Pessoas que se vendem não valem um centavo

Não é de hoje que o luxo, a riqueza e o conforto são atrativos e valorizados nos meios sociais. Com o advento das mídias, incluindo-se a internet, a ostentação, por si só, tornou-se algo rentável, como que um meio de vida. Existem pessoas que sobrevivem e ganham muito dinheiro, inclusive, apenas vivendo e se mostrando, estampando capas de revistas, programas de televisão, perfis que bombam nas redes sociais, por serem ricas e, consequentemente, famosas.

Nesse contexto, não raro se confundem os valores, deixando-se a essência de lado, enquanto se supervalorizam as aparências, ou seja, o que se tem sobrepõe-se ao que se é, porque o que se vê torna-se referência em quaisquer julgamentos sobre o outro. Basta perceber que os cantores atuais também trabalham a imagem, seus corpos e cabelos, pois devem vender muito além de sua voz. Parece que qualquer talento necessariamente precise atrelar-se a um corpo esguio, uma vez que a mídia pede isso.

Nessa lógica materialista, as pessoas acabam sendo tomadas como objetos que podem ser comprados e usados. Infelizmente, tudo vem se tornando mercadoria: pessoas, sentimentos, casamento, empregos, como se o único meio de ocuparmos um lugar ao sol fosse pela sua compra. Compram-se votos, cargos, vaga na faculdade, compram-se amizades, testemunhos, compra-se amor. Sobra pouco para quem não tem grana, mas o que sobra é, ao menos, real.

Nada substitui a satisfação e o contentamento proporcionados pelas conquistas que alcançamos com nossos próprios méritos, pelo que somos verdadeiramente e oferecemos afetivamente. Tudo o que chega com sinceridade e vontade fica e enriquece, pois soma e agrega valores nobres que dinheiro algum corrompe. Quem fica junto pelo que temos dentro de nós traz intensidade, inteireza e completude. Serão os abraços reconfortantes, faça sol ou caia chuva torrencial, sem hesitações, sem meias verdades. Serão o corpo e a alma.

Tentar conquistar algo ou alguém por outros meios que não a nossa verdade nos igualará ao nível de quem se vende. Temos, portanto, que aprender a valorizar além das aparências, apreciando o melhor que cada um possui dentro de si. É preciso cautela com o que brilha demais, afinal, lembremo-nos das mariposas: atraídas pela luz das lâmpadas, acabam antecipando o próprio fim.

Imagem de capa: oneinchpunch/shutterstock







"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.