O “pote rachado”, uma história hindu para quem quer aprender a se olhar

O “pote rachado”, uma história hindu para quem quer aprender a se olhar

Eis a história de um camponês que, para viver, vendia água para o mercado. Ele tinha cerca de dez jarros. Todos os dias, e muito cedo de manhã, ele colocava uma vara nas costas. Em cada extremidade estava suspenso um jarro; ele os levava para o poço e depois para o centro da aldeia. No entanto, no meio de todos esses potes havia um que estava rachado.

Curiosamente, esse trabalhador sempre pegou o pote rachado para fazer sua primeira viagem do dia.

Seguia para o poço a dois quilômetros de distância, levando sempre um pote em perfeito estado e mais esse rachado, um em cada extremidade de uma vara que carregava atravessada em seus ombros.

Ele coletava pacientemente o líquido e o transportava por mais por esse percurso até a aldeia.

“O que é útil é o que nos dá felicidade.”

-Auguste Rodin-

É claro que, quando ele chegava ao mercado, o pote rachado havia perdido uma grande quantidade de água que estivera carregando. Como resultado, o agricultor só poderia alcançar metade do que foi acordado. No entanto, o pote em bom estado funcionava perfeitamente e permitia-lhe ganhar todo o dinheiro que estava previsto.

O sentimento vergonhoso do pote rachado

Rapidamente, os outros potes começaram a falar sobre a situação entre eles. Eles não entendiam por que o homem ainda estava utilizando o pobre recipiente danificado, porque insistia em perder dinheiro todos os dias. Não havia sentido nisso, sendo que o carregador de água tinha vários outros potes em boas condições a sua disposição.

Além disso, o pote rachado passou a se envergonhar da sua condição. Ele fora utilizado por mais de dez anos, sempre desempenhou perfeitamente a função a qual era destinado, até o dia em que lhe apareceu aquela fissura por onde a água vazava. Era agora um inútil, um imprestável, e lhe amargurava saber que o parceiro só se valia dele por pura piedade. Isso não estava certo, não era justo o homem ter seus ganhos diminuídos por sua causa.

Na horas de repouso, gastava seu tempo contando aos potes mais jovens as suas aventuras de pote experiente, de quando era saudável e conseguia fazer o trajeto sem desperdiçar uma gota de água sequer. Os outros o ouvia atento, mas com pesar, não entendiam por que o homem das águas insistia em botar o velho pote rachado na atividade diária. Com tantos recipientes jovens e saudáveis, por que não descartava de vez o pobre inútil?

O caminho da água

O homem persistia nesse costume e ignorava os questionamentos da turma. As vezes até ria, sem nada dizer. “Por certo, enlouquecera”, comentavam com preocupação, ainda mais quando a reação do camponês era só a de apenas sacar farelos dos bolsos e espalhar pelo caminho. O que era aquilo? restos de pão? areia? que dó! o pobre humano deveria estar mesmo perdendo o juízo.

Porém, as demais coisas pareciam normais. As idas ao poço, o trajeto feito como sempre fora e o abastecimento das casas. Apenas a insistência em dar serviço ao velho pote rachado continuava ser a coisa sem sentido no dia a dia deles, pois até a nova mania de espalhar farelos pelo caminho o homem abandonara.

Uma bela moralidade

Certa noite, enquanto o fazendeiro se preparava para descansar, o pote quebrado chamou-o e disse que precisava conversar com ele. O homem ouviu-o então, muito atento ao que o pote queria lhe dizer. Este último, sem preâmbulo, disse-lhe o que tinha em mente. Ele disse que gostava do que fazia, mas não se sentia confortável sabendo ser ele um pote inútil. Não queria que o camponês o preservasse por compaixão. Melhor seria que o jogasse no lixo e acabasse com essa angustia de uma vez por todas.

O camponês sorri enquanto escuta. Confessa que nunca passou pela sua cabeça a ideia de se desfazer do velho companheiro. Ele lhe disse que nunca pensara em jogá-lo fora porque, na verdade, era muito útil para ele. “Útil?”, Perguntou o pote. Como ele poderia ser útil se estavam perdendo dinheiro todos os dias? O homem pediu-lhe para manter a calma. No dia seguinte, ele mostraria por que ele era tão valioso. O pote quebrado não conseguiu dormir.

No dia seguinte, como prometido, o camponês lhe disse: “Peço, por favor, que observe tudo de cada lado da estrada até o poço”. O pote foi extremamente atencioso. Ele olhou para os dois lados, mas viu uma estrada agradável, cheia de flores. Quando chegaram ao poço, ele disse ao fazendeiro que não havia encontrado uma resposta nesta estrada.

O homem olhou para ele carinhosamente e disse: “Desde que você se rachou, eu estive pensando sobre a melhor maneira de continuar obtendo o máximo de você. Então decidi, de tempos em tempos, espalhar sementes pelo caminho. Graças a você, eu era capaz de regá-las todos os dias. E, graças a você, uma vez que tudo floresceu, posso escolher algumas plantas e vendê-las no mercado, a um preço superior ao da água “. O pote rachado, muito comovido, entendeu qual a sua preciosa missão.

Via Revista Pazes. Reproduzido com autorização.

Imagem de capa: Reprodução

Ser intenso é a minha melhor qualidade

Ser intenso é a minha melhor qualidade

Não, eu não tenho vergonha e muito menos motivos para esconder o fato de ser intenso. É uma qualidade poder viver todos os dias, sentindo e fazendo o possível para estar sempre sendo sincero com essa minha intensidade. Quem não entende disso, tudo bem. Não espero ser compreendido pelos meus gestos. A intensidade em mim é algo que cresce de um jeito recíproco, natural e sem qualquer explicação da razão.

É bem simples, eu tenho muito para transbordar. Jamais considerei ser uma perda de tempo buscar e demonstrar a minha melhor versão. Penso que fôssemos mais abertos e menos preocupados com as vulnerabilidades do coração, mais as relações seriam inesquecíveis em vez desse apanhado de encontros esquecíveis. Quando a sua intensidade não é julgada como uma fraqueza, mas como uma parte fundamental da sua pessoa, você aprende a se valorizar e a reconhecer os instantes que são importantes e as trocas que carregará por toda a vida.

Ser intenso me ensinou bastante. Até mesmo nas decepções e tropeços, nunca plantei arrependimentos no peito. Nada foi em vão. Tudo o que revelei teve uma consequência. É assim que funciona. Tentar negar o coração que respira intensidade nunca foi uma escolha que pesei. Em um mundo no qual as pessoas mentem ou disfarçam os sentimentos, encaro a minha entrega com coragem e, por que não, com felicidade?

Ser intenso é a minha melhor qualidade. Confesso saudades, me emociono sem constrangimentos, procuro, pergunto e me importo com quem está na minha vida. Não tenho esse plano perfeito de como agir quando sinto algo especial. Não ando por aí medindo os desdobramentos dos meus afetos. Sou intenso o quanto posso, mereço e vivo. Talvez exista alguma definição mais apropriada em algum lugar mas, por hora, intenso é um bom sobrenome.

Imagem de capa: Stone36, Shutterstock

A pele não sofre de Alzheimer, sempre se lembra de um carinho ou uma cicatriz

A pele não sofre de Alzheimer, sempre se lembra de um carinho ou uma cicatriz

Existe um tipo de crença falsa generalizada: as pessoas com Alzheimer ou com outros de demência tendem a se desconectar do mundo externo atual para entrar em seu mundo distante e irreal. Isso não é verdade, mas a pessoa com Alzheimer já não é aquela que costumava ser, perde sua identidade diante da sociedade e seus sentimentos perdem validade quase que de maneira automática.

Se nos colocarmos no lugar da pessoa com demência, perceberemos que o normal é que tenha medo da insistência dos outros, que não saiba se expressar, que não saiba o que lhe é dito e que não reconheça as pessoas próximas de todos os dias, que não entenda o que se espera dela em cada momento.

Poucas vezes nos colocamos no lugar das pessoas com Alzheimer. No entanto, se o fizermos, nos daremos conta do quão assustador e desconcertante o cotidiano pode ser. Então entenderemos a angústia ou outras reações emocionais que são consideradas desproporcionais na nossa visão “sã” do mundo.

O método da validação, terapia centrada na pessoa

Nas últimas décadas, têm ressurgido modelos de atenção e comunicação centrados na pessoa. Esses modelos terapêuticos e de relacionamento trabalham para que os ambientes que cercam a pessoa com Alzheimer sejam estimulantes e acolhedores.

Ou seja, buscamos ter empatia com a pessoa com demência, manter sua identidade e gerar uma atitude compreensiva em relação às “alterações comportamentais” que geram tanto constrangimento quanto desconforto entre os cuidadores e as pessoas do entorno.

Os autores que promovem este modelo de atenção destacam a necessidade de preservar o princípio de dignidade de qualquer pessoa, então, usar a empatia para se sintonizar com a realidade interna das pessoas afetadas pela demência.

O objetivo é lhes proporcionar segurança e força, fazendo com que a pessoa se sinta válida e possa expressar seus sentimentos. Porque somente quando uma pessoa pode voltar a se expressar, sua dignidade é restaurada.

Por quê? Porque dar valor é reconhecer os sentimentos da pessoa. Validar é dizer que seus sentimentos são verdadeiros. Ao negar os sentimentos, negamos o indivíduo, anulamos sua identidade e, portanto, criamos um grande vazio emocional.

Princípios básicos do método de validação

Segundo o CREA Alzheimer, os princípios básicos do método de validação são:

-Aceitar a pessoa sem julgá-la (Carl Rogers)
-Tratar a pessoa como indivíduo único (Abraham Maslow)
-Os sentimentos expressos pela primeira vez e depois reconhecidos e validados por um interlocutor de confiança perderão intensidade. Quando são ignorados ou negados, os sentimentos ganham força. “Um gato ignorado se torna um tigre” (Carl Jung).
-Todos os seres humanos são valiosos, independentemente de quão desorientados estejam (Naomi Feil).
-Quando a memória recente falha, recuperamos o equilíbrio retomando memórias antigas. Quando a visão falha, recorrem ao olho da mente para poder ver. Quando o ouvido se vai, escutam os sons do passado (Wiler Penfield).

Pessoas com Alzheimer ou outras demências precisam de uma reconexão com o mundo

O mais recente filme da Disney-Pixar, ‘Viva – A Vida é uma Festa’, nos mostra de uma maneira realmente emotiva como podemos nos reconectar com as pessoas com Alzheimer, como podemos acessar sua pele, seus sentimentos mais profundos. Ele mostra isso com “Lembre de mim”, uma música que, sem dúvida, dá um sabor suave à sintonia emocional que provoca.

O fato de que alguém perca a capacidade de se expressar verbalmente não é sinônimo de não ter a necessidade de se expressar. Por essa razão, é essencial nos adaptarmos às necessidades das pessoas afetadas, nos conectarmos com seu estado mental e nos unirmos em um só sentimento.

Como disse Tomaino (2000), “É sempre surpreendente ver uma pessoa completamente separada, distanciada do presente devido a uma doença como o Alzheimer, voltar à vida quando uma música familiar é tocada. A resposta da pessoa pode variar desde uma mudança de postura para um movimento animado: do som à resposta verbal.

Mas normalmente há uma resposta, uma interação. Muitas vezes essas respostas aparentemente delirantes podem revelar muito sobre a autopreservação, e mostram que as histórias pessoais ainda podem ser relembradas”.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

“ELA era poesia. ELE não sabia ler”

“ELA era poesia. ELE não sabia ler”

Ela sabia que havia diferença entre os finais felizes e os finais necessários, mas ainda assim insistia em acreditar que, do seu jeito torto, devagar, e cheio de ilusões, era capaz de modificar a realidade e enxergar felicidade nas circunstancias miúdas, muitas vezes esquecidas e despercebidas. Ela apostava mais na doçura que na amargura, e tinha uma fé inabalável de que, mesmo que seu caminho estivesse mais nublado que ensolarado, Deus sussurrava em seu ouvido: “não desista, menina!”

Ela não fingia ser assim. Nem tampouco se esforçava. Tinha nascido poesia, e se encantava com pequenos galanteios, letras de música falando de saudade, versos de Caio Fernando Abreu num livro antigo e cheiro de café numa livraria charmosa. Não sabia guardar rancor, se esforçava para se desapegar daqueles que a rejeitavam e rascunhava sonhos num caderno doado.

Ela acostumou-se a ser poesia, a enxergar poemas, a extrair delicadezas, a desejar gentilezas. E acabou calculando errado. Na sua mente tão congestionada, permitiu que ele, tão frio e errado, ali fizesse morada. Dentro do seu coração generoso, não cabiam dúvidas e divagações. E por isso ela insistia em ver nele versos que ele nunca soube ler. Ela teimava em ouvir dele poemas que ele nunca quis recitar. Ela esperava dele danças que ele nunca ousou convida-la para dançar. Ela dançava sozinha, escutando em seu ouvido canções que ela jurava que ele havia composto para eles, mas era tudo fruto de sua imaginação, de seu encanto pela vida, de sua alma colecionadora de ilusões.

Um dia ela acordou e percebeu que talvez a felicidade também tivesse a ver com pontos finais. Que estava na hora de guardar seu amor por dentro e direcionar seu afeto para si mesma. Começou a entender que não era fácil desistir dele, porque, mais do que ama-lo, amava a sensação que ama-lo lhe provocava. Devagar descobriu que poderia fazer poesia do vazio e das esperas. E que, em algum lugar, não muito longe dali, haveria um menino poema como ela, capaz de lembra-la todos os dias que é preciso força e coragem para insistir na doçura num mundo cheio de amargura…

*A frase título desse texto não é minha; encontrei vagando no Google mas não descobri a autoria para citar aqui. Se você for o autor da frase ou conhecer o autor, por favor entre em contato comigo para autorizar a citação. 

Imagem de capa:  Kateryna Upit/Shutterstock

Netflix para hoje a noite: 5 melhores dicas!

Netflix para hoje a noite: 5 melhores dicas!

Ah, os amantes de um bom filme sempre estão abertos para boas dicas….

Um filme desperta reflexões, remexe sentimentos, nos torna mais empáticos (e até simpáticos) a causas e pontos de vistas diversos. No fim das contas, ver o que o outro viu e construiu com olhos e experiência próprias amplia as nossas vivências.

Abaixo, segue uma lista de filmes excelentes que merecem destaque e estão chamando a atenção dos usuários da Netflix nos últimos dias. Aproveitem e tenham uma noite mais rica e divertida!

1-Eu Não Sou um Homem Fácil (Je Ne Suis Pas Un Homme Facile)

Esse foi o melhor filme que eu vi nos últimos dias! Nele, um machista inveterado prova de seu próprio veneno ao acordar em um mundo dominado por mulheres, onde entra em conflito com uma poderosa escritora.

O filme é hilário, além de apresentar uma crítica ferrenha contra qualquer cultura sexista.

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2- A menina indigo

Sofia (Letícia Braga) é uma garota de 7 anos que tem enfrentado problemas na escola, por não se interessar nas matérias ensinadas. Após se trancar em uma sala e pintá-la por completo, seu pai (Murilo Rosa) é chamado ao local. Meio afastado dela devido ao trabalho como jornalista, ele se reaproxima após o pedido da própria Sofia para que more com ele. Aos poucos, ele percebe que Sofia possui é não só uma criança bastante espontânea que se manifesta através da pintura, mas que também possui o dom de curar pessoas doentes.

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3- A Caminho da fé

O Bispo Carlton Pearson (Chiwetel Ejiofor) é um renomado pastor conhecido internacionalmente, que está passando por uma crise na fé. Arriscando sua igreja, a família e seu futuro, ele questiona a doutrina da igreja e acaba sendo marcado como um herege.

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4- Una

Ray (Ben Mendelsohn) e Una (Rooney Mara) já tiveram um complicado relacionamento quando ela tinha apenas 12 anos. Quinze anos depois eles se reencontram. Ray é confrontado com o passado quando Una chega sem avisar em seu escritório buscando respostas sobre o abuso que sofreu. Ray fez uma nova vida para ele, mas os dois vão precisar revisitar sua relação e escavar um inabalável amor danificado.

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5- Uma caminhada na floresta (A Walk in the Woods)

Após passar duas décadas na Inglaterra, Bill Bryson (Robert Redford) retorna aos EUA em plena terceira idade. Para se reconectar com sua terra natal, ele decide caminhar junto com um antigo amigo do colégio pela Trilha dos Apalaches, que tem mais de três mil quilômetros. Pelo caminho, a dupla enfrenta a natureza, vários personagens e a si mesmo.

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Com sinopses de Adoro Cinema

Um arranhão pode doer para sempre, caso a gente se apegue ao espinho

Um arranhão pode doer para sempre, caso a gente se apegue ao espinho

Tem machucado que dói demais mesmo. E nem sempre são os grandes machucados que provocam tanta dor. Dizem, inclusive, que ferimentos gravíssimos não são sentidos imediatamente, em função do choque causado pelo ocorrido.

Assim também ocorre com as feridas emocionais; inúmeras vezes o impacto do sofrimento, amortece os nossos sentidos e, também, a nossa capacidade de reagir. Por isso, é tão comum usarmos a expressão “ainda não caiu a ficha” para explicar o aparente estado de apatia e inação daqueles que acabaram de sofrer uma perda, um desagravo ou mesmo, ter sido submetido a atos de violência.

Nosso cérebro possui estratégias de defesa que entram em ação imediatamente, a despeito da nossa vontade; trata-se de uma descarga de impulsos nervosos, cuja função é nos proteger quando estamos em risco.

Em seguida, acontece uma descarga de adrenalina na corrente sanguínea, desencadeando uma série de reações físicas como: palidez, pupilas dilatadas, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Essas alterações são responsáveis por perdermos temporariamente a capacidade de notar detalhes, e aguça a nossa percepção do todo. O sangue que passou a correr mais veloz nas veias, nutre nossos músculos para que sejamos mais bem-sucedidos na fuga. É o nosso cérebro dando ao corpo o comando de escapar do risco com vida.

Ao mesmo tempo, ocorre uma diminuição na capacidade de perceber estímulos de dor, por exemplo; em busca da sobrevivência, é possível que cheguemos a pisar sobre objetos cortantes, arranhar a pele em vários lugares, sofrer queimaduras, sem sentir o desconforto agudo do ferimento. Concentrado em escapar do perigo, sequer sentimos fome, sede, ou vontade de ir ao banheiro. É como se tudo estivesse pausado em nós, tudo fica em segundo plano, estamos focados em sair dali com vida.

A nossa razão nessa hora também entra em pane; incapaz de acessar informações e destituída de tempo para fazer escolhas, o “plug” da razão se desliga e dá lugar às decisões mais instintivas. Neste momento voltamos à nossa intuição primitiva. Em situações de perigo, tomamos decisões ou agimos de acordo com um padrão que jamais estaria ativo em situações normais. O medo, o choque ou o pânico prejudicam a nossa capacidade de julgar; podemos correr para o lado errado, pisotear pessoas durante a fuga, fazer escolhas desastrosas no desespero pela sobrevivência.

O fato é que nosso cérebro entende que reagir é imperativo. Todo o resto fica congelado. A indecisão, a paralisia ou a reflexão são nossas inimigas nesse momento. O nosso corpo inteiro, agindo no instinto, entende que é preferível tomar uma decisão errada, a tomar decisão nenhuma.

Na hora do perigo, temos mais força do que normalmente parecemos ter, somos mais rápidos, mais impulsivos, mais destemidos. O objetivo maior é enganar e fugir da morte. É bastante frequente, inclusive, que este estado de alerta nos torne cegos às necessidades alheias; voltamos a nos proteger no egocentrismo infantil.

Entretanto, a situação aguda e caótica dos perigos extremos uma hora acaba. O que corremos o enorme risco de fazer é perpetuar aquele momento sofrido, mantendo-o agasalhado dentro de nós. Passamos então, ao perigo de desenvolvermos afeto pelo espinho; passamos a cuidar do elemento agressor com o desvelo que caberia à nossa parte agredida.

As tragédias são, em muitos casos, inevitáveis. Não podemos, no entanto, permitir que elas nos definam a partir de sua deflagração. Precisamos aprender a dar a nossas cicatrizes a honra devida; mas precisamos ainda mais, olhar com atenção amorosa para o resto de nossos corpos e alma que conseguiram permanecer intactos à devassidão da dor. Deixemos o espinho retirado ser destruído pelo tempo que cura. Ofereçamos a nós mesmos a oportunidade de aprender com a dor apenas as indispensáveis lições. Porque é fato que o sofrimento ensina; mas também é avassaladoramente verdadeiro que só faz sentido sobreviver se for para acolher uma vida plena, livre dos espinhos daquilo que já ficou para trás.

Imagem de capa: FCSCAFEINE/shutterstock

Por que meu ex quer ser meu amigo?

Por que meu ex quer ser meu amigo?

Se o seu ex quiser manter a amizade depois de um relacionamento, não é algo simples. Talvez não seja tão ruim, mas isso não significa que esse seja seu objetivo. O que fazer se meu ex quer ser meu amigo?

Se você terminou o relacionamento, ou foi ele quem decidiu acabar tudo com você, pode se surpreender com a reação dele de pedir que vocês continuem a se ver, mas apenas por amizade. Se você se perguntou, por que seu ex quer ser seu amigo? E você não tiver uma resposta, continue lendo este artigo.

Ser amigo de um ex: mito ou realidade?

Talvez você tenha visto em um filme, série ou livro… Mas muito pouco na vida real. Ser amigo dos nossos antigos parceiros não parece ser uma ideia viável. Por quê? Bem, porque há muitos sentimentos em jogo e, provavelmente, um dos dois (ou ambos) está ferido.

Mesmo que o término da relação tenha sido feita “em bons termos” ou “de comum acordo”, é difícil transformar essa relação em amizade. É claro que existem várias exceções, mas, em geral, é difícil sustentar esse relacionamento ao longo do tempo.

Se não há amor ou paixão entre vocês, a amizade pode funcionar? Isso é um pouco complicado de definir, já que não temos a possibilidade de ver o futuro.

No entanto, quando nenhum de nós sofre com esta nova situação e não há conflitos com a chegada de novos parceiros, então podemos dizer que ser amigo de um ex é possível.

Por que meu ex quer ser meu amigo? Motivos ocultos

Agora, talvez tenha chamado sua atenção o fato de que o seu ex-parceiro lhe disse que ele quer que vocês continuem sendo “amigos”. Vai deixá-lo surpreendido o desejo de seu ex, seja qual for o motivo pelo qual vocês terminaram. Se você não teve essa preocupação, por que ele teve?

É claro que não podemos entrar em seu coração ou em sua mente para saber “com certeza” quais são as razões que o levaram a fazer tal proposta. Mas podemos analisar ou detalhar algumas razões pelas quais seu ex pediu para que vocês permanecessem amigos:

1. Por causa da culpa

Isso se aplica no caso de que ele o tenha abandonado. Talvez ele se sinta muito culpado por ter terminado o relacionamento, ou pela forma como você quebrou ao receber a “notícia” que não iam ficar mais juntos.

Você vai perceber que é uma proposta por culpa porque depois de ter esgotado todas as suas explicações e desculpas para o término, ele vai dizer o típico ‘podemos ser amigos’, mas sem muita convicção.

2. Por costume

Quando estamos em uma relação, nos acostumamos com a outra pessoa e, no começo, a falta deles é o que mais nos machuca ou magoa. Mesmo quando somos nós decidindo a colocar um fim no relacionamento. Se o seu ex lhe disser que ele quer ser seu amigo, talvez seja porque ele não imagina a vida sem você.

Mas atenção, porque isso não é um consolo se você quiser voltar: talvez nos primeiros dias ele convide você para jantar ou tomar um café, mas à medida que se vai desprendendo desse costume de tê-lo sempre ao seu lado, os encontros vão sendo cada vez mais escassos até terminarem de vez.

3. Pela possibilidade de voltar

Pode-se dizer que é “um golpe do afogado” quando não foi ele quem decidiu terminar. O fato de ser amigo lhe dá uma ilusão ou esperança de que, se fizer as coisas da maneira certa, você poderá reconsiderar e o aceitar de novo, mas como um casal.

Como saber se um ex quer ser um amigo para voltar a namorar comigo? A primeira coisa que pode alertar é o fato de um momento para o outro ele se transformar na pessoa mais perfeita do mundo. Tudo o que você falou antes que não gostava, ou que queria que ele mudasse, simplesmente ele mudou!

Também nunca colocará um ‘mas’, sempre vai dizer lisonjeios e elogios, quer levá-lo para jantar ou ver filmes como nos velhos tempos. Basicamente, ele se tornará um candidato ideal para você, assim como foi quando se conheceram.

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Por J Walters/shutterstock

4. Pela solidão

Você deve ter muito cuidado se o seu ex quiser ser seu amigo porque ele se sente solitário, pois por trás disso há um desejo ‘insalubre’ de voltar para o seu lado. Se não tem outros amigos, se ligar para você à noite, se chorar, se notar que ele anda triste, talvez ele tenha muito medo de ficar sozinho.

Em vez de oferecer sua amizade, ajude-o a sair mais de casa com outras pessoas, conhecer novas pessoas, socializar-se em uma festa ou reunião ou realizar várias atividades em grupo ou em equipe.

5. Para se divertir

Preste muita atenção, porque esse motivo é um dos mais perigosos que existe. Seu ex lhe disse que podem ser amigos quando na realidade o que lhe interessa é ter certos “direitos” como, por exemplo, sexo ocasional.

Isso acontece como uma combinação de vários fatores: talvez ele não queira ficar sozinho, talvez goste da sua companhia, pode se sentir culpado… Mas a verdade é que ele está brincando com você e com seus sentimentos e vai acabar sofrendo muito.

A melhor coisa que você pode fazer nesses casos é “cortar o mal pela raiz”, ou seja, não responder às suas mensagens ou ligações e rejeitar seus convites para ir a sua casa ou a qualquer outro lugar. Você deve se respeitar!

6. Por interesse

Finalmente, se o seu ex quiser ser seu amigo pode ser porque ele esteja interessado em obter algum benefício desse ‘relacionamento’. Dinheiro, uma posição em uma empresa, certo status social, propriedades, casa de fim de semana? Isso vai depender do que você tem para oferecer.

Reconheça em quais situações está agindo por interesse, por exemplo, alterando os planos. Se ele não os aceitar ou apenas ligar para você quando precisar de alguma coisa, então ele quer ser seu amigo para tirar proveito.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Imagem de capa: N U S A R A/shutterstock

16 dos gatos mais lindos do mundo! Confira!

16 dos gatos mais lindos do mundo! Confira!

Nós sabemos que o gato mais bonito do mundo é aquele gatinho que amamos e que nos ama…mas, abaixo, selecionamos uma sequência de 16 imagens de alguns dos gatos mais bonitos que achamos circulando pela internet para que vocês enterneçam seus corações.

Afinal, não há nada mais apaixonante do que estar em contato com esses lindos felinos.

Aproveitem o passeio.

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Editorial CONTI outra

E você, o que achou desses bichanos? Conte para nós.

9 dicas para quem precisa aprender a estabelecer limites

9 dicas para quem precisa aprender a estabelecer limites

Uma grande dificuldade da pessoa que é alvo de relações abusivas é dizer NÃO ou estabelecer limites pessoais. São pessoas sempre disponíveis, “boas”, prontas, que agradam a qualquer custo. Não querem decepcionar ou aborrecer quem quer que seja, e, assim, se aborrecem e se decepcionam. A essas pessoas falta assertividade e noção de qual é o seu espaço íntimo e intransponível.

Ponha um ponto final imediatamente nesse comportamento, caso contrário, não poderá jamais avançar na estrada que leva a relações sãs e igualitárias. Você permanecerá em relações, sejam íntimas, familiares, de trabalho ou amizade, sentindo-se usado e exausto.

Aqui, uma listinha inicial de “bastas” que você deve praticar rumo a liberdade de ser quem é, acolhendo os outros de forma equilibrada:

1. O que você faz tem valor e você merece ser reconhecido por isso. Exija respeito por seu trabalho, seus pontos de vista, seus gostos e decisões. Não permita que se apoderem de seu trabalho ou suas ideias e, menos ainda, que desqualifiquem o que faz e pensa.

2. Não deixe que ninguém diga que seu ego é inflado por exigir respeito. Ego é uma coisa, tolerar falta de ética, lisura e respeito é outra bem diferente. Usurpadores vão tentar confundir você, para que sinta culpa por exigir respeito.

3. Não tenha medo de dizer NÃO. Ao trocar, de forma equivocada, um não por um sim, você se agride, atrapalha o crescimento do outro e fica sem aquilo que no fundo espera: reconhecimento.

4. Não vá doando para quem não sabe dar. Doação, em especial doação de amor, é uma via de mão dupla. SEMPRE.

5. Cuide primeiro de seus interesses, antes de querer resolver a vida dos outros. Quem não tem nada de bom para dar a si, não terá nada de bom para dar aos outros, pelo menos não por muito tempo.

6. Estabeleça limites e não permita que ninguém os ultrapasse. Não permita que as pessoas aluguem você com seus problemas e necessidades sem sequer querer saber se você está em condições de absorver ou ajudar naquele momento. Amigos e familiares sabem sugar doadores e “bonzinhos” como ninguém. Dê um basta. É libertador.

7. Não permita que julguem você por suas escolhas, inculcando-lhe culpa por ter ido cuidar de um interesse seu antes de ir resolver os problemas dos outros. Quando for julgado ou tiver um dedo apontado para sua cara, pergunte a essa pessoa, com assertividade: Por que está me julgando? Quando foi a última vez que perguntou sobre as minhas necessidades? Por que acha que sabe como eu deveria tomar decisões sem estar na minha pele? Diante de julgadores, jamais se defenda com explicações ou se desculpe. Ao invés disso, devolva com uma pergunta que faça com que o outro reflita sobre o cabimento de seus julgamentos.

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8. Quando for alvo de ataques verbais, abertos ou sutis, jamais entre num conflito violento de gritaria e acusações. Às vezes, é exatamente seu desequilíbrio que a outra pessoa quer trazer à tona. Ao invés disso, devolva a agressão de forma serena e com perguntas: “Por que acha que minha ideia é ridícula?” “O que você quer dizer quando diz que sou idiota?” “Você me chamou de X, mas teve um comportamento que daria a você essa característica. Está afirmando que sou X ou apenas projetando sobre mim o que pensa sobre você mesmo?” “Você parece se incomodar com minha presença. O que em mim lhe causa tanta insegurança?”. Perguntas como essas vão fazer a outra pessoa parar para se defender e, assim, tirar o foco da agressão destinada a você. Observe aí a linguagem corporal do agressor e se verá diante de alguém inseguro e pouco assertivo, assim como sabe fazer com que você se sinta.

9. Defina seu espaço, o momento do dia em que não quer ser incomodado, o que para você é intolerável e seja verdadeiro com essas convicções. Quando você é assertivo sobre seus limites, verá que, quando permitir, em ocasiões pontuais, que alguém os ultrapasse, essa pessoa se sentirá grata, reconhecedora de sua disponibilidade. Se você é do tipo que diz sempre sim e está sempre de prontidão, será sistematicamente desvalorizado quando não precisarem de você e agredido quando ensaiar dizer um não. Saia hoje mesmo desse ciclo.

Imagem de capa:  ESB Professional/shutterstock

Ser simples é chique e ser grato é elegante. Pena que muita gente prefere ser brega.

Ser simples é chique e ser grato é elegante. Pena que muita gente prefere ser brega.
No amor a regra é essa: Simplicidade

Muito se engana quem acredita que para amar é preciso ter dinheiro, pelo contrário, é preciso ter disposição. Bilhetes despretensiosos, abraços demorados, beijos, cineminha a dois (se for estudante ainda paga meia rs), pipoca regada a Netflix, elogios sem hora e data marcada. Aquele bombonzinho comprado no mercado da esquina, tempo de qualidade, andar de mãos dadas e por aí vai. É simples e não custa caro. Amor é isso: simplicidade. E quem sabe contemplar isso, sabe ser feliz e fazer o outro transbordar em um relacionamento.

Pessoas gratas também: Enxergam o mundo de uma forma extraordinária, mesmo com tantas tempestades. Um coração grato é bonito demais. Gente que fica feliz com qualquer gesto e reconhece a beleza do outro é gostoso de se ter por perto. Pena que muita gente prefere ser brega, reclama da segunda, da terça, da quarta, da quinta e da sexta, pula o sábado e volta a reclamar no domingo.

Não sabe lidar com dificuldades e todo problema, por menos que seja é transformado em uma tempestade. No amor não fazem nada, porque afinal “não possuem dinheiro”. Se esquecem da simplicidade que cativa por achar que isso não é relevante. Não sabem reconhecer a beleza do beijo de bom dia, da mensagem no meio do dia cheia de saudade. Se esquecem de que possuem um bom emprego e de que mesmo tudo estando tão difícil tem ao seu lado pessoas incríveis. Recebem apoio, mas não sabem apoiar, recebem carinho mas não sabem doar. Recebem gestos simples mas não sabem retribuir, já que, não sabem enxergar a beleza da reciprocidade, da gratidão e da simplicidade.

Desejar, sonhar, querer sempre mais é bom, mas não deve ser paralisante. Não deve te impedir de avançar ou ser feliz. Não deve impedir você de amar. Pena que muita gente acredita que é preciso MUITO para ser feliz. Gosto de quem se diverte com pouco, de quem ri de coisas bobas e vê graça em coisas tão pequenas. De quem vê beleza em gestos simples e se emociona com a simplicidade. Gratidão torna a vida mais leve e a simplicidade torna o amor, mais bonito.

Imagem de capa:Liderina/shutterstock

Medo da própria sombra

Medo da própria sombra

Outro dia li um artigo bem interessante do grande filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella chamado “Janus à espreita”, no qual em determinado trecho ele falava sobre essa sociedade doente e cada vez mais repleta de desequilíbrios na qual estamos inseridos. O trecho é este aqui embaixo:

“Assim caminha a humanidade… Caminha em conjunto? Caminha camuflada e amedrontada? Caminha agora mais sozinha do que antes? Caminha em direção ao outro? Basta um exemplo a bem recordar: há poucas décadas, independentemente do tamanho da cidade, quando alguém, tarde da noite, saía a pé de algum lugar (trabalho, escola, igreja, clube etc) e caminhava só em direção ao próprio lar, ouvir passos de outra pessoa representava um certo alívio: Agora vou ter companhia! E os dois seguiam andando juntos… Hoje, quando, na mesma circunstância, são ouvidos ruídos humanos, já se pensa: meu Deus do céu, vem vindo alguém… O que aconteceu? Que princípio foi violentado? Antes o outro era até um amparo; tínhamos medo, quando muito, de alma de outro mundo. De que se tem medo agora? Do outro, porque, em vez de ser alguém que pode nos proteger, é eventual ameaça feroz.”

Mario Sergio Cortella

Essas palavras são bem simples, mas podem nos levar a uma importante reflexão. Lendo esse texto me veio em mente uma pergunta que digo com bastante sinceridade que não sei a resposta: “Para onde caminha a raça humana?”. Essa simples perguntinha com apenas 6 palavras pode levar a debates sem fim e à escrita de milhares de teses. Essa pergunta é de uma complexidade que faltam palavras para descrever…

Até bem pouco tempo a sociedade não era tão dominada pelo medo dos outros como vemos hoje. Nossas casas estão cheias de cercas elétricas, muros, grades, alarmes, cães ou até mesmo guardas. Mas tudo isso não nos livra do medo dos outros, na realidade é a prova mais que concreta desse medo. É como diria o Humberto Gessinger na sua canção “Muros e Grades” – “Os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas o quase tudo quase sempre é quase nada e nada nos protege de uma vida sem sentido…”. Ele foi muito feliz ao compor essa canção, pois a nossa sociedade está realmente assim, cheia de muros e grades, mas com milhões de pessoas vivendo sem sentido, como se nossa estada por aqui fosse um mero passar de dias. Qual o sentido da vida? Será que ela se torna melhor quando nos isolamos por medo dos outros? Será que aquela pessoa que se aproxima de nós em uma noite escura está querendo realmente nos fazer algum mal ou isso não é apenas reflexo dessa sociedade doente? Pense sobre isso…

Essa reflexão do Cortella nos leva a pensar também sobre o INDIVIDUALISMO das pessoas. Não queremos mais companhia de ninguém, em vez de contato real preferimos o contato virtual, cheio de superficialidades, muitos não querem mais ter filhos, muitos nem cogitam a ideia de se casar ou ter uma união estável. Já parou pra pensar em quantas pessoas estão optando por ter vários animais de estimação em casa em vez de filhos? Por que será? Não sei se você já parou pra pensar nessas questões, mas isso vem martelando na minha mente a bastante tempo. Para onde todo esse individualismo vai nos levar? Será que vale a pena viver a política do “cada macaco no seu galho” ou do “melhor só do que mal acompanhado”? São tantas as perguntas…

Do que você tem medo? Você tem medo das pessoas? Teme confiar de forma profunda em alguém? A quem você é capaz de confiar seus maiores segredos? Existe alguém que você ame com amor incondicional? Você tem medo de você mesmo e de suas reações diante das dificuldades, das frustrações, dos fracassos, das angústias? Medo, medo, medo… Quero deixar essa reflexão e essas muitas perguntas para que você pense e reflita. Para instigar essa reflexão, compartilho também uma belíssima música do incrível compositor Belchior chamada “Pequeno mapa do tempo”…

Imagem de capa: sarra22/shutterstock

Padrões não se encaixam nas mulheres lindas de verdade.

Padrões não se encaixam nas mulheres lindas de verdade.

São muitas as mulheres que se sentem pressionadas pelos padrões de beleza cobrados pela sociedade. Chega a ser uma exigência sufocante, muitas vezes até desumana na cabeça daquelas com a autoestima fragilizada. Tem mulher que se enxerga de uma maneira totalmente distorcida do real, por conta das inúmeras vezes que se vê fora do contexto e não encaixada naquilo que dizem ser o bonito. Pessoas bonitas que andam com a cabeça abaixada e com o corpo escondido, sentindo-se como pedaços de jornal velho e amarrotado que ninguém mais quer ver. A autoimagem é a essência que faz uma personalidade forte ou fraca. Não adiantam enfeites. Não adianta elogio de ninguém.

A autoestima fragilizada derruba o ego, apesar de toda opinião sincera lhe dizendo o contrário. Mas na grande maioria das ocasiões esse “não se achar bonita” não condiz com a realidade externa e, sim, com uma ilusão que a pessoa carrega dentro de si, de que não é linda. Existem pessoas que tem repulsa, desprezo e indignação pela própria imagem. São reflexos quebrados em espelhos desprovidos de vaidades. Espelhos esses que são cofres de mentiras que elas contam para si mesmas. Acreditam ser telas de pintura vazias. São pessoas enfraquecidas, que carregam imagens distorcidas de si mesmas e que por razões diversas ainda não conseguiram encontrar a beleza existente em suas próprias formas. Algumas razões são estéticas, outras emocionais ou até mesmo psicológicas. Não se aceitar como é, é um problema do comportamento humano que não pode ser alimentado. É algo que merece atenção, pois pode destruir vidas ou relacionamentos. É preciso que se reconstrua a imagem real no espelho. É preciso que se reconstrua a imagem verdadeira na alma e no coração. É preciso aceitar-se mais, é preciso estar feliz consigo e rejeitar esses estereótipos padronizados que circulam na internet e na televisão.

São pessoas tão lindas, tão especiais, tão formosas em suas diversas qualidades que nem se entende porque elas pensam desta forma. A beleza está nos olhos de quem vê. Está nos olhos de quem enxerga. A beleza está nos próprios olhos. Dentro da alma e pulsando no coração. É preciso que encare o que não consegue encarar. É preciso ter a coragem e a ousadia de se encontrar em alguém totalmente original. A baixa autoestima é uma fraqueza que precisa ser transformada em força. Seus próprios pensamentos é que te deixam pra baixo. Olha pra você, carregue a verdade escondida no coração e deixe a realidade lá fora, pra quem quiser ver. Esquece esses exemplos impostos por uma sociedade doentia e faminta por marketing e lucro. Na hora certa você descobre que a aparência é o que menos importa. Se você acha o nascer do sol no horizonte bonito, espere até ver o sol nascer dentro do seu coração. Nunca deixe de procurar o amor-próprio bem dentro dos seus olhos, sem imaginar ilusões. Você deve primeiro se amar, incondicionalmente.

A essência do que somos e do que buscamos deve estar lá, encravada na alma, atemporal. Tempo nenhum é capaz de deixar marcas que a diminuam. A beleza real com o tempo só aumenta. Não navegue perdidamente na imaginação, viaje na realidade. Harmonize-se com suas verdades. Uma das maiores dores que alguém pode sentir é se olhar no espelho e não se reconhecer. É se procurar no espelho e ver uma imagem que não aceita. É não se reconhecer dentro de seu próprio ser. Pare de tentar impor o padrão cobrado. Pare de querer viver se comparando com outras. Não tem biótipo certo, não tem padrão errado. Tem quem se valoriza e não se intimida com rótulos. Tem quem se desgarra das amarras e se vê bela. Tem MULHER que se aceita! E mulher nenhuma pode se achar pior que qualquer outra. Todas são únicas. Todas são lindas. Todas são perfeitas. Não se deixem levar pela padronização que a sociedade atribuem a vocês, valorizem-se de verdade! Descubram-se! Tire essa cortina que te esconde e põe essa beleza toda pra desfilar! Você pode!

Imagem de capa: javi_indy/shutterstock

É fácil julgar os outros, difícil é julgar a si mesmo….

É fácil julgar os outros, difícil é julgar a si mesmo….

Aqueles que julgam os demais enxergam muito a vida dos outros e não olham nada na sua existência, muitos menos vêem os seus erros ou acertos.

Os falsos moralistas são aquelas pessoas que defendem condutas austeras diante da sociedade, simulando serem indivíduos de atitudes ilibadas. Gente assim são expert em julgar os outros segundo a aparência, negando em perceber a essência das pessoas ou ver os “fardos” que elas carregam em suas vidas.

Esses moralistas cometem erros obtusos em julgar de forma precipitada a tudo e a todos, já que às vezes eles estão vivendo uma vida cheia remorsos. E mesmo assim insistem em julgar a vida de outrem e deixam de cuidar das suas próprias vidas.

Aqueles que julgam os demais enxergam muito a vida dos outros e não olham nada na sua existência, muitos menos vêem os seus erros ou acertos. Aliás, são pessoas descontentes consigo mesmas, que buscam espiar os defeitos da vida alheia, pois se tornam incapazes de satisfazer-se de modo pleno.

As avaliações falhas, geralmente, têm uma tendência parcializada, uma vez que quando se refere ao julgamento moral, as coisas ficam mais difíceis, porque certas pessoas levam em conta a moralidade e a ideologia das instituições sociais que fazem parte. Mas, sobretudo, os moralistas são “contaminados” pelos julgamentos da mídia sensacionalista.

A psicanálise nos mostra que uma das origens dos sofrimentos mentais e físicos, é o rigor excessivo do superego, ou melhor, de uma moralidade rigorosa – que produz um ideal do ego irrealizável –, julgando aqueles que foram educados ou preparados para aceitar que esse ideal é possível e realizável.

Na maioria das vezes, comportamentos que a moralidade julga amorais são elaborados como mecanismos de autodefesa dos sujeitos, que os colocam para proteger a sua estrutura psíquica, que pode estar sendo ameaçada, de modo real ou ilusório. E se forem atitudes moralmente reprováveis, mas que podem ser no ponto de vista psicológicos necessárias.

A nossa psique é um arena de guerra inconsciente em meio a desejos e censuras. O id ignora as demarcações da sociedade, enquanto o superego somente reconhece seus obstáculos. Assim, o vitorioso, o id é a agressividade que machuca os outros, mas o ganhador, o superego é hostilidade que cerceia o sujeito. Nessa situação, quando alguém julga moralmente pode estar aprisionado entre a violência do id e do superego.

O ser humano é um projeto infinitamente incompleto, que está em processo de edificação. O que somos, atualmente, servirá como matéria prima para o que vamos ser no futuro. Em vista disso, temos que ter a humildade de retornar para dentro de nós, com serenidade, a fim de julgar a nós mesmos e para apreender a sermos misericordiosos ao julgar o próximo.

Afinal, o cristianismo no ensina que não devemos julgar as outras pessoas para que não sejamos também julgados. Jesus viveu em uma sociedade repleta de falsos moralistas e os repreendia: “Deixe-me tirar o cisco do seu olho quando você mesmo tem um tronco no seu próprio olho? Tire primeiro o tronco que está no seu olho e então verá muito melhor para tirar o cisco do olho do seu irmão.”

Imagem de capa: Reprodução

Quando a ausência aperta, até defeito vira saudade

Quando a ausência aperta, até defeito vira saudade

Quanto mais a gente vive, mais saudade a gente acumula. Saudade de pessoas, de momentos, de cheiros, de lugares, de sensações, de tudo o que se foi e não volta mais. Pouco pensamos sobre a finitude das coisas, porque temos a falsa sensação de que aquilo de hoje durará para sempre, de que poderemos a todo momento ver quem amamos, falar com quem quisermos, sentir de novo e da mesma forma sentimentos especiais. Pura ilusão.

Tudo muda, muitas vezes bem mais rapidamente do que imaginamos e de uma forma nada agradável. A morte chega sem aviso, o corpo falece sem razão aparente, a saúde piora, o amor arrefece, as crianças crescem, os animais de estimação se vão bem antes do que o esperado. O que agora é daqui a pouco pode nem ser mais; quem está ali pode, no segundo seguinte, ir para sempre. De repente, assim, sem mais nem menos, tudo já não é o que foi.

O tempo passa, para mim, para você, para todo mundo, para tudo o que existe neste mundo. Vamos, nesse ritmo, colhendo as consequências do que fizemos e fomos enquanto ainda havia tempo, tempo de amar, de abraçar, de dizer o que sentíamos, de olhar nos olhos, de aproveitar cada pessoa, cada momento, cada segundo da felicidade com que o presente nos abençoa, todos os dias.

Uma das piores sensações que poderemos carregar nessa vida é o remorso, o arrependimento, a culpa por não termos agido como deveríamos enquanto podíamos, por não termos dito o que queríamos enquanto a pessoa estava ali, por não termos abraçado mais forte nossos pais, irmãos, amigos, quando convivíamos juntos. A sensação de vazio que a saudade traz é implacável e nossas memórias estarão sempre nos lembrando do quanto fomos ou deixamos de ser.

O que vale mesmo é o hoje, o agora, quem está ali, junto, haja o que houver. Precisamos aproveitar cada instante que a vida nos dá, de forma a deixarmos bem claro às pessoas o quanto as amamos, o quanto somos gratos, o quanto nos importamos, porque é isso, que não se vê nem se compra, que guardaremos dentro de nós, para que consigamos suportar a dor da saudade, da ausência, do que não mais está nem é. Fortalecido no presente, o coração então suportará as tempestades que virão, pois o amor verdadeiro já estará eternizado dentro de nós.

Imagem de capa: Hvoenok/shutterstock

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