Desejar é bom, mas chega uma hora em que é preciso somente agradecer

Desejar é bom, mas chega uma hora em que é preciso somente agradecer

Título Original: Oito anos

Já passa da meia noite e portanto depois de amanhã é seu aniversário de oito anos. Ainda há pouco você veio ao nosso quarto se queixando da falta de sono; me impacientei porque a noite já ia alta, e agora sou eu que permaneço insone.

Fazem oito anos e passou tão depressa… Sábado você se divertiu ao lado de seus amigos na Caça ao Tesouro. E talvez tenha percebido que a busca é mais prazerosa que o encontro; a satisfação maior ocorre durante o trajeto e reconhecimento das pistas, a expectativa pela surpresa final. Do mesmo modo que outro dia você falou, enquanto construía um brinquedo Lego: “O gostoso é montar, né mamãe?” e percebi que você havia pegado o espírito da coisa.
Assim será por toda a vida, meu menino. A busca tem a sua parcela de alegria, e quanto mais nos frustramos nessa jornada, mais valorizamos nosso desejo por aquilo que buscamos. Por isso torna-se tão necessário descobrir o que é importante pra você.

Uma hora talvez você descubra que os melhores tesouros são os mais difíceis de serem encontrados.

Lembre-se disso quando sentir seu coração bater mais forte por alguém. Preserve-se, não vá com tanta sede ao pote. Caminhe sem pressa e valorize sua essência. Porém, quando chegar a hora, partilhe sua vida e alegre-se por ter chegado ao cume da montanha. Reconhecer suas dádivas é primordial para viver uma vida satisfatória.

Deixe sua imaginação voar, te levar por caminhos desconhecidos, te refugiar nos momentos difíceis. Mas aprenda a reconhecer suas frustrações, para que descubra quais são seus desejos também. Ainda estou engatinhando nesse terreno, mas devagar venço minhas resistências e quem sabe me torno uma mãe mais leve pra você também…

Um dia você vai descobrir que adultos não têm tantas convicções quanto parece. Ao contrário, se desejamos evoluir, muitas vezes patinamos nas incertezas de nossos conceitos e verdades, que nunca foram absolutos. Aprendo muito com você, principalmente quando insiste, coisa que nunca fui capaz de fazer. No fundo, no fundo, achava que lidava bem com minhas frustrações mas era só um jeito diferente de negá-las. Sim, meu menino, sou como essas crianças que não podem ter a mochila da moda e, em vez de se entristecerem com a impossibilidade, optam por agir com desdém. Mas leva tempo pra gente descobrir os próprios mecanismos, e estou percebendo isso só agora, junto com os primeiros cabelos brancos e rugas de expressão.

Você não vai esperar tanto. Pois sabe o que deseja, e luta _ nossa, como luta!_ para conseguir. Mas certamente virão outros mecanismos_ de defesa ou proteção_ que lhe farão seguir por caminhos igualmente difíceis, pra só depois, lá na frente, perceber que poderia ter tomado a estrada mais simples. Mas não liga não, é isso que faz a gente crescer.

E você está crescendo tão rápido… A gente abre os álbuns e se depara com tanta alegria, tantos momentos bons e inesquecíveis, que só temos que agradecer a Deus pelo presente da sua vida, sua saúde, sua presença cheia de mistérios e vivacidade.

Faltou tempo para estrearmos o skate, a vida anda tão corrida e as lições da escola triplicaram de um ano pro outro. Assim você irá perceber o tempo. Ele nos engole sem pedir licença, e estabelecer nossas prioridades torna-se fundamental para aquilo que hoje chamamos Qualidade de Vida. Se esforce para dividir bem suas horas, e, acredite em mim, priorize suas relações. É isso o que permanece _ o som das vozes quando as luzes se apagam, o cheiro do perfume conhecido, as mãos que nos cobrem delicadamente ao cair da noite, as viagens onde o sol é mais dourado, a chuva mais divertida, o frio mais acolhedor; a disposição para andar na ponta dos pés enquanto os adultos dormem e a casa é só nossa; as noites do pijama acampando no chão do quarto com os primos; as histórias de terror inventadas por esses mesmos primos na hora de dormir; a simplicidade de nossas rotinas _ essas que um dia serão só lembranças de uma casa com desenhos espalhados pela porta da geladeira e exibições do Pokémon ao meio dia.

A gente cresce e vive de saudades também. Mas isso pode ser tão penoso… como se somente o que passou tivesse vocação de felicidade. Por isso, não viva de buscar tesouros. Preserve o que é seu para não se frustrar em demasia. Desejar é bom, nos mantém alertas e vivos, mas chega uma hora em que é preciso somente agradecer. Mesmo sem saber rezar, não tenha pudores em dobrar os joelhos e dizer obrigado. Na vida saímos esfolados vezes demais, mas o saldo é sempre positivo. Só tenha paciência de esperar, pois mesmo sendo difícil, há beleza. Mesmo machucando, há prazer. Mesmo frustrando, há satisfação.

Parabéns pelos oito anos… Amo você, de um jeito que só as mães conseguem sentir e compreender…

Imagem de capa: Jesus Cervantes/shutterstock

Vivemos em uma cultura masoquista

Vivemos em uma cultura masoquista

Eu me sinto imensamente atraído pelos ensinamentos orientais, principalmente os ligados ao Budismo. O cerne dos ensinamentos budistas está relacionado com o sofrimento e que através do famoso “caminho óctuplo”, proposto por Gautama Buda, podemos transcendê-lo e atingirmos a iluminação.

Infelizmente vivemos num país no qual as pessoas, em sua maioria, não dão muita bola para esses ensinamentos. Por isso intitulei esse texto dizendo que vivemos em uma cultura masoquista. É comum ouvirmos as pessoas dizerem frases como: “o sofrimento é necessário”, “o sofrimento nos faz acordar para a vida”, “vencer sem luta é triunfar sem glória” etc etc.

Isso está entranhado no inconsciente coletivo dos brasileiros de um jeito tal que, se alguém tem uma vida simples, feliz, equilibrada e sem conflitos, quase todos olham torto, como se essa pessoa fosse uma alienígena. Percebe que maluco? O normal é ter uma vida sofrida, amarga, cheia de lutas e cheia de leões para matar diariamente…

Venho nesse texto lhe levar a refletir que não precisa ser assim. E para que você entenda isso ainda melhor, quero compartilhar as lindas palavras do grande filósofo, psicólogo e teólogo francês Jean-Yves Leloup, extraídas do seu belo livro “Amar… apesar de tudo”, que falam sobre esse masoquismo humano.

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No homem, o conhecimento emerge através da dor. Na maioria das vezes, perdemos a capacidade de conhecer nos momentos de alegria; não sentimos nossos limites a não ser no decorrer de experiências dolorosas. Eis o que é evidente, por exemplo, na área da saúde: só sinto meu estômago quando tenho cólicas! Sem isso, nem sei que tenho um estômago… É uma pena. Do mesmo modo que podemos sentir nosso estômago sem ter cólicas, podemos sentir nossa alma sem que esta nos machuque, sem que ela esteja triste.

Mas como sentir o que não é sentido?… Perdemos a sensorialidade, a sensualidade do que não é sentido. Com efeito, no masoquismo, temos necessidade de coisas que nos provoquem um sofrimento cada vez mais intenso. Do mesmo modo que, para sentirmos o sabor dos alimentos, temos necessidade de iguarias cada vez mais condimentadas… porque perdemos o sabor do simples, o sabor da água; perdemos a sensibilidade que permite sentir que na água, existem também grandes diferenças de qualidade.

Jean-Yves Leloup

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Nós nos afastamos do simples. A evolução tecnológica tem nos tornado cada vez mais complexos, e talvez por conta disso, até um tanto paranoicos.

Nesse trecho do livro, na página seguinte, ele inclusive fala do prazer estranho que muitos sentem ao praticar esportes radicais, esportes que põem a vida à prova a todo instante. Ele explica que boa parte delas perdeu o encanto por extrair beleza das coisas mais simples.

Ainda não estudei esse assunto com profundidade, mas percebo principalmente vendo filmes e séries, que as pessoas apaixonadas por esportes radicais, quase sempre passam por grandes conflitos, principalmente familiares, e buscam a explosão de adrenalina para encobrir a dor e por breves instantes não pensarem nos problemas pessoais.

Inclusive, lendo os livros do místico Osho, em vários trechos ele explica que uma pessoa dirigindo um carro à 150 km/h não consegue pensar racionalmente em nada. Toda sua energia e atenção estão na estrada, porque qualquer deslize pode ser fatal, a vida está em jogo.

Isso é masoquismo, mas ele vem disfarçado de outros nomes como aventura ou adrenalina.

É possível sair dessa corrida dos ratos na qual quase todos se encontram. Existem muitos caminhos, mas é claro que sugiro acima de tudo o que mais ensino por aqui, o CAMINHO DO MEIO, ou seja, não queira uma vida morna, na qual você não experimenta nada de novo, nada que desperte suas emoções e lhe faça vibrar, mas também não seja extremista ao ponto de desafiar sua vida por meros instantes de prazer.

Só deixando claro que de forma alguma sou contra quem pratica esportes radicias. Eles são muito interessantes, mas precisam ser feitos como toda segurança, utilizando os equipamentos de proteção necessários entende? Dessa forma está tudo ok! Estou falando das pessoas que praticam de forma extremada, desafiando a morte…

Agindo com esse equilíbrio, você vai estar automaticamente se diferenciando da massa e, consequentemente, deixando de ser um masoquista existencial.

Reflita com carinho sobre tudo isso e aprenda que o caminho para não ser um masoquista é resgatar a simplicidade e o encantamento pelas pequenas coisas da vida…

Imagem de capa: Eakachai Leesin/shutterstock

Rir de si mesmo é algo muito sério…e terapêutico.

Rir de si mesmo é algo muito sério…e terapêutico.

Da mesma forma que somos lembrados sobre os benefícios da atividade física e alimentação saudável, precisamos, com urgência, de lembretes sobre o quanto faz bem à nossa saúde ignorar, ou enxergar de outra forma, alguns aborrecimentos corriqueiros.

Somos advertidos sobre os malefícios das frituras e dos refrigerantes, mas nem todos temos consciência do quão nocivos são alguns hábitos, como, por exemplo, viver reclamando. A maioria das pessoas sabem de cor e salteado dos benefícios da água para o nosso organismo, mas, poucas são as que conhecem sobre o poder terapêutico de rirem de si mesmas. Parece bobagem, mas isso é muito sério, precisamos treinar a nossa capacidade de driblar os aborrecimentos para que tenhamos o mínimo de tranquilidade nessa vida.

Acredito que muitas pessoas são agarradas a determinados padrões de comportamentos prejudiciais por uma questão de ignorância. Elas desconhecem a possibilidade de serem diferentes, até por terem recebido essa bagagem de suas famílias nucleares e as perceberem como uma sentença irrevogável. Nem todos têm a capacidade de questionar aquilo que recebem como transmissão de hábitos, valores etc. Eles simplesmente “engolem” e passam a vida apenas reproduzindo a síndrome da Gabriela do Jorge Amado: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim!”

Felizes são as pessoas que repensam a própria maneira de viver, buscando, sempre, uma forma de evoluir e quebrar os cadeados emocionais que lhes foram entregues pela família, núcleos sociais etc. São indivíduos que assumem uma nova postura perante à vida e que se empenham no autoconhecimento. Dessa forma, identificam as suas potencialidades, independente da idade cronológica que possuem, e mergulham nelas. Elas reaprendem a lidar com as própias limitações e deixam de se sentir diminuídas por possuí-las. Essas pessoas descobrem a senha de acesso à libertação de perceber que cada indivíduo é dotado de potencialidades e limitações. Como canta Caetano Veloso: cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é.

Assim como o exercício físico, o treino visando buscar um novo olhar sobre os acontecimentos deve ser praticado com regularidade. De um lado, estaremos ganhando massa muscular e ossos fortes, nas academias e parques. Do outro lado, estaremos ganhando equilíbrio e flexibilidade, tornando-nos atletas incansáveis na arte de driblar os revezes da vida, aprendendo a selecionar o que vale o nosso barulho, o que devemos contornar em silêncio, e o que devemos apenas ignorar.

Imagem de capa: Evgeny Bakharev/shutterstock

Ave migratória

Ave migratória

Vim me esticar, relaxar e fugir da indecisão entre ter de ser e ter de fazer.
Vim circular, respirar, soltar as asas, escutar o silêncio e
viver intensamente cada segundo.
Vim contemplar a noite a qual seduz a luz do dia, a relva ser acariciada pelo vento e os pássaros saírem em revoada.
Entro em pausa…
Respiro o lento correr do tempo, escancaro minhas por- tas e janelas para tragar o cheiro do jasmim, ouço o trepidar do fogo na lareira e o assovio do vento; tudo embala meu coração!
Vida sentida, refletida e renovada vai brotando, lenta-
mente, tal como uma flor que se abre ao nascer do Sol.
Há dias em que estou aqui seguindo o movimento da natureza, aprendendo a delicadeza e a força da vida que se ma- nifesta em cada árvore, em cada bichinho que tem como única preocupação o ser.
Há dias em que converso com Deus, com o meu com- panheiro de vida, com o Sol, com as estrelas e escuto a poesia concreta das montanhas…
Agora a chuva bate no telhado e eu a recebo alegremen- te. Exponho-me totalmente; quero que ela me lave e purifique. Sinto que dissipei minhas nuvens negras e densas; a saudade me diz que é hora de voltar.
Outra estação está chegando, o tempo de aflição e can-
saço se foi.
Vim, agora voo, sou ave migratória…

Imagem de capa: Stone36/shutterstock

A teia que nos sustenta

A teia que nos sustenta

Há alguns anos, no Centro de Saúde onde trabalho, ocorreu uma situação envolvendo um paciente meu, que acabou virando piada familiar. O paciente, um senhor muito simples, na casa dos seus 50 anos, tentando agradar, veio com essa: “Eu falei pra minha mãe que o tratamento foi muito bom, a estagiária fez o canal direitinho…” Percebendo que a “estagiária” em questão era euzinha, expliquei: “Senhor, não sou estagiária. Tenho 17 anos de profissão…” Incrédulo, perguntou minha idade. Respondi: Trinta e oito. Assustado, o homem se afastou e me olhando de alto a baixo começou: “Quarentãããããoooo?!?!? Não acredito! Já é quarentãããããooo?” e eu, muito sem graça, afirmei novamente “trinta-e-oito”, mas ele já não ouvia, e sem descanso, foi-se repetindo, repetindo… insistindo no quarentãããõo_ com ênfase no ãããooo_  enquanto se despedia, assombrado.

Desde então, a piada foi contada e recontada nas mesas da família, e a turma, que não perdoa nada, não via a hora desses dois anos passarem para enfim me chamarem de quarentãããããoooo…

Chegou. Na Sexta Feira Santa, ou da Paixão, meu 40o. aniversário virou fato concreto. Decidi abrir mão dos festejos, escapando no dia seguinte para São Paulo. Lá, conheci o famoso pastel de bacalhau do Mercadão _ lotado, me decepcionei com a hospitalidade do local_, depois seguimos para as lojinhas da Liberdade (o filhote atrás de sua coleção de pokémons), e arrematamos a noite no Terraço Itália, que eu tinha vontade de conhecer. No dia seguinte, domingo de Páscoa, almoçamos com minha avó e retornamos à Campinas.

Segunda feira, feriado de Tiradentes, sossego em casa. Arrumei gavetas, separei roupas pra doação, ajudei meu filho encapar caixas para um trabalho da escola. Meu irmão, animado, liga querendo combinar uma pizza pra selar o fim do feriado prolongado. Eu, cansada e satisfeita com minhas comemorações, tentando fazê-lo mudar de ideia: “Nossa mãe vai chegar cansada de Uberaba, nem vai querer sair, deve estar doida pra descansar…” Ele carente: “Ah não, eu passei a Páscoa longe de vocês, quero muito encontrá-los…” Meu marido, preocupado: “Com o movimento das estradas, sua mãe só chega depois das dez…” Ligo pra ela: “Mãe, onde você está?” Ela animada: “Entrando em casa. Vamos sair?” Eu ponderada: “Nossa mãe, mas você não está cansada?” Ela, mais animada ainda: “De jeito nenhum, quero muito encontrar vocês. Passa aqui oito e meia”

Bom, se minha mãe, aos sessenta e poucos, depois de horas na estrada, se encontrava nessa empolgação toda, quem sou eu pra desanimar? Corre pro banho, arruma o menino, passa um batom. Oito e meia estamos na porta da minha mãe. Segue pra pizzaria.

Com que semblante se recebe uma surpresa? Como se processa dentro de nós a mudança daquilo que era para aquilo que é? Com que rapidez nos adaptamos ao inesperado?

Já me perguntei isso diversas vezes, diante de fatos que ocorreram comigo e ao meu redor ao longo dos anos.
Qualquer surpresa é um evento que não podemos controlar, por isso pode ser muito assustador para aqueles que preferem ter as rédeas muito firmes das próprias vidas. De qualquer forma, existem surpresas boas e ruins. Ou ainda aquelas que inicialmente seriam boas, e se transformam em grandes pesadelos. Ou o que parecia ser ruim, mas se torna um belo presente.

Entramos eu, marido e o filhote. Fazemos a curva, nos adiantamos a passos lentos. Começa a tocar “She”, do Elvis Costello, e lá na frente duas mesas se levantam enquanto rostos conhecidos sorriem ansiosos. A trilha de “Um lugar chamado Nothing Hill” _ ao vivo_ continua, e incapaz de seguir, dou meia volta e me escoro na danada que organizou todo evento quietinha, profissional. Entramos juntas, recebo abraços, desenhos feitos pelas crianças e me emociono quase sem fala.

Minha maior timidez vem dessa incapacidade de lidar comigo mesma. De receber afeto e elogios, de aceitar uma surpresa boa sem me sentir endividada, de ser homenageada sem recuar nem tropeçar nas inseguranças acerca de meu valor. Ás vezes é mais fácil depreciarmos a nós mesmos e recebermos as críticas do que sermos confrontados com nossas qualidades e méritos. Por que é tão difícil o olhar amoroso a nós mesmos?

Feliz, mas inadequada com a súbita demonstração de afeto, fui me soltando aos pouquinhos, diante da lembrança do “quarentããããooo, jamais esquecida por meu irmão. Recordei então uma frase do músico Lenine: “Família é um reduto de sanidade”.

E percebo agora, mais amadurecida e dona de meus caminhos, que a gente precisa ter com quem contar. Não são necessários laços de sangue ou habitar o mesmo chão, mas há de se construir uma teia onde possamos nos sustentar mutuamente naquelas horas em que nossos fios desatam, ou a alegria não cabe em nossos recintos tão estreitos…
Por mais tentador que seja viver de distâncias, feito Amyr Klink em sua ‘sozinhez’ desejada, isolados de todo barulho e confusão inerentes a qualquer família, é ali que encontramos o olhar que nos traz de volta; o olhar que nos redime e adivinha, para que possamos nos enxergar com mais tolerância e amorosidade também.

Crescemos, ganhamos novos contornos, enxergamos a vida por prismas diferentes, mas carregamos em nós os papéis que aprendemos a desempenhar em nossa família primordial.

Você já parou para pensar no papel que inventou para si, dentro da primeira casa que habitou? No quanto esse papel ainda pode lhe definir? O paradoxo é descobrir que você precisa se afastar desse papel para descobrir a própria identidade; ao passo que, terminada a jornada de ida, somente o retorno lhe possibilitará concluir-se por inteiro (o importante não é somente ir, mas ter para onde voltar…).

Ao fim da noite, já em minha cama, parei pra pensar em como cheguei até aqui. Em como eu estava feliz, ainda que a sensação de inadequação não me deixasse só. Agradeci a Deus pela grande família que tenho _ avó, mãe, pai, irmãos, marido, filho, cunhadas, primos, tios, sobrinhos, afilhados, amigos de perto e de longe_ e pedi o dom de ser uma aranha tecedora, capaz de entrelaçar minha vida àqueles cujos caminhos se esbarram e cruzam aos meus, pois a surpresa maior foi enfim perceber que formamos uma grande teia; uma teia onde é importante fazer o caminho de ida, porque faz-se necessário adiantar-se, ganhar novos contornos, percorrer roteiros de ‘desidentidades’, fugir do óbvio, descobrir desenhos próprios e distintos; mas há uma hora em que retroceder significa buscar-se também, e ao fazer o caminho de volta, percebemos que esse itinerário regresso não é contraditório. Ao contrário, nos dá direção e torna-se fundamental de tempos em tempos. Para nos confortar, para reconhecermos a nós mesmos nesse emaranhado de curvas que a história dá, para mais uma vez experimentarmos o que aquece e faz sentido, ou simplesmente nos sentirmos em casa. O fato é que a teia existe, e é tecida incessantemente _ em diversas direções, contornos e intensidades, mas sempre com a possibilidade do retorno. Sempre com a possibilidade de formar um grande desenho, onde se acomodam os anseios, as saudades, alegrias e tristezas, amores e desejos_ de ontem e hoje.

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Imagem de capa: Syda Productions/shutterstock

É preciso abrir um novo olhar para as relações, de menos dependência e mais animosidade

É preciso abrir um novo olhar para as relações, de menos dependência e mais animosidade

Aprendi que não importa a sua doação, seu amor, sua entrega, se o outro não está na mesma frequência emocional que a sua. Ele não irá se doar na mesma proporção, ou mesmo não irá se doar – e ESTÁ TUDO BEM!

É bom sentir a maré, perceber se não está remando sozinho neste barco, e entender quando ele ou ela não está a fim.

Cair essa ficha é fundamental para não perder tempo nem se perder na armadilha da ilusão.

Não devemos forçar o que deveria ser espontâneo. Querer algo à força, na manipulação, é assinar o termo de enganação. Como posso aceitar algo que não veio de coração, de livre vontade, de verdade?

É preciso parar com os enganos… Viver com mais verdade!

Não é possível viver de migalhas e restos de amor – que na verdade não se configura amor e sim carência, que vai sempre enxergar chifre em cabeça de cavalo,

A carência vem de uma falta de amor e parte para a necessidade de se ter alguém para não se deparar com a solidão, com a própria presença e amor, e assim se torna vítima das próprias faltas. Falta de si!

Primeiro é preciso estar bem consigo, estar disposto a ter um caso de amor próprio. Nesse caminho, encontra-se uma disponibilidade de amor, um “animus” de amorosidade que não depende de outro alguém! Um amor por si, pela vida.

Quando se ama de verdade liberamos uma fragrância que atrai seres amorosos. Atraímos o que emitimos. Somos responsáveis por tudo o que que chega na nossa vida, por toda relação que construímos! Aceite isso!

A fuga de si e assim o preenchimento de buracos internos é um perigo pois o ser acaba se envolvendo em relações que não são saudáveis, permite que seja humilhado, mal tratado, e este aceita os termos e condições por não se permitir estar só. Paga um preço alto pela fuga de si.

Não precisamos ter, precisamos SER alguém feliz e de amor. É importante compreender que todo ser humano necessita da sua individualidade, do seu tempo consigo. Um momento para se conhecer, aprofundar no seu ser, se descobrir, questionar, se buscar e se amar.

E isso é também possível dentro de um relacionamento. A individualidade não deve se perder jamais! Isso é tudo o que temos. Não devemos confundir e fazer da vida do outro a própria e viver como se houvesse apenas a relação. O ser não deve abandonar suas paixões, seus sonhos, seus chamados por conta do parceiro que não aprova ou não permite. Isso não é amor é cárcere!

É preciso abrir um novo olhar para as relações, de menos dependência e mais animosidade – para amar, permitir, viver, e ser!

Se você terminou uma relação, não corra atrás de um novo alguém para suprir uma falta ou para provar algo para alguém. Se for pra provar, prove o seu amor por si! Não se sinta mal por isso. As relações cumprem seus propósitos!

Todo ser que passa em nossa vida leva algo de nós mas também deixa algo. Aprenda com isso.

Permita estar com você e se conhecer. Buscar se entender. Suprir suas faltas. Se abraçar! Atender ao seu chamado interno com amor. Se ouvir, se cuidar.

Se leve para sair, passear, conhecer novos lugares! Refine seus gostos, suas companhias, suas roupas, seus sonhos! Você pode muito, não deixe que o julgamento do outro atrapalhe suas escolhas.

A vida é sua e só você tem o poder de escolher o que é melhor pra você. Não se esqueça: você está aonde você se coloca. Assuma essa responsabilidade.

Se não for de verdade, se não houver espontaneidade, siga em frente! Não estacione em corações que não batem na mesma frequência que o seu.

A vida te oferece muito mais. Amplie sua percepção e se cubra de amor e ousadia! Seja feliz.

Imagem de capa: Elena Efimova/shutterstock

O Amor salva, mesmo que não dure para sempre

O Amor salva, mesmo que não dure para sempre

Guardo em mim sua figura, desenhada à meia luz, naquele quarto enfadonho, escuro, demasiado quente, numa noite de verão, quando me abraçou pela primeira vez. O que senti mora no meu coração até hoje, e permanecerá. Foi resgate duma espiral imersiva, um vulto heroico a me salvar de onde eu vinha e para onde eu ia, de onde estava e não queria ficar. Houve uma identificação imediata, uma faísca carregada de eletrões, em preliminar sinestesia, e aí eu soube que iríamos ficar juntos durante muito tempo.

Lembro suas mãos, ainda as olho à minha frente, embora hoje já não estejam mais presentes continuo a conseguir visualiza-las facilmente. Finas, delicadas, quentes… que dançam sempre que ele se põe falando, que passam mais vezes pelo cabelo quando está nervoso… E o peito, espadaúdo, que se enche quando ele quer ter razão. E tem. Você se estica, numa figura altiva, e fala , fala , fala… Te olho e sorrio, mesmo que não ouça nada, tua música toca todos os estilos, afinada e solene. Te ouvir é ficar em sintonia com o mundo.

Você tinha um olho fisicamente diferente, uma íris especial, em circunferência incompleta, era o perfil de um glutão perfeito, e eu me perdia sem tempo a lhe verificar os contornos … esse pequeno pacman por vezes ainda se deita comigo. E seu sorriso, em jeito quase paternal, me envolvia até à ponta da alma. Os anos passam mas esse olhar permanece, profundo, invasivo e fulminante, sem código de entrada, me percorreu sempre destemido até onde eu nem sabia que existia.

Não se volta igual de um envolvimento profundo. Nunca em momento algum tal choque de pele, e de corações, deverá ser desvalorizado, mesmo que a relação não dure tanto como esperado. O que se sente e se faz sentir, a pessoa em quem nos transformamos, pelo amor, pela paixão, deve se interiorizar em gratidão permanente para toda a vida.

A forma como ele orientou meu caminho, a paz que trouxe ao turbilhão da minha vida, se pensarmos bem, não passávamos de desconhecidos antes de nos cruzarmos num belo jantar de amigos e, ainda assim, a vida se encarregou de nos tornar família, nós nos construímos pessoas diferentes, melhores, mais nutridas em novos sentimentos. Fomos muito especiais, à nossa imagem, e o que nos aconteceu não vem todos os dias, a toda a gente. Pensar nisto emociona, despoleta o choro, pelas memórias boas, e pelo que correu menos bem.

Hoje, estamos longe. Nos perdemos. Primeiro eu, me perdi de mim, não de ti. Acontece que, quando há uma fundição tão cega, em amor, apaixonante, mas sem equilíbrio, a coisa pode tombar. E assim foi, nos faltou espaço para respirarmos individualmente. E então o rumo mudou para que não nos afogássemos um no outro. Nunca a nobreza dos sentimentos foi posta em causa, eles foram muito bem enraizados, incorporados, sustentados, em cada um de nós, a mim me seguraram sempre. Foi você que me aguentou para que eu saísse de pé.

Acabou tudo?
Mas, bolas, se valeu a pena!

Imagem de capa: sivilla/shutterstock

A primeira amizade precisa ser consigo mesmo – OSHO

A primeira amizade precisa ser consigo mesmo – OSHO

A primeira amizade precisa ser consigo mesmo,
mas muito raramente se encontra uma pessoa que seja amistosa consigo mesma.
…..Ensinaram-nos a condenar a nós mesmos. O amor-próprio foi considerado como um pecado. Não é.
Ele é a base de todos os outros amores, e é somente através dele que o amor altruísta é possível.
Como o amor-próprio foi condenado, todas as outras possibilidades de amor desapareceram.
Essa foi a estratégia muito ladina para destruir o amor.
É como se você dissesse a uma árvore: “Não se alimente da terra, isso é pecado.
Não se alimente da lua, da chuva, do sol e das estrelas; isso é egoísmo.
Seja altruísta, sirva outras árvores”.
Parece lógico, e esse é o perigo.
Parece lógico: se você deseja servir os outros, sacrifique-se; servir significa sacrificar-se.
Mas, se uma árvore se sacrificar, ela morrerá e não será capaz de servir nenhuma outra árvore;
de maneira nenhuma será capaz de existir.
Ensinaram-lhe: “Não ame a si mesmo”. Essa foi praticamente a mensagem universal das pretensas religiões organizadas.
Não de Jesus, mas certamente do cristianismo; não de Buda, mas do budismo –
de todas as religiões organizadas, este foi o ensinamento: condene a si mesmo, você é um pecador, você não tem valor.

E, por causa dessa condenação, a árvore do ser humano se retraiu, perdeu o brilho, não pode mais festejar.
As pessoas vão dando um jeito de se arrastar, não têm raízes na existência – estão desenraizadas.
Elas estão tentando prestar serviço aos outros e não podem, porque nem foram amistosas consigo mesmas.
……Eu não tenho nenhuma condenação, não crio nenhuma culpa em você.
Eu não digo: “Isto é pecado”.
Eu não digo que o amarei só quando você preencher certas condições.
Eu o amo como você é, porque essa é a maneira que uma pessoa pode ser amada.
Eu o aceito como você é, porque sei que esse é o único modo que você pode ser.
É assim que o todo desejou que você fosse. É como o todo destinou-o a ser.
Relaxe e aceite-se e alegre-se – e então vem a transformação.
Ela não vem através de esforços.
Ela vem pela aceitação de si mesmo com tal profundidade de amor e felicidade, que não há nenhuma condição, consciente, inconsciente, conhecida, desconhecida.
O amor é alquímico. Se você se amar, a sua parte feia desaparece, é absorvida, é transformada.
A energia é liberada daquela forma.
Todas as coisas chamadas de pecado simplesmente desaparecem.
Eu não digo que você tenha que mudá-las; você tem que amar o seu ser, e elas mudam.
A mudança é um sub-produto, uma conseqüência.
Ame-se. Esse deveria ser o mandamento fundamental.
Ame-se. Tudo o mais se seguirá, mas este é o alicerce.
OSHO

Imagem de capa: Reprodução

Algumas pessoas são como abrigos

Algumas pessoas são como abrigos

Há duas semanas, no estacionamento de um supermercado, minha mãe foi vítima de um sequestro relâmpago. Foram horas de muito medo e apreensão, durante os quais ela somente orou e obedeceu. Passado o susto, já em segurança, por proteção ou choque, contou-nos a história por partes, ocultando os temores e aguçando o bem estar, disfarçando o medo e assegurando a paz.

Por alguns momentos, meu irmão e eu chegamos a estranhar o veredicto, a duvidar de sua calmaria, a temer sua sensatez. Esperávamos mais que o choque estático ou a conformidade virtuosa.

Então lembramos.
Algumas pessoas são como abrigos. Resguardam suas fragilidades para nos abraçar com sua _ aparente _ calmaria. Transbordam ânimo, otimismo e proteção, quando elas mesmas encontram-se fragilizadas. Ocultam seus medos para nos poupar dos nossos, valorizam seu ânimo para nos resgatar da insignificância das horas, do inaceitável dos dias.

Citando novamente “Patrimônio”, de Philip Roth, num dado momento o pai, à beira da morte, indignado diz ao filho (que lhe ocultou uma séria dificuldade): “Somos uma família ou não? Nunca mais tente me poupar…” e continua: “eu tinha que ter estado lá, eu tinha que ter estado lá…”

Por amor ou coisa parecida, fui poupada algumas vezes. Poupada de acertos familiares, dificuldades emocionais, fatos importantes. Em todas as situações, um “carinho” que me isolou num refúgio de tranquilidade enquanto do lado de fora, a tempestade fazia tremer as vidraças. Porém, a verdade tem força para romper os muros que criamos _ ou que criam por nós. E ela me alcançou de qualquer maneira, alheia aos esforços de segurá-la além mar. Porém, a sensação que ocorre depois disso tudo, não é a de que fomos protegidos, mas sim isolados.

Peço àqueles que amo que não me poupem da verdade. Que não construam abrigos onde eu possa ser protegida dos conflitos enquanto a vida se desenrola além dos sorrisos apaziguadores e semblantes de resignação. Que a dificuldade seja o elo que nos aproxima também, talvez até mais que os momentos de bonança e calmaria. Que as vitórias sejam festejadas na sua medida, mas que meus braços possam acolher seus medos, cicatrizes e tristezas na mesma intensidade com que partilham a alegria. Que eu possa ser forte quando você se fragiliza, e nem por isso maior que você. Que possamos dividir dúvidas, anseios, decepções… amparados numa vida de coerência e transparência. Peço que não me resguarde de sua vida, com tudo de bom e ruim que nela cabe. Que não me oculte suas máculas, pois assim não saberei lidar com minhas próprias nódoas. Que sejamos claros, verdadeiros, justos_ nos bons e maus momentos. Acima de tudo, não me poupe de nada.

De qualquer forma, pelo menos na fantasia de nossos pais, seremos sempre seus filhos pequenos, aqueles a quem devem proteger.
Como pais, percebemos o quão difícil pode ser construir ninhos. É tentador arquitetar um lugar de comodidade e aconchego, onde os galhos mais pontiagudos ficam escondidos sob nossas asas tão redentoras. Porém, desejando poupar nossos filhos daquilo que é tão penoso para nós mesmos _ sentimentos como a tristeza, a raiva e o medo_  não os ensinamos a lidar com a aridez que há na vida (pois a vida não é só boa), justamente por não validar aquilo que sentimos ( e eles sentem também), ao camuflar dificuldades e ocultar a dor.

Uma criança precisa entender que sentimentos como a aflição, o desamparo, a raiva e o temor pertencem ao currículo de sensações normais, e fazem parte dessa coreografia tanto quanto a alegria, o prazer e a tranquilidade. Porque se não compreender isso, como irá, ela mesma, adequar-se no dia que experimentar tais impressões?

Sem a verdade, e portanto, sem conhecer realmente aqueles que ama e convive, em que ninho nossos filhos se sentirão realmente protegidos? Que dúvidas ocorrerão quando enfim crescerem e perceberem que haviam sim pontas e espinhos, mas tão camuflados que não perceberam as asas dos pais mutiladas enquanto acobertavam os nós? Que tipo de ligação se estabelece sem o vínculo da confiança?

Minha mãe saiu bem do sequestro relâmpago e, paradoxalmente, meus irmãos e eu só relaxamos quando ela enfim chorou. Quando derrubou seus muros e nos permitiu entrar, partilhando seu medo e vulnerabilidade. Foi quando pudemos abraçá-la e confortá-la na dor.

Finalmente nosso ninho foi bagunçado…
Com as pontas expostas, sentimos nossas asas doendo tanto quanto as dela. Sem as proteções costumeiras, finalmente sentimos que “estávamos lá”…

Imagem de capa: Phovoir/shutterstock

Definitivamente, não compensa agir com avareza e falta de empatia.

Definitivamente, não compensa agir com avareza e falta de empatia.

Existem muitos avarentos disfarçados de empreendedores. Há também aqueles que querem formar uma parceria contribuindo com nada ou com bem menos do que seria justo. Essas pessoas não percebem que cavam a própria cova. Não se dão conta de que, no final, o tiro acaba saindo pela culatra. São seres que se percebem como espertos demais, parece que nunca ouviram falar da lei da semeadura.

Recentemente, estive por 15 dias, hospedada num hotel em João Pessoa. A estrutura do ambiente era bacana, contudo, a internet era de péssima qualidade. Eu dependo de uma internet razoável para trabalhar no meu blog. Então, tive vários aborrecimentos. O trabalho, que na minha casa eu fazia em 5 minutos, lá, quando eu conseguia fazer, levava mais de 40 minutos. Isso porque eu saía do quarto e ía à recepção, onde o sinal era melhor um pouco.

Procurei o gerente do hotel e expliquei a minha situação. Ele me respondeu que a internet estava ruim porque o hotel estava cheio por ser alta estação. Oras, por que não instala uma internet de qualidade, considerando que muitos hóspedes podem precisar dela para trabalhar, ou mesmo para usar da forma como lhes convierem? Será que esse investimento é tão alto assim para um empresário desse ramo?

Consequência: Não voltaria mais a me hospedar naquele hotel, tampouco o indicaria a alguém que utiliza a internet como ferramenta de trabalho. Se eu tivesse ficado satisfeita, eu faria propaganda para todos os meus amigos e até publicaria nas minhas redes sociais. Percebe que esse tipo de economia não compensa? Pelas reclamações que ouvi de outros hóspedes, a insatisfação foi geral.

Agora, um exemplo de falta de empatia, que nesse contexto, fica bem próximo da má fé, praticamente sinônimos: sou colunista em vários blogs. Cheguei a publicar em sete ao mesmo tempo, mas, saí de dois. Motivo? Falta de afinidade com a política adotada por eles. Um publicava os meus textos colocando o meu nome lá no finalzinho de tudo, depois de vários anúncios e ainda colocava “via Ivonete Rosa”, dando a entender que eu apenas enviei o texto, não afirmando a minha autoria. Questionei o editor sobre o porquê daquilo e tive como resposta que era porque eu era uma colunista iniciante. O que fiz? Dei até logo!

Outro site publicava os textos com o nome do autor escrito numa fonte bem clarinha, acho que eu só via o meu nome porque eu procurava. Sugeri ao dono que melhorasse a visibilidade do nome do autor, ele me disse que não tinha como modificar a fonte, era o “sistema”. Para minha surpresa, o meu blog tem a mesma ferramenta que ele utiliza e me dei conta de que, se eu quiser, posso colocar o nome do autor do tamanho do título e da cor que eu quiser. Fiquei com a impressão de que ele queria apenas o meu texto, tendo a clara intenção de me esconder dos leitores ou outros blogs, sei lá. Optei por sair.

Eu teria permanecido nos outros dois blogs se eles tivessem uma política de consideração com quem colabora com eles. Acontece que eu estava sentindo um desconforto muito grande. Moral da história: alguns blogs querem tanto esconder os autores dos textos que eles publicam que acabam ficando sem eles.

Não é frescura minha, ocorre que a escrita é um dos meus sagrados, escrevo por amor e não quero sentir nenhum mal estar envolvendo essa paixão. Se a energia é ruim eu não fico, me dou a esse luxo. Certamente, nem todos os escritores se incomodam com o que relatei aqui, ou talvez se incomodam mas não se manifestam, enfim, viva a liberdade de cada um. Acredito que todo mundo gosta de ser valorizado e acolhido, inclusive nos ambientes virtuais.

Por fim, fiquei publicando em cinco blogs, dos quais, três são os meus favoritos. Motivo: eles valorizam os colunistas, facilitando a visualização do perfil do autor e até da sua página, caso ele tenha.

No meu blog, que é novo, eu procuro me espelhar nos blogs que admiro, pois quero trabalhar com gente feliz e motivada. Desejo que meus colunistas se orgulhem de fazer parte da minha equipe. Eu quero fazer o meu melhor por eles. A vida é feita de troca, é via de mão dupla, e quando reconhecemos que numa parceria um precisa do outro, tudo flui sem embaraços.

Carinho, atenção, respeito, consideração e empatia são perfeitamente palpáveis nos ambientes virtuais também, engana-se quem pensa o contrário. Então, opto por vincular os meus textos aos espaços que despertam o meu afeto, o meu respeito, a minha motivação e, principalmente, a minha gratidão. Nesses lugares, eu quero mesmo é criar raiz e ofertar o meu melhor.

Imagem de capa: Akaranan/shutterstock

Não tente ajudar quem não quer ser ajudado

Não tente ajudar quem não quer ser ajudado

Esses dias li um texto simples e bastante profundo da terapeuta Gisela Vallin que me fez refletir muito sobre o conhecido processo psicológico chamado RESISTÊNCIA. Leia com bastante atenção.

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Quando vir alguém vivendo uma situação desafiadora, exerça a empatia para verificar se essa pessoa quer sua ajuda de fato.

Ao longo da minha trajetória como terapeuta, percebi, a duras penas, algo muito interessante no comportamento de algumas pessoas : Muitas vezes elas só querem reclamar, mas não querem uma solução para o problema.Sim, isso existe. Nós mesmos fazemos isso sem perceber. Inúmeras vezes só queremos expressar nosso mimimi, mas não queremos a solução real para o que nos atormenta. De alguma forma, a queixa alimenta o ego.

Inúmeras vezes sugeri tratamentos para clientes que eu sabia que iria fazer com que, possivelmente, eles solucionassem alguns problemas de vez. E eu não entendia porque eles nunca iam, ou nunca faziam o tratamento por completo ou encontravam desculpas para faltar. Até que fui conhecendo, na prática, o fenômeno da RESISTÊNCIA.

Basta observarmos nossas vidas. Quantas vezes ficamos andando em círculos numa situação por conta do imenso medo de perder a muleta existencial que um problema nos dá ?

Creio que, quando temos coragem de olhar para dentro, percebemos que, muitas vezes, podemos encontrar um prazer mórbido em alguns sofrimentos e alimentamos essa postura masoquista por falta de consciência.

Já diz o o Osho que o sofrimento fortalece o ego.

Não tente ajudar quem não quer ser ajudado. Cada pessoa tem seu processo, devemos respeitá-lo. Se a pessoa pedir sua ajuda e você sentir em seu coração que deve fazer algo, pode emanar boas energias à distância, mas não compre o marketing do ego vitimizado de pessoas que estão apegadas ao sofrimento e que se autoboicotam, diariamente, para não sair dele.

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Tudo isso que ela fala nesse texto é muito profundo e verdadeiro. Também sou bastante sensível para escutar a dor das pessoas, assim como a Gisela Vallin, mas observo constantemente que muitos dos que se dirigem a mim para conversar possuem uma espécie de “sofrimento de estimação”, ou seja, cuidam das suas dores como se fosse algo precioso.

A leitura desse texto me fez lembrar de um caso real que tive conhecimento. Uma pessoa conhecida da minha família tem uma condição financeira bastante favorável e também possui um coração muito bondoso, generoso e prestativo.

Ele, ao ir de carro para o seu trabalho, sempre encontrava em um dos sinais um rapaz que tinha uma enorme ferida na região do quadril e que o deixava incapacitado de trabalhar em qualquer empresa ou instituição.

Compadecido de sua realidade dolorosa, ele conversou com o rapaz em particular e disse que poderia pagar todo o tratamento médico, para que ele ficasse totalmente curado daquela ferida tão feia e dolorosa.

Para a sua surpresa, o rapaz agradeceu a sua gentileza, mas recusou sua proposta com o seguinte argumento:

– Senhor? Mas se eu ficar curado dessa ferida, eu vou perder o meu “ganha pão”. Eu vivo de pedir essas esmolas no sinal. Se eu deixar de pedir, como é que eu vou me sustentar?

Pois é meus amigos! Essa estória é verídica e afirmo a você com veemência que esse não é um caso isolado, de maneira nenhuma, ele é mais comum do que você imagina. Acontece por todos os lugares.

Infelizmente, muitas pessoas se colocam em ZONAS DE CONFORTO extremamente doentias e prejudiciais.

Dei esse exemplo para mostrar uma das maiores verdades universais e colocarei aqui com bastante destaque.

NINGUÉM MUDA NINGUÉM

Quando essa verdade universal fizer parte do mais profundo do seu ser, você vai pouco a pouco se transformar em um homem ou mulher de autoconhecimento e vai aprender que a verdadeira e real mudança sempre acontece na gente mesmo. É algo de dentro para fora. Mudando o mundo interno, o externo vai refletindo também essa mudança.

É difícil explicar isso em palavras, é algo que deve ser experimentado na própria vida. Experimente! Mude o seu mundo interno e vai ver como o mundo externo vai refletir essa mudança.

Portanto, lembre-se sempre: Não tente ajudar quem não quer ser ajudado.

Imagem de capa: Alejandro J. de Parga/shutterstock

Quando o respeito acaba, o amor já foi embora faz tempo

Quando o respeito acaba, o amor já foi embora faz tempo

Dia desses ouvi um marido gritando com a esposa ao telefone. Ele dizia, impaciente, que estava ocupado, que ela devia parar de incomodá-lo. Infelizmente quando se vive por um longo tempo com alguém é preciso recusar as armadilhas do costume. O costume transforma o ótimo e o péssimo em comum.

Dentre outras coisas, aquele homem tinha se acostumado a tratar a mulher daquela forma desrespeitosa. E espero eu que ela não tenha caído na armadilha de também se acostumar com aquilo, aceitando para si tal tratamento. Mas não só o costume tinha entrado em jogo. Com certeza o respeito ali tinha sido enterrado, há tempos, em algum canto indigente.

O primeiro contato que tecemos com o outro sempre acontece tendo o respeito como premissa. Respeitamos o mundo do outro e desejamos ter o nosso mundo respeitado. O amor nasce dessa dinâmica. Ele é sempre respeitoso. Não existe possibilidade de amor onde não existe respeito. O respeito é a chave para o amor. Aquela chave que abre as portas mais fascinantes, aquelas guardadas no fundo da nossa alma.

Quando o respeito acaba é como se o outro quisesse abrir nossas portas a pontapés. A delicadeza da chave confiada é trocada pelos chutes que despedaçam o que a confiança construiu.

Se por ventura a relação que tecemos com o outro padecer de respeito, pode ter certeza que o amor já bateu em retirada há séculos. E não adianta o outro dizer que nos ama, que nos quer bem se o que ele pratica é exatamente o contrário do que diz. Devemos tomar cuidado com a definição que fazemos de amor e olhar para a realidade com firmeza.  Incompreensão, impaciência e descaso não podem, nem de longe, ser confundidos com amor.

O respeito é a última esperança de que haja alguma chance de entendimento e alegria em um relacionamento, sem ele, certamente, o amor já deixou de existir e deu lugar ao medo e a outros sentimentos deveras tristes e incapacitantes. Sentimentos estes bem distantes daquilo que merecemos em qualquer relacionamento verdadeiro.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

A simplicidade carrega dádivas

A simplicidade carrega dádivas

Título Original: Aviões de Papel

Minha casa foi invadida por aviões de papel. Na mesa da sala, nos degraus da escada, no quarto de brincar e de dormir… os modelos, dos mais variados tipos e potências, aterrizaram em nossos passos e espaços.

Meu menino, que também adora tevê e videogame, anda descobrindo o prazer da simplicidade.

O tempo passa e permanecem as coisas mais simples. Como peão que rodopia e traz pra perto do filho a infância dos pais, a simplicidade ensina que a eternidade mora nos detalhes; na cauda do avião de papel milimetricamente ajeitada pelo avô e na mancha de farinha que colore o colo da mãe.

Simplicidade de presença sentida e ausência sofrida, pés no chão e olhos atentos, vontade e verdade _ intercaladas e misturadas _ trazendo a noção de que ser simples é estar inteiro.

Não necessita retoque, glamour, etiqueta. Não exige aprovação, só adivinhação. Desapegado se faz do consentimento alheio, dos comentários digitais, dos olhares de recriminação.

A simplicidade gosta de rascunhos sinceros, poeira varrida pelo vento, fotos desbotadas pelo tempo, verdade escrita pela caligrafia da honesta presença e sinceridade ilesa de retoques corretivos.

Os aviões de papel mostram que nem tudo que parece perfeito será sempre melhor. Que a imperfeição e escassez de luxo podem ser reconfortantes e causar saudades permanentes.

Que nos momentos onde a madeira lasca, a água é escassa e o feijão e café, mais ralos, a lembrança torna-se mais aguda, e _ apesar de toda ranhura _ mais bonita.

Muita história de amor foi construída sob um teto de dificuldades; estante da sala de caixotes de feira, paredes caiadas de tinta diluída, café da manhã com pão amanhecido. E arrisco acreditar que as adversidades tenham feito o amor mais forte, apesar de simples.

Tenho saído todas as manhãs para caminhar num parque perto de casa. Sim, sou abençoada por ter uma lagoa linda pra contornar, e uma paisagem exuberante pra me acompanhar. Hoje cedo, a fonte, numa das margens do lago, estava ligada. Tocava Frank Sinatra e durante minha passagem fui presenteada com duas músicas que adoro, Moon River e Cheek to Cheek. De repente percebi que a felicidade se constrói assim, não de uma vida perfeita _ e ilusória _ mas de momentos simples e concretos. Sozinha, agradecida por ter meu corpo funcionando perfeitamente, tendo a facilidade de frequentar esse parque que se avizinha à minha casa, sentindo o sol e o vento em meu rosto, senti-me premiada com o script e a trilha musical extremamente clichês e simplesmente perfeitos.

Pode demorar algum tempo para percebermos que a simplicidade carrega dádivas. Que um aviãozinho de papel num dia de vento pode ser mais prazeroso que um quarto cheio de brinquedos. Que caminhar sem preocupação por uma paisagem exuberante traz mais resultados pra saúde que correr doze quilômetros em uma hora de esteira na academia; que um bolo simples, sem recheio ou cobertura, saído do forno acompanhado de café quentinho é mais gostoso que a torta holandesa da confeitaria; que o rosto recém lavado, saído do banho, pode ser mais sexy que o olho preto com cílios postiços e delineador fatal; que um elogio sincero e inesperado levanta mais a relação que o presente obrigatório no dia especial; que a presença verdadeira _ sem relógio, celular ou plano de fuga _junto aos filhos traz saldos muito mais positivos à infância que qualquer tablet repleto de apps.

Meu filho continua inventando modelos de aviões de papel. Pesquisando na internet ou recebendo a ajuda do porteiro do condomínio (um exímio construtor de aviões), vai aprendendo que qualquer folha bem dobrada pode modificar um fim de tarde comum.
E eu sigo como observadora de sua corrida atrás dos aviões de papel, percebendo que a vida pode sim, ser mais simples _ se a gente quiser… e permitir.

Imagem de capa: Smolina Marianna/shutterstock

Decidi não deixar mais a saudade que sinto de você me impedir de seguir

Decidi não deixar mais a saudade que sinto de você me impedir de seguir

Porque cansei desse joguinho tolo que você armou na sua cabeça. Já que a sinceridade é uma qualidade em falta no seu coração, prefiro seguir o meu caminho. De bem-intencionados, quero acreditar que ainda exista um amor honesto por aí.

Vivemos em tempos onde impera o péssimo hábito de visualizar e não responder. Virou o novo “vou me fazer de difícil”. Quando se trata de confessar uma possível saudade, que tortura. Não sei aonde você aprendeu técnicas de relacionamentos tão egoístas mas, adianto, não será comigo que o seu desdém criará asas.

Olha, estou indo perseguir a minha vida. Tenho muito mais a transbordar e somar, e ficar perdendo tempo ao lado de quem não tem decisão no olhar está fora de cogitação. Não estou dizendo que é fácil esquecer tudo, mas eu consigo.

A saudade vai apertar, as recordações vão invadir o meu sono e todos os instantes que um dia tivemos, sem dúvida deixarão algumas marcas. Mas faz parte. Ninguém deixa de viver por isso. Eu fiz o que pude. Você não foi o que poderia.

Acordei com novas prioridades. Agora, acho mais importante buscar os meus próprios sorrisos. Saindo na minha própria companhia ou compartilhando experiências perto de pessoas gentis. O novo, apenas o novo. Essa é a lei que escrevi quando abri os olhos pela manhã.

Que, daqui por diante, o sentir falta não seja motivo para deixar de crescer emocionalmente. Até preciso te agradecer, diga-se. A lacuna que você deixou tornou-se uma nova oportunidade para que eu descubra mais das coisas que sinto. É isso.

Decidi não deixar mais a saudade que sinto de você me impedir de seguir. Optei por valorizar a sintonia entre a minha calmaria e a minha serena felicidade. Está tudo bem, não se preocupe. E também não se incomode em responder as mensagens e os carinhos que te dei. Foi tudo sincero, pelo menos da minha parte.

Imagem de capa: nelen, Shutterstock

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