A liberdade acompanha o coração que quer ser

A liberdade acompanha o coração que quer ser

“Caminhado sob o sol até o amor se reinventar” (Moska; Mú Carvalho)

Se pudéssemos, de alguma forma, elevar a nossa consciência para um novo tipo de despertar? Abandonar a zona de conforto emocional que há tanto seguimos e, despidos das moralidades comuns, sermos capazes de externar, com honestidade e legitimidade, nossos sonhos e desejos. Estabelecendo um tipo de confiança mútua sobre qualquer assunto, sem represálias e mecanismos próprios incumbidos de medos, carências e mera sobrevivência.

A grande jornada, ou, o grande abrir dos olhos do ser humano, pode estar intimamente ligado ao fato de permitirem-se reações únicas frente ao outro. Um aperto de mãos, um sorriso, um abraço, um beijo. Oferecer o ombro para ouvir, oferecer palavras para dizer. Não se trata de escutar e falar. É diferente. É algo mais. Talvez seja furar a bolha que nos prende diariamente, onde interpretamos inúmeros personagens, e através de inteiros, reagirmos para nós, para alguém.

Experimentar o amor sem corroborar com o já conhecido. No caminho inexplorado se dar conta da efervescência magnífica que é partilhar sem razão e algum resultado aparente. Fazer por querer fazer. Estar por querer estar. E nessa harmonia delicada que transcende beber do conhecimento à disposição.

Em muitos níveis, a liberdade acompanha o coração que quer ser. Mas ser para crescer, evoluir e somar. Ainda que muitos definam como quantificar, na verdade, trata-se das experiências mais loucas e absurdas de todos os tempos – contar a verdade para si. Chorar sorrindo carregando esperanças, desfrutando do mais simples de tudo. Ah, sim.

Uma banana para os “nãos” da vida

Uma banana para os “nãos” da vida

Há dias em que sair da cama já se configura como um ato de coragem. Noites mal dormidas podem aparecer para uma visita indesejada sob os mais variados pretextos: desajustes financeiros, tristezas amorosas, pressões no trabalho, ou mesmo, uma insolente insônia que insiste em nos roubar o sono, sem a menor cerimônia. Em dias que começam assim, meio sem fôlego, morosos, pesados, temos a impressão de que a vida está a nos dizer “não”! Neste caso, devemos tratá-la com a deferência valorosa que dedicamos ao mais respeitoso adversário. Ofereçamos a ela a possibilidade de uma boa conversa; e, ouçamos com atenção o que ela tem a nos dizer.

A roda viva dos dias nos leva à perigosa possibilidade de acostumar com o atropelo das horas. Consumidos por tarefas mais ou menos automáticas, vamos dando conta das questões de rotina, qual operários numa linha de produção. Vamos agregando obrigações, sentimentos, necessidades e desejos, todos numa mesma engrenagem, como se fossem todos da mesma natureza. E, não são! Ao alinharmos tantas facetas diversas de nossa forma de funcionar, pasteurizando-as, perdemos a capacidade de mensurá-las e dar a cada uma delas o seu devido peso e valor.

Nenhum de nós acorda pela manhã e dá de cara com uma pitonisa, pronta a nos revelar previsões para o novo dia. “Evite a todo custo encontrar seu chefe!”; “Ligue para aquela pessoa interessante que conheceu no supermercado… Hoje vai rolar!”; “Em hipótese alguma, corte o cabelo!”; “Adie a viagem!”; “Aposte todas as fichas naquele projeto maluco!”. Nada disso! Cada dia guarda em si, uma caixa de Pandora! E o único jeito de descobrirmos o que nos reserva o destino é beber algumas doses de ousadia e encarar o imprevisível.

Abra a caixa desse dia novo em folha com a mesma ansiedade que uma criança abria antigamente um embrulho no dia de Natal (hoje em dia todo mundo já sabe o que vai ganhar, uma chatice tremenda!), e tudo bem se saírem seres alados endiabrados e cheios de ideias mirabolantes pra testar a sua paciência, força ou coragem. Aceite o desafio, dobre a aposta, pague pra ver! Inúmeras vezes as coisas realmente boas da vida começam numa enorme confusão.

Confusões são cheias de possibilidades. E possibilidades são como órgão vitais, sem elas não há vida, nem dentro, nem fora de nós. Quem fecha a porta às confusões da vida, abre mão de se sentir vivo de verdade. Quem se apega demais à segurança da previsibilidade dos dias, escolhe uma vida em câmera lenta, cuja trilha sonora é uma réplica daquelas canções repetitivas de uma caixinha de música.

Rotina em exagero, deixa tudo meio embaçado; nada de riscos, nada de imprevistos e o tesão da vida reduzido a zero. É bem isso! A excitação depende organicamente do imprevisto, da surpresa, da novidade. O tempero de viver é baseado na variação das escolhas, dos percursos e dos resultados. É bem verdade que há dias em que ficamos sem entender o que é que a vida quer da gente.

Há dias em que temos a nítida sensação de que os roteiristas da nossa vida vararam a noite, reunidos em mirabolantes teorias conspiratórias a planejar artimanhas para testar-nos a paciência. Há dias em que parecemos protagonistas de algum jogo de sobrevivência numa selva de desafios impossíveis. Há dias em que a vida olha bem na nossa cara e diz com a maior tranquilidade um sonoro, redondo e indiscutível “NÃO!”.

É bem nessa hora que precisamos tomar posse da palavra; encarar a vida de volta e mostrar a ela que somos dignos de seus desafios. Que somos capazes de transformar essa negação em lanças contra o comodismo e escudos contra a vitimização. Porque o que o mundo espera de nós é que não nos submetamos resignadamente às suas provocações; mas, sim, que tenhamos o que responder quando a vida nos afrontar com suas surpreendentes, perturbadoras e imprevisíveis perguntas.

A vida, com seus “NÃOS”, caprichosamente nos coloca diante de perguntas para as quais não temos respostas. Ponto pra nós! A falta de respostas nos leva à maravilha inaugural do início do caminho. É preciso refazer o percurso. Procurar os desvios. E, na confusa sensação de ter sido confundido com outra coisa que não somos nós, nos reinventamos; descobrimos talentos absurdos. Vamos além! Abençoadas sejam as perguntas que nos desestabilizam, nos tiram do sério, da rota, do prumo. Graças a elas acordaremos de um sono profundo de mesmice e mediocridade e faremos por merecer a honra de estarmos vivos!

Às vezes, ainda que doa, é melhor dizer adeus

Às vezes, ainda que doa, é melhor dizer adeus

Quando percebermos que investimos o nosso tempo e esforço em alguém que não tenha feito nada para nos merecer, devemos levar em consideração que é melhor ficar longe.

Os ciclos da vida são feitos de etapas que se iniciam em portas que se fecham, sempre com o mesmo fim, o de avançar. Portanto, como podemos encontrar essa força e coragem para poder terminar certas coisas?

Ainda que doa, às vezes é melhor saber dizer adeus para um amor que já não enriquece mais, ou dar por encerrada uma amizade que se baseia mais no egoísmo que no altruísmo.

A vida é um fluxo contínuo onde somente os mais valentes conseguem caminhar ao lado da merecida felicidade. Sempre com plenitude e satisfação, ainda que devamos fazer algum sacrifício para o nosso próprio bem.

Junte-se a nós nessa reflexão de hoje. Falaremos sobre as duas faces do “saber dizer adeus”.

É o momento de fazer um balanço

Existem pessoas que não estão acostumadas a pensar em si mesmas, ou até parar para se fazer uma simples pergunta que todos deveríamos pensar ao começar o dia: Como me sinto hoje?

  • Não é preciso que todos os dias gozemos de uma felicidade absoluta. Não se trata disso, o verdadeiro sentido da vida está em encontrar uma tranquilidade diária com a qual nos sentiremos bem com nós mesmos. Com o que somos e o que temos.
  • Acostume-se a falar consigo mesmo. Não centre seu mundo nas outras pessoas. Você também é importante e deve se preocupar em saber como está, o que sente, o que o machuca e o que falta.
  • Fazer um balanço é tão saudável quanto útil. Para isso, faça uma comparação entre tudo o que o fizer sorrir diariamente com tudo aquilo que preocupa você, que faz mal.
  • No que você pensa mais? Nas alegrias ou nas tristezas? Reflita sobre isso.

Dizer adeus não é uma despedida, é um início

Ao fazer um balanço, percebeu que há coisas que deveria deixar de lado? Não estamos falando somente de pessoas. Às vezes, existem outras coisas que também pesam em nossas vidas:

  • Deixe de lado pensamentos negativos. Devemos nos desfazer das preocupações constantes e aprender a sermos mais otimistas.
  • Diga adeus para os pensamentos exclusivos em outras pessoas. Temos de manter o equilíbrio e abrir as portas para momentos de lazer, assim como trabalhar em algo que nos agrada, melhorando também o ambiente de trabalho.
  • Diga adeus para as cargas emocionais. Você se preocupa com o que as pessoas pensam de você? Deixe cair esse peso, ele não serve de nada. As críticas também preocupam você? Seja livre em suas ações, em seus desejos, e dê asas ao seu crescimento pessoal.

Como dizer adeus para quem ainda amamos

Às vezes, temos que atravessar esses momentos difíceis em que, apesar de ainda amar certas pessoas, devemos ser conscientes de que elas nos causam mais dor do que crescimento, mais lágrimas do que felicidade.

Como lidar com essa situação?

  • Se você amar alguém, primeiro deverá fazer o possível para resolver o problema. Entretanto, caso tenha percebido que investiu tempo, sonhos e esforços, em alguém que tem feito muito pouco ou nada para merecê-lo, esse é o momento de dizer adeus.
  • Para dizer adeus, deve ter em mente que não deseja mais sofrer, que não merece mais sofrer. Você é uma pessoa corajosa, que pode seguir com sua vida de forma integra, assim que deve enfrentar essa situação.
  • Diga a verdade, abra o seu coração e argumente a necessidade desse adeus. Portanto, seja firme, pois diante dessas ocasiões podemos cair no erro de “voltar a tentar”, e isso pode acabar em mais meses de sofrimento.
  • O adeus deve acontecer com sinceridade, firmeza emocional e decisão. Podemos comparar isso com um procedimento “sem anestesia”, pois a dor será intensa. No entanto, é necessário, pois já precisamos ter em mente que um adeus necessário é, na verdade, um novo início para sua vida uma nova oportunidade de ser feliz.

“Descubra também quais são predadores emocionais e como identificá-los.”

contioutra.com - Às vezes, ainda que doa, é melhor dizer adeus

Retome o vínculo consigo mesma depois de dizer adeus

Quando dizemos adeus, automaticamente, uma parte de nós mesmos se desprende dessa pessoa. É como cortar o cordão umbilical das emoções, dos projetos, dos sonhos e das ilusões que alimentávamos.

Após essa ruptura, é fundamental retomar o vínculo com nós mesmos, com a nossa autoestima, com o nosso ser, para poder seguir avançando em plenitude e felicidade.

Tome nota de alguns conselhos muito importantes:

  • Lembre-se que esse adeus é necessário. É o fim de uma etapa e é hora de apertar o botão “levantar”, ou até mesmo o do “renascer”. É o momento de nos reencontrar de novo com nós mesmos, porém, de uma forma mais poderosa.

Agora que retomamos nossa coragem e aprendemos uma sábia lição, finalmente sabemos o que queremos: Encontrar a nossa felicidade.

  • Dizer adeus é abrir uma nova porta e, sem dúvida alguma, pode ser tudo o que deseja.
  • Não guarde rancor de nada que aconteceu. Se o adeus acontecer acompanhado de raiva ou ressentimento, não poderemos seguir em frente. O ódio nos torna prisioneiros e, portanto, não há liberdade melhor do que aquela que avança sem bagagens negativas por parte de quem soube perdoar.

Ainda que doa, ainda que seja difícil, lembre-se… Às vezes é melhor dizer adeus.

Agimos certo sem querer

Agimos certo sem querer

“Foi só o tempo que errou” (Dado Villa-Lobos; R. Russo)

Sonhei e foi com você. Não foi planejado. Aconteceu. Na fábula onírica, apenas sorríamos. Quando despertei, tive a impressão de que o ontem era o hoje e levei alguns segundos para me dar conta da realidade. Alguns chamariam essa experiência de saudade, mas penso que o saudosismo da sua figura é lembrança. E recordar não é ruim, ou, tampouco, deva ser objeto de medo e teorias romancistas acerca de relacionamentos. Foi apenas um sonho. Um dos bons. Como quando você é convidado para vivenciar o legítimo da sensibilidade, sem barreiras e amarras.

Vivemos o melhor que podíamos no tempo que nos fora concedido. Dentre inúmeros corações andarilhos mundo afora, escolhemos sorrir um ao outro por versos memoráveis. Mas mesmo assim, a concordância fez-se ausente em algum momento. Perdemos a sintaxe dos diálogos, maltratamos a pontuação dos nossos sentimentos. Em desespero, muitos gostariam de esquecer essa implicante redação amorosa, menos eu. Afinal, sonhei e foi com você.

Os sonhadores devem permanecer juntos

Os sonhadores devem permanecer juntos

“São tempos difíceis para os sonhadores”. (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

O mundo não anda estranho, não. Ele está de volta ao primitivo, sabe? E o mais irônico, todos nós reparamos. Nos cantos, gritos. Já nas janelas, silêncios. Não adianta dizer que é culpa de algum ismo. Aliás, paremos de distribuir culpas. Que prazer compulsivo é esse de apontar o dedo? Olha, não há força divina que explique tamanha vertigem.

Desesperos, carências e ilusões. A luta diária por um ganha-pão, por algo que não seja um efeito paliativo para uma sobrevida, mas se tratando da atual, sobram uns poucos trocados de risos. No quesito amarguras, os bolsos estão cheios. Somos ditos loucos no caso de discordarmos das necessidades triviais que alimentam o ego.

Ah, assim não dá. É tanta hipocrisia, tanta falta de empatia. A sociedade em desigual, caminhando em marcha lenta a cada nova notícia. Porrada dali, porrada de cá. Reviram os olhos, tapam os ouvidos, cruzam os braços. Altas patentes de conformismos e reclamações. Mas quando convêm, felicidades compartilhadas.

São tempos difíceis para os sonhadores. E é exatamente por isso que os sonhadores devem permanecer juntos. Façamos os devidos reparos. Propúnhamos soluções. Poesias desmedidas para a cura da nossa loucura.

Vínculos

Vínculos

Guarda compartilhada, alienação parental, abandono afetivo.
All we need is love

Grande parte das separações deixa cicatrizes, por mais elaboradas que sejam as partes envolvidas há sempre um sentimento de rejeição, de falha, ainda que não seja verdade.

É preciso distinguir a verdade do real. Real é tudo o que acontece, e distingue-se da verdade. A verdade talvez não possa durar, mas pode permanecer. Por exemplo, o fato de ter recebido flores, de viver, de amar alguém, é real. Quando as flores murcharem, quando eu morrer, quando eu deixar de amar, já não será real. Mas continuará sendo verdade que tudo isto existiu. Portanto há que se compreender que uma separação não se aproxima de um sentimento menor, mas sim da constatação da real condição da vida e de sua impermanência, bem como da constatação da verdade de um amor vivido.

Quando o luto pelo fim do relacionamento não é vivenciado de forma adequada e respeitosa, tem início um processo amargo de descrédito do ex-companheiro e, infelizmente, muitas vezes o filho torna-se o projétil da arma.Tornam-se instrumentos de um agressividade direcionada. O filho é levado a afastar-se de quem o ama, em uma destruição lenta e perniciosa do vínculo afetivo.

A dissolução dos vínculos afetivos e o rompimento da vida conjugal dos pais não deve comprometer a continuidade dos vínculos parentais. É imprescindível manter os laços de afetividade, diminuindo os efeitos que a separação acarreta nos filhos.

A guarda compartilhada, que não deve ser confundida com a convivência alternada, pode demonstrar aos filhos, na prática, a máxima: “seu pai/mãe separou-se de mim não de você.” A guarda compartilhada elimina a figura da visitação. Pai ou mãe não é e não pode ser visita. E mais, o direito de visita não encontra limites entre pais e filhos.

A criança e o adolescente merecem conviver com todos os que fazem parte de sua história. O menor precisa ser enriquecido de referências e experiências. Padrinhos, tios, irmãos, avós não podem desaparecer quando um casamento acaba. Uma relação afetiva verdadeira não termina porque foi modificada. Laços afetivos não podem e não devem ser desatados apenas porque algumas coisas mudaram. Separação não é sinônimo de abandono afetivo; abandono afetivo é desprezo e desprezo é sempre injusto.

” Nossa vida é tão vã, que não é senão um reflexo de nossa memória”, dizia Chateaubriand.

Que nossa vaidade seja menor que nosso amor. Que nosso julgamento seja menor que nossa compreensão. Que nosso amor seja maior que nossas mágoas. Que nossos filhos possam ter todas as memórias que lhes são de direito.

Imagem de capa: Where the Wild Things Are

Retornos

Retornos

 

por Fernanda Pompeu

imagem Régine Ferrandis 

quem diga que o melhor da ida é a volta. Que aquele que se aventura pelo mundo guarda no coração o endereço de casa. Eu acho que depende.

Tem brasileiro que vai morar no estrangeiro e pensa inimaginável o retorno. O estupendo cronista Ivan Lessa trocou o Rio de Janeiro por Londres, onde morreu depois de trinta quatro anos. A graça é que Ivan nunca quis voltar ao Brasil, nem a passeio.

minha amiga Ana Sampaio, morando faz décadas no Québec canadense, sempre sonha com a volta. Vez por outra, ela cantarola Sabiá do Tom Jobim e Chico Buarque: Vou voltar / Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar / Foi lá e é ainda lá / Que eu hei de ouvir cantar / Uma sabiá. Chico, como centenas de outros patrícios, viveu a dureza do exílio na época da ditadura militar.

A comunista, feminista  e cearense Ana Montenegro (1915-2006) amargou quinze anos de exílio. Viveu no México, Cuba, Alemanha. É dela a reflexão: “O exílio é um espaço vazio, o exilado não o pode povoar nem de pedras, nem de casas, nem de céu, porque é um espaço vazio de lembranças”. Acredito que Ana acertou na mosca ao mencionar as lembranças. Porque muita gente volta a um lugar por conta delas.

Régine Ferrandis, amiga e parceira de trabalho,  resolveu o ir e vir de maneira original. Ela reside seis meses em Sampa, seis meses em Paris. Assim nunca está definitivamente aqui ou lá. Ela está no caminho, morando no itinerário. O que – convenhamos – dá uma liberdade tremenda.

Mas, algumas vezes, a volta não é para um lugar físico, casa ou país. Ela pode ser um retorno a algo que já fomos. Meu amado pai, nos seus últimos dias, chamava pela mãe. Sendo que minha avó Affonsina morreu em 1971. Portanto, meu pai chamava por alguém ausente há mais de quarenta anos.

Hoje penso que talvez ele quisesse retornar ao menino que um dia foi. Voltar à criança que talvez nunca o tenha deixado. Ou, ao menos, à criança que nunca o tenha esquecido.

Loucura mesmo é não ter coragem de perder a razão.

Loucura mesmo é não ter coragem de perder a razão.

Enlouqueça, sim! Você pode. Quem disse que não? Grite. Chore. Esperneie. Desequilibre-se. Jogue os pratos no chão. Desligue o telefone. Cancele seus compromissos. Suma dos olhos do mundo. Por favor, só não machuque ninguém nem atente contra a própria segurança! O resto pode. Está tudo certo. Você tem o direito de enlouquecer.

Quem nunca perdeu a razão na vida não é exatamente uma pessoa sã. É uma pessoa difícil de encontrar por aí. A maioria de nós já enlouqueceu, enlouquece e há de enlouquecer quando precisar. No entanto, mesmo nestes tempos insanos nos convidando a enlouquecer, os loucos não são bem-vindos.

Tanta pressão por perfeição nos obriga a fingir sanidade quando estamos à beira de um ataque de nervos e nem todo mundo é capaz de fazer uma loucura. Nem todos têm coragem de rasgar a roupa, tocar fogo na alma, mandar às favas pessoas intragáveis, espetar pontos finais no chão e escancarar o que já não pode mais sufocar lá dentro. Então a gente engole as próprias reações, suporta o insuportável, estica nossos limites em nome de uma falsa impressão de sobriedade e vai assim até não aguentar mais.

Definitivamente, é preciso perder a razão!

Vê quanta gente cheia de lucidez por aí? Vê quantos donos da verdade empurrando, batendo, insultando? Quantos seres perfeitos berrando sua visão pessoal e estreita das coisas, levando no grito, impondo sua vontade, sua força, sua versão dos fatos! Estão todos tão certos de sua sanidade mental, da perfeição de suas intenções, da infalibilidade de seus métodos que nem percebem o quanto parecem perfeitos idiotas.

Todos tão impecáveis! Tão crentes de que a única saída é aquela que eles já escolheram. Tão definitivos em acreditar naquilo que elegeram como verdade. Tão seguros em julgar a loucura do outro e defender sua absoluta sanidade.

Atacam com a fúria de um lobo cego, mentem, roubam, mascaram, manipulam. E o louco é sempre “o outro”. Afinal, enlouquecer é para poucos. A maioria prefere julgar os loucos fingindo que é sã.

Vê essa gente toda surtando de ódio e, ao mesmo tempo, reprovando os excêntricos, criticando os desequilibrados, julgando quem tiver a ousadia de pensar diferente? Estão todos sãos. Absolutamente sensatos, lúcidos, racionais. Explodindo consciência, babando entendimento dos problemas do mundo.

Você sabe. Há sempre uma multidão de equilibrados senhores sagazes apontando os dedos para meia dúzia de loucos inconsequentes. Já percebeu? Tudo quanto dá errado no mundo é culpa de um “maluco”. O que dá certo, por sua vez, é sempre consequência do trabalho sério, lúcido e ajuizado de circunspectos homens de negócios e pensadores intocáveis mergulhados em seriedade.

Na concepção pequena dos irrepreensíveis donos da razão, enlouquecer é coisa de gente irresponsável e leviana. Como se eles tivessem comprado o direito supremo e sagrado a todo bom senso que há no mundo. Assim, o louco é sempre o outro. E isso, você há de concordar, é de fazer qualquer santo perder a razão. Deixemos de coisa, então. Se precisar, aperte o botão e enlouqueça!

Remédio adesivo para Parkinson chega ao Brasil

Remédio adesivo para Parkinson chega ao Brasil

Boa notícia para pacientes com a doença de Parkinson, doença que afeta o sistema motor e provoca rigidez e tremores.

Chegou ao Brasil um medicamento em forma de adesivo, o primeiro tratamento transdérmico para doença.

Aplicado sobre a pele, o Neupro libera a medicação de forma estável e contínua durante de 24 horas.

As vantagens são que ele evita que o paciente esqueça de tomar o medicamento na hora certa e substitui até 8 comprimidos que os doentes mais graves são obrigados a tomar.

Por ser adesivo, o remédio entra direto pela pele, sem passar pelo trato gastro-intestinal, o que poderia causar náuseas.

Efeito

O medicamento é um agonista dopaminérgico, o que significa que age diretamente nos receptores de dopamina, um neurotransmissor responsável pelos movimentos. Assim, é eficaz no controle dos distúrbios motores.

Mais de 190 mil pacientes já são tratados com Neupro em todo o mundo.

Ele está disponível em 40 países e é produzido pelo laboratório UCB, de Bruxelas, na Bélgica.

Como aplicar

O paciente tem que aplicar o adesivo sobre a pele limpa, seca e saudável nas áreas dos ombros, braços ou abdômen e deixá-lo por 24 horas no mesmo local.

Ao substituir por outro adesivo, deve aplicá-lo em um local diferente.

O Neupro pode ser utilizado tanto na fase inicial, quanto nas mais avançadas da doença de Parkinson.

Quanto antes o paciente for diagnosticado e começar o tratamento, melhores serão os resultados.

O valor do medicamento não foi divulgado.

Com informações do  JornalDiaDia

A raiva bate na porta. Você abre?

A raiva bate na porta. Você abre?

Não abre? Mas que bobagem! Ela entra assim mesmo, mete o pé na porta e entra, forte, grosseira, insana. Melhor seria se tivesse sido convidada a entrar.

A raiva não sabe ser bem recebida. Ela quer briga, quer enfrentamento. Quer a razão, mesmo sem nenhuma razão. A raiva é de todos, frequenta todas as casas, algumas com uma frequência inacreditável.

Ela nasce de uma contrariedade, de uma topada, de uma negativa, uma esnobada, um objeto invejado. Ou ela nasce forte, explosiva, tempestuosa, ou tímida, sonsa, vingativa.

Todo mundo sente raiva. Mentira quem diz que não sente. Covardia de quem prefere se dizer superior. A raiva vem. Ela entra, ela se apossa, ela invade os melhores pensamentos e tira do sério as mais doces virtudes.

É normal sentir raiva. Como é normal sentir fome.

Não é normal cultivar a raiva. Nem segurar a raiva. Nem abrigar, fazer ninho, trancafiar, alimentar, engordar a raiva.
Ela chega, entra, bem-vinda ou não, e vai-se, depois de cumprido seu ciclo.

Tão natural como sentir sono e dormir. Não deixar a raiva ir quando ela já está passando, é como se recusar a dormir quando o corpo está implorando por descanso. É autoflagelo .

A raiva obrigada a ficar vira neurose. Fica compulsiva. Já não consegue mais escutar os argumentos e as explicações da vida.

A raiva liberada sem traumas vai embora silenciosa. Muitas vezes deixa um pedido de desculpas pelos excessos. Em outras, promete demorar a voltar. Oferece seu lugar à tolerância.

A raiva prisioneira se transforma em capataz dos sentimentos. Não deixa mais nenhuma virtude entrar. Mergulha a criatura em vinagre, chacoalha bem, diária e demoradamente.

Quando for inevitável, quando ela chegar e começar a se esparramar, vale tentar um truque que costuma dar muito certo: Abra a porta! Quanto mais bem recebida e mais compreendida, quanto mais aceita como normal e até necessária em alguns casos, mais breve será a visita, e mais comedida será a reação.

Afinal, educação e cordialidade deixam até os rosnados mais suaves.

O amor não precisa ser justificado

O amor não precisa ser justificado

 

“A medida de amar é amar sem medida”, entoou Gessinger, e, nessa medida que não se mensura, muitas vezes busca-se encontrar uma justificativa para o amor. Acontece que o amor não é um argumento concebido para ser justificado. Basta sê-lo. Quando almejamos detalhes para explicar o emocional no seu mais alto sentido, o próprio se perde nas vaidades e expectativas, antes ignoradas no início deste pulsante sentir.

Para o bem ou para mal, o amor não pode ser encarado como prerrogativa de atos falhos para essa necessidade presente do ser de querer explicar os porquês dos seus gestos e falas. O amor é um estado de consciência sem controle. Mas a ausência de um manual pouco vislumbra caminhos certeiros para dar vazão. Pelo contrário, o amor livre dos preconceitos vividos conduz rumo ao aprendizado. Escutar sem o ímpeto de estar certo. Dizer sem a arrogância de desrespeitar. Transbordar afeto por sentir demais e não por querer de menos. A possessão impregnada do manipular o amor fere, subjuga, corrompe. Injustificável é o amor. Compartilhar todo o sentimento vai além do trivial. O romantismo contido no silêncio, a admiração crescente no pensar e o respeito construído nas diferenças são a chave mestra da relação entre corações corajosos.

Dizer “eu te amo” não torna o amor realidade. Não justifica, de tempos em tempos, adentrar num embate selvagem para defender pontos de vista. Imaginar superações de obstáculos postos por vaidades não legitima o querer bem do outro. É só o coração imaturo fazendo pirraça. Mas tratar o sentimento birrento mais afasta do que aproxima.

O amor, por bem, por todas as coisas ouvidas e lidas durante um tempo de vida, floresce a partir da humildade. Saudável é o amor que repousa devagar e urgentemente numa dança de muitos ritmos. Algumas vezes o tom desafina, mas o soar não chega a ser estridente. Um deslize por esquecer a letra acontece, mas nunca na melodia. O amor não precisa ser justificado. O amor apenas é.

Felicidades certas

Felicidades certas

É necessário ir à Nova York ou Paris para ser feliz, ou basta conseguir levantar, arrumar seus lençóis e ir trabalhar?

Pequenas felicidades certas é para quem está atento às coisas simples que vivem silenciosamente perto da gente; que não fazem alarde e não custam caro.

Por exemplo: o cheiro de um bolo saindo do forno, testemunhar os primeiros passos de um bebê, ouvir o canto das cigarras ao cair da tarde e tantas outras coisas simples que podem nos fazer felizes.

Porém, nem sempre conseguimos perceber que nessas amenidades há felicidade. Acreditamos em que somente uma grande aventura, ou possuir algo muito caro, ou quem sabe num futuro distante é que está o achadouro da felicidade…

Cecília Meireles dizia, poeticamente, que as felicidades certas estão diante de nossas janelas, todavia é preciso saber olhar para encontrá-las.

No entanto, como é difícil… A comparação frequente com o outro, a inveja, os desejos insaciáveis, medos, inquietações do cotidiano são ingredientes que nos cegam e nos tornam cada vez mais insensíveis, deixando um rastro de descontentamento generalizado em todos e em tudo.

Peninha, por meio de sua música, Casinha branca, expressa o que nos faz realmente felizes e, ao ouvi-la, há um misto de alegria e tristeza, pois traduz sentimentos profundos além de expressar o estrago desse viver tão equivocado. Ele inicia retratando nossa alma:

Eu tenho andado tão sozinho,
Ultimamente, que nem vejo à minha frente,
Nada que me dê prazer.

Esse afastamento contínuo e persistente da nossa essência tem suas consequências:

Sinto cada vez mais longe a felicidade,
Vendo em minha mocidade,
Tanto sonho perecer.

Sabemos que pegamos o caminho errado; temos consciência de que nos afastamos do que é bom e do que precisamos, mas a força do consumismo é muito forte, não conseguimos ter coragem para romper com todos os grilhões e ai…

Eu queria ter na vida,
Simplesmente,
Um lugar de mato verde
Para plantar e para colher.
Ter uma casinha branca de varanda,
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer.

Não é isso que desejamos no mais profundo de nosso ser: Viver mais simplesmente? Porém a incerteza de um futuro seguro para nós e nossos filhos, nos conduz para a direção oposta.

Tomamos um caminho que não tem fim, que cada vez fica mais árduo, complexo, dificultoso, triste…

Às vezes, saio a caminhar
Pela cidade
À procura de amizades,
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando
Em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão.

Vamos seguindo a multidão, caminhando sozinhos, trabalhando freneticamente e uma casinha branca de varanda é o nosso impossível chão.

10 andares e apartamentos idênticos, mas cada morador possui sua personalidade única

10 andares e apartamentos idênticos, mas cada morador possui sua personalidade única

Por Conti outra

Todo mundo que mora em prédios já parou para imaginar como é o apartamento do vizinho. Sempre que surge uma oportunidade de ver um local onde existe uma estrutura  idêntica, podemos perceber como o estilo de vida e personalidade de seus moradores deixam suas marcas e definem totalmente o espaço.

Certamente o fotógrafo Bogdan Gîrbovan  não pensava diferente. E, para mostrar como tudo pode ser igual e ao mesmo tempo totalmente diferente, solicitou a autorização para fotografar o lar de moradores de um bloco de apartamentos de Bucareste, na Romênia.

Os resultados de suas imagens você vai gostar de ver:

1o.  ANDAR

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2o. ANDAR

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3o. ANDAR

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4o. ANDAR

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5o. ANDAR

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6o. ANDAR

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7o. ANDAR

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8o. ANDAR

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9o. ANDAR

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10o. ANDAR

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A bolsa de valores do Amor Líquido

A bolsa de valores do Amor Líquido

Sabe, o problema não é com você. É comigo. Quem nunca ouviu esse clichê? Entretanto, o que a maioria das pessoas não percebe é o real sentido dessa frase, ou seja, a problematização do amor em relação ao objeto. Trocando em miúdos, isso significa que o entendimento geral é de que o problema do amor relaciona-se ao objeto amado, de modo que o real sentido da frase seria: o problema é com você que não preenche os meus requisitos.

Obviamente, todos nós temos nossas predileções, sejam elas físicas e/ou afetivas, entretanto, a objetificação do amor transfere todo o problema de um relacionamento para o outro indivíduo, o qual foi incapaz de se adequar ao meu padrão de consumo. Dessa forma, abstenho-me de qualquer responsabilidade pelo fracasso do relacionamento, o que é a maneira sempre mais fácil de lidar com a situação.

Sendo assim, cria-se a ideia narcísica de perfeição, pelo indivíduo, que é incapaz de refletir e rever seus próprios atos, a fim de que possa, inclusive, melhorar em um relacionamento futuro. Para ele, o amor é algo fácil e sobre o qual tem pleno domínio. O problema, portanto, não está em amar, mas sim em encontrar o indivíduo (objeto) correto a se amar.

“Pensa-se que amar é simples, mas que é difícil encontrar o objeto certo a se amar – ou pelo qual ser amado.”

Essa ideia reforça-se na sociedade de consumo, em que todos são vistos como objeto. Dessa maneira, o problema nunca é meu, mas do outro, que não atende às minhas demandas. Buscam-se, assim, objetos com bom valor de mercado, os quais representem bons investimentos e que, por conseguinte, alavanquem o meu valor de mercado. Isto é, indivíduos:

“Com um bom fardo de qualidades que sejam populares e muito procurados no mercado da personalidade.”

O amor, nesse prisma, torna-se um artigo do mercado e os seres humanos, vetores do amor, consequentemente, seguem a mesma sorte. Desse modo, as relações são baseadas em trocas de conveniências e oportunidades, em que estamos sempre à procura de melhores aquisições. A pessoa humana, assim, é despersonalizada e coisificada pelos interesses do mercado.

“Assim, duas pessoas se apaixonam quando sentem haver encontrado o melhor objeto disponível no mercado, considerando as limitações de seus próprios valores cambiais.”

As pessoas transformaram-se em ações da bolsa de valores do amor, como diz Bauman, em que devem buscar valorizar-se a todo instante. No entanto, essa valorização não se coaduna ao que o indivíduo é ou entende como correto para si, mas em relação ao que o mercado entende como interessante e lucrável. Há, então, uma série de ditames e regras que tornam o indivíduo valorizado no mercado da personalidade e aos quais se deve obedecer, caso não se queira ser um artigo desprezível.

As pessoas, além de tornarem-se objetos, alienaram-se de si mesmas, dos seus semelhantes e dos seus valores. O único sentido na vida é poder consumir e valorizar-se perante a sociedade, ampliando a espetacularização da vida. O outro não passa de mais um objeto entre tantos, o qual eu julgo pelo rótulo e pela marca. Não passa de um meio pelo qual possa me dar bem. E, quando a minha ação não é valorizada, troco, afinal, o problema é sempre do outro/objeto.

Todavia, se vejo o outro tão somente como um objeto, um meio para se chegar a um fim, como pode haver amor? Há, na verdade, uma via de mão única, de que busco tirar proveito próprio, sem me preocupar minimamente em oferecer nada em troca. Aliás, torna-se inviável enxergar o outro como um indivíduo como eu, preocupando-se apenas com um “bom fardo de qualidades do mercado da personalidade”.

A objetificação do amor deturpa o sentido do que é importante e não é. Escondendo-se por trás de um discurso plural, apresenta uma prisão, em que as pessoas deixam de sentir e de agir por si mesmas para serem objetos. Com isso, deixa-se de valorizar o amor e o outro pelo seu real sentido, para valorizar estatísticas e status social. Como se estivessem em uma bolsa de valores, buscam desesperadamente ações com maiores perspectivas de lucro no mercado da personalidade, já que:

“Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o sucesso material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações do amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidade e de trabalho.”

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