Cuide bem do seu amor

Cuide bem do seu amor

Não esqueça de cuidar do seu amor
De olhá-lo, de tempos em temos, com o mesmo olhar dos primeiros encontros
Lembre-se de beijá-lo com o mesmo furor dos primeiros beijos
De namorar com a mesma empolgação de outrora
De explorar o seu corpo como se não o conhecesse

Na verdade, todos mudam, e o seu amor certamente já não é o mesmo de quando você o conheceu
E, se não de dedicar a experenciá-lo, logo ele se tornará um estranho

Não esqueça de alimentar emocionalmente o seu relacionamento
De procurar palavras diferentes, para dizer o que já foi dito mil vezes
Porque, do contrário, elas acabam perdendo o seu valor

Não esqueça de buscar novas formas de manifestar o que sente
Inclusive porque o que sente vai mudando ao longo do tempo, não permanece estático

Recorde-se, periodicamente, que apesar de haver bilhões de possibilidades mundo afora
Você pode até trocar de amor, mas o novo lhe exigirá, igualmente, intensos cuidados

Então, se você tem alguém legal ao seu lado, tenha certeza que não vale a pena tentar a sorte
Melhor reciclar o sentimento e a vivência com essa pessoa que já lhe fez tanto bem
E que pode lhe fazer muito mais

Lembre-se, sempre, que tudo é uma questão de escolha
E que só vai definhar ou morrer o que assim se permitir
Não olvide-se, ainda, que a responsabilidade sempre é de ambos,
E, se não houver reciprocidade imediata, logo ela virá

Lembre-se que um tanto de romantismo, vez ou outra, faz bem para qualquer um
Procure, acima de tudo e a todo momento, não ser indiferente
Não deixar de se importar, não pensar “deve estar bom assim” ou “tanto faz”

Pois amor algum resiste à falta de alimento e à falta de significação

Tenha ele um mês ou cinquenta anos de duração
Não se esqueça, enfim, de cuidar bem do seu amor
Para sempre.

Imagem de capa:  Zoran Photographer/shutterstock

Quanto mais livre for, mais junto o amor fica

Quanto mais livre for, mais junto o amor fica

“O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser laço.” (Mário Quintana)

A gente perde emprego, deixa de ser amado, vê as pessoas indo embora, vê o dinheiro sumir, porém, ninguém nos tira as verdades que carregamos dentro do peito. Não somos donos de nada nem de ninguém, não controlamos o daqui a pouco, nem temos poder algum sobre os acontecimentos da vida. Ninguém é de ninguém. Nada é de ninguém.

Uma das atitudes mais descabidas que há vem a ser essa necessidade de querer se achar dono do outro, determinando-lhe os rumos de vida, controlando os seus passos, querendo que aja conforme aquilo que ditamos. Tiranizar o semelhante é um comportamento covarde e injusto, pois ninguém tem o direito de limitar as dimensões dos sonhos de liberdade de alguém.

O mesmo se aplica ao amor. Pessoas devem ficar juntas, sendo parceiras e companheiras por livre e espontânea vontade, de ambas as partes. Infelizmente, muitos confundem relacionamento com prisão, parceria com obrigação, afeto com devoção. E, assim, acabam por privar o parceiro de tudo aquilo em que não estejam incluídos, afastando-o de amigos, de eventos, até mesmo da família.

Amor não tem amarras, simplesmente porque sentimento não tem limites claros, são infinitos, imensuráveis, ilimitados. Sentimento se expande, se multiplica, pois sua natureza é livre e espontânea. Não dá para tentar prender o que não consegue se diminuir, delimitar-se, o que não tem medida. O amor verdadeiro se instala e pronto, ficando de bom grado onde é regado e livre.

Quem quer trair trai, não importa o que o outro faça, não importa o que o outro diga, porque trair é uma decisão de quem não assume compromisso, só finge. Por mais que o parceiro prenda, a liberdade sempre lutará por ocupar todo e qualquer espaço inalcançável, pois é disso que ela se alimenta, dessa ânsia pelo infinito.

Quem fica, é porque ama, trazendo toda a verdade que seu peito carrega e, por isso mesmo, não precisa de que o outro lhe diga o que fazer, com quem sair, para onde ir ou não ir. Quem fica, ali está porque realmente quer. Deixe que vá quem você ama, pois ele voltará, e o fará porque precisa de seu amor. É assim que o amor fica.

Imagem de capa:  wavebreakmedia/shutterstock

“Quanto mais vazia a carreta, maior o barulho que faz”.

“Quanto mais vazia a carreta, maior o barulho que faz”.

O excesso sufoca, impede o pensamento, aniquila o espaço da troca e da criatividade.

-O que, outrora, poderia parecer uma pessoa sofisticada pode esconder um alguém com compulsão por compras.

-Excesso de cursos e títulos universitários podem ser camuflagens para aqueles que temem a si mesmos e o sentimento de ser “menos do que os outros”.

-Falar demais- de si e do outro- indica uma necessidade de afirmação, um impulso nervoso que tudo invade com detalhes demais e reflexões de menos.

Há em todos pontos cegos relativos às suas próprias personalidades.

Existe uma falta de visão que pode ser situacional e impedir de identificar nossas próprias defesas. Até porque, como disse Clarice Lispector: “Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

– O arrogante pisa no outro para valorizar-se enquanto dá milhões de indicativos de sua baixa estima e insegurança pessoal.

– O fofoqueiro fala do outro enquanto desvia-se de si mesmo, a quem passa a vida comparando com o outro e cavando a sua própria miséria de não equiparar-se. Destrói, então, aquele de quem fala para se sentir menos inferior.

– O invejoso, como eu disse em outra situação,  elogia a cristaleira para depois quebrar os cristais.

– A pessoa carente de amor, pode sufocar em carinho ou na demanda pelo retorno afetivo do outro.

Ignoramos a nossa própria ignorância

“Com mais de uma década de pesquisa, David Dunning, um psicólogo da Universidade de Cornell, demonstrou que os seres humanos acham “intrinsecamente difícil ter uma noção do que não sabem”.

Se um indivíduo não tem competência em raciocínio lógico, inteligência emocional, humor ou mesmo habilidades de xadrez, a pessoa ainda tende a classificar suas habilidades naquela área como sendo acima da média.

Dunning e seu colega, Justin Kruger, agora na Universidade de Nova York, fizeram uma série de estudos nos quais deram às pessoas um teste de alguma área do conhecimento, como raciocínio lógico, conhecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis e como evitá-las, inteligência emocional, etc.

Em seguida eles determinaram as pontuações alcançadas, e, basicamente, pediram que os próprios avaliados lhe dissessem o quão bem eles achavam que tinham se saído.

Os resultados foram uniformes em todos os domínios do conhecimento. As pessoas que realmente se saíram bem nos testes tenderam a se sentir mais confiantes sobre o seu desempenho, mas apenas ligeiramente. Quase todo mundo achou que foi melhor do que a média.” – fragmento do texto de  Natalie Wolchover

Identificar pontos como esses pode nos proteger de sucumbirmos à agressões externas ou até mesmo aos nossos sentimentos mais mesquinhos e primitivos. Tomar consciência e manter uma reflexão crítica permite aquele “segundo de avaliação” que evitará uma briga desnecessária, um comentário ciumento, a frase agressiva ou mesmo uma postura presunçosa.

Pensar sobre o que está acontecendo – ou mesmo sobre o que aconteceu- é a dinâmica possível para, se não evitar que erremos, ao menos evitar que perpetuemos um erro ao longo da vida.

Sempre que estivermos frente a uma carroça barulhenta, que tenhamos a humildade de parar e avaliar de onde vem o barulho. Afinal, as rodas que rangem podem ser as nossas também.

Imagem de capa: Irina Levitskaya/shutterstock

6 dicas para quem tem uma quedinha por séries britânicas de outras épocas.

6 dicas para quem tem uma quedinha por séries britânicas de outras épocas.

Séries que impressionam por seu figurino e/ou contexto social. A seleção baseia-se em meu gosto pessoal e nas séries que eu já assisti. Não abrangem uma lista completa e não estão organizadas em ordem de relevância.

1- Downtown Abbey

  • Série que acumula mais de duas dezenas de prêmios nas mais diversas categorias.

No início do século XX, a família Crawley luta para manter o legado de Downton Abbey. Após a morte de um parente que estava à bordo do Titanic, Robert Crawley (Hugh Bonneville) descobre que o novo herdeiro da propriedade é um sobrinho distante, Matthew Crawley (Dan Stevens), um advogado com pensamentos modernistas. Enquanto Robert e sua esposa Cora (Elizabeth McGovern) se preocupam com o futuro das suas filhas, Mary (Michelle Dockery), Edith (Laura Carmichael) e Sybil (Jessica Brown Findlay), os empregados da mansão trabalham para manter a rotina da família, com todas as regras da época.

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2- The Bletchley Circle.

Acompanhe a visa de quatro mulheres com inteligência e talentos extraordinários para decifrar códigos neste drama policial.

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3- Mr. Selfridge.

Em 1909, o audacioso americano Harry Selfridge abre uma magnífica loja de departamentos em Londres e tenta conciliar sua vida familiar e seu novo empreendimento.

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4-The Paradise

Uma garota de cidade pequena e ideias grandes se muda para um centro desenvolvido e aceita um emprego na primeira loja de departamentos do país.

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5- Land Girls

Acompanhe as vidas, amores, altos e baixos de quatro mulheres que trabalharam na mansão dos Hoxley na Segunda Guerra Mundial.

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6- Call the Midwife

Drama de época baseado nas memórias de Jennifer Worth, uma parteira recém-formada na zona leste de Londres nos anos 50.

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Dica extra: The Crown

Embora não seja uma série britânica, The Crown trata da história da Rainha Elisabeth II, atual monarca do trono inglês.Filha do rei George VI (Jared Harris), Elizabeth II (Claire Foy) sempre soube que não teria uma vida comum. Após a morte do seu pai em 1952, ela dá seus primeiros passos em direção ao trono inglês, a começar pelas audiências semanais com os primeiro-ministros ingleses. Ela assume a coroa com apenas 25 anos de idade, mas com grandes compromissos, vêm grandes responsabilidades.

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Com sinopses: adoro cinema e cultura nerd e greek

Aprendi a não fazer a ninguém o que não quero que façam ao meu filho.

Aprendi a não fazer a ninguém o que não quero que façam ao meu filho.

A paternidade nunca foi o único meio de tornar as pessoas melhores.
Há um caminhão de outras formas, um milhão de outros caminhos para alguém tomar um rumo na vida. Mas eu tenho a impressão de que a experiência de cuidar de uma criança, de amá-la e protegê-la e educá-la para o mundo é uma das mais infalíveis.

Ser mãe e ser pai só não melhoram quem exibe um quadro irreversível de maldade crônica mesmo. Só não despertam a bondade em quem é mau por convicção. Tirando esses casos irrecuperáveis, toda gente evolui de alguma sorte quando faz ou quando adota uma outra pessoa e assume a tarefa custosa de formá-la para a vida.

Se o exercício mais difícil de toda a humanidade é aprender a amar o outro tanto quanto amamos a nós mesmos, tornar-se pai ou mãe é o modo mais fácil de perceber que importante mesmo é aquele que tem todo o amor que há em nós e mais um pouco.

Quem tem amor por seus filhos está a um pulo de perceber o óbvio: todo ser vivo que caminha neste mundo foi um dia uma criança carecida do amor de seus pais. Esse amor que nem sempre veio e se veio nem sempre ficou. Não importa. Quem ama seus filhos tem tudo para aprender a olhar o resto do contingente do planeta do jeito mais verdadeiro e simples: como meros filhos de alguém.

Daqui de meu lugar no mundo, vou me habituando a olhar quem passa por mim como a pessoa mais querida na vida de um pai e de uma mãe. É o que eu desejo a você, a mim e a toda gente. Que sejamos amados como eu amo meu filho, o homenzinho que me ensinou a não fazer a ninguém o que eu não quero que façam a ele.

Peço a Deus que me permita morrer bem velho, lá pela casa dos cem anos, e que meu filho já senhor de idade seja o último sujeito a quem eu olhe nos olhos. Cansado desse honesto exercício de viver, não terei outro trabalho senão assistir a uma expressão de menino agradecido retornar a seu rosto maduro de avô. Em nossa conversa final, não diremos nada e entenderemos tudo, dois velhos em uma família de gente amorosa e feliz, incapaz de fazer aos outros o que não faria a seus filhos. Pessoas boas na memória de quem eu hei de repousar tranquilo, no mais generoso e simples exercício de eternidade.

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10 sinais que são indicativos de que você está no caminho certo.

10 sinais que são indicativos de que você está no caminho certo.

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“As respostas mais importantes moram na obviedade.” Josie Conti

Nem sempre temos nossos olhos realmente abertos para realidade. Como seres desejantes sempre buscamos mais, como frutos do capitalismo julgamos que temos de menos. Entretanto, esquecemo-nos de perceber o que temos e o que já conquistamos.

Abaixo, alguns itens que parecem racionalmente óbvios, mas que não são porque nós nunca- ou quase nunca- nos lembramos de sua importância.

  1. Você não foi dormir com fome na noite passada.

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  2. Você acordou esta manhã com um teto sobre sua cabeça.

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  3. Você já superou alguns obstáculos consideráveis ​​, e você aprendeu e sobreviveu.

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  4. Você está razoavelmente forte e saudável – se você ficou doente hoje, você pode se recuperar.

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  5. Você tem um amigo ou parente de quem sente falta e aguarda com expectativa a sua próxima visita.

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  6. Você tem alguém com quem falar sobre “os bons e velhos tempos.”

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  7. Você tem acesso a água potável.

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  8. Você tem acesso a cuidados médicos.

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  9. Você tem acesso à Internet.

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  10. Você ainda tem sonhos!

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    4 sinais que são indicativos de que você está no caminho errado

Você tem ciúmes do passado do seu namorado? Conheça a Síndrome de Rebeca.

Você tem ciúmes do  passado do seu namorado? Conheça a Síndrome de Rebeca.

Dizem que ter ciúmes é normal. Tem gente que até gosta de ver o companheiro enciumado porque de alguma forma se sente desejado ou cuidado. O ciúme moderado é corriqueiro e normalmente tem a ver com o medo de perder o parceiro para alguém, medo de algum acaso que no futuro possa acarretar no rompimento da relação.

No livro Do Bom Uso Erótico da Cólera – E Algumas de Suas Consequências, o psicanalista Gerárd Pommier discute como o ciúme é usado por alguns casais como ingrediente para “apimentar” a vida a dois.

Nesse ótimo estudo, o francês debate o uso da cólera como uma maneira de intensificar o desejo, funcionando como forma de sustentar a relação, de manter a libido em alta – é o caso de casais que provocam intencionalmente o ciúme para que assim possam brigar antes de se resolverem na cama.

Para eles, “é como se, frequentemente, a desunião favorecesse a união, e como se a discórdia possuísse alguma virtude atraente no confronto cotidiano entre um homem e uma mulher”, escreve Pommier no ótimo livro, infelizmente esgotado nas livrarias nacionais. Mas existe outro tipo de ciúme, um que não se projeta adiante, não tem o foco no momento atual e nem visa esquentar a união entre quatro paredes.

É um tipo que retrocede, da marcha à ré e vai buscar no passado problemas que o próprio ciumento inventa para o presente do casal. É um ciúme Indiana Jones, arqueólogo. Mas suas descobertas são sempre para pior.

O nome disso é ciúme retroativo, também conhecido como Síndrome de Rebeca. Esse último termo vem do clássico filme de Hitchcock Rebecca, A Mulher Inesquecível, baseado no livro homônimo da escritora britânica Daphne duMaurier.

Na trama, uma mulher se casa com um homem rico e vai morar com ele no lar onde residia com a falecida esposa, a já citada Rebecca. No decorrer da convivência, a jovem segunda esposa se dá conta de que o marido ainda é apaixonado por Rebecca, que atormenta a vida dos dois mesmo depois de morta.

Pois bem, a Síndrome de Rebeca diz respeito àqueles que sentem ciúmes das relações passadas de seus parceiros e da sua bagagem afetiva/sexual. E isso tende a se transformar num verdadeiro inferno na terra, já que se trata de uma forma bastante peculiar de ciúmes.

Não é provocado, não precisa ter motivo explícito. Simplesmente aparece e devora a paciência e o humor; traz chuva e tempestade para onde tudo era antes calmaria. Não se sente ciúmes do que pode acontecer, mas sim daquilo que já foi.

Tem o costume de dar as caras em momentos de grande intimidade. No sexo, por exemplo. “Com quem ela aprendeu a gostar dessa posição?”; “será que ela gozava assim com ele?”; “tenho certeza de que ela o chupava desse mesmo jeito”: são algumas das questões que vêm à mente do ciumento que parou no tempo.

Ok, não é legal. Porém, menos legal ainda é trazer essas neuras que pertencem somente a um dos envolvidos para a vida a dois. É preciso ter controle do eu para não descarrilar o nós. Como sei disso? Porque sou um desses ciumentos disfuncionais e ainda hoje sinto na pele como é ter que domar diariamente esse bicho.

No meu caso, só o exercício da razão segura essa fera interior que procuro não alimentar com mais do que migalhas. Penso e repenso, mastigo bem para que haja uma boa digestão desses pensamentos incômodos – às vezes um uísque ajuda a afogar parte das obsessões, mas nem sempre.

Se conversar também ajuda? Depende. Algumas pessoas com a tal síndrome buscam com exaustão extrair até o último detalhe dos relacionamentos passados de seus parceiros. E quanto mais detalhes forem dados, mais a sede do monstro aumenta. Ele nunca, nunca se satisfaz.

O melhor a fazer fica a cargo de cada um. Mas mentir para o homem ou para a mulher que carrega esse problema não é a melhor saída. Nem falar mal do relacionamento anterior apenas pra curar as neuroses dela. Talvez responder de forma genérica às perguntas da pessoa enciumada, sem se aprofundar ou dar detalhes demais, seja uma boa opção.

Não falar com muita ênfase da vida sexual passada é aconselhável. Não estou falando que não se pode contar nada. Apenas que haja moderação; ir com cuidado para não transformar o parceiro no padre por trás do confessionário da vida sexual que existia antes dele chegar.

Em casos mais intensos em que nem o uísque, a conversa ou o tempo dão jeito, procurar um terapeuta é a solução mais plausível. Falar abertamente sobre o problema com um profissional tem suas vantagens.

Conviver com a Rebeca de alguém não é tarefa nada fácil. Pior ainda é conviver com a Rebeca que inventamos para o outro, uma que só existe na nossa cabeça.

É preciso seguir adiante, se colocar com os dois pés firmes no agora. Só assim o passado de um não poderá assombrar o futuro de dois.

Pai faz sessão fotográfica adorável com a sua filha recém-nascida

Pai faz sessão fotográfica adorável com a sua filha recém-nascida

Existem muitas maneiras de demonstrar o amor. Essa é uma delas!

Sholom Ber Solomon é um americano que, aos 36 anos, tornou-se pa. Para registrar os momentos da infância de sua filhinha Zoe, de apenas 9 meses, Ele montou uma conta no Instagram onde posta imagens adoráveis e inusitadas que, com certeza, fazem a alegria da família e entretem os fãs que seguem sua página.

Zoe aparece em safaris, como bombeira, bailarina, levando multas por excesso de velocidade e até como uma linda florzinha.

Com certeza lindas memórias estão sendo construídas e trarão muitas outras risadas a Zoe no futuro.

Ah, e o mais lindo de ver:? Zoe está sempre feliz junto do paizão comprovando que o projeto fotográfico é um completo sucesso!

Veja só algumas das suas fotos e derreta-se com tamanha fofura!

Siga Sholom Ber Solomon  no Instagram e acompanhem as peripécias dessa dupla.

Perdoe-se

Perdoe-se

Quando o peso em suas costas parecer maior que a sua capacidade de carregá-lo. Quando algumas lembranças o fizerem lamentar atitudes que teve, coisas que disse ou omissões cometidas. Quando a imagem do outro lado do espelho assemelhar-se mais a um juiz carrancudo do que com você mesmo…

Talvez esteja na hora de se reconciliar consigo mesmo, encarar a difícil constatação de que você também erra e, apesar de ser uma excelente pessoa em quase cem por cento do tempo, é alguém falível. E pode ser, inclusive, que haja algumas coisinhas no seu passado, recente ou distante, das quais não seja possível orgulhar-se.

Perdoar é tão difícil, mas tão difícil, que sempre aparece relacionado a ideias libertadoras no âmbito emocional. Perdoar requer que se chegue ao interior dos ossos de sentimentos como culpa, inveja, mágoa, ira e toda sorte de ressentimentos que vão nos ressecando por dentro e nos imobilizando por fora.

E se perdoar o outro já é um imenso desafio, perdoar a si mesmo é uma verdadeira jornada para dentro da nossa escuridão interna. Perdoar-se requer uma viagem solitária rumo a experiências de dor, às vezes auto infringidas, às vezes impostas ao outro. Perdoar-se é um processo transformador que requer coragem de encarar de frente aspectos pouco honrosos de nós mesmos.

A falta do auto perdão, no entanto, pode ser responsável por deformações em nossa percepção acerca daquilo que merecemos como recompensa ou castigo. Não ser capaz de perdoar-se pode dar origem a doenças físicas e psíquicas extremamente sofridas e limitantes.

Na maior parte das vezes, nenhum de nós tem condições de passar por essa excomunhão de fantasmas internos, sozinhos. Talvez haja necessidade de se buscar ajuda profissional para encontrar a raiz das questões que andam emperrando nossas engrenagens afetivas.

A ajuda de um Psicólogo é um recurso extremamente valioso nessa visita de reconhecimento a sentimentos e circunstâncias que nos fizeram agir em desacordo com nossos valores éticos, ou apenas nos colocaram em situações diante das quais deveríamos ter feito escolhas mais equilibradas ou justas.

O processo que envolve a conquista desse perdão pressupõe aberturas de consciência e o alcance de novos padrões de pensamento, a partir dos quais nos tornamos capazes de sair da paralisia de enxergar apenas o problema e evoluir para o próximo estágio, em que alcançamos as habilidades necessárias para vislumbrar soluções e oportunidades de amadurecimento.

Essa libertação, ainda que dependa de algumas mãos para segurar a nossa durante o percurso, no fim das contas é uma responsabilidade intransferivelmente nossa. Só nossa! Sendo assim, pare de se machucar com pensamentos obscuros de culpa. Acredite que mesmo o que nos parece imperdoável, um dia acabará sendo dissolvido nas areias do tempo e transformado em algo menos destrutivo.

Perdoe-se! Ofereça a si mesmo uma nova chance. Abrace essa pessoa tão encolhida que anda morando escondida dentro do seu peito. Livre-se desse fardo antigo que o impede de acolher em sua vida novas experiências. E aproveite a leveza de uma alma perdoada para tentar reconciliar-se com aqueles a quem você acredita ter ferido. Se o outro vai perdoá-lo?! Bem… isso não depende de você. Isso é assunto para outro capítulo da sua vida.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena de “Rainha do deserto”

A mudança que queremos talvez esteja na atitude que não tomamos

A mudança que queremos talvez esteja na atitude que não tomamos

Queremos um emprego melhor, mas não enviamos currículos. Desejamos um relacionamento mais saudável, mas aceitamos as migalhas diárias do parceiro. Lamentamos a viagem não feita, mas não ousamos sair do lugar. Queremos o novo, mas temos medo de nos desgarrarmos do que é velho e cheira a mofo.

É muito ruim nos sentirmos infelizes, incompletos, vivendo como se faltasse algo, como se não tivéssemos conseguido alcançar nada do que sabemos ser capazes. Essa sensação de descompasso entre o que queremos e o que realmente temos acaba nos impedindo de poder ser feliz aqui e agora. Jamais estaremos completos e teremos tudo o que queríamos, mas isso não pode ser tido como obstáculo para mantermos os sonhos acesos.

Muitos de nós parecemos viver um eterno descontentamento em relação a nossas próprias vidas e a tudo o que faz parte dela, bem como em relação ao que está ao nosso redor. É como se estivéssemos enjoados da rotina, das pessoas, do trabalho, da mesma cor de cabelo, das mesmas comidas, enfim, entediados, sem nada que nos encante. Acordamos no mesmo horário, prontos para a velha rotina de sempre. E isso cansa.

A rotina é importante, pois nos força a manter certa disciplina em nossas vidas, motivando-nos a não ficar parados, preenchendo espaços de nossos dias, de forma a não nos tornarmos ociosos. No entanto, há que se balancear essa rotina com alguns momentos inusitados, diferentes, surpreendentes, ou nos robotizamos além da conta, perdendo, a pouco e pouco, nossa essência humana e afetiva.

Fato é que perdemos tempo tentando mudar as pessoas, o mundo, em vão, e então percebemos que a mudança que tanto queremos está dentro de nós. Assim, quando mudamos a nós mesmos, tudo se torna melhor, pois o que tanto nos incomoda pode ser algo em nós mesmos. Sermos a mudança que queremos lá fora pode bem ser o começo de tudo.

Da mesma forma, quantos de nós ansiamos por que as coisas mudem, mas não tomamos a atitude necessária para que isso aconteça? Queremos um emprego melhor, mas não enviamos currículos. Desejamos um relacionamento mais saudável, mas aceitamos as migalhas diárias do parceiro. Lamentamos a viagem não feita, mas não ousamos sair do lugar. Queremos o novo, mas temos medo de nos desgarrarmos do que é velho e cheira a mofo.

Nada vem fácil, nada. Tudo o que quisermos alcançar requer disposição, luta e coragem. Caso não estejamos dispostos a ultrapassar a linha de nossa zona de conforto, tudo permanecerá na mesma. E, então, só teremos mesmo que nos lamentar sem sair do lugar.

Admiro as pessoas nobres que não se sentem superiores a ninguém

Admiro as pessoas nobres que não se sentem superiores a ninguém

Imagem de capa: Suzanne Tucker/Shutterstock

Todos gostamos das pessoas nobres e humildes, que não se acham mais do que os outros, que promovem a importância de conhecer as suas próprias limitações através das suas ações e que não fazem alarde desnecessário de virtudes e bondades.

As pessoas nobres fogem da humildade falsa e afetada, do “eu faço muito melhor”, do orgulho narcisista e do egoísmo desmedido. Acontece que a soberba daquelas pessoas com ar de superioridade é tão insuportável quanto desprezível.

Mesmo assim, como veremos a seguir, falar muito e presumir em demasia costuma ser o reflexo de algum tipo de carência, vazio ou descontentamento com a própria vida. Ou seja, o que normalmente expressamos com aquilo de “muito barulho e pouco resultado”.

Uma lição de humildade das pessoas nobres

“Eu caminhava com meu pai quando ele se deteve em uma curva e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

– Além da cantoria dos pássaros, você ouve mais alguma coisa?

Agucei os meus ouvidos e alguns segundos depois lhe respondi: “Estou ouvindo o barulho de uma carreta”. – É isso. Disse o meu pai. É uma carreta vazia.

Perguntei ao meu pai: “Como você sabe que é uma carreta vazia, se ainda não a vimos?”Então o meu pai respondeu:

– É muito fácil saber quando uma carreta está vazia, pelo barulho. Quanto mais vazia a carreta, maior o barulho que faz.”

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Transformei-me em adulto e agora, quando vejo uma pessoa falando demais, interrompendo a conversa de todos, sendo inoportuna ou violenta, se sentindo poderosa e desprezando as pessoas, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: “Quanto mais vazia a carreta, maior o barulho que faz”.

A humildade consiste em calar as nossas virtudes e permitir aos outros descobri-las. Ninguém está mais vazio do que aquele que está cheio de si mesmo.

 

Diga como você se exibe e lhe direi qual é o seu vazio

As pessoas completas são as melhores porque não têm necessidade de competir ou de ter razão. Também não precisam aparentar ou mentir, pois o que são aparece nas suas atitudes, na sua moderação e no seu saber estar.

Por isso a humildade tem como base o respeito pelos outros e a amabilidade. Esse é o pano de fundo dos olhares sinceros, autores destes sentimentos que nascem do coração.

Mas há pessoas que, infelizmente, estão tão vazias que a sua carreta faz muito barulho. Este tipo de gente não faz mais que se exibir e se vangloriar, não contempla a realidade emocional alheia e precisa demonstrar o seu valor através de palavras ocas e portas entreabertas.

Este vazio desolador é consequência de uma baixa autoestima, da ausência de possibilidades e de uma educação emocional pobre. Por isso sempre é preciso e importante trabalhar os nossos vazios, carências e capacidades.

Contudo, quando conseguimos algo muito importante para nós, é normal e comum mostrar orgulho. Mas do orgulho pelo esforço e o objetivo alcançado à altivez e à arrogância há uma boa distância.
Neste sentido, para ser humilde com as nossas conquistas e êxitos é preciso ter clareza sobre duas premissas que constituem a base da bondade e da nobreza:

•Não é preciso exibir as suas conquistas, é suficiente esperar que sigam o seu exemplo. A verdadeira conquista está em se aprimorar a si mesmo e aos outros.
•Não é preciso exigir da vida o que lhe falta, é preciso agradecer pelo que ela lhe deu.

Nada do que possamos alcançar nos faz dignos de louvor, nem de nos acharmos superiores aos outros. Só a bondade e a humildade nos ajudam a nos elevarmos e se constituirão como suportes da nossa felicidade no caminho.

“Sou mais doente que ele?”

“Sou mais doente que ele?”

Uma leitora me escreve com uma tremenda inquietação. Usa as seguintes palavras: “Depois de ler todos os dias o que você escreve e os comentários, estou quase chegando à conclusão que nós somos mais doentes que eles. Nós amamos nossos carrascos e nosso esforço para não manter contato é homérico e causa dor. O que é isso?”

Há nessa afirmação muitas verdades, mas é preciso entender alguns aspectos, para não assumir para si culpas que não lhe pertencem.
Primeiramente, transtornos de personalidade não são doenças, são perturbações da personalidade que formam uma classe de transtorno mental que se caracteriza por padrões de interação interpessoais tão desviantes da norma, que o desempenho do indivíduo tanto na área profissional como em sua vida privada pode ficar comprometido.

Assim, os padrões da dependente emocional também estão inadequados, muitas vezes caracterizando um transtorno de personalidade (dependente), mas não é uma doença no real sentido da palavra. Doenças físicas surgem desse estado de coisas, mas os transtornos são ligados à inadequação de comportamentos quando comparado ao “normal”, não a doença.

Esclarecido isso, e usando a palavra doença de forma figurada, não posso afirmar que você está MAIS “doente” do que alguém portador de transtornos de personalidades incuráveis como são os transtornos de personalidade narcisista e antissocial.

Se você está lidando com um narcisista ou com um psicopata completo, está lidando com dois transtornos extremos e, particularmente, desconheço transtornos mais nefastos, ou, de forma figurada, mais “doentes” do que esses, haja vista o potencial lesivo que eles têm.

Pode ser que você esteja apenas lidando com alguém difícil e que tudo possa se ajustar com o tempo e o esforço de ambos. Mas veja, quando você identifica alguém em todos os critérios de alguém perverso, saiba, dificilmente essa pessoas está apenas passando por uma fase e acreditar nisso é autossabotagem.

Dito isso, vamos voltar a quem interessa, que é VOCÊ. As razões que levam uma pessoa a permanecer, tolerar, querer, sentir falta de alguém abusivo podem ser muitas. Vou elencar algumas que conheço, sem no entanto, restringir-me a elas:

1. Você pode ter transtorno de personalidade dependente.

2. Você pode, na dinâmica sado-masoquista que se instala nessas relações, ter se tornado dependente emocional/codependente afetivo desse carrasco;

3. Você pode estar com medo de perder a pessoa que você idealizou e em negação da pessoa que o abusador realmente é. Desejou tanto aquele ideal romântico que agora tem dificuldade para abrir mão dele;

4. Você pode ser o tipo de pessoa que eu chamo de “gente que não se deixa amar”, ou seja, gente que só se sente atraído por quem lhe faz penar para receber amor. Gente boa, amorosa e disponível para essas pessoas, é sem graça, que é também uma característica da MADA;

5. Você pode estar “sequestrada” emocionalmente. Com as alternâncias de tratamentos bom e ruins, com o “gaslighting”, as humilhações, as agressões verbais, o ataque à identidade e autoestima de seus alvos, abusadores sequestram a sua subjetividade e você perde a noção de quem é sem aquela pessoa. De novo, ligação através do trauma;

6. Você pode ter vindo de um lar abusivo e, inconscientemente, reproduz em suas relações aquilo que vivia em sua casa, seja como tentativa de consertar o passado no presente, seja na tentativa de criar um ambiente ao qual você se habituou e, portanto, nele sabe sobreviver;

7. Você pode estar sofrendo de Síndrome de Estocolmo ou “trauma bonding”, ou seja, ligação através do trauma. Foi tão agredida e danificada pelo seu algoz, que não consegue se separar dele. Acha que consertá-lo é um caminho mais curto, pois consertar-se lhe parece algo penoso e impossível, tamanho o estrago que você percebe ter sofrido;

8. Você não recebeu afeto ou não entendeu como afeto o que lhe foi ofertado pelos seus objetos primários (os pais ou quem os represente). O sentimento de abandono e rejeição pode ter feito com que você se tornasse “a boazinha” que, através da doação exacerbada, tenta se mostrar indispensável.

Você dá muito, mais do que lhe pediram, perdoa sempre que não recebe, na tentativa de mostrar quanto você é “boa” e, portanto, merece ser amada. Quando percebe que não vai receber, você passa a exigir amor, como quem passa ao outro uma fatura a ser paga por tudo aquilo que deu. Ao exigir de alguém que não tem para dar, você se vê num ciclo sem fim de abuso, pois se recusa a desistir depois de tanta doação. Se fizer isso com alguém saudável, ao invés de ser explorada, você o sufocará e afastará. Aliás, essa será a desculpa do perverso quando não tiver mais nada para tirar de você.

Seja qual for o seu caso, é importante buscar apoio terapêutico, leitura, autoconhecimento. Para tudo o que descrevi acima existe tratamento terapêutico e informação que pode levar você a substituir um padrão de comportamento doentio/inadequado por padrões saudáveis.

Cada pessoa é uma história e cada uma se beneficiará de um tratamento diferente. O que importa é que É POSSÍVEL TRATAR. O mesmo não se pode dizer de narcisistas e psicopatas completos.
Daí a resposta: não, você não está MAIS doente do que seu carrasco, mas certamente precisa de muita ajuda, bem mais do que ele.

MAS E PARA ELE (OU ELA) , TEM TRATAMENTO?

O maior problema que vejo quando me comunico com pessoas com o questionamento da leitora acima é que erram na pergunta. Querem saber se há tratamento para o outro e não para si. Se sentem doentes porque não conseguem entender porque o outro não foi ou é capaz de dar-lhes amor. Querem saber onde erraram com seus algozes e como se livrar da dor de viver naquele inferno sem ter que abrir mão do sonho. Querem saber como CURÁ-LOS.

São perguntas e pretensões equivocadas! O foco de sua preocupação deve ser SEMPRE VOCÊ.

É afirmar: O que estou tolerando é intolerável.
É questionar: Há tratamento para MIM? Como posso ME ajudar?
E quanto ao abusador, é inútil orar aos céus que um milagre o traga curado, modificado e como você o idealizou. Para entender porque isso é inútil, pergunte-se e responda-se com honestidade:
O meu parceiro acredita que precisa de mudanças?
Ele se considera errado, inadequado ou doente?
De quem, segundo ele, é a culpa do fracasso da relação? Ele está certo?

Quando ele admite precisar de “tratamento”, faz isso de verdade ou apenas para sugar me para dentro da relação de novo, voltando rapidamente aos mesmos comportamentos e dizendo que sou EU quem precisa de tratamento? Ele quer minha ajuda, deseja uma mudança ou acha que o problema sou eu?

A mudança dele beneficia a ele ou a mim? E aqui cuidado com a resposta porque VOCÊ pode achar que uma mudança nele o beneficiaria porque ele seria feliz, mas ele pode entender que a vida dele tal qual é está muito bem, obrigado!

Eu, que estou completamente dependente e viciada(o) nessa relação, já busquei ajuda para si mesma(o)?
Entenda: enquanto o seu sofrimento atual não levar o foco para você, para o seu problema e o seu bem-estar, você estará procurando um remédio que não existe para um paciente que se entende saudável.

E doa o quanto doer, seu processo de cura JAMAIS terá início se você:
-Continuar a manter contato, seguir os passos de seu algoz nas redes sociais, segui-lo pela cidade, inteirar-se de sua vida, relacionamentos, etc.
-Deixar canais de comunicação abertos onde recebe suas mensagens manipuladoras, ligações, etc.
-Continuar a ser sua platéia, se fizer presente onde ele está, mantiver contato com gente ligada a ele, enquanto ele humilha, desespera e assombra você.

Imagem da capa: WAYHOME studio/shutterstock

Envelhecer é o quê?

Envelhecer é o quê?

Faz nove anos recebi o crachá de velha. Aconteceu na linha verde do metrô paulistano. Uma mocinha, sentada no assento preferencial, ao me ver se levantou prontamente cedendo o lugar para mim. Meu impulso bem-educado pensou em dizer: “Obrigada pela gentileza, mas com os meus 52 anos ainda não ganhei o direito de sentar no banco preferencial, que é líquido e certo a partir dos 60”.

Já meu impulso mal-educado pensou em vociferar: “Qual é a sua, menina? Está me achando com cara de velha?” No fim, nada disse. Recusei a gentileza com um gesto de cabeça. Fui heroicamente, em pé, até à estação terminal na Vila Madalena. Deixei o trem um tanto tocada.

Por muitos dias, a cena da mocinha e do assento preferencial não abandonaram meus pensamentos. Passado o choque inicial veio a reflexão. Para alguém com 18 anos, uma pessoa com 50 e tralalá é antiga. Lembrei da voz da psicanálise argumentado: “Somos o que o olhar do outro insinua”.

Na TV brasileira, a maioria acachapante dos produtos e serviços são vendidos por jovens e adultos. Velhinhos e velhinhas só aparecem em mensagens de Natal, de Dias da Mãe e do Pai. Ou na publicidade politicamente correta dos governos e estatais.

Há de se dizer que recentemente tem havido alguma melhora, ajudando os mais velhos a se insinuar no ambiente digital. Mas é pouco. Há também um problema de gênero. Para as mulheres, a velhice parece chegar mais cedo. Basta olhar a capa das revistas femininas: corpos de 15 anos em rostos de 20. Durante séculos, envelhecer no feminino foi sinônimo de desgraça.

Mas o envelhecimento, de um modo geral, não é igual em todas as culturas. Pajés, xamãs, sacerdotisas, mães-de-santo ganham respeito na medida em que avançam tempos de vida. A lógica é cristalina: transmitem experiências de quem já foi com o fubá e voltou com o bolo muitas vezes.

E o que é a experiência senão o disco rígido de inúmeros começos? A experiência não é tão somente profissional, é o caleidoscópio de esperanças, frustrações, aniversários, lutos, dores e amores vivenciados na profusão das décadas. Só sabemos que nada sabemos depois de saber muito.

Viver o envelhecimento é dádiva para os que não morreram prematuros. É uma fase, entre tantas, da vida humana. Se crianças têm suas fabulações; adolescentes, suas descobertas; jovens, seus arroubos; adultos, seus poderes; velhos têm fabulações, descobertas, arroubos e poderes. Afinal, provaram todas as idades.

Está certo: quando encontro uma fotografia com os meus vinte e poucos anos, quase pergunto: quem é esta na foto? Para onde fugiram: a água dos olhos, a seda dos cabelos, a boca definida, o corpo esguio, a cintura de pilão?

Para aonde: todos os sonhos do mundo? Por outro lado, ao olhar-me no espelho, vejo um rosto com marcas que confirmam a trilha de histórias reais, imaginárias. As completas e as incompletas.

O que hoje percebo, sem precisar de nenhum espelho, é o presente. Claro, se o destino me conceder, depois de velha, ficarei bem velhinha. Pode ser que mais enrugada, um pouco surda, com ruídos na memória. Pode acontecer tantas coisas. Mas a consciência da vida presente é o que me move e comove. Ela me faz desejar as manhãs. As ensolaradas e as chuvosas também.

Imagem de capa: wavebreakmedia/shutterstock

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