Menina de 9 anos morre dormindo após consulta no dentista e o motivo recém-revelado é um alerta para todos

Uma consulta odontológica costuma terminar com recomendações sobre alimentação, repouso e possíveis efeitos da anestesia. Para a família de Silvanna Moreno, porém, as horas seguintes ao procedimento trouxeram uma sequência difícil de prever: sonolência intensa, mudanças na respiração e uma emergência que terminou com a morte da menina de 9 anos.

Moradora da região de San Diego, na Califórnia, Silvanna sentia dores persistentes em um dente desde outubro de 2024. Após meses de desconforto, ela foi encaminhada à clínica Dreamtime Dentistry, na cidade de Vista, para receber tratamento odontológico sob anestesia geral.

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Procedimento durou cerca de três horas

A consulta ocorreu em 18 de março de 2025. Durante aproximadamente três horas, Silvanna passou por um tratamento de canal, recebeu uma coroa dentária e teve vários dentes comprometidos por cáries extraídos, entre eles dentes de leite e permanentes.

Segundo a clínica, a anestesia foi administrada pelo dentista Ryan Watkins, profissional com formação em anestesiologia. A equipe afirmou que a menina permaneceu sob monitoramento contínuo e não apresentou complicações evidentes durante o procedimento nem no período de recuperação.

Silvanna teria deixado o consultório acordada, com sinais vitais estáveis e reflexos de proteção preservados, conforme a versão apresentada pela clínica. Watkins declarou que os medicamentos foram aplicados segundo as orientações dos fabricantes e calculados com base na idade e no peso da paciente.

Menina havia apresentado febre no dia anterior

O relatório obtido pela imprensa indicou que Silvanna teve febre na véspera da consulta. O sintoma teria desaparecido depois que ela recebeu uma dose infantil de Tylenol, medicamento à base de paracetamol.

A Dreamtime Dentistry declarou que não havia sido informada sobre a febre. De acordo com a clínica, a mãe da criança marcou a opção “não” em um formulário que perguntava se a paciente estava doente. A empresa acrescentou que teria adiado o tratamento caso soubesse do episódio.

O relatório divulgado não estabeleceu que a febre tenha provocado a morte. A informação aparece no histórico das horas anteriores ao atendimento e ajuda a reconstruir o estado de saúde da criança antes da anestesia.

Sonolência continuou depois da alta

Após sair da clínica, Silvanna adormeceu durante o trajeto para casa. Familiares relataram que ela parecia muito sedada e roncava intensamente, embora inicialmente ainda conseguisse abrir os olhos e ficar em pé.

Ao chegar à residência, a menina foi carregada para dentro e permaneceu dormindo por cerca de uma hora e meia. Com o passar do tempo, a avó percebeu que os roncos estavam ficando mais fracos e que a respiração havia diminuído.

A família verificou os batimentos cardíacos da criança e, pouco depois, notou que ela já não respondia. O serviço de emergência foi acionado às 16h46, quase seis horas após o início da anestesia.

Enquanto aguardavam a chegada dos socorristas, os parentes receberam instruções para colocar Silvanna no chão e iniciar compressões torácicas. Ela foi levada ao Rady Children’s Hospital, onde os médicos constataram assistolia, situação em que não há atividade elétrica cardíaca capaz de produzir batimentos.

As tentativas de reanimação incluíram compressões, fornecimento de oxigênio, medicamentos e intubação. Mesmo assim, não houve recuperação da atividade cardíaca. Silvanna foi declarada morta às 17h44.

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Exame revelou uma alteração rara no sangue

Após a autópsia, o Instituto Médico-Legal do Condado de San Diego determinou que Silvanna morreu devido a uma metemoglobinemia no contexto da administração recente de óxido nitroso. A morte foi classificada oficialmente como acidental.

A metemoglobinemia é uma alteração na hemoglobina, proteína dos glóbulos vermelhos responsável por transportar oxigênio pelo organismo. Quando uma quantidade elevada de metemoglobina se forma no sangue, o oxigênio deixa de ser entregue adequadamente aos tecidos, ainda que a pessoa esteja respirando.

O problema pode ser hereditário ou surgir após a exposição a determinados medicamentos e substâncias químicas. No caso de Silvanna, o laudo relacionou a condição ao uso recente de óxido nitroso, gás empregado como sedativo em procedimentos médicos e odontológicos.

O relatório também citou como fatores contribuintes a administração de vários medicamentos anestésicos, entre eles propofol, sevoflurano, isoflurano, midazolam, hidromorfona, cetorolaco, dexametasona, glicopirrolato e ondansetrona. A clínica declarou que essas substâncias são utilizadas em procedimentos pediátricos e que as doses estavam dentro dos parâmetros indicados.

Clínica afirma que sinais não apareceram durante o atendimento

Ryan Watkins declarou que Silvanna não apresentou os sinais normalmente associados à metemoglobinemia durante a cirurgia ou na recuperação.

Segundo o dentista, pacientes com essa alteração costumam apresentar níveis de oxigênio persistentemente baixos, mesmo quando recebem oxigênio suplementar. Ele afirmou que a saturação da menina permaneceu dentro da faixa esperada enquanto ela esteve na clínica.

Watkins acrescentou que, diante de qualquer indício da condição, o procedimento teria sido interrompido e a paciente seria encaminhada imediatamente ao hospital. A Dreamtime Dentistry informou que iniciou uma revisão interna e consultaria especialistas em anestesia odontológica para analisar o atendimento.

Dentista já havia sido investigado após outra emergência

O caso também voltou a chamar atenção para um episódio ocorrido em 2016, quando um paciente de 54 anos sofreu uma parada cardíaca durante um atendimento realizado por Watkins.

Documentos do Conselho de Odontologia da Califórnia indicaram falhas na avaliação e no registro das condições de saúde daquele paciente, além da administração inadequada de um medicamento. O homem sobreviveu, mas sofreu fraturas nas costelas e um comprometimento neurocognitivo leve após a reanimação.

Como consequência do processo disciplinar, Watkins recebeu uma multa superior a US$ 19 mil e ficou em liberdade profissional condicionada por 35 meses, a partir de 2020. Esse período já havia terminado quando Silvanna foi atendida.

Posteriormente, a família da menina entrou com uma ação judicial relacionada à morte. O processo passou a discutir a conduta dos profissionais e da clínica, embora a conclusão do médico-legista tenha classificado o episódio como acidente provocado pela rara alteração sanguínea associada à exposição recente ao óxido nitroso.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.