O Dia em que o Whatsapp me fez sofrer

O Dia em que o Whatsapp me fez sofrer

Eu estou dirigindo por uma das tantas avenidas lotadas e congestionadas da capital. Agora deram para limitar a velocidade máxima para cinquenta por hora – como se fosse possível andar a mais de quarenta nessa avenida estreita e cheia de semáforos. Todos os dias os aviões passam sobre a minha cabeça e então eu me lembro de uma foto ilustrativa que vi uma vez sobre como é o tráfego aéreo diário no céu do nosso planeta. Aquele era apenas um avião entre os milhares que passam próximos e barulhentos nas regiões dos aeroportos. Talvez a confusão lá em cima seja bem parecida com a provocada pelos carros nas avenidas das grandes capitais.

Enquanto eu devaneio sobre a quantidade de aviões voando em todo o mundo naquele exato segundo, ouço o conhecido toque que alerta para o recebimento de mensagem no Whatsapp. Então os aviões tornam-se poucos quando eu imagino a quantidade de mensagens que, naquele exato segundo, chega e sai dos aparelhos smarthphones de todo o mundo. Imagino milhões de papelzinhos dobrados voando de origens para destinos, contendo “bom dias” das mães para os seus filhos e “ois” que podem fazer corações dispararem.

Naquele exato segundos as mães mandam mensagens e se enraivecem porque ninguém as respondeu imediatamente. Os “ois” chegam para marcar encontros, desencontros ou reencontros. Os grupos de amigas movimentam-se, o assunto do dia é sobre os filhos que estudam na mesma classe, as fofocas correm nos subgrupos e sempre uma mulher é pega para “cristo”. Vídeos eróticos empesteiam os grupos masculinos e alguns políticos se esquecem da vida assistindo-os enquanto o país desaba. Piadas em foto e vídeo carregam as memórias (e delas eu confesso que gosto bastante). Demissões são feitas e relacionamentos afetivos são terminados. Casais trocam informações sobre o dia a dia e programam os horários. Viajantes dividem através das fotos os locais que visitam; recém-nascidos são apresentados enquanto muitas roupas, sapatos e acessórios femininos são vendidos.

Temos ainda as correntes do livro, salmos da bíblia, campanhas pró ou contra qualquer coisa. Acusações políticas, informações “úteis”, muitas mentiras e vírus também são comuns. Fotos expõem mulheres em momentos íntimos por vingança ou por puro machismo. Um verdadeiro buraco negro, um poço sem fundo recebendo milhões de pedacinhos de papéis virtuais em um único segundo.

E nessa constatação do quanto é insignificante aquela mensagem que eu recebi e ainda nem vi eu percebo que as relações humanas estão acontecendo ali e junto delas estão as dores, as alegrias e toda a emoção que em outros tempos seria falada ou trazida em um pedaço de papel.

Viajo no tempo e percebo que, tal qual já vivemos sem os aviões, já vivemos também sem mensagem alguma a apitar e a nos levar para um universo paralelo no qual nos tornamos surdos para vozes reais e cegos para o que está fora daquela pequena tela. Diferente do que acontecia quando Dr. Freud atendia seus pacientes, hoje as pessoas trazem aos nossos consultórios resquícios do que muitas vezes aconteceu através daquele canal tão restrito e tão propenso a má interpretação. O Whatsapp, bem como todas as ferramentas de comunicação via internet, parece ser hipócrita na medida em que nos afasta e nos aproxima ao mesmo tempo.

Eu desejo então viver em outros tempos. Quero sentir o coração disparar ao abrir um bilhetinho escrito à mão em um papel real. Quero nunca ter visto nada que não sejam pássaros voando no céu azul. Quero receber uma serenata e não uma música enviada em um arquivo midi. Quero que os acordos políticos sejam fechados com a chegada do mensageiro que viajou semanas com um pergaminho em punho. Quero nunca ter chegado nem perto da internet. Quero conhecer apenas as pessoas do vilarejo, visto que, quem nós temos que encontrar está sempre nas redondezas.

Assim, a resposta para as perguntas que me faço sobre as razões pelas quais nos transformamos numa sociedade rasa de relações volúveis e sem raízes está ali na minha cara. Não somos mais a mesma espécie que éramos e talvez tenhamos passado do limite. Estamos bloqueando, deletando e excluindo tudo com muita facilidade, imaginando que reiniciar a vida é como reiniciar o aparelho “quando dá pau”. Tudo se tornou descartável. Não construímos mais relações, apenas as consumimos e depois partimos em busca de outras.

Sofremos ou nos alegramos com aquelas pequenas mensagens jogadas aos milhões todos os dias, em todas as línguas, das mais variadas origens aos mais variados destinos. Quantas emoções em um único dia? Quantos desvios da atenção e da concentração? Quantas conversas cara a cara interrompidas?

 

A angústia e a total consciência de que não há mais saída me traz as palavras de um grande mestre:

“O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo – numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.” (Albert Einstein).

 

Alunos à Prova

Alunos à Prova

Física. Essa é a matéria que a professora Elika Takimoto, do CEFET/RJ, ensina para seus alunos. Mas será que eles aprendem?

Para avaliar como esses jovens pensadores estão se saindo e aproveitando o centenário da publicação da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, Elika usou de mais uma de suas estratégias criativas de ensino: em vez de avaliar os estudantes por suas respostas, pediu que eles formulassem perguntas sobre o tema.

O resultado foi tão interessante que viralizou na internet quando a postagem explicando o processo e as respostas foram exibidos.

Na sequência, surgiram entrevistas e a publicação da história na revista Galileu. Para nós da CONTI outra que a acompanhamos como colunista e conhecemos sua constante avaliação crítica e saídas criativas e inteligentes para o ensino tradicional, essa foi só mais uma grata surpresa que nos encheu de orgulho e que merece ser compartilhada.

Segue a descrição do processo e resultados pelas palavras da própria professora Elika. Os estudantes que responderam têm, em média, 17 anos:

“Este ano eu resolvi virar a mesa e as carteiras. Tudo começou quando desatei a pensar sobre o assunto. Narrei parte desses devaneios em dois textos: “Tô iluminado pra poder cegar, Tô ficando cego pra poder guiar” e Sobre a Educação e a Pobreza no Mundo. Daí, fui tomando coragem para sair da caixa. A primeira experiência foi descrita no texto Fé na Humanidade e a segunda, narro aqui hoje.

Apliquei uma prova de física (sobre Relatividade) diferente onde os alunos não tinham que responder nada e sim elaborar perguntas.

Eles podiam usar celular, internet, WhatsApp… Só pedi para não conversar entre eles para não atrapalhar a concentração do colega. A prova teve três folhas com um texto meu sobre o tema. Nem precisava de gúgol para obter mais informações sobre o assunto, mas se eles não gostassem do meu texto e quisessem ler outro, estava tudo liberado.

Tudo isso me ocorreu porque ando levantando a bandeira contra o sistema tradicional de ensino e lutando por uma escola que ensine os alunos a perguntar, a questionar, a pesquisar e a debater e não a responder.

“Professora, eu tenho que saber a resposta da minha pergunta?”, foi uma dúvida que surgiu na hora da prova. Preferencialmente, nem eu devo saber. Respondi.

Como disse Einstein: “a imaginação é mais importante que o conhecimento”. E não é que parece que ele está certo? Segue, para o vosso testemunho, algumas respostas (quer dizer, perguntas…) que li ontem.

Nunca me diverti tanto corrigindo prova. Vamos de Marx ao sentido do Amor Eterno passando pelo questionamento do que vem a ser a matemática e o livre-arbítrio! Li perguntas que grandes filósofos da ciência já fizeram em outros contextos. Fala sério!!!

Só orgulho dessa garotada. Só orgulho!!! E ainda ganho para isso…

contioutra.com - Alunos à Prova
PROPOSTA DA AVALIAÇÃO DA PROFESSORA ELIKA
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Tia Elika, qual foi a maior diferença que aconteceu depois que você começou a aplicar a Teoria da Relatividade na sua vida?
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É necessário haver teorias que hoje nos parecem absurdas para que teorias aceitáveis surjam?
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Quais seriam as consequências de se abstrair isso para o campo das ciências humanas? Se a realidade funciona de maneira diferente para cada observador, não haveria uma verdade só, mas diferentes verdades dependendo do observador. Como se debater política sem que se adote uma base materialista, sem que se aceite uma só realidade como sendo verdadeira?
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…tudo não passa do nível das ideias?
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A criação de realidades alternativas faz sentido científico?
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Sempre imaginei o tempo como sendo um rio, sempre em frente. Com base na Relatividade, posso associá-lo a quê?
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Podemos confiar nas equações matemáticas só porque elas têm lógica? Será que a matemática está mesmo presente na natureza fazendo com que os fenômenos físicos sejam equacionados ou será tudo uma lógica criada pelo homem? Existe um limite para fatos e descobertas?
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Se não se pode ultrapassar a velocidade da luz, o infinito temporal não existe?
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O que dilata o tempo é a luz?
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Estamos presos no passado?
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A pessoa irá para o tempo infinito e se perderá no espaço-tempo?!!!
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A imortalidade poderia existir se pudéssemos viajar na velocidade da luz? De acordo com Einstein, se um objeto estivesse próximo a velocidade da luz poderia desaparecer. Por que e como isso é possível?
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… temos que aceitar que diversas coisas em nosso ambiente de vivência estão em tempos diferentes…?
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Sentindo-me confusa sobre a vida. Se as coisas no espaço-tempo formam curvaturas ao seu redor e quando um outro corpo entra nessa curvatura fica preso… a que o Universo está preso?
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É concebível a ideia de tempo negativo?
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Se a distinção entre passado, presente e futuro é uma ilusão, significa que tudo o que eu fizer “agora” já estaria pré-determinado?
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O Universo está se expandindo e acelerando só no espaço? Só no tempo? Para onde?
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Adorei essa aqui: Tenho uma prova de física para fazer e preciso de mais tempo. Eu poderia entrar em uma avião que voa a uma velocidade bem alta se afastando da Terra e fazer a prova lá e deixar a Elika esperando na Terra, já que quanto maior a velocidade, mais devagar o tempo passa? Será que funciona? Mas se tudo der errado e, na verdade, o meu avião estiver parado e a Terra estiver se mexendo muito rápido? Como eu vou saber? Eu posso estragar tudo e ter ainda menos tempo para fazer a prova?
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Extinguindo-s e a ideia de passado, presente e futuro e sabendo que o que vivemos agora pode não ser simultâneo em outro referencial, como entendemos o “destino” e o “livre-arbítrio”?
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Um astronauta da Nasa se atrasou para sua viagem. Mas seus superiores não brigaram nem descontaram seu salário. Por quê? Einstein provou que o tempo absoluto não é absoluto, logo, em algum referencial o astronauta não estava atrasado. Os seus superiores não tem motivo para puni-lo.
contioutra.com - Alunos à Prova
É possível amor eterno? Acredito que sim. Com uma resposta simples. Leve um casal que se ama para o planeta da primeira questão, onde a gravidade tende ao infinito e o tempo tende a estar parado. Do referencial do casal o amor será eterno.

Do seu jeito.

Do seu jeito.

Ninguém devia se importar com seu corte de cabelo, sua roupa justa, sua fé em pêndulos, seu desejo por morangos azedos, sua boca suja de palavrões inteiros, sua bota da estação passada, suas unhas sujas da terra que você plantou.

Ninguém devia se importar com seu riso alto, sua voz que quase não fala quando não há o que dizer, sua preferência por séries, muitas vezes mais sensatas que pessoas, seu amor por um pet, pelos livros que você não sentiu o mínimo tesão de ler.

Ninguém devia se importar com as delícias que decidiram morar em você. Ninguém devia ligar a mínima para seus óculos extravagantes, sua bolsa gigante, seus brincos de diamantes que você nem pode pagar.

Ninguém devia ligar se a namorada nova do Miguel não conhece tão bem outros verbos além de beijar, amar e abraçar. Ninguém devia se importar com quem gasta dois terços do salário com jogos e outro terço com comida congelada pra não ter que perder tempo com o que não lhe importa.

Ninguém devia ligar para os casais que nem mesmo respeitam o período de carência dos convênios pra casar – Eu adoro seu jeito de rir. Vem morar comigo? – e amou aquele riso desconhecido por muitos anos ainda. Ninguém devia se importar com nada isso.

Ninguém devia ligar para as pessoas que dançam, que bebem demais, que dizem que amam sem nem conhecer. Nem com a chuva que invade o meio do dia, nem com os garotos de doze anos que andam de salto melhor que você.

Ninguém devia ligar para a ausência de proteína no prato dos veganos, para a ausência de cabelos, para o banquete de unhas, para a falta de jeito de quem não sabe gargalhar sem roncar. Ninguém devia ligar pra quem ama o funk e acha que Roberto Carlos é mais nu dos reis nus.

Ninguém devia ligar, já que a vida é um tempo tão curtinho e sedento, que voa na pressa do tempo, sem perdoar as nossas distrações. Ninguém devia se importar com as tentativas dos outros de serem felizes do seu jeito. Ninguém devia ligar, mas somente tentar, fazer ao menos uma coisa na vida, como jamais foi feito.

 

Diego Engenho Novo

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Ganhos secundários: linhas invisíveis que definem o nosso comportamento

Ganhos secundários: linhas invisíveis que definem o nosso comportamento

Os ganhos secundários são as consequências que acompanham situações nas quais nos sentimos mal ou simulamos um sentimento negativo. E que além disso, paradoxalmente, possuem algo de positivo para a pessoa que os obtém.

Este “algo positivo” pode se converter em algo muito perigoso, já que é um estimulante ou um prêmio que vai incentivar que voltemos a nos colocar na situação desagradável.

Por exemplo, uma doença pode supor uma reação dos outros com a pessoa doente, de cuidados, de atenção, de demonstrações de afeto e de condescendência. Além disso, pode existir o ganho secundário de não ter que ir trabalhar, ou de melhores condições trabalhistas adaptadas à doença, ajudas governamentais, etc.

São tantas coisas boas que alguém poderia pensar. Por que vou investir em me curar se, em troca de uma dor mais ou menos suportável, obtenho um monte de coisas positivas?

Como descobrir os ganhos secundários?

Os ganhos secundários podem ser muito sutis e encobertos, de tal forma que a pessoa que os recebe talvez não seja consciente do benefício que está recebendo.

A pessoa que sofre de mal-estar por uma doença ou emoções que a oprimem, na verdade é uma pessoa infeliz, e com frequência se queixa da sua situação.

Contudo, ela reconhece que a sua situação poderia ser pior, já que, apesar do sofrimento, o ocorrido lhe concede alguns privilégios, como ter por perto as pessoas que gosta, ficar sem trabalhar, conseguir mudanças nas pessoas próximas já que estas farão o possível para que melhore o estado e a dor da pessoa que está mal, etc…

Como os ganhos secundários afetam as relações?

Os ganhos secundários são um benefício, dentro do mal-estar, para a pessoa que os recebe, mas são um desgaste grande para aquelas pessoas com as quais convive, já que sofrem como se fosse seu o mal-estar da pessoa doente.

Os familiares, o cônjuge, amigos próximos ou seres queridos são quem sofrem as piores consequências, já que podem acreditar que a pessoa doente se recuperar ou melhorar é algo que depende do seu comportamento.

Esta carga termina se transformando em uma dependência para ambas pessoas, já que a pessoa que sofre o seu processo dependerá daquelas que cuidam dela.

A chantagem emocional

Portanto, dentro dessa dependência que se forma da pessoa doente em relação às pessoas que lhe facilitam os ganhos secundários, é muito fácil se deixar levar pela chantagem emocional. Isto é, a pessoa doente pode acabar culpando, exigindo ou carregando a pessoa que cuida com o desenrolar da sua doença ou estado de saúde, na tentativa de conseguir o que espera.

Podemos ver um exemplo disto naquelas pessoas que têm um estado ultrapassado de irritação, ira ou fúria, etc… Elas costumam culpar as outras pessoas pela sua reação e mal-estar. Além disso, esperam que a outra pessoa mude, peça desculpas ou reconheça o erro, mantendo a irritação, a ira, etc… por um longo período de tempo. Mantêm a sua postura como medida de pressão: esperando sentir-se melhor apenas quando o outro mostrar algum tipo de mudança na direção que elas pretendem.

Assim, dessa forma, a pessoa culpada tenderá a ceder para evitar o conflito ou o mal-estar que a pessoa emocionalmente afetada lhe provoca.

Resistência à mudança

As pessoas que obtêm algum tipo de ganho secundário evitam as mudanças terapêuticas, já que, apesar do mal-estar, a recompensa obtida com este estado é maior.

Contudo, por se tratar de um processo inconsciente, tanto nos ganhos quanto na resistência, quando a pessoa se torna consciente disto, costuma trabalhar mais profundamente a sua mudança de atitude e, consequentemente, a sua melhora de saúde física e psicológica.

Texto original em espanhol de: Dolores Rizo

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

A era descartável

A era descartável

Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” A frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman resume com brilhantismo a vida do homem na pós-modernidade ou, como ele mesmo prefere, modernidade líquida, uma vez que a fluidez das relações exige que estejamos em constante mudança.

Sendo assim, vivemos sob a égide da velocidade, ou seja, toda relação que se proponha a durar não possui espaço no mundo líquido. Em outras palavras, o sucesso está relacionado à capacidade de rotatividade nos relacionamentos, isto é, à capacidade de trocar de relacionamentos no menor espaço de tempo possível.

Essa característica do homem contemporâneo é o que determina o seu sucesso, segundo Bauman. Para ele, o sucesso do “homo consumens” não se caracteriza pelo acúmulo de bens (sejam materiais ou humanos), mas pela maior capacidade em desfazer-se deles.

“É a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homo consumens.”

Posto isso, há de se considerar que a incapacidade em manter relações que apresentamos faz com que não consigamos acumular o menor volume de compras e, assim, transformamos a vida em uma grande rede descartável.

Como não consigo ter um relacionamento que me traga satisfação, tento preenchê-lo com inúmeros relacionamentos efêmeros. Esse vazio também é preenchido com bens materiais, entretanto, como o sucesso é medido pela rotatividade, faz-se necessário que se troque constantemente de bens, a fim de que mantenha o vazio “preenchido”.

Dessa forma, não existem laços que prendem as pessoas, de tal maneira que, a todo tempo, pessoas se desfazem de pessoas, como se estas fossem tão importantes quanto um copo descartável. Aliás, uma pessoa e um copo descartável exercem a mesma função. Em um primeiro momento, são úteis para atender a uma necessidade imediata, mas, logo em seguida, perdem o valor e ambos são amassados e jogados fora.

Na era descartável, quanto maior for a capacidade de desfazer-se, maior é o sucesso do indivíduo. As relações humanas, assim, caracterizam-se por uma imensa fragilidade, em que o valor dos relacionamentos está ligado a um prazo de validade.

Pessoas entram e saem da nossas vidas sem que possamos, de fato, conhecê-las. Habituamo-nos a não criar laços, não fincar raízes. Temos necessidade de relacionamentos que sejam levados pelo vento, pois só o tempo permite que criemos raízes, as quais parecem inadequadas aos nossos tempos.

Quanto maior a raiz, mais profundo um relacionamento fica e, por conseguinte, torna-se mais difícil arrancá-lo. Assim sendo, o valor que o outro nos atribui varia conforme a sua necessidade. Podemos ser essenciais em determinado momento e, noutro, sermos estranhos.

Esse intervalo entre ser essencial e ser um estranho vem diminuindo com o passar do tempo, uma vez que, como nada é feito para durar, nossas necessidades também mudam constantemente e, por conseguinte, deixamos de ter importância para o outro, pois essa importância é condicionada à necessidade que tínhamos.

O homem contemporâneo parece não gostar de raízes e busca relacionamentos baseados na facilidade de desconectar e de jogar fora. Não passamos de meras mercadorias, como qualquer outra; estamos ficando mais sozinhos e com relacionamentos frágeis. A era descartável é silenciosa e fugaz: quando menos esperamos, somos jogados fora, dado que nossa utilidade chegou ao fim.

Na modernidade líquida, a velocidade assume o controle e, portanto, não existe tempo para refletir, apenas fazemos e deixamos de fazer, somos importantes e deixamos de ser importantes, sem a menor capacidade de reflexão. A única capacidade que temos é a de desfazer-se, sendo que qualquer um pode tê-la.

Qualquer um pode tê-la, porque é fácil e a facilidade é uma jovem sedutora. Livrar-se do outro quando se quiser é sempre mais fácil; o grande problema é que, com o passar do tempo, as opções vão diminuindo, até que todos sejam descartados e você esteja sozinho. Mas, talvez não haja tanta diferença, afinal, em tempos líquidos ou descartáveis,

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.”

Na capa: Escultura de gelo de Nele Azevedo

Sobre ler pensamentos, por Diego Caroli Orcajo

Sobre ler pensamentos, por Diego Caroli Orcajo

As pessoas acreditam que ter a capacidade de ler mentes lhes traria uma vida muito mais feliz do que andam tendo, visto que alguns dos maiores temores do indivíduo pós-moderno são os de ser enganado, traído e abandonado.

Já ouvi diversas vezes alguém dizendo que seria interessante ler os pensamentos das pessoas na balada, visto que se saberia com as quais deveria iniciar interações. Também ouvi em referência a entrevistas de emprego, já que poderia alterar comportamentos não muito bem recebidos pelo entrevistador, ampliando as chances de contratação. Enfim, situações específicas e hipotéticas, nas quais posso dizer que eu também adoraria dominar tal arte.

Agora voltemos ao mundo real. Será mesmo que ler pensamentos seria interessante? Se houvesse um botão liga e desliga de repente sim, afinal mataríamos algumas curiosidades, porém e se ocorresse em um contínuo?

Certa vez Bertrand Russell disse: “Se a todos fosse dado o poder mágico de ler os pensamentos dos outros, suponho que o primeiro resultado seria o desaparecimento de toda a amizade”. E é dessa direção que partiremos.

Você acabou de ser retirado da barriga de sua mãe. O trabalho de parto foi um pouco longo, atrasando o término do expediente dos profissionais envolvidos. Então, logo de início, seria exposto a pensamentos não muito sutis por parte daqueles os quais atrasou o passeio de sábado à noite.

Posteriormente, quando estivesse nos braços de seus pais, veria se passar pela mente deles tudo aquilo que houveram idealizado e comparando com o que de fato você o é. Além do mais, ter um filho frequentemente gera algumas crises existenciais episódicas, nas quais teria de “saber” coisas como: “Tive que parar x projetos por conta dessa gestação”; “Essa criança só dá trabalho”, e daí por diante.

Todo amor anda de mãos dadas com boas doses de ódio, que em nossa sociedade têm suas manifestações suprimidas, gerando sentimentos de culpa constantes naquele que os sente. Em suma, todo relacionamento humano é e sempre será ambivalente, porém, de repente não estejamos prontos para ter consciência dos aspectos hostis existentes em nossas interações.

Sou da opinião de que não é nada provável que a humanidade possa existir na ausência de grandes ilusões, dentre as quais sem sombras de dúvidas cabe incluir a ilusão do amor incondicional.

Segundo Nietzsche: “A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar”. E aí, você se considera forte o bastante para saber tudo que pensam a seu respeito?

Diego Caroli Orcajo. Águas de Lindóia – SP.

[email protected]

História em quadrinho explica a rotina de quem lida com ansiedade e depressão

História em quadrinho explica a rotina de quem lida com ansiedade e depressão

Ansiedade e depressão são problemas que afetam diretamente e significativamente a vida das pessoas.

Os quadrinhos são o trabalho do artista Nick Seluk que resolveu ilustrar o depoimento que uma das suas leitoras, Sarah Flanigan, compartilhou com ela. O resultado ficou genial.

Confira!

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A depressão e a ansiedade são sérias,portanto é necessário que possamos dar maior atenção ao que perturba tantas pessoas.

Publicado originalmente em Bored Panda, traduzido por ‘Taedai?’

Por que pessoas sozinhas permanecem sozinhas?

Por que pessoas sozinhas permanecem sozinhas?

A solidão não é apenas algo que pode fazer alguém se sentir mal psicologicamente. De acordo com pesquisas, a solidão aumenta o risco de mortalidade de uma pessoa em até 26% – um risco comparável ao da obesidade.

Então faz sentido que a ciência se preocupe em investigar o que, exatamente, faz com que uma pessoa sozinha permaneça solitária. Existe algo que provoca esse comportamento? Uma teoria popular é que pessoas solitárias possuem um trato social menor e, por ficarem sozinhas, isso se transforma em uma bola de neve: as poucas habilidades sociais vão diminuindo.

Mas novas pesquisas indicam que esse não é o caso: na demonstração de conhecimentos sobre habilidades sociais e convivência, solitários tiveram notas maiores do que pessoas com a vida social agitada. Então não é uma falta de compreensão que impede os solitários de conviver bem em grupo. É que, durante situações em que o conhecimento deles sobre hábitos sociais precisa ser demonstrado, eles não conseguem colocá-lo em prática. Pense assim: eles entendem como agir em um grupo mas, quando estão no meio desse grupo, ficam nervosos e não agem.

Um novo estudo mostra, justamente, essa paralisia em situações sociais. Na pesquisa, publicada no periódico Personality and Social Psychology Bulletin, professores da faculdade Franklin & Marshall fizeram quatro pesquisas para demonstrar essa tendência. No primeiro, 86 estudantes preencheram formulários para que os cientistas tivessem uma noção de sua vida social.

Depois, os pesquisadores testaram as habilidades sociais deles mostrando a eles 24 faces em uma tela. Os voluntários deveriam listar quais eram as emoções mostradas em cada rosto: raiva, medo, felicidade ou tristeza. Normalmente os voluntários solitários tiravam as notas maiores. Mas aí entra a reviravolta: quando os cientistas explicavam que se tratava de um teste de habilidades sociais, os solitários tiravam as piores notas.

E o que é possível concluir disso? Estudos anteriores já haviam sugerido que os solitários são melhores em ler expressões faciais e decodificar tons de voz. Basicamente, eles prestam mais atenção nas outras pessoas por ansiar a conexão interpessoal. Mas eles ficam nervosos. Então, assim como um jogador habilidoso em frente a um pênalti decisivo, estar extremamente focado e sentir uma pressão interior enorme pode levar a um erro que eles saberiam evitar na teoria.

E é possível reduzir essa pressão? Nessa nova pesquisa, os cientistas acharam um atalho. Eles ofereceram aos estudantes solitários uma bebida energética e falaram que a ansiedade que eles estavam sentindo diante da experiência social era culpa da ingestão da cafeína. Em outras palavras, deram aos solitários algo em que colocar a culpa de sua ansiedade que não eles mesmos. E então as notas deles nos testes voltaram a subir, mesmo que eles soubessem que se tratava de um experimento social.

Caso você seja um solitário, pode ser extremamente difícil ‘se enganar’ e deixar de ficar nervoso ao tentar deixar uma boa pressão. Mas uma forma de tentar é a sugestão dessa pesquisa de Harvard: ao ‘transformar’ o nervosismo em empolgação, participantes foram capazes de realizar tranquilamente tarefas bizarras como cantar em público. Não é fácil ou automático, mas vale a tentativa.

Do original Science of Us, Via Galileu 

O dia em que a lealdade sufocou o perdão.

O dia em que a lealdade sufocou o perdão.

Houve um dia em que a coisa mais importante e necessária a fazer era perdoar. Era fechar o assunto e partir para outro, destruir diferenças, esquecer a mágoa e acordar e reviver o afeto.

Houve esse dia embora não lembremos cada um do seu, quando lançamos mão erradamente de uma virtude que, linda em sua essência, mas castradora quando mal interpretada.

Nesse dia o perdão gritou por socorro, mas a lealdade estava servindo a outros senhores, e o sufocou.

Nesse dia, a lealdade teve os mais variados comandos. Lealdade ao orgulho ferido; lealdade à vaidade cega; lealdade aos paradigmas, às relações de poder, aos interesses mesquinhos… lealdade à justiça de uma só via.

E, por fim, abateu o perdão.

Pobre lealdade,  sequer se deu conta do que fez. Foi usada como arma, como argumento, como escudo, como desculpa.

Quem de nós não viveu essa estorinha ao menos uma vez na vida? Pediu perdão e não obteve, pois alguém alegou lealdade às suas crenças e certezas? Ou, ouviu um pedido de perdão e negou, preferindo ser leal ao orgulho ressentido?

Lealdade não é para ser citada como parceira nem cúmplice. Lealdade é respeito e compromisso, mas não pode impedir um ato de reconciliação, de entendimento, de restabelecimento da paz.

Um gesto de perdão liberta ambas as partes, deixa fluir rios de mal entendidos e rancores. Um pedido de perdão entorta o mais rígido dos orgulhos, acerta diretamente o sujeito da ação, enche de coragem quem o faz. O perdão não pode e não deve se submeter a condições, deve ser concedido por vontade e generosidade.

Dentre as lealdades que carrego na vida, todos os dias digo a mim mesma: Na dúvida, escolha o que liberta, não o que te aprisiona. Seja leal à sua paz de espírito e não submeta ninguém aos seus padrões e julgamentos.

 

Pequeno dicionário de neologismos para sentimentos sem nome.

Pequeno dicionário de neologismos para sentimentos sem nome.

Quem nunca sentiu que faltam palavras para expressar um sentimento?

Quem nunca sentiu o peito cheio de vontades e emoções e não encontrouum verbo para nomear tudo aquilo?

 

Quem nunca se expressou amparando-se no silêncio, na linguagem dos olhos, das as mãos, nas entonações da respiração?

 

Quem nunca falou um texto todo dando voltas em frases e períodospara tentar descrever uma sensação, um sentimento que uma ou poucas palavras não davam conta de traduzir?

 

A linguagem humana, apesar de tão rica, às vezes é limitada para expressar, nomear ou definir.

 

A poesia e outras expressões artísticas tocam nesses espaços sem nome, nesses sentimentos sem verbete de dicionário, encontram e rompem conceitos cristalizados fazendo emergir significados ocultos por trás da dureza e da linearidade das palavras cotidianas. Acredito que por isso a poesia surpreende, desperta, instiga.

 

Nessa falta de nomes ideais para expressar sentimentos, sensações e experiências, alguns escritores criam neologismos que são expressões novas formadas no interior da língua. Palavras justapostas, aglutinadas, estrangeirismos, arcaísmos, onomatopeias entram na constituição desses vocábulos. Os professores de gramática e literatura sabem explicar tudo isso muito melhor que eu.

Mas, me amparando na liberdade poética, e pela vontade de nomear sentimentos que ainda não têm nomes (ou pelo menos eu desconheço), quis me aventurar na criação de alguns neologismo que definem o que já vi e senti.

Assim, compartilho aqui com vocês alguns verbetes do meu pequeno dicionário de neologismos para sentimentos sem nome. 

É no mínimo divertido!

Ao final, me digam se vocês também já tentaram expressar esses sentimentos. E, quem sabe, sugiram novos vocábulos ou sentimentos que ainda não têm nome.

Segue o dicionário:

 

Alucilúcido – sobriedade que surge num momento de loucura.

 

Besteirohoólic – pessoa viciada em falar besteira.

 

Dejamar – reencontrar alguém que não se conhecia.

 

Desbramimvar– descobrir um lado em si mesmo desconhecido.

 

Desexistir– desistir de existir em uma sentimento ou sensação.

 

Desprendicto–aquele que é apegado em ser desapegado.

 

Embatuamar–aquele sentimento mal cozido, emplastado que saiu errado e não caiu bem.

 

Estraninho– sentimento de estranheza em seu próprio ninho.

 

Familigeiro – pessoa que se sente familiar em um ambiente estrangeiro.

 

Felicinada – asensação de tristeza ou de vazio num momento de alegria.

 

Imagitalgia – aquela sensação de saudade de algo que nunca aconteceu, que apenas se imaginou.

 

Interceptamor – quando se interrompe um amorbem no auge do sentimento.

 

Ordinusitado – o inusitado que surge de ações ou sensações cotidianas.

 

Pathossídio– quando se assassina uma paixão dentro de si.

 

Polisolidão – é sentir a amplitude de ser num momento de solidão.

 

Risadoterapia – lavar a alma de tanto rir.

 

Sentimefação – quando sentimentos apodrecem de tão maduros.

 

Silenciser– necessidade de ficar em silêncio e apenas ser.

 

Subjetivometro – quando o olhar e o coração dão os pesos e as medidas a uma coisa ou pessoa.

 

Visionagem– A linguagem dos olhos

 

 

Estas foram algumas amostras desse meu pequeno dicionário. Espero que tenham se empatigostado! 😉

 

 

 

 

 

O cérebro de pessoas solitárias funciona de forma diferente

O cérebro de pessoas solitárias funciona de forma diferente

Recentemente, falamos sobre o espiral negativo pelo qual muitas pessoas solitárias passam. Em Por que pessoas sozinhas permanecem sozinhas? explicamos que, ao contrário do que muita gente pensa, os solitários não têm menos conhecimentos sobre habilidades de convívio social – é o nervosismo que os torna mais propensos a se comportar de forma diferente. As pessoas ficam isoladas e começam a temer experiências sociais, o que as impede de aproveitá-las.

Agora um artigo na Science of Us nos mostra que isso faz com que o cérebro dos solitários se comportem de forma diferente. Sem um grupo de apoio por trás de nós, entramos em um ‘modo de alerta’, ficando especialmente nervosos em relação a ameaças.

Estudos mostram que, quando pessoas solitárias assistem a uma cena de convívio social em vídeo, eles passam mais tempo do que a média procurando sinais de ameaça social – como pessoas isoladas no vídeo, ou sendo ignoradas. Ou seja, o cérebro delas capta mais rapidamente sinais de rejeição.

Uma pesquisa mais recente, feita pela Universidade de Chicago, revela de forma mais específica como solitários entram nesse modo de ‘alerta’. Os cientistas recrutaram 38 pessoas muito solitárias e 32 pessoas que não se sentiam sozinhas (vale ressaltar que a solidão não foi calculada pelo número de amigos e familiares de cada pessoa, mas pelo sentimento de isolamento). Sensores foram colocados nas cabeças dos participantes dos estudos, o que permitiu que suas ondas cerebrais fossem gravadas e a atividade cerebral quantificada.

Enquanto usavam os sensores, os voluntários deveriam olhar para várias palavras exibidas em uma tela e indicar, com um teclado, em que cores elas estavam escritas. A ideia era que os participantes não se concentrassem na palavra em si, mas sim nas cores. A influência que o significado da palavra tem é considerada automática e subconsciente.

Algumas das palavras exibidas eram consideradas positivas (pertencimento e festa), algumas negativas (sozinho ou solitário), outras eram emocionalmente positivas, mas não sociais (alegria) e outras eram emocionalmente negativas, mas também não sociais (tristeza).

Durante o primeiro quarto de segundo (280 milisegundos) depois de uma palavra ser mostrada, o cérebro de pessoas solitárias entrava em uma série de microestados que era idêntico mesmo se a palavra negativa era social ou não. Mas depois desse ponto o cérebro passava a reagir diferente com as palavras negativas sociais, com uma mudança de atividade em áreas envolvidas no controle, sugerindo qeu eles entravam em um modo vigilante. Já os não solitários permaneciam com os primeiros microestados durante 480 milisegundos. A diferença parece pequena, mas na prática significa que a mente das pessoas solitárias está treinada para captar ameaças sociais mais rápido do que o ‘normal’.

Pesquisadores afirmam que, pela resposta diferenciada ser tão rápida, solitários não estão conscientes dela. Afinal, em teoria, os voluntários não deveriam nem estar prestando atenção no significado da palavra.

E isso é preocupante – afinal, significa que os solitários estão mais ligados em emoções negativas do que nas positivas, o que pode fazer um sentido evolutivo (já que nossos ancestrais pré-históricos precisavam ficar mais alertas ao estarem sozinhos), mas não é benéfico atualmente. Afinal, contribui para o ciclo de negatividade do qual falamos lá em cima – e pode explicar o motivo pelo qual os solitários têm mais problemas de saúde e vidas mais curtas.

Do original Science of Us, via Galileu

Encontrado em Equilíbrio em Vida

Milhões de mulheres ignoram estes sintomas de distúrbio da tireoide. Você conhece os sinais?

Milhões de mulheres ignoram estes sintomas de distúrbio da tireoide. Você conhece os sinais?

A tireoide é uma pequena glândula localizada no pescoço de homens e mulheres.

Tem o formato de uma borboleta e é responsável por um monte de coisas em nosso corpo: metabolismo, temperatura e batimentos cardíacos.

Este órgão importantíssimo produz um hormônio, o TH, e qualquer desequilíbrio na produção dele pode causar uma verdadeira bagunça em nosso organismo – assim como provocar doenças.

Com a correria do dia-a-dia, nós mulheres tendemos a ignorar os sinais que nosso corpo nos manda.

Pode ser apenas cansaço, ou uma alergia… Mas pode não ser.

Portanto, fique atenta aos sintomas abaixo e procure um médico. Uma tireoide saudável proporciona uma melhora incrível na qualidade de vida!

Mas como é a tireoide?

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Ela é esse órgão vermelho representado na figura acima. Quando a tireoide produz muito hormônio, diz-se que a pessoa tem hipertireoidismo ; quando produz pouco hormônio, é o hipotireoidismo.

Sintoma 1 – Tristeza ou Depressão

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Seja trabalhando demais – ou de menos, a tireoide afeta o humor quando não funciona adequadamente. Pouco hormônio da tireoide afeta os níveis de serotonina – um outro hormônio responsável pelo nosso humor. Nesse caso, a pessoa se sente repentinamente triste ou deprimida.

Por outro lado, muito TH pode causar ansiedade, inquietação e irritabilidade.

Sintoma 2 – Constipação

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Se seu intestino ficou preguiçoso e nada que você tenha tentado resolveu, pode ser a tireoide. Na verdade, segundo os médicos, este é um dos sintomas mais comuns.

Sintoma 3 – Dormir demais

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Se sair da cama parece impossível e você se sente como uma tartaruga durante todo o dia, ir ao médico pode ser uma boa ideia. A culpa, provavelmente, é de uma tireoide preguiçosa.

Sintoma 4 – Pele seca e queda de cabelo

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Pele seca mesmo no verão? Cabelos caindo e unhas quebradiças? Mais uma vez, a tireoide preguiçosa pode ser a culpada. Neste caso, o metabolismo fica mais lento alterando a hidratação natural do corpo e interrompendo o ciclo de crescimento dos cabelos.

Sintoma 5 – Ganho repentino de peso

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Aumento de peso muito repentino, sem mudanças na alimentação e mesmo praticando exercícios pode ser motivo de preocupação.

Sintoma 6 – Queda no desejo sexual

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Pouco hormônio da tireoide no organismo significa pouco desejo sexual. Isso, associado aos outros sintomas citados também podem causar a queda da libido.

Sintoma 7 – Dor muscular e fisgadas

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Dores durante um novo exercício físico, por exemplo, são normais. Mas se você sente dor muscular repentina e “fisgadas” nos músculos sem motivo aparente, pode ser a tireoide preguiçosa atacando novamente. A falta do TH afeta os nervos que enviam os sinais de dor para o cérebro.

Sintoma 8 – Palpitações no coração

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Sabe aquela sensação de que o coração “pula” batidas? É disso que estamos falando. Dá inclusive para perceber medindo o pulso em pontos diferentes do corpo. É o excesso de hormônio da tireoide correndo nas veias.

Sintoma 9 – Confusão mental

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Falta de concentração repentina, lentidão para pensar, esquecimentos… não é apenas a idade que causa esses sintomas. Pode ser tireoide também, principalmente se os sintomas surgem repentinamente.

Sintoma 10 – Pressão alta

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Pressão alta e nenhum remédio parece resolver, mesmo com alimentação saudável e exercícios? Peça a seu médico para examinar a tireoide. Quando a glândula trabalha pouco, os níveis do mau colesterol no sangue sobem, podendo elevar a pressão sanguínea.

Sintoma 11 – Aumento de apetite e mudança nos gostos alimentares

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A comida mudou de gosto de repente? Pode ser tireoide preguiçosa. Por outro lado, o hipertireoidismo causa aumento de apetite – e não importa o quanto você coma, não há ganho de peso. E você não consegue parar de comer. Pode ser o sonho de muita gente comer sem engordar, mas nesse caso, é bom procurar um médico.

Sintoma 12 – Desconforto no pescoço e garganta

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Como a tireoide fica no pescoço, dor nessa região pode significar problemas com a glândula. Mudanças no tom de voz e até bócio podem ter sua causa na tireoide.

Examine seu pescoço em busca de qualquer alteração ou inchaço no pescoço. Experimente jogar a cabeça para trás e engolir um gole de água enquanto põe a mão no pescoço: se você sentir alguma saliência ou inchaço, procure o médico.

Prestar atenção ao seu próprio corpo é fundamental para uma vida saudável!

Do original: littlethings.com.

Fonte indicada: Awebic

5 coisas que deveríamos aprender na escola

5 coisas que deveríamos aprender na escola

Por  MARK MANSON

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(Tradução autorizada do artigo original, escrito por Mark Manson em seu site. Se você quer acompanhar os novos artigos em língua inglesa, clique aqui e assine a newsletter de Mark)

Sejamos honestos: nosso sistema educacional é uma m*.

Por exemplo, tudo o que aprendi de importante em História, durante o ensino médio, posso achar na Wikipedia e aprender em algumas semanas apenas. E muito do conhecimento científico básico que você sempre quis ter é explicado de um jeito incrível em vídeos no Youtube. E, para coroar tudo isso, você tem o mercado de trabalho mais instável dos últimos cem anos, uma tecnologia que se desenvolve tão rapidamente que metade do trabalho será feito por robôs na próxima década, disciplinas escolares que alguns dizem ser agora totalmente inúteis e novas formas de produzir são inventadas praticamente a cada seis meses.

E ainda assim estamos empurrando para as crianças o mesmo currículo escolar que nossos avós tiveram.

É um clichê dizer neste momento que as coisas mais importantes que você aprende na vida não são ensinadas na escola. Mas sei disso por minha vida, porque as coisas mais importantes eu tive de aprender por mim mesmo e enquanto adulto.

Mas por que essas coisas não podem ser ensinadas na escola? Pense bem, se eu tive que gastar seis meses da minha vida aprendendo coisas sobre Frei Caneca e Pintores Renascentistas, por que eu não posso gastar seis meses aprendendo como poupar para a aposentadoria e o que é consentimento sexual? Por que ninguém me disse que, quando eu virasse adulto, uma grande parte do mercado de trabalho seria afetada pela tecnologia ou seria terceirizada para os asiáticos?

Pode me chamar de amargo. Ou talvez de mais um dessa nova geração de descontentes. Mas, sério, onde estavam essas disciplinas na grade curricular? Sabe, essas disciplinas sobre coisas que você realmente precisa saber? [1]

Claro, quando eu dominar o mundo (o que vai rolar um dia desses aí, só estou esperando umas ligações), a gente não vai ter esse tipo de problema. Eu vou elaborar uma grade curricular que inclua o mais perfeito conhecimento sobre a vida, para ser transmitido a toda a população. E vocês todos vão me agradecer e prestar tributos em leite e mel e virgens sensuais e talvez mesmo sacrifiquem uma cabra ou duas em meu nome (desculpa, veganos).

Mas, antes que eu me deixe levar pela fantasia, vamos ser diretos. Quais são as disciplinas que deveríamos ter no ensino médio, mas não temos? Essas são as cinco mais importantes para mim.

1. FINANÇAS PESSOAIS

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O currículo incluiria: cartões de crédito e taxas de juro e investimentos e aposentadoria e que eu deveria investir uns duzentos a partir dos 18 anos pois quando chegasse aos 50 seria tipo um biliomilhardário.

Sério gente, os juros compostos dominam a merda do planeta inteiro. Então como é que eu não sabia nada disso até meus 24?

Por que é importante: porque 43% por cento das famílias brasileiras estão endividadas; porque 7 entre cada 10 pessoas não tem o hábito de guardar dinheiro; porque esse vídeo existe:

Nota: se você escolheria a barra de chocolate ao invés da barra de prata, e não entende como essa é uma péssima decisão, encontre-me nas notas de rodapé. Precisamos conversar, agora. [2]

Se administrar seu próprio dinheiro fosse uma escola, a maioria da população estaria conduzindo o ônibus escolar ao invés de ir às aulas, e dirigindo mal, e desistindo completamente de até fazer isso.

A ignorância na gestão financeira tornou-se atualmente um enorme problema. Pois se você tem uma sociedade cheia de pessoas comprando um monte de porcarias pelas quais não podem pagar, aposentando-se sem poupança e adoecendo sem conseguir pagar um bom plano de saúde – bem, isso ferra a todos de uma forma extraordinária, como está ferrando neste exato momento.

2. RELACIONAMENTOS

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O currículo incluiria: como expressar sentimentos sem culpa ou julgamentos recíprocos; como identificar um comportamento manipulador e livrar-se dele; como estabelecer limites e evitar comportamentos abusivos; como ter conversas honestas sobre sexualidade e como ela está relacionada (ou não) com o amor; como mergulhar em um relacionamento e como isso é vivenciado diferentemente para mulheres e homens. Basicamente tudo aquilo que a maioria aprende apenas depois de passar por uma boa sequência de dolorosos fins de relacionamentos.

Por que é importante?: porque quando você está na cama morrendo de câncer em estado terminal, você não vai estar pensando em como Napoleão subestimou a Rússia ou como a Restauração Meiji mudou completamente a geopolítica na Ásia ou como as regras da química orgânica estão fazendo seu corpo envelhecer.

Você estará pensando naqueles que amou em sua vida e naqueles que perdeu.

Muitas coisas constroem uma vida feliz, mas poucas têm tanta influência e impacto na felicidade quanto os nossos relacionamentos [3]. Aprender a como não tropeçar neles feito um bêbado desastrado e exercitar algum controle consciente na forma como transmitimos nossas emoções e criamos intimidade é possivelmente a habilidade mais transformadora de uma vida humana.

Pois não estamos falando o suficiente sobre como se casar e manter uma vida sexual excitante. Trata-se de falar sobre relacionamentos com R maiúsculo: como ser um bom amigo, como não tratar a sua família como se fosse merda de cachorro, como lidar com conflitos no trabalho, como assumir a responsabilidade por suas emoções e problemas e neuroses sem arrastar o resto do mundo fossa abaixo junto com você.

Como humanos, somos animais fundamentalmente sociais. Não existimos no vácuo, não conseguimos. Nossos laços sociais são tecido com o qual confeccionamos nossa vida. A questão é: esse tecido é uma ceda suave ou um poliéster ordinário?

3. LÓGICA E ARGUMENTAÇÃO

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O currículo incluiria: esta pergunta:

“Se todos os que dirigem caminhões são caminhoneiros, e todos os caminhoneiros são motoristas, então todos os motoristas dirigem caminhões?”

A resposta, claro, é “Falso”. [4]

Questões como essa sempre são chatas quando aparecem em testes padronizados. Mas nossa habilidade de resolvê-las tem uma grande repercussão em nossas crenças e em como conduzimos nossas vidas. Por exemplo, seguindo a mesma progressão lógica equivocada que apresentamos acima, temos as seguintes conclusões:

“Cíntia cria conflitos no ambiente de trabalho. Cíntia é uma mulher. Portanto mulheres criam conflitos no trabalho”. [5]

ou

“A maioria dos criminosos é pobre. A maioria dos pobres ganha bolsa família. Logo a maior parte do bolsa família é recebida por criminosos.”

Essas afirmações são falsas, e ainda assim você vê gente afirmando coisas do tipo como se fossem fatos ou apresentando-as em discussões como se fossem argumentos válidos, de modo que se tornam o fundamento de vieses de raciocínio e preconceitos de muita gente.

Dia desses eu li aquele que é possivelmente o artigo mais idiota que vi em meses. Ele tentava fundamentar que a objetificação das mulheres é errada, mas a objetificação sexual dos homens não. Por quê? Porque os homens não são estuprados tão frequentemente quanto as mulheres. Isso é o queijo suíço dos buracos lógicos e das falácias.

Por que é importante? A questão é que somos vítimas dessas falácias lógicas o tempo todo. E, em geral, de modos sutis que passam desapercebidos por nós. E frequentemente essas falácias dizem respeito a decisões importantes e a crenças que têm consequências marcantes em nossas vidas. Elas são manipuladas em campanhas eleitorais (X é bom em fazer dinheiro; o governo precisa de dinheiro; portanto X será bom para o governo), temas relativos a direitos civis, decisões morais e éticas (José mentiu para mim, portanto tenho direito de mentir para José), conflitos pessoais e por aí vai.

Essas falácias lógicas infiltram nossas vidas fazendo com que tomemos decisões estúpidas. E são decisões estúpidas sobre nossa saúde, nossos relacionamentos, nossa carreira e basicamente sobre tudo o mais.

O problema é que na escola raramente aprendemos como pensar direito ou resolver problemas adequadamente. Ao invés disso, aprendemos a como copiar ou memorizar as coisas – e logo depois esquecemos tudo [9]. Isso mal nos prepara para a complexidade da vida adulta, principalmente para a vida adulta do século 21, que é incrivelmente complexa. Eu suspeito que talvez o retrocesso intelectual que estamos atualmente vendo nos movimentos religiosos fundamentalistas e em outras manifestações intelectualmente miseráveis vêm dessa completa falta de preparo para o complicado mundo pós-moderno.

4. AUTOCONSCIÊNCIA

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O currículo incluiria: sei o que você está pensando agora: “como você espera ensinar a autoconsciência?” Mas sério, gente, isso pode ser ensinado e praticado como qualquer outra coisa [6].

Autoconsciência é a habilidade de pensar sobre as coisas que você pensa. É a capacidade de ter sentimentos sobre seus sentimentos. Ter opiniões sobre as suas opiniões.

Por exemplo, eu posso pensar algo como “Odeio todas as pessoas chamadas Antônio, pessoas chamada antônio são más”. Esse é um clássico exemplo de intolerância, uma simples canalização de ódio orientada por um estereótipo superficial. E se você não tem autoconsciência, você vai levar esse preconceito a sério.

Mas se alguém é autoconsciente, essa pessoa irá capturar esse pensamento e questioná-lo. “Por que odeio pessoas que se chamam Antônio? Talvez porque meu ex-namorado tinha esse nome? Talvez porque meu pai se chame Antônio? Estou talvez direcionando meu ódio pelos Antônios da minha vida para todos os Antônios do mundo? Eu fico envergonhada de como sou enraivecida. Eu devia procurar um psicólogo.”

Isso sou eu pensando sobre meus pensamentos. Sou eu tendo sentimentos sobre meus sentimentos. Sou eu tendo opiniões sobre minhas opiniões. Isso é autoconsciência. E a maior parte das pessoas passa a maior parte de suas vidas com muito pouca autoconsciência.

Mas isso pode ser ensinado, como tudo o mais, por meio da prática. Basicamente tudo que exige que você pense sobre aquilo que está pensando estimula o desenvolvimento da autoconsciência. Isso pode ser feito através da meditação, da terapia, de um diário ou apenas tendo ao seu lado alguém muito íntimo que aponte seus vieses e preconceitos com consistência.

Por que é importante: pesquisas demonstram que um elevado grau de autoconsciência traz benefícios, bem, para quase todos os aspectos das nossas vidas. Pessoas que desenvolvem habilidades metacognitivas planejam melhor, são mais disciplinadas, mais focadas, mais atentas às suas emoções, são melhores tomadoras de decisões e mais capazes de antecipar problemas em potencial [7].

Em tudo o que fazemos na vida, só tem uma coisa que fica conosco do início ao fim: nossa mente. Ela é o grande filtro. Tudo o que fazemos e tudo o que acontece conosco é filtrado pela nossa mente e pelos nossos pensamentos. Portanto, precisamos investir tempo e energia para compreendermos ao máximo como funciona a nossa mente, pois isso afeta tudo o mais.

Talvez você seja precipitado em se irritar ou julgar as pessoas. Talvez você seja despreocupado demais com as coisas. Talvez você sofra de ansiedade de tantas formas que isso esteja atrasando a sua vida. Talvez você seja impulsivo e um especialista em se autorrecriminar.

Seja o que for, precisamos identificar nossas tendências e daí aprender como monitorá-las, para a seguir controlá-las.

5. CETICISMO

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O Currículo incluiria: porque quase tudo em que acreditamos está provavelmente errado de uma ou outra forma; porque nossas memórias não são confiáveis; como áreas tão aparentemente sólidas quanto matemática e física estão cheias de incertezas [8]; como somos péssimos juízes sobre o que nos fez felizes/infelizes no passado e o que nos fará felizes/infelizes no futuro [9]; como os eventos mais importantes na história sempre são aqueles menos previsíveis [10]; como são as convicções e a rigidez nas crenças que nos conduzem à violência, e não ao oposto[11]; como muito do que nos é transmitido como suposto conhecimento científico hoje é baseado em pesquisas que repetidamente falharam ou foram incapazes de ser repetidas [12]; e por aí vai.

Por que é importante: muitas das coisas boas da vida surgem da falta de certeza ou do estado de desconhecimento. A incerteza é o que nos leva a ser curiosos, a aprender, a testar novas ideias, a comunicar nossas intenções aos outros. É o que nos mantém humildes. A incerteza nos ajuda a aceitar o que quer que nos ocorra. Ela nos permite enxergar os outros sem julgamentos injustos e precipitados. Muito do que é ruim na vida vem de certezas: complacência, arrogância, fanatismo e preconceitos. As pessoas não se reúnem e criam cultos religiosos e depois tomam veneno num sacrifício coletivo porque têm incertezas sobre a vida. Elas fazem isso porque têm certezas. As pessoas não caem em depressão, falam obsessivamente de seus exes ou entram em uma escola dando tiros porque têm incertezas a respeito de si mesmas – elas estão certas em relação às suas crenças.

Elas estão convictas cobre uma crença que, como quase todas as outras crenças, está provavelmente errada.

O ceticismo cultiva a habilidade de abrir-se a alternativas, de conter o julgamento, de questionar e desafiar a si mesmo a tornar-se uma pessoa melhor.

Você não tem certeza se a sua colega odeia você ou não. Você na verdade não sabe se seu chefe é mesmo um idiota ou só muito incompetente em se comunicar. Talvez a esposa dele tenha câncer ou algo assim, e ele fique chorando a noite toda sem dormir. Talvez você é que seja o idiota mas não se dá conta disso.

Você não sabe na verdade se o casamento gay irá arruinar a família tradicional, ou se mulheres e homens são mesmo tão diferentes assim. Você não tem certeza se esse novo emprego fará você mesmo feliz, se o casamento irá resolver os problemas de seu namoro (espero que não) ou se seu filho merece ou não aquelas notas boas (ele pode estar colando).

A vida é feita de incertezas. Nossas certezas são apenas estratégias para evitar a insegurança da vida, para evitar que nos adaptemos e sigamos o fluxo das mudanças. A educação e o aprendizado não terminam quando fechamos os livros e os diplomas são entregues. O aprendizado só termina quando a vida termina.

Notas:

1. Sempre que critico o sistema educacional recebo emails de professores irritados. Só quero deixar claro que não estou criticando os professores ou o trabalho que fazem. Há excelentes professores e há péssimos professores. Mas ambos submergem no mesmo sistema ineficiente. E estou certo de que muitos deles estão tão incomodados com esse currículo antiquado como nós estamos.

2. Olá. Deixe-me adivinhar: você está com problemas com dinheiro neste momento? Tem muitas TVs de tela plana cujas prestações estão difíceis de pagar? Tem um carro que não é para seu bolso, mas você não consegue abdicar dele? Bom, a boa notícia é que as coisas podem melhorar. As más notícias é que você é um péssimo administrador do seu dinheiro. Não é algo legal. Você não sabe o quanto vale uma parra de prata de dez onças, certo? Ok, veja, eu não vou te zoar. Você precisa de ajuda, por isso procure alguns bons livros de gestão financeira pessoal, faça um favor a si mesmo.

3. Vaillant, G. E. (2012). Triumphs of Experience: The Men of the Harvard Grant Study. Cambridge, Mass: Belknap Press.

4. A forma como abordamos essas questões lógicas é sempre substituí-las por algo mais tangível, com: “Todos os Esquimós são canadenses. Todos os canadenses são norte-americanos. Portanto todos os norte-americanos são esquimós”. Um percentual surpreendentemente grande de estudantes erram essa questão.

5. Adoro esse exemplo porque ele pode ser interpretado tanto como misógeno como misândrico. Um machista diria “sim, Cíntia começa todos os conflitos porque é mulher”. Feministas radicais diriam “Sim, os homens brigam com a Cíntia porque ela é uma mulher”. Ambas as conclusões são logicamente incorretas (e preconceituosas).

6. Em jargão psicológico, autoconsciência é chamado de metacognição.
7. Schraw, G. (1998). Promoting general metacognitive awareness. Instructional Science, 26(1-2), 113–125.
8. O Teorema da Incompletude de Godel mostra que há limitações inerentes em qualquer sistema axiomático da matemática. O Princípio da Incerteza mostra que, em nível subatômico, a localização e a velocidade não podem ser medidas com precisão ao mesmo tempo.
9. Leia Stumbling On Happiness, de Daniel Gilbert.
10. Leia The Black Swan de Nassim Taleb.
11. Leia Evil: Inside Human Violence and Cruelty de Roy Baumeister.

12. The New Yorker. The Truth Wears Off

 

Sobre o autor

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Sou autor, blogueiro e intérprete. Escrevo conselhos de vida pouco convencionais. Pense nisso como uma auto-ajuda para pessoas que odeiam auto-ajuda. Encontro felicidade na luta. Conquisto o medo através da rendição. Tenho mais possuindo menos. Alguns dizem que sou idiota. Outros dizem que salvei suas vidas. Leia e decida por si mesmo.

10 esculturas que despertarão seu desejo de viajar

10 esculturas que despertarão seu desejo de viajar

As esculturas são uma expressão de arte que faz com que pessoas de todas as idades se identifiquem e busquem saber mais sobre elas.

Algumas delas, no entanto, são tão diferentes que despertam diversas sensações no espectadores: alegria, surpresa, até aflição em certos momentos.

Assim, confira algumas das esculturas mais diferentes espalhadas pelo mundo:

1- Três Pescadores, de Christina Motta

Flickr/ Carlos Morel
Além das belezas naturais e do Cristo Rendentor, o Rio de Janeiro abriga uma das esculturas mais originais do mundo. Chamada de “Três Pescadores”, a obra foi produzida em bronze pela artista Christina Motta. Localizada na cidade de Búzios, é possível ver três homens puxando à rede de pesca à beira do mar da Praia da Armação. Os visitantes mais distraídos podem facilmente confundi-la com trabalhadores, já que a escultura foi produzida em tamanho real e chama muita atenção de todos que passam.

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2- Expansão, de Paige Bradley

Site da artista 

Segundo a artista americana, a escultura foi resultado de um grande acidente: havia criado a mulher meditanto em cera, mas deixou-a cair no chão, provocando rachaduras na peça. Após momentos de raiva consigo mesma, começou a pensar em alternativas para recuperá-la. O resultado foi a versão final que pode ser vista, produzida em bronze e com uma fonte de eletricidade para que fique iluminada em seu interior.

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3- Manneken Pis, de François Duquesnoy

Flickr/ Ludovic Hirlimann

A irreverência da escultura do garotinho fazendo xixi em praça pública atrai muitos turistas da cidade de Bruxelas, na Bélgica. Datada de 1619, dizem que a obra foi criada em homenagem a um menino que supostamente apagou um incêndio com seu xixi. No entanto, a história não é comprovada e é transmitida apenas como uma lenda local. O Manneken Pis também espalhou sua influência para o Brasil: o “Manequinho”, estátua localizada em frente ao Clube Botafogo de Futebol e Regatas (Rio de Janeiro), foi inspirado no garotinho belga.

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4- Horizons, de Neil Dawson

Flickr/ Robin Capper

Com a influência dos desenhos animados na vida das crianças, por que não criar uma escultura que se parece com um cartoon? O artista neozelandês tem o talento de fazer com que a mente humana se confunda ao analisar a obra, já que se parece muito com um desenho animado. “Horizons” fica localizada no parque Gibbs Farm, um parque privado de arte localizado na Nova Zelândia.

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5- Pessoas do Rio, de Fag Cheon Chong

Flickr/ Migrating bird

A Singapura é berço de outra escultura inusitada. Cinco meninos de bronze se divertem na beira do Singapore River, transmitindo grande alegria para os visitantes que apreciam a obra de Fag Cheon Chong. Fica localizada próxima à Ponte Cavenagh, ponto turístico da região.

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6- Crazygirls, do Riviera Hotel & Casino

Flickr/ Britt

Entrando no espírito do “que acontece em Vegas, fica em Vegas”, o hotel e cassino Riveira, localizado na Las Vegas Boulevard, tem logo em sua fachada uma escultura capaz de prender a atenção de todos: sete mulheres abraçadas viradas de costas para os visitantes, nomeadas de “Crazy Girls”. A maior parte dos turistas de diverte ao tirar fotos como se fosse parte do grupo de meninas. E você, ficou com vontade de marcar sua viagem e ter um retrato ao lado delas?

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7- Les Voyageurs, de Bruno Catalano

Flickr/ Jeanne Menj

Além da encantadora Torrer Eiffel e o Arco do Triunfo, a França abrigou uma série de esculturas incríveis, feitas em bronze pelo artista francês Bruno Catalano. Várias esculturas inusitadas foram expostas na cidade de Marselha.

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8- O Homem Pendurado, de David Cerny

Flickr/ Jakub Holecek

Passados os momentos de sustos ao ver um homem pendurado no topo de uma casa olhando para baixo percebe-se que a obra de bronze representa o psicanalista Sigmund Freud. Criada em 1996, a escultura de Cerny está situada na República Tcheca e representa o famoso austríaco observando os transeuntes da rua.

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9- Freedom, de Zenos Frudakis

Site do artista

A escultura fica localizada na cidade de Filadélfia, foi criada pelo artista Zenos Frudakis e se tornou um ponto turístico na cidade. Produzida em bronze, tem homens em tamanho real, que representam a liberdade.

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10- Rubberneck, de Viktor Hulík

Flickr/ Harold Stern
Todos os passantes da esquina da rua Panská com a rua Rybárska deparam-se com um operário de bronze, observando as pessoas que passam. Como está localizada no centro histórico de Bratislava, Eslováquia, tornou-se um ponto turístico, no qual diversas pessoas param para tirar fotos. A placa “man at work” (homem trabalhando, em português), explicita o momento em que ele está.

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Ficou com vontade de arrumar as malas para conhecer qual desses locais?

Fonte indicada: Universia

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