Investimento em educação para a primeira infância é melhor ‘estratégia anticrime’, diz economista vencedor do Nobel

James J. Heckman é professor de economia da Universidade de Chicago, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2000 e especialista em economia do desenvolvimento humano

REDAÇÃO CONTI outra

A violência assola muitas cidades ao redor do mundo. E dentre todas as medidas que podem ser tomadas para solucionar esse problema, a melhor delas é o investimento em educação para a primeira infância. Quem chegou a esta conclusão foi o economista vencedor do Nobel, James Heckman.

O economista conquistou reconhecimento por seus estudos dedicados à primeira infância (de 0 a 5 anos de idade), sua relação com a desigualdade social e o potencial que há nessa fase da vida para mudanças que possam tirar pessoas da pobreza.

Se o assunto hoje tem atraído mais atenção, muito se deve aos estudos de Heckman, que concluíram que o investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Ele calcula que o retorno financeiro para cada dólar gasto é dos mais altos.

O economista explica que, na etapa entre o nascimento e os cinco anos de idade, o cérebro se desenvolve rapidamente e é mais maleável. Assim, é mais fácil incentivar habilidades cognitivas e de personalidade – atenção, motivação, autocontrole e sociabilidade – necessárias para o sucesso na escola, saúde, carreira e na vida.

Foi no início dos anos 2000 que Heckman começou a se debruçar sobre os dados do Perry Preschool Project, experimento social posto em prática em 1962, na pequena cidade de Ypsilanti, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos. No experimento, 123 alunos da mesma escola foram divididos aleatoriamente em dois grupos.

Um deles, com 58 crianças, recebeu uma educação pré-escolar de alta qualidade e o outro, com 65, não – este último é o grupo de controle. A proposta era testar se o acesso a uma boa educação infantil melhoraria a capacidade de crianças desfavorecidas de obter sucesso na escola e na vida.

“O consenso quando comecei a analisar os dados era de que o programa não tinha sido bem sucedido porque o QI dos participantes era igual ao de não participantes”, lembra ele, anos depois, em conversa com a BBC News Brasil.

Heckman e colegas resolveram analisar os resultados do experimento por outro ângulo.

“Nós olhamos não para o QI, mas para as habilidades sociais e emocionais que os participantes demonstraram em etapas seguintes da vida e vimos que o programa era, na verdade, muito mais bem sucedido do que as pessoas achavam. Constatamos que os participantes tinham mais probabilidade de estarem empregados e tinham muito menos chance de ter cometido crimes”, diz o economista.

Sua análise do programa Perry chegou à conclusão de que houve um retorno sobre o investimento de 7 a 10% ao ano, com base no aumento da escolaridade e do desempenho profissional, além da redução dos custos com reforço escolar, saúde e gastos do sistema penal.

Mais de 50 anos depois do início desse programa, Heckman divulgou, neste mês de maio, nova pesquisa, feita com seu colega na Universidade de Chicago, Ganesh Karapakula, que confirma esses resultados e mostra que não apenas os participantes se beneficiaram do programa pioneiro, mas também seus filhos, estes mais escolarizados e bem empregados do que seus pares.

Os estudos de James Heckman surgem como um importante argumento para sustentar um pensamento que vêm sendo muito difundido, mas pouco praticado, a de que a mais eficiente solução para o desenvolvimento de uma nação é justamento o investimento em educação. Você concorda?

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Redação CONTI outra. Com informações de BBC

Imagem divulgação

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