Os 7 grandes inimigos do cérebro

Os 7 grandes inimigos do cérebro

Por Leonardo Faria

O cérebro é um órgão extremamente sensível à agressões. Apesar de possuir uma boa capacidade de adaptar-se às novas condições a ele impostas, é preciso ficar muito atento já que muitos desses agravos podem resultar em prejuízos permanentes.

1. O sedentarismo

Uma causa tem sido diretamente determinante para que nos tornássemos homens e mulheres sedentários: a tecnologia. Por outro lado, por meio dela, temos tido acesso constante a informações que nos alertam sobre a importância de mudar o estilo de vida e deixarmos de lado as vidas sedentárias. O sedentarismo está associado à hipertensão arterial, maior risco de doenças cerebrovasculares, maior ocorrência de demência vascular, diminuição do feedback proprioceptivo e sensorial que ocorre quando nos exercitamos, e muito mais. Vários estudos já evidenciaram os benefícios cognitivos, sensitivos e motores da atividade física regular;

2. Os distúrbios do sono

O cérebro necessita de descanso, tempo para se organizar, descartar coisas supérfluas e consolidar memórias úteis. O sono tem muito a ver com isso. Privar-se de uma boa noite de sono pode significar privar o cérebro de uma ótima oportunidade para desenvolver da melhor forma possível suas funções mentais;

3. Uma educação deficiente

O cérebro é o órgão da criatividade, da resolução de problemas. O cérebro avalia o ambiente e determina as melhores ações tomando como base as memórias armazenadas em seu “arquivo interno”. Se vivemos em um ambiente monótono, o cérebro padece de estímulos, novas memórias perdem a oportunidade de se formar e o cérebro certamente tende a atrofiar aquelas áreas menos utilizadas. Uma educação de qualidade e que constantemente se renova à luz do desenvolvimento pedagógico-científico é imprescindível;

4. Uma má alimentação

Devido à grande variedade de funções executadas e o enorme gasto de energia e nutrientes, o cérebro requer um aporte otimizado destes. Uma alimentação balanceada e rica em nutrientes essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso é fundamental. Um exemplo seria a deficiência de ácido fólico para as gestantes, o que pode determinar o nascimento de bebês com sérios problemas neurológicos;

5. A imprudência

A imprudência é um dos fatores que mais indiretamente danificam o cérebro e a mente. Se tomamos consciência dos malefícios que algo pode nos causar e, mesmo assim, o fazemos, somos imprudentes. Motoristas imprudentes podem sofrer traumatismos cranioencefálicos graves, usuários de álcool imprudentes podem “entrar em coma” ao ingerirem doses excessivas, pessoas com epilepsia podem sofrer sérias lesões cerebrais se, por imprudência, deixarem de tomar suas medicações prescritas. A imprudência deve ser combatida de forma consciente, tomando como base estudos científicos e exemplos sociais;

6. A arrogância

A falta de humildade é um dos maiores inimigos da deficiência de aprendizado. Quem não tem dúvidas ou não questiona suas cegas convicções, certamente deixará de aprender muito, se tornará mais imprudente em suas ações e menos versátil na resolução de problemas. A arrogância e a ignorância tendem a caminhar juntas;

7. A solidão

Ficar sozinho de vez em quando é mais do que natural, até necessário em alguns momentos. Entretanto, a solidão é a maior privação pela qual um cérebro supersensível pode estar submetido. Acreditamos nisso porque uma pessoa com quem interagir é certamente a maior fonte de estímulos variados que um cérebro pode dispor.

Fonte indicada: Meu cérebro

Estou em uma etapa da vida na qual não preciso impressionar ninguém

Estou em uma etapa da vida na qual não preciso impressionar ninguém

Nós não existimos para impressionar o mundo, mas sim para sermos felizes e realizados. Agora, há etapas em nossas vidas nas quais precisamos priorizar, pensar que vamos surpreender esta ou aquela pessoa, ou que as pessoas terão inveja ou vão nos admirar.

Estou num ponto da minha vida no qual já não preciso impressionar ninguém. Sou como sou, sem que me importe o que os demais pensam de mim.
Não preciso de disfarces, não preciso enganar nem fingir. Porque posso ser quem sou na realidade.
Não preciso fazer ninguém rir ou acreditar que eu nunca choro. Não preciso ser sempre forte nem ser sempre agradável.
Não preciso ser igual a ninguém e, acima de tudo, me aceito tal e como sou. Com minhas virtudes, mas também com meus defeitos.
Porque posso não ser perfeita, mas sou sempre eu.
Aceito e amo quem sou, e quem posso chegar a ser.

Anônimo

Há momentos nos quais desejamos captar a atenção e sermos os reis da festa. No entanto, com o passar dos anos, o que de verdade importa para nós é viver nossa vida sem destacá-la para os demais, só para nós mesmos e nosso entorno.

Alguém disse, uma vez, que é bonito ter dinheiro para comprar as coisas que desejamos, mas é mais bonito ter coisas que o dinheiro não pode comprar.

O que a vida vai ensinando a você…

Há pessoas que passam a vida fazendo coisas que detestam para conseguir um dinheiro que não precisam, para comprar coisas que não querem, para impressionar pessoas de quem não gostam.- Autor desconhecido

Dizem que a vida vai ensinando “quem não, quem sim e quem nunca”. Não são necessárias mais experiências nem ressentimentos, somente vamos aprendendo que, quem espera, se decepciona.

Já nos decepcionamos muitas vezes, depositamos nossa confiança em várias ocasiões, e a verdade é que nem sempre conseguimos obter o resultado que esperávamos.

Assim, da mesma maneira que você deixa de esperar algo dos demais, você começa a se dar conta de que deve deixar de se preocupar com o que os demais esperam de você.

Este é o momento no qual você toma as rédeas de seus desejos, guia a sua vida, tem iniciativas próprias, não elogia os demais em excesso e compartilha seus pensamentos livremente. Digamos que não somente é o começo de sua liberdade emocional, mas também de sua identidade.

Por que não precisamos impressionar ninguém mais que nós mesmos?

As pessoas mais infelizes neste mundo são as pessoas que se preocupam muito com o que os demais pensam.

Não precisamos satisfazer ninguém, apenas a nós mesmos. E isso obedece a uma simples regra que todos podemos entender: se tentamos impressionar a todo custo, nos disfarçamos. E se nos disfarçamos, nossa essência morre.

Cada um é único e excepcional. Nada nem ninguém merece que escondamos nossa verdadeira forma de ser, nossas emoções ou nossos pensamentos. Agora, também é a verdade que tudo tem um limite: você não pode dizer ou fazer a primeira coisa que vier à cabeça, você precisa ter cuidado para não ferir os demais.

Chega para quase todos esse momento vital no qual o que os demais pensam deixa de nos importar, pois nos damos conta de que o que é verdadeiramente importante somos nós mesmos.

Entretanto, é paradoxal que uma pessoa segura de si mesma e despreocupada “com o que os demais dirão” é a que realmente deixa marcas. Digamos que quem presta atenção a si mesmo se torna alguém mais puro, mais real, mais pleno.

Definitivamente, a única maneira de ser uma pessoa de aço é não tentando. Ser natural e trabalhar nossos verdadeiros desejos é o segredo para sermos mais felizes.

Texto original em espanhol de Raquel Aldana.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Mais informação, menos conhecimento – Mario Vargas Llosa

Mais informação, menos conhecimento – Mario Vargas Llosa

Nicholas Carr estudou Literatura no Dartmouth College e na Universidade de Harvard, e tudo indica que na juventude foi um leitor voraz de bons livros. Depois, tal como ocorreu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática de nosso tempo, e não só dedicou boa parte da vida a usar todos os serviços on-line e a navegar o dia inteiro pela rede, como também se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação, sobre as quais escreveu extensamente em prestigiosas publicações dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Um belo dia ele descobriu que tinha deixado de ser bom leitor e, quase quase, leitor. Sua concentração se dissipava depois de uma ou duas páginas de um livro; e, sobretudo se o que lia era complexo e demandava muita atenção e reflexão, surgia em sua mente algo como uma recôndita rejeição a continuar com aquele esforço intelectual. É assim que ele conta: “Perco a calma e o fio da meada, começo a pensar em outra coisa para fazer. Sinto-me como se estivesse sempre arrastando meu cérebro desconcentrado de volta para o texto. A leitura profunda, que costumava vir naturalmente, transformou-se em esforço.”

Preocupado, tomou uma decisão radical. No final de 2007, ele e a esposa abandonaram suas ultramodernas instalações em Boston e foram morar numa cabana das montanhas do Colorado, onde não havia telefonia móvel, e a internet era melhor que não aparecesse. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o polêmico livro que o tornou famoso. Intitula-se em inglês The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains e em espanhol: Superficiales: ¿Qué está haciendo Internet con nuetras mentes? (Taurus, 2011). Acabo de lê-lo de uma tacada só e fiquei fascinado, assustado e entristecido. (No Brasil: A geração superficial – o que a internet está fazendo com nossos cérebros, trad. Mônica Gagliotti Fortunato Friaça. Rio de Janeiro: Agir, 2011.)

Carr não é um renegado da informática, não se tornou um ludista contemporâneo que gostaria de acabar com todos os computadores, de modo algum. Em seu livro reconhece a extraordinária contribuição que serviços como Google, Twitter, Facebook ou Skype dão à informação e à comunicação, o tempo que poupam, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos podem compartilhar experiências, os benefícios que tudo isso acarreta às empresas, à investigação científica e ao desenvolvimento econômico das nações.

Mas tudo isso tem um preço e, em última análise, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e no modo de funcionamento do cérebro humano quanto foi a descoberta da imprensa por Johannes Gutenberg no século XV, que generalizou a leitura de livros, até então confinada a uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, de quem ninguém fez muito caso quando, há mais de meio século, ele afirmou que os meios não são nunca meros veículos de um conteúdo, que eles exercem uma influência subliminar sobre este, e que, no longo prazo, modificam nossa maneira de pensar e agir. McLuhan referia-se sobretudo à televisão, mas a argumentação do livro de Carr e os abundantes experimentos e testemunhos citados para apoiá-la indicam que semelhante tese tem extraordinária atualidade no que se refere ao mundo da internet.

Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta que está a serviço de quem a usa e, evidentemente, há abundantes experimentos que parecem corroborar essa afirmação, desde que essas provas sejam feitas no campo da ação, em que os benefícios dessa tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que representa um avanço quase milagroso o fato de, agora, em poucos segundos e com um pequeno clique do mouse, um internauta conseguir uma informação que há poucos anos exigia semanas ou meses de consultas em biblioteca e a especialistas? Mas também há provas concludentes de que, ao deixar de se exercitar por contar com o arquivo infinito posto ao seu alcance por um computador, a memória de uma pessoa se entorpece e debilita tal como os músculos que deixam de ser usados.

Não é verdade que a internet é apenas uma ferramenta. É um utensílio que passa a ser um prolongamento de nosso próprio corpo, de nosso próprio cérebro, que, também de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse sistema de informa-se e de pensar, renunciando devagar às funções que esse sistema desempenha por ele e, às vezes, melhor que ele. Não é uma metáfora poética dizer que a “inteligência artificial” que está a seu serviço suborna e sensualiza nossos órgãos pensantes, que, de maneira paulatina, vão se tornando dependentes dessas ferramentas e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas chamou de “a melhor e maior biblioteca do mundo”? E para que aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças de que necessito vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas?

Não é estranho, por isso, que alguns fanáticos da web, como o professor Joe O’Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirmem: “Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não tem sentido. Não é um bom uso de meu tempo, já que posso ter toda a informação que quiser com maior rapidez através da web. Quando alguém se torna caçador experiente na internet, os livros são supérfluos.” O que há de atroz nessa frase não é a afirmação final, mas o fato de o filósofo em questão acreditar que as pessoas leem livros só para “informar-se”. Esse é um dos estragos que vício frenético na telinha pode causar. Daí a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade de Duke: “Já não consigo fazer meus alunos lerem livros inteiros.”

Esses alunos não tem culpa de serem agora incapazes de ler Guerra e paz ou Dom Quixote. Acostumados a pescar informações nos computadores, sem precisarem fazer esforços prolongados de concentração, foram perdendo o hábito e até a faculdade de se concentrar e se condicionaram a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que a rede os acostuma, com suas infinitas conexões e saltos para acréscimos e complementos, de modo que ficaram de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongada dedicação àquilo que lê, que é a única maneira de ler, com prazer, a grande literatura. Mas não acredito que seja só a literatura que a internet tornou supérflua: toda obra de criação gratuita, não subordinada a utilização pragmática, fica fora do tipo de conhecimento e cultura que a web propicia. Sem dúvida esta armazenará com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que ter o trabalho de lê-las se no Google posso encontrar sínteses simplificadas, claras e amenas daquilo que foi inventado naqueles livrinhos arrevesados que os leitores pré-históricos liam?

A revolução da informação está longe de terminar. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades e novos sucessos, e o impossível vai retrocedendo velozmente. Devemos ficar alegres? Se o tipo de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. Mas devemos nos preocupar se esse progresso significar aquilo que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nossos cérebros e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um de seus experimentos: que deixar por conta dos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade do cérebro de construir estruturas estáveis de conhecimentos.” Em outras palavras: quanto mais inteligente nosso computador, mais burros seremos.

Talvez haja exageros no livro de Nicholas Carr, como sempre ocorre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Careço de conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e as experiências científicas descritas em seu livro. Mas este me dá a impressão de ser rigoroso e sensato, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. Isso significa, se ele tiver razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da “inteligência artificial” é irrefreável. A menos, claro, que um cataclismo nuclear, por obra de uma acidente ou uma ação terrorista, nos faça regredir às cavernas. Então, seria preciso começar de novo, para ver se dessa segunda vez fazemos as coisas melhor.

Texto de Mario Vargas Llosa, publicado em sua coluna mensal no jornal espanhol El País em julho de 2011. Publicado também em seu livro A civilização do espetáculo – uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, trad. Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

Fonte: El País

Quando o amor machuca…

Quando o amor machuca…

Existem relacionamentos que podem ser chamados de tudo, menos de amorosos, visto estarem impregnados de violência – física e verbal -, de rancor, competição e castração. Se um dos parceiros anula-se, avilta-se, machuca-se, sofre, é hora de se separarem, urgentemente. E, embora a necessidade de sobrevivência clame pelo afastamento, muitas vezes a dependência doentia do outro nos impede de nos libertarmos daquilo que nos faz mal.

É inevitável: o ser humano foge à solidão a vida toda e visa à constituição de uma família, partindo à procura do amor de sua vida, de sua cara-metade, pois a maioria de nós não suporta encontrar-se acompanhada somente de si própria. A sociedade, por sua vez, cobra-nos um parceiro, um casamento, um filho, e por aí vai. Acuados, partimos em busca do amor, muitas vezes sem estarmos preparados emocionalmente.

Infelizmente, essa busca por um relacionamento pode se antecipar ao nosso amadurecimento pessoal, atropelando o fortalecimento de nossa personalidade e da resolução de nossas pendências sentimentais; ou seja, ainda vulneráveis e inseguros quanto a nossos próprios objetivos e desejos, entregamo-nos ao compartilhamento de vida com o outro. Como compartilhar incertezas e convicções frágeis? Ao darmos as mãos trêmulas, abrimos a guarda para que as certezas alheias – ainda que nocivas – instalem-se, passando por cima do que é nosso de maneira rápida e muitas vezes cruel.

Nessas situações, acabamos por deixar de lado o que temos aqui dentro, para abraçarmos o que o outro traz, uma vez que ele o traz com tanta certeza e propriedade, que aquilo nos convence facilmente. Tomamos como nossas as verdades do parceiro, anulando-nos em tudo o que nos define, tornando-nos dependentes e, cada vez mais inseguros – e quanto mais nos esvaziamos daquilo que é nosso, mais o outro se fortalece -, colocamos nossas vidas nas mãos de nosso amante, numa crescente anulação daquilo que costumávamos ser – de uma forma tímida e titubeante, que fosse, mas éramos! Com isso, o outro toma as rédeas de nossas vidas e sentimentos, controlando-nos, cerceando-nos, sufocando-nos.

Uma vez projetada nossa vida no nosso parceiro, fora de nós, passamos a não mais existir, passamos a depender de algo sobre o qual não temos controle. Deixamos de lado o que somos, o que queremos, o que sonhamos, para ceder tão somente, mas isso machuca, violenta, diminui, dói fundo. Essa não existência em vida nos fragiliza a ponto de sermos obrigados a aceitar tudo aquilo que o outro tem a nos oferecer, mesmo que passando por cima de nossa dignidade. Somos violentados, ouvimos ofensas, suportamos olhares frios, gestos humilhantes, escapadas infiéis de quem justamente deveria nos completar, somar vida à nossa, numa equação equilibrada com saldo positivo.

Mas não; expostos em toda nossa vulnerabilidade, somos, afinal, vistos como seres sem vida, sem personalidade, sem verdades, sem nada, nada mais do que um vazio a ser preenchido como aprouver ao parceiro. E não ousamos nos separar da aparente fonte de vida única que temos; falta-nos o ar sem a presença do outro, falta-nos dignidade suficiente para sabermos o que queremos e percebermos que aquela relação está nos matando aos poucos, a despeito dos aconselhamentos de familiares e amigos, dos machucados internos e/ou externos, da miséria estampada em nosso semblante, da tristeza que acorda e dorme conosco. Porque matar esse amor significaria tirar a própria vida, afinal, a essa altura, nós já somos o outro, o outro somente.

A libertação, nesses casos, é muito sofrida, pois já nos perdemos de nós mesmos, não sabemos quem somos ou onde estivemos todo esse tempo. Tomarmos uma decisão sozinhos então requer renascimento e reconstrução, fortalecimento e motivação, pois teremos de nos olhar no espelho e enxergar alguém que estava dormente e esquecido aqui dentro de nós. Teremos que voltar a existir por nós próprios, a andar com nossas próprias pernas, a escolher, a ouvir a nossa própria voz.

O reencontro consigo mesmo é tarefa árdua, sofrida, lenta, à medida que implica o enfrentamento de fantasmas adormecidos. Por isso mesmo, anular-se em favor do outro muitas vezes nos é conveniente, porque não é fácil termos a responsabilidade de decidir e escolher, encarando, nessa dinâmica, o pior de nós mesmos. Deixarmos o parceiro decidir e agir pode parecer cômodo de início, mas inevitavelmente pagaremos um alto preço por abrirmos mão de existir – acredite, não vale a pena.

Entregar-se sem se impor como uma pessoa que pensa, vive e sente, é como lançar-se de encontro à própria morte, ao esvaziamento de si, ao deixar de existir. Esse espaço vazio que nos tornamos será fatalmente preenchido pela tirania alheia. Antes de nos entregarmos, portanto, devemos estar prontos, seguros do que somos e queremos, pois amar nunca é uma via de mão única. Os relacionamentos amorosos necessitam de compartilhamento, troca, aceitação e renúncias de ambas as partes. Se não trouxermos nada aos encontros da vida, para oferecermos como câmbio, estaremos fadados à dependência do outro e seremos obrigados a aceitar o prazer e a dor alheia em sua totalidade, na maioria das vezes em detrimento da nossa dignidade.

Entraremos, paulatinamente, em franca decadência emocional, o que nos deixará enfraquecidos e nulos, distantes de nossas verdades, achatados em nossa existência, tolhidos na busca pela felicidade. Libertar-se, nesses casos, será tão essencial quanto aparentemente impossível. Contudo – e felizmente -, é possível, sim; como tudo o mais nessa vida, dependerá principalmente de nós mesmos. Porque todos temos direito a um relacionamento que soma, acrescenta, acalenta e liberta. Porque todos temos o direito ao amor  que cura.

“Ambivertido” é aquele que é extrovertido e introvertido ao mesmo tempo

“Ambivertido” é aquele que é extrovertido e introvertido ao mesmo tempo

Até recentemente, as pessoas eram divididas em dois times: o dos extrovertidos e o dos introvertidos. Os termos foram cunhados por Carl Jung em 1921 com a publicação do livro Tipos Psicológicos. Segundo o psiquiatra, na extroversão, o indivíduo vai confiante em direção ao mundo externo, enquanto na introversão, o indivíduo busca o que há internamente.

Jung, inclusive, identificou um terceiro grupo, mas não chegou a nomeá-lo ou escrever muito sobre ele. Foi só na década de 40 que os psicólogos começaram a pensar nessa nova categoria, a dos “ambivertidos”.

Trata-se do grupo que não fica nos extremos, mas no meio do caminho. Por conta disso, os ambivertidos costumam ter personalidades mais equilibradas: eles vão de sociais a solitários, de falantes a ouvintes, sem problema algum. “É como se eles fossem bilíngues”, diz Daniel Pink, especialista no assunto. “Eles possuem uma grande variedade de habilidades e conseguem se conectar com vários tipos de pessoas do mesmo jeito que alguém que fala inglês e espanhol consegue se comunicar com um maior número de pessoas.”

Um estudo realizado em 2013 mostra que os ambivertidos podem usar essa flexibilidade social e emocional a seu favor. Os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, reuniram 340 atendentes de telemarketing e pediram pra que eles fizessem um teste de personalidade. Após três meses, os responsáveis pelo estudo analisaram os resultados de vendas do grupo. Foi constatado que os participantes cujas personalidades ficavam entre a extroversão e introversão tiveram os melhores resultados no trabalho.

“Um ambivertido pode ir em duas direções, basta ele analisar a situação e ver qual comportamento será mais benéfico para ele naquele cenário”, diz Laurie Helgoe, do departamento de psicologia da Faculdade Davis & Elkins, nos Estados Unidos.

“Pense em introversão e extroversão como se fossem dois verbos. Dependendo da situação, você pode escolher a introversão (virar para dentro) ou a extroversão (virar em direção ao exterior)”, afirma a especialista Beth Buelow. Fica a dica.

Via The Wall Street Journal

Fonte indicada: Galileu

“RUIM DO FÍGADO”

“RUIM DO FÍGADO”

Doenças psicossomáticas são aquelas causadas por reações emocionais como tristeza, medo, etc. Elas afetam diretamente o corpo, produzindo doenças físicas. Algumas são comuns, dentre elas: úlceras, câncer, hipertensão e doenças do fígado. A Medicina Tradicional Chinesa acredita que não exista divisão entre o que é físico e o que é emocional. Para o oriental são coisas inseparáveis e por isso adoecem simultaneamente. Se observarmos vamos perceber que há muito fundamento nisso.

O fígado é o maior órgão interno do corpo humano, pesando cerca de um quilo e meio, só perdendo para a pele que é o maior órgão externo ao corpo.  O fígado desenvolve mais de quinhentas importantes funções no organismo. Participa do processo de digestão, armazena e metaboliza vitaminas, anula o efeito de drogas, estoca energia, produz compostos necessários à coagulação do sangue, promove eliminação de toxinas químicas produzidas pelo organismo e absorvidas por ele, efetua a filtragem mecânica de bactérias e controla o equilíbrio da água e do sal ideais para o bom funcionamento do corpo. Segundo a Medicina Chinesa a emoção que mais afeta e prejudica o Fígado é a raiva. A própria característica da personalidade da pessoa que vivencia uma raiva fora dos padrões normais sugere que a pessoa sofre de algum problema do Fígado.

A raiva, na verdade guarda outras emoções como a frustração e a mágoa. Ao sentir raiva busque sempre o que te frustrou. Toda frustração gera agressividade. Muitos indivíduos carregam raivas por anos, sem nem sequer manifestá-las. Isso pode causar depressão, apatia e doenças hepáticas. Se o fígado for afetado, outros órgãos também poderão ser, visto que as funções dele se refletem em todo o organismo.

Raiva não se guarda. Não se deve guardar nem engolir nem “mandar para dentro” nenhum sentimento que não seja bom. Mágoa, medo, tristeza, culpa… Todos eles devem sair, caso entrem. Há também como transformar essa energia ruim em algo bom. Pessoas mais propensas a ter raiva são pessoas mais dinâmicas, mais criativas e mais generosas, ou seja, pode-se mudar a polaridade desse impulso transformando-o em algo positivo.

Uma das principais formas de não sentir raiva é não se frustrar. Muitas vezes nos frustramos com eventos e com pessoas que não veem de encontro às nossas expectativas. Vive melhor quem controla seus anseios em relação ao outro e ao mundo. A intolerância generalizada que se vê na sociedade atual vem da frustração. Estamos tendo muita dificuldade em aceitar o que é diferente de nós em todos os aspectos, isso tem gerado muita raiva e ela pode se refletir no que temos de mais fraco: o nosso corpo. Como descrevi acima, uma das principais funções do fígado é a filtragem de praticamente tudo que entra no nosso organismo. Se muita coisa ruim entrar, haverá uma sobrecarga no órgão e isso pode terminar nos adoecendo. O que é ruim não pode entrar. Assim como o álcool é considerado um dos maiores inimigos da função hepática (imaginem a força que o fígado faz para eliminar uma substância tão estranha e tóxica como essa), talvez a raiva venha logo em seguida. Todos nós já sentimos raiva, o que muitas vezes não percebemos é o quanto ela desorganiza e prejudica todo o nosso equilíbrio. Muitos relatam sentirem dores abdominais, outros tremem, outros necessitam descarregar o alto nível de adrenalina esmurrando portar, atirando coisas, batendo em outras pessoas e outros choram catarticamente. Enfim não é um sentimento bom, só guardamos o que nos serve e o que nos presta – concluindo: raiva não se guarda. Se você decidir guardar, vai guardá-la no fígado e isso vai acabar dando errado.

Para nos livrarmos da raiva precisamos estar dispostos a nos ajudar. A ajuda vai vir da psicoterapia e vai vir dos amigos. Não se envergonhe em buscá-los, buscar ajuda é sinal de humildade, mas vale lembrar que a maior ajuda vai vir de você. Quem esconde a raiva não aceita que de alguma forma errou, nem que precisa mudar e que precisa melhorar e corre o risco de adoecer seriamente por orgulho e teimosia. Se livre de tudo que lhe faz mal.

IMPORTANTE: Se você anda “ruim do fígado”, procure ajuda. Procure ajuda psicológica, procure os seus amigos e lembre-se que existem médicos especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças hepáticas. Nosso corpo e nossa mente são, na verdade, uma só coisa.

O que aprendi com a morte do meu pai

O que aprendi com a morte do meu pai

Por Georgina Munaier

Nunca fui o tipo de pessoa que precisou perder algo pra valorizar. Sempre soube dar importância às pessoas ao meu redor e cuidar para que permanecessem na minha vida. Mas nem sempre isso dependeu de mim. Perder meu pai, por exemplo, não dependeu. Como morávamos em cidades diferentes, a relação ficava restrita a viagens planejadas, telefonemas, mensagens e emails.

Hoje me pergunto se deveria ter ligado mais, abraçado mais, paparicado mais, feito mais favores, ter visto mais filmes quando ele queria ficar junto de mim, ter mandado mais mensagens de “bom dia” e “saudades”. Me pergunto se eu podia ter feito diferente, ter sido uma filha melhor, ter tirado notas melhores na escola para deixá-lo feliz por se sacrificar tanto para me manter no melhor colégio de minha cidade. Me pergunto se eu deveria ter discutido menos, feito menos drama, cedido mais, ter almoçado mais vezes na cozinha junto com ele e não na sala vendo televisão. Me pergunto tanto sobre tantas coisas…

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Mas a verdade é que ele sabia. Ah, sabia! Ele sempre soube o quanto era amado e admirado por mim. Ele sabia que eu pensava nele todos os dias, sabia que eu mandava energias positivas antes de dormir, sabia que eu o queria por perto! Ele, assim como eu, era sempre o dono da razão e das certezas. E o que me motiva todos os dias a ser uma pessoa melhor é saber que ele tinha certeza da mulher “formidável” que eu me tornaria. E quem sou eu pra contrariá-lo, né? Se é fácil? Não. Se dá medo? Sim. Mas o interessante é que com o passar do tempo, a dor da perda começou a se aconchegar no meu corpo e aos poucos transformou-se em força, coragem, determinação e fé.

Hoje penso nele como parte de mim, a parte que me motiva, que me acalma e que acredita no meu potencial; aquilo que me sustenta e me equilibra. A base. O conforto. A segurança. A imensidão. Uma energia capaz de controlar a saudade deixada pela ausência das ligações, dos abraços e sorrisos. Uma energia que se renova a cada manhã. Uma energia que me encaminha para a direção certa, para o tão sonhado (e não presenciado) futuro que ele tanto planejou pra mim.

E escrevendo este texto, me lembrei da frase de um filme que costumávamos assistir juntos: “ELA APRENDEU A VIVER, ELE APRENDEU A AMAR”. Qualquer semelhança com a vida real, não é mera coincidência!

contioutra.com - O que aprendi com a morte do meu pai

Sobre a autora:

Georgina Munaier tem 19 anos, é estudante e apaixonada por livros, café e música. Encontrou na escrita um modo de tornar a vida um pouco mais leve e especial.

O CONTI outra agradece a Georgina pelo envio e autorização da postagem.

Dica de livro: “Amizades Tóxicas”, de Mireille Bourret

Dica de livro: “Amizades Tóxicas”, de Mireille Bourret

Decepcionarmo-nos com amigos, num ou noutro momento da vida, todos já nos deparámos com essa situação. Nos tempos actuais, em que temos mais amigos virtuais do que reais, é mais fácil rompermos uma amizade através de um simples clique: ‘remover amizade’. Muitas vezes o dito amigo, só passados uns tempos é que se dá conta que nos seus contactos de Facebook já não encontra o nome do amigo lá. Na realidade, o verdadeiro significado de uma amizade não possui nada de virtual: implica presença física, disponibilidade, partilha, solidariedade e atenção recíprocas. Contudo, quando não nos sentimos bem numa relação de amizade, antes de a terminarmos, convém pôr a relação à prova, dedicar-lhe alguma reflexão, elencando-lhe os prós e contras; ao fim e ao cabo: identificar o nível de toxidade que da amizade emana.

A socióloga Mireille Bourret, explica em ‘Les Amitiés Toxiques’ (título original do livro) o por quê de algumas amizades se desfazerem com o tempo. Na primeira parte da obra, ‘Identificar as Amizades Tóxicas’, a autora canadiana dá-nos conta que “é geralmente a dinâmica, a relação que é tóxica, e não a natureza das pessoas que a vivem” e que, por norma, as problemáticas advindas de uma má relacção desenvolve-se no que não se diz, na insegurança e na falta de consideração para com o outro. A importância de estarmos atentos à linguagem não-verbal que um amigo revela (o tom de voz, os gestos, o olhar, etc.) diz-nos Bourret, é fundamental para evitarmos surpresas constrangedoras, a curto e médio prazo.

contioutra.com - Dica de livro: “Amizades Tóxicas”, de Mireille BourretA partir da página 59 de ‘Amizades Tóxicas’, a especialista descreve seis tipos de “personalidades tóxicas” (como as que possuem os narcisistas, os negativistas e os histriónicos) com que convivemos e mostra-nos como podemos afastá-las e assumir o controlo da nossa vida.

Depois de fornecer ao leitor ferramentas e técnicas úteis para que ele consiga identificar esses tipos de personalidades, saber como reagir em determinados casos e decidir o futuro da relacção, a especialista em Sociologia, na última parte do livro, compila uma série de emoções negativistas que fazem com que os laços entre duas pessoas possa se dilacerar. São exemplos: a frustração, a irritação, a troça, a avareza e a inveja. No final da leitura da terceira parte, estaremos mais capazes de lidar com os amigos que nos atraiçoam, abandonam ou magoam, pois estaremos mais consciencializados de que todas as perdas do passado que ainda não resolvemos transformam-se num peso que não nos deixa levantar voo, numa emoção tóxica que não nos deixa avançar. Uma das mensagens do livro é a de que quanto mais protegidos das pessoas tóxicas estamos, mais felizes seremos.

‘Amizades Tóxicas’ é um livro de leitura simples (sem jargões) e esclarecedora, dirigido a todos os que buscam respostas para poderem manter uma amizade que esteja em vias de extinção, ou para ultrapassar de uma vez por todas o sofrimento que adveio de uma outra. Este é um livro de auto-ajuda que pode servir de guia para muitos leitores que acreditam que tudo o que nos acontece, até a dor de uma amizade dilacerada, pode ser transformado em aprendizagem.

Excertos

“Seja qual for o resultado da amizade que o levou à tristeza, faça de maneira a sair mais enriquecido, mais atento a si e aos outros.” (p. 154)

“Convença-se de que os diferendos são muitas vezes fundados no orgulho e na soberba, que nos fazem esquecer a humanidade do outro.” (p. 161)

A indicação de leitura é do nosso blog parceiro Silêncios Que Falam (Site; Facebook)

O perigo de não se importar

O perigo de não se importar

Passamos a vida sendo aconselhados a ignorar, a “deixar pra lá”, como no caso das pessoas que nos aborrecem, das paixões não correspondidas, das tristezas aparentemente superficiais. Nesses e em outros vários contextos, dizem-nos para esquecermos, não darmos importância e seguirmos em frente. No entanto, até que ponto é suportável acumular tanta contrariedade aqui dentro? Para onde vai tudo isso?

Fico pensando naqueles programas televisivos que tratam dos acumuladores, cujas residências se transformam em depósitos de inutilidades amontoadas e que vão ocupando todos os espaços possíveis, causando danos à saúde e à vida do proprietário dos entulhos e daqueles que o amam. O entulho obstrui, enfeia, sufoca, imobiliza e prende a pessoa ao que não lhe acrescenta nada, àquilo que ela procura sem ao menos saber o motivo. Da mesma forma, ao tentarmos passar por cima das contrariedades passivamente, sem externarmos nenhuma reação que seja, vamos nos tornando acumuladores de angústias, as quais, assoberbadas, obstruem o nosso bem estar e a resolução pessoal de nossa vida como um todo. Caminhamos, assim, com pendências que nos ferem aos poucos, imperceptivelmente, mas de forma ininterrupta, latente e nociva ao nosso bem estar.

Viver com pendências sentimentais é viver pela metade, com um peso que se vai acumulando e um dia tem que escapulir de alguma forma, uma vez que nosso íntimo não consegue abarcar tanta negatividade em seus limites sensoriais. Daí a somatização, as depressões, as explosões de raiva e tudo o mais, inevitáveis consequências que só machucam a nós mesmos e àqueles que nos amam, justamente quem não tem nada a ver com isso, na maioria das vezes. No entanto, preocupar-se demasiadamente com os fatos, com o que já aconteceu ou pode vir a acontecer, também faz mal, assim como o faz, igualmente, irritar-se e esbravejar contra tudo e contra todos, sem papas na língua, dizendo o que se pensa, sem dar atenção aos sentimentos alheios. Porque uma coisa é ser sincero, outra coisa é ser agressivo e deselegante – e não poucas vezes confundimos tudo isso, machucando, no final das contas, menos os agredidos do que a nós próprios.

Tenho comigo que aquelas pessoas que externam apenas um ar “blasé” frente a qualquer situação e para com qualquer pessoa acabam se tornando muito chatas, ocas e isentas de emoção alguma, pelo menos externamente. E o perigo maior em sermos indiferentes demais é a armadilha que nos armamos ao relegar tudo ao segundo plano, aí incluídas as pessoas que nos são mais caras – marido, esposa, filhos, irmãos, amigos -, visto que, assim, poderemos estar nos condenando ao distanciamento sem volta de quem mais precisamos, fugindo aos encontros essenciais da vida em comum.

No mais, o ponto crucial que nos desabilita às interações sinceras e edificantes em nossa jornada vem a ser a desonestidade, o fingimento, quando adotamos posturas que fogem completamente ao que existe dentro de nós. Enganamos a nós próprios, às vezes para evitar contendas e indisposições com o outro. Entretanto, temos de entender que conflitos são muitas vezes imprescindíveis e não necessariamente inúteis, pois precisamos aparar as arestas que empacam nossos relacionamentos, seja com o parceiro, com o filho, com o amigo, com o colega de trabalho, com o chefe. Saímos mais gente, mais humanos e mais verdadeiros desses embates. Nossos dias, afinal, preenchem-se com essas relações e, caso estejam entravadas em algum aspecto, teremos nossa jornada adulterada em suas verdades, pois estaremos largando mão de chances preciosas de aprimoramento pessoal, de crescimento e de descobrimento. Escamotearmos os sentimentos implica, pois, negarmo-nos a encarar e a superar aquilo que nos impede de ao menos tentar buscar a felicidade.

Faz-se mister, como se vê, encontrarmos um jeito de lidar com nossos sentimentos, de forma a torná-los amigos da vida lá fora, harmonizando-os com o meio – umas vezes aconchegante, outras vezes inóspito – em que vivemos. E, caso precisemos de algum tipo de ajuda – de um familiar, de um amigo, de um profissional -, não podemos nos furtar de procurá-la, pois ninguém é obrigado a se safar sozinho de seus abismos, a ponto de tornar sua jornada ainda mais solitária e triste do que já possa lhe parecer.

Viver é uma arte, uma rota entremeada de atalhos e armadilhas, de conquistas e de frustrações, o que deveria nos tornar propensos a ficarmos cada vez mais fortalecidos e confiantes, mas não é sempre assim. Muitas vezes nos amedrontamos e nos acovardamos durante esse caminhar, paralisados emocionalmente, como que acuados num beco sem saída. Nesses momentos, quem nos salvará, oferecendo conforto, consolo e motivação, serão as pessoas com quem nos relacionamos de forma verdadeira, compartilhada, com quem construímos uma interação de confiança e entendimento mútuo, ou seja, quem ficou conosco após nossas misérias e virtudes terem sido cruamente expostas e aceitas, sem fingimento e sem anulação. Um conselho: cultivemos as relações sinceras, com quem vale a pena, com quem nos ama a ponto de entrar em nossas escuridões e nos resgatar de lá com vida e com amor.

Chinelos velhos viram brinquedos na África

Chinelos velhos viram brinquedos na África

Por Daniel Froes

Passeando pelas praias da costa leste da África, você pode se deparar com esculturas coloridas de elefantes, javalis, rinocerontes, leões e girafas, algumas em tamanho real, feitas com chinelos de borracha velhos encontrados no mar.

A transformação desses materiais em peças de arte e moda é ideia da empresa Ocean Sole. Com sede em Nairóbi, capital do Quênia, o negócio reaproveita sandálias velhas e outras peças de borracha encontradas nas praias do país. O resultado do trabalho são criações lúdicas que chegam a ser vendidas para jardins zoológicos, aquários e lojas de nicho de 20 países.

“A poluição em todos os nossos cursos de água é um grande problema”, diz Church, nascida e criada no Quênia. “Os rios estão entupidos com plástico e borracha”, ela acrescenta. “Quando as pessoas dizem que o oceano é uma sopa de plástico, é porque o plástico não vai embora – ele só se decompõe em partes menores”.

Segundo os cientistas, o tempo de decomposição desses resíduos varia de 100 a 600 anos. Em grandes quantidades no fundo dos oceanos, são alguns dos principais vilões da vida marinha, responsáveis pela morte de peixes, crustáceos e outras espécies.

Como tudo começou

Em 1997, Church trabalhava num projeto de preservação de tartarugas marinhas na ilha de Kiwayu, na fronteira do Quênia com a Somália.

Na época, Church ficou chocada com uma cena desoladora: praias inundadas por objetos de plástico que obstruiam a chegada das tartarugas aos seus locais de desova.

Mas foi lá também que ela viu crianças da região fazendo brinquedos com o lixo retirado do mar. Nesse dia, ela decidiu fundar uma empresa focada na solução de um problema ambiental grave.

Church pensou que poderia ajudar a limpar as praias e, ao mesmo tempo, impulsionar o desenvolvimento econômico e social daquela comunidade, incentivando moradores locais a recolher, lavar e processar materiais recicláveis para terem uma renda.

Confira as fotos:

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Fonte indicada: Razões para Acreditar

Fotos: Reprodução/Ocean Sole

Travessia

Travessia

No cinema, assistindo ao filme “A Travessia”, meu menino tinha as mãos suadas. O filme, uma história real sobre o francês Philippe Petit, que na década de 70 atravessou de forma ilegal o vão entre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, usando apenas um cabo e se equilibrando sobre ele, desacomoda e leva à transpiração as almas mais sensíveis. Assistindo ao longa, a sensação que fica é a do medo. Medo pelo que pode acontecer ao protagonista (mesmo sabendo que ele sobrevive), medo pelo que sentiríamos estando na pele dele, medo de altura, medo da morte.

Isso me fez recordar uma frase do escritor Mia Couto que diz: “Eu tive as minhas mortes. Felizmente, todas elas passageiras”. E assim lembramos que a vida é composta de muitos lutos, a maioria deles reversíveis, e só isso deveria bastar para justificar nossa coragem, ou a capacidade de viver sem medo.
 Apesar de nos resguardar do perigo, o medo nos afasta da vida. Da vida e de suas inúmeras mortes. Da vida e de seus vários renascimentos. O equilibrista desafia o perigo com a certeza de que a morte está perto, mas não irá derrubá-lo. Já os que vacilam perante os desafios da própria existência constroem muros onde podem se refugiar, isolando-se de uma vida nova, muitas vezes melhor.
 Apesar de adorar montanha russa e de ter pulado de paraquedas há alguns anos, não me considero uma pessoa muito corajosa. Fui criada para desejar uma vida segura, longe do burburinho da corda bamba, recatada em meu mundinho particular. O hábito me fez almejar segurança. Na minha redoma, cultivo minhas leis. Não ouso virar a mesa nem levantar a voz. Não troco o certo pelo duvidoso, prefiro “um pássaro na mão do que dois voando”, perdi um pouco da espontaneidade com a idade. Não é motivo para me gabar não. Queria ter uma dose a mais de coragem para me livrar das culpas que me atam as asas e seguir pela corda bamba que me chama. A corda bamba que todos nós possuímos e, quer queira, quer não, temos que atravessar.
Todos nós possuímos um cabo de aço por onde devemos nos equilibrar e fazer a travessia. Alguns veem lá de cima precipícios enormes, como o vão entre as torres gêmeas. Outros percebem que tiveram medo de cair de uma altura irrisória, que não passava de ilusão causada pelo medo de seguir adiante. Porém, a vida é para quem ousa colocar pé ante pé, devagar ou com pressa, acreditando firmemente que cair não é o fim, pois muitas vezes o chão está a um palmo de distância.
Chegar ao fim, mesmo sentindo as pernas fraquejarem, nos dá a certeza de que a fé nos impulsiona a viver melhor. Ter a coragem de romper antigos nós, quebrar velhos tabus, experimentar novos ares e ousar fazer a travessia nos confronta com o amadurecimento, a única forma de crescer _ independente da idade que tivermos.
 Fazer a travessia é ter coragem de crescer. É experimentar o prazer que vem da descoberta de que vivemos constantes mortes, e que, com sorte, renascemos melhores e mais sábios. Que haja esperança, fé, inspiração divina. Que saibamos o momento de avançar e o de recuar. Que experimentemos cruzar a linha de chegada mais livres e com a consciência de que dando o primeiro passo já somos vencedores.

Ser querido não é ser útil!

Ser querido não é ser útil!

Ser querido é café quente com bolo. Ser útil é pílula de suplemento.

Ser querido é dia de sol com ventinho leve. Ser útil é protetor solar e repelente.

Ser querido é abraço apertado. Ser útil é capa de chuva.

Ser querido é ser aguardado, ter a presença desejada, ser incluído nos sonhos, nos planos, na vida.

Ser útil é ser indispensável pelas qualidades e especialidades.

Ser querido é ser amado apesar dos odiosos e repugnantes defeitos, ser compreendido, reconfortado, protegido, repreendido, o que for preciso.

Ser útil é ser dispensável quando a utilidade findar…

Todo mundo é querido de alguém, todo mundo é útil para alguém, os ambos, ou nenhum. Perceber a diferença é essencial para saber que papel figuramos nas vidas que tocamos ou que nos tocam.

Para alguns, preciso ser apenas útil. E quero o pagamento e a recompensa por isso.

Para outros, quero ser querida, como os quero bem também.

O que não quero, é ser útil para me sentir querida. Não quero me tornar indispensável para ter a ilusão de que sou muito querida. Ser querido é bem diferente de ser útil.

Jamais me conformarei em ser uma panela  aderente com excelentes qualidades e diferenciais! A panela é útil!

Eu? Eu quero ser motivo de doces lembranças, afeto, saudades e grandes planos para a vida!

Um texto sobre a gentileza

Um texto sobre a gentileza

 Por Martina Sarzi Neubüser

Gentileza. Palavrinha leve, soa fresca como brisa de verão. Alimenta a boca de quem fala e aquece os ouvidos de quem escuta. Quatro sílabas de humanidade genuína, na sua mais pura forma. Gentileza, ao contrário do que pode nos parecer hoje em dia, não é ato de outro mundo: é aquilo que nos faz mais irmãos, mais iguais, mais humanos. Gentileza não é puxar o saco. Não é dar mais importância ao outro do que a si mesmo. Não confunda. Gentileza é se doar para se sentir completo. É amar para se sentir, simplesmente, capaz de doar seu amor sem esperar coisa em troca. É estender a mão e, quando nos for estendida, é não pedir o braço. É olhar o mundo com bons olhos e incentivar que outros também façam isso.

É levar flores em um momento difícil ou, simplesmente, levar companhia. É servir uma xícara de café de bom grado. Gentileza de verdade não é obrigação, é virtude, é colher de chá. Na gentileza não pode haver cobrança, isso desvirtua seu sentido. Gentileza é dar e não esperar o troco, muito menos devolução. Vai além de ajudar; gentileza é cativar. Faz válida a nossa existência ao produzir frutos que não apodrecem, mas se multiplicam. É falar, mas é também calar.  E, muitas vezes, o silêncio é mais gentil que qualquer palavra amiga. Quem é gentil cultiva um jardim dentro de si, não edifica castelos. Castelos são feitos de tijolos, tijolos trazem peso. Flores purificam, embelezam, trazem felicidade. E o jardim permanece ali: gentil. Com uma nova muda a cada gentileza. Depois de um tempo, ele cresce sem que percebamos. Os atos gentis tornam-se involuntários e, nesse momento, estamos floridos da cabeça aos pés.

Seja gentil, o mundo precisa da sua gentileza. Doe-se e verá que, mesmo parecendo contraditório, se sentirá mais completo. 

Para contato com a autora: [email protected]

Quem te atenderia depois da Zero Hora?

Quem te atenderia depois da Zero Hora?

Quantas vezes não acordamos no meio da noite com o sono a nos escapar apressado, batendo em retirada para outras paragens? Então ficamos nós, espremidos em nossa cama, desconfortáveis e muitas vezes sozinhos.

Como ansiamos nessas horas poder nos partilhar com outro! Procuramos então entre um tic e um tac não o telefone, mas a memória para recordar aquele capaz de uma acolhida inesperada em uma noite de tormentas interiores nas quais tudo o que mais desejamos é nos abrigar longe de nós mesmos.

Temos tantos amigos nas redes sociais, tantos colegas de trabalho, tantas companhias para o chope de sexta, mas e para as madrugadas insones, o que temos? Quem em sua essência nos atenderia de bom grado depois do relógio tocar doze vezes e de nos vermos desprovidos de nossos encantos?

A gente se vê, a gente se fala, a gente marca alguma coisa mais tarde, a gente combina qualquer coisa dia desses… qualquer coisa eu te ligo, passa lá depois, vou ver aqui e te falo, me dá cinco minutos que eu já retorno, são frases cotidianas e cabem em muitas bocas.

Coloca uma roupa que eu estou indo te buscar. Abre a porta que eu vou te fazer companhia. Joga um colchão no chão que eu vou dormir ao teu lado. Chora no meu ombro que eu te entendo. Deita aqui no meu colo que eu vou te abraçar. Vem pra cá agora, são frases para poucos, essas só podem ser ditas por aqueles com os quais temos a tão preciosa intimidade.

E intimidade é uma coisa rara, quase encantada. Muitas vezes uma vida ao lado de uma pessoa não garante que a intimidade exista, contudo, uma hora ao lado de outra pode ser como um marco no calendário de nossa vivência, um raro encontro de almas. Então escancaramos sem ressalvas a porta do nosso íntimo, fazemos confissões na certeza da aceitação, dividimos vontades descabidas, muitas vezes isentas de justificativas, sem parecermos bobos ou levianos. Contamos segredos sussurrados, nos deixamos tocar sem medos e ressalvas por um outro que parece feito de nós.

Ao lado daquele com o qual temos intimidade, um olhar se transforma em aconchego, um sorriso vira um convite para o ânimo. Para ele podemos ligar de madrugada para desabafar sem medos. Para ele não precisamos ser perfeitos, não precisamos ser encantados. A intimidade é como ouro em pó. É um partilhar sublime de corações que se entendem no silêncio introspectivo, na beleza de uma lágrima mansa, na doçura de uma canção compartilhada.

Quantos afirmam apertando nossas mãos que são amigos de verdade, que são para todas as horas, contudo amigos para depois da zero hora são bem poucos. Amigos para dividir não só o lado bom da vida, mas as ansiedades gritantes e os medos infundados são raros.

A intimidade no outro é a morada do amor, é nela que vive a aceitação, o apreço, os ensinamentos brandos, as palavras que consolam e que curam. A intimidade na amizade é maravilhosa, no amor é um bálsamo, no sexo é sublime.

Se nossa memória se retesar em alguém nas silenciosas horas de uma madrugada insone. Se ao pensarmos nesse alguém soubermos que podemos com ele partilhar o nosso tudo a qualquer momento. Se ele entrou silencioso e respeitoso em nossa mente e sentou-se confortável em nosso coração, talvez seja hora de trazê-lo para mais perto de nossa vida.

Por outro lado, se nossa mente foi incapaz de encontrar nas horas notívagas um alguém íntimo o bastante para nos resgatar de nós, talvez tenha chegado o momento de repensarmos nossos relacionamentos. Talvez seja a hora reavaliarmos nossas prioridades e de termos claro em nossa mente que apesar de vivermos cercados diariamente por inúmeras pessoas, virtuais e não virtuais, são preciosos e raros aqueles com os quais podemos partilhar a tão bonita intimidade em um dia de sol ou em uma noite vazia.

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