5 filmes sobre o fim da infância

5 filmes sobre o fim da infância

Um dos momentos da vida mais dificeis de serem retratados com honestidade, o fim da infância já foi alvo de algumas obras cinematograficas muito respeitosas e verdadeiras. O cinéfilo mais exigente sente-se premiado na mega sena online, quando se dá conta do que acabou de assistir.

Aqui segue uma pequena lista com alguns dos mais belos e sensíveis filmes que a sétima arte já produziu sobre um tema tão espinhoso e subjetivo, já que este momento pode acontecer de uma maneira diferente com cada pessoa.

Lucas – A Inocência do Primeiro Amor

Filme que marca a estreia de Winona Ryder em longas e é um dos primeiros trabalhos de Charlie Sheen e de Cory Haim, ator de sucesso nos anos 80, falecido em 2010 devido a uma overdose. Lucas é um garoto inteligente que se apaixona por uma menina mais velha, recém chegada na sua escola.

Ponte para Terabitia

Um dos protagonistas da trilogia Jogos Vorazes, Josh Hutcherson  dá vida ao garoto Jesse que deixa sua imaginação voar ao lado da amiga Leslie. Ele aprende que a vida é muito menos criativa do que ele gostaria que fosse.

O Labirinto do Fauno

Uma fábula assustadora para crianças. Apesar do tema aparentemente infantil, foi feito para adultos. Mostra a pequena Ophélia tentando cuidar de sua mãe, infelizmente confiando nas pessoas erradas para isso.

As Vantagens de Ser Invisível

A história é sobre uma turma um pouco mais velha, mas fala sobre socialização, perdas, tendências suicidas, troca de colégio, tudo o que é tão difícil quando se está na adolescência.

O Menino e o Mundo

Animação nacional sobre um garoto que foge de casa para procurar o pai e descobre todas as coisas que o mundo pode oferecer, de bom e de mau.

Uma seleção heterogênea, mas que vale a pena conferir!

Você conhece outros que merecems em mencionados? Conte-nos nos comentários.

Ilustrações homenageiam garoto encontrado morto na Turquia; veja imagens

Ilustrações homenageiam garoto encontrado morto na Turquia; veja imagens

O menino sírio Aylan Kurdi, encontrado morto em uma praia na Turquia, tem recebido uma série de homenagens na internet. Através das redes sociais, ilustrações vêm sendo veiculadas mostrando Aylan com asas de anjos, dormindo e em cenários lúdicos.

A foto de Aylan Kurdi sendo carregado por um policial virou símbolo da crise migratória que atinge a Europa. O garoto se afogou na quarta-feira (2) Bodrum, na Turquia, enquanto tentava, junto com a família, chegar à Grécia. Veja alguns das homenagens:

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Fonte indicada: Mapele News

A desimportância destinada aos abandonados do mundo começa a mostrar seus efeitos

A desimportância destinada aos abandonados do mundo começa a mostrar seus efeitos

Por Elder Dias

As mortes de milhares nas águas do Mediterrâneo em poucos meses são um indicativo: a fuga do continente esquecido não vai parar. O mundo invisível, pobre e miserável está cobrando a fatura

Era o início do mês de maio de 1994. Uma grande tragédia abalava o mundo. Um país inteiro nunca mais seria o mesmo depois de um evento que ocorria de forma tão dura e traumática, atingindo em cheio um povo já sofrido por causa dos muitos males vividos na pele durante séculos e séculos de colonização.

Se o pensamento viajou até a figura de Ayrton Senna, se enganou. De fato, a morte do brasileiro, tido por muitos como o maior piloto de corridas de todos os tempos, foi um acontecimento trágico. Causou comoção não só no Brasil, mas também, de modo um tanto surpreendente, no Japão, onde também era tido como uma figura querida — os nipônicos se identificaram com ele por causa dos títulos a bordo de uma McLaren impulsionada por motores Honda. A Europa, coração da Fórmula 1, também sentiu o baque, até porque outro corredor, o austríaco Roland Ratzenberger, morrera um dia antes, no treino para o fatídico GP de San Marino, em Ímola, na Itália.

Por mais que tenha sido dolorosa para os brasileiros e os amantes do automobilismo, a morte do ídolo nacional foi uma fatalidade. Con­sequência dos perigos do esporte que escolheu. Ironia do destino, ele era um dos que mais se preocupavam com a segurança dos carros e, com Ratzenberger, foi um dos pilotos a perder a vida após 18 anos sem nenhuma morte assombrar a modalidade — o último acidente fatal tinha sido em 1986, quando o italiano Elio de Angelis, por coincidência o primeiro companheiro de Senna na equipe Lotus, morreu em treinos particulares da Brabham no circuito de Paul Ricard, na França.

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Bote com superlotação transporta refugiados rumo à Europa: para sobreviver, encara-se o risco alto de outra forma de morrer

Mas o que realmente estava em andamento como horror mundial naquele momento ocorria não na Europa, mas na África subsaariana. Em Ruanda, já havia quase um mês, a etnia hutu caçava seus rivais tutsis, em uma matança que duraria cem dias e deixaria ao fim 800 mil mortos. Uma média de 8 mil por dia. Contando todo o tempo de conflito e as hordas de refugiados em êxodo — o que acabaria por causar mais mortes, colaterais —, a população do país se reduziria em 2 milhões na primeira metade dos anos 90.

O olhar do mundo para a África só se deu quando o conflito alcançou o auge. Durante anos houve a preparação para o massacre que haveria de ocorrer. Mais do que isso, foram usadas verbas de fundos internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), para financiar o massacre, conforme ficou apurado posteriormente. Sem controle nem atenção do Ocidente, os gastos no que era para ser um “programa de ajuste estrutural” serviram para a compra de armas diversas, entre elas facões, enxadas, machados e martelos. Tudo para que os hutus pudessem estar seguros de que realmente massacrariam os rivais tutsis .

Quando tudo já estava consumado, no auge da matança a notícia do horror chegou à Europa e aos Estados Unidos. Documentos só disponibilizados duas décadas depois dariam conta de que cerca de duas semanas após o início do genocídio, em 6 de abril, o então presidente dos EUA, Bill Clinton, sabia de tudo que se passava em Ruanda, mas as informações foram abafadas: a Casa Branca já havia decidido não intervir. Quase 20 anos depois, Clinton fez um tardio mea-culpa, dizendo que poderia ter salvado pelo menos 300 mil vidas se tivesse tomado uma atitude em tempo hábil. Um caso de confesso crime humanitário por omissão? Talvez. O certo é que nunca será algo que passará por qualquer tribunal penal internacional.

A África não é a Europa nem a América (entenda-se “America”, como os estadunidenses costumam chamar seu país). Também não é a Ásia nem a América Latina, lugares de segunda categoria, mas nos quais repousa um interesse maior dos protagonistas do planeta. É um continente que caminha a passos largos para um exaurimento completo de seus recursos. Mais e mais pessoas morrem na África; as que querem sobreviver procuram principalmente a Europa.

Mas o fato é que o Ocidente (outra expressão que, no fim das contas, serve para dizer a respeito do mundo considerado “civilizado” mais do que do todo do hemisfério ao oeste de Greenwich) parece sempre ser “pego de surpresa” com notícias como a que se segue. Eis que no meio da madrugada, surge da TV o áudio com uma voz de timbre e ritmo já conhecidos:
“Um minuto de silêncio pelas vítimas do Mar Mediterrâneo. Quase seis horas de reunião e algumas divergências sobre como salvar as pessoas no mar. As verbas para as operações Triton, da União Europeia, e Posseidon, da Grécia, serão triplicadas. Os líderes decidiram que os países não serão obrigados a acolher imigrantes, mas devem ajudar quem está na linha de frente, como a Itália. A Grã-Bretanha ofereceu um navio e helicópteros, desde que ninguém vá para o Reino Unido. Quanto aos possíveis bombardeios aos barcos dos traficantes de seres humanos, só com a aprovação da ONU, declarou a primeira-ministra alemã, Angela Merkel. O premiê italiano, Matteo Renzi, anunciou que, na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estará em Roma para discutir a crise. O número de barcos navegando em direção ao sul da Itália diminuiu. Hoje chegaram quase 300 imigrantes à Sicília em botes. Os europeus também defenderam uma ação política e diplomática mais forte na África. Querem colaborar com os líderes africanos para tentar impedir a partida dos imigrantes.”

O texto (e a voz nele) era da correspondente Ilze Scamparini, para a matéria no “Jornal da Globo” de quinta-feira, 23 — na verdade apresentado na madrugada do dia seguinte —, à qual o apresentador William Waack fez uma abertura citando o número de “quase 2 mil” refugiados africanos mortos nas águas do Mar Mediterrâneo quando tentavam entrar na Europa. Só este ano. E estamos em abril. Uma pergunta a se fazer aqui, então: quantas vidas africanas precisam ser sacrificadas para merecer o olhar ocidental?

Entretanto, é preciso esclarecer que nem só africanos compõem a triste estatística. A travessia do Mediterrâneo serve a muita gente que não tem mais nada a perder, ou que perderia ainda mais se ficasse no lugar de origem: são pessoas que em grande maioria fogem de zonas de conflito, o que ocorre atualmente em grande escala principalmente na Síria e na Líbia, de forma mais aguda, e em vários pontos do continente africano, de modo mais crônico. O transporte dos refugiados é feito em botes ou barcos precários e superlotados, sem qualquer segurança e comandados por traficantes de humanos que se põem a navegar por lucros tão indignos quanto milionários. O passeio tem custo alto (pode chegar a mais de R$ 10 mil por cabeça) e risco tão grande quanto: a estimativa da ONU de que 21 mil pessoas empreenderam a aventura este ano diz que a possibilidade de morrer no trajeto está na casa de uma para 10.

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Sebastião Salgado: trabalho que forçou maior atenção à África |

Um brasileiro mais “herói”

Muitos chamam até hoje Ayrton Senna de “herói nacional”. Quem assistiu ao especial dos 50 anos de jornalismo da Rede Globo, semana passada, pode ouvir novamente essa expressão da boca de um de seus maiores propagadores, o narrador e dublê de falastrão Galvão Bueno.

Senna, pelo menos em vida, não foi herói algum. Um grande profissional no que fazia, mas longe de ser um redentor. O Instituto Ayrton Senna, criado por sua irmã, Viviane Senna, após sua morte, esse sim, tem um idealismo respeitável. Mas enquanto Senna fazia sua carreira nas pistas, outro brasileiro, o fotógrafo Sebastião Salgado, trabalhava de forma quase anônima mundo afora, especialmente em localidades pouco atraentes aos meios de comunicação, para registrar e denunciar crimes contra a humanidade.

Salgado pode ser visto como herói? Antes de ser considerado redentor, seu trabalho precisa ser entendido como o de um operário. Em 1984, quando Senna iniciava sua carreira, o mineiro de Aimorés iniciava a produção de “Sahel”, seu documento fotográfico sobre os horrores da guerra e da fome na África. Ele voltaria ao continente nos anos 90, para registrar refugiados de áreas de conflito, como fez em Ruanda e no Congo. Suas fotos contribuíram para que o mundo enxergasse aqueles dramas e forçaram ações.

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Campo de refugiados do conflito em Ruanda, nos anos 90: após 20 anos, situação do continente segue dramática e sem sinais de mudança para melhor

Em 2014, o olhar de Salgado virou filme. De observador passou a observado, pela lente do diretor alemão Wim Wenders, que dirigiu “O Sal da Terra”, documentário sobre a vida do fotógrafo que acabou sendo bastante laureado. Entre as temáticas que o brasileiro explorou na vida, o continente mais pobre e esquecido do globo sempre ganhou destaque. Polemizado por tratar com plasticidade a verdadeira tragédia humana, Salgado mostrou que a exposição de seres humanos cuja existência e sofrimento são desimportantes aos olhos do mundo pode incomodar.

A verdade que fica e cala fundo é simples: circulando pela Terra, pelo país, pela cidade, há vidas mais importantes e menos importantes. Há tragédias maiores e menores, dependendo com quem ocorram. A morte de uma só pessoa pode parar um país inteiro, como a de Ayrton Senna em 1994, ou a da princesa Diana, três anos depois. Por outro lado, a morte de centenas de milhares de seres humanos, ou quatro naufrágios de grande porte no mesmo mar em uma semana causam menos muito mobilização midiática do que a queda proposital de um avião. Sabe-se que o mórbido interessa; o que assusta é que a morbidez precise preencher pré-requisitos para ser divulgada.

A fuga da África não vai parar de ocorrer. Será preciso cada vez mais força à Europa para estancar a hemorragia do continente negro e de outras partes desfavorecidas do mundo, que padecem de falta água, de pão e de paz. O mundo invisível, pobre e miserável está cobrando a fatura.

Fonte: Jornal Opção

Desapegue, abra caminho, mostre a saída, despeça-se bem e deixe ir.

Desapegue, abra caminho, mostre a saída, despeça-se bem e deixe ir.

A gente se apega. Se apega e muito, tanto que não sabe soltar a mão do filho quando ele quer (e precisa) andar sozinho, não sabe soltar o sorriso quando o mau humor já até foi, não quer soltar a raiva quando ela já nem está mais lá, não larga o missa inteira de ladainhas e reclamações, mesmo quando ninguém está mais disponível para ouvir, não deixa ir o rancor, mesmo quando mais nenhum sentido ele faz…

O tempo de segurar junto do peito é real, tudo o que a gente passa na vida é para realmente ser vivido, doendo ou não, é o que molda a gente, o que faz a forma única e inconfundível de cada um. Mas tudo, absolutamente tudo, até a própria vida só dura um tempo, depois passa. Quando começa a esfriar, a acalmar, dissipar, atenuar, é preciso saber o momento de soltar, deixar ir. Deixar ir a tristeza, a raiva, as desilusões, mas também as risadas, os afetos, as promessas. Deixar ir é um ato inteligente, honesto, justo. Às vezes tudo volta. Outras, não volta nunca.  E assim é, às vezes nós voltamos, outras, jamais.

Como um elástico, a gente estica até onde ele vai, mas depois esgarça, perde a forma, ou pior, volta a nós com tal violência que deixa marcas doloridas. Saber o momento de largar é proteção e alívio. É garantia de mãos livres para alcançar e tocar no que tiver vontade.

Seja o que for, se já está passando, desapegue, abra caminho, mostre a saída, despeça-se bem e deixe ir.  Ao invés de conviver às turras com o que ansiava por ir embora,  decrete o fim da estadia. Sacuda as colchas, bata os tapetes, coloque os travesseiros no sol,  desfaça as tensões,  ajeite a postura, aproveite a porta aberta e siga sua vida. E mantenha por perto somente o que não estiver de passagem.

Discurso proferido por Mia Couto ao receber o título Doutor “Honoris Causa”, pela Universidade Politécnica de Maputo

Discurso proferido por Mia Couto ao receber o título Doutor “Honoris Causa”, pela Universidade Politécnica de Maputo

O livro que era uma casa. A casa que era um país

Por Mia Couto

Todos os povos amam a Paz. Os que passaram por uma guerra sabem que não existe valor mais precioso. Sabem que a Paz é um outro nome da própria Vida. Vivemos desde há meses sob a permanente ameaça do regresso à guerra. Os que assim ameaçam devem saber que aquele que está a ser ameaçado não é apenas um governo. O ameaçado é todo um povo, toda uma nação.

Pode não ser este o momento, pode não ser este o lugar. Mas é preciso que os donos das armas escutem o seguinte: não nos usem, a nós, cidadãos de Paz, como um meio de troca. Não nos usem como carne para canhão. Diz o provérbio que “sob os pés dos elefantes quem sofre é o capim”. Mas nós não somos capim. Merecemos todo o respeito, merecemos viver sem medo. Quem quiser fazer política que faça política. Mas não aponte uma arma contra o futuro dos nossos filhos. É isto que queria dizer, antes de dizer qualquer outra coisa.

Que me seja perdoado este empolgado introito. Que me seja perdoada a falta de etiqueta que deveria começar por saudar a presença do Presidente da República, o Presidente Jacinto Filipe Nyussi. Na verdade, Excelentíssimo Presidente, talvez eu tenha adiado esse momento porque um escritor não deveria nunca declarar-se sem palavras. Na verdade, sabendo da sua intensa e preciosa ocupação, eu não encontro palavras para lhe agradecer a honra da sua presença.

O que quero dizer é saudar o seu apelo para repensarmos o modo como nos concebemos como povo e como nação. Queremos ser parte desse esforço, queremos aprender a ser um país que não exclui, um país plural e diverso. Queremos ajudar a construir uma nação que assume, sem medo, as suas diferenças. Esta nova atitude pode ser a cura para uma espécie de autismo de que vínhamos padecendo. Quero saudar a presença do Presidente Joaquim Chissano, é um prazer imenso revê-lo.

É difícil imaginar quanto, mesmo ouvindo, podemos ser surdos. Seletivamente surdos. Escutamos os que nos são próximos, escutamos os que nos obedecem, escutamos o que nos agrada ouvir. Escutamos os do nosso partido, escutamos sobretudo quem não nos critica. Tudo o resto não existe, tudo o resto é mentira, tudo o resto é calúnia. Tudo o resto é proferido pelos “outros”. E é quase um paradoxo: porque se ocupam páginas inteiras dos jornais a dizer que os “Outros” não devem ser ouvidos. Gastam-se horas de programação radiofónica e televisiva para dizer que os outros não disseram nada. Esses “outros” que querem questionar o que fazemos, esses outros são “estranhos”, a caminho mesmo de serem “estrangeiros”. A verdade, porém, é que ninguém pode anular a existência desses “outros”. Ninguém pode negar que são moçambicanos. Ninguém pode saber se têm razão se não deixarmos que falem livremente. Esta é a grande lição do Presidente Nyussi que entendeu reconciliar uma nação apartada de si mesma. É ele que nos lembra que esses que dizem “não”, são da mesma família dos que dizem “sim”. Esta é uma mesma família que dispõe de uma única casa. Não existe outro lugar, não existe outro destino senão este que dá pelo nome de Moçambique.

Digo tudo isto sem qualquer embaraço. Porque todos nós, a começar por si, Senhor Presidente, queremos fugir da pratica da bajulação. Com a sua atitude de abertura e simplicidade, o Presidente sugere uma outra relação, mais próxima, mais verdadeira. Apesar de tudo, é fácil imaginar que junto a Vossa Excelência já se criou um cortejo de aduladores. Felizmente, veio da sua parte um sinal de alerta: assim que tomou posse, o Presidente Filipe Nyussi começou a receber gente que não batia palmas, gente que tinha interrogações e levantava críticas. Os seus ministros estão a fazer o mesmo, estão a escutar os que pensam diferente, estão a sentar-se com os que deixaram de ser ministros, estão a aprender desses outros que estavam condenados à condição de já terem sido alguém. Parece pouco perante os gigantescos problemas que enfrentamos. Mas esta forma de lidar com as pessoas pode sugerir uma outra forma de lidar com os grandes os desafios.

Por tudo isto queria muito dizer-lhe: muito obrigado, Senhor Presidente. Muito obrigado por nos ter devolvido a nossa dimensão de família. Muito obrigado por ter reabilitado o nosso estatuto de moradores na mesma casa. Durante muito tempo fomos conduzidos a construir fronteiras que nos separavam em pequenas nações dentro da grande Nação moçambicana. Durante muito tempo houve quem sugerisse que havia categorias de moçambicanos, uns mais autênticos que os outros. Ainda hoje sobrevive em alguns esse olhar de polícia de identidades. Ainda hoje há quem avalie os outros pela cor da sua pele, pela cor da tribo, pela cor do seu partido. Ainda hoje, há os que, em lugar de discutir ideias, atacam pessoas. E ainda prevalecem os que, em lugar de procurar soluções, procuram modos de esconder os problemas. Toda esta cosmética foi sendo feita em nome da unidade e do patriotismo. Toda esta encenação de normalidade é uma herança que pedia uma resposta firme. Esta resposta foi trazida por si. Sem grandes proclamações, mas de um modo firme e continuado. Conhecemos hoje essa sua mensagem: podemos ter os recursos que tivermos. Não disso é tão promissor como o nosso património humano feito de tanta gente tão diversa.

O Presidente está a criar uma dinâmica que é bem mais do que uma nova política. É uma nova cultura. E esta cultura pode marcar uma diferença em toda história de Moçambique. Parabéns por quanto já acendeu como esperança, parabéns pelo seu modo paciente, sem recurso ao autoritarismo, sem uso da demagogia fácil. Parabéns pelo caminho iniciado para devolver à política a sua dimensão ética e humana.

Magnífico Reitor, Professor Doutor Lourenço do Rosário

Dizem que os escritores são donos das palavras. Não são. As palavras, felizmente, não tem dono. Às vezes, sinto pena que assim seja. Porque se tivesse esse poder eu o aliviaria das formas de tratamento que são bem mais pesadas que estas minhas novas vestimentas.

Na verdade, o Professor Doutor Lourenço do Rosário não precisa do lustro de um título seja ele qual for. Lourenço do Rosário conquistou um lugar de respeito não apenas na academia mas na sociedade moçambicana como um homem empenhado com a sua gente e com a sua pátria. E essa autoridade moral que vem exercendo na sua função de mediador das conversações no Centro de Conferências Joaquim Chissano. Sabemos como é difícil encontrar, entre nós, personagens capazes de reunir tão amplo consenso. Somos uma nação que foi convidada a assumir-se em dualidades extremas. Os que defendem a lucidez da isenção foram sempre olhados com desconfiança.

As suas recentes palavras são um alerta para quem se esquece que o país não pertence a nenhum partido. Eu vou reproduzir essas suas palavras com o risco de o estar a citar por via dos jornais (e os jornais são mais criativos do que qualquer escritor). O Professor terá dito: “No fundo, o partido da oposição está a revelar a sua pretensão em cumprir aquilo que a gíria popular chama de “chegou a nossa vez”.

Traduzindo as suas palavras na linguagem da oralidade que Professor Rosário tão bem conhece o resultado poderia ser assim: é que para uns, a política é uma panela. É preciso comer muito e rápido porque a colher é muito disputada e a refeição pode durar pouco. Para outros, contudo, a política ainda é a nobre arte de servir os outros, a política ainda é a missão de colocar acima de tudo os interesses de todos. Possivelmente quem tanto reclama contra a partidarização não está contra o princípio em si mesmo. Quer, sim, partidarizar a dois. Não me importa o nome dos partidos. A minha questão não é tanto de ordem política que, para isso, pouca vocação me resta. É uma objecção de natureza moral. Importa-me como cidadão que persista, em alguns dirigentes moçambicanos, a ideia de que Moçambique é um quintal privado. Um quintal cujo destino é ser parcelado, conforme interesses e conveniências.

Permita-me Senhor Reitor que, apesar da solenidade deste acto, o trate pelo qualificativo mais honroso que conheço que é o de “professor”. Não existe outro título que a mim mais me honre. Durante anos, dei aulas em diferentes faculdades em Maputo. Ainda hoje, passados quase dez anos, esses meus alunos passam por mim e tratam-me por professor. Não podem imaginar o quanto isso me comove e quanto receio não ter tamanho para encher aquela palavra. Professor não é quem dá aulas. É quem dá lições. Não é aquele que vai à escola ensinar. É aquele cuja vida é uma escola.

Pois o nosso Professor Lourenço do Rosário chamou-me há uns meses para me comunicar que a Universidade Politécnica me tinha escolhido para receber este grau académico. Ele confessou que receava que eu não aceitasse esta distinção. Não sou uma pessoa de títulos, nem de honrarias. Mas não fui capaz de dizer que não. Por causa da pessoa que me falava, por causa da instituição que ele representava. Ainda tive coragem de lhe perguntar: mas a cerimónia vai ser com protocolos de fardas, discursos e chapéus? E ele respondeu laconicamente: vai ter que ser. E aquele “vai ter que ser” não deixava espaço para negociação.

Demorei meses a me habituar à ideia desta tão solene solenidade. Quando pensava que já me tinha conciliado com o fantasma das vestimentas, aconteceu um pequeno e infeliz incidente. É que tive a triste ideia de mostrar aos meus netos fotografias de uma outra cerimónias de doutoramento. E um deles, entusiasmado, perguntou: mas, avô, vais ter que vestir estas saias compridas? Pois eu quero aproveitar este momento para tranquilizar a minha querida companheira, a Patrícia, que está ali sentada e dizer-lhe o seguinte: Patrícia, por baixo destas longas saias continua a estar um homem de calças.

Quero falar ainda de Luis Bernardo Honwana, o meu padrinho. A palavra “padrinho” ganhou nos dias de hoje uma conotação deslustrosa e, a partir de agora, haverá mesmo, meu caro Luís Bernardo, quem te peça para dares um jeito e arranjes umas vestimentas para algum amigo carente de títulos. Quero dizer, no entanto, que, no teu caso, me reencontro plenamente naquilo que é a etimologia da palavra “padrinho” que é o guia e de norteador. Na verdade, há muito que o Luís Bernardo, sem o saber, vem cumprindo esse papel de modelo na minha actuação como escritor e como pessoa. É preciso repetir aqui o quanto nós, escritores moçambicanos, somos devedores a Luís Bernardo. O que ele nos deixou como legado é bem mais do que ele escreveu. É uma espécie de manifesto inaugural, uma instauração de caminhos que nós depois viemos a trilhar. Luís Bernardo Honwana, José Craveirinha, Noémia de Souza e o João Dias foram os primeiros 4 vértices dessa construção de vozes que, a um certo momento proclamaram: nós queremos escrever a história com a nossa própria caligrafia. Luís Bernardo, bem sei que és avesso a estes tratos: mas eu não posso deixar de expressar a minha infinita gratidão por seres quem és: uma figura tutelar e inspiradora na escrita, na vida e no pensamento.

Há aqui algo que devo ainda revelar: comecei a trabalhar como jornalista exatamente no mesmo jornal em que LBH se havia iniciado também como repórter. Esse jornal chamava-se a TRIBUNA. Aquele foi um tempo muito curioso porque havia um jogo de descobertas. Havia um jornalismo que andava à procura do seu próprio país; mas havia também um país que andava à busca de um jornalismo que fosse seu. E essa dupla procura pedia um jornalismo feito paredes meias com a literatura. Não foi por acaso que não apenas o Luís Bernardo mas José Craveirinha, Rui Knopfli, Carneiro Gonçalves e o Luis Carlos Patraquim foram todos eles jornalistas e escritores. Eu devo muito a essa gente, a esse ambiente de inconformismo que reinava na redação dos jornais. Recordo o primeiro dia que me apresentei na redacção e fui chamado por alguém que eu venerava como poeta e que era o Rui Knopfly. E ele perguntou: queres ser jornalista? E antes mesmo de eu responder ele passou-me uma folha de papel. Nessa folha estava reproduzida uma frase de um cantor norte americano chamado Frank Zappa. E a frase dizia o seguinte: “o jornalismo de hoje consiste em colocar jornalistas que não sabem escrever, entrevistando pessoas que não sabem falar, para pessoas que não sabem ler. ” Foi um bom começo de profissão.

Lembrou Luis Bernardo Honwana os meus pais. E estou grato por essa lembrança que faz justiça à história da minha família. Tudo o que sou vem daí, aquela é nascente do meu Tempo e do tempo dos filhos, dos netos e dos que vierem depois. O mundo em que nasci e me fiz homem alimentava-se do preconceito. Criava muralhas para separar e graduar as raças. As muralhas não ofendiam apenas os que ficavam do lado de lá. Os do lado de cá, convertiam-se eles mesmos em estereótipos. Éramos, de um e do outro lado, diminuídos pelo medo e pelo desconhecimento. Acreditamos que o efeito dos preconceitos raciais e tribais é o de tentar desvalorizar uma outra raça. E isso é verdade. Esses preconceitos resultam também numa outra pérfida consequência que é a negação da existência de pessoas singulares, cada uma com a sua identidade própria. Eis o que faz o racismo, o sexismo e o tribalismo: cada pessoa deixa de ser uma criatura única, passando a ter a identidade do seu grupo. Deixa-se de ter um rosto, uma voz, uma alma: passamos a ser identificados por um rótulo geral: os negros, os brancos, os matsuas, os macuas, os do Norte, os do Sul. Fala-se de alguém e há uma voz que diz: ah, já sei como ele é, conheço esses tipos.

Caros amigos

Irei falar sobre a erosão dos valores morais e de como pode um escritor ajudar na reabilitação do tecido moral da sociedade.

Escolhi este tema porque não conheço ninguém que não se lamente da perda de valores morais. Este é um assunto sobre o qual temos um imediato consenso nacional. Todos estão de acordo, mesmo os que nunca tiveram nenhum valor moral. E até os que tiram vantagem da imoralidade, até esses, depois de lucrarem com da ausência de regras, se queixam que é preciso travar a falta de decoro.

Um dos caminhos que nos pode ajudar a resgatar essa moral perdida pode ser o da literatura. Refiro-me à literatura como a arte de contar e escutar histórias. Falo por mim: as grandes lições de ética que aprendi vieram vestidas de histórias, de lendas, de fábulas. Não estou aqui a inventar coisa nenhuma. Este é o mecanismo mais eficiente e mais antigo de reprodução da moralidade. Em todos os continentes, em todas as gerações, os mais velhos inventaram narrativas para encantar os mais novos. E por via desse encantamento passavam não apenas sabedoria mas uma ideia de decoro, de decência, de respeito e de generosidade.

Há certa de trinta anos atrás Graça Machel – que era então Ministra da Educação – convocou um grupo de escritores para lhes dizer que estava preocupada. Estou preocupada, disse ela, estamos a ensinar nas escolas valores abstractos como o espírito revolucionário, do patriotismo, o internacionalismo. Mas não estamos a ensinar valores mais básicos como a amizade, a lealdade, a generosidade, o ser fiel e cumpridor da palavra, o ser solidário com os outros. E ela pediu-nos que escrevêssemos histórias que seriam publicadas nos livros de ensino. Graça Machel tinha a convicção que uma boa história, uma história sedutora, é mais eficiente do que qualquer texto doutrinário.

Eu queria ilustrar o poder das histórias com dois pequenos exemplos. Nestes próximos momentos partilharei convosco duas vivências e o modo como essas experiências produziram em mim duradouras lições.

O primeiro episódio – uma nação à procura de um hino

Ainda há pouco entoamos nesta sala o Hino Nacional. Este hino tem uma história e eu estou ligado a essa história. Aconteceu assim: no início da década de 80, Samora Machel decidiu que o Hino Nacional então vigente deveria ser mudado. Ele tinha razão: a letra era mais um louvor à própria Frelimo do que de uma exaltação da nação moçambicana. Estávamos ainda longe do multipartidarismo, mas Samora tomou essa decisão. E nessa maneira que era a sua, “requisitou” 4 poetas e 5 músicos e fechou-os numa moradia na Matola com a incumbência de produzirem não uma, mas várias propostas de hinos. Eu era um dos 4 poetas. Eram tempos de guerra, a única coisa que havia nas lojas eram prateleiras vazias. Todos os dias saímos de casa com uma única obsessão: o que trazer para comer para a nossa família. Pois, nessa altura, de repente, estávamos numa casa com piscina, rodeado de mordomias e servidos de comida e bebida. Confesso que nos primeiros dias ficamos de tal modo fascinados que pouco trabalhávamos. Quando, a meio da tarde, escutávamos as sirenes dos carros dos dirigentes nós corríamos para o piano e improvisávamos um ar de grandes cansaços. Ao fim da tarde, eu e os meus colegas entregávamos às nossas esposas que nos vinham visitar, recipientes com a comida que cada um de nós tinha poupado durante o dia. E foi assim que, ao fim de uma semana, produzimos uma meia dúzia de hinos que foram ensaiados por um grupo coral e apresentados a uma comissão avaliadora. Havia duas propostas que mereciam a nossa preferência: uma delas era esta que agora é o nosso hino nacional, a Pátria Amada. A outra era baseada numa composição do maestro Chemane e tinha um estribilho que dizia: “Pátria de heróis! Levanta a tua voz! Viva Moçambique, povo unido, A estrela do amanhã brilhará!” O grupo coral que apresentou esta proposta em vez de Pátria de Heróis cantava: “Pátria de arroz” e a proposta ficou esquecida.

O que sucedeu é que, por razão que desconheço, a iniciativa de Samora não teve seguimento. Samora morreu, o grupo de artistas foi desfeito e cada um de nós voltou para a bicha à espera do repolho e do carapau. E nunca mais nos lembramos do que havíamos feito.

Uma década depois, o novo parlamento pluripartidário procurava um novo hino nacional. E eu fiz parte de um grupo de trabalho criado pela Assembleia da República. Esse grupo juntava pessoas apontadas pelo Partido Frelimo e pela RENAMO. Devo dizer que trabalhamos de facto juntos, num ambiente de concórdia tal que nos esquecíamos de que representávamos duas forças rivais. Fizemos dois concursos públicos mas as propostas recebidas eram todas elas muito fracas. O falecido Albino Magaia publicou então um artigo relembrando os hinos que, dez anos antes, um grupo de artistas havia criado. E foi assim que se resgataram esses registos quando estávamos nos últimos dia de trabalhos da assembleia. Escolhemos o Patria Amada com algumas dúvidas. O que não havia dúvida, porém, era que se o hino não fosse aprovado naquele dia, ter-se-ia que esperar pela próxima sessão meses depois. E aquela era uma questão de enorme sensibilidade e urgência.

Pois nesses derradeiros momentos, os colegas da RENAMO colocaram objecções sobre algumas passagens da letra. Para dizer a verdade, a maior parte dessas objeções tinha sentido. porque alguns dos versos daquela letra eram realmente marcados pelo tempo de revolução. Já não se exaltava nenhuma força política. Mas falava-se de proletários, falava-se no Sol vermelho. Pedi ao grupo de trabalho uns minutos e, ali num quarto ao lado, alterei as passagens que suscitavam polémica. Foi ali que surgiu o “Sol de Junho”, por exemplo, para substituir o Sol Vermelho. E o hino foi aprovado pelo grupo e transferido para debate entre os deputados.

Curiosamente uma das passagens que suscitou mais objecções foi essa que diz “Nós juramos por ti Moçambique, nenhum tirano nos irá escravizar”. Alguns deputados achavam que aquilo não devia estar ali. Porque, segundo eles, nunca teríamos em Moçambique a ameaça de um tirano. Todos os países do mundo podem sofrer essa eventualidade. Nós, não. Não imagino como se pode sustentar essa certeza. Subsiste a ideia ingénua que nós, moçambicanos, estamos, por qualquer razão divina, acima dos comuns mortais. Mas nós somos humanos e existirão entre nós aqueles, que na ganância do mandar, já são tiranos antes mesmo de conquistarem o Poder. Ainda bem, caros amigos, que essa estrofe não foi retirada. Há muitos modos de ser tirano. Há vários modo de ser escravo. E é bom que o nosso hino nos encoraje a não aceitar nenhum forma de tirania ou de escravatura.

Segundo episódio – O não discurso de Samora

No Quarto Congresso da Frelimo, em 1983, fui designado como responsável do Gabinete de Imprensa. Nós, os jornalistas, ficávamos confinados a um compartimento envidraçado, numa espécie de aquário suspenso sobre a grande sala. Na altura, nós já produzíamos emissões de televisão para além, é claro, da rádio e dos jornais. Logo no inicio dos trabalhos, Samora Machel subiu ao pódio para usar da palavra. Trazia consigo o Relatório do Comité Central que era, à maneira dos partidos revolucionários, um documento volumoso. Assim que começou a ler, Samora teve uma breve hesitação, colocou os papéis na bancada e falou de improviso. Foi um improviso breve mas o que ele disse foi, para mim, mais importante e mais duradouro que o extenso relatório do Comité Central. Inclinado sobre o pódio, como se ganhasse a proximidade de uma confidencia, Samora convertei a solene Sala de Congressos num espaço com intimidade familiar. E falou do seu sentimento de estranheza ao ver-se como um ex-guerrilheiro agora rodeado de facilidades, cercado pelas obrigações protocolares e de segurança de um palácio presidencial. E disse mais, falou daquilo que ele chamou das “balas doces do inimigo”. Referia-se às formas mais subtis de sedução e de corrupção que, no seu entender, eram mais perversas que as verdadeiras balas. E ele interrogou-se se os seus companheiros estariam preparados realmente para esse embate, se estavam preparados para enfrentar as balas de açúcar. A sala estava suspensa naquela confidência. A rádio e a televisão transmitiam em direto aquele desabafo do Presidente. E escutavam-se não só as palavras mas os silêncios e a respiração inquieta do presidente. Naquele momento, um oficial do protocolo entrou na Gabinete de Imprensa e entregou-me um papel com uma instrução rabiscada que dizia: interrompam imediatamente a transmissão. Aquilo foi, para mim, um balde de água fria. Porque me parecia, como jornalista e como cidadão, que estava ali a acontecer tinha um alcance didático que não poderia ser recuperado se perdêssemos a transmissão. Mas havia naquele bilhete uma ordem que eu não tinha modo de refutar. Ocorreu-me uma pequena manobra de diversão. Eu queria apenas uns minutinhos adicionais. Quem sabe o Presidente não usasse mais que esses minutos? E escrevi o seguinte nas costas no bilhete: desculpe, não entendo bem a assinatura, não se importa de identificar melhor, afinal é o Presidente quem está falar…. Dobrei muito lentamente a folha e pedi ao mensageiro do protocolo que fosse de volta. Aquele vai e vem deu-me tempo para que o presidente terminasse o seu improviso em transmissão direta.

De toda a minha carreira de onze anos de jornalismo talvez tenha sido este o momento maior. Porque estava ali um dirigente de uma nação que se despia do seu estatuto infalível e partilhava não uma certeza, mas a confissão de uma insegurança, de um fragilidade. Estava ali não um líder revolucionário discursando em voz alta, mas um homem dobrado pela angústia e murmurando dúvidas sobre o quanto valera a pena toda a sua luta.

Durante um intervalo desse mesmo congresso tive a oportunidade de me sentar com um grupo de veteranos da luta de libertação nacional. E eles foram relatando como saíram clandestinamente do país para se juntarem à luta nacionalista. Alguns desses homens confessaram que o principal motivo da sua fuga não era a libertação da pátria. O que os movia a sair de Moçambique era poderem estudar. E quando, na Tanzania, receberam a notícia que, em vez de estudar, iriam combater esses militantes foram assaltados por dilacerantes dúvidas. Alguns pensaram em desertar e fugir dos campos de treino. Foi isto que confessaram. E eu pensei que havia mais coragem naquela confissão, do que em toda a sua arriscada odisseia. Aquelas pequenas histórias humanizavam a narrativa solene e oficial que apresenta a epopeia dos nacionalistas como um desfile de super-homens. Afinal, o ninguém nasceu herói. Ele cresceu, teve duvidas, sentiu medo. A bravura maior não está no modo como combateu aos outros. A grande coragem está no combate interior, esse que fazemos para nos superar a nós mesmos.

Falei-vos há pouco dessa proposta de hino chamada Pátria de heróis que foi entoada como Pátria de Arroz. Lembro-me que, na altura, até gostei do equívoco dos cantores, porque me vieram à memória as palavras de Albert Camus quando recordava a Argélia onde ele nasceu e dizia: “Pobre do país que precisa de heróis”.

Naquela altura achei que talvez fosse preferível uma pátria de arroz a uma pátria de heróis. A verdade é que a nossa epopeia nacional foi apropriada por um discurso vazio de exaltação patrioteira.

O resultado é que as nossas ruas e praças estão recheadas de nomes de heróis. A esses heróis, porém, falta-lhes rosto, falta-lhe voz, falta-lhes vida. Herdámos uma história heroica de heróis sem história. Só temos a História com H maiúsculo. Faltam-nos as pequenas histórias, falta-nos os pequenos episódios que seduzem a imaginação e sustentam a memória.

Caros amigos

Um dia destes, um jovem funcionário propôs-me o pagamento de um suborno para emitir um documento. Aquilo não correu bem porque ele, num certo momento, reconheceu-me e recuou nos seus propósitos.

Para se redimir o jovem explicou-se da seguinte maneira:

– Sabe, senhor Mia eu gostava muito de ser uma pessoa honesta, mas falta-me o patrocínio.

Não será exatamente o patrocínio que nos afasta da honestidade. O que nos falta é criar uma narrativa que prove que a honestidade vale a pena. Houve quem confundisse o combate contra a pobreza absoluta pelo combate pela ganância absoluta. Sugeriram-nos que a auto estima pode ser resolvida pela ostentação do luxo.

Uma certa narrativa quer ainda provar que vale a pena mentir, que vale a pena roubar, e que vale a pena tudo menos ser honesto e trabalhar. Aliás, a palavra “trabalho” suscita fortíssima alergias. Pode-se ter negócios, pode-se ter projetos. Mas ter um trabalho isso é que nunca. Que o trabalho leva muito tempo e, além disso, dá muito trabalho. Mas, no fundo, todos sabemos: enriquecer rápido e sem esforço só pode ser feito de uma maneira: roubando, vigarizando, corrompendo e sendo corrompido. Não existe, no mundo, inteiro, uma outra receita.

Preocupa-nos que os nossos estudantes entrem para universidade com fraco desempenho académico. Pois eu acho mais preocupante ainda que os nossos jovens cresçam sem referências morais. Estamos empenhados em assuntos como o empreendedorismo como se todos os nossos filhos estivessem destinados a serem empresários. Ocupamos em cursos de liderança como se a próxima geração fosse toda destinada a criar políticos e líderes. Não vejo muito interesse em preparar os nossos filhos em serem simplesmente boas pessoas, bons cidadãos do seu país, bons cidadãos do mundo.

Escrevi uma vez que a maior desgraça de um país pobre é que, em vez de produzir riqueza, vai produzindo ricos. Poderia hoje acrescentar que outro problema das nações pobres é que, em vez de produzirem conhecimento, produzem doutores (até eu agora já fui promovido..,) . Em vez de promover pesquisa, emitem diplomas. Outra desgraça de uma nação pobre é o modelo único de sucesso que vendem às novas gerações. E esse modelo está bem patente nos vídeo-clips que passam na nossa televisão: um jovem rico e de maus modos, rodeado de carros de luxo e de meninas fáceis, um jovem que pensa que é americano, um jovem que odeia os pobres porque eles lhes fazem lembrar a sua própria origem.

É preciso remar contra toda essa corrente. É preciso mostrar que vale a pena ser honesto. É preciso criar histórias em que o vencedor não é o mais poderoso. Histórias em que quem foi escolhido não foi o mais arrogante mas o mais tolerante, aquele que mais escuta os outros. Histórias em que o herói não é o lambe-botas, nem o chico-esperto. Talvez essa histórias sejam o tal patrocínio que faltou ao nosso jovem funcionário.

Tudo isto é urgente e imperioso. Porque nós estamos na eminência de desacreditar de nós mesmos. Todos nós já escutámos de alguém a seguinte desistência: não vale a pena, nós somos assim. Nós somos cabritos à espera de ser amarrados num qualquer pasto. Estamos a aprender a desqualificarmo-nos. Estamos a replicar o racismo que outros inventaram para nos despromover como um povo de qualidade moral inferior.

E vou terminar partilhando um episódio real que foi vivido por colegas meus. Depois da Independência, um programa de controlo dos caudais dos rios foi instalado em Moçambique. Formulários foram distribuídos pelas estações hidrológicas espalhadas pelo país. A guerra de desestabilização eclodiu e esse projeto, como tantos outros, foi interrompido por mais de uma dúzia de anos. Quando a Paz se reinstalou, em 1992, as autoridades relançaram esse programa acreditando que, em todo o lado, era necessário recomeçar do zero. Contudo, uma surpresa esperava a brigada que visitou uma isolada estação hidrométrica no interior da Zambézia. O velho guarda tinha-se mantido ativo e cumprira, com zelo diário, a sua missão durante todos aqueles anos. Esgotados os formulários, ele passou a usar as paredes da estação para registar, a carvão, os dados hidrológicos. No interior e exterior, as paredes estavam cobertas de anotações e a velha casa parecia um imenso livro de pedra. Ao receber a brigada o velho guarda estava à porta a estação, com orgulho de quem cumpriu dia após dia: acabou-se o papel, disse ele, mas o meus dedos não acabaram. Este é o meu livro. E apontou para a casa.

E esta é a história com que termino.

Por Mia Couto

A educação deve ser pensada durante a vida inteira’, diz Zygmunt Bauman

A educação deve ser pensada durante a vida inteira’, diz Zygmunt Bauman

“Nosso sistema educacional é um poderoso mecanismo de, cada vez mais, reproduzir os privilégios entre gerações”, diz Zygmunt Bauman em entrevista ao jornal O Globo. Criador do conceito de modernidade líquida, forjada pelas relações efêmeras do presente, o célebre filósofo fará uma conferência magna no encontro Educação 360, no dia 12 de setembro, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista, ele reflete sobre o aprendizado e os desacertos da sociedade em relação ao ensino. Leia abaixo:

Qual a diferença entre educar na era pré-moderna e na modernidade líquida dos dias atuais?
Zygmunt Bauman: Muita coisa se transformou no trabalho dos professores. Como o educador E. O. Wilson observou, “estamos nos afogando em informação e, ao mesmo tempo, famintos por sabedoria”. A cada dia, o volume de novas informações excede milhões de vezes a capacidade do cérebro humano de retê-las. A mudança da sociedade moderna de sólida para um estágio líquido coincide, segundo a terminologia de Byung-Chul Han (teórico sul-coreano), com a passagem da “sociedade da disciplina” para a “sociedade de desempenho”. Esta última é, principalmente, a sociedade de desempenho individual e da “cultura de afundar ou nadar sozinho”. Mesmo indivíduos emancipados descobrem que eles mesmos não estão à altura das exigências da vida individualizada.

Então, é preciso mudar esse pensamento individualizado?
Zygmunt Bauman: Nosso sistema educacional é um poderoso mecanismo de, cada vez mais, reproduzir os privilégios entre gerações. Nos Estados Unidos, 74% dos estudantes que frequentam as universidades mais competitivas vêm das famílias mais ricas, e 3%, das mais pobres. Além disso, muitas escolas e universidades induzem à fácil ideologia de que empregos bem remunerados são os únicos objetivos da universidade. Esses são apenas uns dos desafios, erros e negligências da educação contemporânea.

E como será no futuro?
Zygmunt Bauman: Uma coisa certa é que, num cenário líquido, rápido e de mudanças imprevisíveis, a educação deve ser pensada durante a vida inteira. O resto vai depender de nossas escolhas dentro do que é possível para essa obrigação. E deixa eu enfatizar que esse “nós” que faz as escolhas não é limitado aos profissionais de educação. Para citar Will Stanton (professor australiano), que nos mantém alerta de que há muitos que pretendem ensinar nossos filhos apenas a obedecer: “Devemos aceitar autoridade como verdade em vez da verdade como autoridade”. Ele ainda diz: “O que é a mídia mainstream se não outra plataforma de ‘educação’ defendendo a autoridade como verdade? Nós sentamos em frente ao noticiário noturno e escutamos âncoras e repórteres nos dizendo o que pensar, a quem apontar nossos dedos, porque nosso país precisa ir para a guerra e com o que a gente deve se horrorizar”. Considere ainda o tremendo impacto da indústria da publicidade em nós mesmos ou no que as crianças aprendem ou no que elas foram levadas a esquecer. Por exemplo, crianças não nascem inseguras. A publicidade é que as deixa apavoradas com o que as outras pessoas pensam delas.

O sucesso mundial das redes sociais é um produto da modernidade líquida ou aspecto transformador dela?
Zygmunt Bauman: As duas coisas. Nós estamos seduzidos pelos recursos das mídias digitais por causa do nosso medo de sermos abandonados. Mas uma vez imerso na rede de relações on-line, que tem uma falsa ideia de ser facilmente manuseada, nós perdemos ou não adquirimos habilidades sociais que poderiam (e deveriam) nos ajudar a extirpar as causas dos medos que vêm do mundo off-line. Assim, as redes sociais são, simultaneamente, produto da modernidade líquida e a sua válvula de escape.

O senhor afirma que o fato de a educação superior não garantir mais ascensão social é um problema para a educação tal qual conhecemos. Qual a solução para esse problema?
Zygmunt Bauman: Ascensão social é uma sinfonia, não um canto gregoriano monofônico. A educação superior é apenas um dos muitos sons que se fundem na melodia, e um dos muito poucos instrumentos que contribuem para sua evolução. Nós configuramos o problema e torcemos por soluções, como o ensino superior, porque alguns desses “nós” que se preocupam, pensam e escrevem sobre o problema têm ensino superior e passaram anos sendo ensinadas que vivemos em uma “sociedade do conhecimento” que continua sendo transformada pelo tipo de conhecimento definido, armazenado e distribuído por universidades. Isso não é necessariamente correto — pelo menos até quando isso permanecer sem ressalvas. O que nós percebemos como ascensão social é um rio cuja trajetória resulta de vários afluentes. Mais e mais pessoas por trás das mudanças sociais que chamamos de “ascensão” desistiram da universidade ou nunca entraram nela.

Em seu novo livro, “A riqueza de poucos beneficia todos nós?”, o senhor reflete sobre as desigualdades sociais. Qual é o papel da educação nesse contexto?
Zygmunt Bauman: O sistema universitário de hoje foi incorporado pela economia de mercado capitalista. Ele serve como um outro mecanismo na reprodução de privilégios e aprofundamento das desigualdades sociais. Como diz Fareed Zakaria (escritor americano), enquanto um rapaz de 18 anos da Califórnia recebia a melhor educação possível nos anos 60 “sem qualquer custo”, no ano passado os alunos precisavam pagar uma taxa de matrícula de US$ 12.972 se tivessem nascido no estado; se não, o valor sobe para US$ 22.878 (sem incluir custo de moradia e alimentação; o valor total do momento da matrícula até o diploma ficaria perto de US$ 50 mil por ano para não residentes). Poucos entre os milhões de pais amorosos e cuidadosos têm possibilidades de garantir um valor dessa magnitude.

Por BRUNO ALFANO
Fonte indicada: O Globo

Dica de livro: Como curar suas feridas emocionais

Dica de livro: Como curar suas feridas emocionais

Informações Técnicas

Autor(a): Guy Winc
Título: Como Curar Suas Feridas Emocionais
Subtítulo: Primeiros Socorros para a Rejeição, a Culpa, a Solidão, o Fracasso, e a Baixa Autoestima
ISBN: 9788543101033
Páginas: 272
Editora: Sextante
Ano: 2014
Onde encontrar: Submarino, Saraiva, Cultura

 

Acostumado a ver seus pacientes sofrendo por problemas emocionais, o terapeuta Guy Winch se perguntava se haveria uma forma de ajudá-los a aliviar essa dor antes que ela se tornasse mais grave, como um kit de primeiros socorros psicológicos a que pudessem recorrer para superar as decepções do dia a dia.

Assim, debruçando-se sobre as pesquisas científicas mais atuais no campo da psicologia, ele desenvolveu técnicas práticas para ajudar seus pacientes a lidar sozinhos com algumas das adversidades emocionais mais comuns: culpa, rejeição, fracasso, perda, pensamentos obsessivos, baixa autoestima e solidão.

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Neste livro, ele apresenta os melhores tratamentos para cada um desses males psicológicos, mostrando como identificá-los, como vencê-los e até mesmo quando é necessário largar o livro e procurar ajuda profissional.

Com uma abordagem bem-humorada e realista, Como curar suas feridas emocionais traz diversos estudos de caso que vão fazer o leitor se identificar e descobrir que atitudes tomar em sua própria vida.

E, o mais importante: vai mostrar que até as dores mais intensas, quando vistas de outra perspectiva, podem trazer ensinamentos fundamentais para a jornada rumo à felicidade.

Onde encontrar: Submarino, Saraiva, Cultura

Ela dança como se não houvesse ontem – sobre  demência e Alzheimer

Ela dança como se não houvesse ontem – sobre  demência e Alzheimer

Ela lembrava de todas compras que precisava fazer naquele dia. Também lembrava das notas que eu precisava tirar para passar de ano. Ela lembrava de uma malcriação feia que eu fiz e a magoou muito, em uma noite de Natal. E lembrava que a conta do telefone iria vencer no dia 16. E por toda a vida foi assim, a mulher que foi a minha referência,  que trabalhava fora, que cuidava da casa, era vaidosa e bem cuidada, bastante religiosa e faladeira como toda geminiana é. Herdei o signo dela, mas nem tanto a memória. Preciso ter tudo anotado e rabiscado depois de cumprido.

Hoje, ela ainda lembra de mim, mas me recebe com um sorrisão e fala alto: Minha mamãe chegou! Não lembra mais a mulher que foi, não lembra quem é direito, não lembra de quase nada. Hoje só gosta de dançar. E dança muito. E quase não dançava quando era mais nova, quando lembrava de tudo. Era sisuda, brava,  não tinha conversa mole com ela.

Um dia, ela esqueceu uma coisa. No outro, falou uma bobagem que fez todos rirem. E a mulher sisuda aos poucos foi se desfazendo, e dessa mulher agora quase nada resta. Em seu lugar, mora uma criança de 86 anos, que dá risada quando se dá conta que está de fraldas, que abraça e beija qualquer pessoa que queira seu carinho, que esqueceu e fez todos esquecerem de quem ela realmente já foi.

No começo foi muito difícil, quase impossível suportar. Inúmeras tentativas de trazê-la de volta. Mas de onde para onde? E ela olhava com os olhos perdidos, sem nada entender. E todos sofriam. Mas o tempo passa, a doença avança, e a gente finalmente entende que a guerra acabou. E não é uma guerra propriamente perdida. É acabada mesmo, porque um dos lados simplesmente deixou de lutar e aceitou, e aprendeu a conviver com as mudanças que o lado mais forte imputou. Nós, os parentes, a torcida,  é que demoramos mais do que deveríamos para perceber o tratado de paz que a vida impôs.

A mulher que me conhece melhor do que ninguém, hoje por vezes me desconhece, não mora mais conosco, precisa de cuidados, mas a cada visita eu conheço uma mulher nova, mais infantil, mais inocente. E em todas essas mulheres, eu me reconheço um pouco. Continue dançando, Mãe!

Qual a sua zona cinza?

Qual a sua zona cinza?

Por Sylvio Ribeiro

Você se considera flexível desde que as coisas sejam feitas do seu jeito e é mais fácil nevar em Recife do que convencer você a fazer o que não está afim. Agora responda, com que frequência você faz concessões com o único objetivo de pegar leve, deixar a vida te levar pelo menos 2 horinhas de um sábado à noite?

Falo com tanta convicção porque todos nós somos assim, uns menos outros sempre, mas somos assim, e se não estivermos atentos, nos tornaremos pessoas chatas, amargas e que deixará escapar pequenos grandes momentos da vida.

No verão deste ano, eu tive uma das melhores férias da minha vida. Não viajei para Europa ou conheci uma cidade diferente no Brasil, eu fui para a minha cidade natal com a mulher da minha vida. Pela primeira, vi a minha família reunida em sua totalidade. Minha mãe com seus três filhos, dois genros, uma nora e dois netos. Havia dois anos que eu não via minha irmã mais nova e era a primeira vez que a minha namorada visitava a cidade. Um dos primeiros passeios que fizemos foi visitar um parque ecológico que levamos mais de 2 horas para chegar. Chegamos famintos e como e como era de se esperar, todos os pratos eram com peixe, camarão ou frango. Como vegetariano, normalmente eu teria ficado indignado e me alimentaria apenas de arroz. Mas vendo que não tinha outra alternativa e estava rodeado das pessoas que mais amo e só vejo uma vez por ano, pedi um vatapá (prato típico feito com dendê, camarão e folhas. Não é o mesmo servido na Bahia).

queles camarões foram os únicos pedaços de carne que eu ingeri em anos (e estavam deliciosos, admito). Essa exceção, ou concessão que você faz em determinada circunstância é o que os americanos chamam de gray area. Achei o termo “zona cinza” interessante desde a primeira vez que li em um livro do Jonathan Safran Foer. Interessante, mas não dei bola. Tempos depois pesquisando sobre isinglass (um componente animal presente em algumas cervejas) encontrei uma blogueira americana falando sobre a sua zona cinza Novamente, continuei não dando bola.

O que acontece quando um vegetariano convicto ama uma onívora inveterada? A 3ª Guerra Mundial! É um restaurante que não tem nada sem carne, um churrasco entre amigos que faz você levar comida de casa, uma receita que precisa ser modificada e por aí vai. Foi então que comecei a pensar na minha zona cinza, porque essas situações incomodavam ela e, consequentemente, a mim. Quais concessões eu poderia fazer, esporadicamente, que não comprometesse as minhas crenças nem o meu relacionamento? Eu poderia comer um pedaço de peixe a cada 2 meses, não poderia? Iria morrer por isso? (O The New York Times inaugurou uma nova coluna semana passada, chamada The Flexitarian, abordando justamente essa flexibilidade alimentar.) Decidi que não comeria carne vermelha e evitaria o frango, mas peixe e camarão eu abriria exceção de vez em quando. Também passei a permitir o uso de caldo de galinha quando ela cozinha. Cintos e sapatos de couro continuarão na zona cinza, devido a sua alta durabilidade. Para a blogueira americana, marshmallows faziam parte da sua zona cinza, para mim não. Você pode achar tudo isso uma besteira, mas todo mundo tem convicções que são uma tremenda besteira para os outros. E já que provavelmente você não é vegetariano, então pense na zona cinza como uma pergunta: O que você se permite fazer?

As zonas cinzas estão diretamente ligadas às nossas convicções. Acho importante termos um estilo musical definido, um jeito de vestir próprio e sem dúvida ter opinião própria é fundamental. Mas ninguém suporta alguém chato que não muda de ideia, não cede, não abre uma exceção sequer. Ter zonas cinzas ajudam você a ser mais flexível sem abrir mão dos seus gostos e convicções, elas definem até onde você pode ir. Por exemplo, se eu não gosto de pagode, mas se todos os meus amigos estiverem indo em uma ocasião especial, não vale à pena?.

Precisamos de convicções tanto quanto precisamos de flexibilidade, seja na alimentação, na música, no trabalho, no relacionamento. Precisamos nos esforçar para ver o lado positivo das coisas que não gostamos, isso é realmente difícil, mas um dos maiores valores que o ser humano pode ter. As últimas ditaduras do mundo estão caindo, vivemos em uma época onde há espaço para todos, e não é divertido ficar trancafiado no nosso mundinho se recusando a experimentar o que os outros têm de bom. Permita-se. Essa é a palavra da vez. Seja flexível, é a única maneira de garantir que você não vai quebrar.

Fonte indicada: Pequeno Guru

10 maneiras simples de economizar dinheiro este mês

10 maneiras simples de economizar dinheiro este mês

Um dinheirinho extra para passar o mês é o desejo de todo mundo, mas conseguir esse verdadeiro milagre é o que pouca gente consegue.

Ter um controle sobre os gastos é fundamental, mas controlar o desejo de comprar qualquer coisa é tão importante quanto. Não basta você registrar todos os seus gastos se não controlar o impulso de comprar algo que lhe chame a atenção.

Algumas atitudes podem sim ajudar a fazer uma economia e ter um dinheirinho a mais na mão para tornar aquele sonho real.

Veja o que você pode fazer a partir de agora:

1. Pechinche

Não é vergonha nenhuma chorar um desconto quando você precisar comprar alguma coisa. Hoje em dia até é muito mais comum as pessoas não concordarem com o preço de venda e negociarem um certo desconto pelo produto ou serviço. Qualquer que seja o valor pechinchado você já terá feito uma economia.

2. Marmita

Se você trabalha ou estuda os gastos com alimentação fora de casa devem fazer parte de seu orçamento mensal, e você bem sabe que o valor deste tipo de despesa é alto. Sendo assim, opte pela velha e antiga marmita, além de consumir produtos saudáveis com tempero caseiro você também sentirá a diferença em seu bolso.

3. Gastos desnecessários

Pense, pra que ter um pacote de televisão completo com todos os canais se você nem consegue ao menos ter tempo para sentar e assistir a um jornal na TV aberta? Será realmente que faz sentido manter este tipo de despesa? E seu pacote de telefonia celular, está adequado ao seu tipo de uso? Pare para pensar e adeque sua vida com suas necessidades reais.

4. Planeje suas compras

Evite sair para o mercado com fome, ao contrário, planeje um cardápio semanal e leve uma lista ao mercado das coisas necessárias para que você possa cumprir seu cardápio. Assim você vai ver como o valor gasto com despesas de supermercado vão diminuir.

5. Economize

Já parou para pensar em quantas saídas de carro você faz que são mal planejadas? Se você planejar melhor o seu dia poderá percorrer menos quilômetros e gastar menos combustível economizando um pouco mais com este tipo de despesa.

6. Produtos de limpeza

É possível sim economizar com este tipo de produto. Da próxima vez que for limpar sua casa se atente para aqueles produtos que são caros, mas que fazem o mesmo efeito de um mais simples. Água Sanitária e cloro são produtos que podem muito bem ser usados para limpar banheiros e cozinhas sem que você gaste horrores com produtos que prometem a mesma eficiência.

7. Água e luz

Evite o gasto desnecessário, reduza o tempo de banho, junte mais peças de roupas antes de colocá-las para lavar na máquina, apague as luzes quando sair do ambiente

8. Abuse de frutas e verduras da estação

Monte seu cardápio usando as frutas e verduras de acordo com a época, assim você vai conseguir um bom preço por estes itens e ainda por cima vai se alimentar muito bem.

9. Verifique o preço de quantidades maiores

Muitas vezes a compra de coisas em menor quantidade encarece o produto ainda mais, um bom exemplo disso são as aves. Se você optar por comprar apenas o peito ou a coxa de um frango pagará igual ou até mais caro do que consumir o frango inteiro. Ser um bom observador pode lhe render uma economia agradável.

10. Tenha um cofrinho

Faça uma meta de depositar toda semana uma quantia definida em seu cofrinho a fim de guardar dinheiro. Isso vai se tornar um hábito, um bom hábito e vai conseguir um bom dinheiro ao final de um ano.

Por Renata Finholdt, Via Família

Dica de livro: Vi-Venes Primeiro

Dica de livro: Vi-Venes Primeiro

Título: Vi-Venes Primeiro
Autor: Venes Caitano
Editora: Independente
Gênero: Quadrinho
Número de páginas: 130
Formato: 21,5 x 24cm
Preço de capa: R$ 40,00 – Frete grátis para todo Brasil

“Acho que todo cartunista possui o ímpeto de gerar discussão e reflexão, seja apelando para o humor, sarcasmo ou mesmo para a poesia. Falo sobre o cotidiano.” Venes Caitano

contioutra.com - Dica de livro: Vi-Venes Primeiro

Com percepção e singularidade, o cartunista Venes Caitano, nascido no Tocantins e agora residindo nas Minas Gerais, desenha suas estórias com delicadeza e aconchego, elementos decisivos a qualquer bom diálogo com pretensões de continuidade.

“O ser humano é único, mas se repete em tantas coisas, tantas vezes, que se reconhece cada vez menos,. É esse ponto que tento explorar.” Venes Caitano

contioutra.com - Dica de livro: Vi-Venes Primeiro

Em 2013, Vi-Venes estreou na internet, uma série de estórias em quadrinhos contadas em tirinhas retangulares, cuja temática sustenta-se no personagem principal: o leitor! Com humor leve, proporciona diversas leituras sobre as relações humanas e cotidianas. Cabe em qualquer olhar e às vezes faz morada em muita gente.

contioutra.com - Dica de livro: Vi-Venes Primeiro

Após dois anos, a leveza da pintura aquarelada visualizada através de pixels, voltou a virar tinta: a série de tiras ganhou versão impressa em coletânea independente, intitulada de Vi-Venes Primeiro. O primeiro livro do autor foi realizado com cuidado e afago para ampliar seu contato com o público e também com o mercado de quadrinhos. O material traça uma linha do tempo de suas criações em tirinhas e conta com uma seleção das publicações de janeiro de 2013 a julho de 2014, bem como ilustrações inéditas e desenhos de quando era criança.

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É possível encontrar um amor verdadeiro nos aplicativos?

É possível encontrar um amor verdadeiro nos aplicativos?

Marla e Gabriel conheceram-se na lavanderia, enquanto ela brigava por causa de um casaco desaparecido. Marla e Gabriel se conheceram no ponto de ônibus, enquanto ele lia 100 Anos de Solidão. Marla e Gabriel se conheceram num bar, e também numa esquina movimentada de Nova Iorque, e também num curso de gastronomia vegana. Todas as vezes que alguém pergunta onde eles se conheceram, eles contam uma história diferente, mais absurda e mais engraçada que anterior.

Gabriel e Marla na verdade se conheceram num aplicativo de celular, desses em que se elimina alguém com um xis ou aceita-o na sua vida com um coração. Eles não contam todas essas histórias por vergonha. Contam porque acham engraçado. Eles são assim. Parecem duas crianças, descobrindo o riso um do outro. Combinaram essa molecagem e eu sou uma das poucas testemunhas que sabe de toda a verdade. Para a vó do Gabriel disseram que se conheceram no Carrefour, seção de congelados. Para a mãe da Marla, os dois se viram pela primeira vez em um voo turbulento entre Belo Horizonte e Brasília. Tudo verdade.

Adoro essa brincadeira entre os dois porque, de fato, eles poderiam ter se conhecido em qualquer um desses lugares. Isso realmente importa? Existe diferença entre trocar cliques e trocar olhares em um bar? Entre mandar um “oi” seguido de uma carinha feliz e dar um “olá” seguido de um sorriso no ponto de ônibus? O amor segue em busca de oportunidades. De ligar pessoas, de cruzar caminhos, de aquecer os nossos corações, como um clique.

Sempre que me perguntam se acredito nesses amores da era dos aplicativos, gosto de dizer que acredito no amor. Em seus jeitos, artimanhas, em sua capacidade de nos encontrar onde quer que estejamos; no topo de um prédio ou no fundo de nossas solidões. Gosto de pensar que o amor não faz exigências, não tem modos, dedos com as coisas. O amor só quer que estejamos abertos, plenos e interessados em fazer parte dele. O amor só espera um sim discreto nosso, seja na fila do banco, no metrô lotado, domingo na feira, num hospital em chamas ou num clique esperançoso na tela do smartphone. Gosto de pensar que quem clica ali, no coraçãozinho, está na verdade colocando a mão sobre o próprio peito e dizendo: eu te aceito.

Título original: Um Clique

 

2 livros infantis homenageiam Frida Kahlo

2 livros infantis homenageiam Frida Kahlo


Viva Frida

A intrigante artista mexicana, “Frida Kahlo” foi homenageada em diversas obras pela riqueza do seu trabalho. Agora, são as crianças que poderão ter acesso à sua história. O livro infantil “Viva Frida”apresenta de forma lúdica e delicada como sua vida se encheu de riso, amor e tragédia, e como tudo isso influenciou o que ela pintou em suas telas.

Escrito e ilustrado por Yuyi Morales e com os cliques do fotógrafo Tim O’Meara, o livro retrata as adversidades que Frida enfrentou em toda sua jornada criativa e as superou tornando-se uma das mulheres e artistas mais notáveis ​​da humanidade.

Veja aqui como foi o processo de produção do livro.
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Coleção “Antiprincesas” 

“Conhecemos muitas histórias de grandes homens, mas não tanto de grandes mulheres. Sim, conhecemos algumas princesas, mas elas estão longe de nossa realidade, vivendo em castelos enormes e frios”. Assim começa a obra dedicada à artista chilena Violeta Parra. Este é o segundo livro da coleção “Antiprincesas” da editora de livros Chirimbote que mostra mulheres latino-americanas como protagonistas. O primeiro livro contou a história de Frida Kahlo.

Ambos escritos por Nadia Fink, o terceiro livro será dedicado a Juana Azurduy, militar que participou das lutas pela independência da América espanhola. A grande inspiração que levou ao nascimento da coleção foi “um conflito latente na educação”, disse a autora ao portal La Capital. “Por um lado, o modelo de princesas Disney, reforçado a cada nova produção cinematográfica e, por outro lado, a chegada de um modelo que eleva e ressalta as figuras de mulheres combatentes, comprometidas com seu entorno” .

“Uma de nossas preocupações foi tentar entender os novos formatos experimentados por meninas e MENINOS de hoje, onde a linguagem não é linear e, sim, distribuída em várias janelas na tela para interagir. Nós valorizamos as novas gerações e não renegamos suas mudanças e desenvolvimento”.

Por enquanto, esta coleção só pode ser comprada na Argentina.

A versão ditital em inglês de “Viva Frida” pode ser encontrada na Livraria Cultura.

Gosta de Frida? Leia sua Biografia.

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Fonte indicada: Catraquinha

5 mentiras que o mantém preso em sua zona de conforto

5 mentiras que o mantém preso em sua zona de conforto

Um rei foi presenteado com dois jovens falcões. Imediatamente, contratou um mestre em falcões para treiná-los. Depois de vários meses, o instrutor disse ao rei que um dos falcões foi bem educado, mas não sabia o que estava acontecendo com o outro.

Desde que ele tinha chegado ao palácio, ele não havia se mudado de galho. Ainda tinha que levar a comida diariamente a ele.

O rei chamou diversos curandeiros, especialistas em aves, mas nenhum pode fazer o pássaro voar. Desesperado, ele emitiu um decreto proclamando uma recompensa para aqueles que fizessem o falcão voar.

Na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins.

– Traga o autor deste milagre! Ordenou o rei.

Apareceu diante dele um simples camponês. O rei perguntou:

– Como você conseguiu fazer o falcão voar? Você é um mago?

– Não foi muito difícil meu rei – disse sorrindo o homem. – Eu só cortei o galho que ele estava. Naquela ocasião, o pássaro foi deixado sem nenhuma outra alternativa senão levantar voo.

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Esta fábula nos ensina que às vezes é necessário permanecer em uma zona de conforto para recarregar, mas se permanecermos lá por um longo tempo, nunca saberemos o quão longe poderíamos chegar.

Portanto, precisamos expandir cada vez mais nossa zona de conforto. Nós só crescemos fora dela.

Quer gostemos ou não, a capacidade de deixar conscientemente nossa zona de conforto e nos atrevermos a descobrir novos horizontes e realizar nossos sonhos é o que nos torna diferentes dos outros; é o que nos permite ter novas experiências que enriquecem e dão sentido a nossas vidas.

Infelizmente, a maioria das pessoas preferem ficar em sua zona de conforto, o espaço em que elas se sentem mais ou menos confortáveis e seguras.

Para entender a zona de conforto, pode imaginar dois círculos concêntricos, um pequeno dentro de um maior.

O pequeno círculo representa todas as coisas a que estamos acostumados. Nossos hábitos e rotinas, que normalmente visitam os locais e pessoas que frequentam, é a nossa zona de conforto.

Zona de Conforto 

À primeira vista, tudo pode parecer grande, mas o fato é que a permanência dentro desse círculo não é uma garantia de felicidade e não garante que no final de sua vida não terá arrependimentos.

Na verdade, ficar na zona de conforto limita você, porque não lhe permite descobrir nada de novo. Assim, você pode morrer um pouco a cada dia. Lembre-se de que a vida começa onde termina sua zona de conforto.

No entanto, há um círculo muito maior, composto de coisas que você não conhece, seus sonhos, novos lugares … É o círculo da aprendizagem, aí que ocorre a expansão.

Para muitas pessoas, dar esse salto assusta demasiadamente, porque elas não sabem o que vão encontrar no outro círculo, de modo que colocam em prática um mecanismo de auto sabotagem, para permanecerem onde estão e não serem forçadas a sair.

As mentiras que contamos a nós mesmos para não sair da zona de conforto:

  1. “Eu não tenho por que fazer”

É verdade, ninguém pode empurrá-lo para fora de sua zona de conforto e você não é obrigado a sair, mas se você ficar dentro da caixinha, não irá crescer.

Lembre-se que não crescemos simplesmente pelo passar dos anos, mas pelos desafios que enfrentamos.

Quando você pensa em um projeto que representa um grande desafio e de repente sua voz interior lhe diz que você não tem porque fazer, em realidade o que você está expressando é uma resistência à mudança, porque uma parte de você deseja ficar dentro dos limites do conhecido.

No entanto, se você pensar que não há nenhuma razão para realizar algo novo, lembre-se que simplesmente o fato de crescer e descobrir, são razões mais que suficientes.

  1. “Não é o momento certo”

Condições perfeitas para empreender algo raramente ocorrem, mas perseguir um sonho significa lutar contra o vento e a maré, criando condições ao longo do caminho.

Quando você diz a si mesmo que não é o momento certo, você está ativando o medo; provavelmente um intenso medo do fracasso inoculado em você desde a infância.

Claro, não se trata de lançar-se a uma aventura sem avaliar os prós e contras, mas se nós realmente quisermos alçar voo devemos ser conscientes que não podemos ficar parados, precisamos ir em pequenos passos.

E quando percebemos, já estamos caminhando melhor.

  1. “Vou começar quando …”

Esta é uma das desculpas mais comuns para ficarmos seguros em nossa zona de conforto. Na prática, é o engano perfeito, porque não estamos desistindo do sonho ou do projeto que temos em mente, mas apenas colocando-o de lado até que determinada situação ocorra.

O problema é que essa desculpa leva diretamente à procrastinação. Por isso é provável que quando a condição da demanda for atendida, criaremos outra, e mais outras.

Desta forma, mantemos a esperança viva, mas ao mesmo tempo, temos que trabalhar duro para tornar esse sonho uma realidade.

  1. “Não é para mim”

Basicamente, por trás dessa frase há a ideia de que nós não somos suficientemente bons ou capazes. Esta é a desculpa perfeita para inseguros e pessoas com baixa autoestima.

Também é uma desculpa usada por pessoas que têm medo do mundo e se fecham para novas experiências. Em qualquer caso, você não pode saber se gosta de algo ou não, até prová-lo.

Na verdade, é provável que em mais de uma ocasião tenha pensado que algo não foi feito para você, mas depois de provar, você amou e ficou empolgado com a nova situação.

Portanto, não se feche para novas experiências nem se limite como uma pessoa. É a pior coisa que poderia fazer.

  1. “Eu não sei como fazer”

As coisas novas podem assustar, então uma das desculpas que inventamos para ficarmos em nossa zona de conforto é dizer-nos que não sabemos como enfrentar o desafio.

Podemos pensar que não temos habilidades ou que nunca podemos desenvolver. No entanto, lembre-se que quando você tem um “quê”, os “como” vêm sozinhos.

É verdade, para realizar determinados projetos a preparação é necessária, mas isso não significa que você não pode fazê-lo, significa apenas que levará mais tempo ou precisa de alguém para ajudá-lo.

Nenhuma habilidade vem do nada, todos têm na sua base muita paixão e esforço para o que realiza, é assim com todos que atingiram esses patamares.

No fechamento, tenha sempre em mente o que Nelson Mandela disse: “Impossível é tudo aquilo que não se tenta”. Ou como disse Michael Jordan: “Você erra 100% das bolas que não arremessa.”


Fonte indicada: Yogui.co

Revisado por Renata Moretto Christofoli

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