Uma ideia positiva por dia: A Lenda do Haikai

Uma reflexão perfeita para o nosso momento.

Ana Macarini

A LENDA DO HAIKAI

Diz a lenda que havia um homem no Japão cuja maior alegria era morar em sua modesta casinha, sozinho, no alto de uma montanha.

Esse homem, no entanto, apesar de apreciar a solitude de seu lar, também amava descer a montanha todas as manhãs para encontrar seus amigos na aldeia à beira do rio.

Acontece que durante uma noite de inverno, o lugar foi atingido por uma forte nevasca.

O homem, que se chamava Bashô, compreendeu que naquele dia não encontraria seus amigos. Ficou chateado, mas pensou: “Amanhã deve parar de nevar e tudo voltará a ser como antes!”.

No entanto, a neve continuou a cair, dia após dia, até que a casa de Bashô ficou coberta de neve.

Depois de uma semana, nosso amigo japonês, privado do convívio com seus amigos, foi acometido por um forte sentimento de raiva e disse pra si mesmo: “Estou furioso aqui trancado nessa casa! Não vou limpar mais nada. Nem lavar a louça. Nem brincar com o cachorro! Só quero ficar quieto na minha cama!”. E assim fez.

Depois de três dias, a neve ainda caía. Bashô olhou em volta e sua raiva se transformou em tristeza, ao ver que sua casa, antes caprichosamente arrumada, agora estava um caos.
Mesmo triste, resolveu arrumar a bagunça e pegar em um baú esquecido no canto da sala, outro cobertor para seu cãozinho, pois estava muito frio. Debaixo do cobertor encontrou uma linda e antiga caixa de lápis coloridos feitos de cera, mais uma belíssima caneta que havia sido presente de aniversário, dado por seus amigos da aldeia.

A lembrança dos amigos, aqueceu o coração de Bashô, fazendo dissipar a raiva, a tristeza e a solidão.

Ele sentou-se à mesa, com uma xícara de chá e deliciado por ter a seus pés, deitado sobre o cobertor quente, seu fiel amiguinho.

Bashô pegou uma folha de papel e pôs-se a escrever os nomes de seus amigos queridos.

Conforme escrevia, teve uma ideia: escreveria pequenos poemas, de três versos, buscando uma rima para enfeitar o primeiro e o último. Os versos haveriam de ser entregues a seus amigos queridos, quando os reencontrasse.

Quando terminou os poemas, pensou que ficariam ainda mais bonitos, se ele acrescentasse às palavras, algumas delicadas ilustrações.

Aquele amoroso trabalho trouxe de volta ao rosto e à alma de Bashô, um genuína sensação de alegria. Bashô pensou que por ter se divertido com aquela tarefa, havia recuperado a harmonia. Então chamou sua criação de haikai. Hai= diversão e Kai = harmonia. ❤

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A proposta de hoje é fazer como fez Bashô. Escrevamos pequenos poemas ilustrados, aos nossos amigos queridos que, por enquanto, não podemos abraçar!

Eu já diz o meu:


Ana Macarini

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"