A idealização no amor – Flávio Gikovate

A idealização no amor – Flávio Gikovate

O amor sempre implica alguma dependência e a idealização do amado é uma defesa: é bem menos perigoso depender de alguém visto como perfeito!

O envolvimento amoroso real se inicia com o fim da idealização: o amado descerá do pedestal em que o colocamos e será observado com realismo.

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Esse blog possui a autorização de Flávio Gikovate para reprodução deste material.

Falta de empatia : a doença do mundo

Falta de empatia : a doença do mundo

A maturidade emocional está intimamente ligada à capacidade de sentir empatia. É a capacidade de se colocar no lugar do outro que faz com que tenhamos a abertura para ouvir as várias respostas para uma mesma pergunta e entender que não há verdade absoluta. Que a sua necessidade não é menos importante que a minha.

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Sem empatia há corruptos, traidores, violentos, assassinos, aproveitadores, sem-palavras, charlatões, enrolões, abusadores, perversos, impacientes, intolerantes, presunçosos, folgados, procrastinadores, indiferentes.

Sem empatia, há contratos quebrados, acordos não cumpridos, identidades roubadas, lares destruídos, milhões desviados, trabalhos mal feitos, filas cortadas, favorecimentos ilícitos, chutes nos carros, cortadas no trânsito.

Sem empatia, alguns acreditam ser mais merecedores que outros e, portanto, se dão à comodidade de serem cegos, surdos e mudos para qualquer necessidade que não seja a sua própria. Sem empatia há o “venha a nós, mas ao vosso reino, NADA”.

A falta de empatia é o câncer do mundo, mas sua presença, a cura dele.

Os anos dourados da adolescência e a beleza do amadurecimento

Os anos dourados da adolescência e a beleza do amadurecimento

O tempo passa mesmo depressa. Esses dias, peguei-me pensando que já faz um bom tempo que saí da escola e ganhei o título de adulto. Título difícil de ostentar. Quando a gente é criança, a coisa que mais quer é ser adulto. Até mesmo na adolescência, queremos ser adultos, a fim de nos livrarmos de dar explicações a nossos pais. Queremos ser livres, fazer o que der na telha. Mas, quando essa hora chega, percebemos que ser adulto é muito mais difícil do que se pensa.

Nós temos tantas expectativas quando somos adolescentes. Queremos conhecer lugares, imaginamos nossas vidas profissionais, logicamente, bem sucedidos. Tudo parece simples e palpável. As dificuldades parecem não existir diante do nosso entusiasmo. É, mas o tempo passa e, junto com ele, vem o amadurecimento. Este é doloroso. O mundo colorido da adolescência cai e dá lugar às escuridões que a vida adulta traz. A bem da verdade, tudo já estava lá, apenas não percebemos.

Quando passamos a olhar o mundo sem a lente de fantasias da adolescência, percebemos que, talvez, nem mesmo nos conhecemos direito e que a grande maioria das coisas que nos cercam, pouco a pouco, vão embora. Os amigos da escola tomam rumos diferentes, vão em busca dos seus sonhos e adquirem responsabilidades. A falta de tempo e as novas pessoas que entram nas nossas vidas fazem com que o contato vá diminuindo, até que alguns simplesmente deixem de existir. Quantos amigos inseparáveis, da época da escola, hoje são apenas mais um entre tantos amigos do Facebook?

As festas, as brincadeiras, as horas no MSN, os depoimentos do Orkut, tudo com o tempo foi deixando de existir. Você não acorda na segunda-feira e vai contar como foi o seu fim de semana. Vai trabalhar, produzir, dar lucros. E, no fim do ano, ainda tem que ter paciência para aguentar o “amigo” secreto da firma. Os presentes são melhores, afinal, no mundo dos adultos, ninguém quer passar vergonha na frente dos outros. Mas nada substitui aquele amigo secreto de havaianas, regado a risadas pelos micos alheios, os quais todos se permitem pagar.

A carreira de sucesso, a qual prevíamos, é interrompida, ao percebermos que escolhemos a faculdade errada. E, na maior parte das vezes, não desistimos logo no primeiro ou segundo semestre. Desistimos lá pelo quinto, na metade do curso, o que transforma a vida em um drama digno de Oscar. Percebemos, então, que a vida é muito mais complexa do que imaginávamos e que não temos poder de controle sobre quase nada. Ah! O amor da escola também ficou para trás. Sabe como é, faltava maturidade…

O tempo passa e, junto com ele, ficam as memórias de anos dourados que não voltam mais. Mas a saudade basta, não é preciso saudosismo. Após a adolescência, retornamos para casa e passamos a nos encarar. É somente nesse momento que percebemos que as coisas parecem continuar no mesmo lugar, mas nós mudamos. E isso não é ruim; o amadurecimento, como disse, é um processo doloroso, mas traz a felicidade de sabermos quem somos.

O autoconhecimento traz a tranquilidade de guardar essas memórias felizes em um lugar especial do coração, mas nos permite enxergar que nem tudo era tão bom e, sobretudo, que o que foi bom, foi bom naquele momento. Hoje, outras coisas fazem nossos corações pulsarem e outras águas nos atraem. Tudo tem o seu momento e não é preciso desespero. Talvez, o que falte é um pouco daquele entusiasmo com a vida e acreditar que somos capazes de dar-lhe o tom que quisermos.

Por isso, os anos dourados da adolescência são tão importantes; estes guardam a vitalidade que precisamos ter durante a vida adulta. A coragem para sair de um emprego insuportável, de uma faculdade que não gostamos ou de um relacionamento que apenas afunda. É preciso viver o presente. Deixar a paixão pela vida apenas naqueles anos é suicídio emocional.

A vida é agora e precisa ser vivida. Cada fase por que passamos possui erros, acertos e, desse modo, devemos guardar o que for bom e aprender com os erros que cometemos. A vivacidade da adolescência é mesmo algo fascinante, quase divino, mas existem outras belezas, em muitos casos até melhores. Ser quem se é – o que só é possível com o amadurecimento – é uma das maiores felicidades da vida. Contudo, só crescemos de verdade se guardarmos a capacidade de sonhar, pois ser grande não é apenas se conhecer, mas, acima de tudo, conhecer-se em seus atos. E, para isso, é preciso além de maturidade, coragem e esta só possuímos se tivermos uma pitada da ousadia adolescente.

Sobre aprender a ouvir um sim como resposta

Sobre aprender a ouvir um sim como resposta

Não, definitivamente não estamos acostumados a respostas positivas e espontâneas. Nosso processamento mental já aguarda aquele não de pronto e se antecipa, encadeando argumentos e longas discussões. É um tempo brutalmente coagido a traçar estratégias de defesa e contra ataques, antes mesmo de a frustração ocorrer. Somos esses, os que preferem franzir a testa e retesar os músculos.

Ouvir um sim é estranho nos nossos tempos. Quando isso acontece, a maioria de nós pergunta: – Tem certeza? – Você prestou atenção no que eu falei, ou pedi, ou provoquei?
E então aparece uma alma nada a fim de entrar no jogo duro e diz de pronto, e, por vezes, sorrindo: – Sim, eu posso fazer isso; – Sim, eu estou tentando entender; – Sim, não vejo nenhum problema.

Aí tem problema! Como assim, sim? Não vamos nem pelejar um pouco, defender territórios, atiçar as fraquezas? Esse sim veio tirar toda a graça do atrito, do tempo que seria gasto com discussões por razões, sem razões, pelo prazer de conquistar-se uma razão, mesmo que não faça sentido nem razão.

E tem gente que diz muito sim! A vida vive dizendo sim! O tempo não para de dizer sim! O batimento do nosso coração, enquanto trabalha, está dizendo sim!

Sim para o que pode ser sim, não para o que a gente quer. Não para a criança mimada e egoísta que a gente costuma abrigar dentro da gente, em corpo e comportamento de adulto que sente muito prazer em dizer não, e não sabe mais ouvir um sim sem se espantar e se indignar.

Aprender as ouvir um sim como resposta; Aprender a apreciar o caminho que não ofereceu barreiras; Acreditar no próprio julgamento sem as restrições prévias; Pensar, racionalizar, sentir e desfrutar cada porta que o sim abre, porque, como se diz por aí, o não a gente já tem.

Ter experiência não é igual ter maturidade

Ter experiência não é igual ter maturidade

Ao perceber o peso implacável do tempo sobre o corpo, penso numa frase clichê frequentemente utilizada por quem já deixou a juventude para trás.
“Ah como seria bom ter a cabeça de agora e o corpo de 20 anos.”

De fato, os anos nos trazem experiência de vida no mesmo passo em que o corpo parece, simplesmente, oxidar. Mas, enquanto o avançar dos anos, invariavelmente, corrompe a integridade do corpo físico, nem sempre eles nos trazem maturidade emocional.

Descobri que passamos a vida inteira tratando experiência e maturidade como sinônimos para então constatar que pessoas muito experientes podem se tornar arrogantes, intolerantes e excessivamente seguras, mas pessoas maduras se tornam calmas, humildes e assertivas.

Descobri que ter experiência é saber sobre as coisas da vida, mas ter maturidade é poder compreendê-las.
Descobri que a experiência pode nostornar dogmáticos, mas a maturidade nos torna humanos, acolhedores da diversidade.

Descobri que pode existir pessoas jovens emocionalmente maduras e sexagenários emocionalmente infantis e que muitos de nós, a despeito do fato que aos 25 anos acreditávamos saber tudo sobre a vida, aos 50 concluímos que, no que diz respeito à maturidade emocional, somos mesmo recém-nascidos.

Por gentileza, leia este texto. Obrigada !

Possivelmente, você deve ter estranhado o título acima.
Mas, o objetivo deste meu texto é mostrar a importância de palavras como:
por gentileza, obrigado, por favor, com licença, me desculpe –
palavras que a maioria dos pais ensinam ou ensinavam a seus filhos
desde pequenos e que são muito pouco usadas atualmente.
Já pisaram no meu pé várias vezes, já levei bolsada na cabeça, dentro de ônibus,
já me magoaram outras tantas…
Me pediram desculpas? Não! (com raras exceções). Mas, minha desilusão
não foi pelas pisadas no pé e bolsadas na cabeça e por terem me magoado.
Mas sim, pelo não pedido de desculpas.
E esse ato de pedir desculpas põe fim a qualquer irritação.
E eu, particularmente, sou movida à gentilezas.
O cavalheirismo de antes, em que nós, mulheres, éramos cordialmente convidadas
a entrar primeiro num local; Até aquelas “cantadas” masculinas, que tinham um “quê”
de graciosidade e que, falsamente fingíamos não ouvir, acabaram.
É de uma beleza divina, quando somos magoados por gestos ou palavras, e logo em
seguida, vem aquele consolador pedido de desculpas.
É muito desolador constatar que essas atitudes estão perdendo o seu valor.
Parece que pedir desculpas, dizer por favor, cumprimentos, viraram palavras de luxo, ou demodê.
Será que o bonito hoje, é ser rude, madboy?
Ainda há, com certeza, quem aprecie a cordialidade, o falar leve, a delicadeza de um gesto,
de um abraço, um aperto de mão, de ouvir um desculpe, um bom dia, mas, temos receio
de sermos vistos como fora de moda, ou até bajuladores.
Um olhar que diz tudo! Podemos até sorrir, demonstrar simpatia, compreensão, compaixão,
pelo nosso modo de olhar!
Quase sempre um amor nasce num primeiro olhar, depois aumenta no primeiro beijo…
O mundo está clamando por mais AMOR, por mais palavras calorosas, por amizades sinceras.
Já sofremos bastante com as durezas inevitáveis da vida e com outras
mazelas que poderiam ser evitadas.
A ternura não se extiguirá se cada um de nós se propuser a fazer a sua parte
– sem receio de parecer ridículo, fora de moda.
Porque o que está fora da moda bonita,
é a deselegância das palavras, dos gestos, das atitudes…
Por onde passarmos, deixemos o nosso brilho,
ou teremos passado por este planeta, em vão!

Ah! Obrigada de coração, se você leu este texto até aqui!
Lu Prado

As 3 fases de um relacionamento tóxico

As 3 fases de um relacionamento tóxico

O PRÍNCIPE ENCANTADO – FASE DA IDEALIZAÇÃO

Idealização, Desvalorização e Descarte: as três palavras mais terríveis para qualquer um que já tenha se envolvido no ciclo de uma relação com um sociopata narcisista ou antissocial.

No início de seu relacionamento ele era tudo o que você sempre quis? O príncipe encantado com quem um dia você sonhou e quando acordou, lá estava ele aos seus pés? Aposto que ele era. Era todo carinho e adoração? Sua atenção, seu tempo, seu interesse, tudo para era você? As surpresas inesperadas, os elogios constantes que faziam com que você se sentisse linda e muito especial? Ele parecia genuinamente ouvir o que você tinha a dizer? Horas conversando… e de repente, você achou sua alma gêmea, seu melhor amigo e o amante mais cuidadoso? Tenho certeza que sim!

Os sociopatas narcisistas e antissocias são mestres absolutos do charme e manipulação. Eles têm a incrível capacidade de ser exatamente o reflexo daquilo que você deseja, quer e precisa. Mas não se engane, o sociopata não se importa com você. Nada daquilo que você vê é real. É tudo desenhado para a conveniência dele e para que ele consiga adentrar suas defesas, limites e espaço pessoal, tomando o controle de seu tempo, de sua atenção, de sua vida. Esse sonho tem um prazo de duração e quem determina esse prazo é ele.

No início do relacionamento com um sociopata, todas as emoções normais de euforia que se sente quando se inicia um novo relacionamento estão lá. No entanto, ainda que tudo esteja perfeito, tem sempre algo estranho sobre ele que não se encaixa, que você não entende bem o que, mas decide ignorar para continuar vivendo o sonho. 

Uma vez que o sociopata percebe que você pode ser uma fonte viável de suprimento narcísico, investirá em você tão rápido, tão alto e com tanta força que você não vai saber o que a atingiu. Você mal acreditará quanto esta pessoa parece estar apaixonada por você. Seu charme e constante afeto não são como nada que você já tenha experimentado antes. Ele realmente parece bom demais para ser verdade…

A idealização é a primeira fase neste ciclo surreal constante que é a relação com sociopatas. É a “fase do pedestal “, isto é, você é posta na posição de uma deusa, e ele parece tão sincero, faz com que você se sinta tão bem e produza tantas daquelas endorfinas da paixão, que logo você fica dependente . Ele demanda seu cuidado e atenção constantes, despertando em você a empatia e seu lado maternal.

Nessa fase ele moveria montanhas para sua felicidade. Ele ama tudo sobre você e faz questão que você saiba disso. O contato com você é constante. Faz planos, quer te ver, ouvir sua voz mesmo que seja para um simples “oi”. “Desfila” com você para os amigos e quem sabe até para sua família, como se você fosse um troféu do qual ele está orgulhoso. E você lá, deslumbrada com toda essa atenção que nunca recebeu de ninguém. Por ele, você começa a dizer a si mesma que tudo vale a pena e… logo colocará isso em prática…

Vocês se conhecem há pouco tempo, mas já parece anos. Tudo se move rápido com ele. É comum o sociopata falar rapidamente de casamento, filhos e tudo que ele, estudando você, saiba que você quer ouvir. Como são irresponsáveis, inconsequentes e não sentem qualquer culpa ou remorso, dirão essas coisas mesmo sem nenhuma intenção de concretizá-las. Ainda que cheguem a concretizar algo, viram as costas para essas coisas sem nenhuma cerimônia. Mas isso só acontece mais tarde…quando já atingiram todos os seus objetivos obscuros.

Na fase da idealização estamos só no começo. Nessa fase parece que ele não se cansa de você, certo? Errado! Ele pode e ele vai se cansar. Logo. Uma vez que o narcisista percebe que a “comida dele está no anzol”, ele começa a enrolar a linha para trazer sua presa para suas mãos. E é aqui que começa o verdadeiro pesadelo.

PRÍNCIPE OU SAPO? – FASE DA DESVALORIZAÇÃO

Desvalorização é a segunda fase do ciclo que compõe a relação com sociopatas, em especial, o narcisista . Eu, pessoalmente, não estou bem certa de qual fase é pior, a desvalorização ou o descarte. Ambas são terríveis. 

Agora que você está viciada em toda a atenção, romantismo e bombardeamento amoroso que vêm em sua direção com grande intensidade e rapidez na fase da IDEALIZAÇÃO prepare-se porque é hora de conhecer o homem (ou a mulher) com quem você está realmente.

O narcisista tem dois métodos para fazer o outro se sentir abaixo de zero: ele pode destruir de forma rápida e brusca o pedestal sob seus pés, desaparecendo no nada como se você nunca tivesse existido, sem dar a mínima explicação e comodamente reaparecer como se nada fosse ou…fazer isso de forma lenta, insidiosa e cruel. É quando escolhe esta segunda técnica de desvalorização que ele mina sua autoestima, corrói sua identidade, desdenha de seus sonhos e conquistas, aponta de forma cruel seus defeitos, isola-a do mundo acusando a todos, levanta contra você suspeitas daquilo que você não fez, alterna sua cara amarrada e mal humor com pequenos gestos de doçura (de modo que não perca o controle sobre você), enfim, lhe faz provar um doce-amargo constante e infernal, de modo que você passa a ter diante de si alguém que você “ama”, mas que estranhamente lhe entristece a maior parte do tempo. 

Ele fará isso com tudo o que ele tem em seu arsenal. Seu arsenal é bem abastecido. Abastecido com seu ódio, raiva e incapacidade de assumir a responsabilidade por qualquer de suas ações ou receios. Sempre com raiva, busca culpar qualquer um além de si mesmo por tudo que não dá certo ou que lhe desagrada. Ele nunca fez nada. Ele é a vítima. Não importa quanto você o venere, obedeça, ceda ou concorde, você sempre fez algo terrível que “o magoou profundamente e que justifica os seus mau tratos”… 

Pesquisas mostram que a maior parte dos narcisistas desenvolvem seu transtorno no início da adolescência e também na infância, quando não conseguem desenvolver bem o superego. Muitas vezes, é um resultado direto de abuso ou negligência. Outras, resultado de uma vida sem limites por parte dos cuidadores. Principalmente, se não quase sempre, por parte da mãe. 

Mas, pare! Eu sei no que você está pensando: Não, você NÃO pode ajudá-lo. Quem se envolve com alguém assim precisa de mais ajuda do que ele. Você não pode ajudá-lo pelo simples motivo que ele não acredita que haja algo errado com ele. O problema “está com você”. No final você será difamada como louca, perseguidora, fútil, interesseira, etc. Você será o que na verdade ele é e por isso projetará TUDO em você.

Na verdade, o narcisista é um grande impostor que projeta uma imagem charmosa e perfeita. Mas sua incapacidade de manter a máscara, permite que você enxergue rapidamente ver quem ele realmente é. E se você não ignorar seus instintos, é claro…

Sua própria turbulência interna , baixa autoestima (ao contrário da crença popular, narcisista não têm a autoestima elevada que mostra ao mundo ) e medo de abandono, faz com que o narcisista abandone as pessoas com grande facilidade. Isso não deixa de ser um mecanismo de defesa contra aquilo que no fundo, teme. Ah, e não, não adiante assegurar-lhe que você não vai abandoná-lo. Isso só vai enfurecê-lo, mostrar quanto você é submissa e fraca. Na verdade isso mostra que você tem para dar um amor que ele não tem e isso faz com ele se sinta inferior e inadequado. Não é o seu abandono que ele teme. É o da mãe (que está no passado, mas que o assombra) e isso, você não pode mudar. Não, nem mesmo com todo o amor do mundo. Na verdade, sua busca é receber amor de seu objeto primário (a mãe), o que nunca ocorrerá porque o tempo em que essa ferida se abriu está lá na infância, impossível de se resgatar na fase adulta quando se trata de narcisistas e antissociais.

Na fase de desvalorização, o que ele antes achava incrível sobre você agora se torna veneno. Assim, lançará farpas sobre você sem nenhuma razão aparente. É o momento de destruir em você tudo o que ele admira e que sabe não possuir. Isso faz imensa confusão na cabeça das vítimas. Elas são incapazes de compreender por quê isso acontece . Como você poderia ser amado num minuto e tão ferozmente detestado no próximo?

É nessa fase que o narcisista vai usar tudo o que você confidenciou-lhe, contra você. Lembre-se: o narcisista é um predador e sua presa é bem dimensionada na fase de idealização . Todo o tempo que ele escutou você tão atentamente, espremendo mais e mais informações sobre a sua vida, seu passado e seus objetivos atuais e futuros…lamento em informar: ele estava apenas observando, estudando você… e essa pesquisa culminará com a sua destruição final e devastadora, basta você permitir.

Ele passa a criticar tudo sobre você , desde a maneira de olhar, rir , dormir, comer, se vestir, se relacionar com os outros, sua família, seus amigos, tudo será alvo de críticas. Críticas abertas ou veladas. Algumas vezes escrachadas outras travestidas de “eu só estava brincando”… Ele pode vir a público e criticá-lo severamente ou pode fazê-lo muito sorrateiramente, tentando disfarçar como se ele só quisesse ajudar… Ele não ajuda e não ajudará jamais. Jamais será o companheiro que você sonhou. 

Se você for do tipo questionadora, que capta quando há maldade, ele vai devolver para você com sua especialidade: o tratamento silencioso. Uma agressividade passiva, um “silêncio ensurdecedor” que acusa você sem sequer uma palavra. É um de seus métodos mais cruéis e mais utilizados contra suas vítimas mais inteligentes e questionadoras. Ele não consegue argumentar seu comportamento completamente desequilibrado então fica calado, castigando, insinuando que você está tão errada que não vale a pena nem dirigir-lhe a palavra! Diga lá: São mestres ou não em manipulação?

Aos poucos o narcisista separa-se emocionalmente de você. Isso faz com que você se pergunte o que fez de errado e inicie uma maratona para “compensá-lo” e trazer a relação para a primeira fase. A resposta é mais distanciamento e indiferença. Ele sabe bem o que está fazendo. Passa a dar desculpas para gastar menos tempo com você, chegar tarde em casa, não aparecer, não dar sinal por dias. 

Nesta fase você terá pequenas pausas em que será bem tratada. Isso acontece quando ele percebe que você está se distanciando, andando com as próprias pernas, desligando-se do abuso. Ele não quer que você se vá antes que ele esteja pronto para descartá-la e, para evitar isso, vez ou outra se apresentará com a máscara do começo. E isso só causa mais confusão emocional, a não ser, é claro, que você já entenda com quem está lidando. Se já entende, esta é sua chance de cair fora antes de ser massacrada. Você será, basta esperar.

De repente, o seu trabalho torna-se engolir abuso, humilhações, abandono e choro . O que o narcisista está fazendo com você é a DESVALORIZAÇÃO propriamente dita. Ele faz isso porque é irremediavelmente machucado por dentro. Um verdadeiro zumbi moderno, vazio de outra coisa senão instintos mais primitivos e gratificações instantâneas. Ele faz isso porque realmente não está disposto a fazer tudo o que é necessário para manter seu suprimento narcísico (você). Ele precisa de suprimento narcísico (atenção, dedicação, adoração, subserviência, sexo, etc) como uma droga. Ele quer agora e não quer trabalhar por isso. Ele sabe disso e se ressente.

O narcisista se cansa muito facilmente e, como qualquer viciado em drogas, precisa de mais e mais a cada vez para manter “seu barato”. Quando a euforia sentida no início de qualquer relacionamento acaba, uma vez que está provado que surge de substâncias químicas no cérebro, ele simplesmente se entedia e se enfurece. Sabe que o problema está com ele, mas projetará culpas imaginárias sobre você para não ter que lidar com sua superficialidade, além ter uma desculpa para partir para a próxima vítima que lhe dê suprimento novo, sem parecer o vilão da história.

As pessoas saudáveis, durante a química da paixão, podem desenvolver outras ligações, respeito pelos limites do outro e outros sentimentos que criam laços mais profundos, substituindo a paixão química. Há desenvolvimento de uma relação saudável onde ambos mantêm sua autonomia como indivíduos. Então esqueça: Você jamais terá isso com um narcisista patológico. Ele não permitirá que tais laços se estabeleçam. Ele olha para as pessoas nesses relacionamentos como fracos, submissos ou patéticos. Isso ocorre porque alguns estágios emocionais e de desenvolvimento do narcisista foram atrofiados na infância ou adolescência por algum evento traumático, ainda que esse trauma seja uma mera percepção dele de um determinado fato. É claro que nem todo mundo que experimenta traumas de infância desenvolve Transtorno de Personalidade Narcisista. 

Então acredite, na desvalorização o que ele deseja é destruir sua mente, seu brilho, sua energia vital, pelo simples fato de que ele se ressente de sua dependência por você, e é através da desvalorização que ele conseguirá colocá-la na posição de dependente, de modo a sentir-se um pouco melhor. Quem chegou a esse ponto deve preparar-se para o golpe final: O DESCARTE

DO CASTELO À LATA DO LIXO – FASE DO DESCARTE

O DESCARTE é a terceira e última fase da experiência traumatizante e dolorosa que é o encontro com um sociopata narcisista. Prepare-se, pois é nessa fase que você vai vê-lo completamente sem máscara, numa versão diabólica que você nunca pensou em associar àquele anjo imaculado que você conheceu e que lhe deu tanta lição de moral e bons costumes ao longo de toda relação.

Quando ele tiver rasgado você ao meio e arrastado seus pedaços para as profundezas do inferno com suas agressões verbais, sua humilhações, suas mentiras, traições, inversões, projeções e, em muitos casos, atos de violência física , ele vai descartar você. 

Assim que ele tiver sugado por completo sua energia vital, deixando-a esvaziada de alegria de viver, autoestima, amor próprio, autorrespeito e dignidade, ele vai jogá-la fora com crueldade e sangue frio. Simples assim, como se você um pedaço de papel sujo. Papel higiênico que ele usou para se livrar de sua sujeira, constantemente projetada sobre você. Só então ele estará pronto para descartá-la.

Durante a fase de desvalorização, a vítima tenta incansavelmente descobrir o que fez de errado para que seu parceiro tão perfeito do início se voltasse contra ela de forma tão furiosa. Ao longo da fase de desvalorização, o sociopata deixa bem claro que tudo foi culpa sua. TUDO. Ao final, a vítima está cansada, reprimida, deprimida e oprimida. A este ponto provavelmente já se tornou tão isolada que tem pouca ou nenhuma vida social. Enquanto ele a encantava com carinho e atenção ímpar, sorrateiramente exigia seu afastamento dos hobbies, amigos, familiares e colegas. Ora mantendo-a ocupada (e distraída) com atenção constante, ora castigando-a com mau humor e tratamento silencioso de modo que, aos poucos, você começa a evitar as condutas que desagradam o parceiro “tão apaixonado”.

Em um piscar de olhos você está distante de tudo e de todos que possam ser para o sociopata uma ameaça. Qualquer coisa que receba seu carinho e atenção, não é bom para você e, logo, deve ser eliminado. Sua vida e interesses devem ser dedicados exclusivamente a ele. Ele nunca diz isso abertamente. Conduz sua vítima a isso, através de manipulações, vitimizações, acusações e mentiras. E assim foi, sem você perceber.

O sociopata consegue isolar e degradar a identidade e autoestima da vítima para igualar à sua. Esvaziada, de joelhos, completamente perdida e sem vida própria, a vítima já não tem para fornecer qualquer suprimento narcísico (adoração, atenção, sexo, presentes, etc) e aí chega o momento em que ele vai descartá-la sem olhar para trás, como se nunca tivesse existido. Aquele amor eterno prometido, os planos grandiosos para o futuro, tudo se perde no nada. É como se nunca tivesse acontecido e a naturalidade com a qual ele faz isso vai deixá-la confusa, machucada, humilhada e sem vontade de acordar de manhã. Mas escreva minhas palavras: Ele nunca vai deixá-la a menos que já tenha garantido uma nova fonte de suprimento narcísico. Leia de novo. NUNCA. Pode não ser uma amante. Pode ser qualquer coisa (carro novo, consumismo, viagens, etc), novos amigos, velhos amigos, ex, qualquer coisa que naquele momento o sociopata narcisista perceba ser uma maior ou melhor fonte de suprimento narcísico. 

Incapaz de viver luto por perdas e de passar períodos sozinho, ele está sempre à procura de uma melhor “alimentação”. Sempre. Ao afastar-se e observá-lo de longe, você se verá diante de alguém promíscuo, que troca de parceiro com a naturalidade de quem troca de roupas. Você testemunhará futilidades absurdas em seus costumes consumistas. Você ouvirá mentiras a seu respeito. Você se encontrará muitas vezes perguntando: “quem é essa pessoa?” “como pode ser a mesma que um dia me fez tão feliz?”. Não se torture mais. Você conheceu um ilusionista talentoso que não conhece escrúpulos nem limites para tirar de suas vítimas o que mais lhe convém, ainda que para isso tenha que lhe prometer, sem nenhum pudor, um mundo maravilhoso e cor de rosa que, de repente, se transforma num lugar frio, tenebroso e escuro, onde você não significada NADA.

O sociopata narcisista é oportunista na essência. Quando o tempo com você não for mais conveniente ou não servir mais aos seus propósitos, ele dará seu golpe final e desaparecerá. Se seu contato era telefônico, não atenderá mais. Se você insistir de outro número em busca desesperada por uma razão de tudo aquilo, vai humilhá-la da pior forma possível ou simplesmente dizer que você ligou para o número errado!

Se ele mora com você, vai arrumar as malas e sumir, quer dando-lhe o tratamento do silêncio, quer tendo um ataque de fúria (por culpa sua, é claro) ou com um “combo” de desvalorização mortal, no qual juntará todas as suas técnicas de descarte e soltará sobre sua cabeça como uma pedra gigantesca que vai te esmagar como a uma formiga. Seja como for, ele vai sair de sua vida, sem encerramento, sem explicação, sem nada, deixando para você apenas dúvidas, culpa e muita dor.

E não se iluda, porque mesmo longe ele fará de tudo para sujar seu nome entre aqueles que conhecem o casal. As mentiras e histórias hollywoodianas protagonizadas pela vítima que era “louca” e que “não tinha vida própria” e que “o sufocava” serão contadas repetidas vezes e, não raro, conseguirão uma legião de simpatizantes que se compadecerão de seu “sofrimento”. 

Apesar de ser revoltante o sentimento de injustiça, o segredo é não reagir e aguardar. Como não conseguem manter máscaras por muito tempo, rapidamente suas ações passam a depor contra suas palavras e as pessoas, por si só, compreendem quem era a vítima e quem era o vilão. Reagir só vai fazer com que pareça que ele tem razão ao chamá-la de louca. Nesta fase é preciso focar em si e evitar contato com informações sobre essa pessoa que não tinha e jamais terá algo valioso para lhe oferecer. Seu encontro com ele foi uma fatalidade. Aprenda o que puder desta experiência e siga com dignidade. Não insista atrás de explicação e siga em frente, pois se você insistir, pode piorar e muito. A explicação é simples: você se envolveu com um transtornado mental. Ponto final.

Após o DESCARTE, se ele voltar (E ELE VAI VOLTAR) e você aceita-lo de volta, passada a lua de mel, você estará diante do ciclo LAVA, ENXÁGUA, USA, JOGA FORA E REPETE. Até quando ELE não quiser mais. Sim. Eles sempre voltam e o fazem por diversos motivos. Voltam essencialmente para ter certeza que ainda tem controle sobre suas vítimas. Voltam para machucar a vítima atual. Voltam porque têm certeza que você ainda os espera. Voltam porque são obcecados e veem suas vítimas como posse. Voltam porque perceberam que sua vida foi adiante sem eles e isso é inadmissível. Voltam porque ao vê-la melhor, percebem-na como fonte nova de suprimento e querem novamente sugá-la.

Se tiver sido você a deixá-lo, fará stalking, a perseguirá prometendo amor eterno, dizendo tudo aquilo que sabe que você deseja ouvir, falará de casamento, filhos e se apresentará em sua melhor versão. Será tudo o que você um dia sonhou. Ele voltará “mudado”. Graças a você ele “entendeu muitas coisas”. Mas se você me perguntar se neste momento ele merece uma segunda chance, lhe digo sem medo de errar: Aceitá-lo de volta é voltar à primeira fase sim, aquela maravilhosa da IDEALIZAÇÃO, mas sem esquecer que logo em seguida você deverá enfrentar a DESVALORIZAÇÃO e o DESCARTE, reinserindo-se num ciclo vicioso, mortal e sem fim do qual SOMENTE VOCÊ sairá prejudicada.

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Eu prefiro não saber

Eu prefiro não saber

Então ela me disse:

-Se você souber que ele me traiu; se souber que ele tem outra, por favor, não me conte! Eu não quero saber.

-Como não! Por que não quer saber?

-Porque passamos a vida juntos, porque passei com ele maus bocados, porque seria uma decepção muito grande e eu sofreria uma pressão enorme de mim mesma e do mundo para fazer algo a respeito e eu não sei se a essa altura da minha vida eu quero fazer algo.

Eu estava certa de que ela nunca havia sido traída e ela já beirava os setenta anos muito bem vividos ao lado do marido e dos filhos. Tiveram uma vida muito difícil no começo do casamento, porém, com o passar dos anos a situação financeira melhorou e puderam viver com conforto até o dia daquela conversa. O marido nunca teve qualquer comportamento que levantasse a suspeita de uma traição. Sim, existem homens fieis sim e é bem fácil perceber este tipo de “espécie”. Ser fiel faz parte de um conjunto de valores bastante complexo.

Eu tinha vinte e poucos anos na época e não era capaz de entender porque ela me fizera tal pedido. Onde já se viu não querer saber! Eu, naquela época, não conseguia entender nada sobre o velho ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”. Quando se é jovem, se é perseguido por uma espécie de doença que lhe obriga a ter que saber de tudo. Se um amigo não nos conta algo em primeira mão, tomamos aquilo como uma traição maior do que as que existem dentro dos casamentos e sobre a qual aquela sábia senhora não queria nem saber.

Há pouco tempo, ficávamos sabendo de quase nada se compararmos aos dias de hoje. Atualmente quase ninguém viaja sem que a lista de contatos – compartilhada em todas as redes sociais – fique sabendo. Se passarmos um final de semana nos dedicando a passear pelos perfis dos nossos amigos, teremos itinerário completo de quase todos eles. Sabemos quase em tempo real de tudo sobre a vida de todos que nos rodeiam, e está sim, bem mais fácil descobrir as traições. Fotos, vídeos e conversas vazam o tempo todo e chegam depressa, mesmo aos que preferiam não saber. Sorte de quem pôde viver em tempos nos quais podia estar na ignorância, não só da traição, mas também de notícias inúteis.

Existe muita sabedoria em preferir viver na ignorância. Existe talvez um desejo de “preferir nem ter ficado sabendo” de certas verdades, porém, pode ser que seja inevitável que elas venham e aí nos resta enfrentar a dor. O que aquela senhora me pede não é uma atitude de gente covarde. Ela me pede para não sofrer. Ela viveu em um tempo no qual os casamentos não se “dissolviam em água” e ela talvez não quisesse ficar sozinha. Talvez ela nem tivesse para onde ir e talvez ela tenha passado a vida pedindo não só aos outros, mas a si mesma que “não lhe contasse nada”. Não são raras as vezes nas quais utilizamos o mecanismo de negação pela completa falta de repertório para enfrentar certas realidades. Cada um tem o direito de escolher seu caminho e sua atitude perante os fatos.

Mais do que acreditar na fidelidade, eu acredito na lealdade e quando me lembro daquele dia, me lembro como uma das minhas maiores aulas sobre a vida. A maturidade deve trazer certa paz e deve tirar o peso de quase tudo que carregamos como verdade hoje em dia. Vivemos tempos de Tinder, de enviar nudes como se enviavam correios elegantes e ao mesmo tempo, vejo muito mais agressão e intolerância às traições do que soube ter existido há cinquenta anos. Tornamo-nos mais violentos, mais egoístas e ao contrário do que se pensa; o mesmo machismo que protegia os homens no passado continua firme, forte e reluzente, alimentando os egos e os grupos masculinos de whatsapp. A traição continua um pecado mortal para a mulher e um deslize para o homem. As mulheres que perdoam continuam sendo aplaudidas por seu altruísmo e os homens que não perdoam “a vagabunda” também.

Então, diante disso, eu consigo entender que, de vez em quando, é melhor nem ficar sabendo porque só uma mulher que já passou por isso sabe o que enfrenta da sociedade, junto com a  dor de ter sido traída. A pressão da plateia chega a ser digna do coliseu, querem ver sangue e jamais toleram que haja algum perdão ou uma segunda chance.

Bons tempos foram os quais vivíamos no anonimato, quando podíamos contar apenas com as fofoqueiras do boca a boca e quando podíamos nos dar o luxo de não querer nem saber. Felizes tempos nos quais nós não éramos julgados e condenados via satélite e nos quais nossos problemas eram apenas nossos. Felizes os tempos nos quais podíamos escolher como e quando resolveríamos os nossos problemas familiares.

Dos meus sonhos cuido eu

Dos meus sonhos cuido eu

A vida quase que se resume a uma infinidade de cobranças feitas pelos outros sobre o que estamos fazendo de nossas vidas, muitas vezes partindo de pessoas que mal fazem parte de nosso convívio. Somos questionados quanto ao namoro, ao noivado, ao casamento, aos filhos, aos estudos, e por aí vai.

Enquanto amadurecemos e estamos em processo de formação, é comum e saudável sermos cobrados por nossos pais, professores, porém, chega uma época na vida de todos em que já somos gente feita e crescida o suficiente para determinarmos o que e com quem seguiremos nossa jornada. Chegada a hora, é preciso romper com a dependência do outro e assumir as escolhas próprias e intransferíveis.

Devemos satisfações a quem nos sustenta, nos emprega, a quem divide a nossa cama, caso ainda não consigamos nos tornar independentes e autônomos, seja na esfera familiar, na profissional, ou sentimental. Não somos uma ilha e nossas atitudes sempre se estenderão às vidas que caminham conosco. Porém, há limites claros entre o que é pessoal e o que é coletivo.

Quando resolvemos atrelar nossas vidas às de outras pessoas, optando por constituir família, por fazer sociedade em algum empreendimento, qualquer coisa que nos aproxime intimamente de alguém, então teremos que pautar nossas ações por ponderações que levem o outro em consideração. Porém, quando buscamos ser felizes de acordo com sonhos pessoais, caso não atropelemos ninguém pelo caminho, é necessário que tentemos sempre viver nossas verdades.

Sem que estejamos convictos do que somos e de tudo o que queremos, não conseguiremos partir ao encontro de alguém que nos respeite e nos ame por tudo aquilo que é tão nosso. Somente estaremos prontos para dividir nossas vidas quando conseguirmos realmente viver o que somos, quando estivermos caminhando em compasso harmônico com os sonhos que estruturam os nossos sentidos, pois sem um eu verdadeiro, o outro não chega em sua completude.

Não acredita em amor eterno? Não se case. Nem se imagina como mãe? Não tenha filhos. Tem aversão à falta de liberdade? Não aceite empregos formais. Está de bem com o espelho? Coma sem culpa. Vá ser feliz do seu jeito, mas sem machucar ninguém pelo caminho, afinal, lá na frente, enfrentaremos a nós mesmos quando tivermos de prestar as contas da vida. Porque é assim que temos de ser e é assim que as coisas têm que acontecer.

Amar alguém só pode fazer bem

Amar alguém só pode fazer bem

Para ler ouvindo Marisa Monte – Clique aqui 

Amor deveria ser um bem comum.

Amor deveria ser grátis. Deveria ser fácil, leve e solto. Tal qual espontaneidade de bicho do mato.

Amor deveria ser cachoeira de águas cristalinas, que dá de beber a quem se aproxima. E deveria também ser terra fértil, pronta pra quem quiser cultivar com as próprias mãos. Deveria ser como o mar, a planta, a areia que nasceu neste planeta muito antes de nós e não há cerca que pudesse forjar uma obrigação, uma definição, uma possessão. Sem drama, sem decisão.

Amor não deveria ser público e nem privado, porque não pertence a nenhuma empresa e nem ao estado. Amor vem da terra, vem do mato, vem na gente antes de saber falar e entender, antes de conhecer a carga pesada da palavra ‘amor’.

Amar não deveria ser livre. Porque amar é a própria liberdade em si.

Todo mundo deveria ter direito ao amor, porque amor que é amor não exclui.

Amor não deveria ter cor, raça, nação… Amor deveria ser cego, surdo, mudo e pobre. Tão rico quanto uma alma solta, tão farto como uma floresta e seus encantos, tão fácil quanto a vida antes dos significados.

Amar deveria ser pomar em território de ninguém.

O amor não deveria deixar uns desnutridos e outros empapuçados.

O amor não deveria ser dividido, pensado, organizado, catalogado, exigido, ignorado. O amor deveria ser apenas compartilhado. Pega-se o que se quer, dá-se o que se tem.

Amar não deveria exigir que a gente fosse melhor do que ninguém pra poder merecer o que já é nosso por essência!

Amar é só energia de cura, de carinho, de compaixão. É deitar num ombro sem saber qual a razão.

É uma expressão de beleza dos olhos, de uma verdade das mãos.

Amor é bom, amor está antes e além de tudo o que convém.

Amar alguém só pode fazer bem.

Distraído, não. Estou atento ao que me interessa.

Distraído, não. Estou atento ao que me interessa.

Ahh… minha Mãe, segura nossa mão. Tem dias em que só assim. Aquela moça, sabe? Aquela moça amiga nossa, aquela que namora outra mulher, deixou a casa dos pais. A mãe a expulsou. A mãe. Não foi o pai, não foi o irmão mais velho. Foi a mãe. A mãe botou a própria filha na rua.

Aqui pertinho, um sujeito com o coração cheio de ódio passou a mão numa faca e machucou de morte um cachorro sem dono, um vira-latinha. Disse que o bicho tinha mordido o gato da filha dele e então resolveu fazer vingança. A Senhora veja se pode um negócio desse, minha Mãe! Cá entre nós, o que será que essa menina, uma criança aprendendo a dar amor a um animalzinho, vai compreender da vida assistindo à fúria vingativa do pai?

Nossa Senhora! Tem coisa que deixa a gente numa tristeza só. Um amigo me conta que na cidade dele, naquelas horas em que o povo sai do trabalho de cabeça quente, uma mulher de idade reclamou no ônibus com duas moças na casa dos vinte anos: elas estavam sentadas nos assentos reservados aos mais velhos. Pois não foi que as duas, cheias de saúde e de coragem, levantaram e estapearam a velhinha?

Eu fico aqui pensando essas coisas e vem alguém me chamar a atenção. Diz que eu sou um sujeito “distraído”. Não é má pessoa, não. Ela só não sabe que eu estou atento é em outras coisas. Minha atenção é incapaz de assumir duas tarefas ao mesmo tempo. Faz o que dá. Então esse meu jeito grave de olhar o nada até parece alheamento. E é exatamente isso. Eu vivo alheio ao que não me interessa.

Ligo não. Quase sempre não dou a mínima. Mas de vez em quando aparecem os donos da verdade e, Vixe Maria, essa gente me cansa. Ô mania de achar que os outros, todos os outros, são obrigados a ter os mesmos e exatos interesses que os deles, minha Mãe!

Para esse gente, destoar é proibido, estar alheio é ofensivo. E é tão engraçado como as pessoas carecidas de atenção sejam tão afeitas a julgar as “distraídas”!

É como se elas dissessem “fulana é distraída, nunca ouve quando eu falo”. Ai, quanto drama! É que ninguém é obrigado a estar atento o tempo todo a todo mundo, sabe? Uma coisa é se distrair no trânsito, ao volante, picando cebola, manejando um moedor de carne, regendo uma orquestra, digitando os números de um código de barras, operando um apêndice, andando na corda bamba sem uma rede lá embaixo. Aí precisa se concentrar, não pode se distrair. Nessas horas tem de prestar atenção. Outra coisa diferente é o direito de cada um se ensimesmar quando pode, ficar na sua, olhar para o nada e pensar somente no que lhe interesse. Será isso pedir demais, Virgem Santa?

Confesso: sou pessoa distraída. Mas essa é só a opinião de quem não tem a minha atenção. E a minha atenção agora anda focada em tanta, tanta coisa. Penso na moça amiga que a mãe expulsou de casa. E me alegra a notícia de que uma tia dela muito atenta a acolheu com amor. Penso no cidadão sem dó que esfaqueou um cachorro da rua. E me alivia o fato de que uma boa gente se reuniu e cuidou do bichinho machucado. Penso na velhinha que apanhou no ônibus, minha Mãe, ela que podia ser a minha própria mãezinha! E me acalma saber que o motorista, o cobrador e os passageiros de bem saíram em sua defesa e agora ela vai bem, recuperando-se do susto na companhia amorosa da família.

Penso nisso tudo com atenção. É tanta coisa para pensar! Então eu penso, penso e peço. Peço sem dó: rogai por nós, minha Mãe. Rogai por nós. Tem dias em que só assim. Tem dias em que só assim…

Fique atento aos sinais- Aline Andrade

Fique atento aos sinais- Aline Andrade

Por Aline Andrade

    Meus caros amigos, a vida é efêmera!

Vivemos em tempos que tudo ocorre a uma velocidade extremamente rápida, seja por avanços tecnológicos ou por nossos próprios anseios. Somos a geração dos impacientes, queremos que tudo aconteça rápido ou a sociedade nos cobra para buscarmos mais e mais a cada dia. Mal saímos do colegial já somos, em uma grande maioria, encaminhados para buscarmos um curso, uma faculdade e por aí vai, em uma fração tão rápida de tempo já nos formamos, buscamos um bom emprego depois seguimos anseios de casar ou não, ter filhos ou não.

Uma sociedade de relacionamentos líquidos a qual nos entregamos a esse ritmo frenético das coisas e mal temos tempo para um café, uma boa conversa, um encontro com aquele velho e bom amigo. Muitos de nós, às vezes nem observamos o que está ao nosso redor, no nosso dia a dia, quiçá as pessoas com quem cruzamos em uma caminhada, ou ida em algum lugar. Estamos voltados para o nosso ego e nossos afazeres.

Com isso deixamos para trás coisas simples e que fazem extrema diferença, como um bom dia, um obrigado, parar e olhar o pôr-do-sol, a lua, toda a simplicidade do mundo a nossa volta. Vivemos preocupados com o futuro e com recortes nostálgicos do passado, talvez isso explique a famosa “geração Prozac e Rivotril”, que necessita de doses anestésicas diárias para conseguir suportar o presente.

Já dizia Vinícius de Moraes em seu samba lindo, “a vida é pra valer, a vida é pra levar”, e a vida é agora e feita de momentos, a vida é evolução, amor, altruísmo, é dar e receber. Nos deparamos com sinais que nos mostram o quão simples e bom pode ser a vida…

Por isso, fique atento aos sinais!

Sobre a autoria:

 Aline Andrade, 23 anos, estudante de Direito,

 apaixonada pela simplicidade da vida, arte e poesia.

Alice no pais das maravilhas e os tiranos do dia a dia- Carla Acácio

Alice no pais das maravilhas e os tiranos do dia a dia- Carla Acácio

Por Carla Acácio

Baseado no diálogo da Alice com a Rainha de Copas. :

 

Alice: Eu estava tentando encontrar o meu caminho…

Rainha de copas: Seu caminho???? Todos os caminhos são meus caminhos 

(e se vc discorda então cortem lhe a cabeça!!!)

A Rainha vermelha representa o tirano na história da Alice. Enquanto Alice que está perdida por aí tenta encontrar o “seu caminho”, a rainha não permite que ninguém tenha um caminho próprio pra seguir pq todos os caminhos são dela. E cortem a cabeça de quem ousar discordar.

Todos temos um pouco de tirano em nós. Temos nossas convicções, vontade de estarmos certos e de que todas as pessoas do mundo concordem com nosso ponto de vista, até aí tudo bem o problema é se tornar um tirano na vida real que não aceita que as pessoas sejam livres pra terem suas próprias convicções e querer privá-las do direito de não concordar com vc. Querer puni-las por isso.

Temos hoje o caso do deputado da bancada evangélica Anderson Ferreira (PR-PE) que propõe 15 anos de cadeia pra qualquer mulher que abortar por microcefalia.

( estou impressionada por não ter pedido pra decapita-las )

Não é novidade que para a maioria dos evangélicos o aborto é pecado, essa ideia é baseada no conceito religioso de que o feto já tem uma alma a partir do momento da concepcão, de que ele já é um ser humano. Não é errado ter essa crença, porém ela é baseada na sua fé, existem diversos cientistas, médicos, etc, pessoas com propriedade científica que não compartilham da sua visão. Inclusive a ONU fez a recomendação de aborto em casos de microcefalia. A idéia de que o feto já é um ser humano não é uma verdade absoluta, uma criança já nascida sim, é um ser humano completo, não há quem discorde, o feto, há divergências meu caro. Isso te agrade ou não.

Nao se pode obrigar todas pessoas a andarem pelo seu caminho. Quem discorda tem seu embasamento pra isso. Não cortem-lhe as cabeças…
Criar leis com base na sua visão religiosa e moral sem considerar a pluralidade cultural do país e punir quem quer andar por caminhos diferentes dos seus dogmas, é tirania!

Em maior escala ainda temos os terroristas que chegam a fazer atentados, torturar e matar qualquer pessoas que não compartilhe das suas crenças.

Esses são casos extremos mas a verdade é que
Todos tem um pouco (ou muito) de tirano em si.

Devemos deixar cada um deve ser livre para percorrer o seu próprio caminho.
Sem passar por cima dos direitos dos outros.

Agora, deixando um pouco de lado os defeitos alheios e começando por onde podemos mudar mais facilmente:
Por nós mesmos
E ai vc já foi um tirano hoje?

Carla Acácio é formada em artes e trabalha como ilustradora

6 sinais alarmantes de que seu amor está morrendo

6 sinais alarmantes de que seu amor está morrendo

Por Stael F. Pedrosa Metzger

Quando um casal busca por uma terapia suas reclamações mais comuns apontam para desilusões, raiva e dor que devem ser cavadas para que se possa encontrar no fundo qualquer coisa de valor que possa ajudar o casal a encontrar a cura.

Os seis sinais mais alarmantes de uma relação que está morrendo podem estar relacionados abaixo:

1. Punição e escárnio

Quando a relação está realmente em apuros, os parceiros acusam um ao outro por qualquer erro que aconteça. Surge o jogo emocional da culpa e da exigência do “adequado arrependimento”. Quando não é atingido tal nível a punição e o escárnio se fazem presentes nas frases ditas um ao outro. Algumas podem soar como:

“É a terceira vez que você dorme no sofá, porque não diz logo que está me evitando?”

“Você fala como se fosse especialista em todos os assuntos… Quando foi mesmo que você leu um livro pela última vez?”

2. Dureza

Casais em crise não são delicados um com o outro. Seja qual tenha sido o nível de proximidade entre eles um dia, agora tudo se foi. Parecem vestir uma armadura de cinismo, amargura e pessimismo que os enrijece, prende e os deixa na defensiva o tempo todo. Alguns dos insultos mais comuns costumam surgir como:

“Claro que não me importo, de que adiantaria me importar?”

“Eu não vou me abrir para alguém que só faz me machucar…”

“Não estou mais ouvindo. Você é um idiota e sempre será!”

3. Rupturas não resolvidas

É normal que um casal tenha diferentes maneiras de ver a vida e de discordar sobre qualquer assunto. Os casais saudáveis usam essas diferenças como meio de se conhecerem mais, buscarem ver as coisas por outro ângulo e usar essas diferenças como complementos para uma relação mais rica e ampla. Os casais em crise costumam não resolver suas diferenças seja porque não sabem como fazê-lo ou estão mais interessados em “ganhar” uma discussão que ver o ponto de vista do outro. Eis as expressões mais comuns que as pessoas dizem quando estão presas a este tipo de comportamento:

“Eu não vou nem compartilhar tal assunto com você. Você não ouve mesmo…”

“Você só vê as coisas do seu ponto de vista.”

“Você é o dono da verdade. Está feliz por ganhar mais essa discussão?”

4. Domínio e controle

Quando os casais não vivem mais em parceria, as brigas tomam conta e eles parecem estar em contínua batalha pelo poder. Os comportamentos podem ser os mais absurdos como gritar, ser violento ou até sair de casa. São comuns as frases a seguir quando um casal está em plena luta para dar a última palavra:

“Quem lhe deixou tomar essa decisão? Deus?”

“Eu sei que estou certo e você não vai me convencer do contrário.”

“Ah, tá, você estragou tudo dessa vez, acha que vou lhe dar outra chance de pôr tudo a perder?”

“Eu estou assumindo o controle e não há nada que você possa fazer.”

5. Desconfiança

As desilusões, mágoas, desapontamentos podem quebrar a confiança, principalmente se são inesperadas, importantes e reincidentes. Vícios, traição, promessas não cumpridas destroem a segurança do parceiro e trazem a desconfiança para a relação. Exemplos de frases que mostram uma confiança minada:

“Eu queria contar, mas nunca consegui…”

“Eu sei que prometi que ficaria em casa esse fim de semana, mas eu não posso controlar meu chefe.”

“Será que eu tenho que dizer todos os dias que eu te amo? Isso cansa!”

“Vê se cresce, tá?”

6. Reclamações crônicas

Quando a crise está no ponto “morte iminente do amor” não há nada no parceiro que o outro goste ou apoie. Tudo é irritante, tudo cansa ou enoja. As reclamações têm sido constantes e em nada têm ajudado. Não há mudanças de comportamento em nenhum dos lados. As queixas constantes vão construindo um muro entre os parceiros. O amor que havia agora está enterrado embaixo de uma montanha de raiva, autoindulgência e vitimização.

Nesse cenário devastador, as frases cortantes e constantes são algo como:

“Quem quer faz, quem não quer encontra uma desculpa.”

“Eu falei para você não tentar consertar, agora estragou de vez…”

“Você devia aprender com seus erros e não ficar repetindo a mesma estupidez!”

Consertar uma relação nesse estado só é possível se ambos desejam reconciliar suas diferenças. Se estiverem dispostos a olharem de frente os problemas, reconhecerem o erro e voltarem ao rumo certo, então há esperança.

O primeiro passo é identificar qual comportamento tem feito maior estrago e começar por aí a desenrolar os fios da relação. Comece por um e irá encontrando os outros.

Fonte indicada: Família

                                                                Imagem de capa: Dean Drobot/shutterstock

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