Às vezes, sentimos falta de ter alguém ao nosso lado, que acompanhe essa caminhada da vida com a gente. Alguém que seja apoio nos dias ruins e que nos encoraje quando precisamos de coragem.
Por mais que nos declaremos suficientes e que tenhamos certa independência, no final do dia, no fim da noite, ou ao ver a foto de um casal estampada nas redes sociais, sentimos aquele desejo de ter alguém não para completar, mas para transbordar.
Eu entendo que, depois de tanto acreditar, a gente cansa de se recompor e de achar que agora irá dar certo. Cansa de fazer morrer os sentimentos que brotaram e de tocar a vida depois de uma decepção.
Mas a carência, aquela ânsia de ser amado(a) e de dividir a vida com alguém, pode nos levar a ver amor onde não existe. Ela pode confundir um simples oi com interesse. Uma ignorada com joguinhos, como se o outro de fato estivesse interessado, quando, na verdade, é só desinteresse mesmo.
Sempre que alguém diz que não quer namorar, de fato, ele(a) não está fazendo jogos para testar a sua paciência ou provar o quanto você gosta. Quando aceitamos a realidade, não nos deixamos guiar por hipóteses que não nos levam a nada, a não ser a frustrações.
Cuidado, porque alguém pode estar só interessado na sua aparência e não veja a sua alma bonita, não reconheça o quanto você é forte e não irá segurar sua mão nas tempestades. Não se iluda com a ideia de que alguém pode, de fato, “mudar de ideia” em relação a se comprometer e que, talvez, conhecendo-o melhor, convença-se de que assumir um compromisso é a melhor opção.
Não se envolva com quem oferece metades, com quem não se compromete em nada e que vive dando desculpas. Não tente achar o amor nas entrelinhas que só você consegue enxergar. Não veja amor no “oi sumida”, não veja como um tempo para conquistar as falas que esbanjam “esse não é o meu tempo, mas você é incrível”; não se prenda a isso, não, porque é cilada.
Quem quer dá um jeito, quem não quer dá desculpa. Cuidado, porque a carência transforma amizade em amor. A atenção – mesmo que mínima – em cuidado. Ela vê graça em falas que não refletem nenhum sentimento. A carência faz você acreditar que merece muito pouco, quando de fato você merece muito.
Ninguém há de negar que muitas pessoas são adeptas da ideia de que os fins justificam os meios, não importando quais meios sejam usados, se éticos ou não. Numa busca desenfreada por seus objetivos, os quais tão somente envolvem aquisição de bens materiais e grau alto na hierarquia do trabalho, muitos passam por cima de valores morais, atropelando quem quer que pensem se encontrar no meio desse caminho.
É como se não pudessem fugir à máxima de que “a ocasião faz o ladrão”, uma vez que a vaidade e ambição então se aliam, em prol da realização daquilo que se quer, a todo custo, a qualquer preço. Para esses indivíduos, não existe outra forma de subir na vida a não ser focando exclusivamente seus esforços no objetivo, o qual deve ser a meta única e final de suas vidas, ainda que se machuquem ou se distanciem da vida de outras pessoas nesse caminho.
Esse tipo de gente parece não se apegar emocionalmente a ninguém, uma vez que qualquer um é visto como um concorrente, ou seja, um inimigo potencial. Assim, fica mais fácil mentir, trair, envolver o outro em fofocas, passando por cima de suas cabeças, sem dó, sem pensar duas vezes e sem olhar para trás, nem ao menos para checar os estragos deixados no rastro de suas ardilosas falcatruas.
Por essa razão, jamais possuirão um comportamento minimamente coerente, pautando suas ações pelas máscaras que lhes servirão aos escusos propósitos, aparentando cordialidade somente com quem possa lhes trazer algum privilégio na contrapartida. Não raro, cortejarão seus superiores, mostrando-se extremamente solícitos e competentes, leais e transparentes, até o momento exato em que possam derrubá-los, pois querem o seu lugar.
É preciso, pois, muita cautela com os bajuladores de plantão, visto que muitos deles estão esperando apenas o momento mais apropriado para usar contra nós tudo o que fizemos e/ou dissemos, principalmente aquilo que eles ouviram às escondidas e espalharam por aí, pelos ouvidos das pessoas mais mexeriqueiras com quem convivem.
Fato é que nosso coração, no fundo, sabe bem quem nos estima com verdade e intenções positivas, e serão estes que não medirão esforços para nos ajudar, não importando a posição que estivermos ocupando. E serão estes que deveremos manter junto, sem receio, sem hesitação, todos os dias.
A lei do galinheiro dita que as aves que estão no poleiro de cima fazem o que bem desejam sem se importar com o que acontecerá no poleiro de baixo.
Não é uma lei tão desconhecida nossa, embora não sejamos galos nem galinhas enclausurados num cercado de arame.
O curioso é ver como essa lei tão sem lei é aplicada na vida da gente, e ainda mais triste, muitas vezes por quem a gente ama e admira. E, por costume ou resignação, vamos trazendo conosco a desvantagem de viver nos andares inferiores, aguardando o que nos cai na cabeça.
A lei do galinheiro não é justa, não é boa, não é educativa.
Mas ela existe nas relações de amor. Ela existe e é forte, a ponto de ser quase imperceptível e aceita como normal, principalmente nas relações de dominação.
Ela também existe nas relações profissionais, muitas vezes evoluindo ao status de rinha. Nas relações de amizade, onde há mais obediência do que companheirismo. Nas relações familiares, com vários níveis de poleiros e vários galos a disputar o mais alto.
Por fim, uma lei tão desprezível e revoltante, se aplica a muitas situações que sequer desconfiamos e vamos convivendo, achando normais os detritos que caem sem nosso consentimento, como os desrespeitos, os preconceitos, os julgamentos hipócritas, as mais loucas interferências e intervenções.
Mas, se a gente consegue identificar uma condição dessas, é hora de aplicar a lei da igualdade, mesmo que a duras penas (sem trocadilhos). A lei do galinheiro não é justa nem mesmo para galinhas e galos, e não seria portanto, melhor para nós.
Sempre será momento de lutar pelo próprio espaço, pela própria voz e por respeito, independente do tipo de relação e das regras a ela aplicadas. Regras e leis só são boas quando são justas para todos.
A lei do galinheiro existe porque ainda é aceita como válida por muitos de nós. Para cair, basta alinhar os poleiros.
Você pode amar a ponto o doer o peito, sentir saudade em um nível hard e não conseguir imaginar a viagem de fim de ano sozinho, mas, nunca, nunca mesmo, peça para alguém ficar na sua vida.
Conselho dado, agora vamos às provas reais que comprovem o fato: quando alguém se mostra interessado por nós, automaticamente, nosso ego cresce e começamos a prestar mais atenção naquela pessoa que, antes, nunca tínhamos notado.
A partir daí, se a pessoa for equilibrada e tranquila, a probabilidade do relacionamento passar de casual para algo mais sério é grande. Porém, se a pessoa pula os estágios da sedução, do flerte, do conhecimento e parte para um “amor eterno”, mostrando-se um psicopata em potencial, corremos dela como um maratonista na São Silvestre.
E por quê? Porque não damos valor a nada que é muito fácil e que demonstra desequilíbrio emocional. Simples assim!
Entenda a diferença: pessoas legais são legais. Pessoas legais demais são insuportáveis! Pronto!
Cá entre nós, ninguém quer ao lado uma pessoa que exala insegurança, que sirva de GPS e que pergunte o dia inteiro se você está com saudades. As pessoas gostam de se sentirem seguras, amadas e respeitadas dentro do seu próprio espaço. Freud dizia que ficamos fortes quando estamos seguros de sermos amados. Então, desacelere e deixe as coisas fluírem naturalmente.
Esqueça esses amores inventados que nos fazem acreditar que para merecer um grande amor devemos lutar por ele até a morte. Primeiro que o amor acontece naturalmente, segundo porque acontece de forma recíproca.
Um relacionamento só é bom, quando desperta o melhor que podemos. Se sair disso, é sinal de que você está fugindo da própria companhia e jogando no outro a responsabilidade em ser feliz. E, francamente, se você se encontra nesse estágio, você não está disponível para amar.
Não importa o que os outros digam ou te aconselham. Não importam as piadinhas do estilo “vai ficar para titia” ou as filas dos pretendentes apaixonados. Para estar bem com alguém, você precisar estar, primeiro, melhor sozinha.
Não tenha pressa de amar. Deixe partir quem não quer ficar, para que você não perca a vontade de viver um verdadeiro amor, porque um falso acabou indo embora.
Olhe em volta. Tantos sorrisos para conhecer, tantos cafés para tomar, tantos lugares para conhecer e você aí, insistindo em carregar quem não merecia nem sua carona.
As pessoas confundem estar solteira com estar carente ou estar sozinha. Acham que todo mundo que não está em um relacionamento necessariamente sente falta de ter alguém.
Às vezes, precisamos de um tempo a sós, um tempo para rever nossas prioridades, nossos planos. Como posso querer entrar em um relacionamento desacreditando tanto do amor desse jeito? Como posso querer alguém ao meu lado, se estou cansada de olhar ao meu redor e de ver relacionamentos fracassados por falta de fidelidade, pessoas trocando joias por bijuterias, trocando um amor de verdade por uma atração fajuta.
Como eu posso pensar em entrar em um relacionamento, vendo tanta gente machucada por esse legado do “amor”? Acreditando que amar é necessariamente sofrer? Vejo tanta gente sendo enganada, corações sendo destruídos sem dó, que, às vezes, não ter ninguém é uma forma de se defender dos possíveis machucados.
Vejo tanta gente confundindo amor com apego, desistindo do amor por qualquer coisa e trocando gente de valor por gente que não valoriza, que acreditar em compromissos tem se tornado cada vez mais difícil.
Eu sei, eu posso não ter nada a ver com isso, mas eu já fui atingida por mentiras e meu coração já foi alvo de enganos, deixando-me em pedaços e eu me recompus. Não foi fácil, acredite. Levei fama de durona, como a tal coração de pedra, e diziam que eu escolhia demais.
Mas ninguém conseguiu ver a dor que estava por detrás de tudo isso, ninguém viu o coração que, embora pulsasse, estava quebrado, tentando se recompor, a passos lentos, daquelas promessas falidas. Ninguém entendia que esse lance de não querer ninguém era uma forma de me defender da dor e que, depois de um tempo, não querer me envolver era uma forma de não me decepcionar, o que, por sinal, funcionava muito bem.
Não é fácil ter um coração quebrado, assim como não é fácil se recompor. Tem dias em que a dor faz morada e joga a chave fora, não conseguimos sair e ficamos enclausurados nos nosso passado. Tem dias em que você chora sozinho e tem medo de não conseguir viver nunca uma história dessas bonitas que vemos por aí. Dessas histórias em que tem respeito, que tem amor, que tem paciência e lealdade e que a gente acaba achando ser apenas histórias, distantes da nossa realidade.
Eu não posso curar a minha dor machucando outra pessoa, não posso tornar isso um ciclo vicioso de tentar, tentar, machucar e reparar o erro. Depois que me permiti viver esse tempo, buscando sugar tudo o que há de melhor, estou melhor. Venho lendo livros novos, descobrindo umas séries incríveis, novas aptidões, vendo o quanto eu sou forte e capaz de alcançar os meus sonhos e como a caminhada até o sucesso é longa.
Não estar com ninguém, por medo de ficar só ou por carência, é a prova de que amadureci. Então, não me peça para aceitar qualquer coisa, ou para me entregar ao primeiro abraço. Cansei de ser guiada pelo coração, cansei de me deixar levar pela aparência, não quero mais viver uma mentira e sofrer as consequências dos meus enganos.
Eu não quero um amor raso, dessa vez eu quero mergulhar. E sim, enquanto eu não sentir que posso dar um passo à frente, eu vou permanecer aqui, como estou. Primeiro, eu preciso conhecer a mim, antes de conhecer alguém. Primeiro, eu preciso estar inteira, pois não posso ser metade. Primeiro, eu preciso estar segura, para, depois, poder confiar em alguém.
Sabe quando aquele vendedor passa e você diz: Hoje, não, obrigada? Quando me falam de relacionamento eu digo o mesmo: Hoje, não, obrigada. Mas, se você quiser, volte amanhã. Não há nenhum erro em não ter ninguém, mas há todo erro do mundo em ter alguém só pra preencher vazio, só pra matar a carência e, se for para viver uma história de erros, eu prefiro viver a minha, assim, porque estar solteira e feliz me ensinou a ser mais exigente.
Com menor ou maior frequência, sempre haverá aqueles dias em que desejaremos jamais ter saído da cama, em que nada parecerá dar certo, em que nada do que dissermos será entendido como queríamos, em que nada nos fará sorrir. Muito do que nos acontece é resultado de nossas próprias ações, mas também seremos importunados por todo tipo de gente que não fará outra coisa a não ser perturbar a paz de qualquer um.
Um dos maiores favores que poderemos fazer a nós mesmos, nesses casos em que alguém se encarrega de carregar o ambiente com fofoca e outros tipos de maldade gratuita, sempre será lutarmos contra a nossa vontade de explodir, para que não nos desequilibremos por conta de seres desprezíveis. Quanto mais esquentarmos a cabeça, quanto mais tentarmos esbravejar e mostrar descontentamento, menos fortalecidos ficaremos, uma vez que o esgotamento emocional acaba por trazer danos também ao nosso físico.
Tentar argumentar com quem não ouve ninguém além de si mesmo sempre será uma tarefa inglória e qualquer batalha que tentarmos travar contra suas maledicências não surtirá resultados dignos, uma vez que essas pessoas só trazem sujeira e inverdade aos ambientes, pois é somente isso que possuem dentro de si, é somente isso que têm a oferecer. Jamais conseguirão assumir o mal que carregam, simplesmente porque não possuem caráter suficiente para arcar com o que dizem e/ou fazem.
Apesar de se tratar de um esforço sobre-humano, manter a calma, o ar de que não percebemos nada nem nos importamos com as tramoias alheias nos poupará de muitos dissabores e de atitudes inúteis de tentar por em ordem a desordem moral de quem age sem pensar nos sentimentos de ninguém. Porque quem age de forma vil e antiética tem o coração vazio, sendo incapaz de demonstrar arrependimento e de pedir desculpas a quem quer que seja, afinal, posam como se nunca fossem culpados de nada.
Leva muito tempo para nos acalmarmos, após termos entrado em meio a tempestades que não foram por nós provocadas, ou seja, sabermos nos desviar dos contratempos que envolvem inverdades sobre nós, enquanto mantemos o semblante em estado de serenidade, é a atitude mais adequada a ser tomada. Não tem outro jeito, aliás, não existe nada melhor do que voltarmos olhos serenos na direção dos redemoinhos em que os próprios infelizes se afogam sozinhos.
Ken Loach foi além, como há muito tempo não o fazia. “Eu, Daniel Blake” é merecedor das nossas palmas, mas também da nossa atenção. Isso porque o veterano cineasta inglês arregaça as inúmeras burocracias do Estado, onde o cidadão de bem dificilmente é ouvido e contemplado nos seus direitos. É um filme sobre a falta de sentimentos e respeitos que, ironicamente, pagamos para não termos.
O roteiro escrito por Paul Laverty é mais uma parceria de Loach que discute os problemas dos cidadãos impedidos, maltratados e ludibriados pelo governo. Esse, responsável em nos prover segurança, liberdade e bens básicos para sobrevivência. Ignorar qualquer aspecto sentimental seria injusto porque a produção é respaldada, em cada diálogo e plano-sequência, na mais profunda imersão da relação entre os poderes públicos e civis. Mas antes que esta reflexão acarrete pensamentos distorcidos ou isentos de fatores importantes, precisamos entender, nada disso ocorre sem o nosso aval, sem o nosso silêncio.
Loach já havia atentado anos atrás sobre essa relação desumana com a qual trabalhadores são escravizados em Pão e Rosas (2000), que mostrava a luta de duas irmãs mexicanas numa América altamente fervorosa contra imigrantes. Infelizmente, nada mudou muito após dezessete anos. Em “Eu, Daniel Blake”, o embate continua, mas agora na pátria mãe do cineasta. Isso mostra que, independente do país, ainda existem mecanismos e obstáculos criados para desistências de benefícios fundamentais para uma vida digna de qualquer um. E isso nada tem a ver com argumentos e regras necessárias para uma manutenção do Estado ou mesmo para controle, mas concebidas unicamente com o intuito de separar tantos Daniel´s quanto de Katie´´s – mãe de dois filhos, excludente do sistema, do afeto.
O entristecedor é que continuamos sendo desfalcados a cada interesse do Estado em tapar o sol com a peneira. Queremos fazer o certo do jeito errado e quem sofre somos nós, pais, mães, solteiros, aposentados, negros, homossexuais, trans e todas as classes que estejam cuidadosamente destacadas por uma caneta qualquer em um formulário qualquer, seja ele físico ou digital.
“Eu, Daniel Blake” é o tipo de filme que não adianta copiar e colar a sinopse. Que não adianta deferir elogios e bater palmas. Esse é o tipo de filme que você precisa chegar e assistir. Fazer essa escolha consciente, interessada e aberta, pois estamos nos aproximando da barbárie e da subjugação entre quem pode e merece algum sentimento, algum alento. Loach e Laverty realizaram um abrir de olhos e coração, mas enganam-se quem pensam ser uma mensagem de protesto unicamente ao Estado. A mensagem é destinada também a todos os dissidentes dessa violência que chega quando mais precisamos e, certamente, não pedimos.
A paciência sempre foi o meu ponto forte! Aliás, o meu ponto mais forte! Entretanto, tem uma coisinha que anda tirando o meu estado perene de paz: gente que se faz de coitadinha!
Parece haver um surto de vítimas do destino e há uma outra proliferação endêmica de textos na web, escritos para alimentar nas pessoas essa sensação de ser um eterno perdedor.
O discurso é variado, mas se bater tudo junto num liquidificador, não rende um copo americano de suco ralo. Pode acreditar!
As queixas são sempre baseadas num ponto de vista de pobre coitado e na existência de um suposto carrasco – ou carrasca, a depender do caso -, sempre pronto para esfolar a pessoinha.
E nem é naquele modelo lá do filme famoso, daquela cor sem graça que supostamente tem vários tons… nana nina não! É um “chororô” sem fim mesmo, por tudo, por nada, por qualquer coisa.
Tem gente que chega à perfeição de nunca começar uma frase sem a presença de um “ai!”. “Ai, eu estou cansado!”; “Ai, eu não tenho nenhum mozão!”; “Ai, eu ganho mal!”; “Ai, as mulheres são mesmo interesseiras!”; “Ai, homem é tudo igual!”; “Ai, o cara não liga depois do encontro!”; “Ai, como eu sou sem sorte na vida!”; “Ai, nenhuma roupa me serve!”.
E por aí vai… uma ladainha chata e sem serventia nenhuma! Enquanto gasta tempo se lamentando da má sorte, e da vida difícil, e nhem nhem nhem… a pessoa perde um monte de oportunidades de virar o disco, mudar o falatório e quem sabe, dar até um sorrisinho de prazer efêmero.
Eu tenho uma amiga, cuja vida nunca foi moleza. A garota sempre trabalhou para se sustentar, desde muito nova; nunca dependeu de pai, mãe ou companheiros para arcar com sua sobrevivência. Criou uma filha, praticamente sozinha, com formação acadêmica impecável, inclusive. Acorda antes das cinco da manhã, pega três conduções para ir e mais três para voltar do trabalho, faz artesanato para ganhar um dinheiro a mais, faz hidroginástica e ainda acha tempo para ter fé na vida futura, abençoar o presente e ignorar o passado. É uma amiga para todas as horas, seja um petisquinho no boteco ou uma encrenca sem precedentes, nunca me deixou na mão! E é linda, inteligente e cheirosa!
O que difere um perdedor de uma pessoa disposta a ser feliz?! Não é o berço de ouro, porque tem muita gente bem-nascida que só chora a própria sorte. Não é nenhuma estrela na testa, porque coisas ruins acontecem com todo mundo. A diferença está na coragem de levantar depois de tombos ou maravilhosos gozos. Gente que vive choramingando não tem tempo de ser feliz! Pronto, falei!
Eu não entendi que era uma despedida quando você chorou e disse que precisava de um tempo para entender o que sentia.
Não entendi que era uma despedida quando me ligou no meio da madrugada e, encharcado de bebida, disse que ainda precisava de mim.
Eu não entendi que era uma despedida quando me lembrei que uma semana antes você fazia planos de eternidade, e postava no Instagram fotos de nossa felicidade.
Não entendi que era uma despedida quando percebi que algumas peças não se encaixavam; que o sorriso bobo da nossa imaturidade não combinava com a seriedade do fim.
Eu não entendi que era uma despedida quando seu olhar desencontrou o meu, e pela primeira vez o seu semblante era de adeus.
Não entendi que era uma despedida quando você disse que eu precisava de alguém melhor, e eu entendia que não haveria ninguém melhor do que você.
Eu não entendi que era uma despedida quando os nós dos seus dedos se afrouxaram, e pouco a pouco você soltou minha mão para construir novos laços.
Não entendi que era uma despedida quando reli suas mensagens e revi nossas fotos. Quando imaginei que você remava comigo e não compreendi os caminhos que levaram ao fim.
Eu não entendi que era uma despedida quando adormeci e sonhei com a gente junto; quando despertei e me deparei com sua ausência.
Não entendi que era uma despedida quando nossas malas seguiram juntas, combinando as etiquetas com nossos nomes e a vontade que não se desviassem nunca.
Eu não entendi que era uma despedida quando meu coração permaneceu ligado ao seu e minha lucidez não compreendeu o fim. Quando meu caminho mostrou marcas das suas pegadas, e eu não soube mais que estrada seguir.
Não entendi que era uma despedida, mas agora entendo que preciso cuidar mais de mim; que mesmo doendo, a história de nós dois chegou ao fim; e que mesmo sendo difícil, é hora de prosseguir.
Eu não entendi que era uma despedida, mas agora quem deseja que você vá sou eu, entendendo que o tempo da negação deu lugar à aceitação. Tempo de seguir adiante com convicção e finalmente percebendo que qualquer falta de certeza já é o prenúncio de uma definitiva despedida.
Sou grata a você por ter se despedido de mim. Ainda que tenha doído, e que eu não tenha entendido, foi o impulso necessário para eu buscar meu destino. Entendendo que meu caminho não era o mesmo que o seu, e que a despedida foi o gesto necessário para a concretização de uma vida feliz.
Nunca se falou tanto sobre o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Cada vez mais pessoas têm se dado conta de que seus trabalhos das 08h às 18h não fazem sentido. Alguns, como eu, migraram para o home office. Mas, a verdade é que, infelizmente, poucos trabalhadores têm essa opção. E é óbvio que trabalhar em casa, como qualquer outra coisa, tem seus prós e contras. Não é fácil. Pelo contrário! Porém, a melhora na qualidade de vida compensa. E muito. Mas isso é assunto pra um próximo texto.
Sou um cara que adora ler biografias e histórias de gente que começou do nada e teve sucesso na vida. São inspiradoras. Muitas vezes nos dizem o óbvio, mas nos impulsionam a ir além. É comum ler depoimentos desses homens e mulheres sobre sacrifícios que tiveram que fazer no início de suas carreiras. Até aí tudo bem. Não existe sucesso sem trabalho duro. Eu mesmo, em 2016, sacrifiquei várias horas livres não-remuneradas para escrever artigos. A recompensa veio no final do último ano, quando fui eleito o terceiro brasileiro mais influente do LinkedIn pela própria rede profissional.
Hoje, meu trabalho é escrever. Porém, não tenho mais a necessidade de sacrificar horas livres. Como freelancer, não tenho chefe e faço meus horários. Para evitar a procrastinação e ter melhores resultados, criei um expediente e escolhi trabalhar das 09h às 18h. Inclusive, deixo isso bem claro para meus clientes. Não adianta me mandar mensagem no WhatsApp depois das 18h ou nos finais de semana que não vou te responder (e isso também é tema pra outro texto). Eu poderia ganhar muito mais dinheiro se aumentasse minha carga de trabalho para 12h diárias, por exemplo, ou se desse palestras em outras cidades e estados. Teria mais clientes, escreveria mais e, consequentemente, seria mais bem sucedido.
Mas, o que é ser bem sucedido?
Pra mim é, justamente, equilibrar vida pessoal e trabalho. Hoje não tenho um super salário, mas tenho equilíbrio. Não faço horas extras, não trabalho nos finais de semana e posso passar mais tempo com minha esposa, minha família e meus amigos. E tô feliz pra carvalho assim.
Para a Forbes, aparentemente, ser bem sucedido é outra coisa
No início do mês a Forbes da China divulgou seu ranking anual com as 100 mulheres que mais se destacaram nos negócios no país asiático. A executiva Dong Mingzhu ficou em primeiro lugar. Ela é presidente da Gree Electric Appliances, a maior fabricante de ar condicionado chinesa, cujo valor de mercado é de aproximadamente US$ 22 bilhões.
Mingzhu, de 62 anos, de acordo com uma reportagem recente da Quartz, está à frente da organização desde 2001, onde lidera mais de 70 mil pessoas. A chinesa que ingressou na empresa como vendedora no início dos anos 1990 viu a Gree, sob seu comando, se tornar uma gigante em seu segmento — 2 de cada 3 aparelhos de ar condicionado vendidos na China são produzidos por eles.
Inspirador, concorda? Começar de baixo e chegar até a presidência da empresa, sendo responsável direta por seu crescimento avassalador. Eu realmente adoro esse tipo de história. Palmas para a querida Dong!
Ela deve, no entanto, ter sacrificado algumas coisas para chegar até lá, né?
27 anos sem férias
27 anos. Essa é minha idade. E em 2017 também será o tempo desde o último dia livre de Dong Mingzhu. A executiva não pega férias ou mesmo tira um dia de folga desde quando começou a trabalhar na Gree.
Nessas quase três décadas (caraca, também tô com quase 30 anos) ela sacrificou algumas coisas. Mingzhu é viúva desde 1984. Seu filho tinha oito anos quando ela ingressou na Gree. O menino foi morar com a avó e, desde então, ela deixou de ir em todos seus eventos escolares. Incluindo formaturas. Há alguns anos o garoto, hoje adulto, se formou na faculdade. Ela não estava lá. Tinha uma reunião que parecia ser mais importante.
“Para fazer do mundo um lugar melhor, um número pequeno de pessoas precisa fazer sacrifícios”. Dong Mingzhu em entrevista, acrescentando que teve que sacrificar sua vida pessoal, o convívio com os amigos e com sua família. Você concorda com ela? Até que ponto esses sacrifícios são saudáveis?
Sem alternativa
“Sem alternativa“. Essa é a resposta que Mingzhu costuma dar em entrevistas quando é questionada sobre seu estilo de vida workaholic. Para ela, “não há alternativa a não ser continuar na Gree por toda a vida”. Pô, Dong! Como não, cara? Você tá cheia da grana! Vamos sair dessa zona de conforto e curtir um pouco a vida?
A chinesacostuma dizer, ainda, que “terá muito tempo para descansar quando se aposentar” — torço por isso, Dong, afinal, nem preciso mencionar os problemas de saúde causados por excesso de trabalho, né?
Um funcionário da Gree afirmou ao Telegraph, em 2009, que “Ela passou por tudo isso sozinha. Nunca ousamos dizer que algo é impossível na frente dela. Todos nós temos que ter vontade de ter sucesso“. O discurso é bonito, mas pense comigo. Que alternativa seus 70 mil funcionários tem a não ser seguir seus passos como workaholics? O resultado do estilo de vida de Mingzhu certamente afeta todos seus subordinados e suas vidas pessoais.
Imagine que você vai morrer essa noite
“Não tenho amigos porque não posso ter amigos“. Essa frase, presente em sua autobiografia lançada em 2006, mostra o vazio que parece ser a vida de Dong Mingzhu. Imagine que você vai morrer essa noite. Os anos em que você esteve na Terra valeram a pena? Sua vida valeu a pena ser vivida? Com quem você gostaria de passar suas últimas horas? O que você gostaria de fazer?
A morte é a única certeza que temos na vida. E ela também pode ser um grande motivador.
Como assim?
Pessoas como Dong parecem viver a vida no automático. Trabalhando como loucos, gerando riqueza material e colocando o dinheiro à frente de tudo e de todos com a desculpa de que terão muito tempo para descansar quando se aposentarem. A questão é: e se esse dia não chegar? E se você trabalhar tanto ao ponto de morrer por causa de um ataque cardíaco? Se o estresse causado pelo trabalho lhe deixar sequelas ou mesmo afastar de você as pessoas que ama?
A executiva chinesa do texto pode ter muito mais dinheiro que eu e ser capa da Forbes, mas sou muito mais rico e bem sucedido que ela. E por rico não falo de grana, claro.
PS1: Evidentemente, a tal da Dong Mingzhu pode fazer o que quiser da vida dela que eu não tenho nada a ver com isso. Meu ponto com o texto é questionar esse modelo de sucesso profissional à todo custo.
PS2: Hoje vou tirar a tarde de folga.
PS3: E é exatamente isso que tô afim de fazer, jogar um pouco de PS3.
PS4: Tenho outras prioridades no momento, tô feliz com o meu PS3.
“Ooh she may be weary And them girls they do get weary Wearing that same old shaggy dress But when they get weary [You gotta] try a little tenderness”
Sento solitária no chão frio da sala, a chuva cai la fora, a noite escura assola e reflito em tudo que eu deveria ter sido e não fui, deveria ter sido menos isso, mais aquilo. E perco tempo de vida precioso divagando sobre erros e passado, sobre a necessidade de me transformar em alguém que não sou, nem nunca fui, nem nunca serei.
Enquanto tempo e lágrimas escorrem incansáveis, faço uma pausa, respiro fundo e me acalmo: sou o que sou, o que deu para ser, fui o que tinha que ter sido. E se fui inteira, então fui meu melhor, mesmo que isso não baste aos outros. Além disso, nada que eu fale ou faça agora pode mudar o que já está feito.
Se perco energia pensando em tudo que poderia ter sido diferente, esqueço-me de viver e celebrar tudo aquilo que de fato foi.
E finalmente me dou conta do quanto sofremos, projetamos, fantasiamos enquanto deixamos de ficar com o que se apresenta para nós, com o que é, com o que somos, com tudo que nos trouxe até aqui. Naquele momento eu estava assim. Nem sempre fui meu melhor, mas certamente o melhor que consegui ser com os recursos que tinha.
O passado nos torna escravos, nossas feridas ferem também os outros, nossos medos nos paralisam, o que fomos, o que sofremos, o que sangramos muitas vezes nos impede de enxergar a beleza do novo que se apresenta diante de nós.
Desconfiados exigimos provas e certezas, queremos controle e garantias. Sem notar, perdemos boas oportunidades de felicidade, analisando-as, comparando-as com o que já vivemos, fantasiando com o que queremos que elas sejam. A dor me recorda que nunca tive nem terei controle de nada, que para ser inteira preciso correr o risco de me machucar. E as lágrimas que insistem em cair me trazem esta única certeza e me convidam a estar presente.
Enquanto me condeno pelas escolhas que fiz, que me trouxeram até aqui, a sensação de que muitas vezes a vida segue repetidas vezes em um “loop” infinito, como um disco de vinil riscado, a letra de um antigo clássico me conforta.
Try a little tenderness.
Deixe ir. Viva o presente, com os recursos que você tem agora, abra-se para o novo, entenda que o novo nunca é igual ao que foi. Os erros não se repetem, são diferentes, com vivências diferentes que me trazem novos aprendizados.
Tente.
Com os meus processos na vida, com os processos dos outros. Para todas as falhas que foram e as que ainda estão por vir, só um pouco de ternura.
Tente.
Para os fim das linhas, os atalhos e encruzilhadas. Os caminhos tortos que percorremos. Para o cansaço e lágrimas. Para os novos começos.
Tente.
O caminho só se faz ao caminhar.
Então enxugo as lágrimas, me acalmo e decido tentar, só por hoje, só um pouco, de conforto, de afeto e ternura.
Receber uma ligação, uma mensagem, uma surpresa, de forma inesperada, impensada, inusitada. Alguém se fazendo presente, batendo na porta da nossa vida, trazendo a notícia de uma saudade carinhosa e com pressa de ser resolvida.
Eis aí um enorme presente. Uma lembrança declarada, espontânea, destemida, pronta para ser compartilhada.
A lista de afetos é enorme, o tempo é curto, a vida é louca. Mas a saudade ignora tudo isso e aperta quando já não cabe mais na casinha onde vive. E cada um sabe o quanto expande e encolhe a sua saudade.
Tem saudade diária, que quer só cumprimentar, para se fazer presente. Tem saudade que aguenta um pouco mais, que se esconde por trás da rotina e deixa a semana toda passar, porque não sabe como se infiltrar.
Tem saudade que só desperta de vez em quando, que vive mais adormecida, mas ainda assim é saudade. Tem a saudade de uma vida, que vive escondida, na forma daquele aperto no peito, sem coragem de sair.
E saudade não se resolve com presentes. Saudade só se acalma com presença.
Se fazer presente é demonstração de amor, de amizade, companheirismo, sintonia. O tempo não colabora, mas também não pode ser responsabilizado. Presença se demonstra de muitas maneiras.
Em tempos de tecnologias múltiplas, as ausências ficam cada vez mais notórias. E não há presentes que dispensem ou substituam o que a saudade mais suplica: a simples presença.
Uma palavra, uma mínima lembrança, um rabisco, bilhetinho, até o emotion do diabinho. Tudo vale na tentativa de substituir a saudade pela presença.
Quase sempre, é somente disso que todos nós precisamos em algum momento do dia. E, com toda certeza, o dia será mais feliz!
Se estiver em débito com alguma saudade, não mande presentes, se faça presente!
Essa carta é para você, o amor que escolheu ficar. Até pouco tempo, ainda duvidava se chegaria o dia em que te escreveria. Não sabia se iria demorar, como e quando iria surgir. Mas aqui está você, um amor inteiro, um amor sadio, um amor escolhido.
Te reconheci ainda de longe, sem saber muito mais do que um sorriso e um olhar. Mas não tinha jeito, era para sermos nós. Tudo tornou-se apenas uma questão de liberdade. Para dizer que é você, que sou eu. Não ignoramos os maus bocados passados, mas não desistimos de seguir em frente.
Você entende que amores já vieram e respeita que amores não ficaram. Estamos num único abraço. Se isso não é sintonia, não sei o que é. E assim foi e continua.
Você admira o lar construído pelos nossos afetos. Daqui de onde vemos tantos sentimentos, acentuados por cafunés não desperdiçados, por beijos não pedidos a todo instante. Você sabe que esse amor não é metade, pode aceitar dentro do peito. Mas, se por ventura, algum dia as nossas pernas trocarem de lugar, não lamente. Não posso prometer futuros, somente presentes. Então, digo sem meias palavras que, agora é amor. O amor que escolheu ficar.
Essa carta é para você, o amor que escolheu ficar. Até pouco tempo, não saberia como demonstrar tantas felicidades. Também desconfiaria sobre como e quando iria confessar esse desejo. Mas aqui está você e tenho muita sorte por amar do seu lado.