Troquei a capa pesada por um vestido soltinho

Troquei a capa pesada por um vestido soltinho

Cansei de tentar ter um argumento para tudo. Cansei de explicar e me explicar coisas que não se explicam, que não tenho capacidade de entender, coisas que muitas vezes me geraram muito trabalho e pouco ou nenhum proveito. Cansei de arrumar explicação para os tropeços alheios, desculpas para não sentir raiva, argumentos psicológicos para proteger imagens e mitos.

Me dei conta que esse universo de argumentos prontinhos é uma capa pesadona, cheia de bolsos, internos, externos, secretos… Com ela, realmente me sentia agasalhada e protegida, mas andava lenta, sem mobilidade, vasculhando como louca todos os bolsos, tentando achar as explicações perdidas no meio dos infinitos bolsos. E chegou um tempo que não sabia mais como tirar a capa, pois os zíperes emperraram, e, com má vontade tentei uma, duas vezes, e então desisti. – Sou assim mesmo – decretei.

Claro que agora não é questão invalidar os argumentos. Afinal, me custaram muito tempo e miolos para realizar algumas conclusões e alguns deles eu vaidosamente considero brilhantes. E é óbvio que são essenciais para dar sentido às discussões. Mas, reconheço que, se por um lado muitos deles são totalmente válidos, uma parcela gigantesca pode muito bem ser dispensada do acervo, liberando peso e espaço. Os mais antigos, os que não se aplicam mais, os que levam às desculpas tolas, os que não me dizem respeito mas que eu achei um jeito de me inserir…

Decidi não ousar mais tentar ter ou ser resposta para tudo e todos. Não quero ser lembrada ou reconhecida como conselheira, razoável, mediadora, nada disso. Quero ter o direito de uso do ponto de interrogação; Quero me proporcionar a liberdade de dizer: – Não sei – quantas vezes tiver vontade; Quero não me ocupar de entender o que não faço questão de entender.

Decidi portanto, arrancar e rasgar a capa pesada e com manchas do tempo e trocar por um vestidinho de alça, solto, leve e cheirando a novo. Acho até que posso vir a sentir frio, mas para poder me proteger, vou tentar um xalezinho, um esfregar de mãos, um abraço. Ou tudo isso junto ao mesmo tempo. Afinal, frio mesmo a gente só sente quando está só, isolado por certezas. Na dúvida, tem sempre alguém por perto, sentindo o mesmo.

Onde quer que você esteja, estou te mandando amor

Onde quer que você esteja, estou te mandando amor

Ano passado, assistindo pela primeira vez ao filme “Her”, prestei específica atenção e dediquei algumas posteriores reflexões a uma cena em que Theodore, o personagem principal, destina as seguintes palavras para aquela com quem já teve um relacionamento amoroso: “Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor.”

Mandar amor. Existe evidência mais forte de que alguém preencheu de forma bonita a nossa alma e a nossa história – ainda que não caminhe mais ao nosso lado, pelo motivo que for, e que os trajetos separados o tenham transformado em alguém que já não mais sentimos conhecer – que o amor que emanamos quando ele visita nosso pensamento? Que o desejo que grita – daquele que coloca sorriso nos olhos e lágrima no rosto – de que ele e sua incontável coleção de detalhes carregados de pureza, que um dia já soubemos de cor, nunca deixem de estar bem?

Ainda que não exista mais a proximidade que antes permitia ser o abraço nas horas difíceis, é desejar que nunca lhe falte o amparo necessário para que a dureza da vida traga discernimento e amadurecimento, mas jamais caleje a inocência do seu sorriso.

Mesmo que as metas já não sejam mais rabiscadas no mesmo papel, é alegrar-se pelo sucesso do outro como se ele fosse também nosso; é vibrar pelos passos daquele que é dono da dedicação meio torta, mas cheia de vontade de ser feliz, daquele cujas lágrimas de medo e tentativas frustradas ainda evaporam de nossas camisetas.

É desejar que ele encontre os filmes e as músicas que o toquem e jogos novos que o divirtam; para que não dê problema no carro e sobre um dinheirinho no final do mês; para que, principalmente, sua vida sempre esteja permeada com a serenidade e coragem suficiente para sentir e aprender com as diferentes cores do mundo.

É carregar a paz que é, sem esforço algum, ser capaz de – genuinamente e com uma força absurda- mandar amor para uma vida, simplesmente pela certeza de que, independente do tipo ou do tempo de relação, foi exatamente a beleza dele que ali existiu, afinal, ainda que não se brinque mais da sincronia dos passos, haverá eternamente muito daquele que amamos impresso em nosso caminhar.

Encontre o filme “Her” aqui.

E de repente vem a vida e te passa uma rasteira!

E de repente vem a vida e te passa uma rasteira!

Sobre a capacidade humana de enfrentamento e resiliência

Você tinha planos, sonhos, expectativas, desejos por realizar. Tudo corria aparentemente bem até que de repente algo dá errado: um imprevisto, um esquecimento, uma má notícia, uma reviravolta de qualquer tipo… enfim, você toma uma verdadeira rasteira da vida!

Todos nós já vivemos algo assim em determinado momento das nossas histórias, não é mesmo?

É com os tropeços que aprendemos a levantar. É com as quedas que adquirimos experiência. É com as lições da vida, muitas vezes duras de digerir, que passamos a prestar mais atenção no nosso caminho, a entender qual deve ser o andar e como devemos recuperar o equilíbrio.

Mas, é evidente que cada um de nós lida de uma maneira diferente frente a esses desafios de adaptação. Percebemos que existem pessoas que, quando tomam uma rasteira, ficam lá, verdadeiramente estateladas no chão, em choque, não conseguem reagir. Às vezes demoram muito tempo para conseguir esboçar qualquer reação. Por outro lado, há aquele que rapidamente encontra uma saída, reage com força e estabilidade e, como diz a música de Paulo Vanzolini, reconhecida na voz de Beth Carvalho “reconhece a queda e não desanima… levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

O que faz com que alguns hajam de uma maneira e outros não? O que acontece no momento em que sofremos a perda, nos frustramos ou nos desiludimos? Como adquirir uma capacidade maior de enfrentamento nessas ocasiões?

Independente da rasteira que levamos, elas se configuram um período de crise em nossa existência, e exigirão de nós uma resposta adaptativa frente ao inesperado. Nosso corpo e psique reagirão ao acontecimento. Uma série de processos neuroquímicos irão se iniciar para responder ao estresse desencadeado pela situação. Nossa psique também reagirá da mesma forma, produzindo respostas diferentes dependendo da nossa história de vida, do nosso padrão de funcionamento psicodinâmico, da nossa personalidade, dos nossos esquemas de memória armazenados no cérebro, dos recursos egóicos e das nossas defesas disponíveis. Pode-se imaginar como todo esse quadro é muito complexo e variável.

Porém, do mesmo modo que nosso corpo oferece algumas respostas previsíveis e que fazem parte da evolução da nossa espécie, nossa psique também parece reagir de maneira semelhante aos traumas e às perdas. Assim, é comum que a surpresa inicial da rasteira que levamos seja vivenciada com uma sensação de choque! Ele faz parte do exato momento em que a situação estressante acontece e você poderá identificá-lo facilmente através de uma sensação nítida de que não acredita que aquilo está acontecendo. Você poderá sentir o seu corpo gelar, sua mente desligar e não conseguir processar as informações do ambiente. O choque nos mostra que a situação é muito maior do que o nosso Ego consegue integrar na realidade psíquica daquele instante. E ele pode dar lugar a uma resposta de enfrentamento da situação ou nos conduzir a um estado de negação intelectual ou emocional sobre o que está acontecendo.

A negação nos mostra que não temos recursos internos para lidar com o fato doloroso e, portanto, tentamos fingir para nós mesmos que nada está acontecendo, porque estamos com muito medo, ansiosos e frágeis. Neste momento precisaremos encontrar proteção e suporte para, aos poucos, encontrar as forças que existem dento de nós.

Quando o choque e a negação passam, costuma surgir uma verdadeira avalanche de emoções. O medo, a frustração, a raiva, a dor, a irritação, o sofrimento, tudo vêm à tona, fazendo-se necessária a expressividade emocional. É preciso “por pra fora”! Quando não fazemos isso e bloqueamos a reação emocional, também não permitimos a descarga da resposta corporal devida. É como se estivéssemos frente à frente com um leão e não pudéssemos lutar ou fugir. Nosso corpo entende que seremos devorados e então paralisa!

A expressividade emocional pode acontecer pelas vias da palavra, mas também da arte, da dança e do corpo. Só precisaremos ter cuidado para não extravasar através da agressão contra si e ou contra o ambiente, pois se assim ocorrer só nos trará ainda mais consequências dolorosas a suportar.

A partir do momento que vamos expressando nossos sentimentos, vamos dando contorno ao que nos aconteceu, assimilando a realidade, compreendendo as circunstâncias e aceitando-as. E então, conseguimos alcançar uma serenidade que nos permite pensar nas possíveis estratégias de resolução do problema e concentrar nossas forças para dar a volta por cima e seguir à diante.

contioutra.com - E de repente vem a vida e te passa uma rasteira!

Um quesito fundamental nesse processo é nos conscientizamos de que há em nós recursos e capacidades que nos ajudarão a superar a situação, isto é, que temos autoeficácia! Se acreditarmos que nada podemos fazer, pois tudo depende do que acontece fora de nós, então ficaremos inundados pela passividade e realmente não seremos capazes de agir em direção a mudança. Uma baixa autoestima, uma descrença em relação a si próprio e a falta de reconhecimento dos próprios recursos internos são os piores venenos quando levamos uma rasteira da vida.

Por outro lado, aqueles que se mostram mais positivos e resilientes, tendem a enfrentar os obstáculos com mais facilidade e flexibilidade.

Segundo as pesquisas sobre resiliência, há pessoas que tem mais habilidade em resignificar uma experiência negativa e revertê-la ao seu favor com confiança e ação na realidade. Isso não quer dizer que pessoas resilientes não sofram, mas que possuem dentro de si maior tolerância e uma força que as levam a digerir e elaborar suas dores e sentimentos com mais facilidade e rapidez, encontrando recursos de autoconhecimento e autocuidado para contornar a situação negativa com criatividade.

Portanto, se você levou um rasteira da vida e precisa enfrentar a situação, dê o tempo necessário para assimilar o fato e expressar suas emoções e, então busque dentro de si seus potenciais para transformar essa realidade de maneira criativa. Conte com a ajuda de quem está ao seu lado ou de pessoas especialistas no seu problema. Busque segurança, confie na vida e seja otimista!

Afinal, podemos fazer de todas as rasteiras que levamos motivos de derrota na vida ou oportunidades de amadurecimento, fortalecimento e mudança na trajetória da vida rumo ao bem-estar e à individuação.

A tal da química

A tal da química

Inquietante! É o que falamos quando algo transforma nosso interior, mas não sabemos como, nem por quê. No caso de uma atração inexplicável por outra pessoa, aí nos deparamos com a pergunta: será mesmo que é a tal da química, metamorfoseada dentro da gente e passando para mais um estágio de vida?

A questão é que sabemos muito pouco do nosso interior, do nosso que que avança e quase sempre nos perturba sem nos dar quase nada ou nenhum entendimento que nos arraste para a suposta compreensão do que se passa com o mundo que criamos a cada ato vindo do inexplicável.

É como se levássemos várias capas para onde vamos: de formatos e cores diferenciadas, elásticas no tempo. Temos os tipos certos para todas as ocasiões, contato que não descubram quem ou o que somos, pois residimos no mistério, e ainda esperamos olhares, risos e ruídos curiosos a nosso respeito. Se não há mistérios, não tem graça. Toda a graça está exatamente no ponto alto da composição preparada para o outro, o que chamamos de alquimia. A esta altura, a química que envolve o outro em nossa rede de ficções.

Não passa de química, tem que ter a tal dessa química que tanto acreditamos. E isso serve para tudo na vida, pois gostamos mesmo do prazer que há até nas minúsculas coisas. Da atração pelo inusitado que nos envolve. Se não tem química, não rola.

E quando nos falta esse ponto de harmonia perfeita em relação a outra pessoa, essa química que já virou nossa maior necessidade? Nos humanos, os opostos não se atraem, sempre existe um elo que os fazem querer a mesma coisa: estarem juntos e ter a companhia para dividirem suas experiências, embora às vezes pensem em polos opostos, o que, para alguns, são atraídos cada vez mais por esse desnível louco que reside no outro; é o que os faz avançar no ritmo frenético da vida.

O melhor mesmo é sabermos que temos um universo de infinitos caminhos que levam às situações e a alguém que, com química ou não, podemos descobrir novos ângulos para enxergarmos a vida com mais cores e novos sentidos. Assim, podemos escolher a melhor bagagem, a mais leve, a que se fantasiará em nosso palco particular e arrancará aplausos de qualquer transeunte escondido por trás da cortina. No fundo, é nossa química individual que escolhe a melhor parceria com o outro.

Nota: A imagem de capa é uma homenagem ao filme “Meia noite em Paris”, um dos maiores sucesso de bilheteria de Woody Allen

Permita-se o tempo do amor, a vida ainda pede uma coisa de cada vez.

Permita-se o tempo do amor, a vida ainda pede uma coisa de cada vez.

É tudo uma questão de tempo. É na permanência que se estabelecem os vínculos, que se encontram as afinidades e que nos deparamos com os limites da convivência e de nosso próprio bem estar.

O jornalista Malcolm Gladwell desenvolveu uma teoria que diz que precisamos de 10.000 horas de prática para nos tornarmos especialistas no que quer que façamos tecnicamente. E, por que com o amor seria diferente?

Não é raro encontrar pessoas que, ao falar de seus relacionamentos, ainda se baseiam na experiência que tiveram na época da paixão. Mas, a própria paixão tem tempo de vida e, após um período, precisa acabar para que as pessoas voltem a dividir seu tempo com mais atividades, ver a pessoa com que se relacionam de maneira mais realista e, aí sim, permanecer em uma relação de amor ou terminar, pois, paixão sempre vem acompanhada de mais fantasia do que realidade.

Existe um ciclo para o apaixonar-se, para desenvolver intimidade e para construir uma relação verdadeira. É dentro e no cumprimento desse ciclo que duas pessoas que se relacionam, conhecem suas qualidades e defeitos e escolhem permanecer juntas ou não. Entretanto, investimento, conexão e reconexão são trabalhos contínuos.

Recentemente viralizou na internet um questionário com 36 perguntas que seria responsável por desencadear paixões, quando duas pessoas fizessem as perguntas nele contidas umas para as outras. Mas, o segredo desse “apaixonar-se” estaria nas perguntas em si ou no contato afetivo estabelecido durante o tal interrogatório que criava uma intimidade mínima e por um período de tempo considerável até que um interesse genuíno pudesse surgir?

Um outro vídeo apresentou um experimento em que, por 4 minutos, duas pessoas que já tinham um relacionamento mantinham um contato visual. Durante o processo, ficava claro o real aumento da proximidade afetiva que acontecia durante esses poucos minutos. Do desconforto inicial, as pessoas evoluíam para um reencantar-se amoroso que chegava até a emocionar os participantes. Um casal de idosos, inclusive, fala após ter passado pela experiência, que nunca tinha se olhado dessa maneira em mais de 50 anos de relação.

O Pequeno Príncipe em uma de suas falas mais memoráveis nos diz:

Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”

Pessoalmente, lembro-me de um dos relacionamentos mais sérios que eu tive e que durou vários anos. Quando eu ligava para ele, por mais ocupado que estivesse, ele atendia o telefone em um tom de voz mais suave e dava toda a atenção ao que eu tinha para falar. A relação acabou, mas, disso nunca me esqueci.

O amor acontece em todas as esferas que envolvem a nossa vida…

Nunca nos esquecemos daquela consulta em que o médico nos olha nos olhos e responde a todas as nossas inseguranças e dúvidas ao esclarecer ou mesmo ao investigar o que pode estar acontecendo conosco, afinal, é da nossa vida que estamos tratando.

Um filho não esquece da mãe, do pai, dos tios e avós que abandonam por alguns minutos suas tarefas momentâneas e brincam com eles, respondem a sua sede de vida.

Um amigo reconhece eternamente, quando dedicamos um tempo sincero para alimentar a cumplicidade da relação.

E nós, mesmo sabendo disso consciente ou inconscientemente, pois, todo mundo sabe porque sente a diferença, na maioria das vezes não paramos, não olhamos nos olhos, não conversamos e nem estamos verdadeiramente presentes em nossas relações.

Fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo, ao contrário do que muitos pensam, não é uma fórmula para eficiência e sim, para a desatenção, para o erro e para o afastamento afetivo. Nossa atenção é uma só e ela é incapaz de ser dividida mantendo 100% de foco em cada atividade. Logo, quanto mais coisas eu faço e pessoas eu atendo ou me relaciono, mais divididos esses 100% da atenção ficam. E aí vem o erro, e aí vem o retrabalho, e aí vem o afastamento afetivo que mina qualquer relação.

Quanto de atenção eu destino à pessoa que está na minha frente, se eu mexer no celular ao mesmo tempo? Quanto da minha atenção eu ofereço a alguém, se eu ler algo e ao mesmo tempo tentar ouvir a sua fala? Qual a porcentagem da sua atenção destinada ao trabalho que você faz, se você está escrevendo algo e quer usar um chat ao mesmo tempo? Você se lembra de responder aos e-mails que viu e deixou para responder depois? O que você realmente está priorizando é o mais importante e necessário a ser feito?

Engana-se muito quem acha que isso é eficiência, ao menos que a pessoa realmente não se importe com o resultado do trabalho ou com o seu interlocutor. Muitos chefes e administradores de empresa também precisariam saber disso.

O foco individual para cada atividade e pessoa parece ser o caminho encontrado pelas pessoas que se mantêm em relações saudáveis, e baseadas no que seria o verdadeiro amor por quem está perto e pelo trabalho que se faz.

É preciso tempo para apaixonar-se, tempo para desapaixonar-se, tempo para aprender a amar e tempo para manter a eterna construção do amor e do reencantar-se, seja através de uma comunicação real e atenciosa, como nas perguntas da pesquisa indicaram, em uma profunda ligação promovida pelo olhar para quem amamos ou até mesmo com um cliente que atendemos.

Preste 100% de atenção no que eu digo agora: Permita-se o tempo do amor, apesar de todos os compromissos e tecnologia, a vida ainda pede uma coisa de cada vez.

As fronteiras estão na mente. O mundo é de todos que aqui estão.

As fronteiras estão na mente. O mundo é de todos que aqui estão.

Advogados, engenheiros, fisioterapeutas, psicólogos, músicos, escritores, médicos: tantas pessoas talentosas penando pra poderem, simplesmente, exercer suas funções em paz.

Seja em que área for, existe sempre uma panelinha. Como um forte apache, meia dúzia de soldadinhos se protegem. Se armam até os dentes para defende-lo de qualquer “intruso”, um talento em ascensão, ou simplesmente, alguém querendo exercer seu dom, da melhor maneira que sabe e pode.

No também restrito meio da fama, esta realidade é muito óbvia. Reconhecemos todas as vozes e rostos da mídia e são sempre os mesmos por anos a fio. Quando surge alguém novo, com certeza, com raras exceções, partilha da mesma genética ou meio social dos que já estávamos familiarizados. Tem sido assim há séculos.

Um dom é uma sabedoria nata. Como uma semente, ele cresce, cria asas e, se ninguém atrapalhar, um dia vai querer voar e todos se beneficiarão com isto mas, infelizmente, não é assim que muita gente enxerga.

Apesar de, em muitos países, a competição ser quase uma regra pra se “vencer” na vida, a meu ver, apesar de ser aceitável pela maioria de nós, é uma anomalia desumana.

Grande parte das pessoas se apavora ao ver alguém abrir as asas pra decolar. Se sentem ameaçadas, com medo de perder o espaço, o controle, a atenção.

Se tem conhecimento de um bom contato, um emprego ou um caminho que ajude, queira se sentar, elas nunca dirão. Mas o que choca mais, é que muitas vezes, pessoas que nem da sua área são, apesar de terem conhecimento que facilitaria seu caminho, se recusam a fornecer. Essa é a verdadeira mesquinharia !

Onde há medo, não há espaço para o amor, generosidade ou compaixão.

Uma amiga de toda vida, depois de passar quase vinte anos trabalhando em empresas, recentemente desempregada, resgatou com enorme alegria a profissão que nasceu pra exercer. Porém, esta semana recebeu um convite para uma entrevista.

Como a autonomia gerou uma natural insegurança, resolveu ir, mas antes, lembrou-se de outra pessoa que tinha trabalhado com ela, e atualmente se encontra na mesma situação, feliz em sua nova opção profissional, mas ainda lidando os apertos financeiros.

Ela nem pensou duas vezes. Se armou com os dois currículos e foi checar a oportunidade.
Quando a entrevista estava por terminar, viu o momento de mencionar mais uma pessoa. Apresentou o currículo da colega experiente e talentosa no caso de precisarem, uma vez que estavam em busca de preencher varias vagas.

A mulher ficou pasma, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo. Ficou muda. Como alguém, precisando trabalhar, em sua sã consciência, ofereceria outro currículo podendo correr o risco de perder a vaga ?

Ela não sabe se foi boa ou má a impressão que causou, mas, com certeza o impacto de sua generosidade deve ter sido profundo.

É mesmo uma pena que muita gente ainda não compreenda que todos têm algo a acrescentar. Há espaço para cada um de nós neste mundo. Se perder o seu, ou não era bom o suficiente ou este não era seu caminho.

Não sejamos hipócritas. Queremos receber os Syrios, mas hostilizamos um conhecido que está tentando chegar a algum lugar? Nunca sabemos a quem estamos hostilizando. Este é exatamente o tipo de medo que sofrem as nações que abominam refugiados e refugiados somos todos. O mundo é de refugiados da fome, da guerra, da tristeza, da solidão.

Um dia fomos refugiados de alguma coisa ou questão. Hoje somos as pessoas que fabricam as roupas que você veste, que limpam suas calçadas, que ensinam seus filhos, que abriram empresas, geraram empregos. São artistas, engenheiros, arquitetos, nobel da paz, da literatura, da ciência, da vida. São os médicos que um dia salvaram suas vidas ou de alguém com quem se importam.

As fronteiras estão na mente. O mundo é de todos que aqui estão.

Sebastião Salgado fala sobre o drama silencioso da fotografia

Sebastião Salgado fala sobre o drama silencioso da fotografia

Sebastião Salgado é, seguramente, um dos fotógrafos mais conhecidos em todo o mundo. Nesta pequena palestra, ele fala um pouco de sua vida, revelando que assumiu a fotografia quando tinha mais de 30 anos e que tal atividade, contudo, tornou-se uma obsessão.

Um visionário, ativista de esquerda, idealista, norteou sua arte a serviço de seu ideário. Seus projetos capturam de modo singular a dor humana, a morte, o abandono, a desolação, a ruína moral de povos inteiros.

Aqui, ele conta uma passagem emocionante de como a arte, levada às últimas consequências, quase o levou à morte. Apresenta, ainda, imagens incríveis de seu trabalho mais recente: “Genesis”, no qual documenta um mundo de pessoas e lugares esquecidos.

Postagem indicada pela página parceira Psique em Equilíbrio.

Saiba mais sobre a biografia e outros livros de Sebastião Salgado aqui.

O chove não molha do amor líquido

O chove não molha do amor líquido

Chegamos a um momento em que não sabemos o que somos. Sabemos que não somos modernos, pois a razão não é tão poderosa quanto outrora, mas também ainda não sabemos em que estágio estamos. Assim, a contemporaneidade é chamada de pós-moderna, ou, como prefere o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman, Modernidade Líquida.

Nesse universo, tudo é fluído e muda com extrema rapidez; não há espaço para coisas sólidas, já que, em tempos líquidos, tudo o que é sólido desmancha no ar. Dessa maneira, o amor também assume uma nova face diante de todas essas mudanças, assumindo uma forma líquida.

Como dito, o mundo pós-moderno é marcado pela extrema fluidez e velocidade que as relações possuem, de tal modo que a facilidade em desconectar-se é o principal elemento das relações. Uma relação que nos prende e finca raízes e que, por conseguinte, não permite desconectar com tanta facilidade é um fardo que o homem contemporâneo parece não querer carregar.

Assim, como se estivessem numa grande feira, os indivíduos compram, trocam e vendem relacionamentos. Tudo isso, graças à facilidade de desconectar-se. Acreditam que, com as suas inúmeras experiências, tornam-se experts no amor. Entretanto, o que adquirem é apenas a

“Habilidade de terminar rapidamente e começar do início.”

Ou seja, muitos relacionamentos não significam necessariamente mais amor. A rapidez com que se troca de parceiros e se descartam os relacionamentos não permite conhecer o outro a ponto se relacionar verdadeiramente. Em verdade, essa fluidez chega a ser um contrassenso à ideia de relacionamento, uma vez que relacionar-se significa levar consigo, e portar alguém está fora do cardápio pós-moderno.

“É tentador afirmar que o efeito dessa aparente aquisição de habilidades tende a ser, como no caso de Don Giovanni, o desaparecimento do amor – uma exercitada incapacidade para amar.”

Estamos presos ao nosso próprio eu, o que se tornou ainda mais viável com o desenvolvimento dos aparelhos tecnológicos e com a internet. Não queremos nos dar o trabalho de investir numa relação, tudo é uma questão de custo-benefício. Os relacionamentos transformaram-se em meras mercadorias, de forma que o que se busca é sempre lucrar com o produto final.

Não há tempo para a semeadura, a qual, além de levar tempo, é desgastante. Queremos tão somente usufruir do produto acabado e, quando este já não nos serve, trocamos por outro, afinal, essa é a lógica do mercado e o amor, nesse contexto, também se encontra na vitrine.

“E assim é numa cultura consumista como a nossa que favorece o produto pronto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução de dinheiro.”

Os relacionamentos, assim, são vistos como investimentos comerciais. Não há tempo a perder, é preciso estar atento ao mercado, pois, quando este acenar com possibilidades melhores, tenho que estar pronto para me desfazer dos relacionamentos que possuo e usufruir de outros melhores.

“Para o parceiro, você é a ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado – e ninguém consulta as ações antes de devolvê-las ao mercado, nem os prejuízos antes de cortá-los.”

O amor líquido é a transformação dos homens em mercadorias, é a solidão de uma sociedade individualista que busca relacionar-se, mas sem se envolver, como se as pessoas fossem descartáveis. A insegurança impede que raízes sejam fincadas, que o produto acabado transforme-se em produto construído, que alguém esteja dentro de mim. No máximo, o que são permitidos são os “relacionamentos de bolso”, os quais você guarda no bolso, de modo a poder lançar mãos deles quando for preciso.

Amar significa perder tempo, ter dor de cabeça, estar pronto a arriscar, pois nada é um produto acabado, mas, antes, uma construção perene. É impossível saber se está certo ou errado, pois ainda não se chegou ao fim do caminho. E amar é investir na semeadura, mesmo antes de saber se os frutos nascerão. É preciso esforçar-se numa relação, estar pronto em alguns momentos a abdicar do seu eu, colocar-se no lugar do outro, o que em

“Uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista.”

Vivemos numa sociedade hedonista, em que tudo o que retarda a satisfação é visto de forma inadequada, e o amor, que precisa de tempo, encontra-se nessa inadequação. Dessa forma, os relacionamentos de bolso escondem a insegurança e o medo de as pessoas se envolverem, assim como a incapacidade de saírem da zona de conforto e perder tempo com algo. Queremos um amor que nos satisfaça e que, por algum momento, afaste-nos a solidão, mas não queremos ter o trabalho de, nem por um momento, ter um peso que nos impeça de flutuar, afinal,

“Vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar.”

O amor é feito pelos amantes a todo o momento, é um ato criativo que apenas no envolvimento dos amantes é capaz de se manifestar. É apenas para os corajosos, que não têm medo de se arriscar e que sabem que há mágicas que apenas o inesperado possui. Assim,

“Não é ansiado por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas o estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.”

Arte e a Cultura servem para quê?

Arte e a Cultura servem para quê?

“A poesia é indispensável. Se eu ao menos soubesse para quê.”
Jean Cocteau

Para que serve a Arte? Essa é a pergunta que assombra muito artista, que sempre procura se preparar e ter uma resposta pronta para todas as vezes em que ela surgir. Isso quando a opção não é responder com outra pergunta: E ela tem que servir pra alguma coisa? O problema aí, é que pode acabar deixando o próprio artista com mais uma pergunta para responder, a que ele mesmo formulou.

Quando escuto a pergunta, a minha primeira reação é achar uma pena que ela tenha sido formulada, que a gente ainda se encontre em um estágio em que haja a necessidade de se discutir essa questão. Mas, se a discussão está colocada, não dá pra fugir dela.

Sempre dá para usar todas aquelas obviedades, que a arte é alimento para a alma, que ela é capaz de tornar os seres humanos melhores e ainda mais humanos, que é uma expressão da individualidade, que torna a vida mais suportável e o mundo mais belo, todas são possíveis de se recorrer e acho que valem, em maior ou menor grau. E eu acredito mesmo que a arte possa ser um caminho para tornar o ser humano melhor.

Claro, nem todo mundo concorda. Contra essa ideia, sempre tem quem saque aquele exemplo batido dos nazistas, que realizavam atrocidades durante o dia e depois se emocionavam até às lágrimas, ouvindo Bach em suas casas, à noite. Também acho uma pena que a gente tenha que discutir esse tipo de formulação, superficial e até tendenciosa. Não é função da arte transformar ninguém em santo. Também não é função fazer com que alguém questione uma ordem dada, por mais moralmente discutível que ela seja. Muito menos, é função da arte impedir que crimes sejam cometidos. Mas ainda assim, não é impossível que ela possa, eventualmente, ter um efeito colateral desses.

A arte, por si só, não vai ser capaz de realizar transformações revolucionárias de caráter, é um elemento entre vários outros para a construção de uma personalidade. Não é uma equação simples, com causa e consequência fáceis de medir, na linha ouça música clássica e torne-se incorruptível; assista a uma peça e livre-se de toda maldade; leia um livro e seja beatificado.

Quando um país entra em crise, os primeiros cortes que são feitos acontecem exatamente nessa área. Portugal, por exemplo, extinguiu o seu Ministério da Cultura assim que a crise se anunciou. Hoje, a área tem apenas um Secretário de Estado. Não é sequer uma Secretaria, é apenas um Secretário. Quando o governo português começou a considerar a hipótese da extinção, Manuel Maria Carrilho, um ex-ministro desta pasta lamentou o fato e acrescentou que a Cultura devia ser um dos setores “a alavancar a saída da crise”. E essa afirmação tem razão de ser, como vai dar pra ver mais para frente.

De 2014 para 2015, o Brasil também fez grandes cortes na área cultural, especialmente na esfera Federal e na Estadual. Na Federal, o orçamento do Ministério, já pequeno, enfrenta mais reduções, além de manter as distorções criadas pela Lei Rouanet, que na prática transforma diretores de marketing em gestores culturais. Para piorar, está em discussão nesse momento imitar o exemplo português e extinguir o próprio Ministério da Cultura na reforma que se aproxima. Na Estadual, o governo igualmente reduz o orçamento, fecha Oficinas Culturais e prepara o desmonte de uma TV que foi reconhecida como detentora da 2ª melhor programação do mundo, uma TV que leva a palavra Cultura no próprio nome. Vai ver que é esse o problema, quem sabe?

Em frente à crise, entra outra questão que assombra alguns artistas: é justo o governo dar dinheiro para uma peça, quando poderia empregar para construir mais hospitais, por exemplo? Sempre dá pra responder essa focando mais no abstrato, no alimento da alma etc etc etc, que também seria válido, mas tem uma forma mais concreta de se responder a essa pergunta e nem passa pelo fato de que a porção dedicada à área fica abaixo de 1% do orçamento total do Governo.

A resposta passa por aquela declaração do ex-ministro, sobre a Cultura alavancando a saída da crise. Na semana passada, Portugal apresentou as conclusões da Conta Satélite de Cultura para o período de 2010 a 2012, uma pesquisa que analisa o impacto que as atividades culturais causam na Economia. Uma das conclusões é que a Cultura gera mais riqueza para o país do que as indústrias de alimentos ou mesmo a agricultura. Segundo declaração do tal Secretário de Cultura, “Nós valemos mais do que alguns elementos da economia. Em termos de riqueza valemos quase tanto quanto as empresas de telecomunicações”. Uma pesquisa como essa pode mudar muito a forma como se encara o setor e nós precisaríamos muito de uma parecida aqui no Brasil, para que fosse avaliada a nossa realidade. Enquanto ela não vem, ainda podemos olhar um pouco mais para o impacto da Cultura na economia de outros países.

Os Estados Unidos, por exemplo. O cinema lá gera bilhões de dólares e emprega milhões de pessoas. Em 2014, o teatro arrecadou mais do que o esporte em Nova York. Dá pra imaginar isso? Em termos brasileiros, é como se, em São Paulo, mais gente pagasse para ver TAPA, Parlapatões, Satyros e Folias do que para ver Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Caminho longo pela frente, não? Sim, e talvez a gente nunca chegue lá, mas não dá pra deixar de caminhar.

Para que serve a Arte? É uma pena que a pergunta tenha sido feita, mas já que foi, a gente pode procurar as melhores respostas e tentar aumentar a presença dela na vida de cada pessoa, em um país onde 61% da população nunca assistiu a uma peça de teatro, 71% nunca foi a um museu, 75% nunca assistiu a um espetáculo de dança e 89% nunca foi a um concerto de ópera ou música clássica *. É, o caminho é longo…

* Dados de uma pesquisa do SESC em parceria com a Fundação Perseu Abramo, realizada em 25 estados, em 2013.

Sírios têm visto humanitário para entrar no Brasil

Sírios têm visto humanitário para entrar no Brasil

Há dois anos, o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão do Ministério da Justiça, publicou no Diário Oficial da União norma que garante a concessão de visto especial a pessoas afetadas pelos conflitos armados na Síria e região que desejem chegar ao Brasil buscando refúgio. O visto especial será estendido também à família dessas pessoas deslocadas. Somente na última sexta-feira, das 130 solicitações de refúgio aprovadas pelo CONARE, 27 foram feitas por cidadãos sírios que saíram da região dos conflitos.

A crise humanitária causada pela guerra civil Síria expulsou cerca de dois milhões de pessoas, segundo dados do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O Líbano abriga 720 mil refugiados em acampamentos, outros 520 mil estão na mesma situação na Jordânia, 464 mil na Turquia e 200 mil no Iraque. O Egito recebeu outros 111 mil refugiados.

Segundo registros do Ministério da Justiça, é crescente o número de pessoas da região que busca se refugiar no Brasil. Para o diretor do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, João Guilherme Granja Xavier da Silva o CONARE demonstra a tradição de sensibilidade do governo brasileiro. “A decisão expande o olhar humanitário brasileiro que, em vista do conflito na Síria, a resolução torna mais ágil o processo de entrada dos refugiados com suas famílias”.

O Representante do Acnur no Brasil, Andrés Ramirez, ressalta que a decisão tomada pelo Comitê Nacional para Refugiados reflete o compromisso humanitário do Brasil em manter suas fronteiras abertas para as vítimas do conflito na Síria. “Esta medida responde aos apelos que vêm sendo feitos reiteradamente pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, devido ao enorme sofrimento humano causado por esta tragédia”.

O prazo da resolução normativa é de 2(dois) anos, e expira no próximo dia 20 de setembro. Ficamos, assim, no aguardo de sua prorrogação, para que as portas do nosso país continuem abertas ao povo sírio neste momento em que a crise ainda mais se agrava.

Para acessar a Resolução Normativa, clique aqui.

Fonte indicada: UNHCR – Agência da ONU para refugiados

“Sexo e Gênero”, por Flávio Gikovate

“Sexo e Gênero”, por Flávio Gikovate
(Sao Paulo,SP. .03.2008. h. Foto Eduardo Knapp/Folha Imagem) Digital SP01829 2008 Caderno Equilibrio. Foto do psicoterapeuta Flavio Gikovate, no quintal de seu consultorio na Rua Estados Unidos. Gikovate esta lancando livro sobre o tema AMOR

Toda a história começou em 1949, quando Simone de Beauvoir publicou “O Segundo Sexo”, onde ela diz que “não se nasce mulher; torna-se mulher”. Em outras palavras, a biologia não define tudo o que significa “ser mulher”; existem, pois, o sexo masculino e o feminino, derivados de uma anatomia e fisiologia específicas; existem também os gêneros masculino e feminino, espécies de produção cultural que se faz em torno de cada sexo. Assim, do ponto de vista da tradição, os homens têm que ser mais agressivos, gostar de esportes mais agressivos e competitivos, não devem chorar… as mulheres devem ser mais delicadas, acolhedoras, tolerantes, dedicadas aos filhos… A cada gênero corresponde um determinado tipo de vestuário, corte de cabelo, determinado tipo de gestos e trejeitos.

As questões vão se complicando, pois muitos hoje contestam a validade desses padrões de “performance” masculina e feminina. Se numa primeira fase, no início do século XX, as feministas estavam preocupadas em conquistar seus direitos sociais, em particular o direito ao voto, numa etapa seguinte passaram a se dedicar à libertação feminina no que diz respeito aos padrões familiares rígidos, à libertação sexual e à igualdade profissional. Na fase atual, a chamada terceira onda feminista, o questionamento diz respeito ao gênero: existe uma base biológica para a elaboração do modo de ser feminino (e também o masculino) ou é tudo uma questão cultural? Como explicar os tipos “intermediários”, ou seja, os travestis, os transgêneros, as mulheres que decidem seguir o padrão típico dos mais “machos”?

As opiniões são variadas mesmo dentro do movimento feminista. Algumas são defensoras de que existem alguns aspectos de natureza biológica e que estariam mais que tudo relacionados com a questão da reprodução e cuidado dos recém-nascidos, propriedade feminina inata. Outras, dentre as quais se destaca Judith Butler, filósofa norte-americana, acreditam que não existem diferenças relevantes do ponto de vista da biologia entre homens e mulheres e que somos como somos e agimos como agimos porque fomos ensinados a isso, porque imitamos padrões que nos antecedem e que nos levam a agir de acordo com a “performance” própria de cada um dos gêneros. Ou seja, desconsideram a importância das diferenças biológicas, consideram que somos seres sexuais – no sentido genérico e indiferenciado – e que coube à cultura nos enquadrar dentro de moldes fixos e passíveis de serem criticados e modificados.

Segundo o modo de pensar de Butler, existe uma gama enorme e inexplorada de possibilidades de conduta e de modo de se apresentar que não sejam as fórmulas tradicionais do masculino e feminino; caberia a cada pessoa desenvolver sua própria “performance” de modo livre e independente do sexo biológico. É nesse ponto que não posso deixar de discordar. Penso sempre em nós como seres biopsicossociais. Fico perplexo com a insistência dos estudiosos em privilegiar um desses aspectos da nossa forma de ser em detrimento dos outros. Não sei a que se deve essa dificuldade de operar com as três variáveis simultaneamente, mas o fato é que sempre surgem defensores radicais de uma ou outra dessas vertentes que definem nossa condição.

Nascemos sim com determinados aspectos biológicos que diferenciam o masculino do feminino. As diferenças fundamentais não são, a meu ver, as de natureza anatômica – e nesse aspecto concordo com Butler – mas sim as relacionadas com a fisiologia. Os homens são portadores de um desejo visual muito mais relevante do que o existente nas mulheres. As mulheres se excitam ao se sentirem desejadas pelos homens e essa diferença fisiológica pode influenciar muito a elaboração da “performance” de cada gênero. Após a ejaculação, os homens experimentam um período refratário, de desinteresse sexual, fato que não existe na fisiologia feminina. E isso também pode interferir no modo de se formar os gêneros próprios a cada sexo.

Crescemos em determinado ambiente familiar e sofremos o impacto das pessoas com as quais convivemos intimamente. Delas imitamos vários jeitos e trejeitos, de modo que o que somos como adultos dependerá também das características do contexto psicológico em que nos desenvolvemos, das identificações positivas e negativas que formamos ao observarmos nossos pais, tios, primos, avós etc. É claro que nosso ambiente familiar, se não for muito diferente do que é o mais comum na cultura em que vivemos, reproduz em grande parte os padrões do meio como um todo. Não subestimo a importância dessa influência sobre nossa forma de ser. Hoje mesmo, vivemos um momento em que os gêneros se aproximam em muitos aspectos, definindo um modo de vida essencialmente unissex. Porém, não creio que exista uma liberdade infinita de expressão da nossa sexualidade. Os limites da biologia não podem ser menosprezados.
Para mais informações sobre Flávio Gikovate

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Esse blog possui a autorização de Flávio Gikovate para reprodução deste material.

Mais livros de Flávio Gikovate

 

Depressão: um enfrentamento insuportável com a verdade

Depressão: um enfrentamento insuportável com a verdade

A depressão é uma forma muito particular e avassaladora daquilo que corriqueiramente chamamos a dor de viver. Juntamente com a angústia e a dor propriamente dita, é uma constelação de afetos tão familiar que, como escreve Daniel Delouia, dificilmente conseguimos classificá-la entre os quadros clínicos da psicopatologia. À dor do tempo que corre arrastando consigo tudo o que o homem constrói, ao desamparo diante da voragem da vida que conduz à morte – que para o homem moderno representa o fim de tudo – a depressão contrapõe um outro tempo, já morto: um “tempo que não passa”, na expressão de J. Pontalis.

O psiquismo, acontecimento que acompanha toda a vida humana sem se localizar em nenhum lugar do corpo vivo, é o que se ergue contra um fundo vazio que poderíamos chamar, metaforicamente, de um núcleo de depressão. O núcleo de nada onde o sujeito tenta instalar, fantasmaticamente, o objeto perdido – objeto que, paradoxalmente, nunca existiu.

A rigor, a vida não faz sentido e nossa passagem por aqui não tem nenhuma importância. A rigor, o eu que nos sustenta é uma construção fictícia, depende da memória e também do olhar do outro para se reconhecer como uma unidade estável ao longo do tempo. A rigor, ninguém se importa tanto com nossas eventuais desgraças a ponto de conseguir nos salvar delas. Contra este pano de fundo de nonsense, solidão e desamparo, o psiquismo se constitui em um trabalho permanente de estabelecimento de laços – “destinos pulsionais”, como se diz em psicanálise – que sustentam o sujeito perante o outro e diante de si mesmo.

Freudianamente falando, a subjetividade é um canteiro de ilusões. Amamos: a vida, os outros, e sobretudo a nós mesmos. Estamos condenados a amar, pois com esta multiplicidade de laços libidinais tecemos uma rede de sentido para a existência. As diversas modalidades de ilusões amorosas, edipianas ou não, são responsáveis pela confiança imaginária que depositamos no destino, na importância que temos para os outros, no significado de nossos atos corriqueiros. Não precisamos pensar nisso o tempo todo; é preciso estar inconsciente de uma ilusão para que ela nos sustente.

A depressão é o rompimento desta rede de sentido e amparo: momento em que o psiquismo falha em sua atividade ilusionista e deixa entrever o vazio que nos cerca, ou o vazio que o trabalho psíquico tenta cercar. É o momento de um enfrentamento insuportável com a verdade. Algumas pessoas conseguem evitá-lo a vida toda. Outras passam por ele em circunstâncias traumáticas e saem do outro lado. Mas há os que não conhecem outro modo de existir; são órfãos da proteção imaginária do “amor”, trapezistas que oscilam no ar sem nenhuma rede protetora embaixo deles. “A depressão é uma imperfeição do amor”, escreve Andrew Solomon, autor de “O demônio do meio-dia”, vasto tratado sobre a depressão publicado nos Estados Unidos e traduzido no Brasil no final de 2002. Faz sentido, se considerarmos o sentido mais amplo da palavra amor.

Durante cinco anos, Solomon dedicou-se a pesquisar a depressão: causas e efeitos, tratamentos, hipóteses bioquímicas, estatísticas. Recolheu histórias de vida de dezenas de pessoas que passaram por crises depressivas – “nunca escrevi sobre um assunto a respeito do qual tantos tivessem tanto a dizer”. A estas, acrescentou sua própria história – o trabalho no livro foi uma forma de reação ao longo período em que ele próprio passou por sérias crises depressivas. Um período em que, nas palavras do autor, “cada segundo de vida me feria”.

A julgar pelos números recolhidos por Solomon em relatórios da divisão de saúde mental da Organização Mundial de Saúde – o DSM-IV – esta ferida acomete a um número cada vez maior de pessoas no mundo, e particularmente nos Estados Unidos. 3% da população norte americana sofre de depressão crônica – cerca de 19 milhões de pessoas, das quais 2 milhões são crianças. A depressão é a principal causa de incapacitação em pessoas acima de cinco anos de idade. 15% das pessoas deprimidas cometerão suicídio. Os suicídios entre jovens e crianças de 10 a 14 anos aumentaram 120% entre 1980 e 1990. No ano de 1995, mais jovens norte-americanos morreram por suicídio do que de da soma de câncer, Aids, pneumonia, derrame, doenças congênitas e doenças cardíacas.

Esta forma de mal estar tende a aumentar, na proporção direta da oferta de tratamentos medicamentosos: há vinte anos, 1,5% da população dos Estados Unidos sofria de depressões que exigiam tratamento. Hoje este número subiu para 5%. Sincero adepto dos tratamentos farmacológicos, que segundo ele salvaram sua vida, Andrew Solomon acaba por se perguntar se a doença cresce com o desenvolvimento da medicina ou se a indústria farmacêutica produz as doenças para os remédios que desenvolve, do mesmo modo que outros ramos industriais criam mercados para seus produtos.

Insight sem inconsciente?

A contribuição das terapias medicamentosas no tratamento das doenças mentais é inegável, e o analista, assim como outros “terapeutas da fala” no dizer de Solomon, não pode dispensá-la. “O Prozac não deveria tornar o insight dispensável,”, diz Robert Klitzman, da Universidade de Colúmbia, citado pelo autor. “Deveria torná-lo possível”.

Mas qual o insight possível, capaz de produzir efeitos sobre a subjetividade, em uma cultura onde as práticas de linguagem se impõem fortemente de modo a apagar o sujeito do inconsciente? As histórias de pacientes depressivos enumeradas por Andrew Solomon centram-se ao redor da perspectiva única do vitimismo. As pessoas se deprimem porque não suportam o que foi feito a elas. Acidentes, perdas traumáticas, abandonos, violência, abuso sexual na infância; é de fora para dentro que a vida psíquica se impõe àqueles que sofrem de mal estar.

É óbvio que a rede de proteção do psiquismo pode ser rompida pelas irrupções traumáticas do real; mas as “desgraças da vida” recaem sempre sobre um sujeito, incidem sobre uma posição desejante e são rearticuladas pelas formações do inconsciente, que são formações da linguagem. Do ponto de vista do vitimismo, a cura da depressão consiste na eliminação de todo traço de “má notícia” que advenha do inconsciente. A psiquiatria e a indústria farmacêutica aliam-se a este ponto de vista. “Assistimos a um conluio curioso entre a descrição psiquiátrica e a própria queixa do deprimido”, escreve Delouia. “A ignorância a respeito do psíquico “une o fenômeno depressivo com a parafernália nosográfica da psiquiatria”.

O autor não deixa de ser crítico em relação a esta perspectiva. “Nós patologizamos o curável. Quando existir uma droga contra a violência, ela será encarada como uma doença”. Também é crítico em relação ao ideal de remoção química de toda a dor de existir. No entanto, a ingenuidade a respeito da realidade psíquica prevalece até mesmo em relação à sua própria crise depressiva. Filho de uma mulher ativa e absorvente, que mais tarde ele próprio pode perceber como depressiva, Andrew Solomon participou, junto com o pai e o irmão, do suicídio assistido da mãe, vítima de câncer no ovário aos 58 anos. Depois dessa morte, dramática e intensamente estetizada, a fantasia de suicídio ocorre aos outros membros da família. No ano seguinte, Solomon inicia uma análise com uma mulher que lhe lembra a mãe, e propõe a ela um pacto incondicional: não abandonarão o tratamento até o “fim”, sob nenhuma condição. Mas alguns anos depois,a analista anuncia ao dedicado analisando que vai deixar o trabalho. Aposentadoria por tempo de serviço…

No tempo de análise que lhe resta, Andrew Solomon não entende por que vai entrando em depressão cada vez mais grave, até que a própria analista concorda em que ele busque auxílio psiquiátrico. A análise “termina” pouco depois, e ele atravessa um ciclo de depressões gravíssimas. A inabilidade da analista de Solomon quanto ao manejo da transferência diante de um quadro de luto melancólico salta aos olhos do leitor familiarizado com a psicanálise. Não é sem razão que ele escreve, anos mais tarde, que a psicanálise seja “hábil para explicar, mas não eficiente para mudar” os quadros depressivos.

A julgar pelo relato de Solomon, seu tratamento psicanalítico foi baseado na reconstituição da vida infantil, em busca de um causalidade psíquica que, de fato, pode ter valor explicativo mas não produz nenhuma intervenção sobre o psiquismo vivo e ativo no sujeito adulto. Pierre Fédida, em seu livro sobre a depressão, adverte sobre os riscos de se buscar a evocação de um “acontecimento real que se supõe empiricamente traumático: a vivência infantil – essencialmente inatual na fala associativa – recebe assim uma positividade patogênica, na forma de uma atualidade passada”. O “infantil” que interessa à psicanálise não é o do passado, rememorado pelo eu, mas o que se manifesta ao vivo na transferência, nas demandas dirigidas ao analista. Como a analista de Solomon não se deu conta da relação entre a proposta de uma análise incondicional feita por ele, o amor pela mãe e o pacto de morte que o uniu a ela? Como não se deu conta da relação entre a crise depressiva de seu analisante e o anúncio burocrático de sua “aposentadoria”?

O livro de Solomon não oferece nenhuma contribuição decisiva para o conhecimento da depressão, mas lança uma luz importante sobre as relações entre a emergência epidêmica dessa forma de mal estar e os modos de subjetivação predominantes na cultura norte-americana. Em uma sociedade onde as formações discursivas apagam o sujeito do inconsciente, em que a felicidade e o sucesso são imperativos superegóicos, a depressão emerge – como a histeria na sociedade vitoriana – como sintoma do mal estar produzido e oculto pelos laços sociais. O vazio depressivo, que em muitas circunstâncias pode ser compensado pelo trabalho psíquico, é agravado em função do empobrecimento da subjetividade, característico das sociedades consumistas e altamente competitivas. A “vida sem sentido” de que se queixam os depressivos só pode ser compensada pela riqueza do trabalho subjetivo, ao preço de que o sujeito suporte, amparado simbolicamente pelo analista, seu mal estar. A eliminação farmacológica de todas as formas de mal estar produz também, paradoxalmente, o apagamento dos recursos de que dispomos para dar sentido à vida.

Artigo de Maria Rita Kelh

Imagem de capa: Reprodução

Conheça 9 mitos sobre o amor

Conheça 9 mitos sobre o amor

1 – Homens dão mais valor à parte física das mulheres e as mulheres ao status social dos homens
Homens e mulheres continuam repetindo essa máxima, tal qual um mantra. Mas um estudo da Universidade de Northwestern’s Weinberg, nos Estados Unidos, mostra uma realidade bastante diferente. Com a pesquisa, que envolveu o acompanhamento de 163 jovens durante 30 dias, descobriu-se que, embora boa parte acreditasse na premissa de que homens e mulheres têm prioridades diferentes na hora da conquista, na prática, ambos os sexos agem de forma idêntica. “A beleza é a característica mais desejada, tanto para os homens quanto para as mulheres”, explica o professor Eli Finkel, um dos autores do estudo. A questão do status social fica em segundo plano até entre as mulheres. “O primeiro canal de comunicação é sempre o da aparência física”, lembra a psicóloga Lídia Weber, que ministra o curso “Relacionamento Amoroso: Teoria e Pesquisa”, na Universidade Federal do Paraná. A partir daí, são estabelecidas camadas secundárias de avaliação. E, como se essas semelhanças já não fossem suficientes, o estudo mostrou ainda que, quando homens e mulheres partem para a conquista, os critérios de seleção de um parceiro, ou parceira são praticamente iguais. Nesse sentido, o mito de que as mulheres seriam mais seletivas também cai por terra.

2 – Relações proibidas são mais empolgantes

O frio na barriga do encontro proibido com o ser amado pode ser uma delícia, mas não por muito tempo. Pelo menos é o que demonstra uma pesquisa da Universidade da Geórgia (EUA), de 2005, em que foi constatado que relacionamentos de difícil manutenção, como casos extraconjugais, ou interraciais e interreligiosos, parecem perigosamente interessantes no começo. Mas, com o tempo, manter o segredo é mais trabalhoso e estressante do que divertido. Segundo o estudo, os casais se submetem a esse tipo de relação simplesmente porque não querem contar para a família e os amigos sobre o relacionamento, não porque tenham atração pelo segredo. “Mas as desvantagens a pessoa só vai perceber depois. A paixão é um processo irracional. Se a gente fosse absolutamente racional, não se apaixonaria nunca”, afirma Sônia Eva Tucherman, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria do Rio de Janeiro.A psicóloga Mariana Chalfon, especializada em casamentos interreligiosos, explica que, ao apaixonar-se, o indivíduo pode estar buscando inconscientemente características das quais precisa. “Os opostos se atraem por esse motivo, para tentar fazer com que a pessoa integre esses conteúdos”, afi rma. “Desde o primeiro momento a diferença pode gerar stress, mas isso não é necessariamente ruim. Só resta saber se o casal vai ter força para passar por esse momento e se essa relação vai se tornar madura ou não”, diz Mariana. A psiquiatra Sônia concorda: “À medida que você vai entrando em contato com o ser amado,passa a vê-lo inteiro. É nessa hora que perde a graça e muitas paixões acabam, como se tivessem caído do 50º andar de um prédio.” Ou seja, Romeu e Julieta tinham grandes chances de não serem felizes para sempre, afinal.

3 – Relação com mulheres feministas é mais difícil

O rompimento dessa crença começa na derrubada do estereótipo da feminista: a mulher solteira, feia, lésbica, excessivamente combativa e incapaz de manter um relacionamento romântico. Isso está longe de ser verdade. Laurie Rudman e Julie Phelan, psicólogos da Universidade de Rutgers, nos EUA, derrubaram esse clichê consagrado a partir da década de 60 e provaram que as relações com feministas são mais tranquilas do que com as outras mulheres. Foram avaliadas a combinação de qualidade na relação, equidade de gêneros, estabilidade e satisfação sexual. De maneira geral, elas são mais seguras, mantêm uma vida sexual mais satisfatória e seus relacionamentos têm menos altos e baixos, sendo relações inclusive mais românticas. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, autora de “Toda Mulher é meio Leila Diniz”, o fenômeno se aplica, principalmente, a mulheres independentes economicamente. “São muito mais exigentes na escolha de um parceiro e seguras de suas escolhas.”

4 – O romance e a paixão desaparecem com o tempo

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A evolução da paixão para o amor maduro não precisavir acompanhada de um esfriamento da relação conjugal. A conclusão é dos pesquisadores Bianca Acevedo e Arthur Aron, da Universidade da Califórnia (EUA). Depois de analisar 27 estudos que envolveram mais de seis mil entrevistados – 17 levantamentos feitos com jovens em relações fugazes e outros dez feitos com homens e mulheres casados há pelo menos uma década –, eles perceberam que existe um meio-termo entre paixão arrebatadora e marasmo conjugal. Batizado por eles de amor romântico, esse sentimento requer esforço para ser construído, mas pode ser mantido por tempo indeterminado. “A transição é um momento crítico”, diz o sexólogo Joaquim Zailton Motta, do Grupo de Estudos sobre o Amor de Campinas (SP). Alguns conseguem. Dorli Kamkhagi, psicogeriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, tem casos de casais de 80 anos que se preocupam em manter a chama do sexo acesa. “O companheiro é o norte na vida de quem já criou filhos, construiu uma história e agora quer aproveitar.”

5 – O fim de um relacionamento é mais difícil para quem ainda está apaixonado

Quem ama sofre mais com o fim do relacionamento, certo? Errado. Essa foi uma das conclusões de Eli Finkel, coautor do estudo da Universidade de Northwestern’s Weinberg (EUA), que avaliou o grau de sofrimento esperado e real de casais em processo de separação. Para isso, sua equipe acompanhou 26 pessoas em relacionamentos durante 38 semanas de altos e baixos. Onde houve rompimentos, a expectativa de sofrimento registrada duas semanas antes da data do fim foi comparada ao sofrimento real nas quatro semanas subsequentes ao término da relação. O parceiro que imaginava que mais ia sofrer, de modo geral, foi o que superou mais rápido o término. A antropóloga Telma Amaral, da Universidade Federal do Pará, acredita que a expectativa de uma dor insuportável pode ajudar a amenizar a angústia real. “O cenário terrível imaginado, perto de uma realidade menor, diminui o impacto, o sofrimento”, afirma.

6 – O convívio antes do casamento prepara o casal para a vida conjugal

Ao contrário do que indica o senso comum, morar junto para testar se o relacionamento dá certo pode não ser o melhor caminho para a felicidade. De acordo com o estudo do ano passado da Universidade de Denver (EUA), conduzido pelos psicólogos Galena Rhoades, Scott Stanley e Howard Markman, casais que dividem o mesmo teto antes de oficializarem a relação têm mais chances de se divorciar e registram uma percepção de relacionamento menos satisfatória do que os que esperaram pelo grande dia. Para a psicóloga Mariana Chalfon, de São Paulo, um dos motivos pode ser a ausência do ritual. “A passagem que o casamento simboliza tem uma força maior do que as pessoas imaginam. Existe uma mobilização social cheia de símbolos que reforça esse impacto.” De acordo com o estudo, casais que passam a morar junto sem um comprometimento mais enfático com o casamento podem acabar continuando na relação por comodismo. Uma das razões levantadas pela pesquisa é que seria mais difícil terminar o relacionamento quando se divide a mesma casa
antes do casamento. Outro problema subjacente que os pesquisadores encontraram é que casais que precisam “testar” a relação em geral já sabem ter algum problema que pode detonar a relação com o tempo.

7 – Biologicamente, os homens não foram feitos para a monogamia

Um estudo conduzido pela equipe do geneticista sueco Hasse Walum, do Karolinska Institute, em Estocolmo, aponta o contrário. Ao acompanhar 552 pessoas em relacionamentos bem estabelecidos, descobriu-se que, quanto menos cópias o homem tem de um gene específico, batizado de RS3 334, maior a propensão de viver uma vida satisfeita com a monogamia. O gene funciona da mesma maneira com a capacidade que temos de confiar uns nos outros: quanto menos cópias, mais confiantes, e, quanto mais cópias, mais desconfiados somos. “Mas não faz sentido limitar a discussão ao plano biológico”, explica Lídia Weber, professora de psicologia da Universidade Federal do Paraná. “Evolutivamente, se nosso objetivo fosse apenas espalhar material genético, seríamos todos polígamos.” Boa parte das sociedades não aceita o comportamento em larga escala e a monogamia se tornou uma importante ferramenta de organização social. “Nós, humanos, até temos o desejo da poligamia, mas optamos pela monogamia em prol de um objetivo maior, como a constituição da família”, exemplifica a terapeuta de casais Marina Vasconcellos.

8 – Para os homens, masculinidade se afirma com vigor físico e sexual

O modelo de homem que exibe sua virilidade por meio do corpo e da sexualidade está caducando. Esses fatores podem ainda ser importantes, mas não são mais suficientes. Um estudo publicado pelo inglês “Journal of Sexual Medicine” feito com 27 mil homens em oito países – incluindo o Brasil – mostrou que fatores como autoconfi ança, firmeza de caráter e controle sobre a própria vida ganharam mais importância na afirmação da identidade masculina. Para sorte das mulheres, esse novo homem está cada vez menos egoísta nos relacionamentos e se preocupa cada vez mais, em todos os planos, com o bem-estar da companheira. Em todas as nacionalidades, boa saúde, uma vida familiar harmoniosa e um relacionamento prazeroso com a esposa ou parceira era mais importante para a qualidade de vida do que preocupações materiais ou puramente sexuais. A antropóloga carioca Mirian Goldenberg, autora de “Toda Mulher é meio Leila Diniz”, comprova que a mudança é bem-vinda. “As mulheres esperam, e até mesmo exigem, que os homens mudem seus comportamentos, no que diz respeito ao relacionamento amoroso, mas também na forma de se vestir e se cuidar”, afirma.
9 – Brigas e críticas minam o casamento
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“Só o amor volta para brigar, para perdoar”, disse Carlos Drummond de Andrade. Apesar de parecer maluquices de poeta, a ideia de que as discussões fazem parte dos relacionamentos saudáveis ganhou respaldo da ciência. Dois estudos da Universidade de Michigan (EUA), de 2008, mostram que brigar pode ajudar a resolver conflitos e aproximar o casal. Quando a raiva é suprimida em nome de uma suposta estabilidade da relação, o que acontece é justamente o contrário. Há, inclusive, consequências físicas para quem opta por abafar os conflitos. O mesmo estudo, que ouviu 192 casais durante 17 anos, apontou que, em relações em que os parceiros não expressam a raiva, a chance de uma morte prematura, devido ao stress, duplica se comparada à de pessoas que expressam seus sentimentos, mesmo que isso resulte em briga. Só não vale todo tipo de briga. “As críticas podem ser feitas, mas têm que ser entendidas como algo que leva ao crescimento. É preciso discutir sem ser intolerante, sem intransigência”, afirma Antonio Carlos Amador Pereira, da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O psicólogo arrisca até dizer que esse diálogo pode ficar acalorado. “Desde que não haja violência, seja verbal, seja física.

Fonte indicada: Isto É

7 lições que as pessoas normalmente aprendem da forma mais difícil

7 lições que as pessoas normalmente aprendem da forma mais difícil

Por Chris Ayres

Há certas coisas que acontecem em nossas vidas e nos perguntamos o porquê. Nossos erros e acertos, nossas decepções, fracassos ou vitórias nos moldam e nos fazem a pessoa que somos. Mas algumas coisas, a grande maioria de nós aprende, muitas vezes, apanhando.

1. Ninguém é perfeito

Sempre haverá alguém melhor que você. Por mais que você ache que domina alguma profissão, matéria, habilidade ou situação, você poderá se surpreender e estar enganado em algum momento. Não se compare, apenas faça o seu melhor.

Sempre haverá alguém que lhe decepcionará. Seus pais, professores, pastores e amores são humanos falíveis, e isso não tem problema, pois você também é. Enquanto estivermos vivos, decepcionaremos alguém, então, faça seu melhor e não seja tão duro com os outros ou consigo mesmo.

2. Viva de acordo com suas possibilidades

Enquanto está trabalhando, poupe para os dias difíceis. Mais cedo ou mais tarde, se você não é uma pessoa econômica ou mesmo se o é, dependendo da situação, estará amarrado em dívidas que tirarão sua paz e seu sono, causando problemas na família e casamento, destruindo o futuro de seus filhos e mesmo em sua saúde.

Aprenda a viver dentro do orçamento. É melhor uma vida simples do que a falsa pompa do débito acumulativo.

3. Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje

Declare seus sentimentos por seus pais, amigos, filhos e amores enquanto estão vivos. Não cultive o arrependimento de não ter tido tempo de ser gentil a alguém, ou de ter dito ou passado mais tempo com aquela pessoa que não está mais aqui. Aproveite cada oportunidade de fazer o dia de alguém melhor, de pedir perdão, de sorrir e abraçar.

Todos nós morreremos, então, não perca tempo. Amanhã pode ser tarde demais.

4. Antes sozinho do que mal acompanhado

Devemos ser amigos de todos, ajudar e perdoar constantemente, mas relacionamentos abusivos ou amizades tóxicas onde você é o único a ajudar, muitas vezes tirando a pessoa da lama, ajudando com tudo, e a pessoa lhe usa, abusa e suga suas energias, e ainda difama e inveja, mais cedo ou mais tarde lhe trarão mais decepções que aprendizado.

Aprenda a colocar de lado a negatividade, cortando da sua vida o que não presta. Da mesma forma, se você é o que está reclamando de tudo e de todos, você provavelmente é o que está criando o drama. Respire fundo, arrependa-se, peça perdão, faça a restituição do erro, e recomece. Você irá até respirar melhor.

5. O mundo dá voltas

Esta é uma verdade absoluta. Você pode errar hoje, e aqueles que lhe condenam e debocham, terão o lembrete mais cedo ou mais tarde em seu próprio infortúnio, naturalmente, e infelizmente, às vezes, com consequências à própria família. Da mesma forma, aqueles que julgam serão julgados na mesma medida.

Não defina as pessoas por seus erros, porque a vida lhe trará a resposta bem rápido. Arrependa-se e viva uma vida plena a ponto de olhar para trás, e saber que fez tudo o que podia, e tratou os outros como gostaria de ser tratado.

6. Forme sua própria opinião sobre pessoas e assuntos

Em algumas fases da vida, as pessoas nos influenciam, mas todos chegamos a algum ponto onde precisamos deixar de nos influenciar ou parar de acreditar no que dizem, mesmo que essas pessoas tenham poder, fama ou fortuna, pois muitas vezes, os prejudicados podem ser nós mesmos.

Não apenas acredite no que dizem sobre algo ou alguém. Faça sua parte em conhecer a pessoa ou situação e tire suas próprias conclusões sabendo ouvir ambas as partes. Há uma lei universal que diz que você deve procurar a pessoa em particular e resolver um problema que tiver com ela diretamente. Não espalhe mentiras ou histórias que você não conhece os dois lados ou mesmo que os conheça. Se não tiver nada de bom a dizer sobre alguém, apenas cuide de sua própria vida, e lembre-se: “tire a viga do teu olho antes de reparar no cisco do olho do teu irmão”. (Mateus 7:1-5)

7. Todas as suas experiências são para seu próprio bem

Você pode estar se sentindo massacrado neste momento, mas, se escolher fazer o certo, tudo será para seu próprio aprendizado e durará apenas um momento. A verdade virá, o momento difícil passará, mesmo uma tragédia trará experiências a sua vida que você não teria de nenhuma outra forma, e você conseguirá sobreviver a qualquer situação que parece não ver a luz no final do túnel neste momento, muitas vezes com bênçãos em dobro. O Senhor sempre vê tudo e perante Ele a misericórdia e a justiça não falharão.

Acredite, busque uma visão mais elevada, suas bênçãos estão reservadas e são intransferíveis. Coloque sua casa em ordem. Retire de sua vida o que não agrega. Jamais perca sua fé. Seja paciente e reconheça as bênçãos em meio às provações. Depois, sorria para os céus e agradeça.

A maioria destas lições somos mestres na teoria, e quando nos acontecem, parecemos negar o poder que a vida tem de nos ensinar. Nada acontece por acaso e tudo é para nosso aprendizado. Seja grato pelas provações e pelas bênçãos, e transforme sua vida, um dia de cada vez.

Fonte indicada: Familia

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