O pior já passou por algumas áreas do Sul do Brasil, mas o ciclone bomba ainda não saiu totalmente de cena. Neste sábado (8), o centro do sistema está sobre o Atlântico Sul e segue se afastando do continente, enquanto parte de sua circulação continua mexendo com o tempo em diferentes estados brasileiros.
Na prática, isso cria uma situação curiosa: o ciclone está cada vez mais distante, mas ainda consegue favorecer tempestades, ventos fortes e até granizo a centenas de quilômetros de seu centro. Paraná e Santa Catarina estão entre as áreas que exigem maior atenção neste sábado.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno é um ciclone extratropical que passou por rápida intensificação sobre o Atlântico Sul, processo popularmente conhecido como “ciclone bomba”.
Onde está o ciclone bomba agora?
O ciclone segue pelo oceano, em trajetória para sudeste, afastando-se gradualmente da costa brasileira.
O próprio Inmet já indicava que, à medida que o sistema avançasse pelo Atlântico, seus efeitos perderiam força sobre o Rio Grande do Sul. A circulação atmosférica ligada ao fenômeno, entretanto, permaneceria capaz de produzir ventos fortes ao longo das costas Sul e Sudeste.
Neste sábado, os efeitos diretos do ciclone diminuem, mas uma faixa de instabilidade continua posicionada entre o Paraná, o centro e o norte de Santa Catarina, o sul de Mato Grosso do Sul e o centro-sul de São Paulo.
Paraná e Santa Catarina ainda podem ter tempestades
É entre Paraná e Santa Catarina que permanece um dos principais focos de atenção.
A previsão do Inmet aponta chuva acompanhada de trovoadas durante este sábado, além de possibilidade de granizo principalmente entre o centro-leste paranaense e o nordeste catarinense.
Uma das razões é justamente a combinação entre a circulação deixada pelo ciclone e o encontro de massas de ar com características bastante diferentes.
De um lado está o ar frio que avançou pela Região Sul após a passagem do sistema. Do outro, uma massa de ar mais quente e seco domina grande parte do interior brasileiro. A zona de encontro entre essas duas massas favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades.
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Ventos chegaram a superar os 120 km/h
A passagem do sistema também chamou atenção pela intensidade das rajadas.
Durante a fase mais forte do evento, áreas do Sul registraram ventos superiores a 100 km/h, com registros que ultrapassaram os 120 km/h em pontos atingidos pela circulação do ciclone.
A rápida queda da pressão atmosférica é justamente a característica que faz um ciclone extratropical receber informalmente a classificação de “ciclone bomba”. Essa intensificação pode aumentar bastante a velocidade dos ventos ao redor do centro de baixa pressão.
Mesmo após o afastamento do sistema, o Inmet manteve avisos para vendaval em praticamente toda a Região Sul neste sábado.
São Paulo e Mato Grosso do Sul também estão na área de instabilidade
Os reflexos do sistema não ficam restritos aos três estados do Sul.
No sul de Mato Grosso do Sul, ainda há previsão de pancadas isoladas de chuva. Em São Paulo, as instabilidades permanecem principalmente sobre o centro-sul do estado, com possibilidade de trovoadas próximo à divisa com o Paraná.
O Inmet também havia emitido avisos para tempestades e vendavais em áreas paulistas e de outros pontos do Sudeste.
Isso não significa que o centro do ciclone esteja avançando sobre esses estados. O que acontece é que sua circulação interfere na organização dos ventos e das massas de ar em uma área muito maior do que aquela ocupada pelo núcleo do fenômeno.
O frio toma o lugar das tempestades no Rio Grande do Sul
Enquanto Paraná e Santa Catarina ainda convivem com instabilidades, o Rio Grande do Sul entrou em outra fase do evento meteorológico.
Com o afastamento do ciclone, uma massa de ar frio avançou sobre o estado e derrubou as temperaturas. No centro-sul gaúcho, os termômetros podem ficar próximos de 0°C, com condições favoráveis à formação de geada.
Porto Alegre, por exemplo, tem previsão de máxima que não deve passar de aproximadamente 15°C neste sábado.
O ar frio também alcança Santa Catarina e deve avançar para outras áreas nos próximos dias. A previsão do Inmet indica que São Paulo e Rio de Janeiro sentirão a queda de temperatura a partir de segunda-feira (10), embora de maneira menos intensa.
Por que um ciclone que já está no oceano ainda provoca tempestades?
O ciclone funciona como uma grande região de baixa pressão, capaz de alterar o fluxo de ventos em uma área extensa.
Por isso, os efeitos não desaparecem assim que o centro do fenômeno deixa o continente.
Mesmo distante da costa, sua circulação pode ajudar a transportar umidade, organizar frentes e linhas de instabilidade e impulsionar massas de ar frio.
É exatamente o que ocorre neste fim de semana: enquanto o núcleo do ciclone avança sobre o Atlântico Sul, a configuração atmosférica deixada pelo sistema mantém uma faixa propícia a tempestades entre o Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A tendência apontada pelo Inmet é de diminuição progressiva da influência do ciclone durante os próximos dias. No domingo (9) e na segunda-feira (10), o frio ganha mais espaço sobre o Sul, enquanto a faixa de tempestades tende a se deslocar e perder intensidade.
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