Ame por amor e não por medo de ficar só

Ame por amor e não por medo de ficar só

“Primeiro, comece a se divertir sozinho. Primeiro, amar a si mesmo.” (Osho)

Talvez por vivermos em tempos de solidão acompanhada, nunca antes se refletiu tanto sobre a solidão, sobre estar sozinho, como se não pudéssemos bastar a nós mesmos curtindo a nossa própria companhia. Dentre as tantas cobranças que se nos impõem, estar em um relacionamento destaca-se com frequência.

Cada vez mais, a sociedade homogeniza-se, nas roupas, nos gostos, nas falas, tornando-nos cópias vazias uns dos outros, disputando um lugar no hall efêmero da fama instantânea que as redes sociais ofertam. Falas prontas, discursos politicamente corretos, vestimentas tipo uniformes, parece que nada mais pode fugir ao que se dita como o mais descolado, o mais aceitável, o mais do mesmo, somente isso.

A necessidade de ser aceito, infelizmente, ultrapassou todos os limites do bom senso, uma vez que, na ânsia de se integrar à maioria, cada vez mais as pessoas se distanciam da própria essência. E, nesse contexto, procura-se avidamente por um parceiro, porque é preciso estar namorando, é preciso ter um amor, é preciso querer uma vida a dois, segundo um bando de gente que nem se lembra da data de nosso aniversário.

É preciso, sim, aprender a ser feliz sozinho, a se divertir sem precisar de ninguém, a curtir a própria companhia, enfim, a gostar de si mesmo. É tão óbvio, mas vale sempre reforçar: quem não se ama jamais conseguirá amar alguém com a inteireza que este sentimento requer. Procurar no outro o que nos falta é inútil, porque ninguém irá nos oferecer o que deve sempre brotar de nosso próprio coração.

Quando estivermos seguros de nossas verdades, vivendo o que somos, com o que temos dentro de nós, sorriremos onde estivermos, não importando se acompanhados ou não. E o amor então virá e nos encontrará, porque será partilha, encontro, será verdadeiro. Porque estaremos prontos para receber nada menos do que merecemos, afinal, já estaremos completos e amaremos por amor, somente por amor.

Imagem de capa: Sofi photo/shutterstock

Carisma, liberte o seu!

Carisma, liberte o seu!

Carisma não se explica. Carisma é um olhar único, um jeito de falar, aquela atração que vira a cabeça da gente para olhar a pessoa, prestar atenção, encontrar beleza e encantamento em tudo o que ela faz.

A criatura carismática dispensa qualquer acessório. De nada precisa, somente da sua presença. É impressionante o poder do carisma.

E quem sabe, usa bem e a seu favor. E quem tem um carismático por perto, se deleita.

Carisma é coisa de gente gostosa. É aquele imã que atrai olhares e atenções, um filme que empolga do início ao fim.

Todo mundo tem um pouco que seja. Uns transbordam. Outros, sufocam o seu.

Eu creio que carisma é a expressão espontânea que a gente tem. Quanto mais genuína e individual, tanto mais visível. Quando a gente se reprograma, tenta se ajustar a modelos ou insiste em não se aceitar, o carisma fica invisível, insensível.

Carisma inventado é fácil de perceber. É maquiagem que escorre antes da festa começar. Quanto mais a gente resiste ao que é, menos mágica acontece e mais massa a gente se torna.

Carisma é o pó mágico que só cai nas cabeças que não desejam o chapéu dos outros. Que delícia é poder ser, agir, falar e se aceitar como é ou como está. A gente fica interessante! A gente então, exala carisma!

E que triste é ler e decorar toda a cartilha dos padrões de comportamento, preferências, moda, cultura e relacionamentos, e então, se espremer para se encaixar. É preciso deixar muitas coisas para trás, e com elas, o carisma, a cereja do nosso bolo. E bolo, diga-se de passagem, também não anda muito em alta nos padrões atualmente magérrimos.

Pessoalmente, tenho tentado o caminho de volta, buscando meu carisma perdido entre tantos outros sentidos e sentimentos exilados. Acho que vale muito a pena. Acho ainda que só valerá a pena, se for assim.

Imagem de capa: Sergii Votit/shutterstock

Calma, é aos poucos que a vida vai dando certo.

Calma, é aos poucos que a vida vai dando certo.

Não se desespere não, porque nada é para já. A gente é apressada
demais, não é? Às vezes, pego-ME pensando: será que vou ter um emprego depois da faculdade? Será que vou me casar? Será que vou conseguir ter dinheiro para ajudar a manter minha casa? E o meu futuro marido? E, e… São tantos e se e serás, que a gente acaba caindo no achismo de que as coisas são impossíveis demais para acontecer e, por consequência, a gente se desespera.

Mas a verdade é que há um tempo certo para cada coisa e, ao invés de se projetar tanto para o futuro, tente pensar no que você pode fazer hoje. Ao invés de se imaginar tanto lá na frente, achando que nada vai dar certo, tente pensar no que é possível realizar hoje.

Às vezes, achamos que não vamos dar conta, que não vamos conseguir terminar a faculdade ou encontrar o amor de nossas vidas, achamos que não vamos ter dinheiro e, nossa, essas ideias acabam nos deixando angustiados. Mas calma, é aos poucos que as coisas vão dando certo e não adianta querer apressar porque tudo tem o seu tempo.

Hoje, pode ser o tempo de você estudar, prestar um concurso ou se dedicar para o mestrado, pensando na sua vida futura.

Hoje é tempo de você gostar de você, sem esperar que um relacionamento venha fazer isso no seu lugar. “Quando eu era criança, sonhava em ser adulto, não via a hora de crescer”; depois de adentrar nessa fase, o que mais escuto é o desejo de retornar à infância, de se livrar das obrigações, porque, ah, ser criança é tão bom, né?

Isso me faz pensar no quanto não aproveitamos cada fase, cada momento de nossa vida, porque queremos adiantar as coisas, apressar os passos, as decisões, e deixamos de viver aquilo que o hoje pode nos proporcionar. Deixamos de fazer o nosso possível, porque projetamos nossos olhos no impossível.

Então, não se desespere, porque essa angústia toda não resolve nada, pelo contrário, gera ainda mais problemas. Você vai se formar, vai conseguir um emprego, as coisas vão dar certo. Pode não ser como você esperava, pode não ser no tempo que você achava que fosse, mas vai dar certo. Enquanto isso continue dando o seu melhor, fazendo de todo o possível para alcançar os seus objetivos. Não se culpe e nem se cobre quando chegar ao seu limite; respeite o seu cansaço, permita-se chorar e descansar depois de um dia exaustivo.

As coisas vão dar certo, pode parecer que não, mas vão sim. Pode demorar, mas uma hora as coisas se encaixam em nossa vida; só não podemos gastar nosso tempo e energia em projeções futuras, em dúvidas e incertezas. Use o seu tempo e o hoje para escrever a sua história e, se for preciso, apague-a amanhã e recomece novamente, quantas vezes for preciso. Não se desespere, porque tudo tem o seu tempo.

Atração não é amor

Atração não é amor

Muita gente confunde desejo com amor, paixão com amor, apego com amor. Enfim, são tantas confusões, que o tesão é, muitas vezes, entendido com o verbo amar.

O beijo pode de fato ser bom, a pegada arrancar suspiros, mas isso não é, em si, amor, o desejo faz parte do amar, mas não resume o que é de fato amor.

Amor é muito mais do que beijos, abraços, aquele friozinho na barriga, é muito mais que desejo. Mas deixe eu explicar melhor isso. O começo de um relacionamento é, geralmente, movido pela paixão; tudo é novidade, tudo é bom ao lado desse alguém – os abraços tornam-se calorosos, o beijo chega a pegar fogo e a gente se vê diante de tanto desejo e acha que aquilo é amor.

Pode ser que você tenha conhecido alguém e, ao sentir aquele “fogo todo” (risos), achou que estava amando. O lado sexual pode falar mais alto do que o emocional, muitas vezes ultrapassando os limites da nossa razão e adentrando na impulsividade, na busca pela satisfação daquilo que nos consome: o desejo.

Mas isso não é amor; isso porque o amor é muito mais companheirismo e realidade do que fantasia. Amor é muito mais sereno e calmo do que aquela tempestade toda causada pela paixão. Amar alguém vai muito além de beijos, abraços e sexo; amar alguém é amizade, respeito e cuidado. É estar ali com o outro quando ele não está bem e hoje não deseja ser tocado, não quer se aventurar em suas paixões, mas apenas quer o seu ouvido para escutar como foi o seu dia cansado.

É quando o outro deseja não o seu corpo e o seu toque, mas o seu ombro amigo para chorar e dizer o quanto tem sido difícil aguentar as pancadas da vida. Em um relacionamento, desejar o outro, admirá-lo e achá-lo interessante é, sim, muito importante, mas não podemos resumir isso a amor, afinal, esse sentimento nobre é construído sobre bases mais sólidas, como a realidade, as dificuldades e a paciência.

Por isso, quem apenas deseja não consegue suportar as tempestades do outro, não consegue driblar as dificuldades e permanecer junto; quem apenas sente fogo não sabe ser calmaria. Então, da mesma forma que não podemos confundir apego com amor, não podemos cair na cilada de acreditar que tesão é amor. De achar que, porque o sorriso nos atrai, o olhar nos desmonta e o toque nos balança, isso é amor.

Eu costumo dizer que amar está para além das aparências e, por mais que você ame o sorriso, o perfume e o jeito do outro abraçar, há muito mais coisas que fazem você amar esse alguém. É saber que, mesmo você estando com o seu pijama mais velho e descabelada, esse alguém ama a sua presença e continua a escolhendo todos os dias, estando você bem ou não, estando você com problemas ou não.

Amor não é uma questão apenas de desejo, é uma questão de escolher todos os dias o outro. O tesão é passageiro e você pode sentir muito bem isso por outro alguém; já o amor, ah, o amor é algo singular, afinal, não se ama duas pessoas ao mesmo tempo.

Imagem de capa:  4 PM production/shutterstock

 

Não é preciso encostar a mão no outro para violentá-lo

Não é preciso encostar a mão no outro para violentá-lo

Não é preciso encostar a mão na pessoa para violentá-la. O que se diz, como se age, a forma como se trata alguém pode machucar bem mais do que um tapa.

Hoje, já se discute a violência psicológica, velada, tão covarde quanto a explícita e com a mesma capacidade de deixar danos indeléveis em quem a recebe. Mesmo que não nos deixe marcas pelo corpo, a violência subjetiva, presente nas atitudes com que se trata o outro, imprime também marcas que não se veem, mas que machucam a alma.

As pessoas têm que entender que a forma como se diz algo pode ser mais agressiva do que o que se está dizendo. Existem maneiras e maneiras de conversar, sendo a violência verbal a menos indicada, seja qual for o momento, seja com quem estivermos falando. Não se trata de melindre ou de ficar ofendido sem razão, mas de se ter o direito de ser tratado com respeito.

Não são poucos os relatos de abusos cometidos contra o cônjuge, por exemplo, por anos e anos, através de falas agressivas e intimidadoras, subjugando o outro sob discursos que diminuem a dignidade alheia sem dó, tolhendo-lhe a capacidade de se sentir alguém merecedor de valor. Pratica-se, assim, uma tortura psicológica diária que mina os nervos e abala o emocional de maneira cruel e injusta.

Casos semelhantes ocorrem entre pais e filhos, patrões e empregados, entre amigos, com uma frequência maior do que se esperava. Embora muitos tentem culpar a própria vítima, como se alguém se sujeitasse de bom grado à agressividade alheia, fato é que a violência psicológica, infelizmente, tem o poder de isentar a vítima, pouco a pouco, do comando sobre si mesma. Ela se acha, afinal, cada vez menos digna de contrariar o agressor, tamanho é o estrago emocional que acumula dentro de si.

Como se vê, não é preciso encostar a mão na pessoa para violentá-la. O que se diz, como se age, a forma como se trata alguém pode machucar bem mais do que um tapa. Ninguém tem o direito de humilhar o outro, porque todos merecemos ser tratados como seres humanos. Caso esteja descontente com alguém, tenha a decência de explicar-lhe com educação e, se não houver mais jeito, afaste-se. Só não fique por perto agredindo covardemente, pois violência não se justifica, nunca se justificará.

Imagem de capa:  Roman Kosolapov/shutterstock

Machado de Assis já dizia: “não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir”.

Machado de Assis já dizia: “não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir”.

A frase é do livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis. Livro que você, provavelmente, já leu e que conhece bem o enredo, as personagens e questionamentos que o autor levanta a respeito dos sentimentos humanos. Já o título é autoexplicativo mas, mesmo assim, precisamos conversar sobre ele.

Desde crianças nos ensinaram que “na hora certa tudo acontece…” e, comprovadamente, acontece mesmo! Todos nós conhecemos histórias de amor que mais parecem um conto de fadas do que um encontro casual e é isso que faz o sentimento algo tão nobre.

O grande problema que envolve as grandes decepções amorosas, é a péssima mania que temos de “ajudar” o destino. Somos impacientes, imediatistas. Queremos tudo para ontem e não sabemos esperar. Porém, o amor exige calmaria, paz e tempo para acontecer e, assim como a borboleta só sai do casulo quando está pronta para voar, o amor só aparece quando estamos maduros para merecê-lo.

Não é fácil esperar, nunca foi. Amor exige tempo e eu sei o peso dessa palavra para quem já está cansado de sofrer. É difícil entender que o tempo que habita em nós não é o mesmo das coisas. Demoramos para compreender que a vida segue o próprio roteiro e tentamos, a todo custo, tomar as rédeas da própria vida. Em partes, isso é possível. Em partes, não! Nos momentos solitários é preciso entender que a solidão que nos machuca é a mesma que nos impulsiona ao autoconhecimento.

Tudo, absolutamente tudo, acontece como deve acontecer e de uma forma que não sabemos. Dessa surpresa é feita a vida. Do inesperado. Das possibilidades que cada dia oferece, sem que possamos ver ou interferir. Machado de Assis dizia que “O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços”.

Não existe essa de “pessoa certa na hora errada”. Inventamos isso para justificar nossas escolhas erradas e para tentar convencer a própria consciência de que a culpa não é nossa, é da vida. O que existe é a pessoa certa, na hora certa e no local certo.

João Guimarães Rosa, no conto “O espelho”, do livro ‘Primeiras estórias’, afirmava que “quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo” e acredito que, em nossa vida sentimental, seja bem assim. Não sabemos se vamos conhecer o amor das nossas vidas na fila do pão, na porta da nossa casa ou no casamento da amiga, mas sabemos que, um dia, ele acontecerá.

Por hoje, simplesmente, pare de procurar pelo amor. Isso mesmo, pare! Pare de colocar, em cada beijo, as expectativas de um amor eterno. Pare de implorar atenção de quem nunca quis você. Pare de ligar. Pare de achar que sua felicidade está nas mãos do outro.

O amor da sua vida não está em toda esquina, no fundo de um copo de bebida, nem em uma pista de dança. O amor da sua vida irá chegar de repente, quando você estiver distraído e quando já tiver dito, milhões de vezes, que “não acredita mais no amor”.

Tranquilize-se e deixe o amor te encontrar. O que está destinado a você, a vida se encarrega de trazer.

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Vingue-se da maneira mais cruel que existe: deixe pra lá!

Vingue-se da maneira mais cruel que existe: deixe pra lá!

Não há quem nunca tenha imaginado uma forma de se vingar de quem aprontou alguma, para que a pessoa sofra na pele o que causou. Chegamos até a desejar-lhe o mal por um tempo, porque somos humanos e é isso que, num primeiro momento, a dor da decepção faz com a gente.

Quando nos traem, quando nos dizem barbaridades injustas, quando nos rejeitam, quando brincam com nossos sentimentos, enfim, toda vez que alguém de quem gostamos age de maneira vil conosco, sentimos uma dor imensa e, ao mesmo tempo, iniciamos a pensar em alguma forma de machucar de volta. Queremos que a pessoa sofra, assim como nós estamos sofrendo.

Felizmente, na maior parte das vezes, tais planos ficam somente na teoria, porque muitos de nós acabamos percebendo que de nada adiantaria fazer mal a quem nos magoou, porque estaríamos, inclusive, tornando-nos exatamente iguais ao que tanto repudiamos. Estaríamos nos rebaixando ao nível baixo de quem não é, nem nunca será feliz de fato. E isso não podemos nos permitir.

Uma vez ou outra, talvez não consigamos nos conter e então devolveremos alguma maldade na direção de quem nos machucou, pois não somos de ferro. Mesmo assim, o que mais irritará quem nos feriu sempre será a nossa indiferença – ao menos aparente -, pois pessoas maldosas se alimentam da raiva e da tristeza dos outros, portanto, não sejamos nós fonte de prazer para esse tipo de gente.

A melhor atitude a ser tomada, nesses casos, como se vê, será não demonstrar nada, ignorando o desafeto de uma vez por todas, ainda que, intimamente, a alma esteja alquebrada. Dessa forma, estaremos oferecendo a ele o contrário do que esperava e, por isso mesmo, a raiva, aos poucos, sairá da gente e permanecerá dentro dele. Porque é isso o que os maldosos merecem: exílio emocional, para que, quem sabe, possam vir a refletir sobre os danos que causam por aí – o que se é de duvidar. Deixemos a vida cuidar de cada um, pois nisso ela é incomparável.

Imagem de capa: Petrenko Andriy/shutterstock

Amor não é uma questão de persistência, mas sim de consistência.

Amor não é uma questão de persistência, mas sim de consistência.

Entenda: a sua insistência não irá fazer com que o outro mude de ideia, não irá fazer com que brote sentimentos do outro por você. Mas o que estou querendo falar nesse texto é sobre o amor em um relacionamento já construído.

Pode ser que você veja muitos defeitinhos no outro e queira mudá-lo a todo custo e aí vêm as cobranças, na tentativa de fazer com que o outro enxergue aquilo que tanto o incomoda. Aqui, quero lhes apresentar um conceito novo que mexeu muito comigo depois de assistir a um vídeo sobre isso: a palavra da vez é “consistência”, o que me lembrou, em um primeiro momento, pudim, mousse e todas essas sobremesas gostosas (risos). Mas, para que essas receitas possam de fato dar certo e ficar bem saborosas, é preciso que elas fiquem CONSISTENTES. O que isso lembra?

Isso me fez pensar no relacionamento e em como os namoros e casamentos dos dias de hoje têm se tornado cada vez mais inconsistentes. As pessoas desistem na primeira dificuldade e, no primeiro defeito, já mandam o outro embora, porque não suportam a realidade, querem continuar vivendo um “amor” fantasia onde tudo dá sempre certo. Pessoas que não toleram decepções e que acham que o outro é perfeito, quando ele mesmo é imperfeito.

O que quero dizer é que, em um relacionamento, o amor não é questão de insistência, cobranças, mas sim de consistência. Não notamos o quanto emprestar nossos ouvidos para escutar como foi o dia cansado do outro faz bem, como acolher a dor de uma decepção no trabalho, mesmo que isso pareça tão insignificante para nós, é importante para o outro.

Não vemos, por um descuido qualquer, que preparar um jantar é um ato de amor, que comer um bombom na rua e se lembrar de trazer um para o seu parceiro é um gesto de carinho. Amamos o outro pelas pequenas coisas, pois são as pequenas atitudes que nos devolvem a certeza de que o outro nos ama e nos quer bem. Depois de certo tempo, as coisas perdem o seu status de “novidade” em um relacionamento e, então, como reacender? Como manter a consistência?

Você não precisa mandar flores no trabalho, comprar um presente caro ou levar o outro para jantar em um restaurante que custa milhões – risos. O reacender está nas pequenas coisas do dia a dia, desde o ouvir, até o cuidar do outro, quando ele não está bem de saúde. É ligar no meio do dia pra saber se melhorou da tosse e mostrar o quanto se importa com esse alguém. A consistência está no cuidado e no respeito, que podem ser demonstrados em atitudes mínimas que esboçam um carinho imenso e fazem toda a diferença para esse alguém.

Particularmente meu coração sorri quando vejo um bilhete no meio dos meus livros, quando o outro foi ao supermercado e lembrou-se de comprar o meu chocolate favorito. Eu me sinto amada quando o outro escolhe me ouvir, mesmo não entendendo nada do que estou falando, ou quando estou doente e, mesmo isso parecendo “não ser nada demais”, o outro decide cuidar de mim.

O amor está nos pequenos detalhes, são pequenos gestos que fazem com que a gente sinta que o amor não acabou e que você não deixou de ser interessante, mesmo a novidade tendo passado, mesmo que os jantares tenham se tornado raros e os presentes ficado para datas muito especiais. São esses pequenos ingredientes simples que mantêm a consistência de um relacionamento que, ao invés de ser líquido, torna-se cada vez mais sólido.

Imagem de capa: Anetlanda/shutterstock

Tem muita gente com a parede cheia de diplomas, mas com o coração vazio de sentimentos

Tem muita gente com a parede cheia de diplomas, mas com o coração vazio de sentimentos

A sabedoria não se relaciona somente ao tanto de leitura e de cultura oficial que acumulamos nos bancos das salas de aula, à extensão do nosso currículo. Ser sábio é ao menos tentar entender o que se passa dentro de si, saber o que dizer e como dizer, como conversar, de acordo com o que o outro oferece e precisa.

Dona Sabidinha (ela adorava que eu a chamasse assim) trabalhou em casa por anos, marcando minha vida e mudando minha percepção das coisas de uma forma muito mais convincente do que a maioria dos professores que tive em minhas andanças acadêmicas. Suas observações sobre a vida e as pessoas carregavam um olhar acurado e verdadeiro, impregnado de simplicidade, mas nem por isso simplista. Ela era capaz de reduzir e lapidar rebuscamentos vocabulares e ser convincente, elevando o lugar-comum a um nível de citação literária.

Aquela sábia mulher me fez enxergar que nada pode ser categorizado de forma estanque, imutável, pois a vida sempre encontra novas formas de nos surpreender, fugindo à subserviência a rótulos de quaisquer tipos. Nós é que tentamos controlar esse caos que nos rodeia, classificando, rotulando, nomeando tudo, ao passo que a vida foge ao nosso controle, como quando brota uma flor em meio ao concreto, jorra uma nascente em terreno inóspito, descobre-se mais um planeta confirmando nossa pequenez em meio ao universo, ou quando a sabedoria de quem mal frequentou a escola supera a de um douto pesquisador universitário.

Por muito tempo, atrelou-se sabedoria a conhecimento enciclopédico e titulações acadêmicas, o que nem sempre corresponde à realidade. Hoje, esse conceito vem mudando, felizmente, relacionando-a ao seu efeito prático, pois, mais útil do que conhecer a teoria, é utilizá-la na superação de problemas, no aprimoramento das interações humanas, nos avanços sociais desejáveis. Sabedoria meramente livresca costuma mofar nas estantes, já a sabedoria que levamos no ônibus, no trabalho, na mesa do bar, como a da Dona Sabidinha, ajuda a melhorar a vida em sociedade, tornando o mundo mais leve.

E esse mundo anda carente de trocas, de compartilhamento de vidas, de gente interessada no próximo, no bem coletivo, o que não se conquista em bibliotecas enclausuradas, nem na assepsia muitas vezes solitária de laboratórios de pesquisa, mas principalmente na interação dinâmica entre as pessoas, nos olhares compartilhados, no prestar atenção além de nós mesmos. Já alcançamos avanços notáveis na medicina, na astronomia, na engenharia – o que justifica o inegável mérito das atividades acadêmicas e de pesquisa -, no entanto, retroagimos cada vez mais em termos de convivência sadia, tolerante e harmônica, pois o outro nos interessa cada vez menos, visto não encontrar espaço em meio à nossa busca desenfreada pelo status social.

A sabedoria não se relaciona somente ao tanto de leitura e de cultura oficial que acumulamos nos bancos das salas de aula, à extensão do nosso currículo, aos prêmios acadêmicos obtidos, aos concursos públicos em que fomos aprovados. Ser sábio é ao menos tentar entender o que se passa dentro de si, saber o que dizer e como dizer, como conversar, de acordo com o que o outro oferece e precisa – há que se enxergar quem está ali ao lado -, é lutar com o que se tem, sobrevivendo não só para si mesmo, mas tornando-se uma pessoa prazerosamente visível.

Recentemente, correu pelas redes virtuais relato de pesquisador que, fingindo ser um gari, não era reconhecido pelos próprios colegas de universidade, que passavam por ele sem lhes dispensar mínima atenção. Tornamo-nos invisíveis, para muitos, quanto menor for o nosso currículo, quanto mais surradas forem as nossas roupas, quanto menos consumirmos e, ironicamente, quanto mais precisarmos de ajuda. Essa pretensa superioridade é perigosa, pois pode acabar convencendo erroneamente os ignorados de que não tenham mesmo valia alguma. Nem todos teriam a sagacidade da Dona Sabidinha que, nesse contexto, certamente diria: “é tudo perfumaria”.

Felizmente, esse comportamento não é homogêneo, pois conheço doutores extremamente generosos, humanos, de coração imenso, da mesma forma que existem pessoas carentes de estudo e de humanidade para com o outro. A vida nega-se realmente a categorizações limitadoras, sempre impondo exceções às supostas regras, de forma que o estabelecido seja questionado continuamente – os avanços e ganhos sociais dependem da contestação, da dúvida, do inacabado. Por isso a sabedoria é tão frágil, vulnerável, pois as verdades são negadas a todo instante, assim como teses são desconstruídas, crenças são abaladas, uma vez que a vida recicla-se e reinventa-se intermitentemente.

Temos de nos orgulhar, obviamente, de nossas conquistas nos vários setores da vida, seja nos estudos, no trabalho, na família, mas sem que nos sintamos superiores ou mais dignos de consideração por isso. Não podemos é medir nossa importância a partir de critérios que nos distanciem da necessidade de convivência partilhada com quem caminha ao nosso lado. Isentar o indivíduo de humanidade, eliminando-o de seu campo de visão, por conta de suas carências, é vaidade vã, deselegante e totalmente inapropriada frente às necessidades urgentes de tolerância e respeito por que clama a sociedade.

O mundo já anda por demais complicado, dispensando toda e qualquer distorção de valores que possa fragilizá-lo nesse sentido. Nascer em berço esplêndido não é um diferencial na vida de ninguém, mas sim aquilo que Dona Sabidinha chamaria de educação que vem “de berço”. Como se vê, a um desprezo aviltante, mas culto e asseado, é preferível um “bas tarde” iletrado e roto, mas revigorante e sincero – isso, sim, é o que faz, ou deveria fazer, toda a diferença em nossas vidas, todos os dias.

Imagem de capa: TORWAISTUDIO

Como ajudar nossos pais quando eles ficam mais velhos

Como ajudar nossos pais quando eles ficam mais velhos

Alcançar uma idade avançada aproveitando a vida não precisa ser tão difícil. Se os pais puderem contar com a ajuda de seus filhos para que os auxiliem nesta etapa da vida, tudo será mais fácil.

Você visita ou tem contato regularmente com seus pais? Você sabe do que eles precisam em sua rotina diária? O cuidado dos seus pais, já idosos, é dividido entre seus irmãos? Você está ciente de seus controles e tratamentos médicos? Você costuma instigar seus pais a se manterem ativos?

Todos estes aspectos são essenciais para que seus pais se mantenham saudáveis, tanto no aspecto físico quanto emocional e mental. É importante que eles se sintam bem, não só por eles mesmos, mas porque que, caso seja assim, você também viverá melhor.

Pais aposentados, mas ativos

Se há algo que pode ajudar a conservar o corpo e a mente saudáveis é se manter ativo. Se corpo e mente estão ativos, eles terão mais possibilidades de se manterem sãos. Não é preciso ser jovem para encontrar uma atividade; basta ter o estímulo de pessoas queridas e do ambiente a sua volta.

Qualquer atividade é boa para nossos pais. O importante é ocupar o corpo e/ou a menteReunir-se com amigos, assistir apresentações ou cursos de seu interesse, realizar atividades manuais ou ofícios de acordo com suas habilidades pessoais, visitar lugares como museus e parques, etc. Tudo isso pode ajudar na felicidade de seus pais. O contato com o mundo favorece o esquecimento de doenças, além da própria velhice.

Compreensão e paciência

A velhice pode chegar a se tornar uma etapa horrível para seus pais e também para você mesmo, caso você não tenha paciência e compreensão suficientes. A regra elementar é se colocar no lugar deles.

Pense em como você se sentiria se estivesse em seu lugar: sem trabalho, com a saúde fraca, sem energia, com menos vida social, adoecendo disso e daquilo. Se você for capaz de compreender a etapa da vida que seus pais estão vivendo, será mais fácil entender seus episódios de frustração, mau humor ou da urgente necessidade de ajuda.

Contato permanente

Talvez eles não precisem ver-lhe todos os dias, mas pode ser que eles se sintam mais reconfortados se puderem fazê-lo constantemente. Manter-se em contato com eles dará mais segurança; eles saberão que, caso precisem, poderão pedir sua ajuda.

Saber que eles continuam sendo uma parte importante da vida de seus filhos também ajuda na saúde mental. O mundo atual ajuda com a nova tecnologia; fazendo uso de e-mails, telefones celulares e redes sociais entre irmãos, não haverá desculpas para não coordenar as responsabilidades com o cuidado dos pais.

Ajuda econômica

Caso seus pais tenham uma aposentadoria, sua situação econômica pode estar solucionada – pelo menos parte dela. Mas se o salário mensal de seus pais não é suficiente, isso pode causar-lhes estresse e depressão, entre outros problemas de saúde.

Sempre que for possível, ofereça a eles uma quantia para ajudar em seus gastos e no pagamento de alguns dos serviços dos quais eles precisem. Se você tiver irmãos, o ideal é que vocês dividam os gastos entre si.

Casa segura

Outra forma de ajudar seus pais a viver uma velhice melhor é assegurando-lhes uma casa em boas condições e adaptada as suas necessidades. Por exemplo, talvez seja preciso evitar as escadas, ou ter um piso mais firme e não escorregadio, entre outros detalhes a se ter em conta.

Para concluir, é óbvio que o mais importante é que seus pais sintam-se amados e acompanhados por seus entes queridos. Mas além disso, também é fundamental que possam se sentir seguros em casa, que se mantenham ativos, na medida do possível, sem problemas econômicos e animados.

Estes aspectos, sem sombra de dúvidas, os ajudarão a viver uma velhice muito mais satisfatória. Assim, estaremos contribuindo para que eles sejam felizes durante essa etapa tão especial de suas vidas. Além do mais, o que é isso comparado a tudo que eles já fizeram por nós?

Créditos da imagem:  Ruslan Guzov/shutterstock

Texto original de A mente é maravilhosa

“Eu não sou feito essa gente que ama e, de repente, tchau, e acabou”

“Eu não sou feito essa gente que ama e, de repente, tchau, e acabou”

“Se você está pensando que eu estou me importando, claro que eu estou!”

Agora, a areia quentinha da praia conforta meus pés, enquanto a voz e violão do moço havaiano acariciam meus ouvidos.

A sinceridade de Vinicius me convém, é minha verdade estampada e não me envergonho. Inclusive, faço questão de admitir. Não vou conter toda essa explosão de sentimentos. Faz mal calar nessas horas, você mesmo me ensinou.

Ora, assim como ele, não sou como essa gente que ama e, de repente, tchau, e acabou. À minha frente, o mar calmo que se acaba no céu azul com poucas nuvens é uma tela deslumbrante que não me impede de visualizar teus olhos transparentes, que, em um outro momento de inocência minha, pensei mostrarem tua alma.

O vento abraça meus ombros e lembro-me daquele dia em que me distraí com um livro, numa loja qualquer, e, quando voltei ao mundo concreto, dei de cara com eles – teus olhos – que me observavam curiosos.

Face a face, assim, eles são de uma beleza rara e arrebatadora. Algo que, admito, naqueles dias me parecia fora da realidade. Realidade esta que, hoje, dialoga pacientemente comigo e, ao longo do processo, alivia minha dor. Com cuidado, ela me explica que nem tudo está ao alcance de meu entendimento.

“Sofri muito. Demais, porque minha grande paz vinha toda de você. Pus você alto demais, com cuidados tão legais que nem vi você descer”. Quando dei conta de meus erros e distração, não deu outra, já estava no chão. Meus amigos, tanto quanto meu violão, foram meu conforto e minha salvação. Teu amor me despedaçou, mas eu, aos poucos, remontei-me. Demorei-me um pouco porque, de novo: não sou como essa gente que ama e, de repente, tchau, e acabou.

A novidade é que agora conheço cada pecinha de meu coração e tenho minha paz em mim. Você, mais do que qualquer um, sabe: sempre tive medo de certezas, entretanto, digo-te que não adianta chorar nem fazer birra, algumas perguntas – como as que um tempo atrás eu tanto queria te fazer – ficam sem resposta. Hoje, o que posso te assegurar é que o mundo está em contínuo movimento.

A areia, as ondas, os ventos que nos confortam, acariciam e abraçam, são os mesmos que se vão em algum momento. Eles têm de ir. Eles sempre vão. Eles talvez voltem, mas é natural que se movimentem.

Pois é. Não sou como essa gente, que ama e, de repente, tchau, acabou, mas hoje estou ciente de que a dor, a angústia e até mesmo o amor, uma hora precisam ir e a gente, quer queira ou não, tem que seguir, importando-se, relacionando-se – com o outro, com si mesmo -, desmontando-se, por fim, refazendo-se e reinventando-se.

*Texto com referências à música “Quem ri melhor”, composta por Vinicius de Moraes

Imagem de capa:  Nadya Korobkova/shutterstock

É inútil semear em corações estéreis

É inútil semear em corações estéreis

Tem gente que não quer, não sabe, recusa-se a amar, a se lançar, a se permitir ser invadido por alguém. Por medo, por covardia, por traumas, sabe-se lá, ou porque simplesmente perdeu a esperança de ser feliz no amor. Inúmeras são as razões para o fechamento do próprio coração, várias são as dores que antecedem um coração frágil e machucado. E, caso a pessoa não se ajude, amor nenhum quebrará o muro da indiferença que então se instala.

Nem sempre o amor é bonito, nem sempre será para sempre. Existem rompimentos mais ou menos tranquilos e existem finais que podem tanto fortalecer quanto enfraquecer os sonhos da essência de cada um. E algumas pessoas nunca receberam o amor verdadeiro que cura e ilumina, ou seja, tornaram-se incapazes de perceber quando há verdade tranquila nos sentimentos alheios.

Por outro lado, haverá sempre quem ama além da conta, além de si mesmo, transbordando afeto sincero e pronto para a partilha recíproca de verdades que possam se completar. São indivíduos que acreditam na felicidade a dois, sem temores, sem hesitar, porque já vivenciaram o prazer que o conforto amoroso traz consigo. E, ainda que se decepcionem e quebrem a cara, jamais se distanciam de tudo o que sempre sonharam viver junto a alguém com verdade.

Sim, cada pessoa irá reagir ao que lhe acontece de uma maneira peculiar, portanto, cabe-nos entender o que o outro é e tem a oferecer. Esse entendimento do outro é que nos poderá guiar, para que não esperemos demais de quem não tem condições de muito oferecer, em termos de amizade, de afeto, de guarida, de amor enfim. Achar que todos terão um coração igual ao nosso é uma das piores atitudes que poderíamos tomar.

Encontrar um coração que seja capaz de corresponder a tudo o que carregamos, sem que toda a carga pese somente do nosso lado não será uma tarefa fácil. No entanto, no fundo, a gente sabe bem quando as sementes lançadas demoram demais a germinar, além da conta, além do que nosso coração é capaz de suportar. Esperar luz de quem não a possui é tão inútil quanto regar terrenos estéreis. E o mesmo vale para os corações. Escolha com sabedoria os corações onde poderá repousar o que você tem de melhor. É assim que a gente não desaba.

Imagem de capa: iiiphevgeniy/shutterstock

3 filmes “cult” que nos ensinaram ERRADO sobre transtornos mentais.

3 filmes “cult”  que nos ensinaram ERRADO sobre transtornos mentais.

Nem cobremos do cinema que ele tenha sempre representações fiéis da realidade. Um filme pode fantasiar sobre diversos aspectos da vida. Ainda assim é muito importante que estejamos atentos para características das obras que pretendem contar histórias sem a pretensão de estarem corretas do ponto de vista científico, principalmente quando o assunto é Saúde Mental. Tema que tem ainda pouca propagação de conceitos.

Então é melhor ler este artigo para não cair nas boas pegadinhas de cinema.

  1. Clube da Luta

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Cartaz feito por Floren Maquin

Jack e Tyler fundam juntos um clube onde homens se reúnem para lutar, disto formam um baita exército que pretende destruir as empresas de cartão de crédito ( quem nunca quis fazer isso após a mensagem “saldo insuficiente” aparecer na maquininha, hein?). Tyler desaparece e Jack tenta encontrá-lo. No caminho, com todo mundo dizendo que ele mesmo é Tyler, descobre a sua alucinação, eles são a mesma pessoa.

Poderíamos pensar que Jack sofresse de um transtorno dissociativo de identidade, mas nesse transtorno as personalidades de uma mesma pessoa se alternam no mesmo corpo, enquanto que no filme os dois chegam a lutar, ou seja, estão presentes ao mesmo tempo. Jack aparece em algumas cenas brigando sozinho, pensando que está sendo atracado por Jack. Mas nada disso se parece com um transtorno psicótico, por exemplo, pois as alucinações envolvem mais de uma modalidade sensorial ao mesmo tempo. Num transtorno psicótico Jack veria Tyler ou ele ouvira sua voz.

O filme não tem como ser uma obra elucidativa sobre transtornos mentais, mas cumpre o seu papel como metáfora. Afinal, todos travamos batalhas contra nós mesmos, não é?

  1. O Iluminado

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Ilustraçao de Sunday Dog Parage

Outro Jack aqui, o Jack Torrance foi contratado para trabalhar como zelador, durante o inverno, em um hotel que abre apenas nas outras estações do ano, onde ficara com a esposa e o filho. Neste hotel, outro zelador matou a família com um machado e depois suicidou-se. O que acontece é que Jack Torrance e sua família, ficam enlouquecidos, ou melhor, enfantasmados. Passam a alucinar com pessoas que só aparecem para eles e participam de eventos que acontecem apenas em suas cabeças. O filho de Jack é um “iluminado” que enxerga coisas que aconteceram no passado nos lugares que agora se encontra.

Tudo isso deu um filme amado por muita gente, mas, outra vez, o erro para caracterizar um transtorno é o mesmo. Combinar alucinações auditivas, visuais e táteis.

Ou seja, melhor mesmo ter O Iluminado como um filme sobre fantasmas do que saúde mental.

  1. Taxi driver

contioutra.com - 3 filmes "cult"  que nos ensinaram ERRADO sobre transtornos mentais.Travis é um motorista de táxi que não gosta de conversa e frequenta assiduamente um cinema porn. Após se interessar por Betsy e assustar a moça por levá-la para assistir pornografia, Travis fica doidaço. Acha que precisa limpar a cidade do  “lixo moral”. Compra armas e mata um bandido que tenta assaltar uma loja em que ele está. Mata um candidato a presidência, um cafetão, um dono de hotel. Leva tiros, entra em coma e quando volta todos o consideram um herói. Ao recuperar-se, volta a sua vida de taxista.

Travis não tem nenhum delírio ou alucinação evidente, querer limpar a moral da cidade não trata-se de uma distorção da realidade, como também o comportamento de fazer “justiça com as próprias forças” não estava associado a nenhuma mística. A “loucura” de Travis é muito mais um fenômeno cultural do que um transtorno mental.

Nas próximas vezes que você assistir um filme, fica liberado se divertir e depois  perguntar para profissionais de saúde mental se aquela “doidera” daquele personagem realmente é coisa de louco ou de roteirista.

Ao escrever este artigo me baseei no livro Cinema e Loucura, conhecendo os transtornos mentais através dos filmes, da editora Artmed e escrito por J. Landeira-Fernandez e Elie Cheniaux. Recomendo para quem deseja conhecer um pouco mais sobre como transtornos mentais são retratados em diversos filmes.contioutra.com - 3 filmes "cult"  que nos ensinaram ERRADO sobre transtornos mentais.

Queridos professores, ou vocês ensinam ou vocês humilham. As duas coisas não dá.

Queridos professores, ou vocês ensinam ou vocês humilham. As duas coisas não dá.

Primeiro, vamos ter calma. Sabemos das dificuldades  de ensinar alguém. Quer testar? Pense em algo extremamente polêmico e tente explicar para alguém que pensa o extremo contrário. Ensinar pode exigir níveis altíssimos de paciência.

E paciência é um bicho que nem todo mundo tem de estimação.

Preparar aula, suportar o desinteresse quase intransponível de alguns e muitas vezes receber mal. Eu sei de tudo que é difícil e complicado na Educação do Brasil, já estive como aluno e professor em ambientes públicos.

Entretanto.

Uma coisa são dificuldades do nosso sistema, outra são as  originadas de nosso “jeitinho de ser.” Alguns professores estão mais ocupados em humilhar seus alunos do que em despertar interesse por conhecimento. Talvez por necessidade de afirmação, costumam usar de sua autoridade de ser quem faz passar ou não, para violentar as pessoas.

Essa idealização do professor por dom divino um sábio inquestionável, que jamais pode ser criticado, atrapalha tanto estudantes quanto educadores. Professor, antes de tudo, é gente e gente erra. E tem gente que se acostuma a ser violenta em suas relações e não seria entrar numa sala de aula que mudaria isso.

Sem  esquecer do professor que usa do trabalho para paquerar forçadamente com suas alunas. Da professora que ensina gritando. Das inúmeras vezes que são feitas perguntas nas salas de aulas e todos morremos de medo de responder e estarmos errados?

O medo muito mais afasta as pessoas do conhecimento do que aproxima.

O hábito de humilhar demonstrando ser o “dono do conhecimento” costuma ser forte em algumas pessoas,  não importando se os outros  aprendem ou não, quanto mais silêncio fizerem, melhor. Isso não cabe mais, queridos professores, ou vocês ensinam ou vocês humilham. As duas coisas não dá.

Se em nossa história de vida aprendemos que só existe ensino autoritário, certamente em nossas relações repetiremos. Mas aqui temos uma oportunidade. Todos. De nos desintoxicarmos dessa maneira de explicar o mundo e conhecermos formas menos violentas de nos relacionarmos.

Toda vez que qualquer pessoa, em qualquer ambiente, pensa em ensinar algo para humilhar deveria ser claro que os resultados disso são pessoas humilhadas ao invés de pessoas ensinadas.

A imagem da capa: De Master of None, disponível na Netflix, que vale a pena todo mundo que quer aprender a ensinar sem agredir. Vale mesmo, assista.

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