Quando o amor vira só uma ideia mal feita

Quando o amor vira só uma ideia mal feita

Eu sei que dói mais do que eu possivelmente conseguiria imaginar. Você diria: “você não entende”. E ninguém entende. Ninguém vai entender o que é gostar de alguém por tanto tempo, esperar alguém por tanto tempo nesse misto de esperança e desespero. Eu não sei pelo que vocês passaram, mas ouvi dizer que ele conseguia quase ler seus pensamentos. Devolvia toda afirmação com uma pergunta e era sempre sagaz demais para você provar o quanto você também é inteligente. No fundo, ele sabe o quanto você é foda também, mas, mesmo assim, ele não a quis. Ele podia escolhê-la entre todas elas, mas não escolheu.

Não foi por falta de aviso. Por mais que ninguém tenha falado nada, ele sabia que você estava lá. Você acha que não foi clara, mas foi. Ele sabe de tudo. Mas o amor é uma semente que você planta esperando que nasça um pé de feijão no algodão e, de repente, ele vira uma árvore, com raízes fortes, que lhe fazem abrir as janelas e arrancar o telhado, para ele se fixar no seu peito. E, depois que ele vira árvore, fica difícil mesmo tirá-lo de lá. Ele não é amor mais, é uma erva daninha, que vai se fixando nas entranhas e fazendo você ficar fraco, fraco, fraco.

Mas a culpa não é do amor. A culpa é sua, que não foi forte o suficiente para conseguir arrancar as raízes quando elas ainda eram fracas, mas você nem se lembra em que momento elas foram fracas, né? Você acha que ele sempre foi esse tsunami gigante que a afogava toda vez que os olhos se cruzavam.

E talvez nem tenha mais nada para ser dito. Já foi tudo dito aquele dia, mas você insiste em continuar parafraseando a história de vocês, como se ninguém soubesse de nada. Você não sabe disfarçar muito bem. Desculpa falar isso assim, na lata, mas você precisa saber. Não vou dizer que ele não é tudo isso, porque não estou aqui para convencê-la de que você é melhor do que ninguém. Mas, talvez, essa sua angústia já tenha se transformado quase numa obsessão, não acha, não? Já passou tanto tempo. A pessoa de que você gostava nem existe mais. Ele mudou muito. Com você, talvez ele ainda seja o mesmo e você acha que conhece o interior dele melhor do que ninguém, porque passaram umas tardes juntos e vararam a noite conversando sobre como as pessoas são vazias. Mas isso não quer dizer nada. Ele já está em outra e você aí. Eu sei, parece que ele a provoca, às vezes. Fica de olhando de rabo de olho, manda umas mensagens no meio do nada.

Sabe, ele também é inseguro. E ele gosta de saber que você gosta dele. Mas isso não quer dizer que ele goste de você. Ele gosta de se sentir gostado. Quem não? Mas acontece que nem você sabe mais o que sente por ele. Um misto de ódio, de amor, de paixão, de saudade. De ter alguém que a entenda tão bem. Você nunca encontrou alguém assim. E nem vai, porque a gente condiciona nossa própria realidade. Uma ideia é um ser vivo que você coloca na cabeça e ele vai crescendo e dominando todos os seus pensamentos, todo o seu coração e fica quase impossível tirar aquilo de lá. Mas a verdade é que esse amor é só uma ideia que se instaurou por todos os poros e agora você não consegue ver nada e nem ninguém além.

Eu posso estar viajando, mas eu a conheço bem para saber que você tem muito medo de se machucar. Talvez você esteja assim, porque tem medo de descobrir que realmente existe alguém melhor do que ele. Você tem medo de destruir essa fantasia que, de tanto incomodar, já a deixa confortável.

Em todos os relacionamentos, você sempre queria se sentir no controle de tudo, como se a gente fosse capaz de controlar as pessoas. A gente não controla as pessoas, a gente não tem poder nenhum sobre elas, mas dá para controlar nossas escolhas. Eu sei que o que vocês viveram foi incrível e tal, mas não precisa ficar inventando fantasias pra o que poderia ter sido ou que poderia ser. O amor é bom quando ele é fácil, encaixa-se, embola-se, não precisa de prova e nem de história. E, se existir alguma possibilidade de vocês ainda viverem algo juntos, você vai estar tão imersa nessa sua confusão, que vai deixar essa chance passar.

Tem que fazer um exercício diário de esquecer o outro, não tem outro jeito. É igual aprender uma atividade nova. Dá trabalho esquecer, porque você precisa estar no controle do que você sente. Mas a verdade é que ele não é amor. Nem sentimento ele é mais e é por isso que é tão mais difícil arrancá-lo de lá. Ele virou só uma ideia. E, se uma ideia pode destruir civilizações, imagina sua cabeça? O amor morreu, por mais que você queira acreditar que esse é o sentimento mais puro e honesto que você já sentiu, hoje ele é só uma invenção. Uma projeção daquilo que um dia você achou que era ele. O tempo passou e você ficou presa nessa história que já acabou. Vire essa página, dá um reset na mente e olha quantas oportunidades você pode deixar passar por escolher fechar os olhos. O mundo é cheio de camadas. Não escolha ficar na sua superfície.

Imagem de capa: Pintura por Casey Weldon

Não, eu não vou me conformar

Não, eu não vou me conformar

A gente se submete a tanta coisa na vida, se sujeita a determinadas situações e pessoas, mas aí a gente pensa que a vida, às vezes, é assim mesmo e tudo bem. Mas vamos combinar? A gente não precisa disso. Não mesmo.

Nós encaramos todos os dias situações que nos fazem nos adequar, a guardar a nossa opinião para nós mesmos, a sermos mais flexíveis, maleáveis mesmo. Afinal, as coisas não podem ser do nosso jeito o tempo todo e não podemos falar sempre o que pensamos.

Aprendemos a ter mais jogo de cintura, a sermos mais tolerantes com as pessoas e isso é uma coisa positiva e necessária no dia-a-dia. Outra coisa bem diferente é nos sujeitarmos, nos submetermos a coisas que achamos que precisamos passar. Achamos.

Não precisamos conviver ou estar com alguém que nos cause um grande desconforto, que nos alfinete sempre que tem uma chance, que seja maldoso só pra se sentir melhor nos diminuindo ou minando a nossa autoestima. Não precisamos de qualquer pessoa, de qualquer companhia só pra não ficarmos sozinhos. E por medo de não termos amigos, a gente não deve se contentar com o que tem como somos forçados a acreditar.

Nós podemos sim é compreender que essas pessoas nocivas não podem fazer mais parte da nossa rotina, apesar de fazerem parte do nosso passado, da nossa história. Isso é uma realidade estática que não podemos mudar, mas podemos sim (e devemos) buscar algo que esteja mais alinhado com a gente, devemos recomeçar, para criarmos um futuro diferente e seja em novas amizades que já não servem mais ou um novo relacionamento que não nos dá aquilo que precisamos.

Não precisamos nos conformar, nos contentar com aquilo que nos deixa infelizes, que agride aquilo que somos, para o outro nos amar, gostar da gente, querer sempre a nossa companhia. Tudo isso pra não sermos descartados, trocados por outro e de repente nos vermos sozinhos, nos sentindo solitários.

A verdade é que podemos ir até certo ponto, até nos comprometermos definitivamente com nós mesmos e o que acreditamos. Se cruzarmos essa linha, a gente se perde de si mesmo e nos desconectamos com aquilo que realmente importa pra gente.

A gente se engana um pouco pra poder viver e achamos que não fazemos tantas concessões assim. Não é? Fazemos isso com aquele trabalho que detestamos e mesmo assim continuamos nele. Fazemos quando escolhemos uma faculdade baseada em grana e não no que a gente ama e quer fazer. Fazemos isso quando queremos agradar aos outros e acabamos desagradando a nós mesmos.

Quando não ouvimos nossa intuição e seguimos a opinião de outra pessoa sobre o que é melhor pra gente. Quando ficamos em um relacionamento ruim por conveniência ou porque morremos de medo de nos vermos sós. Quando fazemos algo pela família ou por nossos pais só pra nos sentirmos queridos e validados.
Quando nos culpamos por termos opinado, por termos nos posicionado, por termos sido honestos e falado o que realmente pensávamos. Pode ser sobre uma pessoa ou situação e criamos inimizades ou rompimentos com isso.

Mas sabe o que eu aprendi? Nada que achamos que perdemos era nosso mesmo. Aquele amigo que virou as costas sem ao menos procurar saber se foi ou não um mal entendido, aquela familiar que não liga e não procura, aquele chefe que não tolerou ouvir uma opinião ou ponto de vista que fosse diferente que o dele e nos dispensou.

Tudo isso não era pra ser, não era pra continuar. A vida, às vezes, livra a gente do que precisa ir, retira pedras e obstáculos do nosso caminho. Mas por mais que pareça a primeira vista algo ruim e que nos prejudique, tudo o que acontece é para o nosso benefício, estamos sendo livrados do mal que tanto rezamos toda noite, lembram?

Não se engane, nos submetemos o tempo todo, mesmo quando não nos damos conta disso. Começa sempre com bobagens, coisas pequenas e sem importância, afinal não queremos nos indispor ou causar uma situação. Até que, gradualmente como o sapo da fábula que não se dá conta que a temperatura da água vai aumentando, continuamos ali inertes achando que está tudo bem, só não estamos sendo difíceis.

Mas estamos sim nos perdendo pelo caminho, pedacinho por pedacinho até percebermos que comprometemos nossa consciência e nossa essência nesse processo. Um dia, nos olhamos no espelho e simplesmente não reconhecemos a pessoa que nos tornamos e como chegamos até lá. E quer saber, nunca é tarde pra fazer esse caminho de volta e nos reencontrarmos. Só cabe a cada um de nós dar o primeiro passo em direção ao que realmente importa, nós mesmos.

As 12 vulnerabilidades humanas

As 12 vulnerabilidades humanas

Vulnerabilidades são as dificuldades internas, mentais, vivenciadas ao longo da vida. Algumas vulnerabilidades existem desde o nascimento, outras, a maioria, são dificuldades emocionais que aparecem durante a vida e se desenvolvem conforme você vai aprendendo crenças irracionais, ou vai tendo exemplos ruins e desilusões.

Independente de serem genéticas ou adquiridas, sempre é possível aliviar essas vulnerabilidades emocionais, diminuir as diferenças internas e criar uma boa resistência para esse stress emocional.

Nossas 12 vulnerabilidades

1ª Frustração – Frustração o que você sente quando diz: “Não suporto quando as coisas não saem do jeito certo, do jeito que eu quero”. A pessoa se frustra quando tem na cabeça tudo determinado. No budismo se diz que o caminho para a iluminação é eliminar o desejo. Eu não sou budista, mas creio que é isto a que se refere. Quanto mais desejos, mais inflexível você for mais você vai se frustrar. Quanto mais você dizer “Se não for desse jeito, eu não quero nada” mais vai desenvolver sofrimento emocional.

2ª Pressa – Você percebe que é um apressado quando vive dizendo “Não me faça perder tempo”. Sabe aquela pessoa que vive dando pulinho no lugar? Se não tiver nada para fazer ela não aproveita o tempo, não curte seu dia, o sol gostoso ou a lua bonita, ela inventa mais alguma coisa para fazer porque tem pressa e não pode “perder tempo”.

3ª Solidão – A solidão um sofrimento para muitas pessoas. Se você sente angustia em ficar sozinho, você sofre de solidão . Solidão não tem uma definição fechada, estar só é o que sua cabeça determina que seja, se você determinar que pode ser uma boa companhia para você mesmo, parabéns! Você superou a solidão. Mas, se você sofre por ficar sozinho então temos dois caminhos para você, ou treinamos habilidades sociais, e a psicologia comportamental faz isso muito bem, ou você aprende a não se avaliar tão negativamente assim por estar sozinho. Pergunte para você mesmo: “O que significa estar só?” Se você responder que significa ser rejeitado, temos que fazer um trabalho cognitivo, ou seja, mudar essa percepção. Aí a terapia cognitiva faz um trabalho muito legal.

4ª O tédio – “Coisas monótonas repetitivas me deixam chateado”, “Todo relacionamento fica chato depois de um tempo”. Se você é o dono dessas frases então você sofre com o tédio . E aí, o que a gente faz com pessoas assim? Manda ela se meter em esportes radicais, cada vez mais arriscados, cada vez mais caros? Ou vamos aprender que adrenalina também é vicio! Adrenalina é uma droga endógena, ou seja, seu próprio corpo produz, mas mesmo assim é uma droga que vicia. E como tudo o que é demais faz mal, temos é que pensar no equilíbrio da pessoa como um todo. É muito melhor viver sem ter que pular de uma ponte por dia para sentir alguma emoção, assim é a realidade nossa do dia a dia.

5ª Sobrecarga de Trabalho – Trabalhar demais, assumir mais tarefas do que seria possível, pode ter várias origens. Pode ser baixa assertividade , pode ser que você não consegue falar o famoso “não” na hora certa, pode ser expectativas irreais, você pode achar que a única forma de ser reconhecido é trabalhando feito uma “mula de carga”, isso até você ver outro se dar bem melhor que você e trabalhando só metade. Ou você confundiu as coisas e acha que qualidade de vida é conseguir comprar um monte de coisas que você não vai ter tempo para desfrutar.
Porque você está sobrecarregado de tanto trabalho? E não me venha dizer que é impossível mudar. Acredite em mim, sua vida é o que você faz dela, se a forma como sua vida está não está legal é porque você precisa perceber que depende de você, e só de você mudar isso. Se não conseguir sozinho.

6ª Ansiedade – Num primeiro momento parece que não é nada, mas só de transtornos de ansiedade o código internacional de doenças tem uma lista enorme. Desde o transtorno do stress pós traumático , ansiedade generalizad a, síndrome do pânico e lá vai lista. Em resumo, ansiedade é toda vez que você sente angustia quando antecipa que vai acontecer alguma coisa importante, mesmo que saiba o que fazer. Exemplo: Você sente angustia antes de fazer uma prova, mesmo tendo estudado? Você é ansioso . Sente angustia em receber pessoas na sua casa, mesmo tendo tudo preparado para isso, é ansiedade. Sente angustia quando vai falar com alguém que você considera importante, mesmo que você saiba como se comportar nesse tipo de situação, isso é ansiedade. Ansiedade não tratada faz com que sua vida renda menos. Você fica paralisado pela ansiedade.

7ª Depressão – Você pode desconfiar de depressão quando fica desanimado só de pensar em enfrentar certas coisas. Quando você sente que não tem energia. Você pode desconfiar que esteja deprimido quando acha que não vale a pena se esforçar pois nada tem graça. Depressão é um dos mais graves sintomas clínicos em psicologia. Depressão mata. Se não com suicídio, mas tirando da vida produtiva de muita gente que poderia estar desfrutando a vida. Mas este é quadro que menos aparece nas clínicas. Porque os depressivos não se tratam. Eles não têm esperança. Eles acham que não vale à pena.
O trabalho com o paciente depressivo deve incluir a família. Alguém em casa tem que ser o apoio. É difícil porque a família o vê como um “chato”. Infelizmente essa impressão faz com que a família vire as costas e diga “se vire”. Mas a gente sabe que ninguém “se vira” sozinho, sem tratamento.

8ª Raiva – Este é outro tema que merece um livro só para ele. Quem tem dificuldade em lidar com a raiva fica a mercê dos outros. Isso mesmo, você fica sob o controle dos outros, os outros te irritam e você perde o controle. Quando percebem que você é assim, parece que você deu um “controle remoto” da sua mente para o outro. O outro te controla, ele sabe te tirar do sério, lembra do que eu falei que faz parte do equilíbrio humano sentir que você tem o controle sobre você mesmo. Pois é, quem é vulnerável à raiva não tem esse controle, e além disso, é o tipo de pessoa que foge de gente, contato com pessoas irritam, a pessoa se isola, e ganha a depressão de brinde.
Não ter raiva nenhuma, por incrível que pareça, também é ruim. Você tem que ter reação quando te ofendem. Para ter auto defesa, até auto-estima, que é saudável, você tem que ter um limite mínimo de raiva, é ela que te faz reagir, mas você precisa da dose certa de raiva.

9ª Preconceitos – Qualquer conclusão que você tira em cima de um aspecto que não está claramente relacionado é preconceito . Ex: Tirar a conclusão de que quem nasceu neste ou naquele lugar é menos inteligente. Isso é preconceito. Porque não há relação lógica de inteligência com local do nascimento, ou chegar a conclusão que “todo mundo quer tirar vantagem de você” também é preconceito . Porque você não conhece todo mundo intimamente, e você conclui isso antes de saber como a pessoa é de verdade.
“Quem teve uma infância ruim nunca será feliz” – é preconceito porque sabemos da influência do ambiente, mas também sabemos que é possível fazer uma reestruturação cognitiva e ser feliz, mesmo tendo tido muitos problemas na infância. A psicoterapia te ensina a fazer essa reestruturação cognitiva. Preconceito está intimamente ligada às crenças irracionais que se coleciona ao longo da vida.

10ª Perfeccionismo – Muita gente sente orgulho em ser perfeccionista . Não sei por que, pois o perfeccionista sofre, e muito por ser assim. Revisa tudo o que faz, não se perdoa se sair um errinho. Nem viu o trabalho do outro, mas diz que não está bom. É aquele que acha que só ele sabe fazer as coisas direito. É aquele que não tira férias porque não confia em ninguém para deixar no trabalho. Você acha que isso é bom?

11ª Aprovação – Quanto sofrimento a gente não vê por ai por conta das pessoas que buscam aprovação : “Tenho que fazer tudo certinho, senão o que vão pensar de mim”. Quanto sapo engolido por medo de abrir a boca e falar coisas que os outros possam não gostar, quanto sofrimento você passou porque aprendeu que “menina bonita não faz assim” “menino bonito não reclama”.

12ª Negativismo – É o tal de: “não vai dar certo”. “Pra que sair para procurar emprego se não vou conseguir mesmo”. “Pra que ir para festa se não vou conversar com ninguém interessante mesmo”.

Essas são as vulnerabilidades que produzem stress emocional. Se permitir que alguma dessas vulnerabilidades invada sua vida estará abrindo as portas para o sofrimento psicológico.
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6 filmes que inspiram, pois mostram o real poder de nossas escolhas

6 filmes que inspiram, pois mostram o real poder de nossas escolhas

Por Josie Conti

É claro que, na teoria, ninguém escolhe estar presente em uma catástrofe, ficar doente ou ser muito pobre a ponto de não ter o mínimo. Não é dessa falta de escolhas que falo. Mas, mesmo nas catástrofes, na miséria e nas doenças, a vida exige de nós que nos posicionemos de alguma forma.

Podemos lutar ou nos entregar, podemos enfrentar a realidade ou ignorá-la. Podemos ajudar, sermos ajudados ou tentar continuar sozinhos.

É sobre essas escolhas que tomamos frente à realidade já apresentada que falo, sobre as escolhas possíveis, sobre as escolhas que cada um, de sua própria forma, consegue fazer e, mais além, sobre o tempo necessário para que elas sejam feitas.

Optei por 6 títulos que podem ser encontrados na Netflix e que, nas últimas semanas, invadiram minha sala e meus pensamentos. São todos filmes de conteúdo emocional intenso e que realmente levam quem os assiste a refletir.

Não estão em ordem de relevância ou preferência. As opiniões e seleção são pessoais e não tecnicas.

1- O Aluno

Título Original: The First Grader
Nacionalidade: EUA, Grã-Bretanha, Irlanda do Norte
Ano: 2010
Direção: Justin Chadwick
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Sinopse:
Maruge lutou pela liberdade de seu país, foi preso e torturado. Aos 83 anos, se fazendo valer de um discurso do Presidente do Quênia que garante educação para todos, Maruge decide se matricular numa escola primária. Como a escola possui mais crianças do que sua estrutura precária suporta, sua matrícula é negada e ele precisa insistir muito até ser aceito. Porém, ao começar a estudar, a atitude de Maruge gera revolta e indignação na comunidade, colocando sua segurança em risco.

Opinião:

Um dos primeiros fatores a nos emocionar no filme é sabê-lo inspirado em fatos reais. O desejo de Maruge pela educação é algo que se sobrepõe a qualquer obstáculo que possa se apresentar e quem assite sua história fica tocado por sua perseverança. Além dos obstáculos políticos, vemos um vilarejo que questiona culturalmente sua presença na escola. A história nos deixa apreensivos a cada instante, mas nos inspira pela força e pela vida que apresenta. Marube brilha assim como brilham os olhos que veem o filme.

2- Trem noturno para Lisboa

Título original: Night Train to Lisbon
Nacionalidade: Eua, Suiça, Alemanha
Ano: 2013
Direção: Bille August

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Sinopse: Raimund Gregorius, um professor suíço, que abandona suas palestras e sua vida conservadora para embarcar em uma emocionante aventura que o levará em uma jornada ao seu próprio coração.

Opinião: A sinopse oficial do filme está longe de descrever o grau de complexidade existential que é apresentada. O filme é bastante fiel às memórias que guardo do livro que li há alguns anos. Após salvar uma jovem portuguesa de um suicídio, o professor encontra um livro deixado por ela dentro de um sobretudo. Fascinado pelo livro, ele decide ir à Lisboa e começa a percorrer os caminhos e conhecer os personagens descritos na história. Das reflexões e desses conhecimentos, surge um novo olhar do mundo.

3- Viver sem endereço

Título original: Shelter
Nacionalidade: EUA
Ano: 2015
Direção: Paul Bettany

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Sinopse: Dois moradores de rua, Tahir (Anthony Mackie) e Hannah (Jennifer Connelly) de Nova York vivem rodeados por desespero, perigos e incertezas. Eles acabam se conhecendo e se apaixonando. Tahir e Hannah encontram consolo e força e, aos poucos, contam um ao outro como foram parar nesta situação de dificuldade, e percebem que juntos podem tentar construir uma vida melhor.

Opinião: O filme traz uma reflexão sobre o quanto uma pessoa pode suportar sem perder o contato com a realidade e com o convívio social. A dor indescritível de suas histórias é a mesma que, gradativamente, os une nas ruas. Desse amor e na luta pela sobrevicência, surgem novos sonhos e esperanças.

Nota: Na busca do Netflix eu só o consegui localizar quando digitei seu  título em inglês “Shelter”.

 

4- Blue Jasmine

Título original: Blue Jasmine
Nacionalidade: EUA
Ano: 2013
Direção: Woody Allen

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Sinopse: Uma milionária mulher (Cate Blanchett) perde todo seu dinheiro e é obrigada a morar em São Francisco com sua irmã (Sally Hawkins) e os sobrinhos em uma casa bem modesta. Ela acaba encontrando um refinado homem (Peter Sarsgaard) que pode resolver seus problemas financeiros, mas antes precisa descobrir quem é e aceitar sua nova condição de vida.

Opinião: É impossível não sentir empatia pela situação da protagonista do filme que se mantém alheia a todas as realidades que a desagradam até que seu mundo desaba e ela é obrigada a enfrentar a vida, fato que a leva a um colapso nervoso. Woody Allen, como sempre, conduz com maestria a complexidade psicológica da personagem e o peso de suas escolhas e omissões. Será que Jasmine conseguirá superar a realidade? Essa é a pergunta que deixo para quem ainda não assistiu.

5- Um conto chinês

Título original: Un cuento chino
Nacionalidade: Espanha, Argentina
Ano: 2011
Direção: Sebastián Borensztein

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Sinopse: Roberto (Ricardo Darín) é um argentino recluso e mau humorado. Ele leva a vida cuidando de uma pequena loja e tem o hobbie de colecionar notícias incomuns. A comodidade de sua vida é interrompida quando ele encontra um chinês (Ignacio Huang) que não fala uma palavra de espanhol. O imigrante acabara de ser assaltado e não tem lugar para ficar em Buenos Aires. Inicialmente relutante, Roberto acaba deixando o asiático viver com ele e aos poucos vai descobrindo fatos sobre o chinês.

Opinião: O filme fala da ilusão de controle que as pessoas, como o protagonista, desenvolvem por medo de perder o rumo de suas vidas. Lidar com o total desconhecido inicia um processo de abertura de perspectivas de vida e de possíveis mudanças.

6- Bem-vindo ao mundo

Título original: Twice Born
Nacionalidade: Itália
Ano: 2012
Direção: Sergio Castellitto

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Sinopse: Uma mulher retorna com seu filho dezesseis anos depois de deixar a Bósnia, mas sua visita traz à tona lembranças que a fazem lidar com verdades dolorosas.

Opinião: Uma história de amor que segue um enredo de lembranças da protagonista (Penélope Cruz) e que surpreende por seu desfecho. Após terminado, o filme continua ecoando e as cenas se justapondo como se nós, tando quando a protagonista, estivessemos assimilando a realidade.

17 frases e versos inesquecíveis de Vinicius de Moraes

17 frases e versos inesquecíveis de Vinicius de Moraes

Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia a alcunha “poetinha”, que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador.O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta[8] . No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Abaixo algumas de suas frases mais célebres.

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As imagens foram publicadas originalmente em Último Segundo. Informações Wikipédia.

A gente já se exige demais todos os dias. É necessário sentir orgulho também.

A gente já se exige demais todos os dias. É necessário sentir orgulho também.

Encontrei-me com um amigo, dia desses, e passamos a noite conversando sobre nossas questões e dúvidas sobre profissão e carreira. Levantei a bandeira de que estava me sentindo meio perdida, achando que as coisas não estavam dando certo, andando muito devagar. Aquela história de se sentir à deriva e esperar o vento soprar para algum lado, em vez de remar com toda a força para algum lugar que não se sabe exatamente aonde vai dar. Sempre aparece uma época em que eu começo a questionar sobre tudo e, principalmente, sobre minhas escolhas.

Daí ele falou para eu olhar para trás e perceber quanta coisa eu já tinha feito, onde eu já tinha chegado. Parei para pensar que, realmente, já percorri um grande caminho e não tenho por que me sentir assim, já que as coisas estão de fato acontecendo. Mas eu não consigo perceber, porque estou cega pensando apenas na linha de chegada.

É claro que, quando você tem um objetivo, mas não sabe ao certo como alcançá-lo, você fica atirando para todos os lados e, muitas vezes, não acerta nenhum alvo. Ou pior, quando você não sabe nem qual é o objetivo, fica quase impossível avançar. Sempre me falaram da importância de traçar metas para se chegar ao objetivo. Mas e quando essas metas que você achava que seriam suficientes não são suficientes? Surpresa! Elas nunca são.

O sucesso nunca é uma linha reta. Ele exige mais esforço do que se imaginava e tanta coisa surge no caminho, que parece que nunca vai dar certo. E você olha para o lado e parece que todo mundo está conseguindo êxito, menos você. E aí começa o processo inútil e devastador de se comparar com os outros. Essa é a pior forma de se frustrar. Você só pode se comparar a quem você era ontem.  A gente sabe de tudo isso, mas o ego, ah, o ego, esse monstrinho que nos faz chorar de olhos fechados numa terça-feira de manhã. E aí pensamos um monte de coisas horríveis sobre nós mesmos, mas demonstramos o inverso socialmente. O ego nos faz parecer uma placa de ferro que amassa qualquer coisa no caminho, inclusive nossas verdadeiras vontades. Por isso o gosto de metal que fica na boca.

Entre todas essas peças que a nossa mente prega, é preciso parar um pouco de olhar para a frente e começar a olhar para trás, para o que já foi feito e conquistado. Se a gente fica muito focada no destino, perde-se toda a graça do caminho e também aquelas pequenas glórias diárias que a gente deixa de lado por “não ser o suficiente”. Se a gente entrar nessa, nada vai ser o suficiente e a vida vai ser uma eterna frustração. Isso tudo pode ser um grande clichê, mas esse meu amigo, durante a conversa, contou-me uma história pessoal que pode parecer boba, mas faz todo sentido.

Ele me contou que há um tempo queria ficar com o corpo ideal para ele e essa meta seria atingida quando ele chegasse aos 100 quilos, mas com músculos e não com gordura, o que é bem difícil. Mais difícil, inclusive, do que emagrecer. Quem malha sabe como é preciso se regrar para “crescer”. Então, ele começou a se dedicar muito. Fazia alimentação certinha, malhava todos os dias e saiu dos 86kg para 97kg, com muito esforço, mas não conseguiu chegar aos 100kg.

Daí, ele encontrou uma amiga que ele não via há muito tempo e ela falou “nossa, você conseguiu! Parabéns, você conseguiu o que queria”. E ele, em vez de aproveitar o elogio e se sentir feliz pelo que tinha conquistado, simplesmente esnobou e pensou “Não cheguei onde eu queria, ainda falta para chegar lá e eu estou frustrado porque não consegui”.

Às vezes, a gente fica tão obcecado pelo resultado, que se esquece de se satisfazer com o que já foi alcançado. No final das contas, a vida nem tem linha de chegada, o que vale é o caminho mesmo e o caminho é feito no dia a dia, na monotonia inevitável, nos passos pequenos e nos largos também. Se a gente comemorar cada pequeno passo como uma conquista, o objetivo fica mais próximo e a vida, com certeza, fica mais divertida. A gente já se exige demais todos os dias. É necessário sentir orgulho também.

Eu acho que mereço dar uma relaxada.

Desânimos exaltados

Desânimos exaltados

Vez por outra chega de mansinho aquela fase viscosa, nebulosa, preguiçosa, que se instala devagar, e devagar se demora a retirar.

São as notícias do mundo, é aquele projeto que ainda não decolou, os papos andam repetitivos, a política mostrando um cenário desolador, as notícias infelizes a trágicas golpeando de vez o pouco otimismo que ainda teimavam em resistir.

E, como acontece na moda, subitamente um monte de gente amanhece vestindo o mesmo estilo, as mesmas cores, o mesmo corte, o mesmo desânimo. É um fenômeno coletivo, inevitável, temporal.

A moda ao menos sinaliza uma outra proposta, mas esse desânimo, essa desesperança, esse enorme e profundo cansaço, se possuem alguma utilidade ou propósito, estão soterrados na massa de bordões e lamentos que segue em repetição.

É a temporada dos desânimos exaltados. E então não há boa notícia que quebre facilmente esse ciclo; não há otimismo rebelde que esquente cadeira num cenário de ânimos gelados e endurecidos.

Triste é pensar que o tempo nada se importa com essas férias forçadas do bom senso, e continua seu caminho, passando e levando as horas, os dias, anos, vidas.

O desânimo congela, paralisa, imobiliza. Nada se ganha com as intermináveis ladainhas, nada se lucra com a desesperança.

A vida não é fácil, mas ainda não é morte.
A política nos assombra, mas ainda cabe luta.
Brutalidades são cometidas, mas ainda sabemos discernir.
Decepções acontecem, mas a vida é assim. E ainda não é morte.

Os desânimos exaltados só possuem serventia para quem o que nos preferem fracos, sem reação, sem noção.

Se o momento não é favorável, que sejamos parte da engrenagem que o fará passar mais rápido. Se as notícias são tristes, que busquemos e propaguemos as boas, porque elas existem e ainda não capazes de encher os olhos mais vazios, com muita emoção. Caso contrário, é só deixar o tempo passar, e nos levar.

Mãe, tô na Califórnia morando numa van vintage chamada Lolita

Mãe, tô na Califórnia morando numa van vintage chamada Lolita

Oi mãe tô na Califórnia morando numa van vintage chamada Lolita. Ela não é uma Kombi, como sempre sonhava, mas é muito charmosa, uma moça recatada e de família, rs.

Os dias aqui são quentes, não há nuvens no céu e as praias são lindas.

As pessoas aqui param pra te dão bom dia, cada loja tem potinhos com comida e água para os cachorrinhos e tem até uma praia só para cachorros, sabia?

Eu sei, mãe, eu não estou na faculdade e não tenho um trabalho na área onde me formei, mas hoje eu sou o que melhor sei ser de mim mesma. Hoje a minha casa é onde meus pés estão e minhas coisas cabem tudo na minha mochila, a Monstra, minha velha amiga de estrada.

Hoje eu não vivo preocupada se vou chegar em casa viva e com meus pertences, se amanhã vou vou demitida ou não por causa da crise.

Hoje eu trabalho para conseguir viajar amanhã. É bar, babá, faxineira, até designer de sobrancelhas e etc…, mas quem importa? Quem sabe se todo mundo experimentasse vários níveis e tipos de trabalho menosprezariam menos os outros…

Hoje eu tenho 20 anos, em 10 meses viajando sinto que vivi uns 10 anos da minha vida, de tanta história que tenho, até cabelo branco já nasceu sabia? Rsrs.

Ah, e as histórias. Tenho tanta história pra contar… Nem todas são bonitas, mãe, nem todas são de sucesso e flores, mas todas me tornaram essa Elisa que sou hoje.

Como queria hoje sentar para tomar um cafézinho da tarde daqueles que tu fazia, comer um pãozinho com manteiga, com direito a suco natural de laranja feitinho na hora pelas tuas mãos e ouvindo tu dizer: “O meu pai fazia suco assim para nós também”.

Não sou o padrão de filha, não tenho graduação em universidade federal e muito menos um emprego fixo com salário bom, mas hoje espalho todo esse amor pela vida que transborda no meu peito. Espalho sorrisos e semente de amor no coração das pessoas. O melhor presente que recebo é ouvir dos outros que eu, de alguma forma, contribui positivamente no dia, na semana ou na vida delas.

Hoje tu pode dizer que é mãe de uma mulher de 20 anos que viaja sozinha pelo mundo.

Durante todo esse tempo viajando sozinha, busquei inspiração em outras mulheres fortes e uma delas foi tu.

Muitas vezes, sozinha, me vejo em situações que me faz ter vontade de desistir de tudo e correr para o teu colo e só chorar, mas eu engulo o choro e repito pra mim mesma muitas vezes: “Eu consigo passar por isso.”, “Eu consigo isso, se alguém consegue eu consigo também”, “Eu posso ser tudo aquilo que eu quiser”.

Como eu queria, de alguma forma, ajudar outras mulheres, como eu queria compartilhar tudo isso com uma quantidade grande de pessoas e mostrar o quão a vida pode ser linda e que podemos sim viver sozinhas.

Ser mulher na estrada foi a dificuldade que mais enfrentei desde que viajo. Foi quando eu realmente comecei a odiar o machismo com todas as minhas forças. O que me faz ser mais forte ainda e não cale a boca para muitas coisas que eu vejo. Porque a mulher não pode se calar! A mulher pode ser livre e ir atrás dos seus sonhos, mesmo que esse pareça quase impossível e se libertar de homens que massacram a vida de suas esposas até elas gritarem por dentro pedindo socorro. Até elas estarem despedaçadas com pressão psicológica. Até a depressão ser a sua companheira diária.

Hoje a única coisa que me faz sofrer é a saudade. Saudade dos que já foram, saudades das pessoas que conheci e que provavelmente nunca mais vou voltar a ver.

Hoje a única coisa que me faz sofrer é a saudade. Principalmente de ti, mãe.

E é por isso que o livro que estou escrevendo da minha viagem é dedicado a ti, mãe, porque tu é uma das mulheres mais fortes que já conheci em toda a minha vida!

Te amo.

Do amor

Do amor

Há muitos anos, muitos mesmo, quando era praticamente uma adolescente, li, “Do amor, Ensaio de Enigma”, sensível livro do saudoso Artur da Távola. Há algumas semanas, após a crônica “Quem Nunca Sentiu Saudade?” que escrevi para a página Acidez crônica, recebi uma mensagem delicada que citava o trecho “Da perda” do livro, Do Amor’.

Fui, então, reler alguns trechos do exemplar do livro já amarelado pelo tempo, sublinhado pelas descobertas de uma adolescente. Hoje, revisitado por estas retinas vividas, achei engraçado alguns trechos sublinhados, quase premonitórios e, enfim, pude concluir: o amor é realmente um enigma.

Pus-me a pensar no amor, esquecendo-me completamente do purismo da língua, das observações analíticas: pensei no amor do dia a dia, o amor desabafado e desabado nos ombros amigos; pensei nos amores de bar e nos amores média, pão e manteiga com olhares perdidos e esperanças matinais.

Ponderei sobre amores que nem sempre são amores, mas que pelo tempo que estiverem trajados de amor serão intermináveis. Pensei nos amores absolutamente apaixonados que visitam camas e muros; nos amores complicados tal qual nó de aselha, cegos em sua existência. E por fim, pensei naquele amor que de tanto ser amor torna-se enigma, aquele amor fecundo em todos os tempos, que será sempre amor mesmo depois de findo.

Este amor é silencioso, sobrevive à própria morte, posto que renasce nas lembranças e em frases de carinho. É amor de travesseiro, não importa o novo amor, muito menos com quem você se deite, haverá de haver um “boa noite” ainda que distante.
Quando eu era jovem discordava da afirmativa de Nelson Rodrigues: “Todo amor é eterno. E se acaba, não era amor”. Entendia que o amor necessitava de presença, toque, sexo, beijos. Hoje minhas retinas refletidas e vividas, permitem-me compreender: Há o amor de querer bem, não importa o fim, segue-se, sim, amando.

A liberdade de escolha: Qual dos caminhos seguir?

A liberdade de escolha: Qual dos caminhos seguir?

Imagem de capa: soft_light, Shutterstock

Que caminho seguir? Com qual das duas pessoas eu me relaciono? O que faço agora? Qual curso escolher? Qual produto eu compro?

Quando você escolhe um caminho e deixa de escolher o outro, o que você perde é o conhecimento sobre o não escolhido. Isso pode ser muito perturbador quando pensamos que a nossa escolha talvez não tenha sido a melhor. Muitas vezes, também ficamos parados, problematizando nossas escolhas e não avançamos em uma decisão.

Mas escolher é liberdade, não?

Se você ama sorvete de chocolate e eu lhe ofereço duas opções de sorvete: limão ou chocolate, qual você escolheria? Chocolate? Se eu estou condicionado ao sabor de chocolate, eu consigo afirmar que, em algum momento, escolhi livremente um tipo de sorvete? A minha escolha era realmente livre?

Passando isso para outras escolhas do nosso cotidiano: faculdade, trabalhos, passeios, viagens, namoros, amigos, comidas, produtos etc. O que realmente escolhemos e o que seguimos de acordo com o nosso passado/condicionamento? O que seguimos de acordo com padrões sociais?

Será que, muitas vezes, não fazemos escolhas apressadas, sem realmente conhecermos as possibilidades. Nesse ponto, nossa escolha não é livre, no sentido mais real da palavra, pois agimos condicionados a algumas crenças. Perdemos, nesse caso, uma oportunidade de nos conhecermos melhor e de seguir novos caminhos.

Se você só prova o sorvete de limão, então ele vai ser sempre a sua escolha e será para você o melhor entre todos os sabores. Permita-se conhecer a si mesmo e também a vida à sua frente com os seus sabores.

Um exemplo: Você tem que escolher entre duas pessoas: uma com quem já estava há mais tempo e uma nova. Você escolhe quem você já conhece porque você já conhece (risos). Sabe as qualidades, os defeitos, sabe o que não gosta e o que gosta nessa pessoa, conhece sua família, conhece suas crises, conhece suas brigas e seus sonhos. Chega um tempo e você se pergunta: será que a minha escolha foi a melhor?”

Fique tranqüilo; no fundo, você não escolheu, apenas seguiu fazendo algo que sempre fez. Você não deu opção para a segunda pessoa, você não a conheceu. Nesse momento, você já indicou a primeira. Você ainda está preso àquela vida que você planejou, onde encontra certa segurança – não que isso seja ruim. O resultado você já sabe: algumas situações podem se repetir em sua vida.

Se você não pôde conhecer bem e tomar consciência das duas opções, então essa não foi uma escolha livre.

A real liberdade não é você ter duas opções, mas sim infinitas. É você poder ir aonde quiser, sem ter que escolher apenas entre dois lugares. A liberdade acontece em situações em que se deve escolher entre um caminho e outro que sejam menos triviais. No sentido de que você está tão aberto para qualquer possibilidade e sabe tanto quem você realmente é, que a vida não necessita perguntar, ela apenas flui - como um rio o levando aonde você precisa chegar. Quando chegarem duas ou mais opções, você as conhece e se conhece tão bem, que a escolha não será um estresse.

Quando nos perguntamos se saímos pela porta ou pela janela, isso não é liberdade. Isso é cativeiro disfarçado na sua mente. Geralmente, quando você sai de uma escolha dessas, você se pega envolvido numa outra, depois numa outra e depois em mais outra.

Nós imaginamos que, fazendo uma escolha, seremos livres, mas, logo à frente, ficamos pensando na escolha que fizemos e encontramos mais opções para fazer. Às vezes, queremos dar marcha à ré para voltar, mas, se tem uma coisa que passa e não volta atrás, é o tempo.

Convido a sermos realmente livres, a sair dos nossos condicionamentos, a escapar daquele mapa que traçamos para tudo e para todos, a parar de pegar o passado e replicar no presente.

Se você não quer colher sempre a mesma fruta, então plante outra diferente.

Até aquele amor que você sente pelo outro pode estar condicionado. Pela sua necessidade, você o ama pelo passado que vocês já tiveram, você o ama pelo seu medo, você o ama… Mas agora, no presente, você o ama? Encontre uma nova forma de amá-lo, antes que você descubra que talvez você nunca o tenha amado ou que isso tenha ficado no passado.

O que é o amor em relacionamentos além de poder estar na presença de qualquer um para se relacionar e ter a liberdade de escolher estar com um só? Amor e liberdade caminham juntos.

Permita-se conhecer os caminhos, permita-se conhecer a si mesmo. Se você não fizer isso, não terá opção. Irá fazer o que sempre fez e ter os mesmos resultados.

O que escrevo aqui não é uma fórmula pronta e nem algo mensurável. Não é necessário sair medindo ou aplicando a sua liberdade, apenas tome consciência do que é realmente ser livre.

“A prática propositada da meditação afeta profundamente nossa personalidade. Somos escravos do que não conhecemos; do que sabemos somos mestres. De qualquer vício ou fraqueza em nós mesmos descobrimos e entendemos suas causas e seus funcionamentos, nós os superamos pelo próprio saber; o inconsciente se dissolve quando o trazemos à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia; a mente se sente adequada e se torna quieta.” — Sri Nisargadatta Maharaj

Você é livre para tomar aquela decisão?

Pense nisso. Medite, observe e converse.

Shanti (esteja em paz).

Rezar é bom, mas tem de rezar direito: primeiro a gente agradece, depois a gente pede.

Rezar é bom, mas tem de rezar direito: primeiro a gente agradece, depois a gente pede.

Eu rezo, sabe? Não é coisa muita, não. Nada assim formal. De cor, não sei mais que duas orações. Mas eu rezo assim mesmo. Fecho os olhos em silêncio, penso numa coisa boa do passado, do presente, do futuro, e agradeço por ela.

Aqui, bem dentro da minha gratidão, cabe um mundo inteiro de gente, de bichos, de coisas, datas, lembranças, histórias, saudades, cheiros e sons, gostos e imagens, amores e dores, tantas dores. Cabe todo mundo aqui. Quem veio, quem foi, quem ficou, quem virá. Cabe sem aperto. E a mim só cabe, primeiro, agradecer.

É preciso gratidão, sabe? Deitar os joelhos no chão, de manhã, na beira da cama, e agradecer. A gente tem de agradecer primeiro, por tudo, antes de mais nada.

Você pode até achar que não tem o que agradecer, que a vida anda bruta, que isso e aquilo, por isso vai logo pedindo o que precisa. Mas eu ainda acho que é preciso mostrar gratidão. A gente precisa agradecer. Nem que seja por ainda poder pedir.

Primeiro a gente agradece, depois a gente pede. A ordem é essa. E não custa nada respeitá-la.

Pedir antes de agradecer é mais ou menos como passar a carroça na frente do burro. Não pode, não. É falta de modos. Se você não entra em casa dos outros sem pedir licença, não esquece de dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “por favor” e “obrigado” quando deve, não joga lixo na rua nem maltrata quem quer que seja, não peça nada sem antes agradecer!

Quem agradece diz a Deus que aproveita o que tem, que valoriza o que conseguiu e que faz por merecer. Agradecer é uma forma bonita de mostrar respeito e fé. Pressupõe que a gente sabe o que tem, reconhece que ganhou porque se fez merecedor e que rezar não quer dizer “esperar cair do céu”.

Quando a gente esquece de agradecer e sai enviando pedidos de toda sorte a Deus, ao nosso Anjo da Guarda e a todos os santos, a oração perde a força. Não vale nada. Não chega lá. Quando a gente reza, é preciso rezar direito. Rezar na ordem correta, simples e poderosa: primeiro a gente agradece, depois a gente pede.

A solidariedade pode melhorar o mundo- Zygmunt Bauman

A solidariedade pode melhorar o mundo- Zygmunt Bauman

Por Zygmunt Bauman

Pelo que eu saiba, foi um economista, o professor Guy Standing, que cunhou (e acertou em cheio!) o termo precariat. Ele o fez para substituir ao mesmo tempo os termos proletariado e classe média, que já haviam atingido amplamente a data de validade e haviam se tornado “termos zumbis”, como certamente teriam sido definidos por Ulrich Beck.

Como sugere o blogueiro que se esconde atrás do pseudônimo Ageing Baby Boomer (isto é, um filho do baby boom com muitos anos de idade), “é o mercado que define as nossas escolhas e nos isola, impedindo que qualquer um ponha em discussão o modo em que essas escolhas são definidas. Quem faz a escolha errada será punido. Mas o que torna o mercado tão cruel é o fato de que ele não se dá conta minimamente de que certas pessoas estão muito melhor equipadas do que outras a escolher bem, porque possuem o capital social, o saber ou os recursos financeiros”.

O que “unifica” o precariado, o que mantém unido esse conjunto extremamente diversificado, tornando-o uma categoria coesa, é a sua condição de máxima fragmentação, pulverização, atomização. Todo os precários sofrem, independentemente da sua proveniência ou pertencimento, e cada um sofre sozinho. Mas todos esses sofrimentos suportados individualmente mostram uma surpreendente semelhança entre si. Reduzem-se a uma única coisa: a pura e simples incerteza existencial, uma assustadora mistura de ignorância e de impotência que é fonte inexaurível de humilhação.

Contudo, esses sofrimentos não se somam, ao contrário, se dividem e separam aqueles que os sofrem, negando-lhes o conforto de um destino comum, e fazem parecer risíveis os apelos à solidariedade.

Essa condição, muito visível embora se tente dissimulá-la com todos os meios, testemunha que as autoridades – que têm o poder de conceder ou negar direitos – recusaram-lhes os direitos reconhecidos a outros seres humanos, “normais” e, portanto, respeitáveis. Desse modo, ela testemunha, indiretamente, a humilhação e o desprezo de si que são uma consequência inevitável do aval, por parte da sociedade, da indignidade e da ignomínia que atinge algumas pessoas.

A política emergente – a desejada alternativa a mecanismos políticos já desacreditados – tende a ser horizontal e lateral, ao invés de vertical e hierárquico. Para mim, ela lembra um enxame: como enxames de insetos, alianças e reagrupamentos são criações efêmeras, fáceis de unir, mas difíceis de manter unidas pelo tempo necessário para “se institucionalizarem”, isto é, para construírem estruturas duráveis. Elas podem se virar sem quartéis generais, burocracia, líderes, supervisores ou chefes. Unificam-se e se dispersam quase espontaneamente e com a mesma facilidade. Cada momento da sua vida é intensamente apaixonado, mas notoriamente as paixões intensas desaparecem rapidamente. Não se pode erigir uma sociedade alternativa sobre a paixão unicamente: a ilusão da sua viabilidade consome grande parte das energias que se exigiria para construí-la.

Se as revoluções não são produtos da desigualdade social, os campos minados sim. Os campos minados são áreas disseminadas de explosivos espalhados ao acaso: pode-se ter a certeza de que, uma vez ou outra, algum deles irá explodir, mas qual e quando não se pode determinar com algum grau de certeza. Como as revoluções sociais são eventos com um propósito e com um objetivo, é possível fazer algo para localizá-las e frustrá-las a tempo, enquanto isso não vale para as explosões dos campos minados.

Quando o campo minado foi predisposto por soldados de um exército, pode-se enviar outros soldados, pertencentes a um outro exército, para extrair as minas e desarmá-las: “O soldado antibombas erra uma só vez”. Mas esse remédio, embora insidioso, não está disponível no caso dos campos minados predispostos pela desigualdade social: quem deve semear as minas e depois extraí-las é o mesmo exército, que não pode deixar de adicionar novos dispositivos aos velhos, nem evitar colocar o pé em cima mais e mais vezes. Semear minas e cair vítimas das suas explosões são uma mesma coisa.

Todas as variedades de desigualdade social brotam da divisão entre ricos e pobres, como Miguel de Cervantes Saavedra já observava há meio milênio. No entanto, em épocas diversas, possuir ou não possuir objetos diversos são, respectivamente, a condição mais apaixonadamente desejada e a mais apaixonadamente sofrida.

Dois séculos atrás, na Europa, ainda há poucas décadas em alguns lugares distantes da Europa, e ainda hoje em alguns campos de batalha de guerras tribais ou parques de diversões das ditaduras, o objetivo principal que opunha em conflito ricos e pobres era pão ou o arroz. Graças a Deus, à ciência, à tecnologia e a certos expedientes políticos razoáveis, não é mais assim.

Mas isso não significa que a velha divisão esteja morta e sepultada: ao contrário… Hoje em dia, os objetos do desejo cuja ausência é mais agudamente sentida são muitos e variados, e o seu número aumenta dia após dia, assim como as tentações para obtê-los.

E assim crescem a ira, a humilhação, o rancor e o ressentimento suscitados por não tê-los. E com eles o desejo de destruir o que você não pode ter. Saquear as lojas e dar-lhes chamas são gestos que podem derivar do mesmo impulso e gratificar o mesmo desejo.

Hoje, os europeus são 333 milhões, mas dentro de 40 anos, na atual taxa média de natalidade (já em queda em todo o continente), cairão para 242 milhões. Para preencher a lacuna serão necessários ao menos 30 milhões de novos desembarques, senão a nossa economia europeia sofrerá um colapso, e com ela o padrão de vida que prezamos tanto. Mas como podemos integrar comunidades diferentes?

Em um pequeno mas interessante estudo, Richard Sennett sugere que “uma colaboração informal e sem limites prefixados é a melhor maneira de fazer a experiência da diferença”. Nessa frase, cada palavra é decisiva. “Informalidade” significa que não há regras de comunicação pré-estabelecidas: tem-se a confiança de que se autodesenvolvam na medida em que aumenta o alcance, a profundidade e a significância da comunicação: “Os contatos entre pessoas dotadas de competências ou de interesses diferentes são ricos quando são desordenados, e fracos são regulamentados”.

“Sem limites prefixados” significa, além disso, que o resultado deveria seguir uma comunicação presumivelmente prolongada, ao invés de ser pré-estabelecido de modo unilateral: “Deseja-se descobrir a outra pessoa sem saber onde isso o levará. Em outros termos, deseja-se evitar a férrea norma da utilidade que estabelece um propósito – um produto, um objetivo político – fixado antecipadamente”.

E, por fim, “colaboração”: “Supõe-se que as várias partes ganhem todas com a troca, e não que uma só ganhe às custas das outras”. Eu acrescentaria: é preciso aceitar que, nesse jogo particular, tanto ganhar quanto perder só são concebíveis juntos. Ou todos ganhamos ou todos perdemos. Tertium non datur.

Sennett resume a sua sugestão como segue: “Os escritórios e as ruas se tornam desumanos quando dominam a rigidez, a utilidade e a competição. Tornam-se humanos quando promovem interações informais, sem limites prefixados, colaborativas”.

Eu penso que todos nós, que somos chamados e desejamos ensinar, poderíamos e deveríamos aprender a nossa estratégia com esse triplo preceito, lacônico mas abrangente, expresso por Richard Sennett. Aprender nós mesmos a pô-la em ato, mas também – e isto é o mais importante – transmiti-la àqueles que são chamados e desejam aprender conosco.

Zygmunt Bauman traduzido por Moisés Sbardelotto

Espelho meu, me mostre além das aparências

Espelho meu, me mostre além das aparências

Espelho meu, você só me mostra o que quero ver. Você não mente, é crítico, implacável, criterioso, mas só retrata o que posso ver e, com sorte mudar, com outra roupa, outro jeito de o usar o cabelo.

Quem me mostra o que sou além do que é possível ver no espelho, é o outro. E, por generosidade, indiferença ou mesmo omissão, geralmente não deixa transparecer meu reflexo tão claramente, pois decerto eu me assustaria.

A gente se conhece tão profundamente quanto conhece um motor de propulsão de um foguete. Desejar se conhecer é uma coisa. A gente estuda, se aprofunda, usa as ferramentas, mas a parcela de conhecimento é ínfima.
Analisamos as descobertas como juiz e parte. Ou nos exaltamos, ou culpamos.

Se a auto estima estiver boa, a gente se admira, se baixa, se despreza, se abandona.

Se reconhecer é um divisor de águas. O espelho se torna acessório inútil, como um óculos sem as lentes.
Se reconhecer é se conhecer por detrás das palavras, do verniz social, do comportamento coletivo. É captar as sensações instantâneas que cada impulso provoca. É ser causa e consequência das mais encantadoras virtudes e mais desprezíveis defeitos.

Se reconhecer é conhecer de forma lúcida o que se é, ainda que lutando para ser de outro jeito.

É possível conhecer minimamente o outro, tamanha a exposição, e de tanta observação, mas a si mesmo, aí já é outra questão.

Só mesmo esse outro, que achamos conhecer bem, para nos mostrar, ainda que através de códigos e sinais, como nos contemplar no espelho que vai além de qualquer aparência.

Gente que acha que sabe tudo…só acha!

Gente que acha que sabe tudo…só acha!

Passar pela vida sem nunca topar com os “adoráveis donos da verdade” é quase tão impossível quanto fazer mergulhos no Mar Morto; escalar o Himalaia de biquíni ou usar um casaco de lã no Sertão Nordestino. Gente que vomita definições e certezas é igual a erva daninha: brota em qualquer lugar! E como falam! Falam sobre suas tristezas, alegrias e demandas com tamanha propriedade que, se você não ficar esperto, vai achar que os tais sabem mais da sua vida do que você! Despejam conselhos em suas orelhas com aquele ar de pretensa bondade, como se fosse um milagre você ter sobrevivido até agora sem suas sapientíssimas orientações! Desfiam um rosário de grandes feitos, e sucessos e vitórias, como se a vida deles (para o bem ou para o mal), fosse da sua conta ou estivesse concorrendo a algum tipo de premiação de virtude e competência! Portanto, arme-se de paciência. No fundo, os donos da verdade não passam de um punhado de gente “sem noção”!

PRESTES A EXPLODIR

A incapacidade para coordenar e compreender que a existência de diferentes pontos de vista é fundamental para a evolução e construção de relações libertas da necessidade de comando, pautam o comportamento das pessoas intolerantes, insensíveis às necessidades do outro e isoladas em sua tosca arrogância. Blindados em suas cascas de respostas prontas e imediatas, esses indivíduos se alimentam da mansidão daqueles cujos espíritos não têm sede de poder, nem se fortalecem na subjugação de quem quer que seja.

As reações diante da negação de suas vontades ou da oposição às suas determinações lembram shows de pirotecnia. Os donos da verdade, sustentam sua pose às custas de temperamentos explosivos, por meio dos quais tentam amedrontar a quem ouse lhes negar audiência. O fato é que tanto estardalhaço, revela muito barulho para pouca consistência. Falta aos sabichões, segurança em si mesmos e argumentos capazes de sustentar seus arraigados discursos.

ALGUÉM TEM QUE POR LIMITES

Como um caminhão, desabalado e sem freios numa ladeira íngreme, essa gente que pensa que sabe tudo, não conta com a existência de alguém que os possa deter. Seguem ditando regras e ritos, como se o mundo tivesse obrigação de ouvi-los e obedecê-los. E, tanto faz se o poder que ostentam é concreto ou não passa de elucubração de seus sonhos megalomaníacos. O limite que se pode delinear, diante de tanta petulância, só pode ser constituído nas mãos de quem, com firmeza e serenidade, consegue manter-se imune às artimanhas ou deliberações autoritárias. Com argumentos sólidos e coerentes, os donos da verdade não sabem lidar; ficam mudos, irritados e ariscos. Sendo assim, respire fundo, conte até mil, olhe com compaixão para essa criatura atormentada e não ceda, de jeito nenhum a chantagens ou ameaças. Afinal, o latido, neste caso, é muito mais assustador do que o cão!

contioutra.com - Gente que acha que sabe tudo...só acha!

MUDAR DE IDEIA É ALTAMENTE LIBERTADOR

Deve ser exaustivo manter uma vida inteira presa nos mesmos trilhos. Não há curvas, nem atalhos, muito menos desvios. Ideias cristalizadas roubam da pessoa a leveza necessária para enxergar outras possibilidades, quando as estratégias já ultrapassadas, perdem sua força e eficácia. A satisfação de um desejo não pode custar a liberdade de mudar de ideia, de jeito, de lugar. As mudanças são como sopros de ar fresco a renovar os ânimos e abrir os olhos invisíveis da alma a uma chance, novinha em folha, de fazer diferente o que já se faz automaticamente. Assim sendo, gente que pensa que sabe tudo, sofre de paralisação mental; de tão apegados que são às suas convicções, perdem valiosas oportunidades de aprendizado e crescimento.

PÍLULAS DE HUMILDADE

Quanto mais competitivo for o ambiente, quanto mais será favorecido o surgimento de relações baseadas em disputas de poder. Não é de se admirar que os locais de trabalho sejam os cenários mais recorrentes para a atuação daqueles que não resistem ao desejo de fazer valer suas opiniões a todo custo. Esse comportamento impede todos os envolvidos na relação de viver oportunidades de troca e reflexão. Comportamentos alimentados pela ambição excessiva costumam deformar o caráter, levando a pessoa a lançar mão de artefatos pouco éticos para alcançar seus objetivos. A humildade é um santo remédio para livrar os sabichões do redemoinho formado por suas posturas egocêntricas e arrogantes. Um milímetro cedido a cada dia, de repente, pode levar o dono da verdade para longe da ruína definitiva de suas relações pessoais, afetivas e profissionais. Então, se o todo poderoso, dono da razão tem importância afetiva para você, tente ajuda-lo a engolir algumas “pílulas de humildade”. Se der certo, todo mundo sai ganhando!

E SE A CRIATURA FOR IRREDUTÍVEL?

Por mais que tentemos tirar de nossas mãos a responsabilidade por tudo quanto nos acontece; ora pondo a culpa no destino, ora pondo a culpa no outro, a verdade é que são as escolhas que fazemos a cada instante do dia, que modulam o ambiente à nossa volta e nossa maneira de nos relacionarmos com os demais. Portanto, se a vida trouxe para você um dono da verdade de presente, escolha não ser engolido; escolha entender que se alguém curte cultivar a crença de que suas opiniões são as únicas e de que sua ajuda é desnecessária, além de não ser bem-vinda, precisa também curtir a opção de viver isolado e só. Que o espertíssimo vá cuidar da vida dele e deixe você cuidar da sua. Afinal, a vida é breve demais para nos darmos ao luxo de gastar tempo com quem não está minimamente interessado em como nos sentimos, sobre o que pensamos e no que temos a dizer. Diante de um dono da verdade convicto e irredutível, a melhor alternativa é a distância! Afinal, quem sabe o isolamento e a possibilidade de ouvir nada além de sua própria voz gritando verdades, desperte a criatura de seus insanos sonhos de grandeza e dominação!

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