“Mulher é desdobrável. Eu sou.”- Adélia Prado

“Mulher é desdobrável. Eu sou.”- Adélia Prado

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

Fotografia: Ana Valadares

O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança?

O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança?

Por WAGNER BRENNER

Gabriel é um menino esperto.
Cresceu ouvindo isso.

Andou, leu e escreveu cedo.

Vai bem nos esportes.

É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.

“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.

Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.

– “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.

Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.

A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.

Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.

Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

contioutra.com - O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança?Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.

A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.

Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.

Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.

Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.

Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).

Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.

A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.

A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.

Influenciados por apenas UMA frase.

O diagrama abaixo mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.

contioutra.com - O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança?

O Malcom Gladwell tem um ótimo livro sobre a superestimação do talento, chamado “Fora de Série” (“outliers”). Lá aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessário para se ficar bom em alguma coisa e que já ensinei pro meu filho.

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.
Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

UPDATE : Apenas alguns esclarecimentos a alguns dos comentários:

01. Não, eu NÃO sou contra elogiar crianças. E não, também não estou dizendo para você nunca falar para o seu filho que ele é inteligente. É apenas uma questão de evitar o RÓTULO.

02. Não sou o autor dessa tese/teoria, muito menos desse estudo citado no post. Quem escreveu essa teoria foi a psicóloga Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success (http://news.stanford.edu/news/2007/february7/dweck-020707.html) como foi citado acima e nos comentários também.

03. Gostaria de aproveitar para agradecer pelo incrível número de comentários e likes, o que mostra o quanto esse assunto é fascinante. Obrigado!

FONTE INDICADA: Update or die

A beleza que é sorrir.

A beleza que é sorrir.

Todos temos dentro de nós uma criança interior adormecida. Muitas vezes crescemos e deixamos essa pequena criança isolada e nos esquecemos que para acordá-la não é preciso muito, em alguns casos basta apenas que a gente sorria com o coração.

Então eu poderia começar esse texto dizendo sobre os benefícios desse riso que em nós foi por tanto tempo reprimido, contudo julgo ser válido contar sobre a experiência do sorrir e do despertar de minha criança interior em um dia de sol, no qual um sorriso uniu, animou e embalou em festa todos que estavam em torno de uma piscina.

Naquele dia o calor era escaldante e eu a vesti com um macacão branco e fiz um coque no alto de sua cabeça. Ela tinha dois anos e não era de falar muito. Na verdade ela sabia falar bem poucas palavras. Então quando decidimos ir a aquela festa no campo eu fiquei apreensiva, pois sabia que muitos ali não eram conhecidos e que talvez existissem adultos que quisessem tirar palavras da boca dela.

Logo que chegamos ela quis ficar brincando na grama e depois cansada foi se sentar nos degraus que rodeavam uma grande piscina. Eu fiquei ao seu lado e mostrei que na água duas garotas estavam brincando de mergulho, subindo e descendo, como dois golfinhos dourados sob a luz diurna.

Ela ficou deslumbrada. Nunca tinha visto duas pré-adolescentes brincando de forma tão divertida. Elas subiam e desciam como em um balé aquático e pareciam quase mágicas.

Foi então que ela apontou com os pequenos dedinhos as duas meninas, como se dissesse “veja como isso é lindo mamãe!” e pôs-se a rir do bonito, da surpresa, da alegria que era ver aquilo. E o seu riso não se continha, era largo, se alastrava, era um riso puro e encantador como o de um bebê.

Não demorou muito para que as meninas viessem até a borda da piscina para perguntarem o nome daquela fã sorridente e ao voltarem para a água, animadas pelas risadas, elas passaram a fazer mais e mais acrobacias, sempre embaladas pela alegria que despertavam ou não. Notei a felicidade estampada no rosto delas ao provocarem o riso e dessa forma elas se empenharam mais e mais nesse intuito.

Logo, de forma surpreendente, outras pessoas vieram se sentar ao nosso lado e todas sorriam e diziam da criança feliz que ria efusivamente ao ver beleza naquilo que os olhos adultos já não enxergam mais.

Não tardou para que uma sinfonia de risos e sorrisos envolvesse a todos. E eu olhei para aquela piscina com degraus forrados de gente feliz e para aquelas duas meninas bonitas que se alinhavam em dança, girando de acordo com o acorde da música dos risos e risadas puras e pensei em como eu tinha sido boba ao crer que a falta de palavras pudesse ser um obstáculo.

Ri da beleza da cena e de mim ao tentar premeditar a vida e deixei qualquer receio meu morrer ali, embasbacado pelo tempo em que um sorriso expansivo, recheado de risadinhas doces, contagiou a todos, despertando a criança feliz que estava adormecida em nós. Despertando a beleza mansa de se deixar sorrir por tudo e por nada.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade: Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

Fim de semana: 13 Ideias de encontros baratos para casais

Fim de semana: 13 Ideias de encontros baratos para casais

Por Christina Ayres

Sabe aquela sexta-feira que você está querendo planejar algo para fazer com a pessoa amada, mas não tem certeza se sairá em tempo do trabalho? E aquele final de semana onde você não tem certeza que os avós poderão ficar com as crianças?

Pois bem! A sexta-feira chegou e você saiu na hora, e agora, o que fazer? O final de semana chegou e os avós não só podem ficar com as crianças, como querem, e as crianças também estão super felizes de passar o final de semana na casa deles. E então? Como aproveitar o tempo a sós?

Algumas ideias de atividades que não precisam muita preparação e podem ser decididas no último minuto:

1. Acampamento dentro de casa

Coloque um colchão no chão, vá ao supermercado, compre algumas coisas especiais, e passem a noite conversando e rindo.

2. Vá ao cinema ou alugue uma comédia romântica

É uma ideia comum, mas você pode incrementar, escolhendo um filme romântico e engraçado para terem uma noite descontraída na companhia um do outro, e aproveitando para aproximar os corações.

3. Façam um passeio de carro

Conheçam a vizinhança. Visitem um local onde gostariam de mudar e observem a redondeza. Conversem sobre os sonhos no caminho.

4. Visitem um museu ou exposição

Aprendam sobre arte e sobre a história juntos. Conversem sobre memórias relacionadas.

5. Caminhem na praia

De mãos dadas, corações próximos, admirando a beleza da natureza e olhando nos olhos sempre.

6. Preparem um jantar juntos

Escolham os ingredientes no supermercado, e aproveitem a noite juntinhos, coloquem uma música e se divirtam na cozinha.

7. Usem um disfarce e jantem fora

Essa é pra rir muito! Vocês podem se vestir como mais velhos ou usar uma peruca, roupas diferentes e ir ao restaurante.

8. Massageiem um ao outro

Coloque uma música romântica, um perfume no quarto, pétalas de rosas em volta, algumas velas perfumadas, um óleo de massagem… Façam uma massagem um no outro, esqueçam do tempo.

9. Planejem uma viagem

Conversem sobre a viagem dos sonhos, procurem alternativas e agências de viagem, abram uma poupança para começar a realizar o sonho.

10. Seja um guia turístico

Visitem locais de sua infância, e descrevam memórias naquele local um ao outro.

11. Voluntariem juntos

Seja uma visita a alguém doente, orfanato ou asilo, dividam o sentimento do serviço ao próximo.

12. Toque músicas antigas

Vá a sua coleção de CDs e escolha músicas antigas de sua época de namoro. Dancem. Namorem. Aproveitem cada minuto.

13. Fiquem em casa

Seja arrumando algo juntos, cuidando do jardim juntos, assistindo um programa, ou mesmo curtindo o momento à dois. Você pode desligar tudo e se esquecer do mundo com seu amor.

Para aproveitar os momentos juntos, não precisamos de grandes produções de encontros ou viagens. O mais importante é aproveitar as oportunidades para ficar mais próximo, cuidar do relacionamento e do romance e de quebra, fortalecer a família que vibrará com seu amor.

Fonte indicada: Família

7 Filmes que todo psicanalista e amantes do inconsciente deveriam ver

7 Filmes que todo psicanalista e amantes do inconsciente deveriam ver

Por Mariane Montedori

Embora criticada por muitos, a psicanálise é a ciência que estuda a psiquê humana, em sua forma inconsciente. Por isso, desperta o interesse daqueles que querem ir além do que conseguimos identificar como consciente.

Passando por análises de sonhos, descobertas de traumas na infância e, claro, sexualidade, a psicanálise é um método terapêutico criado por Sigmund  Freud, empregado em casos de neurose e psicose, que consiste fundamentalmente na interpretação, por um psicanalista, dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo, com base nas associações livres e na transferência. É chamada de ‘a cura pela fala’.

Temas instigantes que envolvem a psiquê, sempre renderam ótimas versões cinematográficas. Então resolvemos criar uma seleção de filmes bem elaborados, para introduzir essa ciência àqueles que sempre manifestaram seu interesse. Escolha o seu e boa sessão.

1. Freud, Além da Alma

Um filme que está muito além de contar a história do grande descobridor do inconsciente: Sigmund Freud. Uma visão sobre a psicanálise e a capacidade de enfrentar traumas, compreendendo o funcionamento da mente humana em sua versão que podemos traduzir como ‘almatica’.

O filme se passa em 1885. Enquanto a maioria de seus colegas se recusa a tratar a histeria acreditando tratar-se simulação, Sigmund Freud faz avanços usando a hipnose. Sua principal paciente é uma jovem que não bebe água e é atormentada diariamente pelo mesmo pesadelo. No longa, roteirizado por Jean-Paul Sartre, inevitável não se apaixonar pelos mistérios do ser humano.

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2. Um método perigoso

Dirigido pelo cultuado David Cronenberg, o longa é uma mostra de como a relação entre Carl Jung e Sigmund Freud faz nascer a psicanálise. Aborda a intensa e polêmica relação da dupla com a paciente Sabina Spielrein. O filme foi exibido em primeira mão no Festival de Veneza de 2011 e conquistou uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para Mortensen. Um filme que chega a ser excêntrico e explora a sensualidade, presente em toda psiquê humana desde a infância. Ainda que inconsciente.

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3. Melancolia

Prepare tempo e paciência para dedicar a este longa. Ao contrário das duas primeiras indicações, que são envolventes, Melancolia exige mais atenção de quem assiste. Isso porque é extremamente melancólico.

‘Melancholia’ é um filme dinamarquês independente com referências de ficção científica escrito e dirigido por Lars von Trier que, em duas partes do filme, retrata o cotidiano de duas irmãs durante e após um casamento, fundamentando o enredo da trama. Em outras palavras, o longa apresenta drama psicológico sobre o fim do mundo.

Por mais que os capítulos pareçam filmes totalmente diferentes, eles possuem uma ligação muito interessante e nada simplória, e mesmo que as pessoas possam ter conclusões diferentes, é difícil acreditar que alguém não reconheça a visão pessimista de von Trier para a sociedade. Em caso de colisão entre o Melancolia e a Terra, é certo que nosso planeta não sobreviverá externamente, mas o que o cineasta dinamarquês busca mostrar é que internamente a situação já está a beira de uma catástrofe.

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4. Perfume: A história de um assassino

Um suspense intrigante, com assassinatos interligados para responder a um desejo de seu assassino: o de criar o melhor perfume do mundo.

Jean-Baptiste Grenouille nasceu em circunstâncias não-dignas num mercado de peixe em Paris, em 1738. Ainda muito jovem, ele percebe que tem uma refinada percepção olfativa. Depois de sobreviver às péssimas condições de trabalho numa fábrica de couros quando jovem, Grenouille torna-se um aprendiz da perfumaria de Baldino. Ele logo supera seu mestre na arte de misturar essências, mas elas também se tornam sua obsessão, uma obsessão que o afasta da companhia humana. Possuído pela idéia de preservar aromas humanos, ele mata inescrupulosamente jovens mulheres cujo perfume lhe atrai.

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5. Janela da Alma

Um documentário sensível e emocionante onde 19 pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade ­ se é que ela é a mesma para todos.

O filme marca a estréia na direção de Walter Carvalho. No total foram realizadas 50 entrevistas, das quais 19 foram selecionadas para serem usadas no filme.

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6. O Gabinete do Dr. Caligari

Um alerta: apesar do drama e da fantasia,este filme pode ser considerado de terror, realizado no tempo em que o cinema ainda não falava. É considerado por muitos o primeiro filme de horror da história. Mas as belíssimas imagens (que criam um tom meio surrealista) valem mais que mil palavras. O malvado Dr. Caligari hipnotiza um jovem e o induz a matar várias pessoas. Tudo se complica quando ele se recusa a assassinar uma bela jovem. Num toque de mestre, realiza um filme sob a ótica de um louco: daí as distorções e deformações das ruas, casas e pessoas.

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7. Voltar a Morrer

Kenneth Branagh, indicado ao Oscar, e a vencedora do Oscar Emma Thompson oferecem interpretações deslumbrantes neste romântico filme de mistério com toques sobrenaturais. Em 1949, Margaret Strauss, a esposa de Roman Strauss, um compositor europeu, é assassinada. O marido é considerado culpado pelo crime e é condenado à morte. Quarenta anos depois, Grace, uma mulher assustada com amnésia e sem proferir uma palavra, tem sonhos que a remetem para a época do assassinato. É quando Gray Baker, um detetive, fica intrigado com algumas perguntas que ficaram sem respostas e começa a tentar entender quem é esta mulher e que mistério envolve sua vida. Mas quando ela é hipnotizada e começa a retroceder no tempo, a verdade passa a ser algo muito perigoso.

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Fonte indicada: RAC

É para ter medo da inveja? – Flávio Gikovate

É para ter medo da inveja? – Flávio Gikovate

A inveja é um sentimento quase universal, que depende da vaidade e do uso da razão: uma pessoa se compara com a outra e se sente por baixo.

Nosso psiquismo tolera muito mal os momentos em que tudo vai bem; nos sentimos tão frágeis que uma frase maldosa é suficiente para intimidar.

É preciso cautela, pois somos facilmente vítimas de medos irracionais; e é essencial distingui-los daqueles que envolvem algum risco efetivo.

Para mais informações sobre Flávio Gikovate

Site: www.flaviogikovate.com.br
Facebook: www.facebook.com/FGikovate
Twitter: www.twitter.com/flavio_gikovate
Livros: www.gikovatelojavirtual.com.br

Esse blog possui a autorização de Flávio Gikovate para reprodução deste material.

7 sinais de um indivíduo saudável em uma sociedade enferma- Victor Lisboa

7 sinais de um indivíduo saudável em uma sociedade enferma- Victor Lisboa

Por VICTOR LISBOA contioutra.com - 7 sinais de um indivíduo saudável em uma sociedade enferma- Victor Lisboa

Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente, disse o filósofo e educador indiano Jiddu Krishnamurti. E para pensadores do calibre de Guy Debord, Sam Harris, Adam Curtis, Zygmunt Bauman, Joel Birman, Gilles Lipovetsky e David Foster Wallaceestamos, de fato, em uma sociedade adoecida.

Mas se esses pensadores apresentam os sintomas de nossa enfermidade coletiva, há alguma forma de iniciarmos o processo de cura?

A verdade é que muitas pessoas atribuem as causas dessa doença a essa ou aquela característica estrutural de nossa sociedade: ora é a tecnologia, ora é o capitalismo, ora é a publicidade. Mas a experiência histórica demonstra que sempre que tentamos alterar as grandes estruturas sociais, além de muita violência e sofrimento, o que obtemos são novas e diferentes estruturas sociais que produzem o mesmo nível de adoecimento de toda a sociedade.

Talvez essa abordagem seja o equivalente a culpar a garganta pela irritação que sentimos nela quando ficamos gripados, ou afirmar que a causa da enxaqueca seja a existência da cabeça. A origem da enfermidade, na verdade, é sempre outra, e de natureza microscópica: assim como no caso da gripe a origem esteja em um vírus, a causa da enfermidade social talvez resida na forma como cada ser humano está vivendo sua vida individualmente.

Haveria, portanto, comportamentos virais na conduta humana que criam o adoecimento da sociedade? E, nesse caso, podemos nos transformar, de hospedeiros desse vírus, em anticorpos defensores dessa mesma sociedade, sem a necessidade de alterar as suas estruturas? Nesse caso, a nossa saúde comportamental teria o poder de induzir a saúde de toda a comunidade.

Sete grandes intelectos apresentaram sete características de um ser humano equilibrado e saudável. E talvez desenvolver em nós essas sete características seja o início do processo de cura coletiva.

1. TER AUTOCONSCIÊNCIA (DAVID FOSTER WALLACE)

David Foster Wallace proferiu em 2005 um discurso para uma turma que colava grau no Kenyon College. Esse discurso, que passou a ser conhecido pelo título “Isso é Água”, tornou-se talvez a obra mais popular e divulgada de Wallace nas redes sociais. E a essência de sua mensagem trata da importância de aprendermos a pensar.

“Pensar”, algo que consideramos uma atividade automática e natural, para Wallace é um processo a ser aprendido e praticado com consciência e treino, principalmente durante as atividades cotidianas. Pensar seria, na verdade, uma prática na qual podemos ser bem sucedidos ou falhar vergonhosamente, e desse resultado dependeria nossa realização pessoal.

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DAVID FOSTER WALLACE

A maior parte das pessoas deixa seu fluxo de pensamento conduzir-se aleatoriamente, à medida em que associações e lembranças lhe ocorrem. Numa sociedade que nos empurra para o automatismo e a pressa, em que ficamos presos em engarrafamentos e longas filas de supermercado, pensar dessa forma nos torna vítimas fáceis da manipulação e do controle externo. A “bovinização” humana é consequência de nossa inaptidão para pensar de um modo mais consciente e atento.

Mas pensar não se confunde com capacidade intelectual. Como Wallace deixa claro em seu discurso, indivíduos de invejável formação acadêmica podem ser completamente incompetentes nessa atividade, pois ela não implica apenas no raciocínio abstrato e teórico: pensar implica em analisar continuamente os pressupostos pessoais e emocionais sobre os quais estruturamos a nossa vida, a ponto de conseguirmos enxergar coisas tão óbvias que não as percebemos – tal como os peixes não percebem a água em que estão submersos.

Quando Wallace ressalta a importância de aprendermos a pensar, ele está falando daautoconsciência, daquela capacidade de pensarmos sobre nossos pensamentos, de questionarmos os pressupostos de nossas escolhas e de nossos sentimentos em relação ao mundo, adotando uma perspectiva situada além do protagonismo, da visão segundo a qual nós somos o centro dos eventos que nos ocorrem.

2. PRATICAR O AMOR COMO FORMA DE ARTE (ERICH FROMM)

O filósofo e psicanalista Erich Fromm publicou em 1956 sua obra A Arte de Amar. Segundo propõe nesse ensaio, o amor não seria um sentimento que vivenciamos com passivo arrebatamento: o amor seria, antes de tudo, uma prática a ser exercida com plena consciência. Mais ainda, é uma prática que precisa ser aprendida até o ponto em que nos tornemos artistas em sua expressão e desenvolvimento.

Fromm equiparava o amor, assim, a uma forma de arte, seja o amor entre um casal, o amor entre familiares, o amor entre os amigos e o amor pelo próximo. E como aprendemos uma habilidade artística? “O processo de aprendizado de uma arte pode ser dividido em duas partes: em primeiro lugar, o domínio da sua teoria; em segundo, o domínio da sua prática.” Mas Fromm ainda inclui um terceiro elemento: ao lado da teoria e da prática, a maestria em qualquer arte deve ser, para o artista, uma questão prioritária em sua vida.

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ERICH FROMM

Vivemos em uma cultura que hipervaloriza o amor romântico de forma idealizada e às vezes irreal, algo característico de indivíduos infantilizados. Porém, Fromm entendia que a real satisfação no amor romântico não pode ser atingida sem a capacidade de amarmos também a todas as outras pessoas ao nosso redor. Mais ainda, o verdadeiro amor exige humildade genuína, fé na natureza humana e disciplina emocional. E “numa cultura em que essas qualidades são raras, alcançar a capacidade de amar continua algo também raro”.

A construção de uma sociedade mais saudável depende, portanto, de que aprendamos não só a pensar, como propôs Wallace, mas também a amar, e como se fosse uma forma de arte.

3. SER SENHOR DO PRÓPRIO DESTINO (JEAN-PAUL SARTRE)

Em 1946, Jean-Paul Satre publicou O Existencialismo é um Humanismo. Resultado de uma conferência que o filósofo deu no ano anterior em Paris, a obra resume a essência de sua concepção sobre a condição humana.

Para Sartre, o que nos diferencia dos outros seres é a natureza da nossa consciência, pois ao nascermos ela não está orientada para nada – os nossos objetivos na vida, o que iremos ser e fazer não estão predeterminados; são, ao contrário, coisas que apenas posteriormente tomarão forma, à medida em que recebemos impressões do mundo externo. Este é o sentido de sua frase “a existência precede a essência”: nós nascemos antes de nos definirmos enquanto seres humanos, pois a “natureza humana” e o “destino humano” não estão preestabelecidos pela natureza – são, antes de tudo, coisas que precisamos construir a partir de nossas ações e escolhas ao longo de nossas vidas.

Daí a importância de um homem comandar o seu destino. “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo”, afirma Sartre. O ser humano totalmente submetido à sociedade doente acredita que destino é algo que lhe acontece. Mas, na verdade, destino é algo que o ser humano constrói, e construindo esse destino é que o indivíduo cria a si mesmo, definindo sua própria natureza.

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JEAN-PAUL SARTRE

Com essa proposta, Sartre pretende afastar a ideia popular de que a sua filosofia é pessimista. Na verdade, ela é otimista e impulsiona o homem à ação. “O covarde se faz covarde”, enquanto “o herói se faz herói”, sendo que “existe sempre, para o covarde, uma possibilidade de não ser mais covarde”.

Porém, Sartre reconhece que a noção de que somos livres para construir nosso destino é tão desafiadora que muitos a consideram um fardo, um peso do qual buscam se livrar de todas as formas possíveis. E com isso abrimos as defesas imunológicas da sociedade ao ataque de agentes nocivos.

Toda vez que alguém deposita sua fé em uma doutrina espiritual segundo a qual forças insondáveis determinam o destino humano; toda vez que um indivíduo decide levar a vida “no piloto automático”, seguindo as regras sociais sobre o que ser e fazer sem questioná-las; toda vez em que alguém abdica de sua própria liberdade pessoal para tornar-se militante a serviço de uma ideologia ou líder político: em todas essas situações estamos comodamente abdicando de uma importante parcela de nossa autonomia, como uma espécie de preço que pagamos para viver sem a pressão da responsabilidade sobre nosso destino.

A maioria dos seres humanos ingressa na vida adulta e decide seguir o passo-a-passo tradicional que socialmente foi convencionado como certo e normal: universidade, trabalho, casamento, filhos, casa própria, aposentadoria e morte. Isso não é certo nem errado, o problema é fazer isso sem reflexão, somente por pressão social. Isso nos torna vítimas perfeitas dos aspectos mais adoecidos de nossa sociedade, como o hiperconsumismo. Num mundo enfermo, um indivíduo começa seu caminho em direção à cura quando reconhece que o seu destino é sua responsabilidade, e que precisa construir um projeto pessoal a respeito do que fará e de quem será na vida.

4. BUSCAR POR UM SENTIDO EXISTENCIAL (VIKTOR FRANKL)

Viktor Frankl acrescentou um outro elemento nessa dinâmica do princípio do prazer e do princípio da realidade, de modo que podemos encarar sua proposta como um complemento, e não uma negação do que expôs Freud. Para Frankl, a vontade de agir e viver com um sentido é mais forte nos seres humanos que a vontade de obter prazer.

Isso explicaria, por exemplo, porque mártires aceitariam tormentos físicos e até mesmo a própria morte por se recusarem a abdicar de suas convicções políticas ou religiosas: antes de tudo, o ser humano busca não a satisfação de seus desejos, mas a devoção a uma vida com plenitude de sentido. E se essa plenitude de sentido tiver de ser confirmada ao preço dessa própria vida, em casos extremos tal sacrifício é aceito.

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VIKTOR FRANKL

Dessa forma, a crise humana atual seria uma crise de vazio existencial. Inseridos em uma sociedade que não nos propõe um sentido e sequer valoriza a busca por um significado nas experiências humanas, substituímos neuroticamente essa aspiração fundamental pelo consumo irrefreado e pela espetacularização de nossas vidas.

É como estarmos em um palco no qual utilizamos recursos cênicos, iluminação colorida e efeitos especiais para disfarçarmos a total falta de um enredo.

Para Viktor Frankl, a vida de cada ser humano é uma jornada espiritual em busca da resposta à grande questão sobre o sentido dessa própria vida. Mas tal resposta não está pronta, esperando que a descubramos: ela precisa ser construída, e sua formulação não é feita por meio de explicações teóricas, mas por meio de atos concretos. Assim, o caminho para uma sociedade saudável dependeria de reconhecermos a importância de concebermos e implementarmos coletivamente um sentido para a existência humana.

5. LIDAR COM O PRINCÍPIO DO PRAZER COM MATURIDADE (FREUD)

Embora esteja em voga atualmente criticar as teorias de Freud, a verdade é que rejeitar integralmente suas ideias é tão tolo quanto abraçá-las como os dogmas de uma nova religião. Freud trouxe importantes contribuições para o atual entendimento da condição humana, embora tenha cometido, como qualquer um, seus equívocos (alguns dos quais posteriormente corrigidos pelos próprios teóricos da psicanálise).

E uma das principais de suas contribuições é a noção de que o ego humano está em constante relação com dois princípios fundamentais: o Princípio do Prazer e o Princípio da Realidade. O princípio do prazer consiste num mecanismo psíquico simples que faz o ego buscar o prazer de todas as formas e evitar o desconforto e a dor com todas as forças. Isso ocorre como um movimento que ignora as dificuldades e exigências do mundo real.

O princípio da realidade, por outro lado, também está relacionado com a busca de prazer pelo ego, mas em uma condição na qual as dificuldades e exigências da realidade são reconhecidas e aceitas, de modo que buscamos realizar o prazer e evitar a dor em uma constante relação com o mundo real e suas possibilidades efetivas.

De uma forma bem simplificada, imagine o princípio do prazer como uma criança mimada ao extremo, que “quer porque quer aquilo que quer”, e que não tem a mínima capacidade de aceitar ou sequer compreender as limitações do mundo real. Já o princípio da realidade é um indivíduo adulto e maduro o suficiente para entender que a realização de seus desejos demanda a constante tratativa com as exigências da realidade. São duas faces do nosso ego.

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FREUD

O ponto fundamental é que não há uma transição do princípio do prazer para o princípio da realidade. Ou seja, segundo Freud, o princípio da realidade (o indivíduo adulto e maduro), não substitui o princípio do prazer (a criança mimada e egoísta). Internamente, ambos coexistem, e sempre teremos um aspecto de nosso ego que busca o prazer de todas as formas, ignorando completamente as limitações da realidade. A questão é saber reconhecer essa característica de nossa mente e aprendermos a lidar de forma adequada com essa tendência humana.

Na sociedade atual, porém, temos adultos e jovens oriundos de famílias que não souberam impor os limites adequados, expondo gradualmente as crianças às demandas da realidade. Ao contrário, cada vez mais os pais adotam uma postura quase servil em relação a filhos mimados e despreparados para encarar o mundo real.

Assim, homens e mulheres crescem com a ilusão de onipotência e com a falsa impressão de que são especiais. Escravos da miragem de que seus desejos e sonhos serão satisfeitos sem esforço, quando isso não ocorre surge a tentação da desobediência da lei e da conduta antiética.

Como o princípio do prazer não encontra a contraposição eficiente do princípio da realidade, o resultado é uma sociedade composta por indivíduos egoístas, incapazes de lidarem com frustrações diárias e desprovidos da determinação necessária para a concretização possível de seus sonhos. O caminho para uma sociedade mais saudável passa pelo desenvolvimento de uma relação mais madura com o princípio do prazer que está dentro de todos nós, contrabalançando-o com o princípio da realidade, de forma que desenvolvamos a capacidade de tolerar frustrações e de resistirmos à satisfação imediata de nossos desejos mediante atos impulsivos e antiéticos.

6. SABER VIVER E AGIR NA PERMANENTE INCERTEZA (BERTRAND RUSSELL)

Reconhecer que precisamos aprender a amar e a pensar corretamente, bem como admitir que nosso destino e o sentido de nossas vidas não estão predeterminados, mas precisam ser diligentemente construídos por meio de nossos atos, exige um tipo muito particular de humildade: a capacidade de vivermos permanentemente na incerteza, com poucas convicções.

O filósofo, matemático e historiador britânico Bertrand Russell, em sua obraUnpopular Essays (Ensaios Impopulares), considerou a habilidade de conviver saudavelmente com a incerteza uma das maiores virtudes do ser humano. Essa aptidão seria o que impede um indivíduo de se tornar joguete nas mãos de crenças religiosas, ideologias políticas ou líderes messiânicos que nos prometem uma explicação totalizante para as maiores questões da complexa vida contemporânea.

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BERTRAND RUSSELL

“Ansiar pela certeza é algo inato na natureza humana, mas ainda assim é um grande vício intelectual”, escreveu Russell. O fundamentalismo (não só religioso, mas também político, em todas as suas facetas) tem por base uma certeza dogmática e inabalável, que retoricamente ou emocionalmente seduz os seus devotos.

Mas a incerteza não deve paralisar a ação, pois Bertrand Russell nos previne do perigo de os mais inteligentes abrirem espaço na vida pública a idiotas cheios de certezas equivocadas. “Agir com vigor, mesmo na falta de absoluta certeza”, mas mantendo um elemento de saudável dúvida, ainda que pequeno, em relação a cada assunto, é uma forma de evitar a um só tempo o radicalismo, o fundamentalismo, a alienação e o preconceito.

7. TER O ESPÍRITO LIVRE E CRIATIVO DE UMA CRIANÇA (NIETZSCHE)

Para Nietzsche, filósofo alemão que antecipou muitas das questões que desafiam o ser humano na atualidade, conduzir o próprio destino com irresponsabilidade é abdicar da própria autonomia e ceder a algo ou a alguém uma parcela importante de nosso poder pessoal.

É que num mundo regido por relações de poder, deixar que convenções sociais ou forças políticas/religiosas decidam o nosso destino implica em abraçar uma espécie disfarçada e envergonhada de escravidão. Quando não assumimos a integral responsabilidade pelas escolhas que precisamos fazer, alguém as fará por nós, e sem dúvida o critério utilizado não será o nosso benefício.

Nietzsche, que na vida pessoal experimentou os sofrimentos de longos períodos de enfermidade, tinha um especial apreço pela metáfora do ser humano integralmente saudável. Estamos espiritualmente adoecidos ao vivermos em uma sociedade enferma, e o espírito livre desse estado de adoecimento inicia seu processo de recuperação da saúde seguindo uma terapia que Nietzche apresentou na sua obraAssim Falou Zaratustra em três etapas, que chamou de As Três Transformações.

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NIETZSCHE

Na primeira, ainda enfermo, o ser humano é como um camelo, um escravo que aceita todas as cargas impostas a si sem questionar. Na segunda fase, a do leão, o indivíduo passa a destruir seu condicionamentos limitadores de forma veemente, resgatando o controle de sua vida das mãos daquelas pessoas, doutrinas ou ideologias para as quais anteriormente havia entregado o poder sobre si mesmo. Nesse momento, a pessoa diz “não” à sua prisão. Por fim, na fase mais importante, o ser humano livre e autônomo começa a reconstruir-se com a ludicidade e a criatividade de uma criança. Nessa etapa, o indivíduo diz “sim” à sua vida.

Nesse roteiro em três partes, podemos perceber com clareza o papel da ironia. Ela exerce um trabalho destruidor e depurador de antigos condicionamentos sociais e crenças tradicionais. Assim, a ironia integra o “rugido do leão” que nos liberta da sujeição a uma visão do mundo obsoleta e supersticiosa. Mas, após essa etapa, a ironia pode deixar de ser parte do remédio para converter-se em veneno. O espírito irônico é corroído pela desconfiança e pela amargura, sendo incapaz de acreditar até mesmo em si mesmo e nas mais nobres aspirações humanas. Por isso, Nietzsche exortava: “não jogue fora o herói que há em sua alma, mantém sagrada a sua mais alta esperança!”

Essa é a razão de a metáfora da criança ser central na proposta terapêutica de Nietzche. Se o ser humano precisa aprender a conduzir seus pensamentos da melhor forma, como propõe Wallace, e se a natureza e o destino de um indivíduo são coisas que ele precisa construir a partir de seus atos e escolhas, como afirma Sartre, a atividade humana é, portanto, essencialmente criadora. E esse processo criação deve ser realizado com o mesmo prazer lúdico que uma criança tem ao brincar, com a mesma esperança e aspiração ao heroísmo que uma criança tem ao olhar seu futuro.

Sobre o autor:

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Victor Lisboa é editor de Ano Zero, colunista do Papo de Homem e autor do blog Minha Distopia. Escreve não por achar que tem vocação ou talento, e muito menos com a pretensão de dizer algo importante. O problema é de outra ordem. É descaramento, é o prazer de se deixar levar por uma compulsão. Isso porque, de todas as perversões toleradas em sociedade, a mais inofensiva é escrever. Deixem que abuse, portanto.

O procurador e a verdadeira existência

O procurador e a verdadeira existência

Esta é a história de uma pessoa que poderíamos definir como procuradora. Tendo-se em conta que um procurador é alguém que faz uma busca e sua intenção é descobrir “algo”, não há por que tratar-se necessariamente daquele que apenas “encontra”.

Também não se trata de uma pessoa que sabe ou é consciente do que está procurando. Falamos simplesmente daqueles para os quais sua vida é uma linda procura.

A história começa quando, em um dia qualquer, um procurador sentiu vontade de ir até a cidade de Kammir. Ele havia aprendido a tratar de forma mais rigorosa estas sensações que vinham de um lugar desconhecido de si mesmo, então decidiu deixar tudo e partir.

Após dois dias de caminhada por caminhos empoeirados, vislumbrou Kammir de longe. Um pouco antes de chegar ao povoado, uma colina à direita do caminho o chamou a atenção. Estava encoberta por um verde maravilhoso e havia muitas árvores, pássaros e flores encantadoras.

Uma espécie de vala pequena de madeira lustrada a rodeava por completo… uma portinha de bronze o convidava a entrar. De imediato, sentiu que esquecia o povo e sucumbiu diante da tentação de descansar por um momento neste lugar.

O procurador atravessou o portal e começou a caminhar lentamente entre as pedras brancas que estavam distribuídas aleatoriamente entre as árvores. Deixou que seus olhos fossem os de um procurador; talvez por isso descobriu, sobre uma das pedras, aquela mensagem: “Abedul Tare viveu 8 anos, 6 meses, 2 semanas e 3 dias”.

Comoveu-se ao dar-se conta de que essa pedra não era simplesmente uma pedra. Era uma lápide, sentiu aflição ao pensar que uma criança de tão pouca idade estava enterrada neste lugar…

Olhando ao seu redor, o homem deu-se conta de que a pedra ao lado também tinha um registro, aproximou-se dela e constatou que dizia “Llamar Kalib viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas”.

O procurador sentiu-se terrivelmente comovido. Este lindo lugar era um cemitério e, cada pedra, uma lápide. Todas tinham inscrições semelhantes: um nome e o tempo de vida exato do morto.

Mas o que o deixou mais espantado foi comprovar que, o que mais tempo havia vivido, apenas havia chegado aos 11 anos de idade. Acometido por uma dor terrível, sentou-se e começou a chorar.

O zelador do cemitério passava por perto e se aproximou. Olhou o procurador chorar por um tempo em silêncio e, em seguida, perguntou se chorava por algum familiar.

– Não, nenhum familiar – disse o procurador – O que acontece com este povo? Que coisa tão horrível acontece nesta cidade? Por que tantas crianças morrem e são enterradas neste lugar? Qual é a terrível maldição que paira sobre estas pessoas, que os obrigou a construir um cemitério de crianças?

O ancião sorriu e disse:

– Você pode se acalmar, não há nenhuma maldição. O que acontece é que aqui temos um velho costume. Contarei-lhe: quando um jovem cumpre 15 anos, seus pais o presenteiam com um caderno, como este que tenho pendurado em meu pescoço.

É tradição entre nós que, a partir de então, cada vez que alguém desfruta imensamente de algo, abra o caderno e anote nele: à esquerda, o que foi aproveitado, e à direita, quanto tempo durou este deleite.

Conheceu a sua namorada e apaixonou-se por ela? Quanto tempo durou esta paixão enorme e o prazer de conhecê-la? E a emoção do primeiro beijo, quanto durou? E a gravidez ou o nascimento do primeiro filho? E a viagem mais desejada? E o encontro com o irmão que volta de um país distante? Quanto durou o deleite destas situações? Horas? Dias?

Assim, vamos anotando no caderno cada momento. Quando alguém morre, é nosso costume abrir seu caderno e somar o tempo aproveitado para colocá-lo em seu túmulo. Porque este é, para nós, o único e verdadeiro tempo vivido.

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

Dr. Drauzio Varella lê comentários maldosos no YouTube e o resultado é sensacional

Dr. Drauzio Varella lê comentários maldosos no YouTube e o resultado é sensacional

O Dr. Drauzio Varella publicou um vídeo especial nesta segunda-feira, 23, para comemorar os 50 mil inscritos em seu canal no YouTube. E esse registro é provavelmente a coisa mais divertida da internet brasileira nesta semana.

Nele, o médico mais famoso do Brasil lê a caixa de comentários de seus vídeos. Entre elogios e declarações desconexas, Drauzio é chamado de “velho lixo”, “defensor de vagabundo”, “fdp” e até “doutor canalha”. A reação dele? Bom-humor e muitas gargalhadas.

Confira abaixo:

Fonte indicada: Catraca Livre

Catarina, o amor não enxerga gênero

Catarina, o amor não enxerga gênero

Fui buscar Catarina na delegacia de novo. Pela segunda vez, neste mês. Ela não consegue ir a uma festa e não se meter em confusão. E eu já estou cansada de tirá-la dessas burradas. Catarina é minha melhor amiga, desde que eu aprendi a reconhecer o que é uma amizade. A diferença é que, naquela época, a Catarina se chamava Felipe. Ninguém entendia muito bem o que se passava na cabeça dela, muito menos eu. Eu falava que Felipe era meu namoradinho, mas ele não gostava de mim. As tias da escola falavam que os meninos eram assim mesmo, que se afastavam das meninas e gostavam de implicar com elas, quando estavam gostando. A diferença é que a Catarina nunca me esnobou como quem sente uma atração e não sabe como reagir. Enquanto era Felipe, sempre foi muito próximo de mim, mas não demonstrava nenhuma atração. Quando eu era menor, eu sabia exatamente o efeito que o sexo oposto causava em mim. Queria ficar perto, mas ao mesmo tempo longe. Eu era só uma amiga e ele sempre me dava língua quando eu falava que ele era meu namorado.

Ficamos melhores amigos e o Felipe tinha mania de pegar minhas coisas. Meus colares, meus sapatos e meus lápis de pompom. Eu achava graça em tudo isso, mas o resto da sala caía em cima com aquele bullying moral que todo mundo já sabe de cor. Eu não sei onde a gente aprende a julgar os outros desde tão novos. Será que são nossos pais, a mídia, os desenhos? De onde vem essa irracionalidade cultural? Alguma coisa acontecia na vida do Felipe, mas eu não conseguia perceber. Ele brincava de boneca comigo, não tinha amigos meninos e sempre dava um jeito de colocar saia.  Por sorte, minha mãe nunca me pediu pra eu me afastar do Felipe, mas tentou me explicar ,de alguma forma, que ele era diferente, que ele tinha alma de menina, mas eu achava que era só uma metáfora bem feita, por ele entender tanto esse universo feminino, que era o meu. Felipe saiu da escola por causa das piadas maldosas e só voltamos a nos ver na faculdade. Mas não era mais o Felipe. Ele tinha se transformado numa mulher maravilhosa, chamada Catarina.

Nossa aproximação foi como de dois amantes que são separados pela guerra e não querem se desgrudar nunca mais. No caso, não éramos amantes, mas confidentes inconsoláveis. Ninguém me entendia como a Catarina e ela dizia que ninguém a tratava com tanta naturalidade como eu.  Eu tinha minhas amigas da época, mas, depois que Catarina reapareceu, minha vida realmente voltou para os trilhos. Eu até sentia uma pontinha de inveja, porque ela era bem mais bonita do que eu. Eu nunca soube entender muito bem esse sentimento. Não sei até que ponto era uma admiração absurda.

Percebi que ela tinha uma visão diferente do mundo, fora daquela fla x flu ou preto no branco. Estudou tanto sobre gênero, que passou a dar palestras em algumas universidades, tinha artigos publicados em revistas. Mas ela gostava de ficar no anonimato. Odiava esse fuzuê todo que as pessoas faziam em relação a ela. O assunto precisava ser discutido por inúmeros motivos, mas não tratado como uma anomalia ou algo extraordinário. Catarina teve sorte. Seus pais eram separados e ela viveu a vida toda com a mãe que, depois de sair de um relacionamento abusivo com o pai, abriu-se para a vida e se livrou de todos os preconceitos dos outros e dela mesma. Quando percebeu que seu filho, na verdade, era filha, tratou logo de entender tudo sobre o assunto. Talvez essa força toda de Catarina venha do apoio da mãe.

Mas essa confiança toda tinha efeito rebote quando Catarina se apaixonava. E ela se apaixonava muito. Em todos os lugares a que a gente ia, todos os caras davam em cima dela. E, quando descobriam que ela é transgênero, eu tinha que dar um jeito de tirá-la do lugar antes que nós duas saíssemos mortas. É claro que os boatos se espalhavam e nós éramos namoradas, ETs, eu era transgênero, travesti, a porra toda, já que a maioria das pessoas não sabe diferenciar muito bem uma coisa da outra. Eu mesma não entendo muita sobre essas diferenciações e nomenclaturas, mas a Catarina sempre diz que é importante saber. Para mim, todo mundo é gente. As nomenclaturas são só uma forma de a gente querer enquadrar os sentimentos que não se permite sentir. Uma forma de nos sentirmos únicos e, mesmo assim, parte de um grupo. Somos todos a mesma bosta moldada pela nossa cultura competitiva e tediosa.

Catarina sempre foi mestre em se meter em confusão. Pegava os caras e, quando eles descobriam, era porradaria na certa. Sendo que a Catarina, por mais que nenhum cara acreditasse, é uma mulher. E a Lei Maria da Penha também se aplica a ela. Mas eles não querem nem saber. Metem a porrada mesmo. Ela tem uma cicatriz no rosto por causa de uma dessas confusões. Eu não estava nesse dia, mas fui levá-la para o hospital e, depois, à delegacia. Lugar que a gente já conhecia bem. Falava para ela avisar antes, que tinham caras bacanas que iam gostar dela pelo que ela era, mas sempre me respondia que essa era ela e que ela não precisava ficar contando do passado para alguém gostar de quem ela é hoje. Calava-me, mas não conseguia entender.

Aos poucos, fui nutrindo um sentimento de raiva. Por ela e por todo mundo que não entende ou não quer entender. Não faz o mínimo esforço e nunca se perguntou por que se consideram homem ou mulher. O que o faz se sentir homem? O que a faz se sentir mulher? Quando você decidiu isso? Você realmente decidiu ou parou de negar o que realmente sente? Pois bem. Você não decide ser o que é. Você é o que é. E falam que temos que ser nós mesmos, mas qual é o custo que se paga por ser quem realmente somos?

Afastei-me dela por um tempo, para entender essa confusão toda que se passava em mim. Fui injusta e infantil por não ter percebido que essa raiva tinha outro sentimento. Esse sentimento de admiração pela força e coragem que a Catarina sempre teve e eu não tive. Eu era fraca demais para entender que esse preconceito vinha de mim, da minha completa incapacidade de me enxergar. Catarina é e sempre vai ser o amor da minha vida. O amor que eu sentia pelo Felipe, quando eu falava que a gente era namoradinho na escola, não passou. Eu sempre fui apaixonada pela Catarina, mas sabia que esse sentimento não poderia ser mútuo. A Catariana gostava de meninos, assim como eu sempre gostei. Considerava -me hétero, porque nunca sentira atração por mulher alguma, mas a Catarina era além de homem ou mulher. Catarina era uma pessoa incrível, que me fazia questionar tudo, menos eu mesma. Sempre tive medo de olhar para ela desse jeito, porque eu mesma não aceitava. Claro que um pouco pelo medo da rejeição dela, mas, principalmente, da minha rejeição, de como eu me olharia sabendo que fui, a vida toda, perdidamente apaixonada por uma mulher. Uma transgênero. Eu, que me achava super cabeça aberta e não entendia a rejeição dos outros.

Catarina sempre soube disso, mas não queria insistir. Ela não sentia o mesmo por mim e sabia que eu nunca aceitaria, se ela me falasse. E eu fiquei tão confusa e não entendi nada, porque até nisso a gente se limita. Ou você é gay ou não é. Ou você se considera mulher ou não. Mas existem tantas, mas tantas formas de amar e ser você, sem precisar se enquadrar em nenhum desses estereótipos. Ser hétero também é um estereótipo. Você sabe que é, do fundo do seu coração, então não se permite enxergar além. Não existe nada disso. Dá para ser mulher a vida inteira e decidir que, a partir de hoje, quer ser homem porque você se sente homem, e tudo bem. Dá para ser gay a vida inteira, mas se apaixonar por uma mulher porque somos pessoas e atração e sentimento não enxergam gênero. Nós somos o que somos hoje e não tem regra. De onde tiraram isso de que você tem que se definir e pronto, acabou? O que é mais bonito no ser humano é que ele muda constantemente e nossas vontades se misturam. E todo mundo é assim, mas nossa cultura não permite sair da linha nunca. E meu amor pela Catarina foi construído por tudo que ela lutou e luta até hoje. Porque ela já tinha me falado tudo isso, porque ela já experimentou sair de todas as linhas, de todas as formas, da sua zona de conforto. E, como a gente vai enxergar tão além, se ainda estamos discutindo machismo ou casamento gay? Ela cresceu assim, sabendo disso. E eu cresci ao lado dela e não me permiti.

Hoje, eu fui buscar a Catarina de novo na delegacia e vou buscar mais mil vezes, se for preciso. A gente nunca vai viver esse amor da forma como eu queria, porque ela tem todo o direito de não se apaixonar por mim e eu não posso culpá-la por isso. Por mais que eu seja a pessoa que mais a apoie em tudo, que esteja com ela para tudo. Vou viver esse amor como eu sempre vivi, ao lado dela, sem me martirizar. Posso até me apaixonar por outra pessoa, mas a Catarina sempre vai ser a última pessoa em que penso quando vou dormir.

Mulheres Malvadas.

Mulheres Malvadas.

Eu estava na área de recreação infantil de um hotel, no litoral, onde fomos passar o último feriado. Arthur brincava entre outras crianças, até que, resolveu pegar e esconder a bolinha de pebolim interrompendo assim a brincadeira das “crianças grandes”. Imediatamente os meninos me olharam e pareciam dizer: “mãe, olha seu filho e faça alguma coisa!”. Eu me levantei, peguei a bolinha das mãos do Arthur, a devolvi aos meninos e comecei a ouvir o choro e as lamentações do meu filho. Eu disse apenas: “-Arthur a bolinha é da mesa de pebolim e eles estão jogando. Você não pode pegá-la e esconder.” Voltei então ao sofá de onde eu o observava de longe. Ele só tem três anos e meio, ainda preciso vigiar quando ele brinca em locais estranhos. Ao ouvir a reação natural do meu filho à frustração outra mãe se levantou, olhou para mim e disse: “-Deixa ele!” Além disso, foi em direção ao Arthur e começou a consolá-lo. Ele, claro, respondeu positivamente enquanto ela brincava, falava mansamente com ele, o agradava e, ao mesmo tempo, me olhava com condenação e parecia dizer: “Está vendo como se faz”! Como psicóloga comportamental eu afirmo que reforçar um comportamento negativo o tornará mais comum, ou seja, se o Arthur for agradado e consolado quando roubar e esconder bolinhas, ele vai fazer isso sempre.

Agora entra o meu tema dessa semana. Por que as mulheres, mesmo nessa situação tão complexa que é a de educar e mostrar aos filhos como o mundo funciona, competem entre si e se mostram tão pouco afetivas e solidárias umas com as outras? Ao ver a cena eu ignorei ambos e então comecei a me lembrar de que infinitas foram às vezes nas quais eu ouvi outras mães, algumas muito amigas e bem próximas, discursarem sobre a quase perfeição de seus atos enquanto eu contava ou dividia da forma mais humana possível as minhas falhas, os meus medos ou as minhas dúvidas enquanto mãe. Mães erram sim, mas erram tentando acertar. Responder relatando a sua forma perfeita, adequada e sempre correta quando outra mãe lhe confessa algo é no mínimo cruel, e mostra uma incapacidade de ouvir e uma necessidade grande de autoafirmação – coisa de gente que precisa “enfrentar o divã”.

Penso que, se na cena acima fossem dois pais, eles teriam conversado entre si, compartilhado das dificuldades enfrentadas com os filhos de três anos e meio, talvez um dissesse ao outro: “o meu é igualzinho” e a conversa seguiria com empatia e com frases como: “ah deixe chorar, faz parte, a vida é assim”. E é mesmo.

A competição agressiva e desenfreada entre as mulheres, chamada no senso comum de falsidade é vista desde a infância. Menininhas antes dos sete anos já se boicotam e se envolvem em episódios maldosos. Homens são mais sinceros sim, porque não tem a necessidade constante de competir e vencer. Os homens parecem se identificar mais uns com os outros; existem até piadas e chavões que mostram bem esse padrão de comportamento.

Por que somos tão “falsas”? Por que temos essa dificuldade imensa de nos desarmarmos, de nos ajudarmos, de confessar nossas fraquezas, nossos medos, nossos fracassos e nossas celulites? Acabamos por saborear uma solidão desnecessária. Seres humanos, por espécie, vivem em bandos. A amizade é uma das formas mais saudáveis e mais prazerosas de convívio. Ter com quem contar para quem contar é muito importante para nossa saúde mental durante toda a nossa vida. Vejo com frequência mulheres que, na terceira idade não têm amigas, e tê-las seria tão bom e tão importante nessa fase mais calma da vida, nas quais não se ouvem mais as birras, mas se lembram delas com saudade.

Vindo de uma estranha ou de uma grande amiga, a verdade é que, ao ser vista no papel de mãe, todas nós já fomos condenadas – porque julgar ou simplesmente falar da outra é a coisa mais fácil e mais gostosa do mundo para quem não é capaz de se identificar com o outro nem tampouco de amar. Tenho me dedicado atualmente aos autores contemporâneos que escrevem sobre amor em seu mais profundo significado. Amor está em extinção. Ao começar desabafando sobre meu filho que demorou a falar e terminar ouvindo o perfeito desempenho do filho da outra que com pouco mais de um ano falava frases inteiras o que sinto é solidão e a mais pura falta de afeto e empatia. Quem tem prazer ao ouvir a dor alheia sem se comover precisa se lapidar enquanto gente. Há quem diga que a necessidade de tanto aplauso e a incapacidade de ouvir e de acolher o outro um dia há de fazer dessas mães mulheres ausentes e solitárias.

Por que não trocarmos nossas experiências? Por que não se abrir e se ajudar? Por que não caminharmos juntas como semelhantes que somos? Ninguém é melhor do que ninguém e aqui vou abrir um parêntese e confessar: ser psicóloga não faz de mim uma mãe melhor do que qualquer outra; conheço a técnica, mas na teoria é muito fácil e na prática eu me permito como diz Carl Jung, a “ser apenas uma alma humana”.

É uma reflexão complexa demais para o pouco espaço que tenho aqui, mas minha proposta é sempre nos levar a pensar e a mudar. A difícil tarefa da maternidade é apenas um dos aspectos da nossa vida. Nós mulheres precisamos umas das outras, como profissionais, como companheiras, como gente. Por que competimos tanto? Por um homem? Por uma promoção profissional? Por um, ou muitos olhares de admiração? As mulheres dizem ter medo e asco da inveja enquanto que, hipocritamente o tempo todo buscam olhares invejosos. Já ouviram falar em empatia? A empatia é a resposta afetiva a outras pessoas, ou melhor, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. Talvez seja o momento de começarmos a praticá-la, a nos colocar no lugar do outro ao invés de mostrar o quanto, em nossa opinião, nos achamos tão melhores. Quem propaga uma vida perfeita esconde sujeira debaixo do  tapete.

PS: Quero agradecer a todos os e-mails e mensagens via Facebook que chegaram e que continuam chegando. Esse foi o primeiro texto que escrevi já da minha nova residência em São Paulo. Espero que continuem escrevendo e solicitando temas. Vamos continuar refletindo juntos. A vida na capital tem me proporcionado novas possibilidades de aprimoramento dentro da minha ciência e quero dividir cada nova descoberta com vocês.

 

#meuamigosecreto

#meuamigosecreto

‪#‎meuamigosecreto‬ é um cara, um companheiro, um amigo. Uma pessoa rara que aprendeu a se deixar lapidar mais pelo Amor do que pelas convenções sociais. E se libertou.

Ele sorri sozinho, pois é doce a leveza de não precisar ser um macho alfa, de não ter que sempre olhar as mulheres como objetos sexuais, de não ter que mostrar para os amigos que ele pode pegar e foder várias gostosas por aí.

Ele é um cara que se assume, que se respeita, que sabe que seu pinto não é movido à energia alcoólica e não vai necessariamente e sempre Turn ON quando cair uma calcinha no chão. Que sabe que o êxtase divulgado pelos vídeos pornôs e pela cultura midiática que, implícita ou explicitamente, colocam o ato de gozar como a maior das conquistas, é algo muito pequeno e limitado perto do tipo de experiência que ele conhece e vive.

Ele não tem tesão por uma bunda dura, um par de seios, uma vagina, ele tem tesão por uma pessoa. É a inteireza que o excita. Ele é tão esperto que sabe quão afrodisíacos podem ser uma boa conversa, uma troca de afinidades, risadas, brincadeiras… Quão afrodisíacos podem ser os pensamentos de uma mulher que se abre inteiramente. Ele sabe ouvir e sabe se fazer ouvir, ele gosta da troca, do começo ao fim. Ele gosta de se envolver com mulheres despertas, que dizem o que pensam, que se abrem completamente, sem culpas, sem medos, sem fazer tipo, porque querem ser o que são. E ele aceita e gosta desse feminino derramado, ele vê a doçura disso e se apaixona pela coragem dessa mulher. Com prazer, ele mergulha nesse oceano de possibilidades.

Ele percebeu a graça de caminhar sem posses, às vezes até sem dar as mãos, mas com os corações livremente entrelaçados. Ele não quer uma mulherzinha pronta, normal, previsível. Ele quer uma companheira para desvendar e experimentar essa selva de aventuras que é a vida.

Meu amigo secreto existe. E é um homem evoluído, um cara que está contagiando as pessoas e se tornando referência para os outros homens. Porque os outros homens se encantam e querem entender de onde vem essa Paz maior que esse cara alcançou e exala pelo olhar. Esse homem colhe tantas recompensas por ter aprendido a ser assim que sua alma virou puro magnetismo.‬

15 filmes que nos ajudam a refletir sobre o lado sombrio da humanidade

15 filmes que nos ajudam a refletir sobre o lado sombrio da humanidade

Conflitos, guerras, violências de toda ordem, exploração do humano, destruição do planeta, entre tantas outras ações nos deixam a cada dia mais perplexos diante da capacidade destrutiva e sombria da humanidade. Refletir profundamente sobre o que está por trás de tantos fenômenos de brutalidade torna-se uma responsabilidade urgente diante da realidade à qual todos nós estamos expostos.

Alguns documentários, filmes ficcionais e relatos baseados em fatos reais nos ajudam no mergulho na natureza sombria do ser humano e na busca pelo entendimento da origem de tantos males. Questões antropológicas, históricas, culturais, morais, éticas, sociais, econômicas, religiosas e psicológicas estão expostas sobre diferentes óticas e olhares, complementando nossa visão acerca dos acontecimentos atuais.

Alguns dos enredos nos inspiram a esperança pela ampliação da consciência humana em busca de uma relação de igualdade, justiça e amorosidade com os outros e com o mundo. Personagens que, apesar das adversidades impostas pelo momento em que vivem, conseguem superar condições traumáticas e extremas para se tornarem verdadeiros pontos de luz em meio à escuridão.

1- AS FILHAS DA ÍNDIA

O documentário fala da história da jovem estudante de medicina de 23 anos, Jyoti Singh, que em 2012 foi vítima de um estupro coletivo dentro de um ônibus em Nova Déli, na Índia, quando voltava para a casa com seu amigo. Mesclando depoimentos dos pais da vítima, de um dos criminosos condenados e das famílias e dos advogados de alguns dos estupradores, o filme refaz a trajetória da jovem rumo ao abuso e a sua morte extremamente dolorosa. Um relato chocante que nos mostra as divergências entre as formas de pensar sobre a questão da liberdade e da expressão do feminino nos tempos atuais.

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AS FILHAS DA ÍNDIA

2- A BOA MENTIRA

O filme é estrelado por Reese Witherspoon, Corey Stoll, Sarah Baker e Arnold Oceng. O longa, que é baseado em fatos reais, narra a chegada de quatro irmãos sudaneses, refugiados de guerras que assolavam o país. Depois de uma longa e impetuosa jornada pelo interior da África, os jovens chegam a um campo de refugiados por onde permanecem por mais treze anos Os jovens então embarcam para os Estados Unidos, onde são recebidos pela Carrie Davis, personagem de Reese Witherspoon, que ajuda os jovens (conhecidos como Garotos Perdidos do Sudão) a se adaptarem a nova vida.

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A BOA MENTIRA

3- UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA

Tal tem 17 anos, é judia e mora em Jerusalém, enquanto que Naim tem 20 anos, é palestino e mora em Gaza. Apenas 60 milhas os separam em relação à distância, mas o histórico de guerra entre os povos é um grande complicador. Só que uma garrafa jogada ao mar pode mudar a situação entre eles, trazendo forças para que suportem esta dura realidade.

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UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA

4- COCO ANTES DE CHANEL

Quando criança Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época.

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COCO ANTES DE CHANEL

5- SELMA – A LUTA PELA IGUALDADE

Em 1964, enquanto Martin Luther King Jr. recebe seu Nobel da Paz, diversos afro-americanos, como Annie Lee Cooper de Selma, ainda não têm acesso a inscrição nos cadernos eleitorais. Para garantir o direito de voto para todos os afro-americanos, Martin Luther King então reúne-se com o Presidente Lyndon B. Johnson, para que ele possa criar uma lei que proteja os negros que querem votar. Martin, em seguida, vai para Selma, no interior do Alabama, com Ralph Abernathy, Andrew Young e Diane Nash. Lá eles encontram vários ativistas da Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC). Como Martin Luther King se torna importante, John Edgar Hoover tenta convencer o presidente Johnson para monitorar e prejudicar ainda mais seu casamento com Coretta King. Como as tensões vão aumentando, King e seus sócios decidem realizar as Marchas de Selma a Montgomery, enfrentando a violência das forças policiais locais, liderados pelo xerife Jim Clark e o Governador George Wallace.

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SELMA – A LUTA PELA IGUALDADE

6- ANJOS DO SOL

Anjos do Sol conta a saga da menina chamada Maria, de quase doze anos, que no verão de 2002 é vendida pela família, que vive no interior do Maranhão, a um recrutador de prostitutas, imaginando que a garota estaria indo viver em um local melhor que vivia, pois não sabiam que se tratava exatamente o recrutamento. Depois de ser comprada em um leilão de meninas virgens, Maria é enviada para um prostíbulo localizado numa pequena cidade, vizinha a um garimpo, na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, Maria consegue fugir e atravessa o Brasil na carona de caminhões. Ao chegar ao seu novo destino, o Rio de Janeiro, a prostituição se coloca novamente no seu caminho e suas atitudes, frente aos novos desafios, se tornam inesperadas e surpreendente.

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ANJOS DO SOL

7- A ONDA (WAVE)

Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de “A Onda” ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar “A Onda” pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com “A Onda”, mas aí já é tarde demais.

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A ONDA (WAVE)

8- ALÉM DA LIBERDADE (THE LADY)

Filha de um herói da independência da Birmânia, Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh) foi morar no exterior ainda jovem. Na Inglaterra se casou com Michael Aris (David Thewlis) e teve dois filhos, Kim (Jonathan Raggett) e Alex (Jonathan Woodhouse), mantendo contato com o país através de livros publicados e o acompanhamento das notícias locais. Ao saber que sua mãe está internada em um hospital, Aung decide voltar à Birmânia para revê-la. Logo ao chegar ela é procurada por vários líderes locais, que desejam que ela coopere com o movimento pela implementação da democracia no país. Aung aceita o convite e, pouco a pouco, torna-se um ícone do movimento. A situação não agrada a ditadura militar local, que passa a acompanhar todos os seus passos e tenta impedi-la de promover manifestações. Até que, na esperança de fazer com que o povo se esqueça de Aung, o governo ordena que ela permaneça em prisão domiciliar por 15 anos.

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ALÉM DA LIBERDADE (THE LADY)

9- O CORAÇÃO CORAJOSO DE IRENA SENDLER

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Irena Sendler, uma assistente social poloca que durante a Segunda Guerra Mundial é presa pelos nazistas por ajudar cerca de 2500 crianças Judias à fugir do Gueto de Varsóvia.

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O CORAÇÃO CORAJOSO DE IRENA SENDLER

10- CAÇADOR DE PIPAS

Caçador de Pipas conta a história de Amir, um garoto rico de Cabul, no Afeganistão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo, Hassan, filho de Ali, também empregado do seu pai. A história tem como cenário uma série de acontecimentos políticos tumultuosos, que começa com a queda da monarquia do Afeganistão em Julho de 1973, com deposição do rei Zahir Shah, golpe de estado comunista, em abril de 1978, invasão soviética, em Dezembro de 1979, a consequente massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Militar pelos Talibã.

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CAÇADOR DE PIPAS

11- SAL DA TERRA

O filme conta um pouco da longa trajetória do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e apresenta seu ambicioso projeto “Gênesis”, expedição que tem como objetivo registrar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas.

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SAL DA TERRA

12- RELATOS SELVAGENS

Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.

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RELATOS SELVAGENS

13- A FITA BRANCA

Em um vilarejo no norte da Alemanha (1913) vivem as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário (Christian Friedel). O estranho acidente com o médico (Rainer Bock), cujo cavalo tropeça em um arame afiado, faz com que uma busca pelo responsável seja realizada. Logo outros estranhos eventos ocorrem, levantando um clima de desconfiança geral.

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A FITA BRANCA

14- PERFUME

Paris, 1738. Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw) nasceu em um mercado de peixe, onde sua mãe (Birgit Minichmayr) trabalhava como vendedora. Ela o tinha abandonado, mas o choro de Jean-Baptiste faz com que seja descoberto pelos presentes na feira. Isto também faz com que sua mãe seja presa e condenada à morte. Entregue aos cuidados da Madame Gaillard (Sian Thomas), que explora crianças órfãs, Jean-Baptiste cresce e logo descobre que possui um dom incomum: ele é capaz de diferenciar os mais diversos odores à sua volta. Intrigado, Jean-Baptiste logo demonstra vontade de conhecer todos os odores existentes, conseguindo diferenciá-los mesmo que estejam longe do local em que está. Já adulto, ele torna-se aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera Baldini e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. Jean-Baptiste cada vez mais se interessa em manter o odor de forma permanente, o que faz com que busque meios que possibilitem que seu sonho se torne realidade. Só que, em suas experiências, ele passa a tentar capturar o odor dos próprios seres humanos.

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PERFUME

15- EFEITO SOMBRA

Um documentário que mostra que todos nós temos um lado obscuro. O que é a Sombra? Bem, a Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. É aquele sentimento escondido de todos, e aquele desvio de comportamento que uma pessoa considerada boazinha possui. É o desejo de se entregar ao vício, de explodir, de brigar. É toda a energia que tentamos não ter. Mas descoberta e compreendida, a Sombra nos levará ao caminho da plenitude! Sairemos da ilusão de que nossa obscuridade nos dominará e, em vez disso, veremos o mundo sob uma nova luz.

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EFEITO SOMBRA

*sinopses: www.wikipedia.com  e www.adorocinema.com

Carta para um Ex.

Carta para um Ex.

Se você está lendo isso agora, já deve saber que não, eu não morri sem você. Foi quase. Cheguei o mais perto que pude de um caminho sem volta, mas voltei. Cheguei quase ao ponto de não poder continuar, mas continuei. Porque antes de você, outros me ensinaram que na manhã seguinte posso estar caída, mas na semana adiante, estarei melhor e na semana seguinte, estarei de pé. Sou dessas. Do tipo que se levanta.

E terei meus pés fincados na terra, como uma bandeira em um país que se conquista, uma guerra que se vence, uma dor que dissipa. Algo me diz que fará bem pro seu ego saber que eu chorei. Às vezes, no meio do dia, no hábito do nada, eu chorava pensando se a culpa era minha. E eu a levei, pequena, delicada, como um bebê nos braços, por meses. Aquela culpa tardia que me acompanhava nada mais era que a falta velada de você.

Carreguei-a até entender que na guerra e no amor todos conhecem as regras – sobreviver. Por isso escrevo, não pra destrinchar minha dor em mil partes, não diante de você. Escrevo pra contar que você não tem culpa nenhuma afinal. No fundo, eu sempre soube quem você era. Talvez em algum momento eu também tenha amado isso, esse seu jeito de ver a vida, mesmo que depois ele tenha se virado contra mim. Não há culpados. Alforrie-se também.

Dia desses, pensei ter visto você saindo de uma loja e meio que corri. Sabe-se lá o motivo. Na verdade, corri feito uma doida. Agarrada com a bolsa frente ao peito, como que tentando guardar meu coração dentro nela. Não sei se era você, se não era. Mas hoje tudo isso me faz rir, muito. Você sempre me destemperou um pouco. Mas acostumar meus olhos a não ver-te criou isso, uma falta de costume de te ver. Também estou escrevendo pra dizer que não fugirei mais. Já posso olhar nos seus olhos sem doer. Serei apenas grata enquanto te olho.

Grata inclusive pela dor que me causou. Porque me recompor, me reconstruir noite a após noite, mostrou como amar é inexplicavelmente bom. Porque no fundo não era sua falta que doía, mas a falta dele, do amor. Amor que nem você, nem eu mesma pude me dar. Mas, como você pode ver, isso também mudou. Não, ficar sem você não me matou. Só me deu uma nova vida que também aprendi a amar. Não fiquei amarga, não perdi a fé, apenas uns quilos, talvez. Aprendi também que os erros são aceitáveis quando o que a gente vive é ensaio. E todo ensaio é sinal de que algo grandioso e real ainda está por vir. Fique bem. Eu estou.

Colabore, mas colabore mesmo hein, com a publicação do livro de crônicas do Diego Engenho Novo

Saiba mais em: www.kickante.com.br/amarmododeusar

 

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