Eu nunca quis um marido, eu sempre quis um companheiro

Eu nunca quis um marido, eu sempre quis um companheiro

Por BRUNA STAMATO

Eu nunca fiz questão de festa de casamento, de vestido de noiva e de um anel caríssimo de brilhantes. Não é isso que faz a minha cabeça. Eu não preciso de um papel assinado para provar que sou sua mulher, faz-me sentir que sou a tua mulher, faz-me tua! E eu serei, sempre.

Tu podes colocar uma aliança de bambu no meu dedo, desde que seja com VERDADE, que ela não seja somente para mostrar o nosso compromisso ao mundo, que eu ficarei feliz se ela não tiver ouro mas tiver AMOR. E se tu a usares com felicidade e não por mera formalidade.

Eu tampouco quero exigir-te fidelidade pois creio que fidelidade e amor ninguém obriga nem agradece; Quando existe um destes sentimentos muito forte, o outro complementa espontaneamente, sem obrigações, sem cobranças. A lealdade é fruto desta união e é isso que me interessa.

Eu dispenso a festa, se for para mostrar aos nossos amigos como estou feliz, quem me conhece não precisa disso e quem não me conhece não me importa… os meus amigos sabem que eu encontrei o amor, só pelo brilho nos meus olhos; Nunca quis um marido para a cerimônia, sempre quis um companheiro que fizesse da nossa rotina uma grande alegria e da nossa cama uma festa. Não me dês presentes caros, dá-me sorrisos!

Eu nunca quis um MARIDO para me acompanhar nos rituais natalícios e reuniões de família, sem a menor vontade, só porque PRECISA estar ali; Eu sempre quis um parceiro, que mesmo no final do campeonato de futebol, com a sua equipa em campo me dissesse “Vamos! Eu assisto ao jogo com os teus primos – adversários!”. Percebes a diferença? Parceria pode ser absolutamente oposta ao casamento, mesmo que não devesse nunca ser assim. Eu nunca quis passar o ano todo planeando um roteiro para os 7 dias corridos de férias no final do ano, porque eu não preciso passar o ano novo em Cancun, eu sempre quis um companheiro que me fosse pegar mais cedo no trabalho numa quinta-feira e que subíssemos a serra para passarmos 24 horas juntos…

Eu nunca quis um MARIDO que levasse a minha família para jantar no meu aniversário e me desse uma bolsa qualquer de presente, porque isso é o correto a se fazer; Eu quero um companheiro que me deixe um bombom debaixo do travesseiro para quando eu chegar… que ligue para a minha família e diga “Venham aqui para casa!”, que não me faça declarações com um helicóptero mas que me diga, todos os dias, baixinho ao pé do ouvido, o quanto eu sou importante.

Eu não quero um marido para posar comigo nas fotos, para me levar nos eventos da firma; Eu quero um companheiro para produzirmos boas lembranças, para ser, um dia, aquela foto que dá saudade, de um momento rotineiro na varanda… um companheiro para depois do evento da firma perguntar “E agora, vamos esticar-nos aonde?”.

Eu não quero um marido que só fique à minha espera na sala do pronto socorro, eu sempre quis um companheiro que me fizesse um chá quando eu estivesse com gripe. Isso é cuidado, zelo, e casamento, infelizmente, às vezes é outra coisa. Portanto, não te cases comigo apenas, mais do que isso: VIVE ao meu lado.
Eu não quero um marido para cumprir os protocolos; Eu quero um companheiro, para quebrarmos todos eles!

Eu não quero um marido para envelhecer comigo; Eu quero um COMPANHEIRO que me ajude a manter o meu espírito sempre jovem. Um companheiro que envelheça junto comigo e que ria dos meus cabelos brancos…

Eu nunca quis um marido para ter que fazer sexo 3 vezes por semana, eu sempre quis um companheiro que me levasse para a cama quando eu adormecesse no sofá.
Eu nunca quis um marido só para brindar; Eu sempre quis um companheiro para abrir uma garrafa quando o dia tiver sido péssimo.
Eu nunca quis um marido para procriar. Para revezar as trocas de fraldas noturnas. Eu sempre quis um companheiro que entendesse o meu cansaço e que me oferecesse o ombro para descansar.

Não precisas fazer massagens tântricas nos meus pés, apenas deixa-me esticar as pernas por cima das tuas…
Eu nunca quis um MA-RI-DO para pagar todas as minhas contas. Eu sempre quis um companheiro para crescermos juntos. Nunca quis um marido que me levasse para conhecer o mundo, apenas quis um companheiro para conquistarmos o mundo, para construirmos um mundo nosso. Para nos bastarmos num dia chuvoso. Para sermos felizes a comer macarrão com ovo! Para rirmos quando o dinheiro apertar… e para querer dividir não só o carro e a conta bancária, mas a alma, a vida e os medos quando a noite chegar; Os abraços, o céu, as estrelas, no nosso espaço e por todas as galáxias… que me deixe ser o astro no seu sistema solar!

Mas não precisa ser eterno. Eu só quero que seja verdadeiro enquanto durar. E que esse durar, seja leve, enquanto eu respirar.

Fonte indicada: Papo Sincero

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O Pequeno Príncipe: sobre ser um sonhador

O Pequeno Príncipe: sobre ser um sonhador

O que fazemos da nossa vida é o que nos define. Dessa forma, devemos vivê-la de uma maneira que faça jus ao que somos. Acredito, inclusive, que, quando fazemos o que gostamos, deixamos um pouquinho de nós em cada ação e, assim, temos uma chance maior de sermos felizes. Entretanto, somos desencorajados a seguir os sonhos. Tratam, logo cedo, de nos puxar para baixo e fazer com que aprendamos a olhar com os olhos racionais.

Essa lição, pois é assim que a vejo, é apresentada por Saint-Exupéry, quando conta que frustraram o seu sonho de ser um pintor.

“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.”

A atitude tomada pelos adultos, à época, é a mesma que os adultos de hoje tomam. Embora acreditem que enxergam melhor que as crianças, em verdade, são cegos que não possuem o mínimo de sensibilidade. Contemporaneamente, a situação talvez tenha até piorado, uma vez que devemos nos dedicar a atividades que nos garantam uma boa remuneração, logo, ser um pintor, como no caso de Saint-Exupéry, não faz parte do jogo.

A falta de sensibilidade das pessoas não lhes permite entenderem que alguém possa não querer fazer parte de um mundo pragmático e chato, em que a única preocupação é ganhar dinheiro. Muitas pessoas são movidas por paixões muito maiores que isso.

Determinar o que uma pessoa deve fazer é querer criar um exército de pessoas completamente iguais, é retirar todo o colorido da vida, é determinar o certo, o normal, é criar um padrão. Mas quem disse que precisamos nos enquadrar a um estilo de vida que se guia pela idiotice própria?

Diante da falta de sensibilidade dos outros – os quais não conseguem ver nada além das “coisas sérias” e, portanto, tentarão frustrar seus sonhos –, é preciso coragem para explorar as suas potencialidades. Ainda que não receba apoio ou que o vejam como louco, é necessário entender que não se adequar a uma sociedade doente é uma virtude.

A bem da verdade, não é fácil contrapor-se ao sistema, mas, ainda assim, é a única forma de presentear o mundo e a si mesmo com o seu talento . Talvez, muitos não entendam, mas a arte, para os artistas, é algo visceral, vem de dentro e precisa ser colocada para fora. E precisamos da arte para abrilhantar o mundo, ou para não morrer da verdade, como dizia Nietzsche.

Em um mundo que faz apologia à liberdade, é paradoxal o comportamento das “pessoas grandes”, pois, como disse, é extremamente difícil decidir seguir um determinado caminho sem apoio, isto é, saber que nadará contra a correnteza sozinho.

O resultado dessa falta de apoio é a formação de pessoas tristes, as quais se sentem desencaixadas no mundo ou culpadas em relação ao que são e gostam de fazer; sentem-se culpadas por não serem burocratas. Contudo, sem as pessoas com alma de artista, sem o lúdico, a vida perde a graça, perde o brilho, perde o riso.

Nem toda pessoa precisa de muito dinheiro para ser feliz, algumas pessoas vão além disso. No entanto, as “pessoas grandes” são incapazes de entender isso; para elas, se, por exemplo, um jovem pretende seguir uma carreira que não se enquadra naquelas determinadas como de sucesso pela sociedade, logo acabarão com o seu sonho e o incentivarão a cursar Direito ou Medicina, que são carreiras de verdade.

Dessa forma, provavelmente teremos um bom jurista ou médico, mas perderemos a oportunidade de ter um excelente profissional em outras áreas, que, através da sua arte, encantaria multidões.

Precisamos aceitar que cada indivíduo possui suas peculiaridades, que somos movidos por coisas diferentes e que o pragmatismo com que levamos a vida tira todo o seu encanto e a torna repetitiva, cansativa e chata.

Estamos enganados ao achar que as “pessoas grandes” tratam de coisas sérias; longe disso, estão cegas pelo orgulho e adestradas como burros que não conseguem olhar para o lado. O sucesso da vida não está em ganhar dinheiro, mas em fazer o que alegre e leve alegria para quem está ao seu redor e, para isso, faz-se necessário que encorajemos aqueles que, como Saint-Exupéry, desenham jiboias engolindo elefantes e, o mais importante, tenhamos sensibilidade para diferenciar jiboias engolindo elefantes de chapéus. Mas isso é só para quem ainda sabe sonhar.

Amar não é garimpo, é jardinagem

Amar não é garimpo, é jardinagem

Ouço com frequência amigos falarem quanto, ao final de um relacionamento, “batalharam” para salvar a relação. Pensei em quantas vezes me disse a mesma coisa e quanto é libertador entender que quando num relacionamento a gente atinge o ponto em que devemos “tentar de tudo” ou “lutar” para estar com alguém, significa que chegamos no começo do fim.

É falso afirmar que NUNCA devemos desistir de alguém que amamos. Nunca devemos desistir é de nós mesmos.

Quando entramos numa guerra interna para salvar um relacionamento, mergulhamos num paradoxo absurdo no qual passamos a oferecer um “amor” incansável que sequer somos capazes de dar a nós mesmos.

Não há luta, não há renúncias dolorosas, não há “fazer de tudo” quando se está diante da pessoa certa. A vida flui com a pessoa certa, aquela que olha com a gente na mesma direção e até discordar dela pode ser um momento de descontração.

Quando para estar com alguém nos sentimos cansados, esvaziados, testados, amedrontados, negociando a própria dignidade e acessando desesperadamente cada um de nossos recursos, como quem luta para manter vivo um filho com uma doença terminal, significa que esse alguém é qualquer coisa, menos a pessoa com quem envelheceremos de forma serena e feliz.

Como já disse em outra ocasião, amar não é garimpo, no qual se arrisca a vida no escuro, respira-se um ar saturado, suja-se ao ponto de ficar irreconhecível para, quem sabe, encontrar uma pedra preciosa que, depois de lapidada (e dá-lhe mais trabalho!), transformará sua vida para sempre. Garimpo é isso, amor não.

Amor é jardinagem nos fundos de sua casa. Ali, à luz do dia e respirando ao ar livre, você não põe sacrifício, você põe seu carinho, sua dedicação, seu tempo e seu conhecimento de que cada planta requer um cuidado específico porque nenhuma é igual. Ao invés de trabalho, você se depara com uma poderosa terapia que envolve adubar, irrigar, dar espaço para o crescimento de cada espécie e esperar o tempo certo de florir. E vai florir, trazendo a reconfortante sensação de cada uma traz sua própria beleza, sem, no entanto, requerer sua intervenção, seu cálculo, sua exaustão, seu sacrifício.

Conclusão: Envenenamento por frustrações

Conclusão: Envenenamento por frustrações

Esse é um texto diferente, meio verídico, meio confissão, um pouco triste, bastante reflexivo, algo de esperançoso, já que vamos falar de descobertas. E quando se descobre ou se revela uma coisa ruim, o mínimo de parte boa que se obtém é a própria descoberta em si, o afastamento da ignorância. Então é momento de agir e mudar o que ainda é passível de mudança.

Pois bem, sem muitos detalhes enjoativos, precisei fazer uma endoscopia e, apesar de ser um exame chato, tem aquela parte em que você dorme e, quando acorda, parece que veio diretamente da terra do nunca para a cadeira do repouso. E o acompanhante que se vire e se envergonhe com a quantidade de besteiras que se fala depois de um exame como esse.

E chegou o dia do exame, depois de cumprir um mal humorado jejum, lá vamos nós para a clínica, exalando tranquilidade e ansiedade, tudo junto, para o coquetel de tranquilizantes que aguardava. E tudo correu m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-m-e-n-t-e bem, o despertar foi melhor que beijo de príncipe, a sensação de “que mundo é esse” se fez presente, intensa e engraçada.

O que acontece na verdade, é que nada correu tão bem quanto meus desvarios analgésicos acreditavam. Eu dei trabalho. Muito trabalho. Uma equipe inteira tentando me domar. E lá se foram 240 mg de sei lá o que, que finalmente me derrubou… por 20 minutos.

Vergonha é pouco para o que eu senti e ainda sinto quando penso nisso, mas se é para frente que se anda, hoje fui ver a médica que realizou o exame, com os resultados em mãos. Sim, estou bem, nada sério, ela disse.

Uma notícia ótima, mas, muito inquieta, toquei no assunto do dia do exame e todo o corre-corre que provoquei. E ela, pequena, calma e simpática me disse:

– Você deve ser uma pessoa que guarda muito para si, que não expressa suas emoções com frequência, e, portanto, quando entrou em outro estado, liberou toda a tensão que estava guardada.

Em outras palavras, lutei e relutei contra um inimigo que eu mesma criei e alimentei. Levei para as forças do corpo a batalha que é da cabeça, me mostrei reativa e não colaborativa como provavelmente tenho sido com vários sentimentos pela vida afora.

Saí de lá com uma receita e uma lição. É ruim, mas é bom.

De hoje em diante, a tarefa primordial é desintoxicar a vida e reabilitar a alma.

O nosso lugar- Claudia Penteado

O nosso lugar- Claudia Penteado

A vida me fez de vez em quando pertencer,

como se fosse para me dar a medida

do que eu perco não pertencendo.

E então eu soube: pertencer é viver.

(Clarice Lispector)

Uma amiga confessou outro dia sua sensação de completo deslocamento no mundo. Depois que infartou, embora tenha se recuperado físicamente, não conseguiu reconectar-se à vida que levava, como se não tivesse mais direito a ela. Como se estivesse prestes a ir embora e tenha ganho uma sobrevida “de lambuja”. Passou a sentir um entorpecimento permanente e achou mais simples passar a deixar as pessoas decidirem seus próximos passos – o marido, a filha, os amigos. Ficou com a sensação de que “desencarnou” da sua própria história e busca, de alguma maneira, a reencarnação. A notícia recente de que seus exames médicos não estavam lá essas coisas piorou a sensação de vulnerabilidade. De repente, via-se postergando planos, pensando: “e se eu não estiver viva até lá?”…

Isso me fez pensar que os sentimentos da minha amiga “desencarnada” em vida são, na verdade, os mesmos de muitos de nós em pleno século XXI: uma espécie de não pertencimento e a sensação de constante vulnerabilidade. Ou ainda: angústia, por acreditar que é preciso pertencer a algum grupo ou lugar a qualquer preço, sob pena de flutuar no limbo. Quem já se sentiu ou tem se sentido assim ultimamente?

Em uma entrevista recente, o filósofo Zygmunt Bauman afirmou que hoje em dia trocamos de identidade várias vezes ao longo de uma existência e que isso pode ser extremamente angustiante. Antigamente, vivia-se “uma vida só”: nascia-se, fazia-se uma única escolha profissional, trocava-se talvez de esposa/marido uma vez no máximo (ou não), envelhecia-se com tranquilidade e calma, o tempo passava de uma forma que talvez pareça até monótona, mas o fato é que havia a possibilidade e a perspectiva de se viver uma vida só. Uma vida inteira sem grandes transformações ou mudanças de rumo. Sem que isso causasse, necessariamente, frustração ou angústia.

O mundo de hoje nos mostra, o tempo todo, que há muitas vidas a serem vividas. A vida virtual, claro, é uma delas. E há várias vidas virtuais possíveis, dependendo das rede sociais em que se está. Em algumas você brinca de intelectual, em outras é mais pessoal e sedutor, em outras inventa um personagem inteiramente novo ou pode viver, por exemplo, taras inconfessáveis. Se por um lado é divertido viver tantas personas, por outro a sensação de não pertencer a lugar algum de verdade pode gerar uma eterna insatisfação.

Na vida virtual, mais do que na real, há uma sensação de que é preciso fazer, o tempo todo, algo novo. Algo que surpreenda, mostre o quanto se é interessante, bacana, alguém que vale a pena “seguir” ou ser amiga. Que foto incrivelmente bela ou sexy vou inserir na minha linha do tempo? Que frase vou “postar” hoje nas redes sociais para angariar elogios e comentários? Que foto ou piada fará as pessoas me acharem incrivelmente engraçado? Que estilo de vida vou defender?

Na vida real, mais angústias. Dependendo da sua profissão, se você não tem um smartphone, não responde seus e-mails rapidamente, não tem uma conta no Facebook, nunca leu um livro digital ou não tem intimidade com um iPad, torna-se uma alma penada e sofre olhares de pena de seus pares. O estereótipo do “velhinho antenado”, que mexe com tecnologia com o pé nas costas – sim, ele existe, me garantem -, é amplamente explorado pela mídia e deixa um monte de gente… no buraco negro do não pertencimento. E que profissão vou escolher depois dos 40, já que virou tendência tornar-se escritor, músico, intelectual, consutor, terapeuta ou iogue na segunda metade da existência, depois de comprovado que todas as escolhas foram equivocadas?

E, repare, as mudanças de profissão podem acontecer várias vezes ao longo da vida pós-moderna. Apurando uma matéria sobre aprimoramento profissional, ouvi de diretores de Recursos Humanos de grandes empresas que os “jovens de hoje” têm imensa facilidade de mudar de profissão repentinamente, se algo lhes parecer mais atraente. Mantê-los nas empresas é um desafio imenso e o que seduz não é só dinheiro ou um bom “plano de carreira”: é uma espécie de estado contínuo de excitação e empolgação no ambiente de trabalho. Sem tesão não há solução, já dizia Roberto Freire. Nunca isso foi mais verdadeiro. Isso deve gerar um bocado de ansiedade. Chego a ficar cansada de pensar nisso.

E quando é o momento certo de separar do parceiro para viver uma outra história afetiva, que tenha mais a ver com a pessoa em que me transformei? Com quem viverei novos sonhos ou quem sabe velhos sonhos de juventude que ficaram escondidos e empoeirados e finalmente me permito viver? Posso ter outro filho perto dos 60 anos ou adotar um bebê…E, porque não, passar uns meses na Índia ou fazer o caminho de Santiago para rever toda a minha existência. Sabe-se lá que outras tantas opções isso trará ao meu destino? A impermanência virou um estado natural. A grama do(s) vizinho(s) – que nunca foram tantos – jamais esteve mais verde do que agora.

Impossível pensar em continuar simplesmente fazendo a mesma coisa, todos os dias, e ser feliz com isso. Isso nos torna monótonos, sem perspectivas, sem graça, sem brilho. É preciso se reinventar, inovar, incorporar o bordão pós-moderno.

É claro que ter tantas opções diante de nós e mudar pode ser saudável, divertido e maravilhoso. Esta não é uma apologia à não mudança! Meu ponto é que a cobrança social pela mudança pode angustiar e frustrar, quando não nos sentimos verdadeiramente conectados às nossas escolhas. Quando não mudamos porque realmente queremos. Não mudar é também uma escolha e não deve ser um fator condenatório ou sepultador. Não é fácil, no mundo de hoje, conquistar o direito de não mudar o tempo todo e ser feliz com isso.

Demanda muita honestidade consigo mesmo escolher a própria vida – independente do que corre ao redor – e sentir-se confortável nela, como numa cadeira mole do Sergio Rodrigues.

Ultimamente, eu realmente acredito que no lugar de pensar tanto e olhar excessivamente em volta, o que necessitamos é simplesmente mergulhar no doce e autêntico sabor das nossas escolhas, olhando para dentro, e não para fora. Pensando menos no futuro e mais no presente – um clichê que nos libera, como descreve Lispector numa crônica, da sensação de estar no deserto, sôfrego, bebendo os últimos goles de água de um cantil. Porque o mundo de hoje pode, mesmo, nos dar esta sensação.

Relações simbióticas: o que são.

Relações simbióticas: o que são.

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir*

Bem cantou Chico Buarque em sua canção “Eu Te Amo” como pode ser uma falsa relação de amor, vulgo simbiótica, entre dois apaixonados que não se desgrudam para nada. Que efetivamente vivem um para o outro. Que se jogaram de cabeça em um querer alucinado onde as trocas, comuns em todo tipo de relacionamento, deixaram de ser escolhas para, com o tempo, se tornarem obrigações.

Um dos primeiros a tratar da complexa relação simbiótica entre duas pessoas foi Erich Fromm, psicanalista alemão, filósofo e sociólogo, que atribuiu o termo simbiose incestuosa para esse tipo de relação onde geralmente um incorpora o papel de manipulador e o outro de manipulado, com possíveis inversões.

Um amor simbiótico começa com um ideal bonito de amor romântico, onde um supre todas as necessidades do outro. Contudo acaba se moldando gradativamente até se tornar um tipo de troca custosa, com altas exigências, quase sempre relacionadas ao fim de qualquer tipo de iniciativa individual. Com o tempo vai faltando a esse casal qualquer tipo de autonomia e independência.

Podemos denominar autonomia como a capacidade de realizar atividades por conta própria e independência como o poder de ter iniciativa por conta própria. Sem elas, sem essas duas características, a individualidade do casal lentamente se dissipa e os dois viram um todo uniforme no qual não se distingue mais quem é quem.

Então, essa relação deixa de se dar em função do desenvolvimento dos dois apaixonados, mas sim pela sobrevivência dos dois. Um não pode mais sobreviver sem o outro. Nenhum dos dois se lembra mais de quem efetivamente é.

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu*

Mas como a vida é infinita em suas possibilidades e quase sempre cobra mudanças, esse relacionamento tende a se desequilibrar no instante em que um dos envolvidos se sente sufocado, levando o outro à insegurança. Esses papéis passam a se alternar então, ora um assumindo o papel do inseguro, demonstrando crises de ciúmes e a vontade de impedir o outro de socializar, ora o outro assumindo o papel de quem não suporta mais qualquer tipo de controle e vigilância.

Esse “sentir-se sufocado” quase sempre nasce da vontade de novas experiências de um dos lados, vontades essas que podem ser bastante corriqueiras. Então tomar um sorvete na esquina, sem avisos prévios, pode levar esse relacionamento a uma crise, mas eu diria que essa é uma boa crise. Nesse ponto ou o relacionamento continua sem a simbiose ou ele efetivamente termina.

E terminar um relacionamento desses não é nem de longe fácil, tão pouco lutar pela manutenção dele sem cair em velhas armadilhas.

Depois de um longo tempo dentro de uma relação simbiótica é difícil lembrarmos de quem efetivamente somos. Quase sempre, por mais insatisfeita que uma pessoa esteja, ela não se recorda do que efetivamente apreciava fazer, falar, ouvir e comer antes dessa relação castradora e isso gera uma imensa insegurança.

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir*

Em grande parte das vezes uma pessoa precisa estar madura emocionalmente para conseguir dar um basta a essa simbiose comportamental, para não voltar a ela pelo medo do desconhecido, da solidão e de enfrentar fraquezas e tormentos interiores, velados por tantos anos.

É preciso saber enfrentar a angústia do fim com muita honestidade, coragem, disposição e diálogo para poder virar a página de um capítulo deveras longo e cheio de sacrifícios pessoais que quase sempre não levaram a lugar algum.

Um relacionamento só é saudável, quando não precisamos do outro para nossa sobrevivência. Todo casal precisa manter uma certa distinção entre um e outro, garantindo que a personalidade de cada um seja preservada. O amor verdadeiro soma, engrandece, corrige para a melhoria, norteia, aponta para as boas possibilidades, perdoa e aceita. Um casal saudável colabora um com o outro de forma respeitosa e juntos constroem projetos comuns que podem trazer felicidade para ambos e não só para uma das partes.

Aceitar uma relação simbiótica, tanto no papel de manipulador, nesse caso desconhecendo qualquer resquício do que é efetivamente o amor, ou de manipulado, recebendo ordens quase sempre contrárias ao ímpeto pessoal, é se deixar morrer vivo, é aceitar vagar pelo mundo como um zumbi que sorri ao falar de amor, mas que desconhece a felicidade trazida por ele.

Todos merecemos o amor verdadeiro e todas as suas maravilhosas possibilidades. E absolutamente todos nós corremos o risco de um dia nos equivocarmos quanto a ele. Cabe somente a nós, ao notarmos um caminho torto, nunca nos entregarmos rendidos a ele.

Sempre é tempo de reparar uma relação e se preciso recomeçar. Enquanto vivermos sempre haverá em nossa frente um leque de possibilidades. Escolher não é fácil, mas é imprescindível quando desejamos viver plenamente e não apenas sobreviver de forma apática e descontente por aí.

*_ Trecho da música “Eu Te Amo” de Chico Buarque.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Os outros não lhe ofendem, você se ofende

Os outros não lhe ofendem, você se ofende

 

Os pensamentos dos outros são apenas pensamentos dos outros. Se eu acreditar neles, permitirei que me afetem ou que me ofendam.

Portanto, sou eu mesmo, através do meu diálogo interno sobre a realidade, quem provoca sofrimento. Não são os outros que me ofendem, eu me ofendo quando acredito no que os outros pensam sobre mim.

Receba as críticas com tranquilidade e não permita que elas causem sofrimento ou desconforto.

Nós não podemos controlar ou alterar o que acontece “lá fora”, mas podemos mudar a forma como interpretamos os fatos. Se tenho esse poder, posso dizer que sou o dono das minhas emoções. Eu controlo as minhas emoções, não são elas que me controlam.

Muitos vão achar que isso é conformar-se com a situação. É injusto ser criticado por algo que você não é ou pelo que não fez. Bem vindo ao mundo e à vida! Ambos são injustos por definição, mas em contrapartida nos oferecem muitas coisas boas.

Como mudar os pensamentos e encarar as críticas com tranquilidade?
– O mais importante é se conhecer, amar e aceitar a si mesmo incondicionalmente. Se você se conhece profundamente e se aceita como realmente é, não importa o que os outros dizem. Isso não vai afetá-lo.

– Entenda que o outro tem o direito de pensar, criticar, julgar e avaliar. Por mais que isso nos incomode não podemos mudar essa situação. O que os outros pensam a seu respeito não é um problema seu; é um problema deles.

Não temos como controlar ou influenciar o que os outros pensam a nosso respeito. Portanto, é inútil reagir negativamente; isso pode gerar mais críticas.

Ouça todas as críticas. Às vezes, elas nos trazem muitos ensinamentos e nos ajudam a crescer.

Responda às críticas com serenidade, tanto a nível verbal como não verbal. Não responda com sarcasmo, com ar de superioridade ou com “cara amarrada”. Isso enviará para a outra pessoa a mensagem de que você se preocupa mais com o que ela pensa a seu respeito do que com o que você pensa sobre si mesmo.

Olhe nos olhos do outro com tranquilidade, mas sem desafiá-lo. Mantenha uma postura relaxada e segura e diga-lhe que tem o direito de pensar o que quiser a seu respeito, mesmo que não concorde e sua opinião seja diferente.

A chave não é aceitar e discutir, mas aceitar sem concordar, o que é muito diferente.

É fácil agir dessa forma? Não! Não aprendemos a ser racionais e nem aceitar incondicionalmente a opinião alheia. Muitas vezes agimos contra a nossa vontade, simplesmente para não sermos julgados e criticados.

Mas de qualquer maneira, podemos tentar encarar as críticas com mais tranquilidade. Pratique com afinco as nossas sugestões, até que possa dizer a si mesmo: o que os outros pensam de mim são apenas seus pensamentos.

Fragmentos do original:  O que você pensa sobre mim são apenas seus pensamentos

Imagem de capa: Natacha Cortêz

10 ensinamentos de Shakespeare para viver o amor todos os dias

10 ensinamentos de Shakespeare para viver o amor todos os dias

Por Luis Batista Gonçalves

Atemporal e assertivo, o poeta e dramaturgo britânico imortalizou máximas que são verdadeiras lições de vida para os relacionamentos contemporâneos.

É o sentimento que mais emoções desperta. «De todas as questões que preocupam o ser humano, nenhuma tem tanta importância como o amor», considera mesmo Allan Percy, coaching e autor de livros de desenvolvimento pessoal. Em «Como sabes que é amor?», publicado em Portugal pela Marcador Editora, apresenta 72 ensinamentos de Shakespeare que mostram como viver o amor todos os dias. Abaixo foram separados 10 deles:

1. «Se não se lembra de uma pequena loucura que cometeu por amor, não amou»

A paixão, pelos benefícios que nos traz, «é um bálsamo», assegura Allan Percy. Estar apaixonado gera um reforço da autoestima «pelo simples fato de nos sentirmos amados, admirados e valorizados», refere. Esse estado de graça promove um aumento da criatividade. «Porque não queremos deixar de surpreender o outro», garante o coach.

2. «Na amizade e no amor somos mais felizes com a ignorância do que com o saber»

O que não sabemos não nos pode magoar e, por vezes, o excesso de informação e a vontade de querer saber tudo acaba por ter um efeito prejudicial. «O sentimento romântico é um ser delicado que pode morrer se for dissecado», considera o especialista.

3. «Para celebrar os rituais amorosos, os amantes só precisam da luz da própria beleza e, como o amor é cego, a noite é o melhor para eles»

Estas palavas de Julieta no terceiro ato do grande drama romântico de Shakespeare «Romeu e Julieta» devem ser levadas muito a sério. Para estimular a libido do casal, Allan Percy sugere a relação ocasional de um jantar afrodisíaco que deverá incluir ostras, vinho, champanhe, chocolate, mel e cravo-da-índia, alimentos e ingredientes com reconhecidos poderes afrodisíacos.

4. «O curso do amor verdadeiro nunca decorreu sem percalços»

As histórias de amor felizes só existem nos livros e no cinema. Nas relações do cotidiano, há todo um processo de concessões e de adaptações a fazer diariamente. «A paixão é, com frequência, uma miragem que fabricamos, pois alguém que passa despercebido a qualquer outra pessoa converte-se aos nossos olhos num modelo de virtudes e encantos», sugere Allan Percy.

Na reta final de «Como sabes que é amor?», o especialista cita M. Scott Peck, autor do livro «O caminho menos percorrido. «Para Peck, o amor verdadeiro, o que ultrapassa o desejo sexual e o medo da solidão, é aquele que nos leva a comprometermo-nos a longo prazo (…) Esse é o AMOR em maiúsculas», assegura.

5. «As nossas dúvidas são traidoras que muitas vezes nos fazem perder o bem que podíamos ganhar»

Manter uma relação amorosa nos dias que correm nem sempre é fácil, sobretudo para os mais ciumentos e para os mais inseguros. «No terreno do amor a dois, as dúvidas são minas explosivas que, mais cedo ou mais tarde, corremos o risco de pisar», escreve o autor. Uma situação que gera «um claro desequilíbrio no casal», adverte.

6. «É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada»

Esta frase do poeta e dramaturgo britânico tem uma versão popular portuguesa, que muitas pessoas hoje ainda utilizam e que diz que «não é com vinagre que se apanham moscas». «Na arte da sedução, não contam apenas as palavras (…) O sorriso é a cola natural de qualquer relação humana e, sobretudo, das relações amorosas», afiança Allan Percy.

7. «Não suje a fonte onde afogou a sua sede»

É uma verdade inquestionável. «Todas as relações começam bem, mas algumas acabam mal. A vida em casal pode ser um paraíso, mas também se pode converter num campo de batalha, onde os adversários tentam tornar a vida do outro impossível», escreve o coach de desenvolvimento pessoal.

Para contrariar esta tendência, o especialista sugere que se recupere «de forma periódica hábitos e rituais da etapa inicial do casal», incluindo «sessões de cinema, jantares em restaurantes românticos, sair para dançar…» e uma (re)aproximação através do diálogo. «Partilhar com o companheiro problemas e desejos individuais, mesmo que não sejam fáceis de resolver», sugere Allan Percy.

8. «Se dois cavalgam um cavalo, um deve ir atrás»

Numa relação a dois, há papéis a desempenhar que não podem (nem devem) ser confundidos, mas também há contas que não podem ser feitas. «Pode acontecer que no início do romance um dos membros do casal esteja mais apaixonado do que o outro e, um ano depois suceda o contrário (…) Em todo o caso, não é importante quem dá mais à relação, sempre que a assimetria não seja demasiado grande», refere o autor.

9. «O nosso destino não está nas estrelas mas em nós próprios»

Nos dias de hoje, estar sozinho e abatido em frente ao computador ou com o telemóvel nas mãos é uma realidade para muita gente. «As redes sociais converteram-se no grande ponto de encontro dos corações que desejam amar», sublinha o escritor, que considera que essa pode, contudo, ser a solução para muitos solitários. «Pensar que este tipo de relações não pode ser intensa e duradoura é um preconceito», diz.

10. «Um homem que não se alimenta dos seus sonhos envelhece rapidamente»

O sonho comanda a vida e William Shakespeare sabia-o. «O amor move montanhas e os nossos maiores êxitos, tanto os individuais como os coletivos, são impulsionados pelo amor por um sonho», considera também Allan Percy.

Fonte indicada: Sapo-Saber Viver

Carta aberta a quem sofre de esperança.

Carta aberta a quem sofre de esperança.

Ah… pessoa amiga! Bom ver você aqui. Andei longe, enfiado em caminhos por onde se encontra tudo menos gente como você, correta, valente, cheia de vida. Andei por baixo, mirando os desenhos e as ranhuras do chão, varrendo as calçadas com os olhos. Parti ladeira abaixo buscando sei lá o quê, fugindo já não sei de quem.

Arrastei a alma vazia no asfalto, feito saco plástico levado pelo vento, e caí em tantos buracos quanto os passos que dei, passos maiores que as pernas tomadas de câimbras e ansiedade. Você decerto não sabe o que é isso, e eu espero honestamente que jamais descubra, mas eu reconhecia as pessoas pelos pés, sabia quantas lajotas formavam uma tal calçada e desprezava uma multidão de moedas perdidas que encontrava em cantos tristes da rua. O sol queimava minha nuca e fazia da sombra do meu corpo um interlocutor persistente e dedicado, o único, caminhando comigo, perdido como eu.

Porque eu me perdi, sim, me perdi de tanto seguir. Fui andando, apertei o passo, caminhei para longe e me afastei demais. De lá, da lonjura a que fui chegar, o que eu gritava ninguém podia ouvir. Você também não podia ter ouvido. Minha voz não existia senão para mim mesmo. Já não passava de um murmúrio teimoso, exibindo a resistência inútil das árvores que despencam de tão velhas, os troncos apodrecidos, os galhos estalando secos, esbravejando na queda.

Fomos longe demais, me dizia a sombra aqui embaixo. Ela estava certa. Não fosse meu periscópio de segunda mão que achei no baú onde guardo os sonhos frustrados, os bilhetes de loteria perdidos, os números de telefone que não existem mais e os ossos que ainda não dei aos cachorros, meu contato com o mundo, que já era tão pouco, teria sido nenhum. Eu me afastei. Para longe, para o fundo.

E você? Andando por quais caminhos? Me conta! Eu parti e cheguei até onde não se sabe mais o rumo de volta. Mas voltei. Mais velho, mais cheio de novos medos, voltei. E na volta encontrei você como um bom presságio. Uma música linda, um sentimento de paz de domingo à tarde, depois do almoço, invade meu mundo por todos os poros. É uma canção quatro por quatro, batendo mansa, ventando tranquila, enchendo a casa, untando as formas de bolo do próximo aniversário. Um pensamento de tamanha limpeza percorre os corredores longos e os quartos largos das minhas lembranças, e uma ternura tão humana e tão sutil abre a janela e fica ali, apanhando vento na cara, os cabelos voando, a vida suando na pele, sob o calor generoso do sol. Você está aqui e é testemunha de que hoje um homem voltou a olhar para a frente, para o alto.

Sigo caminhando, em busca. Mas caminho com uma nova esperança. A esperança viveu de novo. Ela é sempre a primeira que vive. Não parto mais ladeira abaixo. Faço as malas e avanço para o mundo. Agarrado ao presente incalculável de existir. Feliz um dia ou outro, tristonho de quando em vez. Mas vivo, agradecido, correndo para a vida em sua devastadora, infinita e espantosa beleza.

Manipuladores cavam a própria cova. Deixemos que trabalhem em paz.

Manipuladores cavam a própria cova. Deixemos que trabalhem em paz.

Característica básica de quem se acha muito esperto é subestimar a inteligência do outro ou mesmo subvalorizar sua bondade.

Eis que chega o manipulador- que não se entende como tal- e com seus tentáculos de pseudo simpatia e afeto envolve a possível vítima que pretende sujeitar a seus desejos.

Invejoso e ressentido com o sucesso ou alguma outra característica alheia, ele se faz de amigo. Impõe sua presença mesmo sem ser convidado  e esforça-se para ludibriar as percepções de quem perto dele está e já percebe- a gente sente- que o carinho e interesse demonstrados não são positivos.

O manipulador, entretanto, não se satisfaz com a proximidade do “objeto de desejo. Ele não consegue ver na companhia adquirida uma forma de crescimento por aprendizagem e, a cada dia, mais incomodado fica. Ele quer mais, ele quer tudo. Olhar diariamente para um espelho do que não tem alimenta sua cobiça destrutiva e por isso ele sabota, ele fala mal, ele cria redes de intriga com outras pessoas próximas.

O “mal” dificilmente é assumido. O manipulador é bonzinho. É o pior de todos os bonzinhos: é o falso bonzinho.

Ele não é aquele que dirá que está com ciúmes, que tem inveja ou raiva; ele dirá que está preocupado com você para despertar em uma terceira vítima o interesse pelo assunto.

Ele não reconhecerá seus próprios erros e vacilos publicamente; ele procurará características que considera falhas no objeto de desejo. É triste, mas o manipulador é aquele que exalta a cristaleira para depois quebrar o prato.

O manipulador parece perspicaz e faz grandes estragos, mas no fundo é um ingênuo. Ele não percebe que o outro trilhou seus próprios caminhos e compara seu começo com meio ou o fim do outro. Gasta suas habilidades sociais na destruição, direciona toda uma energia que poderia construir para isso e, sim, isso é um caso patológico.

Todos nós caímos em suas garras e, muitas vezes, fazemos seus gostos apenas para nos livrarmos de seu assédio. Mas a lei do retorno deve ter sido criada inspirada nesse “tipo” de comportamento:

Os manipuladores não cansam só você, não invejam só você, não falam mal só de você.

O manipuladores cavam a sua própria cova. Deixemos que trabalhem em paz.

As curiosidades da vida de Édith Piaf

As curiosidades da vida de Édith Piaf

Por Daniela Costa

Édith Piaf teve uma carreira recheada de sucessos, mas há algumas curiosidades na sua vida que provavelmente você desconhece. Saiba mais sobre ela no aniversário dos 100 anos do seu nascimento.

É uma das cantoras de referência francesas e, apesar de ter falecido na década de 1960, a sua fama persiste até aos dias de hoje.

Piaf teve uma vida cheia de histórias. Lenda ou verdade, saiba algumas curiosidades da vida dessa grande cantora.

1. O nascimento de uma estrela

Conta a história que Édith Piaf nasceu na calçada da Rue de Belleville 72, em Paris, quando a sua mãe procurava ajuda por se encontrar em trabalho de parto. No entanto, a sua certidão de nascimento refere que Piaf nasceu no Hospital de Tenon, local que se situa em Belleville.

2. Nome de enfermeira

Acredita-se que o seu nome, Édith, foi escolhido como homenagem a uma enfermeira britânica, que foi executada por ajudar soldados franceses a escapar dos alemães na Primeira Guerra Mundial.

3. Uma família pouco tradicional

Filha de mãe cantora em cafés e de pai acrobata com experiência em teatro, diz a história que a pequena Édith foi abandonada pelos pais ainda bebé, tendo ficado aos cuidados da avó materna durante 18 meses. O pai de Piaf, antes de se alistar no exército, levou-a para os cuidados da avó paterna, proprietária de um bordel, na Normandia. Nesse tempo, eram as prostitutas do bordel que tomavam conta do bebê.

4. A cegueira que chega na infância

Diz a lenda que Édith Piaf ficou cega quando era criança por causa de uma ceratite (inflamação na córnea). A cura chegou quando as prostitutas com quem viviam a levaram a rezar no túmulo de Santa Teresinha. A cantora foi devota desta santa durante toda a sua vida.

5. Uma jovem que não estava preparada para ser mãe

Com 17 anos, Édith deu à luz a sua única filha, em 1933, que batizou de Marcelle, fruto da sua relação com Louis Dupont, um entregador. A menina viria a padecer de meningite aos dois anos de idade.

6. “La Môme Piaf”

Édith foi descoberta pelo dono do cabaré “Le Gerny’s”, Louis Leplée, quando cantava na rua. Foi nesse momento que a sua carreira artística melhorou substancialmente. Foi ele que a batizou de “La Môme Piaf” (O pequeno pardal), uma vez que a cantora media apenas 1,47 m. Mas foi Raymond Asso que, mais tarde, mudou o seu nome artístico para Édith Piaf.

7. Às voltas com a justiça

Em 1936, Louis Leplée é assassinado em casa e Édith Piaf é acusada de ser cúmplice da sua morte. A cantora acabou por ser absolvida destas acusações. No entanto, este episódio chamou sobre si muita publicidade negativa, que Piaf conseguiu superar.

8.  Charles Aznavour, o motorista

É um dos músicos referência na França mas, em 1951, Charles Aznavour era um aspirante a cantor que tinha sido contratado como assistente e motorista de Édith Piaf. Foi a cantora que impulsionou a sua carreira.

9. Os casamentos da diva

Édith Piaf casou duas vezes. O primeiro marido foi o francês Jacques Pills e a madrinha de casamento foi a célebre atriz Marlene Dietrich. O segundo marido da cantora foi Theo Sarapo, um cabeleireiro de origem grega, 20 anos mais jovem. Diz-se que, após a sua morte, apesar de Piaf ser católica, foram proibidas as obséquias religiosas por ser divorciada. No entanto, o Arcebispo de Paris autoriza a presença de um padre no cemitério para rezar pela artista.

10. A morte em Paris

Édith Piaf sempre tinha manifestado o desejo de morrer em Paris, mas quis o destino que a morte da artista chegasse quando a cantora de encontrava em Plascassier, em Grasse, nos Alpes, a 10 de outubro de 1963. O seu corpo foi movido em segredo e a sua morte anunciada no dia seguinte, 11 de outubro, em Paris.

Fonte indicada: Sapo

Carrego o mundo nas costas e ninguém reconhece

Carrego o mundo nas costas e ninguém reconhece

“Faço tudo por tal pessoa, penso nela primeiro do que em mim, carrego o mundo nas costas, e, em troca, recebo maus-tratos e ingratidão.”

Sempre que ouço isso, lembro de quando viajava muito a trabalho e ao sentar no avião eu ouvia: “Em caso de despressurização do ar, máscaras de oxigênio cairão à sua frente, coloque-a sobre sua boca e nariz para só então auxiliar crianças, idosos e quem necessitar”.

Pela minha natureza empática e pelo meu vício de “cuidar dos outros primeiro”, ficava inconformada com tamanho egoísmo. Como deixar uma criança ou um ser amado morrendo ao seu lado enquanto você cuida do seu próprio bem estar primeiro?

Com essa minha inquietação, eu tocava a vida seguindo as instruções de voo, sem jamais entender que eram instruções a serem seguidas também em terra firme, na vida prática.

Quando “a ficha caiu” já tinha experimentado um número sem fim de frustrações e ingratidão. A vida não funcionava bem, simplesmente não engrenava nada. Eu me doava e me desdobrava e não recebia nem um mísero “valeu aí”.

Um dia, desolada com uma enésima frustração, me sentei num voo para “esquecer a minha doação não reconhecida” e foi bem ali, ao ouvir as instruções de voo, que concluí que para sobreviver em todos os aspectos da vida é preciso usar o que chamei de:

TEORIA DO AR DESPRESSURIZADO

É bem simples. Num ambiente onde há despressurização do ar, a falta de oxigênio leva o ser humano a perder os sentidos rapidamente, cessando em seguida suas funções cerebrais. Ou seja, ao se deparar com uma situação de emergência em pleno voo, se você não colocar sua máscara rapidamente, morrerá e morto, não poderá ajudar as pessoas que são necessitadas, levando-as também, à morte.

Assim funciona nas relações interpessoais em pleno voo da vida. Ao esquecer-se de si para alimentar primeiro a necessidade do outro, você deixa de suprir-se da energia vital necessária para continuar vivo de modo a poder dar ao outro aquilo que já se deu.

Portanto, passageiros e passageiras desse lindo voo chamado vida, quando acharem que estão “carregando o mundo nas costas, dando mais do que recebendo e cuidando primeiro dos outros”, fazendo com que lhe falte o mínimo de energia necessária para manter seu próprio sorriso no rosto, lembrem-se da “teoria do ar despressurizado” e coloquem imediatamente sua máscara de oxigênio. RESPIRE pela boca e pelo nariz, sinta-se FORTE e CONSCIENTE, de modo a ter condições para preservar a vida e a alegria de pessoas importantes: VOCÊ e as pessoas que você ama.

 

15 palavras que mudam de sentido após os 30 anos (ótima)

15 palavras que mudam de sentido após os 30 anos (ótima)

1 – Tarde

Antes: entre as 03:00h e 04:00h da madrugada.

Agora: qualquer hora depois das 23.00h da noite.

2 – Friends

Antes: aquela serie de televisão sobre pessoas que pareciam tão tão tão velhas.

Agora: uma série sobre pessoas mais novas do que eu.

3 – Protetor solar

Antes: Protetor de fator 10 passado só nas zonas mais sensíveis antes de chegar à praia.
Agora: Besuntar o corpo todo com fator 50 e repor várias vezes ao longo do dia de praia.

4 – Estar bêbado

Antes: beber diversas cervejas e bebidas destiladas.

Agora: beber dois copos de vinho branco com o estômago vazio.

5 – Jovens

Antes: aqueles que estavam na escola secundária.

Agora: literalmente todas as pessoas com vinte e poucos anos.

 

6 – Metabolismo

Antes: algo muito bom que permite comer e beber o que se quiser.

Agora: uma maldição que faz com que a pizza e as pipocas vão diretamente para as pernas, a barriga e o bumbum.

7 – Rejeição

Antes: Algo que me afetava completamente.

Agora: que venha o próximo/a.

8 – Azia

Antes: Aquilo de que os seus pais se queixavam.

Agora: Ai meu deus, não aguento mais..!

9 – Quando eu tinha a tua idade

Antes: aquilo que se dizia ironicamente.

Agora: aquilo que se diz com total sinceridade e melancolia.

10 – Apagado/Morto

Antes: o excesso de bebidas alcoólicas que levavam à perda de memórias de certas partes da noite anterior.

Agora: estar cansado demais e ir dormir  às 20:00h, ainda com a roupa do trabalho.

11 – Creme para rugas

Antes: aqueles produtos que a sua mãe comprava sem parar.

Agora: conversa que tem com as suas amigas quando toma café.

12 – Olheiras

Antes: aquilo que ficava sob os olhos quando não dormia o suficiente.

Agora: aquilo com que acorda todos os dias.

13 – Acordar cedo

Antes: acordar às 07:00h para ir para as aulas.

Agora: acordar às 6:30h para chegar cedo ao mercado e levar os melhores vegetais e peixe fresco.

14 – Show

Antes: curtir a noite toda.

Agora: eu só quero sentar e apreciar um pouco de boa música.

15 – Divórcio

Antes: aquilo que acontecia aos seus pais ou pais dos seus amigos.

Agora: aquilo que acontece com você e com os seus amigos

Artigo adaptado para o português-BR pela CONTI outra. Fonte original Sapo/ MustStrazzera

Imagem de capa: Alice Mason

Pássaros engaiolados

Pássaros engaiolados

Meu pai gostava, assim como inúmeras pessoas gostam, de ter pássaros em casa. Através de suas gaiolas ele admirava a beleza e o canto.

Eram bem tratados, tinham água e comida.
Mas, não tinham algo indispensável: a liberdade!

Como meu pai tinha pássaros em casa, em especial canários belgas, cresci acostumada a ouvir o trinar e o lindo canto deles e nunca havia parado para pensar na liberdade que eles deveriam ter.

Um dia, meu irmão escreveu um texto para um jornal local comentando sobre esse assunto, e comparou a prisão de pássaros à prisão de seres humanos.

Bem, a prisão de pessoas se torna necessária dado às suas atitudes delinquentes. Mas, não é da natureza humana, ficar aprisionado, como não o é também a natureza das criaturas aladas.

Diziam que os canários belgas não sobrevivem se fossem libertos, mas, e se nunca tivessem ficado presos numa gaiola? Pensei!

Fomos feitos dotados da necessidade de liberdade, assim como os pássaros necessitam alçar voos , cantar livres e se acasalarem.

Por mais que, às vezes, desejemos ter em casa um pássaro de estimação, é bom pensarmos com sensatez que eles nasceram com a genética da liberdade de voar livres, de cantarem soltos…

Vamos apreciar os pássaros nas árvores, em praças, jardins, nas matas…
Que fiquem livres para o voo ao vento, assim como queremos ser livres na terra.

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