É verdade que Fernando Pessoa…?

É verdade que Fernando Pessoa…?

Por Simone Cunha e Vitor Sorano, de Lisboa

.Fez slogan para a Coca-cola?
“Primeiro, estranha-se, depois entranha-se.” O slogan foi bolado pelo poeta entre 1927 e 1928, e deveria marcar a entrada do refrigerante em Portugal. Mas, segundo biografias de Pessoa, o regime fascista e paranoico de António Salazar viu na frase evidência da ligação da bebida com a cocaína. Na versão mais efervescente da história, o estoque do refrigerante que já estava em Lisboa foi apreendido e jogado no mar. O fato é que a Coca-Cola só entrou em Portugal em 1977, 9 anos após a morte do ditador e 3 após o fim da ditadura.

…Criou uma lista telefônica universal?
Em 1925, Pessoa patenteou uma lista telefônica mundial que usaria apenas figuras. Um dentista brasileiro teria nossa bandeira e um dente, por exemplo. É, outro projeto que não deu certo.

…Escreveu um guia turístico?
Lisbon, What a Turist Should See foi escrito (e não publicado) em inglês – mais um plano frustrado. Como os originais só foram descobertos 60 anos depois, os editores dão um conselho bem lusitano: “Contate as atrações citadas a fim de certificar-se de que ainda existem”.

…Armou um desaparecimento?
Em 1930, o ocultista britânico Aleister Crowley já trocava cartas com o poeta havia um ano e se convidou para um tour guiado por Portugal. Trouxe junto uma jovem amante, brigou feio com ela e sumiu do mapa. Sequestro? Assassinato? Suicídio? Pessoa tentou emplacar um livro sobre o desaparecimento do então mago mais pop do mundo – queria 200 libras adiantadas de quem topasse. O fato de que era tudo uma mentira bolada por ele e Crowley deve ter contribuído para o fracasso de mais esse projeto.

Fonte indicada: Superinteressante

Por que os simpáticos comem mais?

Por que os simpáticos comem mais?

Por ABIGAIL CAMPOS DÍEZ

Woody Allen não come o mesmo que Julia Roberts. Nem você o mesmo que seu vizinho de quarto. E não só por uma preocupação com a silhueta. As pessoas se alimentam de uma coisa ou de outra em função de sua capacidade de abrir-se a novas experiências, sua responsabilidade, extroversão, amabilidade ou instabilidade emocional (as cinco grandes personalidades estudadas pela psicologia). É a conclusão de um estudo do Swiss Federal Institute of Technology publicado em janeiro passado na revista Appetite.

Os autores do ensaio citam os seguintes exemplos. As pessoas emocionalmente instáveis ou neuróticas tendem a consumir alimentos pouco saudáveis ou a comer demais. Os responsáveis ingerem mais frutas e rejeitam os alimentos pouco favoráveis para controlar a dieta. Os extrovertidos comem mais doces, carne e alimentos calóricos porque saem muito em consequência de suas intensas relações sociais. As pessoas afáveis comem menos carne. E os abertos a novas experiências gostam de provar comidas com frutas, alimentos salgados e verduras.

Isso é verdade? Será que não gostar da macarronada de domingo é algo que vem “de fábrica”? “Não há dúvida de que o tipo de caráter e a personalidade influem na escolha dos alimentos”, responde Javier Aranceta, professor associado de Nutrição da Universidade de Navarra e presidente da Sociedade Espanhola de Nutrição Comunitária, órgão que está finalizando uma revisão da Pirâmide da Alimentação Saudável para acrescentar uma nova base, que inclui um campo específico para o equilíbrio emocional como elemento determinante em nossa dieta (os outros são a atividade física diária, o equilíbrio energético, as técnicas culinárias saudáveis e a ingestão de quatro a seis copos de água por dia). O documento de consenso faz recomendações alimentares para os próximos cinco anos.

“A escolha dos alimentos está sujeita a fatores econômicos, ao nível cultural e ao nível de conhecimento em nutrição, mas os fatores psicológico e emocional têm muita importância. Atrevo-me a dizer que poderia responder por 25% do peso de nossa alimentação. Um bom exemplo é o perfil de uma pessoa idosa, viúva, que vive sozinha e ganha uma pequena aposentadoria. Não tem ânimo para manter uma alimentação equilibrada, exceto no dia em que vem a família e ela prepara uma comida espetacular. É óbvio que saberia fazê-la todos os dias, mas não tem ânimo”, acrescenta Aranceta.

A escolha dos alimentos está sujeita a fatores econômicos, ao nível cultural e ao nível de conhecimento em nutrição, mas os fatores psicológico e emocional têm muita importância”, diz Javier Aranceta

O equilíbrio emocional é importante para o que gostamos de comer, o que compramos, como preparamos e a maneira como vamos comer. “Quando estamos muito estressados procuramos essa sensação compensatória em alimentos com determinados sabores e aromas: chocolate, açúcar e também alimentos crunch, que são os crocantes. Mas os chocólatras devem saber que o chocolate gera picos de glicemia que desaparecem em 30 minutos, produzindo um efeito rebote”. Ou seja, seu consumo acalma, “mas em pouco tempo dá vontade de comer mais”.

Personalidade (e sabor) picante

Outro estudo do Institute of Food Technologists de Chicagoconstatou que a preferência por comida picante ou insípida também é uma questão de personalidade. Quem não teme a busca de sensações gosta de pimenta muito mais do que as pessoas de natureza mais calma. “Concordo que somos o que comemos e como comemos. Sem dúvida, podemos saber muito de uma pessoa por sua maneira de comer (a rapidez, por exemplo), assim como pelo tipo de alimentos que consome. E até averiguar o momento emocional que está atravessando. A alimentação é uma das formas de canalização das emoções, por isso quando não são adequadamente controladas acabam gerando um problema, como ocorre com a obesidade e os transtornos de conduta alimentar”, aponta María del Mar González Muñoz, psicóloga clínica e diretora do departamento clínico da USTA (Unidade de Transtornos de Conduta Alimentar de Salamanca).

É fato que a comida está presente em todo evento social. Ficamos para comemorar em torno de uma mesa ou para conversar em um balcão de bar. Isso explica que as pessoas mais sociáveis e extrovertidas comem mais e em maior variedade. “E as pessoas mais rígidas, vão plasmar sua firmeza na alimentação, cuidando (às vezes excessivamente) do que consomem, as calorias, a qualidade dos alimentos, etc.”, acrescenta González Muñoz.

No entanto, embora a personalidade pareça determinante para o que ingerimos, não se trata de algo imutável. Essas condutas podem ser modificadas com educação nutricional. Se não comermos bem, nossa saúde psicológica não será tão boa, e isso será um fator de distorção que nos fará sentir pior (e nos alimentarmos de acordo). “Há uma aprendizagem que acaba se transformando em um processo automático no qual não questionamos o que fazemos. Trata-se de reverter algo que fazemos sem pensar: estou deprimido e como chocolate; estou entediado e como biscoitos; estou nervoso por causa de uma prova e passado a tarde beliscando. Nenhuma destas emoções se resolve comendo, mas é o que vimos e aprendemos, e funcionou a curto prazo”, conclui a psicóloga.

Dicas para evitar uma comilança emocional

A maioria já passou por isso. Depois de um dia de cão no trabalho, você volta para casa tarde, com um cansaço enorme e… assalta a geladeira. Os especialistas nos dão dicas para que isso não volte a acontecer.

1. Atrase (ainda mais) a volta a casa. Aproveite para fazer alguma tarefa, com o objetivo de adiar seu encontro com a despensa. Chegue um pouco antes da hora do jantar e troque de roupa, planejando, enquanto isso, um jantar saudável.

2. Não armazene alimentos excessivamente calóricos. Procure não ter em casa todas aquelas coisas a que nos lançamos no momento da gula e que costumam ser pães doces, batatas fritas, etc.

3. Tenha comida pronta. Mesmo que sua cara-metade tenha ido embora e você chegue em casa com vontade de se entupir de chocolate, ter uma vasilha com comida saudável na geladeira facilitará as coisas.

4. Faça exercícios. Isto distrairá o corpo do motivo de sua ansiedade. É preciso manter baixo o nível de cortisol, que é o hormônio que dispara como resposta ao estresse. Corra, vá à academia ou, simplesmente, passeie.

5. Elabore listas. Se comer compulsivamente é da sua personalidade, faça uma lista do que comeu ao longo do dia. Quando se surpreender com a magna quantidade, talvez fique mais fácil controlar a comilança.

Fonte indicada: El Pais

Você trabalha ou dá aula? – Considerações a respeito da Síndrome de Burnout

Você trabalha ou dá aula? – Considerações a respeito da Síndrome de Burnout

A dinâmica educacional segue seu curso em um ritmo descompassado em relação ao que há fora dos muros escolares. As transformações de mundo, sociedade e cultura não são acompanhadas pela lógica educacional. Os atores desse ambiente, docentes e discentes, conflitam em valores, princípios, ideias e concepções. A convivência se assemelha a uma “”queda de braço”” em que todos saem pelo menos fadigados e porque não dizer machucados. Por lidar diretamente com pessoas, as demandas e responsabilidades depositadas nos ombros dos professores é enorme.

O docente precisa constantemente se revitalizar profissionalmente. É necessário estar atento, atualizando-se sobre novas maneiras de ensinar, além de procurar se inteirar das tecnologias disponíveis.

Os educadores precisam lidar também com a desestruturação familiar, alunos com defasagem cognitiva e indisciplina, que, por outro lado, pode ser uma reação dos educandos pelas práticas e propostas educacionais, que não atendem às suas necessidades e realidades.

A burocratização das atividades, a falta de motivação e de valorização do profissional da educação e o desgaste emocional se manifestam em doenças e fobias. O docente se sente sozinho, o que requer um sobre-esforço na realização de atividades além das suas possibilidades e, com medo de não dar conta da situação, adoece. Essa enfermidade advinda do ambiente profissional, ligada às altas demandas emocionais, é conhecida como burnout (do inglês – o que queima e corrói), ou seja, síndrome de esgotamento profissional, pela qual o docente perde o sentido da sua relação com o trabalho.

Os registros da Organização Internacional do Trabalho apontam que a profissão docente está entre as mais desgastantes do mundo, gerando alta incidência de licenças por conta de problemas de saúde.

E há ainda aqueles que perguntam: “Você trabalha ou dá aula?”

Entre as consequências do mal estar na área profissional da educação, o autor Wanderley Codo (Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 2002) cita a exaustão emocional, a despersonalização e a falta de envolvimento pessoal no trabalho, em que o desejo de abandonar a docência pode surgir.

Mas, a pior das reações do profissional que adoeceu é a fuga. É olhar o processo, mas não mais nele se reconhecer. (Para maior detalhamento do tema, conferir Silva, M.P. G.O. et.al. A silenciosa doença do professor: burnout, ou mal estar docente. Revista Científica Integrada – Unaerp Campus Guaurjá, Guarujá, 06 jun. 2013).

Há um longo caminho a ser percorrido: é preciso que haja políticas de prevenção do governo, para reconhecer os problemas dos professores como doença de trabalho, o que hoje é ignorado. A legislação trabalhista, até o momento, não reconhece a síndrome de Burnout como uma grave doença. E é muito mais grave que o estresse, explica a pesquisadora Mary Sandra Caroloto no texto “”A Síndrome de Burnout e o trabalho docente””. 7ª ed. Paraná: Psicologia em Estudo, 2002.

Pesquisa na área de saúde sobre a região sudeste do Brasil aponta que, de 77 professores que responderam aos instrumentos de coleta de dados, 54 professores (70,13%) apresentavam sintomas de Burnout, e, dentre eles, 85% sentiam-se ameaçados em sala de aula, 44% cumpriam uma jornada de trabalho superior a 60 horas semanais e 70% estavam incluídos na faixa etária inferior a 51 anos (Levy, G.C.T.M. et. al. Síndrome de Burnout em professores da rede pública, Revista Prod. vol.19 n. 3 São Paulo, 2009).

É fundamental que o professor tenha à disposição uma equipe multiprofissional que possa ir a fundo para identificar a origem do mal, entender os motivos dos adoecimentos e apontar caminhos alternativos, além de políticas trabalhistas e educacionais que oportunizem cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar mais digna e completa.

Profa. Denise Lemos Gomes, licenciada em Letras Português/Inglês e em Pedagogia, mestra em Educação e doutora em Educação, Coordenadora de Letras: Português/Inglês da Uniso. ([email protected])

Profa. Daniela Aparecida Vendramini Zanella, licenciada em Letras Português/Inglês, mestra em Educação e doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Na Uniso, é professora no curso de Letras, bolsista/formadora PIBID/CAPES e coordenadora do grupo de estudos “Tempo de Aprender”. ([email protected])

Fonte indicada: Jornal O Cruzeiro

“O QUE É VIVER BEM”, por Cora Coralina

“O QUE É VIVER BEM”, por Cora Coralina

Todo mundo tem sua definição do que é viver bem, e Cora Coralina tinha a sua. Famosa por ser poetisa e contista, a goiana (nascida na Cidade de Goiás, antiga Vila Boa de Goiás), Cora Coralina (1889-1985), ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, autora de “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” e “Meu Livro de Cordel”, também foi doceira, vendedora de livros, produtora e vendedora linguiça caseira e banha de porco, e chegou a gravar um disco. Na sua receita particular de viver bem está a leitura, a autenticidade, o sorriso e não dizer que está velha, nem que está doente, e tampouco que não ouve bem. Espirituosa, ela também viveu suas buscas e, aos 50 anos, experimentou uma profunda mudança interior que classificou como “a perda do medo” (Wikipedia). Foi a partir dessa ocasião que ela deixou o nome Ana Lins de lado e adotou Cora Coralina.

Cora Coralina não é goianiense. Ela é goiana (pois nasceu no estado de Goiás) e é vilaboense (pois nasceu na Cidade de Goiás, antiga Vila Boa de Goiás).

Abaixo, viver bem, por Cora Coralina.

O QUE É VIVER BEM
Por Cora Coralina

Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem?

Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.

O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

Compartilhado por Carla Purcino.

Fonte indicada Dharmalog

Barriga de pai

Barriga de pai

Filho não traz felicidade, nem paz interior e nem realização. Pelo contrário, filho traz muita preocupação e as preocupações nascem antes deles próprios. Vai ser menino ou menina? Será que ele(a) é perfeito(a)? Se eu morrer quem vai cuidar dele(a)? São infinitas as preocupações, os questionamentos e medos, quem vêm antes e depois do nascimento dos filhos.

Filhos não são obrigatoriamente bons, porque somos bons, nem mal porque somos mal. Madre Tereza, Sena e Obama tiveram pais, mas Suzane Von Richthofenr, Osama bin Laden e o maníaco do parque, também tiveram pais, não dá para atribuir aos pais, todas as glorias e desgraças do mundo, realizada por uns ou outros filhos.

Filhos não necessariamente, seguem nossas careiras, ensinamentos ou doutrinas, afinal eles não são como livros de colorir, onde colocamos nossas cores favoritas. Filhos têm vontade própria.

Falo por mim. Uma parte de mim começou a morrer no dia que adotei meu filho, pelo menos a parte mundana e solitária.

Primeiro morreu o tal amor próprio, pois aprendi a amá-lo mais que a mim mesmo. A vaidade caiu por terra, hoje já não importa mais, se surge uma barriguinha ou as marcas indeléveis do tempo, basta que ele esteja saudável, sorrindo e crescendo dentro do padrão esperado e, afinal, filho é sempre a pessoa mais linda do mundo.

Então, pra que estar belo, se sempre ele estará mais belo do que eu? Dou-me por satisfeito, a competição pela beleza, se encerrou para mim, meu filho é mais bonito que eu. Morreu o “eu mereço” para aquela compra fora de hora, aquela viagem não planejada. Hoje necessito de menos mimos e compensações ou quase nada, meu filho, sim, esse merece a melhor alimentação, um bom plano de saúde, estudar na melhor escola que eu possa pagar, depois fazer intercâmbio, conhecer a Disney e o mundo.

E assim que possível, garantir seu futuro financeiro.

Filho não traz felicidade para quem não consegue ser feliz por conta própria, mas, garanto, filho traz super poderes. Não conheço ninguém que tenha recebido aumento de salário, bônus ou abono salarial, só porque teve filho, mas o dinheiro rende milagrosamente e eu aprendi, na pratica, que onde se come um, sim é possível comerem dois, três, ou quatro (meu filho e suas babás), como o mesmo salário que eu tinha antes dele.

E mais, que esse salário tem o dever de virar moradia, transporte, saúde, segurança, brinquedos, diversão e muito mais.
Desenvolvi uma forma tão especial de conectar-me a ele, que isso deixou todas as redes sociais que já experimentei desinteressantes e desatualizadas.

Filho não traz paz interior para quem não fez as pazes com seu passado e o mundo, mas me fez aprender a amar mais, admirar mais e até perdoar o que eu julgava falhas nos seus pais.contioutra.com - Barriga de pai

Meu filho me trouxe uma segunda chance de reescrever a minha própria história, preencher as lacunas e marchar a passo largos rumo a paz tão sonhada.

Filho não traz outras realizações, além do desejo de ser pai ou mãe, pois, afinal, ninguém tem a obrigação de realizar por nós, aquilo que é do nosso dever, mas me trouxe um sentimento igualmente compensador, a incrível sensação de dever cumprido. Todos os dias, invariavelmente, independente de como o meu dia começou ou terminou, quando o sono da noite chega até os olhinhos do filho Saulo e o vejo dormindo, seguro, saudável e em paz, tenho a sensação que cumpri honrosamente o papel a que me foi atribuído, através da paternidade escolhida, ser guardião do bem maior que Deus nos deu: a vida.

Alemberg José de Santana, médico com pós-graduação em Oftalmologia e Psiquiatria, gay e militante gay.

Vamos proteger nossos filhos do “grooming”, o novo perigo na internet

Vamos proteger nossos filhos do “grooming”, o novo perigo na internet

Por Daniela Lopez

O fenômeno “grooming” quase não é conhecido, é uma nova maneira de enganar menores com a finalidade de produzir pornografia, sequestrá-los e prostituí-los.

Hoje, a tecnologia e a internet são acessíveis a todos, isso tornou possível que durante os últimos anos tenhamos nos familiarizado com termos como sexting e ciberbullying. Como pais, precisamos estar sempre atentos ao que acontece na internet, de modo que o objetivo deste artigo é falar sobre um assunto emergente, do qual pouco se sabe: o grooming.

O que é grooming?

Este termo em inglês refere-se a ações que um adulto utiliza online para ganhar a confiança e a amizade de uma criança ou adolescente, fingindo ser alguém de sua idade, com o objetivo de pedir imagens ou vídeos de conteúdo sexual para satisfazer-se sexualmente.

Isso ocorre por meio de redes sociais, chats, e-mail, celular e webcam. Basta um clique em qualquer uma dessas redes sociais para as crianças e adolescentes serem enganados.

Como podemos ver, isso começa no ciberespaço, mas, infelizmente, pode transcender ao mundo “real” e transformar esses jovens em vítimas de tráfico e prostituição, pornografia infantil ou qualquer outro tipo de abuso.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o recrutamento de menores para fins sexuais pode demorar minutos, horas, dias ou meses, dependendo dos objetivos e necessidades do infrator, bem como as reações dos menores.

Segundo as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a cada ano, cerca de 1,2 milhões de crianças e adolescentes são traficados em todo o mundo. É o terceiro delito mais lucrativo, depois do tráfico de drogas e do tráfico de armas, gerando entre US $8,000 milhões e 10,000 milhões por ano.

De acordo com pesquisas feitas pela ONU, alguns criminosos chegam a ter até 200 conversas com menores em suas listas de chats, redes sociais ou mensagens instantâneas.

As técnicas utilizadas por esses criminosos são muito sedutoras, eles se envolvem com as vítimas a ponto de se tornarem seus amigos, passando-lhes confiança, conhecendo seus gostos, seus problemas, e assim conseguem que eles lhe forneçam dados pessoais que podem utilizar para extorquir a vítima. Eles fazem de tudo para se aproximarem das crianças e atingirem seu objetivo.

Uma vez capturados, o assédio começa, ameaçando a vítima de prejudicar a sua família ou publicar as imagens enviadas para obter cada vez mais material pornográfico ou também tentam encontrar-se com o menor fisicamente para abusar dele sexualmente.

O que você pode fazer para evitar que isso aconteça com seus filhos?

1. Mantenha-se informado

O básico para prevenir o grooming é estar informado, porque os riscos são grandes. É essencial ajudar a divulgar este tema começando por aqueles que nos rodeiam: filhos, sobrinhos, colegas de escola, professores, etc.

2. Converse com seus filhos

Não adianta manter as crianças isoladas de redes sociais e tecnologia. Lembre-se que eles podem ter acesso à internet em qualquer lugar. O melhor a fazer é explicar a eles o que é o grooming e suas consequências. Por exemplo: um ponto muito importante é dizer-lhes para não compartilhar fotos ou vídeos pessoais na rede, muito menos concordar em enviar fotos ou ligar a webcam para se despir.

3. Ajude seus filhos a cuidarem de si mesmos

É importante que as crianças e jovens adquiram as ferramentas necessárias para se cuidarem na internet, ensinando-os a não entrar em contato com estranhos em redes sociais, não fornecer dados pessoais tais como: nome dos pais, escola que frequentam, se eles têm irmãos, números de telefone, entre outros.O vídeo abaixo mostra um caso de dar calafrios.

4. Ouça seus filhos e, se necessário, denuncie

É muito importante que as crianças se sintam seguras em falar se algo como isso acontecer com eles. Se a situação se apresentar, não culpe seu filho, confie nele, acredite no que ele lhe contar e faça uma denúncia imediatamente através da polícia cibernética no país onde você está ou para as autoridades competentes.

Lembre-se que formamos a autoestima de nossos filhos em casa, conversando com eles, fornecendo um tempo de qualidade, confiança, respeito e amor. Só assim poderemos dar-lhes as ferramentas para que eles não caiam nas mãos de pessoas inescrupulosas e aprendam a cuidar de si. Todos podemos nos tornar adultos protetores que se importam com e acompanham o desenvolvimento saudável das crianças. Abaixo, um vídeo produzido pela UNICEF.

Fonte indicada: Família

A diferença que faz gostar da sua profissão

A diferença que faz gostar da sua profissão

Parte 1

Na fábula, a Cigarra vive feliz, cantando o dia inteiro, enquanto a Formiga está sempre trabalhando, sempre estressada, preocupada em armazenar cada vez mais comida. O fim da história apresenta uma moral que mostra que a formiga estava certa e a cigarra, errada.

Esses dias, um amigo publicou um post em que um jornal anunciava: Afinal é tudo mentira: As formigas são mesmo preguiçosas. A matéria afirmava que “apenas 2,6% das formigas estava trabalhando o tempo todo durante as observações, enquanto 71,9% passavam metade do dia sem fazer nada. As formigas que apareceram o tempo todo inativas eram 25,1%”.

contioutra.com - A diferença que faz gostar da sua profissãoCom a capacidade de nos fazer pensar que só mesmo o Facebook tem, este post me levou a duas linhas de raciocínio: Na primeira, uma pequena meditação sobre essa imprensa, que não está perdoando a intimidade de ninguém, expondo até os insetos nas manchetes ao lado dos escândalos do futebol e da política. Já a segunda linha de raciocínio, confesso que me levou a sentir um prazer bem egoísta. É que nunca gostei dessa história da Cigarra e a Formiga e não tinha como não ver uma pequena vingança no fato da Ciência desautorizar a fábula.

Normalmente, eu sou o primeiro a defender que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Afinal, se você quer criar uma história onde a Lei da Gravidade foi revogada ou onde explica que Buracos de Minhoca são feitos, realmente, por minhocas espaciais, vai em frente, a criação é sua e toda vez que você cria uma história, você inventa um universo. Mas só dessa vez e – volto a dizer – por motivos absolutamente egoístas, eu comemorei o placar Ciência 1 x 0 Fábula. Mas vou ser discreto e não vou sair na janela e gritar “Chupa, Esopo!” nem qualquer coisa parecida.

É que é difícil ser artista, seja no Brasil ou em qualquer lugar. Uns 90% da classe passa a vida ouvindo a velha piada:

– Você faz o quê?

– Teatro.

– Ah, bacana… E trabalha com quê?

Claro que a fábula não é a culpada por essa situação. Acho. Mas o preconceito é grande e eu sempre tentei entender porque essa não é uma profissão que é vista como qualquer outra. Tem alguns pontos que podem ajudar a entender:

1 – A dificuldade em ganhar dinheiro. As condições melhoraram muito nos últimos anos, mas a maioria dos atores de teatro que eu conheço está em vários espetáculos ao mesmo tempo, alguns chegam a estar em mais de sete. Podem ter dois ou três em cartaz na cidade (um adulto, um infantil e um alternativo, por exemplo) e os outros fazendo viagens ou apresentações ocasionais para escolas. Isso significa ter todos estes espetáculos na cabeça, com seus textos, marcações e contra-regragens. Não é pouca coisa. Mas é o jeito para sobreviver. Lembro que meus pais levaram uns bons anos pra aceitar a profissão que eu tinha escolhido, mesmo quando eu mostrei que podia viver daquilo. E ainda assim, eles só aceitaram (ou melhor, se conformaram), quando fui escrever para a televisão. O que leva ao próximo ponto:

2 – A glamourização da profissão. Ser artista tem uma aura, uma distinção que vem desde muito antes de Hollywood investir pesado para transformar atores e atrizes em semideuses. Lembro de um texto em que o Eça de Queiroz dizia que atores são perigosos, porque por volta do começo da tarde, quando todos os homens já estão suados e com as roupas amarfanhadas, os atores acabaram de acordar e de se banhar, vestindo roupas que acabaram de tirar do armário. Como dá pra ver, ao mesmo tempo em que a profissão gera uma certa admiração, gera também um certo menosprezo. Até a década de 70, no Brasil a profissão de artista não era regulamentada e artistas eram obrigados a usar a mesma carteira que permitia o trabalho para prostitutas, como conta Fernanda Montenegro em uma entrevista recente:

Pertenço à geração de artistas que ainda tirou carteirinha de prostituta na polícia. Naquela época, artista era prostituta, viado ou gigolô. (…) Minha própria família tinha vergonha, mas depois calha de dar certo e você vira um herói. Mas, se não dá, você continua sendo um louco“.

Claro que só passa pela glamourização aqueles que conseguem dar certo, o que por aqui é traduzido como “fazer sucesso na televisão”. Mas toda a classe é vista da mesma forma, seja quem está na novela ou quem está em sete espetáculos. Ah, e por falar em “dar certo”:

3 – O estigma do teste do sofá. O preconceito diz que artistas são vistos como grandes libertinos, não hesitando em trocar sexo por uma oportunidade de trabalho. Existem casos, claro, mas não é a realidade da maioria dos profissionais. A questão passa mesmo é pela glamourização e pela exposição. Não vou aprofundar muito a discussão aqui, só dizer que médicos transam nos hospitais, durante seus plantões. E engenheiros transam em seus escritórios, dizendo que estão trabalhando até mais tarde. A diferença é que, se eles forem descobertos, nada disso vai sair no jornal. Já um artista, vira notícia até quando atravessa a rua, como prova o Caetano.

4 – Só trabalha nisso quem gosta muito do que faz. E isso faz toda a diferença. Por que é difícil, como qualquer outra profissão. Mas além das dificuldades, ainda tem a questão do preconceito. Uma vez, fui fazer uma apresentação em uma Biblioteca Municipal, na periferia de São Paulo. Chegamos, montamos cenários, apresentamos, desmontamos, tudo normal. Na saída, enquanto carregávamos o material, rindo e conversando, ouvi o seguinte da encarregada pela Biblioteca, um pouco ofendida pela alegria alheia:

– Mas vocês só se divertem! Quando é que vocês trabalham?

Bom, pensei em uma resposta genial. Mas como a prosa correu solta e essa coluna ficou grande, vou ter que parar por aqui e dividi-la em duas pra continuar essa história na semana que vem. Juro que não é pra obrigar ninguém a voltar, é que ficou maior do que eu pensava. Mas não demora, prometo!

Leia a continuação aqui. 

Fragmentos do livro “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach

Fragmentos do livro “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach

“E, contudo, não sentia remorso por não cumprir as promessas que fizera a si próprio. ‘Essas promessas são só para as gaivotas que aceitam o vulgar. Quem conseguiu chegar à excelência da sua aprendizagem não tem necessidade desse tipo de promessa.'”

“Quase todos nós percorremos um longo caminho. Fomos de um mundo para o outro, que era praticamente igual ao primeiro, esquecendo logo de onde viéramos, não nos preocupando para onde íamos, vivendo o momento presente. Tem alguma ideia de por quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando? Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de que o nosso objetivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo.”

“Escolheremos o nosso próximo mundo através daquilo que aprendermos neste. Não aprender nada significa que o próximo mundo será igual a este, com as mesmas limitações e pesos de chumbo a vencer.”

“Você tem menos medo de aprender do que qualquer outra gaivota que conheci em dez mil anos.”

“Ao expulsarem-na, as outras gaivotas só fizeram mal a si próprias, e um dia vão sabê-lo, e um dia verão o que você vê.”

“Era-lhes mais fácil praticar altas execuções do que compreender a razão que estava por detrás delas.”

“Temos de pôr de parte tudo o que nos limita.”

“Quebrem as correntes dos seus pensamentos e quebrarão as correntes do corpo.”

“Falou de coisas muito simples – que as gaivotas têm o direito de voar, que a liberdade é própria de sua natureza, que todo aquele que se oponha a essa liberdade deve ser posto de parte, quer a oposição seja motivada por ritual, superstição ou limitação sob qualquer forma.”

“‘O preço de ser incompreendido’, pensou. ‘Ser classificado de diabo ou de deus.'”

“– Por que será – interrogou-se Fernão – que a coisa mais difícil do mundo é convencer a um pássaro de que é livre e de que pode prová-lo a si mesmo se se dedicar a treinar um pouco?”

“Não creia no que os seus olhos lhe dizem. Tudo o que mostram é limitação. Olhe com o entendimento…”

Trechos do livro “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach

Fonte indicada: Fragmentos

“A tempestade”, uma sábia e atemporal reflexão de Kahlil Gibran

“A tempestade”, uma sábia e atemporal reflexão de Kahlil Gibran

O pássaro e o homem tem essências diferentes.

O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;

o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.

Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.

Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.

Muitos levantam a cabeça acima dos montes;

mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.

A civilização é uma arvore idosa e carcomida, cujas flores são a
cobiça e o engano e cujas frutas são a infelicidade e o desassossego.

Deus criou os corpos para serem os templos das almas.

Devemos cuidar desses templos para que sejam dignos da divindade que neles mora.

Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu barulho.

Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.

Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada e seus ouvidos com falsas promessas.

Os sacerdotes aconselham os outros, mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.

Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.

As descobertas e invenções nada são senão brinquedos com a mente se diverte no seu tédio.

Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isso não passa
de aparências enganadoras, que não alimentam o coração e nem elevam a alma.

Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.

São os fios da tela que o homem tece desde o inicio do tempo sem saber que, quando terminar sua obra, terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.

Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só…

É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.

Quem o sente não o pode expressar em palavras.

E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.

Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

Kahlil Gibran, poeta e escritor libanês.

ALZHEIMER, por Regiane Reis

ALZHEIMER, por Regiane Reis

À minha querida avó Emilia, a quem um dia eu não soube entender

 

Se você me abraça e eu não o reconheço,

Não faz mal,

Abrace-me mesmo assim,

Pois sou capaz de sentir a sua energia de amor a me envolver.

Se você conversa comigo e eu não entendo o que você diz,

Não faz mal,

Converse ainda assim,

Pois a sua expressão será capaz de me mostrar que tenho a sua atenção e o seu companheirismo.

Se ao me ver tendo comportamentos que, em público, eu jamais antes teria,

Não se envergonhe,

Nem desdenhe.

É apenas o meu inconsciente se libertando dos entraves da matéria.

Caso eu pareça indiferente e distante,

Não se engane, meu filho.

Estou próxima, bem próxima, clamando pelo seu carinho.

Se o meu sofrimento lhe entristece ou aborrece,

Não, não sinta pena e tampouco deseje a minha morte,

É o meu espírito que se aperfeiçoa, a cada dia e no tempo do Senhor, num salto notável a que poucos conseguem chegar…

Se minha aparência lhe causa repulsa,

Beije-me mesmo assim,

Afague os meus cabelos,

O seu carinho é um bálsamo ao meu espírito tão carente por seu amor.

Quando vir o meu corpo já desfalecido, pronto para o derradeiro adeus,

Oh, nesse momento, somente nesse momento, tenha a certeza de que já me fui…

Encontrar o Pai em esferas mais elevadas.

Antes disso, porém, não me negue o seu amor.

Eu estava em difícil prova, necessitando de sua ajuda, de sua compreensão, totalmente entregue ao seu livre arbítrio, mas com a forte expectativa de que seria capaz de me proteger.

 

contioutra.com - ALZHEIMER, por Regiane ReisRegiane Reis

“Com formação na área jurídica e buscando o autoconhecimento, entendi que precisava escrever sobre temas universais como a vida, o amor e a fé.”
Acompanhe a autora no blog Pausa Virtual ou no Facebook.

Câncer de ovário, outro assassino silencioso: 6 sinais urgentes

Câncer de ovário, outro assassino silencioso: 6 sinais urgentes

Por Emma E. Sánchez

Na adolescência comecei a apresentar alguns problemas, tais como dor excessiva durante o ciclo menstrual, pois na maioria dos meses do ano eu nem mesmo menstruava. Minha mãe decidiu tomar uma iniciativa e me levou ao ginecologista, que nos disse que meu útero e matriz estavam cheios de cistos. Levaram vários anos de tratamentos, biópsias e até pequenas cirurgias para um dia nos darem a terrível notícia: meus órgãos pareciam estar tão danificados que era muito provável que eu nunca poderia ter filhos. Não me lembro de a notícia ter me afetado, mas eu me lembro o quanto isso afetou meus pais.

O tempo passou, eu continuei com os medicamentos recomendados, casei e me tornei mãe de três filhas. Não tive complicações durante a gravidez nem abortos, e durante muitos anos os cistos pareciam ter desistido e se dados por vencidos; mas agora que já estou entrando em meus quarenta anos, esses cistos rebeldes voltaram mais fortes e com reforços, provocando hemorragia grave que me fizeram mais uma vez ir ao ginecologista e esta é a informação que eu quero compartilhar:

– Os cistos podem desenvolver câncer, principalmente nos ovários.
– O câncer de ovário é um dos mais agressivos e tem alto índice de mortalidade.
– Todas as mulheres devem prestar muita atenção nos sintomas, fatores de risco e histórico familiar. Não há uma causa exata ou comprovada para sua formação, por isso todas as mulheres devem prestar muita atenção nos sintomas, fatores de risco e sintomas em comum que outras mulheres tiveram.

Fatores de risco

-Quanto menos filhos você tiver, as chances de adquirir esse tipo de câncer aumentam ou quanto mais tempo você demorar para engravidar e ter filhos, o risco também aumenta.
-Se alguém na sua família já apresentou algum tipo de câncer, de qualquer tipo, o risco aumenta também.
-A população de mulheres que têm este tipo de câncer está mais frequentemente entre 55 e 60 anos.

Sintomas

– A coisa terrível sobre esta doença é que seus sintomas são facilmente confundidos com infecção ou colite ou qualquer outra doença que distenda o abdômen.
– Quem sofre disso, muitas vezes para de comer porque se sente muito “cheia” ou fica satisfeita muito rapidamente quando ingere alimentos.
– Ciclos menstruais muito frequentemente são alterados, irregulares e aparecem ou desaparecem de repente.
– Problemas digestivos, e por isso há tanta confusão e dificuldade em fazer um diagnóstico em muitos casos.
– Muita dor nas costas e barriga.
– Hemorragias muito intensas.

Se você estiver apresentando dois ou mais desses sintomas e se houver também algum outro fator de risco em sua vida, ou sintomas familiares, é imperativo que você visite o seu médico.

Atualmente existem vários testes, como ressonância magnética, ultrassonografia, exames de sangue que buscam câncer específico, ultrassom, a laparoscopia e até mesmo um determinado tipo de teste de gravidez que pode auxiliar na identificação precoce e intervenção.

Infelizmente, este tipo de câncer não pode ser identificado por nenhuma dessas formas nos estágios iniciais de desenvolvimento, por isso é importante você observar e conhecer o seu corpo, para estar atenta às mudanças que aparecem e, acima de tudo, para ajudar na prevenção desta doença.

Como você pode prevenir o câncer de ovário

A resposta é simples: você pode preveni-lo assim como pode prevenir muitas outras doenças: vida saudável, alimentação que não inclua alimentos enlatados, conservantes e alto teor de gordura; praticar esportes, manter o seu peso, atitudes saudáveis, e cumprir o propósito de seus órgãos reprodutivos: ter bebês, amamentar e procurar ser feliz.

O que acontece se o câncer já tiver sido detectado?

Em primeiro lugar, respire fundo e seja grata. Grata por ter câncer? Grata porque você foi diagnosticada e porque você pode fazer muitas coisas! É importante ter isto gravado em sua mente: “O câncer não é uma sentença de morte.”

Existem vários grupos de apoio, organizações cívicas e governamentais. Elas trabalham para ajudar quem tem câncer e suas famílias. Procure informações e aja. Se você fizer isso com a atitude positiva e vontade de vencer, será mais uma batalha. Livre-se do sentimento de derrota, ou qualquer outro sentimento negativo. Acredite em mim: isso não vai lhe ajudar nunca. Uma coisa que dizem é que atualmente, o câncer de ovário é combatido com sucesso com quimioterapia ou cirurgia, juntamente com uma boa atitude, fé e muita esperança.

Desde que o médico conversou comigo, eu estive me ocupando em melhorar a minha vida: eu como melhor, corro, estudo e me divirto o máximo possível e compartilho a informação, como fiz hoje com você e tudo está indo muito melhor em meu interior.

Obrigada por ler e não se esqueça de compartilhar essa informação.

Fonte indicada: Família

A beleza que só você não vê

A beleza que só você não vê

Dizem que existe uma simetria matemática que faz com que reconheçamos a beleza. E mesmo sem saber como esse cálculo funciona ao certo, somos incapazes de dispensar o deleite que o belo nos causa.

Admirar o belo é como se deixar levar por uma onda mansa, contudo defini-lo é bem mais complexo. Muitos o julgam de acordo com premissas dedilhadas por pensadores há mais de dois mil anos e tantos outros o tomam de forma subjetiva. Contudo, quase sempre, projetamos o belo para fora de nós e sabemos reconhecê-lo com mérito… nos outros.

Dessa forma quando nos pedem nomes de mulheres que estão no topo de nosso ideal de beleza, citamos sem hesitar Kim Kardashian, Taylor Swift, Gisele Bündchen e Beyoncé.

Muitas vezes, sendo mulheres, sequer constamos nessa nossa espevitada lista.

Em 2011 uma empresa cosmética internacional realizou uma pesquisa com mais de 6.400 mulheres em 20 países e concluiu que apenas 4% delas se consideravam bonitas. A pesquisa também apontou que para mais de 40% das entrevistadas o rigor em seguir padrões de beleza partia delas mesmas.

Dessa forma é inegável dizer que como mulheres estamos acreditando que características físicas externas definem a nossa beleza. E quando vamos para frente do espelho buscamos como dizem por ai “pelo em ovo”.

Se acordamos com uma espinha no rosto e alguém durante o dia nos olha e diz que estamos bonitas, uma voz grita dentro de nossa cabeça “Mentira! Você não viu que eu estou com uma espinha?”. Se vamos a uma loja de calçados e um vendedor gentilmente nos auxilia e elogia o nosso pé, a voz da autocrítica berra em nós “Cara, você é cego, não viu que estou com uma unha encravada?”

Dessa forma, analisando o reduto feminino da crítica, é bem provável que aquela mulher que achamos perfeita não se ache tão perfeita assim. Quando pequena ela pode ter recebido maldosamente o apelido de “saracura” por causa das pernas longas, e desde então, quando alguém fica na onda de admirar o belo que existe nela, ela pode pensar que esse alguém está reparando apenas em suas pernas.

Muitas vezes carregamos esse tipo de complexo em nós. Achamos nossa boca grande e nos esquecemos que com ela damos o sorriso mais encantador do mundo. Não gostamos de nossas sardas e ignoramos assim que muitos amam esses nossos pontinhos graciosos. Detestamos nossas pernas grossas e fingimos não perceber que elas são invejadas diariamente. Temos pavor de nossos seios pequenos, entretanto ignoramos que existem muitos marmanjos sonhando com eles de noite. Só fazemos sexo no escuro e nos negamos a aceitar que imaginar é bom, mas se deixar enxergar é ainda melhor.

O conceito de belo é muito amplo para que o toquemos aqui com profundidade, contudo certamente há nele um embolado de questões subjetivas que dizem respeito ao nosso amor próprio. É fácil enxergar a beleza no outro, pois somos levados a crer que o outro não tem defeitos. Em contraponto somos críticos demais conosco, rotulando como defeitos o que muitas vezes são qualidades

Aceitar a nossa beleza é fundamental para que possamos fluir pelo mundo, deixando por ai o melhor de nós. Pensar em nossas características como parte integrante do que somos é fundamental. Afinal, nossos traços contam uma história não apenas nossa, mas também daqueles que nos antecedem. Fisicamente somos um bocado de nós, um tanto de nossos pais, uma pitada de nossos avós e bisavós e os levamos conosco também nisso.

Cada beleza é singular e felizmente não existem no mundo duas pessoas iguais. Muitas vezes colocamos em nossa cabeça que determinada característica é a responsável por tudo de ruim que nos acomete, mas isso não é verdade. A verdade é que felizes e realizados exalamos beleza por todos os poros e quando deixamos de querer ter o cabelo da Taylor e as pernas da Beyoncé, assumimos para o mundo o quão maravilhoso é sermos, pura e simplesmente, nós mesmos.

 “Palavras são mágicas, são como encantamentos sublimes que nos levam para onde quisermos, seja esse onde um lugar ou uma pessoa”. Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Carpe Diem, porque o tempo voa!

Carpe Diem, porque o tempo voa!

Há momentos em que a gente se dá conta da passagem de tempo, e o susto é inevitável. Um dia vivíamos o dilema de escolher a profissão, no outro, nos pegamos pensando na aposentadoria. E num piscar de olhos estaremos nela.

Nessas horas eu me pergunto sobre as prioridades, sobre as necessidades, sobre as vontades que temos, todos nós, em relação à vida. Pensar que os anos passam disciplinadamente rápido e levam consigo parte das nossas vidas, provoca uma reflexão sobre coisas que só mesmo o tempo tem poder para enfrentar. Como queremos que o tempo passe por nós? Sabemos organizar a vida para que tudo aconteça a seu tempo? Ou deixamos o tempo levar o que queremos?

Queremos informação, conhecimento, desenvolvimento de habilidades. Estudamos, nos especializamos, viramos mestres, doutores, sumidades em determinados assuntos. A negociação com o tempo envolve grande esforço, mas muito prazer e reconhecimento também.

Queremos segurança, dinheiro no banco, uma casa, um carro, estabilidade,  poupança para viagens… Alguns de nós conseguem tudo. Muitos de nós conseguem parte. Parte de nós não consegue, ou abre mão de conseguir. Isso vai depender de muitas coisas, mas também de quanto tempo será investido. Tempo este que não dá garantias. Hoje estamos, mas amanhã, quem sabe? E quanto mais queremos, mais tempo teremos que negociar.

Queremos nos divertir, viver a vida, contabilizar aventuras, ver o mundo, abraçar os amigos, brincar com os filhos, brindar, cantar,  amar, não deixar a festa acabar. E nessas horas, digam o que quiserem, mas o tempo dá sempre um jeito de passar mais rápido. Guardamos pedacinhos desse tempo em milhares de fotografias, filmes, recordações, mas mesmo assim ele não volta.

No final, não importa o que queremos nem quanto tempo isso leva de nossas vidas. O que vale é entender como nos acertamos com esse tempo, como negociamos para que ele seja  aliado dos nossos desejos ,necessidades e aspirações, de forma que, ao final do nosso tempo, possamos constatar que vivemos em harmonia com o tempo, a vida que escolhemos ter.

Que não tenhamos motivos para lamentações sobre tempos perdidos ou desperdiçados. Isso sim é uma forma cruel de matar o tempo.

“Cada minuto que passa é um milagre que não se repete”

(Chamada da extinta rádio relógio, há muito tempo atrás, que também já ficou no passado).

Carpe Diem, portanto, todos os dias!

Euforia: alegria em carne viva

Euforia: alegria em carne viva

A cabeça gira confusa. Mais uma noite de amores desconhecidos. Amores? Não, amores não. Mais uma noite de louca procura pela satisfação da necessidade gritante de afeto. Bocas, olhos, olhares sorrisos, tudo misturado e borrado numa pintura caótica de fragilidade e falsa postura destemida. No espelho o reflexo de um rosto familiar. Alguém vagamente conhecido. Alguém que se contempla do outro lado. Saiu à procura de prazer e risos e voltou para casa em busca de uma paz que se perdeu no tempo. Faz tempo.

A sede desesperada pela alegria cegou a razão. A euforia do corpo na dança; da boca no copo, no outro corpo, na outra boca. Sumiu no ar, volátil, volúvel. A pele macia que esperava o toque, agora arde pela dor de ter se ferido na ilusão da alegria insana. Está de volta à reflexão solitária sobre seus desejos irresponsáveis. Precisa se curar da exaustão da busca. Precisa se cobrir, descansar, tratar a pele que de tão exposta ficou em carne viva.

A necessidade de encontrar um ponto de equilíbrio acompanha o ser humano desde que ele entendeu que em companhia de outros seres humanos tem mais chance de sobreviver. No contato e interlocução com o outro é que descobrimos, percebemos ou intuímos quais são nossas virtudes, habilidades, necessidades, dificuldades e questões de ordem emocional. Desejamos caber no logotipo da normalidade. Queremos ter a garantia de que estamos raciocinando numa linha lógica, que faça sentido pra nós e que, principalmente, faça sentido para o outro. São as fugas do padrão nas relações sociais que deflagram um possível transtorno afetivo. Há uma falha no sistema. Alguma conexão não corresponde. O encaixe não poderá ocorrer. O indivíduo que carrega o transtorno fica literalmente desorientado. Está perdido e assim continuará, até que seja diagnosticado. Então, não estará mais perdido. Mas, será alguém reclassificado. Perde o logo da normalidade e ganha outro. Ganha um logo deformado, corrompido, transtornado.

Um dos transtornos afetivos que mais atinge a humanidade atual é o Transtorno Bipolar. Estima-se que cerca de 1,8 a 15 milhões de brasileiros sejam portadores do TAB, nas suas diferentes formas de apresentação. O Transtorno Bipolar é um distúrbio associado a alterações funcionais do cérebro; sobretudo relacionadas às alterações de humor. Pacientes portadores de TAB apresentam períodos de depressão, durante os quais sentem uma tristeza profunda e dolorosa, acompanhada  desesperança e pensamentos de menos-valia; alternados com períodos de mania, ou euforia, durante os quais ficam acelerados, apresentam fuga da realidade e podem, inclusive, colocar sua integridade física (e dos outros) em perigo pela falta de capacidade de calcular riscos.

Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde revela que O TAB é a sexta maior causa de incapacitação para o trabalho no mundo. Quando tratados e diagnosticados precocemente, os indivíduos afetados podem economizar anos de suas vidas que seriam perdidos em todos os setores, desde a esfera afetiva até a profissional.

Portadores de TAB são extremamente vulneráveis às pressões sociais do entorno (familiares e amigos); sentem-se deslocados e inadequados ao perceberem que não funcionam psicologicamente como aqueles que receberam o logo da normalidade. Eles são reféns de suas alterações de humor, mesmo que, por uma incrível tacada de sorte, tenham recebido atendimento médico adequado e não tenham sido vítimas de diagnósticos equivocados; mesmo que estejam corretamente medicados; que recebam o apoio das pessoas mais próximas e afetivamente importantes; mesmo que consigam (e isso é incrível!!!) manter uma rotina de trabalho e estudo; mesmo que frequentem com regularidade ortodoxa os consultórios do psiquiatra e do psicólogo .

Também doenças clínicas como obesidade, diabetes, e problemas cardiovasculares são mais frequentes entre portadores de TAB do que na população geral. A associação com a dependência de álcool e drogas não apenas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência de alguma droga ilícita), como agrava o curso e o prognóstico do TAB, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio.

Na fase de euforia, os indivíduos portadores de TAB têm os níveis de energia elevados; perdem o sono; apresentam fala acelerada; o pensamento fica rápido, porém difuso; vários projetos são iniciados e morrem inacabados; há uma intensificação do desejo sexual; as ideias podem ser delirantes, pois a capacidade crítica fica severamente prejudicada. Todo esse caos emocional, ganha contornos de felicidade. No entanto, não passa de um desconhecido que está de passagem para trazer uma aparente e fugaz alegria. O “bipolar” vive numa eterna montanha-russa de infinitos loopings. A fase da euforia não passa de um inebriante trecho desse brinquedo que tanto assusta quanto encanta.

A euforia é o looping que vai encontrar seu fim logo ali, depois da próxima curva. Quando a energia escoar pelo ralo; a mente voltar a ficar lentificada; as ruínas dos projetos que nunca decolaram servirem de obstáculos pra novos tropeços; a culpa invadir o peito; a libido voltar a morar na terra do nunca e a tristeza voltar a morder as bordas do coração que ousou acreditar que aquilo era afinal a felicidade. A euforia derrete como o gelo no copo de bebida. Era tão real, tão sólida e agora… Agora escorre, pelos dedos, pela boca, pelos olhos. A euforia vira lágrima de gelo derretido. Escoa dos olhos, mas veio de um lugar bem mais abissal. Veio do profundo desejo de parar de arder, de cicatrizar, de dar um fim ao ciclo de viver em carne viva.

Ana Macarini

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