Vídeoaulas podem ser acompanhadas pela plataforma online de educação superior no Brasil: Veduca
A internet é uma ferramenta poderosa, que vai muito além das redes sociais. Ela pode ser utilizada para estudos a fim de garantir conhecimento, com várias alternativas interessantes e, muitas vezes, gratuitas.
Uma boa possibilidade para quem gosta de aprender de forma online é o Curso Ciência Política oferecido pelo Veduca, plataforma online de educação superior no Brasil, que reúne mais de 300.000 estudantes. O curso, totalmente gratuito, é ministrado pelo Clóvis de Barros Filho, da Escola e Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
Ciência política é o estudo dos sistemas políticos, das organizações e dos processos políticos.
Envolve o estudo da estrutura e dos processos de governo, ou qualquer sistema equivalente de organização humana que tente assegurar segurança, justiça e direitos civis. Abrange diversos campos, como filosofia, economia, geopolítica, administração, entre outros.
O curso tem duração de 60 horas e é composto por vídeos: um introdutório e 9 videoaulas, divididas em partes e acrescidas de quizzes para melhor fixação do conteúdo. São abordados tópicos introdutivos, o que é Política, política na Prática, política e Teoria dos Sistemas, opinião pública, partidos políticos – parte 1, partidos políticos – parte 2, a Constituição Brasileira, o Poder Constituinte.
Para garantir maior interação com o conteúdo e com outros estudantes na plataforma, o Veduca disponibiliza algumas ferramentas, como um caderno virtual para anotações pessoais, e o fórum de discussão.
Qualquer pessoa pode realizar o curso, pois não é exigida nenhuma formação específica. Além disso, todo conteúdo é aberto e gratuito.
Quem quiser receber um certificado do professor, atestando que domina o assunto abordado, poderá optar por fazer uma prova presencial.
O que você quer fazer antes de morrer? O animador Ângelo Valente e a gerontologista Sofia Nunes fizeram essa pegunta para um grupo de idosos que moram no centro comunitário da Gafanha do Carmo, em Aveiro, Portugal.
A iniciativa teve inspiração no projeto artístico Before I die. As respostas dos idosos foram surpreendentes. Alguns revelaram que queriam voltar a enxergar, outros sonhavam em dirigir um carro novamente ou simplesmente em mudar a cor do cabelo.
Confira alguns desejos. No final há uma linda surpresa!!!
E aqui fica a melhor parte: a iniciativa já teve tanto sucesso que vários idosos já conseguiram realizar os seus pedidos!
Porque há muito além da sexualidade que precisamos assumir.
Há alguns imperativos perigosos por aí, disfarçados de liberdade, mas ressonando discursos tão semelhantes aos que criticam. Qualquer um que da vida já tenha experimentado os caldos, dos mais saborosos aos mais amargos, sabe que liberdade mesmo, libertar-se, é não seguir nenhum padrão que não tenha origem na vontade própria, e dar conta disso sem atropelar vontade alheia, ainda que tais padrões tenham sido pintados pelos romances revolucionários.
Ser livre é andar na corda bamba – há de se conhecer o peso do próprio corpo, o peso de ser si mesmo. Não há liberdade alguma em fazer coisas consideradas subversivas simplesmente porque assim o disseram. Ser subversivo é agir com autenticidade, e isso sempre traz críticas, tanto da parte dos considerados conservadores quanto da parte dos que se consideram liberais.
Percebo com certo asco alguns discursos que certa vez foram inovadores, mas que agora não passam de repetição sem sentido. Não há, talvez, melhor exemplo para isso do que o posicionamento das pessoas em relação à sexualidade. Não consigo pensar em algo mais íntimo e natural de ser escolhido conforme as inclinações próprias de cada indivíduo do que a vida sexual de uma pessoa, desde que, é claro, ela não prejudique a escolha nenhum outro, inclusive daqueles que não estão aptos a fazer escolha alguma. Liberdade é uma atividade de exploração continua de território conhecidos e desconhecidos, de procurar espaços onde ela possa ser vivida com semelhantes, com afins. Não é nada parecido com o que se impõe com violência, seja esta física ou moral – a isto conheço como tirania.
E o que há de tirania tentando se passar por ideal libertador! Se, por um lado, temos uma explícita a aversão à experiência sexual livre de moralismos, fielmente representada pelos fanatismos religiosos, pelos posicionamentos hostis que tentam atribuir à opinião coletiva algo é que intrinsecamente individual, há, por outro lado, um oposto irônico e tão hipócrita quanto o primeiro – os que tentam impor uma fórmula de sexualidade livre conforme a vontade do interlocutor.
Mascaradamente investidos em saciar os desejos próprios, imaturos de mais para lidar com a recusa alheia em seguir a sua linha de anseios, criticam aqueles que, por alguma razão que só diz respeito aos próprios, não desejam viver certas experiências, ainda que se considerem e sejam pessoas livres de fato – fazem o que querem fazer, aceitam os convites que desejam aceitar, transam sim – quando querem, com quem querem, como querem, quando assim é possível.
Mas há uma certa imposição completamente distorcida, de que para que uma pessoa seja considerada livre e interessante, ela precisa viver o inverso da caduquice pseudocelibatária monogâmica conservadora. Ela ou ele precisam “comer” ou “dar” para quem que assim os queiram. Não, ninguém precisa. E isso não faz de ninguém absolutamente mais nada do que alguém que gere a si mesmo. Ninguém precisa beijar todas as bocas para ser livre, nem transar com ninguém só para não perder a oportunidade, nem tirar a roupa quando não se sente à vontade, nem participar de orgias, nem, muito menos, quem o faz porque assim convém ao seu desejo, deveria ser julgado réu por isso.
Se cada um desse conta e aceitasse que o outro – adulto, também dá conta de lidar com a própria libido, com o próprio corpo, com a própria genitália, é possível que, no que diz respeito aos interesses realmente coletivos, porque pela natureza assim o são – o dinheiro público, por exemplo -, as pessoas estivessem mais ligadas, mais racionais e esclarecidas quanto aos verdadeiros interesses e destinos do que afeta a todos e não a um ou dois ou meia dúzia.
O mesmo serve para as experiências místicas ou toxicas, para os gostos musicais, para os lugares frequentados, para as aventuras. Podemos dizer do que pensamos da vida, podemos sugerir alternativas, podemos fazer convites, podemos desejar, e, a quem arrisca, pode-se até dar conselho. O que não faz sentido é tentar impor a própria opção de vida para ninguém, quem quer que seja. É isso o que em primeiro lugar define o que é “separar as coisas”. Separar o que é meu do que é nosso. Deixar que as pessoas enlouqueçam no tempo delas.
É certo que ninguém é obrigado, também, a ser amigo de ninguém. Mas, vamos ser honestos, essa coisa de dizer que “tudo bem, quero só ser seu amigo”, mas que vira a cara quando o sexo é colocado em questão como algo que não será consumado nessa relação amistosa, é fruto da mesma hipocrisia de quem vira a cara para o outro por ter uma vida sexual considerada “libertina”. Virar a cara para alguém porque não topa experimentar a sua viagem, é da mesma natureza de quem vira a cara para uma pessoa porque é viajante em terras moralmente subjugadas. E por aí vai.
Esses são apenas os exemplos mais corriqueiros. Dessa mesma natureza de atitudes, há quem atire pedras em alguém que tem comportamentos e ideais semelhantes ao seu, mas que por ventura lhe atinge, como quando a “amiga” acaba atraída pelo mesmo objeto de afeto, ou pior, lhe atrai a atenção – é quando, para fins de ilustração, a garota revolucionária que pega geral vira a puta que pegou o “boy” da outra (sem que nesta quadrilha algum compromisso consumado entrasse na roda).
Cair na real: há muito mais de uma forma de desprezar a diferença.
Falar de hipocrisia virou regra, e só por isso já se torna um discurso hipócrita. É que para não ser hipócrita é preciso refletir um pouco a mais que o normal sobre os próprios posicionamentos. É preciso empatia o suficiente para se imaginar no lugar do outro. É preciso trabalhar sobre si, para se dar conta de que aquilo que defendemos, para o bem ou para o mal, não é apenas uma ideia abstrata, mas uma condição que a qualquer momento pode nos tocar. Deveríamos ser um pouco mais honestos nos nossos discursos. Está interessado em quê? Saber o que quer pode ser mais difícil do que parece. Que possamos dispor do “não sei” e viver a vida sem nos esconder por trás de palavras apaixonadas, mas falsas.
Precisamos sair do armário para viver nossas vilezas e virtudes assumidamente – sem excessos de modéstia ou condescendência. Para assumir que às vezes somos superficiais e interesseiros. Para assumir a nossa humanidade, que sempre será falha, e nos perdoarmos por, de tempos em tempos, sermos contraditórios e decepcionarmos a nós mesmos – e aos outros. Precisamos sair do armário para não cair no discurso de libertação que tenta impor comportamentos. Sair do armário é ser e deixar ser, cada qual no seu tempo, cada qual do seu jeito, e só.
Comecei a pensar nisso no dia em que vi Túlio penando pra cortar o próprio bife – Desde quando você é canhoto, menino? – me sentindo o pior amigo do mundo por nunca ter notado – Eu não sou. Eu estou. Existem estudos que dizem que se você faz algo muito rotineiro de uma forma completamente diferente, isso funciona como um acordar para o cérebro. Neuróbica – explicou enquanto um pedaço de carne voava pra fora da mesa. Não tinha como não pensar mesmo, assim como estimulamos nosso cérebro forçando novas possibilidades, também não conseguiríamos acordar o coração da gente?
Troque as mãos quando for perdoar. Tire-se do lugar de sempre correto e ponha-se no lugar de quem sofre, de quem é agressivo ou desagradável porque se defende. Vire um canhoto da aceitação do próximo. Use uma venda no olhar e caminhe como se fosse cego para as imperfeições do outro. E se só por um dia a gente não atacar, não diminuir quem a gente ama, será que perceberemos o quanto estamos tristemente acostumados a fazer isso o tempo todo?
Tome um caminho novo. E se ao invés de duvidar primeiro, você logo de cara acreditar, mesmo que seja um convite glorioso para quebrar a cara? Os feitos mais doces partiram de corações que não duvidavam. E se você mudar seu relógio para o pulso não costumeiro, será que terá mais tempo para apreciar a companhia dos mais velhos? Terá mais paciência para amá-los mesmo quando os assuntos não forem exatamente do seu interesse do mesmo jeito que eles fizeram por tanto tempo com você? Ótimo exercício.
Que tal andar de costas? E prestar atenção nas pessoas que você deixou pra trás pela falta de tempo, pela mudança de rota, pela mágoa, por orgulho roxo? Sempre haverá tempo pra resgatar alguém que nos ama, mas não está mais em nossa predileção. Ativador máster de corações. Monte quebra-cabeças listando tudo o que ainda o torna incompleto e vá se completar. Há uma viagem para ser feita, um sabor que ficou na infância, uma meta desacreditada. Se ainda não pode realizar seus sonhos, ajude alguém a realizar o próprio. Acorde seu coração, tire-o da normose, coloque-o pra palpitar, alto e forte. Vai que a alma da gente se expande? Dizem que ao lado do coração, a felicidade acorda depois de um tempão dormindo abraçados.
A vaidade intelectual marca a vida acadêmica. Por trás do ego inflado, há uma máquina nefasta, marcada por brigas de núcleos, seitas, grosserias, humilhações, assédios, concursos e seleções fraudulentas. Mas em que medida nós mesmos não estamos perpetuando esse modus operandi para sobreviver no sistema? Poderíamos começar esse exercício auto reflexivo nos perguntando: estamos dividindo nossos colegas entre os “fracos” (ou os medíocres) e os “fodas” (“o cara é bom”).
As fronteiras entre fracos e ‘fodas’ começam nas bolsas de iniciação científica da graduação. No novo status de bolsista, o aluno começa a mudar a sua linguagem. Sem discernimento, brigas de orientadores são reproduzidas. Há brigas de todos os tipos: pessoais (aquele casal que se pegava nos anos 1970 e até hoje briga nos corredores), teóricas (marxistas para cá; weberianos para lá) e disciplinares (antropólogos que acham sociólogos rasos generalistas, na mesma proporção em que sociólogos acham antropólogos bichos estranhos que falam de si mesmos).
A entrada no mestrado, no doutorado e a volta do doutorado sanduíches vão demarcando novos status, o que se alia a uma fase da vida em que mudar o mundo já não é tão importante quanto publicar um artigo em revista qualis A1 (que quase ninguém vai ler).
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dizíamos que quando alguém entrava no mestrado, trocava a mochila por pasta de couro. A linguagem, a vestimenta e oethos mudam gradualmente. E essa mudança pode ser positiva, desde que acompanhada por maior crítica ao sistema e maior autocrítica – e não o contrário.
A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas, desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do colega e a destruição de si próprio.
O primeiro cenário engloba vários tipos de pessoas (1) aqueles que migraram para uma área completamente diferente na pós-graduação; (2) os que retornaram à academia depois de um longo tempo; (3) os alunos de origem menos privilegiada; (4) ou que têm a autoestima baixa ou são tímidos. Há uma grande chance destas pessoas serem trituradas por não dominarem o ethos local e tachadas de “fracos”.
Os seminários e as exposições orais são marcados pela performance: coloca-se a mão no queixo, descabela-se um pouco, olha-se para cima, faz-se um silêncio charmoso acompanhado por um impactante “ãaaahhh”, que geralmente termina com um “enfim” (que não era, de fato, um “enfim”). Muitos alunos se sentem oprimidos nesse contexto de pouca objetividade da sala de aula. Eles acreditam na genialidade daqueles alunos que dominaram a técnica da exposição de conceitos.
Hoje, como professora, tenho preocupações mais sérias como estes alunos que acreditam que os colegas são brilhantes. Muitos deles desenvolvem depressão, acreditam em sua inferioridade, abandonam o curso e não é raro a tentativa de suicídio como resultado de um ego anulado e destruído em um ambiente de pressão, que deveria ser construtivo e não destrutivo.
Mas o opressor, o “foda”, também sofre. Todo aquele que se acha “bom” sabe que, bem lá no fundo, não é bem assim. Isso pode ser igualmente destrutivo. É comum que uma pessoa que sustentou seu personagem por muitos anos, chegue na hora de escrever e bloqueie.
Imagine a pressão de alguém que acreditou a vida toda que era foda e agora se encontra frente a frente com seu maior inimigo: a folha em branco do Word. É “a hora do vâmo vê”. O aluno não consegue escrever, entra em depressão, o que pode resultar no abandono da tese. Esse aluno também é vítima de um sistema que reproduziu sem saber; é vítima de seu próprio personagem que lhe impõe uma pressão interna brutal.
No fim das contas, não é raro que o “fraco” seja o cavalinho que saiu atrasado e faça seu trabalho com modéstia e sucesso, ao passo que o “foda” não termine o trabalho. Ademais, se lermos o TCC, dissertação ou tese do “fraco” e do “foda”, chegaremos à conclusão de que eles são muito parecidos.
A gradação entre alunos é muito menor do que se imagina. Gênios são raros. Enroladores se multiplicam. Soar inteligente é fácil (é apenas uma técnica e não uma capacidade inata), difícil é ter algo objetivo e relevante socialmente a dizer.
Ser simples e objetivo nem sempre é fácil em uma tradição “inspirada” (para não dizer colonizada) na erudição francesa que, na conjuntura da França, faz todo o sentido, mas não necessariamente no Brasil, onde somos um país composto majoritariamente por pessoas despossuídas de capitais diversos.
É preciso barrar imediatamente este sistema. A função da universidade não é anular egos, mas construí-los. Se não dermos um basta a esse modelo a continuidade desta carreira só piora. Criam-se anti-professores que humilham alunos em sala de aula, reunião de pesquisa e bancas. Anti-professores coagem para serem citados e abusam moral (e até sexualmente) de seus subalternos.
Anti-professores não estimulam o pensamento criativo: por que não Marx e Weber? Anti-professores acreditam em lattes e têm prazer com a possibilidade de dar um parecer anônimo, onde a covardia pode rolar às soltas.
O dono do Foucault
Uma vez, na graduação, aos 19 anos, eu passei dias lendo um texto de Foucault e me arrisquei a fazer comparações. Um professor, que era o dono do Foucault, me disse: “não é assim para citar Foucault”.
Sua atitude antipedagógica, anti-autônoma e anti-criativa, me fez deixar esse autor de lado por muitos anos até o dia em que eu tive que assumir a lecture “Foucault” em meu atual emprego. Corrigindo um ensaio, eu quase disse a um aluno, que fazia um uso superficial do conceito de discurso, “não é bem assim…”.
Seria automático reproduzir os mecanismos que me podaram. É a vingança do oprimido. A única forma de cortamos isso é por meio da autocrítica constante. É preciso apontar superficialidade, mas isso deve ser um convite ao aprofundamento. Esquece-se facilmente que, em uma universidade, o compromisso primordial do professor é pedagógico com seus alunos, e não narcisista consigo mesmo.
Quais os valores que imperam na academia? Precisamos menos de enrolação, frases de efeitos, jogo de palavras, textos longos e desconexos, frases imensas, “donos de Foucault”. Se quisermos que o conhecimento seja um caminho à autonomia, precisamos de mais liberdade, criatividade, objetividade, simplicidade, solidariedade e humildade.
O dia em que eu entendi que a vida acadêmica é composta por trabalho duro e não genialidade, eu tirei um peso imenso de mim. Aprendi a me levar menos a sério. Meus artigos rejeitados e concursos que fiquei entre as últimas colocações não me doem nem um pouquinho. Quando o valor que impera é a genialidade, cria-se uma “ilusão autobiográfica” linear e coerente, em que o fracasso é colocado embaixo do tapete. É preciso desconstruir o tabu que existe em torno da rejeição.
Como professora, posso afirmar que o número de alunos que choraram em meu escritório é maior do que os que se dizem felizes. A vida acadêmica não precisa ser essa máquina trituradora de pressões múltiplas. Ela pode ser simples, mas isso só acontece quando abandonamos o mito da genialidade, cortamos as seitas acadêmicas e construímos alianças colaborativas.
Nós mesmos criamos a nossa trajetória. Em um mundo em que invejas andam às soltas em um sistema de aparências, é preciso acreditar na honestidade e na seriedade que reside em nossas pesquisas.
Transformação
Tudo depende em quem queremos nos espelhar. A perversidade dos pequenos poderes é apenas uma parte da história. Minha própria trajetória como aluna foi marcada por orientadoras e orientadores generosos que me deram liberdade única e nunca me pediram nada em troca.
Assim como conheci muitos colegas que se tornaram pessoas amargas (e eternamente em busca da fama entre meia dúzia), também tive muitos colegas que hoje possuem uma atitude generosa, engajada e encorajadora em relação aos seus alunos.
Vaidade pessoal, casos de fraude em concursos e seleções de mestrado e doutorado são apenas uma parte da história da academia brasileira. Tem outra parte que versa sobre criatividade e liberdade que nenhum outro lugar do mundo tem igual. E essa criatividade, somada à colaboração, que precisa ser explorada, e não podada.
Hoje, o Brasil tem um dos cenários mais animadores do mundo. Há uma nova geração de cotistas ou bolsistas Prouni e Fies, que veem a universidade com olhos críticos, que desafiam a supremacia das camadas médias brancas que se perpetuavam nas universidades e desconstroem os paradigmas da meritocracia.
Soma-se a isso o frescor político dos corredores das universidades no pós-junho e o movimento feminista que só cresce. Uma geração questionadora da autoridade, cansada dos velhos paradigmas. É para esta geração que eu deixo um apelo: não troquem o sonho de mudar o mundo pela pasta de couro em cima do muro.
A gente acha que é feito de pedra dura, que tem armadura, mas a gente é feito de matéria mole, a gente é frágil feito escultura de areia, a gente é feito pedra sabão.
A gente acha que pode perdoar tudo, suportar tudo, superar tudo e sair ileso pelo vão da janela dos fundos.
A gente acredita que amor cura qualquer doença, que é feito emplastro, feito poção de arnica, feito morfina. Que cura qualquer dor.
A gente acha que ama feito música do Ivan Lins. Que nosso amor vai fazer coisas que até mesmo Deus duvida, que vá juntar pedaços e vá curar feridas.
A gente pensa que o nosso amor ama pelos dois, que o nosso amor vai vencer as olimpíadas, a copa do mundo, as eleições. Que vai arrebentar os muros que o outro construiu.
A gente acha que é fênix, que vai renascer das cinzas. A gente acha que é gato de sete vidas, que amor tudo supera, tudo suporta… tudo balela.
Um dia a gente acorda e descobre que carrega as marcas da insistência, da resignação; descobre que o nosso amor foi coisa conveniente e que amar foi em vão.
Um dia a gente resolve olhar para as cicatrizes e se descobre toda remendada.
Um dia a gente vê que foi útil para tapar buracos descobertos por outros santos, para curar feridas causadas por outros carrascos. Percebe que ter rostinho bonito e corpão gostoso serviu de troféu, de pomada antinflamatória para ego doente, para autoestima baixa.
Um dia a gente finalmente tem sentidos para perceber que nem o amor da gente e nem a gente mesmo tem valor algum que não seja o uso e a posse que demos ao outro, acreditando que o amor nos blindaria o corpo e a alma.
Um dia a gente acorda e o nosso corpo adoeceu. A alma suporta, mas o corpo é fraco, é feito pedra sabão que poderia ter sido lindamente esculpida se o artista que nos tomasse nas mãos fosse um grande escultor, mas não, ele não era o que os nossos olhos enxergavam. Nossos olhos eram impregnados de amor – assim como o resto todo de nós. E o amor enxerga mal, o amor tem vista turva e uma mania de ver beleza em adagas prontas para nos furar a barriga.
Um dia a gente olha para a nossa barriga furada e vê o estrago ainda sem acreditar que o ser amado tenha feito isso, por mais que carregue a lista de cortes, punhaladas, tapas e da pior das dores: a da indiferença, a gente acha que o amor vai vencer. E a gente segue, insistindo, amando, perseverando abraçada em qualquer livro da Nora Roberts, em qualquer música, mesmo que não seja do Ivan Lins, em qualquer poema do Olavo Bilac.
A gente segue pensando-se triunfante por ter conseguido sobreviver aos naufrágios, por ter conseguido suportar, por ter perdoado, por ter se sacrificado para que o outro sobreviva e então, a gente morre.
A gente morre do corpo adoecido.
A gente morre da doença que não mata a alma, mas vence o corpo que é fraco feito galho seco.
A gente morre do coração estilhaçado, cansado de tanto bater forte por uns dias e quase parar em outros.
A gente morre com a pele e com a boca seca, com o cérebro atrofiado, com os rins e o fígado cansados das batalhas.
A gente fracassa e se arrepende de não ter ouvido Shakespeare, de não ter prestado atenção em Tolstoi, de não ter ouvido direito Chico quando cantava o Samba do Grande Amor.
A gente percebe que amor não tem espaço nesse mundo e que tem gente que talvez não perceba o mal que faz aos outros e cujo ego não hesita em fazer maldades.
A gente morre, mas não morre como vítima, morre como gente teimosa e insistente, que ficou ali amando e apanhando até morrer, feito certo rouxinol que a gente conheceu há tempos quando o mundo nos enviou Oscar Wilde, e a gente também não entendeu o recado dele que também morreu doente e sozinho dentro de um quarto em Paris.
Na minha época de garota, mamãe e outras mulheres da família repreendiam meu jeito nem aí de me vestir. Tudo que eu queria eram roupas que não tolhessem meus movimentos e sapatos que me permitissem deslizar. Na verdade tinha inveja dos garotos. Eles vestiam qualquer coisa e saiam para a rua. Voltavam sujos. Coisa de meninos, os adultos diziam. Já quando eu aprecia com roupa ou cara sujas, tinha que ouvir: Nem parece uma menina!
Com a chegada da adolescência as cobranças recrudesceram. Afinal eu me tornara uma mocinha. Mocinhas precisam se enfeitar. Mas eu odiava presilhas, pulseiras, brincos, sutiãs e saltos altos. Tudo que eu queria eram trajes que me deixassem confortável para subir e descer dos lotações, saltar poças d’água, entrar e sair do mar.
Mamãe sempre foi arrumadíssima. Até hoje – aos 82 anos e com problemas de memória – combina a cor do brinco com a sandália da hora. Então ela desesperava com o patinho desarrumado que veio na sua cesta. Muitas vezes me perguntou: Você não tem vaidade? Eu ficava quieta. Se ela perguntasse agora, responderia: É claro que sou vaidosa, mãe. Mas é que existem várias modalidades de vaidade. Entre elas, a vaidade de não se importar com roupas.
Na juventude, no final dos anos 1970, meu figurino deslanchou. Amigas e amigos da faculdade não cobravam modelos de vestir. Meus cabelos eram longos e despenteados. Usava uma eterna bolsa de couro bem riponga. Foram anos felizes, nos quais conjecturei sonhos, perspectivas, entusiasmos. Logo depois conheci as feministas. Foi o sinal verde para me vestir e desvestir como me desse na telha. Compreendi que a moda, como todo o resto, é política.
Agora cheguei aos sessenta. Curiosamente ando mais mulherzinha.Acho que me inspiro na irreverência libertária do cartunista Laerte. O fato é que tenho cuidado do corte do cabelo, pensado seriamente em combinar a cor da blusa com a cor da calça. Quem sabe no 2016 usarei batom. São bonitos os lábios vermelhos. Talvez mais arrumadinha eu possa por amor arrancar um bom sorriso de mamãe.
É comum encontrarmos “vítimas” constantes da “falta de sorte” – pode ser que você mesmo faça parte desse grupo. Permanecer muito tempo num emprego que o desagrada (ou até mesmo não ter emprego algum); estar num relacionamento no qual os descontentamentos são constantes (ou estar se sentindo solitário há tempos, sem conseguir se relacionar com alguém), dentre outras circunstâncias. Enfim, uma vida em que os objetivos nunca são alcançados. Tudo aquilo que se objetiva permanece constantemente longe, sem previsão de chegada.
Neste texto, trago-lhe uma boa e uma má notícia. Esta última é que você tem uma responsabilidade muito maior sobre esses insucessos do que imagina. A boa é que, do mesmo modo que é responsável, há a possibilidade de – a partir de seus esforços – mudar tudo isso que vem vivendo, experimentando uma vida bem diferente da atual.
Agora vem a grande questão: “De que forma posso ser responsável por tantas coisas que me fazem sofrer ou impedem minha felicidade?”
Há algum tempo, as pessoas lhe fizeram crer que não é merecedor da felicidade que deseja
Não há nada que impossibilite tanto os progressos da humanidade quanto a descrença no merecimento de êxitos. Quando a pessoa não acredita em seu merecimento, acaba por se comportar sempre de forma a sabotar suas possibilidades. Acredita estar empenhado em melhorias, porém, sem perceber, tudo o que faz é criar circunstâncias que confirmem o quão indigno é!
Pode ser que tenha se acomodado, afinal, há benefícios até mesmo no insucesso
Como escrevi anteriormente, acreditar que o amanhã será completamente diferente do hoje pode parecer romântico, porém, infelizmente não é real. É uma ilusão tão grande quanto crer que dormirá na pobreza e acordará milionário. Toda mudança provém de esforços, não de uma noite de sono.
Muitas vezes, não se está disposto a gastar toda a energia que um processo de mudança exige. É interessante verbalizar para todos – inclusive para si mesmo – o quão grande é o desejo de atingir determinados objetivos, porém, só de imaginar o trabalho que isso dará…
Há um histórico de frustrações que lhe parece indicar que as tentativas futuras estão condenadas aos mesmos resultados
Uma das piores consequências de tentar algo por diversas vezes, sem que haja um resultado positivo, é que, em uma tentativa de proteger-se, pode-se optar por não mais arriscar.
O garoto que foi enganado por seus pais todas aquelas vezes que confiou neles pode generalizar tal desconfiança para toda e qualquer outra forma de relacionamento: “Não me permito confiar, já que a confiança em minha história de vida é sinalizadora de que estou prestes a ser magoado”. A garota que ouvia vaias sempre que precisava ler algum texto em sala de aula pode vir a evitar quaisquer outras circunstâncias nas quais tenha de se expor na vida adulta.
É interessante observar que você não é mais o mesmo. As circunstâncias também não são as mesmas. Porém, os efeitos de tais ocorrências permanecem intactos. A melhor forma de resolver tal questão? Arriscando-se! Somente experimentando novamente as situações terá a possibilidade de perceber que seus resultados podem não ser mais tão ruins, ou, quem sabe, venham a ser melhores do que possa imaginar!
Lembre-se: a porta pela qual a frustração entra é a mesma utilizada pela chegada da felicidade. Defender-se da decepção, infelizmente, significa perder muitas das possibilidades de contentamento que a vida pode lhe oferecer.
Revisão textual por: Alexandre Caroli Rocha
Diego Caroli atende em São Bernardo do Campo. Para mais informações e agendamentos entre em contato pelo email: [email protected]
2015 foi um ano curioso para o cinema. Pense nos maiores sucessos. Pensou? Como deve ter notado, as maiores bilheterias foram reboots ou sequências. Jurassic World, Velozes e Furiosos 7, Star Wars – O Despertar da Força, Mad Max: Estrada da Fúria, Jogos Vorazes, Os Vingadores, Minions, Cinderela…
Entretanto, muita coisa boa e original foi feita. Não só nos EUA, como no Brasil e, principalmente, na Europa. A cena independente, como sempre, conseguiu produzir pérolas e, algumas delas, devem até entrar para a história recente do cinema.
Confira, a seguir, os melhores destes ótimos filmes, mas que não possuem o mesmo impacto, audiência e divulgação do que aqueles citados no começo deste texto.
O Clã
Cinema argentino da melhor qualidade. Conta a vida dos Puccio, uma família de classe média que ganha dinheiro sequestrando pessoas. A surpreendente história real conta com atuações inspiradas de Guilhermo Francella (O Segredo dos seus Olhos), que interpreta Arquimedes, pai da família e mentor dos crimes; e de Juan Pedro Lanzani, ator da novela Chiquititas original e que faz o atormentado filho e cúmplice de Arquimedes. Além da ótima trilha sonora, a direção de Pablo Trapero (Elefante Branco) é certeira, com planos-sequência de ótima execução. Apesar de ter sido uma das maiores bilheterias da história da argentina, O Clã foi pouquíssimo divulgado no Brasil.
Ex Machina
Apesar de ter atores que estão em alta e contar com uma indicação ao Globo de Ouro, Ex Machina fez bem menos barulho do que merecia. Conta a história de Caleb (o ótimo Domhnall Gleeson), um funcionário de uma empresa de tecnologia – como um Google ou Facebook – que ganha como prêmio pelo seu trabalho uma semana na casa do seu estranho chefe, Nathan (Oscar Isaac). Lá, o jovem Caleb descobre que o chefe desenvolveu uma robô muito parecida com um ser humano, a bela Ava (Alicia Vikander). Agora, ele precisa decifrar as intenções da máquina. Excepcional roteiro, com um desfecho incrível. Compartilha com Blade Runner o posto de melhor filme sobre inteligência artificial.
https://youtu.be/HtBuBJxDlU8
Experimentos
Na década de 60, o psicólogo Stanley Milgram (Peter Sarsgaard) se tornou conhecido pelos seus experimentos de obediência. Ele fazia o seguinte: pessoas comuns eram levadas a dar dolorosos choques elétricos em outras pessoas, mesmo quando escutavam gritos de dor. Só que, na verdade, choque nenhum era aplicado. Era só uma experiência para ver até onde chega a maldade das pessoas quando recebem ordens. O resultado é incrível e o filme mais ainda. Apesar do ritmo lento e da repetição constante de acontecimentos, a história é interessante e conta com atuações inspiradas de Sarsgaard e de Winona Ryder, que interpreta a namorada de Milgram.
Boychoir
Se for parar para pensar, a história contata por Boychoir é uma falácia. Vou explicar: o filme conta a história de um garoto (o excelente Garrett Wareing) órfão de mãe e abandonado pelo pai que é aceito no coral da American Boychoir School, a mais conceituada escola para canto dos EUA. Lá, ele começa a receber os ensinamentos do maestro Carvelle (Dustin Hoffman), apesar dos problemas que enfrenta com os outros alunos. Boa história, com excelentes interpretações e uma direção firme de François Girard (O Violino Vermelho). O único problema, como disse no começo, é que a escola, no mundo real, era palco de abusos psicológicos gravíssimos praticados contra os garotos. Foi um escândalo. Mas, se o espectador entrar na história sem se preocupar com a verossimilhança com a realidade, o filme é um deleite.
Love & Mercy
Quando comecei a ver Love & Mercy não esperava nada. Mas o filme é uma das maiores pérolas do ano. Sem cair na pieguice das biografias musicais, o filme conta a história de Brian Wilson, o atormentado fundador do grupo Beach Boys. Paul Dano (Os Suspeitos) e John Cusack (Mapa para as Estrelas) interpretam Wilson jovem e um pouco mais velho, respectivamente, e dão um show. O elenco, que ainda tem o excelente Paul Giamatti (12 anos de escravidão) e Elizabeth Banks (Jogos Vorazes), está afinadíssimo. Destaque, ainda, para a trilha sonora nostálgica e para a ótima direção de Bill Pohlad (Livre), que consegue manter o ritmo do drama-biografia-musical, sem se confundir com os gêneros.
https://youtu.be/mnIUi7TzPqw
Goodnight Mommy
Assim como 2014 teve o Babadook, 2015 também tem uma ótima surpresa no gênero de terror. Goodnight Mommy começa com dois gêmeos esperando o retorno da mãe de uma cirurgia plástica. Quando ela volta, o rosto está coberto de ataduras e as atitudes ficam cada vez mais suspeitas. Aí surge a dúvida das crianças: será que esta mulher, com as ataduras no rosto, é a nossa mãe? Terror de primeiríssima qualidade e com ótimas atuações de Elias e Lukas Shwarz, os gêmeos. Destaque para o final, que tem uma reviravolta incrível.
https://youtu.be/VKrG1_RN_2U
Boulevard
Apesar de ter inúmeros problemas de roteiro e direção, o último filme de Robin Williams é de uma sensibilidade ímpar e pouco vista no cinema atual. A história é sobre Nolan Mack (Robin Williams), funcionário de um banco há 26 anos e que tem uma rotina que nunca muda. O seu casamento com Joy (Kathy Baker), então, acaba virando algo mentiroso e de pura conveniência. As coisas começam a mudar, entretanto, quando Nolan cruza com o jovem problemático Leo (Roberto Aguire), com quem começa a ter uma relação delicada e sensível. Atuação memorável de Robin Williams, que conseguiu entregar um último papel marcante.
Não olhe para trás
Al Pacino, nos últimos anos, só decepciona os fãs. Afinal, quem diria que o ator deScarface faria um filme como Cada um tem a gêmea que merece? Sem dúvidas, Não olhe para trás não irá agradar os fãs dos filmes mais violentos do ator, mas é um bom passatempo. Neste longa, Al Pacino interpreta um cantor de sucesso e que vive há mais de 30 anos sem compor. A vida dele, então, é uma rotina de drogas e excessos. Até que um dia ele descobre uma carta que John Lennon escreveu para ele há décadas, mas que nunca tinha chegado às suas mãos. Inspirado pelas palavras do músico, Danny (Bobby Cannavale) decide interromper a carreira e tentar reatar com o filho já adulto, que ele nunca conheceu. Apesar de situações clichês e um final manjado, o filme consegue convencer e até emocionar. Destaque para a atuação de Al Pacino, que é sem excessos, e para a trilha sonora, grudenta e muito bem escrita.
Um pombo pousou num galho refletindo sobre sua existência
Muita gente vai começar a ver esse filme e desistir em 10 minutos. Para se ter uma ideia: em alguns momentos, achei que o longa tinha travado, de tão parado que estava. Em tese, o filme — que é baseado na imagem de uma pintura — acompanha a saga de dois vendedores ambulantes, que passam pelas mais diversas situações para tentarem vender algumas de suas bugigangas. Ao longa da história, que é recheada de cenas nonsense, a vida dos dois vai mostrando um pouquinho da realidade do ser humano. Estranho, perturbador e sensível, Um pombo pousou num galho refletindo sobre sua existência vai ficar em sua mente por um bom tempo (mesmo que você não entenda). Destaque ainda para a direção de Roy Andersson, que dirigiu o também estranho e excelente Vocês, os Vivos.
Bone Tomahawk
Numa definição rápida e simplista: um filme de faroeste com canibais. Não achou incrível? Mais um pouco: Kurt Russell (o “novo” ídolo cult do cinema) é o xerife da cidade, que terá que combater a tribo, que sequestrou alguns moradores. Ainda não está convencido? Para concluir, então: Russell só terá a ajuda de três pessoas para derrotar os nativos. Um idoso (o excepcional Richard Jenkins), um maluco (Matthew Fox) e um homem ferido (Patrick Wilson). Filme divertidíssimo, com cenas pesadas de canibalismo e que reinventa o faroeste da melhor maneira possível.
Ponte Aérea
Filme brasileiro e que foi esnobado por muitas pessoas. Livremente inspirado no livroAmor Líquido, do Bauman, o filme conta a história de Bruno (Caio Blat) e Amanda (Leticia Colin), que se conhecem durante um voo. Ela, de São Paulo. Ele, do Rio. E assim, com a distância, a paixão dos dois vai sendo consumida pela dificuldade em se manter um relacionamento hoje em dia, quando todos querem que tudo aconteça imediatamente. Relato extremamente atual, o filme é delicado e singelo — em um bom sentido. Lembra muito Loucamente Apaixonados, com a Felicity Jones, mas com uma pitada brasileira.
Gemma Bovery
Gemma Bovery (a belíssima e ótima Gemma Arterton) é uma inglesa que se muda com o marido para uma pequena cidade francesa, após sentirem que o casamento dos dois precisava de novos ares. Do outro lado da rua do casal, mora Martin Joubert (o incrível Fabrice Luchini) e sua esposa, um casal que foi morar na pequena cidade procurando fugir do caos de Paris. Após conhecer os novos vizinhos, entretanto, Martin fica totalmente encantado com a beleza de Gemma, fazendo com que ele fique obcecado pela vida dos vizinhos. Divertidíssimo e muito bem dirigido por Anne Fontaine, o filme é um deleite – seja pela fotografia, pela roteiro ou pelas atuações.
Chatô, o Rei do Brasil
Quem diria que o Boyhood brasileiro seria tão bom? Depois de passar 20 anos filmando, Guilherme Fontes lançou o mítico Chatô, o Rei do Brasil, longa que conta a história de Assis Chateaubriand, o primeiro magnata das comunicações brasileiras. Divertido e original, a história é contada sob o ponto de vista do empresário, que está delirando. Destaque ainda para as ótimas atuações de Andréa Beltrão e Marco Ricca.
Cyberbully
Passado apenas em um único cenário, Cyberbully acompanha momentos tensos da vida de uma adolescente britânica, que é forçada a atender os pedidos de um hacker que invade seu computador. Se ela recusar, ele promete divulgar fotos comprometedoras nas redes sociais. Com a ótima e madura atuação de Maisie Williams (a Arya, de Game of Thrones), o filme consegue ser tenso e desesperador na medida certa. Surpreende.
Respire
Mais uma daquelas pérolas que só são encontradas nos filmes franceses. Charlie (Joséphine Japy) tem 17 anos e é uma típica adolescente de classe média. Tudo vai bem até que uma nova garota, Sarah (Lou de Laage) entra em sua escola. As duas se sentem atraídas e começam a trocar intimidades, segredos e revelações. A amizade das duas vai bem, até que o relacionamento delas começa subitamente a mudar. Filme muito bem dirigido, com atuações espetaculares e um final de tirar o fôlego.
Que mal eu fiz a Deus?
Típica comédia francesa. O casal Verneuils tem quatro filhas. Católicos conservadores, eles são viam um futuro para elas: se casar com outros rapazes católicos. Só que as coisas acabam tomando um outro rumo e três delas se casam com homens de outras religiões. As coisas só começam a melhorar para o casal quando a quarta filha anuncia o casamento com um rapaz católico. Só que, como toda comédia francesas, várias reviravoltas vão surgir na ótima trama que, apesar de alguns exageros, diverte.
Vídeoaulas podem ser acompanhadas pela plataforma online de educação superior no Brasil: Veduca
A internet é uma ferramenta poderosa, que vai muito além das redes sociais. Ela pode ser utilizada para estudos a fim de garantir conhecimento, com várias alternativas interessantes e, muitas vezes, gratuitas.
Uma boa possibilidade para quem gosta de aprender de forma online é o Curso de Ética oferecido pelo Veduca, plataforma online de educação superior no Brasil, que reúne mais de 300.000 estudantes. O curso, totalmente gratuito, é ministrado pelo Clóvis de Barros Filho, da Escola e Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
“A palavra ‘ética’ está na boca de todos, talvez como nunca antes. No entanto, poucas pessoas conhecem a fundo seus múltiplos sentidos. A proposta do curso é passar pelos vários significados e usos do termo ao longo da história e ajudar o estudante a formar uma perspectiva menos ingênua e mais abrangente sobre o tema“, explica Clóvis.
O curso tem duração de 60 horas e é composto por vídeos: um introdutório e doze videoaulas, divididas em partes e acrescidas de quizzes para melhor fixação do conteúdo. São abordados tópicos como Introdução à Ética; Primeiros passos da Ética; Ética, o invisível e o virtuoso; Tolerância e laicidade; O Valor da Ação; Fé e Virtude; Discutir a Ética; Vontade x Desejo (Kant); A Dignidade Moral (Kant); O Martelo de Nietzsche; Negar a fórmula, viver a vida; Eterno Retorno: o amor à vida.
Para garantir maior interação com o conteúdo e com outros estudantes na plataforma, o Veduca disponibiliza algumas ferramentas, como um caderno virtual para anotações pessoais, e o fórum de discussão.
Qualquer pessoa pode realizar o curso, pois não é exigida nenhuma formação específica. Além disso, todo conteúdo é aberto e gratuito.
Quem quiser receber um certificado do professor, atestando que domina o assunto abordado, poderá optar por fazer uma prova presencial.
O fim de um relacionamento encontra duas pessoas absolutamente diferentes daquelas que outrora estiveram apaixonadas. Aqui, neste ponto, há memórias que fazem brotar sorrisos inevitáveis e francos; há lembranças que fazem arder os olhos como reflexo das dores sofridas; há feridas; cicatrizes; metamorfoses. O casal que deu o primeiro passo naquele momento em que não se sabe se o arrepio é da alma ou da pele; agora pensa que se pudesse “voltar a fita” teria feito outras escolhas; teria lutado por mais momentos de pele arrepiada e menos momentos de lábios crispados. Esse casal aqui está perdido e se pergunta “Era amor?”; “E se era, o que aconteceu com esse amor?”.
Somos tão ingenuamente afetados pelas definitivas verdades que ouvimos por aí, que insistimos em acreditar que tudo o que é maravilhoso tem de ser perfeito. Ora, se isso fosse verdade, pobres criaturas seríamos! Posto que a perfeição não existe, teríamos de negar a extraordinária beleza dos nossos primeiros passos; a arrebatadora excitação do primeiro beijo; a avassaladora libertação advinda das primeiras conquistas por conta própria. Maravilhas imperfeitas que fazem a nossa vida ganhar sentido; sabor; cor e luz.
Negar a beleza da imperfeição é como abrir mão das experiências em troca de uma vida pasteurizada e absolutamente insossa. A graça dessa aventura aqui está, justamente, na experimentação; nas tentativas desajeitadas; no jeito único que cada um de nós tem de interpretar e interagir com o mundo. O tempero da vida é a mistura de suor; riso e lágrimas que faz da nossa jornada algo que valha a pena.
A jornada será tão espetacular quanto verdadeira, a depender de quanto amor tenha sido injetado, desde que fomos concebidos até nosso último sopro de vida. É o amor a única doutrina capaz de agregar e acolher as mais diferentes crenças e, ainda, aqueles que não creem em nada. O amor, em sua forma legítima; aquele amor que entende o diferente, apesar de discordar dele; que fica feliz a partir da conquista do outro; que liberta, em vez de aprisionar; que faz crescer, em vez de sobrepujar. Esse amor é chama de vida e precisa estar presente, como essência e não como adorno, em qualquer relação à qual escolhamos nos entregar.
Assim, ainda que não dure para sempre; ou mesmo, que só dure alguns dias; ou até mesmo que seja um amor de almas, terá sido amor e será amor para sempre. Ainda que no fim da história, a dureza dos conflitos e da falta de atenção, tragam aos olhos e à boca expressões ásperas e hostis, ainda assim; essa mágoa, se for torcida em todos os choros necessários, há de mostrar no fundo dos olhos, vermelhos e tristes, algum traço de amor.
Então, antes que acabemos por acreditar que nossos sonhos foram tolos; que acreditar na felicidade é ilusão; que a solidão é a melhor companheira; que não levamos jeito para “esse tal de amor”, tenhamos a coragem de raspar a tinta velha da superfície, e guardar com delicado carinho a imagem crua e bela do início. Tomemos a audaciosa atitude de acreditar que mesmo tendo chegado ao fim, haveremos de ser gratos e justos, porque era amor. E, se não era, quem além de nós poderá assumir a responsabilidade por um dia ter teimado em insistir que fosse?
Era amor, pode acreditar! E é ainda. Só que com outras folhas, flores, frutos e cascas. É amor, mesmo depois de não mais sê-lo. Porque tendo sido amor um dia, fez germinar dentro de nós, os nossos melhores brotos; fez de nós seres menos empedernidos e ariscos; despertou em nós o desejo de experimentar o amor de novo, e de novo, e de novo. E, mesmo que a nossa incrédula alma sofrida tenha dificuldades em concordar… Era amor, e ainda é, pode acreditar!
De verdade, desconfio muito de gente que sempre tem certeza de tudo, que não hesita em momento algum e sempre quer fazer parecer estar um passo à frente. Nada contra, mas talvez tanta convicção deixe passar alguns lampejos de loucura essenciais pra vida da gente.
Aquele que não hesita frente ao momento decisivo de algum primeiro beijo (são muitos os primeiros beijos dessa estrada), não me representa. Menos ainda aquele que afirma com todas as letras que tem certeza daquilo que quer pra vida toda. Pessoas assim costumam se fechar a qualquer coisa que vá contra o seu plano, tornam-se duras feito pedras, esquecendo do ditado essencial que ensina que água mole em pedra dura… vocês sabem o resto.
Hoje, quero. Amanhã, também. Depois, quem sabe? Não se trata de ser volúvel, mas de assumir que somos inconstantes como as marés. O desejo é água de mar, umas vezes tranquila e convidativa, outras vezes forma vagas gigantescas e assustadoras que rebentam contra as pedras que mais cedo ou mais tarde vão ceder às incessantes investidas da natureza cega. Metamorfose ambulante, como diria Raul.
Prefiro a flexibilidade da dúvida à rigidez das certezas.
Quero poder hesitar entre pedir carne ou peixe, entre cinema francês e escandinavo, entre Cindy Lauper e Madonna, entre Count Basie e Jimmy Smith, entre bolacha e biscoito.Quero ter dúvidas sobre o que a mulher amada acha disso ou daquilo, pois quero dar a mim e a ela o direito de errar, de fazer escolhas duvidosas e voltar atrás.
Não é pelo direito de ficar em cima do muro, é pelo direito de explorar os terrenos pelos quais se interessar e poder ver com os próprios olhos a terra mais fértil, o caminho menos íngreme, mais arborizado. A certeza pode representar fraqueza quando acompanhada daquele orgulho que impede o capitão de abandonar o navio. Se a dúvida é um vício, deveria ser considerado os mais benéfico deles. A dúvida é bambu (sem piadinhas estilo Silvio Santos), forte e adaptável às intempéries do tempo, enquanto a certeza é rude carvalho a ser abatido pelas tempestades interiores.
Acho bonito tanto o sim quanto o não, mesmo que sejam para a mesma coisa em momentos diferentes. Me cativa o desafio que é dizer “não sei”. Só sei que nada sei, dito assim, de supetão. O fascínio de conversar com a parceira antes de fazer uma escolha qualquer, seja ela sobre casamento ou prato para o jantar.
Não estou dizendo que todos devemos ser interrogações ambulantes; apenas lembro que reticências são tão importantes quanto pontos finais.
Se for para ajudar a enfrentar, consolar um pouco, encorajar, dar uma força, tudo bem.
Cada um se segura e se pendura na desculpa que prefere, porque afinal de contas, há horas em que a coisa fica realmente complicada.
A verdade é áspera quando vem de encontro, e suave quando a perseguimos. Depende do lado do espelho, da face da moeda, de poder ou obedecer.
Mas inegável é que a verdade não negocia. É e pronto!
Aceitar uma verdade como legítima é libertar um monte de recursos fantasiosos, é entrar em contato com o inflexível, com o que não é possível manipular.
Mas, teimosos que somos, insistimos em tentar dissuadir a verdade. Colorimos, maquiamos, inventamos traços e estilos únicos para o cenário metafórico que preferimos para viver, pensando estar enganando a verdade.
Aceitar duras verdades nos liberta, muda o fuso da vida, nos tira um fardo pesado das costas. A dor é só da hora, do momento. Depois suaviza, acostuma, entra na rotina.
Fugir das verdades, contar uma vida que não existe, para si e a para o mundo, não ameniza as verdades que se carrega, nem tampouco as que foram deixadas ao longo do caminho. Elas voltam, elas nos encontram na curva do tempo, nos pegam desprevenidos, vulneráveis, distraídos.
Verdade é matemática, é incontrolável, indomável, espontânea. Boa ou ruim, favorável ou prejudicial, é a verdade. E verdade é o que sempre queremos do outro, das coisas, da vida. Mas oferecemos a mesma verdade em troca? Verdade é sinceridade. Mas mentimos mais do que podemos controlar. E mesmo assim não aceitamos menos do que a verdade.
Verdade ou não, a verdade é que cada um deseja sempre ter a sua própria verdade, mas, de verdade, não há verdade criada, inventada, manejada. A vida é verdade até prova em contrário.
Ela anda pela vida sem narrador, abrindo histórias com seus passos incertos, com olhares distraídos, com o corpo querendo decidir mais do que a cabeça.
Gosta de idealizar o futuro como tela em branco, a vida como uma paleta de cores e ela nunca sabe se vai preferir o amarelo ou o roxo, as luzes e sombras ou o delineado. As escolhas vêm de um respirar depois do primeiro café, e são tomadas de supetão como um movimento involuntário da alma.
Não que tudo seja aleatório, não que tudo seja o que ela quer, não que a vida seja massa submissa a essa mulher, mas é justamente por saber disso, das incertezas e da dança solta do tempo, que ela relaxa os ombros, sente o dia e vai brincando com o que vier e vai desenhando com o que tiver às voltas de sua possibilidade de viver e sentir.
Talvez tenha sido sem querer que ela tirou da vida a necessidade de se amparar num destino onisciente, por sentir que a história é escrita nos próprios passos, nos próprios pensamentos e todo flashforward é sonho e de todo modo a vida já é tão boa agora – cheia de tramas, mistérios, dramas, comédias, clímax, desfechos, nascimentos… – pra que se preocupar em criar um futuro sublime se todo ‘feliz para sempre’ significa morte? Para que querer idealizar uma ilha onde tudo será pleno, onde haverá calmaria, se plenitude na verdade é o próprio movimento harmônico entre dilúvios e céus abertos?
Ela anda flutuando sobre o determinismo, gostando de deixar o dia ser um mistério, um presente sempre novo a ser descoberto, carregando um saco de ‘não sei!’ para as perguntas sobre os seus próximos passos, levando também o resultado das páginas vividas no coração na forma de aprendizado e agindo de improviso toda vez que se depara com caminhos apaixonadamente desconhecidos.