Ir ao salão para fazer as unhas virou quase tão comum quanto passar no mercado: entra na rotina, dá aquela sensação de “tá tudo em dia” e muita gente faz sem nem pensar muito.
Só que existe um detalhe bem sério que costuma passar batido nesse tipo de atendimento — e ele não tem nada a ver com esmalte, alergia ou “mão pesada” da manicure.
O risco é a hepatite C, uma infecção causada por vírus e transmitida pelo contato com sangue contaminado. O problema é que, em procedimentos que envolvem alicate, tesoura e retirada de cutícula, sangramento pequeno é mais comum do que parece — e é aí que mora o perigo.

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Dentro de um salão, a transmissão pode acontecer quando um instrumento usado em uma pessoa chega na próxima sem esterilização correta.
E não precisa ter “sangue visível” para ser arriscado: às vezes sobra resíduo microscópico em alicates, tesourinhas e espátulas. Se esse material entra em contato com um microcorte (ou com a pele machucada), existe chance de contaminação.
E tem um agravante: muita gente infectada não sabe que está. A pessoa segue a vida normalmente, atende, trabalha, pega ônibus, faz academia… porque a hepatite C pode ficar anos sem dar sinal claro. Isso faz com que o alerta demore a chegar — e, quando chega, pode ser tarde.

O que torna a hepatite C tão perigosa é justamente o “tempo de silêncio”. Em vez de derrubar a pessoa logo de cara, o vírus pode ficar danificando o fígado aos poucos, enquanto o corpo não acusa nada óbvio.
Com o passar dos anos, esse desgaste pode virar fibrose (cicatrizes no fígado) e evoluir para cirrose, uma fase em que o órgão começa a perder funções essenciais.
Quando a cirrose aparece, já não é só “um fígado inflamado”. É quando o corpo começa a sentir falta do que o fígado faz o tempo todo sem a gente perceber: processar e filtrar substâncias do sangue, produzir proteínas importantes para a coagulação, armazenar nutrientes e ajudar a eliminar toxinas.

Aí os sinais podem surgir de forma mais pesada, como pele e olhos amarelados (icterícia), barriga inchada por acúmulo de líquido, sangramentos, confusão mental e queda importante do estado geral.
Nessa etapa mais grave (quando a cirrose “descompensa”), o tratamento fica bem mais complicado e, em alguns casos, o transplante de fígado entra como alternativa. Só que transplante não é “plano rápido”: envolve fila, critérios médicos, compatibilidade e tempo — e nem todo mundo consegue chegar até lá no momento certo.
O que dá para fazer, na prática, para reduzir o risco ao fazer as unhas é simples e bem direto:
- Pergunte como os instrumentos são esterilizados (o padrão mais seguro é autoclave, não só “água quente” ou “solução”).
- Repare se o kit é aberto na sua frente ou se parece ser o mesmo de sempre.
- Evite retirar cutícula, porque é justamente isso que costuma gerar microferimentos.
- Não faça o procedimento se você estiver com cortes, rachaduras ou feridas nas mãos.
- Quando der, leve seu próprio kit (alicate, lixa, espátula) e mantenha ele só para uso pessoal.
- Observe se a profissional higieniza as mãos e troca o que precisa ser trocado entre atendimentos.

É aquele tipo de risco que não faz barulho, não dá “pista” na hora e não vira assunto na conversa do salão — mas pode custar caro lá na frente.
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