que quem não conhece, reconhece. Somos um mundo de possibilidades e verdades. Somos aventuras, juras e promessas. Ah, como somos.

Somos aventuras das mais loucas. Para nós, um dia qualquer é tudo o que precisamos. A preguiça de um domingo não incomoda. Tanto faz e tanto fez se nada estiver passando na programação. Os pés em encontros debaixo das cobertas e um cardápio de vontades no colo é o que queremos. Enquanto o mundo segue correndo para viver, vivemos abraçados no nosso mundo. E sorrimos, dançamos e dormimos na mesma intensidade dos blocos de carnaval. Somos cheios de amor sem cotas afetivas.

Somos juras das mais bobas. Para nós, um carinho qualquer é tudo o que pedimos. A correria da semana não nos afasta. Tanto faz e tanto fez se os trabalhos estiverem amontoados na agenda. Criamos um tempo fora do calendário. Segundos e minutos já sabem os caminhos que levam aos nossos lábios. Enquanto o mundo disputa relacionamentos passageiros, apostamos em quantos beijos perderemos a noção da hora. E estamos, ficamos e fomos na mesma direção. Somos cheiro de cumplicidade e há quem diga que não.

Somos promessas das mais sinceras. Para nós, um até logo qualquer é tudo o que aceitamos. A saudade é motivo para fazer tudo de novo. Tanto faz e tanto fez se os amantes são considerados clichês. Temos orgulho da nossa história. Enquanto o mundo insiste no amor equacionado, escrevemos “eu te amo” sem porquê e explicação. Dizemos, gritamos e escutamos no meio da multidão. Somos gosto de poesia, já aviso de antemão.

Essas palavras são do coração, moça. Somos além dos desencontros, encantos. Somos seres transbordantes de felicidades. Somos românticos, quem não conhece não pode sequer imaginar. Somos instantes de presentes e verdades. Somos aventuras, juras e promessas. Ah, que bom que somos.

Imagem de capa: The Notebook (2004) – Dir. Nick Cassavetes

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