Tem gente que tem talento!

Tem gente que tem talento!

Eu vou lhes confessar, nada é mais chato para mim do que intelectuais acadêmicos e anônimos criticando famosos com o argumento de que são ruins tecnicamente.

Canso de ler que o Paulo Coelho escreve mal, que o Romero Britto pinta mal, que o Dráuzio Varella é um médico medíocre e também, falando especificamente sobre a psicologia e a psiquiatria, sempre ouço e leio colegas criticando o Dr. Flávio Gicovate. Todos os profissionais que citei são muito famosos, muito bem remunerados e suas carreiras são de sucesso. São reconhecidos nacional e/ou mundialmente e têm uma característica em comum: levaram seu trabalho ao grande público, à grande massa.

Pessoas que talvez não conheçam nada sobre arte moderna certamente reconhecem com facilidade uma pintura assinada por Romero Britto. Acredito que há quem tenha lido apenas os livros de Paulo Coelho e estou certa que, em seus programas no Fantástico o Dr. Dráuzio levou informação a quem jamais teve a atenção de um médico. Sobre o Dr. Flávio – cuja carreira como médico psiquiatra e psicanalista é bem longa e sólida: ele ganhou ainda mais repercussão por atuar em um programa semanal em uma grande rádio e manter canais na internet muito acessados. Seus livros e vídeos são de fácil entendimento e levam conceitos importantes ao que chamamos de senso comum. Acredito que a importância do trabalho dele, tal qual da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, está exatamente em expandir o que antes ficava fechado dentro dos consultórios.

Em minha opinião todos eles têm algo chamado talento e o talento não consegue ficar preso às regras, normas e pré-requisitos acadêmicos de qualquer arte ou profissão. Já ouvi críticas horrorosas ao trabalho deles exatamente porque o talento os fez famosos e aqui deixo a minha reflexão, que vem da história de vida de um famoso maestro que compôs sua primeira obra aos quatro anos. Mozart nunca seguiu regras, era um gênio. Quando se tem uma pequena pitada de genialidade, isso se chama talento, e isso faz com que se saia do usual. Freud foi um gênio, e eu que – mesmo tendo tido formação behaviorista – li quase toda a obra dele, percebi sua genialidade quando percebi quem era aquele homem e o ambiente no qual ele cresceu e viveu. Quando se tem talento, se traça um caminho próprio mesmo que seja para reproduzir a obra de um grande gênio. Quando se é gênio, não existem regras.

Respeito muito e acho de extrema necessidade que o olhar acadêmico exista e permeie as ciências e as artes, porém, talvez tenhamos que pensar que são esses talentosos desobedientes e burladores dos dogmas acadêmicos que levam a muitas pessoas alguns respingos de arte e ciência que eles jamais conheceriam. Eu li alguns livros do Paulo Coelho e acho bem bacana o Alquimista, além de achar fantástica a história da moça que vive cada dia como se fosse o último em Verônika decide Morrer. Muita gente talvez tenha começado a ler através dele e estou certa de que Romero contribuiu para que brasileiros que não sabem nada sobre arte conheçam “sem conhecer” o cubismo. Dr. Dráuzio se dispõe a ensinar conceitos básicos de saúde, usando linguagem simples, coisa que poucos intitulados com pós-doutorado se dispõem a fazer.

Não entendo esse ódio acadêmico a eles, tal qual entendo menos ainda as razões de eu ser criticada ao optar por escrever artigos para o senso comum, sem comprometimento acadêmico algum e somente com a pretensão de promover a reflexão e contar como vejo a vida. Sim, eu daqui da minha confortável insignificância também já recebi críticas por não seguir as tais regras. Que regras? Quem sabe eu não tenho algum talento!

Desde quando eu atuava como psicoterapeuta, eu sou questionada por alguns comportamentos, principalmente por psicanalistas que acreditavam que eu, como behaviorista por formação desconhecesse os mecanismos de defesa e as fases do desenvolvimento descritas por Freud. Como se um caminho apenas levasse a “deus”, e como se a psicanálise fosse método sagrado e único de autoconhecimento e promoção da saúde mental. Dr. Flávio está aí para mostrar que se pode sim ser psicanalista e levar a teoria para fora do divã, para que muitos possam se beneficiar. Somos – enquanto psicoterapeutas, como muito bem disse o mais apedrejado discípulo do Dr. Freud: apenas uma alma humana a tocar outra alma humana. E cá lhes confesso que foi exatamente a terapia analítica de Carl Jung e a fenomenologia de Fritz Perls os meus maiores veículos de autodesenvolvimento durante os meus muitos anos de terapia. E poderia ter sido a psicanálise ou o próprio cognitivismo.

Desde que o mundo é mundo, os acadêmicos presos aos dogmas engessados tem gasto seu tempo criticando os indisciplinados talentosos e talvez a teoria de Freud sirva bem para quem se dispuser a analisar o que os leva a criticar quem optou por trabalhar liberto e tão benéfico quanto o bom e velho divã. No mais, se encanta e ajuda a tanta gente, qual o crime deles? Fizeram algum mal? O caminho pode ser aceitar as diferenças ou procurar a razão de tanta irritação – Dr. Freud explicaria.

 

Os cinco grupos de suicidas

Os cinco grupos de suicidas

De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde, mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Sabe-se que cerca de 75% dos casos ocorre em países de rendas média e baixa.

Pessoas com idades entre 15 a 29 anos tem o suicídio como a segunda principal causa de mortes em todo o mundo, e, ao contrário do que se pensa, as taxas são maiores entre os que tem mais de 70 anos (percentualmente).

Andrew Solomon, em seu livro “O demônio do meio-dia” secciona os suicidas em quatro grupos. Oras, o título está errado então? Na verdade, não. Ao final do texto irei acrescer um grupo que – ao meu ver – é tão comum quanto os demais.

  • O impulsivo: Tal indivíduo comete o suicídio sem planejamento algum. Frequentemente um único evento desestabilizante (perda de emprego; término de relacionamento; morte de um ente querido) faz com que, sem pensar no que está fazendo, a pessoa tire a própria vida. Uma característica importante deste grupo é que o ato ocorre de forma repentina, sendo muito mais imprevisível do que em qualquer outro.
  • O apaixonado pela morte: Aqui, o foco principal não é fugir de nenhuma circunstância dolorosa, mas sim correr em direção à morte. A morte não é o meio, mas sim o fim. “O desejo não é alívio, mas sim destruição!”
  • O que não vê outra saída: Este grupo comete o suicídio por uma lógica falha, na qual a morte parece ser a única saída para as circunstâncias às quais vem vivendo. O indivíduo costuma planejar todos os detalhes e avaliar a melhor forma de regressar ao estado inorgânico. Aqui existe uma quantia razoável de indícios, sendo eles: Melhora significativa do humor (como se houvesse se livrado de um imenso peso em suas costas); Reconciliações repentinas com familiares e/ou outras pessoas de convívio próximo; Organização de questões burocráticas (pagamento de dívidas; planejamentos referentes à herança); dentre outros. A crença primordial aqui é de que a morte irá melhorar sua condição, assim como a de seus familiares, que se verão “livres de um fardo” (percepção distorcida, na grande parte dos casos).
  • O analista: Existe certa lógica racional por aqui. Tal pessoa – devido a doenças de prognósticos ruins; instabilidade mental; ou até mesmo por mudanças nas circunstâncias econômicas e sociais – realiza uma análise das dores e prazeres que a vida poderá lhe proporcionar neste novo momento. Ao final, chega-se à conclusão de que dar continuidade à existência não tem um custo x benefício que valha a pena.
  • O que utiliza o suicídio enquanto ataque: Em alguns casos o suicídio não ocorre com a finalidade do autoextermínio, mas sim visando destruir alguém que permanece em vida. Frequente em adolescentes (principalmente homossexuais), o ato funciona como uma arma que fere por meio da “culpa”. Pais que rejeitam a condição de seus filhos e os oprimem em excesso costumam ser foco de tais ataques (a culpa pela rejeição). Também é comum em términos de relacionamentos extensos e/ou abusivos, tendo como finalidade a geração da “culpa pelo abandono”. Os danos causados por este grupo são maiores, visto que a desestruturação familiar é muito mais intensa devido à responsabilização que decai sobre um indivíduo em especial. É comum deixar pequenos escritos em locais estratégicos (como pequenos bilhetes, espelhos e etc) que indicam o possível “responsável”.

Imagem de capa:Reprodução

O erro mais comum é presumir que todo mundo quer o que você quer

O erro mais comum é presumir que todo mundo quer o que você quer

Por Josie Conti

A citação utilizada como título é da  professora de Comportamento Organizacional da London Business School, Tamara Erickson que, em entrevista recente à Época Negócios, abordou essa questão relacionando-a ao mundo dos negócios. Trago-a para nosso espaço, contudo, com um olhar mais generalista no que se refere ao comportamento humano.

Leiam a afirmativa abaixo:

“Cada pessoa traz em si seu universo único e é fruto de sua história e escolhas.”

Normalmente não discordamos da afirmativa acima, entretanto agimos de maneira contrária a sua compreensão real cada vez que supomos que as pessoas ao nosso redor deveriam ter visões de mundo e opiniões iguais ou semelhantes as nossas. Tomamos como reais e universais perspectivas particulares, cremos que nossas escolhas são as mais corretas e verdadeiras, julgamo-nos mais espertos e sagazes que os nossos vizinhos de casa ou de bate-papo. E, querem saber? Estamos errados.

O erro, todavia, não consiste em estarmos mais corretos e sim em não nos colocarmos no lugar do outro para entender que o correto de um é o erro do outro, que o início de um é o meio do outro, que o que foi fácil para um é complexo para o outro. Mesmo filhos dos mesmos pais vivem histórias e realidades diferentes. Imaginem então pessoas de núcleos familiares, classes sociais e tantas outras experiências diversas que a vida proporciona. Não seria muita ousadia nossa achar que as concepções e percepções de realidade devem ser iguais?

Uma dinânica que eu costumava usar em grupos era mostrar uma imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci e pedir que as pessoas dissessem qual a opinião que tinham sobre ela. Era um momento descontraído, onde eu dizia algo assim: Não quero que pensem em quem a pintou, se ela é famosa ou sobre a técnica. O que eu pergunto é “Se hoje essa senhora entrasse com vocês em um elevador, vocês me diriam que ela tem cara de quê?” E, antes de responder, as pessoas deveriam apenas pensar. Quando, entretanto, começavam a dizer sobre o que tinham pensado, todas as respostas possíveis e imagináveis surgiam. Para cada um a Mona Lisa era uma pessoa diferente, com um estado de humor diverso, em uma situação oposta. Assim é também a nossa realidade, mas no cotidiano que nos circunda somos nós as “Mona Lisas” que cruzam pelos elevadores e preenchem as realidades e cenários da vida.

É por isso que para pessoas de bom senso a dúvida é bem-vinda. É por isso que devemos dar uma oportunidade ao diferente. É por isso que aprender a coloca-se no lugar do outro até entender um pouco sobre a sua visão é uma das características mais nobres do relacionamento humano.

O erro mais comum é presumir que todo mundo quer o que você quer. Você não tem que mudar o que quer, mas o outro merece respeito e entendimento por pensar diferente.

Quem encontra maneiras de mediar comportamentos para uma convivência harmoniosa ou se afasta de maneira consciente não precisa falar mal e nem precisa de rancor.

Na próxima vez que se olhar no espelho lembre-se que você e seus pensamentos são a Mona Lisa de alguém. Toda verdade é questionável. As decisões, entretanto, são suas.

Boa sorte no elevador.

O amor é para os atrevidos. Deixe de coisa e vá buscar o seu!

O amor é para os atrevidos. Deixe de coisa e vá buscar o seu!

Então fica assim. Para o bem de todos os amantes, para a saúde de todo ser amado, quem quiser um amor verdadeiro vai ter de ir buscar. Esse negócio de esperar no sofá, a TV ligada, o olhar perdido, a vida em estado de suspensão por longos fios de baba enquanto a pessoa perfeita não vem, tudo isso fica revogado até segunda ordem. Desista que do céu não vai cair.

Quer amor? Levante e vá buscá-lo. Não tem delivery, compra por catálogo, encomenda, disque-pizza. Não se pode pedir pela Internet. Faça por merecer!

Aos distraídos de boca aberta, os encalhados na correnteza, os pesos mortos e os zumbis sentimentaloides só chegam moscas, mariposas, lesmas, vermes e outros pequenos bichos. O amor é para quem sabe o que quer e, sobretudo, para quem sabe o que oferecer.

É para quem se atreve, se arrisca e se lança. Para os que ousam devolver o prato mal feito e o que mais não serve, para os insubordinados e os insatisfeitos, aqueles que procuram e procuram sem fim. Procuram até achar. E quando encontram, cuidam! Se acaso perdem de novo, retomam a busca sem frescura.

Amar é coisa de quem tem coragem de dizer “não”, “sim” e “talvez” quando e como achar que deve. Para os que têm medo, também o amor lhes cabe. Porque só os poços de perfeição, os impecáveis e os soberbos acreditam mesmo que coragem é a ausência do medo. Nós, os imperfeitos confessos, não nos vexamos em borrar as calças de pavor antes de o encarar com coragem. Porque fingir que o medo não existe não é valentia nenhuma. É burrice mesmo.

Se fosse fácil, teria outro nome. Amor dá trabalho. Então deixemos de tanta conjectura, ora essa, e sigamos logo ao que interessa!

Assim seremos, você e eu e todo mundo, como a moça que na infância estremecia quando sua avó a pegava fazendo careta no espelho, “menina, o galo canta, um anjo diz amém e você fica assim para sempre”. Mal sabia ela o que a vida lhe arrumaria. Atrevida, andou de amores por pessoa boa, sorrindo sem mais o quê, quando um arcanjo passou voando baixo, esbarrou no galo e deu-se a profecia da avó: a moça sorrindo de amor ficou assim para sempre. Amém!

Dizem que a experiência faz o mestre… Será?

Dizem que a experiência faz o mestre… Será?

O tempo tem a indiscutível missão de operar transformações em nós. Mesmo a mais teimosa das pessoas, mais dia menos dia, acaba se rendendo às areias do tempo. A passagem dos minutos; das horas; dos dias; dos anos; das vidas, vão modulando dentro de nós a nossa maneira de vermos o mundo, de nos vermos e de entender a maneira do mundo de nos ver.

Quem será que faz os ponteiros dispararem durante o tempo que dura um beijo apaixonado, um fim de tarde morno na praia, um amanhecer azul de inverno visto do topo de uma montanha, a primeira noite de amor, o primeiro colo que oferecemos ao filho recém-nascido, o último abraço de conforto que entregamos ao pai?

Quem terá o poder de fazer emperrar o relógio e impedir que os minutos escoem nas situações dolorosas a que somos submetidos; nas noites insones; nas enfermidades que roubam de nós o brilho da vida; nas experiências de perda que ninguém pode passar por nós.

O tempo que passa é mensurável, real e físico. O que fazemos dele, é tão subjetivo quanto a interpretação de um poema ou a capacidade que temos para descrever o sabor de um beijo. São as experiências vividas que determinam o quanto fomos espertos, lentos ou refratários diante das oportunidades infinitas de aprendizagem às quais somos apresentados a cada dor suportada, a cada prazer sorvido aos poucos ou apressadamente.

A sabedoria que tanto almejamos alcançar tem muito menos a ver com o tempo do que com a nossa disposição em nos entregarmos de corpo inteiro e alma desarmada. É a coragem de aceitar que é inevitável sangrar às vezes, esperar que cicatrize para só então, tentar entender o propósito de nossa passagem por esse planeta tão confuso e belo, ao mesmo tempo, que fará de nós um pouco mais humanos e menos intolerantes.

E, se tivermos alguma paciência, seremos presenteados com lições de rara beleza que nos permitirão avançar alguns passinhos para longe de nossa pretenciosa ambição de controle e poder. E, liberados da ansiedade pelo brilho das glórias, seremos aprendizes eternos. Haverá sempre alguma lição mal compreendida ou pouco aprofundada esperando que abandonemos o conforto das coisas conhecidas a fim de nos aventurarmos por caminhos mais estreitos e pouco iluminados.

A nossa vida aqui neste tempo presente não pode ser aceita simplesmente como a consequência direta de nossas ações e escolhas pregressas; seria simplificar demais acreditar em tão descomplicada explicação. Somos o que fazemos de nós a cada instante. Somos os “sins” e “nãos” que proferimos; somos a mão que estendemos ou o abraço que negamos; somos o alimento que partilhamos ou a sede que infringimos; somos a chuva mansa que acaricia ou a tempestade que arruína.

E o futuro, o que nos espera lá na frente é um mistério insondável, tão assustador quanto belo. A nossa vida no tempo que ainda virá é também a somatória de missões assumidas, desejos projetados e vaidades abandonadas. Para sermos mestres é necessário e indispensável que nos encharquemos de humildade diante daquilo que não podemos modificar. Seremos mestres quando finalmente compreendermos que saber algo ou muita coisa isoladamente, ignorando a necessidade ou contribuição do nosso irmão, é optar pela arma que mutila gerada pela mesma ideia que fez germinar a ferramenta que cura.

Um brinde às taças que se quebram

Um brinde às taças que se quebram

Quando me mudei, depois de morar por doze anos na mesma casa, eu me dei conta de quanto usamos pouco certas coisas por achar que são restritas ao uso em certas datas especiais. Ao abrir a cristaleira e me deparar com aquelas taças todas, eu me lembrei de que elas viviam ali empoeiradas há anos e que algumas delas nunca tinham sido usadas. As taças foram então embaladas, vieram junto da mudança e continuaram morando na mesma cristaleira, só que em uma casa diferente. Nunca tive a ideia de usa-las para tomar suco, água ou para comer morangos com chantilly no dia a dia. Sabe-se lá porque, me ensinaram que as taças de cristal são sós para bebidas e datas especiais. Fui ensinada a separar a roupa “de missa”, o sapato de usar em casa e o de sair. Tenho quarenta e um anos e quem é “da minha época” vai entender.

Em abril de 2014 eu fui salva “pelo gongo” e muita coisa mudou aqui dentro. Se eu tivesse morrido de septicemia naquele três de abril quando a diverticulite que eu nem sabia ter perfurou e evoluiu para uma peritonite, as taças ficariam aqui e junto delas, tudo que dizem serem os meus bens materiais.

Lembro-me de um conto bem famoso no qual o marido contava que sua esposa guardara uma linda camisola por toda a vida esperando usa-la em uma data especial; ela então morre e o marido pede que a vistam com a roupa que ela então finalmente usaria. A morte chegou antes da tal data especial – se é que essa data existe. Uma parábola perfeita para lembrar-nos que só existe o hoje.

No dia vinte e quatro de dezembro de 2015 as minhas taças saíram da cristaleira e foram – junto de toda a porcelana – usadas em uma deliciosa ceia de natal que reuniu a minha família e a do meu marido. Foi aí que eu percebi que o maior valor delas está em ser usada – e se quebrar, quebrou! Uma eu quebrei quando a lavava, livrando-a do pó e do abandono, ela morreu feliz, coitadinha. A outra se quebrou lindamente quando uma das crianças esbarrou nela, correndo em direção ao Papai Noel que chegava com os presentes. Uma terceira, de champanhe, acabou se quebrando no dia seguinte porque eu a esqueci na mesa quando, já depois da festa, decidi tomar “mais uma” com o meu marido. Estávamos embriagados demais para cuidar das taças e felizes por termos passado o natal com nossos pais, com nosso filho, com os irmãos, primos, tios…

As taças também servem para serem quebradas. Não deve ser justo que vivam mais do que nós. As coisas servem para serem usadas e por isso devemos ter apenas o que realmente usamos. Cem pares de sapatos para um par de pés parece não fazer sentido, mas se você os tem, use todos eles. Não guarde nada para uma ocasião especial porque todos os dias são especiais. Tome água numa manhã de segunda-feira difícil naquela taça de cristal. Vá trabalhar com sua melhor roupa quando sentir vontade. Não deixe nada para amanhã porque ele pode não chegar.

Usar tudo que se tem e ter somente o que se usa pode nos ajudar a acumular menos e a ter menor necessidade de comprar mais do que se precisa. Relatos de colegas que trabalham atendendo pacientes acumuladores me ensinaram que uma das características deles é quase nunca usar o que adquirem.

Não deve ser saudável comprar o que não se vai usar. Nem comprar para “guardar”, nem para usar quando houver uma oportunidade. Compre e use, use o que comprou. Não se apegue às coisas, nem lamente quando as louças ou os cristais se quebrarem. Comemore porque foram usados – é para isso que servem.

A vida é traiçoeira conosco. Tive tanto apego aos meus CDs e hoje olho para eles e não consigo conter o riso de pensar que todas aquelas músicas cabem em uma geringonça menor do que a palma da minha mão. Parece que o fim de todas as coisas é não ter valor algum. Mesmo as que estão nos museus, às vezes me dão “gastura”. Quando estive em Liverpool e vi, daquela distância segura, o piano branco do John, dentro do museu The Beatles Story, pensei na hora: “O que vale ver esse piano agora, mudo?”. Chorei é claro, mas queria John vivo tocando em qualquer piano.

Quero levantar um brinde a todas as minhas taças quebradas, às que ainda restam na cristaleira e que quero usar e quebrar ao longo da minha vida. Quero comemorar por estar viva para usar as roupas lindas que compro até que fiquem velhas e também pelos sapatos e as botas que já gastei e que ainda quero gastar andando pelo mundo. Quero agradecer pelo tecido do meu sofá todo manchado pelas estripulias do meu filho e também por todos os enfeites que ele quebrou e que não me fazem a menor falta. Sou feliz por todos os tecidos da minha casa que meus gatos rasgaram ao longo desses anos todos porque uma casa com tudo intacto e no seu devido lugar é uma casa sem vida e a mais linda taça de cristal não vale nada se não for usada.

 

Fique com alguém que te faça agradecer por não ter dado certo com ninguém antes

Fique com alguém que te faça agradecer por não ter dado certo com ninguém antes

Título original:  Fique com alguém que não tenha dúvidas

Por Marina Barbieri, via Deuruim

Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente se engana. A gente tenta encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. A gente clama ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. A gente quer, e a gente bate o pé e faz pirraça feito criança para conseguir. Mas um dia a gente percebe que amor tem que ser uma via de mão dupla. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é luta é ego. Amor que rebaixa é dor. E então a gente aprende que amor que não é amor, não encaixa, não orna, não serve.

Fique com alguém que não tenha conversa mole. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não bote barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fique com alguém que saiba o que quer e que queira agora.

Fique com alguém que te assuma. Que ande com orgulho ao seu lado. Que te apresente aos pais, aos amigos, ao chefe, ao faxineiro da firma. Que segure a sua mão ao andar na rua. Que não tenha medo de te olhar apaixonadamente na frente dos outros. Fique com alguém que não se importe com os outros.

Fique com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fique com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa.

(…)

Fique com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o seu refúgio em dias caóticos. Fique com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais.

Fique com alguém que te transborde. Que te faça sentir que você vai explodir de tanto amor. Que te faça sentir a pessoa mais especial do universo. Fique com alguém que dê sentido à todos os clichês apaixonados.

Fique com alguém que faça planos. Que veja um futuro ao seu lado. Que te carregue para onde for. Que planeje com você um casamento na praia, uma casa no campo e um labrador no quintal. Fique com alguém que apesar de saber que consegue viver sem você, escolhe viver com você.

Fique com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fique com alguém cujas palavras complementam suas ações.

Fique com alguém que te admire. Que te impulsiona pra frente. Que te apoie quando ninguém mais acreditar em você. Que te ajude a transformar sonhos em realidade. Fique com alguém que acredite que você é capaz de tudo aquilo que queira.

Fique com alguém que você não precise convencer de que você vale a pena. Que não tenha dúvidas. Fique com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que é você e só você.

Fique com alguém que te faça olhar para trás e agradecer por não ter dado certo com ninguém antes. Fique com alguém que faça não existir mais ninguém depois.

Éramos grandes

Éramos grandes
Quando eu tinha meus 8/9 de idade anos costumava brincar por horas com meus primos e irmãos no terraço da minha vó.  Me sentia gigantemente pequena ali. Aquele terraço parecia ter o super-poder de diminuir as crianças, como minha vó tinha o super-poder de dar falta de uma única folha de qualquer uma de suas plantas. Assustador. Nossas bolas e raquetes que o digam.
Independente de qualquer medo ou roubada que entrassemos por destruir uma das plantas da minha vó, naquela época éramos felizes. Lá, o que importava era se divertir, independente do mundo lá fora.

Em meio aquele aquele terraço, que fazia parte daquele casarão fixo em uma rua, que estava em um bairro qualquer, que era um pedaço de uma cidade, que se encontrava em um estado que era apenas um dos 24 que formam um país, país este que é só um pedacinho de um planeta que se localiza nesse lugar chamado universo que dizem ser infinito, nós éramos, digo novamente, infinitamente felizes. 

Arrisco dizer que a inocência, de certa forma, nos engrandece. É imperceptível, mas me parece verdade. 

Inevitavelmente crescemos e com isso damos conta dos outros. A maioria das vezes, sem dar conta de nossa pequenez. Damos conta do terraço alheio, do universo alheio. Começam as comparações. Ah, malditas comparações! Nos perdemos tentando ser ‘grandes’ como os outros.

Saímos ganhando algo com esse negócio de crescer? Esquecemos como fomos felizes em nossos próprios terraços da vida e começamos a correr atrás de algo, muitas, vezes inalcançável. Continuamos infinitamente pequenos.

Não duvido que se nos dessemos conta do quão pequenos somos, seriamos capazes de melhor aproveitar nossa estadia nesse universo.

Mal sabíamos nós, mas mesmo naquele terraço enorme onde nos sentíamos tão pequenos, fomos grandes naquele tempo. No mínimo, interessante.

Como pensam as pessoas que optam por permanecerem solteiras

Como pensam as pessoas que optam por permanecerem solteiras

O que significa estar solteiro (a)?

Dizer que alguém está “solteiro” é uma maneira popular de definir as pessoas que não estão vivendo um relacionamento estável, seja ele um namoro, morar junto ou a instituição do casamento propriamente dita.

Por que muitas pessoas estão solteiras?

Inúmeros fatores podem influenciar para que uma pessoa esteja sozinha. Todos envolvem a história pessoal de cada um, mas alguns pontos que poderiam ser pensados são:

– Existem as pessoas que estão solteiras, mas que buscam frequentemente mudar essa situação. São aquelas que estão abertas e procurando uma relação;

– Existem pessoas que não se julgam merecedoras de amor e mantém uma estima tão baixa que nem percebem que não criam oportunidades para que um “outro alguém” as perceba como um potencial parceiro (a) amoroso (a);

– Existem pessoas que saíram de outros relacionamentos anteriores e que ainda não se julgam aptas para iniciar um novo ciclo, pois ainda estão organizando em si o fechamento emocional dos ciclos anteriores;

– Existem ainda outras pessoas que têm intenção de se relacionar mais seriamente, mas estão em momentos de suas vidas em que priorizam sua energia para estudos, estabilização financeira e trabalho.

Quais os fatores que interferem em manter ou não uma relação?

Atualmente já não existe a exigência cultural tão marcada para que as pessoas mantenham relacionamentos convencionais.

Tanto homens quanto mulheres costumam trabalhar e possuem capacidade para batalhar pelo seu próprio sustento. Possuem também planos individuais de vida e trabalho que podem não necessariamente envolver uma relação afetiva estável.

Sabemos que, mesmo assim, ainda não existe um total encorajamento social para que as pessoas mantenham-se por conta própria. Mas essa realidade não é mais vista como uma aberração como já foi vista no passado.

Como pensam as pessoas que realmente optam por ficarem solteiras?

“Solidão é ausência do outro; solitude é sua própria presença.” Osho

– Elas aprenderam que não precisam escolher um par por mera convenção social e que hoje podem se sustentar, frequentar lugares como restaurantes e cinemas mesmo estando sozinhas sem que isso seja considerado algo descontextualizado ou pejorativo.

– Elas entenderam que, depois de um longo tempo de relacionamento, podem estar interessadas em uma nova forma de se relacionar com o mundo. Com a possibilidade dos divórcios, por exemplo, não são raras as pessoas que saem de relações longas. Mesmo assim, optam por uma realidade sem vínculos mais próximos;

– Elas conhecem o valor da própria companhia. Possuem hobbies pessoais, respeitam melhor a própria individualidade, aprenderam a ter prazer na solidão e em seus próprios pensamentos e sonhos sem que isso as torne amargas ou seja motivo de vergonha. Elas falam sem nenhuma inibição que optaram por isso.

contioutra.com - Como pensam as pessoas que optam por permanecerem solteiras
Natalia Bryliova 1984 Belarus

– Elas reconhecem o lado bom de estar com alguém e não são avessas a companhia, entretanto também não veem no outro a solução para alcançar a felicidade, pois sabem que a felicidade não será encontrada no outro como uma fórmula mágica ou enredo de conto de fadas.

– Elas podem investir mais em outras relações familiares assim como podem nutrir relações de amizades mais íntimas e profundas;

– Encontram também, como descrito pela escritora Sara Maitland ,

“…o desenvolvimento de gostos pessoais, da originalidade, da gestão do tempo e da independência de pensamento e ação. Suspeito que aumenta a autoestima, além do senso de competência e capacidade. Na verdade, acaba por ser muito boa para a saúde, pois reduz o estresse e, portanto, a frequência cardíaca e a pressão arterial. Dormir sozinho melhora a qualidade do sono e dos sonhos. Mas a maior surpresa é a descoberta de que sozinho você é, de fato, uma pessoa interessante, com muitos recursos inesperados.”

Ou seja…

As pessoas que são solteiras por opção sabem que em um momento ou outro podem entrar em um relacionamento, pois reconhecem que a questão mais importante não é estarem sozinhas ou com alguém e sim estarem bem consigo mesmas.

Imagem de capa: Women in Painting, by Xi Pan

18 Gifs para apaixonados por Charles Chaplin

18 Gifs para apaixonados por Charles Chaplin

Charles Chaplin (1889 – 1977) foi um ator e diretor inglês, também conhecido por Carlitos no Brasil. Sua presença no cinema mudo foi revolucionária trazendo emoção, crítica social e humor através de seus olhos e expressões corporais.

Abaixo, uma selação de 18 gifs animados para os amantes desse grande astro.

Os gifs não estão organizados por data ou filme, mas trazem uma amostra da grandiosidade de seu trabalho.

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.” Charles Chaplin

Todos os gifs via GIPHY

As 4 leis do desapego para a liberação emocional

As 4 leis do desapego para a liberação emocional

É possível que a palavra desapego lhe cause uma sensação de frieza e egoísmo. Nada está mais longe da realidade. A palavra desapego, compreendida dentro do contexto do crescimento pessoal, é um valor interno precioso que todos nós devemos aprender a desenvolver.

Praticar o desapego não significa abrir mão de tudo o que é importante para nós, rompendo vínculos afetivos ou relacionamentos pessoais com aqueles que fazem parte do nosso cotidiano.

“Desapego significa saber amar, apreciar e se envolver nos relacionamentos com uma visão mais equilibrada e saudável, libertando-se dos excessos que o prendem”.

Liberação emocional é viver mais honestamente, de acordo com as suas necessidades. Crescer, progredir com conhecimento de causa, sem prejudicar ninguém e não deixando ninguém o limitar.

Conheça abaixo as 4 leis do desapego para a liberação emocional. Vamos praticar?

1- Você é responsável por si mesmo

Ninguém pode viver por você. Ninguém pode respirar por você, se oferecer como voluntário para carregar suas tristezas ou sentir suas dores. Você é o arquiteto da sua própria vida e de cada passo que dá em seu caminhar.

Portanto, a primeira lei que deve ter em mente para praticar o desapego é tomar consciência de que você é totalmente responsável por si mesmo.

Não responsabilize os outros pela sua felicidade. Não imagine que para ser feliz é necessário encontrar o parceiro ideal ou ter o reconhecimento de toda sua família.

Se a opinião dos outros é a sua medida de satisfação e felicidade, você não vai conseguir nada além de sofrimento. Raramente os outros suprirão as nossas necessidades.

Cultive sua própria felicidade, seja responsável, maduro, conscientize-se das suas escolhas e consequências e nunca deixe que seu bem-estar dependa da opinião alheia.

2- Viva no presente, aceite e assuma a sua realidade

Muitas vezes, não conseguimos aceitar que nesta vida nada é eterno, nada permanece sempre igual; tudo flui e retoma seu caminho. Muitas pessoas estão sempre focadas no que aconteceu no passado, e isso se torna um fardo pesado que carregamos no presente.

Mesmo que seja doloroso, aceite, assuma o passado e aprenda a perdoar. Isso o fará se sentir mais livre e o ajudará a se concentrar no que realmente importa: “o aqui e agora”. Liberte-se!

3- Liberte-se e permita que os outros também sejam livres

  “Assuma que a liberdade é a forma mais plena, íntegra e saudável de aproveitar e compreender a vida em toda a sua imensidão”

Ser livre não nos impede de criar vínculos com os outros. Criar vínculos, amar e ser amado, fazem parte do nosso crescimento pessoal.

O desapego significa que você nunca deve assumir a responsabilidade pela vida dos outros, que eles não podem lhe impor seus princípios e nem tentar prendê-lo. É assim que surgem os problemas de relacionamento e o sofrimento.

Os apegos exagerados nunca são saudáveis. Temos como exemplo aqueles pais obcecados por proteger os filhos, que os impedem de crescer e avançar com confiança para explorar o mundo.

A necessidade de desapegar-se é fundamental nesses casos; cada um um deve sair dos seus limites de segurança para enfrentar o imprevisto e o desconhecido.

contioutra.com - As 4 leis do desapego para a liberação emocional

4- As perdas irão acontecer mais cedo ou mais tarde

Devemos aceitar que, nesta vida, nada dura para sempre. A vida, os relacionamentos e até os bens materiais acabam desaparecendo como fumaça, escapando por uma janela aberta ou deslizando através dos nossos dedos.

As pessoas vão embora, as crianças crescem, alguns amigos somem e perdemos alguns amores… Tudo isso faz parte do desapego. Temos que aprender que isso é normal e enfrentar essa situação com tranquilidade e coragem.

O que nunca pode mudar é a sua capacidade de amar. Comece sempre por você mesmo.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Unesp oferece curso online grátis sobre História da Arte

Unesp oferece curso online grátis sobre História da Arte

A Unesp está oferecendo através do site da Univesp TV, um curso gratuito online sobre História da Arte. Ele é voltado a graduandos e pós-graduandos interessados nas áreas de arte, história, pesquisa, cultura e assuntos correlatos. Também é aberto a todos com formação superior em qualquer área do saber.

Este curso de História da Arte é apresentado gratuitamente, em forma de videoaulas online, que você pode assistir a hora que quiser. Há ainda a possibilidade de fazer anotações sobre questionamentos, opiniões e dúvidas enquanto assiste o vídeo, e receberá tudo em seu e-mail.

A Univesp TV é o canal de comunicação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a quarta universidade pública paulista e visa ao incentivo à formação integral do cidadão.

O curso

São 09 aulas do curso regular de graduação, ministradas pelo docente José Leonardo do Nascimento do Instituto de Artes da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo).

O objetivo do curso de História da Arte é apresentar movimentos artísticos locais dentro de uma perspectiva mais abrangente da história da arte. As aulas exploram a arte etrusca, o realismo da arte romana antiga e o diálogo com a Grécia, a arte cristã primitiva, a arte bizantina, as expressões artísticas medievais, como as Iluminuras, a arte Românica e o Gótico, até os primeiros momentos do Renascimento italiano. O professor José Leonardo do Nascimento também apresenta e analisa os principais monumentos artísticos de cada período histórico.

O curso não possui certificação. São apenas aulas online para complementação de estudos e pesquisas. É só acessar o site e começar a estudar.

Conteúdo programático

  • Escultura e pintura etruscas: vitalismo e arte tumular.
  • Roma antiga: realismo e diálogo com a Grécia.
  • Arte cristã primitiva: abstração e solenidade.
  • Iluminuras medievais: arte monástica.
  • Arte bizantina: espiritualidade e esplendor celestial.
  • Arte românica: arquitetura e relevo escultórico.
  • Arte gótica: verticalidade e luz.
  • Siena no século XIV: arte republicana e religião.
  • Florença no século XIV: da bidimensionalidade pictórica ao Renascimento.

O curso sobre História da Arte oferecido pela Unesp é mais uma dica gratuita que o Canal do Ensino trouxe para te ajudar a expandir a mente, pensar diferente e aumentar ainda mais seus conhecimentos. Quer outras dicas como essa? Acompanhe também o site Canal do Ensino.

Receita de ano novo- Carlos Drummond de Andrade

Receita de ano novo- Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.  

Carlos Drummond de Andrade 

“Receita de Ano Novo”. Editora Record. 2008.

Um bilhete só de ida para o Ano Novo- Nadia Regina Stella

Um bilhete só de ida para o Ano Novo- Nadia Regina Stella

Por Nadia Regina Stella

Imagine se 2016 fosse um outro país, outro continente, outro planeta, sua passagem para o novo ano é um bilhete só de ida. E você precisa dizer Adeus para 2015, além de selecionar o que vai levar consigo. Hora de fazer a mala, escolher o que vai na sua bagagem de vida e desperdir-se do que fica.

Adeus também é desapego! Adeus ano 2015! Adeus para o quê e  pra quem ficou no passado…

Um ano novo, só é mesmo um ano novinho em folha se a gente ressignificar dentro da gente o que nos fez mal, incomodou, fez sofrer, atrasou nossa vida! Senão, é só mais um ano no calendário que recomeça em 01 de janeiro! Nao adianta mudar de estado, de país, de ano, se você insiste em continuar a viver o que não te acrescenta, só te subtrai. Se você não pensou no quanto tem andado com  bagagem pesada, ainda dá tempo. A aeronave já está em solo, dentro de poucos minutos vai iniciar o embarque. O que vc vai levar pra 2016?

Vou levar comigo tudo o que foi bom e quero manter… Começando pelo que tenho de mais precioso: minha família. E isso inclui meus anjinhos de 4 patas. Vai também meu trabalho e, cá entre nós,  saiba que a gente pode amar o que faz, mas nem por isso está menos sujeito às vicissitudes. E tem ainda espaço para minhas amizades verdadeiras! Aquelas de uma vida, sabe? E aquelas mais recentes que diante de uma turbulência não tumultuam e não forçam o pouso.  Obrigada por me fazerem continuar acreditando que não somos descartáveis!

Vou levar meus sonhos, meus objetivos, minhas alegrias e, sim, minhas tristezas, dificuldades e decepções também irão comigo, porque ninguém é 100% feliz o tempo todo, a menos que viva de aparências -em plena era das aparências já ta virando clichê a felicidadepara justificar seus vazios.

Desapegar tabém é ientrega. A-Deus tudo o que já não nos cabe ou não podemos mais manter.  Sim eu disse Deus, porque vou levar comigo minha pouca fé dos últimos tempos e minha espiritualidade. Eu preciso aprimorar isso em 2016 deixando um espaço maior para ter fé!

Bagagem de mão: Em tempos de amores líquidos, de amizades tóxicas-  Deixa pra trás o que te envenena e quem na boca veneno tem. Líquidos são restritos,  leve só os pequenos frascos de doces perfumes.

Vale também reciclar o que ainda é passível de fazer sentido, porque também dos erros a gente extrai a aprendizagem.

E quem sabe você ainda consegue descer  lá no subsolo antes da  virada do ano e abrir
aquela caixinha chamada mágoa, retirar de dentro dela aquele acontecimento que tentouesquecer, mas que ficou mal resolvido. Isso aí menina,  sacode a poeira, limpa, dá uma polida, deixa brilhar novamente. Nos bastidores de algo que não saiu como a gente esperava pode ter alguém que a gente quer levar para 2016, 2106, se é que você me entende?! Então corre, ainda faltam alguns minutos pra virada e dá tempo de trazer para o novo ano algo ou alguém que vc nao quer deixar no porão.

Se alguma coisa entrou por engano na sua bagagem, tudo bem, desapegar é se livrar de pesos ao longo do caminho, trocar a mala pesada por uma uma mochila leve nas costas e se aventurar nesse mundo lindo, mas requer cuidado. Sair da zona de conforto é o que nos faz crescer, no entanto pode  nos deixar vulneráveis a outros apegos… Não,  não vai dar para carregar excessos que tudo tem limite, entao, somente o que cabe no bolso, na mochila e no coração. Não dá pra carregar mágoas, não dá pra carregar desrespeito, não dá pra carregar culpa, nem o fardo que não nos compete. Não esquece o teu RG, nem teu passaporte, você precisa sempre em terras estrangeiras, respeitar quem vc é e saber onde quer chegar. Mas nada de complicar na imigração, você não vai querer ser deportado, vai?

E, enfim, pra quem não vai embarcar aqui, nem decolar no mesmo vôo, nem pegar o mesmo trem, também para quem nem dentro do meu coração vai pousar, boa viagem também, tenha um novo ano bom, e nem vem que nao tem- to entrando o ano 100% blindada contra inveja, quebrante, olho grande e gordo, vírus, bactérias, gente chata, gente que se acha e que acha defeito em tudo e em todos.

Vem que tem um 2016 cheio de esperança, de desafios, de trabalho, no caminho a gente descobre as surpresas boas de cada viagem, a gente pega junto nas dificuldades, chora junto, acha graça junto, se abraça, comemora, viaja o mundo…Solta o combustível no mar pra aterrizar com leveza se a turbulência nos obrigar.  Você já se deu conta que a sua própria vida é o  bilhete só de ida? Cuide bem da sua. Cada vez que você cuida mais da vida do outro você perde a oportunidade de fazer um up grade no seu programa de milhagem.

Aperta o cinto. Respira fundo! Volte sua coluna para a posição vertical e seus olhos no horizonte. Vem , vem junto pra 2016. Vem,  no caminho eu te conto. Portas encerradas! Atenção Senhores passageiros, vai decolar.

Nadia Regina Stella é enfermeira, especialista em saúde mental e em linhas de cuidados – ênfase atenção psicossocial. Coordeno há 10 anos e 9 meses um CAPS

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