Evitando acidentes com animais durante a queima de fogos do Natal e Réveillon

Evitando acidentes com animais durante a queima de fogos do Natal e Réveillon

Por Feliciano Filho

A tradicional queima de fogos do Natal e Réveillon , que para os humanos é um momento de felicidade e descontração, pode trazer riscos aos animais domésticos. Por isso, é preciso que as famílias estejam atentas à sua sensibilidade em relação aos estouros provocados pelos fogos de artifício.

Por terem uma audição extremamente aguçada, é comum apresentarem um comportamento agitado e sinais de pânico. Existe a possibilidade de fugirem, se perderem e/ou serem atropelados. Há, ainda, riscos como de enforcamento com a própria coleira, acidentes em janelas e portas, quedas de locais altos, como varandas de apartamentos, sem contar o perigo de queimaduras. Alguns animais apresentam até convulsões, sendo os cães os mais sensíveis da lista. Todos esses fatores podem levar o animal a óbito – por isso a atenção nesse período deve ser redobrada.

“Quem cuida de animais, principalmente os que vivem em locais urbanos, deve prestar muita atenção. Quando em pânico, o animal se sente desorientado e tende a correr sem destino. Em datas comemorativas, é difícil encontrar atendimento emergencial disponível caso haja acidentes”, aponta o ativista em proteção animal, Feliciano Filho. “Por isso, cuidados extras são indispensáveis nesses dias. Uma providência importante é colocar dados de contato na coleira do animal, para que possa ser encaminhado à sua família, caso fuja. Se possível, colocar mais de um número de telefone, para agilizar a localização do responsável.”

Para evitar o sofrimento dos animais, Feliciano aponta alguns cuidados que irão garantir sua segurança e bem-estar:

• Acomodar os animais em ambientes em que já estejam acostumados, para que se sintam em segurança

• Fechar portas e janelas

• Verificar se os abrigos dos animais estão bem fechados

• Evitar muitos animais em um mesmo abrigo, especialmente cães, para que não haja brigas

• Uma boa dica é acostumar aos poucos os animais ao barulho, levando-os para perto da TV ou do rádio e ir aumentando o som devagar. Assim, ele não será surpreendido de forma inesperada com o barulho dos fogos

• Evitar deixá-los amarrados para não provocar enforcamento

• Em casos extremos, alguns veterinários indicam o uso de tampões de algodão nos ouvidos. Nesse caso, é preciso atenção ao tamanho desses tampões, para que não entrem no duto auditivo do animal

• E, o mais importante: nunca medicar o animal sem orientação do veterinário

Fonte indicada: Epoch Times

Conheçam também essa dica!!! Truque do pano: proteja o cachorro do barulho feito pelos fogos de artifício

A moça no vídeo poderia ter sido eu.

A moça no vídeo poderia ter sido eu.

O marido chega em casa e diz para a esposa:

-Acho que as mulheres precisam se preservar mais sabe! Olha esse vídeo.

Antes de ver o vídeo ela o fuzilou com os olhos. Nunca lhe desceu pela goela esse papo de preservação. O que precisa ser preservado é o meio ambiente!

Ela ia começar o discurso quando ele se aproximou o mostrou-lhe o vídeo. Duas mulheres caminhavam pelo parque da cidade. Uma delas vestia uma calça de ginástica branca e uma blusa colorida. A calça estava colada no corpo – como são praticamente todas as calças que nós mulheres usamos quando fazemos qualquer atividade física – e dava para ver que o bumbum dela era bonito.

O vídeo foi filmado por um homem que caminhava logo atrás delas. Chegou ao casal porque o cinegrafista amador compartilhou o mesmo para um grupo de amigos do What´s app, provavelmente porque gostou dos glúteos dela.

A única coisa que a esposa disse ao marido quando terminou de assistir ao vídeo foi:

-Poderia ter sido eu! Eu tenho muitas dessas calças e também caminho no parque. Você já pensou que poderia ter sido eu a acusada de não me preservar? Eu também tenho bumbum bonito, porém não autorizaria que o filmasse. O que esse homem fez é crime. Ele a filmou e compartilhou o vídeo sem o consentimento dela.

A conversa entre o casal terminou ali. Contra fatos não existem argumentos.

A verdade é que mais da metade dos vídeos compartilhados nos grupos masculinos não têm a autorização de suas protagonistas. Os razões mais comuns para que um vídeo com conteúdo sexual seja compartilhado são: a vingança e falta de caráter. Homens costumam se vingar de ex-parceiras exibindo-as em momentos sexuais. Mulheres traídas são algozes das mulheres expondo o que encontraram no aparelho celular dos maridos ou namorados. Homens sem caráter algum; machistas e inseguros em sua sexualidade compartilham vídeos que faziam parte do que acontecia “entre quatro paredes” ou de mulheres desejáveis talvez porque nunca as terão como parceiras sexuais.

Todos nós sabemos que muitas mulheres ganham a vida de prostituindo e a internet tem sido um bom meio de divulgarem seu trabalho. Nada contra. Estão mostrando seus corpos e consentindo que seus vídeos e fotos se disseminem feito vírus nos aparelhos celulares dos homens. O crime acontece quando a filmagem e/ou compartilhamento são feitos sem consentimento. Não importam as razões, é crime. E se você ainda tem dúvida sobre isso é só se lembrar do compartilhamento desenfreado das fotos do corpo do cantor Cristiano durante a preparação para o funeral.

O machismo é como pele para muitos homens e, na maioria das vezes, porque eles são inseguros e mal resolvidos em sua vida sexual. As vistas grossas feitas pela sociedade às atitudes assim é nociva a todos nós. Não somos nós mulheres que temos que nos preservar e usar talvez um calção de futebol masculino ou uma burca para caminharmos nos parque sem sermos filmadas. São vocês homens que tem que nos respeitar e entender que ao usarmos um biquino ou uma roupa de ginástica, não estamos lhes autorizando a nos filmar e nem tampouco a compartilhar o vídeo.

O que fazemos na cama e com quem fazemos é problema nosso. Escolhemos os nossos parceiros assim como vocês e temos direito ao mesmo respeito. O fato de uma mulher caminhar pelo parque usando calça de ginástica não significa que ela não está se preservando nem deixando de se dar ao respeito.

As burcas são utilizadas por mulheres muçulmanas. Acredito que nos dias de hoje eu não precise promover a reflexão sobre isso. A maldade e a malícia estão nos olhos de quem vê. Se você ainda não se convenceu, lembre-se que poderia ter sido eu ou que poderia ter sido a sua filha.

Em um mundo cujas relações estão sendo tão movidas por Tinder, Snapchat e nudes, se eu puder deixar um pedido a vocês mulheres eu deixo estes: Se relacionem com confiança. Criem vínculos. Lembrem-se de que sexo é algo muito bom quando se pode relaxar por estar segura de que aquela foto ou aquela performance vai ficar entra as boas e velhas quatro paredes.

Psicanálise para iniciantes e curiosos

Psicanálise para iniciantes e curiosos

A Majestade: O Divã

O Divã em psicoterapia, na maioria das vezes, representa um objeto de muito medo ao paciente que está iniciando o processo de psicanálise e, outras vezes, é fonte de curiosidade. Para que serve  o divã em psicanálise?

Esse artigo despretensioso tem como  objetivo: explicar aos curiosos, desmitificar e ao mesmo tempo enaltecer esse instrumento de trabalho tão precioso para alguns psicanalistas como é o estetoscópio é para o médico.

A Invenção: O divã foi introduzido por Freud no tratamento psicanalítico depois que abandonou o uso da hipnose, pois observou  que muitos de seus pacientes não se deixavam hipnotizar e a “cura” dos sintomas da histeria era temporário.

E desde então, Freud passou a utilizar a Associação Livre. Esse método consiste que o paciente deite-se no divã e relate ao analista tudo e qualquer coisa que lhe passe a mente. Pode ser conteúdos atuais e corriqueiros, pensamentos, emoções e lembranças.

O Objetivo: O divã tem uma dupla função, uma se refere ao analisando, pois ao se deitar, coloca-se numa posição de recolhimento, sem olhar para a figura do psicanalista, possibilitando assim, um contato maior consigo mesmo, facilitando as lembranças, sentimentos e emoções.

Dessa forma, consegue recordar suas vivências e queixas sem o olhar do analista, e consegue estar seguro para fazer suas livres associações, esse é o material trabalhado em psicanálise.

O segundo objetivo, está ligado ao analista que é mantê-lo protegido dos olhares curiosos de seus pacientes. O analista deve ser neutro e aberto a escutar qualquer conteúdo, portanto, se o profissional  tiver a preocupação de vigiar suas expressões faciais e a postura o todo o tempo do atendimento, impede de concentrar-se totalmente nas palavras que cada paciente traz e o que essas palavras provocam no analista.

Modo de usar:  A poltrona do analista deve estar sempre atrás do divã, ou seja, os olhares do paciente e do analista não se encontram. Esse posicionamento, permite que o analisando tenha uma experiência incomum, pois não enxerga seu interlocutor e concentra-se profundamente em seus processos mentais. E permite que o analista sinta-se livre para absorver o conteúdo de cada paciente que está em atendimento.

O paciente só vai para o divã depois das entrevistas iniciais, pois é depois dessa avaliação que se define a demanda do paciente e como será conduzido o processo analítico. Sendo assim, o uso do divã marca o inicio do processo psicanalítico.

Importante lembrar que o divã é um instrumento de trabalho do psicanalista, mas não a condição única de trabalho em psicanálise.

Quem será essa figura estranha que nos contempla do espelho?

Quem será essa figura estranha que nos contempla do espelho?

Mudar, trocar, arejar, arriscar-se. É preciso coragem para mudar! Mais que coragem, é preciso paciência com aqueles que não estão prontos para entender a mudança! Mudanças assustam. Pegam desprevenido. Trazem desconforto.

Quando há mudanças à nossa volta, precisamos olhar o diferente e procurar nele algum sentido; ou desafio. Depois, precisamos parar por alguns instantes e olhar a nossa própria imagem no cenário novo. E, olhar-se é um grande risco.

Muitas vezes, não temos a menor ideia de quem somos, realmente! Imaginamos uma imagem projetada de nós mesmos; envoltas em artifícios de personagem. As outras pessoas veem outra coisa. Nunca saberemos quem somos aos olhos dos outros!

Quantas vezes já teremos assustado aqueles que convivem conosco; seja de perto ou de longe. Nossa alegria, ou melancolia, assustam! Nosso amor desmedido ou comedido, assusta! Nossa forma avassaladora ou cautelosa de demonstrar paixão pelo que fazemos, assusta!

Da mesma forma, há no mundo tantas coisas que aos olhos dos outros são triviais, passageiras, ou irrelevantes, mas nos enchem de temor. Pequenas ou grandes descompassos do mundo que nos tomam de surpresa ou nos fazem recuar.

Há tantas coisas incompreensíveis à nossa volta: ganância; intolerância; agressividade; frieza. Ingredientes de um estilo de vida que teimamos em ambicionar, acreditando que haverá alívio para a nossa falta de jeito em lidar com nossas fragilidades.

Queremos ser fortes; destemidos; corajosos. Sem perceber, permitimos que essa ambição cobre de nós um preço excessivamente alto. Abdicamos do direito de nos conhecermos um pouco melhor, vivemos com pressa, amamos com pressa. Exigimos demais, de nós e do outro.

O que pode nos salvar do perigo de nos acostumarmos com a cara feia; com o jeito desastrado de quem não permite erros; com a insatisfação permanente daqueles que querem sempre um pouco mais de nós; com o gelo dos olhos de quem não enxerga além de si mesmo!?

Nossos olhos, assustados e cansados merecem uma pausa. Vamos fechá-los por uns instantes. Respirar. Sentir o corpo amolecer e alma escoar o medo de não ser aceito, admirado, desejado. Só por uns instantes.

A coragem de romper um ciclo automático de vida pode nos salvar do abismo. Sejamos fiéis àquilo que ousamos sonhar um dia. Paremos de concordar silenciosamente com quem nos rouba o brilho nos olhos. Tenhamos fé em nós mesmos para abrir mão de uma armadura dourada que pesa muito mais do que adorna. Tomemos nas mãos o nosso próprio destino. Tenhamos pelo que nos orgulhar. Porque quem não honra sua própria missão nesse mundo não é digno de si mesmo; nunca reconhecerá em seu reflexo no espelho alguém em quem se pode confiar.

Posso não saber para onde irei, mas sei bem para onde nunca mais voltarei

Posso não saber para onde irei, mas sei bem para onde nunca mais voltarei

O futuro pode ser planejado, desejado, repleto de metas a serem alcançadas e, ainda assim, sempre será incerto, improvável, impossível de ser previsto com exatidão. No entanto, desejar e lutar por um amanhã melhor e mais feliz nos faz bem, alimentando nossas forças em sempre querer continuar, inesgotavelmente, haja o que houver. Nessa jornada, devemos estar seguros quanto ao que idealizamos, bem como quanto ao ontem e aos lugares a que não poderemos mais voltar, para nossa própria sobrevivência. Há lugares para onde nunca mais devemos voltar. Jamais.

Não volte aos mesmos erros, aos conhecidos descaminhos, mas reaprenda com cada tombo, superando as próprias falhas e lidando saudavelmente com as limitações que todos temos. O ontem deve permanecer lá atrás, ancorando nosso aprendizado contínuo, de forma a redirecionarmos nossas energias em direção a acertos que nos tornarão cada vez mais humanos e mais felizes.

Não volte ao lar que já se desfez, ao colo que não acolhe, ao vazio solitário de uma companhia dolorida. Devemos ter a coragem de colocar um ponto final em tudo aquilo que nos enfraqueceu e nos diminui, tolhendo-nos a tranquilidade de um respirar livre. O nosso caminho deve ser transparente e leve, sem pesos inúteis que atravancam o nosso ir em frente.

Não volte às promessas quebradas, ao relacionamento fracassado, que em nada acrescentou na sua vida, ao incessante dar as mãos ao vazio, ao compartilhamento unilateral, ao doar-se sem volta. Todos merecemos nos lançar ao encontro de alguém verdadeiro e que seja repleto de recíprocidade enquanto se dividem os sonhos de vida. Todos temos a chance de encontrar uma pessoa que não retorne menos do que doamos, que não nos faça sentir a frieza da solidão acompanhada.

Não volte aos amigos hipócritas, às pessoas que se baseiam em interesses escusos para permanecerem ao seu lado. Amizade deve ser soma, gargalhada, brilho nos olhos e ritmo no coração. Caso não nos faça a mínima falta, caso não nos procure sem razão, nenhum relacionamento pode ser tido como verdadeiro. É preciso poder contar com alguém que permaneça ao nosso lado, mesmo após conhecer nossas escuridões, pois é essa sinceridade que sustentará nossos ânimos nas noites frias de nossa alma.

Não volte ao emprego desumano, que achata os sentidos, não reconhece seu valor, apenas criticando e pedindo sempre mais e mais, sem lhe dar nada em troca. Procure uma ocupação onde os minutos não pareçam uma eternidade, onde obtenha reconhecimento, onde possa atuar como personagem principal da própria vida. Não abra mão daquilo que você é, daquilo em que acredita, ou ninguém reconhecerá a grandeza que possui dentro de si.

Sim, não há como prever o futuro, tampouco controlá-lo. Cabe-nos cuidar do nosso aqui e agora com todo o cuidado que o hoje merece, para que diariamente preparemos, aos poucos, um caminho menos árduo, um amanhã que dê continuidade aos nossos esforços em sermos felizes. Agirmos refletidamente, enfim, nos poupará de atravessar caminhos tortuosos e solitários, sob lamentações e arrependimentos. Porque, tendo plantado paixão verdadeira, tendo cultivado relacionamentos sinceros, colheremos, certamente, sorrisos e abraços de gente de verdade, gente com a intenção de ser feliz bem juntinho, sempre.

Carta de despedida para quando eu ficar

Carta de despedida para quando eu ficar

Quando eu ficar, despeça-se dos óculos de lentes coloridas. Não aqueles transparentes, para colorir e acalmar a vista num dia de sol. Você já teve, quando criança, um daqueles óculos feitos de cartolina ou papelão colorido, com uma imagem predefinida estampada em lugar das lentes? É desse tipo de óculos que estou falando… despeça-se deles, os deixe na infância, ou, ainda, use-os só de vez em quando, de brincadeira, para divertir-se com aquilo que sabe que não é real. Fora isso, tire-os, guarde-os para os momentos lúdicos, deixe-se ver-me viva, em movimento, em constante transformação.

E nas vezes em que eu engatilhar umas balas de desafeto apontando em sua direção, despeça-se dos escudos, cale minha ira com flores, é fácil, é certo, eu irei ceder, sempre preferi flores a armas. E essa ofensiva não passa às vezes de uma irreflexão mecânica, dessas que se ativam de tão acostumados estamos a ter que nos defender no percurso da vida. Sobrevivência, sim, mas, de quando em quando, somente uma digressão. Despeço-me das pontarias, das balas, dos gatilhos.

Sei que muitos admiram a qualidade de ter facilidade em partir, em abandonar, em desapegar-se, em estar sempre deixando para trás. Eles não sabem que para quem sempre parte, o fácil mesmo é se deixar ir e não ficar. Despeça-se dos enganos. Não chame de liberdade a fragilidade dos meus laços, que se tornaram escorregadios tomados pelo lodo dos contratempos. Despeça-se das falsas admirações, critique-me se necessário, mas por isso e não pelo contrário.

Quando eu hesitar em seguir em frente, para esse duvidoso progresso que só se sustenta na lei do rompimento com os conflitos, transforme em dança esse meu movimento de “vai não vai”, dê ritmo, deixe os atritos para os pés que se intercalam no chão, eu irei me abalar, eu irei me embalar, não sou feita de aço. Despeça-se da indecisão, deixe as palavras confusas transformarem-se em música, quando na dança se tornarem conscientes de sua insuficiência em comunicar algo que por si só faça sentido.

E se dissolvidos pelos percalços nos perdermos em palavras agressivas, desprovidas de razão ou emoções definidas, quando a desconfiança nos convencer em ceder a bárbaros ataques gratuitos, desfaça-se dos encontrões violentos, deixe que os corpos se encontrem em abraços, despeça-se das minhas palavras estúpidas, eu me despirei delas e também esquecerei das suas.

Quando eu ficar, mas me desviar com os olhos, simulando a ausência na minha presença integral tão imaturamente, pegue meu rosto com suas mãos, suavemente, minhas articulações não são tão rígidas quanto faço parecer. Coloque-me em direção ao seu rosto, insista para que eu te veja, para que olhe nos seus olhos, deixe que os nossos silêncios se resolvam.

Mas, se mesmo depois de tudo, partir for o que resta, pelos desígnios da vontade ou pela falta dessa, seja minha, seja a sua decisão – que no fim não há decisão dessas que se faça só, mas que só se faz pela impossibilidade do encontro dos desejos, que se faz pelo desencontro dos tempos – despeça-se. Despeça-se dos ares de indiferença e da rigidez dos movimentos, da distância forçada, do receio de um envolvimento que seja vão.

Já te contaram que a vida é feita de momentos? Talvez tenha descoberto por si mesmo, talvez essa desilusão sobre a eternidade tenha te atropelado com o carro desgovernado da realidade frágil da vida, que vai sem nem sempre dar a chance de uma despedida.

Não se engane dizendo que não existe algo do que se despedir, só porque uma vez te disseram, ou tantas vezes disseram que acabaram por lhe convencer, que algumas coisas são e outras não são. Pergunte a si mesmo, e provavelmente descobrirá que, embora não seja como deveria ser, ainda assim é.

Então, despeça-se, mesmo que seja para não saudar futuramente o remorso. Dê cores negras ao luto mesmo que ele agora não seja o seu. Despeça-se e tenha certeza, que é desses encontros e desencontros que é feita a vida, e por mais que tentem nos convencer que somos feitos para o orgulho, somos feitos para viver, para ir, para vir, para voltar, para amar sem fórmulas ou padrões.

Tenha certeza que ora somos pássaros, mas outras somos apenas uma pena à deriva na ventania.

Tenho saudades da carícia dos teus braços- Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços- Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços fortes, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos (…) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda. Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer. Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.

Florbela Espanca, in “Correspondência (1920)”

 

7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

1. Quando você tem uma crise é como se você fosse morrer.

A síndrome do pânico é um “transtorno de ansiedade que se dá por meio de crises severas sem motivo aparente e duram, em média, entre 20 e 40 minutos”, explica ao BuzzFeed Brasil a psicoterapeuta Marina Boccalandro, professora da PUC-SP e autora do livro “Transtorno de Ansiedade e Síndrome do Pânico – Uma Visão Multidisciplinar”.

A comunidade médica brasileira entende o transtorno, como deve ser chamado apesar de ser popularmente conhecido como síndrome. Mariana explica que ele “afeta os três corpos: o físico, o mental e o emocional”, e conta com uma quantidade significativa de sintomas.

Fisicamente, pode ocorrer taquicardia, respiração acelerada ou falta de ar, sudorese, problemas de visão embaralhada, dores de barriga, tremores, mãos e pés frios e boca seca. “Esses são os sintomas mais comuns, mas podem existir muitos outros”, diz Marina.

O professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aurélio Melo, afirma que é comum “muitos pacientes relatarem que sentem que vão morrer” durante a crise, o que acaba afetando o emocional. “Muitos inclusive acabam procurando um hospital por achar que estão sofrendo um ataque cardíaco”, diz.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

2. O pânico surge de forma completamente inesperada e toma conta de você.

O psiquiatra Felipe Corchs, do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirmou em entrevista ao BuzzFeed Brasil que o que caracteriza o transtorno do pânico, além dos sintomas, é rapidez com que se dão as crises.

“Elas ocorrem de forma inesperada, é um medo muito intenso que ocorre sem motivo específico e de forma muito abrupta. Não é como se você estivesse em um dia ruim e como o acumulo do estresse diário tivesse uma crise. Ela vem do nada”, diz Felipe.

Assim como Marina, o psiquiatra afirma que a crise dura em média 40 minutos, mas ressalta que “como na maioria dos casos de doenças mentais, existem muitas variações”.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

3. O transtorno é mais comum entre as mulheres e atinge cerca de 4% da população brasileira.

Segundo Marina, a Academia Paulista de Psicologia, associação do qual é membro, trabalha com a “estimativa de que 4% da população brasileira sofra de transtorno de pânico”.

Ela aponta ainda que as crises são mais comum entre “mulheres na adolescência e entre 35 e 40 anos. “Mas atualmente vemos que têm começado mais cedo, chegando até a crianças e também em idosos”, diz.

Aurélio observa porém que no geral, os homens não buscam ajuda médica. “A gente observa que a procura maior é de mulheres, porém as as mulheres de forma geral procuram ajuda para tudo mais cedo. O homem vai ao médico na urgência e tardiamente”, explica.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

4. Não existe um motivo definitivo para alguém desenvolver transtorno de pânico.

Felipe explica que existem um infinidade de possibilidades. “Isso ainda é muito estudado, alguns acreditam que pode ser genético, outros de que aconteçam a partir de traumas de infância, alguns da combinação disso”, diz, completando que os especialistas ainda não tem certeza de nada. “O que sabemos é que existe um envolvimento pesado dos sistemas cerebrais de defesa, aquele que controla o medo. Mas não sabemos o que o dispara”, diz o psiquiatra.

Segundo Marina, o transtorno pode ocorrer devido a diversos fatores. “Há mais chances de que pessoas que tenham casos na família possam desenvolver o transtorno, mas também o uso de drogas, problemas de abuso na infância, trauma no nascimento, e situações de estresse acentuado como afogamento, por exemplo”.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

5. Não necessariamente existe um gatilho para as crises e em alguns casos os pacientes desenvolvem agorafobia.

“Logo nas primeiras crises a pessoas começa a associá-la ao que estava fazendo, então ela condiciona a crise à algo”, diz Felipe. Ou seja, não são as situações que levam às crises. Marina completa. “É uma consequência da crise caso não se trate logo no começo. A pessoa tende a se isolar, deixa de trabalhar, estudar, se afasta das pessoas porque associam situações às crises”, diz.

Essa situação de isolamento pode se tornar a chamada agorafobia. “Muitos dos que sofrem do transtorno de pânico e não buscam o tratamento podem desenvolver agorafobia que é basicamente o medo de não poder fugir prontamente para o espaço em que se sente protegido, que é geralmente a sua casa”, diz o psiquiatra. Ele explica que estas pessoas até saem, mas sempre buscam uma rota de fuga. “Se vão ao cinema elas sentam próxima a porta, por exemplo”, aponta o psiquiatra.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

6. O tratamento pode envolver terapia e/ou medicamentos.

Os especialistas ouvidos pelo BuzzFeed Brasil disseram que o tratamento pode envolver medicamentos e terapia. “Em geral o tratamento é composto por antidepressivos que são bastante seguros e, às vezes no começo, ansiolíticos, que são os remédios de tarja preta, mas por tempo limitado e com cuidado por conta do risco de dependência”, diz Felipe.

Aurélio ressalta a importância da terapia pelo fato do transtorno do pânico ser apenas uma das questões que a pessoa precisa trabalhar. “Dependendo do quadro, pode ser necessário mais terapia, ou mais medicamento. Vai da necessidade do paciente”.

Com relação à terapia, ele ainda lembra que algumas vezes o tratamento é mais curto, apenas para melhorar a questão das crises. “Mas muitas vezes o pânico é apenas a ponta do iceberg”, diz Aurélio.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

7. O tratamento é mais efetivo com práticas complementares, como meditação, atividade física e alimentação saudável.

Marina diz que trabalha também com outras práticas como “ensino de respiração, meditação, visualização, imaginação semi dirigida” e ressalta que em momentos de crise o mais básico é “trabalhar a respiração: inspirar profundamente e expirar com mais força ainda”, diz.

Felipe completa que “tudo que é saudável ajuda no tratamento psiquiátrico”. “Quase todos transtornos têm ligação com o estresse e maus hábitos cotidianos podem contribuir muito para a evolução das doenças mentais em geral, como falta de atividade física, luz solar, má alimentação e falta de sono. Cuidar disso tudo faz muita diferença no tratamento”, diz.

O psiquiatra faz uma ressalva no caso das atividades físicas. “É preciso cuidado e acompanhamento. Alguns sintomas ligados à prática de esporte se assemelham aos do pânico (sudorese, taquicardia e falta de ar)”.

contioutra.com - 7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse
Facebook: livropaura

A matéria foi escrita por  e publicada originalmente por  BuzzFeed.

As fotografias que ilustram o post são do fotógrafo José Maria Palmieri e os bordados da artista plástica Daniela Ktenas e fazem parte do livro Paúra que traz 12 relatos de pessoas sobre suas experiências com o transtorno e pode ser comprado aqui.

Consulte sempre um médico para avaliar questões acerca da sua saúde e bem-estar.

As incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos

As incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos

 

Vez por outra a gente se pega reparando em pessoas agindo de uma forma tão diferente da gente, que é simplesmente impossível ignorar.

Fico sempre cismada com as incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos. Esse tempo que a maioria de nós disputa com sofreguidão, faz estranhas e bizarras trocas por um tempo de folga, tratos e tratados para que ele não passe tão velozmente. A vida é corrida até no sono. O ano passa voando, as férias então, nem se fala…

E assim vamos, no ritmo do tempo, lamentando e sempre sonhando com mais tempo para tudo o que queremos, precisamos e desejamos viver. A maioria de nós.

Mas, contrariando a marcha do tempo, há pessoas que simplesmente vivem no seu próprio ritmo, nas suas passadas,  fazendo do tempo um bom companheiros. Pessoas que não casam suas ansiedades com os ponteiros de um relógio, não tratam o tempo como um adversário feroz. Tão somente vivem, e não há alarme que as tire do sério.

Ainda penso se isso é vantagem, mas tudo depende do ponto de vista. O que parece ser inquestionável é a incrível capacidade de não se contaminar com o ritmo imposto. Isso é sensacional! Pessoas que, nos dias de hoje descascam meticulosamente uma laranja, conversando animadamente, sem pressa para terminar…E terminam, e fazem todas as suas tarefas na medida do seu tempo. É certo que o atraso deve ser um grande amigo dessas pessoas, mas atraso só existe para quem é dominado pelo tempo.

Meu encantamento com essas pessoas é infinito, já que, escrava do tempo assumida, vivo na roda do tempo, hora tentando saltar, hora pedindo para parar.

Não saber o que fazer com o tempo nos torna seres ainda mais ansiosos, nos impede de contemplar muitas maravilhas da vida, de ouvir o que dizem nossos afetos, de reparar no tempo que poderíamos dedicar ao convívio.

Que bom que existem pessoas que nos convidam a essa reflexão, a essa troca de marcha, que em si já sabem que não é necessário correr tanto.

De minha parte, começo hoje o exercício de não correr contra o tempo. Estou decidida a começar uma amizade forte – e duradoura – com ele.

6 atitudes que fazem com que o amor desapareça

6 atitudes que fazem com que o amor desapareça

Por Susana Silva

Há vezes que, sem nos darmos conta, estamos trabalhando diariamente para que o amor que conquistamos deixe de existir.

Adoro me sentir apaixonada pelo meu marido depois de mais de 10 anos juntos. Porém, nem tudo foi fácil e tivemos momentos difíceis, nos quais, sem nos darmos conta, fomos minando esse amor que sentíamos um pelo outro.

As crises de um casal só te deixam mais forte e ajudam a identificar atitudes que podem danificar permanentemente o seu relacionamento se você as tiver por um longo período. Hoje, eu quero compartilhar algumas delas. Se vocês quiserem que o amor desapareça, basta praticá-las de maneira constante.

1- A balança eterna: quando pesamos cada uma das coisas que fazemos e as comparamos com o que o nosso parceiro faz. Dependendo de quem fez mais pelo outro, desistimos ou deixamos de fazê-las.

2- Se você não fizer, eu também não faço. Se você me ajudar com alguma coisa em casa, eu vou ajudar; se você colocar dinheiro em casa, eu coloco; se você me escutar, eu faço… E a lista pode ser interminável, até que se torne um círculo vicioso em que ninguém faz nada por ninguém sem esperar algo em troca.

3- Pouca atenção para o relacionamento. Se quisermos que a nossa relação seja duradoura, devemos dedicar-lhe tempo de qualidade. Quando nossa relação ocupa o último lugar, o amor do casal se danifica.

4- Reclamações constantes. Quando algo nos incomoda, devemos discutí-lo com nosso parceiro de forma respeitosa, porque queixas diárias e contínuas de cada uma de suas ações ou atitudes acabam desgastando pouco – ou muito – o amor de qualquer casal.

5- Rotina. Qualquer relação em que não acontece nada além do habitual acaba sendo chata e, diante do tédio, alguém pode encontrar outros interesses.

6- Ciúmes que matam. Uma coisa é sentir um pouco de ciúmes de nosso parceiro e outra é não ficar tranquila achando que ele pode estar com alguém o tempo todo. Devemos ser suficientemente seguras com nós mesmas e, também, encontrar um parceiro em que podemos confiar. Caso contrário, não faz sentido estar junto.

A lista continua, mas eu acredito que a repetição de qualquer uma dessas atitudes, sozinhas ou combinadas, pode trazer muito dano a qualquer relacionamento.

Vamos primeiro observar se estamos bem com nós mesmas, já que ninguém pode dar o que não tem. Você vai ver que isso resolve grande parte de nossos problemas e nos deixa livres para entregar nosso amor de maneira inteligente.

O amor de um casal pode durar anos se nos comprometermos e refletirmos sobre ele. Na sua experiência, que outras atitudes podem fazer com que o amor de um casal desapareça?

 

Fonte: DisneyBabble, Encontrado em Cá entre nós

Médico ensina técnica para acalmar o bebê em segundos

Médico ensina técnica para acalmar o bebê em segundos

Por Luiza Monteiro

Uma das maiores angústias de uma mãe – principalmente se ela é de primeira viagem – é quando o seu filho recém-nascido começa a chorar e não há nada que o acalme. Se você está passando por isso (ou vai passar em breve), não se preocupe: o pediatra americano Robert Hamilton, da Califórnia, tem uma técnica infalível para acabar instantaneamente com o chororô dos pequeninos.

Em um vídeo que já foi visto por mais de 14 milhões de pessoas, o especialista com mais de 30 anos de experiência ensina o método criado por ele e que foi batizado de The Hold (“O suporte”, na tradução em português). O truque consiste em segurar o bebê com as duas mãos, numa posição de 45 graus. A mão direita sustenta o pequeno na área da fralda e a esquerda comporta os bracinhos, que devem estar dobrados sobre o peito. Aí, é só balançar o recém-nascido com cuidado. “Geralmente, ao fazer isso, o bebê vai se acalmar”, garante Hamilton. Segundo ele, se o seu filho não relaxar, é provável que esteja se sentindo mal ou com fome.

Cuidados

“Tudo é muito suave, você não deve fazer movimentos bruscos”, orienta o médico. Outro ponto de atenção é o ângulo: se o bebê estiver numa posição vertical, a cabeça pode pesar para trás e você corre o risco de perder o controle. E lembre-se: o método só serve para os nenéns de até 3 meses. Depois disso, o peso do pequeno dificulta aplicar a técnica de maneira segura.

A seguir, confira o passo a passo do Dr. Hamilton para obter sucesso com a técnica e assista ao vídeo.

1. Dobre os braços do bebê sobre o peito.

2. Segure os bracinhos gentilmente.

3. Agarre a região da fralda com a sua mão dominante (aquela que você tem mais coordenação e segurança).

4. Num ângulo de 45 graus, balance o bebê suavemente para cima e para baixo.

Fonte indicada: M de Mulher

Enquanto houver elas e eles (não) haverá nós

Enquanto houver elas e eles (não) haverá nós

No ano em que perdi meu pai, a figura masculina mais importante da minha vida, resolvi fazer as pazes com os homens. Olhar o mundo sob a perspectiva do outro é extremamente complicado e perigoso, mas necessário. Nada do que fiz foi consciente ou pensado, tudo fez parte de um processo interno meu de entendimento do mundo, desconstrução de crenças e abertura de mente. O que eu vi a partir do olhar deles, foi um mundo de homens extremamente solitários e com dificuldades muito parecidas com as que nós mulheres encontramos.

Antes de continuar, entendam, não quero entrar em contextos históricos e culturais, não quero falar em “ísmos”, não quero falar de Cunhas e Bolsonaros, apesar de achar que são temas extremamente importantes. Quero falar sobre os homens que conhecemos, sobre nossos irmãos, maridos, namorados, ex-namorados, amigos e tantos casos de amores mal resolvidos. Sim, aquele cara que te fez sofrer, o que não te ligou no dia seguinte, que não respondeu sua mensagem, que terminou tudo com uma mensagem, que te traiu, que te magoou, e todos aqueles que sentem dificuldade de criar vínculos profundos, intimidade e conexão.

Esse ano decidi abandonar minhas armas, destruir barricadas e construir um espaço de diálogo com os homens que cruzaram meu caminho. Amigos, ex-casos e ensaios, todos de alguma maneira ou de outra, encontraram em mim disponibilidade emocional para escutar e validar suas queixas. Foi conversando que resolvi um caso mal resolvido e escutei o velho discurso “o problema sou eu”, com a diferença que dessa vez tenho plena certeza que sim, o “problema” era ele. Ele não estava usando esse discurso como desculpa, porque eu não estava cobrando uma justificativa, o tom dele era de lamento. Nosso abraço final foi um abraço de trégua, que me trouxe a constatação do que eu há muito já sabia: na nossa história não houve vilão, nem mocinha. Assim, como em muitas outras que existem por aí, não há.

E aos poucos, um a um, sem nem cobrar ou investigar, espontaneamente escutei os motivos deles. “Tenho o dedo podre, faço más escolhas”. Esse discurso que já foi meu por tantos anos e de minhas amigas e das amigas das minhas amigas, dessa vez veio de um homem. Sim, eles também se sabotam, eles também têm medo, eles também se sentem sós e nós também podemos ser as más escolhas deles. E por muitas vezes consecutivas escutei de amigos independente se gays ou héteros, em lamentos muito parecidos e no mesmo tom que eu mesma havia escutado e que se resumiram em:”o problema sou eu”.

O que vi durante esse processo de aproximação, observação e diálogo com os homens é o que já desconfiava há tempo: enquanto tentamos apontar culpados, enquanto falamos em “elas” e “eles” como duas grandes polaridades e não como um todo; como combatentes de lados opostos de uma guerra fria travada por nossos antepassados, enquanto isso acontecer, a única parte que existirá de “nós” serão de fato os nós criados durante séculos de desconexão profunda entre as forças do masculino e do feminino. Sim, é fato, somos uma humanidade inteira pautada em processos onde prevalece o poder do masculino, onde predomina a agressividade, a luta, a guerra. Mas, os homens que conheço não me parecem mais felizes por conta disso.

Então, se queremos um pouco de paz, é tempo de pensar em trégua, em união, é hora de começar a criar laços no lugar de nós, construir pontes em vez de muros, e quem sabe assim, um dia, seremos a parte de um todo complementado por tantas elas e tantos eles diferentes; onde haverá espaço para construir pontes que se estendam para muito além dos nós.

O sentido da paixão

O sentido da paixão

Naquela manhã quente, ela foi à praia como quem não quer nada. Diferente das demais jovens que conhecia, ousava isolar-se nas pedras escorregadias a buscar ostras. Seu sentimento de viver era meticuloso. Não combinava com o azul do cosmos, não se agregava a nada nem a ninguém.

Demorou uma vida, até conseguir virar-se e olhar aquele homem tão estranho quanto a cor da pele e o corpo magro, forte, jovem.

Este homem, deu-lhe a mão para que se levantasse sem esforço. Olharam-se por algum tempo incomum. Estranharam-se. Eram 11 horas. Satisfeito, ele agradeceu. Mas, ficou lá, parado, olhando cada parte de seu corpo. Foram caminhando pela areia fina em silêncio. Não se contiveram na conversa.

Ele era um habitante da ilha. Ela era um habitante do planeta terra. Somente entre pausas e pés, sentiu desejo de beijar-lhe. Sem nomes, nem identidades traçadas. Era o momento. Aquele sol que se escondia e brilhava, faziam do homem bonito, uma paixão indefinida. Não importava. Ele lhe segurou a mão, deixou-a no espaço. Perdendo o chão, foi direto para o paraíso de sua boca.Caminho curto para o paraíso.

De vez em quando, um barco. De vez, ela se levaria do barco ao outro lado do horizonte. Não havia o outro lado. Havia a ilusão do outro lado. Ela morria de rir, com vontade de escorregar do limbo para ser a mulher. Aconteceu.

O barco sumiu em uma manhã cinzenta. Tudo se tornou mais pesado sem a imagem do barco. Sem seu delírio, prendeu-se a um galho perdido e nervosamente o quebrou. Cada pedaço de árvore, solto ao vento da agonia. A lamentável dor daquela dia, lhe trouxe uma voz masculina que perguntava docemente. Que horas são? Desequilibrada na pedra, só viu os pés.

O mundo girou, mexendo os corpos enlouquecidos. Os quadris, as pernas, os pés se cruzaram numa dança esquisita. Bunda, braços, boca.

Sentidos que morrem e nascem da paixão. Sem explicação. Sem palavras. Sem medo. A paixão do momento, não parou aí. Viveram tudo. A entrega de corpo e alma. A carícia dos que se permitem amar de novo. a paixão não pede licença. Ela avança o sinal e traz flores violetas. A paixão não quer saber, nem entender, nem controlar. a paixão não é tormento. É paixão,  gloriosa em sua louca invasão de mãos que se estendem suavemente e se falam em silêncio. Paixão escondida, paixão espremida no gozo. Até a água salgada do mar, aprofundar-se nas entranhas e permitir a total ausência de juízo. Paixão demorada. Paixão bem humorada. O horizonte foi testemunha dos risos soltos e disse a areia que ela era feliz.

O momento perfeito para dar uma boa olhada para trás

O momento perfeito para dar uma boa olhada para trás

Quase como uma regra, valorizamos o quanto podemos as perdas e fracassos, atribuindo uma importância gigante e, por consequência, responsabilidade e culpa, as pesadas e enferrujadas correntes.

E vamos acumulando, enchendo a sacolinha, colocando mais um franzido na testa, aborrecidos e contrariados, correndo inutilmente atrás da tão sonhada perfeição, invencibilidade e garantia de todas as vitórias possíveis.

Uma doce ilusão que nos empurra para frente, apesar da sacolinha cada vez mais cheia e pesada.

Chega então o momento da pesagem, a balança já ficando desequilibrada, o pessimismo e as desilusões fazendo um contrapeso parrudo, e bate na porta a depressão. Ela quer muito entrar e fazer ninho quentinho no emaranhado das coisas e causas mal resolvidas, promete um doce e suave torpor, um soninho que não passa, aquela vontade de ficar somente olhando para o teto.

É hora então de buscar rapidamente a caixa com aquelas fotografias antigas, as de papel amarelado, de saudades, de lembranças guardadas e amores correspondidos. E são tantos, tão intensos, tão importantes para o que somos hoje, mas que malvadamente não contabilizamos como o fazemos com as perdas.

Se não houver fotos para ilustrar , a memória, mesmo que pelas metades ou terços ou flashes.
É momento de contabilizar os amores correspondidos, todos eles. A moça da padaria que escolhia o pão doce mais bonito, os cachorros da casa, a primeira melhor amiga, a professora que desenhava coraçãozinho no caderno, o irmão implicante, os primeiros amores…

Olhar para trás para encontrar novamente o lugar de onde veio, as risadas, os colos e abraços. E tentar conectar o hoje com todos esses momentos, não perder-se nas desilusões e decepções. Lá atrás também elas existiram.

Importa portanto, dar essa boa olhada para trás e sentir-se tão confortado quando possível, agradecer aos amores correspondidos e até aos platônicos e impossíveis, pois o exercício sempre nos leva a outro degrau. E se hoje a sacolinha de desilusões está pesando, talvez seja hora de jogar um bocado delas fora e trocar por umas leves e perfumadas lembranças. Afinal, é disso que também somos feitos!

INDICADOS