Num caso em que cada minuto virou argumento, a disputa agora está na linha do tempo: a defesa do adolescente investigado pela morte do cão comunitário Orelha divulgou um vídeo que, segundo os advogados, mostra o animal caminhando pela vizinhança na manhã de 4 de janeiro, depois do horário que a Polícia Civil de Santa Catarina apontou como provável momento das agressões.
A gravação passou a ser usada para questionar a autoria atribuída ao jovem e colocar em dúvida a cronologia apresentada no inquérito.
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A defesa afirma que, se o Orelha aparece andando por volta das 7h, a narrativa policial sobre o horário do ataque (estimado em torno de 5h30) ficaria fragilizada — e reforça que não há imagens do instante da agressão nem testemunhas presenciais do que teria acontecido.
O inquérito foi concluído na terça-feira (3 de fevereiro), com pedido de internação provisória do adolescente. O material foi encaminhado para as instâncias responsáveis por avaliar os próximos passos no âmbito socioeducativo.
A delegada Mardjoli Valcareggi confirmou a autenticidade do vídeo, mas rebateu a leitura de que a polícia teria sustentado “morte logo após” as agressões.

Segundo ela, a investigação trabalha com a possibilidade de que a lesão tenha evoluído ao longo de dias — e que, por isso, o fato de o cão aparecer andando horas depois não derruba, por si só, a hipótese de agressão naquele período.
De acordo com a Polícia Civil, testemunhas relataram ter visto o Orelha ferido ainda no dia 4 e, no dia 5, pessoas ligadas ao resgate apontaram piora do estado de saúde.
A investigação também diz ter analisado imagens de câmeras de segurança que indicariam contradições no depoimento do adolescente, elemento citado como parte do conjunto de indícios reunidos.
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