Por que muitos pais bons têm filhos difíceis?

Por que muitos pais bons têm filhos difíceis?

PE. HENRY VARGAS HOLGU

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Segundo o velho ditado, “Tal pai, tal filho”. Mas há outro ditado não menos verdadeiro: “Toda regra tem exceções”.

Geralmente, de bons pais, de pais bem formados e educados, saemfilhos bons, bem formados e educados; mas, infelizmente, esta regra acaba caindo por terra em alguns casos, quando os filhos se apresentam com personalidade rebelde.

Nos relatos históricos, desde a época bíblica, vemos reis maus que tiveram filhos que governavam com justiça e sabedoria; e igualmente houve reis justos que tiveram filhos que governavam com abusos e prepotência. Como isso é possível?

Como explicar os filhos rebeldes?

De modo geral, podemos destacar algumas possíveis causas deste fenômeno:

1. Um fator é que os pais de família, ainda que sejam boas pessoas, corretas e do bem, podem ser (sem má intenção, logicamente),péssimos educadores ou formadores. É muito difícil transmitir valores, virtudes e códigos de conduta, e às vezes o bom exemplo não é suficiente.

2. Os filhos que manifestam comportamentos difíceis são facilmente reconhecíveis desde que nascem. Quando bebês, costumam acordar muitas vezes durante a noite, chorando muito. Também costuma ocorrer de tão terem meio-termo: vão de um extremo ao outro. Suas alegrias são transbordantes, mas, de repente, ficam bravos e são incapazes de controlar sua ira e sua raiva.

3. Cada filho ocupa um lugar diferente na realidade familiar e mantém relações diferentes com cada membro. Não é a mesma coisa ser o primeiro, segundo ou terceiro filho, porque as circunstâncias de uma família mudam constantemente.

4. A rebeldia também pode começar na infância, quando os pais e avós cometem o erro de “comemorar” certas atitudes, palavras e gestos equivocados, levando a criança a pensar que o que está fazendo é o certo.

5. Em outros casos, mesmo com a melhor intenção do mundo, os pais acabam manifestando, ainda que inconscientemente,preferência por algum dos filhos, o que pode gerar a rebeldia, unida a ciúme, inconformismo ou agressividade.

6. Às vezes, ainda que não haja preferências por parte dos pais, um dos filhos acaba mal-interpretando certas situações como se fossem contra ele, o que gera más reações, levando ao mesmo círculo vicioso.

7. Outra das possíveis explicações está em que os pais não sabem lidar com os primeiros caprichos infantis dos filhos, e acabam querendo agradá-los sempre e em tudo. A criança, se não for corrigida e não assimilar bem a educação recebida, vai crescer mimada.

8. Há pais que só prestam atenção no que os filhos fazem de errado. Passam o dia todo dando broncas, jogando na cara deles o que fizeram de ruim. Isso pode gerar baixa autoestima e raiva nas crianças.

9. Outro dos fatores está inclusive nos próprios irmãos ou nas crianças do bairro ou escola, que ficam apontando os defeitos da criança; esta vai se fechando em um comportamento negativo, especialmente se for muito sensível.

10. Em outros casos, na maioria das vezes, o rebelde é o filho do meio, que não tem as responsabilidades do mais velho (a quem os pais costumam usar como exemplo ou colocar como responsável pelos outros irmãos) nem toda a atenção do filho mais novo (que costuma ser mais mimado que os outros). O filho do meio, neste caso, pode crescer com ressentimentos.

11. Muitos pais consideram que a melhor forma de educar os filhos é impondo regras muito rígidas, quase ao estilo militar, mas isso é errado. Os pais rígidos demais acabam criando filhos retraídos e amedrontados, ou desrespeitosos e rebeldes.

12. Em outros muitos casos, os filhos difíceis são reflexo de certas anomalias familiares, ou seja, são como a ponta do iceberg, pois tornam visíveis os problemas latentes e reprimidos na família. O filho rebelde acaba sendo o bode expiatório e distração do verdadeiro problema familiar.

13. O contexto social em que vivemos não ajuda a educar os filhos. Esta sociedade violenta, competitiva, hostil, queiramos ou não, influencia muito negativamente as crianças, a umas mais que a outras, dependendo das circunstâncias.

O que fazer?

Seja como for, quanto antes for buscada a solução, melhor – começando pela identificação da(s) causa(s). Quanto antes for feita a intervenção, menor será o sofrimento da família e sobretudo do filho.

Uma ajuda profissional pode contribuir para identificar o problema. Se este estiver na família, é preciso modificar a dinâmica familiar. Esta mudança é difícil quando os membros da família se consideram isentos de qualquer responsabilidade, negando ter algo a ser revisto. É muito mais fácil quando os pais, e inclusive os irmãos, se envolvem.

Independentemente da causa e da suposta rebeldia, sempre deve haver comunicação entre os pais, para esclarecer as coisas o quanto antes com o filho – daí a importância da observação.

Se a causa da rebeldia realmente não está nos pais, juntos e privadamente, precisam falar com o filho sobre o que acontece, sobre seu comportamento, para que ele possa ver todas as qualidades que tem para superar seus problemas.

É necessário fazer tudo isso com carinho, mostrando que estas correções são feitas por amor, e depositar um voto de confiança no filho.

Os pais nunca devem classificar seu filho como “o filho rebelde”, “a ovelha negra”, porque fazer isso pode trazer consequências ainda mais negativas.

Isso desespera e isola ainda mais o filho difícil, pois ele procurará ajuda e apoio fora do núcleo familiar, e provavelmente nas pessoas incorretas. Os pais nunca podem descuidar dos seus filhos, confiando sua educação a terceiros.

O que acontece se o problema não for solucionado?

Estes filhos podem ter problemas de comportamento e também dificuldades para lidar com suas emoções, e sua tendência será mostrar-se extremamente críticos consigo mesmos.

Em outros casos, os filhos desenvolvem transtornos depressivos, dependência química, até degenerar em transtornos de personalidade.

Por outro lado, costuma achar que não merecem ser amados, já que as mensagens que receberam da sua família ao longo dos anos é que só trazem problemas, só causam dano, suas reações são sempre inadequadas, estão sempre exagerando etc.

Para a psicologia positiva, ao falar do comportamento das pessoas, costuma-se utilizar três palavras que tendem a ser confundidas: personalidade, caráter e temperamento. Mas são termos muito diferentes.

O temperamento se baseia na herança genética. O caráter é construído ao longo da vida, a partir da sua experiência e da cultura em que se encontra. O temperamento e o caráter são os elementos que formam a personalidade do indivíduo.

Assim, o DNA e o contexto de vida têm um papel primordial na personalidade de cada um. Não podemos negar os genes de uma pessoa, mas tampouco seu ambiente externo.

No entanto, felizmente, existe o livre arbítrio, que, baseando-se na razão, permitirá que cada um de nós tenha capacidade de escolher seu caminho.

A pessoa não pode escolher seu destino, pois sempre haverá eventos fortuitos que podem mudar o rumo da vida, mas sempre terá capacidade de levantar-se, seja qual for a situação, e prosseguir até o final.

Pais que são bons, apesar de eventuais erros educacionais, não têm culpa de que seu filho adulto seja uma pessoa difícil.

Culpar os pais pela personalidade difícil do filho, quando foram bons, normais e bem formados, é um erro. Há muitos fatores que entram em jogo na formação da personalidade. Um filho não é preguiçoso na escola necessariamente por culpa dos pais, por exemplo.

Por outro lado, ninguém pode ser 100% bom ou 100% mau. Se alguém erra, pode se arrepender, porque há algo bom nele, e aqui as emoções e maneira de pensar podem influenciar consideravelmente.

No caso em que os pais não conseguem fazer nada diretamente para combater o problema da rebeldia dos filhos, sempre será possível lutar interiormente por combater neles mesmos a tendência negativa – que pode dar-se em diversos graus – que os preocupa dos filhos, e oferecer a Deus sua luta como oração.

É sempre importante rezar por esse filho e confiar a Deus a solução.

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Pessoas são vistas por trás de uma tela: quando saem, deixam clara a essência do amor!

Pessoas são vistas por trás de uma tela: quando saem, deixam clara a essência do amor!

A maioria de nós se considera sem preconceitos, mas mesmo que não intencionalmente, é muito comum que façamos julgamentos precipitados sobre as pessoas com base no que vemos, seja por causa de sua raça, idade, sexo, religião, sexualidade ou mesmo deficiência.

Esses pré julgamentos realizados pela sociedade em geral afetam a capacidade de uma pessoa de encontrar um emprego, garantir um empréstimo, alugar um apartamento, ou chegar a um julgamento justo, perpetuando as disparidades sociais.

A campanha “O amor não tem rótulos” desafia-nos a abrir os olhos para os nossos preconceitos (mesmo aqueles que achamos que não temos) e trabalhemos para barrar esse ciclo em nós mesmos.

Para isso, nada melhor do que pessoas felizes e dançando através de uma grande “radiografia”. Apresento também para vocês a essência do amor!

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Sobre o “Diário de Fabiana, uma menina não muito normal”

Sobre o “Diário de Fabiana, uma menina não muito normal”

Por Nara Rúbia Ribeiro

Há pouco tempo eu falava aqui no site, numa crônica, sobra a importância de permitirmos que os nossos filhos sonhem ser aquilo que de fato querem ser. E para construírem seus sonhos, as crianças necessitam também perguntar a si mesmas: quem sou eu?  Essa é a busca de Fabiana, uma menina de oito anos de idade, no livro denominado “Diário de Fabiana, uma menina não muito normal”, que acabo de receber, via correio.  E o sentimento da Fabiana encontra um eco singular, uma sintonia perfeita na escrita da autora, Beatriz Kusdra, uma encantadora paranaense que também tem oito anos de idade.

contioutra.com - Sobre o “Diário de Fabiana, uma menina não muito normal”No livro, ela começa dizendo ao diário que precisa saber quem ela é. Mas que o que quer saber não tem nada a ver com o tamanho do cabelo, com o jeito que ela é por fora. O que a preocupa é ser, a cada hora, uma pessoa diferente. Em razão disso, acha-se uma pessoa “estranha”, ” não muito normal”. Escrevendo ao seu diário, fala de sentimentos como timidez, inveja, o início do encantamento com os meninos. Fala sobre amizade e sobre a relação com o irmão (em regra conturbada).contioutra.com - Sobre o “Diário de Fabiana, uma menina não muito normal”

Então, eu venho aqui dizer que fiquei muito feliz por conhecer essa escritora tão especial e carismática que, mesmo tendo soprado apenas oito velinhas já se aventura no mundo das histórias, na criação dos personagens, na elaboração das falas, na discreta proposição das temáticas.

E digo à Beatriz: Sabe, Bia. Todo mundo é assim, meio que não muito normal. Somos meio estranhos, mesmo. Agimos sem entender. Pensamos coisas sem saber direito o motivo. Sentimos o que não compreendemos. Ser estranho é normal. E temos que ser normais, mas não muito. Não é mesmo? Dê um beijo na vovó Vera Lúcia Kusdra e diga que ela não está sozinha. Nós também estamos muito orgulhosos de você. E a agradeça pela remessa do livro. Sei que acabo de conhecer uma grande e especial escritora.

Nara Rúbia Ribeiro: colunista CONTI outra

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Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook: Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Mia Couto oficial

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Algumas divagações para suavizar os hiatos de uma existência

Algumas divagações para suavizar os hiatos de uma existência

Por Lourival Antonio Cristofoletti

Falar de coisas que lhe abordem, de maneira desavisada, na hora que nada pede. Comentar sobre sensações que acometem você, vindas não se sabe de onde. Parecem exercícios gerados de maneira espontânea no encanto da contemplação, em uma de suas faces mais descompromissadas. Oferecem, quem sabe, oportunidades de vagos repensares.

Quem sabe de onde vêm as energias que costumam levitar por aí? Sabe-se que são dispersas e que não refutam quem se dispuser e ousar mobilizá-las. Convém não hesitar por demasiado tempo, nem consumir muito esforço refletindo sobre cada omissão.

Quem não atrelou mente ao coração e ainda não desencadeou nenhuma ação ou processo em si, mostra-se conveniente poupar-se: pode ser hora de ficar quieto. Já que quer fazer algo prepare-se para uma futura investida na hora que a surpresa resolver invadir os espaços de sua vida.

Como é que se faz para se permitir furtivas saídas do dominío da razão? Ter receitas é presunçoso: fala-se à boca pequena que viagens pelas raias da imaginação oferecem motes revigorados naturalmente quando, claro, sutilmente alimentados. Se tiver traquejo, que os desenvolva com a naturalidade do sopro do vento no colo da manhã.

Sempre cabem recomendações genéricas, de preferência não testadas: cole os ouvidos onde bem entender e atente para não se exasperar se resolver não trilhar aquele caminho delineado: não, você não é a única opção do multiverso (quem lhe falou que somente há um universo?).

Se assim sendo, há no não existir um propósito destinado para si. E, diante de sua negativa em agir, alguém irá naturalmente fazê-lo em seu lugar (é a Lei da Ausência do Vácuo na Natureza). Lógico, relaxe: outras oportunidades surgirão, porque garantem que o estoque de possibilidades ousa beirar os supercílios do infinito.

Aceitam-se exercícios de sensibilidade aleatoriamente distribuídos, sem compromisso com resultados tangíveis: deixar-se levar como quem nada sabe em um lugar estranho, sem ao menos dar-se ao trabalho de ter pesares ou fazer discretas anotações.

Permitir-se, amiúde, ser abduzido pela sensualidade da marota vida, manifesta a cada xingamento evitado, a cada indiscreto pulsar, sem preparadas respostas, livre de repertórios gastos ou decoradas satisfações.

Quando não se souber a razão de certas coisas lhe acontecerem – “Por que eu?”;”Agora?”; “Deste jeito?” – recomenda-se evitar as raias da ansiedade: pensa-se em oferecer discretos créditos aos desígnios superiores. É sabido que eles gostam de fugir à razão, mas educadamente pedem a compreensão possível para quem resolver lhes dar um colo temporário.

Como é que faz para se fugir da tentação de entender outras pessoas enquadrando-as? Bem que eu não sei: por via das incertezas, sempre é bom reforçar que a lógica gosta de um ato de rebeldia e constitui um processo individual, com suficiente maleabilidade para exibir tolerância a um variado espectro de possibilidades.

Tudo que ao foge ao laico entendimento reverbera em algum lugar: se o vento ajudar, possibilita, por extensão, fugir da retórica e construir inusitadas matizes na intersecção do pensamento, da palavra e da ação.

A satisfação e o prazer de uma felicidade momentânea trabalham com aquilo que brota entre os escombros da dúvida. O que advém desse movimento contribui para modelar almas: muitos aí enxergam como uma oportunidade que se rebela a qualquer determinação como quem exercita a liberdade.

Bem que se gostaria de se deixar-se arrebatar, identificando e nominando pulsares, como aves exóticas do pensamento: aquele momento de fuga em que a tentação de querer entender muita coisa constitui mote para se enlevar.

Sempre é tempo para um movimento incessante do nada, essa vigilante atenta e alimentadora contumaz das possibilidades de crescimento e êxtase de cada ser que transita na rota do impossível que um dia sonha ser viável.

LOURIVAL  ANTONIO CRISTOFOLETTI

contioutra.com - Algumas divagações para suavizar os hiatos de uma existênciaPaulista de Rio Claro e residente em Vitória/ES. É mestre em Administração pela UnB – Universidade de Brasília, Analista Organizacional e Consultor em Recursos Humanos. Atualmente atua como professor na Graduação e MBA na FAESA – Faculdades Integradas Espírito-Santenses; Instrutor na UFES – Universidade Federal do ES e na ESESP– Escola de Governo do ES.

Livro publicado: COMPORTAMENTO: INQUIETAÇÕES & PONDERAÇÕES
Livraria Logos (vendas pelo site)

E-mail de contato: : [email protected]
No Facebook: Lourival Antonio Cristofoletti No Instagram: lourivalcristofoletti

Felicidade Gourmet: um texto para quem gosta de trocadilhos cinematográficos

Felicidade Gourmet: um texto para quem gosta de trocadilhos cinematográficos

Por Rodrigo Svezia

Nessa “Jornada nas estrelas” da busca do life style mais genuíno e personalizado possível, todos estão querendo viver “7 anos no Tibet”, mas esta “Todo Mundo em Pânico”.

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Em tempos de “CEO de multinacional larga tudo para criar rinocerontes albinos com família no Alasca” e palestras de como coisas banais como pagar uma conta de luz em uma lotérica pode ser uma experiência transcendental de autoconhecimento e felicidade plena serem coisas cada vez mais frequentes, vamos criando a obrigação, uma obrigação a mais pra chamar de nossa, velada muitas vezes, de tornar nossa rotina necessariamente um grande “As Viagens de Gulliver”.

Ter essa obsessão de tornar cada momento simples em uma cena de “Amelie Poulain” é um carpe diem muito mais para “Trainspotting” do que para “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Nessa “jornada nas estrelas” da busca do life style mais genuíno e personalizado possível, todos estão querendo viver “7 anos no Tibet”, mas esta “Todo Mundo em Pânico”.

Um “Tira da Pesada” de fórmulas de auto realização qualquer, desses que são um mix de representante de marketing de pirâmide com Anthony Hopkins em “Amistad” e que adoram varrer nossas timelines, conversas de bar e almoços corporativos com os seus 10 passos para se trabalhar com o que ama, vai nos dizer que “Curtindo a Vida Adoidado” esta por exemplo o engenheiro que larga a carreira pra vender gravata borboleta recitando poemas no metro. Enquanto isso, o engenheiro que não largou tudo, mas que sofre como todos os desgastes que qualquer rotina proporciona, lê esses manuais de felicidade gourmet e pensa “Esqueceram de Mim”?

É como se fossemos todos atores, desconhecidos, em início de carreira, mas não aceitássemos nenhum papel que não fosse no mínimo o de protagonista de um filme de ação do Spielberg, onde nesse filme, até a pasta de dente daquela escovada com sono e com pressa de manhã, já atrasados pra trabalhar explode fazendo um cogumelo de fumaça de bomba atômica.

Atuamos para uma plateia que não existe e criticamos um filme que ainda não esta em cartaz.

Ninguém quer ser o Chris O’Donnel em Perfume de Mulher numa quinta-feira com chuva e muito trânsito e ver que num dia como esse, o discurso final que o Al Pacino faz no filme é a sua rotina que esta te dando, e que nesse roteiro em construção somos todos protagonistas e coadjuvantes, sem excessão, e que esta tudo bem assim.

Vencer o leão do dia a dia talvez seja uma batalha mais sangrenta que as de “Coração Valente” e “Platoon” juntas, mas podemos encará-las como se fossemos o “Patch Adams” ou deixar tudo mais complicado que o final de “Lost”.

Podemos renegar o medo que da ser adulto, aquele que o Tom Hanks já tinha mostrado pra gente em “Eu Quero Ser Grande”, mas ter uma formula pronta de felicidade, que seja de fora pra dentro em vez de dentro pra fora, pode ser mais “Xuxa Contra o Baixo Astral” do que “Na Natureza Selvagem”.

Nota da Conti outra: o texto acima foi publicado com a autorização do autor.

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Na imagem, uma homenagem ao ator Leonard Nimoy, que deu vida ao personagem da franquia ‘Jornada nas Estrelas’ e que ficou famoso pelo bordão “vida longa e prospera”.

São Paulo, 06/02/2015

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Rodrigo Svezia

Publicitário e cinéfilo, observador de comportamento, acredita que os filmes da sessão da tarde dos anos 90 tem poder de cura.

email: [email protected]

O mundo assombrado pelos demônios

O mundo assombrado pelos demônios

Por Octavio Caruso

Com temor, assisto notícias sobre os “Gladiadores do Altar”, mais um fruto nefasto do fundamentalismo religioso, essa praga que assola o Brasil. Impossível não estabelecer comparações com o ótimo filme “A Onda” (Die Welle, de 2008). Enquanto aumenta a porcentagem de ateus nas nações mais evoluídas, por aqui o povo se agarra cada vez mais em muletas teológicas, como a bancada evangélica no Congresso. Até que ponto a religiosidade deve se intrometer na política? Em qual momento foi permitido que a fé, usualmente removedora de montanhas, iniciasse sua remoção de homens e ideias? Homens como o italiano Giordano Bruno, que foi retratado no cinema de maneira excepcional na obra dirigida por Giuliano Montaldo em 1973. Giordano foi um filósofo, além de astrônomo e matemático, do século dezesseis, expulso da Ordem dos Dominicanos por suas ideias e seus questionamentos acerca de um universo ilimitado, povoado por uma infinidade de estrelas e planetas com possibilidade de vida inteligente. Este precursor da ciência moderna foi processado pela inquisição e recusando qualquer retratação, foi condenado à morte na fogueira. Até mesmo em seus últimos momentos tentaram calá-lo, tendo sido morto com uma mordaça e pregos em sua língua, que simbolicamente o impediriam de propagar sua ideologia após sua morte. Notando o mundo atual e vendo a importância que ainda é dada aos preceitos do Vaticano, à opinião do Papa sobre qualquer tema, parece que seus antepassados conseguiram realizar o feito.

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Com uma atuação soberba de Gian Maria Volonté no papel principal e de Charlotte Rampling como Fosca, além de uma fotografia estupenda de Vittorio Storaro e uma linda trilha sonora do genial Ennio Morricone, o filme merece um reconhecimento maior, pois se torna a cada dia que passa mais atual e importante. O diretor não cria uma obra panfletária, ele disserta sobre o homem e suas ações, sabendo ver em cada personagem suas verdades e crenças. Não acusa, simplesmente mostra os fatos e deixa nas mãos do público o julgamento. Imenso foi o preço que Giordano pagou por questionar os dogmas religiosos, tendo como meta apenas a evolução do conhecimento humano. Conhecimento esse que, mesmo séculos depois, ainda se defronta com os mesmos dogmas, com a fogueira primitiva sendo substituída pelo poder de manipulação social. Manipulação de políticos, pois nenhum tem coragem de falar contra a igreja por medo de não se elegerem, assim como a imposição de seus conceitos sobre assuntos que nunca dominaram, como a ciência.

Ao assistirmos o filme, constatamos as razões que o tornam tão pouco conhecido e difundido, ele consegue fazer algo que as religiões nunca souberam: mostrar suas ideias eficientemente e sem necessidade de apelar para violência, ou imposição pelo medo, contra outras crenças ou contra aqueles que as questionam. Essa obra é uma poderosa arma que os religiosos querem manter bem distante de seus fiéis, pois o conhecimento, que tanto Giordano Bruno lutou para divulgar, foge completamente aos anseios dos líderes religiosos, ontem, hoje e sempre.

[quote_box_right]”Por muito tempo, acreditei que silenciar, no tocante a esse assunto, era uma forma de respeito, mas calar é o pior crime que pode ser cometido.” Octavio Caruso[/quote_box_right]

Por muito tempo, acreditei que silenciar, no tocante a esse assunto, era uma forma de respeito, mas calar é o pior crime que pode ser cometido. Descartes, Nietzsche, Onfray, Bakunin, Stephen Hawking, Carl Sagan, de quem roubei o título do texto, e praticamente todos os grandes pensadores que atravessaram a breve experiência da vida na Terra, já apontaram os malefícios que as crenças em lendas causam ao desenvolvimento intelectual do cidadão. Mitos e superstições escravizam os seres humanos, limitando-os intelectual e criativamente. Amedronte uma pessoa e você a terá na palma de sua mão, fazendo tudo o que você disser que irá ser para o seu bem, inclusive financeiramente, sendo capaz de vender os rins por um espaço garantido no céu. Liberte-a dos medos, que nenhuma força no mundo irá mantê-la sob seu jugo. A exploração do sobrenatural é fonte de renda de muitos, ainda mais nos locais onde o analfabetismo científico reina supremo. O brasileiro, povo extremamente carente em educação, saúde e segurança, acredita em tudo que é impossível, mas sempre duvida do óbvio. Viver em um mundo alternativo de ilusão, composto por truques, efeitos psicossomáticos e histeria coletiva, pode trazer paz temporária, mas não é a melhor solução.

[quote_box_left]”Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião”. Steven Weinberg[/quote_box_left]

E, complementando, uma ótima citação do físico Steven Weinberg: “Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião”. O sofrimento é uma das coisas mais naturais na vida de todos nós. Aprender a lidar com ele é uma das coisas que nos diferencia dos animais irracionais. Ninguém é imune ao sofrimento.  As crenças concedem aos que sofrem uma paz temporária. E por esse respiro breve, puramente ilusório, gerações de mal-intencionados incitam pessoas bem-intencionadas a se mutilarem, atearem fogo em florestas, acidentalmente, devido ao uso de velas em despachos, despejarem cacos de vidro, garrafas quebradas em rituais, em locais que oferecem grave risco aos transeuntes, sacrificam animais indefesos e até bebês, entre outros absurdos. Caso testemunhe despachos com velas acesas em locais com risco de incêndio, não pense duas vezes, apague-as. Temos que honrar o “sapiens”, que sucede o “homo”. Não tenho religião alguma, sou um respeitoso questionador em eterna busca pelo aprimoramento. O Brasil necessita, mais do que nunca, de nossa lucidez.

Nota da Conti outra: o texto acima foi publicado com a autorização do autor.

Octavio Caruso contioutra.com - O mundo assombrado pelos demônios

Carioca, apaixonado pela Sétima Arte. Ator, autor do livro “Devo Tudo ao Cinema”, roteirista, já dirigiu uma peça, curtas e está na pré-produção de seu primeiro longa. Crítico de cinema, tendo escrito para alguns veículos, como o extinto “cinema.com”, “Omelete” e, atualmente, “criticos.com.br”, além de uma coluna social no site da jornalista Anna Ramalho, do JB. Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, sendo, consequentemente, parte da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica.

Blog: Devo tudo ao cinema / Octavio Caruso no Facebook

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3 atitudes inconscientes que podem destruir a autoestima de seus filhos (esteja alerta)

3 atitudes inconscientes que podem destruir a autoestima de seus filhos (esteja alerta)

Por Damara Simmons

Do original: 3 maneiras que você inconscientemente destrói a autoestima de seus filhos

Fonte: contioutra.com - 3 atitudes inconscientes que podem destruir a autoestima de seus filhos (esteja alerta)

Eu entro e me sento no banco ao lado dele no piano. Quando ele começa novas músicas, ele gosta que eu esteja por perto.

Um sorriso brilhante ilumina seu rosto e ele começa a tocar. Depois de alguns erros seu sorriso desaparece e surge uma carranca. Eu sinto seu desânimo crescer.

Da minha perspectiva a música é bastante simples e fácil. Eu quase digo: “Ah, vamos lá, é fácil, você pode fazê-lo.” Em vez disso eu paro e penso: “O que eu digo vai fazer meu filho se sentir encorajado e ajudar a sua autoestima crescer ou causar desânimo e diminuí-la? A escolha é minha.”

Os pais querem que seus filhos cresçam autoconfiantes e capazes. Às vezes, mesmo sem perceber, suas ações podem estar fazendo exatamente o oposto e diminuindo a autoestima de seus filhos.

1. Dizer “É fácil”

Quando seus filhos estão se esforçando com uma tarefa, pode parecer fácil para você, no entanto, não é necessariamente fácil para eles. Quando você diz: “Isso é fácil, você pode fazê-lo.” Você está tentando motivar e incentivá-los, no entanto, faz com que os seus filhos pensem: “Algo deve estar errado comigo, porque não é fácil para mim, portanto, devo ser burro.” Isso faz diminuir sua autoestima e a se sentirem desencorajados, querendo desistir.

Em vez disso diga-lhes: “Isso pode ser difícil ou isso é difícil.” Então, se os seus filhos completarem a tarefa, eles dirão a si mesmos: “Eu fiz algo difícil.” Se eles não se sentirem assim, pelo menos saberão que foi difícil começar. Essa abordagem ajuda a incentivar as crianças e aumenta o seu sentimento de autoestima.

2. Fazer por eles

Seus filhos querem fazer suas tarefas por conta própria. Isso lhes dá uma grande sensação de realização e os ajuda a se sentirem bem consigo mesmos. Você pode sentir que é uma maneira de mostrar amor fazendo coisas para os seus filhos. Isso lhes rouba a oportunidade de aprender habilidades para a vida e a satisfação de se sentirem independentes. E envia aos seus filhos a mensagem oculta, “Você não é capaz.”

Em vez de fazer as coisas para os seus filhos, fracione a tarefa em tarefas menores mais apropriadas a eles. Isto lhes dá a oportunidade de sentir a satisfação pessoal de completá-la por conta própria. Sua autoestima vai subir.

3. Surtar quando cometem erros

Os erros são parte da vida – todos nós erramos. Você pode sentir que precisa salvar seus filhos de cometer erros ou ajudá-los a evitar cometê-los. Isso não irá ajudá-los – mas, prejudicá-los para a vida.

Seus filhos vão cometer erros e sua atitude quanto a isso ajudará seus filhos a aprenderem e crescerem com o erro ou ensinar-lhes que os erros são ruins. Os erros são dolorosos, mas podem trazer grande crescimento se manuseados de forma saudável. Não roube de seus filhos a oportunidade de crescer com as situações, admitir que estejam errados, corrigirem o problema, e se sentirem bem sobre si mesmos.

Em vez de surtar quando seus filhos cometem um erro, ensine-os buscar soluções e serem responsáveis por suas ações. Isso promove uma visão saudável dos erros e permite a seus filhos se sentirem bem sobre quem eles são.

Muitos pais não percebem que essas três ações diminuem a autoestima de seus filhos. Se algumas dessas ideias são novidades para você – tenha bom ânimo, porque ler e aprender mostram que você está interessado em melhorar como um pai ou mãe e fazendo o melhor que pode.

Síndrome de Burnout: um artigo que faz a diferença

Síndrome de Burnout: um artigo que faz a diferença

Por

Do original:  Síndrome de Burnout– contioutra.com - Síndrome de Burnout: um artigo que faz a diferença

Hoje quero abordar um assunto delicado, que – em maior ou menor medida – afeta ou vai afetar a todos nós, no ambiente de trabalho: o esgotamento profissional ou, como é conhecido tecnicamente, a Síndrome de Burnout.

Primeiro, vamos à definição clássica sobre o problema.

O que é a Síndrome de Burnout

“Burnout (esgotamento profissional) é definido como uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica no trabalho. Trata-se de uma experiência subjetiva interna que gera sentimentos e atitudes negativas no relacionamento do indivíduo com o seu trabalho (insatisfação, desgaste, perda do comprometimento), minando o seu desempenho profissional e trazendo consequências indesejáveis para a organização (absenteísmo, abandono do emprego, baixa produtividade). O Burnout é caracterizado pelas dimensões: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal.”  (Tamayo e Tróccoli, 2002)

Burnout geralmente ocorre em profissionais que lidam com pressão emocional constante em seu dia-a-dia, e mantém contato direto com pessoas em situações estressantes, por longo período de tempo. Por exemplo: profissionais de saúde, da educação, policiais, agentes penitenciários, entre outros.

Esses profissionais se deparam com eventos estressores no ambiente de trabalho, além do intenso e contínuo contato interpessoal. O trabalho dos profissionais de saúde baseia-se na articulação das dimensões: técnica, ética e política, bem como na compreensão e manejo em lidar com a vida e com a morte.

Como acontece

O fator estressor, seja qual for, físico ou psicológico, ativa o sistema neuroendócrino.

Inicialmente há o envolvimento do hipotálamo que estimula a liberação de hormônios pela hipófise, entre eles o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) que estimulam as glândulas supra-renais a produzirem e liberarem cortisol e adrenalina, chamados de hormônios do estresse.

contioutra.com - Síndrome de Burnout: um artigo que faz a diferença

A síndrome envolve três componentes, que podem aparecer associados, mas são independentes:

  • Exaustão emocional – falta de energia associada a sensação de esgotamento emocional. O profissional sente que não pode despender mais energia para desenvolver suas atividades.
  • Despersonalização – indiferença em relação às atividades cotidianas do trabalho, presença de atitudes negativas e comportamentos de cinismo e dissimulação afetiva, até o tratamento de pessoas do convívio como objetos.
  • Falta de envolvimento com o trabalho ou baixa realização profissional – sensação de incapacidade, baixa autoestima, desmotivação e infelicidade no trabalho, afetando até a habilidade e a destreza.

Os 12 estágios de burnout:

  1. Necessidade de se afirmar – provar ser capaz de tudo, sempre;
  1. Dedicação intensificada – com predominância da necessidade de se fazer tudo sozinho;
  1. Descaso com as necessidades pessoais – comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
  1. Recalque de conflitos – o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
  1. Reinterpretação dos valores – isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima é o trabalho;
  1. Negação de problemas – nessa fase os outros são completamente desvalorizados e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
  1. Recolhimento – aversão a grupos, reuniões – comportamento anti-social.
  1. Mudanças evidentes de comportamento – perda do humor, não aceitação de comentários, que antes eram tidos como naturais.
  1. Despersonalização – ninguém parece ter valor, nem mesmo a pessoa afetada. A vida se restringe a atos mecânicos e distância do contato social – prefere e-mails e mensagens.
  1. Vazio interior – sensação de desgaste, tudo é difícil e complicado.
  1. Depressão – marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
  1. E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência, e a ajuda médica e psicológica são urgentes.

Manifestações e sintomas

O desenvolvimento dessa síndrome decorre de um processo gradual de desgaste emocional e desmotivação acompanhado de manifestações físicas e psíquicas.

Ela se manifesta por meio de quatro dimensões sintomatológicas: física, psíquica, comportamental e emocional.

Principais Sintomas: Exaustão emocional, despersonalização, reduzida realização profissional; fadiga; dores; imunodeficiência; disfunções sexuais, desconfiança, irritabilidade, perda da iniciativa, tendência ao isolamento.

Sinais de doença avançada: enxaquecas, insônia, gastrite e úlcera, diarréias, crises de asma, palpitações, hipertensão, dores musculares, alergias e infecções, depressão, aumento do consumo de café, álcool, barbitúricos e, cigarros.

Tratamento

Depois de constatado, o tratamento da síndrome de Burnout é realizado através do psicoterapeuta.

Em alguns casos, é necessária a utilização de medicamentos como os antidepressivos que atuam como moderadores de ansiedade e da tensão, sendo sempre prescritos com avaliação médica.

Se perceber alguns dos sintomas, não deixe que eles tomem conta da sua vida. Há casos em que essa síndrome resulta em depressões profundas e até ideias suicidas. Portanto, se identificar alguns dos sintomas, busque soluções o mais rápido possível, incluindo orientação especializada.

“NÃO É AUTISMO, É IPAD”

“NÃO É AUTISMO, É IPAD”

A fonoaudióloga Maria Lúcia Novaes Menezes está preocupada com um fenômeno que tem percebido nos últimos tempos: o aumento do número de crianças muito novas – de dois ou três anos – usando tablets.

Profissional com mais de 30 anos de experiência, a doutora tem atendido, em seu consultório no Rio de Janeiro, inúmeros casos em que os pais chegam a suspeitar que os filhos são autistas, sem perceber que o uso prolongado de tablets, joguinhos eletrônicos e celulares é que está dificultando o desenvolvimento da comunicação das crianças.

Fiz uma breve entrevista com a doutora Maria Lúcia Novaes Menezes. Aqui vai a conversa:

A senhora disse estar assustada com o número de pais que deixam filhos pequenos – crianças de dois ou três anos – usarem tablets. Isso tem aumentado nos últimos tempos?

A cada ano percebe-se que aumenta o número de crianças com menos de três anos de idade fazendo uso de tablets. Podemos observar, nos shoppings, bebês com tablets pendurados nos carrinhos. Isso tem prejudicado o desenvolvimento da linguagem e, principalmente, da socialização.

Quais as consequências que a senhora tem percebido nas crianças?

Se considerarmos que, nos primeiros três anos de vida da criança o desenvolvimento da cognição social se dá através do desenvolvimento da intersubjetividade, ou seja, que as diferentes fases da interação da criança com seus pais e cuidadores se dão através de compartilhar experiências e do olhar da criança para o outro, a utilização do tablet impede estas ações.

O tablet, utilizado por longo tempo, retira do contexto da criança esse contato fundamental para a socialização, causando um prejuízo no desenvolvimento das habilidades humanas que dependem da socialização, do envolvimento com o outro, prejudicando o desenvolvimento da socialização e do aprendizado que depende de experiências com o mundo à sua volta.

A senhora mencionou que alguns pais a procuram para tratar de supostos problemas de comunicação das crianças, sem perceber que o uso do tablet é uma das principais razões para isso.

O que tenho observado, principalmente no último ano de clínica, é que o uso do tablet e outros eletrônicos está cada vez mais tomando o lugar da interação entre as crianças e seus pais e o brincar no contexto familiar. Os pais passam muito tempo no trabalho, chegam em casa cansados e, quando os filhos querem assistir desenhos e joguinhos no tablet, eles liberam, em vez de tentar conversar ou brincar.

Como conseqüência, se a criança tem alguma dificuldade para adquirir a linguagem e a socialização, essa pouca comunicação com os pais poderá desencadear esse déficit. Talvez, em um contexto familiar onde fosse mais estimulado a se comunicar e brincar, essa dificuldade não aparecesse de forma tão acentuada. Essa hipótese surgiu da minha prática clínica, onde na entrevista com os pais eles relatam o uso de tablets, jogos no celular e DVD. Tem acontecido com freqüência que a observação dos pais da forma que interagimos e brincamos com a criança no set terapêutico e como, aos poucos, seu filho vai começando ou expandindo a sua comunicação e o interesse em brincar, eles mudam a dinâmica com seus filhos no contexto familiar, a comunicação verbal e social da criança começa a expandir, os pais ficam mais tranquilos e mais próximos dos filhos, e a criança, tendo a companhia do pai ou da mãe, passa a se interessar mais pelos brinquedos e em brincar e diminui o interesse pelo tablet, DVDs e joguinhos nos celular.

A senhora mencionou casos em que os pais suspeitavam ter um filho autista, mas o problema da criança se resumia a uso prolongado de novas tecnologias.

No ano de 2014 atendi crianças com idade em torno de dois anos, trazidas com queixa de comunicação social e desenvolvimento da fala, os pais suspeitando de autismo. Mas, ao mudar a dinâmica familiar, essas crianças apresentaram uma mudança muito grande na sua comunicação social e verbal.

O que os pais devem fazer para evitar problemas desse tipo, numa época em que os tablets estão em todos os lugares?

Sei que é difícil ir contra o sistema e penso que a criança deve ser cobrada pelos amiguinhos para ter e usar um tablet. O que talvez auxiliasse a romper com o hábito dos joguinhos eletrônicos e tablets seria restringir ao máximo possível o uso do tablet. Talvez a melhor forma de se conseguir é dando mais atenção ao filho através de conversas, do brincar, e utilizar mais jogos não eletrônicos e mais interativos.

Currículo de Maria Lúcia Novaes Menezes

Fonoaudióloga formada em 1984 pela Faculdades Integradas Estácio de Sá, mestre em Distúrbios da Comunicação, em 1993, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com cursos na New York University reconhecidos e creditados neste mestrado e doutora em Saúde da Criança e da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (2003). Aposentada da FIOCRUZ em 2014, mas ainda permanecendo como orientadora do projeto de pesquisa do Ambulatório de Fonoaudiologia Especializado em Linguagem / AFEL. Atua como fonoaudióloga na clínica em avaliação e diagnóstico dos distúrbios da linguagem e orientação aos pais. Autora da escala de Avaliação do Desenvolvimento da Linguagem, idealizado, padronizado e validado no Brasil para avaliar o desenvolvimento da linguagem da criança brasileira.

Fonte indicada: André Barcinski

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“Maioridade penal aos seis. Afinal, nessa idade, eles já se vestem sozinhos.”

“Maioridade penal aos seis. Afinal, nessa idade, eles já se vestem sozinhos.”

Leonardo Sakamoto, em seu blog

Redução da maioridade penal? O Estado e a sociedade falham retumbantemente em garantir que o Estatuto da Criança e do Adolescente ou mesmo a Constituicão Federal sejam cumpridos

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Um dos maiores acertos de nosso sistema legal é que, pelo menos em teoria, protegemos os mais jovens – que ainda não completaram um ciclo de desenvolvimento mínimo, seja físico ou intelectual, a fim de poderem compreender as consequências de seus atos. Completar 18 anos não é uma coisa mágica, não significa que as pessoas já estão formadas e prontas para tudo ao apagarem as 18 velinhas. Mas é uma convenção baseada em alguns fundamentos biológicos e sociais. E, o importante, é que as pessoas se preparam para essa convenção e a sociedade se organiza para essa convenção.

Na prática, o Estado e a sociedade falham retumbantemente em garantir que o Estatuto da Criança e do Adolescente ou mesmo a Constituicão Federal sejam cumpridos. Entregamos muitos deles à sua própria sorte – sejam filhos de famílias pobres ou ricas. Porque encher o filho de brinquedos e fazer todas as suas vontades para compensar a ausência por conta de uma roda viva que vai nos tragando também é de uma infelicidade atroz. Por necessidade individual e incapacidade coletiva de garantir que essa preparação ocorra de forma protegida, muita gente acaba empurrada para abraçar responsabilidades e emularem uma maturidade que elas não têm. Enfim, se tornam adultos sem ter base para isso.

O que fazer com um jovem que ceifa a vida de outro, afinal? Conheço a dor de perder alguém querido de forma estúpida pelas mãos de outro. O espírito de vingança, travestido de uma roupa bonita chamada Justiça, que foi incutido em mim pela sociedade desde pequeno, diz que essa pessoa tem que pagar. Para que aprenda e não faça novamente? Não. Para que sirva de exemplo aos demais? Não. Para retirá-lo do convívio social? Não. Para tentar diminuir a minha dor através da dor dele e da sua família? Não. Não há provas de que nada disso funcione, mas ele tem que pagar. Por que sempre foi assim, porque caso contrário o que fazer?

A Fundação Casa, do jeito que ela está, não reintegra, apenas destrói. A prisão, então, nem se fala. Também não acho que reduzir a maioridade penal para 16 anos vá resolver algo. Ele só vai aprender mais cedo a se profissionalizar no crime. E se jovens de 14 começarem a roubar e matar, podemos mudar a lei no futuro também. E daí se ousarem começar antes ainda, 12. E por que não dez, se fazem parte de quadrilhas? Aos oito já sabem empunhar uma arma. E, com seis, já se vestem sozinhos.

A resposta para isso não é fácil. Mas dói chegar à conclusão de que, se um jovem aperta um gatilho, fomos nós que levamos a arma até ele e a carregamos. Então, qual o quinhão de responsabilidade dele? E qual o nosso?

O certo é que ele irá levar isso a vida inteira – o que não é pouco – e nunca mais será o mesmo, para bem ou para mal. A sociedade está preparada para lidar com ele e outros jovens que cometem crimes, por conta própria ou influência de adultos?

Ou melhor, a sociedade quer realmente lidar com eles ou prefere jogá-los para baixo do tapete, escondendo os erros que, ao longo do tempo, ela mesma cometeu?

Fonte mais do que indicada: Pragmatismo político

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Na última semana o Rio fez 450 anos e o que temos para comemorar?

Na última semana o Rio fez 450 anos e o que temos para comemorar?

Por Adriana Vitória

Com um sentimento antigo que mistura uma profunda sensação de impotência e ressentimento, é quase difícil pra mim admitir o quanto amo esta cidade, e por este mesmo motivo, é impossível não reconhecer que, este pedaço de terra naturalmente maravilhosa, esta afundando.

Nem vamos falar do estado, que se encontra quase em calamidade !
Nestes 450 anos nunca houve um planejamento urbanístico sequer, os poucos que ousaram, nunca foram respeitados, como todo o resto neste pais. A exuberante flora e a fauna da cidade que inspirou minha vida e meu trabalho como artista plástica, embora não pareça, esta desaparecendo a olhos nus. Construções históricas foram demolidas e suas matas vem sendo derrubadas.

A pobre baia de Guanabara recebeu em 1991, do banco inter americano e do governo japonês, 800 milhões de dólares para ser despoluída. O dinheiro sumiu e a poluição esta pior do que nunca. Apenas 20% do esgoto da cidade e tratado e os outros 80 deságuam direto na pobre senhora.
Os botos, que um dia foram símbolo da cidade hoje somam 40 indivíduos.
Em 4 séculos e meio, seja nos anúncios das agencias de turismo, seja nos postais ou em qualquer outra mídia, lá estão o Corcovado, o pão de açúcar e suas praias, mas quem foi que determinou que isto é o Rio ?

O estado tem cerca de 16 milhões e meio de habitantes sendo que 13 vivem na cidade de cerca de 1200km2. Destes 13 apenas cerca de dois milhões habita o pequeno feudo de 100km2, a zona sul das praias e da lagoa poluídas. Quatro séculos e meio de governos indiferentes não são, a meu ver, algo para se comemorar.
Boa parte desta pequena elite sequer conhece sua cidade, pois não se atreve a ultrapassar o túnel a não ser quando vai viajar.

Chega a ser chocante a insistência de uma minoria decadente mas ainda poderosa em ignorar a existência da ressentida zona menos privilegiada, e isto inclui os moradores das favelas que os cercam e sobrevivem servindo a esta pequena corte.

A grande parte dos 10 milhões que não estão no mapa estão na zona excluída e esquecida, a zona norte, que com exceção da Tijuca e Grajaú vivem em completo abandono com ruas esburacadas, sem policiamento adequado, sem saneamento, sem coleta de lixo, sem nada.

A classe media esta a beira do colapso, sufocada pelos valores surreais dos alugueis, escolas privadas, impostos abusivos e desprovida de seguranças e carros blindados, ainda tem que aguentar a crescente violência, mas ainda vale o sofrimento pra se estar numa das cidades mais queridas do planeta.

Por muito menos Luis XVI perdeu a cabeça na revolução que transformou o mundo, criando uma radical mudança social democrática com princípios iluministas de cidadania e direitos inalienáveis.

Como é que os “cariocas” podem continuar comemorando pra mim só pode ser um surto de esquizofrenia.

Ainda espero ver um Rio de liberdade, igualdade e fraternidade. Enquanto isso, exerço minha cidadania da forma que posso, e me dou o saudável direito de me refugiar na serra para ter um mínimo de qualidade de vida e paz pra criar minha filha.

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Logotipo dos 450 anos do Rio de Janeiro

Quando eu morrer, quero virar árvore!

Quando eu morrer, quero virar árvore!

A Awebic publicou uma matéria sobre um projeto italiano inovador chamado The Capsula Mundi.

A ideia do “ciclo da vida” agrada muitas pessoas independentemente da fé. Em poucas palavras, é vida se transformando em vida — a morte fica em segundo plano. Pensando nisso, os  designers Anna Citelli e Raoul Bretzel desenvolveram o projeto que consiste em uma cápsula orgânica e biodegradável que é capaz de transformar um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.

Primeiro, o corpo do falecido é colocado dentro da cápsula e então enterrado. Depois é plantado uma árvore ou uma semente por cima para aproveitar a matéria orgânica.

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É a transformação do cemitério…

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… em uma floresta de memórias!

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Vida a dois. A relação entre trabalho e amor num poema de Adélia Prado.

Vida a dois. A relação entre trabalho e amor num poema de Adélia Prado.

Por Alan Lima

Boas relações são construídas em momentos de lazer. A diversão romântica é elemento das histórias de conquista. Quantos filmes chamam de encontro apenas os jantares a luz de velas, o trocar beijos e mãos no escurinho do cinema?

Nada disso é ruim, claro, quisera nós desfrutarmos de incontáveis noites regadas a entretenimento e carinho. E dizem, aqueles com a experiência de casamentos e namoros duradouros, que eventos assim são inversamente proporcionais ao tempo de convivência. Com o tempo, a rotina tudo esmaga.

Adélia Prado traz um outro panorama no poema Casamento, a relação entre o amor do casal e o trabalho. Inverta as posições. Seja ora a mulher, ora o homem. Coloque-se no lugar de cada um dos personagens e questione.

Como a forma de lidar com os deveres do cotidiano faz “Coisas prateadas espocarem”?

 

“Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como “este foi difícil”

“prateou no ar dando rabanadas”

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.”

Poema Casamento, Adélia Prado.

O envelhecimento dos pais: Quem cuida de quem?

O envelhecimento dos pais: Quem cuida de quem?

Por Viviane Lajter Segal

Nascimento, crescimento e envelhecimento fazem parte do processo natural de qualquer família. A cada ciclo da vida, os componentes se modificam para conviverem melhor entre si. Na velhice não é diferente! É uma fase que proporciona novas emoções e desafios para o indivíduo e seus familiares.

Envelhecer é um processo contínuo e constante em nossas vidas e ocorre desde que nascemos. Com a maior expectativa de vida da população a convivência entre gerações tem
ocorrido por mais tempo, o que promove mudanças nas relações.

Dúvidas, inseguranças e medos podem surgir entre os familiares, principalmente nos filhos. Como lidar com algumas características tão peculiares dos pais idosos?

O envelhecimento de uma pessoa perpassa por diversas transformações físicas e psíquicas. O idoso costuma apresentar uma menor velocidade no processamento das informações, assim como a memória começa a falhar. As características da personalidade tendem a ser exacerbadas.

Os filhos podem se sentir confusos com esse processo. Aquele pai, antes visto como herói, forte, que sempre cuidou da família, começa a se fragilizar. Precisa ser cuidado e, geralmente, torna-se mais carente de afeto e atenção. Como lidar com isso?

Tornar-se pai do seu pai

Nesse dilema, alguns filhos tendem a inverter os papéis com seus pais. “Tornam-se pais dos seus pais”. Mas, será que essa atitude, por mais que saibamos ser uma forma de cuidado, é saudável e a melhor para os mais velhos? Qual será o impacto psicológico disso para eles?

Os idosos são pessoas que, apesar de estarem passando por transformações, têm mais anos de experiência na vida adulta que seus filhos. Eles desejam ou precisam ser cuidados, apoiados, mas não infantilizados ou colocados em um papel de menor valia dentro da dinâmica familiar e social.

Ocorre, um empobrecimento relacional comum nessa fase da vida decorrente da diminuição do contato social. Isso pode culminar em um isolamento excessivo gerando diversas questões emocionais, como desamparo, insegurança, solidão, aumento da ansiedade e até depressão. Alguns fatores como a aposentadoria e a perda do companheiro tendem a intensificar tais comportamentos. Nesse contexto, a inversão de papéis entre pais e filhos pode agravar a situação. Quando isso ocorre, os idosos sentem-se dependentes e desvalorizados gerando uma baixa na autoestima e na autoimagem. A autonomia sobre suas próprias vidas torna-se restrita e a busca pela realização de conquistas pessoais é diminuída.

A importância dos filhos

Uma idade mais avançada não pode ser sinônimo de incapacidade, mas sim de possibilidades! Essa fase se configura em uma etapa de desenvolvimento, elaboração e realização de projetos pessoais. Há uma sabedoria e experiência adquiridas ao longo da vida que podem ser convertidas em aprendizado e transformações.

A família como um todo, principalmente os filhos, tem um papel fundamental nesse processo.  É importante que o idoso sinta-se pertencente e participante desse grupo e não isolado.

Apoiar, acompanhar, dar atenção, suporte e carinho são formas de demostrar afeto mais
eficazes.  Respeitar suas vontades e necessidades enquanto pessoas. Deixá-los realizar suas atividades e viver suas vidas como desejam são aspectos fundamentais para o melhor relacionamento entre pais e filhos na terceira idade!

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