“Eu sou amor da cabeça aos pés”

“Eu sou amor da cabeça aos pés”

Já diziam Os Novos Baianos acertadamente: pela lei dos encontros, eu deixo e recebo um tanto!

Absorve isso em sua grandeza, rapaz!

A consequência da tal lei dos encontros, do deixar e receber um tanto, é que nos conectemos uns aos outros, formemos laços fortes o suficiente para nos fazer transbordar dor e alegria dependendo do momento. Esta é a dádiva e o fardo que carrega o ser humano. Carrega contigo este dom e este peso, menino!

Não deixa que as armaduras que o mundo te oferece vistam tua alma e matem o jardim lindo que a habita! Se deixe tocar, se deixe sentir, se deixe se conectar com o outro, se deixe viver. Cada um só poderá conhecer a dor e a delícia de ser o que é – a lá Caetano – quando se deixar levar pela lei dos encontros.

Esses dias transbordei paz, transbordei alegria.

Senti uma gratidão imensa, imensurável por sentir.

Senti o mar e as gotas que dele respingavam em meu rosto. Senti e observei o amigo que brincava com as ondas. Que por elas era levado, que caia e mesmo caído, se divertia, sorria. Era terno, era autêntico e real o que eu sentia. Todas as minhas armaduras tinham sido postas de lado.

O vento batia leve em meu rosto e em meu coração o medo não fazia morada. A preocupação parecia estar em outra praia qualquer. Não naquela onde eu estava. É isso que nos é eterno afinal.

Sentia e soube que a vida é sobre isso.

Sobre esses pequenos fragmentos em que o coração aquece, a gente se sente parte do cenário, a gente ama de graça, a gente vê a beleza de nosso laço com o outro, a gente olha ao redor e sente essa gratidão que nos deixa leves. Eu estava totalmente desarmada, e por assim estar, senti.

Pois é, rapaz, esse dias eu fui amor, amor da cabeça aos pés. Tu tens noção da raridade deste tipo de vivência? Cada átomo que forma meu corpo era amor, menino. Parece loucura não, é? Talvez até seja mesmo. E daí se for?

Olho para trás agora, repito aquelas cenas tão singelas em minha mente e lembro-me que a lei dos encontros tem também suas consequências dolorosas e quando estas chegarem, talvez eu me arrependa um tanto por leva-la – a lei dos encontros – tão ao pé da letra.

Sinto que quando a dor me tomar me tomará também por inteira, me ocupará da cabeça aos pés. A letra d’Os Novos Baianos esquece-se disso, moço, mas esse detalhe precisa ser lembrado. Aqueles que são amor por inteiro, também podem, de repente, pela dor ser preenchidos, então cuidado. Prepara-te, porque dançar a vida assim, de corpo e alma também é doloroso.

Por hora, sigo me dizendo que depois que sentir essa tal dor, serei capaz de me refazer, me reinventar e mostrar que apesar de tudo, depois de tudo, tudo estar virado, a menina ainda seguirá sabendo dançar. Nas palavras dos Novos Baianos novamente, dentro da menina, a menina seguirá dançando, rapaz.

* Texto com referências às músicas “Mistério do Planeta”, “Dê um rolê”, “A menina dança” dos Novos Baianos e “Dom de Iludir” de Caetano Veloso

Imagem de capa: Zolotarevs/shutterstock

As panelas da minha mãe

As panelas da minha mãe

Minha mãe sempre teve o hábito de preparar comida a mais, especialmente para os almoços de domingo. Ela enchia as panelas, com mais do que o suficiente para nossa família. Mas ela não pretendia desperdiçar nenhum grão, não. Tampouco esperava ninguém em especial. A gente vivia uma expectativa constante do tipo: “vai que chega alguém…”.

Naquela época não usávamos telefone nem nada e eu me perguntava por que ela fazia aquilo, já que tudo não passava de suposição. O fato é que ela fazia com frequência e as panelas cheias tornaram-se uma espécie de convite. As visitas, que se revezavam entre parentes e amigos, passaram a ser uma constante em nossa casa simples.

Hoje penso que as panelas dela não se enchiam apenas de comida. Que se enchiam também de afeto e consideração, mesmo sem saber a quem serviriam. Acho até que o coração dela era maior do que as próprias panelas. Tudo isso se tornou um atrativo e o que não passava de suposição tornou-se nossa realidade. Percebi conforme o tempo passava que, embora as pessoas viessem sem aviso, chegavam com a certeza de que ela estaria pronta para recebê-las.

Que lições aquelas panelas quentinhas sobre o fogão à lenha foram capazes de me ensinar!

Talvez nossas “panelas” estejam ficando vazias demais. Estamos nos satisfazendo com coisas que não deveriam nos deixar satisfeitos. Não nos esperamos mais, nem queremos recebermo-nos. Cada um por si, sem nenhuma chama acesa e sem nos encontrarmos de fato.

Por mais que se insista em dizer que o afeto se liquefez, a maioria das pessoas ainda está à procura de aconchego e carinho. E pensar que já fomos melhores nisso! Que já demos mais importância às outras pessoas, na época em que elas eram o que tínhamos de mais precioso.

Agora se diz “família, meu tudo”, sem que haja uma verdade sendo dita na íntegra. A família tornou-se digital e vê-se muito mais pela tela. Os amigos têm-se enveredado por este mesmo caminho.

A verdade é que a gente anda mesmo é sem tempo pra acolher quem quer vir ao nosso encontro, embora tenha muita gente querendo ser esperada e necessitando ser encontrada, com fome que não é exclusiva de arroz e feijão.

Bem que poderíamos adotar a tática das panelas cheias, abarrotando-nos com sentimentos de amor e de espera pelo outro; bem que poderíamos aumentar nossa abertura e nossa receptividade. Porque faz bem para nosso crescimento pessoal. O encontro com quem está à procura de alívio para as necessidades que sente.

Oferecer um sorriso, um abraço ou uma refeição de vez em quando não faz mal a ninguém, e deixa o coração cheio de coisas deliciosas. Pelo menos foi o que eu aprendi com as convidativas panelas da minha mãe.

Imagem de capa: wavebreakmedia/shutterstock

Um grande coração é feito de pequenas gentilezas!

Um grande coração é feito de pequenas gentilezas!

“A gentileza é a essência do ser humano. Quem não é suficientemente gentil, não é suficientemente humano.” – Joseph Joubert.

Ontem fui à feira com minha mãe. Chegando lá, pedimos 3 pasteis. Cada pastel custava R$5,00 reais, ou seja, gastamos R$15,00 reais.

Para acompanhar, pedimos um caldo de cana grande no valor de R$4,00 reais. Ao todo, nossa conta daria R$19 reais.

A senhora que nos atendeu, acabou nos cobrando apenas R$15,00 reais, esquecendo-se de cobrar o caldo de cana.

Conforme eu e minha mãe fomos andando, notamos que o troco estava errado. Eu disse a ela que seria certo voltarmos para pagarmos o que consumimos. Imediatamente, ela concordou comigo. Voltamos à mesma banca e fizemos o que nosso coração nos pediu.

A senhora que nos atendeu, ficou muito surpresa com nossa ação, e, convenhamos, hoje em dia é raríssimo encontrarmos pessoas que fariam o mesmo. Não generalizando, entretanto, sabemos que está ficando cada dia mais difícil encontrarmos pessoas que carregam em si honestidade.

Após entregar a ela os R$4,00 reais me senti tão bem. Pode ser algo tão simples, mas trouxe uma paz imensa para meu coração.

R$4,00 reais pode parecer pouco, mas faz muita diferença na hora de fechar um caixa. Creio que aquela senhora trabalha para ajudar sua família, e seria cruel de minha parte, ir embora com aquele valor sabendo que consumi a mais.

Não mereço o Oscar por ter tomado essa decisão, contudo, me senti feliz ao saber que posso mudar o dia de alguém com o pequeno gesto.

Ações do bem para com o próximo, além de arrancar um sorriso genuíno de quem as recebe, nos causa uma sensação de conforto inexplicável.

Parece que o coração sente quando fazemos o bem, e como recompensa, sentimos a paz instalando-se dentro de nós em questão de segundos.

Imagem de capa:Oksana Mizina/shutterstock

Não precisamos ser legais com todo mundo, mas devemos ser leais a quem amamos

Não precisamos ser legais com todo mundo, mas devemos ser leais a quem amamos

A lealdade é uma das melhores qualidades que alguém pode ter, pois se caracteriza como fidelidade aos compromissos assumidos, valendo-se do respeito a princípios e regras atrelados à honra e à probidade, assim como se encontra descrita em dicionários. Em tempos de supervalorização das aparências e de relacionamentos interesseiros, pessoas leais se destacam, uma vez que seus princípios não se enfraquecem sob os apelos de uma vida supérflua.

Pessoas leais mantêm firme tudo aquilo que compõe a própria essência, em sua vertente mais humana, entendendo que nada pode ser mais forte do que a confiança que se transmite, através de um comportamento ético e coerente. Conseguem discernir entre o que é passageiro e o que é para sempre, ou seja, não se iludem com o que possa vir fácil, mas sem trazer contentamento íntimo. Dessa forma é que confiamos nessas pessoas, pois sabemos que guardarão o que lhes dermos, na melhor parte de seus corações.

Pessoas leais amam com inteireza, doando-se integralmente, pois têm noção de que relacionamentos sobrevivem a muita coisa, menos à falta de verdade e de reciprocidade. Olham para muito além do próprio mundo, do próprio umbigo, enxergando o outro e colocando-se no lugar de quem está ao seu lado. São conscientes de que é dando que se recebe, de que a vida sempre retorna aquilo que se oferece. Isso lhes enche de esperanças.

Pessoas leais são sinceras conosco, portanto, não falarão mal de nós aos outros, simplesmente porque tentarão sempre se acertar com a gente, de perto, olhando nos olhos. Podem mudar de cargo, de emprego, de cidade, que jamais se esquecerão daqueles que sempre estiveram ao seu lado. São gratas e, por isso mesmo, sempre avançam, mantendo junto de si aqueles que fizeram parte de sua jornada com verdade e sinceridade. Sabemos que sempre poderemos contar com elas.

Não nos enganemos pelas aparências, as pessoas são muito mais do que aquilo que mostram – há um mundo dentro de cada um de nós. Manter junto quem for verdadeiro e confiável sempre nos poupará de problemas futuros. Não precisamos ser legais com todo mundo, mas é essencial sermos leais a quem amamos e nos ama com sinceridade. Sempre.

Imagem de capa: KieferPix/shutterstock

A surpreendente vitória de quem sabe perder.

A surpreendente vitória de quem sabe perder.

Assistindo à vida esvair-se dos olhos de meu Yorkshire, quando finalmente resolvi poupá-lo do sofrimento que meu egoísmo lhe demorava, agarrei-me mais fortemente à minha própria vida, como que me conscientizando da certeza de um dia também chegar a minha hora de partir. Ficou mais claro, para mim, que quanto mais vivemos, mais perdas acumulamos, e quanto mais perdemos, mais queremos viver, agarrando-nos ao que nos resta com a força que nos sobrou.

Todo chavão é muito verdadeiro, não há dúvidas de que ficamos mais fortes à medida que vamos sobrevivendo ao que a vida nos tira. Ouço isso desde pequeno, quando morreu meu querido Porquinho da Índia, quando perdia nos jogos de tabuleiro, quando os trapalhões não sorteavam a minha carta, quando sentia arder o merthiolate vermelho. Porque inclusive a gente já perde quando nasce ao ter que deixar o ventre acolhedor de nossa mãe, mas ganha a vida lá fora. A vida quer que a gente sempre ganhe.

Minha mãe sem dúvida foi minha melhor e maior referência de mundo, sendo seu sorriso gostoso meu mais eficiente combustível de vida. Ela se foi aos poucos, enquanto eu me despedia dela e me preparava para aquele amanhã sem sua presença. Doeu além da conta não a ter mais comigo, e fui obrigado a procurar forças em mim mesmo para enfrentar a lida diária. Sua morte me fortaleceu muito, tornando-me mais autônomo emocionalmente, obrigando-me também a me aproximar de meu pai, a quem até então eu não dava a devida atenção. Irônico consolo, no fim inexorável da morte existe um recomeçar.

A morte é a perda absoluta de algo fora de nós, pois leva sem volta, sem chances de conseguir de novo. Mesmo assim, dentro da gente há crescimento, que as memórias prazerosas de quem se foi alimentam enquanto reorganizamos nossos sentidos. Da mesma forma, perder traços do que nos define naquilo que somos parece ser irreversível. Voltar a confiar em quem nos traiu, no político que se envolveu em falcatruas, no artista enredado em escândalos é um caminho difícil a ser percorrido. Confiança é muito parecida com a morte nesse sentido, pois ela parece teimar em ir embora para sempre. Mas mesmo o caráter possui a capacidade de regenerar-se, pois a vida não condena ninguém de forma perpétua.

Perder-se enquanto se explora a vida em suas múltiplas oportunidades e armadilhas, ao contrário do que possa parecer, é benéfico – como disse Lispector, perder-se também é caminho. Muitas vezes temos que levar o fel até a boca, sentir-lhe o amargor, para então evitá-lo em nossas vidas, pois a experiência pode ser – e quase sempre é – mais didática do que a teoria discursiva. Sofrer as consequências do que fizemos é, por isso, um aprendizado incomparável, embora doloroso, pois lidamos com o pior de nós mesmos e temos que fazer alguma coisa daquilo tudo, caso queiramos continuar caminhando. Os porres que tomei, os empregos que me dispensaram, as garotas e amigos que perdi fizeram com que eu enxergasse meu lado ruim e tentasse mudá-lo. É assim com todo mundo.

A vida não gosta de gente acomodada e resignada e trata de nos chacoalhar o tempo todo, de forma dolorida, mas, na maioria das vezes, colhendo bons resultados. Vamos nos tornando mais gente após os reveses e tsunamis emocionais, pois as dores nos absolvem de nossos pecados imaginários, aparam as arestas que emperram nosso aprimoramento pessoal. Por mais que tentemos fugir aos desvios de caminho e ao enfrentamento do que restou de nossas escolhas, será inevitável o recolhimento dos cacos, o reerguer-se, o pesar da culpa e do remorso que nos dão as mãos em direção a um futuro com menos erros.

As perdas são vitais, imprescindíveis e necessárias para que continuemos tentando de novo, dia após dia. Elas nos trazem de volta aos caminhos desejáveis, nos forçam a repensar nosso modo de vida, nos jogam em meio à escuridão aqui de dentro, para que sejamos resgatados por quem devemos nutrir amor verdadeiro. O sofrimento é libertador, aumenta nossa fé, nosso querer viver mais e melhor, nossa busca pelo conforto junto a quem amamos verdadeiramente. Como nos ensinam desde a mais tenra idade, perdas nos trazem ganhos, fraquezas nos fortalecem, tombos nos levantam, cada vez mais seguros do que somos, de quem amamos, do que não podemos e do que realmente queremos. A beleza disso tudo é que a vida é incansável e estará pronta a nos dar novas chances, que nascem a cada amanhecer, sempre, todos os dias, para mim, para você, para todos nós que ainda estamos vivos.

Imagem de capa: everst/shutterstock

Dê chance à esperança de se fortalecer

Dê chance à esperança de se fortalecer

O cenário pode não ser dos melhores, as informações chegam numa velocidade absurda, impossíveis de serem processadas em sua maioria, as guerras nos tempos atuais nos deixam cada vez mais pesarosos e impotentes, assistindo à barbárie que não tem fim, a ganância continua a produzir efeitos devastadores à humanidade… É desalentador.

E, não fosse o bastante, cada um carrega seus próprios conflitos, medos, traumas e insatisfações. Se alguém ousar parar para pensar e perguntar o sentido disso tudo, o leque de respostas cabíveis pode ser desalentador. E quando a gente se pega perguntando o sentido da vida, o por que de lutarmos tanto e por tanto tempo, via de regra o que nos sustenta e fortalece é a esperança de dias mais leves e melhores, de menos sofrimento no mundo, de momentos desfrutando a tão sonhada felicidade, que perseguimos no sentido contrário do relógio, já que o tempo leva tudo consigo, até mesmo os momentos mais preciosos.

A ótica pessimista diz que não faz sentido algum empreender qualquer esforço, já que o final é esperado e ninguém nos livrará dele. Quanto menos envolvimento, menos sofrimento. Há quem prefira.

Contudo, é inegável o efeito dos mágicos momentos felizes de uma vida. A inebriante e gratificante sensação de pertencer ao todo, de compartilhar a vida com afetos queridos, gerar um filho, acompanhar seu crescimento, suas conquistas, ter um amigo por perto, atravessar uma ponte, um estado ou um oceano para encontrar alguém querido. E por esses e todos os milhões de sentimentos que avivam a alma, novamente a esperança se fortalece. Novo olhar é lançado sobre o mundo, novos desejos de construir e colaborar por uma vida melhor para a humanidade.

Quando estamos felizes, queremos o bem de todos. Quando estamos plenamente felizes, sequer admitimos a ideia de deixar alguém sofrendo. É a felicidade que nos liberta e é a esperança de que a felicidade está por perto que nos conta qual o sentido para todas as vidas. Ela é aliada e cúmplice, e não desiste fácil, apesar de enfraquecida e cansada de ser trocada pelas mazelas do mundo.

Não é uma questão de utopia, mas de lógica. Em vida, que seja uma vida desperta, atuante e ativa, fortalecida de esperança. Com ela por perto, consegue-se enxergar o lado bom, o sentido.
Depois, tudo vira história e memória. E cada um conta a sua, do jeito que viveu.

Imagem de capa: Evgeniy pavlovski/shutterstock

Largue os bens materiais e viaje

Largue os bens materiais e viaje

Existe um dilema bastante presente na vida de todos os humanos, e como é óbvio este encontra-se relacionado com o dinheiro e como gastá-lo.

De acordo com James Wallman o primeiro passo para tomar esta consciência, passa por reconhecer que por vezes ter mais coisas não significa ser mais feliz, até porque na maior parte dos casos ou não as usa ou fica farto delas bem depressa. O segundo é tentar encontrar algo que seja mais significativo para si do que propriamente estes bens materiais e por fim ele refere que a solução encontra-se na experiência, pois em vez de a comprar está a adquiri-la.

Pode-se então referir que, em vez de gastar o seu dinheiro em coisas materiais, porque não investi-lo em algo que o faça mais feliz e do qual nunca se arrependa? E isto significa viajar!

Mas se ainda tem dúvidas sobre o que lhe acabamos de revelar, porque não dar uma vista de olhos nas razões que o comprovam.

Em primeiro lugar, existe uma maior dificuldade em comprar a experiência do que os bens materiais, pois não existe nenhuma viagem igual a outra. Além de ganhar muito mais bagagem, isto quer dizer, mais conhecimentos acerca do país em si e dos seus habitantes, acaba  por conhecer outras pessoas, criar memórias e porque não fazer amigos.

Por outro lado, se gosta de viajar a dois isto faz com que saia da rotina e tenha mais tempo para si e para a sua cara metade, embora também o possa fazer sozinho e nesse caso a experiência vai ser sempre mais do que fantástica. Em relação aos bens materiais eles não lhe permitem fazer isto, e por vezes acabam por separar ainda mais as pessoas.

A perspetiva com que fica após fazer uma viagem é algo de extraordinário, até porque nenhum país é igual, bem como as suas crenças, os seus habitantes, os seus costumes e de certeza que vai acabar por dar mais valor a estas coisas do que propriamente aos objetos, pois esses não lhe enriquecem a mente e na maior parte dos casos apenas o fazem desperdiçar dinheiro em vão.

Pode dizer-se que uma viagem fica para sempre marcada na sua vida, pois não interessa a idade que tinha ou que tem, interessa a sua felicidade e como foi feliz durante aquela semana, ou quem sabe aquele mês. O fato de poder partilhar as suas experiências com outras pessoas acabam por deixá-lo entusiasmado e pronto para escolher o próximo destino.

Por fim, é uma excelente forma de crescer e aprender um pouco mais sobre si, assim como sobre os outros. Se está a passar por um momento mais complicado é ideal para conseguir relaxar e libertar a cabeça, até porque vamos ser sinceros fazê-lo dentro de um centro comercial nunca lhe vai trazer a mesma sensação!

Podemos no entanto, dizer que as viagens são sem dúvida uma forma de felicidade e embora nem todos tenham a possibilidade de as fazer continuamente, pelo menos que o façam uma vez na vida.

Fonte indicada: Sapo

Imagem de capa: soft_light/shutterstock

A dádiva de ser inadequado

A dádiva de ser inadequado

A sociedade contemporânea, teoricamente construída sob a égide da liberdade, vem se apresentando como uma era extremamente ditatorial, em que devemos estar adequados aos ditames impostos pela ordem estabelecida, de tal modo que, todos aqueles que impetuosamente descumprem as suas regras, são vistos como “selvagens”.

Devemos, segundo os que se acham nossos donos, ter sucesso. Entretanto, esse sucesso é definido, quase que categoricamente, por ganhar dinheiro. Ou seja, devemos ter profissões que nos permitam isso, ainda que não gostemos minimamente do que fazemos, uma vez que devemos manter a imagem de “vencedores” perante os outros.

Não há espaço para a dúvida, para o questionamento, para a crítica. Pelo contrário, não devemos ser transgressores da ordem e do progresso. Precisamos nos adequar a um sistema que se pressupõe perfeito. Contudo, como um sistema pode ser perfeito, criando marionetes presas em jaulas? Determinando o que faz as pessoas felizes e condenando as que se opõem à sua fórmula de felicidade?

Essa estrutura cria uma pressão social sobre o indivíduo, de modo que este deve saber de tudo o tempo inteiro. Mas é com o passar do tempo que vamos nos conhecendo e descobrindo o que somos. Somente nós sabemos o que nos agrada e traz felicidade, pois não há ninguém que nos conheça melhor do que nós mesmos.

No entanto, a sociedade, que julga nos conhecer melhor e saber o que nos faz feliz, trata os que pensam fora da caixinha e buscam o autoconhecimento como indivíduos inferiores e incapazes de se adequar à sociedade. Não raras vezes, são taxados de depressivos, pelo simples fato de viverem da forma como julgam interessante, buscando o seu próprio lugar no universo.

Nessa busca do que se é, caímos e choramos muitas vezes, por sermos corajosos, demonstramos o que sentimos, pois a fragilidade faz parte da condição humana. Ninguém sabe de todas as coisas e é forte o tempo inteiro. A precariedade é uma condição da existência, afinal, sobre o que temos total controle na vida? Todavia, essa incerteza existencial é condenada, pois, se existe a “fórmula da felicidade”, por que sentir dúvida?

“Inadequação sugere inferioridade, e ser inferior, ser visto com tal, é um golpe doloroso contra a autoestima, a dignidade pessoal e a coragem da autoafirmação. A depressão é agora a doença psicológica mais comum. Ela atormenta um número crescente de pessoas que receberam a designação coletiva de “precariado”, expressão cunhada a partir do conceito de “precariedade”, denotando a incerteza existencial”. 

Ser inadequado, portanto, é ter a rara capacidade de sentir, isto é, ter sentimentos, perceber o que acontece ao seu redor, como isso lhe afeta e o que acontece dentro de você. Em outras palavras, ser inadequado é poder ser você mesmo, sem regras, sem ditames e fórmulas. É poder se guiar pelo seu coração e saber o que lhe apetece. É poder ser mais do que uma máquina que faz tudo exatamente como lhe é ordenado, ou seja, ser “adequado”.

Ser inadequado é sentir dúvidas e poder rever os seus conceitos e preconceitos. Ser inadequado é saber que nem sempre haverá estabilidade, pois, algumas vezes, seremos apenas a torrente de emoções conjuntas e incontroláveis. Ser inadequado é poder sentir dores e também poder amar. Ser inadequado é poder sentir intensamente a vida, pois momentos vividos com intensidade tornam-se memórias que perpassam pela eternidade.

“Com suas mães e seus amantes; com suas proibições, para os quais não estavam condicionados; com suas tentações e seus remorsos solitários; com todas as suas doenças e intermináveis dores que os isolavam; com suas incertezas e sua pobreza – eram forçados a sentir as coisas intensamente. E, sentido-as intensamente (intensamente e, além disso, em solidão, no isolamento irremediavelmente individual), como poderiam ter estabilidade?”

Ser inadequado é saber que existem muitas coisas que você queria fazer, mas não faz. Ser inadequado é saber que existem coisas que só você faz, ainda que não saiba. Ser inadequado é tentar descobrir quem você realmente é. Ser inadequado é saber que, na vida, não existem muros de proteção. Ser inadequado é permitir que escolhas façam você. Ser inadequado é permitir que alguém bagunce a sua vida. Ser inadequado é ser o seu eu por inteiro, sem medo dos julgamentos, pois, como diz Veríssimo:

“[…] eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

Imagem de capa: Igor Sinkov/shutterstock

Por que nos enganamos tanto com algumas pessoas?

Por que nos enganamos tanto com algumas pessoas?

Por que aquela pessoa maravilhosa deixou de gostar de você? Como a amiga que você pensava ser tão fiel teve coragem de fazer o que fez? E aquele  funcionário que parecia tão digno de credibilidade, como pode ter se mostrado tão irresponsável  e negligente a ponto de precisar ser dispensado por pura incompetência?

Questões como as elaboradas acima nos assombram durante toda a vida e sentimentos de arrependimento, mágoa e traição são constantes nessas ocasiões.

…mas o que realmente teria acontecido?

Um dos grandes erros, já tratado em um texto anterior, é achar que as pessoas que nos circundam possuem valores e objetivos semelhantes aos nossos.

Seja por falta de empatia, ingenuidade ou puro excesso de vaidade, tendemos a acreditar que o comportamento do outro será similar ao que teríamos em situações parecidas ou, o que é pior, ao que idealizamos que teríamos.  Então, se eu sou pontual e fiel às minhas promessas e compromissos, espero que o outro também seja quando, na verdade, a pessoa pode não dar nenhum valor a palavra dita. Não são raras, por exemplo, pessoas que concordam com o solicitado sem nenhuma intenção de cumprir o prometido. Acontecem também casos de pessoas que “acham” que farão enquanto concordam, mas que logo em seguida elegem outras prioridades pessoais, inventam desculpas para si mesmas e simplesmente ignoram o assunto.

Estão erradas as pessoas que assim o fazem ou estaria errado aquele que vivencia repetidamente esse tipo de situação e permanece esperando responsabilidade de irresponsáveis, compromisso de quem não tem palavra, fidelidade de quem já se mostrou infiel por diversas vezes?

Um segundo aspecto que nos cega frente à realidade é o envolvimento emocional…

Tendemos a manter relações mais flexíveis e favorecer pessoas de quem gostamos mais. Somos mais tolerantes e, muitas vezes, nem somos capazes de enxergar aspectos de realidade que aparecem repetidamente para nos avisar que aquela opinião que temos com relação à pessoa pode não ser totalmente verdadeira. Nesse caso enquadram-se, por exemplo,  os apaixonados que veem o mundo conforme ditam seus sonhos e reações físicas. A realidade pode simplesmente ser ignorada ou, quando se apresenta de forma abrupta, é racionalizada e criam-se desculpas e justificativas para a “falta” do ser amado. Manipuladores também se aproveitam das brechas emocionais das relações afetivas e, só o tempo consegue mostrar a verdade.

 

Temos ainda uma tendência a supervalorizar nossos julgamentos e escolhas como acertadas e inquestionáveis…

É o que acontece com quem contratou o funcionário que não merecia credibilidade, mas que o continuou tolerando porque achava que ele tinha pontos positivos que justificavam sua presença quando, na verdade, os pontos negativos já tinham se mostrado imensamente superiores. Nessas situações temos que lidar com a necessidade de mudanças, com o prejuízo financeiro, com o orgulho ferido de ter que engolir os dissabores que restaram da relação e, algumas vezes, até da falta de caráter. Nas relações afetivas isso aparece nos trâmites do divórcio, na administração dos bens, no que será feito para lidar com as crianças nessa fase de transição.

O engano maior, entretanto, parece estar relacionado à SUBVALORIZAÇÃO da convivência e do tempo antes da criação de REAIS convicções.

Uma pessoa não pode ser considerada de confiança após um mês de convívio. Não amamos após três meses de namoro. Não devemos investir financeiramente em quem efetivamente não mostrou merecer. E é por isso que nos sentimentos traídos, magoados e ressentidos quando tudo dá errado. O engano, porém, é direcionado ao alvo do sentimento e acaba por tornar-se “quase” um inocente frente ao excesso de conteúdo que projetamos como certo e inquestionável. A realidade, entretanto, nos mostra que lidávamos com estranhos. Normalmente aquela pessoa já era irresponsável, o traidor já traiu antes, o canalha já arrasou outras vidas manipulando os pontos fracos de quem esteve por perto. Mas nós, cheios de verdades, não nos permitimos o tempo do entendimento e do real conhecimento do outro. É fato ainda, que na maioria das vezes, nós já sabíamos a verdade, mas a ignoramos de alguma forma.

O que acontece?

Nós precisamos dos laços, precisamos das pessoas, do trabalho e de votos de confiança no início das relações. Entretando, da mesma forma que temos escolhas baseadas na experiência e na intuição (o cérebro nos avisa com sinais que nem imaginamos), também não podemos nos esquecer que nossas escolhas nem sempre são tão racionais quanto parecem e, até mesmo a escolha que parecia acertada, poderia ser uma bela repetição de auto sabotagem… é dureza, mas é fato.

O que fazer?

Nossa vida e experiências anteriores nos alertam e nos tornam mais sensíveis nas escolhas. Mas também precisamos da maturidade para enxergar o erro, para virar a página, para nos afastarmos de pessoas tóxicas. É preciso pensar sobre o que realmente mantinha aquela relação.

Apenas assim serão possíveis tempos de paz com pessoas que merecem o que temos para lhes dar e de quem podemos receber real afeto.

Da próxima vez em que você se sentir traído após o fim de qualquer tipo de relação, lembre-se da sua responsabilidade e de todos os sinais que teve antes da gota d’água. Isso pode ajudar a diminuir a raiva e a frustração na hora de continuar, pois você poderá confirmar que nada foi tão repentino quando parecia. Aquilo já acontecia, só precisava de confirmação. E, o mais importante, o conhecimento da realidade sempre será a melhor chave para a abertura de novas portas.

Virar a página e livrar-se de relações tóxicas deve ser um grande motivo de prazer e realização. Chore, revolte-se, tenha o seu tempo para a digestão do ocorrido. Mas passado esse momento, seja bem-vindo (a) a um mundo mais consciente.

Imagem de capa: Africa Studio/shutterstock

Não faça drama. Faça dar certo

Não faça drama. Faça dar certo

Liga não. Essas caras de fúria, esses olhos arrogantes fuzilando quem está perto, essa gente que não responde quando você diz “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, esses carros acelerando no farol vermelho contra as faixas de pedestre, nenhum deles vai mudar se você explodir. Respira, se apruma, segue em frente. Deixa-os lá atrás.

Não, o fato de tomar distância de quem lhe faz mal não torna você pessoa conformista. Faz de você alguém no exercício de sua inteligência e de sua liberdade. Ser livre é poder largar mão de quando em vez. E eu tenho a impressão de que não se pode mudar um canalha, um esnobe ou um criminoso jogando na cara dele o quanto ele está enganado. Quase sempre, só vai ajudá-lo a se tornar pior. Melhor se afastar.

Postar-se de pé no meio da rua para frear um ônibus que vem acelerando, e cujo motorista não vai parar no ponto por pura maldade, não vai fazer de você um herói. Vai transformá-lo em suicida. Reagir a um assalto explicando ao ladrão que o que ele deseja fazer é uma sacanagem só vai piorar as coisas. Os mais velhos davam a isso o nome de “murro em ponta de faca”. Não adianta. Melhor é sair da frente do touro, correr até um lugar seguro e pensar com seus botões: “mas por que raio esse touro está tão bravo?”.

Saia de perto e pronto. Tomar distância de quem o desagrada não é covardia, não. É um gesto de coragem. Também não é a solução para todos os males, é só uma estratégia: ao se afastar de quem lhe faz mal, você se aproxima daqueles a quem ainda pode fazer uma coisa boa. Pequenas e importantes atitudes de bondade alimentadas todos os dias, a qualquer hora. Gestos simples e boas ações a quem quer que seja. Caminhando, você vai saber quem são essas pessoas e o que fazer de bom a elas.

Aos poucos, com o trabalho árduo de cada um, a bondade, a gentileza, a educação, o respeito e as intenções amorosas serão mais fortes, maiores, irrebatíveis, incontornáveis. Então a sanha dos seres com motivações maldosas vai morrer à míngua, aos poucos, até se tornar tão insignificante que na prática deixará de existir.

Olha, fácil não há de ser. A vida não é videogame. Pena, mas a gente não escolhe entre os modos easy, médium, hard. A gente encara o que vem. Trabalha, cuida, se esforça, planeja, pratica, cai, levanta, espera, vai em frente. E por mais que a gente aprenda tem sempre um enrosco desconhecido ali na frente, nos obrigando a aprender de novo depois de um ou um milhão de erros.

Tentemos. Tentemos com teimosia e esforço. Não ajuda fazer drama. É preciso fazer dar certo. É o único jeito. Para fazer dar certo o amor, a amizade, a família e a vida é preciso trabalhar. Tem de acreditar e pôr em prática. Bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado, com licença, pois não, você primeiro. Vamos que há tanto trabalho à espera e um mundo inteiro para fazer dar certo. Mãos à obra!

Imagem de capa: Everett Collection/shutterstock

As boas mães erram todos os dias

As boas mães erram todos os dias

A mãe que nunca errou pelo menos uma vez por dia que atire a primeira pedra.

A função mais difícil de desempenhar no mundo é a maternidade, se fomos educados com muitas recessões, tentamos cuidar que nossos filhos tenham poucas e se crescemos com muita liberdade, queremos que nossos filhos, tenham mais limites.

A liberdade em excesso, assim como limites, são desastrosos, ou seja, os extremos são problemáticos e são considerados como negligência.

Como é difícil encontrar o meio termo, o caminho do meio, o que funcionará com o meu filho e comigo, talvez não funcione com o seu filho e para você.

É andar numa corda bamba diariamente, há situações que podemos parar e pensar como agir, outras precisam de intervenções rapidamente. Haja equilíbrio!

A mãe que no final do dia, pensa: ” Hoje eu errei com meu(s) filho(s), podia ter feito diferente”, está mais sensata do que aquela mãe que não se questiona e acha que fez tudo certo.

Afinal, nós, mães somos seres humanos e nos atrapalhamos com nossa criação e o quê queremos passar para nossos filhos, dessa forma está em vantagem a mãe que percebe que errou numa determinada situação e partir dessa reflexão, poderá agir diferente.

Sou a favor das mães que erram e desejo que todas as mães possam perceber  que erraram e partir disso  se modificar e corrigir a falha,  afinal se está fácil educar um filho, há algo de muito errado.

Sejamos a favor  das mães que erram todos os dias!

Imagem de capa: Lesyamo/shutterstock

Aprenda a se perdoar

Aprenda a se perdoar

A vida é um processo de perdas e ganhos, o que nem sempre é tão fácil de entender e administrar. Planejamos coisas, sonhamos e a vida trata de nos levar por outros caminhos. Às vezes, nós mesmos saímos daquilo que planejamos por erros que cometemos. Assim, a nossa vida parece ficar sem sentido, sem razão de ser. Ficamos distantes daquilo que nosso coração deseja e nos tornamos estranhos de nós mesmos.

Com o tempo esse estranhamento torna-se permanente, de modo que não conseguimos olhar para o que um dia queríamos da vida. Dessa forma, nos tornamos almas vazias, incapazes de sonhar. Presos aos acontecimentos do passado, não conseguimos manter a chama dos sonhos viva no presente, para que busquemos realizá-los.

É preciso aprender a se perdoar, para que se possa seguir em frente. Ficar preso àquilo em que erramos apenas nos retira o ânimo de que necessitamos para viver. Todos nós erramos, pois não sabemos de tudo e precisamos cair para aprender a levantar. Além disso, como disse, existem coisas que não controlamos, de maneira que não devemos nos martirizar pelos empecilhos impostos pela própria vida.

Deixar de sonhar e de acreditar que os seus sonhos são possíveis de serem alcançados é tão somente anular-se enquanto ser humano e passar a viver o fantasma de uma vida que outrora tinha fé e sabia sorrir e dançar. Não digo fé do ponto de vista religioso, mas a fé que devemos ter em nós mesmos, a qual é essencial para que nos mantenhamos animados e fortes para enfrentar as dificuldades inerentes a qualquer caminhada.

Por mais que queiramos, o passado não pode ser alterado. Sendo assim, ter excesso de passado apenas retira a energia necessária ao presente. Não se deve esquecer o passado, as memórias, pois os nossos erros servem como crescimento emocional e amadurecimento, a fim de que, em novas situações, saibamos como agir.

Ademais, devemos aprender a olhar para o passado e enxergar onde acertamos também. Ninguém apenas acerta, assim como não existe erro perene. O suicídio emocional que fazemos cria uma seletividade, na qual apagamos tudo o que fizemos de bom e nossos acertos.

Por mais que tudo pareça não funcionar e ninguém acredite em nós, precisamos manter o tesão pela vida, por aquilo que há de belo e ser a nossa própria fonte de energia. Parece besteira, mas é muito mais fácil perdoar os outros do que se perdoar e dar um voto de confiança a si próprio. Se erramos, por mais que queiramos, isso não pode ser modificado, portanto, deixe de ser o seu próprio inquisidor e acredite que, mesmo com asas machucadas, ainda pode voar.

A vida nunca será fácil para quem busca realizar os seus sonhos. Sempre haverá dificuldades, obstáculos e pessoas que lhe farão desacreditar de você. No entanto, culpar-se não resolve o problema, bem como pode te levar a depressões distantes das montanhas.

Perdoe-se, dê colorido aos seus sonhos e se mantenha animado. Não se torne apenas um rabisco, pois, com o tempo, este se torna tão fraco que passamos a não enxergá-lo. Acredite em quem é e tenha coragem de arriscar, poism como bem disseram:

“O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco de viver os seus sonhos.”

Imagem de capa: Aleshyn_Andrei/shutterstock

Não, não é impossível ser feliz sozinho.

Não, não é impossível ser feliz sozinho.

Eu sou dessa gente que anda só. Não me pergunte por quê. Eu não sei responder e você vai achar que é indelicadeza minha, mas é nada senão a mais sincera incapacidade. Não consigo, não dá.

Minha bicicleta não tem garupa, é veículo de um sozinho, descendo uma estradinha esburacada com um equilíbrio tão delicado que é preciso manter as duas mãos no guidão o tempo todo, sabe? Descobri que posso lhe dar uma delas agora e logo tenho de soltar. Não por nada. É só para não me esborrachar no chão. E acredite: se eu não largar a sua mão, você vai cair também.

Acontece sempre. Vira e mexe, meu balão excede a capacidade de carga e começa a descer. É quando você deve pular de volta para o seu. Só assim, você aí, eu aqui, cada um de nós em seu próprio balão, ganharemos o céu de novo. Subiremos para além das nuvens, acima das tempestades e turbulências, onde o ar é raro mas é feito para quem aprende a respirar devagar e sempre.

Lá em cima, o céu do dia é azul, azul que dói. O sol é franco, o vento é calmo e o silêncio é doce e bom. À noite, é tanta estrela mais perto que a gente aprende a olhar aos pouquinhos.

E tem a lua enorme comandando as marés aqui embaixo, inspirando os amantes, fazendo a festa de quem sonha como você e eu.

Cá embaixo, meu barquinho estreito, frágil, não suporta mais de um por muito tempo. Qualquer elemento novo é capaz de virá-lo de pronto. Iríamos os dois para a água. Daqui, no leme grosseiro da minha embarcação solitária, olho para cima com ares de nostalgia. Sou criatura das rodas gigantes, dos teleféricos e montanhas russas. Sonho com as alturas e o silêncio. Sou dessa gente que anda só.

Ouviu? A voz da moça no aeroporto anuncia a hora do voo. Última chamada. Passageiros com destino ao logo mais, embarque imediato no primeiro portão aberto. Meu avião já está ali, pousado, me esperando com a perfeição e a generosa complexidade dos aviões de papel. Mas só cabe um.

Não é por mal. É por defeito de nascença. Eu sou dessa gente que anda só. Gente rarefeita, imperfeita, escassa e com tão pouco para dar. Vou, vamos, aos pouquinhos, com o vento farto e os amigos raros, cada um em sua bicicleta sem garupa, seu balão instável, seu barquinho pessoal e intransferível, sua aeronave de jornal.

Assim, voando sós por aí, você e eu nos encontramos um dia. Assim haveremos de nos reunir. Livres, fortes, seguros. Donos de nossas embarcações, acima das imposições, das cobranças e dos pesos da vida burocrática e normativa de ontem, de hoje e de amanhã. Felizes no leme de nossos destinos. Porque temos nada senão a mais sincera incapacidade. Porque somos dessa gente que anda só.

Imagem de capa: Robsonphoto/shutterstock

A vida depois dos 30…

A vida depois dos 30…

Depois dos 30 anos, você meio que liga o botão do cansei para muitas coisas. Não é que a vida esteja um saco e que você já não veja graça em tudo, mas a sua percepção de mundo está diferente. O seu modo de encarar relacionamentos é ainda mais seletivo. E o humor? Bom, o humor varia dependendo da disposição no momento.

Depois dos 30 nem toda sexta-feira é motivo para uma saída. Às vezes você quer apenas ficar na cama, maratonando alguma série e se alimentando das melhores porcarias. E aquele churrasco de sábado? Até sendo tudo liberado você dispensa em algumas oportunidades. O corpo pede mais um dia na piscina, uma praia no fim da tarde ou um continuar na cama para terminar a maratona de sexta. Quanto ao domingo, na maioria das ocasiões, domingo é o dia do sagrado descanso. Em outras palavras, é o dia de vegetar faça chuva ou faça sol. Você só levanta para comer e atender o chamado da mãe natureza.

Conheça a Nextel com promoções imperdíveis de planos de celular com internet sem bloqueio e ligações ilimitadas.

A vida depois dos 30 também muda para certas atitudes. Alguns mitos são derrubados. O ficar em silêncio quando algo ou alguém te incomoda? Sem chance. Você vira e fala na cara. Não tem mais o joguinho de ficar se guardando para dizer depois. Claro que, dependendo da pessoa e da situação, ou você fala do jeito fofo e empático, ou chega chutando o balde. Porque paciência depois 30 é negócio complicado de praticar. É entoar vários mantras por dia para não perder o controle e dar um chá de sumiço porta afora.

O mesmo vale para os relacionamentos amorosos. Depois que você passa dos 30, o amor não é um sentimento que você ganha e troca quando quer. Leva tempo para que ele encontre aconchego no seu peito, assim como também leva tanto quanto para que ele vá embora. Você sente demais. Para bem e para o mal, o amor é um processo. A maturidade emocional depois dos 30 não comporta amores rasos e muito menos amores com requintes de crueldade. É respeitando o individual que o amor de dois soma.

E o profissional? Esse é o Calcanhar de Aquiles de quem já passou dos 30. Alguns trabalham com o que gostam. Outros não tem essa sorte. Mas, e você não pode discordar, é que depois dos 30 tanto faz se você trabalha ou não com o que gosta. Há dias em que é uma bosta ter que levantar da cama para pagar os boletos no final do mês. Você até quer sentir vontade de ir e mostrar serviço, mas tem hora que pensa – Ah, se eu ganhasse na Mega…!

A verdade é que a vida depois 30 anos é uma ciranda de perdas e ganhos. É um ciclo de fins e começos. Não tem uma resposta certa além daquilo que você sente dentro do coração. Cansa e muitas vezes dá vontade de sentar no chão e chorar. Mas você segue. Você continua. Porque, depois dos 30, você já apanhou tanto da vida que qualquer instante de paz e harmonia é um lembrete de gratidão por ter chegado nessa fase.

E você vai levando…

***

Imagem de capa: Kar Tr, Shutterstock

INDICADOS