Sobre a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por c(EGOS)

Sobre a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por c(EGOS)

Há um ditado que diz que a arte imita a vida. Entretanto, por vezes acontece o contrário: a vida imita a arte. Um dos exemplos que confirmam isso é o livro “Ensaio Sobre Cegueira”, obra do gênio português José Saramago, já que – assim como no livro – estamos cada vez mais mergulhados em uma cegueira que torna insustentável (ou impraticável) o mínimo de humanidade que nos constitui ou deveria nos constituir.

A “cegueira branca” ou a “dura pele” a que chamamos egoísmo, infelizmente, não é uma realidade apenas “saramanguiana”. Ela está em cada um de nós, pelo menos em potencial, de modo a tornar-se evidente e quantitativamente grande em um piscar de olhos, com o perdão do trocadilho. Dessa forma, basta que alimentemos o lado escuro do coração, para que os olhos passem a não enxergar além do próprio ego ou do próprio umbigo.

A questão que se coloca, diante disso, é se o mundo no qual vivemos oferece condições suficientes para que a lucidez seja mantida. Na estória do português, as condições não são das mais favoráveis, tanto que apenas uma pessoa – a mulher do médico – permanece lúcida, sem cegar, ou melhor: “Com a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Na nossa sociedade, parece que as condições não são tão diferentes, afinal o egoísmo e o individualismo são consagrados ininterruptamente como valores supremos e absolutos, de tal maneira que ser cego é a regra, enquanto a lucidez é uma rara exceção.

Apesar da realidade sombria e dificultosa, é possível se manter lúcido. Mais que isso: é condição imprescindível para que o que ainda resta de humanidade entre nós não escoe pelo ralo. Evidentemente, não é fácil. Se fosse, “Ensaio sobre a Cegueira” sequer existiria ou, no mínimo, teríamos mais do que apenas “a mulher do médico” como ser que consegue enxergar. No entanto, é necessário entender que cada um possui responsabilidade pela parte que lhe cabe no mundo, inclusive, para que a sua própria existência possa ser garantida.

Sendo assim, é uma enorme falta de racionalidade, ou deturpação desta, acreditar que um mundo construído em cima de fundamentos tão desumanizadores, como o egoísmo, possa ter qualquer tipo de sustentação. Mais hora, menos hora, ele vem abaixo. Rachaduras enormes e aos montes já são perceptíveis, pelo menos, para quem ainda consegue ou quer enxergar.

Na realidade do livro, de repente as pessoas voltam a enxergar, como se nunca tivessem cegado, como se fossem cegos que vendo, não veem. Penso que é exatamente assim que estamos: acreditando enxergar, quando já estamos cegos, presos em armadilhas que diariamente ajudamos a construir. Resta saber, quantos ainda permanecem enxergando, contrapondo-se à ordem destrutiva do mundo e assumindo a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por c(egos).

Imagem de capa: savageultralight/shutterstock

Não levem vidas de silencioso desespero. Façam das suas vidas algo extraordinário!

Não levem vidas de silencioso desespero. Façam das suas vidas algo extraordinário!

Vejo uma geração que finge ser feliz o tempo inteiro, mas esconde medos e fobias. Vejo uma geração que procura, de todos os modos, manter uma imagem de sucesso, mas não consegue ter tranquilidade para dormir à noite. Vejo uma geração que se preocupa apenas em atender aos padrões de comportamento criados por pessoas que sequer sabem que ela existe. Vejo uma geração que, por trás de uma imagem de autossuficiência, esconde tristeza, insônia, depressão e ansiedade. Vejo uma geração que deixa o tempo escorrer pelas mãos. Vejo uma geração perdendo a chance de fazer das suas vidas algo extraordinário.

Vivemos em um mundo de extrema fluidez e velocidade, o qual cobra em demasia de nós, como se nós tivéssemos que ser o gabarito do mundo, tendo respostas para tudo, saídas para qualquer tipo de situação e, assim, acabamos por ficar sobrecarregados, já que, embora queiram, nós não somos máquinas, tampouco super-heróis. Ou seja, há uma ditadura da “felicidade”, que cria modelos de “sucesso” a serem seguidos por todos que desejam ser marcados com o título de “vencedor”.

Entretanto, nesse modelo, não há espaço para o erro, para o choro e para o fracasso, já que todos são vencedores, vivendo suas vidas felizes de sucesso. Além disso, não há espaço para que o indivíduo seja quem de fato quer ser, uma vez que isso está fora do modelo de sucesso predeterminado. Diante disso, vem à minha cabeça uma indagação: se o modelo produz tantos vencedores, porque há tantas pessoas, sobretudo jovens, deprimidos? A resposta é simples: porque somos seres únicos, com personalidade própria, com nossos próprios maneirismos e idiossincrasias, de modo que criar um modelo padrão e querer aplicá-lo a todos os seres humanos é totalmente inconcebível, sobretudo se esse modelo pressupõe-se como gerador de felicidade.

Cada indivíduo é um universo e, portanto, há uma multiplicidade de desejos, ambições e sonhos que precisam ser cultivados. No entanto, desde cedo tratam de destruir os sonhos das pessoas, principalmente com a educação tecnicista que recebemos, a qual substitui os “porquês” pelos “comos”, bem como se destrói o universo lúdico e poético, para dar lugar a um mundo de pragmatismo financeiro.

Desse modo, sonhos vão sendo deixados para trás, abafados por pressão, medo de fracassar, fobias, ansiedade, tristeza, de tal maneira que, quando queremos retomá-los, temos que passar por todos esses sentimentos negativos que compõem praticamente o que nos tornamos ao abandonar aquilo que faz o coração se sentir vivo. E, assim, levamos vidas medíocres, robotizadas e medicalizadas, para, simplesmente, atender a um modelo que prometeu sucesso e felicidade. Um modelo que prometeu vidas extraordinárias.

E, como diria o poeta – “De fracasso em fracasso, vamos nos acostumando a ter vidas que não passam de rascunhos”. Todavia, o problema não são os fracassos em si, e sim acumular fracassos de vidas que não significam nada para nós, que não representam os desejos ocultos de um coração que silenciosamente chora. Vidas vazias de sentido e importância, sem traços fortes que deixam marcas. Vidas de silencioso desespero. Vidas de desnutrição existencial. E, aqui, outra pergunta vem à mente: será que não somos capazes de ter vidas que vão além de rascunhos?

Acredito que sim, embora seja necessário nos libertar das amarras a que nós insistentemente procuramos. Esquecer o que o mundo quer de nós e perguntar para o nosso mundo o que ele quer para nossas vidas. Ao decidir ser quem realmente você é, a estrada provavelmente estará vazia e escura, mas é preciso coragem para prosseguir, pois somente quando conseguimos sentir que estamos no lugar que queremos, podemos sentir o âmago da vida e substituir o silencioso desespero de uma felicidade falsa pelo canto sincero de uma vida única, marcante e extraordinária.

Imagem de capa: A StockStudio/shutterstock.

Amor mole em alma dura, tanto bate até que… fura

Amor mole em alma dura, tanto bate até que… fura

Baixei a guarda, desarmei o orgulho, passei óleo de peroba na cara e fui à luta: eu vou chover doçura nessa sua armadura de amargura.

Porque eu sei que o amor não é equação de dois iguais, e eu sei que a vida não é sempre uma loteria em que a gente conta com a sorte e com as coincidências. Em que dois seres se encontram, se apaixonam, se compreendem, se permitem viver algo num mesmo momento.

A gente se desiguala, a gente se desencontra, a gente se desconhece. Mas a gente pode escolher ter paciência ao invés de abandonar o barco com medo de perder tempo e energia. E a gente pode escolher fazer mudanças por uma delicadeza perseverante e não pela força dos argumentos.

Não te coloco no centro da minha vida, não quero mover oceanos, te convencer de nada, alterar o rumo das marés, te desestabilizar inteiro, gastar toda a minha força e vontade.

Vim aqui sem tecnologia, mecânica, engenharia. A minha arma é o amor.

E assim, sem grandes intenções, vou devagarzinho te jogando gotas de carinho a cada dia. Vou ser invisível como o vento, constante como a onda, sutil como o sol da manhã.

Devagar, eu sei, é assim, vou te tirando umas lasquinhas, um sorriso, um brilho no olhar. Vou amolecendo seu coração. Não para que a gente se funda, mas para que eu te abra para a vida.

A minha dança é gratuita, fico feliz de me expressar perto de você ou de quem seja. Sou força transformadora como a água, nasci para desestabilizar conceitos e amaciar pensamentos. Mas vou com jeito, porque sei que almas duras tendem a sair correndo com grandes impactos.

Um dia te sopro um segredo no ouvido, no outro te deixo de lado.

Não é com fúria, pressa e veemência que se abre uma ostra. É com tempo, carinho e cuidado.

Parece brincadeira, mas já vi por aí pedras de gelo virarem vapor d’água. E é por isso que eu acredito que amor mole em alma dura tanto bate até que fura.

Imagem de capa: FCSCAFEINE/shutterstock

O amor deles não estava estampado nas vitrines, mas dentro de seus corações

O amor deles não estava estampado nas vitrines, mas dentro de seus corações

 Ninguém sabia o quanto eles eram cúmplices, parceiros, o quanto haviam batalhado um pelo outro, o quanto lutavam para se entenderem, o medo que tinham de se perderem um do outro, porque, na verdade, não se preocupavam com o que os outros achavam. Ninguém imaginaria, mas nem precisava, pois eles tinham certeza.

Ninguém sabia o quanto eles eram cúmplices, parceiros, fiéis um ao outro, respeitando-se com afeição mútua e sincera. Conheciam-se como ninguém e sabiam exatamente do que o outro precisava, pois se doavam com inteireza, enxergando-se com os olhos do parceiro. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia o quanto haviam batalhado um pelo outro, na esperança de que ficassem juntos, apesar de tudo, a despeito de todos. Desde o início, dispuseram-se a se despir de quaisquer amarras, tornando-se livres e libertos de entraves carregados de orgulho e de incompreensão. Despiam-se, além das roupas, fundo na alma. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia da capacidade de entrega a que se dispunham, o quanto lutavam para entender, compreender e aceitar o outro, naquilo que ele tinha de bom e de ruim, pois visavam ao encontro do fim de noite, em que a escuridão abafa as falhas e eleva o contato, a aproximação, a fusão mágica das almas em comunhão. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia que choravam, decepcionavam-se, amargavam a dor da quebra de expectativas, do afogamento das promessas, do silêncio que dilacera. Desciam juntos ao fundo do poço, para então recobrar os sentidos e reforçarem a intensidade da imensidão a que se alargava sua paixão, como que se necessário sorverem as delícias da bonança que ressuscitava o amor em meio à tempestade que se ia. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia que eles também tinham medo de se perderem um do outro, de que a dureza fria da rotina diária imprimisse o afastamento entre suas vidas. Mas lutavam, eram verdadeiros guerreiros, quando se tratava de resguardar a pureza do amor transbordante de que se alimentavam. Sempre voltavam um para o outro. Viciaram-se um no outro, da pior e da melhor forma possível. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém podia imaginar, porque não se preocupavam com o que os outros achavam, tampouco inundavam as redes sociais de fotos ou declarações, ocupados que estavam em serem par, serem seus, serem o que vinha de dentro de si mesmos, serem um do outro. Ninguém imaginaria, mas nem precisava, pois eles tinham certeza.

Imagem de capa: VAKSMAN VOLODYMYR/shutterstock

9 razões para ficar um tempo sozinho

9 razões para ficar um tempo sozinho

Pensamos tanto em estar sempre rodeados de amigos, que quase não sobra tempo para a reflexão que só a solidão consegue permitir. Contrariando o que a maioria pensa, estar um pouco sozinho também é muito importante.

Aqui apresentamos 9 razões importantes para se distanciar um pouco do mundo exterior e olhar para você mesmo. Vamos a elas:

  1. A solidão purifica a mente. Durante o dia, recebemos muita informação dos meios de comunicação, de amigos, colegas e familiares. Às vezes, não nos damos conta de como essa enxurrada começa a afetar a nossa vida de maneira negativa. Por isso, é importante estar um tempo sozinho e em silêncio, sem deixar que os outros nos incomodem.
  2. A criatividade também precisa de paz e tranquilidade. Quando estamos sozinhos e não pensamos em nada em concreto, nossa imaginação tem um momento importante de liberdade e é capaz de fazer brotar novas ideias.
  3. A solidão ajuda a fortalecer a confiança. Escutar a nossa voz interior e analisar os prós e contras baseados na nossa experiência de vida é muito mais importante do que a opinião de qualquer outra pessoa.
  4. Ficamos mais independentes. Quando estamos sozinhos, podemos imaginar e sonhar metas mais ousadas que permitem que desenvolvamos um caráter independente e autossuficiente.
  5. A solidão aguça a percepção. Ao deixarmos de lado as emoções e as preocupações com o mundo exterior, fica mais fácil tomar decisões corretas ou olhar os problemas desde um outro ângulo.
  6. Passar um tempo sozinho diminui o estresse e a ansiedade. Isso ajuda a organizar os pensamentos e a reestabelecer as forças depois de um dia cheio e tenso.
  7. A melhor maneira de se conhecer é fazer uma pequena pausa na comunicação com as outras pessoas. Isso vai te ajudar a entender o que é realmente importante para você e a conhecer melhor as suas prioridades.
  8. A melhor maneira de aumentar a eficiência é estar sozinho. Desta forma, você pode clarear os seus pensamentos, organizar metas e sonhos, e esboçar um plano de ação de acordo com as suas prioridades. Isso vai te dar novas e mais forças para realizar os seus objetivos.
  9. A solidão fortalece as relações. Acredite ou não, mas as pessoas queridas não precisam da nossa atenção o tempo todo. Quando temos tempo para entender e valorizar a nós mesmos, somos mais capazes de entender e valorizar os outros.

Fonte: powerofpositivity
Foto: news
Tradução e Adaptação: Incrível.club

A vida nos mostra quem sim e quem nunca!

A vida nos mostra quem sim e quem nunca!

Não conseguiremos reabastecer nossas energias, caso estejamos sendo usados por alguém que não entende que a vida é dar e receber, ir e vir, troca, reciprocidade. É preciso estabelecer morada junto às pessoas que saberão compartilhar, distribuir e receber amor e tudo o mais que vem junto nesse encontro de vidas, de corpos, de almas.

Muitos passam pelas nossas vidas, mudando-a de alguma forma, às vezes de maneira positiva, outras vezes nos decepcionando. Será inevitável termos que lidar com as mais variadas formas de encontros que pontuarão nossa jornada, bem como com as despedidas e rupturas, sendo a nossa postura frente a isso tudo essencial, para que permaneçamos firme no propósito de alcançar a felicidade. É preciso saber dizer sim, não e nunca!

Diga sim às pessoas que se mostrarem como são, que transpirarem o ar da transparência e da verdade. Quanto mais fortemente estivermos sintonizados com tudo o que é claro e original, mais chances teremos de evitar caminhos tortuosos de dor e desesperança. A qualidade de nossa vida em muito dependerá das companhias que trouxermos para junto de nossos jardins.

Diga não àquelas pessoas que se valem da tristeza para permanecerem em pé, que são incapazes de ser e de ver alguém feliz e que estão sempre prontas a espalhar escuridão. Não poderemos nos contagiar pelo mau-humor, pela infelicidade e pela maldade de quem fica ali ao lado emanando energia negativa. Nossa determinação em sorrir deverá ser o escudo contra quem não oferece nada além de maldade e lamentação.

Diga nunca a quem não retorna coisa alguma, quem só enxerga no outro aquilo que ele possa vir a oferecer, quem só pensa em si mesmo e trata as pessoas como objetos descartáveis. Não conseguiremos reabastecer nossas energias, caso estejamos sendo usados por alguém que não entende que a vida é dar e receber, ir e vir, troca, reciprocidade.

Diga não a quem quiser permanecer ao seu lado pela metade, sem inteireza, olhando para você de tempos em tempos, somente quando não há nada mais interessante a fazer. Ninguém merece amar intensamente alguém que ama de volta sem doação integral, alguém que apressa os passos para sair ali do lado, alguém que coloca tudo menos o parceiro na lista de prioridades.

Diga nunca a quem não transmite certeza, segurança e verdade, a quem mantém os olhos distantes e intransponíveis, a quem não desnuda sua essência, quem não se posiciona com afetividade. O mundo já se encontra por demais robótico e frio, para termos que conviver com gente que não se importa, não se sensibiliza, não se emociona nem emociona ninguém. Quem não se abre não será capaz de entender e de valorizar as ofertas alheias.

Diga sim às pessoas que transbordam sentimentos, que se dignam a entender o outro, acolhendo-o com tolerância e sinceridade, colocando-se no lugar de quem sofre, de quem chora, de quem se sente diminuto. É preciso que consigamos estabelecer morada junto às pessoas que saberão compartilhar, distribuir e receber amor e tudo o mais que vem junto nesse encontro de vidas, de corpos, de almas.

Bom seria conseguirmos saber de início quais intenções guarda cada uma das pessoas que cruzam os nossos caminhos, para que nem precisássemos nos decepcionar dolorosamente com gente que machuca e fere. Como isso é impossível, será necessário nos livrarmos o quanto antes daqueles que aparecem para escurecer, bem como nos cercarmos daqueles que realmente vêm com intensidade, que procuram e ofertam, que ficam com tudo, ao longo das tempestades e das bonanças, de mãos dadas, com os olhos voltados aos nossos. Isso é amor pra vida toda.

Imagem de capa: Olena Andreychuk/shutterstock

Um brinde aos chorões: Estudo revela que pessoas que choram são mais fortes

Um brinde aos chorões: Estudo revela que pessoas que choram são mais fortes

Texto de Jennifer Delgado

Todas as emoções não são iguais nem encontram o mesmo grau de aceitação em nossa sociedade. A emoção mais aceitada é a felicidade, basicamente porque é um sinal de segurança, confiança e êxito. Por isso nos vemos obrigados a fingir felicidade, respondemos que estamos bem e esboçamos um sorriso, mesmo que por dentro estamos destroçados. Já que a felicidade nos assegura um êxito social, nos faz ganhar amigos e transmite uma imagem de êxito.

A tristeza, entretanto, está catalogada como uma emoção negativa, uma emoção que se deve esconder e que inclusive deveríamos ter vergonha. As expressões da tristeza, com os ombros caídos, o olhar triste e o choro, são considerados sinais de debilidade e insegurança.

Uma sociedade que sempre demanda que estejamos felizes e alegres, dispostas a comermos o mundo, simplesmente é tremendamente injusta. Porque não funcionamos assim, frequentemente nos entristecemos. Estigmatizar a tristeza só serve para nos fazer sentir pior, para que pensemos que não somos o suficientemente fortes como para aguentar os problemas sem virmos abaixo.

Entretanto, na realidade as pessoas que se atrevem a expressar sua tristeza e choram, tem um maior equilíbrio emocional do que aquelas que reprimem as lágrimas e escondem seus sentimentos. Um provérbio irlandês diz que “As lágrimas derramadas são amargas, mas mais amargas são as que não se derramam”.

Por que as pessoas que choram são mais equilibradas emocionalmente?

 1. Não reprimem suas emoções

Se você se sente eufórico de alegria, esconderia seu sorriso? Se escuta um som alto na casa a noite, não lhe assustaria? Então, no há motivos para esconder a tristeza. Só as pessoas seguras de si mesma, com uma grande Inteligência Emocional, são capazes de reconhecer suas emoções e expressá-las, mesmo que estas sejam consideradas “negativas”. É necessário muita coragem para nadar contra a corrente e expressar quem você realmente é ou como se sente nesse momento. Na verdade, o filósofo Séneca afirmou que “Não tem maior causa para chorar que não poder chorar”.

Manter a mente fria e reprimir as emoções tem um grande custo, não só para nossa saúde psicológica como também física. Numerosos estudos tem vinculado a repressão emocional com um maior risco de desenvolver enfermidades como asma, hipertensão e patologias cardíacas. Curiosamente, um estudo realizado na Universidade de Standord descobriu que as pessoas que costumam reprimir suas emoções agem ante a pressão e ao estresse de maneira exagerada, com um maior aumento da pressão arterial que as pessoas catalogadas como ansiosas. Isto nos indica que essa “calma aparente” na realidade não é boa para nosso equilíbrio emocional.

2. Aproveitam as lágrimas para mudar a perspectiva

Você sabia que as lágrimas aliviam o estresse, a ansiedade, a dor e a frustação? As lágrimas no só são a água que limpamos a alma senão que também limpamos nossos olhos, para permitir-nos ver a situação a partir de outra perspectiva. As lágrimas nos fortalecem e nos permite crescer. Com já dizia a poeta uruguaia Sara de Ibáñez: “Vou chorar sem pressa. Vou chorar até esquecer o choro e alcançar o sorriso”.

Na verdade, 70% das pessoas pensam que chorar é reconfortante. E que o choro nos permite ver a situação por uma perspectiva mais positiva. Quando terminamos de chorar, nossa mente se encontrar mais clara e, e em poucos minutos seremos capazes de analisar a situação a partir de outro prisma. Isto se deve a que nossas emoções se equilibraram e nossa mente racional está preparada para entrar em ação.

3. Sabem que o choro é terapêutico

Sabia que o choro estimula a liberação de endorfinas em nosso cérebro, que nos ajudam a aliviar a dor e também fomentam um estado de relaxamento e paz? É por isto que depois de chorar, nos sentimos muito melhores e relaxados. Na verdade, foi verificado que não é conveniente cortar o choro, mas deixar que flua porque a primeira fase só tem um efeito ativador mas a segunda fase tem um efeito calmante que reduz a frequência cardíaca e respiratória, propiciando um estado de relaxamento. Ás vezes, o choro é mais benéfico que o riso.

Um estudo realizado na Universidade da Florida descobriu que o choro é profundamente terapêutico, sobretudo quando se une com um “remédio relacional”, ou seja, quando se aproxima outras pessoas e estas nos dão consolo. Também perceberam que o choro triste, esse que está destinado a criar novos vínculos depois de uma perda, tem um poder catártico.

4. Não se submetem as expectativas sociais

As pessoas que não tem medo de chorar se sentem muito mais livres, são capazes de expressar-se sem se verem pressas pelos convencionalismos sociais. Estas pessoas não tem medo de decepcionar os demais nem a mostra sua suposta “debilidade”, porque sabem que na realidade chorar não implica em nada disso.

As pessoas que choram são mais verdadeiras e não querem se ver maquiadas pelas expectativas sociais. Essa consciência as levam a serem mais livres e a levar uma vida segundo suas próprias regras. Estas pessoas são verdadeiros “ativistas” que lutam por uma sociedade mais saudável emocionalmente onde as pessoas não se veem obrigadas a esconder o que sentem.

5. Conectam emocionalmente através das lágrimas

O choro é uma das expressões mais íntimas dos nossos sentimentos. Quando choramos na frente de alguém, é como se estivéssemos desnudando nossa alma. Por isso, as lágrimas ajudam a criar um conexão muito especial, é como se conectássemos diretamente através do nosso “eu” mais profundo.

Quando uma outra pessoa “aceita” essa tristeza, sem tentar fugir dela ou nos brindar de falsas palavras de alento, simplesmente nos apoia e se mantém ao nosso lado, se cria uma conexão única. Na verdade, uma das funções das lágrimas é precisamente a de pedir ajuda, mesmo que seja de maneira indireta, mostrando nossa impotência, para que os demais se acerquem e nos conforte.
Portanto, o choro e a tristeza não devem ser percebidos como um sinal de debilidade, senão como um sinal de fortaleza interna e atenção plena. Não choramos porque sejamos débeis ou incapazes, senão porque estamos vivos e não nos envergonhamos de expressar o que sentimos.
Portanto, como dizia o poeta argentino Oliverio Girondo:
 “Chorar a lágrima viva, chorar a choros…..Chorá-lo todo, mas chorá-lo bem.(…) Chorar de amor, de cansaço e de alegria”.

Imagem de capa: Photographee.eu/shutterstock

Morar sozinho é uma escolha que empobrece, mas também enobrece

Morar sozinho é uma escolha que empobrece, mas também enobrece

Só em São Paulo, mais de um milhão de pessoas vive só. E nem sempre viver sozinho é sinônimo de solidão, como mostrou o Globo Repórter exibido em agosto deste ano. Na atração, o experiente repórter Edney Silvestre acompanhou a rotina de um prédio onde 80% dos moradores vivem sós, mas sempre contando com a ajuda e até serviços de um dos vizinhos para desbancar a solidão.

O programa bateu recorde de audiência e não foi à toa. Afinal, contrastar independência e solidão com a solidariedade de vizinhos e amigos é receita quase garantida para sucesso de público.

Contudo, é importante dizer que nem tudo são flores na vida de quem opta pela independência. Segundo matéria publicada no G1 , 34% dos brasileiros que moram sem companhia em casa estão endividados. Muito por decorrência da falta de planejamento de gastos, o que equivale a dar um passo maior do que as pernas.

Estamos falando de uma grande decisão. Envolve gastos, dificuldades de todos os tipos e muita força de vontade. É preciso estar pronto para encarar a roda dentada esmagadora do cotidiano e se manter firme, sem poder esperar por apoio imediato. Geralmente, se algo sai do controle, não dá para largar tudo e sair correndo. É um compromisso que exige perseverança e, muitas vezes, sangue frio.

Guilherme Lázaro Mendes, de 23 anos, morava com a mãe num apartamento em São Paulo. Há pouco tempo ele recebeu uma proposta para trabalhar como repórter em um importante jornal de Brasília e não pensou duas vezes antes de aceitar.

“Morar sozinho sempre foi a minha vontade – tem uns sete anos que eu planejava isso. Claro que morar só tem lá suas dificuldades e seus perrengues que não tem quem cuide, mas isso é algo que se deve ter em mente antes de sair de casa”, disse.

Um pouco mais experiente na arte de se virar longe dos olhos da família, a Analista de Pesquisa de Mercado Caroline Sporrer, 38 anos, está há mais tempo morando sozinha e lidando com os dilemas da vida de solitária convicta.

“Nada na minha vida foi planejado. Foi tudo sempre na cara e na coragem. Eu sentia que tinha que ir, que tinha que fazer. Ia lá e fazia. Às vezes você sente lá no fundo. Sente o movimento. Às vezes a vida te empurra e quando vê, já foi. Comigo sempre foi assim, meio orgânico.”

GASTOS

Planejar os gastos talvez seja a tarefa mais difícil para quem decide deixar o conforto do convívio familiar. Além das contas básicas, é comum ter que lidar com despesas que simplesmente parecem pular na sua frente. No caso de Guilherme, elas incluem gastos burocráticos e viagens de táxi e uber.

“Apesar de Brasília ser um bom lugar em termos de aluguel, por contar com muitos imóveis mobiliados, estamos falando aqui de cauções para aluguel, burocracias (como reconhecer firma e tal). Fora que qualquer corrida com táxi ou uber, quando você se planejou para andar de ônibus ou a pé, pode ser considerado um gasto fora da curva”, explicou.

Antes de voltar a morar só, Caroline dividiu apartamento com um namorado por 5 anos. Depois que a relação acabou, ficou com todas as dívidas que o casal tinha adquirido de maneira conjunta. Ela então achou melhor devolver o imóvel, que estava locado em seu nome, e foi morar com uma amiga por 6 meses para economizar.

“Eu sei o quanto eu posso gastar. Em relação à casa, os gastos são fixos e estão considerados no budget do mês. O problema são os gastos fora de casa”, confessou. Segundo ela, uma das desvantagens de morar sozinha é justamente ter que arcar com todos os gastos, os previstos e os imprevistos. “Se tiver qualquer problema no apartamento, não dá pra dividir a conta. Tudo você é que tem que resolver. Não tem ninguém pra ajudar.”

contioutra.com - Morar sozinho é uma escolha que empobrece, mas também enobrece
PhotoMediaGroup/shutterstock

MESTRADO EM GAMBIARRAS

É provável que, por vezes, morar vai exigir de você habilidades dignas de verdadeiro jazzista, um mestre na arte do improviso. Só que, no lugar de instrumentos musicais, você normalmente estará munido de baldes, pregos, cordas e muita criatividade. É claro que nem sempre você irá conseguir alcançar o brilho de um Bud Powell ou demonstrar a força vibrante de um Ben Webster, mas se souber usar o que estiver ao seu redor, vai conseguir se virar.

“Ontem mesmo, por exemplo, depois de lavar o banheiro, senti um cheiro bem forte vindo de lá – e descobri que era o ralo, porque eu moro no segundo andar e há um retorno bem forte. Aí consegui contornar isso colocando panos úmidos sobre o ralo, e aí melhorou’, contou Guilherme. “Outro também foi o fato de eu morar numa quitinete sem local para lavar roupas. Por sorte, o senhorio deixou um desses baldes com tanquinho pra esfregar. E aí improvisei um varal – afinal de contas, ainda não recebi visitas.”

Mesmo com essas dificuldades, ele não pensa em desistir da tão aguardada independência imobiliária, pois esperava que fosse passar algumas situações cabeludas. Sabendo que não pode esperar ajuda imediata em uma cidade estranha, ele adota o velho lema “faça você” mesmo e tem dado certo até o momento.

“Eu encarei como um passo sem volta Foi um passo pensado para ser um só mesmo, sem volta.”

contioutra.com - Morar sozinho é uma escolha que empobrece, mas também enobrece
racorn/shutterstock

SOLIDÃO

Pergunto aos entrevistados o que acontece quando a solidão aperta. Se ela vez ou outra os incomoda.

“Não. Eu gosto de ficar sozinha. Necessito. Se não fico sozinha por um tempo eu fico doente. E quando dá vontade de ver gente é só ir pra rua”, responde Caroline. Para ela, a vantagem está justamente em poder se desligar do mundo.

“Você bate a porta e está no seu mundo, no seu canto. Ninguém pode te acessar, a não ser que você queira. Não tem que fazer sala pra ninguém. Não tem que conversar com ninguém se não quiser. Você pode fazer o que bem entender, sem não se sentir julgado ou observado”, detalhou. “Então, morar sozinha pra mim se traduz em uma certa liberdade. De não ter que ficar pensando no que pessoa vai pensar se eu isso, se eu aquilo. Entende? Resumindo você ganha em liberdade, intimidade, privacidade e tranquilidade. Você tem que lidar apenas com as suas neuras, suas manias.. não com as suas e as dos outros.”

Namorando há quase 1 ano, ela e o parceiro conversaram sobre a possibilidade de dividirem o mesmo teto. No entanto, afirma que ainda se sente hesitante entre a vontade de ter seu próprio espaço e morar novamente com outra pessoa. “Para abrir mão do meu espaço tem que ser algo muito especial. Eu amo ele, mas ainda não quero abrir mão desse momento eu comigo mesma. Só eu e eu. É bom demais!”.

Já o jornalista forasteiro recém-chegado à cidade dos planaltos, palácios e alvoradas, diz que já se sentiu incomodado, mas por ter se mudado há pouco tempo, não sabe se pode chamar realmente de solidão. “Não deu tempo de fazer tantos amigos”, justifica. “Ela pode ser um problema sim, e eu espero resolver isso antes que seja um problema e eu viva do trabalho pra casa e de casa para o trabalho.”

SEM PRESSA

Seja em busca de espaço, liberdade ou mesmo de aprovação, um grande número de pessoas se lança diariamente na mudança para morar sozinho – sem contar aqueles que o fazem porque se sentem pressionados a sair da casa dos pais para não serem taxados de “filhos cangurus”.

O conselho de Caroline e Guilherme para quem pensa em arranjar seu próprio ninho é: pense, planeje e… não tenham pressa.

“Só vá se você realmente tiver condições sem comprometer metade da sua renda. Porque não tem a menor graça morar sozinho e ficar passando perrengue. E escolha um lugar que seja perto dos locais que você curte frequentar ou de fácil acesso. Morar sem companhia num lugar isolado é horrível. Vi amigos que viveram isso e o sonho virou pesadelo”, adverte a moça.

“Eu diria para fazer sem pressões – não vale a pena se mudar por impulso, nem com remorsos de quem ficou em casa. E que é necessário entender que você vai precisar de ajuda para se organizar num primeiro momento. Acho que esse é um bom roteiro para conseguir ser feliz morando sozinho”, complementa Guilherme – que, espero, já tenha devolvido o balde ao senhorio.

Imagem de capa: Oleg Belov/shutterstock

Eu peço a um anjo que leia essa carta para os meus pais.

Eu peço a um anjo que leia essa carta para os meus pais.

Mãe, a senhora não sabe ler. Pai, o senhor mal soletrava as palavras e, a essas alturas, aos quase 80 anos, a sua visão deve estar bem fraquinha e o senhor não levou os seus óculos para o céu.

Por isso eu pedi a um anjo que leia essa carta para vocês. Eu só quero falar algumas coisas que eu nunca disse enquanto estavam aqui comigo.

Na verdade, quero mesmo é agradecê-los e falar de uma saudade que me disseram que passaria com o tempo, mas que tornou-se presença constante.

Pai, eu virei escritora, sabia? Vou te lembrar de quando isso começou: foi lá no nosso sítio, quando eu tinha uns 9 anos. Eu me lembro, pai, do dia em que o senhor foi na minha escola buscar meu boletim e a professora Hergina me elogiou muito e te disse que eu estava escrevendo muito bem e que não errava nenhuma palavra nos ditados.

Vi em seu semblante o orgulho estampado, daí voltamos para casa montados no cavalo Roxão. No caminho, o senhor me disse: “minha fia, a partir de hoje é você que vai escrever as cartas para os seus tios lá de Brasília”. Eu gelei, pai, fui pega de surpresa e não me sentia preparada para aquela atribuição, mas o senhor parecia saber o que estava fazendo.

Daí, chegamos em casa, e o senhor pediu para que eu lavasse as mãos, levou a nossa mesa para debaixo do pé de manga que ficava na lateral da nossa casa, levou também o banco, o seu caderno que era reservado só para as cartas e a sua caneta.

Ah, o senhor deixou claro para os meus irmãos que não queria ninguém fazendo barulho por perto.

Então sentamos no banco e o senhor começou a ditar a carta que seria entregue ao tio Porfírio, começou mais ou menos assim: Fazenda Brejão, município de Posse – Go…a data…Prezado e querido mano. O senhor ditava pausadamente, enquanto conferia a minha caligrafia. Quando terminava a carta, o senhor me pedia para ler novamente e assinava. Em seguida dizia: “a minha carta tá pronta, agora, do outro lado do papel, você escreve o que quiser para o seu tio”. Então, no verso da carta sempre tinha uma mensagem de minha autoria.

A carta era enviada e, tempos depois, respondida. Meu tio sempre elogiava a carta, a caligrafia etc. Então eu fui promovida a “escrevedora” de carta do senhor e de alguns vizinhos. Aquilo virou uma paixão, pai, eu podia perceber que o senhor acreditava em meu potencial e era tudo o que eu precisava para acreditar em mim também.

Com sua simplicidade de caipira, o senhor plantou em mim um amor desenfreado por escrever cartas, tempos depois, redações, poesias e textos e sei que isso evoluirá para muitos livros. Prometo, em todos os meus livros, fazer uma dedicatória para o senhor, tá bom? Pai, muito obrigada por ter me apresentado essa paixão que tanto me alegra a alma e que alegra muitas outras pessoas também, pena que o senhor não está aqui para dividir essa alegria comigo.

Mãe, para a senhora, eu quero falar de uma lembrança linda que tenho: nós duas molhando a horta na beira do rio. Todas as vezes que sinto o cheiro de coentro e de cebolinha, eu viajo nas lembranças, mãe. Aquela horta linda e bem cuidada, aquele rio maravilhoso, os pássaros cantando nas árvores e nós duas dentro do rio jogando água nas hortaliças com uma cuia feita de cabaça. Ah, mãe, outra coisa: foi com a senhora que eu aprendi a amar os animais.

Lembro do seu cuidado com os bichos no nosso sítio, do seu zelo e paciência com os animais que tinham alguma deficiência e da sua indignação quando via alguém com espingarda ou estilingue passando na estrada. Obrigada por esse legado, mãe, isso para mim é uma riqueza.

A tua saudade corta feito aço de navalha (Pena Branca e Xavantinho). Estejam com Deus, até um dia, meus eternos amores.

Imagem de capa: I.Dr/shutterstock

A limpeza do mundo também é responsabilidade sua.

A limpeza do mundo também é responsabilidade sua.

Às vezes costumo usar a madrugada para refletir sobre a vida… Em como alguns sofrem, enquanto outros desfrutam de maior felicidade… Em como podemos ter tanto, quando o outro não tem nada, nem o mínimo, nem o digno. Refletindo em quão superficiais podemos nos tornar, até virar algo crônico. Pensando que, em cada pedacinho do mundo existe vida nascendo, em cada momento… Como agora, por exemplo… Ou então uma vida deixando os solos terrenos rumo a algum lugar que buscamos compreender… Seres noturnos e diurnos, criaturas já descobertas e algumas ainda nem vistas ou catalogadas… Penso na paz e na guerra, em como elas se diluem em um conflito que nunca acaba, e sempre se inicia através da mais pura estupidez humana. Fico pensando nos filhos que nos deixam, por conta de suas rebeldes atitudes inocentes, enquanto outros, aprendem através de uma semelhante observação sagaz como de uma coruja velha, e sábia… Reflito sobre até qual profundidade pode ir o sofrimento, e se ele tem cura, um mínimo e suave alento… Como também, se as pessoas frias poderiam algum dia sentir o que é a dor, seja ela qual for, para que possam aprender a não magoar alguém. Fome… Sede… Miséria… Chantagem… Culpa… Ego… Humilhação… Descaso…. Ódio… Deixar de lado as palavrinhas sujas que corrompem nossa humanidade e permitir fluir as escassas qualidades. Aquele bom dia que não foi dado… Um sorriso latente… Um beijo sem desejos… Um abraço sem enlace algum…. Pessoas que estão tão próximas da carne, e tão distantes da alma umas das outras. Por que nós insistimos em destilar nossos piores fantasmas? Não sabemos doar sem receber, nem agradecer sem levar o troco para casa. Criamos nossos filhos para o mundo que enxergamos, e não para um mundo que idealizamos… E assim, eles sucumbem diante do nosso próprio nariz, e inércia. Cuidamos e vibramos mais com os fracassos do próximo, do que com nossas virtudes ainda adormecidas, e que talvez nunca acorde… Pois não temos tempo para cuidar de nós mesmos… O nosso relógio particular está cuidando do outro… a vida que não nos pertence tem mais graça, ou desgraça… Cansados das mesmas tolices nos noticiários. Não dói ver alguém comendo lixo, enquanto nossos chiliques imperam? Mas digo dor mesmo, reflexão… se colocar no lugar do outro. Matar? Por que matar? Exaustivo ver as mesmas futilidades e indiferença em cada esquina que atravesso. Cansada de ver gente sofrendo, quando a solução está batendo na nossa cara. Triste quando vejo crianças puras, cheias de energia e talentos para estampar nossos jornais sujos com lindos feitos e poesias, nadarem contra a corrente de adultos inescrupulosos. Nossos “Colarinhos brancos” corrompidos, nunca deveriam ter saído de suas bolhas de cristais egoístas, onde ali se formaram sem valorizar o suor dos pais, por consequência, não valorizando suas futuras famílias. Seus rebentos só servirão para popular o planeta, caso não haja uma reciclagem de valores. Os espíritos emocionais que ainda nos restam, sobrevivem através daqueles que se importam, selecionando com mérito gente do bem. Essa loteria é muito mais drástica e cara, do que uma Mega Sena, podem apostar nisso! Alguém paga para ver este futuro e tem coragem de buscar os resultados? Um conselho: Ame mais do que seu coração possa aguentar. É tudo que ainda nos resta.

Imagem de capa: Jelena Aloskina/shutterstock

Não deixe a vida para mais tarde

Não deixe a vida para mais tarde

Eu sei que você fica com preguiça. Também fico. Mas não adie a vida. Não deixe para mais tarde os amores, os amigos e todas as outras pessoas que são importantes para você. Viver é um ato urgente que não pode ser deixado para depois.

Ninguém sabe quando tudo pode acabar. Então, por que ficar enrolando? Vai lá e vive. Abrace mais, converse mais, esteja mais. Aceite oportunidades, faça novas escolhas, mude sentimentos. Não atrase o amor próprio. Não adiante o desapego. Tudo o que você puder passar para crescer e aprender mais sobre você e sobre a vida, entregue-se. Não tenha medo. Não desista facilmente. Dê o seu melhor.

Esqueça a parte do “se o outro não faz, por que devo?”. Não carregue mágoas e invejas. É importante vestir leveza desde o primeiro instante do dia. Mesmo sendo difícil muitas e muitas vezes, reaprenda como transformar quedas e decepções em algo positivo. Resiliência é saber preencher as próprias lacunas.

Anda, levanta esse sorriso. Busque novos você. Apare os momentos ruins e traga para perto coisas boas. Uma nova chance, um novo amor, um novo trabalho, uma nova amizade, não importa. Continue insistindo e possibilitando recomeços internos. Quando estiver pronto (a), compartilhe com quem te faz bem. Tenha coragem e honestidade do coração para fora. Não minta, não faça pouco e não se esconda de ser alguém melhor. Você consegue isso, tenho certeza.

Eu sei que dá uma baita preguiça, que cansa e que nem sempre o retorno é garantido. Mas a vida é essa dança silenciosa, onde vamos encaixando trilhas e mais trilhas para embalar os nossos passos. Não deixe de dançar, ainda que na solidão da própria companhia. Apenas viva, promete? Não deixe a vida para mais tarde.

Imagem de capa: Rawpixel.com, Shutterstock

O silêncio de cada um

O silêncio de cada um

Tenho escutado e lido seguidamente que a verdade de cada um encontra-se num lugar chamado silêncio.

Mera coincidência não pode ser. Porque nestes dias também eu me descubro aos poucos – como uma suave cortina que desce na frente do palco -, dotada de um silêncio avassalador que me fala coisas que nunca tive coragem de vivê-las a fundo. Sou muito mais movida pelo silêncio como minha forma mais essencial de me sentir viva.

Com o silêncio diálogo de forma mais profunda; as palavras se juntam e dão corpo a uma coisa que me transcende; é em meu silêncio que me pertenço mais puramente. É o silêncio que posso chamar de COISA, porque tem um duplo sentido, de liberdade e verdade.

Se for para me alertar sobre algo, meu silêncio já alcançou seu fim. Que sou obviamente misturada e misticamente envolvida na sensação opaca – lúcida lá na frente – do que o que eu digo mais interiormente é o que mais comprova meus gostos e sensações de quem sou. Sou o próprio silêncio cortado pelos rasgos incontidos de uma garganta mal acostumada a se calar perante o desconhecido revelado.

Como pode um tempestuoso ser indefinível, sutil e miraculosamente silencioso diante do mundo, tocar tão misteriosamente o que protegemos até de nós próprios? Eu, a pessoa protegida de mim, inteiramente pelo silêncio anterior a minha construção de qualquer som emitido.

Quase tenho mais palavras para falar sobre o que tenho agora em mãos – O SILÊNCIO, este poderoso antídoto contra todas as dores e atrocidades humanas – como não as teria para falar de algo mais corriqueiro e presente em meu cotidiano. É mais difícil acertar as contas com o óbvio que aniquila pessoas e personagens todos os dias.

E esse gozo eufórico de tratar do intenso encanto do que precede como a fé de uma prece vai tomando contornos tão nossos e originais, que não saberíamos colocar em outras mãos para simplesmente pertencer a alguém.

Diante dos silêncios imersos de cada um, não tenho como construir o que se é. Tudo vem velozmente acertando o próximo alvo. Quem estará ali, envolvido no próximo silencio? Alguém não quer falar, prefere calar ao mais fundo de si e ver se resta algo inesperado – a evocação de quem sempre esteve ali. A companhia de todas as horas.

O silencio eterniza a palavra não dita, o que se estava para dizer e calou-se. O medo, o pavor, a timidez preservada. Meros espectros. Quando alguém toca a ferida alheia, não é por meio da palavra dita? Não esqueçamos que também existem olhares avassaladores que protegem o que se vai dizer.

E por pouco tempo tudo depende da opção, da escolha da ferramenta com que se vai pescar dentro de si. (Clarice (Lispector) usava a “palavra como isca”) Mas tudo lhe vinha do silêncio e tornava-se uma forma de falar brutamente existente, que parecia erguer-se a quatro mãos, para apoiar o corpo todo nessa força bruta incessante.

Outra coisa: há inventividade e muito atrevimento nos silêncios de cada um.

Imagem de capa: Nina Buday/shutterstock

Depois da tempestade, vem outra tempestade. Feliz é quem sabe dançar na chuva.

Depois da tempestade, vem outra tempestade. Feliz é quem sabe dançar na chuva.

Embora nos tentem provar o contrário, em muito a vida é pesada, difícil, perigosa e traiçoeira. Passaremos por muitos momentos de alegria, prazer e contentamento, mas há muita dor e decepção a ser enfrentada. Fazemos parte de um ciclo imerso em instantes de pura magia e felicidade, mas também pontuado por dissabores e tristezas. É assim que sempre foi, é e será. Os ventos virão, sem pestanejar; cabe a nós tentar passar pelos descaminhos sem que nos percamos de nossa essência em meio às lutas diárias, pois o que nos sustenta é sempre essa força que existe aqui de dentro de cada um de nós. É preciso um coração tranquilo.

Lembre-se sempre de que o seu caminho é você quem constrói. Somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e consequentes resultados a serem colhidos. Nem sempre optaremos acertadamente, nem sempre estaremos confiantes em nossas decisões, mas é preciso que escolhamos diante da vida, sem descanso, pois os caminhos à nossa frente são inúmeros. Temer a ação apenas nos paralisará no tempo, tolhendo-nos conquistas importantes, não nos oportunizando avanços e aprimoramentos que nos desenvolvam e nos tornem mais gente. Acalme o seu coração.

Culpe-se, mas não por muito tempo, apenas de forma a refletir sobre os erros, dimensionados na medida exata para que sirvam como lições de vida. Sempre teremos novas chances para tentar reparar o que foi malfeito, mal falado, mal entendido. Haverá quem não desista da gente ali do nosso lado, estendendo as mãos com sinceridade, ouvindo-nos, aconselhando-nos e lutando por nós. São essas pessoas que devem ser valorizadas e cultivadas em nossas vidas, são elas que nos resgatarão de nossas misérias emocionais, para que nos reergamos incansavelmente. Acalme o seu coração.

Chore, renda-se à tristeza e ao luto, dispa-se e enfrente a escuridão à sua volta. É preciso experenciar o frio da alma em sua vulnerabilidade, em suas fraquezas, permitindo-nos sentir a dor do que nos atinge, nos revolta, nos aniquila. A pouco e pouco, os ventos abrandam, levando consigo os fantasmas que insistem em nos afligir. Sempre haverá o amanhã, o recomeço, chances de se refazer. Haja o que houver, conservemos a esperança, o motor do pulsar de nosso viver. Acalme o seu coração.

Sim, as pessoas vão embora de nossas vidas, às vezes aos poucos, outras vezes abruptamente. A única certeza que podemos ter diz respeito exatamente ao fato de que, quanto mais vivermos, mais perdas teremos, mais gente sairá de nosso caminho. A saudade é um alto preço a se pagar pela qualidade das interações que cultivamos em nossa jornada. É necessário que aproveitemos ao máximo as convivências que nos fazem bem, para que acumulemos mais e mais lembranças que nos aliviarão a dor da saudade. Não podemos fugir a ela, mas podemos evitar o remorso por não ter agido como deveríamos com quem nos foi vital. Acalme o seu coração.

Será inevitável nos decepcionarmos com as atitudes alheias. Se vivemos em sociedade, estamos convivendo em meio a diversos pontos de vista, a diferentes pensamentos e valores. Quase ninguém agirá da forma como queremos ou pensará de acordo com o que desejamos. Cada um sentirá as coisas à sua maneira e nos oferecerá aquilo que possuem dentro de si, nada mais do que isso. Devemos esperar o inesperado a que ninguém foge, encarando o que é diferente como um olhar outro que poderá nos ser útil e até nos salvar de alguma convicção que nos emperrava um avançar desejável. Acalme o seu coração.

Infelizmente, algumas pessoas deixarão de nos amar ao longo do tempo; certeza de amor que dura é pai e mãe, e só. O amor de nossa vida poderá fazer as malas, bem ali na nossa frente, deixando-nos sem comiseração. Nosso melhor amigo talvez não veja mais sentido em continuar ao nosso lado, partindo para novas amizades, deixando-nos sozinhos em nossa busca. A paixão arrefece, o entusiasmo diminui, os interesses mudam, nós mudamos, todos mudam. Estarmos sempre abertos para que o novo entre em nossas vidas é o que devemos fazer, para que os vazios dentro de nós sejam passageiros. Acalme o seu coração.

Ninguém passará pelo que for nosso, ninguém conseguirá tirar as dores de dentro de nós a não ser nós mesmos. Nos momentos de calmaria é que devemos nos fortalecer junto a quem amamos e nos ama verdadeiramente, cultivando os relacionamentos revigorantes e cheios de motivação para continuar. Caso não estejamos fortalecidos para encarar as escuridões que se aproximam, jamais estaremos completos e prontos para sorver os momentos prazerosos em sua completude. Portanto, faça chuva ou faça sol, sopre brisa suave ou vente assustadoramente, acalme o seu coração, pois é dele que se alimentam as verdades que sustentam as nossas vidas.

Imagem de capa: Photographee.eu/shutterstock

 

01 de outubro: Dia do Idoso

01 de outubro: Dia do Idoso
Envelheço. A pele me conta dos dias passados. O cansaço nas pernas percorrem os caminhos da minha vida. Acertos e erros cantam meus desassossegos e minha paz. Tenho sobressaltos à noite, penso no que virá, procuras sobre quem cuidará dos meus dias.
 
Alguns possíveis não estão mais por aqui, sonhos que viraram riachos. Tenho saudades. Penso na infância, na juventude, passado e futuro se misturam. Tenho medo. Procurem, nos dias difíceis lugares para acomodar minha autonomia, não enfraqueçam minha voz, não fechem seus ouvidos.
 
Tenho histórias. Desliguem os relógios do mundo, os celulares e a vida lá fora. Colocarei a chaleira no fogão, espalharei o cheiro do café para que você saboreie minhas “contações”. Falarei da vida que tive, do meu sofrer e da minha alegria. O andar lento, o tremor nas mãos e a demora nas respostas serão recheios lindos para histórias que servirei.
 
Falarei de saudade, dos conhecidos que partiram e daqueles que sumiram. Talvez, no meio do riso, eu chore. Sou povoado das vidas que estiveram na minha vida. Talvez eu me demore, o tempo é muito curto pra caber todos os lugares de onde você veio. Se demore, por favor, se demore.
 
Foto de capa Jerry Rodrigues

INDICADOS