Wikinomia, o novo modelo econômico que vai atropelar nosso ego

Wikinomia, o novo modelo econômico que vai atropelar nosso ego

Eu já falei algumas vezes sobre como eu amo o século 21 e como eu amo a internet. Já falei, aqui, que estamos todos perdoados por nos sentirmos tão perdidos, porque uma mudança social desse tamanho deixa a gente meio lélé da cuca mesmo.

Eu gosto muito de comparar o momento atual com a terceira revolução industrial do século 18, porque, quando o modo de produção mudou, tudo mudou. Inclusive o comportamento e pensamento das pessoas. Surgiram novas profissões, novos caminhos, novas possibilidades. Não vou entrar na questão sobre esse episódio ter sido bom ou ruim. Ele aconteceu e temos que encarar as coisas que aconteceram sem ficar imaginando o que poderia ter acontecido.  Comparando a transformação que ocorreu com o momento atual, sinto informar que a nossa geração está no meio do redemoinho da era da informação. A gente está exatamente na fase onde as coisas começam a mudar.

E, sim, isso tem a ver com a internet. A internet abriu um mundo de possibilidades na nossa frente e vocês já viram que, em 15 anos, o mundo mudou drasticamente. Eu, por exemplo, trabalho com marketing digital e sou escritora de um blog. Na época dos meus pais, essas profissões nem existiam. Imagina só. Que diabos eu ia fazer da minha vida se eu tivesse nascido há 30 anos? Talvez minhas palavras nem tivessem oportunidade de chegar a vocês. Imaginem quantos escritores maravilhosos morreram sem ninguém saber que eles existiram?

Pois bem. Enrolei até aqui para dizer que nosso modelo econômico está totalmente defasado. Já repararam quantas pessoas estão buscando novas alternativas? Quantas pessoas não estão aceitando mais o trabalho de que não gostam? Estão inquietas, pensando no que vão fazer da vida profissional antes dos 30. Sim, estamos todos perdidos e deslocados, tentando achar um meio para nos encaixarmos. E sabe por quê? Porque nós somos a primeira geração que começou a vislumbrar um futuro totalmente diferente do presente. A gente viu o quanto a tecnologia mudou o mundo em 10 anos e a gente pensa “Opa, peraí. Se em 10 anos eu tenho um celular que tem mais tecnologia do que o computador do que eu tinha em casa, imagina daqui a 10 anos?” A tecnologia cresce exponencialmente, de acordo com a lei de Moore, então a gente começa a perceber que esse modelo econômico e esse modo de trabalho não está funcionando mais.

É como se a gente tivesse usando uma roupa muito apertada o tempo todo, porque a gente cresceu demais, mas ainda insistem e dizem que a gente tem que usar essa roupa. Não temos. E nós somos os responsáveis por fazer roupas novas, que caibam na gente, que caibam nas nossas vontades e visões de mundo. Ninguém sabe do futuro, dessa vez não tem nenhum sábio que possa nos dizer como nos comportar. A mudança está em nossas mãos. Olha o mundo em guerra, em crise econômica, social. E olha para a gente, completamente perdida dentro das possibilidades, porque elas simplesmente não cabem mais. Vamos abrir a mente e mudar tudo! A boa notícia é que isso está acontecendo. Existem pessoas, tipo o Tanaka, um cara incrível que eu descobri pela internet, que abriu uma empresa horizontal.

Uma empresa horizontal não tem hierarquia, nem horas de trabalho. Cada um trabalha exatamente com o que quer trabalhar e recebe o salário de acordo com o que produziu na semana. Toda vez que eu falo isso, as pessoas me perguntam como isso pode funcionar. Bem, leiam este texto, porque ele pode explicar muito melhor do que eu.  Esse tipo de empresa vai ao contrário do que nosso modelo econômico propõe. Mas, por mais que a gente queira abrir uma empresa que faça bem para o mundo, produza produtos orgânicos ou conteúdos interessantes e seja totalmente criativa e fora dos moldes, nada vai mudar, se a gente não mudar nossa mentalidade. A mentalidade de que o dinheiro rege nossas vontades. Hoje, dinheiro não é nada menos do que o denominador comum de nossas vontades. Mas existe uma linha muito tênue aí, porque várias empresas criativas acham que estão inventando a roda, mas pagam mal seus funcionários, porque o importante mesmo é trabalhar com o que gosta e vestir a camisa. Pera lá, né? Esse papo também confunde muito a cabeça das pessoas.

O dinheiro é necessário e continuará sendo. O que estou propondo aqui é uma recolocação do significado do dinheiro. Da mesma forma que existem pessoas que ficam o dia todo sem fazer nada e ganham uma baba, existem pessoas que ralam o dia todo e ganham bem pouquinho. E isso não é justo. Riqueza não deve mais ser atrelada diretamente ao sucesso vazio. O sucesso é medido pelo que a gente tem, pela fama, pelo poder. Mas, se a gente olhar no dicionário, sucesso é simplesmente se sair bem em alguma coisa. Por que a gente mudou o significado dessa palavra tão importante para as nossas autoestimas?

E o que eu estou propondo e começo a perceber é o surgimento da Wikinomia. Esse é o nome que algumas pessoas estão dando para o próximo modelo econômico do mundo. E eu o considero mais justo e mais compatível com o mundo de hoje. Sabe o Wikipédia? Então, ele é um canal aberto para qualquer pessoa escrever uma informação ou editar uma informação que já está lá. Ou seja, você é produtor e, ao mesmo tempo, consumidor do conteúdo. Você dá e recebe informação de volta. A wikinomia funciona mais ou menos da mesma forma. Ela é baseada na troca. Você oferece um produto e recebe outro.  Quantas páginas de troca você já viu pelo Facebook? Justamente, esse é o começo da wikinomia. Uma brasileira criou um aplicativo super legal pelo qual você troca funções. Por exemplo, eu sei costurar e alguém sabe consertar computador. A gente pode se ajudar mutuamente e receber. Ou, então, o “Tem Açúcar”, que é um site onde você pode pedir emprestado algo para pessoas do seu bairro. Claro, ainda existe aquele receio de emprestar coisas para alguém que você não conhece, mas é que a gente está muito preso a esse modelo defasado e individualista. É preciso expandir e arriscar algumas coisas.

Até o próprio Catarse é uma nova forma nova de economia. Você não precisa mais de um super investidor pra tirar sua ideia do papel. Você só precisa de uma boa ideia e de um bom poder de convencimento para as pessoas investirem o dinheiro e o tempo delas no seu projeto. O Airbnb, que é uma rede de aluguéis de casas e apartamento. Ou o Kina, que é uma rede micro-empréstimos de pessoas para outras pessoas. Você pode emprestar seu dinheiro em pequenas quantias, sem precisar remunerar um banco, por exemplo.

Eu poderia ficar aqui citando um monte de novas empresas e pessoas geniais que estão fazendo essa roda girar. E a gente precisa abrir os olhos para isso, porque o mundo está se transformando e nós podemos ser engolidos ou ajudar essa roda a girar. Talvez a gente não exista mais quando surgirem as teorias do que aconteceu com o mundo nesse período, porque, para enxergar alguma coisa, é preciso se distanciar dela. Eu não sei qual futuro nos aguarda e, sinceramente, essa era da informação me assusta muito, até porque eu tenho muita dificuldade em focar e pensar claramente, com TANTA coisa surgindo ao mesmo tempo.  A gente sente necessidade de ter uma opinião sobre tudo. Precisa saber tudo, toda hora. Mas a verdade é que a gente tem o direito de não saber e tem o direito de não querer saber também. Você pode priorizar aquilo com o que quer se importar.

As oportunidades, nesse momento, são infinitas e a gente pode escolher não cagar com o mundo outro vez. Por mais que a gente nunca vá salvar o mundo de verdade e por mais que a gente nunca consiga acabar com o sofrimento, dá para melhorar bastante, né? Ou você quer continuar reclamando de tudo no Facebook?  Essa é nossa chance. Não a desperdice, por favor.

A Incrível Geração de Pessoas Que Não Se Comprometem

A Incrível Geração de Pessoas Que Não Se Comprometem

Conheci Sara na recepção do famoso tatuador portenho Carlos Cavera – Estou um pouco nervosa. Até chegar aqui, tinha certeza que queria fazer uma tatuagem. Agora, não a tenho mais – Sara não tinha medo da dor, mas de se arrepender de algo, em tese, permanente. A acalmei um pouco e expliquei que as remoções de tatuagens com lasers estavam cada dia mais eficientes e menos dolorosas. Sim, menti.

Eu entendo bem Sara. Somos da mesma geração. Não X, Y ou Z. Somos de uma geração de pessoas que não se comprometem mais. Fomos educados assim. Com o passageiro, com o fluvial, diante da volatividade da tecnología, da mutação do pensamento, da fragilidade das relações. Fomos ensinados que as pessoas, experiências e sentimentos passam – ficam os arrependimentos.

Fomos ensinados que filhos são um erro. Financeiro, social, um ataque à nossa liberdade pessoal. Que ter uma casa onde se fixar é pouco moderno, pouco prático, já que o verbo de nossa geração nao é ficar, mas ir. Fomos aprendendo que pessoas, com seus problemas, se bloqueiam, se apagam. Ponto final. Não é necessário manter nada que lhe incomode, que lhe atrase, nada que possa um dia se tornar um peso.

Sofro desse mal, de relações descartáveis, de amores rasos, de medos bobos. Mea culpa, sem culpa. Eu sou assim, ou era até pouco tempo. Outra vez estou mudando. Fazer parte dessa geração também é evoluir, aprender a todo o tempo. Hoje entendo que para evoluir preciso ralentar o passo e involuir diante dos olhos assustados dos outros. Preciso cometer a burrice maior, o pecado mortal, preciso me comprometer com pessoas, coisas e causas.

Diante de tantas emoções que passem, quero um pouco das que ficam; diante de todos os valores que mudam, viver os eternizam; diante da dúvida do arrependimento, quero me entregar à beleza de escolher um caminho e trilhá-lo até o fim. Sem culpa antecipada, arrependimento programado, sem medo do desconhecido, comprometido. Sim, eu quero um filho, um lar e um amor e não espero que sejam nada menos que irreversíveis. Se amar é se prometer, comprometer-se é amar junto.

Diego Engenho Novo

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Eu tenho medo de que as coisas não mudem.

Eu tenho medo de que as coisas não mudem.

Há quem passe a vida toda morando na mesma casa, trabalhando no mesmo endereço, executando a mesma função. Fazendo o mesmo trajeto todos os dias, estacionando o carro na mesma vaga e sentando-se à mesa no mesmo lugar para realizar todas as refeições. Talvez haja nessa rotina a falsa sensação de segurança e de comodidade, porém é preciso pensar que tudo isso resulte num “enferrujamento” do nosso cérebro.

Conheço gente que gosta de ir sempre ao mesmo supermercado alegando saber onde encontrar cada produto sem precisar procurar. Eu também já ouvi relatos de pessoas que quase entraram em colapso quando perceberam que o trajeto diário para ir para casa havia sido impedido por uma obra. Parece que o nosso cérebro acomoda-se e passa a funcionar “no automático” quando é pouco exigido. É mais ou menos assim que funciona: falando de forma bem grosseira, quando repetimos ações sempre da mesma forma, utilizamos pouco a nossa capacidade cerebral. Agimos “sem pensar”, o que é muito cômodo, tanto que, se algo impede a ação automática, por alguns segundos ficamos sem saber o que fazer, até que nosso cérebro processe uma nova alternativa – e para isso, ele realiza novos trajetos dos impulsos elétricos, que chamamos de sinapses.

Realizar tudo sempre da mesma forma pode ser prejudicial ao nosso cérebro, pois deixamos de treiná-lo. Acredita-se que o exercício constante das funções cerebrais possa ajudar na prevenção de doenças neuro-degenerativas, inclusive o mal de Alzheimer, cujas causas ainda não são totalmente conhecidas.

Mais do que aceitar as mudanças em nossa vida de forma positiva, é importante provocá-las de tempos em tempos. Um novo emprego ou uma mudança de residência pode fazer com que nosso cérebro saia da zona de conforto. Caso isso não ocorra, podemos ser agentes de pequenas e fáceis mudanças muito benéficas. Não ir sempre ao mesmo supermercado, não fazer sempre o mesmo trajeto do trabalho para a casa e de casa para o trabalho são bons exemplos disso. Outra dica bem interessante é mudar os utensílios da cozinha dos armários. Não guarde os copos no mesmo local a vida toda, troque tudo de lugar de tempos em tempos. Isso pode ser feito também com as roupas, sapatos e nas gavetas do banheiro. Faça de modo a ter que pensar onde podem estar o que você procura. Encoraje-se a ir onde nunca foi. Percorra ruas desconhecidas. Faça o que e/ou da maneira ainda não fez.

Uma vez por semana, aventure-se a tomar banho e/ou vestir-se de olhos fechados. Anular a visão fará com que você busque os outros sentidos. De forma geral, pessoas com deficiência parcial ou total de um dos sentidos acabam desenvolvendo mais os demais exatamente porque exigem mais deles. Ao sentar-se à mesa, não utilize sempre o mesmo assento, troque de lugar vez em quando. Se possível, troque também os móveis de lugar nos vários ambientes da casa e, se for o caso, os objetos da sua mesa de trabalho.

Mude o canal da TV, sente-se onde não está habituado quando for ao cinema, ao teatro ou à igreja. Mude as marcas de produtos que costuma utilizar, pelo menos para experimentar algo diferente. Não passe a vida toda com o mesmo corte de cabelo nem comprando sempre na mesma loja ou comendo sempre no mesmo restaurante.

Converse com pessoas diferentes. Ouça opiniões diversas. Treine a capacidade de raciocinar baseado no que o outro diz. Na época da graduação, fazíamos sempre o exercício de nos dividirmos em dois grupos e cada um defenderia então uma opinião inversa sobre um assunto polêmico, como o aborto, por exemplo. Em um segundo momento, quando estávamos firmes, cada grupo, em seus argumentos, o professor nos pedia para mudarmos de posição de modo que, quem outrora defendia agora se posicionaria contra, encontrando novos argumentos. Isso fazia com que vivenciássemos forçar o nosso cérebro, imediatamente a mudar todo o raciocínio, mesmo sem concordar. Independente da nossa coerência interna, das nossas crenças e convicções, sair da “zona cerebral” de conforto mantém nosso cérebro em forma. Ele precisa de treino, como também precisam os nossos músculos. Acredita-se que após os trinta anos, iniciemos uma perda natural de massa muscular e por isso nos exercitamos. O auge do nosso cérebro se dá nessa mesma faixa etária, sendo assim, o exercício do organismo deve ser global.

Utilizamos menos de vinte por cento da nossa capacidade cerebral, ou seja, nunca é tarde para começar a mudar.

A empatia para o novo milênio

A empatia para o novo milênio

Por SAMUEL ANTUNES

Vivemos na época do engano. Nós, a geração do avesso, ferimos por vício, viciamos por prazer e achamos prazer no hábito. Achamos graça na morte e a compartilhamos nas redes sociais, ao invés de abraços. Não ouvimos, não esperamos e quase nunca nos atrevemos. Somos fé cega e faca amolada.

Sua santidade, o Dalai Lama, sugere em seu livro “A arte da felicidade”, escrito por ele, mais Howard C. Cutler, que uma das prováveis causas para os males diários da civilização é a falta de empatia entre os seres, ou seja, a falta das pessoas se colocarem mais no lugar umas das outras.

Segundo essa ideia, aqueles que têm a capacidade de compreender e sentir a dor do outro, tendem a se afastar da corrupção e violência. Antes de roubar, independente do motivo e situação social; antes de desviar dinheiro público; antes de matar ou violentar física e/ou mentalmente, pesariam, enfim, o mal que fazem.

A dúvida parece ser então, reconhecer os empecilhos que atrasam essa conscientização e resolvê-los. Olhe ao seu redor: O que é moda? O que tem feito sucesso na mídia popular? Quais são os filmes mais vistos? E as músicas mais ouvidas, os livros mais lidos?

Desde Caim, nosso maior hobbie tem sido a violência. Somos criadores e criaturas, paridos pela própria força bruta; o homem é afinal, o lobo do próprio homem. Uma rápida leitura dos índices sociais prova que a cada ano o homem se torna um assassino ainda mais letal. Se não o revolver que dispara, é a fumaça que polui. Quando não isso, são os olhos que olham sem ver as anormalidades dessa rotina diabólica.

Nosso instinto de autopreservação ainda está lá, mas mais do que isso: há uma inevitável vontade e adoração da morte, como se ainda vivêssemos no calendário regido pelo próprio Thánatos. Vídeos trágicos de gente morta ou sendo morta são repassados como se fossem as boas novas do natal. O gosto pelo sangue dos esportes de contato excita cada vez mais cedo. A sede pela competição acima de qualquer suspeita. A falta de tempo para pensar ou a falta de vontade quando há tempo.

De nada adianta nos educarmos, sermos cultos e polidos ao falar, se ao primeiro gorjeio nos atracarmos feito feras irracionais. De nada adianta reciclarmos nosso lixo se não, de fato, diminuirmos sua produção. Proponho um teste: desçamos juntos do salto para calçarmos os sapatos do mundo. O que você e eu sentimos?

Fonte indicada: Obvious

Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia

Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia

É muito comum no Brasil, principalmente depois da ascensão de parte da população com os programas de transferência de renda do governo, algumas pessoas recorrerem ao conceito de “meritocracia”.

Essa ideia é, normalmente, utilizada para criticar as medidas sociais usando a justificativa de que todos têm as mesmas oportunidades e que o mérito verdadeiro – o sucesso profissional, por exemplo – depende unica e exclusivamente do esforço individual.

De modo simples e quase didático, o ilustrador australiano Toby Morris consegue desconstruir esse conceito. Por meio de duas histórias distintas, em um quadrinho intitulado “On a Plate” [em português, De Bandeja], Morris resume bem a condição a que muitos estão submetidos e expõe os privilégios que os defensores da meritocracia carregam consigo e não enxergam.

Confira a versão com a tradução livre feita pelo Catavento.

contioutra.com - Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia

contioutra.com - Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia contioutra.com - Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia

contioutra.com - Quadrinho didático desconstrói falácia da meritocracia Fonte indicada: Pragmatismo Político

Para o amor que virá depois do cara errado

Para o amor que virá depois do cara errado

Certamente eu não te notarei quando se aproximar de mim, estarei ocupada demais buscando curar minhas feridas. Eu me enganei ao amar alguém que nunca se importou comigo e agora estou juntando os cacos de mim.

Quando me vir passar por você, não me culpe pela falta de jeito, pela falta de uma animação exagerada, pelo cabelo preso de qualquer maneira. Eu amei demais e deixei que roubassem o meu sorriso. Eu amei demais, me doei demais e acreditei em um caminho que não dava em lugar algum.

Eu tentei caber em um vestido PP, mas meu número é G. Eu tentei gostar de cerveja, mas o que aprecio mesmo é margarita, eu tentei alisar o cabelo, mas o meu é lindamente enrolado, eu tentei amar Marcelo Rubens Paiva, mas estou mais para Rosamunde Pilcher.

Me perdoe amor pela minha falta de jeito, por ser míope e te confundir de forma tão leviana. Enxerguei o relacionamento passado com minha parte mais otimista e não demorou muito para que eu me visse nua, desnuda de meus anseios, diminuída em minhas capacidades, pobre em minhas aspirações. Eu deixei que um outro se apoderasse de mim sem piedade, não protegi minha integridade e agora assim estou.

O telefone toca, contudo nem sempre o atendo, a vida chama, mas há em mim um receio em novamente errar, mas não desista de mim. Não desista do que ficou, não desista de enxergar aquela que mesmo destroçada encontrou forças para lutar e afastar de si uma pessoa incapaz de compartilhar o melhor, incapaz de despertar o melhor.

Não desista dessa que aqui está, descalça, com marcas de uma luta que marcou o fim de um relacionamento sofrido. Não desista dessa que pode não ter hoje a alegria de ontem, que entende que errou, mas que mesmo assim encontrou forças, sabe-se lá de onde, para mudar as coisas.

Amor, quando colocar seus olhos sobre mim, seja ponderado e respeitoso, seja carinhoso e gentil. Aqui em sua frente está uma pessoa que acreditou que ia para o paraíso dos deleites românticos, mas que na verdade partiu desprevenida para uma guerra silenciosa.

Todos os dias eu me convenço que não me cabe a culpa, todos os dias eu busco ensinar-me novamente a acreditar. Estou reaprendendo a viver, estou sendo o melhor de mim, mesmo sem os pedaços que me foram arrancados no passado.

Depois do fim, depois da lama e dos destroços, achei que não conseguiria novamente levantar, mas estou andando pelo mundo, ainda que devagar. A vida insiste e mesmo que a vontade por vezes falte, ela tem sido suficiente para me embalar nesses dias que hoje são singelos e simples, contudo repletos de pequenas descobertas.

Agora eu arrisco sair de casa sem preocupações ansiosas, arrisco encontrar velhos amigos sem avisos prévios, arrisco comprar as mais belas flores para presentear a mim e enfeitar minha pequena casa. Hoje eu ouso ouvir os discos antigos que ficaram guardados por anos e cantarolar minhas canções favoritas sem receios. Hoje eu tomo banhos demorados e visto qualquer coisa, sem a obrigação de ser o que não sou.

Hoje eu me acho perfeitamente normal dentro de minhas loucurinhas saudáveis. Hoje eu como chocolate na hora que tenho vontade e assisto às minhas comédias românticas sem protelá-las em prol de algum besteirol americano que não me apetece.

Estou me acostumando a ser só. A sensação é como aquela que sentimos quando colocamos os pés em uma água estupidamente gelada, mas que com o tempo torna-se inacreditavelmente agradável. Estou achando minha companhia surpreendentemente boa. Tão boa que preciso te pedir que não permita que eu me feche em mim e perca assim a chance de me apaixonar e amar verdadeiramente no futuro.

Estou ensaiando alguns passos para uma dança inédita. Estou dando pulinhos desajeitados buscando me encontrar. E eu desejo que você esteja perto o suficiente para quando me vir embalada por essa inusitada dança me puxar pela mão e me aninhar em seu peito em uma dança de dois.

E que você não precise de palavras para me convencer de sua verdade. Que o teu abraço acalente meu coração acalmando-o com seu toque sereno. Que o seu olhar revele o melhor de você em mim e que o melhor de mim floresça em você. Que possamos dividir animados a mesma tragada de ar e que juntos tenhamos fôlego para mergulhar em nós, bem fundo, tocando as profundezas ainda intocadas do nosso eu.

Que nós possamos reconstruir as ruínas da confiança que nos habita, que nós possamos nos desvendar como enigmas, que nós possamos nos aventurar pela imensidão de possibilidades lindas que moram dentro do verdadeiro amor.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

(texto de ficção – imagem de capa meramente ilustrativa)

As escolhas nossas de cada dia

As escolhas nossas de cada dia

Uma vez, não lembro onde nem com quem, fizeram uma brincadeira interessante e provocadora, que até hoje me faz pensar. Era algo do tipo: Se você só pudesse escolher três. Três roupas, três músicas, três amigos (essa é a pior), três alimentos. Nessa pergunta dos alimentos, respondi instantaneamente: – Coco, milho e aipim. Todos riram. No final  das gargalhadas, veio a pergunta? – Por quê?

Então me justifiquei dizendo que era o que prometia mais misturas boas.

E desde então venho me  dando conta de que queremos muito, demais, o mundo, mas só podemos escolher poucas coisas para que a mistura nos agrade e seja boa.

É perda de tempo e energia escolher e se agarrar ao que não se pode dar conta, levar consigo antagonismos, controvérsias, paradoxos, discursos previamente estudados, antipatias, implicâncias… o cardápio é infinito, mas de digestão impossível.

A vida é riquíssima em variedades e é extremamente saudável experimentar e combinar, mas reconheçamos que nem tudo dá certo e nem todos se encaixam. É importante buscar as melhores combinações, fazer a vida fluir de forma mais natural. Um grupo de amigos só é um grupo de amigos porque as combinações são maiores do que as desavenças. O afeto é maior do que as diferenças de qualquer ordem. Uma profissão só representa uma boa escolha se os ganhos – quaisquer de sejam – forem mais expressivos do que as frustações, embora elas existam.

Um amor a dois só sobrevive se o que une for maior do que  o que pode separar.

As escolhas podem dar um tom nas combinações, muitas vezes certeiras, outras, equivocadas. Essa é a nossa batalha diária. Escolher pelo sucesso das escolhas. Ninguém quer perder, nem devolver, nem voltar a atrás.

Se na brincadeira tudo valia, para a vida é recomendável um pouco mais de reflexão. As possibilidades podem ser infinitas, mas as escolhas são particulares.

Humor, afeto, paladares, perspectivas, sonhos, ambições, relações, crenças… Não são somente três coisas a escolher, contudo, se não combinarem entre si, a brincadeira não terminará bem.

Somos todos invejosos- Leandro Karnal

Somos todos invejosos- Leandro Karnal

Por Renato Queiroz 

Na Divina Comédia, de Dante Alighieri, os invejosos não vão para o inferno, vão para o purgatório. O castigo: pálpebras costuradas por fios de arame. Para o historiador Leandro Karnal, o castigo faz sentido, já que toda a inveja vem do olhar. Invejamos o que está próximo da gente. “A inveja é um tipo de cegueira, ela é a dor pelo sucesso alheio”, resume o convidado para encerrar a edição 2013 do Café de Ideias, do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Karnal profere hoje em Goiânia, a partir das 19h30, a conferência O Pecado Envergonhado: a Inveja e a Tristeza sobre a Felicidade Alheia. A entrada é franca.

Único pecado do qual ninguém se orgulha, a inveja, que segundo o professor não deve ser confundida com a cobiça, atravessa a realidade das pessoas.

Para Karnal, doutor em História Social pela USP, professor da Unicamp e autor de diversos livros, conviver com pessoas que possuem mais bens, são mais bonitas, mais inteligentes ou com mais carisma do que nós constitui a prática dura da sociabilidade. A maioria das pessoas se considera invejada, mas não invejosa porque o pecado é quase inconfessável. “A inveja é dolorosa porque é uma homenagem indireta a quem eu invejo”, explica.

Em entrevista por telefone ao POPULAR, Karnal falou um pouco mais sobre sua visão sobre o tema, adiantou tópicos que serão debatidos hoje à noite e falou da importância de reconhecer nosso objeto de inveja como forma de autoconhecimento. Confira trechos da conversa:

Zuenir Ventura escreveu no seu livro O Mal Secreto que a inveja é inconfessável, mas ninguém se livra dela, por mais que disfarce. Na sua opinião, por que a inveja é um pecado tão envergonhado?

Na tradição dos pecados capitais, as pessoas se orgulham deles. Elas se orgulham de comer demais, da luxúria, do sexo, da ira e até mesmo da avareza, dizendo que são “contidas”. Mas a inveja é um sinal de impotência, de desejar algo do outro. O resultado é um pecado envergonhado porque as pessoas têm de reconhecer que o outro é mais do que elas. Por isso é o único pecado do qual ninguém se orgulha. Ninguém sai por aí dizendo “eu sou invejoso”.

Muita gente confunde inveja com cobiça, mas o senhor faz questão de diferenciá-los. A cobiça seria um pecadinho “mais leve” do que a inveja?

A cobiça nem precisa ser pecado porque ela pode ser positiva. Eu cobiço o seu carro e compro um igual. Mas ela também pode ser negativa, como o caso do ladrão que cobiça seu carro e o rouba. A inveja não. Ela é sempre negativa, destruidora. Como define São Tomás de Aquino, a inveja é a tristeza pela felicidade dos outros, a exultação pela sua adversidade e a aflição pela sua prosperidade. É uma vontade de que o outro não seja feliz.

Estamos chegando na época das confraternizações de fim de ano das empresas e das festas natalinas em família. O senhor acredita que sua conferência vem em um momento propício para as pessoas compreenderem melhor o mecanismo da inveja?

Acho que invejamos o tempo todo, mas neste período que a gente é obrigado a ser feliz por calendário– ou seja, felicidade com data marcada – é uma época mais dramática para as pessoas. Ter que passar em família não significa gostar de passar em família. Obviamente a festa da empresa é o pior programa possível porque é uma festa de exame, de análise dos candidatos, de quem vai continuar no ano seguinte…

O que o senhor acha de gente que diz ter “inveja branca”?

Essa expressão já teria que ter sido proibida desde a Lei Afonso Arinos, que proibiu a discriminação racial no Brasil. Não dá para imaginar que por ser branca é uma coisa positiva. Na verdade, toda inveja é negativa: a branca, a azul, a parda, a mulata… Porque a inveja não é exatamente eu querer seu carro, mas não tolerar a alegria que você sente ao dirigi-lo. Como somos animais gregários, que vivem em bandos, e cada vez mais há pessoas que têm mais dinheiro, um corpo mais bonito ou são mais felizes do que eu, preciso ser muito bem resolvido para não ceder à tentação da inveja. Como quase ninguém é bem resolvido, a começar por mim, o resultado é que estamos imersos em um mar de inveja. Mas a gente disfarça.

A inveja jamais se refere a alguém distante. Invejamos o próximo. Porém, vivemos em uma era de relações virtuais com a profusão de redes sociais como o Instagram e o Facebook, onde todos parecem tão felizes e bem-sucedidos. Como essa novas ferramentas de comunicação ampliaram nossa capacidade de invejar?

Acho que neste momento as pessoas já notaram que o Facebook é um “Fakebook”, que representa a vida que eu gostaria de ter e não a que eu tenho. Elas já estão cansando dessa felicidade plena de quem comunica a banalidade de seu cotidiano o tempo todo. Este mundo líquido, a que o Zygmunt Bauman alude, essa sociabilidade social começa a tocar nos seus limites. Neste momento, até as ofensas começam a ser reguladas pelo Poder Judiciário. Na internet, as pessoas estão expostas, mas a inveja só pode ocorrer genuinamente por alguém próximo. Não tenho inveja do dinheiro que tinha Salomão, do poder de Júlio Cesar, mas sinto inveja do cunhado, do irmão e do vizinho. A inveja é essencialmente comparativa. Não importa que eu ganhe X ou Y, o que importa é que eu ganhe mais do que as pessoas que me cercam. Somos todos invejosos, especialmente aquelas pessoas perigosas que dizem que não têm inveja de ninguém. Essas são as que a gente precisa ter mais cuidado.

São nos momentos bons ou ruins que conhecemos nossos verdadeiros amigos?

Amigos a gente só conhece nos momentos de sucesso. O fracasso, em uma sociedade predominantemente cristã como a brasileira, provoca pelo menos expressões de consternação e solidariedade. “Perdi minha mãe”, “estou com câncer”, “meu carro bateu” ou “minha casa queimou” são situações que despertam a solidariedade alheia. Agora experimente dizer no trabalho ou na família que comprou um “carro maravilhoso”, que “a vida é ótima” ou que “o corpo está melhor do que nunca”. Os rostos vão se virar. É o sucesso que incomoda. O fracasso, pelo contrário, nos alegra. Há uma onda de júbilo na internet pela queda do empresário Eike Batista. Não se perdoava que alguém fosse tão rico, poderoso e influente. O êxito dele incomodava muito as pessoas.

Tom Jobim disse uma frase que ficou célebre: “fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal”. Somos mesmo um país de invejosos?

A inveja é universal, mas em cada lugar ela aparece de uma forma. Como no Brasil temos uma rede de solidariedade – que em outras palavras significa que cuidamos muito da vida alheia – isso faz com que a inveja aqui seja mais declarada. Em sociedades mais isolacionistas, como no norte da Europa, a inveja existe, mas se consome dentro do lar. A inveja é universal porque ela é uma maneira de dizer que o problema é o outro que tem demais e não admitir que fui eu que não tive competência para conquistar as coisas.

A maioria da pessoas se considera invejada, mas não invejosa. Como reconhecer o objeto da nossa inveja pode nos ajudar no autoconhecimento?

Do ponto de vista psicanalítico ou socrático, afirmar-se pecador é fundamental. Sempre estamos supondo que o problema está no outro. Uma das coisas mais notáveis é que por mais falida, feia e ruim que uma pessoa seja, ela ainda assim acredita que é invejada. É quase exótico. As pessoas se acham alvo de inveja até porque ela também é uma forma de homenagem. Sentir-se invejado é uma forma de louvar o que se tem. É a frase clássica picareta da cartomante: você é muito invejado. Neste momento, a pessoa sorri e entende. Isso funciona sempre.

Do que o senhor tem inveja?

Nossa, de muitas coisas (risos). De gente que trabalha menos que eu e é feliz. Pessoas que comem o que querem e não engordam. Tenho muita, mas muita raiva de quem não se esforça e tem corpo ótimo. De pessoas que têm habilidades naturais e não por esforço. Quer dizer, de dezenas de coisas. Fico doido de inveja quando vejo pessoas com tais habilidades que luto tanto para ter.


Fonte: O Popular, Via Lisandro Nogueira

Domine a coisa para que a coisa não domine você

Domine a coisa para que a coisa não domine você

“Após a formação do hábito, a mente é controlada e a vida é absorvida. A coisa irá mudar sua vida para sempre” (The Stuff – 1985).

Hoje a coisa está ativamente presente em nossas vidas, eu diria que na vida de um em cada quatro habitantes da Terra. Ela está em nossas casas, em nossos locais de café, estudos e trabalho e até mesmo nas ruas.

Provavelmente vocês têm contato com a coisa diariamente e nunca pararam para pensar o que ela efetivamente é e em como a coisa mudou a vida de todos vocês assim como o funcionamento do vosso cérebro.

Em um contato inicial ela parece estranha, mas com seu uso freqüente ela começa a se tornar quase obrigatória, e o seu aspecto prazeroso e útil, nos permite tomá-la como parte do nosso cotidiano com facilidade.

Para que possam entender bem do que falo, vou lhes contar sobre a origem da terminologia que estou usando aqui. Em 1985 foi lançado nos EUA um filme intitulado “The Stuff” traduzido para o português como “A Coisa”.

O filme se enquadra na categoria ficção científica e conta a estória de um produto lançado no mercado americano como um tipo de iogurte de baixa caloria que com o tempo mostrou ser muito mais que isso. A princípio inofensivo e saboroso o “The Stuff” começou a ser consumido em larga escala, a qualquer hora. A coisa deixou para traz velhos hábitos alimentícios e se instaurou dominando a vida daqueles que a consumiam.

O filme é bastante nonsense se o assistirmos com os olhos de hoje, contudo reprisado inúmeras e inúmeras vezes nas tardes da década de 80, faz parte do imaginário infantil de muitos de nós.

“Esqueça, você não pode deter isso. A coisa é o produto do futuro” diz um dos personagens em um trecho do filme ao mencionar aquilo que vertia do solo e que parecia de domínio universal.

Passados trinta anos do lançamento do filme, a coisa de hoje pode ser encontrada em seu celular e também na sua tv smart, assim como em seu computador.

Na ficção, em pouca quantidade, o produto poderia até mesmo fazer as pessoas se sentirem menos cansadas e mais felizes, apesar de causar dependência, mas com o aumento de sua utilização ele prejudicava e alterava comportamentos.

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Então para falar dessa nossa coisa eu preciso começar contando que em 1957 o mundo começou a trabalhar a ideia do uso de computadores interligados. A princípio a tecnologia engendrada nisso não era ainda exata e os computadores trabalhavam em uma só tarefa de cada vez. Contudo para o desenvolvimento da comunicação em rede essa idéia de tempo não era eficaz, então surgiu o “tempo compartilhado”, que seria a capacidade do computador de processar inúmeras atividades ao mesmo tempo. Ou seja o tempo do computador passou a ser diferente do nosso.

Assim sendo, o sistema de computadores em rede se desenvolveu progressivamente até que em meados de 1990 estava disponível para o uso das pessoas comuns como nós, em larga escala mundial.

Em 1992 um grupo sem fins lucrativos denominado como “The Internet Society” estabeleceu o protocolo a ser usado pela Internet.

Assim, computadores interligados poderiam seguindo o protocolo compartilhar informações de forma compatível sem problemas a partir de então. A tecnologia, que é a capacidade de aplicar conhecimentos científicos para a resolução de problemas ou busca de soluções, permitiu que a internet surgisse e dessa forma facilitou a troca de conteúdo e informação entre humanos.

Então começamos a comprar computadores e posteriormente, celulares e televisores que pudessem se conectar à internet e nos divertimos com o fato de podermos falar com pessoas de todo o mundo e de podermos buscar informações sobre tudo na rede. Dessa forma, não demorou muito para que usássemos a internet para tudo, até mesmo para fazer mercado.

Em suma nossa vida migrou em grande parte do real para o virtual nesses quase trinta anos. Dessa forma, se eu lhes perguntar se vocês gostam da internet, se ela é saborosa e essencial, vocês me dirão em coro um sonoro “sim”, contudo se eu lhes pedir, após essa minha breve introdução, que me respondam “o que é a internet” certamente a explicação não será tão fácil.

Sim, ela é um conjunto de redes mundiais interligadas, cujo nome “inter” veio do inglês e significa internacional e “net”, também de mesma origem, quer dizer rede e nos possibilita o acesso de informações, troca de dados e mensagens em qualquer lugar do mundo.

Mas efetivamente o que é a internet? Nós em nossa limitada percepção tecnológica conseguimos mensurar a dimensão disso? Conseguimos traçar as proporções dessa rede que está lá, como se fosse de domínio público, e que pode ser acessada de qualquer lugar através de um dispositivo apto?

Talvez seja então importante falar como a internet e os gadgets, ou melhor, as nossas coisas, mudaram a forma de agir de muitos de nós. E para fazer isso vou necessariamente me lembrar das vezes nas quais fui ao banco e o funcionário do caixa, ao mesmo tempo em que me atendia, usava seu aparelho móvel.Também vou me recordar da moça que trabalhava no hipermercado, escondida entre as gôndolas, rindo ao usar seu smartphone ou do médico que em meio a uma explicação acerca da medicação prescrita, parou tudo após um bip de seu celular, voltando desatento à realidade.

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O escritor americano Nicholas Carr foi uma dessas pessoas que também sofreu alterações com a imersão no mundo virtual. Ele reparou que após ter se habituado à internet algo estranho começou a acontecer: ele não conseguia mais se concentrar para ler um livro. Seus olhos pareciam buscar afoitos não mais as letras no papel, mas a tela de algum computador ou celular. “Sentia que estava lutando com meu cérebro para voltar a ler”.

Isso acontece de acordo com Clifford Nass, professor da Universidade de Stanford, porque nosso cérebro se ajustou ao tempo do computador, um tempo no qual muitas atividades são executadas simultaneamente e como isso vai contra a natureza humana, já que temos a capacidade de atenção limitada, acabamos nos tornando mais ansiosos, irritadiços e dispersos.

Estudos indicam que não só o funcionamento do cérebro foi alterado com o uso da internet, mas sua plasticidade também e que em um prazo de cinco dias pessoas que nunca usaram a rede, ao terem contato com ela, passam a ter a atividade cerebral similar às daquelas que nasceram usando a mesma.

Contudo alterações cerebrais são reversíveis e de acordo com o neurocientista português António Damasio alguém que mude seus hábitos devido ao uso da internet pode voltar a ter o cérebro de antes, desde que adote novas posturas. Para isso algumas dicas podem ser importantes:

1-procurem se desconectar sempre que possível; 2- evitem fazer várias tarefas ao mesmo tempo e desliguem os alertas de e-mails e de redes sociais; 3- não deixem que a máquina diga o que vocês devem fazer e quando; 4- treinem sua concentração com atividades como leitura, meditação, desenho, artesanato, pintura, dança, dentre outras; 5-descubram mais sobre seus programas e sites favoritos, isso faz com que vocês deixem de ser usuários passivos e entendam melhor no que estão se envolvendo.

Nesse ponto ainda lhes parece exagerada a comparação da internet com a coisa de um filme nonsense lançado em 1985? Provavelmente não. Ambas partilham muitas similaridades e fazem da nossa essência seu habitat. Hoje somos incapazes de não levantarmos os olhos ao ouvirmos o bip de um gadget, tanto quanto os personagens do filme ao ouvirem a palavra “The Stuff”.

A internet é sim essencial em nosso dia a dia, contudo é preciso que saibamos que o tempo dela é diferente do nosso, que o tempo dela é um tempo não humano, excessivamente acelerado, e que somos nós que devemos buscar por ela e não ela a ditar quando devemos correr ao seu encontro largando o livro que lemos, a comida que fazemos, o trecho preferido do filme, o filho que pede por brincadeiras, a conversa amiga e o nosso parceiro para atender às suas vontades.

Maiores informações:

O filme “The Stuff“– A História da Internet – A Internet e o Cérebro

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

Shakespeare e Psicanálise – Inveja e ciúme em Otelo

Shakespeare e Psicanálise – Inveja e ciúme em Otelo

“Acautelai-vos senhor, do ciúme; é um monstro de olhos verdes, que zomba do alimento de que vive.”

Otelo é uma obra extremamente profunda, a qual trabalha de forma visceral o íntimo do homem, versando sobre dois sentimentos mais precipuamente, a saber, a inveja e o ciúme.

A inveja é um dos sete pecados capitais, ou seja, o grupo dos pecados que originam os demais. Esse fato é extremamente importante, uma vez que se vive numa época em que a virtude consiste em um dever ser, ou seja, na capacidade de controlar o impulso aos pecados. Todo pecado sempre ataca uma virtude, mas a inveja tem uma peculiaridade, qual seja, ela ataca todas as virtudes e, portanto, possui uma destrutividade muito grande. Essa destrutividade é demonstrada naquilo que o outro possui de bom. Sendo assim, a inveja é um sentimento dual, isto é, dá-se na relação entre dois indivíduos, uma vez que o outro sempre tem algo que eu não tenho e, assim, como não tenho aquilo que invejo, não consigo me alegrar com nada.

Para o invejoso, receber algo de bom do outro é visto como uma humilhação, já que o invejoso entende que ele deveria possuir a virtude que o outro demonstra. Há um desejo intrínseco ao invejoso, que busca incessantemente o que lhe falta no outro. Em primeira análise, isso poderia ser entendido como algo positivo, pois há uma relação humana de troca estabelecida. Contudo, como já dito, o invejoso é incapaz de receber algo bom do outro, de modo que ele não busca o que lhe falta no outro para que, assim, possa ser preenchido, mas sim para destruir o outro.

O ciúme, por sua vez, é um sentimento que se dá numa relação triangular, em que há um terceiro envolvido. Esse sentimento, ao contrário da inveja, pode possuir algo de bom, como cuidar do outro, do qual se sente ciúme. Entretanto, o ciúme delirante pode ser tão perigoso quanto a inveja, e é esse ciúme que se apresenta em Otelo.

Para que o ciúme seja delirante, é preciso ter uma base na inveja, assim como um núcleo narcísico, em que não se suporta a ideia de não ser o centro das atenções. O ciumento entende que a vida do outro deve ser alicerçada na dele, deve se alimentar na sua vida. Assim, não lida bem com a independência do outro. Para o ciumento delirante, há sempre o sentimento de traição iminente, de forma que é apenas uma questão de tempo para que a traição aconteça.

Na obra, Otelo é descrito como um indivíduo muito virtuoso, o qual todos olham de baixo. A sua amada, Desdêmona, também é muita virtuosa, sendo que a sua principal virtude é a ingenuidade, que a faz acreditar na bondade do mundo, e sabe-se que a alegria passa por uma dose de ingenuidade.

A inveja surge na trama com Iago (alferes de Otelo) e, como sabemos, a inveja busca destruir todas as virtudes, logo, Iago, tomado pela inveja do virtuoso Otelo, buscará destruí-lo. Para Iago, conviver com alguém tão virtuoso é insuportável. Dessa forma, Iago traça a destruição de Otelo através daquilo que ele mais ama: Desdêmona. Já dizia um sábio que o caminho mais curto para destruir alguém é por meio daqueles que este ama. Assim, Iago busca pôr “veneno” na alegria do casal:

“Pois, enquanto este imbecil honesto pede à bela Desdêmona que cure a sua sorte, e ela sobre isso insiste junto ao Mouro, veneno deitarei no ouvido dele, com dizer que ela o faz só por luxúria; quanto mais houver feito ela por ele, mais, junto ao Mouro, há de perder o crédito. Transformarei em pez sua virtude, e com a própria bondade apresto a rede que há de a todos pegar.”

Iago planta em Otelo a ideia de que Desdêmona o traíra, despertando o seu ciúme. Perceba que Iago apenas desperta o ciúme que já pertence a Otelo e aqui está o nó da meada. Otelo se abastece das conquistas, como se procurasse preencher um vazio (hoje se preenche com bens materiais). Falta, portanto, sentimentos a Otelo, o que fica claro na seguinte passagem:

“Ela me amava pelos perigos pelo que eu havia passado, e eu a amava por ter ela se compadecido de mim.”

Ou seja, Desdêmona, na visão dele, não se apaixonou pelos seus sentimentos, pelo que ele é, mas por aquilo por que ele é venerado. O que o faz duvidar sobre o amor de Desdêmona, pois ela não o amou, mas antes suas glórias. Sendo assim, a semente plantada por Iago logo floresce em Otelo, pois já havia terreno próprio para isso, afinal, o ciúme delirante vê a traição como algo iminente, de tal modo que não consegue enxergar o bem no mundo, assim como o invejoso.

O polo passivo da história desenrola-se totalmente em Desdêmona. A sua ingenuidade não lhe permite desconfiar dos outros e enxergar o mal. E isso faz com que ela não consiga defender-se, já que só acredita na bondade. Mas, ainda nesse ponto, mesmo que Desdêmona quisesse se justificar, não conseguiria, dado que é impossível provar algo que não aconteceu. Isto é, Desdêmona não tinha como justificar algo que sequer aconteceu, provar um não-ser. A atmosfera criada por Iago era fantasiosa, logo, fora do real e impossível de ser provada.

Os elementos que foram construindo essa atmosfera, contudo, só foram possíveis por causa de Otelo. Se o seu sentimento de ciúme não fosse delirante, jamais chegaria ao ato de matar Desdêmona, de tal maneira que ela foi tão somente o elemento final do seu ciúme.

Esse ciúme possui um traço indispensável – a insegurança -, pois Otelo não acredita que Desdêmona possa de fato lhe amar, tampouco ser fiel. Otelo sente-se inadequado àquela sociedade, o Mouro sente-se apenas um instrumento de Veneza. A sua insegurança alimenta ainda mais seu ciúme, assim como seu narcisismo. Em Otelo, sobram as marcas de guerra e faltam-lhe sentimentos.

O narcisismo faz Otelo, em um primeiro, momento acreditar que as suas glórias fossem suficientes para fazer Desdêmona amá-lo, mas, em seguida, a insegurança trata de pulsar o ciúme, que o faz acreditar em todo o teatro criado por Iago, já que ele necessitava desses elementos para adaptar a realidade criada na sua mente, em que, inevitavelmente, Desdêmona o trairia.

A inveja de Iago o faz destruir tudo; e o ciúme de Otelo, ser ele o protagonista da destruição. Destruição das suas próprias virtudes, daquelas até que não existiam, mas em que Desdêmona acreditava. A bela jovem, essa era a grande virtude da história, a qual transpirava pureza e ingenuidade. Uma ingenuidade que parece incompreensível.

O coração do Mouro era terra arada e pronta para as sementes do Invejoso e perspicaz Iago. Este sofre por viver, mas com tudo à sua volta destruído. Aquele sofre por saber que o seu ciúme o fez destruir suas virtudes, sobretudo, a maior delas, chamada Desdêmona.

“Peço-vos, por favor, que em vossas cartas, ao relatardes estes tristes fatos, faleis de mim tal como sou, realmente, sem exagero algum, mas sem malícia. Então a alguém tereis de referir-vos que amou bastante, embora sem prudência; a alguém que não sabia ser ciumento, mas, excitado, cometeu excessos, e cuja mão, tal como o vil judeu, jogou fora uma pérola mais rica do que toda sua tribo.”

Dica de livro: ‘Psicologia para Principiantes’, de Nigel C. Benson

Dica de livro: ‘Psicologia para Principiantes’, de Nigel C. Benson

Um livro de bolso indispensável a estudantes de psicologia e a profissionais.

O que é a psicologia? Qual a diferença entre ser psicólogo e ser psiquiatra? Quais as metodologias e ramos do estudo da mente que são mais conhecidas e adoptadas ‘in loco’ (seja em escolas, em hospitais, em tribunais, etc.)?

Este pequeno livro, literalmente, introduz ao leitor principiante na temática, e a outros, cada um dos métodos de investigação defendidos por egrégios e pioneiros homens da ciência, do séc. XIX e XX. A primeira vez que ouvimos falar do termo Psicologia data de 1879. E em que país? Alemanha.

O Estruturalismo, o Funcionalismo e o Behaviorismo foram as primeiras correntes teóricas conhecidas e abriram caminho para as seis que nos dias actuais existem. Toda a evolução, críticas e admoestações surgidas na época, por parte dos cientistas, são observadas neste livro.

Um denso capítulo é dedicado, inevitavelmente, a Freud e ao «seu» inconsciente. É exemplificado, através de imagens – muitas das quais com elevado sentido de humor -, o «famoso» icebergue, de que Freud se serviu para distinguir a mente consciente, pré-consciente e Inconsciente.

Carl Jung, Erik Erikson, Pavlov, Maslow, Kohler, são outros cientistas das quais teorias defendidas são postas em síntese.

Na recta final o livro mostra os cursos a seguir, para quem quiser se formar em psicologia. ‘Psicologia para Principiantes’ é composto por 176 páginas diminutas (168 x 118 x 11 mm), cada uma contendo ilustrações apropriadas a cada assunto descrito. Diria que é um livro de bolso indispensável a estudantes de psicologia e a profissionais

Este título faz parte da coleção publicada nos anos 80 dos quais fazem também parte os volumes: ‘Economia para Principiantes’ e ‘Filosofia Política para Principiantes’, ambos publicados pela Vogais.

 

A indicação de leitura é do nosso blog parceiro Silêncios Que Falam (Site; Facebook)

A mensagem de Natal que parou a internet. Impossível não se emocionar!

A mensagem de Natal que parou a internet. Impossível não se emocionar!

Por Rachel De Castro

Esta propaganda feita pela EDEKA mostra um senhor sozinho em casa, abandonado pelos filhos. No vídeo podemos ver que os seus filhos deixam mensagens falando que não vão poder passar o Natal com ele. Ele então decide pregar uma “peça” neles. Os filhos recebem um notificado de que o seu pai morreu, logo, eles deixam as suas vidas atarefadas e vão para a casa do pai. Quando eles chegam, encontram uma grande surpresa: a mesa estava posta e o pai sai de dentro da cozinha. Eles se emocionam e o senhor então fala: “de que outra maneira eu conseguiria reunir todos vocês aqui?”

Essa linda mensagem nos mostra como é importante passar o Natal com pessoas amadas e demonstrar o amor que sentimos por elas.

Quem te deixa com raiva te domina

Quem te deixa com raiva te domina

Pense bem, é ou não é verdade?

Quando algo não aconteceu como queríamos ou alguém nao responde como esperamos, quando o comportamento de uma pessoa nos incomoda ou o que ela diz nos chateou, costumamos expressar aquilo que sentimos com expressões tais como, “Você me chateou”, “Você me deixou com raiva”, “Você me deixou zangado…”

Se pararmos para refletir sobre isso e decidirmos aprofundar a questão, a tradução de nossas mensagens vem a ser algo como  “Você é o culpado pela forma como eu me sinto”, “Você é o responsável por eu me sentir assim” ou “Você me prejudicou”, ou seja, eu estou mal por sua culpa.

Se alguém nos deixa com raiva, é porque concedemos a ela a permissão para fazê-lo, pois na realidade, quando alguém nos deixa assim, o que fica ressoando internamente em nossa mente é algo parecido com “O que você pensa sobre mim é mais importante do que o que eu penso sobre mim”. Reflita sobre isso.

Nestes casos, a responsabilidade em relação a como nós nos sentimos é dirigida aos demais, não é nossa. Dependendo dos demais, é assim que nos encontraremos.

Acontece que em vez de lidarmos nós mesmos com as nossas emoções e sentimentos, de os dirigirmos para nosso interior e assumirmos a responsabilidade pelo que sentimos, outorgamos o poder ou o consentimento a outros. Porque ninguém pode nos deixar com raiva sem que deixemos que isso aconteça, não é mesmo?

E é verdade que assumir todo o peso que uma raiva ou chateação carregam é algo muito complicado… ainda mais se estivermos acostumaos a colocar nosso foco nos outros. Continua sendo mais fácil culpar o companheiro, sendo ele quem deve tentar lidar com nossa raiva, em vez de nós mesmos… mas assim nunca nos conectaremos com nosso interior.

Às vezes, isso acontece porque nos encontramos movidos pelo nosso ego, o qual, resumidamente, consiste em nos identificarmos com o que temos, o que fazemos e como os outros nos valorizam.

Uma vez que nos afastamos do ego e o deixamos de lado, começamos a tomar mais responsabilidade, tanto por nossos pensamentos e comportamentos quanto por nossas emoções, e ninguém pode nos fazer mal; porque consideramos que aquilo que somos está muito além dos bens materiais, dos nossos atos ou da opinião alheia.

Por isso podemos nos ajudar pensando que quando alguém nos insulta ou faz algo que não gostamos, é como se estivesse nos oferecendo um presente. Se não aceitarmos, o presente continuará sendo da pessoa, enquanto que se o aceitarmos, o abrigaremos. No último caso, a decisão será nossa.

Assim, os insultos, as provocações ou até mesmo as ações dos outros, são como estes presentes, que nós temos a opção de aceitar ou não; por isso não podemos culpar ninguém por nossas decisões, podemos apenas nos responsabilizarmos por nossas atitudes e escolhas.

Além disso, precisamos ter em conta que o choque de expectativas que criamos em relação à realidade também pode ser a causa da nossa raiva, pois as coisas nem sempre acontecem como gostaríamos.

Não podemos controlar as circunstâncias e nem mesmo as pessoas, mas podemos controlar nossa resposta. Por isso não podemos mudar o que alguém diz sobre nós, ou o que ela faz e nos deixa com raiva, mas com certeza podemos mudar a atitude com a qual enfrentamos a vida.

A responsabilidade assusta, mas é ela que permite que sejamos donos de nossas vidas.

Reconhecer nossas emoções e sentimentos e nos tornamos os responsáveis por eles nos dá a liberdade para nos conhecermos e escolhermos nossa atitude diante da vida.

“Reconhecer que ‘sou eu quem escolho’ e que ‘sou eu quem determina o valor que uma experiência tem para mim’ é algo que enriquece, mas que também causa medo”.
– Carl Rogers –

Texto original em espanhol de Gema Cuevas.

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

Depressão: Não é frescura, você pode ter e não sabe! Conheça 8 indícios

Depressão: Não é frescura, você pode ter e não sabe! Conheça 8 indícios

Embora muita gente acredite se tratar de frescura, a verdade é que a depressão é uma doença séria e que pode trazer consequências graves. Isso porque essa enfermidade emocional é silenciosa e, às vezes, nem mesmo quem sofre com depressão percebe isso por um bom tempo.

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Só para se ter a dimensão desse mal que assola o mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo planeta. Desse total, a maioria é formada por mulheres. No Brasil, a estimativa é de que a cada 10 pessoas, pelo menos uma sofra com depressão.

Para auxiliar a identificar esse mal e fazer com que mais pessoas se recuperem desse transtorno mental, separamos abaixo alguns sintomas que ajudam a identificar a depressão. Segundo médicos especialistas no assunto, se você apresentar pelo menos 5 desses sintomas, especialmente o humor deprimido durante a maior parte do dia e por pelo menos duas vezes na semana, é possível que você esteja sofrendo com depressão. Lembrando que este teste não é um diagnóstico e sim um indicador de sintomas, logo, se você apresenta a maioria desses sintomas, é bom ficar alerta e procurar um especialista.

Sintomas:

1. Alteração de humor

Estar sempre deprimido, triste, desanimado ou simplesmente desinteressado com tudo são sinais alarmantes caso persistirem durante semanas e se forem realidade durante a maior parte do dia. Normalmente, as pessoas que podem estar com depressão não conseguem ver o lado bom das coisas, mesmo quando algo grandioso acabou de acontecer com elas. Isso porque depressivos tendem a dar mais atenção ao aspecto ruim dos eventos. Autoestima baixa e sentimento constante de incapacidade também podem ser sinais de que a depressão está por perto.

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2. Desinteresse

Perder o interesse por coisas que antes costumavam ser prazerosas também pode ser um sinal de depressão. É preciso ficar atento a esse sintoma, que pode ser manifestar nos âmbitos familiar, profissional, sexual e até mesmo com atividades relacionadas ao lazer.

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3. Problemas relacionados ao sono

Dormir demais ou de menos podem também ser sinais alarmantes. Isso porque é um sintoma comum da depressão problemas relacionados aos dois extremos do sono, como acordar no meio da noite e ter dificuldades de voltar a dormir ou sentir sonolência excessiva durante todo o tempo.

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4. Alterações no apetite

Da mesma forma que com relação ao sono, a perda ou o aumento do apetite podem ser sinais de depressão. Ainda não está claro para os especialistas do assunto porque isso acontece, mas, conforme estudos, se a alteração do apetite persistir por, no mínimo, duas semanas, as chances da pessoa estar com depressão aumentam muito.

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5. Ganho ou perda de peso

Como reflexo da mudança no apetite, a alteração do peso, tanto para mais quanto para menos, em um curto período, pode ser sinal de depressão.

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6. Dificuldade de concentração

É possível enfrentar a falta de concentração por diversos motivos ao longo da vida, mas é fato que a depressão também tem esse efeito. A doença também afeta a capacidade de tomar decisões e de racionar claramente. A depressão, dessa forma, pode prejudicar bastante o trabalho e os estudos.

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7. Cansaço constante

Energias reduzidas e cansaço frequente também podem ser sinais de depressão, especialmente se não estiverem relacionados a esforços físicos. Isso porque, para os depressivos, o simples ato de levantar de manhã e se vestir pode ser cansativo.

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8. Pensamentos sobre morte

Pensar constantemente sobre morte e, às vezes, chegar ao extremo de tentar suicídio são outros sintomas indicativos de depressão. Segundo especialistas, a motivação para a morte, no caso dos depressivos, pode mudar de acordo com cada paciente. Muitas pessoas, por exemplo, pensam no suicídio como uma forma de desistir diante de obstáculos tidos como impossíveis ou, simplesmente, como uma forma de interromper o estado emocional doloroso.

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Fonte indicada: Equilíbrio em Vida

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